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O que é resiliência?

O termo resiliência originalmente é um conceito da física e se refere à


propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após
terem sido submetidos a uma deformação elástica.

Analogamente a psicologia adota este termo para se referir à capacidade que


as pessoas têm de se adaptarem às dificuldades, traumas, ameaças, tragédias
ou fontes significativas que podem provocar estresse.

https://blog.psicologiaviva.com.br/o-que-e-resiliencia/

Resiliência: Quando se Escuta o Chamado da Alma

Erika Gonçalves Cardim

Chamamos de “resiliência” a capacidade de sermos sensíveis frente às


adversidades. Resiliência é uma palavra inglesa (resiliency, resilient)
proveniente da Física, que se refere à propriedade dos corpos elásticos de
recobrar sua forma original, liberando energia quando são submetidos a uma
força extrema. É sermos como o metal que sofre o calor do fogo, deforma-se e
então é capaz de refazer-se e reconstruir-se. Em outras palavras, é poder
encarar a dor como uma possibilidade de construção de novas bases, uma
transformação e esperança depois de vivenciar o sofrimento.

Uma metáfora que ilustra a questão da resiliência é o Livro de Jó, da Bíblia, em


que o próprio Jó é provado e sofre de todas as formas possíveis, perdendo sua
família, sua riqueza e sua saúde. Ao sofrer na pele a dor, foi possível que ele
se tornasse consciente de sua existência e passou a refletir a partir de uma
nova percepção de mundo, uma nova consciência, um novo conjunto que Jung
chama “Deus”. Esta nova consciência que o moveu na direção de sua
superação.

Dentro de cada um de nós reside uma força transformadora, um herói


adormecido que, diante de um obstáculo ou de uma “prova de fogo”, tem duas
opções: sucumbir ou seguir o chamado da alma buscando novos significados
para a vida. A busca de novos significados, para a Psicologia, é denominada
resiliência. São consideradas pessoas resilientes aquelas que passaram por
eventos com presença de sofrimento, mas se adaptaram positivamente frente
às situações adversas, encontrando caminhos para a reconstrução de suas
vidas (PALUDO, 2005).

O herói enquanto arquétipo presente em nossas vidas, especialmente em


momentos tempestuosos e difíceis (perda, luto, separação, etc) inicia sua
jornada saindo de um espaço externo e interno conhecidos em busca de algo
maior e, desta forma, enfrenta e supera dificuldades. O herói é a metáfora do
ser resiliente, que aceita o chamado e a prova de fogo. É inevitável que a
descida à escuridão da psique seja repleta de renúncias e sacrifícios, porém o
herói retorna transformado ao seu ponto de origem.

Para CAMPBELL (1992), sempre que seguimos o chamado da alma, que


buscamos o preenchimento, que saímos em busca do lugar onde nos sentimos
inteiros, estamos tomando o caminho dos heróis.

Talvez seja justamente o momento tempestuoso que nos permita contemplar a


vida humana e perceber que temos um potencial a ser desenvolvido,
independente das limitações que a Vida às vezes nos impõe. É poder enxergar
Vida em meio à tempestade. A resiliência consiste não apenas na
autopreservação diante de situações difíceis, mas também num
posicionamento positivo, apesar das dificuldades. É escutar e aceitar o
chamado da alma. Não é apenas “sobreviver”, mas encontrar forças internas
para a “reconstrução interna”.

Trata-se de uma dimensão espiritual, pois transcende o que nos é conhecido e


possibilita-nos experimentar a liberdade e desprendimento de nós mesmos.
Somos capazes de descobrir a dimensão espiritual apenas quando a
buscamos. E geralmente a busca surge em um momento de dor e sofrimento.
A dor, antes vista como vilã, convida-nos à reflexão e nos impulsiona a
mudanças nunca imaginadas.

A dor não deixa de ser uma morte. “Morte” aqui entendida não como o fim em
si, mas uma possibilidade latente, a “morte simbólica” que implica uma
passagem ou mudança para outros níveis de maior consciência e
entendimento, de autodescoberta e transcendência – a jornada heróica do
processo de Individuação.

Não dá pra SER pela metade, assim como não dá para VIVER pela metade.
Encarar esse processo como uma constante autodescoberta, faz brotar a
esperança e nos torna inteiros para a Vida.

http://www.animaestudosjunguianos.com.br/index.php/br/canal-jung/13/resiliencia-quando-
se-escuta-o-chamado-da-alma
O mito da Fênix: o maravilhoso poder da resiliência

Carl Gustav Jung nos explicou no seu livro “Símbolos de transformação”

que o ser humano e a ave Fênix têm muitas coisas em comum. Essa

emblemática criatura de fogo capaz de ressurgir majestosamente das

cinzas da sua própria destruição também simboliza o poder da resiliência,

essa capacidade inigualável de nos transformarmos em seres mais fortes,

corajosos e iluminados.

Se existe um mito que alimentou praticamente todas as doutrinas, as

culturas e as raízes lendárias dos nossos países, é sem dúvidas o mito que

faz referência à Fênix. Dizia-se que suas lágrimas eram medicinais, que  ela

tinha muita resistência  física, controle sobre o fogo e uma sabedoria

infinita. Ela era, em essência, um dos arquétipos mais poderosos para

Jung porque seu fogo abarcava tanto a criação quanto a destruição, a vida

e a morte…

“O homem que se levanta é ainda mais forte do que aquele que não caiu.”

-Viktor Frankl-

Paralelamente, é interessante saber que encontramos antigas referências à

sua mitologia tanto na poesia árabe quanto na cultura greco-romana, e até

mesmo em grande parte do legado histórico do oriente. Na China, por

exemplo, a Fênix ou o Feng Huang simboliza não apenas a maior virtude, o

poder ou a prosperidade, mas também representa o yin e o yang, a

dualidade que constitui tudo o que existe no universo.

No entanto, e vale a pena relembrar isso, foi no Antigo Egito que

apareceram os primeiros testemunhos culturais e religiosos  sobre essa


figura, e foi nesse lugar que, por sua vez, deu-se forma a essa imagem que

temos nos dias de hoje sobre a resiliência. Cada detalhe, nuance e símbolo

que delineia esse mito nos oferece, sem dúvidas, um bom exercício sobre o

qual refletir.

A Fênix e o poder de renascer das nossas cinzas

Viktor Frankl, neuropsiquiatra e fundador da logoterapia, sobreviveu à

tortura nos campos de concentração. Assim como ele mesmo explicou em

muitos dos seus livros, uma experiência traumática sempre é negativa,

mas o que acontece a partir dela depende de cada um. Está nas nossas

mãos nos levantar de novo, recobrar mais uma vez a vida a partir das

nossas cinzas em um triunfo sem igual ou, pelo contrário, nos limitarmos a

vegetar, a permanecer caídos…

Essa capacidade admirável para nos renovarmos, para retomar o fôlego, a

vontade e as forças a partir das nossas misérias e dos nossos cristais

quebrados primeiro passa por uma fase realmente obscura que muitos
terão vivido na própria pele: falamos sobre a “morte”. Quando passamos

por um momento traumático, todos nós “morremos um pouco”, todos

deixamos ir uma parte de nós mesmos que não vai mais voltar, que

nunca será igual.

Na verdade, Carl Gustav Jung estabelece nossa semelhança com a Fênix

porque essa criatura fantástica também morre, também proporciona as

condições necessárias para morrer porque sabe que dos seus próprios

restos vai emergir uma versão muito mais poderosa de si mesma.


Assim, e dentre todos os mitos ao redor dessa figura, é o mito egípcio que

nos oferece os pontos-chave nos quais devemos nos focar para entender

melhor a relação entre a ave Fênix e a resiliência.  Vamos ver esse mito a

seguir.

A ave Fênix no Egito

Ovídio explicava nos seus textos que, no Egito, a ave Fênix morria e

renascia uma vez a cada 500 anos. Para os egípcios, essa garça majestosa

era Benu, uma ave associada às cheias do Nilo, ao Sol e à morte e que,

segundo explicações, tinha nascido sob a árvore do Bem e do Mal. Essa

criatura fantástica entendia que era necessário se renovar de tempos em

tempos para adquirir mais sabedoria e, para isso, seguia um processo

bastante meticuloso.

Ela voava por todo o Egito para construir um ninho com os elementos

mais bonitos: galhos de canela, galhos de carvalho, nardos e

mirra. Depois, acomodada em seu ninho, entoava uma das canções mais

bonitas que os egípcios já tinham ouvido para, em seguida, deixar que as

chamas a consumissem por completo. Três dias depois, a ave Fênix

renascia cheia de força e poder. Depois, pegava seu ninho e o deixava em

Heliópolis, no templo do Sol para iniciar assim um novo ciclo,

oferecendo inspiração ao povo do Egito.

A resiliência e o nosso “ninho” de transformação

Assim como pudemos ver, o mito egípcio da ave Fênix é uma belíssima

história. No entanto, vamos analisar alguns dos seus detalhes.


Observemos, por exemplo, como a Fênix constrói seu ninho. Ela busca as

matérias mais ricas da sua terra, aquelas que combinam delicadeza e força

e que a ajudarão na sua transformação, na sua ascensão.

Se pensarmos bem, esse processo é bastante parecido com o que constitui

a dimensão psicológica da resiliência. Porque nós também buscamos

esses elementos mágicos com os quais construir um ninho bem

resistente para reunir nossas forças.

O ser humano deve bater suas asas para sobrevoar seu universo interior

em busca dos galhos da sua autoestima, da flor da sua motivação, da

resina da sua dignidade, da terra das suas esperanças e da água morna do

seu amor próprio…

Todos esses componentes o ajudarão na sua ascensão, mas não sem

antes estar consciente de que há um final, de que uma parte de nós

também irá embora, se transformará em cinzas, nos restos de um

passado que nunca mais vai voltar.

No entanto, essas cinzas não serão levadas pelo vento, muito pelo

contrário. Elas farão parte de nós para dar forma a um ser que renasce do

fogo muito mais forte, maior, mais sábio… Alguém que talvez sirva de

inspiração para os outros, mas que, acima de tudo, nos permita seguir em

frente com a cabeça erguida e as asas abertas.

https://amenteemaravilhosa.com.br/mito-fenix-poder-resiliencia/

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