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NÃO MAIS OLHAR PARA TRÁS – LUCIANO


SUBIRÁ
VIDA CRISTÃ # 14/09/2021

“A outro disse Jesus: Segue-me! Ele, porém, respondeu: Permite-me ir primeiro sepultar meu pai. Mas Jesus insistiu: Deixa aos

mortos o sepultar os seus próprios mortos. Tu, porém, vai e prega o reino de Deus. Outro lhe disse: Seguir-te-ei, Senhor; mas

deixa-me primeiro despedir-me dos de casa. Mas Jesus lhe replicou: Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás

é apto para o reino de Deus”. (Lucas 9.59-62)

Temos aqui um chamado de Jesus a duas pessoas diferentes, mas que lhe responderam de modo
semelhante. Enquanto Jesus esperava de cada uma delas um profundo comprometimento, elas, por
sua vez, estavam presas demais às coisas terrenas e questões transitórias.

A primeira pessoa queria sepultar seu pai antes de seguir esse chamado. Particularmente não creio
que o pai já houvesse morrido e o velório estivesse em andamento; penso ser um costume onde o Nlho
(normalmente o mais velho) tinha a sua saída de casa liberada somente depois da morte do pai.
Porém, independente de qualquer interpretação ou especulação do assunto, temos alguém dando uma
desculpa ao chamado de Jesus, demonstrando estar presa a algo e, assim, impedida de atender
prontamente ao Senhor.

A segunda pessoa se oferecesse para seguir a Cristo, mas queria ao menos despedir-se dos seus.
Tinha uma prontidão maior que a primeira e uma desculpa menor (ou que se resolveria mais depressa).
Mas Jesus deixa claro que depois de terem se envolvido com ele, estas pessoas não tinham mais a
opção de olhar atrás. Se o Nzessem, não seriam aptas para o Reino de Deus. A palavra traduzida como
“apta”, no original grego, é “euthetos”. Segundo o Léxico de Strong, seu signiNcado abrange o conceito
de “apropriado” e “útil”.

De acordo com a aNrmação do Senhor Jesus, não podemos hesitar em atender seu chamado, nem
sermos encontrados presos a coisas ou valores que nos impeçam de seguir adiante em obediência a
Ele. A verdade é que todos temos diNculdades de abrir mão de determinados valores. Ficamos presos à
algumas coisas de nossa vida. Mas quando se trata de seguir a Cristo, não podemos ter nada que nos
prenda. Não podemos mais olhar para trás.

Quem põe a mão no arado, precisa olhar para frente, focar sua meta. Se olhar para trás não será bem-
sucedido no que faz. Semelhantemente, se queremos servir ao Senhor, a opção de olhar atrás não deve
existir, uma vez que quem assim procede não é considerado “útil” para o Reino de Deus.

Recordo-me que, anos atrás, assisti o Nlme “Fogo contra fogo” (1995), considerado por muitos um
ícone entre os Nlmes de ação e enredo policial. Na trama, o ator Robert De Niro interpreta a
personagem Neil McCauley, um bandido que lidera uma gangue que vem realizando roubos ousados; já
o ator Al Pacino interpreta a personagem Vincent Hanna, o detetive que está à frente da caçada a esse
bando de criminosos. Num determinado momento, o detetive aborda o criminoso e o convida para
tomarem um café. Nessa conversa eles, de forma discreta, medem forças e fazem ameaças. Quando o
detetive menciona estar com seu casamento por um No por ter que perseguir bandidos como o
McCauley, ele imediatamente responde ao policial que quem está nesse tipo de vida não pode pensar
num casamento. Isso faz o detetive questionar se ladrão não tinha mulher. Ele diz que sim, mas
menciona um conselho que recebeu de outro bandido: “Não se deixe envolver com nada que você não
possa abandonar em três segundos exatos, se perceber os tiras na sua cola”. Em outras palavras, ele
estava dizendo: “Não posso ter que nada que me prenda, que me faça hesitar na hora de que tiver que
largar tudo para trás”.

Enquanto assistia o Nlme recordava-me de muita gente que vi converter-se ao Senhor vindo do mundo
do crime. A maioria dizia que, naquele tempo, só dava certo “trabalhar” com gente que não tem nada a
perder, que não tem nada que o prenda. Longe de mim parecer que estou ensinando que temos algo a
aprender com bandidos, mas penso que eles entenderam a importância de praticar um princípio que, na
verdade, é nosso! E foi exatamente isso que Jesus nos ensinou. Diante do chamado de Deus não
deveríamos hesitar nem um segundo sequer em atendê-lo.

O QUE SIGNIFICA OLHAR ATRÁS

Antes de falar do signiNcado da expressão usada por Jesus, quero adiantar um conceito importante: as
Escrituras apresentam uma clara diferença entre a conversão e a santiNcação. A primeira fala do
rompimento da pessoa com o mundo e o pecado e é a experiência através da qual alguém passa a
desfrutar a salvação. A segunda fala do rompimento da pessoa com coisas que impedem seu
crescimento e progresso na fé.

John Wesley declarou: “A conversão tira o cristão do mundo; a santiNcação tira o mundo do cristão”.
Concordo plenamente! Ouvi, ainda menino, um pregador aNrmar algo semelhante (usando uma alegoria
bíblica): “Difícil não é tirar o povo do Egito; difícil é tirar o Egito do povo!”

Saudades do que [cou para trás

Olhar atrás signiNca ter saudades do que deixamos, e Deus não admite isto. Jesus também ensinou
acerca disto:

“Lembrai-vos da mulher de Ló”. (Lucas 17.32)

Além de validar o relato do Velho Testamento sobre o que ocorreu com a mulher de Ló, Jesus está nos
dizendo que precisamos aprender com ela.

O Velho Testamento está cheio de memoriais. Monumentos ou episódios que não deveriam ser
esquecidos. Não para que o povo de Deus Ncasse preso à história, mas para que retivesse as lições que
serviriam sempre ao mesmo propósito.

A mulher de Ló

Quando o Senhor tirou Ló e sua família de Sodoma, advertiu-lhes claramente a que não olhassem para
trás:

“Havendo-os levado fora, disse um deles: Livra-te, salva a tua vida; não olhes para trás, nem pares em toda a campina; foge

para o monte, para que não pereças”. (Gênesis 19.17)

Temos uma Ngura aqui. Sodoma e Gomorra Nguram este mundo perdido e devasso que há de ser
julgado por Deus. Mas o livramento de Ló e sua família Nguram nossa salvação e livramento do juízo e
condenação deste mundo. Mas para não ser julgado com o mundo, não basta apenas sair
geograNcamente dele. É preciso que nosso coração também saia de lá!

Ao ordenar que não olhassem atrás, Deus estava dizendo que seria o Nm de tudo aquilo, e que o
coração deles deveria estar totalmente desprendido. Mas a mulher de Ló desobedeceu a ordem divina.

“E a mulher de Ló olhou para trás e converteu-se numa estátua de sal”. (Gênesis 19.26)

A concordância de Strong mostra que a palavra hebraica traduzida para olhar é “nabat”. Também
signiNca “contemplar, mostrar consideração a, prestar atenção”. Não fala de alguém que olhou por
curiosidade para ver o tamanho do estrago produzido pelo juízo divino. Fala de alguém que tinha seu
coração preso ao que deixou, mostrando com isso consideração pelas coisas que havia abandonado. A
mulher de Ló é uma Ngura do comportamento de muitos crentes de nossos dias, e por isso deve ser
lembrada.

Di[culdade de desprendimento

Olhar atrás fala da diNculdade de desprendimento. Matthew Henry declarou: “A primeira lição na escola
de Cristo é a abnegação.”

Há muita gente que não consegue se desprender das coisas das quais Deus os libertou. Aquilo que um
dia te prendeu, potencialmente ainda é um perigo. Por isso Paulo advertiu aos gálatas dizendo:

“Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, [rmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão”.

(Gálatas 5.1)

O apóstolo nos revela que o mesmo jugo de escravidão que nos oprimiu um dia, tentará pesar sobre
nossos ombros novamente.

Precisamos entender que o fascínio do mundo e os pecados que nos acorrentaram um dia, ainda são
um perigo para nós depois da conversão. Se não quebrarmos os vínculos com o passado, podemos
nos ver pressos de novo. Assim como a mulher de Ló foi roubada de sua vida tornando-se uma estátua
de sal, podemos também perder a vida de Deus em nós pelo fato de olhar para trás.

É por isso que nossa primeira mensagem deve ser sempre o arrependimento. Esta era a mensagem de
Jesus (Mc 1.15). Era a mensagem que ele deu aos apóstolos (Lc 24.47). É um dos rudimentos da
doutrina de Cristo (Hb 6.1,2). Quando mostramos a alguém que ele é um pecador, qual sua condição
em consequência disto, bem como o preço colhido do pecado, estamos levando-o a uma possível
quebra de vínculos com seu passado.

Sem um profundo arrependimento e dor pelo pecado, o crente pode ter saudades daquilo que deixou e
olhar para trás.

No coração voltaram ao Egito

Existe dois tipos distintos de desviados. Há aquele tipo de desviado que vira as costas para Jesus e a
Igreja e volta para o mundo:

“…Demas me abandonou, tendo amado o mundo presente, e foi para Tessalônica…” (2 Timóteo 4.10)

E também há aquele tipo de desviado que se desvia só em seu coração, embora continue Nsicamente
no caminho. Foi a estes que Estevão se referiu em sua mensagem, quando mencionou a geração de
israelitas que saiu do Egito e rejeitou o ministério de Moisés:

“É este Moisés quem esteve na congregação no deserto, com o anjo que lhe falava no monte Sinai e com os nossos pais; o qual

recebeu palavras vivas para no-las transmitir. A quem nossos pais não quiseram obedecer; antes, o repeliram e, no seu coração,

voltaram para o Egito, dizendo a Arão: Faze-nos deuses que vão adiante de nós; porque, quanto a este Moisés, que nos tirou da

terra do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu. Naqueles dias, [zeram um bezerro e ofereceram sacrifício ao ídolo,

alegrando-se com as obras das suas mãos”. (Atos 7.38-41)

A frase: “no seu coração voltaram ao Egito” revela a atitude de olhar para trás e desejar aquilo que foi
antes deixado. Eles não voltaram literalmente ao Egito, da mesma forma como muito crente não chega
a abandonar a Igreja, mas no seu íntimo viviam lá, como muito crente faz, sem se desligar das práticas
(ou fantasias) mundanas.

Veja o que a Bíblia diz sobre como procediam:

“E o populacho [povo misto] que estava no meio deles veio a ter grande desejo das comidas dos egípcios; pelo que os [lhos de

Israel tornaram a chorar e também disseram: Quem nos dará carne a comer? Lembramo-nos dos peixes que, no Egito,

comíamos de graça; dos pepinos, dos melões, dos alhos silvestres, das cebolas e dos alhos. Agora, porém, seca-se a nossa

alma, e nenhuma coisa vemos senão este maná”. (Números 11.4-6)

Tem muito crente assim na Igreja. Gente que sente saudades da bebida, das drogas, do sexo ilícito, das
festas e de toda sujeira mundana e do pecado do qual foram libertos por Jesus. Eu acho isto muito,
muito curioso. Não se lembram que antes eram escravos, que sofriam, que era um tempo difícil e de
perseguição. Conseguem ter saudades apenas do que eles achavam que era bom. Esta atitude interior
de saudade do que foi deixado, é olhar para trás como a mulher de Ló olhou. É voltar ao Egito, ainda
que não seja de modo literal.

No coração, estão voltando para lá. Na verdade, acredito que antes do desvio que envolve o abandono
de tudo, a pessoa começa se desviando em seu coração. Por isso a experiência de conversão não deve
ser banal. A pessoa tem que saber valorizar aquilo que está abraçando e saber rejeitar para sempre o
que está abandonando. O arrependimento genuíno produzirá este tipo de atitude em nós.

COMO GUARDAR-SE DE VOLTAR ATRÁS

O que podemos fazer, de forma prática, para não incorrer no erro de olhar atrás?

Quero, de forma resumida, oferecer alguns conselhos objetivos:

Consciência espiritual

O Senhor Jesus instituiu a Ceia da Aliança com o propósito de nos manter conscientes da sua morte e
redenção por nós (1 Co 11.24,25). Isto nos faz perceber que devemos alimentar a gratidão e o
compromisso através da lembrança do que foi feito por nós.

Esquecer-se do que éramos e do Cristo fez por nós é pura ingratidão. Pedro se refere de forma negativa
àqueles que se esqueceram da puriNcação de seus pecados de outrora:

“mas aquele em quem não há estas coisas, é cego, vendo só o que está perto, porque se tem esquecido da puri[cação dos seus

pecados antigos”. (2 Pedro 1.9 – TB)

Para olhar para trás é preciso se esquecer do que éramos e do preço que foi pago. Portanto, uma boa
forma de nos guardar é manter o nosso coração consciente destes fatos em todo o tempo. Assim, não
mais olharemos atrás e nos conservaremos Nrmes em nossa fé.

Firmeza

Alguns acham que nada devemos fazer por nossa Nrmeza, mas o fato é que as Escrituras nos ensinam
que devemos intencionalmente fazer mais Nrme a nossa vocação, evitando assim de tropeçar, ou voltar
atrás.

“Por isso, irmãos, ponde cada vez maior cuidado em fazer [rme a vossa vocação e eleição; porque fazendo isto, não

tropeçareis jamais. Pois assim vos será dada largamente a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

vinda de Cristo”. (2 Pedro 1.10,11 – TB)

Somos ordenados pela Palavra do Senhor a vigiar e cuidar de nossa própria Nrmeza. Contudo, muitos
crentes vivem como se nunca tivessem recebido esta ordem. Transferem o cuidado de si sobre outros,
mas o fato é que isto é responsabilidade nossa, e de mais ninguém:

“Vós, pois, amados, prevenidos como estais de antemão, acautelai-vos; não suceda que… descaiais da vossa própria [rmeza”.

(2 Pedro 3.17)

Prevenir-se. Acautelar-se. São palavras que indicam uma atitude (e responsabilidade) que Deus nos
deu. E o propósito e não descair da própria Nrmeza. Ao falar assim, o Senhor nos mostra que a queda é
uma possibilidade, mas nos mostra que pode ser evitada por prevenção e cuidado.

Voto de compromisso

Acredito que em nosso coração devemos Nrmar um compromisso formal com Cristo de não deixá-lo
jamais. Ele prometeu que estaria conosco todos os dias (Mt 28.18). Também prometeu não nos
abandonar:

“…porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei”. (Hebreus 13.5)

Se Deus prometeu não nos abandonar, porque nós não deveríamos fazer o mesmo?

Penso que cada cristão deveria se comprometer a não mais voltar atrás. Prometer isto em seu coração
e também com sua boca, da mesma forma como um cônjuge se compromete com outro: sabendo que
é para sempre e que não se pode mais voltar atrás. Imagine uma noiva dizendo ao seu noivo, no dia do
casamento, que não poderia garantir se conseguiria ser Nel ou não, que seria melhor não prometer nada
para não correr o risco de quebrar uma promessa…

Não devemos ter medo do compromisso, pois isto seria o mesmo que entrar já não acreditando na
duração de um relacionamento. Devemos pensar bem antes de entrar, e então entrar para não mais
voltar atrás.

Deus está nos chamando a renovar nosso compromisso e aliança com Ele, e Nrmarmo-nos cada dia
mais em nossa fé e andar n´Ele. Como você responderá a Ele?

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