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Cartografia

Prof. Arildo João de Souza


Prof.ª Catarina Cristina Barbara de Siqueira Meurer
Prof.ª Débora Mabel Cristiano
Prof. Wanderlei Machado dos Santos

Indaial – 2013
Copyright © UNIASSELVI 2013

Elaboração:
Prof. Arildo João de Souza
Prof.ª Catarina Cristina Barbara de Siqueira Meurer
Prof.ª Débora Mabel Cristiano
Prof. Wanderlei Machado dos Santos

Revisão, Diagramação e Produção:


Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri


UNIASSELVI – Indaial.

526
S729c Souza, Arildo João de
Cartografia / Arildo João de Souza; Catarina Cristina Barbara de Siqueira
Meurer; Débora Mabel Cristiano; Wanderlei Machado dos Santos.
Indaial : Uniasselvi, 2013.

210 p. : il

ISBN 978-85-7830-723-3

1. Cartografia.
I. Centro Universitário Leonardo da Vinci.

Impresso por:
Apresentação
Um dos mais importantes instrumentos de trabalho de um geógrafo
ou professor de Geografia é, sem dúvida, o mapa, uma vez que não há como
estudar, interpretar e localizar-se no espaço geográfico sem o seu apoio. No
entanto, não são todos os profissionais desta área que atribuem a devida
importância a este instrumento cartográfico.

A disciplina que estamos iniciando, Cartografia, tem por objetivo levá-


lo(a) a compreender, analisar, interpretar e fazer a correta interpretação dos
mapas. Trata-se de um importante instrumento que auxilia na formação da
cidadania, uma vez que permite ao educando entender a noção da dimensão
de seu município, estado, país e até do planeta inteiro, bem como adquirir
conhecimento sobre os mais variados temas, desde a localização de cidades,
rodovias, ferrovias, sobre a economia, os aspectos físicos e humanos. Enfim,
o mapa nos coloca em contato com o mundo e traz o mundo até nós, sem
necessidade de nos movimentarmos.

Além disso, o mapa estimula a aventura, a traçar novas rotas, a


embrenhar-se por caminhos desconhecidos, conhecendo novos lugares.

É com este espírito de aventura que convidamos você a estudar


neste Caderno de Estudos e a aprender tudo o que ele tem a oferecer sobre a
cartografia e o mundo dos mapas.

Bom estudo!

Prof. Arildo João de Souza


Prof.ª Catarina Cristina Barbara de Siqueira Meurer
Prof.ª Débora Mabel Cristiano
Prof. Wanderlei Machado dos Santos

III
NOTA

Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há
novidades em nosso material.

Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é


o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura.

O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.

Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente,


apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto
em questão.

Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa
continuar seus estudos com um material de qualidade.

Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de


Desempenho de Estudantes – ENADE.
 
Bons estudos!

IV
V
LEMBRETE

Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela


um novo conhecimento.

Com o objetivo de enriquecer seu conhecimento, construímos, além do livro


que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você terá
contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementares,
entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento.

Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.

Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!

VI
Sumário
UNIDADE 1 – FUNDAMENTOS DA CARTOGRAFIA ....................................................................1

TÓPICO 1 – A CONSTRUÇÃO DOS MAPAS ATRAVÉS DA HISTÓRIA....................................3


1 INTRODUÇÃO........................................................................................................................................3
2 O CONCEITO DE CARTOGRAFIA....................................................................................................3
3 O QUE SIGNIFICA UM MAPA............................................................................................................4
4 A HISTÓRIA DOS MAPAS...................................................................................................................4
4.1 QUEM FORAM OS SUMÉRIOS .....................................................................................................5
4.2 A CARTOGRAFIA ENTRE OS HABITANTES DAS ILHAS MARSHALL . .............................6
4.3 CARTOGRAFIA CHINESA..............................................................................................................7
4.4 A INFLUÊNCIA GREGA NA CARTOGRAFIA ...........................................................................8
LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................................10
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................13
AUTOATIVIDADE..................................................................................................................................14

TÓPICO 2 – OS EUROPEUS E A CONSTRUÇÃO DOS MAPAS..................................................15


1 INTRODUÇÃO......................................................................................................................................15
2 A CARTOGRAFIA NA IDADE MÉDIA ..........................................................................................15
3 A INFLUÊNCIA DAS GRANDES NAVEGAÇÕES NA CARTOGRAFIA ..............................16
4 GERHARDT MERCATOR – UM NOVO MARCO NA CARTOGRAFIA ...............................17
5 CARTOGRAFIA PORTUGUESA E SUA INFLUÊNCIA NO BRASIL ......................................19
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................21
AUTOATIVIDADE..................................................................................................................................22

TÓPICO 3 – ORIENTAÇÃO, REDE GEOGRÁFICA, COORDENADAS GEOGRÁFICAS........23


1 INTRODUÇÃO......................................................................................................................................23
2 ORIENTAÇÃO.......................................................................................................................................23
3 REDE GEOGRÁFICA...........................................................................................................................25
3.1 PARALELOS......................................................................................................................................26
3.2 OS MERIDIANOS.............................................................................................................................27
4 COORDENADAS GEOGRÁFICAS .................................................................................................30
4.1 LATITUDE ........................................................................................................................................30
4.2 LONGITUDE.....................................................................................................................................31
LEITURA COMPLEMENTAR 1.............................................................................................................32
LEITURA COMPLEMENTAR 2.............................................................................................................34
LEITURA COMPLEMENTAR 3.............................................................................................................41
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................46
AUTOATIVIDADE..................................................................................................................................47

UNIDADE 2 – CARTOGRAFIA BÁSICA ...........................................................................................49

TÓPICO 1 – REPRESENTAÇÃO DA TERRA.....................................................................................51


1 INTRODUÇÃO......................................................................................................................................51
2 BREVE HISTÓRIA DA REPRESENTAÇÃO TERRESTRE...........................................................51

VII
3 PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS......................................................................................................52
3.1 PROPRIEDADE DAS PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS............................................................53
3.2 SUPERFÍCIES DE PROJEÇÃO . .....................................................................................................54
3.3 PROJEÇÕES MAIS USADAS E SUAS CARACTERÍSTICAS ...................................................56
3.3.1 Projeção policônica .................................................................................................................56
3.3.2 Projeção cônica normal de Lambert . ..................................................................................57
3.3.3 Projeção cilíndrica transversa de Mercator..........................................................................58
3.3.4 Projeção cilíndrica equivalente de Peters.............................................................................59
3.3.5 Projeção cônica.........................................................................................................................60
3.3.6 Projeção de Mollwiede............................................................................................................61
3.3.7 Projeção azimutal.....................................................................................................................62
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................63
AUTOATIVIDADE..................................................................................................................................64

TÓPICO 2 – CARTOGRAFIA TOPOGRÁFICA E TEMÁTICA......................................................65


1 INTRODUÇÃO......................................................................................................................................65
2 CARTOGRAFIA TOPOGRÁFICA.....................................................................................................66
2.1 SÉRIES CARTOGRÁFICAS.............................................................................................................68
2.1.1 Carta Internacional do Mundo ao Milionésimo - CIM......................................................68
3 CARTOGRAFIA TEMÁTICA.............................................................................................................70
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................73
AUTOATIVIDADE..................................................................................................................................74

TÓPICO 3 – PLANTAS, CARTAS E MAPAS; ESCALAS; A CONSTRUÇÃO DE


SÍMBOLOS E LEGENDAS; FUSOS HORÁRIOS........................................................75
1 INTRODUÇÃO......................................................................................................................................75
2 MAPA, CARTA, PLANTA....................................................................................................................75
2.1 MAPA.................................................................................................................................................76
2.2 CARTA...............................................................................................................................................77
2.3 PLANTA.............................................................................................................................................78
3 ESCALAS.................................................................................................................................................79
3.1 ESCALA NUMÉRICA......................................................................................................................80
3.2 ESCALA GRÁFICA..........................................................................................................................81
4 A CONSTRUÇÃO DE SÍMBOLOS E LEGENDAS........................................................................83
4.1 ELEMENTOS DE REPRESENTAÇÃO..........................................................................................84
4.1.1 Planimetria . .............................................................................................................................85
4.1.2 Hidrografia...............................................................................................................................86
4.1.3 Vegetação..................................................................................................................................86
4.1.4 Unidades político-administrativas........................................................................................87
4.1.5 Sistema viário...........................................................................................................................89
4.1.6 Linhas de limite........................................................................................................................89
4.1.7 Aspectos do relevo...................................................................................................................90
4.1.7.1 Principais características (IBGE).........................................................................................91
4.1.8 Curvas de nível........................................................................................................................92
4.1.8.1 Formas topográficas.............................................................................................................92
4.1.8.2 Cores hipsométricas.............................................................................................................93
4.1.8.3 Relevo sombreado................................................................................................................93
5 FUSOS HORÁRIOS..............................................................................................................................94
5.1 LINHA INTERNACIONAL DE DATA.........................................................................................96
5.2 FUSOS HORÁRIOS BRASILEIROS...............................................................................................97
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................99
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................100

VIII
TÓPICO 4 – ATIVIDADES DIDÁTICAS PARA O ENSINO E APRENDIZAGEM
DA CARTOGRAFIA NA GEOGRAFIA.....................................................................103
1 INTRODUÇÃO....................................................................................................................................103
2 ATIVIDADES DIDÁTICAS DE CARTOGRAFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL.............104
2.1 CONSTRUÇÃO DE UMA MAQUETE DO QUARTO . ..........................................................104
2.2 JOGO BATALHA NAVAL.............................................................................................................105
2.3 A NOÇÃO DE ESCALA................................................................................................................106
2.4 NOÇÃO DE ESCALA: PLANTA BAIXA DA SALA DE AULA..............................................107
2.4.1 Distância entre os pontos......................................................................................................108
2.5 DA MAQUETE À PLANTA DA SALA DE AULA....................................................................109
2.6 PLANTA DA SALA DE AULA.....................................................................................................110
2.7 ATIVIDADES COM VARETAS.....................................................................................................112
2.8 REPRESENTAÇÃO DE TRAJETOS.............................................................................................112
2.9 TRABALHO COM BÚSSOLA......................................................................................................113
2.10 CONSTRUINDO UMA BÚSSOLA SIMPLES...........................................................................113
2.11 DETERMINAR OS PONTOS CARDEAIS OBSERVANDO AS ESTRELAS.........................115
2.12 O JOGO DE FUTEBOL.................................................................................................................117
2.13 TRABALHO COM A POSIÇÃO DO SOL.................................................................................118
2.14 ATIVIDADES COM GLOBOS.....................................................................................................118
2.15 ATIVIDADES COM FOTOS OU IMAGENS.............................................................................119
2.16 COORDENADAS GEOGRÁFICAS...........................................................................................119
2.17 PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS...............................................................................................120
2.17.1 Utilizando a laranja para a compreensão das projeções................................................120
2.17.2 Projeções cilíndricas, cônicas e planas..............................................................................120
2.18 BINGO DAS COORDENADAS GEOGRÁFICAS....................................................................121
2.19 ATIVIDADES DE FUSO HORÁRIO..........................................................................................122
2.20 ROSA DOS VENTOS OU ROSA NAÚTICA............................................................................126
3 CARTOGRAFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL E ENSINO MÉDIO...................................129
LEITURA COMPLEMENTAR..............................................................................................................131
RESUMO DO TÓPICO 4......................................................................................................................134
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................135

UNIDADE 3 – AS NOVAS TECNOLOGIAS CARTOGRÁFICAS ..............................................137

TÓPICO 1 – NOÇÕES BÁSICAS DE FOTOGRAMETRIA...........................................................139


1 INTRODUÇÃO....................................................................................................................................139
2 NOÇÕES BÁSICAS DE FOTOGRAMETRIA...............................................................................140
2.1 APLICABILIDADE DA FOTOGRAMETRIA.............................................................................140
2.2 OBTENÇÃO DE UMA FOTOGRAFIA AÉREA.........................................................................141
2.2.1 Fotografias aéreas..................................................................................................................141
2.2.2 Interpretação de fotografia aérea.........................................................................................143
2.2.3 Escala de uma fotografia aérea............................................................................................144
3 SISTEMA DE POSICIONAMENTO GLOBAL (GPS).................................................................146
3.1 PRINCÍPIO BÁSICO DE FUNCIONAMENTO.........................................................................149
3.2 GPS DIFERENCIAL OU DGPS.....................................................................................................151
LEITURA COMPLEMENTAR..............................................................................................................153
RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................157
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................158

IX
TÓPICO 2 – SENSORIAMENTO REMOTO....................................................................................159
1 INTRODUÇÃO....................................................................................................................................159
2 GEOPROCESSAMENTO...................................................................................................................167
2.1 APLICAÇÃO DO GEOPROCESSAMENTO EM IMAGENS DO SATÉLITE
LANDSAT........................................................................................................................................168
LEITURA COMPLEMENTAR..............................................................................................................169
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................172
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................173

TÓPICO 3 – SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA (SIG).............................................175


1 INTRODUÇÃO....................................................................................................................................175
2 SURGIMENTO E EVOLUÇÃO DA TECNOLOGIA SIG...........................................................176
3 UTILIZAÇÃO DO SIG.......................................................................................................................178
LEITURA COMPLEMENTAR..............................................................................................................181
RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................184
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................185

TÓPICO 4 – O USO DAS TECNOLOGIAS NO ENSINO E APRENDIZAGEM


DA CARTOGRAFIA E GEOGRAFIA.........................................................................187
1 INTRODUÇÃO....................................................................................................................................187
2 GEOTECNOLOGIAS NO ENSINO DA CARTOGRAFIA ESCOLAR E
GEOGRAFIA........................................................................................................................................188
LEITURA COMPLEMENTAR..............................................................................................................191
RESUMO DO TÓPICO 4......................................................................................................................194
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................195

REFERÊNCIAS........................................................................................................................................197
APÊNDICES.............................................................................................................................................202

X
UNIDADE 1

FUNDAMENTOS DA CARTOGRAFIA

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:

• compreender a história da Cartografia;

• conhecer os primeiros mapas e sua importância histórica;

• saber como os diferentes povos representavam seus mapas;

• compreender o que significa rede geográfica e coordenadas geográficas.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está organizada em três tópicos. Em cada um deles,
você encontrará atividades para uma maior compreensão das informações
apresentadas.

TÓPICO 1 – A CONSTRUÇÃO DOS MAPAS ATRAVÉS DA HISTÓRIA

TÓPICO 2 – OS EUROPEUS E A CONSTRUÇÃO DOS MAPAS

TÓPICO 3 – ORIENTAÇÃO, REDE GEOGRÁFICA, COORDENADAS


GEOGRÁFICAS

CHAMADA

Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos


em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá
melhor as informações.

1
2
UNIDADE 1
TÓPICO 1

A CONSTRUÇÃO DOS MAPAS ATRAVÉS DA HISTÓRIA

1 INTRODUÇÃO

Desde os tempos pré-históricos, antes mesmo da invenção da escrita, o


homem vem registrando e armazenando os conhecimentos sobre a superfície da
Terra na forma de mapas, confeccionados com técnicas rudimentares e valendo-se
dos materiais disponíveis, como placas de argilas (babilônios), papiros (egípcios),
além dos maias, esquimós, chineses, astecas, entre outros, cada qual refletindo a
cultura própria de sua sociedade, tendo como objetivo conhecer e administrar o
uso do espaço geográfico que ocupavam.

2 O CONCEITO DE CARTOGRAFIA
O conceito de CARTOGRAFIA foi estabelecido em 1966 pela Associação
Cartográfica Internacional (ACI) e, posteriormente, ratificado pela UNESCO, no
mesmo ano.

Apresenta-se como o conjunto de estudos e operações científicas,


técnicas e artísticas que, tendo por base os resultados de observações
diretas ou da análise de documentação, se voltam para a elaboração
de mapas, cartas e outras formas de expressão ou representação de
objetos, elementos, fenômenos e ambientes físicos e socioeconômicos,
bem como a sua utilização. (UNESCO apud IBGE, 2007).

Este termo foi apresentado pela primeira vez pelo historiador português
Manuel Francisco Carvalhosa, Visconde de Santarém, em carta datada de 8 de
dezembro de 1839, de Paris, e endereçada ao historiador brasileiro Francisco
Adolfo de Varnhagen, tornando-se internacionalmente consagrado pelo uso.

“CARTOGRAFIA - no sentido lato da palavra não é apenas uma das


ferramentas básicas do desenvolvimento econômico, mas é a primeira ferramenta
a ser usada antes que outras ferramentas possam ser postas em trabalho” (ONU
apud IBGE, 2007).

3
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DA CARTOGRAFIA

3 O QUE SIGNIFICA UM MAPA


O termo “mapa” e “mapeamento” também é comum a outras áreas
da ciência, entre elas, economia, medicina etc. Contudo, enquanto produto é
diferente do conceito utilizado pela Cartografia.

Para Loch (2006, p. 33), “Os mapas da Cartografia têm características


típicas que os classificam e representam elementos selecionados em um
determinado espaço geográfico, de forma reduzida, utilizando simbologia e
projeção cartográfica [...]”.

Para os cartógrafos, os mapas são veículos de transmissão do conhecimento.


Eles são representações gráficas de determinado espaço geográfico, concebidos
para transmitir a visão subjetiva ou o conhecimento de alguém ou de poucos para
muitos.

Segundo MacEacheren (1994 apud LOCH, 2006, p. 33), “o mapa é


principalmente um dispositivo de apresentação. Ele apresenta uma vista abstrata
de uma porção do mundo com ênfase em algumas feições selecionadas”.

Desta forma, como adverte Loch (2006, p. 34),

[...] se os mapas são modelos da realidade e a realidade é vista de


maneira individual, então eles são subjetivos e não podem ser
considerados como fotografias da realidade ou a própria realidade
reduzida. Veja, um bichinho de pelúcia é um modelo de algum animal,
mas não é o animal reduzido, por mais que lhe sejam dados atributos
característicos daquilo que está representado.

Um mapa, portanto, pode ajudar a conhecer e a interpretar uma parcela


da realidade, seja esta física, política, econômica, populacional, entre outras, mas
jamais este instrumento lhe dará uma visão total da realidade estudada.

4 A HISTÓRIA DOS MAPAS


O mapa mais antigo registrado é o mapa de Ga-Sur (Figura 1 e 2) que foi
confeccionado pelos sumérios, povo que habitou a Mesopotâmia, entre 3.800
a 2.500 anos a.C. Este mapa mostra o Rio Eufrates, os acidentes geográficos
circunvizinhos e os pontos cardeais.

4
TÓPICO 1 | A CONSTRUÇÃO DOS MAPAS ATRAVÉS DA HISTÓRIA

FIGURA 1 – MAPA DE GA-SUR

FONTE: UFRGS. Disponível em: <http://www.ufrgs.br/museudetopografia/museu/ his_topo.


html>. Acesso em: 10 mar. 2007.

FIGURA 2 – INTERPRETAÇÃO DO MAPA ANTERIOR

FONTE: UFRGS. Disponível em: <http://www.ufrgs.br/museudetopografia/museu/his_topo.


html>. Disponível em: 10 mar. 2007.

4.1 QUEM FORAM OS SUMÉRIOS


   A origem deste povo permanece desconhecida até os dias atuais, porém
os primeiros registros desta civilização datam de mais de 2.300 anos antes de
Cristo.

5
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DA CARTOGRAFIA

A astronomia suméria, avançada para a época, permitia obter cálculos


do ciclo lunar que diferiam somente 0.4 segundos dos cálculos atuais. Foi
encontrado também, na colina de Kuyundjick (a antiga Nínive), um cálculo
com 15 casas, com resultado final igual a 195.955.200.000.000. Os gregos, no
auge de sua civilização, não ultrapassaram o número 10.000, considerando
tudo o que passasse deste valor como infinito.

Na cidade de Nipur, a 150 quilômetros de Bagdá, foi encontrada uma


biblioteca sumeriana inteira, contendo cerca de 60.000 placas de barro com
inscrições cuneiformes como na figura a seguir.

FONTE: ACASICOS. O mistério dos sumérios. Disponível em: <http://www.acasicos.com.br/


html/sumer.htm>. Acesso em: 12 mar. 2007.

FIGURA 3 – PLACA DE ARGILA COM ESCRITA CUNEIFORME

FONTE: WIKIPEDIA. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem:Cuneiform_script2.


jpg>. Acesso em: 15 mar. 2007.

4.2 A CARTOGRAFIA ENTRE OS HABITANTES DAS ILHAS


MARSHALL
Um mapa confeccionado com tiras de palha e conchas na figura a seguir
representando as ilhas Marshall, no Oceano Pacífico, nordeste da Austrália, é
atribuído aos nativos habitantes destas ilhas.

6
TÓPICO 1 | A CONSTRUÇÃO DOS MAPAS ATRAVÉS DA HISTÓRIA

FIGURA 4 – MAPA DAS ILHAS MARSHALL

FONTE: UFRGS. Disponível em: <http://www.ufrgs.br/museudetopografia/museu/his_topo.


html>. Acesso em: 16 mar. 2007.

4.3 CARTOGRAFIA CHINESA


A Cartografia chinesa já era desenvolvida antes que os europeus
começassem a apresentar os primeiros trabalhos de destaque neste campo de
conhecimento. Em várias regiões da China foram encontrados documentos
antigos bastante valiosos que comprovam o cuidado dos governantes em registrar
em mapas as riquezas naturais daquele país.

Pei Hsiu (224-273 d. C.) é, possivelmente, um dos nomes mais respeitados


da Cartografia chinesa antiga, cujos trabalhos cartográficos eram acompanhados
por textos explicativos. Embora os mapas confeccionados por ele não tenham sido
encontrados, os textos escritos foram reconstituídos por estudiosos que chegaram
à conclusão de que muitos princípios cartográficos conhecidos atualmente já
eram empregados por este cartógrafo.

Outro trabalho cartográfico chinês conhecido é o do Almirante Zheng


He (1371-1433), XV da era atual, tratando-se de um mapa náutico, na figura a
seguir, manuscrito, com 5,60m de comprimento e 20,5 cm de largura, mostra o
itinerário desde o porto de Nanquim, na China, passando pelo estreito de Ortnuz
e os portos da costa oriental da África, num percurso de aproximadamente 12
mil km. O mapa mostra as rotas marítimas através de linhas pontilhadas com
diversas instruções de navegação, mostrando ainda outras informações através
de símbolos que representam os acidentes geográficos. (DUARTE, 2002).

7
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DA CARTOGRAFIA

FIGURA 5 – MAPA DE ZHENG HE

FONTE: UFRGS. Disponível em: <http://www.ufrgs.br/museudetopografia/museu/ his_topo.


htm>. Acesso em: 11 mar. 2007.

4.4 A INFLUÊNCIA GREGA NA CARTOGRAFIA


Eratóstones (276-196 a.C.), na figura a seguir, calculou as medidas para a
determinação do círculo máximo do Globo terrestre, chegando ao valor de 46.250
km. Este pesquisador foi o primeiro a tentar medir o raio da Terra.

Eratóstenes comprovou, pela trigonometria, a esfericidade da


Terra e mediu com engenhosidade e relativa precisão o perímetro de sua
circunferência.

Num dos rolos de papiro da Biblioteca de Alexandria, encontrou a


informação de que na cidade de Siena (hoje Assuã), ao meio-dia do solstício
de verão (o dia mais longo do ano, 21 de junho, no Hemisfério Norte), o Sol se
situava a prumo, pois iluminava as águas profundas de um poço. Entretanto,
o geômetra observou que, no mesmo horário e dia, as colunas verticais da
cidade de Alexandria projetavam uma sombra perfeitamente mensurável.
Conforme concluiu, este fato só poderia ser possível se a Terra fosse esférica.

Aguardou o dia 21 de junho do ano seguinte e determinou que se


instalasse uma grande estaca em Alexandria. Ao meio-dia, enquanto o
Sol iluminava as profundezas do poço em Siena (fazia ângulo de 90º com

8
TÓPICO 1 | A CONSTRUÇÃO DOS MAPAS ATRAVÉS DA HISTÓRIA

a superfície da Terra), Eratóstenes mediu, em Alexandria, o ângulo de


inclinação dos raios solares, 7º12’, ou seja, aproximadamente 1/50 dos 360º de
uma circunferência. Portanto, o comprimento do meridiano terrestre deveria
ser 50 vezes a distância entre Alexandria e Siena.

Alexandria e Siena situavam-se a uma distância desconhecida. Para


medi-la, Eratóstenes determinou que uma equipe de instrutores com seus
camelos e escravos a pé seguissem em linha reta, percorrendo desertos,
aclives, declives e tendo que, inclusive, atravessar o rio Nilo. A distância
mensurada foi de 5.000 estádios ou cerca de 925 km. Assim, multiplicando
925 km por 50, conjecturou que o perímetro da Terra seria de 46.250 km,
razoavelmente próximo do valor correto (40.076 km).

FONTE: WIKIPEDIA. Esfericidade da Terra. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/ _


Esfericidade_da_Terra>. Acesso em: 16 fev. 2007.

FIGURA 6 – ERATÓSTENES

FONTE: WIKIPEDIA. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem: Portrait_of_


Eratosthenes.png>. Acesso em: 10 fev. 2007.

No século II a. C., Hiparco de Nicea (160-120 a. C.) leva para a Grécia os


conhecimentos dos babilônios a respeito da graduação sexagesimal do círculo e,
a partir disto, define a rede de paralelos e meridianos do globo terrestre.  

Marino de Tiro (século I) define os princípios da Geografia Matemática


e estabelece, pela primeira vez, a posição astronômica de numerosos lugares e
cidades, especialmente na zona mediterrânea.  

Claudio Ptolomeu (90-168 d.C.) nasceu no início do século II da era


cristã em Ptololemaida, Hérmia. Realiza observações astronômicas na cidade de
Alexandria e escreve sua principal obra denominada Megalé Sintaxis ou Grande
Construção que trata da Terra, do Sol, da Lua, do Astrolábio e de seus cálculos, das
Elipses, um catálogo de estrelas e, finalmente, os cinco planetas e suas diversas
teorias. Esta obra recebeu o título de El Almagesto na língua árabe (UFRGS, 2007).

9
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DA CARTOGRAFIA

Nesta obra, Ptolomeu aceita as medidas do grau e estabelece, através de


cálculos, o comprimento do círculo máximo, para o qual obteve o valor de 30.000
km. O erro associado a esta medida cria a falsa impressão de que a Europa e
a Ásia se estendiam por mais da metade de toda a longitude terrestre, quando
realmente cobre apenas 130°.

Não se conhece nenhum exemplar do mapa de Ptolomeu, entretanto,


foram realizadas numerosas cartas com esta denominação até a entrada do século
XVII. Entre estas, as mais conhecidas são os Atlas publicados em 1477 em Bolonha,
o de 1478 em Roma e o de 1482 em Ulm.  

O resultado da pesquisa sobre astronomia, realizada por Claudio


Ptolomeu no século II, sustentando a tese de que a Terra ocupava o centro do
universo, foi adotado pela Igreja durante toda a Idade Média, por 14 séculos, até
ser derrubada pelas teorias de Copérnico e Galileu.

Segundo Ptolomeu, os planetas, o Sol e a Lua giravam em torno da Terra


na seguinte ordem: Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno. Com a
ajuda da trigonometria, Ptolomeu estudou o movimento desses astros propondo
uma explicação bastante simplista para o problema do movimento aparente
dos planetas, pois eles parecem deter-se em determinados pontos de suas
órbitas, inverter seu movimento, deter-se novamente e, finalmente, mover-se na
direção inicial. Esses fenômenos devem-se, na realidade, ao fato de a Terra e os
planetas moverem-se com velocidades diferentes em órbitas aproximadamente
concêntricas e circulares. Ptolomeu, porém, para procurar explicar esse fenômeno
aparentemente tão estranho, elaborou um sistema bastante complicado,
embora geometricamente plausível. Os planetas estariam fixados sobre esferas
concêntricas de cristal, presididas pela esfera das estrelas. Todas essas esferas
girariam com velocidades diferentes, o que, julgava Ptolomeu, explicava as
diferentes velocidades médias com que se moviam os diversos planetas.

Personalidade das mais célebres da época do imperador Marco Aurélio,


Ptolomeu foi o último dos grandes sábios gregos e procurou sintetizar o trabalho
de seus predecessores. Por meio de suas obras de Astronomia, Matemática,
Geometria, Física e Geografia, a civilização medieval teve seu primeiro contato
com a ciência grega. (GEOCITIES, 2007).

LEITURA COMPLEMENTAR

A ORIGEM DA CARTOGRAFIA

A cartografia surgiu por volta do ano de 2500 a.C., quando foi confeccionado
pelos sumérios o que é considerado o primeiro mapa da história: uma placa de
barro cozido com inscrições em caracteres cuneiformes (escrita suméria) onde foi
representado o lado setentrional da região mesopotâmica.

10
TÓPICO 1 | A CONSTRUÇÃO DOS MAPAS ATRAVÉS DA HISTÓRIA

Mas bem antes disso, o homem já havia se utilizado de pinturas (inclusive


pinturas rupestres feitas com a intenção de representar o caminho dos locais
onde havia caça) e até mesmo de entalhes e verdadeiras maquetes de pedra
confeccionadas por esquimós e pelos astecas, respectivamente, como uma
tentativa de representar pequenas localidades.

A “Pedra de Saihuite”, por exemplo, representa, junto com os entalhes


esquimós, um dos primeiros trabalhos realizados com a técnica do que é chamado
de “cartografia em relevo”, e foi feita para representar um bairro de uma cidade
asteca. De fato, os astecas eram hábeis na confecção de representações geográficas,
como o “Mapa de Tecciztlán”, que contém dados como a fauna da região retratada,
e o “Códice Tepetlaoztoc”, todo colorido e que traz rotas terrestres e fluviais.

Os egípcios e chineses também dominaram a técnica da cartografia há


muito tempo. Estima-se que os chineses usam a representação gráfica de regiões
desde o século IV a.C. Para eles, os mapas serviam não só para se orientar, mas
também para fins bélicos e para demarcar regiões, garantindo, assim, que os
impostos fossem pagos.

Os egípcios também os usavam como ferramenta administrativa, para


cobrar impostos e demarcar a terra. Mas, mais do que isso, foram eles que
desenvolveram o método da triangulação para determinar distâncias baseados
na matemática, e o “nível”, instrumento em forma de “A” com um pêndulo no
meio, usado para medir áreas. Os egípcios faziam, ainda, registros cadastrais das
terras em documentos considerados cartas geográficas. Seus túmulos e alguns
papiros representavam o mundo dos mortos. Como se fossem um mapa do outro
mundo, eles serviam para guiar as almas e, frequentemente, representavam o rio
Nilo e planícies férteis.

Mas, destacaram-se mesmo na cartografia os gregos. O sistema cartográfico


contemporâneo nasceu nas escolas de Alexandria e Atenas. A primeira tentativa
de representar o mundo foi babilônica, mas sua concepção de mundo era limitada
à região entre os rios Eufrates e Tigre, o que não diminui a importância do feito.
Entretanto, os gregos se destacam porque foram os primeiros a usar uma base
científica e a observação.

Usando a trigonometria, Eratóstenes (276-194 a.C.) mediu a circunferência


da Terra, chegando bem perto dos 40.076 km reais (segundo ele, eram 45.000 km).
Anaximandro de Mileto (610-546 a.C.) representava o mundo como um círculo
achatado, onde estavam Europa, Ásia e África circundadas por um oceano. Foi
ele quem primeiro sugeriu que a Terra, por estar a igual distância dos demais
astros, flutuava no espaço sem nenhum tipo de suporte ou apoio.

Mais tarde, Pitágoras defendeu que a Terra era esférica, de acordo com
suas observações práticas e filosóficas (para ele, a forma esférica era a mais
perfeita), que só seriam aceitas no meio científico anos depois, pela influência
de Aristóteles. Hiparco (190 a.C. a 120 a.C.), astrônomo grego, foi quem criou
o sistema de coordenadas geográficas de latitude e longitude, utilizando-se da
matemática e da observação dos astros celestes.

11
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DA CARTOGRAFIA

Mas o trabalho mais importante da cartografia na época clássica foi,


sem dúvida, a obra em oito volumes escrita por Claudius Ptolomeu. Sua obra,
“Geographia”, contém as coordenadas de oito mil lugares, a maioria calculada
por ele próprio, e, no último volume, ele dá dicas para a elaboração de mapas-
múndi e discute alguns pontos fundamentais da cartografia. Foi Ptolomeu
também quem primeiro defendeu a teoria geocêntrica, ao afirmar que a Terra era
um corpo fixo em torno do qual giravam os outros planetas.

Os romanos também se utilizavam de mapas, embora se preocupassem


mais com seu caráter prático e, por isso, preferiam mapas que representavam
áreas menores, rotas comerciais e territórios, como, por exemplo, a “Tábua de
Peutinger”, que em seus mais de seis metros de comprimento por 30 centímetros
de largura, representava diversos itinerários do Império Romano. Para isso,
eles usavam o astrolábio, ou dioptra – como era chamado pelos gregos – um
instrumento usado para se determinar a localização de pontos na Terra por meio
da observação dos fenômenos celestes.

Findo o período clássico, a cartografia passou por um período de pouco


desenvolvimento durante o início da Idade Média, quando a Igreja teve forte
influência sobre a confecção dos mapas, que eram feitos de tal forma a perderem
a exatidão. Nessa época, os árabes foram os principais responsáveis por
qualquer desenvolvimento na área e foram, inclusive, responsáveis por trazer a
bússola para o Ocidente, propiciando os mecanismos para o desenvolvimento
de mais um tipo de carta pelos genoveses, as Cartas Portulanas, utilizadas para
navegação.

Logo em seguida a esse período, no final da Idade Média, todo o


conhecimento em torno da cartografia que estava esquecido no Ocidente, mas
que vinha sendo preservado pelos árabes, voltou à tona, atingindo seu apogeu
na época das Grandes Navegações, quando se inicia a Idade Moderna. Com a
descoberta do Continente Americano, a cartografia toma mais um fôlego e iniciam
os trabalhos para mapear o novo continente. Juan de La Cosa faz, então, o primeiro
mapa-múndi a conter o novo mundo, em 1500. Foi nessa época (século XVI), após
o descobrimento da América, que o holandês Gerhard Mercator, utilizando-se de
todo o conhecimento produzido até a época, confeccionou o mapa-múndi que
levaria seu nome e que representava grandes rotas em linhas retas.

Mas foi só a partir do século XVII que os países começam a se preocupar


mais com o rigor científico dos mapas. É realizado então o primeiro levantamento
topográfico oficial na França, em 1744, chefiado por César-François Cassini
(1744-1784), que seriam os precursores dos mapas modernos. Do século XX em
diante, com o desenvolvimento das técnicas cartográficas e o aperfeiçoamento da
fotografia, a aviação e a informática, a cartografia dá um salto.

Atualmente são utilizadas fotos áreas e de satélites para a realização de


mapas e cartas, que cada vez mais são utilizados eletronicamente, descartando a
necessidade de impressão e tornando-os interativos.
FONTE: Disponível em: <http://www.ufrgs.br/museudetopografia/Artigos/História_da_Cartografia.
pdf>. Acesso em: 24 mar. 2013.
12
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:

 Ditode forma mais simples, podemos dizer que Cartografia é a arte de fazer
mapas.

 O mapa com registro mais antigo é o mapa de Ga-Sur, confeccionado pelos


sumérios, povo que habitou a Mesopotâmia entre 3.800 a 2.500 anos a.C. Este
mapa mostra o Rio Eufrates e os acidentes geográficos circunvizinhos.

 Os habitantes das Ilhas Marshall confeccionaram um mapa usando tiras e


conchas, para representar a localização das Ilhas.

 A Cartografia chinesa já era desenvolvida antes que os europeus começassem a


apresentar os primeiros trabalhos de destaque neste campo de conhecimento.

 Eratóstones
(276-196 a.C.) calculou as medidas para a determinação do círculo
máximo do Globo terrestre, chegando ao valor de 46.250 km.

 Claudio Ptolomeu, no século II, sustentou a tese de que a Terra ocupava o


centro do universo, tese adotada pela Igreja durante toda a Idade Média, por
14 séculos, até ser derrubada pelas teorias de Copérnico e Galileu.

13
AUTOATIVIDADE

No decorrer do texto, abordamos a forma como os diferentes povos


elaboravam seus mapas para representar o lugar onde viviam. Desenhe em uma
cartolina um mapa, mesmo que seja rudimentar, representando o trajeto de sua
casa até o local de reuniões para estudar esta disciplina. Procure representar não
apenas o trajeto, mas a geografia da sua região, como relevo, rios, área agrícola,
pastagem, mata nativa, reflorestamento, área urbana, localização de alguma
indústria; enfim, referências que ajudem a registrar, de forma cartográfica, a
paisagem relativa ao seu cotidiano. Guarde este mapa, pois você vai utilizá-lo
em atividades futuras.

14
UNIDADE 1
TÓPICO 2

OS EUROPEUS E A CONSTRUÇÃO DOS MAPAS

1 INTRODUÇÃO
Como vimos no tópico anterior, a Cartografia nasceu antes mesmo do
aparecimento da escrita. Cada povo deu sua contribuição, que, acrescentada por
outras civilizações, deram origem aos mapas como conhecemos. Porém, foi o
geógrafo flamengo Gerardo Mercator, na Europa do século XVI, quem forneceu
as bases para a cartografia atual, como a projeção cilíndrica e UTM (Universal
Transversa de Mercator).

TURO S
ESTUDOS FU

A respeito de UTM – Universal Transversa de Mercator, você estudará na


Unidade 3.

2 A CARTOGRAFIA NA IDADE MÉDIA


A Idade Média foi marcada por um período de decadência também da
Cartografia:

A cultura dos começos da Idade Média representou, sem dúvida,


em certos aspectos, uma volta ao barbarismo. O intelecto não só
estagnou, mas até mergulhou em abismos profundos de ignorância e
credulidade. (GURNS apud DUARTE, 2002, p. 256).

Segundo Duarte (2002, p. 33), a Cartografia da baixa Idade Média


foi das mais pobres, tendo-se um exemplo na obra denominada Topografia
Cristã, de autoria do frade Cosmas Indiocopleustes, editada pelos idos
do ano 535, em que este nega a existência de antípodas (lugar que seria

15
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DA CARTOGRAFIA

diametralmente oposto a outro no globo terrestre); nega também a ideia da


esfericidade dos céus e da Terra. Para ele, a Bíblia não podia admitir um mundo
de face para baixo. Como poderia haver tamanha insensatez, acreditando-se
que houvesse homens com os pés para cima, lugares com tudo dependurado
ao contrário, árvores crescendo às avessas, ou então a chuva caindo de baixo
para cima? Tais ideias seriam contrárias aos ensinamentos cristãos, pois a
Teologia era a rainha das ciências e tudo que houvesse para ser dito já estaria
contemplado nas Sagradas Escrituras.

3 A INFLUÊNCIA DAS GRANDES NAVEGAÇÕES NA


CARTOGRAFIA
Dom Henrique, Infante de Portugal, funda em 1420 a Escola de Navegadores
em Sagres, promovendo a partir daí uma autêntica revolução na produção de
cartas e mapas motivada pela divulgação e ressurgimento das teorias de Ptolomeu
e pela invenção da imprensa, possibilitando estampar os mapas sobre pranchas de
bronze.

A Cartografia passou a ter, portanto, grande impulso na Europa a partir das


viagens de exploração de novas terras, o que fez com que os navegadores sentissem
a necessidade de poder contar com mapas cada vez mais atualizados e perfeitos.
Os relatos das viagens dos navegadores, por outro lado, foram fundamentais para
atualizá-los. Gradativamente foram surgindo especialistas na arte de confeccionar
mapas, bem como, fábricas de mapas, onde as cópias eram obtidas manualmente
por meio de desenhista, isto até o surgimento da imprensa.

 Juan de la Cosa participou, em 1492, da expedição de Cristóvão Colombo,


sendo proprietário da “Santa Maria”, principal navio da expedição.

As relações de Juan de la Cosa com o Almirante não foram boas. Este chega
até a acusá-lo de ser o responsável pelo naufrágio da “Santa Maria”, na noite de
Natal de 1492.

Quando regressou, construiu sua famosa “Carta mapa-múndi” (na figura


a seguir) no qual reúne e representa todas as terras descobertas por portugueses
e espanhóis, compreendidas as descobertas por Caboto. O mapa é desenhado
no porto de Santa Maria em 1500, sendo depois solicitado por reis católicos.
Atualmente, este mapa encontra-se no Museu Naval de Madri (UFRGS, 2007).

16
TÓPICO 2 | OS EUROPEUS E A CONSTRUÇÃO DOS MAPAS

FIGURA 7 – CARTA DO MUNDO - 1500

FONTE: UFRGS. Disponível em: <http://www.ufrgs.br/ museudetopografia/museu/ his_topo.


html>. Acesso em: 11 mar. 2007.

Pedro e Jorge Reinel constroem, em Sevilha, em 1519, um planisfério com


o equador graduado e destinado à expedição de Magalhães.

4 GERHARDT MERCATOR – UM NOVO MARCO NA


CARTOGRAFIA

Gerhardt Kremer (1512-1594), geógrafo flamengo, que adota o nome


de Mercator (Figura 8), desenvolveu, matematicamente, a famosa projeção
de Mercator(*), (Figura 9), também conhecida como projeção cilíndrica, cujos
meridianos são retos e equidistantes e paralelos também retos. Esta projeção
cartográfica(*) possibilita introduzir outro tipo de projeção(*) muito utilizada
em cartografia; a UTM (Universal Transversa de Mercator(*) tratando-se de uma
projeção cilíndrica transversa secante(*), ou seja, os paralelos(*) e meridianos(*)
formam igualmente linhas retas, porém mais espaçados entre si na direção dos
polos. (UFRGS, 2007).

Mercator nasceu na Flandres em Rupelmonte, hoje uma cidade belga.


Estudou primeiramente na Holanda, transferindo-se e fixando-se depois para
Lovania, onde se dedicou à construção de globos e mapas. Apesar de não ter
viajado muito, desenvolveu durante a juventude o interesse pela Geografia e
matemática como forma de ganhar a vida.

Desenvolveu vários estudos, que fizeram com que muitos o comparassem


a um Ptolomeu de sua época. Muitos de seus trabalhos reformularam concepções
estabelecidas por Claudio Ptolomeu, como o mapa da Europa, feito em 1554,
reduzindo o Mar Mediterrâneo para 53 graus de comprimento.

17
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DA CARTOGRAFIA

TURO S
ESTUDOS FU

Caro(a) adacêmico(a), os termos assinalados com asterisco(*) como projeção


cilíndrica ou de Mercator, paralelos e meridianos, serão tratados com detalhes na Unidade 2.

FIGURA 8 – GERARDUS MERCATOR

FONTE: UFRGS. Disponível em: <http://www.ufrgs.br/museudetopografia/museu/ his_topo.


html>. Acesso em: 11 mar. 2007.

FIGURA 9 – PROJEÇÃO DE MERCATOR OU CILÍNDRICA EQUATORIAL

FONTE: OBJETIVO. Disponível em: <www2.curso-objetivo.br/.../re_projecoes_1.gif>. Acesso em:


14 fev. 2007.

18
TÓPICO 2 | OS EUROPEUS E A CONSTRUÇÃO DOS MAPAS

A origem da palavra “atlas”, atualmente utilizada para designar


publicações que reúnem um conjunto de mapas, foi igualmente um legado
de Mercator, como consequência de seu trabalho de muitos anos, onde foram
reunidos vários mapas que resultaram numa publicação que Mercator chamou
de Atlas. Sua edição, entretanto, só ocorreu quatro meses após o falecimento de
Mercator, em 1595, por iniciativa de seu filho Rumold.

Para compreender a razão de Mercator ter utilizado esta palavra para


designar uma publicação contendo os mapas que formam a Terra, temos que buscar
sua origem na história.

Segundo Oliveira (1988, p. 37), Mercator criou este termo na segunda


metade do século XVI, na extraordinária obra Atlas sive Cosmographicae Meditatione
de Fabrica Mundi et Fabricati (Atlas ou medições cosmográficas sobre a construção
do mundo e a figura do construído). Para Duarte (2002, p. 24):

A palavra atlas, usada por Mercator para dar título à sua coletânea de
mapas, ainda gera discussões. Para alguns, foi escolhida como uma
homenagem ao rei Atlas (da Mauritânia), conhecido na Antiguidade por
sua vocação humanitária e seus conhecimentos da natureza, sendo esta
a versão que pode ser deduzida da folha de rosto da primeira edição.
Para outros, teria sido a referência à divindade grega filho de Jápeto e de
Cimene, irmão de Prometeu, que tendo tomado o partido dos gigantes
contra os deuses e pretendendo derrubar o céu, fora condenado por Zeus
a sustentá-lo nos próprios ombros. Esta versão foi adotada na segunda
edição, em 1602, sob a orientação de Johannes, neto de Mercator.

5 CARTOGRAFIA PORTUGUESA E SUA INFLUÊNCIA NO


BRASIL
A cartografia portuguesa dos séculos XV e XVI revela um mundo até
então desconhecido. Ao navegar ao longo do litoral de quase todos os continentes
e ilhas da Terra, os portugueses compreenderam pela primeira vez na história da
humanidade os contornos dos continentes de um modo muito correto. É na escola
cartográfica catalã que podemos encontrar a origem da cartografia portuguesa.

Em 1443, cartógrafos portugueses iam completando as anteriores cartas


de marear para sul do cabo Bojador, situado na costa do Saara Ocidental, perto
da latitude 27º Norte.

Um dos mais notáveis mapas da História da cartografia é o planisfério


anônimo português (dito de Cantino, na figura a seguir), que consiste num
pergaminho medindo 105 x 220 cm, e se encontra atualmente na Biblioteca
Estense de Modena, na Itália. Ele foi concluído em outubro de 1502 e adquirido
por Alberto Cantino para Hércules de Este, duque de Ferrara, que pagou por ele
a elevada quantia de 12 ducados. Não se conhece o seu autor, porém, supõe-se
que foi realizado secretamente a partir da carta padrão que se encontrava no
armazém real.
19
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DA CARTOGRAFIA

Este planisfério constitui a primeira visão moderna do Mundo, pois foi


executado imediatamente após as grandes viagens dos descobrimentos, realizadas
até ao fim do Século XV. Além de representar a Europa e o Mediterrâneo, já
conhecidos, observa-se o perfil da África traçado com uma correção que até
então nunca foi possível alcançar e que é a forma conhecida hoje. Representa
também para oriente, o oceano Índico, a Índia, representada pela primeira vez
de uma forma bastante correta, apesar de que outras terras asiáticas, que ainda
não tinham sido conhecidas pelos portugueses, apresentem certas deformações,
pois baseavam-se, ainda, em dados recolhidos por Ptolomeu ou fornecidos aos
portugueses por muçulmanos. É possível ainda salientar a primeira representação
cartográfica do Brasil e de outras terras americanas.

FIGURA 10 – MAPA DITO DE CANTINO

FONTE: ENCICLOPÉDIA GRANDES PERSONAGENS DA NOSSA HISTÓRIA. São Paulo: Abril


Cultural, 1969.

Portanto, desde a época colonial, a Cartografia portuguesa influenciou de


forma marcante o desenvolvimento desta atividade no Brasil. A vinda da família
real para o Brasil foi responsável pelo surgimento de uma Cartografia nacional,
embora com influência europeia.

Com a implantação da Imprensa Régia, começam os trabalhos de


edição de mapas nacionais, enquanto que o Real Arquivo Militar
estaria responsável pela preservação de nosso acervo, com isso,
apoiando a impressão de novos mapas, como foi o caso da planta da
cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro em 1812 (DUARTE, 2002,
p. 3).

TURO S
ESTUDOS FU

Por enquanto, vamos ficar com estas informações. Na Unidade 2, aprofundaremos


este estudo.

20
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:

 A Idade Média foi marcada por um período de decadência também da


Cartografia.

 Dom Henrique, Infante de Portugal, funda, em 1420, a Escola de Navegadores


em Sagres, promovendo, a partir daí, uma autêntica revolução na produção de
cartas e mapas.

 A Cartografia passou a ter grande impulso na Europa, a partir das viagens


de exploração de novas terras, o que fez com que os navegadores sentissem a
necessidade de poder contar com mapas cada vez mais atualizados e perfeitos.

 Juan de La Cosa participou, em 1492, da segunda expedição de Cristóvão


Colombo. Quando regressou, construiu sua famosa “Carta mapa-múndi”,
na qual reúne e representa todas as terras descobertas por portugueses e
espanhóis, compreendidas através das descobertas de Caboto.

 Gerhardt Mercator (1512-1594), geógrafo flamengo, desenvolveu,


matematicamente, a famosa projeção de Mercator, também conhecida como
projeção cilíndrica, cujos meridianos são retos e os paralelos também são retos.

 Mercator desenvolveu vários estudos que fizeram com que muitos o


comparassem a um Ptolomeu de sua época.

 A origem da palavra atlas, atualmente utilizada para designar publicações que


reúnem um conjunto de mapas, foi igualmente um legado de Mercator.

 Um dos mais notáveis mapas da história da Cartografia é o planisfério anônimo


português (dito de Cantino), a mais antiga carta conhecida, no qual aparece o
Brasil e a Linha do Tratado de Tordesilhas.

21
AUTOATIVIDADE

Após estudar este tópico:

1 Relacione as principais contribuições de Gerhardt Mercator que


influenciaram a Cartografia atual.

2 De que forma os portugueses contribuíram para a expansão da


Cartografia?

22
UNIDADE 1
TÓPICO 3

ORIENTAÇÃO, REDE GEOGRÁFICA, COORDENADAS


GEOGRÁFICAS

1 INTRODUÇÃO

Para podermos fazer a correta interpretação de um mapa e dar a localização


da área representada, é necessário compreender o que significa rede geográfica,
que possibilitará fornecer as coordenadas geográficas do lugar ou da cidade que
residimos.

ATENCAO

Caro(a) acadêmico(a), a partir de agora você verá as verdadeiras bases da


Cartografia, pois para compreender mapas e saber localizar um ponto qualquer na superfície
da Terra é necessário entender o significado do conteúdo deste tópico.

2 ORIENTAÇÃO
Durante muito tempo, as formas de orientação no espaço geográfico foram
baseadas nas constelações, na Lua e, principalmente, no movimento aparente do
Sol.

Aos quatro pontos principais de orientação, ou seja, Norte, Sul, Leste e


Oeste, convencionou-se chamar de Pontos Cardeais (a palavra cardeal significa
principal).

 Norte – Também conhecido como Setentrional ou boreal, corresponde à


extremidade superior do eixo terrestre, cuja abreviatura é N.

23
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DA CARTOGRAFIA

 Sul – Também conhecido como Meridional ou austral, corresponde à


extremidade inferior do eixo da Terra. Sua abreviatura é S.

 Leste – Conhecido também como Oriente ou levante, corresponde ao local


onde o Sol nasce. Tem como abreviaturas L ou E.

 Oeste – Conhecido também como Ocidente ou poente, corresponde ao local


onde o Sol se põe. Tem como abreviaturas O ou W.

Existem, entre os pontos cardeais, os chamados pontos colaterais, sendo


eles:

 Nordeste – Localiza-se entre o Norte e o Leste, tem como abreviatura NE.

 Sudeste – Situa-se entre o Sul e o Leste, tem como abreviatura SE.

 Noroeste – Situa-se entre o Norte e o Oeste, tem como abreviatura NO.

 Sudoeste – Situa-se entre o Sul e o Oeste, tendo como abreviatura SO.

Entre os pontos cardeais e colaterais, localizam-se ainda os seguintes


pontos subcolaterais:

 Norte-nordeste

 Leste-nordeste

 Leste-sudeste

 Sul-sudeste

 Sul-sudoeste

 Oeste-sudoeste

 Oeste-noroeste

 Norte-noroeste

A representação gráfica dos pontos cardeais, colaterais e subcolaterais


denomina-se Rosa Náutica ou ainda Rosa dos Ventos. Veja nas figuras a seguir:

24
TÓPICO 3 | ORIENTAÇÃO, REDE GEOGRÁFICA, COORDENADAS GEOGRÁFICAS

FIGURA 11 – ROSA DOS VENTOS COM PONTOS CARDEAIS E COLATERAIS

FONTE: WIKIPEDIA. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Pontos_cardeais>. Acesso em:


16 fev. 2007.

FIGURA 12 – ROSA DOS VENTOS COM PONTOS CARDEAIS, COLATERAIS E SUBCOLATERAIS

FONTE: WIKIPEDIA. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Pontos_cardeais>. Acesso em:


16 fev. 2007.

3 REDE GEOGRÁFICA
O movimento de rotação da Terra ao redor de seu eixo proporciona
dois pontos naturais - os polos geográficos - nos quais está baseada a
chamada rede geográfica. A rede geográfica consta de um conjunto de linhas
traçadas de norte a sul unindo os polos, constituindo estas os meridianos, e
um conjunto de linhas traçadas de leste a oeste paralelas ao equador, os
paralelos. Expressa dentro do conceito oficial, rede geográfica é o conjunto

25
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DA CARTOGRAFIA

formado por paralelos e meridianos, ou seja, pelas linhas de referência que


cobrem o globo terrestre com a finalidade de permitir a localização precisa
de qualquer ponto sobre sua superfície, bem como orientar a confecção de
mapas (FRIGOLETTO, 2007).

3.1 PARALELOS
Os paralelos são círculos menores completos que têm seus planos
em toda a extensão do globo terrestre, paralelos ao plano do equador, sendo
perpendiculares ao eixo da terra.

Alguns paralelos recebem nomes especiais, pois cumprem funções


especiais, sendo definidos a partir de situações relacionadas com o movimento
de rotação da Terra, que define a posição do eixo.

Equador é o círculo máximo, constituindo, portanto, o paralelo que


está equidistante dos polos geográficos, e por esta razão divide a Terra em dois
hemisférios, norte e sul.

Outros paralelos que cumprem funções geograficamente estratégicas, e


que por esta razão recebem nomes especiais, são: Trópico de Câncer, Trópico
de Capricórnio, Círculo Polar Ártico e Círculo Polar Antártico (Figuras 13 e 14).

FIGURA 13 – DESENHO ESQUEMÁTICO DO GLOBO COM PARALELOS ESPECIAIS


ecliptica
eixo da

círculo polar
ártico trópico de
câncer
erra

23º27' plano da
aT

plano do Terra
od

equador
eix

trópico de círculo polar


capricórnio antártico

FONTE: JOHANSSON, Ary. Disponível em: <http://www.cartografia.eng.br/cartografia/ index.


php>. Acesso em: 18 fev. 2007.

26
TÓPICO 3 | ORIENTAÇÃO, REDE GEOGRÁFICA, COORDENADAS GEOGRÁFICAS

FIGURA 14 – PARALELOS

FONTE: JOHANSSON, Ary. Disponível em: <http://www.cartografia.eng.br/cartografia/ index.


php>. Acesso em: 18 fev. 2007.

De acordo com Frigoletto (2007), os paralelos possuem as seguintes


características:

 Os paralelos seguem sempre em direção leste-oeste.

 Os paralelos cortam os meridianos formando ângulos retos, sendo isto correto


para qualquer lugar do globo, exceto para os polos, tendo em vista que neles a
curvatura dos paralelos é muito acentuada.

 O Equador é o círculo máximo completo, os demais paralelos são círculos


menores.

 É infinito o número de paralelos possíveis de serem traçados sobre o globo.


Consequentemente, qualquer ponto do globo, com exceção do polo norte e do
polo sul, está situado sobre um paralelo.

3.2 OS MERIDIANOS
Os meridianos são semicírculos máximos, cujas extremidades estão nos
polos norte e sul geográfico da Terra. É bom recordar que o conjunto de dois
meridianos opostos constitui um círculo máximo completo; um meridiano é,
portanto, só um semicírculo máximo, formando um arco de 180º (FRIGOLETTO,
2007).

27
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DA CARTOGRAFIA

FIGURA 15 – MERIDIANOS

FONTE: JOHANSSON, Ary. Disponível em: <http://www.cartografia.eng.br/cartografia/ index.


php>. Acesso em: 18 fev. 2007.

Desta forma, podemos dividir os meridianos em:

 Meridiano superior – refere-se à linha norte-sul da rede geográfica, que passa


pelo local que estamos fazendo referência, ou aquele que contém o zênite de
um lugar, tratando-se na realidade da linha que chamamos de meridiano.

 Meridiano inferior – atualmente mais conhecido como antimeridiano, uma vez


que se localiza no hemisfério contrário ao meridiano superior. É, portanto, o
meridiano diametralmente oposto ao meridiano superior e aquele que contém
o nadir.

 Meridiano inicial ou Meridiano de Greenwich – serve de base para a determinação


dos hemisférios oriental e ocidental da Terra. A partir do Meridiano inicial, temos
180 graus para leste, igualmente 180º para oeste. O seu antimeridiano serve de
base para traçar a linha internacional de data.*

TURO S
ESTUDOS FU

Prezado(a) acadêmico(a), sobre a função da linha internacional de data, você


estudará de forma mais aprofundada na Unidade 2.

28
TÓPICO 3 | ORIENTAÇÃO, REDE GEOGRÁFICA, COORDENADAS GEOGRÁFICAS

NOTA

Zênite: significa o ponto da esfera celeste na vertical da nossa cabeça.


Nadir: ponto da esfera terrestre diretamente abaixo do observador e diretamente oposto ao
zênite.

Os meridianos possuem ainda outras características, que são:

 Todos os meridianos estão traçados na direção norte-sul.

 Os meridianos têm sua máxima separação no Equador e convergem em direção


aos dois pontos comuns nos polos.

 O número de meridianos a ser traçado sobre o globo é infinito. Sendo assim,


existe um meridiano para qualquer ponto do globo. Para sua representação em
mapas, os meridianos utilizados estão separados por distâncias iguais, no caso
do mapa abaixo, a cada 20º (vinte graus) (FRIGOLETTO, 2007). Veja na figura
a seguir:

FIGURA 16 – PLANISFÉRIO COM AS LINHAS DA REDE GEOGRÁFICA SEPARADAS A CADA 20º

FONTE: JOHANSSON, Ary. Disponível em: <http://www.cartografia.eng.br/cartografia/index.


php>. Acesso em: 18 fev. 2007.

29
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DA CARTOGRAFIA

FIGURA 17 – MERIDIANO, ANTIMERIDIANO E OS HEMISFÉRIOS ORIENTAL E OCIDENTAL DO


GLOBO TERRESTRE

FONTE: JOHANSSON, Ary. Disponível em: <http://www.cartografia.eng.br/cartografia/ index.


php>. Acesso em: 18 fev. 2007.

ATENCAO

Caro(a) acadêmico(a), ao estudar este tópico, tenha em mente que ao


alfabetizar-se na linguagem cartográfica, você terá um instrumento visual poderoso para
compreender o mundo em que vivemos: o mapa. Bons estudos!

4 COORDENADAS GEOGRÁFICAS
As coordenadas geográficas (na figura a seguir), ou seja, a latitude e a
longitude de qualquer ponto da superfície terrestre, são determinadas com base
na rede geográfica. Para determinar a latitude são considerados os paralelos, já
para a determinação da longitude consideramos os meridianos.

4.1 LATITUDE
Por convenção, a Terra foi dividida em dois hemisférios a partir da Linha
do Equador: Norte ou Setentrional e Sul ou Meridional.

A latitude de um lugar é definida como o arco de meridiano, medido em


graus, entre o lugar considerado e o Equador. Portanto, a latitude pode oscilar
entre zero grau no Equador até 90 graus nos polos geográficos norte ou sul. Por
exemplo: a latitude de Florianópolis, capital do Estado de Santa Catarina, é 27º
35’49’’ S (Sul), onde se lê da seguinte forma: Latitude 27º Graus, 35 minutos e
49 segundos Sul (minutos e segundos aqui refere-se à fração de graus de uma
circunferência) (FRIGOLETTO, 2007).

30
TÓPICO 3 | ORIENTAÇÃO, REDE GEOGRÁFICA, COORDENADAS GEOGRÁFICAS

4.2 LONGITUDE
A Terra foi igualmente dividida em dois hemisférios a partir do Meridiano
de Greenwich, ou seja, Hemisfério Leste ou Oriental e Hemisfério Oeste ou
Ocidental.

O sistema empregado para localizar pontos sobre a superfície terrestre


consiste em medir as longitudes de arco ao longo dos meridianos e paralelos. 

A longitude de um lugar pode definir-se como a medida angular,


medido em graus, entre o meridiano principal ou Meridiano de
Greenwich e qualquer ponto na superfície terrestre, no sentido leste
ou oeste. É universalmente aceito como meridiano principal o que
passa pelo Observatório de Greenwich, perto de Londres, a que
frequentemente se designa como meridiano de Greenwich. A este
meridiano corresponde a longitude 0º. A longitude de qualquer ponto
dado sobre o globo é medida na direção leste ou oeste a partir deste
meridiano, pelo caminho mais curto. Portanto, a longitude deve oscilar
entre zero e 180º graus, tanto a leste quanto a oeste de Greenwich.
Por exemplo, a longitude de Florianópolis é de 48º32’56’’ onde se lê
da seguinte forma: Longitude 48 graus, 32 minutos e 56 segundos
(FRIGOLETTO, 2007).

Com o objetivo de facilitar a localização de qualquer longitude, os mapas


e globos são confeccionados cujos meridianos possuem longitudes estabelecidas.
Os principais meridianos são aqueles traçados a cada 15º, o que correspondem
aos fusos horários*. Um grau de longitude na linha do Equador corresponde a
111 km aproximadamente.

FIGURA 18 – AS COORDENADAS GEOGRÁFICAS: LATITUDE E LONGITUDE

FONTE: JOHANSSON, Ary. Disponível em: <http://www.cartografia.eng.br/cartografia/ index.


php>. Acesso em: 18 fev. 2007.

31
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DA CARTOGRAFIA

ATENCAO

A respeito de fusos horários, você estudará com maior profundidade na


Unidade 2, o Tópico 3.

E
IMPORTANT

É muito importante que você não confunda rede geográfica com coordenadas
geográficas. A rede geográfica é o conjunto das linhas paralelas e meridionais, já as
coordenadas geográficas consistem na localização de um ponto qualquer na superfície da
Terra, ou seja, a latitude e longitude, utilizando-se para isso rede geográfica.

LEITURA COMPLEMENTAR 1

USOS DA CARTOGRAFIA

Historicamente, o uso da Cartografia esteve restrito às questões de


segurança e integração nacional. Todavia, com o reconhecimento da necessidade
da componente geográfica do desenvolvimento, há uma demanda crescente de
informações precisas e articuladas acerca dos diferentes territórios que compõem
o espaço geográfico brasileiro, de modo que se tenha um diagnóstico permanente
de suas necessidades e potencialidades. Esse conhecimento aprofundado acerca do
território nacional é fundamental para nortear a atuação governamental. Revela-
se aí, portanto, a importância da Cartografia como instrumento de planejamento
e gestão pública.

A seguir são citados alguns exemplos de setores que utilizam a Cartografia


para o desenvolvimento de suas diversas atividades.

 Agronegócios

Identificação de culturas, bacias hidrográficas, zoneamento rural e


florestal, cadastro técnico rural, barreiras sanitárias e desenvolvimento rural.

 Petróleo e gás

Controle de exploração de bacias petrolíferas, oleodutos e análise de


projetos.

32
TÓPICO 1 | A CONSTRUÇÃO DOS MAPAS ATRAVÉS DA HISTÓRIA

 Energia elétrica

Identificação de pontos estratégicos para geração de energia elétrica,


projetos de usinas hidrelétricas, controle das linhas de transmissão e das redes
de distribuição. Controle, fiscalização e projetos de subestação e linhas de
transmissão.

 Telecomunicações

Identificação de posicionamento estratégico para instalação de antenas


captadoras e/ou repetidoras, estudos para cumprimento de metas reguladoras da
concessão, para atendimento a novos clientes e áreas geográficas diversas.

 Monitoramento e abastecimento de água

Identificação e representação das bacias hidrográficas, propiciando


estudos para seu gerenciamento (governamental e por comitês), bem como do
potencial hídrico, da potabilidade das águas, de projetos que possam produzir
poluição. Subsídio a ações reguladoras e de provimento de água.

 Saneamento

Estudos, identificação e representação das formas de esgotamento


sanitário, objetivando sua detecção, avaliação de impactos ao meio ambiente e
melhoria/adequações para preservar principalmente a saúde das comunidades.

 Mineração

Estudo, controle, fiscalização, licenciamento de áreas para exploração de


minerais, de garimpos e monitoramento de resíduos.

 Transporte

Elaboração de projetos, fiscalização e manutenção de rodovias, ferrovias,


pistas de aeroportos, portos e obras.

 Área indígena

Identificação, demarcação e controle das áreas indígenas. Monitoramento


do uso e exploração de terras indígenas.

 Meio ambiente

Controle e fiscalização de parques, reservas, recursos naturais e áreas


degradadas. Identificação de fontes poluidoras. Zoneamento ecológico econômico.
Planos de gestão ambiental. Controle e fiscalização de áreas com reflorestamento.
Acompanhamento de desmatamentos e queimadas.

33
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DA CARTOGRAFIA

 Administração pública

Planejamento e desenvolvimento territorial, ambiental, social e econômico


de regiões, estados e municípios. Elaboração de bases cartográficas plano-
altimétricas estruturadas, mapas regionais, estaduais e municipais.

 Reforma agrária

Elaboração de Cadastro Técnico Rural, identificação de áreas não


aproveitadas para manejo agrícola, avaliação e identificação de áreas propícias
para reforma agrária e tributação e avaliação de imóveis rurais.

 Base territorial (Geoestatística)

Elaboração de mapas territoriais de unidades político-administrativas


(municípios, distritos, cidades, bairros, vilas e povoados) e operacionais (setores
censitários), que retratam a visão municipal e viabilizam o planejamento da
logística e o controle das operações censitárias, como também a espacialização
(referenciamento geográfico) de informações estatísticas (demográficas,
econômicas, ambientais e outras de cunho social).

 Outros

Outros campos de utilização da Cartografia incluem: segurança


institucional, setor náutico, aeronáutico, defesa militar.

FONTE: IBGE. Usos da cartografia. Disponível em: <www.concar.ibge.gov.br>. Acesso em: 20


fev. 2007.

LEITURA COMPLEMENTAR 2

ENSINO E APRENDIZAGEM DA CARTOGRAFIA NO ENSINO


FUNDAMENTAL: DILEMAS ENTRE A TEORIA E A PRÁTICA

Deuzimar da Conceição Souza/UEB


Ricardo Bahia Rios/UEB

INTRODUÇÃO

O presente trabalho contempla uma discussão acerca da construção


de saberes cartográficos no Ensino Fundamental. Trata-se de análises de uma
pesquisa realizada com professores do 5° ano do Ensino Fundamental I, que
exercem a docência no Centro Integrado de Educação Professor Joselito Amorim,
escola da rede pública municipal de ensino, que está localizada na região central

34
TÓPICO 1 | A CONSTRUÇÃO DOS MAPAS ATRAVÉS DA HISTÓRIA

da cidade de Feira de Santana1, no semiárido baiano. O objetivo principal dessa


pesquisa foi aferir como vem sendo construído o processo de alfabetização
cartográfica destes estudantes da rede da referida instituição.

O desejo de investigar tal questão foi consequência das situações


formativas vivenciadas durante o terceiro semestre nos componentes curriculares
Cartografia Temática e Prática de Ensino em Geografia, do curso de Licenciatura
em Geografia da Universidade do Estado da Bahia – UNEB, Campus XI, situada
no Território de Identidade do Sisal2, articuladas às minhas aprendizagens na
educação básica.

O CONCEITO:

A cartografia como meio de comunicação já aparece antes mesmo da


invenção da escrita. Observa-se que as informações cartográficas constituem as
bases sobre as quais se tomam decisões e encontram soluções para os problemas
políticos, econômicos e sociais. A cartografia constitui-se numa das principais
ferramentas usadas pela humanidade para ampliar os espaços territoriais e
organizar sua ocupação, desta forma podemos afirmar que:

A cartografia é o conjunto de estudos e operações lógico-matemáticas,


técnicas e artísticas que, a partir de observações diretas e da investigação de
documentos e dados, intervém na construção de mapas, cartas, plantas e outras
formas de representação, bem como no seu emprego pelo homem. Assim, a
cartografia é uma ciência, uma arte e uma técnica (CASTROGIOVANNI, 2000,
p. 39).

Já no mundo contemporâneo, a importância da cartografia é fundamental


para o ensino da geografia, sendo que a cartografia tornou-se relevante para
a educação contemporânea, tanto para o aluno atender às necessidades do
seu cotidiano, quanto para estudar o ambiente em que vive. Aprendendo as
características físicas, econômicas, sociais e humanas do ambiente, ele pode
entender as transformações causadas pela ação do homem e dos fenômenos
naturais ao longo do tempo. Segundo Castrogiovanni (2000, p. 39), “A figura
cartográfica (mapa, carta ou planta) é uma representação que, no uso cotidiano, é
utilizada desde a localização de cursos d’ água, de caças, de grutas pelo homem
das cavernas a turistas em viagens e compradores/vendedores de imóveis”.

A importância da cartografia, a cada dia, vem tendo uma contribuição,


também em outras ciências, pois serve de domínio e controle do território. Os
Parâmetros Curriculares Nacionais de Geografia (1998) definem Cartografia
como um conhecimento que vem se desenvolvendo desde a Pré-História até os
dias de hoje e que, por intermédio da linguagem cartográfica, se torna possível
sintetizar informações, expressar conhecimentos, estudar situações, entre outras
coisas – sempre envolvendo a ideia de produção do espaço, sua organização e
distribuição. São ainda os Parâmetros Curriculares Nacionais de Geografia que
reafirmam a importância da Cartografia, ao colocarem como um dos objetivos

35
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DA CARTOGRAFIA

do estudo de Geografia no Ensino Fundamental a utilização da linguagem


cartográfica para obter informações e representar a espacialidade dos fenômenos
geográficos, sugerindo blocos temáticos, onde se elencam conteúdos, como
a leitura e a compreensão das informações que são expressas em linguagem
cartográfica.

A cartografia sempre esteve ligada aos conhecimentos geográficos, pois


desde o seu surgimento tem contribuído para descobertas e conquistas do espaço
pelo homem, quanto para compreensão, representação do conhecimento do
objeto de estudo da geografia, que é o espaço geográfico. Ainda a cartografia
tem como papel integrar o conhecimento geográfico, pois a mesma contribui
para a construção e a representação das relações sociais, com o espaço habitado
pelo homem. Segundo Joly (2004, p. 9), “Dentro dos limites das restrições
de um contexto, o mapa descreve uma porção do espaço geográfico com suas
características qualitativas e/ou quantitativas”.

O ensino nos níveis de Ensino Fundamental e Médio é sumariamente


importante para despertar a percepção espacial, proporcionando à criança
o entendimento sobre o espaço físico que habita, sendo papel do professor de
Geografia criar situações que estimulem a criança a compreender o contexto em
que vive. Para isso, é fundamental trabalhar na perspectiva do próprio aluno,
sendo que os livros didáticos de Geografia são insuficientes para a compreensão
e interpretação do espaço em que se vive, pois construir um mapa para ilustrar
ruas para traçar melhor o caminho é ação que faz parte do cotidiano de grande
parte da sociedade.

Porém, muitas vezes estas tarefas se tornam árduas, exigindo uma maior
desenvoltura, que envolve uma série de conhecimentos que só são adquiridos num
processo de alfabetização cartográfica, que começa no ambiente escolar, onde a
compreensão do mapa permite ao aluno atingir uma nova organização estrutural de
sua atividade prática e de concepção do espaço. Segundo Almeida (2001, p. 13), “[...]
os mapas expressam ideias sobre o mundo”. Já de acordo com Passini (2002, p. 15),
“[...] o mapa é uma representação codificada de um determinado espaço real”.

Para ensinar os conceitos cartográficos na sala de aula, nessa modalidade


de ensino, deve-se primeiro trabalhar o espaço concreto do aluno, onde:

Os espaços não devem ser vistos de forma estanque, quer em nível do


município, bairro, estado ou país, pois são espaços que dependem entre si e
interagem. A interligação e a integração surgem quando se realiza a leitura do
espaço humanizado e organizado pelo homem. (PASSINI, 2002, p. 46).

Nas séries iniciais, os professores devem iniciar o trabalho com o estudo


do espaço concreto do aluno, o mais próximo dele, ou seja, o espaço da sala de
aula, o espaço da escola, o espaço do bairro, para somente nos dois últimos anos
desse ciclo falar em espaço maior, como o município, o estado e o planisfério,

36
TÓPICO 3 | ORIENTAÇÃO, REDE GEOGRÁFICA, COORDENADAS GEOGRÁFICAS

sendo o mais importante, para depois desenvolver a capacidade de leitura


e de comunicação oral e escrita por fotos, desenhos, maquetes e mapas, assim
permitindo ao aluno a percepção e o domínio do espaço à sua volta. Através
desse trabalho o educando consegue atribuir algumas funções, que são a de ter
visão oblíqua e vertical, noção de construção de legenda, referência e orientação,
pois a criança precisa ter a noção do espaço vivido para depois partir para estudar
os limites do bairro, município, e por último, o planisfério.

Conforme Passini (2002, p. 25), “[...] para chegar a um nível de interpretação


mais profundo é necessário passar por experiências para a construção das noções
espaciais, partindo das relações elementares no espaço cotidiano”. A cartografia
hoje está voltada para além de uma técnica de representação destinada à
leitura e à explicação do espaço geográfico, onde o aluno passa a ser orientado
a desenvolver uma consciência crítica em relação ao mapeamento que estará
realizando em sala de aula. O discente deixou de ser visto como um mapeador
mecânico para ser um mapeador consciente, de um leitor passivo para um leitor
crítico dos mapas. A sua função terá que possuir habilidades e sensibilidade no
despertar das percepções para o trabalho dos conceitos cartográficos. Segundo
Castrogiovanni (2000, p. 39), “[...] a cartografia oferece a compreensão espacial do
fenômeno, tanto para o uso cotidiano como para o científico; a figura cartográfica
tem, a princípio, uma função prática”.

A prática cartográfica deve estar em sintonia com os avanços tecnológicos,


em que o uso da multimídia pela cartografia possibilitou uma maior interatividade
pelo usuário, com sua pesquisa e um novo olhar sobre a ciência cartográfica como
um todo. “Atualmente, a cartografia entra na era da informática.” (MARTINELLI,
2005, p. 10).

Na atualidade, a informática faz parte do cotidiano das pessoas, sendo


comum encontrar computadores na maior parte das atividades cotidianas. E a
informatização atingiu recentemente as escolas. A cartografia também passa por
um processo de transformação, com os recursos da cartografia digital juntamente
com os Sistemas de Informações Geográficas (SIG).

A cartografia não permaneceu alheia a esse processo de expansão da


internet. Hoje, ela é um importante meio de disseminação de conhecimento
geográfico e de material cartográfico, além de constituir importante fonte de
pesquisa, pois disponibiliza informações quantitativas, imagens de satélite,
mapas, além de extenso material bibliográfico. (RAMOS, 2005, p. 132).

O CONTEXTO DA PESQUISA

A centralidade dessa pesquisa se delimitou no Centro Integrado de


Educação Prof. Joselito Amorim, que se localiza na Rua Coronel Álvaro Simões,
sem número, na cidade de Feira de Santana-Bahia3. Trata-se de um colégio de
grande porte, com atendimento a 1.900 alunos do Ensino Fundamental I e II e
EJA, possuindo uma grande estrutura física, com uma quadra de esporte. São

37
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DA CARTOGRAFIA

seis turmas do 5° ano do Fundamental, sendo três ofertadas no turno matutino e


três no turno vespertino, com as aulas sendo ministradas por três professoras em
ambos os turnos.

A metodologia utilizada no desenvolvimento desse trabalho baseou-


se em diagnóstico da real situação dos professores, pertinentes aos conteúdos
cartográficos, bem como as dificuldades encontradas para o aprendizado e
transmissão dos conteúdos.

Como instrumento para coleta de dados foi aplicado questionário


elaborado com quatro perguntas às professoras das turmas do 5° ano do
Fundamental. A demanda de tempo para atividade foi de aproximadamente sete
dias.

Linguagem cartográfica na escola:

A) Em relação ao tempo de serviço na área, todas responderam ter mais de 10


anos de docência e todas as professoras tendo graduação em Geografia.

A questão da alfabetização cartográfica, muitas vezes, não é compreendida


pelos professores do 5° ano, dentre outros motivos porque a formação acadêmica
foi ineficiente nesta área, ou inexistente.

FIGURA 4 - CICLO DA MÁ ALFABETIZAÇÃO CARTOGRÁFICA

Escola
Professor/Aluno

Universidade Universidade
Professor/Aluno Aluno/Professor

Escola
Aluno/Professor

FONTE: Pesquisa de campo (2009)

A figura resume o processo da má alfabetização cartográfica, com


surgimento de um ciclo, sendo que o primeiro passo está na função aluno na
escola/professor, na qual o aluno não aprende conteúdos cartográficos, por conta
de algumas fragilidades na formação do professor. Logo depois esse aluno entra
na universidade, no curso de formação de professores de Geografia, e novamente

38
TÓPICO 3 | ORIENTAÇÃO, REDE GEOGRÁFICA, COORDENADAS GEOGRÁFICAS

esses conteúdos não são repassados de forma que possam transpor a realidade
do aluno. Então, futuramente, ele, após licenciado, vai lecionar em uma escola,
ou em uma universidade, após um curso de pós-graduação, disseminando a má
alfabetização cartográfica. Diante disso, foi perguntado às professoras:

B) O que é alfabetização cartográfica? Uma professora se destacou dizendo que:


“Ler mapas significa trabalhar a espacialidade do indivíduo e sua percepção”.

C) Foi perguntado se são utilizadas algumas práticas pedagógicas voltadas à


alfabetização cartográfica, e todas as professoras responderam que utilizam
apenas a confecção de mapas e leituras através de imagens de livros.

D) Todas responderam que seus alunos têm dificuldades de entender os


conceitos cartográficos, sendo que um dos motivos é a falta de recurso, que a
escola não dispõe.

Sobre a importância da cartografia, percebe-se que os docentes aferidos


não têm bem definida a verdadeira função do mapa, sendo ele identificado pela
descrição de um espaço considerado externo, fora do contexto do mundo social
(CARLOS, 2003, p. 76). “A cartografia pode apreender e representar o objeto da
geografia, que é o espaço produzido, essencialmente humano.”

Conforme esse questionário, os professores aferidos não utilizam de muitos


recursos para que os discentes possam compreender e entender, ler um mapa. Para
tanto, o professor deve estimular o aluno a desenvolver a lateralidade, a orientação,
o sentido de referência em relação a si próprio e em relação aos outros, o significado
de tamanho e de distâncias. O professor deve solicitar que o aluno desenhe trajetos
que são percorridos no dia a dia, construir legendas e confrontá-las com as legendas
formais, estimulando o raciocínio cognitivo do aluno:

Muitas dessas habilidades podem ser desencadeadas nas séries iniciais


do Ensino Fundamental. No entanto, é muito comum que, a partir da 5ª
série, os professores reclamem que os alunos não têm o conhecimento
e nem as habilidades necessárias para trabalhar com mapas. Não resta
dúvida de que, se os alunos não apresentam ainda o domínio dessas
habilidades básicas, o professor terá que desenvolver, mesmo nas
séries mais avançadas, atividades nesse sentido (CASTROGIOVANNI,
2000, p. 106).

CONCLUSÃO:

O objetivo desse trabalho de campo não é de trazer conclusões fechadas


a respeito da educação cartográfica e sim uma pequena contribuição da real
situação da má alfabetização cartográfica, tão comum em nossas escolas. Mediante
essa realidade, essa proposta de aprendizagem traz algumas sugestões que
envolvem o domínio cognitivo da representação do espaço, que possam ampliar
os conhecimentos cartográficos dos professores das séries iniciais, com intenção

39
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DA CARTOGRAFIA

de que eles possam oferecer aulas de geografia voltadas para a cartografia


mais interessante, dando um enfoque construtivista de ensino. A alfabetização
cartográfica é tão importante quanto a aprendizagem da escrita e da matemática,
pois a mesma se constitui em subsídios básicos para que os alunos possam ter
definida e fundamentada a representação de espaço em que vivem, pois é através
do espaço cotidiano e da reflexão que a criança poderá entender um pouco da
dinâmica que é o espaço organizado fora do ambiente escolar.

1 A cidade de Feira de Santana-Bahia, também conhecida como Princesa do Sertão,


desenvolveu-se graças à sua posição geográfica, no limite do Recôncavo com os tabuleiros
semiáridos e partindo na confluência das zonas da mata e do litoral, distante 109 km
da capital Salvador. A nova aglomeração tornou-se pouso de tropas e dos viajantes
provenientes do alto sertão. Feira de Santana se destaca por ser a segunda maior cidade
da Bahia, com uma população de 579.997 habitantes, segundo o IBGE (2007), sendo
sua economia diversificada nos três setores: primário, secundário e terciário. Mas o
grande comércio predomina na cidade, com mais (13.207) estabelecimentos, segundo a
Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI-BA, 2005).

2 O Território de Identidade do Sisal, mais conhecido como Região Sisaleira, está


localizado no semiárido da mesorregião do Nordeste Baiano, distante da capital baiana
aproximadamente 180 km, envolvendo cerca de 20 municípios, entre os quais merecem
destaque Santa Luz, Conceição do Coité, Queimadas, São Domingos e Valente, conhecida
como a capital do sisal e sede do Território de Identidade do Sisal, pois estes municípios
são os que mais se destacam na produção por hectare do sisal entre os anos de 1990
e 2006 (IBGE-SIDRA, 2008) e se tornaram referências nessa área, embora o cultivo do
sisal tenha sofrido uma queda na produção. Os municípios que formam este território
são: Araci, Barrocas, Biritinga, Candeal, Cansanção, Conceição do Coité, Ichu, Itiúba,
Lamarão, Monte Santo, Nordestina, Queimadas, Quinjingue, Retirolândia, Santa Luz,
São Domingos, Serrinha, Teofilândia, Tucano e Valente.

3 O estado da Bahia, com 564.692,7 km2 e uma população de 13.070.250 habitantes, em


2000, é o maior estado do Nordeste do Brasil em tamanho e em população (SILVA. S,
2006, p. 117).

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Rosângela, Doin de. Do desenho ao mapa: iniciação cartográfica na


escola. São Paulo: Contexto, 2001.

CASTROGIOVANNI, Antonio Carlos (Org.). Ensino de geografia: práticas e


textualizações no cotidiano. Porto Alegre: Mediação, 2000.

CARLOS, Ana Fani, Alessandri. A geografia na sala de aula. 5. ed. São Paulo:
Contexto, 2003.

CASTELLAR, Sonia. Educação geográfica: teorias e práticas docentes. São Paulo:


Contexto, 2005. v. 5.

DUARTE, Paulo, Araújo: Fundamentos de cartografia. Florianópolis: UFSC, 2008.

40
TÓPICO 3 | ORIENTAÇÃO, REDE GEOGRÁFICA, COORDENADAS GEOGRÁFICAS

JOLY, Fernand. A cartografia. Campinas: Papirus,1990.

MARTINELLI, Marcelo. Mapas de geografia e cartografia temática. 2. ed. São


Paulo: Contexto, 2005.

PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS. 2. GEOGRAFIA/MEC/SEF,


1998.

PASSINI, Elza Yasuko. O espaço geográfico: ensino e representação. 12. ed. São
Paulo: Contexto, 2002.

______ (Org.). Prática de ensino de geografia e estágio supervisionado. São


Paulo: Contexto, 2007.

RAMOS, Cristhiane da Silva. Visualização cartográfica e cartografia


multimídia: conceitos e tecnologias. São Paulo: UNESP, 2005.

SILVA, S. B. de M.; SILVA, B. C. N. Estudos sobre globalização, território e Bahia.


2. ed. Salvador: UFBA, 2006.

FONTE: Disponível em: <http://www.agb.org.br/XENPEG/artigos/GT/GT5/


tc5%20(52).pdf>.Acesso em: 27 jul. 2013.

LEITURA COMPLEMENTAR 3

ENSINO-APRENDIZAGEM DA CARTOGRAFIA: OS CONTEÚDOS COM


BASES MATEMÁTICAS NO ENSINO FUNDAMENTAL1

Priscilla Régia de Castro PEREIRA2


Ivanilton José de OLIVEIRA3

Introdução

Dentre as pesquisas existentes sobre o ensino-aprendizagem de Geografia


é frequente a constatação de que os conteúdos de Cartografia, especialmente
aqueles que têm uma ligação com a matemática, são de difícil aprendizagem
pelos alunos. Esse problema vem ocorrendo tanto no âmbito acadêmico como
no Ensino Básico, o que torna de fundamental importância sua investigação e
resolução.

Dessa forma, o presente projeto propõe uma pesquisa na área de ensino


de Cartografia, no âmbito da Geografia, com o objetivo de propor metodologias
para que isso ocorra. Os objetivos traçados para o presente trabalho envolvem
a investigação das causas da dificuldade de aprendizagem, na disciplina de

41
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DA CARTOGRAFIA

Geografia, dos conteúdos de cartografia cujas bases são fundamentalmente


ligadas à Matemática, como escala, fusos horários e coordenadas geográficas.

Essa dificuldade com o ensino-aprendizagem, dos alunos e professores,


de conteúdos da Cartografia (presentes na Geografia), que possuem uma base
matemática, é uma realidade nas escolas e na universidade. É correto pensarmos
que esse problema se tornou um ciclo vicioso, pois os alunos chegam à universidade
para fazer um curso de Geografia com essa defasagem e dificuldade com esses
conteúdos, saem de lá da mesma forma ou com pouca coisa alterada/melhorada,
e vão para a sala de aula e continuam a ensinar de forma errônea e despreparada.

A Geografia vem enfrentando vários problemas no seu processo de


ensino-aprendizagem, dentro das escolas. O problema aqui detectado é somente
um dos muitos que norteiam essa realidade, e muito tem que ser feito para que
haja uma mudança significativa nesse aspecto. Sabemos que esses conteúdos da
Cartografia com bases matemáticas são de suma importância para o aprendizado
da Geografia, pois eles contribuem sobremaneira para uma aprendizagem real e
satisfatória dessa Cartografia e sua aplicabilidade na Geografia. Identificar o que
tem ocasionado esse problema na aprendizagem desses conteúdos e, dessa forma,
iniciar um processo de mudança dentro do ensino-aprendizagem de Geografia, é
a ambição desse projeto.

Materiais e Métodos

O trabalho proposto se baseará em uma pesquisa de base quali-


quantitativa, que pretende verificar o nível de ensino-aprendizagem dos
conteúdos de cartografia relacionados à matemática – especificamente, escala,
fuso horário e coordenadas geográficas –, que são abordados na disciplina de
Geografia na segunda fase do Ensino Fundamental, mais especificamente no 6º
ano. O trabalho está apoiado em atividades de diagnóstico, a serem realizadas
com professores de escolas públicas da cidade de Anápolis. Para tanto, serão
selecionadas duas escolas em região periférica e duas escolas em regiões centrais
da cidade de Anápolis, escolhidas aleatoriamente, nas quais serão eleitas turmas
de 6º ano, sendo uma turma em cada escola. Pretende-se aplicar questionários aos
professores dessas turmas e realizar o acompanhamento de suas aulas durante
certo período de um ano letivo, a fim de analisar e avaliar o processo de ensino
desses conteúdos da cartografia, identificar as principais dificuldades que os
docentes possam vir a apresentar, além de seus procedimentos didáticos (forma
de aula, metodologia de ensino, recurso pedagógicos e instrumentos avaliativos).

Também será realizada uma análise documental, nos livros didáticos


utilizados nas escolas participantes da pesquisa e nos referenciais curriculares
adotados, visando identificar e avaliar os conteúdos de Cartografia que são objeto
da presente pesquisa. Será aplicado também um questionário aos professores de
Geografia da rede municipal de ensino de Anápolis, com o intuito de aferir as
possíveis dificuldades que eles possam apresentar com o ensino de Cartografia,
no que diz respeito aos conteúdos ligados à matemática, citados acima. Com base

42
TÓPICO 3 | ORIENTAÇÃO, REDE GEOGRÁFICA, COORDENADAS GEOGRÁFICAS

nessas informações, será realizado o cotejo entre o processo de ensino e o processo


de aprendizagem desses conteúdos, a fim de obter uma análise integrada das
possíveis causas relacionadas aos problemas existentes.

Resultados e Discussões

A Cartografia de hoje é um reflexo de sua história nos cursos de Geografia,


com profissionais despreparados para relacionar os conhecimentos de Cartografia
com as necessidades de formação do geógrafo e, em especial, da formação do
professor de Geografia. Isto porque, nos cursos de formação de professores, é
frequente colocar-se o foco quase que exclusivamente nos conteúdos específicos
das áreas, em detrimento de um trabalho mais aprofundado sobre os conteúdos
que serão desenvolvidos no Ensino Fundamental e Médio.

Dentro da realidade da Cartografia, com todas as dificuldades existentes


nesse ensino-aprendizagem, queremos aqui chamar a atenção para uma que
muito tem aparecido em vários estudos realizados sobre este tema, que é a
dificuldade enfrentada pelos alunos e professores em trabalhar com conteúdos
ligados à matemática. Sampaio (2006, p. 201) destacou em sua pesquisa que o
medo que os alunos possuem da matemática foi um dos fatores negativos no
ensino-aprendizagem da Cartografia. E dessa forma, Rocha também reafirma a
importância da matemática para o ensino da Cartografia:

Desde a origem da Cartografia, a Matemática sempre constituiu a


base para a formulação e construção do conteúdo desse campo de
conhecimento científico e de representação gráfica da superfície
terrestre e dos objetos geográficos construídos pelo homem ao longo
de sua história. (2004, p. 72).

Em sua pesquisa, Rocha visava definir a aplicabilidade da Cartografia no


ensino de matemática e identificou o conhecimento matemático como instrumento
para a construção do conhecimento cartográfico, a partir de entrevistas com
profissionais da área de Cartografia (2004, p. 96). O que vem, mais uma vez,
ressaltar a importância da aprendizagem da matemática para o desenvolvimento
dos principais conteúdos da Cartografia. Muitos são os conteúdos de Cartografia
nos quais se faz necessário o conhecimento de noções básicas de matemática,
como a escala, fuso horário, coordenadas geográficas, e podemos afirmar que
esses conteúdos são primordiais para se obter uma base nessa ciência.

Como ressalta Oliveira (2009, p. 6) em sua pesquisa realizada com


professores de Geografia da rede municipal de Goiânia, as maiores dificuldades
dos professores em ensinar a Cartografia se destacam nos seguintes conteúdos:
projeções, imagens de satélites, escalas, fusos horários e coordenadas geográficas
(os cinco que mais foram citados). Pode-se constatar que todos esses conteúdos,
que foram apontados, necessitam da utilização da matemática em seu ensino,
demonstrando uma vez mais a necessidade de se pesquisar esse problema no
ensino desses conteúdos, que é a proposta desse projeto. Os conhecimentos dessa
ciência (a Cartografia) são essenciais para a formação da visão do aluno quanto

43
UNIDADE 1 | FUNDAMENTOS DA CARTOGRAFIA

às relações existentes no espaço em que vive. E para que o aluno possa adquirir
essas habilidades de interpretar um mapa, são necessários vários requisitos, como
destacam Costa et al. (2008, p. 2):

Para desenvolver o ensino-aprendizagem do mapa são fundamentais


dois requisitos: primeiro, as relações do espaço representativo e,
segundo, a assimilação de noções de escala, orientação geográfica, uso
de símbolos e cores e representação gráfica; todo esse processo deve
transcorrer de forma gradual em sala de aula.

Com o que foi mencionado é possível detectar a presença de alguns dos


conteúdos da Cartografia que são ligados à matemática, e isto só vem reforçar
ainda mais a importância do aprendizado dos mesmos pelos alunos. Porém,
é de conhecimento que esses conteúdos não são de fácil aprendizado, o que
ocasiona uma deficiência no ensino-aprendizagem da Cartografia. Melo et al.
(2005) confirmam que essa dificuldade com a matemática está presente tanto na
universidade como também com os alunos desde a sua formação básica:

Matemática é uma área do ensino que traz certos traumas para alguns
alunos desde os tempos de criança, na formação básica, quando o
jovem se via obrigado a decorar fórmulas sem entender seu significado,
sua utilização e aplicação. Observou-se que alunos de graduação em
Geografia pensavam que estavam "livres" da matemática em sua
formação, quando se deparam com os tópicos da Cartografia onde a
matemática é companheira constante. Isto fazia com que não gostassem
dos assuntos de Cartografia, por causa da matemática, e procuravam
cumprir o programa de ensino da Cartografia sem se preocuparem
com o aprendizado (MELO et al., 2005, p. 13).

Como o referido autor concluiu em sua pesquisa, podemos observar que


a matemática é um problema que os alunos de graduação enfrentam, mas que os
professores de Geografia também, pois os alunos apresentam dificuldades com a
matemática e, por assim dizer, com os conteúdos de Cartografia que necessitam
de uma base da mesma. E é dessa forma que muitos problemas são gerados no
ensino-aprendizagem da Cartografia em cursos de Geografia, já que vimos que
os conteúdos dessa ciência, que envolvem matemática, são os que proporcionam
a base para o entendimento e aprendizagem de parte substancial dos conteúdos
que deverão ser ensinados no ensino básico.

1 O presente trabalho é realizado com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento


Científico e Tecnológico – CNPq –Brasil.

2 Licenciada em Geografia, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Geografia –


IESA – UFG, Bolsista CNPq. <prireg8@gmail.com>

3 Professor-Adjunto da Universidade Federal de Goiás, Coordenador Institucional na


UFG do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) da CAPES,
editor-chefe da revista Ateliê Geográfico e membro da comissão editorial do Boletim
Goiano de Geografia. <oliveira@iesa.ufg.br>

44
TÓPICO 3 | ORIENTAÇÃO, REDE GEOGRÁFICA, COORDENADAS GEOGRÁFICAS

REFERÊNCIAS

CESÁRIO, L. P.; COSTA, A. A.; LIMA, J. A. E. A cartografia no ensino: análise


preliminar dos conteúdos abordados na 5ª série do Ensino Fundamental das redes
municipal e estadual de ensino da cidade de Goiás (GO). In: EREGEO SIMPÓSIO
REGIONAL DE GEOGRAFIA, 10., 2007, Catalão. Disponível em: <http://www.
observatoriogeogoias.com.br/observatoriogeogoias/artigos_pdf/Auristela %20
Afonso%20da%20Costa.pdf >. Acesso em: 27 jan. 2009.

MELO, I. B. N. de. Proposição de uma cartografia escolar no ensino superior. 2007.


Tese (Doutorado em Geografia) - Instituto de Geociências e Exatas, Universidade
de São Paulo, São Paulo, 2007.

MELO, A. A.; MENEZES, P. M. L. de.; SAMPAIO, A. C. F. O ensino de


cartografia no curso de licenciatura em geografia: uma discussão para a
formação do professor. Caminhos de Geografia, Uberlândia, v. 3, n. 16, p. 14-
22, out. 2005. Disponível em:<ttp://www.ig.ufu.br/revista/volume16/artigo3_
vol16.pdf>. Acesso em: 29 jan.
2009.

OLIVEIRA, I. J. de. A cartografia na formação do professor de Geografia: análise


da rede pública municipal de Goiânia. In: CAVALCANTI, L. de S.; MORAES, L.
B. de. Formação de professores: conteúdos e metodologias no processo ensino-
aprendizagem de geografia. Goiânia: [s.n.], 2009. No prelo.

ROCHA, L. P. C. Matemática e cartografia: como a cartografia pode contribuir


no processo ensino-aprendizagem da matemática? 2004. 129 f. Dissertação
(Mestrado em Ciências Matemáticas) - Programa de Pós-Graduação em Educação
em Ciências Matemáticas, Universidade Federal do Pará, Belém, 2004.

SAMPAIO, A. C. F. A cartografia no ensino de licenciatura em geografia: análise


da estrutura curricular vigente no país, propostas na formação, perspectivas e
desafios para o futuro professor. 2006. 637 f. Tese (Doutorado em Geografia) -
Instituto de Geociências, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro,
2006.

FONTE: Disponível em: <http://www.sbpcnet.org.br/livro/63ra/conpeex/


mestrado/trabalhos-mestrado/mestrado-priscilla-regia.pdf>. Consulta em: 7
mar. 2012.

45
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:

 Os quatro pontos principais de orientação, ou seja, Norte, Sul, Leste e Oeste,


são chamados pontos cardeais. A palavra cardeal significa principal.

 A representação gráfica dos pontos cardeais, colaterais e subcolaterais,


denomina-se Rosa Náutica ou ainda Rosa dos Ventos.

 A rede geográfica consta de um conjunto de linhas traçadas de norte a sul,


unindo os polos, constituindo os meridianos, e um conjunto de linhas traçadas
de leste a oeste paralelas ao Equador, os paralelos.

 As coordenadas geográficas, ou seja, a latitude e a longitude de qualquer ponto


da superfície terrestre, são determinadas com base na rede geográfica.

 Os paralelos seguem sempre em direção leste-oeste.

 Todos os meridianos estão traçados na direção norte-sul.

 Para determinar a latitude são considerados os paralelos, já para a determinação


da longitude, consideramos os meridianos.

CHAMADA

Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem


pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.

46
AUTOATIVIDADE

Prezado(a) acadêmico(a)! Após ter lido e estudado este tópico,


desenvolva a seguinte atividade:

1 Adquira um atlas geográfico e identifique num dos mapas, de preferência


um mapa-múndi, as linhas paralelas e as meridionais.

2 Utilize o mapa-múndi da Figura 16 e marque a lápis, de forma aleatória,


no cruzamento das linhas paralelas e meridionais, 20 pontos enumerando-
os de 1 a 20. Depois disso, estabeleça as coordenadas geográficas de cada
ponto, dando a latitude e a longitude. Não esqueça que as longitudes
são estabelecidas pelas linhas verticais do mapa que correspondem aos
meridianos. Os graus das longitudes já estão estabelecidos na parte superior
do mapa. As latitudes serão estabelecidas pelas linhas horizontais, paralelas
à linha do Equador. A leitura dos graus correspondentes às latitudes está
estabelecida na lateral esquerda do mapa (Figura 16). Exemplo: Ponto 1 Lat.
30º N (Norte) e Long. 40º O (Oeste).

3 Utilizando a quadrícula a seguir, marque novamente 30 pontos, usando,


desta vez, letras. Em seguida, dê as coordenadas geográficas de cada letra.
Não se esqueça de definir se a latitude é Norte ou Sul e a longitude é Leste
ou Oeste. Observe o exemplo.
NORTE

OESTE LESTE

SUL

 Ponto A: Latitude 30º Norte


Longitude 60º Oeste

 Ponto B: Latitude 40º Sul


Longitude 105º Leste

47
48
UNIDADE 2

CARTOGRAFIA BÁSICA

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade você será capaz de:

• compreender as diferentes projeções cartográficas e técnicas usadas na


arte de confeccionar mapas;

• aprender sobre os diferentes usos da Cartografia;

• saber ler corretamente um mapa e diferenciá-lo de uma carta topográfica;

• compreender a origem do mecanismo dos fusos horários;

• conhecer as diferentes projeções cartográficas utilizadas para confeccionar


mapas;

• utilizar diferentes técnicas didáticas que visem a um melhor aprendizado


da Cartografia em sala de aula;

• relacionar e conhecer as diferentes atividades práticas como instrumento


didático pedagógico da Cartografia no ensino da Geografia;

• compreender a Cartografia como aliada ao ensino de Geografia.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está organizada em quatro tópicos. Em cada um deles
você encontrará diversas atividades que o(a) ajudarão na compreensão das
informações apresentadas.

TÓPICO 1 – REPRESENTAÇÃO DA TERRA

TÓPICO 2 – CARTOGRAFIA TOPOGRÁFICA E TEMÁTICA

TÓPICO 3 – PLANTAS, CARTAS E MAPAS; ESCALAS; A CONSTRUÇÃO


DE SÍMBOLOS E LEGENDAS; FUSOS HORÁRIOS

TÓPICO 4 – ATIVIDADES DIDÁTICAS PARA O ENSINO E


APRENDIZAGEM DA CARTOGRAFIA NA GEOGRAFIA

49
CHAMADA

Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente!


Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.

50
UNIDADE 2
TÓPICO 1

REPRESENTAÇÃO DA TERRA

1 INTRODUÇÃO
Desde as mais antigas civilizações, tem-se sentido a necessidade de
representar o espaço em que viviam. Representavam as cidades mais próximas,
os rios e as montanhas de sua região.

Atualmente, o estudo da Terra e das diferentes regiões pode ser representado


por meio de esferas terrestres, cartas geográficas, mapas e maquetes. Portanto, o
objetivo deste tópico é apresentar um breve histórico da representação do globo
terrestre e as formas de projeções desenvolvidas pelo homem para representá-lo.

2 BREVE HISTÓRIA DA REPRESENTAÇÃO TERRESTRE


A seguir será apresentado um breve histórico da representação do globo
terreste. Esta apresentação está baseada nas anotações de Ary Johansson (2007),
adaptadas para esta disciplina.

Na Antiguidade, alguns filósofos, como Anaxímenes de Mileto (585-


528 a.C.), entre outros, representavam o mundo na forma de um plano
quadrado, apoiado no espaço. Foram os filósofos gregos, a partir do século V
a.C., que começaram a duvidar desta teoria, àquele tempo em voga, sobre a
forma achatada da Terra.

No entanto, Pitágoras e seus seguidores (séc. VI a.C.) admitiam que


a Terra era uma esfera, possuindo órbita circular, por considerarem que os
círculos formados por essa órbita eram “perfeitos”. Foi Aristóteles, cujo senso
era mais observador que teórico, quem percebeu que a Terra era “naturalmente
esférica”. Concluindo que “Cada eclipse da Lua mostra a sombra da forma
circular da Terra”.

51
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

Foi Martinho Bahaim (1459-1507), cosmógrafo e navegador alemão,


quem representou a Terra pela primeira vez num globo, no ano de 1491.
Utilizando-se dos mais recentes planisférios de então, o de Henrique
Martellos, atualizando-o com as últimas informações das viagens na África,
utilizados como base para a confecção de seu Globo.

Os globos passaram a ser conhecidos desde esta época, e os mais


importantes cartógrafos da época construíram diversos deles, não apenas
geográficos, como celestes. Gerardo Mercator construiu o seu, em 1541, para
aplicação náutica.

O globo é a melhor forma de representar a Terra, pois reproduz sua


forma esférica, proporcionalmente, sem distorção do formato ou da área dos
continentes.

No entanto, esta forma de representar a Terra possui alguns


inconvenientes, tais como: custo elevado para produção de globos,
impossibilidade para identificação de pequenas áreas com precisão; o
manuseio dos globos é muito incômodo, como exemplo: obter medidas com
instrumentos, transporte dos mesmos; os globos não permitem que tenhamos
uma visão total da superfície da Terra, pois em razão de sua esfericidade ele
nos mostra apenas um lado de cada vez.

Por tais motivos, a cartografia utiliza-se das projeções cartográficas


para transformar a superfície curva da Terra em superfícies planas, que são
denominadas de mapas.

Importante ressaltar que todas as projeções cartográficas tendem a


apresentar deformações, considerando a transformação de um corpo esférico
num plano.

Devido a estas dificuldades, existem várias projeções cartográficas,


desenvolvidas para determinadas áreas, ou seja, desde porções menores até
continentes ou o globo inteiro, bem como para a forma de representação, como
física, política, econômica, populacional, recursos hídricos, entre outros. No
entanto, ao se representar o globo por inteiro na forma de um mapa-múndi,
sempre ocorrem deformações, seja na área ou na forma.

3 PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS
As projeções cartográficas consistem, portanto, de métodos que
transformam as coordenadas geográficas, a partir de uma superfície esférica
ou elipsoidal, em coordenadas planas, mantendo correspondência entre elas. O
uso desta técnica de projeções consegue amenizar as deformações, mas nunca
eliminá-las.

52
TÓPICO 1 | REPRESENTAÇÃO DA TERRA

Faça uma experiência e tente cortar uma laranja ao meio e depois procure
achatar uma dessas partes sobre uma superfície plana.

Significa que todas as projeções apresentam deformações, que podem ser


em relação às distâncias, às áreas ou aos ângulos. Cabendo ao cartógrafo escolher
o tipo de projeção que melhor atenda aos objetivos do mapa.

ATENCAO

As projeções cartográficas consistem, portanto, de técnicas para projetar


a superfície curva ou elipsoidal da Terra num plano, ou seja, na forma de mapas. Tenha
em mente também que estas projeções sempre apresentarão distorções, seja no formato
dos continentes ou na área representada, ou nos ângulos. Nesta Unidade você estudará os
diferentes tipos de projeções cartográficas e sua utilidade.

Para Loch (2006, p. 39):

[...] os primeiros sistemas de projeção remontam à Antiguidade; nos


dias atuais existem mais de uma centena de projeções as quais são
resultados do trabalho e de muita imaginação de famosos matemáticos,
cartógrafos e astrônomos. Quando alguém estuda projeções
cartográficas, é preciso muita imaginação para tal compreensão.

Para sua melhor compreensão, apresentamos a seguir outro conceito de


projeções cartográficas:

Traçado sistemático de linhas numa superfície plana, destinado à


representação de paralelos de latitude e meridianos de longitude da
Terra ou de parte dela. Pode ser construído mediante cálculo analítico,
ou traçado geometricamente. Frequentemente referido como projeção,
o termo completo é aconselhado, a não ser que o contexto indique
claramente o significado. (OLIVEIRA, 1983, p. 539).

Segundo Duarte (2002, p. 85), “uma projeção cartográfica é base para


construção dos mapas, pois ela se constitui numa rede de paralelos e meridianos,
sobre a qual os mapas poderão ser desenhados”.

3.1 PROPRIEDADE DAS PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS


As projeções são usadas para construir as quadrículas que servem para
encontrar os pontos a representar, ou seja, as latitudes e longitudes. Nesse tipo
de transformação, a superfície acaba sempre sendo desfigurada ou alterada, pela
dificuldade de transformar a superfície curva da Terra em um plano.

53
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

As projeções, segundo o site do IBGE (2007), quanto às suas propriedades


podem ser classificadas de quatro maneiras:

a) Equidistantes: as que não apresentam deformações lineares para algumas


linhas em especial, isto é, os comprimentos são representados em escala
uniforme. Porém, apresentam distorções nas áreas e nas formas.

b) Conformes: representam, sem deformação, todos os ângulos em torno


de quaisquer pontos, e decorrentes dessa propriedade, não deformam
pequenas regiões. Ou seja, a forma dos elementos desenhados no mapa
mantém-se igual à superfície terrestre representada, onde para manter a
semelhança das formas, altera-se as áreas. O melhor exemplo é a projeção
de Mercator, onde a Groenlândia, representada num mapa-múndi
desenhado neste tipo de projeção, aparece com superfície superior à
América do Sul.

c) Equivalentes: têm a propriedade de não alterarem as áreas, conservando


assim uma relação constante com as suas correspondentes na superfície
da Terra. Seja qual for a porção representada num mapa, ela conserva
a mesma relação com a área de todo o mapa. Porém altera as formas,
distorcendo-as. Um exemplo deste tipo de projeção e que tem sido bastante
utilizado nos livros didáticos é a projeção de Peters, também chamada de
Projeção para um mundo solidário, pois aparece para fazer oposição à
projeção de Mercator. Ela representa de maneira proporcional as áreas
dos países, alterando as formas.

d) Afiláticas: não possuem nenhuma das propriedades dos outros tipos, isto
é, equivalência, conformidade e equidistância, ou seja, as projeções em
que as áreas, os ângulos e os comprimentos não são conservados.

3.2 SUPERFÍCIES DE PROJEÇÃO


Em função da impossibilidade de transformar a superfície esférica ou
elipsoide da Terra sobre um plano, sem deformações, foi desenvolvido um artifício,
ou seja, a criação de superfícies intermediárias ou auxiliares. Tais superfícies são
chamadas de superfícies de projeção, podendo ser um plano, ou uma superfície
auxiliar que pode ser desenvolvida em um cilindro ou cone.

Quando a superfície a ser projetada tem como centro o pólo ou paralela


ao plano do Equador, dizemos que é uma projeção polar ou equatorial; se ela
está centrada num ponto do Equador ou é paralela a um plano meridiano, ela
é tranversa ou meridiana; se está centrada num ponto ou círculo qualquer da
esfera, ela é oblíqua.

54
TÓPICO 1 | REPRESENTAÇÃO DA TERRA

Atualmente, a maioria das projeções existentes origina-se dos três tipos ou


métodos originais, a saber: planas, cônicas e cilíndricas. Observe a figura a seguir.

FIGURA 19 – SUPERFÍCIES DE PROJEÇÃO VISTAS EM DIFERENTES ÂNGULOS

POLAR - plano NORMAL - eixo do cone EQUATORIAL - eixo do


tangente no polo. paralelo no eixo da Terra. cilindro paralelo ao eixo
da Terra.

TRANSVERSA - eixo do TRANSVERSA - eixo do


EQUATORIAL - plano
tangente do equador. cone perpendicular ao cilindro perpendicular ao
eixo da Terra. eixo da Terra.

HORIZONTAL - plano HORIZONTAL - eixo do HORIZONTAL - eixo do


tangente em um ponto cone inclinado em relação cilindro inclinado em relação
qualquer. ao eixo da Terra. ao eixo da Terra.

FONTE: IBGE (2007)

ATENCAO

Prezado(a) acadêmico(a)! A escolha do tipo de projeção cartográfica pelo


cartógrafo ocorre conforme a área a ser mapeada.

55
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

3.3 PROJEÇÕES MAIS USADAS E SUAS CARACTERÍSTICAS

3.3.1 Projeção policônica


Características:

 Diversos cones constituem sua superfície de representação.

 Possui a característica de ser conforme ou equivalente (ver propriedade das


projeções) apenas próximo ao Meridiano Central.

 O Meridiano Central e o Equador são as únicas retas da projeção. O Meridiano


Central é dividido em partes iguais pelos paralelos e não apresenta deformações.

 Os paralelos formam círculos não concêntricos e não apresentam deformações.

 Os meridianos formam curvas que cortam os paralelos em partes iguais.

 Pequena deformação próxima ao centro do sistema, mas aumenta rapidamente


para a periferia.

Aplicações:

 Esta projeção é adequada para projetar países ou regiões de extensão


predominantemente Norte-Sul e reduzida extensão Leste-Oeste.

 Em função da simplicidade de seu cálculo, uma vez que existem tabelas


completas para a sua construção, é muito utilizada, principalmente nos EUA.
No Brasil, é utilizado no mapa da série Brasil, os mapas regionais, estaduais e
temáticos.

56
TÓPICO 1 | REPRESENTAÇÃO DA TERRA

FIGURA 20 – PROJEÇÃO POLICÔNICA

FONTE: IBGE (2007)

3.3.2 Projeção cônica normal de Lambert


Características:

 Sua superfície de projeção é cônica.

 Quanto à propriedade de projeção, é conforme.

 Os meridianos constituem linhas retas convergentes, enquanto os paralelos são


círculos concêntricos com centro no ponto de interseção dos meridianos.

Aplicações:

 O fato de existirem duas linhas de contato com a superfície (dois paralelos


padrão) fornece uma área maior com menor deformação. Isto faz com que esta
projeção seja bastante útil para regiões que se estendam na direção Leste-Oeste,
podendo ser utilizada em quaisquer latitudes.

 Foi adotada para a elaboração da Carta Internacional do Mundo ao Milionésimo,


a partir de 1962.

57
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

FIGURA 21 – PROJEÇÃO CÔNICA NORMAL DE LAMBERT (COM DOIS PARALELOS-PADRÃO)

FONTE: IBGE (2007)

3.3.3 Projeção cilíndrica transversa de Mercator


Características conforme o IBGE (2007):

 Foi idealizada no século XVI, tornando-se a preferida dos navegantes por ser a
única em que as direções podiam ser traçadas em linha reta sobre o mapa.

 Como o próprio nome diz, é projetada sobre um cilindro.

 Quanto à propriedade de projeção, é conforme, porque não deforma os ângulos.

 Nesta projeção os meridianos e os paralelos são linhas retas que se cortam


em ângulos retos. Nela as regiões polares aparecem muito exageradas, ou
ampliadas.

Aplicações:

 Projeção utilizada no SISTEMA UTM - Universal Transversa de Mercator,


desenvolvido durante a 2ª Guerra Mundial. Este sistema é, em essência, uma
modificação da Projeção Cilíndrica Transversa de Mercator.

 Utilizado na produção das cartas topográficas do Sistema Cartográfico


Nacional, produzidas pelo IBGE e DSG.

58
TÓPICO 1 | REPRESENTAÇÃO DA TERRA

FIGURA 22 – PROJEÇÃO DE MERCATOR OU CILÍNDRICA EQUATORIAL

FONTE: OBJETIVO. Disponível em: <www2.curso-objetivo.br/.../re_projecoes_1.gif>. Acesso em:


24 jan. 2007.

NOTA

Conformes: representam, sem deformação, todos os ângulos em torno de


quaisquer pontos e, decorrentes dessa propriedade, não deformam pequenas regiões.

3.3.4 Projeção cilíndrica equivalente de Peters


Características:

 Esta projeção, também muito utilizada para construção de planisférios, foi


desenvolvida por Arno Peters, em 1973. Possui base cilíndrica equivalente e
determina uma distribuição dos paralelos com intervalos decrescentes desde o
Equador até os polos. Observe no mapa a seguir.

59
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

FIGURA 23 – PROJEÇÃO CILÍNDRICA EQUIVALENTE DE PETERS

FONTE: OBJETIVO. Disponível em: <www2.curso-objetivo.br/.../re_projecoes_1.gif>. Acesso em:


24 jan. 2007.

 Possui retas perpendiculares aos paralelos e as linhas meridianas têm intervalos


menores, o que provoca um achatamento significativo das massas continentais
no sentido Leste-Oeste, apresentando deformação no sentido Norte-Sul, na
faixa compreendida entre os paralelos 60o Norte e 60o Sul, bem como acima
destes até os polos, dando a impressão de que a Terra foi alongada.

 Esta projeção foi desenvolvida com o objetivo de reduzir as distorções na


representação das áreas entre os países, porém, para atingir este objetivo,
acabou projetando os continentes com sua forma original deformada, ou seja,
mais alongados.

3.3.5 Projeção cônica


• Os paralelos, nesta projeção, são arcos concêntricos situados à igual distância
um do outro, enquanto os meridianos convergem para os polos.

• São utilizados para mapas de países de latitudes médias.

60
TÓPICO 1 | REPRESENTAÇÃO DA TERRA

FIGURA 24 – PROJEÇÃO CÔNICA

FONTE: OBJETIVO. Disponível em: <www2.curso-objetivo.br/.../re_projecoes_1.gif>. Acesso em:


24 jan. 2007.

3.3.6 Projeção de Mollwiede


 Os meridianos formam linhas curvas nesta projeção, enquanto os paralelos são
linhas retas.

 Possui forma elíptica, sendo que sua área é proporcional à da esfera terrestre,
em detrimento da forma.

 Apresenta maior exatidão nas zonas centrais, tanto no formato quanto em área,
porém o mesmo não acontece com as extremidades que apresentam grandes
distorções.

 Esta projeção é bastante utilizada para a confecção de mapa-múndi.

FIGURA 25 – PROJEÇÃO CÔNICA POR MOLLWIEDE

FONTE: OBJETIVO. Disponível em: <www2.curso-objetivo.br/.../re_projecoes_1.gif>. Acesso em:


24 jan. 2007.

61
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

3.3.7 Projeção azimutal


 Nesta projeção, a superfície terrestre é projetada sobre um plano, a partir de
um determinado ponto (ponto de vista).

 São utilizadas para confeccionar mapas especiais, como os náuticos e


aeronáuticos.

 As projeções azimutais são de três tipos: polar, equatorial e oblíqua.

FIGURA 26 – PROJEÇÃO AZIMUTAL

FONTE: FRIGOLETTO. Disponível em: <www.frigoletto.com.br>. Acesso em: 23 fev. 2007.

62
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:

 O globo é a melhor forma de representar a Terra, pois reproduz sua forma


esférica. No entanto, esta forma de representar a Terra possui alguns
inconvenientes, como: custo elevado para produção de globos, impossibilidade
para identificação de pequenas áreas com precisão; o manuseio dos globos.

 Todas as projeções apresentam deformações, que podem ser em relação às


distâncias, às áreas ou aos ângulos.

 Quanto à propriedade das projeções, elas podem ser: equidistantes, conformes,


equivalentes e afiláticas.

 Atualmente, a maioria das projeções existentes origina-se dos três tipos ou


métodos originais, a saber: planas, cônicas e cilíndricas (Figura 19).

63
AUTOATIVIDADE

1 Por que o globo é a melhor forma de representar a Terra?

2 Aponte as dificuldades de trabalhar com globos.

3 Por que motivo os mapas não representam com fidelidade a superfície da


Terra, reproduzindo-a com distorção de área ou de forma?

4 Relacione os diferentes tipos de projeções cartográficas e faça um resumo


de suas características principais.

64
UNIDADE 2 TÓPICO 2

CARTOGRAFIA TOPOGRÁFICA E TEMÁTICA

1 INTRODUÇÃO
A Cartografia topográfica é possivelmente a mais usada e conhecida
Cartografia do mundo, pela necessidade do homem de compreender
detalhadamente o terreno onde pisa. Seja este local, estadual, regional, nacional ou
mundial, é necessário representar graficamente a topografia ou relevo, tais como:
planícies, montanhas, vales, hidrografia, rodovias, ferrovias, etc., tudo de forma
detalhada, com os nomes corretos e com padrão que permita a continuidade de
uma folha para outra, bem como que tenha beleza artística e precisão científica.

Pertencem ao campo da Cartografia topográfica as denominadas plantas


topográficas. Exemplos: a planta de uma propriedade, um latifúndio, uma vila,
uma área urbana, etc., uma vez que estas áreas são imperceptíveis se comparadas
à imensidão da superfície terrestre.

A Cartografia temática corresponde ao campo da Cartografia empregado


pelas demais ciências que utilizam de mapas temáticos, tais como: geológicos,
estatísticos, panorâmicos, oceanográficos, celestes, populacional, agrícolas,
econômicos, urbanização, entre uma variedade enorme de temas que podem ser
representados cartograficamente.

Segundo Fernando Joly (2001), houve, ao longo da história da Cartografia,


divergência caracterizada por dois pontos de vista, o da Cartografia topográfica
e o da temática. Para Joly (2001), Cartografia topográfica tem o objetivo de
representar de forma exata e detalhada um lugar, enquanto a Cartografia temática,
de uso recente, tem um sentido impreciso controvertido, pois todo mapa, mesmo
topográfico, ilustra um tema. Mas os outros vocábulos apresentados, como
Cartografia aplicada, especial ou especializada, são piores ainda que temática,
diz o citado autor.

Existe uma tendência em atribuir à Cartografia temática um significado


de algo especial. Porém acaba contrastando com o que seja de uso geral, levando-
nos a considerar que existem, pelo menos, dois grandes ramos nesta disciplina, ou
seja: Cartografia geral e temática. No primeiro, incluem-se os mapas de uso geral;
no segundo, os mapas destinados a um público específico. No entanto, em dada
situação não é possível traçar uma linha divisória e afirmar com absoluta certeza se

65
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

determinado trabalho constitui preocupação da Cartografia geral ou da temática.


Na prática, o que poderá acontecer é que um mapa poderá ser classificado como
de referência geral ou temático, conforme a situação do momento.

Ao longo deste tópico você irá adquirir informações que lhe permitirão
diferenciar uma planta de uma carta topográfica e esta de um mapa.

2 CARTOGRAFIA TOPOGRÁFICA

A Cartografia Topográfica tem como objetivo transformar dados e


fotografias, obtidas pelos levantamentos de campo, bem como fotografias aéreas,
em cartas topográficas, ou seja, cartas com detalhamento do relevo terrestre. São
quase exclusivamente elaboradas em instituições governamentais que se dedicam
à execução da carta de um país.

Consiste de um trabalho permanente, de contínuo aperfeiçoamento e


pormenorização, que passou a ser indispensável tanto na tomada de decisões
da administração pública como da defesa do território nacional. Com o emprego
de escalas grandes, produzem-se cartas e mapas detalhados, matematicamente
corretos e que servem de base para outros menos detalhados.

Os levantamentos aerofotogramétricos, através de imagens estereoscópicas


(técnica que permite observar fotografia aérea em 3 dimensões, através de
um aparelho chamado estereoscópio), simplificou o desenho cartográfico,
possibilitando sua execução mais rápida e com menor dependência do esforço
individual. Ocorrem deformações ópticas nesse tipo de foto, porém elas são
corrigidas no momento da fotografia ou em laboratório. Apesar da grande
facilidade que trouxe a aerofotogrametria, esta não reduziu os levantamentos de
campo, necessitando ainda de apoio terrestre, plenimétrico e altimétrico.

As cartas topográficas (na figura a seguir) reproduzem, de forma gráfica,


os acidentes naturais e artificiais, em que os elementos planimétricos (sistema
viário, obras etc.) e altimétricos (relevo através de curvas de nível etc.) são
geometricamente bem representados.

NOTA

Prezado(a) acadêmico(a), o conceito de escala grande, escala pequena, será


estudado no Tópico 3 desta UNIDADE. A aero-fotogrametria e o estereoscópio serão
estudados na Unidade 3.

66
TÓPICO 2 | CARTOGRAFIA TOPOGRÁFICA E TEMÁTICA

FIGURA 27 – PARTE DE UMA CARTA TOPOGRÁFICA COM DETALHES DO RELEVO

FONTE: IBGE (2007)

NOTA

Prezado(a) acadêmico(a), curvas de nível significa linha que une pontos de


mesma altitude. Para sua melhor compreensão e formação, sugerimos que você adquira, no
escritório do IBGE de sua cidade, uma carta topográfica de sua região. O custo não é elevado.

Segundo o site do IBGE, as aplicações das cartas topográficas variam de


acordo com sua escala:

1:25.000: representa cartograficamente áreas específicas, com


forte densidade demográfica, fornecendo elementos para o planejamento
socioeconômico e bases para anteprojetos de engenharia. Esse mapeamento,
pelas características da escala, está dirigido para as áreas das regiões
metropolitanas e outras que se definem pelo atendimento a projetos
específicos. Cobertura Nacional: 1,01%.

1:50.000: retrata cartograficamente zonas densamente povoadas,


sendo adequada ao planejamento socioeconômico e à formulação de
anteprojetos de engenharia.

67
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

A sua abrangência é nacional, tendo sido cobertos até agora 13,9% do


território nacional, concentrando-se principalmente nas regiões Sudeste e Sul
do país.

1:100.000: objetiva representar as áreas com notável ocupação,


priorizadas para os investimentos governamentais, em todos os níveis de
governo - federal, estadual e municipal.

A sua abrangência é nacional, tendo sido cobertos até agora 75,39% do


território nacional.

1:250.000: subsidia o planejamento regional, além da elaboração de


estudos e projetos que envolvam ou modifiquem o meio ambiente.

A sua abrangência é nacional, tendo sido cobertos até o momento


80,72% do território nacional.

Mapa municipal: entre os principais produtos cartográficos produzidos


pelo IBGE encontra-se o mapa municipal, que é a representação cartográfica
da área de um município, contendo os limites estabelecidos pela Divisão
Político-Administrativa, acidentes naturais e artificiais, toponímia, rede de
coordenadas geográficas e UTM etc.

Esta representação é elaborada a partir de bases cartográficas mais


recentes e de documentos cartográficos auxiliares, na escala das referidas
bases.

O mapeamento dos municípios brasileiros é para fins de planejamento


e gestão territorial e em especial para dar suporte às atividades de coleta e
disseminação de pesquisas do IBGE.

2.1 SÉRIES CARTOGRÁFICAS


Quando é realizado o mapeamento de um estado, país ou o mundo
inteiro, e a escala adotada não permite cobrir toda a região em um único mapa,
faz-se então a cobertura em diversas folhas, de forma sistematizada, seguindo
uma padronização que permita a continuidade e a leitura.

2.1.1 Carta Internacional do Mundo ao Milionésimo - CIM


A CIM, ou Carta do Mundo ao Milionésimo, consiste numa série
cartográfica muito utilizada pelos geógrafos, da qual se originou a Carta do
Brasil ao Milionésimo, que surgiu em 1909, em Londres, Inglaterra, época em

68
TÓPICO 2 | CARTOGRAFIA TOPOGRÁFICA E TEMÁTICA

que foram estabelecidos os padrões técnicos para a produção de folhas na escala


de 1/1000.000 (um por um milhão, motivo da origem do termo milionésimo),
cobrindo quase toda a superfície terrestre. Cada folha deve possuir 6 graus de
longitude por 4 graus de latitude.

Caro(a) acadêmico(a), para que você compreenda melhor este tema,


transcrevemos abaixo o detalhamento deste assunto feito pelo órgão oficial
do governo federal, responsável pela elaboração destas cartas, ou seja, o IBGE
(2007):

Fornece subsídios para a execução de estudos e análises de aspectos


gerais e estratégicos, no nível continental. Sua abrangência é nacional,
contemplando um conjunto de 46 cartas.

É uma representação de toda a superfície terrestre, na projeção cônica


conforme de LAMBERT (com 2 paralelos padrão) na escala de 1:1.000.000.

A distribuição geográfica das folhas ao milionésimo foi obtida com a


divisão do planeta (representado aqui por um modelo esférico) em 60 fusos de
amplitude 6º, numerados a partir do fuso 180º W - 174º W no sentido Oeste-Leste
(Figura 28). Cada um destes fusos, por sua vez, está dividido, a partir da linha do
Equador, em 21 zonas de 4º de amplitude para o Norte e com o mesmo número
para o Sul.

Como o leitor já deve ter observado, a divisão em fusos aqui apresentada


é a mesma adotada nas especificações do sistema UTM. Na verdade, o
estabelecimento daquelas especificações é pautado nas características da CIM.

Cada uma das folhas ao milionésimo pode ser acessada por um conjunto
de três caracteres:

1º) letra N ou S - indica se a folha está localizada ao Norte ou ao Sul do Equador.

2º) letras A até U - cada uma destas letras se associa a um intervalo de 4º de


latitude se desenvolvendo a Norte e a Sul do Equador e se prestam à indicação
da latitude limite da folha (3).

3º) números de 1 a 60 - indicam o número de cada fuso que contém a folha (3).

Além das zonas de A a U, temos mais duas que abrangem os paralelos de


84º a 90º. A saber: a zona V que é limitada pelos paralelos 84º e 88º e a zona Z, ou
polar, que vai deste último até 90º. Neste intervalo, que corresponde às regiões
polares, a Projeção de Lambert não atende convenientemente a sua representação.
Utiliza-se então a Projeção Estereográfica Polar.

69
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

FIGURA 28 – CARTA INTERNACIONAL DO MUNDO AO MILIONÉSIMO

FONTE: IBGE (2007)

FIGURA 29 – O BRASIL DIVIDIDO EM FUSOS DE 6º (SEIS GRAUS)

FONTE: IBGE (2007)

3 CARTOGRAFIA TEMÁTICA
A Cartografia temática consiste de cartas, mapas ou plantas em qualquer
escala, direcionados a um tema específico, que serve de base a pesquisas de
temas socioeconômicos, recursos naturais e estudos ambientais. A representação
temática expressa conhecimentos particulares para uso geral; diferente da
cartografia geral, que não tem o objetivo de transmitir um tema em particular,
mas informações gerais.

70
TÓPICO 2 | CARTOGRAFIA TOPOGRÁFICA E TEMÁTICA

Através da elaboração de cartogramas, que são mapas esquemáticos  com  


nível   de   abstração elevado,  as  formas  ou  localizações reais são estilizadas
com fins conceituais e informativos. Os elementos cartográficos, reunidos numa
só folha, através de representações gráficas de fenômenos espaciais e temporais,
fornecem informações sobre numerosos assuntos, muitos em mutação contínua,
tais como: migrações, fluxos de veículos, desmatamento, expansão agrícola,
crescimento urbano, reflorestamento, entre outros.

A partir de um mapa esquemático, construído com dados extraídos de


mapas topográficos e geográficos, são construídos os cartogramas, expostos
mediante diversos recursos gráficos, como pontos e figuras, quando são chamados
de pictóricos. Além de pontos, usam-se barras e faixas que indicam extensões
lineares ou, pela espessura, a importância do fenômeno. São usadas também nos
cartogramas de mapas temáticos as isocurvas (como as curvas de nível, usadas
para representar pontos de mesma altitude, isóbaras, que no mapa climático
indicam pontos de mesma pressão atmosférica etc.), em que as curvas ou linhas
representam, pela posição, valores equivalentes em toda a sua extensão.

Há ainda os cartogramas de superfície bidimensionais, recomendados


para indicar as variações de determinados fenômenos por meio do uso de áreas
sombreadas ou coloridas; cartogramas de aparência tridimensional, também
denominados blocos-diagramas, em que os fatos são expostos em perspectiva,
exibindo-se o mapa esquemático.

O mapa temático é elaborado, segundo o IBGE, com base no mapeamento


topográfico ou de unidades territoriais, pelos Departamentos da Diretoria de
Geociências do IBGE, associando elementos relacionados às estruturas territoriais,
à geografia, à estatística, aos recursos naturais e estudos ambientais.

Entre os principais produtos elaborados estão:

 Cartogramas temáticos das áreas social, econômica, territorial etc.

 Cartas do levantamento de recursos naturais (volumes RADAM).

 Mapas da série Brasil 1:5.000.000 (escolar, geomorfológico, climático (Figura


30), vegetação (Figura 31), unidades de relevo, unidades de conservação
federais, além de muitos outros temas).

 Atlas nacional, regional e estadual.

71
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

FIGURA 30 – MAPA CLIMÁTICO DO BRASIL

FONTE: IBGE (2007)

FIGURA 31 – MAPA DA VEGETAÇÃO DO BRASIL

FONTE: IBGE (2007)

72
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:

 A Cartografia topográfica é, possivelmente, a mais usada e conhecida cartografia


do mundo, pela necessidade do homem de compreender detalhadamente o
terreno onde pisa.

 A Cartografia temática corresponde ao campo da Cartografia empregado


pelas demais ciências que utilizam mapas temáticos, tais como: geológicos,
estatísticos, panorâmicos, oceanográficos, celestes, populacional, agrícolas,
econômicos, urbanização, entre uma variedade enorme de temas que podem
ser representados cartograficamente.

 A Cartografia topográfica tem como objetivo transformar dados em fotografias,


obtidos pelos levantamentos de campo, bem como fotografias aéreas em cartas
topográficas, ou seja, cartas com detalhamento do relevo terrestre.

73
AUTOATIVIDADE

Prezado(a) acadêmico(a)! Após ter lido e estudado este tópico, responda


às questões que seguem.

1 Faça uma síntese do que você compreendeu sobre a Cartografia topográfica.

2 Por que é difícil traçar uma linha divisória bem definida entre a Cartografia
topográfica e a Cartografia temática?

3 Onde, quando e por que foram criadas as regras internacionais para a


confecção das cartas do mundo ao milionésimo?

4 Qual é o principal objetivo da Cartografia temática?

74
UNIDADE 2 TÓPICO 3

PLANTAS, CARTAS E MAPAS; ESCALAS; A CONSTRUÇÃO


DE SÍMBOLOS E LEGENDAS; FUSOS HORÁRIOS

1 INTRODUÇÃO
O desconhecimento dos símbolos utilizados em mapas geográficos
impossibilita a sua correta interpretação, limitando a pessoa que desconhece esta
linguagem a uma leitura superficial, sem entendimento cartográfico. Boa parte
de nossos alunos passa pelas escolas sem ter sido devidamente alfabetizada
na interpretação e uso correto de mapas, seguindo pela vida desta forma, com
dificuldades até para ler um mapa rodoviário, quando realizam uma viagem
de férias.

É de responsabilidade do professor de Geografia instruir seus alunos a ler


e interpretar corretamente os mapas, não apenas como curiosidade, mas como
instrumento para compreender a realidade e os diversos temas que a compõem,
seja ela populacional, econômica, social, ambiental, física, urbana e uma infinidade
de outros temas que podem ser abordados na forma de mapas cartográficos.

Segundo Loch (2006, p. 33), “Os mapas da Cartografia têm características


típicas que os classificam e representam elementos selecionados em um
determinado espaço geográfico, de forma reduzida, utilizando simbologia e
projeções cartográficas”. Neste tópico você compreenderá a diferença entre
plantas, cartas e mapas e a importância de compreendê-los, fazendo a correta
leitura e interpretação da escala, bem como dos símbolos utilizados em sua
legenda.

2 MAPA, CARTA, PLANTA


Segundo Bakker (1965 apud LOCH, 2006), a palavra mapa teve origem na
Idade Média, sendo empregada apenas para designar as representações terrestres.
Somente depois do século XIV, os mapas marítimos passaram a ser designados
como cartas. Em outros idiomas, como inglês e alemão, não existe confusão entre
estes termos.

75
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

A confusa relação entre as palavras mapa, carta e planta tem origem no


uso popular de documentos cartográficos utilizados pelos brasileiros, ou seja, as
pessoas que usavam mapas foram cristalizando ideias que acabaram por criar a
presente situação.

Os mapas e/ou cartas, plantas podem ser classificados de várias maneiras,


depende de suas características. Em geral, as classificações usuais apresentam
determinadas características específicas de um mapa ou carta, eles devem ser
utilizados para indicações de aplicabilidade.

Para Fitz (2010), os mapas são classificados conforme seus objetivos:

• Mapas genéricos ou gerais – são aqueles que não possuem uma finalidade
específica, servindo basicamente como ilustração. Geralmente são desprovidos
de precisão, apresentando aspectos físicos e obras humanas resumidamente,
seus usuários normalmente são pessoas leigas. Ex.: divisão política de um país.

• Mapas especiais ou técnicos – criados para fins específicos, com uma


precisão variável, conforme sua aplicação. Ex.: mapa zoogeográfico, turístico,
meteorológico e astronômico.

• Mapas temáticos – reprodução de outros mapas já existentes, são denominados


mapas de base. Utilizam-se das diversas simbologias para representar os
fenômenos espacialmente distribuídos na superfície. Qualquer mapa que
apresente representação diferente do terreno pode ser classificado como
temático. Ex.: mapas de solo, geológico e geomorfológico.

• Mapa ou carta – são imagens representadas de um mapa base, pode abranger


objetivos diversos. É muito utilizado para complementar uma informação de
maneira mais ilustrada, facilitando o entendimento.

Atualmente, estes termos estão ligados à ESCALA de representação,


gerando os seguintes conceitos (LOCH, 2006):

2.1 MAPA
A Cartografia é utilizada em muitos ramos do conhecimento, assim
como em outras ciências. Diversos profissionais, como arquitetos, geólogos,
meteorologistas e militares, fazem uso desse recurso. Entretanto, este misto de
linguagem, técnica e ciência está perfeitamente adequado àquilo que constitui
o objeto de estudo da Geografia, ou seja, as organizações espaciais. Em linhas
gerais, um mapa descreve os aspectos qualitativos e quantitativos de uma dada
porção do espaço ou da realidade. “A Geografia tem a finalidade de facilitar a
comunicação, ou seja, tornar instantânea a decodificação da mensagem contida
nessas representações” (SAMPAIO; SUCENA, 2010, p. 208).

76
TÓPICO 3 | PLANTAS, CARTAS E MAPAS; ESCALAS; A CONSTRUÇÃO DE SÍMBOLOS E LEGENDAS; FUSOS HORÁRIOS

O mapa é a representação no plano, normalmente em escala pequena,


dos aspectos geográficos, naturais, culturais e artificiais de uma
área tomada na superfície de uma figura planetária, delimitada
por elementos físicos, político-administrativos, destinada aos mais
variados usos, temáticos, culturais e ilustrativos (IBGE, 2007).

De modo simplificado, um mapa representa um conjunto de símbolos


que têm uma relação única inequívoca entre: entidades, objetos e fenômenos
existentes no mundo real. O mundo real é por demais complexo para ser
representado fielmente em sua totalidade. A produção de um mapa é uma
atividade de engenharia e, portanto, exige projeto. Este projeto chama-se: projeto
cartográfico.

Com o projeto cartográfico estabelecemos quais métodos e quais passos


devemos seguir, que finalidades serão alcançadas a partir do uso do mapa.
Os processos de abstração cartográfica e de generalização cartográfica são
aplicados, em primeiro lugar, na produção de um mapa, e, como resultado das
ações da Cartografia, tem-se uma representação simplificada e/ou aproximada
do mundo. Ocorre, portanto, a simbolização e a seleção das entidades, objetos e
fenômenos representados. A eficiência da representação cartográfica depende do
conhecimento de quem interpreta e também da representação em si.

As principais características são:

• representação plana;

• geralmente em escala pequena;

• área delimitada por acidentes naturais (bacias, planaltos, chapadas etc.),


político-administrativos;

• destinação a fins temáticos, culturais ou ilustrativos.

Importante lembrar que um mapa nada mais é do que uma representação


de uma área qualquer ou toda a superfície terrestre, como se estivesse observando
de cima para baixo, que é a forma correta de examinar um mapa.

2.2 CARTA
Carta é a representação no plano, em escala média ou grande, dos aspectos
artificiais e naturais de uma área tomada de uma superfície planetária, subdividida
em folhas delimitadas por linhas convencionais – paralelos e meridianos –, com
a finalidade de possibilitar a avaliação de pormenores, com grau de precisão
compatível com a escala (IBGE, 2007).

77
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

Em países de língua portuguesa os vocábulos carta e mapa coexistem


e têm praticamente tudo em comum. Em decorrência da navegação aérea, por
analogia, temos a carta aeronáutica ao lado da carta náutica. O Glossary of
Mapping, Charting and Geodetic Terms (Termos do Glossário de Mapeamento,
Gráficos e Geodésicos) (IBGE, 2007), define mapa como: “Representação gráfica,
geralmente numa superfície plana e numa determinada escala, das características
naturais e humanas, acima ou abaixo da superfície da Terra ou de outro planeta”.
E a definição de carta: “Mapa de finalidade especial, destinado, em geral, à
navegação ou a outros fins particulares, em que a informação cartográfica
essencial se combina com diversos elementos decisivos ao uso proposto”. (SENE;
MOREIRA, 2011, p. 13).

As principais características são:

• representação plana;

• escala média ou grande;

• desdobramento em folhas articuladas de maneira sistemática;

• limites das folhas constituídos por linhas convencionais, destinadas à avaliação


precisa de direções, distâncias e localização de pontos, áreas e detalhes.

2.3 PLANTA
No conceito do IBGE, “Carta representa uma área de extensão
suficientemente restrita para que a sua curvatura não precise ser levada em
consideração, e que, em consequência, a escala possa ser considerada constante”
(2007). Consiste num caso particular de carta, pois utiliza escala grande, o
que permite representar um número de detalhes bem maior, o que restringe a
representação a uma pequena área.

Em geral, as plantas são mapas com uma escala que varia de 1: 10 até 1: 20
000, representam uma área restrita (pequena), um quarteirão ou um bairro, uma
fazenda, um terreno ou um condomínio, com isso a escala tende a representar
com maior riqueza de detalhes. A principal característica da planta é a exiguidade
das dimensões da área representada.

78
TÓPICO 3 | PLANTAS, CARTAS E MAPAS; ESCALAS; A CONSTRUÇÃO DE SÍMBOLOS E LEGENDAS; FUSOS HORÁRIOS

ATENCAO

Caro(a) acadêmico(a)! Fique atento(a) às diferenças entre mapa, carta e planta,


pois isto será determinante para uma boa leitura e interpretação do assunto.

E
IMPORTANT

Sugerimos que visite o site do IBGE <http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/


recursosnaturais/mapas_doc6.shtm>. Este site contém importantes reflexões e comparações
sobre os diferentes tipos de mapas (cartas, mapa, planta).

3 ESCALAS
As escalas podem ser representadas de duas maneiras: de forma gráfica
ou através da representação numérica.

Um mapa ou uma carta são representações esquemáticas reduzidas da


superfície topográfica da Terra, com os detalhes nela existentes, sobre um plano
ou arquivo digital. Esta redução se faz seguindo determinada proporção entre o
desenho e a superfície terrestre, proporção esta mostrada de forma numérica ou
gráfica, chamada de escala.

Uma carta ou mapa, dependendo dos seus objetivos, só estará completa(o)


se trouxer determinados elementos devidamente representados, tais como:

• naturais: são os elementos existentes na natureza, como os rios, mares, lagos,


montanhas, serras etc.;

• artificiais: são os elementos criados pelo homem, como: represas, estradas,


pontes, edificações etc.

Esta representação, segundo o IBGE (2007), gera dois problemas:

1º) A necessidade de reduzir as proporções dos acidentes a representar, a fim de


tornar possível a sua representação em um espaço limitado.

Essa proporção é chamada de ESCALA.

79
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

2º) Determinados acidentes, dependendo da escala, não permitem uma redução


acentuada, pois tornar-se-iam imperceptíveis, no entanto são acidentes que,
por sua importância, devem ser representados nos documentos cartográficos.

ESCALA é a relação existente entre as distâncias medidas do objeto ou lugar


representado no mapa e sua medida real.

3.1 ESCALA NUMÉRICA


A escala mostra a quantidade de redução do mundo real, quando
representada de forma gráfica, ou dita em linguagem técnica, é a razão entre a
distância gráfica (d) e a distância real (D), onde cada distância é expressa na mesma
unidade de medida e reduzida de forma que o numerador seja representado
pela unidade. Indica a relação entre o comprimento de uma linha na carta e o
correspondente comprimento no terreno, em forma de fração com a unidade para
numerador.

Observe atentamente as fórmulas apresentadas pelo site do IBGE, sendo:

E = escala
N = denominador da escala
d = distância medida na carta
D = distância no terreno (real)
Temos:
D = dxN para obtenção da distância no terreno
d = d/N para obtenção da distância no mapa
N = D/d para obtenção do denominador da escala

As escalas mais comuns têm para numerador a unidade e, para


denominador, um múltiplo de 10. Isto significa que 1 cm na carta corresponde a
25.000 cm ou 250 m, no terreno.

Em outro exemplo: escala 1:5.000.000. Neste caso, 1 cm no mapa


corresponde a 5 milhões de cm da realidade. Cortando cinco casas, vamos obter
a distância em km, ou seja, 1 cm num mapa na escala de 1:5.000.000 corresponde
a 50 quilômetros da realidade.

Exemplo de aplicação prática:

Qual o valor da distância real entre duas cidades, no mapa distantes entre
si 8,5 cm e representadas num mapa cuja escala é de 1: 5.000.000?

D = d x N (d vezes N)
D = 8,5 cm x 5.000.000
D = 42.500.000 cm

80
TÓPICO 3 | PLANTAS, CARTAS E MAPAS; ESCALAS; A CONSTRUÇÃO DE SÍMBOLOS E LEGENDAS; FUSOS HORÁRIOS

Levando em consideração que as distâncias entre as cidades no Brasil são


dadas em quilômetros, transformam-se os 42.500.000 cm em quilômetros, ou seja:

D = 42.500.000 cm = 425 km

Portanto, a distância entre as duas cidades será de 425 km.

Cabe ressaltar que quanto menor for a escala, maior será a generalização
e a simbolização no mapa. Por esta razão, a escolha da escala será determinante
para a aparência do mapa e seu potencial de comunicar informações.

Desta forma, a escala será menor quanto maior for o denominador,


portanto, será maior quanto menor for o denominador.

• Escala grande: denominador pequeno – abrange pequenas áreas com


representação detalhada de dados.

• Escala pequena: denominador grande – abrange grandes áreas onde os dados


são representados de forma geral, sem detalhamento.

ATENCAO

É importante saber diferenciar uma escala grande de uma escala pequena.


Assim, escala grande, numeral pequeno; escala pequena, numeral grande, ou seja, uma escala
de1/50.000 é maior que uma escala de 1/500.000, que, por sua vez é maior que uma escala
de 1/5.000.000. Portanto, a escala de 1/50.000 apresenta muito mais detalhes do terreno do
que a escala de 1/5.000.000.

3.2 ESCALA GRÁFICA


É a representação gráfica, através de uma linha reta graduada em partes
iguais, de várias distâncias do terreno.

A escala gráfica é representada por um segmento de reta graduado, sobre


onde é estabelecida diretamente a relação entre as distâncias no mapa, indicadas
a cada trecho do segmento da reta, e a distância real de um território. Observe:

81
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

ATENCAO

Caro(a) acadêmico(a), acesse o Ambiente Virtual de Aprendizagem para


visualizar os mapas, gráficos, cartas etc. do caderno de Cartografia em cores!

FIGURA 32 – ESCALA GRÁFICA

0 3 6 9 12

(quilômetros)

FONTE: Disponível em: <http://educacao.uol.com.br/disciplinas/geografia/escala-cartografica-


como-interpretar-reducoes-em-mapas.htm>. Acesso em: 9 out. 2012.

Conforme o exemplo anterior, cada segmento de 1 cm é equivalente a 3


km no terreno, 2 cm a 6 km. Caso a distância no mapa entre duas localidades seja
de 3,5 cm, a distância real entre elas será de 3,5 X 3, ou 10,5 km (dez quilômetros
e meio). A escala gráfica estabelece direta e visualmente a relação de proporção
existente entre as distâncias do mapa e do território, desta forma a sua utilização
torna-se de fácil entendimento.

Segundo o IBGE (2007), a Escala Gráfica nos permite realizar as


transformações de dimensões gráficas em dimensões reais sem efetuarmos
cálculos. Para sua construção, entretanto, torna-se necessário o emprego da escala
numérica.

O seu emprego consiste nas seguintes operações:

1º) Tomamos na carta a distância que pretendemos medir (pode-se usar um compasso,
uma régua).

2º) Transportamos essa distância para a Escala Gráfica.

3º) Analisamos os resultados obtidos.

82
TÓPICO 3 | PLANTAS, CARTAS E MAPAS; ESCALAS; A CONSTRUÇÃO DE SÍMBOLOS E LEGENDAS; FUSOS HORÁRIOS

4 A CONSTRUÇÃO DE SÍMBOLOS E LEGENDAS


A Cartografia tem sua linguagem própria, e compreender esta linguagem
é fundamental para a interpretação de mapas, cartas e plantas. A simbologia ou
legenda apresentada constitui o elemento central da linguagem, diz respeito ao
modo como o tema do mapa é apresentado, revelando as intenções do autor.
Passa pela escolha e utilização de cores, linhas, pontos e símbolos, por exemplo.

Ao iniciar um trabalho com mapa, o professor deve levar os alunos a


debater e construir legendas, a representação simbólica dos objetos de modo
individual e coletivo (neste último, aproveita-se a oportunidade para estabelecer
a negociação de sentidos e escolhas). A construção da legenda pode ressaltar ou
“ocultar” questões.

Ao debater sobre quais símbolos pretendem utilizar numa legenda, os


alunos podem identificar que o uso de um símbolo representa com maior clareza
o objeto em estudo, ou outro é também uma questão de poder, de quem consegue
convencer os demais de que seu símbolo diz melhor o que se quer expressar.

Um mapa é um meio de informação, feito a partir de figuras e palavras,


como um livro que podemos "ler", interpretando sua legenda. E, a partir das
informações que ele nos fornece, conseguimos descobrir alguns fatos da área
mapeada.

Um mapa é, definitivamente, um conjunto de informações de sinais e cores,


que expressam as informações do autor. Os objetos registrados cartograficamente
são materiais e conceitos, transcritos por meio de símbolos ou grafismos, que
resultam de uma convenção entre o leitor e o redator, lembrado num quadro de
legenda do mapa (JOLY, 2011).

Os mapas fornecem uma visão gráfica da distribuição e das relações


espaciais. Mais precisa do que um relato verbal, a linguagem dos mapas baseia-
se no uso de símbolos. Cada símbolo precisa satisfazer a quatro requisitos
fundamentais:

• ser uniforme em um ou mais mapas;

• ser compreensível, sem dar margens a suposições;

• ser legível;

• ser claro e preciso.

Com esses requisitos preenchidos, os símbolos possibilitam o estudo


adequado da localização e da distribuição dos eventos representados nos mapas,
permitindo sua identificação imediata e a classificação. Como, por exemplo,

83
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

os aspectos hidrográficos, os símbolos devem permitir ao leitor distinguir as


diferentes formas e tamanho dos rios, sua correnteza ou não, se sofreu alteração
em função de canalização e diferenciá-los dos naturais. Da mesma forma se
procede com os transportes, devem-se observar os diferentes tipos de obras, se
existem obras arquitetônicas, os tipos de estradas e o tipo de piso.

É importante verificar a forma como estão escritas as palavras e os nomes


das localidades no mapa. O tamanho das letras empregadas (maiúsculas ou
minúsculas) indica, muitas vezes, diferença em uma mesma forma de fenômenos,
como vilas, cidades e capitais. A clareza das informações representadas no mapa
deve ter localização em relação às coordenadas geográficas, escala, título, entre
outros elementos.

Outro aspecto importante é que, se o símbolo é indispensável em qualquer


tipo de representação cartográfica, a sua variedade ou a sua quantidade acham-
se, sempre, em função da escala do mapa.

É necessário observar, com o máximo rigor, as dimensões e a forma


característica de cada símbolo, a fim de se manter, sobretudo, a homogeneidade
que deve predominar em todos os trabalhos da mesma categoria.

Quando a escala da carta permitir, os acidentes topográficos são


representados de acordo com a grandeza real e as particularidades de suas
naturezas. O símbolo é, ordinariamente, a representação mínima desses acidentes.

A não ser o caso das plantas em escala muito grande, em que suas dimensões
reais são reduzidas à escala (diminuindo e tornando mais simples a simbologia),
à proporção que a escala diminui, aumenta a quantidade de símbolos.

Então, se uma carta ou mapa é a representação dos aspectos naturais e


artificiais da superfície da Terra, toda essa representação só pode ser convencional,
isto é, através de pontos, círculos, traços, polígonos, cores etc.

Deve-se considerar também outro fator, de caráter associativo, ou seja,


relacionar os elementos a símbolos que sugiram a aparência do assunto como este
é visto pelo observador, no terreno (IBGE, 2007).

4.1 ELEMENTOS DE REPRESENTAÇÃO


Uma carta ou um mapa consiste na representação, em folha de papel,
da superfície terrestre, cujas dimensões são reduzidas, o que torna necessário
associar os elementos expostos através de símbolos e convenções. Dependendo
da escala, garante maior ou menor riqueza de detalhes (quanto maior a escala,
menor será o detalhamento).

84
TÓPICO 3 | PLANTAS, CARTAS E MAPAS; ESCALAS; A CONSTRUÇÃO DE SÍMBOLOS E LEGENDAS; FUSOS HORÁRIOS

Os mapas apresentam mais do que a localização de um fenômeno no


espaço geográfico e sua proporção (o tamanho relativo), eles mostram a ordem
dos arranjos, a dinâmica espacial e suas movimentações no espaço geográfico e as
variações que ocorrem ao longo do tempo.

Atendendo às exigências da técnica, as convenções cartográficas abrangem


símbolos do desenho e da reprodução fotográfica, representando, de modo
expressivo, os diversos acidentes do terreno e objetos topográficos em geral,
permitindo ressaltar esses acidentes do terreno de maneira proporcional à sua
importância, principalmente sob o ponto de vista das aplicações da carta.

A variedade ou a quantidade dos símbolos utilizados na representação


cartográfica deve ser de acordo com a função da escala do mapa. É importante
manter a homogeneidade das dimensões e da forma característica de cada
símbolo.

Uma carta ou mapa é a representação dos aspectos naturais e artificiais da


superfície da Terra, o que faz com que essa representação seja convencional, ou
seja, através de pontos, círculos, traços, polígonos, cores etc. Muito importante
também é relacionar os elementos a símbolos representados com a aparência do
assunto, ou seja, como este é visto no terreno pelo observador.

A escolha da posição de uma legenda deve ser feita de modo a não causar
dúvidas quanto ao objeto a que se refere. Tratando-se de localidades, regiões,
construções, obras públicas e objetos congêneres, bem como acidentes orográficos
isolados, o nome deve ser lançado sem cobrir outros detalhes importantes.

Segundo o IBGE, a carta ou mapa tem por objetivo a representação de duas


dimensões, a primeira referente ao plano e a segunda à altitude. Desta forma, os
símbolos e cores convencionais são de duas ordens: planimétricos e altimétricos
(IBGE, 2011).

4.1.1 Planimetria
Segundo o (IBGE):

Os primeiros levantamentos geodésicos no Brasil foram realizados em


outubro de 1939 pelo então Conselho Nacional de Geografia (CNG),
com o objetivo de determinar coordenadas astronômicas em cidades
e vilas para a atualização da Carta do Brasil ao Milionésimo de 1922.
Em 1944 foi medida a primeira base geodésica nas proximidades
de Goiânia, iniciava-se o estabelecimento sistemático do Sistema
Geodésico Brasileiro (SGB) em sua componente planimétrica, através
das medições de latitudes e longitudes, materializado por um conjunto
de pontos (pilares, marcos ou chapas) situados sobre a superfície
terrestre pelo método da triangulação e densificado pelo método
de poligonação. Tais métodos, denominados de "clássicos", foram
aplicados até meados da década de 90 e os equipamentos utilizados
eram os teodolitos e medidores eletrônicos de distâncias. (IBGE, 2011).

85
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

A representação planimétrica pode ser dividida em duas partes, de


acordo com os elementos que cobrem a superfície do solo, ou seja, físico-naturais
ou cultural-artificiais. Os primeiros correspondem principalmente à hidrografia
e vegetação, os segundos têm origem em decorrência da ocupação humana,
entre os quais destacamos o sistema viário, construções, limites políticos ou
administrativos etc. (IBGE, 2007).

4.1.2 Hidrografia
“A representação dos elementos hidrográficos é feita, sempre que possível,
associando-se esses elementos a símbolos que caracterizem a água, tendo sido o
azul a cor escolhida para representar a hidrografia, alagados (mangue, brejo e
área sujeita à inundação) etc.” (IBGE, 2007).

FIGURA 33 – ELEMENTOS HIDROGRÁFICOS (CARTA TOPOGRÁFICA ESC. 1:100.000)

FONTE: IBGE (2007)

4.1.3 Vegetação
Como não poderia deixar de ser, a cor verde é universalmente usada
para representar a cobertura vegetal do solo. Na folha 1:50.000, por
exemplo, as matas e florestas são representadas pelo verde claro. O
cerrado e caatinga, o verde reticulado, e as culturas permanentes e
temporárias, outro tipo de simbologia, com toque figurativo. (IBGE,
2007).

86
TÓPICO 3 | PLANTAS, CARTAS E MAPAS; ESCALAS; A CONSTRUÇÃO DE SÍMBOLOS E LEGENDAS; FUSOS HORÁRIOS

FIGURA 34 – ELEMENTOS DE VEGETAÇÃO (CARTA TOPOGRÁFICA ESC. 1:100.000)

FONTE: IBGE (2007)

4.1.4 Unidades político-administrativas


O território brasileiro é subdividido em unidades político-administrativas,
abrangendo os diversos níveis de administração: federal, estadual e municipal. A
esta divisão denomina-se: Divisão Político-Administrativa – DPA.

Essas unidades são criadas através de legislação própria (leis federais,


estaduais e municipais), na qual estão discriminadas sua denominação e informações
que definem o perímetro da unidade. A Divisão Político-Administrativa é
representada nas cartas e mapas por meio de linhas convencionais (limites),
correspondente à situação das unidades da Federação e municípios no ano da
edição do documento cartográfico. Consta no rodapé das cartas topográficas a
referida divisão, em representação esquemática (IBGE, 2007).

FIGURA 35 – GRANDES REGIÕES DO BRASIL

FONTE: Disponível em: <http://www.brasilchannel.com.br/regioes/>. Acesso em: 18 abr. 2013.

87
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

FIGURA 36 – DIVISÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA

FONTE: Disponível em: <http://okylocyclo.blogspot.com.br/2010/04/brasil-nao-sera-potencia-


com-cultura.html>. Acesso em: 18 abr. 2013.

Localidade, segundo o IBGE (2007), “é conceituada como sendo todo lugar


do território nacional onde exista um aglomerado permanente de habitantes”.
Pode ser em local urbanizado ou em regiões ou em vilas, áreas rurais.

FIGURA 37 – LOCALIDADES (CARTA TOPOGRÁFICA ESC. 1:250.000)

LOCALIDADES

Mais de 500 000 habitantes CIDADE

De 100 000 a 500 000 habitantes CIDADE


De 20 000 a 100 000 habitantes CIDADE
De 5 000 a 20 000 habitantes CIDADE

Até 5 000 habitantes CIDADE

Vila Vila

Povoado, Núcleo Povoado

Lugarejo, Propriedade rural Lugarejo

Nome Local Nome Local

FONTE: IBGE (2007)

88
TÓPICO 3 | PLANTAS, CARTAS E MAPAS; ESCALAS; A CONSTRUÇÃO DE SÍMBOLOS E LEGENDAS; FUSOS HORÁRIOS

4.1.5 Sistema viário


No caso particular das rodovias, sua representação em carta não traduz
sua largura real, uma vez que a mesma rodovia deverá ser representada em todas
as cartas topográficas desde a escala 1:250.000 até 1:25.000 com a utilização de uma
convenção. Assim sendo, a rodovia será representada por símbolos que traduzem
o seu tipo, independente de sua largura física. As rodovias são representadas por
traços e/ou cores e são classificadas de acordo com o tráfego e a pavimentação.
Essa classificação é fornecida pelo DNER e DERs, seguindo o Plano Nacional de
Viação (PNV).

Uma ferrovia é definida como sendo qualquer tipo de estrada permanente,


provida de trilhos, destinada ao transporte de passageiros ou carga. Devem ser
representadas tantas informações ferroviárias quantas permita a escala do mapa,
devendo ser classificadas todas as linhas férreas principais. São representadas na
cor preta, e a distinção entre elas é feita quanto à bitola. São representados, ainda,
os caminhos e trilhas (IBGE, 2007).

FIGURA 38 – VIAS DE CIRCULAÇÃO (CARTA TOPOGRÁFICA ESC. 1:100.000)

FONTE: IBGE (2007)

4.1.6 Linhas de limite


Embora saibamos que a natureza não reconheça fronteiras, os mapas
necessitam evidenciar as linhas divisórias entre municípios e estados ou, conforme
o IBGE, “[...] em uma carta topográfica é de grande necessidade a representação
das divisas interestaduais e intermunicipais, uma vez que são cartas de grande
utilidade, principalmente para uso rural” (IBGE, 2007).

“Conforme as áreas, são representadas certas unidades de expressão


administrativa, cultural etc., como reservas indígenas, parques nacionais e
outros” (IBGE, 2007).

89
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

FIGURA 39 – LINHAS DE LIMITES (CARTA TOPOGRÁFICA ESC. 1:250.000)

FONTE: IBGE (2007)

4.1.7 Aspectos do relevo


À medida que a escala diminui, acontece o mesmo com os detalhes, mas
a correspondente simbologia tende a se tornar mais complexa. Por exemplo,
na Carta Internacional do Mundo ao Milionésimo (CIM), o relevo, além das
curvas de nível, é representado por cores hipsométricas, as quais caracterizam
as diversas faixas de altitudes (IBGE, 2007). Também os oceanos, além das cotas
e curvas batimétricas, têm a sua profundidade representada por faixas de cores
batimétricas (IBGE, 2007).

FIGURA 40 – ESCALA DE CORES HIPSOMÉTRICA E BATIMÉTRICA (CIM)

FONTE: IBGE (2007)

90
TÓPICO 3 | PLANTAS, CARTAS E MAPAS; ESCALAS; A CONSTRUÇÃO DE SÍMBOLOS E LEGENDAS; FUSOS HORÁRIOS

O método por excelência para representar o relevo terrestre é o das curvas


de nível, permitindo ao usuário ter um valor aproximado da altitude em qualquer
parte da carta (IBGE, 2007).

A curva de nível constitui uma linha imaginária do terreno, em que


todos os pontos de referida linha têm a mesma altitude, acima ou abaixo de
uma determinada superfície da referência, geralmente o nível médio do mar
(IBGE, 2007).

Com a finalidade de ter a leitura facilitada, adota-se o sistema de apresentar,


dentro de um mesmo intervalo altimétrico, determinadas curvas, mediante um
traço mais grosso.

Tais curvas são chamadas “mestras” (Figura 43), assim como as outras se
denominam “intermediárias”. Existem ainda as curvas “auxiliares” (IBGE, 2007).

As curvas de níveis (ou isoípsas) são linhas que unem os pontos


do relevo que têm a mesma altitude, permitindo a visualização
tridimensional do relevo. Quanto maior a declividade (inclinação)
do relevo, mais próximas as curvas de nível se apresentam no mapa;
quanto menor a declividade, maior é o afastamento entre elas. (SENE;
MOREIRA, 2011, p. 30).

FIGURA 41 – CURVAS DE NÍVEL

FONTE: Disponível em: <http://www.google.com/IBGE>. Acesso em: 13 out. 2012.

4.1.7.1 Principais características (IBGE)


a) As curvas de nível tendem a ser quase que paralelas entre si.

b) Todos os pontos de uma curva de nível se encontram na mesma elevação.

c) Cada curva de nível fecha-se sempre sobre si mesma.

d) As curvas de nível nunca se cruzam, podendo se tocar em saltos d’água ou


despenhadeiros.

91
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

e) Em regra geral, as curvas de nível cruzam os cursos d’água em forma de “V”,


com o vértice apontando para a nascente.

4.1.8 Curvas de nível

4.1.8.1 Formas topográficas


A natureza da topografia do terreno determina as formas das curvas de
nível. Assim, estas devem expressar com toda fidelidade o tipo do terreno a ser
representado.

Uma consideração fundamental está relacionada com a altimetria a ser


representada em um mapa o uso de curvas de nível ou de cores hipsométricas
para identificar altitudes.

As curvas de níveis ou isoípsas podem ser conceituadas como linhas


imaginárias de uma área determinada, as quais unem pontos da mesma altitude,
destinadas a retratar no mapa, de forma gráfica e matemática, o comportamento
do terreno. Simplificadamente, pode-se imaginar o traçado das curvas de nível
como as seções (fatias) retiradas de um relevo mantendo-se um espaçamento
constante entre elas (FITZ, 2010).

As curvas de nível vão indicar se o terreno é “plano, ondulado, montanhoso


ou se o mesmo é liso, íngreme ou de declive suave” (IBGE, 2007).

FIGURA 42 – FORMAÇÃO DE ESCARPA SUAVE

FONTE: Disponível em: <http://ppegeo.igc.usp.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-


929X2004000100001&nrm=iso>. Acesso em: 18 abr. 2013.

92
TÓPICO 3 | PLANTAS, CARTAS E MAPAS; ESCALAS; A CONSTRUÇÃO DE SÍMBOLOS E LEGENDAS; FUSOS HORÁRIOS

FIGURA 43 – IDENTIFICAÇÃO DAS CURVAS MESTRAS

FONTE: IBGE (2007)

4.1.8.2 Cores hipsométricas


Nos mapas em escalas pequenas, além das curvas de nível, adotam-se
para facilitar o conhecimento geral do relevo faixas de determinadas altitudes em
diferentes cores, como o verde, amarelo, laranja, sépia, rosa e branco. Para as cores
batimétricas usa-se o azul, cujas tonalidades crescem no sentido da profundidade
(IBGE, 2007).

4.1.8.3 Relevo sombreado


O sombreado executado diretamente em função das curvas de nível é
uma modalidade de representação do relevo. É executada, geralmente, à pistola
e nanquim e é constituída de sombras contínuas sobre certas vertentes, dando a
impressão de saliências iluminadas e reentrâncias não iluminadas.

Para se executar o relevo sombreado, imagina-se uma fonte luminosa


a noroeste, fazendo um ângulo de 45º com o plano da carta, de forma que as
sombras sobre as vertentes fiquem voltadas para sudeste (IBGE, 2007).

93
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

FIGURA 44 – REPRESENTAÇÃO DO RELEVO SOMBREADO

FONTE: IBGE, (2007)

5 FUSOS HORÁRIOS
Devido ao movimento de rotação e à forma arredondada da Terra, é
possível afirmar que o Sol não ilumina de maneira igual e simultaneamente o
planeta. Desta forma, quando em determinada região começa a anoitecer, em
outra é meio-dia, em outro local meia-noite, ou está amanhecendo em algum
lugar da Terra.

O Sol nasce no Leste e se põe no Oeste. Por esta razão, para Leste as horas
estão sempre adiantadas em relação a quem está a Oeste; portanto, a Oeste as
horas estão sempre atrasadas em relação ao Leste.

Até 1884, cada comunidade tinha sua hora local, ajustada por algum
símbolo, que poderia ser a torre de uma igreja, palácio do governo etc. Quando
o Sol incidia sobre este ponto de referência eram 12 horas, desta forma todos
podiam ajustar seus relógios através deste relógio padrão.

Com o avanço das comunicações mais rápidas, como o telégrafo, surge a


necessidade de se estabelecer um padrão mundial de horas.

A medição do tempo pelos fusos horários foi estabelecida através de uma


conferência realizada em 1884 na Inglaterra.

94
TÓPICO 3 | PLANTAS, CARTAS E MAPAS; ESCALAS; A CONSTRUÇÃO DE SÍMBOLOS E LEGENDAS; FUSOS HORÁRIOS

Para tal definição dos fusos estabeleceu-se um ponto de partida, uma


referência. O fuso de referência estende-se de 7º30’ para leste a 7º30’ para oeste
do Meridiano de Greenwich, o que totaliza uma faixa de 15 graus. “Portanto,
a longitude na qual termina o fuso seguinte é 22º30’ para leste e para oeste.
Somando continuamente 15º a essas longitudes, obtemos os limites teóricos dos
demais fusos”. (FITZ, 2010, p. 80).

FIGURA 45 – DIVISÃO DOS FUSOS

FONTE: Disponível em: <http://geografiapro-universidade.blogspot.com.br>. Acesso em: 24


mar. 2013.

A figura anterior mostra o limite teórico entre os fusos: 45º - 7,5º temos
37,5º para oeste. Aumentando: 45º+7,5º temos 52,5º (equivale a meia hora ou meio
fuso).

A Terra forma uma circunferência, portanto, tem 360º. O dia tem 24 horas.
Como a Terra dá uma volta completa em torno do próprio eixo, podemos calcular
quantos graus da circunferência terrestre equivalem a uma hora, dividimos 360º
por 24h. Ou seja:

360º = 24h.
360º: 24 = 15º de longitude.

Desta forma, a cada 15 graus de longitude aumentará 1 hora para leste, e


para oeste diminuirá 1 hora.

Como todos os meridianos dividem a Terra em duas partes iguais,


através de convenção ficou estabelecido que o meridiano que passa pela cidade
de Londres (local da conferência que tomou esta decisão), mais precisamente no
Observatório de Greenwich, seria o meridiano Zero Grau (0o).

Portanto, a cada 15º a leste de Greenwich aumenta uma hora e a cada 15º
a oeste de Greenwich diminui uma hora. Desta forma, temos 12 fusos horários a
leste de Greenwich e 12 fusos a oeste de Greenwich.

95
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

ATENCAO

Lembre-se: para um bom entendimento com relação aos fusos horários, você
precisa ter claro que para Leste as horas aumentam e para Oeste as horas diminuem, sempre
em relação ao observador.
Em relação ao horário brasileiro, as horas na Inglaterra (a Leste do Brasil) estão mais adiantadas.
No Peru, a Oeste do Brasil, as horas estão atrasadas.

Para fazer a identificação das horas, podem-se dispensar os cálculos e


fazê-la de forma gráfica, ou seja, criando seu planisfério: construa você mesmo
o planisfério apenas com as linhas meridionais. Faça primeiro a linha central ou
Meridiano de Greenwich, também conhecido como meridiano inicial. Esta linha
será o meridiano zero grau. Depois, faça 12 linhas à esquerda e 12 à direita, com
intervalo de 1 cm cada, colocando em cima de cada linha os valores em graus, ou
seja, de 15 em 15 graus para a direita e para a esquerda. Observe o planisfério a
seguir onde as linhas meridionais possuem intervalos de 15 graus cada (utilize a
Figura 46 como exemplo).

5.1 LINHA INTERNACIONAL DE DATA


O meridiano situado a 180º do Meridiano de Greenwich é chamado Linha
Internacional de Data, correspondendo ao fuso onde é feita a mudança de data,
ou seja, quando alguém se desloca no sentido oeste para leste as horas aumentam,
porém, ao atravessar esta linha no sentido oeste para leste, terá que diminuir 24
horas, ou seja, um dia. Quando o deslocamento é realizado no sentido de leste
para oeste, as horas diminuem. Porém, ao se atravessar neste mesmo sentido a
Linha Internacional de Data, aumentam-se 24 horas.

Observe no mapa-múndi a seguir, no canto direito e esquerdo do mapa,


uma linha pontilhada. Trata-se da Linha Internacional de Data. Faça um exercício
utilizando esta figura. Partindo do meridiano 0o (zero grau), vá somando as horas
para leste e você terá 12 horas a mais; faça o mesmo para oeste, porém agora
diminuindo as horas, então você terá 12 horas a menos, em relação ao meridiano
zero. Somando os dois lados dá 24 horas, o que justifica que ao cruzar a Linha
Internacional de Datas teremos que aumentar ou diminuir em um dia o seu
calendário.

96
TÓPICO 3 | PLANTAS, CARTAS E MAPAS; ESCALAS; A CONSTRUÇÃO DE SÍMBOLOS E LEGENDAS; FUSOS HORÁRIOS

FIGURA 46 – MAPA-MÚNDI COM DIVISÃO DOS FUSOS HORÁRIOS

FONTE: GEOGRAFIA GERAL. Disponível em: <www.geografiaparatodos.com.br/img/


Divisao%2N>. Acesso em: 11 fev. 2007.

5.2 FUSOS HORÁRIOS BRASILEIROS


Até meados de 2008, o Brasil apresentava quatro fusos horários diferentes
em seu território, divididos da seguinte forma:

a) 1º Fuso brasileiro

Está a 30º de longitude a oeste do Meridiano de Greenwich, portanto,


corresponde ao segundo fuso a partir de Greenwich. Podemos então dizer que
o primeiro fuso brasileiro corresponde ao segundo fuso a partir de Greenwich.
Abrange as ilhas oceânicas brasileiras, como o arquipélago de Fernando de
Noronha, Abrolhos e todas as demais.

b) 2º Fuso brasileiro

Estando a 45º de longitude oeste, corresponde ao terceiro fuso a oeste de


Greenwich, portanto, tem três horas a menos em relação a Greenwich. Localiza-
se neste fuso o Distrito Federal, por esta razão é a hora oficial do Brasil. Fazem
parte também os estados de Goiás, Tocantins, Minas Gerais e todos os estados
litorâneos, com exceção do Pará, que tem apenas a porção a leste de Xingu
incluída neste fuso.

c) 3º Fuso brasileiro

Possui quatro horas a menos em relação a Greenwich, portanto é o quarto


fuso horário a oeste de Greenwich. Abrange os estados de Mato Grosso, Rondônia,
Mato Grosso do Sul, Roraima, Pará (parte situada a oeste do Xingu e rio Jari), o
estado do Amazonas (exceto uma pequena porção a oeste, próximo ao Acre).

97
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

d) 4º Fuso brasileiro

Este fuso está a cinco horas atrasado em relação ao Meridiano de


Greenwich, portanto corresponde ao quinto fuso a oeste de Greenwich. Abrange
o estado do Acre e uma pequena porção a oeste do estado do Amazonas. A partir
da Lei nº 11.662, de 24 de abril de 2008, o Brasil passa a ter três fusos horários. A
alteração ocorreu no fuso do Acre, da Amazônia Ocidental e do Pará, excluindo o
quarto fuso horário, no Brasil.

Segundo o texto aprovado pela Comissão de Ciência, Tecnologia,


Comunicação e Informática, os fusos horários do Acre e parte do Amazonas
passaram do fuso horário Greenwich “menos cinco horas” para “menos quatro
horas”, ou seja, uma hora adiantada.

Sendo assim, a diferença em relação ao horário de Brasília caiu de duas


para uma hora. A porção ocidental do Pará passa de “menos quatro horas” para
“menos três horas” em relação a Greenwich, ficando com o mesmo horário de
Brasília. Observe o mapa a seguir:

DICAS

Acesse o seguinte site e confira a Lei nº 11.662/2008 em <http://www.planalto.


gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11662.htm>. Acesso em: 24 mar. 2013.

FIGURA 47 – FUSOS HORÁRIOS ADOTADOS NA HORA LEGAL BRASILEIR A EM REFERÊNCIA AO


TEMPO UNIVERSAL COORDENADO (UTC), DE ACORDO COM A LEI Nº 11.662/2008

FONTE: Disponível em: <http://www.horadebrasilia.com/fuso-horario.php>. Acesso em: 19 nov. 2012.

98
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:

• A diferença entre mapa, carta e planta está associada ao uso da escala.

• Escala é a relação existente entre as distâncias medidas no mapa e as distâncias


lineares correspondentes ao terreno.

• Escala numérica é a representação feita por uma fração, na qual o numerador


representa a distância no mapa e o denominador, a distância correspondente
no terreno.

• A simbologia ou legenda apresentada constitui o elemento central da


linguagem, diz respeito ao modo como o tema do mapa é apresentado.

• A variedade ou a quantidade dos símbolos utilizados na representação


cartográfica deve ser de acordo com a função da escala do mapa.

• É importante manter a homogeneidade das dimensões e da forma característica


de cada símbolo.

• Uma carta ou mapa é a representação dos aspectos naturais e artificiais da


superfície da Terra, o que faz com que essa representação seja convencional,
seja através de pontos, círculos, traços, polígonos, cores etc.

• A Terra possui 24 fusos horários, cada fuso horário possui 15 graus.

• Até meados de 2008, o Brasil apresentava quatro fusos horários, sendo que o 2º
fuso é o horário oficial, por ser o que abrange a capital federal.

• A partir de 2008, através da Lei nº 11.662, o Brasil passa a ter três fusos horários
oficiais em relação a Greenwich.

99
AUTOATIVIDADE

1 Estabeleça as principais diferenças entre mapa, carta e planta.

2 Explique o que você compreendeu sobre escala.

3 Resolva o seguinte exercício sobre escalas:

a) Num mapa, cuja escala é de 1/750.000, a distância entre duas determinadas


cidades é de 6,5 cm. Pergunta-se: qual a distância real em quilômetros entre
estas duas cidades?

Para resolver este e outros exercícios sobre escalas, siga os seguintes passos:

• Identifique a escala: 1/750.000, o que significa que cada centímetro deste


mapa corresponde a 750.000 cm do terreno representado. Transforme
este último valor em km, cortando cinco casas. Assim, obtemos o seguinte
resultado: 1 cm = 7,5 km.
• Você deve estar se perguntando por que 1 cm é igual a 7,5 km e não 7 km,
uma vez que o 5 foi cortado quando eliminei cinco casas. Neste caso, sempre
que você cortar cinco casas e tiver um número que não seja zero, este valor
deve ser acrescentado depois da vírgula.
• Desta forma, caso a escala do mapa fosse 1/755.000, o resultado seria: 1 cm
do mapa corresponde a 7,55 km da realidade.
• Voltemos ao exercício original. Se 1 cm do mapa corresponde a 7,5 cm da
realidade, 6,5 cm correspondem a quantos quilômetros?
• Basta fazer uma multiplicação, ou seja, 6,5 cm x 7,5 km = 48,75 km.

4 Agora que você compreendeu como se calcula a distância entre cidades


sobre um mapa, resolva sozinho(a) os seguintes exercícios:

a) Num mapa, cuja escala é de 1/450.000, duas cidades estão distantes entre si
9,5 cm. Qual a distância real em quilômetros entre estas duas cidades?

b) Qual a distância real em quilômetros entre duas cidades representadas num


mapa, na escala de 1/370.000 e que no mapa estão distantes entre si 11,5 cm?

c) Agora use o atlas que você adquiriu, escolha um mapa, identifique a escala
e escolha cidades a seu critério, para medir a distância entre elas. Use uma
régua e faça as medidas entre as distâncias das cidades que você escolheu.
Anote o valor e faça o mesmo procedimento dos exercícios anteriores,
usando a escala dos mapas que você está utilizando. Faça tantos exercícios
quantos você achar necessários para aprender.

100
5 Resolva os seguintes exercícios sobre fusos horários:

a) A cidade de São Paulo está situada no fuso horário 45º a oeste de Greenwich.
Quando em São Paulo forem 13 horas, que horas serão numa cidade localizada
no fuso 75º leste?

b) Quando numa cidade localizada a 15º de longitude leste forem 21 horas, que
horas serão na cidade localizada a 90º de longitude oeste?

c) Quantos fusos são adotados no Brasil e quais são eles?

E
IMPORTANT

Ao resolver os exercícios sobre fusos horários, construa seu planisfério de forma


que cada meridiano esteja distante 15º um do outro ou utilize o planisfério abaixo para fazer
seus exercícios. Lembre-se também de que para leste as horas aumentam e para oeste as
horas diminuem.

101
102
UNIDADE 2
TÓPICO 4

ATIVIDADES DIDÁTICAS PARA O ENSINO E


APRENDIZAGEM DA CARTOGRAFIA NA GEOGRAFIA

1 INTRODUÇÃO

A Cartografia, na sua trajetória histórica, tem uma grande contribuição no


desenvolvimento da comunicação, mesmo antes da escrita, pois, através de uma
linguagem própria, sintética, apresenta conhecimentos. Na escola, a disseminação
deste conhecimento permite ao aluno ancorar ideias através das cores, signos,
formas, proporções, entre outros. No fazer pedagógico, a Cartografia tem um
papel fundamental quando o professor sabe das potencialidades que os mapas,
maquetes, globos e outros materiais oferecem.

A Cartografia está presente no cotidiano das pessoas. Desta forma, basta


um olhar atencioso à nossa volta para que se note sua presença. Quando se trata
da aplicação da Cartografia no ensino de Geografia, esta deve ser trabalhada de
forma tal que facilite e estimule a aprendizagem dos alunos de uma maneira
prática e de fácil compreensão.

Nesse tópico buscamos apresentar sugestões didáticas cujo objetivo é


propiciar a realização de atividades pedagógicas na Cartografia, de modo que as
atividades auxiliem o seu aprendizado. Apresentamos métodos para que você,
futuro(a) professor(a), possa desenvolver o conteúdo cartográfico de maneira
divertida e estimule os educandos a ter reciprocidade nos conteúdos no que tange
à Cartografia na Geografia.

A Geografia é uma ciência que ajuda a ler o mundo, como caracteriza


Callai:

Ler o mundo da vida, ler o espaço e compreender que as paisagens


que podemos ver são resultados da vida em sociedade, dos homens na
busca da sua sobrevivência e da satisfação das suas necessidades. Em
linhas gerais, esse é o papel da Geografia na escola (2005, p. 228-229).

A Cartografia e a Geografia devem caminhar juntas nessa trajetória de


conhecimentos. Pontos da Cartografia como orientação e localização podem
ajudar a entender os conteúdos da Geografia.

103
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

A Cartografia deve ser ensinada usando materiais que estão ao alcance


dos alunos, que eles possam visualizar e presenciar no seu dia a dia. Ao contrário
do que muitos afirmam, a Cartografia pode e deve ser ensinada desde as séries
iniciais ao Ensino Médio, para que os alunos possam aprender a fazer a correta
leitura de um mapa e aproveitar todos os recursos que ela oferece.

Como ocorre com a apropriação da escrita alfabética, onde se aprende a ler e


escrever, há também a alfabetização cartográfica, para que os alunos aprendam a ler
e interpretar um mapa.

2 ATIVIDADES DIDÁTICAS DE CARTOGRAFIA NO ENSINO


FUNDAMENTAL
Segue uma lista de atividades que podem ser realizadas em sala de aula
ou adaptadas ao perfil da turma em que estão sendo aplicadas. Lembre-se de
que entre as várias formas de representar o espaço geográfico, temos, além dos
mapas, plantas, croquis, globos, perfis topográficos, maquetes e outros meios que
utilizam a linguagem cartográfica. Essas são algumas das atividades sugeridas
que poderão ser adaptadas conforme a criatividade e necessidade do professor
em relação ao perfil da turma na qual está sendo aplicado o conteúdo.

2.1 CONSTRUÇÃO DE UMA MAQUETE DO QUARTO


Objetivo: trabalhar a escala cartográfica e a construção de legenda.

Materiais usados: folha A4, papel kraft, cartolina, caixa de sapato, caixinhas
de remédio, caixinha de fósforo, cola bastão ou líquida, tesoura, palitos de dentes
ou de churrasco, tampinhas de garrafa, papel de presente, canetinhas e canetões.

Duração da atividade: duas aulas ou mais, se necessário.

Esta atividade será desenvolvida da seguinte forma: Em casa o aluno fará


o mapa mental de seu quarto, destacando o posicionamento dos móveis (Figura
48). Desta forma, a criança participa do processo de mapeamento ao fazer a
transposição da imagem do real para o plano bidimensional, além de demonstrar
a compreensão do espaço em sua volta. Como afirma Nogueira (2005): “Os mapas
mentais nos revelam como os lugares estão sendo compreendidos”.

Na aula seguinte o aluno trará uma caixa de sapato e algumas caixas, como
de remédio, fósforo, tampinhas, entre outros materiais. Dentro da caixa de sapato
irá confeccionar uma maquete do quarto a partir do mapa mental, passando da
representação bidimensional para a tridimensional (Figura 49).

104
TÓPICO 4 | ATIVIDADES DIDÁTICAS PARA O ENSINO E APRENDIZAGEM DA CARTOGRAFIA NA GEOGRAFIA

FIGURA 48 – REPRESENTAÇÃO BIDIMENSIONAL DO QUARTO

FONTE: Almeida e Passini (2010)

FIGURA 49 – REPRESENTAÇÃO TRIDIMENSIONAL DO QUARTO

FONTE: Disponível em: <copi.com.br>. Acesso em: 30 out. 2012.

2.2 JOGO BATALHA NAVAL


Objetivo: trabalhar as noções de coordenadas geográficas.

Materiais usados: dois tabuleiros para cada aluno.

Duração da atividade: uma hora/aula.

As regras deste jogo funcionam assim: cada aluno terá dois tabuleiros,
em um será marcada a sua jogada (marcada a disposição das armas) e em outro
será marcada a jogada realizada no tabuleiro do adversário. Duas armas não
podem se tocar, cada jogador tem direito a três tiros, sendo esses indicados
pelas coordenadas geográficas (Figura 50). A cada tiro o adversário deve avisar
se foi acertada ou não uma arma dele. Uma arma é afundada quando todas as

105
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

casas correspondentes forem acertadas. O jogo termina quando todas as armas


de seu oponente forem afundadas. Armas disponíveis: cinco hidraviões, quatro
submarinos, três cruzadores, dois encouraçados e um porta-aviões (Figura
51). Assim o aluno aprenderá a dinâmica das coordenadas a cada jogada feita.

FIGURA 50 – TABULEIRO 1

FONTE: Disponível em: <http://ensinodegeografiauenp.blogspot.com.br/2012/06/alfabetizacao-


cartografica-atividades.html>. Acesso em: 31 out. 2012.

FIGURA 51 – TABULEIRO 2
encouraçados porta-aviões

hidroaviões submarinos cruzadores

FONTE: Disponível em: <http://ensinodegeografiauenp.blogspot.com.br/2012/06/alfabetizacao-


cartografica-atividades.html>. Acesso em: 31 out. 2012.

2.3 A NOÇÃO DE ESCALA


Objetivo: construir o conceito de escala.

O conceito de escala introduz a noção de relação entre um fenômeno


real na superfície terrestre, ou o todo, e representação no papel. Como exemplo,
quando representamos todo o globo terrestre, temos o planisfério, sua escala é
pequena. Quando a escala é média, o mapa representa um continente, um país
ou um estado. Quando a escala é grande, a planta pode representar uma cidade,
um prédio, uma propriedade rural e outros elementos com muitos detalhes.
E, conforme a escala, encontraremos uma quantidade maior ou menor de
informações que podemos ler nos mapas. (CASTROGIOVANNI, 2009).

106
TÓPICO 4 | ATIVIDADES DIDÁTICAS PARA O ENSINO E APRENDIZAGEM DA CARTOGRAFIA NA GEOGRAFIA

Nesta atividade será abordada a redução feita do tamanho real – altura


do aluno para o desenho – fotografia do aluno. Inicialmente, o aluno deverá se
posicionar em frente a um papel kraft que tenha seu tamanho e, com a ajuda
dos colegas da sala, pedir a estes que façam um contorno de seu corpo na folha
(Figura 52). Posteriormente, o aluno deverá posicionar uma foto de corpo inteiro
no canto inferior da folha que tem o seu desenho em tamanho real, a fim de
verificar quantas vezes o real foi reduzido para caber na foto. Desta forma o aluno
consegue construir o conceito de escala, vendo a questão da redução da escala de
perto, e assim compreender como essa é feita.

Materiais usados: foto 10 x 15 de corpo inteiro; canetinhas; papel kraft

Duração da atividade: duas aulas.

FIGURA 52 – REAL X REPRESENTAÇÃO

FONTE: Os autores

2.4 NOÇÃO DE ESCALA: PLANTA BAIXA DA SALA DE AULA


Objetivo: construir uma planta da sala de aula e compreender noções de
escala.

O professor poderá construir com os alunos uma planta da sala de


aula, utilizando as medidas reais (ex.: comprimento = 10 m e largura = 8 m), e
representá-la numa folha de papel utilizando a proporção):

8 m de sala equivale a 8 cm do papel, ou seja,


800 cm de sala = 8 cm do papel,
1000 cm de sala = 10 cm do papel,

107
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

Então a indicação numérica da escala será 1:100.

Não esqueça que a planta deve ser orientada com o auxílio da rosa dos
ventos.

Caso o professor e os alunos não tiverem noção do sistema métrico decimal,


poderão pedir auxílios referenciais ao professor de Matemática da escola, para
entender as bases conceituais.

2.4.1 Distância entre os pontos


Para trabalhar noção de escala com os alunos, você poderá trabalhar
distâncias entre as cidades, utilizando a unidade de medida em cm (centímetros)
com uma régua. Empregue o mapa de seu município, estado e país. Escolha um
itinerário de partida e siga os passos.

Objetivos: entender o conceito de escala; trabalhar com escalas, interpretar


escalas encontradas em mapas e plantas de casa, desenhar mapas utilizando e
aplicando os conceitos sobre escala desenvolvidos em sala, construir maquetes
trabalhando com os conceitos de razão e proporção.

Materiais necessários: mapas, régua, lápis, borracha e caderno.

FIGURA 53 – TRABALHAR DISTÂNCIAS

FONTE: Os autores

108
TÓPICO 4 | ATIVIDADES DIDÁTICAS PARA O ENSINO E APRENDIZAGEM DA CARTOGRAFIA NA GEOGRAFIA

Procedimentos: verificar que tipo de escala está representado no mapa: é


numérico ou gráfico? Qual o valor da escala apresentada no mapa? No caso do
mapa acima foi utilizada a escala gráfica. Lê-se 1 cm = 220 km. Então, com o uso
da régua o professor solicita aos alunos que apresentem a distância real em linha
reta entre duas cidades, por exemplo: de Florianópolis a São Paulo, quantos km
dá em linha reta?

O aluno fará o seguinte: meça com a régua a distância gráfica, ou seja, em


cm (centímetros) e multiplique pela escala.

Exemplo: distância em cm de Florianópolis a São Paulo X escala

1,5 cm x 220 =

Distância real em linha reta = 330 km

2.5 DA MAQUETE À PLANTA DA SALA DE AULA


Baseados na ideia de que o aluno deve construir noções espaciais através
de ações em um espaço conhecido e efetivamente significativo, parte-se do
princípio de que a maquete servirá de base para explorar a projeção de elementos
do espaço vivido para o espaço representado (planta). As relações espaciais
topológicas desses objetos em função de um ponto de referência desses objetos
entre si e dos mesmos em relação aos alunos.

Objetivo: explorar a projeção de elementos do espaço vivido para o


espaço representado (planta).

Materiais: sucata – caixa de papelão do formato que se aproxime da forma


da sala de aula, caixas de fósforos vazias, cones, retalhos, copos de iogurte, caixas
de remédios, régua, lápis de cor, canetões e canetinhas, cordão ou barbante,
tesoura.

Procedimento: em grupos, confeccionar a maquete com os objetos em seu


interior, conservando os mesmos elementos do espaço solicitado. Estando pronta
a maquete, o professor pode explorar os elementos de localização, a projeção,
deslocamento em relação aos colegas, referências de posições, que servirão de
referência das linhas da maquete, ou seja, identificação da posição em relação
aos quadrantes, inicialmente usando como referencial mais abstrato, exemplo:
esquerdo e direito, e depois usando os pontos cardeais. Localização de objetos
utilizando as linhas coordenadas, exemplo: tal objeto fica localizado na primeira
fila e segunda coluna.

109
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

2.6 PLANTA DA SALA DE AULA


A partir da observação da maquete, os alunos deverão desenhar a
planta da mesma, com detalhes encontrados e nas suas devidas posições. Neste
momento, serão trabalhadas as noções de projeções e representação simbólica.
A planta da sala terá uma característica simbólica e pictórica, servindo de ponte
entre o espaço real e a sua representação gráfica.

Objetivo: desenvolver noções de projeções e representação simbólica


cartográfica.

Materiais: papel sulfite ou A4, lápis de cor, grafite, materiais de pinturas,


régua, barbante, papel colorido, varetas de vários tamanhos.

Procedimento: cada equipe colocará a maquete construída no chão e,


observando de cima para baixo, irá projetá-la na folha de papel. Fica a critério dos
alunos como representar as carteiras. O professor deverá destacar a importância
de representar a legenda, as cores ou formas utilizadas na planta. Para introduzir
noção de escala, faça um segundo desenho de planta. Para tanto, os alunos
medirão as paredes com barbante ou corda, depois dobrarão quantas vezes for
necessário até que caiba no papel. Um pedaço do barbante deverá constar na
legenda. E para constar a escala, o aluno deverá colocar o número de vezes que o
barbante foi cortado.

Se o aluno não compreender a noção de escala, o professor poderá pedir


ao aluno para medir a carteira utilizando a régua, ou medir a parede utilizando
a carteira, livros, apagadores, ripas de madeiras cortadas para este fim de 1 cm
ou 1m. O aluno chegará à conclusão de que um lugar de 10 cm pode utilizar
um 1 metro. Após a conclusão dessa atividade, o professor poderá sair ao pátio
da escola e medir distâncias entre duas árvores, portas de acesso etc. Os alunos
compreenderão a equivalência e proporcionalidade entre os padrões de medição,
redução de tamanhos sem deformar o real (original).

Essa atividade poderá ser integrada com as disciplinas de Educação Física,


Matemática, Língua Portuguesa e Arte.

A Geografia trabalha com a espacialidade dos fenômenos em sua


temporalidade, porém é importante estudar a extensão de uma paisagem
e o papel histórico de sua posição geográfica, não apenas sua localização.
Tais noções – espacialidade e temporalidade –, passíveis de serem
ampliadas a partir do conhecimento geográfico, podem ser trabalhadas
mediante interface com outras áreas, tais como a Matemática, a Arte e a
Educação Física, entre outras (BRASIL, 1997, p. 124).

Na seleção e organização dos conteúdos de Geografia relacionados à


Cartografia são também destacados procedimentos de análise do próprio saber
geográfico, tais como: a observação, a descrição, o registro e a documentação,
a representação, a analogia, a explicação e síntese. Esses procedimentos devem

110
TÓPICO 4 | ATIVIDADES DIDÁTICAS PARA O ENSINO E APRENDIZAGEM DA CARTOGRAFIA NA GEOGRAFIA

ser trabalhados ao longo de toda a escolaridade, isso porque podem auxiliar


os alunos na leitura e interpretação das informações que recebem e também na
compreensão do ponto de vista geográfico (BRASIL, 1997).

Antunes (2010) mostra alguns procedimentos de análise e interpretação


de cartas geográficas:

QUADRO 1 – PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE CARTAS GEOGRÁFICAS

Na legenda existem vários símbolos e


Verifique se você sabe interpretar todos os
suas convenções. Esses símbolos são
signos da legenda do mapa.
internacionais, procure decodificá-los.
Saiba que o mapa é o “retrato” simplificado
Experimente sua capacidade em transferir
do espaço. Transfira os signos para o espaço
os signos para o espaço.
real, idealizado.
A rosa dos ventos é elemento essencial em
Observe a rosa dos ventos e descubra os
todo mapa. Aprenda a transferir as direções
pontos cardeais no espaço.
do mapa para o espaço idealizado.
Caso o mapa não apresente a rosa dos Preocupação excessiva com a simplificação
ventos, saiba buscar elementos para pode omitir a rosa dos ventos. Não aceite
construí-la. essa omissão, procure construí-la.
As direções expressas na rosa dos ventos
Tenha sempre uma bússola em mãos e
se especializam com o uso da bússola. Ao
saiba usá-la em todo o mapa consultado.
estudar o mapa, idealize as direções reais.
Uma foto de uma pessoa é sua representação
A escala é um elemento essencial em
em escala. Ao ver a foto você deve perceber
todo mapa. Saiba decifrar seu conteúdo e
a dimensão real da pessoa. O mapa exige
transformar as distâncias.
igual procedimento.

A A escala não deve ser usada apenas


Saiba identificar os signos do mapa em
para avaliar distância, mas também para a
sua dimensão real usando a escala.
compreensão dos tamanhos dos símbolos.

Como toda carta geográfica representa


Saiba interpretar a projeção cartográfica
uma superfície esférica – o globo terrestre
utilizada e adapte a interpretação do espaço
– em um espaço plano, as deformações são
aos limites impostos por essas projeções.
inevitáveis. Saiba compensá-las.

FONTE: Antunes (2010)

Os procedimentos de análise e interpretação de cartas geográficas facilitam


a leitura, a interpretação e compreensão das informações contidas no mapa.

É possível ensinar Geografia de maneira mais dinâmica e interessante,


que desperte a atenção dos alunos e os leve à participação ativa na sala de aula.

Nas atividades que serão propostas, observe que elas estimulam a


curiosidade e o interesse dos alunos.

111
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

2.7 ATIVIDADES COM VARETAS

Objetivo: melhorar a compreensão de equivalência e medidas proporcionais


(escala).

Materiais: varetas de 1 m, 10 cm, 3 m etc.

Procedimento: os alunos irão medir objetos solicitados pelo professor.


Devem perceber que podem utilizar varetas das medidas disponíveis. No lugar
de varetas podem ser utilizados barbantes coloridos para cada medida, e medir
cadernos, estojos, livros, carteiras, mesa do professor etc. Como sugestão, o
professor pode pedir aos alunos que registrem essas medidas para posterior
discussão dos dados.

2.8 REPRESENTAÇÃO DE TRAJETOS


Objetivo: desenvolver, construir com alunos símbolos representativos e
noções de relações de grandezas (razão e proporção).

Procedimento: programar uma atividade de caminhada pela escola


ou bairro da escola. Após a caminhada, construir com os alunos símbolos que
representem cada uma das dependências no caso da escola. Reproduzir os
símbolos em forma de desenhos. O professor fará questionamentos do tipo: Qual
é o trajeto que fazemos para irmos da sala de aula até a saída (portão da escola)?
Sequência lógica e ordenação espacial. O professor poderá pedir para que, em
grupos de alunos, seja realizado um croqui do lugar percorrido e destacar os
elementos fixos observados por meio dos símbolos representativos. Ao final,
discutir com os alunos as relações de grandezas (razão/proporção).

FIGURA 54 – REPRESENTAÇÃO E RELAÇÃO

FONTE: Disponível em: <empfniteroi.blogspot.com>. Acesso em: 31 out. 2012.

112
TÓPICO 4 | ATIVIDADES DIDÁTICAS PARA O ENSINO E APRENDIZAGEM DA CARTOGRAFIA NA GEOGRAFIA

2.9 TRABALHO COM BÚSSOLA


Atividade em equipe de no máximo três alunos

Objetivo: explorar e conhecer o funcionamento da bússola.

Materiais: no mínimo uma bússola por grupo.

Procedimento: pedir aos alunos para explorarem a bússola: forma,


elementos, comportamentos, movimento da agulha, letras, direções cardeais etc.
O professor deverá explicar sobre a agulha imantada, posição norte-sul. Deve
deixar claro que as direções seguem sempre em direção à nascente do Sol, ou seja,
em direção leste. Seguindo na direção apontada pela agulha da bússola, estamos
nos dirigindo para o norte. E exemplificar a orientação da sala de aula, quadra de
esportes, os alunos irão registrar as etapas.

2.10 CONSTRUINDO UMA BÚSSOLA SIMPLES


Aqui é sugerida a construção de uma bússola que flutua na água.

Materiais necessários: agulha ou alfinete, ou clipe, um pires pequeno ou


tampa de pote plástico, um prego, uma rosa dos ventos desenhada no papel, um
ímã, um pedaço circular de placa de isopor, como na figura a seguir: 

FIGURA 55 – CONSTRUINDO UMA BÚSSOLA

FONTE: Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=1356>.


Acesso em: 31 out. 2012.

113
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

Procedimento:

• Peça aos alunos que desenhem uma pequena rosa dos ventos e a recortem em
formato circular. (Você pode desenhar no quadro para que copiem e auxiliar
na elaboração).

• Os alunos deverão cortar um círculo de uma fina placa de isopor (para cortar o
isopor pode ser usado um cortador de isopor).

• A rosa dos ventos deverá ser colada sobre o isopor.

• Em seguida deverão esfregar a cabeça do prego no ímã, para imantá-lo e


introduzi-lo no isopor, no ponto onde ficou colada a letra N – Norte da rosa
dos ventos (o prego deve ser aproximadamente do comprimento do diâmetro
do isopor).

FIGURA 56 – BÚSSOLA

FONTE: Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=1356>.


Acesso em: 31 out. 2012.

Importante: existem aparelhos à pilha, próprios para o corte de isopor, mais


seguros que instrumentos cortantes. O uso de estilete ou faca pode ser perigoso,
por isso, se não houver possibilidade de obter um cortador de isopor, providencie
você mesmo o seu corte e realize a atividade de maneira padronizada, onde
duplas de alunos constroem a bússola apresentada por você. Porém, proponha
que cada dupla construa uma “BÚSSOLA PERSONALIZADA”, utilizando outros
materiais ou outras estratégias, como: pendurar o objeto imantado por uma linha,
flutuando em um objeto na água, suspenso por uma agulha etc. Você poderá
avaliar a criatividade e aplicabilidade do conhecimento adquirido.

Usando a bússola

Para usar a bússola, basta colocá-la no pires com água suficiente para que
flutue. Ela irá girar, posicionando sempre a cabeça imantada do prego para a
direção Norte.

114
TÓPICO 4 | ATIVIDADES DIDÁTICAS PARA O ENSINO E APRENDIZAGEM DA CARTOGRAFIA NA GEOGRAFIA

Sugira para que os alunos utilizem a bússola em diferentes locais da


escola, para verificar se a indicação do Norte é sempre a mesma.

Após a construção e utilização da bússola, proponha as seguintes questões:

• Por que a extremidade imantada aponta sempre para o mesmo lado?


• O funcionamento da bússola muda do dia para a noite?
• O que faz com que a bússola funcione?
• Que objetos podem afetar o funcionamento da bússola?

Como sugestão, você poderá usar o Laboratório de Informática como


recurso de apoio pedagógico e acessar o Portal do Professor, e explorar como
se comporta a agulha de uma bússola na presença de um campo magnético de
intensidade variável e no campo magnético da Terra.

Lembre-se: quase em todo o nosso país as séries do Ensino Fundamental


funcionam durante o dia e parte do Ensino Médio à noite. Isso significa que esta
atividade só pode ser feita como tarefa de casa ou, em turmas do Ensino Médio
que funcionam de noite, a atividade poderá ser realizada na própria escola.

2.11 DETERMINAR OS PONTOS CARDEAIS OBSERVANDO


AS ESTRELAS

Passe as instruções a seguir e peça para que os alunos realizem esta


atividade em casa e registrem o que observaram para depois discutir na turma.

FIGURA 57 – DETERMINAR OS PONTOS CARDEAIS PELAS ESTRELAS 1

FONTE: Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=1356>.


Acesso em: 31 out. 2012.

115
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

• Inicialmente deverão localizar a constelação “Cruzeiro do Sul”. Essa constelação


é formada por cinco estrelas (quatro mais fortes e uma mais fraca) formando
uma cruz com uma pequena estrela em uma das laterais inferiores. Veja figura.

• Para localizar o Polo Sul celeste deve-se traçar (mentalmente) uma linha que
segue para baixo na direção do corpo da cruz (braço maior) a uma distância
de mais ou menos quatro vezes e meia a altura da cruz. Esse será o Polo Sul
celeste.

• A partir do Polo Sul celeste, descer perpendicularmente para o horizonte, onde


estará a direção SUL.

Observação 1: por causa do movimento da Terra, parece que o Cruzeiro


do Sul e todas as estrelas giram ao redor do Polo Sul celeste. Se várias fotos forem
tiradas durante uma noite, parecerá que as estrelas fazem uma circunferência ao
redor de um ponto (o Polo Sul celeste).

Observação 2: quanto mais próximo do equador for a localização de


quem faz esta observação, mais próximo do horizonte estará o Polo Sul celeste.
De maneira oposta, quanto mais longe do equador, mais alto estará o Polo Sul
celeste.

FIGURA 58 – DETERMINAR OS PONTOS CARDEAIS PELAS ESTRELAS 2

FONTE: Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=1356>.


Acesso em: 31 out. 2012.

116
TÓPICO 4 | ATIVIDADES DIDÁTICAS PARA O ENSINO E APRENDIZAGEM DA CARTOGRAFIA NA GEOGRAFIA

DICAS

Como mencionado anteriormente, é possível que esta atividade seja feita


como tarefa de casa (considerando o turno dos alunos). Para verificar que ela realmente
tenha sido realizada, solicite que os alunos façam um desenho simples de sua casa vista
do alto e da rua onde ela se encontra, e desenhem também uma seta indicando a direção
Sul. Na aula seguinte, com o auxílio de um mapa da cidade, os alunos poderão conferir
facilmente (localizando o endereço no mapa) se a direção Sul, determinada por cada aluno
no exercício, está correta. Isso também pode ser feito pelo próprio aluno, no laboratório de
informática, utilizando links que mostram mapas produzidos por imagens de satélites, como,
por exemplo: <www.maplandia.com>.

Sugestão da seguinte tarefa: cada aluno deverá redigir um texto (redação)


descrevendo uma imaginária onde se fez necessária a determinação dos pontos
cardeais para resolver certo problema. Porém, isso só poderá ser feito utilizando
os recursos descritos na aula (bússola ou estrelas). Na aula seguinte, cada aluno
deverá ler e expor sua produção.

2.12 O JOGO DE FUTEBOL

Solicitar aos alunos que observem a representação gráfica de um campo de


futebol, conforme a figura a seguir, e os jogadores A, B, C, D, E, F, G, H, I, J. L. Os
demais são da equipe adversária. Pedir para que a equipe planeje estratégias de
gol, a bola parte do goleiro. Os alunos deverão traçar setas indicando as direções
das jogadas e empregando os pontos cardeais e colaterais com referências.

Após a realização do gol, pedir aos alunos que respondam às questões:

• Se a bola estiver com o jogador G, para quem você acredita que ele deva passar
a bola, a fim de que aconteça um gol?

• Em que área do estádio você gostaria de assistir a essa partida: Sul, Norte,
Leste ou Oeste, sendo que o jogo ocorre em São Paulo, no mês de fevereiro e
inicia às 16 horas?

• Quais dos jogadores do time adversário têm mais oportunidade de fazer um


gol? Por quê?

• Caso o jogador F atrase a bola para o seu goleiro, que jogadores podem mais
facilmente realizar um gol? E qual a direção da bola?

117
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

FIGURA 59 – REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DE UM JOGO DE FUTEBOL

FONTE: Castrogiovanni (2009)

JOGADOR QUE JOGADOR QUE


JOGADA DIREÇÃO DA BOLA
CHUTA A BOLA RECEBE A BOLA

2.13 TRABALHO COM A POSIÇÃO DO SOL


Castrogiovanni (2009) apresenta outra sugestão para trabalhar os pontos
cardeais. Ao nascer do sol, deixe que os alunos encontrem a direção do Sol
(indicando a leste). Faça questionamentos no coletivo: sobre o que se encontra na
direção leste, quais caminhos são percorridos até chegar ao oeste (pôr do sol). Ao
chegar à sala de aula, risque no chão a rosa dos ventos para descrição de objetos
do espaço.

2.14 ATIVIDADES COM GLOBOS


Objetivo: analisar e observar informações sobre a superfície terrestre.

Materiais: (se possível) um globo terrestre por grupos de alunos, maquete


da Terra (globo terrestre).

Procedimento: apresentar e caracterizar o globo terrestre em sala de aula,


como sugestão pode ser usado o globo terrestre interativo (iluminado). Pedir
que os alunos observem o quanto o globo terrestre está reduzido na formação
continental, hidrográfica e oceânica. Explicar os movimentos principais da Terra:
rotação e translação, indicar as direções: leste-oeste, norte-sul. Para o aluno
entender o movimento de rotação com o globo terrestre interativo, pode ser

118
TÓPICO 4 | ATIVIDADES DIDÁTICAS PARA O ENSINO E APRENDIZAGEM DA CARTOGRAFIA NA GEOGRAFIA

observada a alternância entre dia e noite, ou mesmo usar um foco de luz e um


boneco de cartolina colado sobre determinado lugar, com face voltada para o
norte e as costas para o sul. O professor gira o globo de oeste para leste e pede
que os alunos relacionem o boneco a eles em diferentes momentos do dia. Em um
momento o boneco estará do lado da sombra, em outro a luz do foco estará sobre
o boneco, e em outro momento o boneco verá o Sol do lado oposto ao que via ao
iniciar, ou seja, de manhã.

As atividades com globo terrestre sobre pontos de orientação devem


sempre ser retomadas em todos os conteúdos de Geografia.

Não se esqueça de explicar aos alunos que, como maquete da Terra, o


globo terrestre é a representação mais fiel e precisa que temos.

Por meio da observação do globo terrestre, o professor conseguirá explicar


a identificação de áreas e localidades, continuidade espacial, espaços distantes e
reduzidos, tendo um panorama geral da realidade. Esta sugestão se encontra em
Castrogiovanni (2009).

2.15 ATIVIDADES COM FOTOS OU IMAGENS


Objetivos: percepção da descentração e coordenação dos pontos de vista.

Materiais: fotos e imagens

Tirar fotos de vários ângulos do prédio da escola, da rua, do bairro,


município, entre outros. Fotos devem ser bem diferenciadas, para desenvolver as
seguintes observações: identificar a posição onde foi tirada a foto e verificar a que
foto corresponde cada uma das posições (pontos de vista e escalas). Esta atividade
também foi sugerida por Castrogiovanni (2009).

2.16 COORDENADAS GEOGRÁFICAS


Colocar no pátio ou na sala de aula duas faixas de cores diferentes, uma no
sentido vertical (Norte/Sul) vermelha e outra no sentido horizontal (Leste/Oeste)
verde. As faixas podem ser substituídas por risca de giz colorido. Junto com os
alunos, traçar e numerar as linhas paralelas mantendo igual distância entre elas.
Pedir para que os alunos coloquem-se sobre o traçado de qualquer interseção
das linhas, marcando seus lugares. Alguns alunos se posicionam sobre as faixas
coloridas. Retirada a faixa vermelha, alguns alunos estarão no Hemisfério Norte
e os outros no Hemisfério Sul. Retirada a faixa verde, alguns alunos estarão no
Hemisfério Leste e outros, no Hemisfério Oeste. Os alunos deverão construir
uma tabela que posicione cada um dos alunos em relação às faixas e às áreas onde
estão localizados. (CASTROGIOVANNI, 2009).

119
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

2.17 PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS


A grande problemática na elaboração dos mapas é reproduzir a superfície
terrestre por meio de uma representação plana, devido a superfícies curvas ou
esféricas não permitirem que quem está observando visualize toda a superfície
terrestre ao mesmo tempo. As projeções cartográficas são projeções matemáticas
que transformam coordenadas sobre uma superfície curva em planas.

Objetivo: compreender noções de projeções cartográficas.

Desenvolver atividades e propiciar o aprendizado do aluno com esse tema


não é fácil, mas vamos explanar algumas sugestões para facilitar o entendimento.

2.17.1 Utilizando a laranja para a compreensão das


projeções

Com o auxílio de uma laranja, solicitar aos alunos que partam uma laranja,
de tamanho grande, o mais próximo possível ao meio, como se tivessem traçando
a linha do Equador. Após, deverão retirar os gomos das duas partes (hemisférios)
e colocar as cascas restantes sobre um plano, apertando suavemente uma das
partes com a palma da mão, depois apertar com mais pressão, até encostar toda
a casca sobre o plano.

O que os alunos deverão observar? De início é impossível encostar toda


a superfície da laranja sobre a folha de papel sem rasgar a laranja, pois ela tende
à esfericidade, como a Terra, e a folha é plana. Para fazer um mapa, portanto, a
projeção resultante nunca é perfeita, ocorrem distorções.

2.17.2 Projeções cilíndricas, cônicas e planas

Material necessário: bola de isopor pequena ou média, tinta de cores


diferentes, pincel e folhas de papel branco.

Procedimento: desenhar na bola de isopor, com tinta, um mapa ou


outra figura relacionada à Geografia que se aproxime de territórios conhecidos,
envolvendo-a com uma folha de papel, formando um cilindro. Encostar toda a
superfície da folha de papel na bola de isopor, a partir da metade da bola, ou
seja, do Equador da bola, dobra-se a folha de modo que a bola fique coberta em
sua totalidade (a folha de papel fica como uma gaitinha). Ao término, os alunos
irão abrir a folha e observar a imagem formada. Os alunos deverão perceber que,
quanto mais afastado do Equador da bola de isopor, maior é o espaço em branco
entre as manchas do desenho. Como tais espaços precisam ser preenchidos para

120
TÓPICO 4 | ATIVIDADES DIDÁTICAS PARA O ENSINO E APRENDIZAGEM DA CARTOGRAFIA NA GEOGRAFIA

dar continuidade ao território representado, as distorções aumentam com a


distância do “Equador”.

Na projeção plana: colocar uma folha de papel com o seu centro sobre o
ponto definido do “planisfério” (bola de isopor). A partir do ponto, dobrando
a folha como “gaitinha”, deverão encostá-la em toda a superfície. Após abri-
la, preenchendo os espaços entre as manchas, os alunos deverão observar que,
quanto maior a distância do ponto, maiores serão as distorções.

No desenho de uma esfera em um plano ocorrem as deformações.


Portanto, devemos conhecer quais as deformações provocadas por cada tipo de
projeção para fazermos a escolha de acordo com os nossos interesses. Elas podem
distorcer ao mesmo tempo a forma e o tamanho dos territórios ou um dos dois.

A escolha da projeção cartográfica envolve uma visão de mundo do


cartógrafo.

FIGURA 60 – PROJEÇÕES CILÍNDRICAS, CÔNICAS E PLANAS

Projeção Cilíndrica Projeção Cônica Projeção Plana

FONTE: Castrogiovanni (2009)

2.18 BINGO DAS COORDENADAS GEOGRÁFICAS


Objetivo: compreender o sistema de coordenadas geográficas.

Procedimento: fazer fichinhas das latitudes e longitudes para serem


utilizadas no sorteio, exemplo:

LATITUDES LONGITUDES
10º N 10ºS 20ºO 20ºL
30º N 30º S 30ºO 30ºL
40º N 40º S 40ºO 40ºL
20º N 20º S 20ºO 20ºL
50ºN 50ºS 50ºO 50ºL
70ºN 70ºS 70ºO 70ºL

121
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

FIGURA 61 – MALHA REPRESENTATIVA DO GLOBO TERRESTRE

FONTE: Disponível em: <http://panoramageografico.blogspot.com/2010_03_01archive.html>.


Acesso em: 29 out. 2012.

Imprima ou peça para os alunos desenharem uma malha representativa do


globo terrestre. Nessa malha os alunos deverão marcar 20 pontos (coordenadas)
em lugares aleatórios, para que se dê o início do jogo. Se preferir, pode entregar
um mapa com as coordenadas, ou solicitar que tragam o atlas e previamente
escolham 20 coordenadas e marquem no caderno ou em uma folha.

Faça o sorteio das latitudes e longitudes e o aluno irá marcando no mapa


ou na malha. Quem fizer mais pontos ganha!

Esta atividade foi sugerida por Aluisiane Kraisch e adaptada de: <http://
panoramageografico.blogspot.com/2010_03_01archive.html>. Acesso em: 31 out.
2012.

2.19 ATIVIDADES DE FUSO HORÁRIO


Observe o mapa-múndi de fusos horários e responda às questões 1 e 2:

122
TÓPICO 4 | ATIVIDADES DIDÁTICAS PARA O ENSINO E APRENDIZAGEM DA CARTOGRAFIA NA GEOGRAFIA

FIGURA 62 – MAPA-MÚNDI DE FUSOS HORÁRIOS

FONTE: Disponível em: <http://professorrafaelfazzio.blogspot.com/2010_03_01_archive.html>.


Acesso em: 31 out. 2012.

AUTOATIVIDADE

1 Quando forem 10 horas em Brasília, que horas serão em:

a) Nova York?
b) Los Angeles?
c) Sydney?
d) Moscou?

2 Imagine que alguém viaja do Brasil para as Filipinas, atravessando a


linha divisória de mudança de datas. Ela irá avançar ou atrasar um dia no
calendário?

Observe o mapa de fusos horários do Brasil e responda às questões em seguida:

123
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

FIGURA 63 – MAPA DE FUSOS HORÁRIOS DO BRASIL

FONTE: Disponível em: <http://geonaweb.blogspot.com/2010/03/mapa-brasil-fuso-


horarios.html>. Acesso em: 31 out. 2012.

3 Quando no estado de Mato Grosso forem 12 horas, que horas serão em:

a) Distrito Federal?
b) Ilha de Fernando de Noronha?
c) Acre?
d) Tocantins?
e) Roraima?

4 Levando em conta que o fuso de Mato Grosso é o -4 GMT, quando nesse


estado forem 10 horas, que horas serão no fuso horário do Meridiano de
Greenwich?

5 Imagine que você embarque em um avião em Cuiabá rumo a Brasília às


10 horas. Após uma hora de voo, desembarca em Brasília. Que horas serão
(horário de Brasília)?

6 Imagine também que, duas horas depois de ter chegado de Cuiabá, você
embarque novamente rumo à Ilha de Fernando de Noronha, aonde chegará
após duas horas de voo. A que horas chegará a Fernando de Noronha
(horário de Fernando de Noronha)?

124
TÓPICO 4 | ATIVIDADES DIDÁTICAS PARA O ENSINO E APRENDIZAGEM DA CARTOGRAFIA NA GEOGRAFIA

NOTA

Estas atividades estão disponíveis em: <http://geofacil.blogspot.com.


br/2011/02/6-ano-atividades-de-fusos-horarios.html>. Acesso em: 30 out. 2012.

NOTA

Confira agora as respostas das atividades propostas.

1 Quando forem 10 horas em Brasília, que horas serão em:

a) Nova York? 7 horas


b) Los Angeles? 4 horas
c) Sidney? 23 horas do mesmo dia
d) Moscou? 16 horas do mesmo dia

2 Imagine que alguém viaje do Brasil para as Filipinas, atravessando a linha divisória de
mudança de datas. Ela irá avançar ou atrasar um dia no calendário?

R.: Avançar.

3 Quando no estado de Mato Grosso forem 12 horas, que horas serão em:

a) Distrito Federal? 13 horas


b) Ilha de Fernando de Noronha? 14 horas
c) Acre? 12 horas
d) Tocantins? 13 horas
e) Roraima? 12 horas

4 Levando em conta que o fuso de Mato Grosso é o -4 GMT, quando nesse Estado forem 10
horas, que horas serão no fuso horário do Meridiano de Greenwich?

R.: 14 horas.

5 Imagine que você embarque em um avião em Cuiabá rumo a Brasília às 10 horas. Após
uma hora de voo, desembarca em Brasília. Que horas serão (horário de Brasília)?

R.: 11 horas.

6 Imagine também que duas horas depois de ter chegado de Cuiabá, você embarque
novamente rumo à Ilha de Fernando de Noronha, aonde chegará após duas horas de voo.
A que horas chegará a Fernando de Noronha (horário de Fernando de Noronha)?

R.: 12 horas.

125
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

2.20 ROSA DOS VENTOS OU ROSA NAÚTICA


Objetivos: conhecer a rosa dos ventos, ampliar as noções de referência
espacial, utilizar no seu cotidiano e em mapas os referenciais espaciais de
localização e orientação, representar os lugares onde vive e se relaciona.

FIGURA 64 – ROSA DOS VENTOS (DOBRADURA)

FONTE: Adaptado de: <http://profcassinha.blogspot.com/2009_05_01_archive.html>. Acesso


em: 18 abr. 2013.

A dobradura da rosa dos ventos pode ser reduzida conforme a figura a


seguir.

FIGURA 65 – ROSA DOS VENTOS REDUZIDA

FONTE: A autora

126
TÓPICO 4 | ATIVIDADES DIDÁTICAS PARA O ENSINO E APRENDIZAGEM DA CARTOGRAFIA NA GEOGRAFIA

O primeiro passo para o domínio das técnicas de orientação é o


conhecimento da  rosa dos ventos, que é constituída por  4 pontos cardeais,  4
pontos colaterais e 8 pontos subcolaterais.

a) Os pontos cardeais
ponto fundamental a que se
NORTE setentrião 0º
referem normalmente as direções
ao meio-dia solar o Sol encontra-se
SUL meridião; meio-dia 180º
a Sul do observador
leste; levante; oriente;
ESTE 90º direção de onde nasce o Sol
nascente
direção onde o Sol se põe; também
OESTE poente; ocidente; ocaso 270º
aparece como W ("West")

b) Os pontos colaterais
NE Nordeste 45º
SE Sueste 135º
SO Sudoeste 225º
NO Noroeste 315º

c) Pontos subcolaterais
NNE Nor-Nordeste 22,5º
ENE Lés-Nordeste 67,5º
ESE Lés-Sueste 112,5º
SSE Su-Sueste 157,5º
SSO Su-Sudoeste 202,5º
OSO Oés-Sudoeste 247,5º
ONO Oés-Noroeste 292,5º
NNO Nor-Noroeste 337,5º

Imprima e complete a seguinte rosa dos ventos com as iniciais dos pontos


cardeais e colaterais (no final pode ser colorida e enfeitada).

FIGURA 66 – ROSA DOS VENTOS PARA COMPLETAR

FONTE: Disponível em: <http://geografiaparati.blogs.sapo.pt/2020.html>. Acesso em: 30 out. 2012.

127
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

Como sugestão para complementação da aula, você pode acessar o link


<http://alvarovelho.net/images/stories/jogos/jogorosven.swf> e conhecer um
pouco mais com seus alunos sobre os segredos das técnicas de orientação por
meio do jogo on-line: Rosa dos Ventos. Divirta-se!

Aproveite o entorno da escola e as ferramentas disponíveis na internet para


trabalhar o conhecimento sobre os pontos cardeais.

Várias são as atividades práticas que podem também ser ministradas na


sala de informática ou mesmo em sala de aula, sobre orientação espacial, com um
simples globo terrestre interativo ou um mapa da superfície terrestre:

a) programar uma aula que os alunos compreendam sobre: localização,


direção, paralelos, meridianos, latitudes, longitudes e fuso horário que
fornece informações de uma malha de coordenadas que amarra a superfície
representada;
b) atividades que levem o aluno a questionamentos, discussão e levantamento
de dúvidas concernentes aos conteúdos direcionados apresentados em sala de
aula ou dúvidas que surgem no decorrer das aulas.

É neste momento que a Cartografia se faz presente, quando surge a


necessidade de se trabalhar os conceitos da Geografia atrelados à Cartografia. Em
muitos livros você encontrará capítulos que iniciam a alfabetização cartográfica,
como, por exemplo: vamos mapear a sua sala de aula e sua escola, construindo a
planta da sala de aula, orientando-se no espaço geográfico utilizando a bússola,
reduzindo e ampliando objetos para desvendar a escala, as imagens aéreas e
orbitais, tipos de mapas, confecção de maquetes, jogos lúdicos etc.

Para o ensino da Cartografia, a informática tem sido aplicada com grande


sucesso nas geotecnologias, permitindo a geração de inúmeras relações espaciais
de informações geográficas, popularizando a linguagem cartográfica, tais como
o Google Maps ou o próprio Google. Ensinar Cartografia é sempre fascinante,
ainda mais na atualidade, em que temos uma quantidade e variedade de
imagens, figuras, mapas, filmes, entre outros, à disposição, para estudar o espaço
geográfico.

NOTA

Acesse o site do PROJETO EDUCASERE em <http://www.inpe.br/unidades/cep/


atividadescep/educasere/>. Nele você terá várias informações complementares da aplicação
do sensoriamento remoto aplicado à educação e com imagens de satélite como recurso
didático.

128
TÓPICO 4 | ATIVIDADES DIDÁTICAS PARA O ENSINO E APRENDIZAGEM DA CARTOGRAFIA NA GEOGRAFIA

AUTOATIVIDADE

Agora que você já obteve várias dicas de como desenvolver atividades


pedagógicas via conteúdos e temas de Geografia relacionados à Cartografia,
planeje uma aula de Geografia que envolva uma atividade pedagógica prática
da Cartografia na Geografia, tanto para o Ensino Fundamental como para o
Ensino Médio. Bom plano!

3 CARTOGRAFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL E ENSINO


MÉDIO
Toda a aprendizagem da Geografia, no Ensino Fundamental e Médio,
tem na sua proposição desenvolver um processo de construção da espacialidade,
correspondendo à orientação e deslocamento no espaço. Segundo Freitas e Salvi
(2012), os objetivos das atividades lúdicas podem ser classificados da seguinte
maneira: no Ensino Fundamental, desenvolver no aluno as suas potencialidades
intelectuais, físicas e criativas, permeadas pelo desenvolvimento social e
interpessoal; já no Ensino Médio visa à participação, à solidariedade, à cooperação,
ao respeito do aluno a si mesmo e ao outro, à análise, à reflexão, à motivação e à
participação em sala e ao prazer de aprender a aprender.

Conforme Simielli (2007), a alfabetização cartográfica, neste ciclo,


estimulará uma série de possibilidades, tais como: a perspectiva da visão como
oblíqua e vertical, a imagem tridimensional e a imagem bidimensional, o alfabeto
cartográfico (ponto, linha, área, cores e grafismo), a construção da noção de
legenda, a proporção e a escala, a lateralidade, referências e orientação espacial.

UNI

No site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, <http://www.


ibge.gov.br>) você poderá obter diversas informações como apoio à Cartografia escolar.

Diante de tantas possibilidades oferecidas ao professor de Geografia,


com auxílio da Cartografia escolar, você poderá explorar todo esse conhecimento
através de várias atividades baseadas na linguagem cartográfica, conforme alguns
exemplos no quadro a seguir:

129
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

QUADRO 2 – ATIVIDADES BASEADAS NA LINGUAGEM CARTOGRÁFICA

LINGUAGEM CARTOGRÁFICA ATIVIDADES


Uso de objetos para trabalhar proporção.
• Conceitos de escala e suas diferenciações.
Escala • Importância para as análises espaciais
nos estudos de Geografia.
• Medição cartográfica.
Pontos cardeais, utilidades práticas e referenciais
Orientação nos mapas.
• Uso e construção de bússola.

Localização Coordenadas geográficas do nível local ao global.

Leitura, criação e organização de legendas.


Construção da legenda
• O que as cores e desenhos informam?
Leitura de diversas paisagens por fotos, imagens
etc.
• Localização e representação das posições na sala
Leitura e representação espacial
de aula, em casa, no bairro e na cidade.
pelos alunos
• Confecção pelos alunos de croquis cartográficos
elementares para analisar informações e
estabelecer correlação entre fatos.

Uso de cartas para orientar trajetos no cotidiano.


• Localização e representação em mapas,
maquetes, mapas conceituais e croquis.
• Análise de mapas temáticos da cidade, do estado
e do Brasil.
Leitura dos mapas e gráficos • Estudo com base em plantas e cartas temáticas
simples.
• Utilização de diferentes tipos de mapas: de
itinerário, turísticos, climáticos, relevo, vegetação
etc.
• Leitura e interpretação de tabelas e gráficos.

FONTE: Adaptado de: PCN (BRASIL, 1997)

Estas são informações baseadas nas competências dos alunos para


trabalharem com a análise/localização e com a correlação, usando a linguagem
cartográfica dos PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais de Geografia) para o
terceiro e quarto ciclos (6º ao 9º ano).

A disciplina de Geografia agregada ao uso da Cartografia possibilita a


compreensão do mundo e permite a leitura do mundo no qual estamos inseridos.
E para que isso aconteça efetivamente, o professor deve ter clareza do referencial
teórico-metodológico, para que se possa então promover a leitura do mundo com
os alunos. O professor precisa ter domínio, compreensão, ou seja, ter habilidades
de interpretar o mundo, sobretudo os conceitos elementares que envolvem esse
ensino e aprendizado de Geografia.

130
TÓPICO 4 | ATIVIDADES DIDÁTICAS PARA O ENSINO E APRENDIZAGEM DA CARTOGRAFIA NA GEOGRAFIA

LEITURA COMPLEMENTAR

A IMPORTÂNCIA DA CARTOGRAFIA TEMÁTICA


NAS REPRESENTAÇÕES GRÁFICAS

Kened Soares (2009)

RESUMO

Este trabalho objetiva apresentar informações acerca da Cartografia


temática e seu desenvolvimento, demonstrar seu uso prático na elaboração de
mapas temáticos e sua importância nas representações gráficas.

Palavras-chave: Representação Gráfica. Cartografia. Cartografia Temática.


Mapas.

ABSTRACT

This work aims at to present information to the about of the thematic


cartography and your development, to demonstrate your practical use in the
elaboration of thematic maps and your importance in the graphic representations.

Key words: Graphic representation. Cartography. Thematic Cartography.


Maps.

INTRODUÇÃO

A Cartografia Temática surgiu entre o fim do século XVIII e início do


século XIX, com a evolução da Cartografia Topográfica. Desse modo, a Cartografia
Temática desenvolve-se como um novo ramo da Cartografia (MARTINELLI,
2003).

Essa modalidade da cartografia vem de encontro aos próprios interesses


imperialistas da época, onde cada potência mundial demandava de um
inventário cartográfico que desse suporte à sua expansão (PALSKY, 1984 e
SALICHTCHEV, 1979).

A Cartografia temática propõe a extração de elementos dos mapas e


cartas topográficas, para sua representação em diversos aspectos (quantitativos
e qualitativos), sobre a mesma referência (vegetação, geologia, solos) (IBGE,
1999 apud CASTRO, 2004). “Tais mapas constituem-se não apenas em meios de
registro da informação, mas também como instrumentos de pesquisa e em formas
de divulgação dos resultados obtidos” (FRANCISCO, 2003).

De acordo com Barbosa (1967 apud IBGE, 1999), a Cartografia temática


divide-se em três tipos, sendo: Notação, representa fenômenos na sua distribuição

131
UNIDADE 2 | CARTOGRAFIA BÁSICA

espacial com utilização de cores ou diferentes tonalidades, complementados com


sinais gráficos característicos para facilitar a leitura e percepção. Exemplos desses
são os mapas geológicos, pedológicos, etnográficos etc.; Estatística, caracteriza-
se pelos mapas de densidade, distribuição por pontos, fluxos, pluviométricos e
mapas de isolinhas; e Síntese, tem finalidade explicativa mediante as relações
externas. Expressam “o conjunto dos elementos de diferentes fatos ou fenômenos”.
A esse tipo se relacionam os mapas econômicos complexos, áreas homogêneas,
geomorfológicos, históricos etc. (IBGE, 1999 apud CASTRO, 2004).

Para o correto planejamento do mapa temático é preciso o uso de


elementos de identificação externa (título, subtítulo, escala, orientação, encarte,
legenda, fonte, autor, órgão/instituição, data), para direcionar a crítica do leitor
no momento de sua análise. Assim, o título e subtítulo, por exemplo, devem
expor informações mínimas que respondam: “O quê?”, “Onde?” e “Quando?”
(MARTINELLI, 2003).

Os princípios básicos da Cartografia, quando relacionados à representação


do tema, podem facilmente inferir de modo intuitivo à diversidade entre lugares,
e seu aspecto qualitativo (`), respondendo “o quê?” se deseja analisar. Referente
à representação temática de lugares e à sua proporcionalidade, aspectos de
ordem (O) e quantidade (Q) dão as respostas de: “em que ordem?” e “quanto?”
(MARTINELLI, 2003).

Com o avanço tecnológico e meios de comunicação, em especial com o uso


da informática, a Cartografia se fortalece. Ao desenvolver softwares específicos da
Cartografia, o homem é capaz de obter respostas precisas acerca da localização
“onde?”, e vai mais além, consegue resolver e apontar soluções referentes ao
“Por quê?”, “Quando?”, “Por quem?”, “Para que finalidade?” e “Para quem?”
(MARTINELLI, 2003).

Ainda de acordo com Martinelli (2003), inúmeras são as formas para


representação através da Cartografia temática. Do mesmo modo, são grandes as
possibilidades de aplicabilidade pelo homem.

Para interpretar o real por meio de ações é preciso a leitura e o entendimento


do mundo real. “A observação, percepção, análise conceitual e a síntese através
das representações cartográficas possibilitam pensar significativamente o
conhecimento do espaço geográfico. É possível perceber que o estudo da
linguagem cartográfica vem, cada vez mais, reafirmando sua importância desde
o início da escolaridade” (FRANCISCHETT, 1997).

Os mapas, junto a qualquer cultura, sempre foram, são e serão formas de


saber socialmente construído; portanto, uma forma manipulada do saber. São
imagens carregadas de julgamentos de valor. Não há nada de inerte e passivo em
seus registros (HARLEY, 1988).

132
TÓPICO 4 | ATIVIDADES DIDÁTICAS PARA O ENSINO E APRENDIZAGEM DA CARTOGRAFIA NA GEOGRAFIA

Segundo Harley (1988 apud GOULD e BAILLY, 1995),

Como linguagem, os mapas conjugam-se com a prática histórica,


podendo revelar diferentes visões de mundo. Carregam, outrossim, um
simbolismo que pode estar associado ao conteúdo neles representado.
Constituem um saber que é produto social, ficando atrelados ao
processo de poder, vinculados ao exercício da propaganda, da
vigilância, detendo influência política sobre a sociedade.

A representação gráfica é importante para a comunicação visual através


da linguagem monossêmica, que, por sua vez, objetiva evidenciar as relações
fundamentais entre objetos e dados apresentados (CARACRISTI, 2002).

De acordo com Arnheim (1997), “Comunicação visual é todo meio de


comunicação expresso com a utilização de componentes visuais, como: signos,
imagens, desenhos, gráficos, ou seja, tudo o que pode ser visto”.

Na abordagem de Caracristi (2002), “Mapas e gráficos são representações


de uma determinada realidade estudada. Toda representação gráfica implica
uma forma de ver e conceber a realidade, a qual é tratada cientificamente através
da opção pessoal de determinados pressupostos teóricos e metodológicos”.

Salichtchev (1977) define Cartografia como “ciência que trata e investiga


a distribuição espacial dos fenômenos naturais e culturais, suas relações e suas
mudanças através do tempo, por meio da representação cartográfica”.

FONTE: Disponível em: <http://www.webartigos.com/artigos/a-importancia-da-cartografia-


tematica-nas-representacoes-graficas/22203/#ixzz2D5Q9mGN1>. Acesso em: 24 mar. 2013.

133
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico apresentamos uma série de atividades e exercícios que você
poderá utilizar em sala de aula.

CHAMADA

Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem


pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.

134
AUTOATIVIDADE

Pesquise na internet alguns dos temas sugeridos como atividades de


Cartografia e faça uma análise das possibilidades dos conteúdos de Geografia
a ser desenvolvidos com os alunos dos Anos Finais do Ensino Fundamental
(6º ao 9º ano).

135
136
UNIDADE 3

AS NOVAS TECNOLOGIAS
CARTOGRÁFICAS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir desta unidade você deverá ser capaz de:

• interpretar uma fotografia aérea;

• identificar a nova linguagem e os instrumentos utilizados para o Sistema


de Posicionamento Global;

• ter noções gerais sobre o geoprocessamento e sensoriamento remoto, na


Cartografia;

• entender o que significa SIG (Sistema de Informação Geográfica);

• entender e discernir as novas tecnologias aplicadas à Cartografia visando


ao ensino de Geografia;

• compreender a Cartografia como aliada ao ensino de Geografia.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está organizada em quatro tópicos. Em cada um deles
você encontrará atividades para uma maior compreensão das informações
apresentadas.

TÓPICO 1 – NOÇÕES BÁSICAS DE FOTOGRAMETRIA

TÓPICO 2 – SENSORIAMENTO REMOTO

TÓPICO 3 – SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA (SIG)

TÓPICO 4 – O USO DAS TECNOLOGIAS NO ENSINO E


APRENDIZAGEM DA CARTOGRAFIA E GEOGRAFIA

CHAMADA

Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos


em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá
melhor as informações.

137
138
UNIDADE 3
TÓPICO 1

NOÇÕES BÁSICAS DE FOTOGRAMETRIA

1 INTRODUÇÃO
A Cartografia apresenta sua gênese com os babilônios e seus precursores
com Ptolomeu, Erastóstenes e Hiparco. Ao longo da trajetória da história da
Cartografia, a humanidade desenvolveu técnicas de localização. Essas técnicas
foram sendo utilizadas e aprimoradas na exploração e transformação do meio
ambiente.

Desta forma, quanto mais o homem amplia seu patrimônio técnico, mais
complexa será sua organização espacial. Sendo assim, ao produzir sua vida
material, qualquer sociedade, da mais simples à mais complexa, estará inserida
em um contexto geográfico.

Atualmente, a reprodução do espaço geográfico possui um universo de


inovadoras tecnologias à disposição da sociedade. A cada dia, novas tecnologias
estão sendo implementadas e aprimoradas para representar graficamente soluções
nas áreas de saúde, transporte, segurança, meio ambiente, entre inúmeras outras,
servindo como instrumento de análise para as representações gráficas espaciais.

Ampliando as representações cartográficas dos mapas, as tecnologias


computacionais servem de base para análises, com o objetivo de identificar
fenômenos ocorridos em uma determinada posição espacial.

Partindo deste pressuposto, nesta unidade iniciamos o conteúdo nessas


novas e aprimoradas técnicas cartográficas, onde se inserem, neste contexto, a
fotointerpretação, o Sistema de Posição Global (GPS), Sensoriamento Remoto,
Geoprocessamento e o Sistema de Informação Geográfica (SIG).

139
UNIDADE 3 | AS NOVAS TECNOLOGIAS CARTOGRÁFICAS

2 NOÇÕES BÁSICAS DE FOTOGRAMETRIA


A fotogrametria pode ser conceituada como a ciência tecnológica que
extrai informações de objetos físicos ou do meio através de registros, medição
e interpretação de imagens fotográficas utilizando aparelhos e métodos
estereoscópicos, visto que a fotografia aérea constitui a base da aplicabilidade
desta ciência.

Fotointerpretação se constitui como um método dedutivo e indutivo


de análise geoespacial a partir de fotografias aéreas, identificando fenômenos
físicos e culturais e sua distribuição na superfície terrestre, sendo o ramo mais
importante da fotogrametria.

Agora que você já sabe a diferença entre fotogrametria e fotointerpretação,


veja um pouco sobre a história da evolução dessa ciência.

Seus princípios remontam a 1851, com Laussedot (engenheiro do exército


francês), tomando como base a fotografia terrestre, utilizando um aparelho que
reunia o teodolito e uma câmera fotográfica. Devido às imperfeições das lentes
na época, obteve-se pouca precisão dos dados mensurados, com isso, pouco se
avançou com seus estudos. Em 1858 foi feita a primeira fotografia aérea, através
de um balão, sobrevoando o sul da França, feita por Feliz Tournachon. Contudo,
foi em 1913 a primeira utilização de um avião para obtenção de fotografias aéreas,
porém os estudos avançaram e o processo se tornou mais preciso depois da
Segunda Guerra.

A fotogrametria se divide em duas formas de obtenção de foto. A primeira


é aérea, a partir de aviões ou balões, e a segunda, a fotogrametria terrestre. Esta
utiliza uma câmera acoplada em um veículo. Embora pouco utilizada, permite que
o usuário obtenha uma precisão de 0,2 metro de altitude dos pontos levantados e
plantas com escala de 1:200 a 1:10000.

A priori, o objetivo da fotogrametria incide na transformação da fotografia


aérea, que é uma projeção cônica, em uma projeção cilíndrica ortogonal da área
levantada. Essa projeção cilíndrica é utilizada para confeccionar mapas, cartas
náuticas e plantas.

2.1 APLICABILIDADE DA FOTOGRAMETRIA


A fotogrametria atualmente é muito utilizada em várias ciências, entre
elas: arqueologia (identificar a localização de sambaquis); hidrografia (planos
de bacias hidrográficas, análise de bacias); topografia (confecção de cartas
topográficas, plantas); geologia (controle de erosão, exploração mineral); forças
armadas (monitoramento de fronteiras); engenharia de trânsito; engenharia de
telecomunicações; arquitetura; Cartografia; botânica, entre outras ciências, em
que se faz necessária maior precisão.

140
TÓPICO 1 | NOÇÕES BÁSICAS DE FOTOGRAMETRIA

2.2 OBTENÇÃO DE UMA FOTOGRAFIA AÉREA


Uma câmera aerofotogramétrica possui os mesmos princípios de uma
câmera fotográfica comum. Embora seja constituída para obtenção de fotografias
da superfície terrestre, ela é composta por algumas especificidades, tais como:

• alta resolução;

• maior capacidade de filme e formato de fotografia;

• funcionamento automático ou semiautomático com dispositivo que regula


automaticamente, fazendo-a funcionar em intervalo predeterminado de acordo
com a velocidade do voo;

• possui um nível de nave e um esférico que registra variações sofridas pelo


avião no decorrer do voo;

• possui estatoscópio (altímetro diferencial, aparelho que permite o registro de


variações do voo);

• possui giroscópio (aparelho cuja finalidade é a de evitar que a oscilação do voo


interfira na câmera).

2.2.1 Fotografias aéreas


As fotografias aéreas são classificadas de acordo com a inclinação do eixo
ótico da câmera (figuras a seguir) em relação à vertical de que é tirada a fotografia.
Essa variação resulta em três tipos distintos de fotografias: vertical, oblíqua baixa
e oblíqua alta.

FIGURA 67 – FOTOGRAFIA AÉREA

FONTE: Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/cartografia/manual_


nocoes/processo_cartografico.html>. Acesso em|: 24 mar. 2013.

141
UNIDADE 3 | AS NOVAS TECNOLOGIAS CARTOGRÁFICAS

FIGURA 68 – EIXO ÓTICO: FOTOGRAFIA VERTICAL, OBLÍQUA BAIXA E OBLÍQUA ALTA

FONTE: Disponível em: <http://www2.uefs.br/geotec/topografia/apostilas/topografia(13).htm>.


Acesso em: 30 set. 2012.

• Fotografia vertical – o eixo da câmera pode conter uma inclinação entre 0° e 3°,
perfeita para terrenos mais ou menos planos, pois apresenta grande número de
detalhes da área fotografada. Utiliza-se este tipo de fotografia aérea para obter
medidas e mapas precisos (veja figura).

• Fotografia oblíqua baixa – (veja figura) o eixo ótico da câmera pode variar entre
3º e 90º, porém não aparece a linha do horizonte, conforme demonstrado na
figura anterior. É utilizada para a elaboração de mapas de grande abrangência
de área, em especial se o relevo for baixo.

• Fotografia oblíqua alta – o eixo ótico da câmera pode variar entre 3º e 90º,
nesse tipo de fotografia a linha do horizonte se torna visível. A abrangência
da área fotografada é maior que nos dois outros tipos, e sua escala é maior nos
primeiros planos e menor nos últimos planos.

142
TÓPICO 1 | NOÇÕES BÁSICAS DE FOTOGRAMETRIA

FIGURA 69 – FOTOGRAFIA OBLÍQUA E VERTICAL (a,b)

FONTE: Jensen (2009, p. 130)

2.2.2 Interpretação de fotografia aérea


Para que se possa interpretar fotografia aérea (aerofotos) e identificar
as deformidades do relevo, são necessários um par de fotografias aéreas
sequencialmente numeradas e um estereoscópio (de bolso ou de espelho).

NOTA

Estereoscópio é um aparelho utilizado para obter informações a respeito da


profundidade, tamanho, distância e posição de objetos no relevo terrestre, lhes dando a
sensação de tridimensionalidade (3D). Pode ser estereoscópio de espelho ou de bolso.

Para efeito estereoscópico de um par de aerofotos se faz necessário que


os eixos óticos estejam paralelos em ambas as fotografias, incidindo diretamente
em um mesmo ponto fixo. Quando isso acontece o usuário tem a sensação de
profundidade da imagem, participando assim de uma visão tridimensional. Vale
lembrar que cada par de fotografias estabelece 60% de sobreposição longitudinal
e 30% de sobreposição lateral ou entre faixas, garantindo assim o recobrimento
da região.

143
UNIDADE 3 | AS NOVAS TECNOLOGIAS CARTOGRÁFICAS

FIGURA 70 – EFEITO ESTEREOSCÓPICO EM FOTOGRAFIAS

FONTE: Santos (2013)

FIGURA 71 – SOBREPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIAS AÉREAS

FONTE: Santos (2013)

2.2.3 Escala de uma fotografia aérea


A escala (E) é calculada a partir das informações: altura do voo (H) e
distância focal (f) da câmera que foi utilizada para obtenção da fotografia (figura
a seguir).

144
TÓPICO 1 | NOÇÕES BÁSICAS DE FOTOGRAMETRIA

FIGURA 72 – ILUSTRAÇÃO PARA CÁLCULO DA ESCALA

FONTE: Santos (2013)

Vamos analisar um exemplo: situação hipotética.

Realizou-se um levantamento aerofotogramétrico na região do município


de Feira de Santana, na Bahia, com finalidade de levantamento de dados para a
realização do diagnóstico ambiental para o Plano de Bacia do rio Jacuípe. Sabe-se
que a altura do voo (H) foi de 1.224 m de altitude, cuja distância focal (f) é 153
mm. Qual foi a escala utilizada para estas fotografias aéreas?

Aplicando a fórmula:

E = f/H

Logo: 0,000125 = 0,00013= 1:8000


A escala será de 1/8000.

Veja a seguir alguns conceitos da fotogrametria:

• Informações que devem constar em uma fotografia aérea: número da foto,


projeto, data, hora, escala, nível, distância focal e câmara utilizada.

• Foto-base: distância dos centros das bases consecutivas.

• Aero-base: distância da aeronave entre duas tomadas consecutivas.

145
UNIDADE 3 | AS NOVAS TECNOLOGIAS CARTOGRÁFICAS

• Foto-índice: consiste numa reprodução de um mosaico das fotografias


colocadas nas respectivas posições relativas.

• Mapa-índice: são as faixas de fotos, o número das fotos e a área coberta pela
foto.

• Mosaico: conjunto de fotografias aéreas de determinada área, montadas


consecutivamente.

• Estereograma: par de fotografias aéreas sendo interpretadas em estereoscopia.

3 SISTEMA DE POSICIONAMENTO GLOBAL (GPS)


NAVSTAR-GPS (Navigation System with Time and Ranging – Global
Positioning System) ou simplesmente GPS (Global Position System ou, então,
Sistema de Posicionamento Global) é um aparelho eletrônico auxiliador de
navegação, baseado em satélites por cobertura mundial.

Este aparelho foi desenvolvido pelo Departamento de Defesa dos Estados


Unidos da América para fins militares, com o propósito de fornecer a posição
geográfica através de coordenadas (x, y, z), velocidade e tempo. O primeiro
satélite a ser lançado para este fim foi no ano de 1978.

Vejamos modelos do Sistema de Posicionamento Global (GPS) de


Navegação.

FIGURA 73 – UTILIZAÇÃO EM AUTOMÓVEL

FONTE: Disponível em: <http://www.conhecimentogeral.com/download-gratis-de-mapa-


atualizado-para-gps-garmin/>. Acesso em: 19 nov. 2012.

146
TÓPICO 1 | NOÇÕES BÁSICAS DE FOTOGRAMETRIA

FIGURA 74 – MODELO DE GPS UTILIZADO EM TRABALHOS DE CAMPO

FONTE: Disponível em: <http://www.lojagps.com/br/product_info.php?products_


id=8&osCsid=vskhrtiq6ijhak7kip9htbh827>. Acesso em: 19 nov. 2012.

FIGURA 75 – MODELO DE GPS UTILIZADO EM TRABALHOS DE CAMPO, COM ANTENA EXTERNA

FONTE: Disponível em: <http://camilstaps.nl/2012/06/gps-logger-announcement/>. Acesso em:


19 nov. 2012.

FIGURA 76 – MODELO DE GPS UTILIZADO EM ROTA PARA LAZER

FONTE: Disponível em: <http://www.universogps.com.br/gps-para-aventureiros-2/>. Acesso em:


19 nov. 2012.

147
UNIDADE 3 | AS NOVAS TECNOLOGIAS CARTOGRÁFICAS

Seu funcionamento consiste na receptação de 24 satélites geoestacionários


que orbitam em média a 20 mil quilômetros de altitude da superfície terrestre,
dispostos em seis planos orbitais (figura a seguir) numa inclinação de 60º graus
em relação ao plano do Equador.

UNI

Órbita é conceituada como a trajetória que o satélite realiza ao redor da Terra.

Cada satélite percorre duas vezes a Terra em um período de 24 horas,


período de 12 horas siderais, ou seja, 12 horas duas vezes ao dia. Para referenciar
a real posição na superfície terrestre, apenas quatro satélites são o suficiente
para que o receptor (aparelho) determine sua localização em qualquer ponto do
planeta.

FIGURA 77 – CONSTELAÇÃO DOS 24 SATÉLITES EM NÍVEL ORBITAL

FONTE: Disponível em: <http://www.carajas.org/wiki/images/8/86/Constelacao_gps.jpg>.


Acesso em: 30 set. 2012.

UNI

Satélite é todo objeto que gira ao redor de outro objeto. Os satélites podem ser
classificados como naturais (por exemplo, a Lua) e artificiais, provenientes de um instrumento
desenvolvido pelo homem.

148
TÓPICO 1 | NOÇÕES BÁSICAS DE FOTOGRAMETRIA

Uma vez que você esteja em movimento, o aparelho irá atualizar seu
posicionamento e armazenando as informações do percurso, a velocidade e
altitude continuamente.

O sistema GPS é composto por três segmentos: espacial, de controle e do


usuário.

1) Segmento espacial: cobertura por todo o globo, incluindo os polos. Permite,


pelo menos, que quatro satélites sejam detectados pelo aparelho em qualquer
hora do dia ou da noite. Vale ressaltar que em algumas regiões é possível que
um maior número de satélites seja captado pelo aparelho, o que lhe fornece
ainda maior precisão de localização espacial.

2) Segmento de controle (sistemas de controle): constituído por um conjunto


de estações que monitoram a precisão espacial. Esse monitoramento são bases
terrestres fixas, distribuídas no globo. Este segmento possui três funções
primordiais: a) monitorar todos os sinais de GPS, para controlar os satélites
e órbitas; b) transmitir dados aos satélites e; c) monitorar a Estação Mestra de
Controle.

3) Segmento dos usuários: representa a diversidade de usuários que utilizam


essa tecnologia, os aparelhos receptores e os métodos de posicionamento
utilizados, integrando os elementos eletrônicos necessários ao controle,
armazenamento e visualização dos dados.

3.1 PRINCÍPIO BÁSICO DE FUNCIONAMENTO


O sistema GPS possui um funcionamento dividido em duas bandas: L1
e L2. A banda L2 direciona-se para finalidades que necessitem de alta precisão,
porém se restringe a fins militares dos Estados Unidos da América, e a banda L1
para fins de navegação civil. O objetivo de possuir duas bandas está justamente
em restringir a precisão da banda L1 por motivo de segurança, e a qualquer
momento esta (L1) poderá ser desativada pelo exército americano.

Os aparelhos GPS possuem um microprocessador responsável para efetuar


os cálculos de posicionamento, armazenar dados dos satélites e suas posições. A
partir da transmissão do sinal, pelo satélite, as distâncias são computadas a partir
do tempo de propagação das ondas eletromagnéticas no meio, e a velocidade de
propagação desta onda é decodificada pelo aparelho receptor, o qual, ao receber
essas informações, identifica a coordenada de onde o aparelho se encontra,
realizando um cálculo de triangulação para obter a posição do receptor.

Os aparelhos podem operar em dois modos: 2D e 3D:

149
UNIDADE 3 | AS NOVAS TECNOLOGIAS CARTOGRÁFICAS

• modo 2D – permite apenas a posição horizontal, pois capta no mínimo três


satélites, geralmente esta transmissão ocorre pela posição da antena e/ou
interrupção de sinal;
• modo 3D – o aparelho capta no mínimo quatro satélites, fornecendo uma
posição mais precisa, pois insere-se a altitude.

E
IMPORTANT

Os sinais emitidos dos satélites para o GPS não trafegam através de superfícies
metálicas, florestas e estruturas de grande porte, como prédios. Para o bom desempenho do
aparelho, faz-se necessário que o usuário esteja em ambiente aberto.

FIGURA 78 – TRIANGULAÇÃO DO SISTEMA GPS

FONTE: Correia (2003, p. 3)

Para o cálculo de triangulação são necessários, no mínimo, quatro satélites:

1. um primeiro satélite calcula a distância de uma posição colocada numa esfera,


cujo raio corresponde à distância calculada ao primeiro satélite;

2. um segundo satélite permite reduzir a incerteza a um círculo (intersecção entre


duas esferas);

150
TÓPICO 1 | NOÇÕES BÁSICAS DE FOTOGRAMETRIA

3. um terceiro satélite utilizado intercepta o círculo anterior em dois pontos.


Como normalmente um destes pontos se encontra muito distante da Terra (ou
com velocidade muito elevada), a posição fica automaticamente calculada por
exclusão de partes;

4. um quarto satélite é utilizado como auxiliar. Envia ao receptor um quarto


sinal que o auxilia a determinar o tempo preciso em que ocorrem as emissões,
evitando assim que o receptor use um relógio atômico para determinação do
tempo.

Deste modo, um sistema de posicionamento global pode averiguar, de


forma segura, a posição absoluta de um dado utilizador (CORREIA, 2003).

Eis algumas aplicações do GPS:

• coleta de dados para o Sistema de Informação Geográfica;

• navegação marítima, espacial, terrestre, fluvial, aérea, de lazer;

• levantamento topográfico de áreas urbanas e rurais;

• em levantamentos geodésicos, para estabelecer pontos precisos da rede básica


de pontos sobre a superfície terrestre;

• realização de mapeamento temático, estabelecendo assim o georreferenciamento


com imagens de satélites, ou produção de cartas e imagens, produtos do
sensoriamento remoto, entre outros.

3.2 GPS DIFERENCIAL OU DGPS


O princípio básico do método diferencial consiste na diferença entre a
posição fornecida pelo aparelho GPS pseudodistâncias (PRC – Pseudorange
Corrections) e a verdadeira posição geográfica gerada por uma estação de
referência, pois esta é uma estação fixa e, consequentemente, suas coordenadas
são exatas. É através deste aparelho (DGPS) que se fornecerá a melhoria da
qualidade dos dados transmitidos e sua precisão.

A eficácia do DGPS (figura a seguir) está justamente na correção da escala


do erro, pois o erro do receptor GPS pode variar de 20 a 300 metros, e com a
utilização do DGPS esse erro poderá ser reduzido a poucos milímetros, pois o
processador que o aparelho GPS possui internamente analisa a posição informada
e calcula a relação de erros gerada pelos satélites, formando uma planilha de
correção para cada satélite. Para isso, a unidade fixa (DGPS) deverá estar em uma
posição onde capta o maior número de satélites.

151
UNIDADE 3 | AS NOVAS TECNOLOGIAS CARTOGRÁFICAS

Desta forma, o DGPS trabalha com a receptação de duas medidas, uma


recebida através dos satélites e a segunda enviada pelo aparelho GPS terrestre. A
estação terrestre decodifica o sinal e, dado que seu posicionamento é conhecido
e preciso, envia a correção ao aparelho receptor GPS, fornecendo a correção da
informação preteritamente recebida.

FIGURA 79 – DGPS

FONTE: Disponível em: <http://www.see.leeds.ac.uk/see-research/igs/seddies/lillooet/index.


htm>. Acesso em: 30 set. 2012.

E
IMPORTANT

Vale lembrar que os dados emitidos através dos aparelhos DGPS também
pertencem à banda L1, que poderá ser desativada a qualquer momento pelo exército norte-
americano.

DICAS

Leia a seguir um fragmento adaptado de um artigo sobre fotointerpretação. O


artigo completo se encontra no endereço citado na fonte.

152
TÓPICO 1 | NOÇÕES BÁSICAS DE FOTOGRAMETRIA

LEITURA COMPLEMENTAR

FOTOINTERPRETAÇÃO

Fotoleitura - consiste na identificação das feições ou objetos sobre imagens


fotográficas. Leva em consideração apenas os aspectos qualitativos. Ex.: aquilo é
uma casa; aquilo é uma árvore.

Fotoanálise – é o estudo das feições ou objetos presentes na fotografia ou


imagem. Após a identificação dos detalhes, estes são analisados entre si, avaliando
o relacionamento entre as partes.

Fotointerpretação – é uma investigação mais profunda, baseada no


princípio de que os fenômenos têm relações espaciais entre si e que a presença
invisível de um fenômeno pode ser perfeitamente deduzida da presença visível de
outro. É um processo que utiliza um raciocínio lógico, indutivo e dedutivo, para
compreender e explicar objetos, feições ou condições presentes numa imagem
fotográfica.

Elementos visuais a serem considerados em uma interpretação de


fotografia aérea são: tonalidade, cor, textura, tamanho, forma, sombra, padrão.

A tonalidade está relacionada com a intensidade da radiação


eletromagnética emitida e/ou refletida pelos alvos. Refere-se ao brilho relativo
ou à cor de objetos em uma imagem. A tonalidade nada mais é do que diferentes
graduações de cinza que variam do branco ao preto. Este elemento é fundamental
para se distinguir entre objetivos específicos ou outras feições, e também permite
a distinção de outros elementos, como forma, textura e padrão de objetos.

Fotoimagem monocromática

A tonalidade cinza é um elemento utilizado para interpretar fotografias


ou imagens em preto e branco. Nesse tipo de imagem, as variações da cena
fotografada ou imageada são representadas por diferentes tonalidades, ou tons
de cinza, que variam do branco ao preto.

• Quanto mais luz ou energia um objeto refletir, mais clara será a sua representação
na fotografia ou imagem.

• Quanto menos energia refletir, mais escura será a sua representação na


fotografia ou imagem.

• Área urbana, que reflete muita energia neste canal, é representada com
tonalidades claras.

153
UNIDADE 3 | AS NOVAS TECNOLOGIAS CARTOGRÁFICAS

• A água limpa e a mata verde e densa, que absorvem muita energia neste canal,
são representadas com tonalidades escuras.

Cor

A cor é um elemento usado na interpretação de imagens coloridas. Em


uma imagem colorida, a cor do objeto depende:

• da quantidade de energia que ele refletir (no canal correspondente à imagem);

• da mistura entre as cores (processo aditivo) e;

• da cor que for associada às imagens originais em preto e branco.

A vegetação é representada pela cor vermelha, esta cor foi associada ao


canal 4, onde a vegetação reflete muito mais energia do que nos demais canais
utilizados nesta composição colorida.

Textura

A textura refere-se ao aspecto liso ou rugoso dos objetos em uma imagem.


Ela contém informações quanto às variações de tons ou níveis de cinza/cor de
uma imagem. É um elemento muito importante na identificação de unidades de
relevo:

• a textura lisa = relevo plano;

• a textura rugosa = áreas de relevo acidentado e dissecado pela drenagem.

Tamanho

• É uma função da escala de uma fotografia ou imagem, é relativo aos objetos na


imagem, também é um elemento importante na identificação de objetos.

• A partir do tamanho pode-se distinguir uma residência de uma indústria, uma


área industrial de uma residencial, grandes avenidas de ruas de tráfego local,
um sulco de erosão de uma voçoroca, uma agricultura de subsistência de uma
agricultura comercial etc.

Forma

A forma é um elemento de interpretação tão importante que alguns


objetos, feições ou superfícies são identificados apenas com base nesse
elemento:

154
TÓPICO 1 | NOÇÕES BÁSICAS DE FOTOGRAMETRIA

• estradas e rios são facilmente identificados pela sua forma linear (e curvilínea);

• as construções como casas, prédios de apartamentos costumam ter formas


regulares e bem definidas (quadrados e retângulos);

• campos de futebol (retangular), as áreas de cultivo caracterizam-se pela sua


forma geométrica, mais comumente retangular, ou em faixas;

• as áreas de culturas irrigadas por sistemas de pivô central apresentam formas


circulares.

Formas irregulares são indicadoras de objetos naturais (matas, lagos,


feições de relevo, pântanos etc.).

Formas regulares indicam objetos artificiais ou culturais, construídos pelo


homem (indústrias, aeroportos, áreas de reflorestamento, áreas agrícolas etc.).

É importante considerar que a forma de um objeto observado a partir de


uma perspectiva vertical é diferente em relação à observação horizontal. Desta
maneira, as árvores de um pomar transformam-se (em fotografias de grande
escala) em pequenos círculos, edifícios transformam-se em retângulos etc.

• Um vulcão não é visto como um cone, mas como um círculo menor (o cume do
vulcão) dentro de um círculo maior (a base do vulcão).

• Vários vulcões podem ser identificados pela forma circular.

• A área em branco representa um salar, depósito de sal em antigo lago salgado;


um outro exemplo é a forma circular em espiral dos furacões, redemoinhos
gigantes formados por ventos que giram em torno de um centro, um "olho"
chamado vórtice e pode medir cerca de 500 km de diâmetro.

Sombra

• Em imagens bidimensionais, a altura de objetos como árvores, edifícios, relevo


etc. pode ser estimada através do elemento sombra.

• A partir da sombra, outros elementos, como a forma e o tamanho, também


podem ser inferidos.

Importante:

A sombra representada em uma imagem, assim como pode ajudar na


identificação de alguns objetos como pontes, chaminés, postes, árvores e feições
de relevo, também pode ocultar a visualização dos objetos por ela encobertos.

155
UNIDADE 3 | AS NOVAS TECNOLOGIAS CARTOGRÁFICAS

Padrão

Padrão é o arranjo espacial repetitivo de objetos visíveis na cena, como,


por exemplo, cursos de água em uma área, apresentando ângulos retos tanto no
curso principal como nos tributários (padrão definido como retangular), permite
identificar as características da superfície em fotografias e imagens de satélite.

Em função do padrão e da densidade de ocupação do terreno, diferentes


classes residenciais podem ser distinguidas em fotografias e imagens, podendo
ser indicadores do nível socioeconômico de seus habitantes.

• Áreas residenciais de alto padrão = caracterizam-se por unidades habitacionais


grandes, baixa densidade dessas unidades e muita área verde.

• Áreas ocupadas com favelas = unidades habitacionais muito pequenas, sem


espaçamento entre si, nem organização espacial, estando também ausente a
estrutura viária.

FONTE: Adaptado de: <http://www.cesnors.ufsm.br/professores/aline/sig/material-segunda-prova/


Fotointerpretacao.pdf >. Acesso em: 7 out. 2012.

156
RESUMO DO TÓPICO 1

Neste tópico, você aprendeu que:

• Os levantamentos da fotogrametria remontam a 1851, na França, porém as


técnicas de levantamento aéreo foram aprimoradas apenas a partir da Segunda
Guerra Mundial.

• Nos levantamentos aerofotogramétricos, sabendo-se a altura do voo (H) e a


distância focal (f), poderá ser calculada a escala da fotografia aérea.

• O GPS consiste em um sistema de posicionamento geodésico, baseado num


conjunto de satélites artificiais capazes de fornecer posições na superfície
terrestre com a precisão de poucos centímetros.

• Em 1978 foi iniciado o rastreamento dos primeiros satélites NAVSTAR, dando


origem ao GPS, como é hoje conhecido.

• O Sistema GPS é composto de três segmentos: espacial, de controle e do


usuário.

• Os DGPS são estações terrestres de referências, de coordenadas precisas.

157
AUTOATIVIDADE

1 Qual é a diferença entre fotogrametria e fotointerpretação?

2 Quais são os tipos de fotografias aéreas?



3 O que é Sistema de Posição Global (GPS) e para que serve?

4 Qual a importância do GPS para a navegação?

5 O que é o DGPS?

6 Quantos satélites são necessários para conhecimento de coordenadas


através do GPS em modo 3D?

158
UNIDADE 3
TÓPICO 2

SENSORIAMENTO REMOTO

1 INTRODUÇÃO
Desde a Antiguidade, obter dados precisos sobre a superfície terrestre
nunca foi trabalho fácil, pois exigia grandes organizações para as equipes que
se aventuravam a pisar em solos nunca antes vistos, para obter dados, juntar
informações que permitissem à humanidade adquirir conhecimentos cada vez
mais precisos sobre o mundo em que vivia.

As guerras sempre trazem morte e destruição, porém, durante estes


períodos sombrios da história da humanidade, desenvolvem-se técnicas e
conhecimentos para auxiliar os exércitos a vencer as batalhas, e, após os conflitos,
tornam-se de conhecimento público e uso civil.

A Segunda Guerra Mundial foi um destes episódios tristes vividos pelas


nações, que acabou trazendo avanços técnicos e científicos, permitindo a evolução
em muitas áreas do conhecimento humano, entre elas o geoprocessamento e o
sensoriamento remoto.

Nenhum exército vence uma batalha sem conhecimento detalhado e


profundo do terreno onde as batalhas irão ocorrer. Possivelmente, devido a esta
razão é que estas técnicas de processamento eletrônico de dados da superfície da
Terra tenham obtido um grande avanço durante o último grande conflito bélico
mundial.

Os sensores remotos fazem parte destes instrumentos, pois estudar,


analisar e compreender o planeta Terra, em seu complexo funcionamento, era
uma tarefa difícil antes do surgimento de tecnologias que permitissem o registro
a distância das características da superfície terrestre. O sensoriamento remoto
consiste na utilização, de forma conjunta, de modernos sensores, equipamentos
para processamento e transmissão de dados, aeronaves, espaçonaves, satélites
artificiais.

O sensoriamento remoto pode ser conceituado como um sensor de


aquisição de informações (dados) sobre determinada área, objeto ou fenômeno,
sem que haja contato físico com o mesmo, tendo em vista que suas medições são
realizadas através de um sensor, e as informações sobre o objeto são derivadas
e mensuradas através do campo de força que o cerca, que pode ser de natureza
eletromagnética, acústica ou potencial.

159
UNIDADE 3 | AS NOVAS TECNOLOGIAS CARTOGRÁFICAS

O sensoriamento remoto [...] consistiu, no início, em fotografia


no solo. Em 1862, o oficial de engenharia Laussedat inventou a
“metrofotografia”, isto é, as medições sobre fotos orientadas. O alemão
Stolze aperfeiçoou esse processo, por volta de 1892, acrescentando-
lhe a “estereoscopia”, exame de três dimensões por fusão binocular
de duas fotos vizinhas que se sobrepunham parcialmente. Foi com
esse método que os irmãos Vallot realizaram uma notável topografia
do maciço do Monte Branco. Mas foi com o avião que a fotografia
adquiriu sua verdadeira aplicação. As fotografias aéreas, a partir
das primeiras que foram tiradas num balão por Nadar em 1855,
permaneceram como uma curiosidade até que sua utilização militar,
durante a guerra de 1914-1918, demonstrou largamente seu interesse
prático. Sob o nome de fotogrametria, as medições sobre fotos tiradas
em avião tornaram-se, a partir de então, a ferramenta indispensável do
levantamento topográfico. (JOLY, 2011, p. 66).

NOTA

Sensores remotos são equipamentos capazes de registrar a energia refletida ou


emitida pelos objetos da superfície terrestre sem que haja contato físico com o respectivo
objeto.

Estes equipamentos são capazes de transformar energia eletromagnética


que ultrapassa determinada faixa do espectro eletromagnético e convertê-la em
um sinal passível de ser transformado em informações sobre o meio ambiente.
Esses sensores são transportados em aeronaves ou ainda espaçonaves.

Os dados obtidos desta análise, a rapidez com que são processados e a


confiabilidade das informações tornam cada vez mais indispensável o uso desta
ferramenta para os estudos ambientais, bem como para tantos outros objetos de
análise que estão submetidos às interferências antropogênicas.

A aplicabilidade e o entendimento do sensoriamento remoto requerem


alguns conceitos fundamentais, como: radiação eletromagnética, espectro
eletromagnético, assinatura espectral, janelas atmosféricas e sensores ativos e
passivos. Vejamos a seguir:

A radiação eletromagnética (REM) é a energia eletromagnética em


trânsito, a qual somente poderá ser detectada quando ocorrer a interação com a
matéria. Ela se propaga no vácuo a uma velocidade aproximada de 300.000.000
m/s ou 300.000 km/h, e a intensidade da radiação eletromagnética está relacionada
diretamente ao comprimento de onda e sua frequência.

160
TÓPICO 2 | SENSORIAMENTO REMOTO

Calcula-se o comprimento de onda (λ) entre a distância média entre dois


pontos semelhantes da onda, podendo ser entre uma crista e outra, e frequência
(f) é o período entre as ondulações, ou seja, o tempo entre dois pontos contínuos
com mesma intensidade.

É importante ressaltar que toda substância sintética ou natural com


temperatura acima de zero absoluto (- 273,16 graus Celsius ou 0 grau K) emite
calor, portanto, passível de ser detectado pelos sensores remotos.

FIGURA 80 – COMPRIMENTO DE ONDA

FONTE: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Comprimento-de-onda.png>.


Acesso em: 24 mar. 2013.

λ = comprimento da onda
f = frequência
c = velocidade da luz no vácuo (~300.000.000 m/s)

O comprimento de onda é inversamente proporcional à frequência, ou


seja, quanto maior for o comprimento de onda, menor será a quantidade de vezes
que ela (onda) irá operar através do espectro eletromagnético. Por outro lado,
quanto maior a frequência, menor será o comprimento de onda.

O espectro eletromagnético consiste na distribuição de diferentes tipos


de radiação eletromagnética seguindo a faixa de frequência com seus respectivos
comprimentos de onda.

O Sol representa a maior parte de energia presente na superfície terrestre,


emitindo uma temperatura constante de aproximadamente 6.000 k. Porém,
nem toda energia emitida pelo Sol chega à superfície, grande parte é retida na
atmosfera, nos gases, nas partículas em suspensão e outros. As que ultrapassam
as chamadas janelas atmosféricas são as regiões do espectro eletromagnético, que
poderão ser medidas através dos sensores remotos.

161
UNIDADE 3 | AS NOVAS TECNOLOGIAS CARTOGRÁFICAS

Para melhor entendimento de como ocorre a interação da energia


eletromagnética no alvo, devemos compreender que, após a radiação atravessar
a atmosfera, atingindo a superfície terrestre, interagindo com o objeto, a energia
incidente poderá ser absorvida, refletida ou transmitida.

Cada elemento na superfície terrestre possui uma assinatura espectral


diferenciada, como já vimos. A exemplo disto temos os satélites de monitoramento,
que ainda possuem a serventia de capturar imagens e identificar objetos na
superfície.

Os satélites, como já visto, possuem instrumentos acoplados, capazes


de capturar imagens. Os objetos que compõem essas imagens são identificados
através do espectro eletromagnético, que, por sua vez, decodifica a energia
emitida ou refletida pelo alvo (elemento que está disposto na superfície).

O espectro eletromagnético (figura a seguir) é o intervalo que contém


todas as radiações eletromagnéticas, é o espectro eletromagnético que distribui a
intensidade das radiações eletromagnéticas, é através dele que são identificados
os comprimentos e frequência das ondas de: raios gama (ondas curtas), raios X,
raios ultravioleta, a luz visível, o infravermelho, as micro-ondas e rádio (ondas
longas).

Essas três interações dependerão: das características físico-químicas do


objeto, do comprimento e frequência de onda da radiação incidente e da angulação
formada entre o objeto e a radiação incidente.

FIGURA 81 – ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO

FONTE: Disponível em: <http://www.ced.ufsc.br/men5185/trabalhos/63_lampadas/incand/


funciona03.htm>. Acesso em: 6 out. 2012.

162
TÓPICO 2 | SENSORIAMENTO REMOTO

UNI

Lembre-se do espectro eletromagnético: baixa frequência, logo ondas longas;


alta frequência, logo ondas curtas.

Para analisarmos esta relação, devemos ter em mente que cada objeto
possui um comportamento espectral único, em outras palavras, uma assinatura
espectral, ou seja, cada objeto terá uma característica própria de absorver, refletir
ou transmitir, o que possibilitará sua identificação nas imagens dos sensores
remotos.

A leitura da radiação dependerá de onde ultrapassa o segmento de


onda no espectro eletromagnético, pois poderá ser na região do óptico (visível)
ou do micro-ondas. O primeiro (óptico) opera na região óptica do espectro
eletromagnético, e poderá conter duas classificações: a termal, que detecta a
energia emitida pelo alvo, ou então a energia solar refletida, da qual detecta a
energia refletida. Porém, na região do micro-ondas (como o próprio nome diz)
opera a micro-ondas.

Os sensores remotos podem produzir sua própria luz, são chamados


de sensores ativos. Ocorre da seguinte forma: o sensor emite radiação que é
direcionada para o objeto de estudo, a radiação que será refletida pelo objeto é
detectada e medida pelo sensor, por exemplo, o radar.

Por outro lado, temos ainda os sensores passivos, que detectam a radiação
refletida/emitida pelo Sol, ou seja, depende da luz solar para captar imagem.
Exemplo: sistemas fotográficos.

A vantagem do sensor ativo é a capacidade de obter informações a


qualquer momento, sem necessitar da radiação emitida pelo Sol. Essa é a grande
vantagem de se ter luz própria, diferentemente dos sensores passivos.

As imagens que são geradas a partir de sensores instalados em satélites


orbitais possibilitam a extração de inúmeros dados sobre a superfície terrestre e o
uso dos recursos disponíveis, de escala local a global.

A extração das informações obtidas através dos sensores de


comportamento espectral potencializa sua aplicabilidade quando associada com
técnica de processamento de imagem, na qual se utiliza uma ferramenta chamada
de geoprocessamento.

163
UNIDADE 3 | AS NOVAS TECNOLOGIAS CARTOGRÁFICAS

De acordo com Xavier et al. (2004) apud Meurer (2011), o geoprocessamento


torna-se uma ferramenta imprescindível para aplicação de técnicas dos
sensoriamentos remotos, pois facilita a representação de espacialidades
cartográficas dos fenômenos analisados e da integração das informações para a
construção do mapeamento temático.

Devemos ter em mente a diferenciação entre fotografia e imagem, pois


toda fotografia é uma imagem, porém nem toda imagem é uma fotografia.
Uma fotografia são imagens capturadas e gravadas em filmes fotográficos e,
normalmente, são por comprimentos de ondas que variam entre 0.3 µm até 0.9
µm, e possuem formato analógico. Por outro lado, a imagem de satélite tem
formato digital, baseado em procedimentos matemáticos (sistema binário), onde
a imagem é gerada pelo sensor que detecta e identifica a quantidade de energia
emitida ou refletida pelo objeto, ou seja, considera os comprimentos de ondas e
os dispositivos de sensoriamento remoto utilizados para detectar e armazenar a
energia eletromagnética do alvo.

Os sensores podem ser classificados como imageadores e não imageadores,


isto dependerá do produto final obtido.

Imageadores – detectam a energia fornecendo a variação espacial da


resposta espectral e gerando uma imagem. Podem ser classificados como: radares
de visada lateral, sensores fotográficos e ainda sensores de varreduras.

Não imageadores – captam a energia do objeto e a convertem em valores


que podem ser representados na forma de gráficos, planilhas etc., não fornecendo
imagem do objeto captado.

O sensoriamento remoto pode ser em nível orbital, suborbital e terrestre.


As fotografias aéreas, filmadoras e radares constituem o nível suborbital, e
são utilizados, principalmente, para produzir mapas, além de muitas outras
utilidades.

Os balões meteorológicos, utilizados para estudo de clima, previsão


do tempo e da atmosfera da Terra, e os satélites que fornecem imagens de uso
meteorológico, mapeamento, estudo dos recursos naturais, minérios etc. estão no
nível orbital.

No nível terrestre realizam-se as pesquisas básicas sobre como os objetos,


tais como florestas, areia, gramado, cultivos agrícolas, entre muitos outros,
absorvem, refletem e emitem radiação, cujo objetivo é descobrir como estes
objetos podem ser identificados pelos sensores dos instrumentos em órbita.

Sendo assim, é possível identificar, numa imagem de um satélite,


queimadas e outros impactos ambientais, bem como diferenciar florestas nativas
de reflorestamento, e estes de cultivo agrícola, de uma cidade, bem como identificar
áreas de vegetação que estejam sofrendo com falta d’água, entre muitos outros.

164
TÓPICO 2 | SENSORIAMENTO REMOTO

Há vários níveis de aquisição de dados: orbital (satélites), aéreo (aviões,


balões) e terrestre (campo e laboratório).

FIGURA 82 – NÍVEL ORBITAL (IMAGEM DE SATÉLITE - ACIMA DE 920 KM)

FONTE: Disponível em: <http://www.leb.esalq.usp.br/disciplinas/Topo/leb450/Fiorio/SISTEMAS_


SENSORES.pdf>. Acesso em: 24 mar. 2013.

FIGURA 83 – NÍVEL AÉREO (ENTRE 350 M E 3.000 M DE ALTITUDE)

FONTE: Disponível em: <http://www.leb.esalq.usp.br/disciplinas/Topo/leb450/Fiorio/SISTEMAS_


SENSORES.pdf>. Acesso em: 17 abr. 2013.

FIGURA 84 – NÍVEL TERRESTRE (APROXIMADAMENTE A 20 M DE ALTITUDE)

FONTE: Disponível em: <http://www.leb.esalq.usp.br/disciplinas/Topo/leb450/Fiorio/SISTEMAS_


SENSORES.pdf>. Acesso em: 17 abr. 2013.

165
UNIDADE 3 | AS NOVAS TECNOLOGIAS CARTOGRÁFICAS

As características das imagens obtidas através dos sensores remotos


possuem quatro formas distintas de resolução, que são: resolução espacial,
resolução temporal, resolução radiométrica e, ainda, a resolução espectral.

1. Resolução espacial – capacidade do sensor de identificar objetos na superfície


terrestre; quanto menor for o objeto possível de ser identificado, maior será a
resolução espacial.

2. Resolução temporal – os satélites possuem uma periodicidade de varredura, o


que lhes permite monitorar fenômenos que possuem expressão espacial, com
isso a resolução espacial corresponde à passagem sucessiva do satélite.

3. Resolução radiométrica – definida pelos níveis de cinza utilizados para


representar a radiação eletromagnética registrada através do sensor. A maior
parte dos sensores se utiliza de 256 tons de cinza, isso equivale a 8 bits de
resolução.

4. Resolução espectral – classificada pelo número de bandas espectrais e pela


largura do comprimento de onda, ou seja, quanto maior for o número de
bandas e menor a largura do intervalo, maior será a resolução espectral.

Exemplo: LandSat 5
Resolução espacial: 5 metros
Resolução temporal: 16 dias
Resolução radiométrica: 256 níveis de cinza
Resolução espectral: 7 bandas

O sensoriamento remoto orbital tem sido utilizado como uma importante


ferramenta de recursos nas mais variadas atividades, permitindo a extração de
informações sobre o ambiente e o uso dos recursos naturais.

Esta ferramenta é aliada não somente na conservação do meio ambiente,


como em variadas outras áreas do conhecimento científico, e a obtenção de dados
dos recursos naturais da superfície terrestre tem auxiliado a compreensão do
meio ambiente e nas intervenções antropogênicas.

A utilização dos sensores de comportamento espectral permite estudos


mais aprofundados sobre o conhecimento do território, pois a complexidade das
características estruturais dos objetos é devidamente reconhecida pelos sensores,
possibilitando o melhor conhecimento para o uso consciente e o gerenciamento
desses recursos.

Para trabalhar as imagens digitalizadas fornecidas por satélites,


atualmente existem inúmeros programas de computadores que permitem este

166
TÓPICO 2 | SENSORIAMENTO REMOTO

trabalho. Um programa bastante utilizado no Brasil é o ArcGis. Para utilizar tais


programas é necessário, além de bom domínio da linguagem de computadores,
conhecer o software que permite manipular estas imagens e obter os resultados
que se desejam.

É imprescindível esclarecer que para extrair informações a partir do


sensoriamento remoto, primeiramente devemos conhecer seu comportamento
espectral, pois cada objeto reage de uma forma bastante específica ao sensor e,
graças a isso, podemos estabelecer e identificar diferentes elementos dispostos na
superfície terrestre. Exemplo: a geologia local, queimadas, água, áreas edificadas,
distintas formas de vegetação, entre outras.

2 GEOPROCESSAMENTO
Conceituamos o geoprocessamento como um conjunto de tecnologias de
coleta, tratamento, manipulação e apresentação de informações espaciais, pois
consiste na manipulação dos dados fornecidos através dos sensores remotos
aplicados a softwares específicos de computadores especialmente desenvolvidos
para permitir o processamento de dados georreferenciados, utilizando métodos,
conceitos e técnicas matemáticas e computacionais próprios.

Tais programas informatizados permitem o uso de informações


cartográficas, tais como plantas, cartas topográficas, mapas, associando-as aos
sistemas de coordenadas geográficas, servindo isto para inúmeras aplicações,
tais como: transporte, energia, comunicações, planejamento regional e urbano,
análise de recursos naturais, além de muitas outras.

O Sistema de Informação Geográfica (SIG) e o geoprocessamento


consistem em sistemas tecnológicos que se completam. Enquanto o SIG
consiste em ferramentas computacionais para obtenção de informações
geoespaciais, o geoprocessamento faz a manipulação de tratamento de tais
informações, integrando dados de diversas fontes, criando bancos de dados
georreferenciados, possibilitando, inclusive, automatizar a produção de
documentos cartográficos.

O geoprocessamento tem um grande potencial para um país de dimensão


continental como o Brasil, onde existe enorme carência de informações realistas
para a tomada de decisão sobre os problemas ambientais, rurais e urbanos.

O geoprocessamento passou a ser utilizado amplamente, como ferramenta


de apoio à tomada de decisões, a partir da década de 1990, consolidando assim
o uso desta técnica, saída das universidades para alcançar o mercado com uma
grande velocidade.

167
UNIDADE 3 | AS NOVAS TECNOLOGIAS CARTOGRÁFICAS

DICAS

Acesse o site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais <http://www.inpe.


br/> e saiba mais sobre as tecnologias orbitais, seu funcionamento e aplicação.

A tecnologia dos satélites e as técnicas computacionais, aliadas à


manipulação dos dados fornecidos pelos sensores remotos, se fazem de suma
importância, pois será através do geoprocessamento que as informações serão
extraídas para a tomada de decisão.

Os satélites possuem especificidades para captar informações de áreas a


serem trabalhadas. Vejamos alguns exemplos:

• Goes – Satélite meteorológico desenvolvido pelos Estados Unidos da América


para acompanhamento dos fenômenos climáticos, assim como: o buraco na
camada de ozônio, os efeitos do El Niño, monitora as cinzas liberadas pelos
vulcões, entre outras.

• CBERS – China-Brazil Earth-Resources Satellite (Satélite Sino-Brasileiro de


Recursos Terrestres). Este satélite foi desenvolvido na parceria China-Brasil,
destina-se ao monitoramento do clima, gerenciamento dos recursos hídricos,
planejamento de uso e cobertura do solo, entre outras utilidades. Suas imagens
são disponibilizadas gratuitamente pelo site do Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (INPE).

• Spot – Satélite desenvolvido pelo programa espacial do governo francês, com


objetivo específico de operar com sensores ópticos, nas bandas do visível,
infravermelho próximo e infravermelho médio.

• Landsat – suas imagens são as mais utilizadas para identificação de recursos


naturais, foi desenvolvido pela Administração Nacional Aeronáutica e do
Espaço (NASA).

2.1 APLICAÇÃO DO GEOPROCESSAMENTO EM IMAGENS


DO SATÉLITE LANDSAT

O Landsat é um dos principais satélites empregados na prática dos


estudos ambientais, estando a aproximadamente 705 km de altura. Foi
colocado em órbita em 1972 com a denominação de ERT- 1 (Earth Resources
Technological Satellite).

168
TÓPICO 2 | SENSORIAMENTO REMOTO

Posteriormente foram aprimoradas suas ferramentas e foi lançado o


Landsat 5 e Landsat 7, respectivamente, nos anos 1984 e 1999. Esse segundo,
com tecnologia ainda mais aprimorada que os anteriores, trabalha com os
sensores ETM (Enhanced Thematic Mapper) e PAN (pancromática), que opera
com sete canais multiespectrais, mais o canal Pan (BATISTA, 2007).

No quadro a seguir pode ser verificada a combinação das bandas


multiespectrais que favorece ao usuário a possibilidade de realce das
características de seu objeto de estudo, permitindo, desta forma, a resolução
espacial mais precisa e a extração de maior conteúdo de informações (ROCHA,
2002).

BANDAS APLICAÇÕES
Coloração próxima ao natural, realça sedimentos, correntes e turbidez,
1,2,3
vegetação esverdeada.
2,3,4 Definição entre solo e água, a vegetação com tonalidade avermelhada.
3,4,5 Melhor limite entre solo e água, vegetação em tonalidades verde-rosada.
Variedade de verde na vegetação, pois discrimina a umidade tanto de
2,4,7
vegetação quanto de solo.
FONTE: Adaptado de: Rocha (2002)

Para o mapeamento temático, a interpretação dos dados realçados


com a composição colorida das bandas utilizadas depende de fatores como
declividade, estação do ano, localidade, entre outros aspectos, porém o
conhecimento in loco torna mais precisa a informação analisada.

LEITURA COMPLEMENTAR

O SENSORIAMENTO REMOTO E O ESTUDO DO MEIO AMBIENTE


NA ESCOLA

Vânia Maria Nunes dos Santos

As características dos produtos do sensoriamento remoto, sobretudo


das imagens de satélite, tais como repetitividade de cobertura, justaposição
de informações, abrangência espacial, cores e formas, apresentam importante
contribuição para os estudos ambientais na escola, revelando a dinâmica do
processo de construção do espaço geográfico.

169
UNIDADE 3 | AS NOVAS TECNOLOGIAS CARTOGRÁFICAS

A abrangência espacial e o caráter temporal das imagens de satélite,


que possibilitam uma visão de conjunto da paisagem em tempos diferentes,
sequenciais e simultâneos, podem auxiliar nos estudos do meio ambiente,
mostrando, por exemplo, as relações entre o crescimento desordenado das cidades
e a presença de rios/córregos poluídos, favorecendo na localização de possíveis
fontes poluidoras, tais como indústrias ou loteamentos irregulares, bem como
subsidiar na análise dos processos de uso e ocupação dos espaços, enriquecendo
estudos históricos e geográficos.

A possibilidade de associarmos, ao uso escolar do sensoriamento remoto,


atividades de campo voltadas à verificação da verdade terrestre e a contextualização
das informações obtidas a partir das imagens de satélite e fotografias aéreas,
através do estudo do meio ambiente local, tem norteado o desenvolvimento de
projetos de educação ambiental nas escolas, sob nossa coordenação.

Explorar com recursos de sensoriamento remoto, inicialmente, regiões


conhecidas do aluno, favorece a descrição dos elementos presentes na paisagem,
familiarizando-o com esta forma de representação do espaço. Deixar que o aluno
observe uma imagem durante o tempo que for necessário para localizar sozinho
seus principais elementos, sobretudo os constitutivos da sua cidade, permite que
este “se encontre” nesta paisagem.

Convém ressaltar que entendemos a educação ambiental como um


importante instrumento para a compreensão e conscientização sobre questões/
problemas da realidade socioambiental, cujo desenvolvimento, sobretudo
nas escolas, se constitui em uma das mais sérias exigências educacionais
contemporâneas para o exercício/construção da cidadania, e consequente
melhoria da qualidade de vida.

Contudo, convém lembrar que fotografias aéreas e imagens de satélite são


instrumentos, recursos que, ante o estudo em questão ou a sua complexidade,
não dispensam, mas ao contrário, criam a necessidade de acesso a outras fontes
de informação, coleta de dados etc., ou seja, exigem o desenvolvimento de
atividades correlacionadas para o estudo do meio ambiente.

A realização de um estudo sobre os problemas socioambientais de


uma cidade/região e suas implicações com a qualidade de vida da população
constituem-se em exemplo interessante do que consideramos acima.

Se selecionarmos o recurso hídrico como vetor, a partir do qual iniciaremos


o estudo em questão, não podemos deixar de investigar o comprometimento de
um simples córrego urbano poluído (contribuinte, que deságua no rio principal
de uma bacia hidrográfica) com o meio ambiente regional, segundo uma visão
local e, posteriormente, por uma ótica integrada com toda região atingida direta
ou indiretamente por este manancial.

170
TÓPICO 2 | SENSORIAMENTO REMOTO

Quando se analisa o córrego poluído em questão utilizando apenas


levantamentos restritos, é possível que escapem à vista as implicações degradantes
que o mesmo possa estar provocando em outros locais, a quilômetros de distância
da área estudada.

A utilização de recursos de sensoriamento remoto possibilita aos alunos


uma apreensão sistêmica da área de estudo, favorecendo a análise do meio
ambiente e ecossistemas associados, considerando não apenas um único aspecto/
variável, mas sim a multiplicidade de aspectos/variáveis que possam estar
contribuindo para a degradação da qualidade das águas, estabelecendo relações
entre o impacto local e suas repercussões espaciais e revelando, consequentemente,
suas implicações para o declínio da qualidade de vida da população atendida
direta ou indiretamente por este manancial.

Nos projetos educacionais desenvolvidos, voltados ao uso escolar do


sensoriamento remoto no estudo do meio ambiente, com referência aos recursos
hídricos, professores de diferentes disciplinas foram capacitados em módulos
específicos e orientaram seus alunos na realização de atividades em sala de aula
e trabalhos de campo, incluindo:

l leitura e interpretação de imagens de satélite e fotografias aéreas, em diferentes


escalas; leitura de mapas;

l estudo do meio, com referência na coleta de amostras d’água nos rios/córregos


para posterior análise;

l realização de roteiros ambientais;

l entrevistas na comunidade;

l elaboração de mapeamento socioambiental do bairro/região de estudo, visando


discussões sobre os problemas socioambientais locais (bairro/município),
e suas repercussões regionais/globais, bem como suas implicações sociais,
econômicas, políticas e culturais no cotidiano da sociedade.

A utilização dos recursos de sensoriamento remoto, associados ao


desenvolvimento de diferentes atividades como as citadas acima, tem propiciado
aos alunos condições de compreender o meio ambiente local e regional; refletir
sobre a realidade socioambiental em estudo; propor soluções para os problemas
identificados, bem como exercitar a sua cidadania através de ações/intervenções
escolares voltadas para a melhoria da qualidade de vida.

FONTE: SANTOS, Vânia Maria Nunes dos Santos. O uso escolar de dados de sensoriamento
remoto como recurso didático pedagógico. Disponível em: <http://www.inpe.br/unidades/cep/
atividadescep/educasere/apostila.htm#tania>. Acesso em: 29 set. 2012.

171
RESUMO DO TÓPICO 2

Neste tópico, você aprendeu que:

• Geoprocessamento consiste em programas de computadores especialmente


desenvolvidos para permitir o processamento de dados georreferenciados.

• O geoprocessamento utiliza métodos, conceitos e técnicas matemáticas e


computacionais próprios.

• O geoprocessamento processa informações que permitem fazer planejamento


nos mais variados campos, como: transporte, energia, comunicações,
planejamento regional e urbano, análise de recursos naturais, além de muitas
outras.

• O Sistema de Informação Geográfica (SIG) e o geoprocessamento consistem em


sistemas que se completam. Enquanto o SIG utiliza ferramentas computacionais
para obtenção de informações geoespaciais, o geoprocessamento processa tais
informações, integrando dados de diversas fontes, criando bancos de dados
georreferenciados, possibilitando, inclusive, a automatização da produção de
documentos cartográficos.

• O sensoriamento remoto consiste em tecnologias que permitem o registro


à distância das características da superfície terrestre, que utiliza de forma
conjunta modernos sensores, equipamentos para processamento e transmissão
de dados, aeronaves, espaçonaves, satélites artificiais etc.

172
AUTOATIVIDADE

1 O que é geoprocessamento?

2 O que é sensoriamento remoto?

3 Quais são as principais aplicações do sensoriamento remoto na geografia?

4 Procure acessar um computador que tenha instalado um programa


chamado Google Earth. Este programa permite observar a superfície da
Terra através de imagens de satélites, que possibilitam identificar ruas,
carros em determinadas cidades, em todos os continentes. É um excelente
instrumento de uso do professor de Geografia. Faça a leitura da altitude,
coordenada, distâncias entre pontos relevantes e identifique pontos
importantes que sirvam como referência.

173
174
UNIDADE 3
TÓPICO 3

SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA (SIG)

1 INTRODUÇÃO
Tudo o que foi estudado nos tópicos anteriores, da Unidade 3, podemos
aplicar ao Sistema de Informação Geográfica (SIG), pois graças aos avanços
tecnológicos dos computadores e aos sistemas de gerenciamento de banco de
dados que relacionam informações, passou a existir uma grande difusão do SIG
e do processamento destas informações, como vimos com o geoprocessamento.

O desenvolvimento do Sistema de Informação Geográfica (SIG) está


atrelado à evolução na maneira de fazer mapas. Como vimos na Unidade 1, o
desenvolvimento da Cartografia ocorreu de maneira natural com a evolução
da humanidade, onde cada vez mais profissionais como geógrafos, cartógrafos,
agrimensores, entre outros, aprendiam a coletar dados e a utilizá-los para fins
que sempre variaram: desde a simples viagem de aventura, até fornecendo
informações a governos para melhor tomarem suas decisões, bem como para uso
militar.

Com o aumento do número de informações, tornou-se cada vez mais


difícil armazenar estes dados para efetuar seu inventário, ou seja, observar,
medir, classificar e registrar, além de sua utilização para realizar o mapeamento.

Técnicas estatísticas e novas fórmulas matemáticas surgiram na primeira


metade do século XX, para tentar solucionar o problema de poder trabalhar com
o volume de informações geográficas, que não parava de crescer. A solução só
começou a surgir com o aparecimento dos computadores, quando trabalhos
antes impensáveis em muitas áreas de aplicação, e especialmente no campo da
Cartografia, começaram a ser possíveis.

Neste tópico você compreenderá como ocorreu a evolução deste sistema


e sua utilização.

175
UNIDADE 3 | AS NOVAS TECNOLOGIAS CARTOGRÁFICAS

E
IMPORTANT

Nosso objetivo ao abordar o tema deste tópico não é o de formar um especialista


no entendimento e utilização do Sistema de Informação Geográfica, mas o de fornecer, ao
acadêmico de Geografia, noções básicas que permitam compreender como evoluíram e
como são formados e utilizados os diferentes dados referentes ao espaço geográfico.

2 SURGIMENTO E EVOLUÇÃO DA TECNOLOGIA SIG


O SIG ou Sistema de Informação Geográfica consiste em um sistema
de informação espacial, com a utilização de hardware e software especialmente
desenvolvidos para este objetivo, que permitem e facilitam a análise, gestão ou
representação do espaço geográfico e dos fenômenos que nele ocorrem.

Segundo Loch (2006), o desenvolvimento do SIG aconteceu de forma


paralela, tanto em empresas privadas dos EUA e Canadá, como na academia,
mais especificamente no Laboratório de Computação Gráfica da Universidade de
Harvard, onde os pesquisadores conseguiram, na década de 60, produzir mapas
de declividade com a ajuda de uma impressora devidamente programada para
este objetivo, bem como um programa que ficou conhecido como SYMAP, dando
início ao sistema de computação gráfica nesta universidade.

Loch (2006, p. 93) afirma que “[...] em 1970 a Universidade de Harvard


produziu o Odyssey, um sistema que processava polígonos e realizava operações
de sobreposição destes. Esses produtos são considerados os primeiros a serem
identificados com a funcionalidade de um SIG”.

No início da década de 1980 amplia-se consideravelmente a capacidade


de processamento dos computadores, o que permite o início de uma nova fase da
utilização da tecnologia computacional para analisar os dados espaciais, dando
continuidade ao desenvolvimento do Sistema de Informação Geográfica.

Para Kraak e Omeling (1997 apud LOCH, 2006, p. 95), o SIG é uma
ferramenta que oferece a possibilidade de integrar os dados de diferentes
fontes e tipos, assim como sua manipulação. As operações de análise espacial e
a possibilidade de visualização dos dados em qualquer tempo, durante todo o
processo, fizeram do SIG um poderoso aliado, tanto para análises espaciais como
para a tomada de decisões (sistemas especializados).

A “alma” de um SIG originou-se em disciplinas como a Geodésia,


a Geografia e a Cartografia. Muitos conceitos e funções de um SIG foram
concebidos primeiro por cartógrafos. As funções de processamento dos dados
(como transformação e análise), funções de entrada (digitalização e rasterização)

176
TÓPICO 3 | SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA (SIG)

e funções de saída (as quais são, na maioria das vezes, mapas) são exemplos da
influência de cartógrafos na criação do SIG.

O SIG pode funcionar como uma base de dados alfanuméricos, com


informação geográfica que se encontra relacionada por um identificador comum
aos objetos gráficos de um mapa digital. Assim, assinalando um objeto, pode-
se saber seu devido valor, e, ao contrário, selecionando um registro da base de
dados, é possível saber a sua localização e identificá-lo num mapa.

No Sistema de Informação Geográfica a informação é separada em


diferentes camadas temáticas, armazenando-as de forma independente,
possibilitando trabalhar com elas de modo rápido e simples, o que permite ao
operador ou utilizador a facilidade de relacionar a informação existente através
da posição e topologia dos objetos, com o objetivo de gerar nova informação, a ser
trabalhada nas imagens de satélites (figura a seguir).

É conceituado como o software mais eficiente para análise geográfica de


dados espaciais, por apresentar capacidade de relacionar informações geográficas
com elementos gráficos, formas geométricas com suas múltiplas propriedades de
relações com a topologia, o que o difere de sistemas AM/FM.

Um SIG é formado por quatro componentes básicos: hardware (o


computador propriamente dito), software (programa computacional capaz de
armazenar e manipular os dados), dados (coleta de informações organizadas para
determinado fim) e usuário (o programador). Sua aplicação envolve diversos
setores da atividade humana, porém está em função do detalhamento, escala e
do nível do trabalho.

FIGURA 85 – IMAGEM LANDSAT 2002

FONTE: Santos, Meurer e Atanazio (2006, p. 8)

177
UNIDADE 3 | AS NOVAS TECNOLOGIAS CARTOGRÁFICAS

De acordo com Meurer (2011, p. 16),

[...] um SIG deve possuir especificidades que o diferem dos demais


softwares, como: 1º ser capaz de coletar e armazenar dados espaciais
obtidos a partir de fontes como: levantamento de campo com GPS,
mapas existentes, fotogrametria, sensoriamento remoto, entre outros;
2º ser capaz de armazenar, recuperar, atualizar e corrigir os dados
processados de uma forma eficiente e dinâmica; 3º ser capaz de
permitir manipulação e a realização de procedimentos de análise dos
dados armazenados para fins de execução de inúmeras tarefas, como:
alterar a forma dos dados, produzir estimativas de parâmetros, gerar
informações rápidas a partir da entrada de dados e suas inter-relações;
4º ser capaz de gerar saídas de formatos gráficos e tabulares.

3 UTILIZAÇÃO DO SIG
Através do Sistema de Informação Geográfica é possível compatibilizar
a informação proveniente de diversas fontes, como informação de sensores
espaciais que permitem desenvolver trabalhos de sensoriamento remoto, dados
obtidos com GPS ou adquiridos com os métodos tradicionais da topografia.

A aplicação dos Sistemas de Informação Geográfica é muito versátil e


de grande utilidade em vários campos. Por tal razão, podem ser utilizados em
grande parte das atividades relativas ao espaço, da Cartografia a estudos de
impacto ambiental, marketing, formando o que poderá ser chamado de sistemas
espaciais de apoio à decisão.

Os SIGs são aplicados no monitoramento ambiental, em estudos geológicos


como, por exemplo, em trabalhos de mapeamento de solo diagnóstico ambiental,
elaboração de mapas temáticos, planejamento de zonas urbanas, rurais e uso e
cobertura do solo (figura a seguir), no monitoramento de foco de doenças, no
controle de tráfego, entre inúmeras outras funcionalidades, além de ser um
sistema de apoio para a tomada de decisão.

178
TÓPICO 3 | SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA (SIG)

FIGURA 86 – IMAGEM DE USO E COBERTURA DO SOLO, SATÉLITE LANDSAT

FONTE: Meurer (2011)

Os órgãos de planejamento urbano, por exemplo, enfrentam o grande


desafio de lidar com dados de natureza diferente, espalhados pelos mais variados
setores, bem como de manter estes dados atualizados, trabalho este que é
enormemente facilitado pelo SIG.

Os SIGs são, portanto, importantes ferramentas que possibilitam armazenar,


manipular e analisar conjuntamente um grande volume de dados espaciais e não
espaciais e que, em função de suas facilidades, vêm destacando-se no processo de
planejamento e tornando-se um recurso indispensável, do qual os planejadores
devem estar a par, desde seu período de formação.

Ao observarmos o mundo atual e toda a tecnologia disponível em todos


os campos, mas em especial naquelas relacionadas ao SIG, constata-se que estas
afetaram de maneira significativa e decisiva a evolução da análise das questões
relacionadas ao espaço geográfico.

179
UNIDADE 3 | AS NOVAS TECNOLOGIAS CARTOGRÁFICAS

NOTA

Prezado(a) acadêmico(a), você pode estar se perguntando: qual a utilidade


do SIG para um professor de Geografia? É importante que você e seus atuais e/ou futuros
alunos tenham consciência de que, ao observar um mapa, seja ele político, econômico,
populacional, climático, entre tantos temas que são mapeados, estes são resultado de uma
infinidade de informações que foram armazenadas e trabalhadas pelo sistema SIG.

Alguns softwares do Sistema de Informação Geográfica (SIG):

SPRING (software livre, desenvolvido pelo INPE)


ArcGis
GvSIG
ISmart
GRASS
Mapinfo
SAGA GIS
Terra View
GEOMEDIA

Para saber mais a respeito do que foi discutido nesta unidade, seguem
alguns sites interessantes:

<www.fatorgis.com.br>
<www.trimble.com>
<www.nasa.gov.br>
<www.inpe.br>
<www.spotimge.fr>
<www.museodocomputador.com.br>
<www.gisbrasil.com.br>

NOTA

Anexamos ao final deste Caderno de Estudos uma Cartilha de Campo que


lhe dará orientações sobre o que e como observar em uma saída de campo. Ela será útil
tanto durante o curso de Geografia quanto em sua atividade como futuro(a) professor(a) de
Geografia. Ela foi elaborada com carinho pela equipe docente do curso de Licenciatura em
Geografia.

180
TÓPICO 3 | SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA (SIG)

LEITURA COMPLEMENTAR

SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA

Emília Hamada

De acordo com a literatura, as raízes da tecnologia de gerenciamento da


informação geográfica datam de meados do século XVIII, quando a Cartografia
se desenvolveu e foram então produzidos os primeiros mapas básicos precisos.
Nos 200 anos seguintes foi observado um grande desenvolvimento nas diversas
áreas da ciência que afetaram o SIG, porém o fato determinante, que propiciou
uma rápida evolução da tecnologia do SIG, foi o surgimento dos primeiros
computadores eletrônicos em 1940, que marcou o início da era do computador.

O SIG propriamente dito, como o conhecemos atualmente, teve sua origem


com o desenvolvimento do Canadian Geographic Information System (CGIS),
no início dos anos de 1960. Três importantes fatores propiciaram a criação dos
sistemas de informações geográficas nos anos de 1960: os refinamentos na técnica
cartográfica, o rápido desenvolvimento dos sistemas computacionais digitais e a
revolução quantitativa na análise espacial. Esses fatores foram muito importantes,
pois ajudaram a fornecer as ferramentas analíticas, assim como o estímulo aos
pesquisadores e profissionais em uma variedade de aplicações. Apesar disso, nos
anos de 1960 e início dos de 1970, o SIG era ainda restrito a um pequeno grupo de
pessoas, devido ao alto custo e limitações técnicas relacionadas aos equipamentos
computacionais.

Nos anos de 1970 foi observado um grande desenvolvimento do SIG,


advindo do aumento da capacidade computacional e o desenvolvimento de
tecnologias em áreas relacionadas, tais como: sensoriamento remoto, sistema de
gerenciamento de banco de dados, Cartografia digital, processamento de imagens,
fotogrametria e projeto assistido por computador (Computer Aided Design
- CAD). Nesse período, o SIG ainda tinha o seu uso restrito às universidades,
órgãos de pesquisa e pequenas empresas privadas, porém já em maior número.

Já nos anos de 1980, o SIG realmente decolou, especialmente na última


metade da década, devido a dois fatores principais: o desenvolvimento
significativo dos microprocessadores, que permitiram a redução de custos e a
concentração de grande quantidade de memória em chips muito pequenos e,
ainda, a proliferação de softwares de baixo custo, muitos deles disponíveis para
computadores pessoais (PCs). Esses fatores propiciaram a emergência comercial
do SIG como uma nova tecnologia de processamento de informações, oferecendo
capacidades únicas de automação, gerenciamento e análise de uma variedade de
dados espaciais.

Atualmente, a preocupação crescente pelas questões ambientais tem


requerido a utilização do SIG de forma cada vez mais usual, por ser uma poderosa
ferramenta no gerenciamento e planejamento.

181
UNIDADE 3 | AS NOVAS TECNOLOGIAS CARTOGRÁFICAS

Filosofia do SIG

O SIG tem um enorme impacto em todos os campos que utilizam e


analisam dados distribuídos espacialmente. Aos que não estão familiarizados com
a tecnologia, é fácil vê-lo como uma caixa mágica. A velocidade, a consistência e
a precisão com as quais ele opera realmente impressionam, e é difícil de resistir a
seu forte caráter gráfico. Porém, para os analistas experientes, a filosofia do SIG é
bem diferente. Com a experiência, o SIG torna-se simplesmente uma extensão do
pensamento analítico da pessoa. Ele é uma ferramenta, tal como é a estatística. Ele
é uma ferramenta para o pensamento.

 As vantagens mais comuns da utilização do SIG são que os dados, uma
vez inseridos no sistema, são manipulados com rapidez; além disso, o sistema
permite análises dos dados de forma mais eficiente, utilizando ferramentas
matemáticas e estatísticas sofisticadas e também com menor subjetividade do que
se fossem realizadas de forma manual; o SIG também possibilita processos de
tomada de decisão, facilita a atualização dos dados e produz mapas com rapidez.

De uma forma simplificada, podemos ver assim a sua utilização: as fontes


de dados são interpretações da realidade, uma vez que estas foram obtidas do
mundo real. No SIG ocorrem os processos de entrada de dados, gerenciamento
de dados, armazenamento e análise de dados, que substituem os métodos
tradicionais de tratamento de dados geográficos. A partir daí são geradas
informações, que em sua forma mais usual são produtos cartográficos (cartas,
gráficos e tabelas) que auxiliam ou dão subsídio aos usuários para uma tomada
de decisão. Com o consenso na decisão escolhida, ela é então colocada em ação,
agindo sobre o mundo real e eventualmente modificando-o, necessitando, então,
de novas aquisições de dados de uma realidade diferente. E assim por diante.

O SIG é uma ferramenta computacional poderosa e é, portanto,


imprescindível o planejamento, desde a sua implantação até a sua utilização, a fim
de atingir os objetivos desejados e explorar tudo o que ele pode proporcionar.
O êxito de sua utilização depende exclusivamente da forma como o usuário o
utiliza.

Pode-se afirmar que existem quatro razões para se usar um SIG:

1) os dados armazenados digitalmente estão em uma forma mais compacta do que


se eles estivessem em mapas de papel ou em pilhas nas mesas. Normalmente,
os dados são armazenados em um ou mais arquivos de um disco rígido fixo,
fitas streamer, discos rígidos removíveis, discos ópticos fixos ou discos ópticos
removíveis; 

2) grande quantidade de dados pode ser mantida e recuperada com grande


velocidade e a um custo menor por unidade de dado, quando são utilizados
sistemas computacionais; 

182
TÓPICO 3 | SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA (SIG)

3) a habilidade de gerenciar os dados espaciais e seus correspondentes dados


de atributo e de integrar diferentes tipos de dados de atributos em uma única
análise, à alta velocidade, são incomparáveis com os métodos manuais; e 

4) a habilidade de rapidamente realizar análises espaciais complexas fornece


vantagem tanto quantitativa quanto qualitativa. Cenários de planejamento,
detecção e análise de mudança e outros tipos de planos podem ser desenvolvidos
por refinamentos de análises sucessivas. Este processo interativo somente se
torna prático com um SIG, pois cada processamento computacional pode ser
feito rapidamente e a um custo relativamente baixo.

Componentes de um SIG

Embora se pense no SIG como um “elemento único” de software, ele


possui de fato, como característica, a composição de uma variedade de diferentes
componentes. Nem todos os SIGs apresentam todos esses elementos, porém os
elementos básicos deverão estar presentes para que seja considerado um SIG.

O sistema central do SIG é o banco de dados, que é uma coleção de mapas e


informações associadas no formato digital. Ao redor do banco de dados encontra-
se uma série de componentes de softwares.

O sistema de exibição ou visualização cartográfica permite selecionar


os elementos do banco de dados e produzir um mapa na tela/monitor do
computador ou a saída para uma impressora ou plotter. O sistema de digitalização
de mapas permite a entrada de dados de mapas em papel e transformação dessas
informações no formato digital.

O termo Sistema de Gerenciamento de Banco de Dados (SGBD),


normalmente, faz referência a um tipo de software que é utilizado para a entrada,
gerenciamento e análise de dados de atributo. Um SIG, entretanto, incorpora,
além disso, uma variedade de opções para o gerenciamento de componentes
espaciais e de atributos de dados geográficos armazenados.

O sistema de análise geográfica proporciona a análise de dados ou


atributos baseada em suas características espaciais.

O sistema de processamento de imagem permite a análise de imagens de


sensoriamento remoto e fornece análises estatísticas especializadas.

O sistema de análise estatística apresenta uma série de rotinas para a


descrição estatística de dados espaciais.

O sistema de suporte à decisão é uma das mais importantes funções de


um SIG e possibilita utilizar ferramentas matemáticas e estatísticas especialmente
desenvolvidas para este fim.

FONTE: HAMADA, Emília. Sistema de informação geográfica. Disponível em: <http://www.agencia.


cnptia.embrapa.br/gestor/agricultura_e_meio_ambiente/arvore/CONTAG01_66_410200710544.
html>. Acesso em: 7 out. 2012.

183
RESUMO DO TÓPICO 3

Neste tópico, você aprendeu que:

• O desenvolvimento do Sistema de Informação Geográfica evoluiu com a forma


de fazer mapas.

• O SIG consiste num sistema de informação espacial, que utiliza hardware


e software especialmente desenvolvidos para este objetivo, que permitem
e facilitam a análise, gestão ou representação do espaço geográfico e dos
fenômenos que nele ocorrem.

• O SIG pode funcionar como uma base de dados alfanuméricos, com informação
geográfica que se encontra relacionada por um identificador comum aos objetos
gráficos de um mapa digital.

• Os SIGs são ferramentas que possibilitam armazenar, manipular e analisar,


conjuntamente, um grande volume de dados espaciais e não espaciais,
facilitando a vida de planejadores de vários ramos de atividades.

184
AUTOATIVIDADE

Prezado(a) acadêmico(a), depois de estudar este tópico, desenvolva a


seguinte atividade:

Voltamos a salientar a importância de você adquirir um atlas


geográfico, pois todo professor de Geografia deve ter seu atlas pessoal.

1 Utilizando o atlas, analise vários mapas temáticos e tente descobrir a forma


com que cada informação ali colocada foi adquirida. Por exemplo, mapa
rodoviário, comercial, vegetação, climático, populacional e muitos outros
temas. Os dados mostrados nos mapas foram obtidos por fotografias
aéreas, levantamento topográfico, pesquisa de campo, outras. Quais? Faça
sua lista e depois debata com seus colegas, compare suas listas, faça ajustes.
Tenho certeza de que você, aos poucos, desenvolverá o senso de observação
e análise, conseguindo chegar, por conta própria ou com a ajuda de colegas,
muito próximo da realidade, ou seja, dos meios obtidos para adquirir e
juntar as informações existentes nos mapas.

2 Cite quatro aplicabilidades para o Sistema de Informação Geográfica (SIG).

3 Quais são as especificidades que um SIG deve possuir que o diferenciam


dos demais softwares?

4 Quais são os quatro componentes básicos dos SIGs?

185
186
UNIDADE 3
TÓPICO 4

O USO DAS TECNOLOGIAS NO ENSINO E APRENDIZAGEM


DA CARTOGRAFIA E GEOGRAFIA

1 INTRODUÇÃO
Atualmente a tecnologia está presente em todos os lugares e vem
adquirindo cada vez mais relevância na educação e nos meios sociais, contribuindo
de forma significativa com o processo de ensino e aprendizagem, bem como para
a inserção social. As novas mídias e tecnologias de informação e comunicação
podem ser consideradas como uma potente ferramenta pedagógica. Muitas vezes,
no entanto, esses recursos pedagógicos são usados de forma equivocada, pois não
se trata de ensinar a usar o computador ou uma máquina, mas, sim, desenvolver
o conteúdo de disciplinas curriculares por intermédio das tecnologias.

Apesar do avanço tecnológico, o professor é insubstituível, pois diante


de tantas contribuições e informações é preciso que haja alguém que auxilie
o aluno a analisar criticamente o que está sendo usado, verificando o que é
válido, o que deve ser utilizado e o que pode ser descartado. Então, o professor
passa a ser o mediador do conhecimento. Portanto, sente-se a necessidade de
promover formações para capacitar profissionais na utilização da informática
educativa e formações continuadas para que professores possam se apropriar
dessa tecnologia e introduzi-la na sala de aula, usando-a como uma ferramenta
educativa facilitadora do processo de ensino e aprendizagem.

O uso das tecnologias no pedagógico possibilita um processo de ensino e


aprendizagem mais criativo, autônomo, colaborativo e interativo. No entanto, o
professor, em determinados momentos, tem uma postura apreensiva, resistente
em utilizar esses recursos. Muitas são as razões pelas quais educadores incorporam
tal atitude, entre as quais a falta de conhecimento de como utilizar adequadamente
as tecnologias, ou não sabem como avaliar as novas formas de aprendizagem
provenientes desse uso, por medo, por falta de apoio ou recursos da escola para o
uso de inovações em sala de aula e, outras vezes, por resistência própria.

Porém, devido ao grande potencial educativo desta ferramenta, as escolas


introduziram a informática de forma pedagógica, no intuito de promover o
contato com o computador. Os professores do ensino de Geografia podem
utilizar essa ferramenta como instrumento de apoio à Geografia e aos conteúdos
programáticos curriculares, além de fonte de pesquisa para atualizar informações
e bancos de dados.

187
UNIDADE 3 | AS NOVAS TECNOLOGIAS CARTOGRÁFICAS

A educação não se reduz à técnica, mas não se faz educação sem


ela. Utilizar computadores na educação, em lugar de reduzir, pode
expandir a capacidade crítica e criativa de nossos meninos e meninas.
Depende de quem o usa, a favor de quem e para quê. O homem
concreto deve se instrumentar com os recursos da ciência e da
tecnologia para melhor lutar pela causa de sua humanização e de sua
libertação. (FREIRE,1980, p. 22).

Partindo deste pressuposto, neste tópico iniciaremos uma discussão acerca


do uso das tecnologias no ensino e aprendizagem da Geografia, que se insere no
contexto escolar onde há maior disseminação do conhecimento, permitindo ao
aluno ancorar ideias.

2 GEOTECNOLOGIAS NO ENSINO DA CARTOGRAFIA


ESCOLAR E GEOGRAFIA
Tecnologia pode ser definida como um conjunto de objetos, materiais
e processos, utilizado a partir de conhecimentos humanos, com o objetivo de
facilitar a vida diária, ou seja, encontrar a solução dos problemas. Por volta
do ano de 1818, uma tecnologia para os tempos atuais revolucionou os meios
de transporte, quando surgiu o que ficou conhecido como a bicicleta. Todas as
tecnologias que conhecemos abrangem os mais diversos setores da sociedade e
fazem com que a dinâmica dê continuidade ao seu ciclo e evolução.

Na descrição de Chaves e Bruce (1999), as tecnologias que expandem


a capacidade de comunicação humana existem há muitos séculos. As mais
importantes, porém, surgidas antes do século XIX, envolvem a fala tipicamente
humana, ou seja, a conceitual, a escrita alfabética e a imprensa.

Nos últimos cem anos surgiram diversas tecnologias de comunicação,


como: o correio, o telefone, a fotografia, o rádio, a televisão, o vídeo, o DVD, o
CD, pendrive e a internet. Atualmente, podemos considerar que entramos numa
nova onda tecnológica, que é a “era da informação” ou a “era do conhecimento”,
com o advento da informática.

A prática pedagógica de nossos professores aos poucos vem se adaptando


às necessidades do meio informatizado, pois a tecnologia é um meio de auxiliar
no processo educacional, tomando muito cuidado para não haver distorções
de informações. No ensino da Geografia não é diferente, pois a tecnologia da
informação audiovisual poderá enriquecer as aulas, onde o professor deixará de
ser mero transmissor de informações, passando a ser mediador da aprendizagem
e do conhecimento.

Atualmente existem programas educativos direcionados à Geografia,


como enciclopédias, atlas, softwares, que oferecem informações sobre a formação
da Terra, além de imagens sobre clima, urbanização, vazios demográficos,
hidrografia, relevo, áreas devastadas pelo homem, sem contar a imensa

188
TÓPICO 4 | O USO DAS TECNOLOGIAS NO ENSINO E APRENDIZAGEM DA CARTOGRAFIA E GEOGRAFIA

quantidade de informações contidas na internet que interferem diretamente na


vida das pessoas, disponibilizando uma grande variação de conteúdos. É possível
identificar características naturais e humanas de qualquer ponto da Terra, além de
interpretar mapas, analisar imagens de satélites, imagens de áreas desmatadas,
focos de incêndios, entre outros.

Várias são as atividades práticas que podem ser ministradas na sala de


informática ou mesmo em sala de aula, sobre orientação espacial, com um simples
globo terrestre interativo ou um mapa da superfície terrestre. Programar uma
aula em que os alunos compreendam temas como localização, direção, paralelos,
meridianos, latitudes, longitudes e fuso horário fornece informações de uma malha
de coordenadas que amarra a superfície representada com a superfície da Terra
e envolve projeção e escala. Atividades que levem o aluno a questionamentos,
discussão e levantamento de dúvidas concernentes aos conteúdos direcionados
ao movimento da Terra, fusos horários, estações do ano, posição geográfica, entre
outros assuntos, para dar início ao estudo dos Pontos de Orientação.

O aluno, ao ter conhecimento do movimento que a Terra faz e a direção


em que faz os movimentos, torna-se um referencial de localização para o mesmo:
Leste-Oeste-Norte-Sul e os polos: Norte e Sul. O uso do globo terrestre possibilita
ao aluno pensar e relacionar os movimentos da Terra com os fusos horários e
perceber o significado das coordenadas geográficas, ou seja, sua função no mapa.

É neste momento que a cartografia se faz presente, quando surge a


necessidade de se trabalhar os conceitos da Geografia atrelados à cartografia. Em
muitos livros você encontrará capítulos que iniciam a alfabetização cartográfica,
como, por exemplo: vamos mapear a sua sala de aula e sua escola, construindo a
planta da sala de aula, orientando-se no espaço geográfico utilizando a bússola,
reduzindo e ampliando objetos para desvendar a escala, as imagens aéreas e
orbitais, tipos de mapas, confecção de maquetes, jogos lúdicos etc.

NOTA

Se você quiser obter mais informações sobre este conteúdo ou complementar


seus estudos, acesse: <http://www.projetopresente.com.br/colecao/geografia.html/>.

Para o ensino de Geografia a informática tem sido aplicada com grande


sucesso nas geotecnologias, permitindo a geração de inúmeras relações espaciais
de informações geográficas, popularizando a linguagem cartográfica, tais como o
Google Maps ou o próprio Google. Ensinar Geografia é sempre fascinante, ainda
mais na atualidade, em que temos uma quantidade e variedade de imagens,
figuras, mapas, filmes, entre outros, à disposição para estudar o espaço geográfico.

189
UNIDADE 3 | AS NOVAS TECNOLOGIAS CARTOGRÁFICAS

Existem programas disponíveis na internet on-line e para baixar, que


possuem várias temáticas geográficas com imagens cartográficas, como: o Google
Earth, GeoQuiz e Seterra; de climatologia, como o infográfico de formação dos
furacões da BBC de Londres; de astronomia, como dos Eclipses da Nova Escola o
Nosso Universo do CD-ROM do IBGE; Biogeografia, como o Hots Pot e os Atlas da
Mata Atlântica; Geografia política e econômica, tendo como exemplo o infográfico
da formação da União Europeia; atlas escolar e digital, entre outros temas, que em
um simples clique e tempo disponível para pesquisa, você visualizará materiais
riquíssimos para agregar em suas aulas.

Sugerimos também uma lista de sites confiáveis que poderão ser utilizados
no desenvolvimento de atividades relacionadas à Geografia para desenvolver
atividades de Cartografia.

QUADRO 3 – SITES INTERESSANTES PARA O ENSINO DA GEOGRAFIA

http://www.sogeografia.com.br/ Temas ligados à Geografia


http://www.sogeografia.com.br/jogos Jogos educativos
http://www.cambito.com.br/jogos Jogos educativos
http://www.ibge.gov.br/home Pesquisas socioeconômicas
http://www.infopedagogica.com.br/ Temas variados
http://maps.google.com.br/ Localização
http://www.colegioweb.com.br/geografia-infantil Temas ligados à Geografia
http://www.ced.ufsc.br/links/geografia.html Temas ligados à Geografia
http://www.wdl.org/pt/ Biblioteca Digital Virtual
http://www.brasilchannel.com.br Temas ligados à Geografia
http://zenite.nu/ Atividades de astronomia
http://www.ibge.gov.br/7a12/brincadeiras/default.php Atividades de Geografia
http://www.ibge.gov.br/paisesat/main.php Localização de países
http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/frameset.html Temas ligados à Geografia
FONTE: Muller (2011, p. 177)

DICAS

Acesse o site do PROJETO EDUCASERE


<http://www.inpe.br/unidades/cep/atividadescep/educasere/>.
Nele você terá várias informações complementares do uso do sensoriamento remoto
aplicado à educação e com imagens de satélite como recurso didático.

190
TÓPICO 4 | O USO DAS TECNOLOGIAS NO ENSINO E APRENDIZAGEM DA CARTOGRAFIA E GEOGRAFIA

UNI

Caro(a) acadêmico(a), não se esqueça de acessar o AVA com seu login e senha
e pesquisar na Trilha de Aprendizagem da disciplina de Cartografia. Você encontrará mais
informações que irão aprimorar o seu conhecimento.

LEITURA COMPLEMENTAR

CARTOGRAFIA DO ENSINO FUNDAMENTAL

Cíntia Bastos Santos


Saionara S. Ferreira
Universidade de Salvador

Esse artigo tem como objetivo abordar a cartografia no Ensino


Fundamental, tendo como alvo a 5ª série, partindo das nossas vivências no
estágio em uma escola pública. A escolha desse tema se deve à importância do
estudo do espaço geográfico como locus das interações sociais, assim, sendo
fundamental compreender os princípios locacionais para que possamos agir de
forma consciente, a partir dos conhecimentos de escala, legendas, mapas e outros
instrumentos.

A percepção dos componentes da paisagem local e de outras paisagens


pode se ampliar na medida em que o aluno aprende a observar de forma intencional
e orientada. Assim, a atividade cartográfica nasceu como manifestação de uma
utilidade imediata e sobre a pressão de necessidades, tais como a de saber onde
estamos e que relações espaciais podemos estabelecer.

Desta forma, a necessidade da orientação espacial promove o trabalho da


cartografia, desde as séries iniciais, quando o alunado começa a distinguir entre
o espaço vivido, o espaço percebido e o espaço concebido.

A cartografia representa um recurso fundamental para o ensino e a


pesquisa de geografia, pois possibilita a representação dos diferentes recortes
do espaço e na escala que convém para o ensino. Sendo assim, a cartografia
se fundamenta na leitura e representação do espaço, permitindo, pois, a
visualização maior desse espaço, onde o aluno entenderá como está inserido
neste espaço, que pode ser local, regional e global. Através de mapas e outros
recursos, saberá distinguir os mais diferentes e distantes locais, possibilitando
uma visão mais crítica da realidade à qual pertence, configurando “a

191
UNIDADE 3 | AS NOVAS TECNOLOGIAS CARTOGRÁFICAS

importância do aprendizado no contexto sociocultural da sociedade moderna,


como instrumento necessário à vida das pessoas, pois esta exige certo domínio
de conceitos e de referências espaciais para deslocamento e ambientação; e
mais do que isso, para que as pessoas tenham uma visão consciente e crítica
do seu espaço social” (ALMEIDA, 2001, p. 10), pois, de acordo com os PCN –
Geografia, 1999, o aprendizado por meio de diferentes formas de representação
e escalas cartográficas deverá estar contemplado nesse momento em que se
inicia o aluno nos estudos geográficos, como também ensinar a realizar estudos
analíticos de fenômenos em separado mediante os mapas temáticos, tais como:
clima, vegetação, solo, cultivos agrícolas etc.

Os mapas, segundo Passini (1994, p. 85), “[...] são a representação simbólica


de um espaço real”. Já para Joly (1990, p. 24), “[...] mapa é uma representação
geométrica plana, simplificada e convencional de toda ou parte da superfície
terrestre”. Na educação cartográfica é importante lembrar que não é através de
cópias de mapas que o aluno aprende a fazer uso desse recurso, mas através da
produção dos referidos. Para isso, “na ação de mapear, o objeto a ser mapeado
deve ser o espaço conhecido do aluno, o espaço cotidiano, onde seus elementos
(casa, escola, padaria, rua etc.) lhe são familiares”.

Inicialmente, ocorre na criança uma evolução no que se refere à noção


de espaço. Primeiro é o esqueleto corporal, resultado da relação entre o espaço
postural e o espaço ambiente, e o segundo é a lateralidade. Segundo Almeida
(2001, p. 12), “[...] o meio ambiente é lateralizado a partir dos vetores do
esquema corporal: frente-atrás, direita-esquerda, acima-embaixo”. O princípio
da lateralização leva ao conhecimento, primeiro no próprio corpo e depois o do
próximo.

Posteriormente, “o espaço é apreendido pela criança através de


brincadeiras ou de outras formas de percorrê-lo, delimitá-lo ou organizá-lo
segundo seus interesses” (ALMEIDA; PASSINI, 2001, p. 54). De acordo com os
autores, as primeiras relações espaciais que a criança estabelece são as chamadas
relações espaciais topológicas elementares”, que são construídas na seguinte
ordem: A) vizinhança, correspondente ao nível onde as figuras (elementos) são
percebidos – o que está ao lado; B) separação, corresponde a fronteiras e limites;
C) ordem, antes? depois?; D) envolvimento, o espaço que está em torno de; E)
continuidade, recorte do espaço ao qual a área em questão corresponde.

Enquanto nas relações topológicas o referencial para localização é o


próprio corpo da criança, nas relações projetivas e euclidianas a localização dos
objetos ocupa posições uns relacionados aos outros. Segundo Almeida (2001, p.
45), “[...] a principal diferença entre as relações topológicas e euclidianas está na
maneira de coordenar as figuras entre si. O espaço topológico é interior a cada
figura, não há um espaço total que inclua todas elas”. Cada espaço é considerado
em si, sem haver a organização dos objetos em uma só estrutura.

192
TÓPICO 4 | O USO DAS TECNOLOGIAS NO ENSINO E APRENDIZAGEM DA CARTOGRAFIA E GEOGRAFIA

Quando as operações mentais da criança passam a ser descentração espacial


e orientação de corpo tendo eles mais cuidado com as perspectivas, as medidas e as
distâncias, o aluno desenvolve a percepção do espaço projetivo e euclidiano. Aqui
as estruturas são situadas por meio de projeções euclidianas. Aqui as estruturas
são mais complexas, os objetos são situados por meio de projeções e coordenadas
geográficas e escala, construindo noções de proporcionalidade, horizontalidade
e verticalidade, podendo assim ler mapas projetivos e euclidianos. Sendo assim,
os conhecimentos cartográficos, a localização e a orientação, quando bem
orientada pelo educador, permitirão ao aluno atingir, ou seja, alcançar uma nova
organização e configuração do espaço, desde que identifique as diferenças entre
os espaços representados através dos mapas, plantas, croquis etc.

Para exemplificar as ideias acima, aplicamos numa escola pública em Feira


de Santana dinâmicas com o objetivo de desenvolver a capacidade do educando
no que se refere à direção, sentido, lateralidade, ou seja, buscamos trabalhar o
sentido de rumo, pontos cardeais, colaterais, escala etc., como prerrequisitos à
introdução de estudo de mapas.

Desta forma, procuramos relacionar o estudo da cartografia com a


realidade cotidiana dos alunos, para que esses pudessem perceber que a Geografia
está inserida no seu dia a dia, desde as coisas mais simples às mais complexas.

Este artigo objetivou mostrar algumas formas de abordar a cartografia


em sala de aula e de propiciar a iniciação de sua leitura de forma mais eficaz
e prazerosa. A proposta de alfabetização cartográfica visa desenvolver com os
alunos a construção de estruturas que ofereçam as condições necessárias ao uso
cotidiano e não somente escolar, pois a cartografia é uma das formas de se entender
o mundo. Como a Geografia é a ciência que se preocupa com a espacialização dos
fenômenos de forma mais categórica, sem dúvida o mapa como instrumento é
muito requisitado nas aulas, devendo o seu uso ser estimulado.

Diante das bruscas transformações que o mundo do trabalho hoje


enfrenta, dada a rapidez da evolução tecnológica, torna-se necessária uma nova
postura pedagógica, tanto de profissionais que produzem o material geográfico
e cartográfico, quanto dos que vão adotá-lo. O sistema educacional requer
mudanças metodológicas e pedagógicas para que, a partir do reconhecimento da
importância da cartografia, possa construir os conceitos capazes de emancipar o
cidadão no seu “espaço”.

FONTE: Disponível em: <http://www.cereja.org.br/arquivos_upload/cartografia_cintiasantos_


saionaraferreira.pdf>. Acesso em: 16 out. 2012.

193
RESUMO DO TÓPICO 4

Neste tópico, você aprendeu que:

• A função que o educador deverá exercer perante todos os recursos tecnológicos


disponíveis.

• Sugestões de links, aplicativos educativos e atividades a serem realizadas


cartograficamente como estímulo didático ao aprendizado.

• O uso das tecnologias pode ser uma excelente maneira de proporcionar um


ensino diferenciado e atraente.

• Trabalhar a orientação espacial é fundamental no processo de desenvolvimento


da alfabetização cartográfica, desde os anos iniciais do Ensino Fundamental,
dando continuidade nos demais níveis de ensino.

• Mudança de postura do professor em relação às possibilidades de melhoria na


qualidade de ensino da Geografia.

CHAMADA

Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem


pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.

194
AUTOATIVIDADE

1 A partir da Leitura Complementar anterior, que reflexões você faz em


relação ao uso da Cartografia desde os Anos Iniciais do Ensino Fundamental
ao Ensino Médio? Reflita sobre isso e registre aqui suas ideias em seguida.

2 Pesquise dois sites pedagógicos confiáveis que poderão ser utilizados no


desenvolvimento de atividades relacionadas à Cartografia na Geografia
e destaque dois temas abordados que são relacionados aos conteúdos
determinados pelos PCN de Geografia para o 6º ao 9º ano e Ensino Médio.

195
196
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini de. Tecnologia na escola, 2001.
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Acesso em: 16 out. 2012.

201
APÊNDICE A

CADERNETA DE CAMPO DO PROFESSOR DE GEOGRAFIA -


UNIASSELVI

Equipe responsável pela elaboração e revisão:

Coordenador do Curso de Licenciatura em Geografia: Arildo João de Souza

Supervisora de Disciplina do Curso de Licenciatura em Geografia:


Catarina Cristina Bárbara de Siqueira Meurer

Professores -Tutores Internos do Curso de Licenciatura em Geografia:


Débora Mabel Cristiano, Elizangela Lenzi, Wanderlei Machado dos Santos

202
APÊNDICE A

CADERNETA DE CAMPO DO PROFESSOR DE GEOGRAFIA -


UNIASSELVI

Olá, acadêmico(a) de Geografia da UNIASSELVI, seja bem-vindo(a) à


nossa atividade de campo. A produção do conhecimento exige a superação das
fronteiras das salas de aula, processo que pode ser alcançado por meio da pesquisa
científica relacionando a teoria e a prática por meio da realização de trabalho de
campo. Atualmente, é imprescindível que a educação possibilite a compreensão
dos fundamentos da ciência e o desenvolvimento de uma postura científica crítica
e criativa do saber já elaborado. É inerente ao processo de vivência acadêmica ter
uma atitude constante de busca pela sua formação e atuação por meio da prática
de trabalho de campo.

Pensando no objeto de estudo da Geografia – o espaço –, elaboramos, de


forma muito especial, um roteiro a ser seguido nas observações dos trabalhos de
campo do nosso curso de Geografia. Este roteiro poderá ser seguido e adaptado
para suas futuras aulas de campo, pois em pouco tempo você terá que conduzir
sua própria turma.

Selada como uma disciplina conceitual, em campo pode-se observar


e relacionar de forma sistêmica as interações físicas, socioculturais e históricas
no espaço em que vivemos, sintetizando o conteúdo ensinado em sala de aula,
partindo da percepção do observador em contato direto com o objeto de estudo
da Geografia. A atividade de percepção, análise e descrição dos fenômenos
geográficos é realizada tendo em vista a espacialidade.

São objetivos da prática de campo da disciplina:

l estimular o(a) acadêmico(a) para a prática de ensino, de acordo com os


diferentes níveis de conhecimentos, bem como a relação entre o conhecimento
geográfico e a estrutura da matéria apresentada no curso;

l aprimorar o(a) acadêmico(a) desde os anos iniciais do curso por meio de


atividades científicas e planejamento de trabalhos práticos investigativos;

l desenvolver habilidades como: observação, descrição, comparação, análise,


síntese, reflexão e registro.

Pautado na realidade, nas necessidades e especificidades de cada


localidade, cabe ao Professor-Tutor adaptar essa sugestão de guia de campo. O
primeiro passo é elaborar algumas reflexões a respeito do(s) objetivo(s) da sua
atividade de campo. 1. Qual o conteúdo abordado que vamos relacionar com o
trabalho de campo? 2. O que vamos observar em campo? 3. Qual a localidade

203
mais segura e adequada para a realização deste trabalho? As respostas para essas
questões são cruciais, pois refletirão o objetivo do trabalho in loco, sem dispensar
a segurança dos acadêmicos.

Além de coragem e determinação, algumas dicas são fundamentais para


um bom andamento desta atividade. A seguir apresentamos os dez mandamentos
do trabalho de campo de um bom geógrafo:

1 - protetor solar e repelente;


2 - mantenha-se sempre hidratado, não esqueça o seu cantil;
3 - boné;
4 - roupas claras, confortáveis e leves; assim, se você se perder em campo, será
mais fácil ser localizado(a) trajando roupas claras;
5 - blusa e calça compridas, para proteção contra insetos e plantas espinhentas;
6 - bússola, GPS, máquina fotográfica e binóculo;
7 - nunca utilizar perfume, pois atrai insetos;
8 - nunca ir a campo sozinho(a);
9 - deixe sempre alguém avisado para onde você está indo e a hora que deverá
voltar;
10 - um telefone celular carregado é algo fundamental para esta atividade, caso
ocorra alguma eventualidade.

Algumas sugestões de lugares que podem ser visitados para atividade de


campo: pátio da Universidade (Polo); um açude; barragem; área de processo de
reflorestamento; centros de reciclagem; Estação de Tratamento de Água (ETA) e
Esgoto (ETE); centros de controle de qualidade do ar; cooperativa agrícola; estação
meteorológica; unidades de conservação; observatório astronômico; fazenda:
pecuarista e agrícola; museu tecnológico, científico, arqueológico, histórico,
filosófico, artístico, geológico, do mar etc.; indústrias: siderúrgica, metalúrgica,
alimentícia, têxtil, química, de celulose etc.; usina de compostagem; grutas e
cavernas; minas ou jazidas de extração de minérios ou areia; refinaria de petróleo;
jardim botânico, horto florestal e horta hidropônica; salinas; dunas, restingas,
recifes de corais, mangues; hidrelétricas; cataratas; aldeias e quilombolas;
comunidades (favelas, subúrbios, áreas nobres etc.); bibliotecas públicas e
universitárias; laboratórios de tecnologias e biotecnologias; rede de comunicação:
rádio e TV; laboratório de Cartografia, Geologia, Química, Física, Biologia etc.;
zoológico; nascente ou bacia hidrográfica; cidade ou local histórico e turístico;
Assembleia Legislativa, Palácio do Governo e Prefeitura; bolsa de valores (fluxo
de capitais); visita à EPAGRI/Pedologia: solos; estação ferroviária, aeroporto,
porto, metrô; marmoraria ou estabelecimento comercial: observação das rochas;
sítio arqueológico (sambaquis); patrimônio histórico e cultural; participação em
feiras: de ciências, multidisciplinar com pesquisas; entrevistas em empresas, na
comunidade etc.; participação nas Olimpíadas Brasileiras de Astronomia (OBA);
visita ao IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), projetos ambientais
em Comitês de Bacias, Agências de Água, Companhias de Água; intercâmbio de
informações entre turmas do mesmo semestre do curso; participar de palestras,
simpósios, seminários e congressos, entre outros.

204
Este roteiro de saída de campo poderá ser adaptado à sua cidade ou
região, de acordo com as suas necessidades.

Data
Latitude

___/___/______ Longitude
Município
Estado
Saída ___/___h
Retorno ___/___h

Através de mapa, imagens do Google ou GPS, retirar a coordenada do


Polo.

Mapa Conceitual

(Professor-Tutor, solicite aos alunos que façam um mapa conceitual da


saída de campo, destacando os pontos que mais lhes chamaram a atenção.)

O desenvolvimento do mapa conceitual facilita ao geógrafo se localizar,


aguçando seu senso de direção.

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_______________________________________________________________________
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205
Fazer uma descrição da paisagem, destacando impactos e potencialidades da
1
sua área de trabalho de campo.
Identificar o perfil socioeconômico desta cidade.
2 (Verificar IDH da sua cidade...), comparando-o com o IDH de seu estado e com
o IDH do Brasil).
3 Verificar através das Cartas Geológicas a geologia local.
Identificar o clima da região quanto à distribuição das chuvas, períodos secos e
4
chuvosos...
Identificar a principal atividade econômica da região (professor-tutor, pesquise
5
entre os acadêmicos as atividades em que trabalham).
6 Caracterizar a vegetação predominante.
Evidenciar a bacia hidrográfica pertencente ao rio mais próximo do trabalho de
7 campo, caracterizando o rio principal e seus afluentes quanto à conservação da
mata ciliar (APP)*.
Identificar pontos de emissões de efluentes em cursos d´água, caracterizando
8
como: doméstico, comercial e/ou industrial.
Descrever as formas de relevo quanto a: planaltos, planícies, depressões e
9
montanhas.
Verificar se nas encostas próximas ocorre: desmatamento, deslizamentos ou
10
voçorocas.
Caracterizar a ocorrência de poluição visual (outdoors...), do ar (proveniente de
11
indústrias, tráfego...) e sonora (ruídos emitidos por carros...), caso ocorram.
Transcrever a presença de edificações tombadas pelo Patrimônio Histórico e
12
Cultural da cidade.
Transcrever a modificação do Plano Diretor da cidade**. (Se a cidade/
13 município consegue cumprir suas funções, como: moradia, saneamento básico,
infraestrutura urbana como transporte, lazer, serviços públicos...)
Verificar com moradores antigos a ocorrência de enchentes/secas/queimadas e
14
coletar informações a respeito de eventos naturais extremos na região.
Caracterizar problemas ambientais e sociais, como bairros violentos, favelização,
15
setor industrial, a forma de ocupação espacial, de bens de serviço...
16 Caracterizar o relevo da região.
17 Verificar o tipo de solo.
Identificar os equipamentos urbanos (creches, postos de saúde, praças públicas
18
etc.).
19 Caracterizar a fauna local.
20 Descrever as Cartas Topográficas e Geológicas que englobam a localidade.
21 Verificar a ocorrência de erosão fluvial.
22 Descrever a forma do fundo de vale (côncavo, convexo...).
23 Verificar a ocorrência de assoreamento nos cursos d´água.

206
Verificar ocorrência de erosão nos patrimônios histórico-culturais causada pela
24
chuva ácida.
25 Observar se há ocorrência de vazios urbanos.
26 Como ocorrem os fluxos e fixos da cidade?
27 Observar a existência de divisão entre uma cidade e outra, caracterizar.
Observar e transcrever as relações pessoais nos espaços públicos, como em
28
feiras, praças e jardins.
29 Observar na bacia hidrográfica a ocorrência de retirada e/ou depósito de aterro.
30 Identificar a matriz da sua escala de trabalho (elemento predominante).
31 Propor alternativas que minimizem os impactos ambientais da área de estudo.

* A geologia da localidade do campo pode ser adquirida através das Cartas Geológicas do CPRM.
** O Plano Diretor das cidades está disponível nas prefeituras, e algumas o disponibilizam também
através de seus sites. Esta informação deverá ser consultada previamente.

Observações:

1 Não esqueça, nossa disciplina trabalha todo o tempo com escala, esta você
poderá definir a partir da paisagem observada (bairro, município, região,
estado etc.).

2 O Professor-Tutor deverá adequar as atividades de campo com as necessidades


de seus acadêmicos. Por exemplo: como o deficiente visual desenvolve muito
bem a audição, este deverá se ater aos sons da localidade, como o canto dos
pássaros, os ruídos emitidos pela cidade, a percepção quanto à temperatura,
qualidade do ar etc. Torna-se de suma importância desenvolver todos os
sentidos (olfato, tato, visão, gustação, audição), assim como a percepção do
vento (quente ou frio da cidade ou do campo), o tato (em tocar na vegetação e
perceber sua textura, viscosidade etc.), escutar o ruído emitido pela cidade e o
vento nas árvores e o frescor do campo etc.

3 Algumas informações a respeito de solo, vegetação, relevo, Plano Diretor,


entre outras, deverão ser obtidas anteriormente, assim como se deve recorrer a
material histórico da localidade para os fatos históricos.

ATIVIDADE A SER DESENVOLVIDA PELO(A) ACADÊMICO(A)

l Registro escrito individual da percepção do trabalho de campo.


l Histórico com registro fotográfico. Sempre que possível, pelo menos um
acadêmico, ou então o tutor, disponibiliza as fotografias tiradas em campo
para os demais; assim, com o tempo poderão fazer uma comparação do espaço
físico no decorrer do tempo (histórico) da sua região (início e final de curso).
l Edição de vídeos, áudios ou documentários.
l Experimentos científicos.

207
ATIVIDADE DE PERCEPÇÃO AMBIENTAL

• Perceber a presença de animais por perto. Quais animais? Que sinais indicam?
• Identificar presença de animais do meio urbano e rural.
• Identificar e listar sons produzidos pelo homem no ambiente.
• Identificar e listar sons produzidos pelos animais e plantas no ambiente.
• Identificar se há sinais de presença humana no local. Escrever quais.
• Respirar fundo e sentir o cheiro do ar. Descrever (qualidade do ar).
• Perceber se há presença de líquens.
• Observar e descrever o solo (características).
• Observar as espécies de plantas (quantidades, diferenças, nomes: se conhece
alguma, formato, tamanho, textura, cor etc.).
• Observar se todas as plantas têm acesso à luminosidade do Sol.
• Observar se o solo está seco ou encharcado.
• Sensações táteis do ambiente: tocar nas plantas sem machucá-las.
• Aculturação do espaço:
*observar se o local está degradado;
*observar as relações entre os seres vivos;
*observar se as pessoas responsáveis pelo local têm feito algo para cuidar e
proteger.

SUGESTÕES DE TRABALHO DE CAMPO PARA AS DISCIPLINAS


DO CURSO DE GEOGRAFIA

1. Didática e Metodologia do Ensino da Geografia: elaboração de maquetes,


como, por exemplo: vulcões, perfil do solo, sistema solar, visita a planetário, ao
Departamento de Geologia do estado para observação das rochas ou então ao
próprio laboratório de sedimentologia do Polo.

2. Fundamentos Epistemológicos da Geografia. Campo: visita a museu da


cidade e/ou à biblioteca do município ou do próprio Polo, ressaltando obras
dos autores citados nesta disciplina, relacionando-as com fatos históricos
e econômicos da época (os fatos históricos e econômicos de uma época nos
fornecem subsídios para compreender os “porquês” dos relatos dos autores
quanto à sua percepção), museus etc.

3. Geografia Física: trabalho de campo, ao redor do Polo, em uma praça, em um


rio, departamento de Geologia de faculdades e laboratórios etc.; aplicação da
Caderneta de Campo.

4. Geomorfologia: trabalho de campo, ao redor do Polo, em uma praça, em um


rio, departamento de Geologia de faculdades e laboratórios, etc., aplicação da
Caderneta de Campo.

5. Cartografia: visita ao Planetário, ao Observatório Nacional, ao INPE (Instituto


Nacional de Pesquisas Espaciais), ao laboratório do Polo ou então a laboratórios
de instituições federais ou estaduais, ao IBGE etc.

208
6. Geografia Humana: aplicação da Caderneta de Campo.

7. Domínios Climáticos: trabalho de campo, ao redor do Polo, em uma praça, em


um rio, laboratório de Climatologia de universidades federais ou estaduais etc.

8. Biogeografia: visita a departamento de Ecologia de faculdades e/ou laboratórios


de universidades federais ou estaduais etc.; aplicação da Caderneta de Campo.

9. Geografia dos Continentes: bibliotecas, museus.

10. Geografia Regional: bibliotecas, museus.

11. Geografia do Brasil: bibliotecas, museus.

12. Geografia Econômica: Prefeitura, Bolsa de Valores, indústrias etc.

13. Recursos Naturais, Meio Ambiente e Desenvolvimento: visita a unidades de


conservação, aplicação da Caderneta de Campo.

14. Geografia Cultural e Política: museu, prefeitura, aplicação da Caderneta de


Campo.

15. Geografia Rural e Urbana: aplicação da Caderneta de Campo.

16. Análise e Gestão de Bacias Hidrográficas: aplicação da Caderneta de Campo.

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ANOTAÇÕES

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