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Capítulo 28

Campos Magnéticos
28-1 Campos Magnéticos e a Definição de B
Introdução
Linhas de Campo Magnético
Podemos representar campos magnéticos usando linhas de campo, como fizemos
no caso dos campos elétricos. Regras semelhantes se aplicam:
(1)a direção da reta tangente a uma linha de campo magnético fornece a direção
do campo B nesse ponto;
(2) o espaçamento das linhas indica o módulo de B: quanto maior,
mais próximas estão as linhas, e vice-versa.
Dois Polos. As linhas de campo magnético entram em um ímã por uma
extremidade, que é chamada de polo sul, e saem pela outra
extremidade, que é chamada de polo norte. Como um ímã tem dois
polos, é chamado de dipolo magnético.

(a) Linhas de campo magnético nas proximidades de um ímã em forma de barra. (b) Um "imã de vaca", ímã em forma de barra
introduzido no rúmen das vacas para evitar que pedaços de ferro ingeridos acidentalmente cheguem ao intestino do animal. A
limalha de ferro revela as linhas de campo magnético.
Uma informação útil sobre as linhas de campo magnético é que elas são sempre
fechadas, pois vimos que no caso magnético não existem monopolos magnéticos, ou
seja, nunca podemos isolar um dos polos magnéticos. Com isso, chegamos na
conclusão que numa superfície gaussiana fechada qualquer o fluxo do campo
magnético será sempre nulo
Então, temos que o campo magnético 𝐵 satisfaz:

ර 𝐵 ⋅ 𝑑𝐴 = 0 ⟺ 𝛻 ⋅ 𝐵 = 0
𝑆
Teorema do
divergente

Analogo da Lei de Gauss para o campo magnético


A Definição de B
O Campo. Podemos dizer que o campo magnético B é uma grandeza vetorial que
exerce uma força FB sobre uma partícula carregada que se move com velocidade v.
Medimos o valor do módulo de FB quando v é perpendicular a essa força e definimos
o módulo de B em termos desse valor:
𝑞 ⟶ carga da partícula
em que q é a carga da partícula. A força exercida pelo campo magnético pode ser
descrita por meio da equação vetorial

O módulo da força FB é dado por

em que  é o ângulo entre as direções da velocidade v e do campo magnético B.

𝜙 ⟶ ângulo entre as direções da velocidade v e do campo magnético 𝐵


𝑁Τ𝐶
No 𝑆. 𝐼, temos ⟶ 𝐵 = ≡ 1𝑇 (Tesla)
𝑚Τ𝑠
Determinação da Força Magnética

Essa equação mostra qual é a direção de FB. Sabemos que o produto vetorial de v e B é
um vetor perpendicular aos dois vetores. De acordo com a regra da mão direita
(figuras a-c), o polegar da mão direita aponta na direção de v  B quando os outros
dedos apontam de v para B. Se a carga q é positiva, a força FB tem o mesmo sinal que
v × B e aponta no mesmo sentido, ou seja, no sentido do polegar (figura d). Se a carga q
é negativa, a força FB e o produto v  B têm sinais opostos e a força FB aponta no
sentido oposto ao do polegar (figura e).
Determinação da Força Magnética

Respostas:
(a)a direção do
semieixo z positivo
(b)a direção do
semieixo x negativo
(c)nenhuma (o
resultado do produto
vetorial é zero)
Na equação 2 da força sobre uma partícula carregada, supomos que só existe
campo magnético atuando sobre ela, mas se existir também um campo elétrico 𝐸 na
região onde a carga se encontra, teremos:
𝐹Ԧ = 𝑞 𝐸 + v × 𝐵 5
A equação 5 é conhecida como força de Lorentz

Se a carga 𝑞 sofre um deslocamento 𝑑𝑙 durante um intervalo de tempo 𝑑𝑡, temos


𝑑𝑙 = v ⋅ 𝑑𝑡, e o trabalho realizado pela força de Lorentz é:

𝑑𝑊 = 𝐹Ԧ ⋅ 𝑑𝑙 = 𝐹Ԧ ⋅ v 𝑑𝑡 = 𝑞 v ⋅ 𝐸 + v ⋅ v × 𝐵 𝑑𝑡 = 𝑞 v ⋅ 𝐸 𝑑𝑡
=0
Logo,
𝑑𝑊
𝑃= =𝑞v⋅𝐸 6
𝑑𝑡
• Notamos que a potência associada à força de Lorentz é devida exclusivamente ao
campo elétrico. O campo magnético não realiza trabalho,
28-2 Campos Cruzados: A Descoberta do Elétron
Uma versão moderna do equipamento
usado por J.J. Thomson para medir a
razão entre a massa e a carga do
elétron. Um campo elétrico E é criado
ligando uma fonte aos terminais das
placas defletoras, e um campo
magnético B é criado fazendo passar
uma corrente por um conjunto de
bobinas (que não é mostrado na
figura). O sentido do campo magnético
é para dentro do papel, como mostram
as cruzes (que representam as
extremidades traseiras de setas).

A deflexão causada pelo campo elétrico 𝐸 pode ser obtida


aplicando a 2ª lei de Newton:
𝐹 𝑒. 𝐸 1 2 𝑚 𝐵2 . 𝐿2
𝑦 = ⋅ 𝑎 ⋅ 𝑡 2 𝑒. 𝐸. 𝐿 =
𝑎𝑦 = = ⟹ቐ 2 𝑦
⟹𝑦=
𝑚 𝑚 2. 𝑚. v 2 𝑒 2. 𝑦. 𝐸
𝐿 = v.t
28-3 Campos Cruzados: O Efeito Hall
Como vimos, um feixe de elétrons no vácuo pode ser desviado
por um campo magnético. Será que os elétrons que se movem
no interior de um fio de cobre também podem ser desviados
por um campo magnético? Em 1879, Edwin H. Hall, na época
um aluno de doutorado, de 24 anos, da Johns Hopkins
University, mostrou que sim.
Esse desvio, que mais tarde veio a ser conhecido como efeito
Hall, permite verificar se os portadores de corrente em um
condutor têm carga positiva ou negativa. Além disso, pode ser
usado para determinar o número de portadores de corrente por
unidade de volume do condutor.
A figura (a) mostra uma fita de cobre de largura d percorrida
por uma corrente i cujo sentido convencional é de cima para
baixo na figura. Os portadores de corrente são elétrons que,
como sabemos, se movem (com velocidade de deriva vd) no
sentido oposto, de baixo para cima.
Com o passar do tempo, os elétrons se acumulam na borda
direita da fita, deixando cargas positivas não compensadas na
borda esquerda, como mostra a figura (b)
Quando um campo magnético unifome B é aplicado a uma fita
condutora percorrida por uma corrente i, com o campo
perpendicular à direção da corrente, uma diferença de
potencial V é estabelecida entre os lados da fita e a força
elétrica FE e a força magnética FB se cancelam mutuamente.
𝐹Ԧ𝑚𝑒𝑑 = 𝑞 v × 𝐵 = 𝑞 v 𝐵𝑖Ƹ × 𝑘෠ = −𝑞 v 𝐵𝑗Ƹ
𝑞. 𝐸ℎ = q v × 𝐵
Se 𝑑 é a largura da barra, a diferença de potencial
transversal á corrente assim gerada é:
𝐽 𝑖 𝐵.𝑑
𝑉ℎ = 𝐸ℎ . 𝑑 = v . B. d = 𝐵. 𝑑=
𝑛.𝑞 𝑙𝑑 𝑛.𝑞
a
Uma vez estabelecido o equilíbrio, a concentração n dos
portadores de carga pode ser calculada usando a
equação
28-4 Uma Partícula Carregada em Movimento
Circular
Um feixe de elétrons é lançado em uma câmara
por um canhão de elétrons G. Os elétrons se
movem no plano da tela com velocidade v, em
uma região na qual existe um campo magnético
B que aponta para fora da tela.
28-5 Cíclotrons e Síncrotrons
O Cíclotron: A figura mostra uma vista de topo da região de um
cíclotron na qual circulam partículas (prótons, por exemplo). As
paredes de duas câmaras em forma de D (abertas na parte plana)
são feitas de cobre. Os dês, como são chamados, estão ligados a
um oscilador que alterna o potencial elétrico de tal forma que o
campo elétrico na região entre os dês aponta ora em um sentido,
ora no sentido oposto. Ao mesmo tempo, é aplicado um campo
magnético de alta intensidade que aponta para fora do plano da
tela. O módulo B desse campo depende da corrente do eletroíma
responsável pela produção do campo.
O funcionamento do cíclotron se baseia no fato de que a frequência f com a qual a
partícula circula sob o efeito do campo magnético (e que não depende da velocidade)
pode ser igual à frequência fosc do oscilador elétrico, ou seja,

De acordo com essa condição de ressonância, para que a energia da partícula


aumente é preciso que a frequência fosc do oscilador elétrico seja igual à frequência
com a qual a partícula circula sob o efeito do campo magnético.
28-6 Força Magnética em um Fio Percorrido por uma
Corrente
Consideremos um trecho infinitesimal 𝑑𝑙 de um fio
condutor de secção transversal 𝐴, percorrido por uma
corrente estacionária 𝑖 situado numa região com um
campo magnético uniforme.
Assim, o trecho é percorrido por uma densidade de
Ԧ Supondo que seja um fio
corrente elétrica, 𝐽.
condutor, onde os portadores de carga são elétrons
livres. Assim, usando que ⟶ 𝐽Ԧ = −𝑛. 𝑒. v

Num campo magnético 𝐵, a força média sobre


cada elétron livre será: Um fio flexível passa entre os polos de
𝐹Ԧ = −𝑒. v × 𝐵 um ímã (apenas o polo mais distante
aparece no desenho). (a) Quando não
há corrente, o fio não se encurva para
Já a densidade de força 𝑓Ԧ (força por unidade de nenhum lado. (b) Quando há uma
corrente para cima, o fio se encurva
volume) exercida pelo campo magnético sobre a para a direita. (c) Quando há uma
corrente será: corrente para baixo, o fio se encurva
para a esquerda.
𝑓Ԧ = −𝑛. 𝑒. v × 𝐵 ⟺ 𝑓Ԧ = 𝐽Ԧ × 𝐵
Assim, a força total d𝐹Ԧ exercida sobre os elétrons
livres contidos no volume 𝐴. 𝑑𝑙 do condutor será
então:
𝑑 𝐹Ԧ = 𝑓Ԧ . 𝐴. 𝑑𝑙 = 𝐽.Ԧด𝐴 dl × 𝐵 ⟹ 𝑑 𝐹Ԧ = 𝑖 𝑑𝑙 × 𝐵
=𝑖
No caso de uma corrente continua e retilínea
submetida a um campo uniforme, obtemos:
𝐹Ԧ = 𝑖 𝐿 × 𝐵
𝐿 ⟶ Vetor comprimento de módulo 𝐿 que aponta
na direção do fio e tem o sentido convencional Um fio flexível passa entre os polos de
da corrente que o percorre um ímã (apenas o polo mais distante
aparece no desenho). (a) Quando não
há corrente, o fio não se encurva para
nenhum lado. (b) Quando há uma
corrente para cima, o fio se encurva
para a direita. (c) Quando há uma
corrente para baixo, o fio se encurva
para a esquerda.
28-7 Torque em uma Espira Percorrida por uma
Corrente
Os elementos de um motor elétrico. Uma
Para o lado 2 temos: espira retangular de fio, percorrida por uma
corrente e livre para girar em torno de um
𝐹Ԧ2 = ibB. sen 90∘ − 𝜃 𝑘෠ = ibB. cos 𝜃 𝑘෠ eixo, é submetida a um campo magnético.
Forças magnéticas produzem um torque que
A força sobre o lado 4 é: faz a espira girar. Um comutador (que não
aparece na figura) inverte o sentido da
corrente a cada meia revolução para que o
𝐹Ԧ4 = −ibB. sen 90∘ − 𝜃 𝑘෠ = −ibB. cos 𝜃 𝑘෠ torque tenha sempre o mesmo sentido.

As forças 𝐹Ԧ2 e 𝐹Ԧ4 se cancelam. Além disso como as duas são aplicadas ao longo da reta
que coincide com o eixo de rotação da espira, o torque total produzido por essas
forças também é zero
A situação é diferente para os lados 1 e 3:
𝐹Ԧ1 = iaB𝑗Ƹ 𝐹Ԧ3 = −iaB𝑗Ƹ
Como estas forças têm sentidos opostos e igual módulo
não tendem a mover a espira para cima ou para baixo.
Entretanto, as duas forças não estão aplicadas ao longo
da mesma reta e, portanto, o torque respeito ao eixo de
rotação da espira não é zero. Esse torque pode ser
calculado como:
𝑏 𝑏
𝜏Ԧ = − ⋅ 𝑖𝑎𝐵. sin 𝜃 𝑘 − ⋅ 𝑖𝑎𝐵. sin 𝜃 𝑘෠ = −𝑖𝑎𝑏𝐵. sin 𝜃 𝑘෠

2 2
Como mostra a figura, a força total que age sobre a espira é zero. O módulo do torque que age
sobre a espira é dado por

em que N é o número de espiras da bobina, A é a área das espiras, i é a corrente, B é o módulo


do campo magnético e θ é o ângulo entre o campo magnético B e o vetor normal n.
28-8 Momento Dipolar Magnético
Na presença de um campo magnético uniforme B, uma bobina de área A e
N espiras, conduzindo uma corrente i, é submetida a um torque τ dado por

em que μ é o momento dipolar magnético da bobina, de módulo μ = NiA e


sentido dado pela regra da mão direita.
A energia associada à orientação de um dipolo magnético na presença de
um campo magnético é dada por

Se um agente externo faz um dipolo magnético


girar de uma orientação inicial θi para uma
orientação final θf e o dipolo está em repouso
antes e depois da rotação, o trabalho Wa
realizado pelo agente externo sobre o dipolo é
dado por
28 Resumo
O Campo Magnético B Força Magnética em um Fio
●É definido em termos da força FB Percorrido por Corrente
que age sobre uma partícula de ●Um fio retilíneo percorrido por uma
prova de carga q que passa pelo corrente i em um campo magnético
campo com velocidade v uniforme B é submetido a uma força
Eq. 28-2 Eq. 28-26
Partícula Carregada Circulando
●A força que age sobre um elemento
em um Campo Magnético de corrente i dL em um campo
●Aplicando a segunda lei de Newton magnético é dada por
ao movimento circular, obtemos
Eq. 28-28
Eq. 28-15
Torque em uma Bobina
● e, portanto, o raio r da ●Na presença de um campo
órbita circular é dado por magnético, uma bobina é submetida
Eq. 28-16 a um torque dado por
Eq. 28-37
O Efeito Hall Energia de Orientação de
●Quando uma fita condutora na qual um Dipolo Magnético
existe uma corrente i é submetida a ●A energia de orientação de um
um campo magnético uniforme B, dipolo magnético na presença de
alguns portadores de carga se um campo magnético é dada por
acumulam em um dos lados da fita,
criando uma diferença de potencial V Eq. 28-38
entre os lados da fita. A polaridade da ●Se um agente externo faz girar
tensão depende do sinal dos um dipolo magnético de uma
portadores de carga. orientação inicial θi para uma
orientação final θf e o dipolo está
em repouso antes e depois da
rotação, o trabalho realizado pelo
agente sobre o dipolo é dado por
Eq. 28-39

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