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A IDEIA DE PULSÃO

Na teoria de Freud, pulsão designa a representação psíquica de


estímulos originados no organismo e chegam até a mente. É como se
fosse um impulso energético agindo internamente, de modo que conduz e
molda as nossas ações. O comportamento resultante se diferencia do
gerado por decisões, já que este é interno e inconsciente.

Ao contrário do que é popularmente divulgado, a pulsão não designa


necessariamente equivalência ao instinto. Mais ainda na obra freudiana,
onde existem dois termos específicos para trabalhar o seu significado.
Enquanto Instinkt mostra um comportamento animal
hereditário, Trieb trabalha o sentido de pulsão caminhando sobre a
pressão irrefreável.

Na obra de Freud, o trabalho com as pulsões era visto com dualidade,


tanto que se dividia em várias vertentes. Ao longo do tempo a premissa
inicial foi se modificando, gerando uma nova roupagem à teoria. Com isso,
surge o duelo entre a pulsão de vida, Eros e a pulsão de morte, Thanatos.

PULSÃO DE VIDA

A pulsão de vida dentro da Psicanálise fala a respeito da conservação de


unidades e dessa tendência. Basicamente, se trata de preservar a vida e
existência de um organismo vivo. Assim, se cria movimentos e
mecanismos que ajudem a mover alguém em escolhas que priorizem sua
segurança.

A partir daí se alimenta uma ideia de ligamento, de modo que se possa


juntar partes menores para formar unidades maiores. Além de formar
essas estruturas maiores, o trabalho também é fazer a conservação delas.
Para exemplificar, pense em células que encontram condições favoráveis,
se multiplicando e criando um novo corpo.

Em suma, a pulsão de vida almeja estabelecer e manusear formas de


organização que ajudem a proteger a vida. Trata-se de ser constante
positivamente, de modo que um ser vivo se direcione à preservação.

Exemplos de pulsão de vida


Há diversos exemplos corriqueiros que podem estabelecer um conceito
prático da pulsão de vida. A todo o momento, estamos procurando uma
forma de sobreviver, crescer e fazer mais em nossas ações e
pensamentos. isso fica bastante simplificado quando observamos:

Sobrevivência

A princípio, todos nós mantemos uma rotina de nos alimentarmos sempre


que o corpo exigir ou mesmo sem necessidade aparente. O ato de comer
indica o fornecimento de subsistência para que possamos continuar vivos.
É algo instintivo, de modo que o corpo e a mente entrem em declínio caso
não seja atendido.

Multiplicação/ propagação

O ato de produzir, multiplicar e fazer acontecer é um direcionamento


direto para levar a vida. Precisamos fazer crescer em nossa realidade
recursos e atividades importantes para a manutenção geral da
humanidade. São exemplos o ato de trabalhar para ser remunerado, se
exercitar para ter saúde, ensinar para espalhar conhecimento, entre
outros.

Sexo

O sexo se mostra como a união de corpos a fim de se unirem


momentaneamente. Indo mais além, também pode dar a origem para
uma nova vida, multiplicando e dando origem a uma nova existência.
Nisso, além das pessoas envolvidas, o sexo pode dar início a um processo
de criação, perpetuando a vida.

Pulsão de morte

A pulsão de morte indica a redução por completo das atividades de um


ser vivo. É como se a tensão se reduzisse ao ponto de que uma criatura
viva atinja o estado de inanimamento e inorgânico. A meta é fazer o
caminho inverso ao crescimento, nos levando à nossa forma mais
primitiva de existência.

Em seus estudos, Freud abraçou o termo utilizado pela


psicanalista Bárbara Low, o “Princípio de Nirvana“. De forma simples, esse
princípio trabalha a redução exponencial de qualquer excitação presente
em um indivíduo. No budismo, o Nirvana conceitualiza “a extinção do
desejo humano”, de maneira que alcancemos a quietude e felicidade
perfeita.

A pulsão por morte mostra caminhos para que um ser vivo caminhe em
direção ao seu fim sem interferência externa. Dessa maneira, retorna ao
seu estágio inorgânico do seu próprio modo. De forma poeticamente
fúnebre, o que sobra é o desejo de cada um morrer ao seu próprio modo.

Exemplos de pulsão de morte

A pulsão de morte pode ser encontrada em diversos aspectos de nossas


vidas, mesmo naqueles mais simples. Isso porque a destruição em suas
formas faz parte de tudo que é ligado à vida e precisa de um fim. Por
exemplo, vemos isso nos âmbitos destacados a seguir:

Alimentação

A alimentação, obviamente, pode ser vista com um impulso direcionado à


vida, já que faz a nossa manutenção existencial. Contudo, para que isso
ocorra, precisamos destruir o alimento e somente então se alimentar
dele. Existe aí um elemento agressivo, se contrapondo ao primeiro
impulso e tornando-se contraparte dele.

Suicídio

Acabar com a própria vida é um sinal claro de retorno para a não


existência do ser humano. De forma consciente ou não, alguns indivíduos
conseguem contrapor seu impulso de vida e encerrar os seus ciclos. Como
dito linhas acima, cada um escolhe o modo de terminar com sua própria
vida.

A saudade

Relembrar o passado pode ser um exercício doloroso para quem não


abriu mão de algo ou alguém. Sem perceber de início, o indivíduo está se
machucando, procurando inconscientemente uma forma de sofrer. Por
exemplo, uma criança busca a foto da mãe falecida para lembrá-la, mas
vai sofrer com a ausência da mesma.
O meio em que vivemos define a nossa jornada construtiva e destrutiva

Quando se fala em pulsão de vida e pulsão de morte é bastante comum


se deixar de lado o ambiente em que crescemos. Através dele é que
construímos uma identidade pessoal que nos distingue dos demais. Sem
contar que isso também significa a construção da pluralidade cultural, de
modo que encontremos elementos que façam nossa construção.

De acordo com a Psicanálise, é a implicação do inconsciente que acaba por


dividir um indivíduo de sua identidade própria do mundo. Ou seja, nossa
parte interna estipula um limite de onde terminamos e onde o mundo
externo começa. Com isso, se pode levantar o questionamento de qual
força, interna ou externa, iniciou a ação.

Por causa disso que a Psicanálise trabalha a respeito dos sintomas que a
nova realidade trouxe à tona. Graças à ela, por exemplo, podemos
entender melhor os ingredientes da violência nos tempos atuais.
Consequentemente, esse entendimento sobre a pulsão de vida e pulsão
de morte ajudará a compreender o inconsciente e a satisfação pulsional.

Equilíbrio e sobreposição

A pulsão de vida e a pulsão de morte, além de outras, trabalham em


oposição uma com a outra. Quando essas forças destrutivas são
direcionadas para fora, uma das pulsões expeliu agressivamente essa
instância. Nisso, o organismo de alguém pode se manter protegido ou
mesmo liberar comportamentos agressivos para si e aos outros.

No entanto, no momento em que uma posição subjuga a outra, se inicia a


ação, já que não há equilíbrio. Por exemplo, quando o suicídio acontece, a
pulsão de morte acabou por prevalecer sobre a pulsão de vida.

Considerações finais sobre pulsão de vida e pulsão de morte

A pulsão de vida e a pulsão de morte designam movimentam naturais


para o limiar da existência. Enquanto a outra se inclina à preservação, a
outra faz o caminho oposto, de modo a erradicar uma existência. A todo o
momento cada uma dá sinais de assumir o controle, desde ações mais
simples ou eventos determinantes.

O meio em que vivemos colabora diretamente para a expansão de cada


uma dessas instâncias, de maneira que virem reflexos. A exemplo, um
depressivo sem qualquer perspectiva de vida pode achar que encontrou o
seu caminho por meio do suicídio. Ao mesmo tempo em que construímos
nossa identidade pessoal, lidamos com nossa imagem coletivamente.

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