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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

LIVRO TEXTO

LÍNGUA BRASILEIRA
DE SINAIS

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

Sumário

1. MANIFESTAÇÕES LINGUÍSTICAS NO CONTEXTO HISTÓRICO DA LÍNGUA DE SINAIS .............................. 3


1.1 HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DE SURDOS ............................................................................................... 3
2. EVOLUÇÃO DO PROCESSO EDUCACIONAL DA PESSOA SURDA............................................................... 5
2.1 IDADE ANTIGA ESCRITA A 476 D.C .................................................................................................... 5
3. POLÍTICA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA- PESSOA COM SURDEZ ............................................................... 14
3.1 LEGALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO DE SURDOS NO BRASIL .................................................................... 14
3.2 ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO – AEE.................................................................... 17
4. ASPECTOS DA LÍNGUA DE SINAIS ........................................................................................................... 20
4.1 MITOS DA LÍNGUA DE SINAIS .......................................................................................................... 20
4.2 SINAIS EM LIBRAS ............................................................................................................................ 24
4.3 CUMPRIMENTOS EM LIBRAS ........................................................................................................... 25
4.4 APRESENTAÇÃO PESSOAL EM LIBRAS ............................................................................................. 26
4.5 NÚMEROS EM LIBRAS...................................................................................................................... 26
4.6 CORES EM LIBRAS ............................................................................................................................ 28
4.7 TEMPO EM LIBRAS ........................................................................................................................... 29
4.8 DISCIPLINAS EM LIBRAS ................................................................................................................... 30
4.9 VERBOS EM LIBRAS .......................................................................................................................... 30
4.10 ADVÉRBIO DE TEMPO EM LIBRAS.................................................................................................... 31
4.11 PRONOMES EM LIBRAS ................................................................................................................... 32
4.12 FAMÍLIA EM LIBRAS ......................................................................................................................... 32
4.13 VOCABULÁRIO DIVERSO EM LIBRAS ................................................................................................ 33
4.14 VOCABULÁRIO DIVERSO EM LIBRAS ................................................................................................ 34
5. LINGUÍSTICA DA LIBRAS .......................................................................................................................... 37
5.1 VARIAÇÃO DA LIBRAS ...................................................................................................................... 37
5.2 PARÂMETROS DA LIBRAS................................................................................................................. 40
5.3 CONFIGURAÇÃO DE MÃO ................................................................................................................ 40
5.4 PONTO DE ARTICULAÇÃO OU LOCAÇÃO ......................................................................................... 44
5.5 MOVIMENTO ................................................................................................................................... 45
5.6 ORIENTAÇÃO ................................................................................................................................... 46
5.7 EXPRESSÕES NÃO-MANUAIS ........................................................................................................... 48
6. DIDÁTICA E DINÂMICA DE ENSINO AOS SURDOS .................................................................................. 50
6.1 DIDÁTICA DE ENSINO AOS SURDOS................................................................................................. 50
6.2 LITERATURA SURDA ......................................................................................................................... 55
REFERÊNCIAS ............................................................................................................................................... 61

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

TEMA 01
PARTE 01

1. MANIFESTAÇÕES LINGUÍSTICAS NO CONTEXTO HISTÓRICO DA LÍNGUA DE SINAIS

1.1 HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DE SURDOS

A história é a ciência que estuda a forma de como os homens se organizaram e viveram no


passado e entender o processo de constante transformação, no caso da história de surdos,
estudamos de como os povos surdos se organizaram e viveram no passado e entender o processo
e de transformações de como as comunidades surdas surgiram. Apresentamos os conceitos de
Povo Surdo e Comunidade Surda antes de iniciar os estudos da História educacional deles. O povo
surdo é um grupo de sujeitos surdos que têm costumes, história, tradições em comuns e
pertencentes às mesmas peculiaridades, ou seja, constrói sua concepção de mundo através da
visão. A comunidade surda, na verdade, não é só de surdos, já que tem sujeitos ouvintes junto, que
são família, intérpretes, professores, amigos e outros que participam e compartilham os mesmos
interesses em comuns em um determinado localização que podem ser as associações de surdos,
federações de surdos, igrejas e outros. ”

Fonte: <http://blog.handtalk.me/5-fatos-comunidade-surda-libras/>

Ao longo do período que costumamos denominar de Idade Moderna, na Europa, encontram-


se inúmeros registros de trabalhos desenvolvidos por religiosos católicos e protestantes, tendo
como sujeitos pessoas 16 surdas. Esses trabalhos oportunizaram um deslocamento social desses
sujeitos, que permaneciam anteriormente reféns de uma lógica de eliminação física ou social, não

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sendo considerados humanos, e, sim, seres castigados pelos deuses. São muitos os registros, na
história, de crianças abandonadas por serem diferentes e que tiveram que assumir a condução de
suas vidas sem conviver com outras pessoas, com alguns casos em que foram cuidadas por animais,
como no episódio das meninas lobo da Índia.

Com todos os cuidados que devemos ter, ao nos debruçarmos para o passado, buscando
nexos com o presente, evitando colocar episódios da história no banco dos réus ou definindo como
deveria ter sido, podemos compreender a importância do trabalho desses pioneiros da educação
especializada. No entanto, se a educação dos normais esteve no âmbito do direito e o ensino de
surdos no da moral assistencialista (Soares, 1999), tendo a contrapor-me dizendo que o ensino de
surdos esteve inscrito no direito à assistência, o que naquela altura representava um avanço
extraordinário para sua condição social.

No século XVIII, temos registro do primeiro embate público sobre métodos para trabalhar a
educação da pessoa surda. Trata-se da muito bem documentada discussão entre o abade francês
Charles Michel de L’Epée (1721-1789), defensor do método combinado, com a utilização de sinais,
e o pastor alemão Samuel Heinicke (1721-1790), defensor do método de desenvolvimento da
linguagem oral.

Fonte:< https://www.lepoint.fr/histoire/qui-est-charles-michel-de-l-epee-honore-par-un-doodle>

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TEMA 01
PARTE 02

2. EVOLUÇÃO DO PROCESSO EDUCACIONAL DA PESSOA SURDA

2.1 IDADE ANTIGA ESCRITA A 476 D.C

Na Roma não perdoavam os surdos porque achavam que eram pessoas castigadas ou
enfeitiçadas, a questão era resolvida por abandono ou com a eliminação física – jogavam os surdos
em rio Tiger. Só se salvavam aqueles que do rio conseguiam sobreviver ou aqueles cujos pais os
escondiam, mas era muito raro – e também faziam os surdos de escravos obrigando-os a passar
toda a vida dentro do moinho de trigo empurrando a manivela.

Fonte: https://www.deficienteciente.com.br/as-pessoas-com-deficiencia-na-historia-do-mundo.html

Na Grécia, os surdos eram considerados inválidos e muito incômodos para a sociedade, por
isto, eram condenados à morte – lançados abaixo do topo de rochedos de Taygéte, nas águas de
Barathere - e os sobreviventes viviam miseravelmente como escravos ou abandonados sós. Para
Egito e Pérsia, os surdos eram tidos como criaturas privilegiadas, enviados dos deuses, porque
acreditavam que eles comunicavam em segredo com eles. Havia um forte sentimento humanitário
e respeito, protegiam e tributavam aos surdos a adoração, no entanto, tinham vida inativa e não
eram educados.

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Fonte: https://sites.google.com/site/surdosnomundolgp/egito

500 a.C. - O filósofo Hipócrates associou a clareza da palavra com a mobilidade da língua,
mas nada falou sobre a audição.

470 a.C. - O filósofo Heródoto classificava os surdos como “Seres castigados pelos deuses”.
O filósofo grego Sócrates perguntou ao seu discípulo Hermógenes: “Suponha que nós não tenhamos
voz ou língua, e queiramos indicar objetos um ao outro. Não deveríamos nós, como os surdos-
mudos, fazer sinais com as mãos, a cabeça e o resto do corpo? ” Hermógenes respondeu: “Como
poderia ser de outra maneira, Sócrates? ” (Cratylus de Plato, discípulo e cronista, 368 a.C.).

355 a.C. - O filósofo Aristóteles (384 – 322 a.C.) acreditava que quando não se falavam,
consequentemente não possuíam linguagem e tampouco pensamento, dizia que: “... de todas as
sensações, é a audição que contribuiu mais para a inteligência e o conhecimento..., portanto, os
nascidos surdo-mudo se tornam insensatos e naturalmente incapazes de razão”, ele achava absurdo
a intenção de ensinar o surdo a falar.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Arist%C3%B3teles

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Idade Média 476 – 1453 - Não davam tratamento digno aos surdos, colocava-nos em imensa
fogueira. Eram sujeitos estranhos e objetos de curiosidades da sociedade. Eram proibidos
receberem a comunhão porque os consideravam incapazes de confessar seus pecados, também
havia decretos bíblicos contra o casamento de duas pessoas surdas, só sendo permitido àqueles que
recebiam favor do Papa. Também existiam leis que os proibiam de receberem heranças, de votar e
enfim, de todos os direitos como cidadãos.

Idade moderna 1453 – 1789

Girolamo Cardano (1501-1576) era médico filósofo que reconhecia a habilidade do surdo
para a razão, afirmava que a surdez e mudez não é o impedimento para desenvolver a aprendizagem
e o meio melhor dos surdos de aprender é através da escrita e que era um crime não instruir um
surdo-mudo. Ele utilizava a língua de sinais e escrita com os surdos.

O monge beneditino Pedro Ponce de Leon (1510-1584), na Espanha, estabeleceu a primeira


escola para surdos em um monastério de Valladolid, inicialmente ensinava latim, grego e italiano,
conceitos de física e astronomia aos dois irmãos surdos, Francisco e Pedro Velasco, membros de
uma importante família de aristocratas espanhóis; Francisco conquistou o direito de receber a
herança como marquês de Berlanger e Pedro se tornou padre com a permissão do Papa. Ponce de
Leon usava como metodologia a dactilologia, escrita e oralização. Mais tarde ele criou escola para
professores de surdos. Porém, não publicou nada em sua vida e, depois de sua morte, o seu método
caiu no esquecimento porque a tradição na época era de guardar segredos sobre os métodos de
educação de surdos.

Fonte: <https://www.timetoast.com/timelines/historico-da-educacao-de-surdos>

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Charles Michel de L’Epée (1712-1789) conheceu duas irmãs gêmeas surdas que se
comunicavam através de gestos, iniciou e manteve contato com os surdos carentes e humildes que
perambulavam pela cidade de Paris, procurando aprender seu meio de comunicação e levar a efeito
os primeiros estudos sérios sobre a língua de sinais. Procurou instruir os surdos em sua própria casa,
com as combinações de língua de sinais e gramática francesa sinalizada denominado de “Sinais
métodicos”. Recebeu muita crítica pelo seu trabalho, principalmente dos educadores oralistas,
entre eles, o Samuel Heinicke. Todo o trabalho de abade L’Epée com os surdos dependia dos
recursos financeiros das famílias dos surdos e das ajudas de caridades da sociedade.

Abade Charles Michel de L’Epée fundou a primeira escola pública para os surdos “Instituto
para Jovens Surdos e Mudos de Paris” e treinou inúmeros professores para surdos. O abade Charles
Michel de L’Epée publicou sobre o ensino dos surdos e mudos por meio de sinais metódicos: “A
verdadeira maneira de instruir os surdos-mudos”, o abade colocou as regras sintáticas e também o
alfabeto manual inventado pelo Pablo Bonnet e esta obra foi mais tarde completada com a teoria
pelo abade Roch-Ambroise Sicard.

Fonte: <https://brasil.elpais.com/brasil/2018/11/24/cultura/1543042279_562860.html>

Thomas Braidwood abre a primeira escola para surdos na Inglaterra, ele ensinava aos surdos
os significados das palavras e sua pronúncia, valorizando a leitura orofacial. Em Hartford, nos
Estados unidos, o reverendo Thomas Hopkins Gallaudet (1787-1851) observava as crianças
brincando no seu jardim quando percebeu que uma menina, Alice Gogswell, não participava das
brincadeiras por ser surda e era rejeitada das demais crianças. Gallaudet ficou profundamente
tocado pelo mutismo da Alice e pelo fato de ela não ter uma escola para frequentar, pois na época
não havia nenhuma escola de surdos nos Estados Unidos.

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Fonte: <https://br.pinterest.com/pin/356628864221925667/>

Gallaudet tentou ensinar-lhe pessoalmente e juntamente com o pai da menina, o Dr. Masson
Fitch Gogswell, pensou na possibilidade de criar uma escola para surdos. O americano Thomas
Hopkins Gallaudet parte à Europa para buscar métodos de ensino aos surdos. Na Inglaterra, o
Gallaudet foi conhecer o trabalho realizado por Braidwood, em escola “Watson’s Asylum” (uma
escola onde os métodos eram secretos, caros e ciumentamente guardados) que usava a língua oral
na educação dos surdos, porém foi impedido e recusaram-lhe a expor a metodologia, não tendo
outra opção o Gallaudet partiu para a França onde foi bem acolhido e impressionou-se com o
método de língua de sinais usado pelo abade Sicard.

Thomas H. Gallaudet, junto com Clerc fundou em Hartford, 15 de abril, a primeira escola
permanente para surdos nos Estados Unidos, “Asilo de Connecticut para Educação e Ensino de
pessoas Surdas e Mudas”. Com o sucesso imediato da escola levou à abertura de outras escolas de
surdos pelos Estados Unidos, quase todos os professores de surdos já eram usuários fluentes em
língua de sinais e muitos eram surdos também.

Alexander Melville Bell, professor de surdos, o pai do célebre inventor de telefone


Alexander Grahan Bell, inventou um código de símbolos chamado “Fala vísivel” ou “Linguagem
vísivel”, sistema que utilizava desenhos dos lábios, garganta, língua, dentes e palato, para que os
surdos repitam os movimentos e os sons indicados pelo professor.

Eduardo Huet, professor surdo com experiência de mestrado e cursos em Paris, chega ao
Brasil sob beneplácido do imperador D.Pedro II, com a intenção de abrir uma escola para pessoas
surdas.

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Fonte: <https://cultura-sorda.org/eduard-huet/>

Em 1857 foi fundada a primeira escola para surdos no Rio de Janeiro – Brasil, o “Imperial
Instituto dos Surdos-Mudos”, hoje, “Instituto Nacional de Educação de Surdos” – INES, criada pela
Lei nº 939 (ou 839?), no dia 26 de setembro. Foi nesta escola que surgiu, da mistura da língua de
sinais francesa com os sistemas já usados pelos surdos de várias regiões do Brasil, a LIBRAS (Língua
Brasileira de Sinais). Dezembro do mesmo ano, o Eduardo Huet apresentou ao grupo de pessoas na
presença do imperador D. Pedro II os resultados de seu trabalho causando boa impressão.

Fonte: <http://www.helb.org.br/index.php/linha-do-tempo/>

Em 1864 foi fundado a primeira universidade nacional para surdos “Universidade


Gallaudet” em Washington – Estados Unidos, um sonho de Thomas Hopkins Gallaudet realizado
pelo filho do mesmo, Edward Miner Gallaudet (1837-1917).

Fonte: <https://www.washingtontimes.com/news/2020/apr/2/gallaudet-university-helps-deaf-hard-hearing-
peopl/>

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Em 1880, realizou-se Congresso Internacional de Surdo-Mudez, em Milão – Itália, onde o


método oral foi votado o mais adequado a ser adotado pelas escolas de surdos e a língua de sinais
foi proibida oficialmente alegando que ela destruía a capacidade da fala dos surdos, argumentando
que os surdos são “preguiçosos” para falar, preferindo a usar a língua de sinais. O Alexander Graham
Bell teve grande influência neste congresso. Este congresso foi organizado, patrocinado e conduzido
por muitos especialistas ouvintes na área de surdez, todos defensores do oralismo puro (a maioria
já havia empenhado muito antes de congresso em fazer prevalecer o método oral puro no ensino
dos surdos). Na ocasião de votação na assembleia geral, realizada no congresso todos os professores
surdos, foi negado o direito de votar e excluídos, dos 164 representantes presentes ouvintes, apenas
5 dos Estados Unidos votaram contra o oralismo puro.

Fonte: <https://culturasurda.net/congresso-de-milao/>

No mesmo ano nasce Hellen Keller em Alabama, Estados Unidos. Ela ficou cega, surda e
muda aos 2 anos de idade. Aos 7 anos foi confiada a professora Anne Mansfield Sullivan, que lhe
ensinou o alfabeto manual tátil (método empregado pelos surdos-cegos). Hellen Keller obteve graus
universitários e publicou trabalhos autobiográficos.

Fonte: <https://www.ideiaseopinioes.com/helen-keller-1880-1968-sufragista-politica-activista-surdocega/>

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Em 1957 por decreto imperial, Lei nº 3.198, de 6 de julho, o “Imperial Instituto dos Surdos-
Mudos” passou a chamar-se “Instituto Nacional de Educação dos Surdos” – INES. Nesta época a
Ana Rímola de Faria Daoria assumiu a direção do INES com a assessoria da professora Alpia Couto,
proibiram a língua de sinais oficialmente nas salas de aula, mesmo com a proibição, os alunos surdos
continuaram a usar a língua de sinais nos corredores e nos pátios da escola.

Fonte:< https://ponte.org/alunos-denunciam-censura-no-instituto-nacional-de-educacao-de-surdos/>

No ano de 1969 a Universidade Gallaudet adotou a Comunicação Total (defende a utilização


de inúmeros recursos linguísticos, tais como, a língua de sinais; linguagem oral; códigos manuais,
entre outros. Todos eles são facilitadores de comunicação com as pessoas surdas, privilegiando a
comunicação e a interação entre as línguas (orais e sinalizadas). Em 1987 foi fundada a FENEIS–
Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos, no Rio de Janeiro – Brasil, sendo que a
mesma foi reestruturada da antiga ex-FENEIDA. A FENEIS conquistou a sua sede própria no dia 8 de
janeiro de 1993, Rio de Janeiro - Brasil.

Fonte: <https://www.sympla.com.br/feneis>

Em 2002, foi sancionada no Brasil a Lei 10.436 que oficializa a Libras (Língua Brasileira de
Sinais) como a Língua oficial da comunidade surda brasileira, como forma de expressão de

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informação e comunicação. 4 Anos depois, em (2006), foram lançados 9 polos de Curso de


graduação de Licenciatura em Letras Libras (formação de professores de Libras) na modalidade EaD,
em seguida, no ano de 2008 foram lançados mais 15 polos de formação para o curso de Bacharelado
em Letras Libras (formação de tradutores intérpretes de Libras) na mesma modalidade de ensino.

Fonte: <https://detils.paginas.ufsc.br/>

Em 2013, após a aprovação do projeto Viver sem Limites, foram criados 27 cursos de
graduação (Licenciatura e Bacharelado) em Letras Libras e 12 cursos de graduação em Pedagogia
Bilíngue nas Universidades Federais de todo o Brasil.

Fonte: <https://repositorio.enap.gov.br>

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TEMA 02
PARTE 01

3. POLÍTICA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA- PESSOA COM SURDEZ

3.1 LEGALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO DE SURDOS NO BRASIL

Conforme a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva,


todos os alunos com algum tipo de deficiência sensorial, intelectual, física, altas habilidades e
transtornos do desenvolvimento têm o direito de matricular-se e frequentar o ensino comum como
os demais alunos de mesma idade (BRASIL, 2008). Alguns pesquisadores do tema de educação de
surdos como (GOLDFELD, 1997; QUADROS, 1997; SKLIAR, 1997, FERNANDES, 2007), defendem que
a escolarização dos alunos surdos deva ocorrer na perspectiva do bilinguismo, em que sua
aprendizagem é mediada pela língua de sinais, a primeira língua (L1) do surdo e, a língua portuguesa
na modalidade escrita, como a segunda língua (L2), pressupondo um ensino bilíngue,
prioritariamente nas etapas da educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental.

Fonte: <blog.wearehuman.com.br/o-que-eu-preciso-saber-sobre-a-educacao-dos-surdos-no-brasil/>

As ideias de escola inclusiva se fortaleceram na década de 1990, num movimento mundial


em defesa da inclusão escolar das pessoas com deficiência, influenciando as políticas educacionais
brasileiras, estabelecendo a responsabilidade do Estado para a efetivação da inclusão escolar dos
alunos público-alvo da educação especial, incumbindo-o de subsidiar os 7664 sistemas
educacionais, como a adoção de medidas de apoio específicas para garantir as condições
necessárias à plena participação e autonomia destes alunos. Constata-se que a legislação
educacional brasileira, assegura a garantia à educação na Constituição Federal, promulgada em 05
de outubro de 1988, em seu Art 6º, como um dos direitos sociais, garantia fundamental e dever do

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Estado, e nos Artigos 206 e 208, apregoa a igualdade de condições de acesso e permanência na
escola, e o atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência,
preferencialmente na rede regular de ensino (BRASIL, 1988).

Também a Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB – sob Lei nº 9394/1996, de 20 de


dezembro de 1996, reconhece o direito a educação para todos e propõe que o ensino seja baseado
nos princípios de igualdade de condições de acesso, permanência e aprendizagem para todos os
alunos (BRASIL, 1996).

Fonte: <gestaodesegurancaprivada.com.br/legislacao-brasileira-o-que-e-significado-para-que-serve/>

Nesta proposição inclusiva, em referência à educação de surdos, vários dispositivos


normativos são elaborados, como a Lei Federal nº 10.436/02, de 24 de abril de 2002, em seu Art
1º, reconhecendo a língua brasileira de sinais – Libras – como meio legal de comunicação e
expressão, um “sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria,
constituem um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunidades de
pessoas surdas do Brasil” (BRASIL, 2002), considerada uma conquista na luta destas comunidades.

Posteriormente, é promulgado o Decreto Federal nº 5.626/05, datado de 22 de dezembro


de 2005, que regulamenta a Lei Federal nº 10.436/02, abordando entre outros aspectos a inclusão
de Libras – Língua Brasileira de Sinais - como disciplina obrigatória em cursos de formação de
professores e a formação de docentes e tradutores e intérpretes de Libras em cursos de Letras, bem
como a certificação da proficiência linguística em Libras, em exame nacional.

O decreto mencionado evidencia ainda, uma diferenciação na configuração da continuidade


da escolarização de alunos surdos usuários da língua brasileira de sinais, partindo do pressuposto
que, estando matriculado em escolas da rede regular de ensino, nas etapas finais do ensino
fundamental e do ensino médio, o aluno já possua domínio da língua de sinais anteriormente
adquirida por meio da interação com seus pares surdos em escolas bilíngues, e assim, propõe o
serviço de tradutor e intérpretes de Libras para as diferentes áreas do conhecimento.

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Fonte: <www.portaleducacao.com.br>

Em 2008, é publicada pelo Ministério da Educação, a Política Nacional de Educação Especial


na Perspectiva da Educação Inclusiva, de acordo com os princípios da Convenção sobre os Direitos
das Pessoas com Deficiência (ONU/2006), ratificada pelo Brasil por meio dos Decretos n º 186/2008
e nº 6.949/2009, que preconiza que a garantia do direito à educação se efetiva por meio do acesso
à educação inclusiva em todos os níveis.

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TEMA 02
PARTE 02

3.2 ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO – AEE

A educação especial é uma modalidade de ensino que perpassa todos os níveis, etapas e
modalidades, realiza o atendimento educacional especializado, disponibiliza os recursos e serviços
e orienta quanto a sua utilização no processo de ensino e aprendizagem nas turmas comuns do
ensino regular. Os sistemas de ensino devem matricular os alunos com deficiência, os com
transtornos globais do desenvolvimento e os com altas habilidades/superdotação nas escolas
comuns do ensino regular e ofertar o atendimento educacional especializado – AEE, promovendo o
acesso e as condições para uma educação de qualidade.

O atendimento educacional especializado - AEE tem como função identificar, elaborar e


organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena
participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas. Esse atendimento
complementa e/ou suplementa a formação dos alunos com vistas à autonomia e independência na
escola e fora dela. Consideram-se serviços e recursos da educação especial àqueles que asseguram
condições de acesso ao currículo por meio da promoção da acessibilidade aos materiais didáticos,
aos espaços e equipamentos, aos sistemas de comunicação e informação e ao conjunto das
atividades escolares.

Fonte: <https://secom.to.gov.br/noticias/>

Considera-se público-alvo do AEE:

A) Alunos com deficiência: aqueles que têm impedimentos de longo prazo de natureza física,
intelectual, mental ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem

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obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as


demais pessoas.

B) Alunos com transtornos globais do desenvolvimento: aqueles que apresentam um quadro


de alterações no desenvolvimento neuropsicomotor, comprometimento nas relações
sociais, na comunicação ou estereotipias motoras. Incluem-se nessa definição alunos com
autismo clássico, síndrome de Asperger, síndrome de Rett, transtorno desintegrativo da
infância (psicoses) e transtornos invasivos sem outra especificação.

C) Alunos com altas habilidades/superdotação: aqueles que apresentam um potencial elevado


e grande envolvimento com as áreas do conhecimento humano, isoladas ou combinadas:
intelectual, acadêmica, liderança, psicomotora, artes e criatividade.

Nota Técnica nº 55, de 10 de maio de 2013, estabelecendo que o atendimento educacional


especializado – AEE - deve ser ofertado prioritariamente nas salas de recursos multifuncionais da
própria escola ou de outra escola de ensino regular, podendo, ainda, ser realizado em centros de
atendimento educacional especializado, desenvolvendo atividades de acordo com as necessidades
educacionais específicas dos estudantes, e no caso da área da surdez, enfatiza o ensino da língua
brasileira de sinais – Libras - e o ensino da língua portuguesa como segunda língua para estudantes
com surdez (BRASIL, 2013).

Fonte: <https://slideplayer.com.br/slide/3099738/>

A oferta do atendimento educacional especializado - AEE deve constar no Projeto


Pedagógico da escola de ensino regular, prevendo na sua organização:

A) Sala de recursos multifuncional: espaço físico, mobiliários, materiais didáticos, recursos


pedagógicos e de acessibilidade e equipamentos específicos;

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

B) Matrícula do aluno no AEE: condicionada à matrícula no ensino regular da própria escola ou


de outra escola;
C) Plano do AEE: identificação das necessidades educacionais específicas dos alunos, definição
dos recursos necessários e das atividades a serem desenvolvidas; cronograma de
atendimento dos alunos;
D) Professor para o exercício da docência do AEE;
E) Profissionais da educação: tradutor e intérprete de Língua Brasileira de Sinais, guia-
intérprete e outros que atuam no apoio às atividades de alimentação, higiene e locomoção.
F) Articulação entre professores do AEE e os do ensino comum.
G) Redes de apoio: no âmbito da atuação intersetorial, da formação docente, do acesso a
recursos, serviços e equipamentos, entre outros que contribuam para a realização do AEE.

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

TEMA 03
PARTE 01

4. ASPECTOS DA LÍNGUA DE SINAIS

4.1 MITOS DA LÍNGUA DE SINAIS

Várias pessoas acreditam em coisas que não necessariamente são verdadeiras. Observamos
nos discursos das pessoas que não conhecem os surdos e as línguas de sinais que há uma série de
crenças que não correspondem à realidade. Elas pensam erroneamente sobre as línguas de sinais,
porque, por muitos anos, houve ideias a respeito, que foram disseminadas por questões filosóficas,
religiosas, políticas e econômicas. Talvez você mesmo pense que essas coisas sejam verdadeiras.
Não se sinta culpado, pois isso é fruto do desconhecimento. Apesar do impacto dessas concepções,
as pesquisas avançaram muito e nos mostraram que tais concepções são equivocadas. Quadros e
Karnopp (2004:31-37) organizaram uma lista de mitos apresentados a seguir:

1 – A língua de sinais seria uma mistura de pantomima e gesticulação concreta, incapaz de


expressar conceitos abstratos. Tal concepção está atrelada à ideia filosófica de que o mundo das
ideias é abstrato e que o mundo dos gestos é concreto. O equívoco desta concepção é entender
sinais como gestos. Na verdade, os sinais são palavras, apesar de não serem orais-auditivas, são tão
arbitrários quanto às palavras. A produção gestual na língua de sinais também acontece como
observado nas línguas faladas. A diferença é que no caso dos sinais, os gestos também são visuais-
espaciais tornando as fronteiras mais difíceis de serem estabelecidas. Os sinais das línguas de sinais
podem expressar quaisquer ideias abstratas. Podemos falar sobre as emoções, os sentimentos, os
conceitos em língua de sinais, assim como nas línguas faladas.

Fonte: <https://unidospelavida.org.br/toemcasadica42/>

2 – Haveria uma única e universal língua de sinais usada por todas as pessoas surdas. Esta
ideia está relacionada com o mito anterior. Se as línguas de sinais são consideradas gestuais, então

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

elas são universais. Isto é uma falácia, pois as várias línguas de sinais que já foram estudadas são
diferentes umas das outras. Assim como as línguas faladas, temos línguas de sinais que pertencem
a troncos diferentes. Temos pelo menos dois troncos identificados, as línguas de origem francesa e
as línguas de origem inglesa. Provavelmente, nossa língua de sinais pertence ao tronco das línguas
de sinais que se originaram na língua de sinais francesa.

Fonte: <http://revistadmais.com.br/especial-musica-lingua-de-sinais-pelo-mundo/>

3 – Haveria uma falha na organização gramatical da língua de sinais que seria derivada das
línguas de sinais, sendo um pidgin sem estrutura própria, subordinado e inferior às línguas orais.
Como as línguas de sinais são consideradas gestuais, elas não poderiam apresentar a mesma
complexidade das línguas faladas. Isso também não é verdadeiro, pois em primeiro lugar as línguas
de sinais são línguas de fato. Em segundo lugar, as línguas de sinais independem das línguas faladas.
Um exemplo que evidencia isso claramente é que a língua de sinais portuguesa é de origem inglesa
e a língua de sinais brasileira é de origem francesa, mesmo sendo o português a língua falada nos
respectivos países, ou seja, Portugal e Brasil.

Como estas línguas de sinais pertencem a troncos diferentes, elas são muito diferentes uma
da outra. É claro que não podemos negar o fato de ambas as línguas estarem em contato,
principalmente entre os surdos letrados. O que se observa diante deste contato é que, assim como
observado entre línguas faladas em contato, existem alguns empréstimos linguísticos. Para além
disso, as línguas de sinais não têm relação com as línguas faladas do seu país. Elas são autônomas e
apresentam o mesmo estatuto linguístico identificado nas línguas faladas, ou seja, dispõem dos
mesmos níveis linguísticos de análise e são tão complexas quanto às línguas faladas.

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

4 – A língua de sinais seria um sistema de comunicação superficial, com conteúdo restrito,


sendo estética, expressiva e linguisticamente inferior ao sistema de comunicação oral. Como as
línguas de sinais são tão complexas quanto às línguas faladas, esta afirmação não procede. Já vimos
que as línguas de sinais podem ser utilizadas para as inúmeras funções identificadas na produção
das línguas humanas. Pode-se usar a língua de sinais para produzir um poema, uma estória, um
conto, uma informação, um argumento. Para persuadir, criticar, aconselhar, entre tantas outras
possibilidades que se apresentam ao se dispor de uma língua. Assim, a língua de sinais não é inferior
a nenhuma outra língua, mas, sim, tão, linguisticamente, reconhecida quanto qualquer outra língua.

Fonte: http://recursosdeevangelismo.blogspot.com

5 – As línguas de sinais derivariam da comunicação gestual espontânea dos ouvintes. A


ideia de que a língua de sinais seja gestual também reaparece neste mito. As pessoas pensam que
as línguas de sinais são de fácil aquisição por estarem diretamente relacionadas com o sistema
gestual utilizado por todas as pessoas que falam uma língua. Como isso não é verdade, as línguas
de sinais são tão difíceis de serem adquiridas quanto quaisquer outras línguas. Precisamos de anos
de dedicação para aprendermos uma língua de sinais, mas com base neste mito, as pessoas pensam
que sabem a língua de sinais por usarem alguns gestos e alguns sinais que aprendem nas aulas de
língua de sinais.

A comunicação gestual usada exclusivamente é extremamente limitada, pois torna inviável


a comunicação relacionada com questões mais abstratas. Assim, precisa-se da língua de sinais para
poder comunicar estas ideias. É verdade que se pode comunicar algumas coisas utilizando apenas
gestos, como quando se faz ao chegar a um país em que não se conhece a língua. Mas, também é
verdade que estará limitado à identificação direta entre o gesto e sua intenção, sem poder entrar
em níveis de detalhamento necessário para transcorrer sobre um determinado assunto. Para
transcorrer sobre um determinado assunto qualquer, é preciso uma língua. No caso da comunicação
com surdos, a língua de sinais.

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

Fonte: https://ufsj.edu.br/portal2-repositorio/

6 – As línguas de sinais, por serem organizadas espacialmente, estariam representadas no


hemisfério direito do cérebro, uma vez que esse hemisfério é responsável pelo processamento de
informação espacial, enquanto que o esquerdo, pela linguagem. As pesquisas com surdos
apresentando lesões em um dos hemisférios apresentam evidências de que as línguas de sinais são
processadas linguisticamente no hemisfério esquerdo da mesma forma que as línguas faladas.
Existe sim uma diferença que está relacionada com informações espaciais, pois estas, além de serem
processadas no hemisfério esquerdo com suas informações linguísticas, são também processadas
no hemisfério direito quanto às suas informações de ordem puramente espacial. Assim, parece
haver um processamento até mais complexo do que o observado em pessoas que usam línguas
faladas. As investigações concluem que a língua de sinais é um sistema, que faz parte da linguagem
humana, processado no hemisfério esquerdo e no hemisfério direito.

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

TEMA 03
PARTE 02

4.2 SINAIS EM LIBRAS

Para que haja uma comunicação inicial com uma pessoa surda, é importante praticar o uso
de sinais básicos. Primeiramente, com o alfabeto manual que é um recurso das línguas de sinais que
utiliza as mãos para representar o alfabeto das línguas orais. Cada letra ou número são
representadas por configurações de mão específicas. O Alfabeto Manual também é conhecido
como Alfabeto Digital, Datilologia ou Dactilologia.

Fonte: <https://br.pinterest.com/pin/356628864221925466/>

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

4.3 CUMPRIMENTOS EM LIBRAS

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

4.4 APRESENTAÇÃO PESSOAL EM LIBRAS

4.5 NÚMEROS EM LIBRAS

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

4.6 CORES EM LIBRAS

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4.7 TEMPO EM LIBRAS

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4.8 DISCIPLINAS EM LIBRAS

4.9 VERBOS EM LIBRAS

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4.10 ADVÉRBIO DE TEMPO EM LIBRAS

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4.11 PRONOMES EM LIBRAS

4.12 FAMÍLIA EM LIBRAS

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

4.13 VOCABULÁRIO DIVERSO EM LIBRAS

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

4.14 VOCABULÁRIO DIVERSO EM LIBRAS

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

TEMA 04
PARTE 01

5. LINGUÍSTICA DA LIBRAS

5.1 VARIAÇÃO DA LIBRAS

A LIBRAS, assim como as demais línguas, surgiu da necessidade de estabelecer a


comunicação e interação entre os sujeitos surdos e/ou a sociedade. A língua Brasileira de Sinais foi
reconhecida como meio legal de comunicação e expressão pela lei 10.436 de abril de 2002. Segundo
essa lei, “entende-se como Língua Brasileira de Sinais a forma de comunicação e expressão, em que
o sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constitui um
sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do
Brasil”.

A Língua Brasileira de Sinais - Libras é a língua natural dos surdos e a língua portuguesa é
utilizada por eles como segunda língua, como se fosse o aprendizado de uma língua estrangeira,
mas, nesse caso, o aprendizado da língua portuguesa não é opcional, poiso sujeito surdo precisa
aprender essa língua pelo fato de viver em uma sociedade em que a língua portuguesa é majoritária.
Conhecer a origem da Libras faz com que, quando aprendamos essa língua, busquemos conhecer
não apenas os sinais, mas, sim, toda a etiologia e a semântica que esses sinais carregam. Além disso,
percebemos a importância dessa língua que garante a preservação da identidade e valorização da
cultura surda.

A sociolinguística é a parte da linguística que estuda as relações entre língua e sociedade.


É o estudo descritivo do comportamento linguístico de uma sociedade e de como ele é determinado
pelos fatores linguísticos e extralinguísticos. Leva em consideração a maneira como a língua é usada
e seus efeitos na sociedade. Desta forma, “para o indivíduo não é fácil provocar mudanças
deliberadas [numa determinada prática institucionalizada].

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

Fonte: <https://www.librasol.com.br/?attachment_id=26269>

Os estudos da Sociolinguística envolvem, principalmente, a reflexão sobre o


desenvolvimento e os diferentes usos da língua e da linguagem humana, considerando o fluxo
contínuo e ininterrupto no qual os seres humanos se apropriam e se utilizam das possibilidades
comunicativas e reflexivas que estão ligadas a essa área do conhecimento. A variação linguística em

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

Libras é um assunto muito complexo e apresenta diversas questões que devem ser analisadas.
Compreender sobre as variações linguísticas da língua de sinais requer uma visão histórica sobre os
surdos enquanto minoria linguística, já que a Libras é uma língua de resistência da comunidade
surda.

Nesse aspecto, observa-se que toda a variação linguística deve ser respeitada, tratada
como um fenômeno natural dentro da língua, já que esse processo ocorre de forma natural e é
atrelado à história que a língua traz consigo. Os novos sinais, ou sinais diferentes daquele habitual
de uma determinada região, trazem a riqueza da língua, permitem que se partilhem experiências e
conceitos que partem de pontos de vista diferentes para um dado sinal que embora diferente em
sua forma possua um mesmo significado.

A comunidade surda é de grande importância para a socialização da língua e cultura, das


experiências e forma de estar no mundo. A língua é atrelada à cultura. Strobel (2009) apresenta
características da cultura surda e a língua é um fator de elo, pois a língua de sinais é uma das
principais marcas de identidade de um povo surdo, pois é uma das peculiaridades da cultura surda.
A interação na comunidade surda produz mais sobre a língua, estabelece um fortalecimento de
identidades compartilhadas lutando assim pelo resgate da sua língua e de tudo que foi negado
historicamente aos surdos.

Fonte: <http://docplayer.com.br/39430023-Exemplo-sinal-nome-variacao-regional>

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

TEMA 04
PARTE 02

5.2 PARÂMETROS DA LIBRAS

Em relação às línguas de sinais (LS), até a década de 1960, não sabíamos se essas línguas,
assim como as línguas orais, também se decompunham em partes menores. Somente nos anos
1960, quando Willian C. Stokoe, um linguista americano, iniciou sua pesquisa em Língua de Sinais
Americana (ASL), ficou claro que também as línguas de sinais se decompunham em partes menores,
que sozinhas não têm significado – essas partes menores são chamadas na Linguística de Fonemas.
No início das pesquisas em línguas de sinais, as unidades mínimas dessas foram chamadas de
"quiremas" (do grego, mãos). Porém, nos estudos atuais sobre as LS, os pesquisadores têm usado o
termo Fonema para se referir, não somente aos sons de uma língua, mas também às unidades
menores que compõem os sinais. Atualmente, as pesquisas apontam a existência de cinco
componentes dos sinais, os chamados Parâmetros das LS: a configuração de mão, o ponto de
articulação, o movimento, a orientação e as expressões não-manuais. Abaixo vamos conhecer cada
um desses componentes dos sinais.

5.3 CONFIGURAÇÃO DE MÃO

Observe os sinais1 abaixo.

Significado do sinal: educação, educado (a). Significado do sinal: hábito, costume.

São sinais idênticos que se diferenciam apenas pela mudança da forma assumida pela mão
no momento da articulação do sinal. A configuração de mão é essa forma da mão, a qual compõe a
estrutura do sinal. Vejam abaixo as formas das mãos que são utilizadas para se realizarem os sinais
acima.

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

O que ocorre com esses sinais é o mesmo que acontece com pares de palavras do português
que são diferentes apenas pela mudança de um fonema. Por exemplo: as palavras “vaca” e “faca”,
que têm somente os fonemas /f/ e /v/ que as diferenciam. No exemplo anterior, vimos dois sinais
que se diferenciam apenas pela configuração de mão. Agora vamos ver dois exemplos de sinais que
compartilham a mesma configuração de mão. No início das pesquisas sobre a Libras no Brasil,
Ferreira-Brito (1995) identificou 46 configurações de mão. Hoje, alguns estudos em andamento, têm
identificado cerca de 70 configurações. Vejamos, na próxima página, algumas configurações de mão
existentes na Libras, conforme estudo de Ferreira-Brito.

É importante frisar que as configurações NÃO são letras. As ditas letras que usamos na
LIBRAS como "empréstimo linguístico"(muito importante ter isso claro, pois a datilologia não é de
fato LIBRAS é apenas um empréstimo linguístico) se oriunda das configurações de mãos, e não o
oposto. A base da língua não são as letras. A base morfológica da libras são as configurações de
mãos.

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

Finalizado o período militar, os surdos tiveram a maior liberdade para se comunicar,


possibilitando que os pesquisadores investissem no estudo linguístico da Libras. Foi aí que Nelson
Pimenta conseguiu catalogar 61 configurações de mãos:

Fonte: <https://cursos.escolaeducacao.com.br/artigo/configura-es-de-m-o>

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

5.4 PONTO DE ARTICULAÇÃO OU LOCAÇÃO

É a área do corpo na qual ou próxima da qual se articula o sinal. Observe nos sinais abaixo a
parte do corpo onde são articulados.

Esses dois sinais se distinguem apenas pelo ponto de articulação: o primeiro é realizado
próximo à testa; o segundo, próximo à boca. No exemplo anterior, vimos dois sinais que se
diferenciam apenas pelo ponto de articulação. Agora vamos ver dois sinais diferentes que têm o
mesmo ponto de articulação.

Ambos os sinais acima têm o mesmo ponto de articulação – o queixo. Na figura abaixo,
podemos ver vários pontos de articulação em que realizamos os sinais.

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

5.5 MOVIMENTO

É o movimento realizado pelas mãos do enunciador no espaço. É um parâmetro complexo


que pode envolver formas e direções diferentes (QUADROS; KARNOPP, 2004, p.54). Observe os
sinais abaixo:

Antes de comentar sobre o movimento desses sinais, vamos refletir sobre a configuração de
mão e o ponto de articulação. Vejam que esses dois sinais são realizados com a mesma configuração
de mão. Abaixo segue a configuração de mão realizada.

Ambos os sinais também têm o mesmo ponto de articulação: são realizados à frente do
corpo do sinalizador, no espaço neutro. No entanto, eles se diferenciam pelo movimento realizado.

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

O primeiro sinal, o movimento se faz para frente, em um arco (como se colocássemos uma
fita num vídeo cassete). Já no segundo sinal, o movimento se faz de forma alternada com as duas
mãos, para frente e para trás. De acordo com Ferreira-Brito (1995), o parâmetro movimento é
bastante complexo, sendo que podemos observar, nos sinais, diferentes tipos de movimento:
movimento interno da mão, movimento do pulso e movimento direcional no espaço. Vejamos os
exemplos desses tipos de movimento nos sinais abaixo.

No sinal relativo a aprender, o movimento se faz internamente, com o abrir e o fechar da


mão, ocasionando a mudança na configuração de mão. Já no sinal relativo a precisar, o movimento
se faz com os pulsos, para baixo e para cima.

5.6 ORIENTAÇÃO

De acordo com Quadros e Karnopp (2004), o parâmetro orientação é a direção para a qual a
palma da mão aponta quando produzimos o sinal. Existem seis tipos de orientação de mão: para
cima e para baixo, para dentro (em direção ao corpo do sinalizador) e para fora, para os lados. Vejam
abaixo as ilustrações que mostram as diferentes orientações das mãos.

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

5.7 EXPRESSÕES NÃO-MANUAIS

São as expressões faciais e corporais, movimentos do corpo, da face, da cabeça e dos olhos
realizados no momento da articulação do sinal. Observe os sinais abaixo.

No primeiro sinal, precisamos fazer uma expressão facial de tristeza; já no segundo sinal, a
expressão facial fica mais neutra. Observe que a configuração de mão e o ponto de articulação são
os mesmos nos dois sinais. Quando pronunciamos, por exemplo, a palavra “casa”, falamos cada
fonema numa sequência linear (os sons são produzidos linearmente, um de cada vez). No entanto,
ao falarmos o sinal relativo à casa, articulamos simultaneamente vários “fonemas” que compõem
esse sinal:

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

▪ Colocamos a mão num formato específico;


▪ A configuração de mão ao lado;

▪ Posicionamos as mãos no espaço neutro (na frente de nosso corpo) – que é o ponto de
articulação do sinal;
▪ Colocamos as mãos em orientações opostas (a direita com a palma para a esquerda e a mão
esquerda com a palma para a direita);
▪ Fazemos um movimento retilíneo com uma mão em direção à outra, tocando a ponta dos
dedos; - Fazemos a expressão facial neutra.

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

TEMA 05
PARTE 01

6. DIDÁTICA E DINÂMICA DE ENSINO AOS SURDOS

6.1 DIDÁTICA DE ENSINO AOS SURDOS

Os estudos da Didática se inserem no rol de outras disciplinas consideradas implicadas no


contexto educacional. Assim, a Pedagogia, a Didática e o Currículo se apresentam interligados, difícil
é separá-las, pois predominam quase simultaneamente no contexto educacional. Inicialmente, nos
cabe apresentar aqui a Didática, bem como delinear uma conceituação da mesma. Ela se apresenta
como sendo a disciplina da atividade do professor em vista a introduzir o objeto de conhecimento
ao aluno. Dessa forma, vamos nos preocupando em conceituar a palavra em termos de etimologia.

Fonte: https://www.unifesspa.edu.br

Em algumas situações, notamos que os termos “ensino, aprendizagem e Didática” parecem


pertencer mais à Pedagogia tradicional. O campo teórico educacional tem passado por muitas
transformações é, hoje, muito diversificado. É preciso ter cuidado ao constituir um conceito. Um
conceito utilizado em um campo teórico não é o mesmo utilizado em outro. Assim, neste caderno
pedagógico com base cultural, cada conceito deve tender a este campo. Como já mencionado,
encontramo-nos numa temporalidade cultural fortemente contestada e daí surge a necessidade de
o conceito atender a situação teórica. De outra forma, também ele não vai esgotar aqui todos os

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

conceitos sobre didática. A Didática pode conceituar-se naquele conjunto de comportamentos,


atitudes e valores de que o professor se utiliza e segundo o qual consegue aproximar o aluno do
conhecimento. Seriam aqueles procedimentos implicantemente usados nos rituais de ensino.

Fonte: <https://www.opopular.com.br>

Na teoria cultural formas “Didáticas” concebidas para transmitir os conhecimentos


acumulados pelas gerações que nos antecederam variam muito. Planejar o ensino nem sempre tem
sido da mesma forma.

Foto: <https://educacaopublica.cecierj.edu.br>

Os surdos como sobreviventes após os palcos da educação moderna em que a Didática se


serve com métodos orais ou de treinamento do som, no sentido de recuperar a audição e a fala, e
ainda se serve de meios que nos tratam como anormais, já pode ser coisa do passado. Ou nos palcos
atuais da teoria crítica em que podemos usar a língua de sinais, mas tem que saber português a fim
de não ficar com aquilo que nos torna uma diversidade, ou seja, na afirmação desta teoria; “a língua
de sinais é inferior”, também pode deixar de existir. Uma questão que deveríamos trazer para a
discussão é sobre a Didática cultural. Os questionamentos: já entendemos porque ela não é didática
moderna e nem didática crítica? Entendemos porque ela se apresenta diferente? O que ela tem que

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

a difere? Existe didática cultural em qualquer cultura? O jeito de programar não é equivalente entre
elas?

Se notarmos que há uma série de diferenças entre as Didáticas, pois a Didática moderna ou
tecnicista foi elaborada por educadores de direita. Dessa forma, ela sempre disputa a hegemonia
do grupo dominante. A Didática crítica tem uma ideia de constituir um ponto de apoio para o sujeito
sair da subalternidade e ser caracterizado como integrante da cultura da maioria. Como vimos, estes
aspectos não estão valorizando a cultura, estão tendendo a universalidade e a globalização.

Fonte: <https://jornalistainclusivo.com/ensino-de-libras-podera-ser-obrigatorio/>

A Didática Cultural dos Surdos existe desde que o surdo encontrou o surdo. Um dos exemplos
é aquele que se encontra registrado na prática do professor Eduard Huet. A diferença na Didática
por ele utilizada é de que não despreza nada. Ele planeja que o ensino ao surdo possa conter
qualquer conteúdo que é legado da humanidade. Mas ele usa um jeito de interagir com o surdo.
Isto possibilita que o surdo aja de forma autônoma. Ele usa de estratégias que permitam interagir
com o surdo em vista do conhecimento, estratégias que problematizam, definem e levam ao
encontro do conhecimento. Este professor não visa a correção do aluno, mas a introdução dele no
conhecimento.

Neste tipo de ensino, nunca vai dizer ao aluno: você tem uma falta, mas vai dizer: o
conhecimento está aí e você pode se apossar dele. Outro dado importante é que a Didática Cultural
dos Surdos sempre questiona sobre o que é próprio dos surdos e também questiona sobre como
alguém se constituiu superior aos surdos. Isto é, questiona as práticas normalizadoras dos ouvintes
sobre os surdos. Ela tem o sujeito surdo como sujeito multifacetado, com múltiplas identidades, um
sujeito diferente, que se utiliza de língua e cultura diferentes. A Didática dos surdos programa as
atividades de tal forma que trata os surdos como sujeitos de seu destino social.

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

Fonte: <https://br.pinterest.com/pin/674343744185357360/>

A pesquisadora surda, Reis (2006) refere sobre a transgressão pedagógica do professor


surdo. Ela deixou claro isto quando refere que o professor surdo realiza uma Didática diferente. A
transgressão pedagógica acontece ao planejar diferente no jeito de ensinar. O que ela estava
dizendo? Simplesmente estava dizendo que é evidente que os professores surdos acham necessário
desconstruir e construir do jeito surdo a prática Didática. Esta desconstrução no entender do
professor surdo é o jeito de ensinar que melhor aproxima o conhecimento do sujeito surdo e que
faz dele um sujeito que desenvolve atitudes próprias diante da vida e independência do ouvinte. É
a Didática na forma cultural própria.

Mas o que é transgredir?

Significa não fazer didática como os ouvintes fazem do nosso jeito, surdo. Significa de ensinar
de forma cultural, dessa forma, acrescentando aos temas referentes ao ensino que é patrimônio da
humanidade e, além disto, estender o conhecimento também a nossa diferença surda. Corazza
(2005, p. 113) quem fala que nesta concepção a “linguagem é produtora de significados sobre as
coisas”. A aprendizagem do surdo, a partir da Didática cultural surda, só pode ganhar com tais
concepções. Daí, porque a Didática se utilizando da língua de sinais evoluiu politicamente com tanta
propriedade que hoje temos o curso Letras/Libras como um dos mais avançados componentes
políticos da Didática dos surdos.

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

Fonte: <https://www.dialogando.com.br/sustentabilidade/dia-nacional-do-surdo>

Este preparo didático diferente, deixa os surdos em vantagem. Abrevia o tempo da


aprendizagem pela gama de conhecimentos que é capaz de transmitir. Importa, então, narrar a
prática de planejar. Para Silveira (2006), o professor não costuma registrar sua Didática, muitos
professores surdos costumam rabiscar algo na agenda. Enfim, a prática de planejar poder estar em
constante aprimoramento, em que o professor é pesquisador, questionador, e preocupado com o
aprendizado de seus alunos.

Quando nos deparamos com as dificuldades de alunos, questionamo-nos onde houve o erro
didático, o nosso planejar, claro que não podemos nos deter em aperfeiçoar o nosso planejamento
com o intuito de deixar tudo em ordem, em sistematizar as aulas, devemos deixar em foca os
planejamentos sob suspeita, ou seja, planejar no ritmo da sala de aula, do aluno, com as suas reais
necessidades, com os seus questionares na sala de aula, isto é, os professores nesta situação, devem
ser apenas mediadores do ensino e não como meros transmissores de conteúdo.

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

TEMA 05
PARTE 02

6.2 LITERATURA SURDA

A literatura surda está relacionada com a cultura surda. A literatura da cultura surda, contada
na língua de sinais de determinada comunidade linguística, é constituída pelas histórias produzidas
em língua de sinais pelas pessoas surdas, pelas histórias de vida que são frequentemente relatadas,
pelos contos, lendas, fábulas, piadas, poemas sinalizados, anedotas, jogos de linguagem e muito
mais. O material, em geral, reconta a experiência das pessoas surdas, no que diz respeito, direta ou
indiretamente, à relação entre as pessoas surdas e ouvintes, que são narradas como relações
conflituosas, benevolentes, de aceitação ou de opressão do surdo. As histórias, Cinderela Surda,
Rapunzel Surda e Patinho Surdo, tematizam a importância da língua de sinais, da cultura e
identidade surda.

Fonte: <aminoapps.com/c/leitores-br/page/blog/literatura-surda>

Livros de literatura que tematizem a experiência de pessoas surdas são escassos. No entanto,
as histórias são contadas e circulam na língua de sinais, que repassa, de uma geração para outra, os
valores, o orgulho de ser surdo, os feitos dos líderes surdos, as histórias de vida e as dificuldades de
participação em uma sociedade que os exclui pela diferença linguística e cultural que possuem.
Desse modo, a literatura surda é, num certo sentido, uma tradição “em sinais” e é, eventualmente,
registrada em filmes ou vídeos. Outras formas de registro são as traduções das histórias para a
língua escrita do país, por exemplo, as histórias que são contadas na língua de sinais brasileira e que
são, posteriormente, traduzidas para a escrita da língua portuguesa.

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

Contar histórias é um hábito tão antigo quanto a civilização. Contar histórias é um ato que
pertence a todas as comunidades: comunidades indígenas, comunidades de surdos, entre outras.
Contar histórias, piadas, episódios em línguas de sinais pelos próprios surdos é um hábito que
acompanha a história das comunidades surdas. Cabe, então, coletar as narrativas que surgem
nessas comunidades, para que não desapareçam com o tempo.

Fonte: <http://www.educacao.pr.gov.br>

Surdos reúnem-se frequentemente para contar histórias e, entre as preferidas, estão as


histórias de vida, as piadas e aquelas que incluem elementos da cultura surda, com personagens
surdos, com tramas que, em geral, envolvem as diferenças entre o mundo surdo e o ouvinte. (Alves
e Karnopp 2003). Para Kyle & Allsop (1982) a comunidade surda é diferente de outras comunidades
linguísticas em muitos aspectos, já que eles não estão geograficamente em uma mesma localidade,
mas estão espalhados em várias partes do mundo. Pessoas surdas não trabalham em um mesmo
local.

Em alguns centros urbanos, eles encontram seus pares surdos somente duas ou três vezes
por semana e passam a maior parte de seu tempo em um mundo ouvinte. Esse fato produz um
padrão de comunidade em que o tempo que os surdos permanecem juntos é fragmentado; por
outro lado, são extremamente próximos uns dos outros. Essa característica social faz com que
pessoas surdas mantenham suas vidas na comunidade surda, participando da associação de surdos,
realizando atividades conjuntas, estudando em uma mesma escola, empreendendo lutas e
reivindicações conjuntas.

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

Fonte:<www.camarainclusao.com.br>

Alguns dos materiais existentes são os que traduzem os textos clássicos da literatura
universal e/ou brasileira para a LIBRAS. A editora “Arara Azul” disponibiliza a coleção “Clássicos da
Literatura em CD-R em LIBRAS/Português”, em que uma equipe de tradutores faz a tradução da
língua portuguesa para a LIBRAS. Os clássicos traduzidos são para crianças: Alice no País das
Maravilhas (Lewis Carroll, 2002), as aventuras de Pinóquio (Carlo Collodi, 2003), A história de Aladim
e a lâmpada maravilhosa (autor desconhecido, 2004). Há também obras para jovens e adultos das
literaturas de língua portuguesa: Iracema (José de Alencar, 2002), o velho da horta (Gil Vicente,
2004), O Alienista (Machado de Assis, 2004), O Caso da Vara (Machado de Assis, 2005) A Missa do
Galo (Machado de Assis, 2005), A cartomante (Machado de Assis 2005), O Relógio de Ouro
(Machado de Assis 2005).

Fonte: <https://pt.slideshare.net/guidagava/a-literatura-surda-e-a-lngua-de-sinais>

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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

A história “A cigarra surda e as formigas” – escrita por duas professoras de surdos, Carmem
Oliveira e Jaqueline Boldo, uma ouvinte e a outra surda, respectivamente – apresenta como tema a
importância da amizade entre surdos e ouvintes e faz um apelo ao final da história “Amiguinhos
precisamos respeitar as diferenças. ” (Oliveira; Boldo, s.d.). Na apresentação do livro, uma das
autoras enfatiza que essa história foi fruto do trabalho realizado em sala de aula, onde houve uma
apresentação teatral por crianças surdas, em Libras, e também a produção do texto em sign writing
e na língua portuguesa.

O livro foi produzido manualmente e as ilustrações foram realizadas por um aluno.


Apresenta – nas páginas em terminação numérica par – três possibilidades de leitura: a) através da
língua portuguesa, b) através do desenho do sinal c) através da escrita do sinal (SW). Percebemos
que, no livro, não está totalmente legível a escrita dos sinais, provavelmente por ter sido produzido
manualmente. Além disso, nas páginas ímpares, há ilustrações que remetem ao desenvolvimento
da história.

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No livro “Adão e Eva”, os autores contam a origem da língua de sinais e salientam que
versões dessa história são recorrentes nas comunidades de surdos. Na história, após comer a maçã,
o casal percebe sua nudez e começa a usar a fala, já que as mãos estão ocupadas em esconder os
corpos desnudos. Não se sabe se Adão e Eva eram surdos ou ouvintes, pois o livro não pontua isso.
O objetivo é refletir sobre a possibilidade de as línguas de sinais serem utilizadas por diferentes
comunidades, sejam elas ouvintes ou surdas. As ilustrações são em preto e branco e há um glossário
ao final do livro.

O livro “Patinho Surdo” (Rosa e Karnopp 2005) conta a história de um patinho surdo que
nasceu em um ninho de ouvintes. Quando encontra patos surdos, aprende com eles a Língua de
Sinais da Lagoa e descobre sua história de vida. O texto aborda as diferenças linguísticas na família
e na sociedade, além de apresentar a importância do intérprete na comunicação entre surdos e
ouvintes. As ilustrações são em preto e branco e há um glossário ao final do livro.

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“Cinderela Surda” faz uma releitura do clássico “Cinderela” e apresenta aspectos da cultura
e identidade surda. O texto está numa versão bilíngue, ou seja, as histórias estão escritas em
português e também na escrita da língua de sinais (sign writing). As ilustrações acentuam as
expressões faciais e os sinais, destacando elementos que traduzem aspectos da experiência visual.
Nesse livro, as ilustrações ocupam uma página e a outra registra a história em sign writing e na
língua portuguesa.

“Rapunzel Surda” tematiza a aquisição da linguagem e a variação linguística nas línguas de


sinais. Isolada em uma torre, longe dos pais e do convívio com outras pessoas, Rapunzel tinha
contato somente com a bruxa, que a raptara. Na história de Rapunzel, não há um ambiente
linguístico para a aquisição e o desenvolvimento da linguagem, não há usuários da língua até que
ela felizmente encontra o príncipe. A partir disso, começa a se apropriar dos sinais. Diz o texto, “a
bruxa começou a desconfiar que alguma coisa estava acontecendo, pois Rapunzel de repente estava
usando muitos sinais.” (p. 24).

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REFERÊNCIAS
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___________. Decreto Federal nº 7611 de 17 de novembro de 2011. Disponível em: Acesso em: 30
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___________. Lei Federal nº 10436 de 24 de abril de 2002: Lei de Libras. Disponível em: Acesso em:
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CAPOVILLA, F. C.; RAPHAEL, W. D. Dicionário enciclopédico ilustrado trilíngue da Língua de Sinais
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FRIZANCO, Mary Lopes Esteves; HONORA, Márcia. Livro ilustrado de Língua Brasileira de Sinais,
2009.
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tradutor em formação. São Paulo: Editora Contexto, 2000.
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