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Cláudio Alves da Silva

Logística Empresarial
APRESENTAÇÃO

É com satisfação que a Unisa Digital oferece a você, aluno(a), esta apostila de Logística Empresarial,
parte integrante de um conjunto de materiais de pesquisa voltado ao aprendizado dinâmico e autôno-
mo que a educação a distância exige. O principal objetivo desta apostila é propiciar aos(às) alunos(as)
uma apresentação do conteúdo básico da disciplina.
A Unisa Digital oferece outras formas de solidificar seu aprendizado, por meio de recursos multidis-
ciplinares, como chats, fóruns, aulas web, material de apoio e e-mail.
Para enriquecer o seu aprendizado, você ainda pode contar com a Biblioteca Virtual: www.unisa.br,
a Biblioteca Central da Unisa, juntamente às bibliotecas setoriais, que fornecem acervo digital e impresso,
bem como acesso a redes de informação e documentação.
Nesse contexto, os recursos disponíveis e necessários para apoiá-lo(a) no seu estudo são o suple-
mento que a Unisa Digital oferece, tornando seu aprendizado eficiente e prazeroso, concorrendo para
uma formação completa, na qual o conteúdo aprendido influencia sua vida profissional e pessoal.
A Unisa Digital é assim para você: Universidade a qualquer hora e em qualquer lugar!

Unisa Digital
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO................................................................................................................................................ 5
1 A LOGÍSTICA.............................................................................................................................................. 7
1.1 A Evolução do Conceito de Logística........................................................................................................................9
1.2 A Definição de Logística Empresarial.................................................................................................................. 9
1.3 A Importância da Logística Empresarial............................................................................................................10
1.4 Atividade Logística........................................................................................................................................................10
1.5 Atividades Logísticas na Empresa...........................................................................................................................10
1.6 Exemplos de Processos de uma Cadeia Logística.............................................................................................11
1.7 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................14
1.8 Atividades Propostas....................................................................................................................................................15

2 CADEIA DE SUPRIMENTOS............................................................................................................ 17
2.1 Processos..........................................................................................................................................................................19
2.2 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................21
2.3 Atividades Propostas....................................................................................................................................................22

3 GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS.............................................................................. 23


3.1 Evolução da Gestão da Cadeia Logística..............................................................................................................24
3.2 Integração da Logística na Cadeia de Suprimentos.........................................................................................26
3.3 Competitividade............................................................................................................................................................28
3.4 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................28
3.5 Atividades Propostas....................................................................................................................................................29

4 SUPPLY CHAIN DRIVERS.................................................................................................................... 31


4.1 Produção...........................................................................................................................................................................31
4.2 Estoques............................................................................................................................................................................32
4.3 Localização.......................................................................................................................................................................33
4.4 Transporte........................................................................................................................................................................34
4.5 Informação.......................................................................................................................................................................35
4.6 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................36
4.7 Atividades Propostas....................................................................................................................................................36

5 DECISÕES................................................................................................................................................... 37
5.1 Gerenciamento Estratégico.......................................................................................................................................38
5.2 Gerenciamento Tático..................................................................................................................................................39
5.3 Gerenciamento Operacional.....................................................................................................................................40
5.4 Estratégia Logística versus Logística Estratégica................................................................................................41
5.5 Auditoria Logística........................................................................................................................................................41
5.6 Estratégia..........................................................................................................................................................................42
5.7 Indicadores de Desempenho....................................................................................................................................43
5.8 A Implementação de um Departamento Logístico.........................................................................................47
5.9 Serviços e Valor Agregado.........................................................................................................................................47
5.10 Resumo do Capítulo..................................................................................................................................................48
5.11 Atividades Propostas.................................................................................................................................................49

6 CADEIA DE VALOR............................................................................................................................... 51
6.1 Características.................................................................................................................................................................51
6.2 Atividades de Apoio ou de Suporte.......................................................................................................................53
6.3 Escopo da Cadeia de Valor.........................................................................................................................................53
6.4 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................54
6.5 Atividades Propostas....................................................................................................................................................54

7 ADMINISTRAÇÃO DE ESTOQUES.............................................................................................. 55
7.1 Previsão de Demanda..................................................................................................................................................57
7.2 Classificação de Estoques...........................................................................................................................................59
7.3 Vantagens na Utilização dos Estoques..................................................................................................................59
7.4 Desvantagens na Existência de Estoques.........................................................................................................60
7.5 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................60
7.6 Atividades Propostas....................................................................................................................................................61

8 LOGÍSTICA REVERSA.......................................................................................................................... 63
8.1 Atividades Típicas do Processo Logístico Reverso............................................................................................63
8.2 Pós-Venda.........................................................................................................................................................................64
8.3 Pós-Consumo..................................................................................................................................................................65
8.4 O que é Produção Limpa?..........................................................................................................................................67
8.5 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................68
8.6 Atividades Propostas....................................................................................................................................................69

9 CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................................................ 71
RESPOSTAS COMENTADAS DAS ATIVIDADES PROPOSTAS...................................... 73
REFERÊNCIAS.............................................................................................................................................. 77
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR.................................................................................................. 78
ANEXOS........................................................................................................................................................... 81
INTRODUÇÃO

Caro(a) aluno(a), a logística é entendida como a área designada para realizar a administração de
materiais, equipamentos e de informações necessárias para a execução de todas as atividades existentes
em uma empresa. Em outras palavras, a responsabilidade do planejamento das operações e controle de
todo o fluxo de mercadorias e das informações, desde a origem até o consumo final, estão sob a respon-
sabilidade da logística.
Atualmente, devido à popularização do comércio eletrônico, mais o advento de novos produtos,
serviços, tecnologias e negócios, o cenário logístico nacional e empresarial se alterou estrategicamente,
para atender às necessidades existentes e desejos apresentados pelos novos mercados e clientes.
Por meio do comércio virtual, as empresas passaram atuar de uma forma tanto nacional como glo-
bal, oferecendo desta forma os seus produtos e serviços vinte quatro horas por dia. Mesmo para atender
um cliente que faz as suas transações em um ambiente virtual, as empresas necessitam de toda uma
estrutura logística real e moderna.
Pela ótica da empresa moderna, fica fácil perceber que o básico da atividade logística é o atendi-
mento do cliente. Por isso que uma das preocupações empresariais é a de manter um bom nível de ser-
viço por meio de uma cadeia logística estrategicamente eficaz, porque, de fato, ela inicia no instante em
que o cliente resolve transformar um desejo em realidade.
Para facilitar o entendimento, geralmente:

ƒƒ O cliente faz as suas compras e consumo a partir do mercado de varejo, este sendo representa-
do por lojas comerciais convencionais (físicas) ou virtuais, consideradas como o elo comercial
final de uma cadeia logística;
ƒƒ Por traz deste elo comercial, existe a ligação entre os fabricantes e seus fornecedores a empre-
sas atacadistas e varejistas, que têm como responsabilidade a de atender ao cliente final.

De uma forma resumida, como você verá mais à frente, os fabricantes fazem as aquisições de ma-
téria-prima e componentes essenciais das empresas que fazem parte do rol de fornecedores. Após a
transformação da matéria-prima ou a utilização dos componentes para transformá-los em produtos, as
indústrias vendem seus produtos para os atacadistas ou dependendo das estratégias e políticas de negó-
cios vendem diretamente aos varejistas. Na sequência, os varejistas, adquirem tais produtos diretamente
dos fabricantes ou dos atacadistas para venderem para os consumidores finais.
Como ao longo de uma cadeia logística há estruturas utilizadas para estocar ou armazenar, ferra-
mentas, materiais, produtos ou quaisquer outros tipos de mercadorias essenciais para a realização de
suas atividades, as empresas modernas, para controlar e administrar os fluxos físicos e de informação,
fazem uso de sistemas de gerenciamento de estoques ou de armazéns; e, como exemplo, podemos ci-
tar que uma das principais ferramentas de uso da gestão logística é o Warehouse Management System
(WMS), que em português significa: sistema de automação e gerenciamento de depósitos, armazéns e
linhas de produção.

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O seu uso é fundamental para a gestão da cadeia de suprimentos (Supply Chain), porque ele forne-
ce o giro de estoques, comandos inteligentes de separação de pedidos (picking), consolidação automá-
tica de cargas e transbordo conhecido como (cross docking), para que, de uma forma racional, lógica e
estruturada, seja feita a devida estocagem, armazenagem e posteriormente a distribuição.
Para ajudá-lo(a) na construção do seu aprendizado, com a leitura e uso desta apostila nas aulas e
na resolução das atividades que serão propostas durante a realização do curso, pretendemos que você
venha a entender e compreender os demais temas e assuntos que fazem parte do contexto da logística
moderna.
O curso, por meio do conteúdo programático da disciplina de Logística Empresarial, tem por obje-
tivo, ajudá-lo(a) a:

ƒƒ Entender o funcionamento das cadeias de suprimentos e identificar valores que agregam à


logística das cadeias de suprimentos;
ƒƒ Identificar os fluxos e processos da cadeia de suprimentos nos diversos segmentos empresa-
riais;
ƒƒ Interpretar a influência dos sistemas integrados de gestão na administração da cadeia logística;
ƒƒ Conhecer as limitações, os riscos e os custos envolvidos na cadeia de suprimentos;
ƒƒ Planejar a logística para as características específicas da cadeia de suprimentos atendendo aos
valores requeridos pelos clientes internos e externos da empresa;
ƒƒ Definir Logística e Cadeia de Suprimentos, sua importância no ambiente empresarial.

Oferecendo, dessa forma, subsídios para um estudo analítico sobre o papel estratégico das ativi-
dades logísticas e empresariais desempenhadas e realizadas neste cenário tão abrangente e desafiador.
Dentro dessa perspectiva, o conteúdo está organizado da seguinte forma: no primeiro capítulo
abordaremos sobre a logística, a definição e a importância da logística empresarial, ela como atividade
na empresa e exemplos de processos de uma cadeia logística. No segundo capítulo, trataremos da cadeia
de suprimentos e os seus processos básicos. No terceiro capítulo falaremos sobre gestão da cadeia de
suprimentos, sua evolução, os participantes da cadeia logística, a integração da logística, e competitivi-
dade. No quarto capítulo, abordaremos sobre as áreas de desempenho da cadeia logística (Supply Chain
Driver), tais como produção, estoques, localização, transporte e informação. No quinto, são apresentadas
as decisões e os gerenciamentos estratégicos, táticos e operacionais; auditoria logística; estratégia; indi-
cadores de desempenho e análise através de exemplos de aplicações de indicadores; a implementação
de um departamento logístico; serviços e valor agregado. No sexto capítulo é apresentada a cadeia de
valor, as suas características, atividades de apoio ou de suporte e seu escopo. No sétimo, abordaremos
sobre a administração de estoques, previsão da demanda, classificação, vantagens e desvantagens dos
estoques. No oitavo capítulo, apresentaremos a logística reversa, as suas atividades típicas, pós-venda e
pós-consumo.
Ao final, são apresentadas as respostas comentadas das atividades propostas e existentes em cada
capítulo, as referências bibliográficas, e materiais anexos que te ajudarão na sua empreitada estudantil
e profissional.
Será um prazer acompanhá-lo(a) ao longo de mais uma etapa, rumo à sua formação acadêmica.

Cláudio Alves da Silva

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1 A LOGÍSTICA

Prezado(a) aluno(a), produto ou item logístico, contribui para termos


Neste capítulo, trataremos de apresentar: a as dimensões corretas de tais bens ou produtos.
logística, a sua definição e importância empresa- Quando falamos de dimensões, estamos nos re-
rial, ela como atividade operacional na empresa e ferindo ao peso, altura, largura e comprimento de
exemplos de processos de uma cadeia logística. cada item a ser extraído, adquirido, movimenta-
Atualmente, é comum percebermos que as do, modificado, embalado, armazenado, negocia-
empresas estão migrando do modelo tradicional do, separado e distribuído.
de funcionamento, para o ambiente web, com o Além das dimensões, há, porém, outras ca-
objetivo de atender maiores demandas e vender racterísticas a serem observadas, que criam difi-
para os seus clientes produtos e serviços, vinte e culdades e exigem procedimentos diferenciados
quatro horas por dia. por parte dos processos logísticos, tais como:

Figura 1 – Ilustração sobre o uso da Internet para ƒƒ Grau de periculosidade existente em


aquisição de produtos. produtos químicos, derivados de petró-
leo e farmacêuticos;
ƒƒ Fragilidade, ou seja, produtos que se
quebram facilmente se não forem bem
manuseados, embalados e movimenta-
dos. Como exemplo, podemos citar os
cristais, brinquedos, eletroeletrônicos,
utensílios, entre outros;
ƒƒ Perecibilidade, muito comum em pro-
dutos alimentícios em geral;
ƒƒ Variabilidade de cores, sabores, odores
Fonte: Banco de dados Free. e densidade (massa ou consistência)
que caracterizam determinadas linhas
Além de disponibilizar tais produtos e servi- de produtos;
ços, as empresas também precisam ter bem defi- ƒƒ Quantidade.
nido, em suas estruturas, as estratégias e os servi-
ços logísticos adequados para que desta forma o Nesse contexto, podemos considerar que
nível de atendimento e satisfação estabelecidos e a logística empresarial é a principal responsá-
esperados sejam mantidos e atendidos. vel pela movimentação dos diversos tipos de
Os produtos sob a responsabilidade da lo- produtos existentes em uma cadeia empresa-
gística, geralmente, são traduzidos e entendidos rial, tais como: livros, computadores, televisores,
como bens tangíveis, ou seja, possuem corpo brinquedos, alimentos, medicamentos, calçados,
e forma física. Essa forma física, atrelada a cada ferramentas, vestuários, móveis, veículos, maqui-

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nários, embalagens, e todo e qualquer tipo de como atividade de apoio, assim como a área de
material ou item, necessários para uso próprio, contabilidade, qualidade, produção, recursos hu-
revenda ou consumo. Para tanto, a empresa deve manos, entre outras.
gerar conhecimento através da informação, pro- Diante dessa realidade, as empresas de uma
cessos, técnicas e serviços para movimentar e dis- forma muito bem estruturada e planejada têm
ponibilizar estes materiais com o uso da infraes- bem definido quais os tipos de produtos e servi-
trutura existente ao longo da cadeia. ços que serão ofertados, as quantidades necessá-
Os serviços geralmente são importantes e rias para atender às demandas e aos estoques, as
podem ou não envolver um bem físico, mas geral- ferramentas necessárias para auxiliar na gestão
mente é na prestação de serviço que se concentra dos fluxos físicos de materiais ou produtos, e das
a questão do nível de atendimento existente: informações atreladas e pertinentes a estes.
Dentro deste contexto, há a presença da
ƒƒ No fornecimento por parte dos esto- chamada logística empresarial, com um foco mais
ques, fornecedores e distribuidores; na gestão e na estratégia, cujo principal objetivo
ƒƒ Nas entregas e das respostas sem atra- é: “tornar disponíveis produtos e serviços no local
sos; onde são necessários, no momento em que são
ƒƒ Na pós-venda definido como troca em desejados.” (BOWERSOX; CLOSS, 2008, p. 19).
caso de erros ou avarias, instalação,
montagem e manutenção;
ƒƒ Como resultado da satisfação do clien-
te.

As empresas têm que estar preparadas para


atender ao cliente com qualidade e agilidade,
caso venha a ofertar e comercializar um bem ou
serviço quer seja da forma tradicional, convencio-
nal ou virtual.

Dicionário

Virtual: Realidade virtual, simulação de um am-


biente real por meio de imagens de síntese tridi-
mensionais.
No nosso contexto, refere-se às fotos dos produtos
disponíveis na internet, contendo as suas dimen-
sões (peso, altura, largura e comprimento), que
posteriormente serão comercializados e entre-
gues pela área de distribuição.

Fonte: Dicionário de português on-line.

Mesmo sendo tão relevante para atender


às necessidades dos clientes e das transações
comerciais, nem sempre a logística será vista e
reconhecida como atividade principal de uma
empresa, ou seja, muitas vezes é vista e percebida

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1.1 A Evolução do Conceito de Logística

O conceito de logística nos negócios se de- to certo podem ser descritas dentro dos termos
senvolveu fortemente na década de 1950, con- gerais de “logística” ou “distribuição”. O ato de su-
siderado como o período de pós-guerra. Isso foi pervisar ou gerenciar esta atividade é conhecido
devido principalmente à crescente complexidade como “gestão logística”.
encontrada nos negócios, na gestão de materiais Os componentes de um sistema de logísti-
e entregas de produtos em uma cadeia de supri- ca típico são: atendimento ao cliente, previsão da
mentos cada vez mais global. demanda, comunicação da distribuição, controle
O Council of Supply Chain Management Pro- de inventário, gestão de materiais, processamen-
fessionals (Conselho Profissional de Administra- to de ordens e partes, suporte de serviço, seleção
ção de Cadeias de Suprimentos) define a logísti- de planta e armazém, compras, embalagem, ges-
ca como a parte do gerenciamento da cadeia de tão de bens devolvidos, disposição de sobras e
abastecimento que planeja, programa e controla rejeitos, armazenagem, transporte e tráfego.
o fluxo e armazenamento eficiente e econômico Uma posição em uma empresa pequena
de matérias-primas, materiais semiacabados e pode envolver todas estas atividades, enquanto o
produtos acabados; bem como as informações trabalho em uma grande corporação pode signi-
relativas a eles, desde o ponto de origem até o ficar estar envolvido com uma única ou algumas
ponto de consumo, com o propósito de atender poucas áreas (BOWERSOX; CLOSS, 2008). 
às exigências dos clientes.
Todas as atividades envolvidas na movi-
mentação de bens para o lugar certo no momen-

1.2 A Definição de Logística Empresarial

A Logística pode ser entendida como a área da empresa, integrando de uma forma racional
da Administração que cuida do transporte e ar- as funções sistêmicas, desde suprimentos, pro-
mazenamento das mercadorias (MARTINS; ALT, dução, armazenagem até a distribuição, assegu-
2006). rando dessa forma as vantagens competitivas e
Ela abrange um conjunto de planejamento, nível de serviço na cadeia de distribuição e, con-
operação e controle do fluxo de materiais, merca- sequentemente, a satisfação dos acionistas e dos
dorias, serviços e principalmente das informações clientes.

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1.3 A Importância da Logística Empresarial

Conforme mencionado, a logística em- não querem pagar nada mais por tais produtos e
presarial atua de uma forma administrativa e serviços.
estratégica, em busca de melhores resultados e Por isso que hoje é perceptível e exigido um
satisfação dos clientes. E essa satisfação está di- alto grau de sofisticação tecnológica para promo-
retamente ligada aos serviços de distribuição e ver e programar a integração dos processos, das
de pós-vendas ofertados pelas empresas aos seus informações e dos negócios existentes neste am-
respectivos clientes e consumidores. biente tão complexo e desafiador.
Os clientes e consumidores já estão acostu-
mados a serem bem atendidos e de preferência

1.4 Atividade Logística

A questão operacional da logística é com- atividade logística no Brasil e no mundo passa por
plexa. Como, por exemplo, podemos citar o con- uma gestão com foco na identificação de oportu-
trole e acompanhamento da demanda dos pro- nidades de redução de custos, prazos de entrega
dutos ou serviços, controle e acompanhamento e consequentemente no aumento da qualidade
da frequência dos pedidos, controle e acompa- no cumprimento do prazo; disponibilidade cons-
nhamento das quantidades por pedido, contro- tante dos produtos, programação das entregas,
le e acompanhamento dos custos envolvidos na facilidade na gestão dos pedidos e flexibilização
operação, tempo de entrega (lead-time), pedido da fabricação, análises de longo prazo, elabora-
mínimo, rupturas de abastecimento, prazos de ção de projetos com incrementos em inovação
entrega, períodos promocionais e frequência de tecnológica, novas metodologias de custeio, no-
sazonalidades, políticas de estoque (evitando fal- vas ferramentas para redefinição de processos e
tas ou excessos), planejamento da produção, po- adequação dos negócios, como exemplo no ramo
líticas de fretes, políticas de gestão dos pedidos varejista, podemos citar: a Resposta Eficiente ao
(orders), análise dos modelos de canais de distri- Consumidor (Efficient Consumer Response), entre
buição, entre outros (CARVALHO, 2002). outros meios e técnicas.
Com o surgimento de novas necessidades
por parte do mercado e das empresas em geral, a

1.5 Atividades Logísticas na Empresa

O ciclo de atividades é o principal fator de parte do total dos processos existentes nas em-
análise em uma logística integrada, pois fornece presas é composta de atividades logísticas, e es-
uma visão básica das decisões e das interfaces que tas consistem essencialmente na gestão e no pla-
devem ser combinadas para a criação e a gestão nejamento de depósitos, armazéns ou de centros
de um sistema operacional. Essa visão operacio- de distribuição, na localização, e também de todo
nal e gerencial é importante porque uma grande tipo de instalações que venha a ser necessário.

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Segundo Carvalho (2002), as atividades lo- transportadoras que realizam a movimentação


gísticas presentes na movimentação de materiais física de tais itens ou produtos, para atender o
e produtos são a movimentação e reaproveita- cliente final.
mento de desperdícios. Para Gomes (2004), o canal de distribuição
Na atividade logística, importantes são to- da empresa engloba não só as empresas de trans-
das as atividades que se relacionam com o trans- porte como também os operadores responsáveis
porte e com a movimentação de matéria-prima, pelo transporte, armazenagem e também, em al-
materiais ou produtos, tanto de uma forma inter- guns casos, a promoção e a comercialização dos
na quanto externa na empresa. Além disso, te- produtos.
mos que levar em consideração qual o modal de
transporte que deverá ser usado para atender a
um determinado cliente, e a escolha da frota, se Saiba mais
esta será própria ou terceirizada.
Uma boa gestão logística depende do conheci-
Tendo a visão das atividades, dos fluxos mento das informações sobre os tipos e as varieda-
existentes e dos elementos que compõem uma des dos produtos existentes, bem como da visão de
determinada cadeia logística, teremos a clara todos os participantes da cadeia de distribuição, e
dos canais existentes, utilizados para realizar estra-
noção que o canal logístico da empresa é então tegicamente com sucesso a distribuição dos bens,
constituído pelos produtores e fornecedores de produtos e serviços, ofertados pela empresa.
matéria-prima, pelas empresas de transportes,
podendo estes serem operadores logísticos ou

1.6 Exemplos de Processos de uma Cadeia Logística

Todo e qualquer produto que será trans- Muitas vezes por estarem em seu estado
formado, utilizado ou consumido tem inicial- bruto, estes materiais, inicialmente, passam
mente uma origem definida, ou seja, até chegar por um processo de corte e apara no caso
finalmente ao ponto de consumo, este produto de madeiras, lingotes de aço ou de alumí-
passou por diversas etapas e processos existentes nio; de fragmentação ou quebra no caso de
em uma cadeia logística; isto é, em um dado mo- minérios; de limpeza e polimento no caso
mento ele foi extraído, transformado, fabricado, de pedras decorativas; e de caracterização
distribuído e, por fim, comercializado. Nesse con- no caso de subcomponentes. Como exem-
texto, apresentaremos um resumo de tais etapas plo de material bruto, temos a madeira, a
e processos, conforme descritos a seguir: carne, o couro, as frutas, as verduras, os le-
gumes, os minérios (bauxita, manganês,
1º Extração de matéria-prima: esta é con- carvão, calcário, silício), o petróleo e seus
siderada como a primeira etapa do proces- derivados.
so de uma cadeia. Essa etapa é realizada E qual a função da logística neste processo?
por empresas que exploram os recursos na- Para que a empresa de extração e explora-
turais, explorando materiais ainda em seu ção funcione, a logística atuará fornecen-
estado bruto para posteriormente, fornecê- do todo o suporte necessário, por meio
-los como matéria-prima, para as demais da compra de tais insumos e materiais, e,
empresas que fazem parte de determina- quando for o caso e a situação assim exigir,
dos ramos empresariais. na aquisição de ferramentas, maquinários e
na contratação de serviços e mão de obra

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especializada. Além de desempenhar a ati- sa. Como exemplo, podemos dizer que uma
vidade de suprimentos, provavelmente, ela empresa com estas características pode fa-
irá atuar na movimentação, transporte, ar- zer a transformação da matéria-prima bruta
mazenamento, classificação e organização do aço em material transformado confor-
de tais materiais e produtos, organizando- me a dureza, resistência e maleabilidade
-os conforme as necessidades existentes de acordo com a necessidade de outras
por parte dos processos e clientes externos. empresas, neste caso as fabricantes. Ainda
Tais clientes externos exercem o papel de dentro deste contexto, há as empresas de
fornecedores para outras empresas. Dessa transformação do material plástico, de mi-
forma, a logística encerra o seu ciclo de ati- nérios, de essências e fragrâncias, de couro,
vidades nestas empresas iniciais. de insumos alimentares e de muitos outros
2º A transformação da matéria-prima tipos de produtos. Por fim, este material de-
bruta: dando sequência ao nosso exemplo verá ser transportado para outros clientes,
de fluxo na cadeia, conforme descrito na na maioria das vezes empresas fabricantes,
primeira etapa, inicialmente este material encerrando o seu ciclo nestas empresas.
bruto explorado e coletado pelas empresas 3º A fabricação: nesta etapa, estas empre-
passam por um processo inicial de corte e sas geralmente atuam desenvolvendo e fa-
apara no caso de madeiras, lingotes de aço bricando produtos com base nas matérias-
ou de alumínio; de fragmentação ou quebra -primas citadas anteriormente. Nessa etapa,
no caso de minérios; de limpeza e polimen- o que mais interessa a estas empresas é ter
to no caso de pedras decorativas; e de ca- os componentes ou materiais necessários
racterização no caso de subcomponentes. para poder fabricar os produtos finais que
Uma vez realizados os procedimentos bá- serão ofertados ao consumidor final confor-
sicos, tais materiais e subcomponentes ar- me o planejamento, programação e contro-
mazenados e classificados serão fornecidos le da produção.
para outras empresas que atuam em deter- É nessa etapa que ocorre o uso do couro
minados segmentos industriais, que de uma para a fabricação de sapatos, bolsas, cartei-
forma mais específica darão o tratamento ras e cintos; o uso da madeira para fabrica-
especial a este material, transformando-o ção e confecção de móveis; das frutas para
em matéria-prima para fabricação de uma produção de polpas, sucos, doces etc.; dos
série de produtos. Essas empresas podem componentes para montagem dos micros;
ser denominadas de empresas transforma- de peças para a montagem de veículos; da
doras ou processadoras. carne para a produção de derivados alimen-
Muitas destas empresas trabalham em tícios etc. Como podemos perceber, um fa-
parceria com outras empresas, tais como: bricante pode produzir um bem durável,
montadoras (Volkswagen, Dell, Semp Toshi- como no caso de veículos, computadores, e
ba, Ford, Alpargatas, Scania, Votorantim, bens de consumo por ser uma indústria ali-
Gerdau etc.), distribuidoras (Grupos Pão de mentícia, de material escolar, de vestuário
açúcar, Walmart, Carrefour etc.) e revende- ou qualquer outro tipo de produto destina-
doras (Casas Bahia, Sadia, Alpargatas, Perdi- do ao consumo popular.
gão etc.), por isso que muitas destas empre- 4º A Distribuição: conforme mencionado
sas não fazem parte do conhecimento dos anteriormente, a logística empresarial atua
consumidores finais, mas são conhecidas de uma forma administrativa e estratégica,
no mundo empresarial, principalmente por buscando desta forma melhores resultados
profissionais e técnicos que conhecem os e a satisfação dos clientes. E esta satisfação
produtos e as necessidades de cada empre- está diretamente ligada aos serviços de dis-

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tribuição e de pós-vendas ofertados pelas No pontilhado cor-de-rosa, temos a repre-


empresas, aos seus respectivos clientes e sentação do canal de vendas on-line (in-
consumidores. Os clientes e consumidores ternet); nas setas de cor azul, estão repre-
já estão acostumados a serem bem aten- sentados os canais de abastecimento e de
didos, e de preferência não querem pagar entregas de todos os participantes desta
nada mais por tais produtos e serviços. Por cadeia; e, por fim, nas setas de cor clara,
isso que hoje é perceptível e exigido um temos os canais da logística reversa, a qual
alto grau de sofisticação tecnológica para
será abordada mais à frente. Ainda é possí-
promover e programar a integração dos
vel observar que a fábrica ou indústria faz
processos, das informações e dos negócios
o uso de transportadoras e de uma central
existentes neste ambiente tão complexo e
desafiador. de distribuição para realizar as suas entre-
gas para os revendedores (hipermercados)
Porém, é bom frisarmos que o processo de
distribuição sofreu grandes transformações e para os seus clientes finais (varejistas ou
por diversos motivos, tais como: o cresci- pessoas físicas).
mento demográfico, a quantidade e varia- Isso se torna necessário e até mais eficiente
bilidade atreladas a determinados produtos porque estrategicamente estas empresas
e, consequentemente, com o uso da inter- que são fabricantes perceberam que o pro-
net, houve o aumento geográfico, ou seja, cesso de entrega e distribuição é uma ativi-
as empresas passaram a atuar em nível na- dade logística e não fabril. Com isso, através
cional e muitas internacionalmente, aumen- do processo de terceirização e da contrata-
tando desta forma o consumo. Atualmente, ção de empresas especializadas, essas em-
os fabricantes que fazem parte do processo presas contratantes podem manter o seu
anterior deixaram de entregar ou distribuir
foco apenas em seu objetivo principal, que
seus produtos diretamente ao consumidor
é o desenvolvimento e a fabricação de bens
final, utilizando basicamente distribuidores
e produtos, não se preocupando com as ati-
autorizados, mão de obra especializada ou
prestadores de serviços logísticos. vidades consideradas secundárias e muito
menos com questões ligadas ao abasteci-
Para facilitar o seu entendimento, observe
os participantes, os canais e os processos mento e entrega de seus produtos para o
existentes no exemplo da cadeia logística mercado em que atuam.
contidos na Figura 2. Além de não se preocuparem mais com as
atividades consideradas secundárias e com
Figura 2 – Exemplo parcial de etapas e processos de questões ligadas ao abastecimento e entre-
uma cadeia logística. gas, as empresas para serem mais compe-
titivas nos mercados em que atuam passa-
ram a manter o seu foco nas necessidades
existentes, devido à expansão geográfica,
ou seja, hoje se tornou um fator estratégico
atender a um mercado globalizado.
Obviamente que dentro deste processo
existe uma infinidade de problemas, di-
ficuldades e situações que ocorrem com
qualquer empresa. A título de exemplo,
podemos citar os problemas relacionados
às atividades de compra, armazenamento,
transporte, produção, entregas, avarias, er-
Fonte: Banco de dados Free. ros nos pedidos e assim por diante.

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Mesmo diante de tais problemas, a ativida- venha a atender ao cliente e às suas exigên-
de e o processo de distribuição vêm se de- cias em um curto espaço de tempo e nível
senvolvendo dia a dia, tornando as entregas aceitável de atendimento. Para tanto se faz
mais curtas, rápidas, precisas e com maior necessário e extremamente importante o
nível de qualidade. uso da logística para o abastecimento dos
5º A Comercialização: pode ser considera- estabelecimentos, conforme descrito e de-
da como a última etapa do fluxo da cadeia monstrado na figura anterior.
logística. É por meio dela que são disponibi-
lizados os produtos para o consumo. Nessa Até aqui, consideramos que a extração,
etapa, o consumidor para formalizar o seu transformação, fabricação, distribuição e, por fim,
pedido muitas vezes tem condições de ter a comercialização representam o fluxo de um ca-
contato direto com o produto, de realizar nal logístico, mas temos que levar em considera-
testes, e, quando do for caso e conforme o ção que para cada tipo de produto, como alimen-
tipo do produto, de fazer a experimentação to, medicamentos, bebidas, móveis, vestuários,
e degustação. peças, veículos, entre outros, por apresentar di-
Geralmente, a comercialização ocorre atra- mensões, características naturais e técnicas dife-
vés de empresas atacadistas e por empre- renciadas, se fará necessário o uso de estruturas e
sas varejistas. A diferenciação básica está na de processos logísticos de movimentação, arma-
relação e no trâmite comercial, ou seja, no zenagem, transporte e distribuição diferenciados.
atacado as vendas são realizadas em gran- Nesse caso a informação e o conhecimento logís-
des quantidades e por preços menores, en- tico são imprescindíveis para movimentar estes e
quanto que no varejo as vendas são mais os demais tipos de produtos dentro de uma de-
populares, por atingir a maior parte do mer- terminada cadeia logística.
cado consumidor.
Para que a comercialização funcione estra-
tegicamente e adequadamente, esses es- Atenção
tabelecimentos participantes da cadeia fa- Os componentes de um sistema de logística tí-
zem os seus pedidos junto aos fabricantes, pico são: atendimento ao cliente, previsão da
que se utilizam dos serviços e processos de demanda, comunicação da distribuição, controle
de inventário, gestão de materiais, processamen-
distribuição para atender aos pedidos dos to de ordens e partes, suporte de serviço, seleção
clientes. de planta e armazém, compras, embalagem, ges-
tão de bens devolvidos, disposição de sobras e
O objetivo principal desse processo final é
rejeitos, armazenagem, transporte e tráfego.
disponibilizar o produto de uma forma que

1.7 Resumo do Capítulo

Prezado(a) aluno(a), neste capítulo estudamos que:

ƒƒ As empresas estão migrando do modelo tradicional de funcionamento para o ambiente web


(internet);
ƒƒ Os produtos sob a responsabilidade da logística, geralmente, são traduzidos e entendidos
como bens tangíveis, ou seja, possuem corpo e forma física;

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ƒƒ A periculosidade, fragilidade, perecibilidade, variabilidade e quantidade são consideradas


como características existentes em determinados produtos;
ƒƒ A logística empresarial é a principal responsável pela movimentação dos diversos tipos de pro-
dutos existentes em uma cadeia empresarial;
ƒƒ Os serviços geralmente são importantes e podem ou não envolver um bem físico, mas ge-
ralmente é na prestação de serviço que se concentra a questão do nível de atendimento ao
cliente;
ƒƒ A logística empresarial atua de uma forma administrativa e estratégica, em busca de melhores
resultados e satisfação dos clientes;
ƒƒ O ciclo de atividades é o principal fator de análise em uma logística integrada, pois fornece uma
visão básica das decisões e das interfaces que devem ser combinadas para a criação e a gestão
de um sistema operacional;
ƒƒ Conforme o autor Gomes (2004), o canal de distribuição da empresa engloba não só as empre-
sas de transporte como também os operadores responsáveis pelo transporte, armazenagem e
também em alguns casos a promoção e a comercialização dos produtos;
ƒƒ A extração, transformação, fabricação, distribuição e, por fim, a comercialização representam o
fluxo de um canal logístico.

Vamos, agora, avaliar a sua aprendizagem.

1.8 Atividades Propostas

1. Em logística, quando falamos de dimensões de determinados itens, estamos nos referindo a


quê? Explique.

2. Conforme os autores Bowersox e Closs (2008), qual o principal objetivo da chamada logística
empresarial?

3. De acordo com Gomes (2004), o canal de distribuição da empresa engloba quais áreas e requi-
sitos?

4. Quais os processos e etapas que são considerados como fluxo de uma cadeia logística?

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2 CADEIA DE SUPRIMENTOS

Prezado(a) aluno(a), De outra forma, a cadeia de suprimentos


Neste capítulo, trataremos de apresentar a pode ser definida como o ciclo da vida dos pro-
cadeia de suprimentos e os seus processos bási- cessos que compreendem os fluxos físicos, in-
cos. formativos, financeiros e de conhecimento, cujo
A Cadeia de Suprimento pode ser entendi- objetivo é satisfazer os requisitos do consumidor
da como um grupo de fornecedores que supre final com produtos e serviços de vários fornece-
as necessidades de uma empresa na criação e dores ligados.
no desenvolvimento dos seus produtos. Pode ser Para facilitar a sua compreensão, observe os
entendida também como uma forma de colabo- participantes e os processos existentes neste ou-
ração ou parceria entre fornecedores, varejistas e tro exemplo contido na Figura 3.
consumidores para a criação de valor.

Figura 3 – Exemplo de participantes e processos existentes numa Cadeia de Suprimentos.

Fonte: Banco de dados Free.

A Figura 3 mostra que a cadeia de supri- Hoje, é possível vermos e analisarmos no


mentos, no entanto, não está limitada ao fluxo de contexto empresarial muitos casos em que a
produtos ou informações no sentido fornecedor competição no mercado global não ocorre en-
até o cliente, por existir também o caminho in- tre empresas, mas entre cadeias de suprimentos.
verso do fluxo de negociações, informações, re- Como exemplo, podemos citar as montadoras de
clamações, produtos, entre outros, no sentido do veículos juntamente com os seus fornecedores e
cliente até o fornecedor, ou seja, o fluxo reverso revendedores.
e uma integração entre todos os elos que fazem A gestão da logística e do fluxo de informa-
parte desta cadeia (FREDENDALL, 2001).

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ções em toda a cadeia permite a todo e qualquer Para se realizar um bom gerenciamento da
administrador logístico e aos executivos avaliar cadeia de suprimentos, uma boa avaliação e men-
pontos fortes e pontos fracos existentes na cadeia suração dos custos existentes nos processos e nas
de suprimentos, auxiliando a tomada de decisões. atividades empresariais são de vital importância.
As decisões tomadas com base em informa- E tal avaliação se estende para o modelo atual
ções precisas e relevantes irão resultar na redu- de compras na renovação dos contratos com os
ção de custos, aumento da qualidade, resultados, fornecedores tanto de matéria-prima quanto de
entre outros benefícios, com o objetivo de criar e serviços. Diante disso, fica claro que não basta
aumentar a competitividade da empresa e do va- somente a empresa ter e operar um software de
lor agregado atrelados aos seus produtos ou ser- administração da cadeia, se não criar e melhorar
viços, mantendo desta forma os diferenciais em o modelo de gestão.
relação à concorrência. No contexto empresarial atual, os fornece-
Para Gomes e Ribeiro (2004), com o uso de dores passam a ser parceiros no desenvolvimen-
tecnologias avançadas, os resultados que se espe- to de projetos, produtos e serviços. Diante disso
ram da utilização de sistemas que automatizem a a quantidade de fornecedores é reduzida. Como
Cadeia de Suprimentos são: existem muitas atividades complexas, e estas, às
vezes, realizadas simultaneamente e desenvolvi-
ƒƒ Reduzir custos; das entre os departamentos, a integração é vista
como algo importante para os negócios e para a
ƒƒ Aumentar a eficiência (neste caso, dos
empresa. Para que haja tal integração, a área de
processos envolvidos);
suprimentos das empresas que fazem parte de
ƒƒ Ampliar a margem de lucro; uma cadeia ou que são responsáveis por cuidar
ƒƒ Melhorar os tempos de ciclos da cadeia de uma, hoje, não só acompanha a aplicação dos
de fornecimento; contratos, como é responsável por todo o perío-
ƒƒ Melhorar o desempenho nos relacio- do de negociação e contratação.
namentos com clientes e fornecedores Dessa forma, a área de suprimentos é vista
(este item está ligado aos aspectos qua- e gerida de uma forma estratégica, sendo bem
litativos); diferente do modelo passado, baseada na depar-
ƒƒ Desenvolver serviços de valor agregado tamentalização, sendo responsável até pelos re-
que dão a uma empresa uma vantagem sultados da empresa.
competitiva; O comprador ou o gestor responsável pela
ƒƒ Obter o produto certo, no lugar certo, aquisição terá condições de ter a visualização to-
na quantidade certa e com o menor tal dos processos que estão sob a sua responsabi-
tempo e custo (isto é logística); lidade, permitindo a realização da rastreabilidade
ƒƒ Manter o menor nível de estoque possí- e de auditoria de seus processos de compras.
vel (ou seja, sem deixar faltar ou sobrar
produtos).
Saiba mais

Tais resultados são obtidos conforme a ges-


Softwares de administração: são sistemas utilizados
tão da cadeia de suprimentos venha a simplificar de uma forma integrada pelas empresas, para fazer
e acelerar as operações que estão relacionadas a administração e o controle das atividades e dos
com a forma como os pedidos dos clientes são dados existentes nos processos e nas transações
processados pelo sistema até serem atendidos, comerciais realizadas pelas suas diversas áreas e
departamentos (financeiro, contabilidade, recursos
e conforme o modo de aquisição das matérias- humanos, produção, armazenagem, vendas, trans-
-primas, da sua entrega, pelos processos de fabri- portes, distribuição etc.), com o objetivo de trans-
cação e distribuição. Em todas as etapas tem que mitir e compartilhar informações para auxiliar a to-
haver padronização dos processos e das informa- mada de decisão.
ções.

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Logística Empresarial

2.1 Processos

Em uma empresa, e principalmente em uma abastecer a empresa, esta área desem-


cadeia de suprimentos, obviamente é comum a penha outras funções, tais como:
existência de departamentos e processos, e cada •• Negociação de preços, prazos, juros
qual representado pelos seus custos. Todos os e quantidades com fornecedores,
processos envolvem pessoas, áreas, clientes, dis- clientes internos e externos;
tribuição, produção e fornecedores. Para facilitar •• Cadastros de fornecedores, de ma-
o entendimento, apresentaremos a seguir um teriais e produtos;
exemplo resumido de áreas que fazem parte de •• Desenvolvimento, seleção e avalia-
uma cadeia de suprimentos: ção de fornecedores;
•• Análise e gestão de contratos de
ƒƒ Suprimentos: esta área, atualmente fornecedores e de prestação de ser-
chamada de suprimentos, no passado viços;
era conhecida somente como área de •• Análise e gestão dos diversos esto-
Compras. ques existentes dentro ou fora da
Atualmente ela é vista como área estra- empresa;
tégica, responsável pelas negociações e •• Definição e aquisição por meio de
aplicações dos mais variados recursos lotes econômicos de compras (LEC);
(materiais, patrimoniais, tecnológicos e •• Cotação de preços;
financeiros) existentes à disposição da •• Atendimento de projetos especiais
empresa, para suprir as suas necessida- e de desenvolvimento de novos
des, atividades e processos administra- produtos ou serviços;
tivos, comerciais e de produção. •• Com o uso da tecnologia da infor-
Denominada como abastecimento, in- mação, faz uso do pregão eletrôni-
clui as atividades necessárias para ad- co e da participação de leilões pú-
quirir inputs (entradas) de forma a criar blicos;
produtos ou serviços. Existem duas •• Aplicação de conceitos que envol-
operações neste ponto: vem o quanto comprar e quando
comprar, levando em consideração
Primeira = Aquisição de materiais e ser-
o ponto de pedido, de cada item ou
viços;
produto sob a sua responsabilidade
Segunda = Créditos e empréstimos, que faça parte do seu cadastro.
junto a bancos e Governo. ƒƒ Marketing: é o departamento respon-
Além de ter a sua importância estra- sável em criar produtos, embalagens
tégica, possui uma forte característica comerciais e de consumo, estabelecer
operacional, porque toda e qualquer os pontos de vendas, realizar a pro-
organização, independentemente do moção, enviar mensagens aos clientes
tamanho, ramo (industrial, comercial e potenciais e também aos que já fa-
de prestação de serviços) e setor (priva- zem parte da carteira de clientes, para
do, governamental, de utilidade públi- convencê-los a comprar da empresa.
ca ou sem fins lucrativos), necessita, por Tal mensagem envolve: faixa etária,
mínimo que seja, fazer suas aquisições. poder aquisitivo, classe social, locali-
Paralelamente à atividade principal de zação, concorrente; além da função de

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propaganda e sistemas promocionais.


Sem dúvida nenhuma, o marketing é Dicionário
uma área estratégica, e as empresas
Almoxarifado: estrutura ou local definido pela em-
reconhecem a sua importância e dire- presa para que seja feita a guarda, conservação
cionam uma boa parte de seus recursos e controle dos diversos materiais utilizados para
atender às atividades administrativas e operacio-
humanos e financeiros a essa atividade,
nais (produção ou serviço).
que inclusive atua fortemente no dire-
cionamento da distribuição.
ƒƒ PPCP (Planejamento, Programação, ƒƒ Processos de controle: estes são cons-
Controle, Produção): realiza a tradu- tituídos por atividades de gerencia-
ção, expectativa para a realização da mento, apoio e controle dos processos
produção. As peças necessárias, equipa- de entrada (Inbound) e de saída (Out-
mentos etc. Tal departamento ou área bound).
administra e também informa quais os O controle atua principalmente na me-
tipos de materiais ou serviços que serão dição dos índices de estoques, de pro-
utilizados para atender às demandas. dutividade, desempenho e nos acertos
Em logística, o planejamento refere-se dos problemas ocorridos em função do
a todas as operações indispensáveis fornecimento, erros administrativos,
para planejar e organizar as operações operacionais, avarias, desvios, furtos
básicas. Nessa categoria existem três de materiais e de equipamentos ou um
operações particulares (CHOPRA; MEIN- erro no cliente.
DL, 2003):
É através da auditoria e do controle lo-
•• Previsão da demanda; gístico que as empresas conseguem
•• Preço do produto; determinar se existem falhas, também
•• Gestão de Estoques. conhecidas como gaps, entre a perfor-
ƒƒ Fornecedores: se para produzir produ- mance logística e os resultados espera-
tos e para realizar serviços são neces- dos (CARVALHO et al., 2001).
sárias matérias-primas em uma cadeia
Cada uma das atividades existentes nos
de suprimentos, os fornecedores de
processos de entrada (Inbound), saída
tais matérias-primas devem ser trata-
(Outbound) e controle são realizadas de
dos como parceiros, devendo até se-
uma forma estratégica e operacional-
rem convidados a verem a produção,
mente planejada.
participar da produção, do dia a dia da
ƒƒ Entrega: como tudo tem um começo e
empresa, já que ambos os conhecimen-
um fim, a entrega é a área que envolve
tos podem atuar juntos, surgindo assim
a atividade de encomendas dos consu-
uma estrutura de competência altíssi-
midores e as entregas dos produtos aos
ma.
clientes.
ƒƒ Almoxarifado/Armazenagem: sua atu-
As operações principais são: atender às
ação é importante no controle dos ma-
ordens de encomenda; fazer a separa-
teriais que entram na empresa, vendo
ção de pedidos e composição de car-
inclusive se os mesmos não estão em
gas; roteirização; e a entrega do produ-
excesso.
to propriamente dita.
O objetivo desta área é ter o mínimo em
A entrega é importante porque está
estoque, sem deixar faltar para atender
intrinsecamente ligada à satisfação do
às operações administrativas, de produ-
cliente e permite à empresa manter e
ção ou de vendas.
melhorar o nível de serviço.

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Logística Empresarial

Para melhor entendermos a cadeia de supri- A logística é uma área muito abrangente
mentos, temos que obrigatoriamente entender a e técnica porque dentro desses grupos existem
logística que é a “base” de estudo da cadeia de su- outras atividades e funções que variam de uma
primentos. Temos, então, as Atividades Primárias empresa para outra, conforme o seu ramo e setor
e as Secundárias (CARVALHO, 2002): de atividade.

ƒƒ Atividades Primárias: transportes; ma-


nutenção de estoques; processamento Atenção
de pedido;
A cadeia de suprimentos não está limitada ao flu-
ƒƒ Atividades Secundárias: armazena- xo de produtos ou informações no sentido forne-
gem; manuseio de materiais; embala- cedor até o cliente, por existir também o caminho
inverso do fluxo de negociações, informações, re-
gem de materiais; obtenção (seleção clamações, produtos, entre outros, no sentido de
de fontes, quantidades de compra); cliente até o fornecedor, ou seja, o fluxo reverso
programação do produto (distribuição e uma integração entre todos os elos que fazem
parte desta cadeia (FREDENDALL, 2001).
– fluxo de saída – orientação e progra-
mação PPCP); manutenção de informa-
ção (base de dados gerada pela cadeia
– fonte de dados para futuros planeja-
mentos).

2.2 Resumo do Capítulo

Prezado(a) aluno(a), neste capítulo estudamos que:

ƒƒ A Cadeia de suprimento pode ser entendida como um grupo de fornecedores que colaboram
entre si, para suprir as necessidades de uma empresa na criação e no desenvolvimento dos
seus produtos, com o objetivo de satisfazer os requisitos do consumidor final com produtos e
serviços;
ƒƒ De outra forma, a cadeia de suprimentos pode ser definida como o ciclo da vida dos processos
que compreendem os fluxos físicos, informativos, financeiros e de conhecimento;
ƒƒ A competição no mercado global não ocorre entre empresas, mas entre cadeias de suprimen-
tos;
ƒƒ A gestão da logística e do fluxo de informações em toda a cadeia permite a todo e qualquer ad-
ministrador logístico e aos executivos avaliar pontos fortes e pontos fracos existentes na cadeia
de suprimentos, auxiliando a tomada de decisões;
ƒƒ O uso de tecnologias avançadas contribui para melhorar os resultados, mediante a redução
de custos e consequentemente com o aumento dos resultados e da margem de contribuição;
ƒƒ A área de suprimentos é vista e gerida de uma forma estratégica, sendo bem diferente do mo-
delo passado, baseada na departamentalização, sendo responsável até pelos resultados da
empresa;
ƒƒ Em uma empresa e principalmente em uma cadeia de suprimentos, obviamente é comum a
existência de departamentos e processos, e cada qual representado pelos seus custos;

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ƒƒ As áreas como: suprimentos, marketing, almoxarifado, armazenagem, fornecedores; processos


de controle e entrega; planejamento, programação, controle, produção (PPCP), fazem parte de
uma cadeia de suprimentos.

Vamos, agora, avaliar a sua aprendizagem.

2.3 Atividades Propostas

1. Qual a importância das informações precisas e relevantes para a tomada de decisões? Explique.

2. Quais os procedimentos que são considerados de vital importância para se realizar um bom
gerenciamento da cadeia de suprimentos? Explique.

3. Os fornecedores passam a ser o que no contexto empresarial atual? Explique.

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3 GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS

Prezado(a) aluno(a), processo de fabricação e produtos finais que cir-


Neste capítulo, trataremos de apresentar: a culam entre as fábricas.
gestão da cadeia de suprimentos, sua evolução, A gestão da cadeia logística é melhor reali-
os participantes da cadeia logística, a integração zada quando há medidas e atividades que consis-
da logística e a competitividade. tem numa série de aproximações utilizadas para
A gestão da cadeia logística, também co- integrar, eficazmente, fornecedores, fabricantes,
nhecida como gerenciamento da cadeia de su- intermediários (atacadistas e distribuidores) e lo-
primentos aqui no Brasil, mais precisamente no jas, para que a mercadoria seja produzida e distri-
governo de Fernando Collor de Melo (final da buída nas quantidades ideais, na localização certa
década de 1980), ganhou bastante popularidade e no tempo certo, com o objetivo de satisfazer o
devido à abertura das barreiras comerciais, apesar nível de serviço e o cliente com o menor custo
de existir confusão sobre o seu significado. Mui- possível. Para facilitar a sua compreensão, obser-
tos profissionais utilizam esta menção como um ve os elementos demonstrados na Figura 4.
substituto ou sinônimo de logística. No entanto,
Figura 4 – Exemplo de integração de uma cadeia lo-
a definição de gestão da cadeia logística é mais
gística.
abrangente que o conceito de logística.
Para Lambert, Stock e Ellram (1998), a ges-
tão da cadeia logística é a integração dos proces-
sos do negócio do consumidor através dos forne-
cedores de produtos, serviços e informação, com
o objetivo de acrescentar valor para o cliente.
Sendo assim o cliente é a razão da existência dos
produtos e atividades.
Ainda, segundo estes autores, na cadeia lo-
gística padrão existente na maioria das empresas,
as matérias-primas são movimentadas e utiliza-
das e os bens são produzidos em uma ou mais
fábricas, transportados para armazéns como ar-
mazenamento intermediário, e depois transpor-
tados para os varejistas ou clientes. As estratégias Fonte: Banco de dados Free.
utilizadas para obter uma cadeia logística eficaz
consideram as interações e integrações entre os
vários níveis da cadeia logística, de forma a redu-
zir o custo e melhorar o serviço prestado. A ca-
deia logística consiste nos fornecedores, centros
de fabricação, armazéns e centros de distribuição
(CDs), assim como matérias-primas, produtos no

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Conforme descrito anteriormente, a cadeia entre as mesmas companhias. Portanto, a comu-


logística não é composta apenas de movimenta- nicação e o seu controle é um fator-chave para a
ção de produtos físicos entre empresas. Envolve, manutenção e gestão da cadeia logística, pois são
também, o acompanhamento do fluxo de infor- essas medidas que permitem reduzir os custos e
mação destes produtos e informação de capitais aumentar os lucros.

Saiba mais

Inbound: De entrada.
• No nosso exemplo, esta parte da cadeia faz referência: aos processos de suprimentos, contratação de fretes interna-
cionais, despacho aduaneiro, movimentação, recebimento (entrada), conferência, inspeção, liberação, formação de
estoques, armazenagem, separação, expedição e seus respectivos fluxos de informações.
In-house: Interno.
• Trata-se, aqui, de: atividades; processos de movimentação e transformação industrial realizados internamente na
empresa; armazenagem; e os seus fluxos de informações.
Outbound: Saída para outro país.
• Refere-se à distribuição dos produtos, representada pelos fluxos de movimentação e de informação, para o merca-
do nacional ou internacional, geralmente em função das vendas para o comércio internacional, comércio local ou
cliente consumidor final.
Este processo é composto pelas atividades de: comércio exterior (despacho aduaneiro), negociação, separação de
pedidos, conferência, embalagem, emissão de notas fiscais, faturamento, expedição, roteirização, carregamento dos
produtos nos veículos, distribuição e logística reversa. Fonte: Bueno (2000).

3.1 Evolução da Gestão da Cadeia Logística

Nos anos de 1960, a logística tinha princi- Diante desse contexto, fica claro que há
palmente uma vertente operacional, isto é, era muito o que implantar e melhorar nas atividades
vista como sistema de atividades integradas. Este logísticas, tanto em nível estrutural quanto de
tópico é importante, porque, como podemos per- gestão.
ceber, não havia um foco estratégico.
Nos anos de 1970, passou a ser caracteriza- Participantes da Cadeia Logística
da por ter uma área funcional e estratégica. Já nos
anos de 1980, a logística passa a ser vista como
Há um ditado que diz que: “ninguém é uma
serviço e começam a aparecer os sistemas logís-
ilha”, ou seja, ninguém vive ou trabalha isolada-
ticos de informação, e, nos anos de 1990, surge a
mente. Em uma cadeia logística não é diferente;
gestão da cadeia logística (CARVALHO, 2002).
e esta é composta por grupos básicos de partici-
Atualmente, a função logística interage ba- pantes, tais como clientes e fornecedores, crian-
sicamente com quatro setores das empresas: ma- do assim uma cadeia logística simples. Por outro
rketing, finanças, controle da produção e gestão lado, existem cadeias logísticas prolongadas que
de recursos humanos, criando assim uma rede são compostas por um número bem maior de
logística. No entanto, conforme Carvalho e Dias fornecedores e de clientes. Porém há aquelas que
(2004), em pleno século XXI, o conhecimento, ex- fornecem serviços em logística, segurança, finan-
ploração e aplicação empresarial da logística ain- ças, marketing e informações.
da estão longe dos tempos da logística aplicada
Esta parte demonstra a possível existência
em estratégias de guerra.

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de atividades e processos realizados por empre- De acordo com Chopra e Meindl (2003), os
sas contratadas, sendo estas chamadas de tercei- distribuidores “protegem” os produtores das flu-
rizadas ou quarteirizadas. tuações da procura de um produto com o arma-
Para Chopra e Meindl (2003), existem em- zenamento de diversos produtos.
presas na cadeia logística que desempenham Por isso que a administração dos estoques
funções diferentes. Há as empresas: e dos armazéns é de grande importância para
atender não somente às flutuações das deman-
ƒƒ Que são produtoras; das, mas também os períodos sazonais. Para
ƒƒ Outras atuam como distribuidoras ou atender ao cliente, o distribuidor entrega o pro-
revendedoras; duto onde e quando ele deseja. Particularmente,
o distribuidor é uma empresa que controla os es-
ƒƒ No entanto, outras empresas ou pes-
toques de produtos, que compra de produtores e
soas físicas são clientes (consumidores
depois vende para os consumidores. Este tipo de
finais de um determinado produto).
empresa na cadeia de suprimentos possui várias
funções e responsabilidades, como promoção e
Apoiando e trabalhando com essas empre- vendas do produto, administração de estoques,
sas, existem outras que lhes proporcionam os ser- operações de armazenamento, transporte do
viços, mão de obra e materiais necessários. produto, suporte ao cliente e serviço pós-venda
(em alguns casos instalações, manutenção ou
troca de tais produtos ou mercadorias). Em uma
Produtores
Cadeia de Suprimentos, um distribuidor ou ataca-
dista pode ainda ser uma empresa, cooperativa,
Ainda conforme os autores citados ante- ou outro tipo de organização intermediária entre
riormente, os fabricantes de produtos podem ser o fabricante e o cliente, desempenhando princi-
empresas que produzem matérias-primas e em- palmente as funções de promoção e venda do
presas que fabricam produtos finais. produto, sem nunca tomar posse dele, ou seja,
Os produtores de matérias-primas são em- tais produtos são consignados e serão faturados
presas e organizações (Governo) que exploram as somente após a venda destes. O distribuidor é o
reservas naturais em busca de minerais, brocam agente que, continuamente, segue as necessida-
(furam o solo) por petróleo ou gás, ou serram ár- des do cliente e as combina com os produtos dis-
vores. Incluem, também, organizações de agricul- poníveis, tanto em um caso quanto no outro.
tura, criação de animais ou pesca. Diante disso,
estas empresas que são fabricantes de produtos
Varejistas
finais usam tais matérias-primas ou subconjuntos
dos outros produtores para criarem os seus pró-
prios produtos. Os varejistas são empresas que controlam
de perto as preferências e a procura dos clientes.
Como exemplo, podemos citar os supermerca-
Distribuidores
dos, bares restaurantes e lojas de departamentos.
Elas armazenam os estoques e vendem em quan-
Os distribuidores são conhecidos como re- tidades pequenas ao público em geral. Utilizam
vendedores ou atacadistas. Compram em grande uma combinação de preços, seleção do produ-
volume, fazem estoques, para atender aos produ- to, serviço e conveniência para atrair os clientes.
tores, que precisam para atender e entregar aos Existem lojas que oferecem uma linha única de
clientes, ou seja, vendem os produtos em quanti- produtos e altos níveis de serviço, por outro lado,
dades superiores. Diferentemente de um varejis- existem outras como franquias de restaurantes
ta. (fast-food) que utilizam a conveniência e preços

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baixos como principal atrativo, ou seja, cada qual nham e realizam os serviços de uma forma mais
com a sua estratégia de vendas e marketing. eficiente e barata do que os próprios produtores,
distribuidores, varejistas ou consumidores pode-
riam fazer por si próprios.
Dicionário No contexto de uma Cadeia de Suprimen-
Fast-food: em inglês, significa comida feita de uma
tos, os fornecedores de serviços oferecem e reali-
forma rápida. Como exemplo podemos citar os zam diferentes tipos de prestações, como: serviço
lanches e as esfirras. de transporte e armazenagem; em alguns casos,
empréstimos e análise de crédito; pesquisa de
mercado e consultoria; projetos do produto, ser-
Clientes viços de engenharia; serviços legais e conselhos
de gestão; e, como estamos na era da informação,
é comum os serviços de informações tecnológi-
No contexto de uma Cadeia de Suprimen- cas e processamento de dados.
tos, os clientes ou consumidores são empresas ou
Tais fornecedores estão integrados nas ope-
organizações que compram ou usam um deter-
rações dos produtores, distribuidores, atacadis-
minado produto, ou seja, são pessoas jurídicas.
tas, varejistas e consumidores da cadeia logística.
Diante disso um consumidor pode comprar um
Com o passar do tempo, as necessidades da ca-
produto com o objetivo de incorporar em outro,
deia logística permanecem, no conjunto, razoa-
vendendo posteriormente a outro cliente. Como
velmente estável. Mudando desta forma os par-
é comum em muitas situações, o cliente pode ser
ticipantes na cadeia logística, assim como os seus
o utilizador e consumidor final do produto.
papéis e responsabilidades.
Para estes autores, em algumas cadeias lo-
Fornecedores de Serviços gísticas existem poucos fornecedores de serviços
porque os outros participantes desempenham
Conforme falamos anteriormente, os forne- estes serviços.
cedores de serviços são empresas ou organiza- Noutras cadeias logísticas, os fornecedores
ções que fornecem produtos, matérias-primas e de serviços especializados evoluíram, e por isso
serviços aos produtores, distribuidores, atacadis- os outros participantes recorrem à sua prestação
tas, varejistas e clientes. de serviços em vez de realizarem a tarefa por si.
Como há diversos ramos e setores empre- Diante de tal realidade, as empresas que
sariais, eles desenvolveram todo um conjunto de não possuem pessoas devidamente habilitadas
habilidades, por se concentrarem numa atividade e treinadas, recursos ou estruturas, fazem uso de
particular da cadeia logística, e por isso desempe- tais préstimos e serviços.

3.2 Integração da Logística na Cadeia de Suprimentos

Parceria e integração são consideradas as para as suas operações, corre grandes riscos de
principais necessidades existentes no contexto uma forma desnecessária, podendo interromper
das empresas que tenham a necessidade de atuar o fluxo de materiais e aumentar os custos.
estrategicamente e conjuntamente numa cadeia Uma integração externa à organização re-
de suprimentos. Diante disso, se cada empresa move esse risco e melhora no conjunto a cadeia
que faz parte de uma cadeia de suprimentos se de suprimentos.
atentar e ter uma visão administrativa apenas

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Conforme Christopher (apud WATERS, cadistas, varejistas e clientes, ou seja,


2003), essa integração consiste na relação entre entre todos os participantes da cadeia
os parceiros da cadeia logística, pois estes deter- logística, compartilhando informação e
minam as melhores oportunidades de redução recursos para a realização de projetos e
dos custos e/ou realce do valor. para atender às demandas;
Ainda segundo este autor, em uma integra- ƒƒ Redução de Custos: com a integração
ção existem três níveis de integração: funcional e de processos, todas as ati-
vidades são realizadas de uma forma
ƒƒ O primeiro nível tem a logística como equilibrada, contribuindo para evitar
atividades separadas dentro de uma or- excessos ou a falta de recursos e de ma-
ganização; téria-prima;
ƒƒ O segundo consiste em juntar as ativi- ƒƒ Melhoria no desempenho devido a pre-
dades como uma única função, através visões mais exatas;
da integração interna; ƒƒ Com a integração, as previsões estarão
ƒƒ Este dois tópicos demonstram o foco mais próximas da realidade;
interno, de uma forma separada ou in- ƒƒ Melhoria no fluxo de produtos, com
tegrada; movimentos mais rápidos e de con-
ƒƒ A terceira consta na integração externa, fiança: nesta parte, o benefício está na
onde as organizações olham além das redução do tempo e na confiabilidade
suas operações e integram mais a ca- atrelada a estes;
deia logística. ƒƒ Aumento no nível de serviço ao cliente:
com lead-times de processos reduzidos
As organizações com a mesma cadeia logís- e respostas mais rápidas;
tica devem cooperar entre si, com o objetivo de ƒƒ Flexibilidade e rapidez de reação às
satisfazer o cliente final. Estas não devem compe- condições de mudança ou sazonalida-
tir entre si, mas sim com as outras organizações de: este benefício contribui para au-
que têm uma cadeia logística diferente, ou seja, mentar a competitividade;
as empresas concorrem não mais entre si isolada- ƒƒ Procedimentos padronizados e pré-de-
mente, mas de uma forma conjunta entre cadeias. finidos;
Como exemplo, podemos citar as montadoras de ƒƒ Qualidade.
veículos, bem como as grandes redes de super-
mercados.
Tais benefícios contribuem para o aumento
da credibilidade dos serviços e processos, bem
Integração
como para a diminuição de custos não só de uma
unidade ou empresa de forma isolada, mas sim
Hoje, a integração, além de ajudar na me- entre todos os participantes que fazem parte de
lhoria de processos, contribui para a estratégia da uma determinada cadeia de suprimentos.
empresa. As empresas estão se adaptando e bus-
cando, além da integração funcional, a integração
de processos.
Conforme Waters (2003), em uma integra-
ção, temos os seguintes benefícios:

ƒƒ Cooperação: nesse caso entre os forne-


cedores, as unidades produtoras, ata-

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3.3 Competitividade

Segundo Michael Porter (1989), a competi- Ele salienta que o pior erro que se pode co-
tividade é a variável mais importante em termos meter é tentar utilizar todas as estratégias simul-
de desenvolvimento das empresas. taneamente, tendo desta forma a grande proba-
Ela é vista e percebida pelos clientes, caben- bilidade de fracasso.
do à empresa preservá-la o máximo possível, ou,
quando for o caso e a situação vier a exigir, criar
uma nova.
Atenção
Neste cenário, os clientes, os produtos subs-
titutos e finalmente a rivalidade entre as empre- A gestão da cadeia logística é a integração dos
sas concorrentes são fatores que condicionam a processos do negócio do consumidor através dos
fornecedores de produtos, serviços e informação,
indústria a longo prazo e que afetam custos, pre- com o objetivo de acrescentar valor para o clien-
ços e os investimentos. Ainda, conforme as suas te. Sendo assim o cliente é a razão da existência
considerações, há três formas estratégicas com- dos produtos e atividades (LAMBERT, 1998).
petitivas através das quais uma empresa pode
obter vantagem competitiva:

ƒƒ a liderança de custos;
ƒƒ apenas pelos custos;
ƒƒ ou ambas.

3.4 Resumo do Capítulo

Prezado(a) aluno(a), neste capítulo estudamos que:

ƒƒ Conforme Lambert, Stock e Ellram (1998), a gestão da cadeia logística é a integração dos pro-
cessos do negócio do consumidor através dos fornecedores de produtos, serviços e informa-
ção, com o objetivo de acrescentar valor para o cliente. Sendo assim, o cliente é a razão da
existência dos produtos e atividades;
ƒƒ A gestão da cadeia logística é melhor realizada quando há medidas e atividades que consistem
numa série de aproximações utilizadas para integrar, eficazmente, fornecedores, fabricantes,
intermediários (atacadistas e distribuidores) e lojas, para que a mercadoria seja produzida e
distribuída nas quantidades ideais, na localização certa e no tempo certo, com o objetivo de
satisfazer o nível de serviço e o cliente com o menor custo possível;
ƒƒ Nos anos de 1960, a logística tinha principalmente uma vertente operacional, isto é, era vista
como sistema de atividades integradas. Nos anos de 1970, a logística passou a ser caracteriza-
da por ter uma área funcional e estratégica. Já nos anos de 1980, a logística passa a ser vista
como serviço e começam a aparecer os sistemas logísticos de informação, e, nos anos de 1990,
surge a gestão da cadeia logística (CARVALHO, 2002);

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ƒƒ Atualmente, a função logística interage basicamente com quatro setores das empresas: marke-
ting, finanças, controle da produção e gestão de recursos humanos, criando assim uma rede
logística;
ƒƒ Conforme Carvalho (2004), em pleno século XXI, o conhecimento, exploração e aplicação em-
presarial da logística ainda estão longe dos tempos da logística aplicada em estratégias de
guerra;
ƒƒ Os participantes da cadeia logística são: produtores, distribuidores, varejistas, clientes, fornece-
dores de serviços;
ƒƒ Parceria e integração são consideradas as principais necessidades existentes no contexto das
empresas que tenham a necessidade de atuar estrategicamente e conjuntamente numa ca-
deia de suprimentos;
ƒƒ Existem três níveis de integração: o primeiro nível tem a logística como atividade separada
dentro de uma organização; o segundo consiste em juntar as atividades como uma única fun-
ção, através da integração interna; e o terceiro consta na integração externa, onde as organiza-
ções olham além das suas operações e integram mais a cadeia logística;
ƒƒ As empresas concorrem não mais entre si isoladamente, mas de uma forma conjunta entre
cadeias;
ƒƒ As empresas estão se adaptando e buscando, além da integração funcional, a integração de
processos;
ƒƒ A competitividade é a variável mais importante em termos de desenvolvimento das empresas;
ƒƒ As três formas estratégicas competitivas através das quais uma empresa pode obter vantagem
competitiva são: a liderança de custos, apenas pelos custos ou ambas.

Vamos, agora, avaliar a sua aprendizagem.

3.5 Atividades Propostas

1. Segundo Lambert, Stock e Ellram (1998), quais os procedimentos que ocorrem em uma cadeia
logística padrão?

2. Estrategicamente, para se obter uma cadeia logística eficaz, quais são os dois fatores que são
levados em consideração de forma a reduzir os custos e melhorar os serviços prestados? Expli-
que.

3. Como o autor Michael Porter (1989) considera a competitividade? Explique.

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4 SUPPLY CHAIN DRIVERS

Prezado(a) aluno(a), neste capítulo, tratare- ƒƒ Estoques;


mos de apresentar as áreas de desempenho da ƒƒ Localização;
cadeia logística, tais como: produção, estoques, ƒƒ Transporte;
localização, transporte e informação.
ƒƒ Informação.
Um supply chain driver, ou direcionamento,
é uma área através da qual as organizações po-
dem melhorar a sua prestação na cadeia de abas- Conforme esses autores, essas áreas de de-
tecimento. Os drivers são áreas de desempenho sempenho da cadeia logística estão distribuídas e
sobre os quais se deve atuar estrategicamente, repetidas ao longo de uma Cadeia.
com o objetivo de contribuir para que a gestão Ainda segundo eles, estas áreas podem ser-
da cadeia produtiva seja mais eficiente e eficaz. vir como parâmetros de projetos ou políticas de
Em uma cadeia, há os departamentos cha- decisão, definindo a capacidade, a forma e opera-
ves e principais. Nesse sentido, Chopra e Meindl ções de qualquer cadeia logística.
(2003) definem os drivers em cinco áreas: A seguir, apresentaremos mais detalhes so-
bre cada uma destas áreas.
ƒƒ Produção;

4.1 Produção

Para Chopra e Meindl (2003), a produção é ƒƒ Gestão das infraestruturas.


a fabricação e o armazenamento de produtos de
uma cadeia logística.
As fábricas podem ser construídas para aco-
A parte industrial de uma cadeia logística é modar uma de duas aproximações para a produ-
formada pelas unidades de produção e por aque- ção:
las que lhe dão apoio (ROCHA, 1995).
Essa categoria inclui as operações de de- ƒƒ Foco no produto – neste caso uma fá-
senvolver e construir os produtos ou serviços. Ou brica que se foca no produto efetua
seja, transformam matéria-prima em produtos várias operações necessárias para a sua
finais, de uma forma manual ou com o uso de produção, que envolvem a fabricação
máquinas e ferramentas. As operações presentes de diferentes partes do produto e pos-
nesta categoria são: teriormente a montagem das mesmas.
ƒƒ Foco na funcionalidade – nesse caso, a
ƒƒ Projeto do produto; abordagem consiste em fazer apenas
ƒƒ Gestão da produção; algumas partes do produto ou apenas

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a sua montagem. Esta funcionalidade


pode ser aplicada na fabricação de dife-
rentes tipos de produtos. Dicionário

Supply chain driver: programa ou rotina utilizada


A empresa tem de decidir qual é a aproxi- como interface e para gerenciar um dispositivo de
mação, ou a mistura das duas aproximações, que entrada ou saída na cadeia de suprimentos.
dá a capacidade que necessita, para responder de
melhor forma às exigências dos clientes. Stock keeping unit: designa os diferentes itens de
um estoque. Representa a unidade para a qual in-
Como nas fábricas, os armazéns também formações de venda e de gestão de estoque são
podem ser construídos para acomodar diferentes mantidas. Pode ser uma unidade de consumo de
aproximações ou necessidades produtivas. Exis- um produto ou uma caixa coletiva com diversas
unidades do mesmo produto.
tem três aproximações principais que são utilizas
na armazenagem: Job lot storage: armazenamento de produto por
lote.
ƒƒ Stock keeping unit: nesta aproximação, Cross docking: transferência de mercadorias entre
considerada tradicional, um certo tipo docas.
ou classe de produto é armazenado O fluxo direto de uma mercadoria dentro de um
junto. Este é um método eficiente e fácil depósito ou planta industrial, entre as áreas de re-
cebimento e as áreas de despacho ou produção.
para compreender a armazenagem da
mercadoria; Um trade-off, em português, pode significar
ƒƒ Job lot storage: dessa forma, as mer- compensação, equilíbrio, conciliação (BOWERSOX,
2008).
cadorias que estão relacionadas com
as necessidades de um cliente, ou que Fontes: Dicionário on-line de Logística e Operações, v. 13
servem para um determinado trabalho, e Bueno (2000).
estão armazenadas juntas. Isto permite
uma operação de separação de produ-
tos por zona;
ƒƒ Cross docking (giro rápido ou transbor-
do): nesse caso, o produto não é arma-
zenado, sendo realizada a consolidação
ou a desconsolidação entre veículos
maiores e menores, ou seja, os lotes
grandes são subdivididos em lotes me-
nores (fracionados).

4.2 Estoques

Conforme demonstrado anteriormente, o pida às variações da procura, se tiver na sua pos-


estoque está espalhado ao longo da cadeia logís- se um estoque enorme. No entanto, a criação e
tica e inclui tudo, desde as matérias-primas até os armazenagem de estoques têm um custo e, para
produtos finais, o que está na posse dos fabrican- atingir níveis de eficiência elevados, o custo de ar-
tes, distribuidores e varejistas. Novamente, os ad- mazenagem tem de ser o menor possível. Existem
ministradores têm de decidir qual é a sua posição três decisões básicas que são essenciais na fabri-
no trade-off, entre a capacidade de resposta e efi- cação e armazenamento de produtos (CHOPRA;
ciência. Uma empresa pode dar uma resposta rá- MEINDL, 2003):

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ƒƒ Ciclo de estoque: é a quantidade de ƒƒ Aqui a decisão difícil, chamada de tra-


estoque necessária para satisfazer a de-off, é o peso (a compensação) entre
procura do produto, no período de os custos de armazenar o estoque extra
compras do mesmo. As empresas pro- contra os custos de vendas perdidas,
duzem e compram em grandes lotes, devido a um estoque insuficiente.
para se beneficiarem das vantagens ƒƒ Estoque sazonal: este estoque existe
que as economias de escala oferecem. para prever o aumento da procura que
No entanto, a compra de grandes quan- ocorre em determinados períodos do
tidades de mercadorias implica au- ano. Por exemplo, produtos natalinos,
páscoa etc. É previsível que a procura
mento dos custos de carregamento. Os
de panetones vai aumentar no final de
custos de carregamento consistem nos
ano. Se uma companhia, que produz tal
custos de armazenamento, manuseio e
panetone, tem uma taxa de produção
manutenção de estoques. Os adminis- que, para mudar, tem custos elevados,
tradores enfrentam o trade-off entre o então vai tentar fabricar o produto a
custo reduzido pela compra de gran- uma taxa constante ao longo do ano.
des quantidades de mercadorias e o Essa empresa vai constituir um estoque
aumento do custo de carregamento do durante os períodos de baixa procura,
ciclo de estoque. compensando os períodos de alta pro-
ƒƒ Estoque de segurança: é o estoque cura, que excede a taxa de produção. A
que é guardado como uma reserva, alternativa para construir um estoque
contra a incerteza, ou seja, é um esto- sazonal é investir em equipamentos de
que adicional, usado quando a procura produção flexíveis, que podem rapida-
da mercadoria é superior àquela que es- mente mudar a sua taxa de produção
tava prevista. Se a previsão da procura de produtos diferentes, para responder
pudesse ser feita com perfeita exatidão, ao aumento da procura. Nesse caso, o
então o único estoque que era preciso trade-off é entre o custo de armazenar
era o ciclo de estoque. estoque sazonal e o custo de ter capaci-
dade flexível de produção.

4.3 Localização

Localização é o local geográfico onde es- ƒƒ Custo das instalações;


tão situadas as instalações da cadeia logística, e ƒƒ Custo do trabalho;
inclui as decisões relativas às atividades que de- ƒƒ Qualificação dos trabalhadores;
verão ser executadas em cada fábrica. O trade-off
ƒƒ Condições das infraestruturas;
entre a capacidade de resposta e a eficiência é a
decisão entre centralizar as atividades em locali- ƒƒ Taxas e tarifas;
zações menores para ganhar economia de escala ƒƒ Proximidades entre clientes e fornece-
e eficiência, ou descentralizar as atividades em dores.
várias localizações próximas dos clientes e forne-
cedores, de forma a existir uma maior resposta às
Conforme as considerações desses autores,
operações. Quando é necessário tomar decisões,
as decisões tomadas relativamente à localização
os administradores precisam considerar vários fa-
de instalações têm que ser decisões estratégicas,
tores:
muito bem estudadas, pois envolvem grandes
quantidades de capitais a longo prazo. Essas de-

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cisões têm forte impacto no custo e desempenho canais, em que os produtos podem circular até
da cadeia logística. Quando o tamanho, número chegar às mãos dos clientes. As decisões de loca-
e localização das instalações são determinados, lização refletem a estratégia básica da empresa
define-se o número de possíveis caminhos, ou para produzir e entregar os produtos no mercado.

4.4 Transporte

O transporte é uma atividade totalmente ência, flexibilidade, capacidade de resposta e os


perceptível na logística, e refere-se ao movimento custos envolvidos em cada viagem.
de matérias-primas, produtos ou serviços de uma Existem cinco modais de transportes que
determinada origem até um destino final, bem uma empresa pode utilizar para atender às suas
como as movimentações destes realizadas nas necessidades de movimentação. Como exemplo,
diferentes instalações existentes em uma cadeia temos:
logística. Geralmente atua em conjunto com as
áreas de marketing, produção e distribuição. ƒƒ Marítimo: considerado como o mais
Seu principal objetivo é disponibilizar veí- lento de todos, porém o seu uso oferece
culos para que os processos de abastecimento e um custo menor. O seu uso é limitado,
distribuição ocorram operacionalmente e estrate- levando-se em consideração as regiões
gicamente conforme as vendas e as necessidades ou vias navegáveis e instalações exis-
planejadas e preestabelecidas. tentes em alguns estados do nosso país;
Estrategicamente esta área tem a missão de ƒƒ Ferroviário: este tipo de transporte
auxiliar e orientar a empresa na decisão de ope- tem um custo baixo, mas também é
rar com frota própria ou de terceiros; definição do lento. Esse modelo está restrito a locali-
tamanho da frota, bem como os tipos de veículos zações que possuam linhas ferroviárias;
que farão parte desta frota; análise e viabilidade ƒƒ Dutoviário: bastante eficiente, no en-
do custo-benefício; renovação da frota; monito- tanto, está limitado a compostos líqui-
ração e rastreamento de tal frota, de motoristas, dos, gases ou minérios (sal gema);
ajudantes e produtos; diminuição de custos devi-
ƒƒ Rodoviários: os caminhões são relati-
do à baixa produtividade, com a conciliação das
vamente rápidos e flexíveis. Esse tipo de
viagens de ida com cargas de retorno.
transporte pode chegar a quase todo
Apesar dos planejamentos e procedimentos lugar e região. Porém o seu custo está
de auditoria, rastreabilidade, roteirização, segu- diretamente ligado ao dos combustí-
rança e controle, esta atividade apresenta proble- veis, bem como ao tipo de piso trafega-
mas operacionais em função de fatores externos do (natural, implantado ou asfaltado);
e imprevisíveis, tais como: atrasos nas entregas
ƒƒ Aéreo: considerado o mais rápido de
em decorrência do trânsito, quebra de veículos,
todos e também o mais caro. Apesar de
roubos, furtos, janelas de entrega, demoras nas
ter uma grande capacidade de reposta
atividades de carregamento e descarregamento,
nas entregas, o seu uso é restrito para
conferência de materiais, documentos etc.
algumas cidades e regiões, por não te-
Uma de suas atribuições e responsabilida- rem aeroportos.
des é definir qual o melhor modal para que o pro-
duto seja enviado ao seu destino final, levando
em consideração as características, tipo, peso e Com a definição da localização das instala-
dimensões dos produtos, prazos, distâncias, efici- ções pertencentes à cadeia logística, mais estes

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tipos de transporte, os administradores podem Quanto menor for o valor do produto, mais
criar rotas e redes para a movimentação dos eficiente deve ser o modo de transporte e ter
produtos. A rota é o caminho através do qual os um melhor aproveitamento da capacidade de
produtos são movimentados. As redes são com- carga.
postas por um conjunto desses caminhos. Como
Saiba mais
regra geral, quanto maior for o valor do produto,
mais atenção tem que se ter com a escolha da Custo baixo, flexibilidade, capacidade de carga e de
rede de transporte, decidindo por uma opção resposta (rapidez) são elementos importantes a se-
mais rápida e segura. rem observados no ato de escolha de um modal de
transporte.

4.5 Informação

Sem dúvida de que a informação é um item de produção – sendo estes semanais,


importantíssimo, pois esta realiza a ligação entre mensais e trimestrais. Este ponto é tão
todas as atividades e operações da cadeia logísti- importante que a informação também
ca. Cada empresa deve realizar boas decisões nas é utilizada para previsões e decisões
suas próprias operações até atingir um bom pa- estratégicas sobre a necessidade de se
tamar de qualidade e eficiência. As informações ampliar, ou construir novas fábricas, en-
também são importantes, pois irão auxiliar na trada num novo mercado ou saída de
um mercado.
tomada de decisões que são efetuadas nas qua-
tro áreas descritas anteriormente, bem como nos
níveis estratégicos, táticos e operacionais. As informações exatas e precisas permitem
Para Chopra e Meindl (2003), a informação decisões eficientes nas operações existentes nas
é utilizada com dois propósitos em algumas ca- empresas e auxilia também para que haja melho-
deias logísticas: res provisões e previsões, para atender às necessi-
dades e às demandas existentes.
ƒƒ Para coordenar as atividades e proces- Mas adquirir ou conceber um sistema tal
sos relacionados com o funcionamento pode ser, e é, algo caríssimo. Diante disso, fica a
das quatro áreas existentes em uma ca- pergunta: quanto vale uma informação para você
deia de suprimentos, tais como: produ- e para a sua empresa?
ção, estoques, localização e transporte. Estrategicamente, cada empresa tem que
Com base em relatórios anteriores, as definir a quantidade e o tipo de informação que
empresas fazem uso dos dados dispo- deve ser compartilhada com as outras empresas
níveis da oferta e procura para decidir
que fazem parte da cadeia. As demais informa-
a programação da produção semanal,
ções consideradas estratégicas devem ser man-
quais os níveis de estoques necessários,
tidas e preservadas. Procedendo desta forma,
roteirização do transporte, bem como
nas instalações de armazenagem; tanto as empresas quanto os processos tornam-
-se mais eficazes, por fazerem uso da informação
ƒƒ Para antecipar a demanda futura, as
compartilhada sobre o fornecimento do produto,
informações disponíveis são utilizadas
para realizar previsões mais realistas e a demanda dos clientes, previsões de vendas e
um bom gerenciamento, permitindo consequentemente dos planejamentos, das pro-
desta forma o ajuste dos calendários gramações e dos controles da produção.

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Cláudio Alves da Silva

Como a informação é para auxiliar o contro-


Atenção
le, as empresas envolvidas têm um grande inte-
resse em controlar e gerenciar esta integração. As áreas de desempenho da cadeia logística, tais
como produção, estoques, localização, transpor-
te e informação, estão distribuídas e repetidas ao
longo de uma Cadeia (CHOPRA; MEINDL, 2003).

4.6 Resumo do Capítulo

Prezado(a) aluno(a), neste capítulo estudamos que:

ƒƒ As áreas de desempenho da cadeia logística, tais como produção, estoques, localização, trans-
porte e informação, são áreas das quais as organizações podem melhorar a sua prestação na
cadeia de abastecimento;
ƒƒ A parte industrial de uma cadeia logística é formada pelas unidades de produção e por aquelas
que lhe dão apoio (ROCHA, 1995);
ƒƒ O estoque está espalhado ao longo da cadeia logística e inclui tudo, desde as matérias-primas
até os produtos finais, o que está na posse dos fabricantes, distribuidores e varejistas;
ƒƒ Localização é o local geográfico onde estão situadas as instalações da cadeia logística, e inclui
as decisões relativas às atividades que deverão ser executadas em cada fábrica;
ƒƒ O transporte é uma atividade totalmente perceptível na logística, e possui importância opera-
cional e estratégica para as empresas. Refere-se ao movimento de matérias-primas, produtos
ou serviços de uma determinada origem até um destino final, bem como as movimentações
destes realizadas nas diferentes instalações existentes em uma cadeia logística. Geralmente
atua em conjunto com as áreas de marketing, produção e distribuição;
ƒƒ Existem cinco modais de transportes que uma empresa pode utilizar para atender às suas ne-
cessidades de movimentação. Como exemplo, temos: marítimo, ferroviário, dutoviário, rodovi-
ário e aéreo;
ƒƒ A informação é utilizada com dois propósitos em algumas cadeias logísticas: para coordenar as
atividades e processos, e para antecipar a demanda futura;
ƒƒ As informações exatas e precisas permitem decisões eficientes nas operações existentes nas
empresas, e auxilia também para que haja melhores provisões e previsões para atender às ne-
cessidades e às demandas existentes.

Vamos, agora, avaliar a sua aprendizagem.

4.7 Atividades Propostas

1. As fábricas podem ser construídas para acomodar uma de duas aproximações para a produção:
foco no produto ou foco na funcionalidade. Explique cada dessas aproximações.
2. O que as decisões de localização refletem? Explique.
3. Qual o principal objetivo da área de transporte? Explique.

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5 DECISÕES

Prezado(a) aluno(a), Assim como nas empresas, na logística exis-


Neste capítulo, trataremos de apresentar as te uma hierarquia de decisões. Não que as em-
decisões e os gerenciamentos estratégicos, táti- presas sejam obrigadas a obedecer este modelo
cos e operacionais; auditoria logística; estratégia; hierárquico, mas entendê-lo pode nos ajudar na
indicadores de desempenho e análise através de identificação e definição de responsabilidades
exemplos de aplicações de indicadores; a imple- que serão atribuídas aos gestores logísticos que
mentação de um departamento logístico; servi- atuam em cada nível da empresa, conforme atri-
ços; e valor agregado. buições existentes nas áreas, departamentos,
As empresas costumam basear suas deci- processos e atividades.
sões de forma hierarquizada, para tanto, elas fa- Como você pode visualizar, este modelo
zem uso de diferentes níveis existentes em sua funciona como uma pirâmide com três divisões
estrutura de negócios, que, em função da com- distintas. Vamos observar na Figura 5 qual o papel
plexidade presente em cada nível, processo ou de cada um destes níveis.
atividade, definem os rumos estabelecidos pela
organização. De uma forma geral, as decisões po-
dem ser classificadas como:

ƒƒ Estratégicas: estas são as mais impor-


tantes e arriscadas, pois decidem a di-
reção de uma empresa ou organização.
Os seus resultados são colhidos a longo
prazo e demandam muitos recursos
para serem realizadas.
ƒƒ Táticas: estas estão relacionadas com
a implementação das estratégias sobre
o médio prazo, envolvem menos recur-
sos e apenas apresentam algum risco;
estão mais presentes no nível gerencial.
ƒƒ Operacionais: são decisões mais deta-
lhadas e, segundo Waters (2003), dizem
respeito a estratégias com curto prazo
e envolvem menos recursos que as de-
cisões táticas; nesse caso há um risco
pequeno.

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Figura 5 – Hierarquia de gerenciamento estratégico, tático e operacional.

Fonte: Chiavenato (2004).

5.1 Gerenciamento Estratégico

O processo decisório de nível estratégico O profissional que tem a sua participação


geralmente é formado e compartilhado por pre- ativa no nível estratégico precisa ter condições de
sidentes, diretores e gerentes da corporação, ou se afastar da rotina operacional e se concentrar no
seja, administradores de topo. Dependendo da futuro da organização, para que desta forma te-
empresa e de seu porte, este nível decisório po- nha condições de tomar as decisões importantes
derá ser compartilhado com coordenadores e su- dentro de prazos cada vez mais curtos. Para tanto,
pervisores de determinadas áreas chaves. ele possui uma visão externa e conhecimentos
Em alguns ramos e setores empresariais é estratégicos para realizar a gestão global de mer-
comum a participação de analistas de produtos, cados, ao contrário dos analistas de projetos que
projetos e mercados nas decisões estratégicas, especificamente necessitam de conhecimentos
porque eles, juntamente com equipes especiali- técnicos e operacionais apurados.
zadas, serão responsáveis para promover e pro-
gramar os objetivos com base em dados estatísti-
cos, pesquisas de mercados, simulações e análises
de riscos. Tais profissionais são acionados para
ajudar as empresas a entender e analisar quais as
previsões existentes e contidas em cada segmen-
to e cenário empresarial. Tal cenário poderá ser
otimista, realista ou pessimista.

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5.2 Gerenciamento Tático

O nível tático geralmente é composto por O profissional que tem a sua participação
áreas gerenciais e funcionais, como: compras, fi- ativa no nível gerencial precisa ter o foco em uni-
nanceira, recursos humanos, produção, logística, dades ou departamentos da organização, para
marketing, pesquisa e desenvolvimento. Este ní- que dessa forma tenha condições de tomar as
vel se mobiliza para buscar os resultados defini- decisões importantes dentro de prazos cada vez
dos pelo nível estratégico. Para tanto, ele identi- mais curtos. Para tanto, ele possui uma visão in-
fica quais são os principais objetivos estratégicos terna e externa de suas atividades para realizar a
sob a sua responsabilidade e os transforma e os gestão global de mercados e para analisar os im-
divide em objetivos específicos; por fim, as áreas pactos das decisões nas atividades de cada clien-
funcionais elaboram os planos de ação que serão te sob sua responsabilidade. Além do mais, ele
úteis para realizar a parte que lhes cabe, confor- precisa de condições para:
me descrito e definido pelo nível estratégico.
ƒƒ Fazer a análise dos resultados internos
das operações;
Dicionário ƒƒ Ter confiança e bons relacionamentos
Tático: é considerado o modo de combinar as com os níveis operacionais e subordi-
ações de pessoas, processos ou recursos que fa- nados diretos, que estão sob a sua res-
zem parte de uma área, departamento ou setor,
ponsabilidade;
com a finalidade de se obter o melhor resultado
possível. ƒƒ Definir e cobrar resultados;
ƒƒ Ter conhecimentos técnicos e operacio-
nais apurados;
Estas áreas, além de se reportarem ao nível
estratégico com informações claras e precisas, ƒƒ Relacionar-se com fornecedores, com o
devem ter alinhamento com o nível operacional objetivo de ter conhecimento dos pro-
para ter condições de saber quais as principais dutos e para manter laços empresariais
ocorrências operacionais, e das transações mais de parceria, tão comuns em uma cadeia
significativas e relevantes. logística, principalmente para ter con-
dições de realizar negociações de uma
O processo decisório que faz parte do nível
forma mais vantajosa e lucrativa;
tático geralmente é composto por gerentes co-
ordenadores, supervisores e líderes de áreas. Em ƒƒ Relacionar-se com clientes e apurar se
alguns casos, a presença de analistas e de assis- os resultados realizados foram os es-
tentes técnicos responsáveis por processos e ati- perados por parte destes. O objetivo é
vidades de determinadas áreas se faz necessária eliminar ou diminuir as insatisfações e
para que haja a devida análise dos resultados es- reclamações existentes.
tabelecidos com base nos resultados realizados e
apurados anteriormente, e, conforme a situação
venha a necessitar e exigir, para apresentar os
pontos positivos e negativos existentes nas ações
propostas.

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5.3 Gerenciamento Operacional

Por fim, temos o nível operacional que iden- e reflexos negativos para os demais níveis e pro-
tifica os procedimentos e processos específicos cessos existentes na empresa.
requeridos nos níveis e atividades mais operacio- Estes fatores devem ser administrados pe-
nais da empresa e da cadeia logística. As decisões los responsáveis operacionais com o objetivo de
que são tomadas neste nível contribuirão para se evitar situações desastrosas e prejudiciais para
dar suporte às atividades contidas nos planos ge- os negócios da empresa.
renciais e estratégicos. Os planos elaborados por Os gestores que atuam neste nível decisó-
este nível, por serem elaborados em curto prazo, rio precisam desenvolver e construir um bom re-
são adaptados e modificados quase que diaria- lacionamento profissional com os funcionários e
mente, conforme o surgimento de oportunida- com as demais pessoas responsáveis por outras
des ou desafios. áreas, processos e atividades, ou seja, ser político
Esse nível é composto por inúmeros pro- sem perder a ética. Esta atitude ética e profissio-
cessos e atividades operacionais e é o cenário em nal é importante, porque ela não irá favorecer uns
que reside a interatividade entre os funcionários e em detrimento de outros, sem contar que as rela-
as operações existentes, por serem diferenciadas ções pessoais e interpessoais é uma tarefa difícil
e complexas. de manter em qualquer ambiente empresarial.
O foco neste nível está em tarefas rotineiras, O profissional que participa ativamente
onde são definidos os procedimentos, processos no nível operacional precisa ter: visão global das
e os objetivos que especificam os resultados es- operações, noção de toda a extensão das opera-
perados de determinados grupos ou indivíduos. ções, profundos conhecimentos gerenciais e de
Para que não haja problemas de caráter operacio- logística, e saber usar as previsões ao seu favor e
nal e financeiro, e consequentemente prejuízos administrar a escassez de recursos.
para outras áreas existentes na cadeia logística, o As exigências aumentam, caso este profis-
monitoramento dos prazos que definem as metas sional venha a exercer a função de analista, pois
e resultados é feito periodicamente. Caso sejam será exigido um alto grau de conhecimento téc-
identificadas irregularidades ou distorções que nico com relação ao uso de programas para in-
venham a comprometer os resultados, medidas terpretar informações quantitativas e qualitativas
corretivas são adotadas mediante as decisões to- que são oferecidas pelos bancos de dados. Tais
madas pelos seus responsáveis. conhecimentos são para demonstrar suas habili-
Neste nível, além da gestão interna de pro- dades de prever e trabalhar antecipadamente em
cessos, atividades e pessoas, há outros fatores, situações adversas durante o expediente.
tais como: o não cumprimento de prazos por par-
te de fornecedores e muitas vezes por parte da
própria empresa ou departamento; insatisfação
de clientes, parceiros e funcionários; disputas in-
ternas devido a interesses departamentais e até
pessoais; falta de materiais ou de produtos; que-
bra de equipamentos; fluxo irregular; variação da
demanda; e problemas com sistemas informati-
zados e equipamentos automáticos. Estes fatores,
além de prejudicar os processos e as atividades
logísticas operacionais, podem trazer resultados

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5.4 Estratégia Logística versus Logística Estratégica

Para o autor Waters (2003), a estratégia lo- Nesse caso, temos uma logística realiza-
gística de uma organização consiste em todas as da momentaneamente, somente para atender a
decisões, políticas, planos e cultura estratégica uma determinada emergência ou necessidade.
ligados à gestão das suas cadeias logísticas, ou
seja, é algo já formado e bem definido no dia a
dia da empresa. Saiba mais
Porém, quando não há a existência de uma
As estratégias podem ser estabelecidas com base
cultura estratégica e a logística não constitui qual-
na situação da empresa, podendo estar voltadas
quer ferramenta para a concretização dos objeti- para sua sobrevivência, sua manutenção, seu cresci-
vos da empresa, mas é utilizada como fator princi- mento ou desenvolvimento (OLIVEIRA, 2005).
pal da própria estratégia, estamos perante aquilo
que se designa logística estratégica (DIAS, 2005).

5.5 Auditoria Logística

É comum as empresas e os profissionais re- cipais entradas de informação, também conheci-


alizarem as suas atividades e operações, porém, das como inputs, os seguintes tópicos:
para saber se elas foram realizadas de uma forma
correta, entra em cena a atividade de auditoria. ƒƒ Resultados dos indicadores de perfor-
Os tipos e formas de auditoria, de acordo mance logística;
com a relação do auditor com a entidade audita- ƒƒ Mapeamento de atividades com o uso
da, são: auditoria interna e auditoria externa ou da análise ABC (Activity Based Costing
independente. ou Custeio Baseado em Atividades),
O Conselho Federal de Contabilidade atra- que é um método contábil que permite
vés da Resolução CFC nº 780/95, que aprova a identificar e mapear como e onde uma
NBC T 12, define a auditoria interna como aquela empresa obtém seus lucros. Este méto-
que é constituída por um conjunto de procedi- do de custeio é diferente da Classifica-
mentos técnicos que têm por objetivo examinar ção ABC, que será apresentada na parte
a integridade, adequação e a eficácia dos contro- sete desta apostila.
les internos e das informações físicas, contábeis, ƒƒ Resultados da gestão logística;
financeiras e operacionais das entidades. A lo- ƒƒ Mapeamento dos conceitos que se pre-
gística com certeza faz parte destas informações tendem medir e monitorar.
operacionais existentes nas empresas.
É através da auditoria e do controle logístico
que as empresas conseguem determinar se exis- Tendo de um lado, como ponto inicial, a
tem falhas, também conhecidas como gaps, entre análise integrada das várias entradas (inputs), e
a performance logística e os resultados esperados por outro as saídas (outputs), cabe ser feita uma
(CARVALHO, 2001). Este sistema tem como prin- comparação entre os resultados realizados e re-
sultados esperados. Em caso de distorções, é de

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responsabilidade dos gestores e administradores qualidade, inovação, crescimento e de-


logísticos a realização do desenvolvimento de senvolvimento dos negócios.
planos corretivos e de ações de melhoria, sempre
que necessário. No âmbito externo:
O administrador logístico, antes de executar
as suas atividades de auditoria, deverá fazer pre- ƒƒ Os mercados abrangidos pela empresa,
viamente e estrategicamente a análise da empre- características atuais e tendências futu-
sa de uma forma interna e externa. ras, oportunidades e perspectivas;
Conforme Chiavenato (2003), a análise in- ƒƒ A concorrência ou competição, isto é,
terna e externa de uma empresa envolve: empresas que atuam no mercado, dis-
putando os mesmos clientes, consumi-
ƒƒ Análise dos recursos de que a empresa dores ou recursos;
dispõe para realizar as suas operações ƒƒ Os fatores externos, como a conjuntu-
atuais e futuras. Para um melhor enten- ra econômica, tendências políticas, so-
dimento, tais recursos são classificados ciais, culturais e legais que afetam a so-
ou denominados como: financeiros, ciedade, a empresa e demais empresas
máquinas, equipamentos, veículos, sis- do mesmo ramo e setor.
temas, matérias-primas, recursos hu-
manos, tecnológicos, entre outros;
Esta visão interna e externa permite iden-
ƒƒ Análise da estrutura organizacional tificar os pontos fortes e fracos existentes nas
da empresa, seus aspectos positivos atividades, pessoas, processos e departamentos,
e negativos, divisão de trabalho entre bem como para identificar e mapear as ameaças
departamentos e unidades e como os e oportunidades existentes no ambiente em que
objetivos organizacionais foram distri- a empresa esteja atuando.
buídos em objetivos departamentais;
ƒƒ Avaliação do desempenho da empresa,
em termos de lucratividade, produção,

5.6 Estratégia

Conforme Carvalho (2002), é facilmente A estratégia é mais do que o conjunto de


perceptível quando algo que se relaciona com a decisões e ações tomadas por uma empresa a fim
logística não está funcionando da melhor manei- de proporcionar aos seus clientes mais valor em
ra, pois se verificam: detrimento do valor oferecido pela concorrência.
A estratégia empresarial é a forma que as
ƒƒ frequentes faltas de produtos nos esto- empresas têm de pensar o seu futuro e definir ob-
jetivos, ou seja, é algo que vai além das operações
ques;
do dia a dia.
ƒƒ ordens de encomenda não atendidas;
Como atualmente a logística é vista como
ƒƒ baixas performances; um fator importante no bom desempenho de
ƒƒ disponibilizações erradas de produtos uma empresa e, principalmente, de uma cadeia
ou serviços e colocações fora de tempo, de suprimentos, esta, sem dúvida nenhuma, é
em locais incorretos ou em quantida- vista como uma questão estratégica para muitas
des inadequadas. delas.

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O conceito de estratégia é totalmente apli-


cável a uma situação e ambiente que envolve a
competição.

5.7 Indicadores de Desempenho

A avaliação de desempenho consiste na Essa análise é feita com base em informa-


avaliação e mensuração dos resultados alcan- ções extraídas de dados numéricos, fornecidos
çados individualmente por uma pessoa ou pelo pelos indicadores considerados importantes e
grupo ao qual ela faz parte. Com ela as empresas relevantes para os negócios da empresa. Estes
estabelecem critérios para estar remunerando ou dados, ao serem utilizados e interpretados, tradu-
premiando cada um conforme a sua performan- zem determinadas situações e ocorrências exis-
ce. tentes nas atividades e processos mensurados.
Este método de avaliação, geralmente, é No ambiente logístico, os indicadores são
aplicado e adaptado para mensurar os resultados conhecidos como KPIs (Key Performance Indica-
atingidos pela realização de atividades isoladas, tors), ou seja, Indicadores Chaves de Performance.
processos e departamentos existentes em uma São denominados indicadores chaves por-
empresa, comparando-os com os objetivos e re- que contribuem para facilitar o gerenciamento
sultados estabelecidos previamente pelos gesto- de todo e qualquer item, atividade, processo ou
res que fazem parte do nível estratégico, tático ou departamento que devem ser medidos e avalia-
operacional. dos. Tais itens e elementos, considerados como
O surgimento da tecnologia da informação relevantes pelas empresas, gestores e clientes,
aplicada à logística fez com este procedimen- contribuem para que os resultados sejam man-
to de avaliação ganhasse mais importância, por tidos, melhorados ou alcançados. Diante de tal
permitir o acompanhamento on-line de muitas complexidade, estrategicamente, temos que gas-
atividades e serviços logísticos oferecidos pelas tar tempo para mensurar e analisar apenas o que
empresas, ou seja, as empresas procedem confor- é importante e venha a representar uma melhor
me as suas responsabilidades e deveres, enquan- participação nos resultados.
to que os clientes e principalmente os gestores
ficam sabendo no exato momento em que tudo Análise dos Indicadores
acontece ou não, conforme o item, etapas e pro-
cessos monitorados.
A melhor forma para se realizar uma boa
Na logística, conhecer os resultados ex-
análise de indicadores é fazendo o uso de de-
pressos em números e processos se torna algo
monstrativos gráficos que venham a facilitar a vi-
imprescindível para a tomada de decisões. Até
sualização e a interpretação dos indicadores con-
porque a avaliação do desempenho servirá de
siderados estrategicamente chaves.
ponto de partida para o estabelecimento de no-
vos objetivos. Com o objetivo de facilitar a sua compre-
ensão e para ajudá-lo nesta tarefa, apresentamos
Dessa forma, os indicadores podem ser in-
algumas considerações:
terpretados como medidas de desempenho que,
ao serem quantificadas e analisadas, auxiliam os
administradores a definir, avaliar e melhorar a ƒƒ Para se ter uma visualização gráfica, não
produtividade e a performance de áreas conside- basta somente registrar dados. Os indi-
radas importantes para empresa. cadores devem ser transformados em

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gráficos para permitir uma melhor visu- Essa forma de mensurar as atividades onde
alização, compreensão e interpretação todos possam observar a evolução das atividades
das medições; contribui para que haja interação entre as equi-
ƒƒ O índice de medição é considerado pes e funcionários, responsáveis pela busca dos
como o tipo de valor numérico do in- resultados e da compensação dos atrasos com o
dicador, definido e estabelecido com o aumento da produtividade. Isto é muito impor-
uso de uma relação matemática, num tante porque de nada adianta mensurar, analisar
determinado momento. Tal relação é e apontar o desempenho, se não mostrar para a
representada utilizando um dado per- equipe os problemas e resultados.
centual, volume, quantidade ou mon- A análise dos indicadores, além de permitir
tante financeiro; o gestor avaliar e melhorar a performance de um
ƒƒ Metas são os índices definidos como in- item, de uma atividade, processo ou departamen-
dicadores de resultados a serem alcan- to, permite que seja feita a aferição de resultados.
çados por etapas, num determinado Tal aferição de resultados servirá de base para
período de tempo. São pontos interme- que as decisões sejam tomadas em tempo hábil
diários a serem atingidos na direção dos e com mais precisão, quer sejam elas estratégicas,
objetivos propostos. Exemplo: No plano táticas ou operacionais.
estratégico, a empresa tem como obje- Em uma cadeia logística, os indicadores são
tivo reduzir o inadimplência em 15% classificados como internos, quando utilizados
no período de três anos, para tanto, no para monitorar o desempenho dos processos
plano tático definido a médio prazo a existentes dentro da empresa ou da área que ele
meta será de -5% no primeiro ano, -5% faz parte, tais como produção, engenharia, quali-
no segundo ano e -5% no terceiro ano, dade, custos, suprimentos, transportes, distribui-
totalizando desta forma os 15% estabe- ção, armazenamento etc.
lecidos no plano estratégico e definido De outra forma, os indicadores são classifi-
a longo prazo. Dentro deste contexto, cados como externos, quando são utilizados para
uma meta possui três componentes: monitorar o desempenho de atividades, proces-
objetivo intermediário, valor e prazo; sos, departamentos e serviços prestados ao longo
ƒƒ Faça a gestão com base na transparên- da cadeia logística pelos fornecedores, revende-
dores, atacadistas, transportadores e demais par-
cia, compartilhamento e divulgação
ceiros participantes, bem como para mensurar a
dos resultados. Como exemplo, tem-se
satisfação dos clientes.
um painel existente na linha de monta-
Toda e qualquer ação de intervenção será
gem de caminhões da Scania, que mos-
melhor realizada quando houver um correto
tra a data, o horário, o local, o nome do
acompanhamento, análise e monitoramento dos
operador que está na linha de monta-
indicadores de desempenho utilizados para men-
gem, quanto tempo é necessário para surar os processos e serviços existentes em uma
cumprir com as suas tarefas, e o tempo cadeia logística.
negativo em caso de atrasos. Tal instru-
mento de medição ajuda os gestores a
identificar os pontos críticos conheci- Exemplos de Aplicação de Indicadores
dos na produção como gargalo, e para
se fazer a gestão de uma forma integra- Como os indicadores contribuem para fa-
da de todos os processos existentes na cilitar o gerenciamento de todo e qualquer item,
linha de produção, permitindo saber atividade, processo ou departamento que devem
quem ou que é responsável pelos atra- ser medidos e avaliados, abaixo, apresentaremos
sos e o porquê. alguns exemplos básicos e aplicações:

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ƒƒ Para medir a produtividade de um veí- for alta, mostrará que a área de carga
culo com relação à capacidade de carga, ou descarga está gastando um tempo
geralmente dividimos o peso total da acima do estabelecido para carregar
carga que será transportada, pelo peso ou descarregar produtos, cabendo aos
máximo permitido legalmente, que gestores analisar os processos, os equi-
define a capacidade do veículo. Como pamentos utilizados para movimenta-
exemplo temos uma carga pesando 9,5 ção dos materiais e o desempenho das
toneladas para ser transportada por um equipes responsáveis por estas áreas.
caminhão com capacidade máxima de ƒƒ Para avaliarmos o desempenho de um
carga de 12 toneladas, aplicando este prestador de serviços com relação à
indicador, teremos: 9,5 / 12 * 100 = 79%, pontualidade na prestação de serviço
ou seja, este indicador está demons- de coletas programadas, fazemos a di-
trando um percentual de ociosidade de visão do número total de coletas feitas
21%. Nesse exemplo, o caminhão dei- na hora agendada, pelo número total
xou de transportar 2,5 toneladas. de cargas despachadas no intervalo de
ƒƒ Esta medição é importante porque os tempo analisado. Esse intervalo pode
gestores terão condições para fazer de ser diário, semanal, quinzenal ou men-
uma forma mais eficiente a composição sal. Esse indicador é importante, por-
de cargas de acordo com o modal (uti- que afeta diretamente a satisfação do
litário, caminhão, carreta, trem etc.) de cliente e o nível de atendimento esta-
transporte a ser utilizado e sua capaci- belecido como aceitável. Vamos supor
dade. De outra forma, ela irá contribuir que o índice aceitável de satisfação seja
para melhorar os resultados financeiros de 97% na prestação de serviços e que
da empresa e para reduzir custos. o prestador alvo da nossa mensuração
ƒƒ Para medir a produtividade de um tenha apresentado o seguinte desem-
veículo com relação ao tempo, geral- penho: de um total de 200 coletas pro-
mente, cronometramos o tempo que é gramadas e apresentadas previamente,
gasto desde a sua chegada à empresa ele tenha conseguido realizar um total
até a sua próxima saída. Conforme o de 188 coletas dentro do horário com-
número de entradas e saídas e os dias binado. Aplicando a equação teremos o
de utilização deste veículo, teremos seguinte resultado:
como resultado um tempo médio, que 188 / 200 * 100 = 94%.
nos mostrará se o veículo alvo da nossa ƒƒ Este resultado está indicando que mais
mensuração está sendo bem utilizado de 3% dos clientes não foram bem aten-
ou não. Partindo da ótica de sermos os didos, porque ele apresentou um de-
gestores da área de carga e descarga, sempenho abaixo do esperado, porque
este indicador irá mostrar o giro, ou o índice mínimo aceitável é 97%. Caso
seja, o número de vezes que este veí- esta situação venha a se repetir outras
culo está sendo utilizado para realizar vezes em outras análises, tal prestador
as entregas ou atendendo clientes. Se está apresentando que não tem condi-
essa média for baixa, mostrará que o ções de continuar a fazer parte do rol de
veículo está passando mais tempo em fornecedores da empresa tomadora de
operação, tanto para entregar produtos serviço.
ou para transportar passageiros, e isso ƒƒ Para mensurarmos o custo do frete por
é muito bom, porque trará melhores re- unidade transportada, dividimos o cus-
sultados. De outra forma, se esta média to total do frete realizado, pelo número

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total de unidades despachadas dentro toneladas. Diante desta nova situ-


do intervalo analisado. Esse interva- ação, teremos o seguinte resulta-
lo pode ser diário, semanal, quinzenal do: R$ 840,00 / 12 toneladas = R$
ou mensal. Quando for necessário e 70,00/ton.
conforme os objetivos, este indicador Podemos verificar na segunda situ-
poderá ser aplicado dividindo o custo ação que o custo de R$ 70,00/ton.
transportada foi menor do que o
total do frete pelo peso total de carga
custo de R$ 88,42/ton., mensurado
transportada por um determinado ve-
e apresentado na primeira situa-
ículo. Esse indicador é aplicado para
ção. Neste simples exemplo pode-
produtos ou mercadorias que tenham mos notar que a diferença foi de R$
o mesmo tipo, padrão, características 18,42 por tonelada transportada.
ou densidade. Para uma melhor men- A empresa ao comercializar os pro-
suração e análise do tipo de carga em dutos da primeira viagem terá uma
questão, levamos em consideração seu margem de lucro menor, porque o
estado físico no caso de cargas líquidas; custo com frete por tonelada trans-
dimensões como altura, largura, com- portada foi maior.
primento e o peso em toneladas ou Vamos supor que no período ana-
quilos no caso de outros produtos. Esse lisado foram feitas somente estas
indicador é importante porque afeta duas viagens anteriores, ou seja,
diretamente o preço praticado no frete fazendo uso de uma somatória dos
e o preço de vendas dos produtos ou custos e das toneladas transporta-
das, teríamos a seguinte situação:
mercadorias que foram transportados.
R$ 840,00 + R$ 840,00 / 9,5 ton. + 12
Quanto maior for o número de produ-
ton. = R$ 78,12/ton.
tos, mercadorias ou peso de carga a ser
transportado por viagem ou por veícu-
lo, menor será o custo com frete; ob- Isso demonstra que o ideal é sempre fazer-
viamente se este frete for cobrado por mos a mensuração dos itens, atividades e proces-
viagem ou por quilômetro rodado. Para sos considerados como importantes para a em-
facilitar o entendimento, vamos fazer o presa e para os negócios de uma forma isolada,
acréscimo do valor a ser cobrado pelo porque, caso contrário, os processos ineficientes
frete, nos mesmos dados contidos no terão seus custos cobertos ou “maquiados” pelos
primeiro exemplo apresentado ante- demais processos eficientes utilizados na mensu-
riormente. Dessa forma, teremos uma ração e divisão dos custos.
carga pesando 9,5 toneladas para ser Como as empresas vendem seus produtos
transportada por um caminhão com e serviços, é comum a emissão de notas fiscais.
capacidade máxima de carga de 12 to- Porém os erros de preenchimento e o retrabalho
neladas. O frete cobrado por viagem é nesta atividade muitas vezes são grandes. Caso o
de R$ 840,00. Aplicando este indicador, administrador precise mensurar a qualidade do
teremos as seguintes situações: trabalho prestado por uma pessoa, fornecedor ou
•• Primeira situação: custo de R$ equipe, ele fará o uso de um indicador muito im-
840,00 / 9,5 toneladas = R$ 88,42/ portante para a gestão e análise de desempenho.
ton. Para tanto, dividimos o número de notas (de ven-
•• Segunda situação: o mesmo veícu- das ou prestação de serviços) sem erros pelo nú-
lo e o mesmo custo de R$ 840,00 mero total de notas emitidas dentro do período
por viagem, porém faremos o uso a ser analisado. Quanto mais próximo dos 100%,
da capacidade máxima de carga melhor será o nível de serviço apresentado.
do veículo em questão, ou seja, 12

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Diante do exposto, você pôde perceber Os indicadores utilizados para mensurar o


que os indicadores são utilizados para mensurar: desempenho de atividades operacionais e geren-
desempenho, custos, qualidade e produtividade ciais são considerados estratégicos quando utili-
atrelados às pessoas, equipes, atividades, pro- zados para mensurar a eficácia das decisões e dos
cessos e departamentos existentes tanto dentro objetivos que foram definidos pela empresa con-
quanto fora da empresa. No ambiente externo, forme o plano, para garantir a competitividade,
eles são utilizados para mensurar o desempenho melhores resultados e posição de mercado.
de serviços prestados pelos fornecedores, reven-
dedores, atacadistas, transportadores e demais
participantes da cadeia logística, bem como para
mensurar a satisfação dos clientes.

5.8 A Implementação de um Departamento Logístico

A intervenção estratégica é o procedimento controle sobre os custos existentes nas


principal para que seja criada uma relação direta atividades logísticas, com a criação de
entre logística e o desempenho da organização. um sistema de informações e com o uso
Permitindo desta forma que os sistemas logísti- de métodos de custeio, com o objetivo
cos e empresariais sejam bem administrados e de estabelecer estimativas de custos de
dirigidos (CARVALHO, 2002). uma forma isolada e total;
Para que seja feita uma boa implementação ƒƒ Executar a sua orientação logística, fa-
e para que haja eficiência na gestão logística em zendo uma análise geral e conceitual
uma empresa, são necessários três passos: dos sistemas (de custeio, de armaze-
nagem, de informação, de gestão, de
ƒƒ Assessoria de pesquisa operacional transporte e de produção etc.) que a
adequada, de maneira a ser feito um constituem, considerando todos os
planejamento das operações e proces- seus elos e fluxos existentes, que irão
sos; formar a chamada cadeia de suprimen-
ƒƒ Definir a sua função e gestão logística, tos.
estabelecendo desta forma um melhor

5.9 Serviços e Valor Agregado

É comum em logística ouvir falar sobre valor finais através da logística. E é por seu intermédio
agregado. Tal assunto é muito difundido, pois os também que a empresa obtém informações atre-
processos logísticos nas empresas não são mais ladas às suas necessidades e desejos. Ou seja, a
do que processos de valor agregado, isto é, trans- logística é um elo que se apresenta como um ele-
formam matérias-primas em produtos, bens ou mento de ligação entre clientes e fornecedores.
serviços de modo a satisfazer as exigências dos Por outro lado, para Carvalho e Dias (2004)
seus clientes. a logística empresarial privilegia o contato com
O valor chega aos clientes ou consumidores o mercado, concebendo assim as características

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dos produtos ou serviços, sendo que o seu obje-


tivo principal é ir ao encontro dos requisitos apre-
sentados pelos clientes.
A logística, desta forma, em contato com Atenção
o mercado, permite que a empresa estrategica-
A intervenção estratégica é o procedimento prin-
mente tenha condições de utilizar e reunir con- cipal para que seja criada uma relação direta en-
juntos de informações necessárias para atender tre logística e o desempenho da organização.
possíveis eventualidades e flutuações que pos-
sam ocorrer na demanda de determinados ser-
viços e produtos, e isto também pode ser visto e
entendido como flexibilização.

5.10 Resumo do Capítulo

Prezado(a) aluno(a), neste capítulo estudamos que:

ƒƒ As decisões podem ser classificadas como: estratégicas, táticas e operacionais;


ƒƒ O processo decisório de nível estratégico geralmente é formado e compartilhado por presiden-
tes, diretores e gerentes da corporação, ou seja, administradores de topo;
ƒƒ O nível tático é geralmente composto por áreas gerenciais e funcionais. Este nível se mobiliza
para buscar os resultados definidos pelo nível estratégico;
ƒƒ É o nível operacional que identifica os procedimentos e processos específicos requeridos nos
níveis e atividades mais operacionais da empresa e da cadeia logística. As decisões que são
tomadas neste nível contribuirão para dar suporte às atividades contidas nos planos gerenciais
e estratégicos;
ƒƒ A estratégia logística de uma organização consiste em todas as decisões, políticas, planos e
cultura estratégica ligados à gestão das suas cadeias logísticas, por outro lado, quando temos a
logística realizada momentaneamente, somente para atender a uma determinada emergência
ou necessidade, estamos perante aquilo que se designa logística estratégica (DIAS, 2005);
ƒƒ É através da auditoria e do controle logístico que as empresas conseguem determinar se exis-
tem falhas, também conhecidas como gaps, entre a performance logística e os resultados espe-
rados (CARVALHO et al., 2001);
ƒƒ A estratégia é mais do que o conjunto de decisões e ações tomadas por uma empresa a fim de
proporcionar aos seus clientes mais valor em detrimento do valor oferecido pela concorrência;
ƒƒ A estratégia empresarial é a forma que as empresas têm de pensar o seu futuro e definir obje-
tivos, ou seja, é algo que vai além das operações do dia a dia;
ƒƒ A avaliação de desempenho consiste na avaliação e mensuração dos resultados alcançados
individualmente por uma pessoa ou pelo grupo ao qual ela faz parte;
ƒƒ Este método de avaliação, geralmente, é aplicado e adaptado para mensurar os resultados atin-
gidos pela realização de atividades isoladas, processos e departamentos existentes em uma
empresa, comparando-os com os objetivos e resultados estabelecidos previamente pelos ges-
tores que fazem parte do nível estratégico, tático ou operacional;

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ƒƒ Os indicadores utilizados para mensurar o desempenho de atividades operacionais e geren-


ciais são considerados estratégicos quando utilizados para mensurar a eficácia das decisões e
dos objetivos que foram definidos pela empresa conforme o plano, para garantir a competitivi-
dade, melhores resultados e posição de mercado;
ƒƒ O valor chega aos clientes ou consumidores finais através da logística.

Vamos, agora, avaliar a sua aprendizagem.

5.11 Atividades Propostas

1. Quais as características básicas existentes entre as decisões estratégicas, táticas e operacionais?


Explique.

2. O profissional que tem a sua participação ativa no nível estratégico tem que fazer o que para
ter condições de se concentrar no futuro da organização? Explique.

3. Por que o surgimento da tecnologia da informação aplicada à logística fez com que a avaliação
de desempenho ganhasse mais importância? Explique.

4. Conforme o autor Carvalho (2002), qual a importância da intervenção estratégica? Explique.

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6 CADEIA DE VALOR

Prezado(a) aluno(a), objetivo a realização de uma melhor alocação de


Neste capítulo, trataremos de apresentar a recursos e consequentemente da redução de cus-
cadeia de valor, as suas características, atividades tos e aumento da margem de contribuição. Como
de apoio ou de suporte e seu escopo. neste tipo de parceria é comum o compartilha-
A cadeia de valor pode ser percebida e mento de informações, as empresas participantes
entendida como uma série de relações locais e terão condições de gerir e analisar os custos exis-
individuais que são integradas com elementos tentes em todas as áreas e processos envolvidos.
existentes em uma cadeia logística, ou seja, as A gestão de custos é vista como uma vanta-
relações existentes entre clientes e fornecedores, gem competitiva, que agrega valor aos produtos
denotando desta forma uma parceria. e serviços ofertados aos clientes.
A integração com fornecedores de mate- Conforme Porter (1989), o valor em um mer-
riais e prestadores de serviços é importante para cado competitivo é considerado como o montan-
que de uma forma conjunta e estratégica os obje- te que os compradores estão dispostos a pagar
tivos sejam alcançados. por aquilo que uma empresa, ou indivíduo, lhes
Tais relações e parcerias possuem como fornece.

6.1 Características

Segundo as considerações deste autor, a ca- dida entre os participantes e empresas presentes
deia generalista é composta pelos conjuntos de na cadeia logística.
atividades primárias e atividades de apoio desem- Neste ambiente, cada qual deseja obter
penhadas por uma organização, pela margem de uma margem de lucro melhor e maior do que o
valor agregado em cada uma das atividades e pe- outro, e este desejo por lucros melhores, além de
las relações estabelecidas entre si. A margem de causar conflitos, compromete a política de preços,
contribuição é obtida subtraindo-se a somatória a marca e a aceitação de determinados produtos
dos custos de cada atividade do valor do preço ofertados pela cadeia de suprimentos.
sugerido. Para fazer a compensação da diferença des-
As atividades existentes na cadeia de valor ta margem de lucro, cada participante procura
são formadas pelos processos físicos diferentes entender e gerir os seus processos e atividades de
entre si, dos quais a empresa faz uso para criar um uma forma diferenciada, com o objetivo de redu-
produto com um valor determinado ou aceitável zir custos, criar valor e obter melhores resultados.
pelo mercado.
Atente para a Figura 6 e observe as áreas e
A importância deste assunto está funda- atividades existentes em uma cadeia de valor.
mentada nas parcerias comerciais, criadas para
atender aos interesses e necessidades comerciais,
e devido ao fato de a margem de lucro ser divi-

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Figura 6 – Atividades de apoio e primárias de uma cadeia de valor genérica.

Fonte: Porter (1989).

De acordo com a Figura 6, podemos enten- ƒƒ Serviços: atividades responsáveis pela


der que as atividades primárias em uma cadeia instalação, manutenção e em alguns
genérica são: casos pela retirada dos produtos com
defeito. Denominado como pós-venda,
ƒƒ Logística Interna: atividade ligada ao agregando dessa forma valor aos pro-
recebimento, armazenamento e distri- dutos ou serviços oferecidos.
buição dos produtos e subcomponen-
tes em suas respectivas linhas de pro-
dução; Saiba mais
ƒƒ Operações: atividades ligadas e inter-
ligadas com a produção, para tanto re- Pelo fato do conceito da cadeia de valor ser apli-
alizando a transformação das matérias- cado por um conjunto de empresas que atuam
em parceria, cada qual, em seu contexto, procura
-primas em componentes ou produtos entender e gerir os seus processos e atividades de
finais; uma forma diferenciada, com o objetivo de reduzir
custos, criar valor e obter melhores resultados com
ƒƒ Logística Externa: atividade respon- a comercialização dos seus produtos e serviços.
sável pela retirada da unidade de pro-
dução, armazenamento e a distribuição
física de tais produtos aos seus respec-
tivos clientes;
ƒƒ Marketing e Vendas: atividade respon-
sável pela comercialização e a promo-
ção dos produtos e serviços ofertados
pela empresa;

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6.2 Atividades de Apoio ou de Suporte

A seguir descreveremos de uma forma re- ƒƒ Gestão de Recursos Humanos: nesse


sumida as atividades de apoio existentes em uma grupo, estão as atividades que fazem
cadeia, entre elas temos: parte da gestão de recursos humanos,
tais como: recrutamento, seleção, trei-
ƒƒ Aquisição: atividade de responsabili- namento, desenvolvimento, benefícios,
dade da área de suprimentos e do de- plano de carreira, cargos e salários etc.;
partamento de compras, para adquirir ƒƒ Desenvolvimento Tecnológico: nes-
matérias-primas e quaisquer outros sa parte, temos o uso de tecnologia do
materiais ou itens necessários para produto, do processo, da gestão e da
atender a uma determinada necessida- informação, que são ferramentas estra-
de, quer seja de caráter administrativo tégicas importantes para logística;
ou operacional;
ƒƒ Infraestrutura da empresa: nesse gru-
po, estão as atividades que fazem parte
Atenção
da gestão global e a gestão da rede de
relacionamentos da empresa, tais como A gestão de custos é vista como uma vantagem
planejamento, programação e controle competitiva, que agrega valor aos produtos e ser-
viços ofertados aos clientes.
da produção; qualidade, administração,
contabilidade, finanças, custos etc.;

6.3 Escopo da Cadeia de Valor

Conforme Dias (2005), a perspectiva da ca- ƒƒ Pelo escopo do segmento: esta ma-
deia de valor define a natureza competitiva de neira refere-se aos mercados de atua-
uma organização no âmbito do mercado indus- ção e à variedade de produtos existen-
trial em que se insere e determina a configuração tes e produzidos;
e a economia do próprio modelo de cadeia de ƒƒ Pelo escopo vertical: esta maneira
valor. refere-se à realização e execução das
Tal perspectiva é entendida como escopo. atividades, tanto de uma forma interna
quanto terceirizada, chamada de out-
sourcing;
Dicionário ƒƒ Pelo escopo geográfico: esta maneira
Escopo: Finalidade; alvo; intento; propósito. refere-se à quantidade e à variedade de
Fonte: Dicionário on-line de português. instalações existentes e afins em que a
empresa compete no mercado em que
atua de uma forma estratégica.
Essa perspectiva permite que os gestores e
executivos logísticos realizem a observação deta-
Uma visão macro permite uma melhor pers-
lhada da cadeia de valor de três maneiras:
pectiva e a exploração das relações existentes en-

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tre as cadeias de valor num contexto de vários mento da cadeia para atender a um segmento-
segmentos, elos, área geográfica ou indústria, -alvo, uma parte ou elo isolado.
enquanto que uma visão micro permite o ajusta-

6.4 Resumo do Capítulo

Prezado(a) aluno(a), neste capítulo estudamos que:

ƒƒ A cadeia de valor pode ser percebida e entendida como uma série de relações locais e indivi-
duais que são integradas com elementos existentes em uma cadeia logística;
ƒƒ Tais relações e parcerias possuem como objetivo a realização de uma melhor alocação de re-
cursos e consequentemente da redução de custos e aumento da margem de contribuição;
ƒƒ O valor em um mercado competitivo é considerado como o montante que os compradores es-
tão dispostos a pagar por aquilo que uma empresa, ou indivíduo, lhes fornece (PORTER, 1989);
ƒƒ As atividades existentes na cadeia de valor são formadas pelos processos físicos diferentes en-
tre si, dos quais a empresa faz uso para criar um produto com um valor determinado ou acei-
tável pelo mercado;
ƒƒ A importância deste assunto está fundamentada nas parcerias comerciais, criadas para atender
aos interesses e necessidades comerciais, e devido ao fato de a margem de lucro ser dividida
entre os participantes e empresas presentes na cadeia logística;
ƒƒ As atividades primárias em uma cadeia são: logística interna, operações, logística externa, ser-
viços, marketing e vendas;
ƒƒ De uma forma resumida, as atividades de apoio existentes em uma cadeia são: aquisição, infra-
estrutura da empresa, gestão de recursos humanos, desenvolvimento tecnológico;
ƒƒ A perspectiva da cadeia de valor define a natureza competitiva de uma organização no âmbito
do mercado industrial, em que se insere e determina a configuração e a economia do próprio
modelo de cadeia de valor (DIAS, 2005);
ƒƒ Os gestores e executivos logísticos realizam a observação detalhada da cadeia de valor de três
maneiras: pelo escopo do segmento, pelo escopo vertical e pelo escopo geográfico.

Vamos, agora, avaliar a sua aprendizagem.

6.5 Atividades Propostas

1. Os gestores e executivos logísticos realizam a observação detalhada da cadeia de valor de três


maneiras: pelo escopo do segmento, pelo escopo vertical e pelo escopo geográfico. O que
cada uma dessas finalidades representa para estes administradores? Explique cada uma delas.

2. Quais as atividades são consideradas como primárias em uma cadeia logística? Explique.

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7 ADMINISTRAÇÃO DE ESTOQUES

Prezado(a) aluno(a),
Neste capítulo, trataremos de apresentar a administração de estoques, previsão da demanda, clas-
sificação, vantagens e desvantagens dos estoques.

Figura 7 – Exemplos de estoques.

Fonte: Banco de dados Free.

A gestão de estoques é de grande impor- ƒƒ quanto encomendar;


tância operacional e estratégica para a grande ƒƒ quando encomendar;
maioria das empresas. O seu uso tem como pa- ƒƒ a definição da quantidade que deve ha-
pel básico manter o equilíbrio entre a demanda ver no chamado estoque de segurança.
e a oferta de produtos, funcionando desta forma
como um regulador dos fluxos dos negócios, im- Tais procedimentos servem para garantir
pactando diretamente nas metas e nos resulta- que cada item ou produto mantenha o nível de
dos da empresa. atendimento estabelecido e aceitável por parte
Na gestão dos estoques, existem três deci- da empresa.
sões principais que podem e devem ser tomadas
por parte dos gestores das empresas:

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dos produtos existentes em determina-


Saiba mais
do estoque, porém, em termos de va-
lor, esta classe (A) representa a maioria
Demanda: necessidade ou desejo para ser atendido.
do valor total investido neste estoque
Oferta: ação de oferecer. (65%). Na sequência, temos os produtos
de classe B, representando uma quan-
Procura: soma dos produtos ou serviços pedi- tidade unitária de 30%, porém esta
dos ao comércio ou à indústria: a lei da oferta classe monetariamente representa um
e da procura.
valor baixo (25%) do total investido em
Classificação ABC: consiste na utilização da Curva de estoque. Por final, temos os produtos
Pareto para classificar produtos em três categorias, de classe C, representando uma faixa
usando critérios de demanda, importância e valor.
Itens do grupo (A) – pouca quantidade, mas repre-
unitária bem maior (50%) dos produtos
sentam grande valor. Itens do grupo (B) – quanti- existentes neste estoque analisado, po-
dade e valores intermediários. Itens do grupo (C) rém, em termos de valor, esta classe (C)
– muita quantidade, mas representam pouco valor.
representa um valor baixíssimo (10%)
Fonte: Dicionário on-line de português. do total investido. Estrategicamente,
com a análise desta classificação, fica fá-
cil de perceber que os produtos de clas-
se A e B terão um controle mais rigoro-
Em uma cadeia de suprimentos, é comum so devido às suas representatividades
a existência de várias instalações que abrigam os financeiras, porém os produtos de clas-
seus estoques. Por serem vários, o grau de risco e se C serão controlados, mas com menos
complexidade na gestão aumenta, dificultando o rigor por possuírem um valor agregado
uso e a tomada de decisões. baixo, e devido à grande quantidade
Diante disso, é comum o uso e a aplicação em relação aos demais;
de técnicas qualitativas e quantitativas de gestão, ƒƒ Estimativas de demandas: classificadas
tais como: em dependente e independente;
ƒƒ Estimativas de parâmetros: como Esto-
ƒƒ Classificação dos itens estocados: rea- que Máximo, Estoque de Segurança e
lizada com o uso da classificação ABC, Ponto de Encomenda.
conhecida também como análise de
Pareto;
O estoque máximo está relacionado e re-
fere-se à quantidade máxima aceitável de um
determinado produto existente em estoque. Já
o estoque de segurança, como o próprio nome
sugere, diz respeito a uma quantidade estabeleci-
da e suficiente para garantir ou cobrir o consumo
realizado no período existente entre o momento
do pedido até o momento da realização da entre-
ga. Ponto de encomenda refere-se à quantidade
mínima estabelecida para que seja feita a forma-
lização do pedido de um determinado item ou
produto em estoque.
Nesta tabela simples, podemos obser- Qualquer empresa, do ramo industrial, co-
var que os produtos de classe A repre- mercial ou de prestação de serviços, tem diante
sentam uma quantidade menor (20%) de si a dificuldade de realizar a manutenção dos

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seus estoques sem deixar faltar ou sobrar produ-


tos. Atenção
Fazer com que um produto esteja disponí- A utilização do estoque tem como objetivo bási-
vel em estoque e pronto para dar resposta a uma co manter o equilíbrio entre a demanda e a oferta
encomenda de um cliente será uma boa defini- de produtos, funcionando desta forma como um
regulador dos fluxos dos negócios, impactando
ção para gestão de estoques. diretamente nas metas e nos resultados da em-
presa.

7.1 Previsão de Demanda

Projetar a demanda de determinados insu- conforme as decisões estratégicas, táti-


mos, materiais ou produtos, não é tarefa fácil. Na cas ou operacionais;
prática, é comum a existência de erros na elabo- ƒƒ Nível de detalhe dos dados: esse re-
ração da previsão, por existir e envolver fatores in- quisito diz respeito à necessidade de
ternos e externos que atrapalham tanto o gestor haver o desdobramento das informa-
quanto a empresa na interpretação e definição ções conforme a região, nível socioe-
das quantidades necessárias para atender aos ob- conômico dos clientes, segmentos de
jetivos empresariais e dos clientes. Podemos citar mercados etc. Tal desdobramento con-
como fatores internos: as estratégias, políticas (de tribuirá para que os analistas respon-
preços, de compras, marketing, produção etc.), sáveis tenham condições de realizar as
prazos e objetivos da empresa. Por outro lado, suas previsões o mais próximo possível
considerados como fatores externos, temos: as da realidade;
políticas econômicas nacionais e internacionais; ƒƒ Tamanho da amostra usada pelo ana-
mudanças de comportamento por parte do con- lista: essa parte envolve a importância
sumidor; a concorrência local e internacional; sa- dos dados serem completos, para que
zonalidade; ciclo de vida do produto; e as tendên- não haja erros na definição da amos-
cias da moda em função das estações climáticas. tra, devido ao uso de dados parciais e
A dificuldade aumenta um pouco mais, se de informações insuficientes por parte
a projeção for feita para atender a um período de dos analistas. Outro fator que contribui
longo prazo, diferentemente de uma previsão re- para que uma determinada amostra de
mercado, ou mensuração do consumo,
alizada para atender a necessidades a curto pra-
seja incompleta diz respeito à mudança
zo; por esta conter e apresentar um período mais
de critérios na realização dos registros
curto, as distorções e os seus efeitos, muitas ve-
e classificações dos dados, sem comu-
zes, são imperceptíveis. nicação prévia;
Conforme o autor Ross (1998), há seis requi- ƒƒ Controle das previsões: este requisito
sitos básicos que devem ser levados em conside- é importante, porque uma vez bem-
ração para a elaboração de uma previsão satisfa- -feita, não que dizer que uma previsão
tória da demanda: não necessitará de ajustes e correções.
Devido ao período que ela deve cobrir,
ƒƒ Horizonte da previsão: nesse requisi- se faz necessário o acompanhamento e
to, os executivos e gestores precisam controle no decorrer deste tempo de-
definir linhas de ação que cubram os finido. Isto porque elas estão sujeitas a
períodos variáveis, levando-se em con- mudanças causadas pelos fatores men-
sideração os objetivos estabelecidos cionados anteriormente e a erros;

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ƒƒ Grau de estabilidade: deve-se aten- fundamentados somente no “conheci-


tar para a demanda de alguns tipos de mento” profissional e em fontes de in-
produtos, porque alguns possuem um formações irregulares não integradas
comportamento relativamente estável aos demais sistemas computacionais.
no decorrer do seu histórico, devido ao As atividades e as informações devida-
preço, sua importância para os consu- mente planejadas e registradas contri-
midores e uma “certa” estabilidade pre- buirão para se ter acesso a históricos
sente em seu segmento. Como exem- mais confiáveis e precisos de cada pro-
plo, temos os alimentos básicos (arroz, duto ou item-alvo de estudo. Os méto-
feijão, óleo de cozinha etc.), essenciais dos mais utilizados para se realizar uma
para dia a dia de qualquer pessoa. Ou- previsão na área de distribuição são os
tros produtos, no entanto, apresentam métodos qualitativos e quantitativos,
um comportamento totalmente instá- porém as empresas devidamente es-
vel devido a fatores comerciais, políti- truturadas fazem uso dos seus sistemas
cos, sociais e econômicos. Podemos citar computacionais para realizar esta tare-
como exemplo a redução ou aumento fa. Os métodos qualitativos contribuem
do imposto sobre produtos industriali- para se fazer a análise de procedimen-
zados (IPI), realizado pelo governo para tos e ocorrências internas e externas,
incentivar ou reprimir o consumo de com o objetivo de contribuir para de-
carros e de eletrodomésticos. Fica fácil finir probabilidades e cenários futuros
perceber que a demanda não é definida para a tomada de decisões. Os métodos
somente com uso de planilhas e núme- quantitativos de previsão utilizam da-
ros, porque há fatores que contribuem dos históricos da própria empresa. Este
para a sua variação. Ainda com relação método está baseado na ideia de que
ao grau de estabilidade, o responsável as condições que prevaleceram no pas-
pela previsão deverá dedicar uma aten- sado continuarão ocorrendo num futu-
ção maior para os produtos que apre- ro próximo. Fatores externos, de con-
sentarem um comportamento instável corrência, não terão tempo para alterar
em sua demanda, e principalmente de uma forma relevante as previsões e
para os fatores externos que causam os rumos da empresa no curto e médio
interferências diretamente no seu con- prazo. Nesse contexto, a evolução da
sumo. Para os produtos com demanda demanda tende a seguir o processo ob-
considerada estável, mais relevância te- servado na própria história da empresa.
rão os dados e registros históricos para
a elaboração da previsão destes;
ƒƒ Planejamento organizado: ao aten- Saiba mais
tar para este requisito, tanto a empresa
quanto o analista estarão diante da ne- Demanda: nome dado aos desejos ou necessidades
cessidade de realizar as suas atividades de consumo por determinados produtos ou servi-
ços.
e previsões da demanda, com base nas
informações contidas nos planejamen- A relação existente entre oferta e demanda influên-
tos estratégicos, táticos e operacionais, cia diretamente o preço de determinados produtos
ou serviços. Havendo uma oferta maior que a de-
e em relatórios consistentes elaborados manda o preço tende a diminuir. De outra forma, se
com critério. Na elaboração de uma a oferta for menor que a demanda, o preço tende a
previsão satisfatória de demanda, é aumentar.
inadmissível o uso de informações im-
provisadas e de métodos duvidosos,

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7.2 Classificação de Estoques

Os estoques podem ser classificados como: ƒƒ Estoque de segurança: além dos co-
mentários feitos anteriormente, o seu
ƒƒ De matéria-prima: sendo esse consti- uso também é destinado para atender
tuído de diversos tipos de materiais e às flutuações existentes no mercado e
subcomponentes usados no processo às incertezas existentes no consumo e
de fabricação e na prestação de servi- nos pedidos. O problema maior é que,
ços; geralmente, o estoque de segurança é
estabelecido pelas previsões, e como
ƒƒ De produtos semiacabados: sendo
tal, às vezes, as quantidades previstas
esse constituído por componentes ou divergem da realidade;
materiais semiprocessados, que estão
ƒƒ Estoque sazonal: a sua característica
em espera no processo produtivo para
maior demonstra que ele é constituído
serem usados na etapa seguinte;
para fazer face aos picos existentes por
ƒƒ De produtos acabados: constituído produtos sazonais, tais como ovos de
em sua maioria por produtos acabados, chocolate, sorvetes etc., ou para abaste-
que serão destinados para consumo ou cer as unidades produtivas;
para venda; neste caso fazendo parte ƒƒ Estoque em trânsito: é constituído por
da distribuição ou de um armazém. itens que estão sendo movimentados,
transformados e armazenados para se-
Conforme a sua utilização, os estoques po- rem usados nas linhas de produção, ou
dem ser classificados como: que estão sendo deslocados de uma
origem para um determinado destino.
ƒƒ Estoques em lotes econômicos de
compras (LEC), ou lotes econômicos
Dicionário
de fabricação (LEF): tais estoques são
utilizados principalmente no ramo in- Sazonal: é uma característica de um evento que
dustrial, onde os lotes são realizados ocorre sempre em uma determinada época do
somente após a formalização da enco- ano, como natal e páscoa.
Fonte: Dicionário on-line de português.
menda, de acordo com a solicitação,
necessidade e demanda;

7.3 Vantagens na Utilização dos Estoques

A utilização e a constituição dos estoques baixo no ato da compra e, após um de-


trazem certas vantagens para os negócios e para terminado período, a empresa realiza as
as empresas, pois os estoques podem ser consti- suas vendas a um preço bem mais alto;
tuídos com a finalidade de: ƒƒ Proteção contra irregularidades, ca-
tástrofes naturais e picos na demanda,
ƒƒ Realizar vendas de uma forma especula- garantindo desta forma o consumo ou
tiva, ou seja, a empresa paga um preço vendas;

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ƒƒ Ganho de escala no ato da compra, por tados serão usados de uma forma mais
envolver grandes quantidades, desta eficiente, ou seja, os lotes vão contribuir
forma o preço unitário será menor; para que haja cargas fechadas e não
ƒƒ Redução de custo com transportes. fracionadas, aumentando desta forma a
Devido à aquisição de grandes quanti- sua eficiência.
dades, os veículos utilizados ou contra-

7.4 Desvantagens na Existência de Estoques

Por envolver uma grande quantidade e va- Tais características inerentes ao produto
riabilidade de produtos, os estoques existentes contribuem para:
em uma cadeia de suprimentos podem apresen-
tar alguns custos e prejuízos, tais como: ƒƒ aumentar os prejuízos e custos relacio-
nados aos produtos e serviços;
ƒƒ Prejuízo relacionado à fragilidade de ƒƒ inviabilizar a correta aplicação dos re-
certos produtos, que se quebram ao cursos;
realizar-se a sua guarda ou movimenta-
ƒƒ criar dificuldades para a empresa alcan-
ção;
çar as suas metas e os resultados esta-
ƒƒ Prejuízo devido à pericibilidade de de-
belecidos.
terminados tipos de produtos ou mate-
riais, ou seja, produtos ou materiais que
se estragam ou se deterioram facilmen- Fica fácil perceber que qualquer tipo de
te; estoque apresenta certas vantagens e desvanta-
ƒƒ Obsolescência: ou seja, produtos que gens, e que estas variam em função dos produtos
se tornaram ultrapassados devido ao e das finalidades estratégicas e operacionais esta-
lançamento de um novo tipo ou mode- belecidas pelas empresas.
lo mais sofisticado.

Dicionário

Obsolescência: desclassificação tecnológica do


material industrial, provocada pelo aparecimento
de material mais moderno e melhor adaptado.

7.5 Resumo do Capítulo

Prezado(a) aluno(a), neste capítulo estudamos que:

ƒƒ A gestão de estoques é de grande importância operacional e estratégica para a grande maioria


das empresas;

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ƒƒ O seu uso tem como papel básico o de manter o equilíbrio entre a demanda e a oferta de
produtos, funcionando desta forma como um regulador dos fluxos dos negócios, impactando
diretamente nas metas e nos resultados da empresa;
ƒƒ Na gestão dos estoques, existem três decisões principais, que podem e devem ser tomadas por
parte dos gestores das empresas: quanto encomendar, quando encomendar e a definição da
quantidade que deve haver no chamado estoque de segurança;
ƒƒ Em uma cadeia de suprimentos, é comum a existência de várias instalações que abrigam os
seus estoques, e, por serem vários, o grau de risco e complexidade na gestão aumenta, dificul-
tando o uso e a tomada de decisões;
ƒƒ Projetar a demanda de determinados insumos, materiais ou produtos não é tarefa fácil;
ƒƒ Na prática, é comum a existência de erros na elaboração da previsão, por existir e envolver fa-
tores internos e externos que atrapalham tanto o gestor quanto a empresa na interpretação e
definição das quantidades necessárias para atender aos objetivos empresariais e dos clientes;
ƒƒ Há seis requisitos básicos que devem ser levados em consideração para a elaboração de uma
previsão satisfatória da demanda: horizonte da previsão, nível de detalhe dos dados, tamanho
da amostra usada pelo analista, controle das previsões, grau de estabilidade e planejamento
organizado (ROSS, 1998);
ƒƒ Deve-se atentar para a demanda de alguns tipos de produtos, porque alguns possuem um
comportamento relativamente estável no decorrer do seu histórico, e outros produtos, no en-
tanto, apresentam um comportamento totalmente instável devido a fatores comerciais, políti-
cos, sociais e econômicos;
ƒƒ Os métodos mais utilizados para se realizar uma previsão na área de distribuição são os méto-
dos qualitativos e quantitativos, porém as empresas devidamente estruturadas fazem uso dos
seus sistemas computacionais para realizar esta tarefa;
ƒƒ Os estoques podem ser classificados como: de matéria-prima, de produtos semiacabados, de
produtos acabados, estoques em lotes econômicos de compras (LEC) ou lotes econômicos de
fabricação (LEF), estoque de segurança e estoque sazonal;
ƒƒ Qualquer tipo de estoque apresenta certas vantagens e desvantagens, e estas variam em fun-
ção dos produtos, das finalidades estratégicas e operacionais estabelecidas pelas empresas.

Vamos, agora, avaliar a sua aprendizagem.

7.6 Atividades Propostas

1. Quais são as contribuições dos métodos qualitativos e quantitativos no ato da elaboração da


previsão da demanda? Explique.

2. A obsolescência pode contribuir para o aumento dos custos com estoques? Explique e se pos-
sível, dê exemplos.

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8 LOGÍSTICA REVERSA

Prezado(a) aluno(a), Para atender às exigências legais e prin-


Neste capítulo, trataremos de apresentar a cípios de sustentabilidade, qualidade e de pro-
logística reversa, as suas atividades típicas, pós- dução, as empresas estão sendo cobradas para
-venda e pós-consumo. realizar a rastreabilidade e a retirada dos seus pro-
A logística reversa pode ser entendida como dutos e materiais, de uma forma rápida e estraté-
a área da logística que trata dos aspectos de retor- gica, em caso de defeitos, contaminações ou após
nos de produtos, embalagens ou materiais ao seu o uso por parte dos clientes consumidores. Dessa
centro de produção ou de descarte. Ela é utiliza- forma elas são responsáveis desde o início ao fim
da para atender às exigências comerciais, legais e pela sua produção, descarte e reaproveitamento
necessidades do mercado, no tocante a questões de seus produtos, materiais e sucatas.
ambientais, bem como também as relacionadas Para que seja feita a coleta de materiais já
à retirada de produtos defeituosos do mercado. utilizados ou de produtos para consertos, as em-
Esse ato de retirada ou de retorno do produto re- presas criam e gerenciam os seus canais reversos,
alizado pelas empresas é conhecido como recall. desta forma tais materiais ou produtos já utiliza-
dos terão uma melhor destinação, quer seja para
reparo, reutilização, revenda ou reciclagem.
Dicionário

Recall: trazer de volta ou retornar.


Na área industrial, refere-se ao recolhimento de
produtos pelo próprio fabricante, devido à des-
coberta de problemas relativos à segurança dos
produtos que foram ofertados ao mercado consu-
midor.
Fonte: Bueno (2000)

8.1 Atividades Típicas do Processo Logístico Reverso

As principais atividades realizadas na logís- mente descartados. Todas estas atividades fazem
tica reversa são: coletar, embalar, expedir mate- parte do processo logístico reverso existente em
riais ou produtos já utilizados, para que estes vol- uma cadeia empresarial ou de suprimentos. Para
tem para os fornecedores iniciais com o objetivo melhorar o seu entendimento, todas estas ativi-
de retransformá-los em novas matérias-primas, dades são apresentadas na figura a seguir.
ou produtos secundários, ou, quando for o caso,
sejam revendidos, recondicionados, reciclados e,
por fim, não tendo mais utilidade, sejam devida-

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Figura 8 – Exemplo de atividades existentes na logística reversa.

Fonte: Adaptado de Lacerda (2003).

Além da importância legal e estratégica Como resultado final, temos um aumento


de marketing, a atividade de logística reversa se muito grande de resíduos sólidos produzidos nas
tornou relevante para as empresas, devido ao au- grandes cidades e depositados de uma forma in-
mento constante do nível de consumo de bens devida nos “lixões” e aterros sanitários, pelo fato
que possuem uma grande descartabilidade e de as empresas não possuírem canais reversos e
por causa da diminuição do tempo de vida útil de pós-consumo devidamente organizados e es-
de muitos produtos, aumentando desta forma o truturados, dificultando desta forma a sua gestão.
consumo e consequentemente o giro dos esto- Por isso que a preocupação com a preserva-
ques e da produção. ção do meio ambiente é tão falada e tão defendi-
No ramo industrial, é comum também o uso da nos dias de hoje. Para contribuir com tal ideal
da obsolescência planejada, ou seja, com o uso da e propósito, as empresas estão cuidando também
tecnologia produzem-se produtos que saem de da sua imagem com o uso e a prática da logística
linha de uma forma muito rápida. Como exemplo, reversa.
podemos citar os produtos eletrônicos, tais como
telefonia celular, computadores e seus periféricos.

8.2 Pós-Venda

Realizada após a entrega de determinados contribuem para aumentar a responsabilidade


produtos, bens ou materiais, a pós-venda está desta atividade que faz parte da logística reversa:
relacionada diretamente aos serviços de monta-
gem, instalação, manutenção, conserto e troca ƒƒ Comercial: nessa área, é comum a
em caso de defeitos, avaria ou erro de pedido. ocorrência de erros provenientes da
A seguir, são apresentadas algumas das situ- digitação indevida da quantidade, va-
ações mais comuns de erros e quais as áreas que lor, dimensão, peso, endereço, modelo,

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características dos produtos ou bens, ƒƒ Planejamento: erro de previsão, oca-


e datas ou horários incompatíveis com sionando a falta de produto para ser
os dados e informações transmitidos entregue ou excesso que acabará con-
pelos clientes. Tais erros interferem di- tribuindo para que eles se tornem pro-
retamente na elaboração do pedido, dutos fora de linha;
emissão da nota fiscal e da fatura de co- ƒƒ Qualidade: liberação de lotes ou pro-
brança; dutos que não foram inspecionados, e
ƒƒ Comunicação: muitas vezes, por não estes podem apresentar defeitos ou es-
existir tecnologia ou integração entre tarem danificados;
os sistemas de informação, a comunica- ƒƒ Sanitário: atividade paralela à de qua-
ção entre as áreas responsáveis se torna lidade; só que, nesse caso, os produtos
um problema também para os clientes; não inspecionados apresentam conta-
ƒƒ Transportes: essa área é a grande res- minações ou estão com o prazo de ven-
ponsável pelas cargas e pelas entregas, cimento bem curtos ou próximos da
que muitas vezes são realizadas com data limite de validade.
atrasos e avarias, decorrentes de esma-
gamento, encharcamento, tombamen-
Os processos que envolvem a pós-venda
to e perfurações durante a movimenta-
são considerados como uma fonte rica de infor-
ção e transporte;
mações para as empresas que estão preocupadas
ƒƒ Operacional: os erros mais comuns em prestar bons serviços, diminuir custos e ofere-
existentes nesta área estão relaciona- cer bons produtos aos seus clientes.
dos à sobra ou falta de materiais, devi-
Em busca destes objetivos, a identificação,
do à troca de endereços e de produtos
o apontamento e a mensuração das fontes de er-
entregues para os clientes. É bom des-
ros serão importantes para se criar um histórico
tacar que, nesta situação, não há erro de
que contribuirá para a elaboração dos planos de
informação, e sim erro na execução das
melhorias e soluções.
atividades de separação dos pedidos e
entregas;

8.3 Pós-Consumo

Em relação aos produtos consumidos e às ve, além da saúde humana, a preservação da flora
embalagens, o pós-consumo está se tornando so- e da fauna.
cialmente e legalmente de responsabilidade das Outras empresas que se enquadram nestas
empresas. Essa discussão de responsabilidade responsabilidades ambientais, provavelmente,
ambiental e de sustentabilidade ainda está longe têm que se adequar à legislação vigente para não
de uma solução concreta entre empresas, gover- perderem mercado.
nos e entidades protetoras. Mesmo nesse contex- Na maioria das vezes o pós-consumo é ca-
to, atualmente, temos alguns casos que envolvem racterizado por produtos, materiais, insumos de
a responsabilidade das empresas fornecedoras. qualquer natureza que já tenham sido utilizados
Como exemplo, temos as empresas químicas e de e se faz necessário dar um destino adequado, que
fertilizantes, responsáveis em recolher as embala- não seja o descarte na natureza, tais como:
gens utilizadas pela empresa cliente ou consumi-
dores finais. Essa prática é necessária, pois envol-

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ƒƒ Papel, papelão, latas de alumínio e gar- dades não governamentais e projetos


rafas plásticas. Recolhidos de bares, res- socioambientais.
taurantes, padarias e lixo – destinados
para Cooperativas de Reciclagem;
Na Figura 9, temos um exemplo de proces-
ƒƒ Materiais hospitalares. Recolhidos de so de doação, reciclagem e destino, demonstran-
hospitais e clínicas – destinados a ater- do como você e demais consumidores podem
ros sanitários; contribuir para que haja o devido descarte e a
ƒƒ Produtos eletrônicos. Recolhidos dos destinação de produtos eletroeletrônicos.
consumidores – destinados para enti-

Figura 9 – Processo de doação, reciclagem e destinos de produtos eletrônicos.

Fonte: www.ecobraz.org.br

Conforme esse exemplo e informações ex- ƒƒ Poluição por descarte de resíduos con-
traídas do site da Ecobraz, você pode colaborar taminantes e tóxicos. Conforme dados
com as entidades ou projetos de reciclagens, do- da Ecobraz, estes resíduos descartados
ando seus equipamentos eletrônicos que não são incorretamente podem contaminar o
mais utilizados, e estes podem estar funcionando solo e lençóis freáticos, porque existem
ou danificados. Na sequência, será feito a coleta, alguns materiais e ácidos que são utili-
armazenagem e separação. Os equipamentos que zados na fabricação de equipamentos
estiverem funcionando serão doados para outras eletrônicos que são altamente conta-
entidades ou integrados para ser utilizados como minantes ou mesmo tóxicos, tais como:
ferramenta de trabalho em cursos oferecidos pela mercúrio, chumbo, cádmio, entre ou-
própria entidade coletora. Por outro lado, os que tros. Esses elementos químicos são
não estiverem em condições de serem utilizados encontrados em produtos eletrônicos,
ou estiverem danificados serão encaminhados como: monitores de vídeo, aparelhos
para os agentes de reciclagem da entidade res- de televisão antigos, baterias e pilhas;
ponsável pela coleta. ƒƒ Poluição por desperdício de matéria-
Agindo desta maneira, além de contribuir -prima. Já as placas de circuito impresso,
para um planeta mais limpo e sustentável, você como são chamadas, estão presentes
também estará contribuindo para que haja a in- em praticamente na totalidade, ou seja,
clusão digital e profissionalização de jovens ca- em 100% dos equipamentos eletrôni-
rentes. cos. Essas placas contêm metais nobres,
No contexto dos produtos eletroeletrôni- tais como: ouro, platina, silício e cobre.
cos, temos a: Tais produtos, quando descartados in-
corretamente, geram dupla poluição:

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Logística Empresarial

primeiramente por poluir a área de des- gem, que atualmente é vista como uma grande
carte e por contribuir fortemente para oportunidade de mercado. Apesar de ser bastan-
o aquecimento global, já que as mine- te explorada em alguns segmentos de mercado,
radoras terão que buscar novamente produtos e materiais, a reciclagem possui e apre-
essas matérias-primas na natureza. senta uma grande capacidade de crescimento
devido ao potencial de recuperação existente e
não explorado em outros produtos, materiais e
Como vivemos, na era da informação, a
regiões do país.
fabricação e consumo de equipamentos eletrô-
nicos tendem a crescer drasticamente nos próxi-
mos anos, aumentando a adoção da reciclagem
Saiba mais
como solução permanente.
O recall em nosso país é normatizado pelo Código
ƒƒ Embreagens e outras peças automoti- de Defesa do Consumidor representado pela Lei nº
8.078/90, artigo 10º, parágrafo 1º.
vas. Recolhidas do comércio de varejo Abaixo e na íntegra, o teor dos referidos trechos
– destinadas para fábricas de recondi- desta lei:
cionamento;
Art. 10. O fornecedor não poderá colocar no mer-
ƒƒ Lixo orgânico. Recolhido de empresas, cado de consumo produto ou serviço que sabe
residências, bares, padarias e restau- ou deveria saber apresentar alto grau de nocivi-
dade ou periculosidade à saúde ou segurança.
rantes – destinado para coleta e, conse-
§ 1° O fornecedor de produtos e serviços que,
quentemente, para o aterro; posteriormente à sua introdução no mercado de
ƒƒ Sucatas e aparas de aços. Recolhidas de consumo, tiver conhecimento da periculosidade
que apresentem, deverá comunicar o fato ime-
indústrias – destinadas para Cooperati- diatamente às autoridades competentes e aos
vas ou empresas de reciclagem (Exem- consumidores, mediante anúncios publicitários.
plo: Empresa de aços Gerdau). Fonte: Código de Defesa do Consumidor.

Como podemos perceber, a atividade do


pós-consumo envolve muito a questão da recicla-

8.4 O que é Produção Limpa?

Conforme os dados do Greenpeace Brasil ecologicamente correta. Esta forma vai muito
(1997), os sistemas de produção industrial exi- além da produção, pois envolve o uso de mate-
gem recursos: materiais, a partir dos quais os pro- riais e de energias alternativas e renováveis, ame-
dutos são feitos; energia, usada para transportar e nizando o seu impacto sobre o meio ambiente e
processar materiais; bem como água e ar. preservando a flora e a fauna.
Diante da escassez dos recursos naturais, as A produção limpa implementa o princípio
empresas buscam constantemente alternativas precautório, ou seja, uma nova abordagem holís-
de produção que sejam ecologicamente corretas, tica e integrada para questões ambientais centra-
contribuindo, desta forma, para que haja ações li- das no produto (GREENPEACE, 1997).
gadas à sustentabilidade. Tal abordagem parte do pressuposto de
De uma forma sustentável, a produção lim- que a maioria dos problemas ambientais existen-
pa tem como objetivo básico atender à necessi- tes, tais como: aquecimento global, poluição dor
dade de produtos produzidos de uma maneira ar e das águas, desequilíbrio da biodiversidade, é

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em grande parte causada pela forma de extração


dos recursos existentes na natureza, e pelo ritmo Atenção
acelerado da produção de produtos e serviços por
As empresas buscam constantemente alterna-
parte das empresas para atender ao consumismo tivas de produção que sejam ecologicamente
cada vez mais crescente existente em nossos dias. corretas, contribuindo, desta forma, para que
haja ações ligadas à sustentabilidade, diante do
aumento do consumo e da escassez dos recursos
naturais.

8.5 Resumo do Capítulo

Prezado(a) aluno(a), neste capítulo estudamos que:

ƒƒ Utilizada para atender às exigências comerciais, legais e necessidades do mercado, no tocante


a questões ambientais, a logística reversa pode ser entendida como a área da logística que trata
dos aspectos de retornos de produtos, embalagens ou materiais ao seu centro de produção ou
de descarte;
ƒƒ As principais atividades realizadas na logística reversa são: coletar, embalar, expedir materiais
ou produtos já utilizados, para que estes voltem para os fornecedores inicias com o objetivo
de retransformá-los em novas matérias-primas, ou produtos secundários, ou quando for o caso
sejam revendidos, recondicionados, reciclados e por fim, não tendo mais utilidade, sejam devi-
damente descartados;
ƒƒ Além da importância legal e estratégica do marketing, a atividade de logística reversa se tor-
nou relevante para as empresas, devido ao aumento constante do nível de consumo de bens
que possuem uma grande descartabilidade e por causa da diminuição do tempo de vida útil
de muitos produtos;
ƒƒ A pós-venda está relacionada diretamente aos serviços de montagem, instalação, manutenção,
conserto, e troca em caso de defeitos, avaria ou erro de pedido;
ƒƒ Os processos que envolvem a pós-venda são considerados como uma fonte rica de informa-
ções para as empresas que estão preocupadas em prestar bons serviços, diminuir custos e em
oferecer bons produtos aos seus clientes;
ƒƒ No contexto dos produtos eletroeletrônicos, temos: a poluição por descarte de resíduos conta-
minantes e tóxicos, e a poluição por desperdício de matéria-prima;
ƒƒ Diante da escassez dos recursos naturais, as empresas buscam constantemente alternativas de
produção que sejam ecologicamente corretas;
ƒƒ A produção limpa tem como objetivo básico atender à necessidade de produtos produzidos de
uma maneira ecologicamente correta;
ƒƒ A produção limpa implementa o princípio precautório, ou seja, uma nova abordagem holística
e integrada para questões ambientais centradas no produto (GREENPEACE, 1997).

Vamos, agora, avaliar a sua aprendizagem.

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Logística Empresarial

8.6 Atividades Propostas

1. O que as empresas fazem para que seja feita a coleta de materiais já utilizados ou de produtos
para consertos? Explique.

2. Qual a importância de se fazer a identificação, o apontamento e a mensuração das fontes de


erros existentes na pós-venda? Explique.

3. Por que o recolhimento de materiais e insumos de qualquer natureza que já tenham sido utili-
zados é de responsabilidade da logística reversa? Explique.

4. Por que a produção limpa contribui para resolver problemas socioambientais? Explique.

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9 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Caro(a) aluno(a),

As empresas de uma forma estratégica definem e decidem sobre o posicionamento e as funções


de suas instalações logísticas ao longo de sua cadeia. A gestão da cadeia logística é melhor realizada
quando há medidas e atividades que consistem numa série de aproximações utilizadas para integrar,
eficazmente, fornecedores, fabricantes, intermediários (atacadistas e distribuidores) e lojas, para que a
mercadoria seja produzida e distribuída nas quantidades ideais, na localização certa e no tempo certo,
com o objetivo de satisfazer o nível de serviço e o cliente com o menor custo possível.
Nos dias de hoje, as empresas estão fazendo parte de um cenário e de um contexto cada vez mais
exigente e complexo, desta forma as atividades logísticas são adaptadas para atender tais exigências e
demandas, exigindo melhores resultados, procedimentos e profissionalização.
Parceria e integração são consideradas as principais necessidades existentes no contexto das em-
presas que tenham a necessidade de atuar estrategicamente e conjuntamente numa cadeia de supri-
mentos, porque as empresas concorrem não mais entre si isoladamente, mas de uma forma conjunta
entre cadeias.
Apesar de termos apresentado alguns dos temas principais da logística empresarial, muitas empre-
sas ainda não estão no patamar de implantação, sendo necessária a realização de parcerias e de investi-
mentos significativos em novas estruturas, tecnologias, pessoas e negócios.
Toda e qualquer estrutura, método e sistemas de distribuição adotados devem ser analisados de
uma forma quantitativa e econômica. Até porque não há como fazer uso de um único modelo ou méto-
do.
Com o uso da tecnologia da informação fica fácil de sabermos que os meios de transportes, além
de fazerem parte das atividades das empresas, estão atuando com total sincronia para que não haja mo-
vimentações desnecessárias e perda da eficiência e da capacidade de carga.
O transporte representa o principal custo das atividades logísticas, devido ao seu uso e impor-
tância. Diante disso é comum as empresas fazerem uso da terceirização, após análise do custo-benefício.
Por um lado existem as empresas que possuem frota própria, do outro há aquelas que terceirizam pra-
ticamente todas as suas atividades secundárias, preocupando-se somente com as atividades principais.
Tal medida é incentivada pela falta de recursos para investir em estruturas e aquisições, bem como para
realizar a manutenção das mesmas.
Além das cinco alternativas de transportes à disposição das empresas, há a possibilidade da rea-
lização e da utilização do uso de operadores de transporte multimodal, utilizando somente um contrato
em suas transações. Caso tais empresas tenham atividades de exportação e importação, surge a neces-
sidade da utilização do intermodal (aviões e navios), para atender clientes que estão dentro ou fora do
país, porém participantes de uma mesma cadeia de distribuição logística.
Atualmente, a função de logística empresarial interage basicamente com quatro setores das em-

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presas integradas: marketing, finanças, controle da produção e gestão de recursos humanos, criando
assim uma rede logística. As empresas estão se adaptando e buscando, além da integração funcional, a
integração de processos.
Por existir vários elementos e fatores em uma cadeia de distribuição, podemos dizer que a logística
é uma área desafiadora e interessante.
Que você tenha sucesso nesta área tão rica e abrangente de conteúdo e conhecimento.

Prof. Cláudio Alves da Silva

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RESPOSTAS COMENTADAS DAS
ATIVIDADES PROPOSTAS

CAPÍTULO 1

1. Em logística, quando falamos de dimensões, estamos nos referindo ao peso, altura, largura e
comprimento de cada item a ser extraído, adquirido, movimentado, modificado, embalado,
armazenado, negociado, separado e distribuído.
2. Conforme Bowersox e Closs (2008), o principal objetivo da logística empresarial é: “tornar dis-
poníveis produtos e serviços no local onde são necessários, no momento em que são deseja-
dos.” (p. 19).
3. Para Gomes (2004), o canal de distribuição da empresa engloba não só as empresas de trans-
porte, como também os operadores responsáveis pelo transporte, armazenagem e também
em alguns casos a promoção e a comercialização dos produtos.
4. Podemos considerar que a extração, transformação, fabricação, distribuição e, por fim, a comer-
cialização representam o fluxo de um canal logístico, mas temos que levar em consideração
que para cada tipo de produto, como alimentos, medicamentos, bebidas, móveis, vestuários,
peças, veículos, entre outros, por apresentar dimensões, características naturais e técnicas dife-
renciadas, se fará necessário ou uso de estruturas e de processos logísticos de movimentação,
armazenagem, transporte e distribuição diferenciados.

CAPÍTULO 2

1. As decisões tomadas com base em informações precisas e relevantes irão resultar na redução
de custos, aumento da qualidade, resultados, entre outros benefícios, com o objetivo de criar e
aumentar a competitividade da empresa e do valor agregado atrelados aos seus produtos ou
serviços, mantendo desta forma os diferenciais em relação à concorrência.
2. Para se realizar um bom gerenciamento da cadeia de suprimentos, uma boa avaliação e men-
suração dos custos existentes nos processos e nas atividades empresariais são de vital impor-
tância. E tal avaliação se estende para o modelo atual de compras na renovação dos contratos
com os fornecedores, tanto de matéria-prima quanto de serviços.
3. No contexto empresarial atual, os fornecedores passam a ser parceiros no desenvolvimento de
projetos, produtos e serviços. Diante disso a quantidade de fornecedores é reduzida.

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CAPÍTULO 3

1. Para o autor Lambert (1998), na cadeia logística padrão existente na maioria das empresas, as
matérias-primas são movimentadas e utilizadas e os bens são produzidos em uma ou mais fá-
bricas, transportados para armazéns como armazenamento intermediário, e depois transpor-
tados para os varejistas ou clientes.
2. De forma a reduzir os custos e melhorar os serviços prestados, as estratégias utilizadas para
obter uma cadeia logística eficaz consideram as interações e integrações entre os vários níveis
da cadeia logística.
3. O autor Michael Porter (1989) considera a competitividade como a variável mais importante
em termos de desenvolvimento das empresas.

CAPÍTULO 4

1. Com relação à aproximação para a produção com foco no produto, a fábrica efetua várias ope-
rações necessárias para a sua produção, inclusive de todas as partes necessárias para finalizá-lo;
por outro lado, o foco na funcionalidade consiste em fazer apenas algumas partes do produto
ou apenas a sua montagem.
2. As decisões de localização refletem a estratégia básica da empresa para produzir e entregar os
produtos no mercado.
3. Seu principal objetivo é disponibilizar veículos para que os processos de abastecimento e dis-
tribuição ocorram operacionalmente e estrategicamente conforme as vendas e as necessida-
des planejadas e preestabelecidas.

CAPÍTULO 5

1. As decisões estratégicas são as mais importantes e arriscadas, pois decidem a direção de uma
empresa ou organização; sendo que os seus resultados são colhidos em longo prazo e de-
mandam muitos recursos para serem realizadas. As decisões táticas estão relacionadas com a
implementação das estratégias sobre o médio prazo, envolvem menos recursos e apenas apre-
sentam algum risco; estão mais presentes no nível gerencial. Por fim, as decisões operacionais
são as mais detalhadas, e, segundo Waters (2003), dizem respeito a estratégias com curto prazo,
envolvem menos recursos que as decisões táticas, e neste caso há um risco pequeno.
2. O profissional que tem a sua participação ativa no nível estratégico precisa ter condições de se
afastar da rotina operacional e se concentrar no futuro da organização, para que desta forma
tenha condições de tomar as decisões importantes dentro de prazos cada vez mais curtos.
3. O surgimento da tecnologia da informação aplicada à logística fez com os procedimentos de
avaliação ganhassem mais importância, por permitir o acompanhamento on-line de muitas ati-
vidades e serviços logísticos oferecidos pelas empresas, ou seja, as empresas procedem confor-
me as suas responsabilidades e deveres, enquanto que os clientes e principalmente os gestores
ficam sabendo no exato momento em que tudo acontece ou não, conforme o item, etapas e
processos monitorados.
4. Conforme Carvalho (2002), a intervenção estratégica é o procedimento principal para que seja
criada uma relação direta entre logística e o desempenho da organização. Permitindo desta
forma que os sistemas logísticos e empresariais sejam bem administrados e dirigidos (CARVA-
LHO, 2002).

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Logística Empresarial

CAPÍTULO 6

1. Para auxiliar os gestores e executivos logísticos a observarem de forma detalhada a cadeia de


valor, tais finalidades representam os seguintes aspectos: pelo escopo do segmento – refere-
-se aos mercados de atuação e a variedade de produtos existentes e produzidos; pelo escopo
vertical – refere-se à realização e execução das atividades, tanto de uma forma interna quanto
terceirizada, chamada de outsourcing; pelo escopo geográfico – refere-se à quantidade e à va-
riedade de instalações existentes e afins em que a empresa compete no mercado em que atua
de uma forma estratégica.
2. Podemos entender que as atividades primárias em uma cadeia são: logística interna, atividade
ligada ao recebimento, armazenamento e distribuição dos produtos e subcomponentes em
suas respectivas linhas de produção; operações, atividades ligadas e interligadas com a produ-
ção, realizando, para tanto, a transformação das matérias-primas em componentes ou produ-
tos; logística externa, atividade responsável pela retirada da unidade de produção, armazena-
mento e a distribuição física de tais produtos aos seus respectivos clientes; marketing e vendas,
atividade responsável pela comercialização e a promoção dos produtos e serviços ofertados
pela empresa; e serviços, atividades responsáveis pela instalação, manutenção e em alguns
casos pela retirada dos produtos com defeito, denominado como pós-venda, agregando desta
forma valor aos produtos ou serviços oferecidos.

CAPÍTULO 7

1. Na elaboração da previsão da demanda, os métodos qualitativos contribuem para se fazer a


análise de procedimentos e ocorrências internas e externas, com o objetivo de contribuir para
definir probabilidades e cenários futuros para a tomada de decisões. De outra forma, os méto-
dos quantitativos de previsão utilizam dados históricos da própria empresa. Este método está
baseado na ideia de que as condições que prevaleceram no passado continuarão ocorrendo
num futuro próximo. Fatores externos, de concorrência, não terão tempo para alterar de uma
forma relevante as previsões e os rumos da empresa no curto e médio prazo. Neste contexto,
a evolução da demanda tende a seguir o processo observado na própria história da empresa.
2. A obsolescência, por ser considerada como uma desclassificação tecnológica do material in-
dustrial, provocada pelo aparecimento de material ou produto mais moderno e melhor adap-
tado, faz com que as peças ou modelos antigos de determinados produtos em estoque sejam
vendidos por um preço menor, que muitas vezes não servirá para cobrir os custos de produção
ou de obtenção. Exemplo: Computadores, telefones celulares, televisores etc. Dependendo do
produto ou do item em estoque, ele não terá mais nenhum valor comercial, e neste caso deve-
rá ser efetuada a baixa contábil do estoque por doação, brindes ou utilização própria. Nestes
casos haverá perdas com estoques.

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CAPÍTULO 8

1. Para que seja feita a coleta de materiais já utilizados ou de produtos para consertos, as empre-
sas criam e gerenciam os seus canais reversos, desta forma tais materiais ou produtos já utiliza-
dos terão uma melhor destinação, quer seja para reparo, reutilização, revenda ou reciclagem.
2. A identificação, o apontamento e a mensuração das fontes de erros existentes na pós-venda
serão importantes para se criar um histórico que contribuirá para a elaboração dos planos de
melhorias e soluções de serviços.
3. Na maioria das vezes o pós-consumo é caracterizado por produtos, materiais, insumos de qual-
quer natureza que já tenham sido utilizados e se faz necessário dar um destino adequado, que
não seja o descarte na natureza. Por exemplo: embalagens, baterias, pilhas, metais, latas de
alumínio, garrafas plásticas, materiais hospitalares, e produtos eletrônicos e automotivos.
4. A produção limpa contribui para resolver problemas socioambientais, por implementar o prin-
cípio precautório, ou seja, por apresentar uma nova abordagem holística e integrada para ques-
tões ambientais centradas no produto. Tal abordagem parte do pressuposto de que a maioria
dos problemas ambientais existentes, tais como: aquecimento global, poluição dor ar e das
águas, desequilíbrio da biodiversidade, é em grande parte causada pela forma de extração dos
recursos existentes na natureza, e pelo ritmo acelerado da produção de produtos e serviços por
parte das empresas para atender ao consumismo cada vez mais crescente existente em nossos
dias.

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REFERÊNCIAS

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ANEXOS

Anexo I – Comércio Eletrônico (E-Commerce)1

Comércio eletrônico e-commerce, ou ainda No início, a comercialização on-line era e


comércio virtual, é considerado como um tipo de ainda é, realizada com produtos como CDs, livros
transação comercial feita especialmente através e demais produtos palpáveis e de características
de um equipamento eletrônico, como, por exem- tangíveis. Contudo, com o avanço da tecnologia,
plo, um computador. surge uma nova tendência para a comercialização
on-line. Começa a ser viabilizado a venda de ser-
Conceitua-se: como o uso da comunicação
viços pela web, como é o caso dos pacotes turís-
eletrônica e digital, aplicada aos negócios, crian-
ticos, por exemplo. Muitas operadoras de turismo
do, alterando ou redefinindo valores entre or- estão se preparando para abordar seus clientes
ganizações ou entre estas e indivíduos, ou entre dessa nova maneira.
indivíduos, permeando a aquisição de bens, pro-
dutos ou serviços, terminando com a liquidação
Histórico
financeira por intermédio de meios de pagamen-
to eletrônicos.
O ato de vender ou comprar pela internet é O significado de comércio eletrônico vem
em si um bom exemplo de comércio eletrônico. mudando ao longo dos últimos 30 anos. Original-
mente, CE significava a facilitação de transações
O mercado mundial está absorvendo o comércio
comerciais eletrônicas, usando tecnologias como
eletrônico em grande escala. Muitos ramos da
Eletronic Data Interchange (EDI), conhecida como
economia, e também da logística agora estão li-
troca eletrônica e dados e Eletronic Funds Transfer
gadas ao comércio eletrônico. (EFT), podendo ser traduzida como transferência
Seus fundamentos estão baseados eletrônica financeira, ambas foram introduzidas no
em segurança, criptografia, moedas e pa- final dos anos 70, permitindo que empresas man-
gamentos eletrônicos. Ele ainda envolve dassem documentos comercias como ordem de
pesquisa,desenvolvimento, marketing, propa- compras e contas eletronicamente. O crescimento
ganda, negociação, vendas e suporte. e a aceitação de cartões de créditos, caixas eletrô-
nicos, serviços de atendimento ao cliente (SAC) no
Através de conexões eletrônicas com clien-
final dos anos 80 também eram formas de CE. Ape-
tes, fornecedores e distribuidores, o comércio ele-
sar de a internet ter se popularizado mundialmente
trônico incrementa eficientemente as comunica-
em 94, somente após cinco anos os protocolos de
ções de negócio, para expandir a participação no segurança e a tecnologia DSL foram introduzidos,
mercado, e manter a viabilidade de longo prazo permitindo uma conexão contínua com a Internet.
no ambiente de negócio.

1
Fonte: WIKIPEDIA, a enciclopédia livre. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Com%C3%A9rcio_eletr%C3%B4nico#Hist.
C3. B3rico> Acesso em: 31 de março 2010.

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No final de 2000, várias empresas americanas e eu- ƒƒ Aplicações de Comércio Eletrônico:


ropeias ofereceram seus serviços através da World são aquelas desenvolvidas com base
Wide Web. Desde então, as pessoas começaram a nas camadas anteriores e que atendam
associar à expressão ‘comércio eletrônico’ com a ha- as necessidades de uma organização ou
bilidade de adquirir facilidades através da Internet grupo delas, tais como home banking.
usando protocolos de segurança e serviços de pa-
gamento eletrônico.
Segurança no Site de e-Commerce
Modelo Integrado do Comércio eletrônico
Um dos fatores primordiais para o aconte-
cimento e desenvolvimento do comércio eletrô-
O Modelo Integrado de Comércio Eletrôni-
nico é a segurança, tanto das informações dos
co possui várias subdivisões do ambiente do CE
consumidores quanto das transações dos comer-
e da sua integração com o ambiente empresarial.
ciantes. A segurança também é um fator decisivo
Este modelo enfatiza seus aspectos, valor, bene-
na aquisição e retenção de possíveis clientes dos
fícios estratégicos e contribuições para o sucesso
vários sites on-line.
das organizações:
De acordo com Limeira (2007), a segurança
na transmissão de dados é um dos empecilhos
ƒƒ Políticas e regras públicas: estão rela-
para a concretização de compras na rede pelo
cionadas com os aspectos legais de re-
internauta e na divulgação de seus dados pesso-
gulamentação dos setores e mercados
ais, como RG, CPF e número do cartão de crédito.
e das normas oficiais;
Para Franco (2005), para a realização de negócios
ƒƒ Políticas e padrões técnicos: estão na Internet, comerciantes e clientes necessitam
relacionados com os aspectos de pa- de um procedimento automático de coletar da-
dronização para a compatibilização dos dos com segurança e processar pagamentos de
componentes do ambiente técnico, po- cartões de débito ou crédito. Assim sendo, uma
líticas de tratamento e comunicação de das técnicas mais utilizadas no mundo inteiro é a
informações; criptografia.
ƒƒ Infovia Pública: é a rede formada tanto Segundo Reedy, Schullo e Zimmerman
pela rede mundial Internet como pelos (2001), a criptografia é tão antiga quanto o anseio
serviços on-line que tenham ligações da humanidade em ter privacidade nas comuni-
com esta, sendo que a ênfase é no aces- cações. E de acordo com os autores, para que o
so livre e de baixo custo, e na integração comércio eletrônico prossiga, é necessário em-
entre os vários ambientes sem nenhu- pregar um método que faça com que ambas as
ma restrição, incluindo desde os termi- partes troquem mensagens, de tal maneira que
nais mais simples de acesso até meios compartilhem uma “chave secreta”, conhecida
de comunicação mais sofisticados para por somente as partes envolvidas. A criptografia
grandes volumes de informações. é fundamentada em algarismos matemáticos que
ƒƒ Aplicações e Serviços Genéricos: são “quebram” as informações em configurações não
aqueles oferecidos pelo ambiente, atra- legíveis, e quando chega a seu destino, o mesmo
vés dos seus provedores, serviços on-li- algoritmo é utilizado para restabelecer as infor-
ne e fornecedores, disponíveis a todos, mações “quebradas” em sua forma original.
tais como correio eletrônico, transfe- Conforme Franco (2005), os sistemas de
rência de arquivos, salas virtuais, algo- criptografia fornecem um elevado nível de con-
ritmos e softwares de criptografia; fiança, integridade e autenticidade à informa-
ção que está circulando pela Internet. Através da

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criptografia, apesar das informações trafegarem sistemas, ao suporte ao software, aos processos
em via pública, existe privacidade às mensagens de produção e operação, ao suporte de hardware
e aos dados armazenados, à medida que são in- etc.
compreensíveis para quem não tem acesso à A sigla TI, tecnologia da informação, abran-
chave criptográfica. Assim sendo, a criptografia ge todas as atividades desenvolvidas na socieda-
é amplamente utilizada por alguns sistemas de de pelos recursos da informática. É a difusão social
segurança, como o protocolo Secure Electronic da informação em larga escala de transmissão, a
Transaction (SET), este protocolo foi criado pela partir destes sistemas tecnológicos inteligentes.
empresa de cartão de crédito Visa, objetivando Seu acesso pode ser de domínio público ou pri-
oferecer maior segurança nas transações eletrô- vado, na prestação de serviços das mais variadas
nicas, especialmente em pagamentos com cartão formas.
de crédito. (LIMEIRA, 2007) Pequenas e grandes empresas dependem
O protocolo SET fundamenta-se na distri- dela para alcançar maior produtividade e compe-
buição de certificados digitais para as partes en- titividade. Através de passos simples ensinados
volvidas, evitando assim, a divulgação de núme- por empresas do ramo, muitas alcançam sucesso
ro de cartão de crédito, por exemplo. Através do e alavancam maiores rendimentos.
SET, todas as partes envolvidas da negociação são A aplicação, obtenção, processamento, ar-
autenticadas, isto é, reconhecidas e averiguadas mazenamento e transmissão de dados também
antes da finalização da transação. (LIMEIRA, 2007) são objeto de estudo na TI. O processamento de
Outro protocolo usado é o Secure Socket informação, seja de que tipo for, é uma atividade
Layer (SSL), desenvolvido pela Netscape para re- de importância central nas economias industriais
solver os problemas de segurança nas transações avançadas por estar presente com grande força
com cartão de crédito. Esse protocolo garante a em áreas como finanças, planejamento de trans-
privacidade da transação, pois as informações portes, armazenagem, distribuição e cadeias de
transmitidas são encriptadas, e somente o usu- suprimentos, produção de bens, assim como na
ário e o servidor da empresa envolvidos no pro- imprensa, nas atividades editoriais, no rádio e na
cesso podem decodificar seu conteúdo. (LIMEIRA, televisão. O desenvolvimento cada vez mais rápi-
2007) do de novas tecnologias de informação modifi-
cou as bibliotecas e os centros de documentação
Conceito de Tecnologia da Informação (principais locais de armazenamento de informa-
ção) introduzindo novas formas de organização e
acesso aos dados a obras armazenadas; reduziu
O termo Tecnologia da Informação serve
custos e acelerou a produção dos jornais e pos-
para designar o conjunto de recursos tecnológi-
sibilitou a formação instantânea de redes televi-
cos e computacionais para geração e uso da in-
sivas de âmbito mundial. Além disso, tal desen-
formação.
volvimento facilitou e intensificou a comunicação
Também é comumente utilizado para desig- pessoal e institucional, através de programas de
nar o conjunto de recursos não humanos dedica- processamento de texto, de formação de bancos
dos ao armazenamento, processamento e comu- de dados, de editoração eletrônica, bem de tec-
nicação da informação, bem como o modo como nologias que permitem a transmissão de docu-
esses recursos estão organizados em um sistema mentos, envio de mensagens e arquivos, assim
capaz de executar um conjunto de tarefas. como consultas.
A TI não se restringe a equipamentos (har-
dware), programas (software) e comunicação de
dados. Existem tecnologias relativas ao planeja-
mento de informática, ao desenvolvimento de

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Segurança no serviço logístico logística a grande parte da culpa pela deficiência


no processo de remessa dos produtos comercia-
O que o cliente espera do comércio eletrô- lizados pela rede, entretanto apesar de todos os
nico: eficiência, personalização, qualidade, veloci- esforços a grande maioria das empresas, ainda
dade e segurança, e tudo isto, está ligado a Logís- não chegou a um sistema automatizado que no
tica, entretanto, segurança passou a ser tratada ato da compra por um cliente seja iniciado um ge-
com mais atenção e particularidade, pelas empre- renciador de estoque, que disponibiliza “on-line”
sas como um todo. a quantidade de estoque daquele produto, inte-
grado ao(s) respectivo(s) fornecedor(es) e uma
Tudo o que o cliente espera depende de
opção automática de entrega do produto com
uma integração de processos, de como a empre-
escolha de recebimento do produto (correio, FE-
sa deve se reorganizar antes de suportar o e-bu-
DEX etc.) e escolha de data e hora de entrega do
siness, como gerenciar o seu processo logístico,
produto, evitando problemas de não encontrar
como eliminar falhas de atendimento com forne-
ninguém em casa, ficando a cargo do cliente o
cedores, na terceirização da sua distribuição (a fim
ônus devido a uma reentrega. Talvez um sistema
de se ter profissionalização de serviços, melhoria
integrado desta maneira, evite discussões e des-
da qualidade, otimização de custos e da estrutura
contentamentos quanto a serviços em logística.
organizacional e foco no seu negócio – core bu-
siness), como suportar uma falha de credibilida-
de, o que acontecerá com a marca da empresa, A diferença entre logística e segurança
que negócios são rentáveis no B2B (negócios de
empresas com empresas) ou B2C (negócios de Podemos em entender que a segurança,
empresas com pessoas), qual o retorno de inves- é um processo, e não um produto. Qualquer sis-
timento etc. tema é uma série de interconexões, a segurança
Todos esses obstáculos devem ser supe- precisa estar presente em cada componente e co-
rados, antes de uma empresa entrar no e-com- nexões. Isso é apenas um começo, que explica o
merce, tudo isto deve ser suportado por um forte quanto é importante tratar a segurança de modo
sistema de logística e segurança. A logística fun- separado, a mesma que foi mencionada acima,
ciona como um elo entre a produção e o marke- como um dos pontos essenciais ao cliente, usu-
ting. Podendo ser dividida em: gestão de estoque, ário do e-commerce. A diferença entre logística e
gestão de transporte, PCP, suprimentos, nível de segurança, é muito grande, não se deve comparar
serviços e margens de contribuição, originando e nem questionar qual dos dois é mais importan-
desta forma a famosa Suplly Chain Management te. A segurança é mais ampla, além de fazer parte
(gerenciamento do fluxo de recursos e informa- do processo interno da logística, desde o relacio-
ções ao longo da cadeia de suprimentos, desde namento com os fornecedores, até os componen-
os fornecedores até os consumidores finais, obje- tes de segurança de cada processo e sistema.
tivando melhores resultados de serviço e custo). Segurança é bem mais amplo, é bem mais
Muitas empresas de software estão ofere- complexo de ser tratado, pois ela não trabalha so-
cendo sistemas automatizados para que se in- mente com uma parte de um sistema, mas com
tegrem o Suplly Chain Management e o ERP da todos eles, ela deve estar presente nos processos,
empresa, a fim de se obter uma melhor visibilida- nas informações, nas aplicações, nas empresas,
de (padrões de distribuição, pedidos de produto, nos produtos e principalmente nas pessoas, pois
preços de mercado etc.) e rapidez de resposta a Internet se misturou a quase todos os sistemas
(redução de custos de aquisição, automatização da sociedade, projetados, manipulados e contro-
de transações, suprimento a partir de um grupo lados por pessoas, por isso a Internet é tão difícil
maior de fornecedores etc.). de proteger, e quanto mais complexa e segmen-
Tudo isto para que não seja imputada a tada ela se torna mais difícil fica a sua proteção.

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É por isso, que cada vez mais novas tecnologias adequado gerenciamento do projeto em todas as
de segurança surgem como criptografia, firewall, suas etapas, desde a iniciação, passando pelo pla-
chaves públicas e privadas, patches e hot-fixes, es- nejamento, execução e controle, até seu efetivo
tes últimos cada vez mais utilizados para proteger encerramento a entrega do produto ao consumi-
a Internet de um determinado tipo de falha, que dor. A logística não pode ser apontada como um
faz com que um determinado sistema de maneira problema e sim como uma solução, pois o con-
errada, inexplicável e talvez sem repetição, o bug. ceito básico de logística é de aperfeiçoar e racio-
Assim sendo, nenhum sistema é 100 % se- nalizar um processo produtivo com qualidade e
guro, nenhum fornecedor pode dizer que um com menores custos e tempos. Todo o processo
determinado produto torna a rede segura, que automatizado deve-se concentrar nos principais
protege totalmente o e-commerce. Não basta as objetivos do consumidor aliado a um perfeito ge-
empresas automatizarem um ou mais processos, renciamento logístico. E quanto à segurança, faz
elas precisam estar atentas aos tipos de ataques, parte de todo o processo, tem início com o rela-
dos mais comuns aos mais maliciosos, precisam cionamento com o fornecedor até a implemen-
identificar os possíveis atacantes, que ferramen- tação de ferramentas para a comercialização do
tas estão disponíveis, quais portas deverão ser produto com o consumidor. É essencial, portanto
fechadas, que procedimentos são os melhores os dois merecem atenção, e de um com certeza
etc. Hoje, os bancos e instituições financeiras, dependerá o sucesso do outro.
transferem milhões e bilhões de reais ou dólares
pela Internet, um sistema mal configurado está
susceptível a transferência de pequenos valores
de centenas ou milhares de contas para uma, sem
que se perceba, ou quando se perceba seja tar-
de demais; falsificação de dinheiro pode ser exe-
cutada em computadores configurados para tal
desafio enquanto o atacante dorme ou faz outro
desfalque.
O sistema comercial que antes, no mundo
físico, não ligava para pequenos erros, era mais
barato ignorá-los do que refazer um determina-
do sistema – até porque é um sistema integrado
a outros – terá no mundo digital que pensar me-
lhor.
Além disto, a Internet não tem fronteiras e
nem leis em determinados países. Isto torna a In-
ternet mais perigosa ainda.
Enfim, há uma série de outros ataques como
roubo de identidade (onde uma pessoa pode fa-
cilmente ser passada por outra), roubo de marca
(parecido com ao roubo de identidade, com ob-
jetivo de se propagar a marca errada, mesmo que
se descubra a marca na Internet já ficou na mente
do usuário), à volta a invasão de privacidade (já
mencionada anteriormente).
O grande componente para um projeto de
logística com sucesso para e-commerce é um

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Anexo II – Gestão de Custos e Riscos na Cadeia de Suprimentos2

Custos logísticos são todos os gastos rela- de organizações que estão planejando ou desen-
cionados e atrelados a logística de uma empresa. volvendo projetos específicos ou para negócios,
Como exemplo, podemos citar os: os custos de ar- sendo a abordagem de negócios a mais utilizada.
mazenagem, custos de estoques, custo de ruptura
(falta de produtos) no estoque, custos de proces- Gestão de Riscos
samento de encomendas e custos de transporte.
Na gestão de custos, os custos logísticos fazem,
geralmente, parte de um dos grupos mais impor- A gestão (ou gerenciamento) de riscos é um
tantes, por isso saber gerir esses custos pode ser elemento central na gestão da estratégia de qual-
crucial para a sobrevivência da empresa. quer organização, em especial das Seguradoras.
Conforme Chiavenato (1991), a gestão des- É o processo através do qual as organiza-
tes custos é feita através do planejamento de cus- ções analisam metodicamente os riscos inerentes
to ou do pré-cálculo de custo, pois estes permi- às respectivas atividades, com o objetivo de iden-
tem determinar os padrões de custo de produção tificação, estimativa (probabilidade de ocorrên-
ou produto/mercadoria. cia e impacto financeiro) e controle dos mesmos,
através de medidas para:

Risco
ƒƒ Evitar;
ƒƒ Reduzir;
O termo risco é muito utilizado na área de:
ƒƒ Assumir; e/ou
administração, jurídica, economia, direito. Esse
conceito pode ser melhor entendido, como a ƒƒ Transferir os riscos (exemplo: pela con-
probabilidade de ocorrência de um determinado tratação de apólices de seguros, para
evento que gere prejuízo devido a perdas. proteção de cargas, armazéns, veículos,
equipamentos etc.).
A existência de qualquer decisão, quer seja
estratégica, tática ou operacional, ligada a uma
atividade, transação e negociação abre a possibi- A gestão de riscos deve ser um processo
lidade da ocorrência de eventos ou fatores, que contínuo e em constante desenvolvimento apli-
fogem de qualquer controle e da vontade alheia. cado à estratégia da organização e à implementa-
Advindo desta forma consequências e danos às ção dessa mesma estratégia. Deve analisar meto-
vezes irreversíveis. dicamente todos os riscos inerentes às atividades
passadas, presentes e, em especial, futuras de
uma organização.
Análise de Riscos
Deve ser integrada na cultura da organi-
zação com uma política eficaz e um programa
A Análise de Riscos é o processo pelo qual conduzido pela direção de topo. Deve traduzir
são relacionados os eventos, os impactos e ava- a estratégia em objetivos táticos e operacionais,
liadas as probabilidades destes se concretizarem. atribuindo responsabilidades na gestão dos ris-
Na área administrativa e de logística, geral- cos por toda a organização, como parte integran-
mente, se executa uma análise de riscos dentro te da respectiva descrição de funções. Esta prática

2
Fonte: WIKIPEDIA, a enciclopédia livre. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Gest%C3%A3o_de_stocks> Acesso em:
31 mar. 2010.

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sustenta a responsabilização, a avaliação do de- de caixa, margem e garantias das contrapartes e


sempenho e respectiva recompensa, promoven- (no caso de fundos) de satisfazer retiradas de ca-
do desta forma a eficiência operacional em todos pital.
os níveis da organização. * Risco Operacional: se refere às perdas
Um gerenciamento de risco consistente potenciais resultantes de sistemas, estruturas e
realiza-se com a adoção de melhores práticas de procedimentos inadequados, falha da gerência,
infraestrutura, e isto principalmente em logística controles defeituosos, fraude e erro humano.
de cadeias de suprimentos, é algo de suma im- Relacionado ao risco operacional, existem vários
portância, políticas e metodologias, permitindo casos de falhas operacionais relacionadas a uso
uma melhor gestão dos limites de risco aceitáveis, de derivativos, caracterizadas por transações ala-
do capital, da precificação e do gerenciamento da vancadas, ao contrário das transações à vista. Um
carteira de clientes. Ganhos consideráveis se tor- negociante pode fazer comprometimentos muito
nam possíveis com o Gerenciamento de Risco, no grandes em nome da instituição, gerando exposi-
aceite de oportunidades de investimentos não ções futuras enormes, utilizando pequeno volu-
tão atrativas sem o conhecimento prévio dos ris- me de dinheiro.
cos e suas medidas. * Risco Jurídico: surge por toda uma série
Pode-se classificar os riscos como estratégi- de razões e motivos. Os Riscos Jurídicos geral-
cos e não estratégicos. mente só se tornam aparentes quando uma con-
Os estratégicos são aqueles assumidos vo- traparte, investidor ou cliente, perde dinheiro em
luntariamente. Uma cautelosa exposição a esses uma transação e decide acionar a empresa para
tipos de riscos é fator fundamental para o sucesso evitar o cumprimento de suas obrigações.
das atividades comerciais. Já os riscos não estra- * Risco de Fator Humano: é assim definido
tégicos são aqueles que não podem ser controla- como “uma forma especial de risco operacional”.
dos e não condicionam, ou não permitem o fator Relaciona-se às perdas que podem resultar em
estratégico, e por isso denominado desta forma. erros humanos como apertar o botão errado em
um computador, inadvertidamente destruir um
Tipos de Riscos arquivo ou inserir um valor errado para um pa-
râmetro de entrada de um modelo, tombamen-
to de uma carreta ou caminhão, acomodação de
Os riscos podem se classificado como: Risco materiais da forma indevida etc.
de Mercado, Risco de Crédito, Risco de Liquidez,
Risco Operacional, Risco Legal e Risco de Fator
Humano, a seguir descreveremos sucintamente
cada um:
* Risco de mercado: é o risco de que mu-
danças nos preços e nas taxas no mercado finan-
ceiro reduzam o valor das posições de um título
ou de uma carteira.
* Risco de liquidez: compreende tanto ris-
co de financiamento de liquidez quanto risco de
liquidez relacionado às negociações, Risco de fi-
nanciamento de liquidez se relaciona à capacida-
de de uma instituição de levantar o caixa necessá-
rio para rolar sua dívida, para atender exigências

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Anexo Iii – Centro de Distribuição3

Um centro de distribuição, também conhe- produtos produzidos ou comprados para reven-


cido como CD, é uma unidade construída por em- da, com a finalidade de despachá-los para outras
presas industriais ou varejistas, para armazenar os unidades, filiais ou clientes.

Centro de distribuição numa cadeia de abastecimento (Adaptado de Ballou, 1999).

Vantagens de um CD Uma outra vantagem, deve-se ao fato deste


mecanismo de ligação «fábrica – cliente» permi-
A implementação de centros de distribui- tir o atendimento adequado a diversos pontos
ção na cadeia de abastecimento surge na necessi- de venda mais pequenos, como quiosques, ca-
dade de se obter uma distribuição mais eficiente, fetarias ou restaurantes, com uma elevada taxa
flexível e dinâmica, isto é, capacidade de resposta de entrada e saída de produtos, tendo estes, nor-
rápida face a procuras cada vez menores, mais fre- malmente, um curto prazo de validade, por ser
quentes e especificadas. Compartilha-se, assim, a alimentação ou um pequeno período de comer-
redução de custos por entre as entidades coope- cialização, no caso de jornais (Farah, 2002, p. 45).
rantes na distribuição do produto e evita-se pon-
tos de estrangulamento, entre outras vantagens
do trabalho em parceria.

3
Fonte: WIKIPEDIA, a enciclopédia livre. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1gina_principal> Acesso em 31
de março de 2010.

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Aspectos importantes e condicionantes na es- Os Custos de ruptura são normalmente


colha de um CD os mais difíceis de identificar. Estes podem ter
origem em encomendas devolvidas ou devido a
Segundo Farah (2002), na escolha de um CD vendas perdidas e são expressos por unidade. O
devemos ter em conta o seguinte: balanço dos custos é por vezes feito com base no
efeito da própria insatisfação dos clientes. São uti-
lizadas técnicas para tentar estabelecer o ponto
ƒƒ A quantidade de intermediários exis-
de encomenda e o stock de segurança, quando os
tentes e/ou necessários;
custos de ruptura estão determinados podendo
ƒƒ A diversificação dos canais de distribui- nestes casos, a procura e prazo de entrega serem
ção; constantes ou variáveis. São aqui referidas estas
ƒƒ A dimensão da área a ser atendida e os principais causa tratadas pelas técnicas de previ-
requisitos mínimos necessários para são.
efetuar um serviço com qualidade e efi-
ciência; ƒƒ Procura e tempo de ressuprimento
ƒƒ As características do produto a ser en- constantes;
tregue; ƒƒ Procura variável e tempo de ressupri-
ƒƒ A estrutura operacional mínima neces- mento constante;
sária. ƒƒ Encomendas devolvidas: custo de rup-
tura por unidade;
Como armazéns intermédios, os centros de ƒƒ Encomendas devolvidas: custo de rup-
distribuição precisam estar atentos às novas pro- tura por indisponibilidade;
curas empresariais. ƒƒ Vendas perdidas: custo de ruptura por
unidade;
Como melhorar um Centro de Distribuição? ƒƒ Procura constante e tempo de aprovi-
sionamento variável;
Uma resposta quase imediata para esta ƒƒ Procura e tempo de aprovisionamento
questão seria a implementação de alta tecnolo- variáveis.
gia no ERP, SCM e WMS (Sistemas gerenciamento
de armazenagem, estoques e produção). Logica- Nível de serviço
mente que com esta ajuda, conseguir-se-á uma
otimização das operações, mas não é este o as-
pecto fulcral condicionante desta melhoria. O nível de serviço é normalmente definido
como sendo o quociente entre o número de uni-
O processo é o ponto mais crítico para a
dades entregues e número de unidades pedidas,
redução de custos de um CD. Este deve acom-
expresso em percentagem, ou seja:
panhar a mudança temporal entre fornecedores,
clientes e produtos, seja ela (mudança) para mais
(maior quantidade de fornecedores, produtos e Total de entregas no prazo
clientes) ou para menos. O empreendimento do Total geral de pedido de entregas
mesmo processo face à mudança da realidade só
resultará numa maior probabilidade de ocorrên- Tendo em conta, que o desconhecimento
cia de erros que se refletirão em baixa produtivi- a cerca dos custos de ruptura é uma condição
dade e atrasos nas entregas, dando assim origem habitual nas organizações, torna-se normal para
a mais custos. os gestores ajustarem os níveis de serviços para

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pontos de encomenda onde os mesmos podem como a quantidade econômica de encomenda


ser verificados. O nível de serviço está intimamen- (EOQ), quantidade econômica de produção (EPQ)
te relacionado com o nível de objetivo que a or- e intervalo ótimo de encomenda (EOI) não apli-
ganização pretende atingir. Existem várias formas cam a quantidade única de encomenda devido a
de medir o nível de serviço, informaticamente, três fatores principais: a procura não é constante,
em unidades, em capital e até em pedidos de en- o nível de procura pode altera-se abruptamente
de período para período e/ou a vida comercial do
comendas. O estabelecimento do nível de serviço
produto pode ser de curtíssima duração. Este mo-
é em grande parte das vezes mais uma medida de
delo pode ser facilmente aplicável a dois tipos de
gestão subjetiva do que uma rigorosa justificação
categorias de procura, artigos com intervalos de
científica. procura pouco frequentes e para artigos com pro-
Segundo Tersine (1998), os níveis de servi- cura variável, com intervalos frequentes, que têm
ço tomam distintos significados, dependendo da uma vida comercial de curta duração. Os proble-
forma como se escolhe o critério de decisão, e, se- mas relacionados com quantidade única de enco-
gundo ele, são usados por norma quatro critérios: menda são classificados de acordo com a origem,
procura e tempo de aprovisionamento.
ƒƒ Frequência do serviço por ciclo de en- Algumas técnicas utilizadas na resolução
comenda; destes problemas são baseadas nestes principais
ƒƒ Frequência do serviço por ciclo por ano; fatores, conforme descritos abaixo:
ƒƒ Número de unidades com procura;
ƒƒ Procura e tempo de ressuprimento co-
ƒƒ Número de dias operacionais.
nhecidos;
ƒƒ Procura variável e tempo de ressupri-
Restrições mento conhecido;
ƒƒ Análise de benefícios;
Na determinação dos sistemas de gestão de ƒƒ Análises de custos;
estoques mais favoráveis não foram consideradas ƒƒ Procura e tempo de ressuprimentos va-
restrições, no entanto elas existem e os sistemas riáveis.
estão normalmente sujeitos a condicionalismos
físicos e/ou monetários. Como a gestão de esto-
Sistemas de procura dependente: planeja-
ques é um subsistema de uma organização, é ne-
mento das necessidades de materiais (MRP)
cessário otimizar o sistema de gestão de estoque
tendo em conta o sucesso global da organização.
A procura é considerada dependente quan-
Os gestores de estoques deparam-se com
do existe um relação direta entre a procura de um
alguma frequência com a situação de não dispor artigo e a procura de um outro artigo relaciona-
de capital necessário para poder adquirir a quan- do diretamente com este. Esta procura de artigos
tidade ótima de cada artigo. O objetivo passa, dependentes resulta da necessidade de utilizar
portanto, em minimizar os custos sendo o capital um artigo na produção de um outro, por exemplo
disponível para a aquisição de inúmeros artigos. matérias-primas, componentes de um produto,
subconjuntos usados na fabricação de um produ-
Quantidade única de encomenda to final. Um exemplo frequentemente utilizado é
o que relaciona um carro, ou uma moto e as suas
respectivas rodas, onde o carro e a moto enquan-
A quantidade única de encomenda tem to produtos finais poderão ter uma procura cons-
focalizado o planejamento e o controle dos arti- tante e independente enquanto as rodas como
gos e mercadorias em geral, comprados apenas subprodutos do produto final têm uma procura
durante um único período de tempo. Os modelos variável e dependente.

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MRP do processo de produção com as matérias-primas


até ao final do processo com a armazenagem e/ou
O MRP tem como objetivos primordiais de- venda dos artigos. Um fator a destacar deste pro-
terminar o momento adequado para a realização cesso resulta em que, um excesso de estoque em
da encomenda e a quantidade ótima a encomen- processo de fabricação contribui para o aumento
dar de cada componente constituinte do produto do tempo de ciclo de produção. Tempo esse que
final, de modo a minimizar os custos totais. Este apresenta as seguintes fases:
sistema computarizado, é também caracteriza-
do por contribuir para a melhoria da capacidade ƒƒ Tempo de aprovisionamento (lead
de planejamento, procurando responder de uma time);
forma rápida e eficaz às variações do mercado, ou ƒƒ Tempo de instalação;
seja, às necessidades de produção. O MRP é apli- ƒƒ Tempo de início de produção;
cado a qualquer artigo, produzido ou comprado, ƒƒ Pontos de estrangulamento;
sujeito a procura dependente, à fabricação de
ƒƒ Controle de input/output;
componentes, subconjuntos e artigos de uma só
peça. O MRP pretende dar resposta às seguintes ƒƒ Regra da ‘relação crítica’.
questões:
Just-in-time (JIT)
ƒƒ Quando e quanto se deseja produzir de
um artigo?
O JIT é uma filosofia organizacional que pre-
ƒƒ Que componentes são necessários? za pela excelência, ou seja, representa uma estra-
ƒƒ Quanto é que já existe em estoques tégia de produção que pretende que tudo (pro-
desse(s) componente(s)? dução, transporte, encomendas) ocorra no tempo
ƒƒ Que quantidade já foi encomendada e certo. Os principais objetivos desta filosofia são:
quando é que é recebida?
ƒƒ Quando é que será necessário receber ƒƒ Inexistência de defeitos;
nova encomenda e em que quantida- ƒƒ Tempo de instalação nulo;
de? ƒƒ Inexistência de excesso de artigos;
ƒƒ Quando é que deve ser processada ƒƒ Ausência de manipulação;
nova encomenda?
ƒƒ Ausência de afluência;
ƒƒ Inexistência de avarias;
Estoque em processo de fabricação e Just-in- ƒƒ Tempo de ressuprimento nulo.
-Time

Sistemas de distribuição de estoques


O estoque em processo de fabricação con-
siste em todos os artigos em fase de produção, ou
Devido à dispersão geográfica da maior
seja, o processo de produção está a decorrer, mas é
parte dos clientes, uma organização que produz
necessário que decorram outras etapas antes que ou fornece produtos tem necessidade de ter ar-
o produto se torne num artigo acabado ou num mazéns em vários locais. À medida que o merca-
produto final. Em algumas organizações estes ar- do alvo se expande geograficamente, a cadeia de
tigos chegam a representar 50% do investimento ligação tem também de se estender, no caso de
total com o estoque. Este investimento advém dos uma organização controlar mais do que um nível
custos com o material, horas de trabalho e custos de distribuição, é importante a criação de uma
de produção que são contabilizados desde o início rede de distribuição. Estes sistemas têm por isso
de dar resposta a algumas questões críticas:

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ƒƒ Onde serão alocados (construídos) os Qualidade


centros de distribuição?
ƒƒ Que quantidade e que tipos de artigos O termo Qualidade vem do latim Qualita-
manter em estoque em cada armazém? te, e é utilizado em situações bem distintas. Por
ƒƒ Como repor o estoque em cada centro exemplo, quando se fala da qualidade do serviço
de distribuição? prestado por uma determinada empresa, ou ain-
da quando se fala da qualidade de um produto
tangível.
Sistemas de distribuição Push vs Pull
Como o termo tem diversas utilizações, o
seu significado nem sempre é de definição clara
Segundo Tersine (1998), num sistema pull e objetiva.
(puxar) cada centro de distribuição decide que
No que diz respeito aos produtos e/ou ser-
quantidade é necessária encomendar e reage à
viços vendidos no mercado, há várias definições
procura sem procurar antecipá-la. Num sistema
para qualidade: “conformidade com as exigências
push (empurrar), é a central de distribuição que
dos clientes”, “relação custo/benefício”, “adequa-
determina as quantidades necessárias para cada
ção ao uso”, “valor agregado, que produtos simi-
centro, desenvolvendo também as previsões da
lares não possuem”; “fazer certo à primeira vez”;
procura.
“produtos e/ou serviços com efetividade”. Enfim,
o termo é geralmente empregado para significar
Planejamento das necessidades de distribui- “excelência” de um produto ou serviço.
ção (DRP) A qualidade de um produto ou serviço
pode ser vista de duas formas: a do produtor e a
O DRP é a aplicação do conceito do MRP à do cliente. Do ponto de vista do produtor, a qua-
distribuição dos materiais, é um processo de ‘im- lidade se associa à concepção e produção de um
plosão’ desde os níveis mais baixos da rede de dis- produto que vá ao encontro das necessidades do
tribuição até à central de distribuição.. cliente. Do ponto de vista do cliente, a qualidade
O estoque é constituído por características está associada ao valor e à utilidade reconhecidas
físicas objetivas, fluxos de bens, e financeiros, flu- ao produto, estando em alguns casos ligada ao
xos de capital, onde a vertente é mais subjetiva. preço.
Estes atributos são normalmente analisados se- Do ponto de vista dos clientes, a qualidade
paradamente de outras questões no interior da não é unidimensional. Quer dizer, os clientes não
organização. A vertente financeira da gestão de avaliam um produto tendo em conta apenas uma
estoque está ligada à necessidade de medir o de- das suas características, mas várias. Por exemplo,
sempenho operacional num determinado perío- a sua dimensão, cor, durabilidade, design, fun-
do de tempo, juntamente com a análise da posi- ções que desempenha etc. Assim, a qualidade é
ção financeira da organização. Os procedimentos um conceito multidimensional. A qualidade tem
contabilísticos para os estoques dividem-se no muitas dimensões e é por isso mais difícil de de-
método da avaliação e no método fluxo de esto- finir. De tal forma, que pode ser difícil até para o
que. cliente exprimir o que considera um produto de
qualidade.
Do ponto de vista da empresa, contudo,
se o objetivo é oferecer produtos e serviços (re-
almente) de qualidade, o conceito não pode ser
deixado ao acaso. Tem de ser definido de forma
clara e objetiva. Isso significa que a empresa deve

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apurar quais são as necessidades dos clientes e, Tradicionalmente as organizações dispõem


em função destas, definir os requisitos de quali- de conjuntos ou sistemas de medidas de desem-
dade do produto. Os requisitos são definidos em penho, direcionadas à avaliação do desempenho
termos de variáveis como: comprimento, largura, financeiro, e às vezes de produtividade. Mas o que
altura, peso, cor, resistência, durabilidade, funções se propõe é que os indicadores de desempenho
desempenhadas, tempo de entrega, simpatia de da qualidade apontem se a organização está sen-
quem atende ao cliente, rapidez do atendimento, do competitiva em relação ao que os clientes de-
eficácia do serviço etc. Cada requisito é em segui- sejam.
da quantificado, a fim de que a qualidade possa Portanto, a nova proposta de utilização de
ser interpretada por todos (empresa, trabalhado- indicadores é de que eles sejam reflexos da orga-
res, gestores e clientes) exatamente da mesma nização como um todo, apontando onde está a di-
maneira. Os produtos devem exibir esses requisi- reção estratégica que a organização deve seguir.
tos, a publicidade se faz em torno desses requisi- Indicadores são modos de representação – tanto
tos (e não de outros), o controle de qualidade visa quantitativa quanto qualitativa – de característi-
assegurar que esses requisitos estão presentes cas e propriedades de uma dada realidade. Em
no produto, a medição da satisfação se faz para outras palavras “É uma característica específica
apurar em que medida esses requisitos estão pre- que reflete um aspecto da realidade observada”.
sentes e em que medida vão realmente ao encon- Quando se trata a respeito de indicadores
tro das necessidades. Todo o funcionamento da qualitativos têm se como exemplos a elaboração
“empresa de qualidade” gira em torno da oferta de questionários ou de perguntas a serem res-
do conceito de qualidade que foi definido. pondidas pelos clientes.
Controle da qualidade, garantia da qualidade
Já em dados quantitativos os exemplos
e gestão da qualidade são conceitos relacionados
mais comuns são os de tempos (de entrega, de
com o de qualidade na indústria e serviços. Gestão
pagamento, de resposta etc.), quantidade de pro-
da qualidade é o processo de conceber, controlar
e melhorar os processos da empresa, quer sejam dutos/serviços, número de informações etc. Com
processos de gestão, de produção, de marketing, o uso de indicadores, um conceito nada novo, mas
de gestão de pessoal, de faturação, de cobrança ou que ainda revoluciona as empresas, foram criadas
outros,enfim de toda a cadeia produtiva. A gestão algumas organizações que propõem estudos e
da qualidade envolve a concepção dos processos uso de indicadores. Também há vários estudiosos
e dos produtos/serviços, envolve a melhoria dos que formularam teorias e soluções práticas sobre
processos e o controle de qualidade. Garantia da este assunto. Segundo Mari (1997), que foi um
qualidade são as ações tomadas para redução de destes estudiosos, “todas as coisas que podem
defeitos. Controle da qualidade são as ações rela- ser acessadas por intermédio de nosso conheci-
cionadas com a medição da qualidade, para diag- mento possuem um número; pois sem os núme-
nosticar se os requisitos estão a ser respeitados e se ros não podemos compreender nem conhecer”.
os objetivos da empresa estão a ser atingidos. Portanto, assim como os indicadores qualitativos,
os quantitativos são essenciais para o progresso
Mensuração da Qualidade organizacional.

Para conhecer o andamento empresarial, é Indicadores estratégicos


necessário estabelecer parâmetros de medidas,
não somente subjetivos, mas que esses facilitem
Com a utilização de indicadores, principal-
o gestor na tomada de decisão. A mensuração da
mente os voltados para definição de estratégias,
qualidade dos produtos e serviços da organiza-
as empresas desfrutam de um conhecimento pro-
ção vem suprir essa necessidade através do uso
fundo do negócio. Possibilita conhecer o foco de
de indicadores.

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sua atuação. Identificando com clareza qual é a serviços. A conscientização para a qualidade e o
sua fortaleza, exploram mais os quadros de opor- reconhecimento da sua importância, tornou a
tunidades empresariais, e de outra forma conhe- certificação de sistemas de gestão da qualidade
cem suas fraquezas, além de preparar-se contra indispensável uma vez que:
as ameaças encontradas.
Sabendo o foco de atuação, a tomada de de- ƒƒ aumenta a satisfação e a confiança dos
cisão quanto a ações estratégicas, táticas e opera- clientes;
cionais são mais assertivas, o que dará a empresa ƒƒ aumenta a produtividade;
uma melhor competitividade e fará com que ela ƒƒ reduz os custos internos;
atenda às necessidades e expectativas de seus
ƒƒ melhora a imagem e os processos de
clientes. Para o acompanhamento dessas ações
modo contínuo;
determinadas, os indicadores são excelentes fer-
ramentas, pois refletem a realidade empresarial. ƒƒ possibilita acesso mais fácil a novos
Dessa forma, caso ocorra alguma dificuldade du- mercados.
rante a realização das ações, o gestor poderá vi-
sualizar as consequências, e com isso estabelecer A certificação permite avaliar as conformi-
mudanças. dades determinadas pela organização através
de processos internos, garantindo ao cliente um
Gestão da qualidade total material, processo, produto ou serviço concebido
conforme padrões, procedimentos e normas.
A gestão da qualidade total (em língua in- Uma organização que se propõe a imple-
glesa “Total Quality Management” ou simplesmen- mentar uma política de gestão voltada para a
te “TQM”) consiste numa estratégia de adminis- “qualidade total” tem consciência de que a sua
tração orientada a criar consciência da qualidade trajetória deve ser reavaliada periodicamente.
em todos os processos organizacionais. É referida
como “total”, uma vez que o seu objetivo é a im- Serviços de segurança de Cadeia Logística
plicação não apenas de todos os escalões de uma (SCSS)
organização, mas também da organização esten-
dida, ou seja, seus fornecedores, distribuidores e
O percurso pelo complicado mundo de
demais parceiros de negócios, ou em outras pala-
cadeias de fornecimentos alargadas e globais
vras “em toda a cadeia de suprimentos”. Compõe-
pode dar origem a problemas de segurança re-
-se de diversos estágios, como, por exemplo, o
lativamente a remessas que percorrem milhares
planejamento, a organização, o controle e a lide-
de quilômetros e são manuseadas por inúmeras
rança. A Toyota, no Japão, foi primeira organiza-
pessoas e organizações, muitas vezes utilizando
ção a empregar o conceito de “TQM”, superando
vários meios de transporte.
a etapa do fordismo, onde esta responsabilidade
Com o C-TPAT, AEO, BASC e várias outras
era limitada apenas ao nível da gestão. No “TQM”
iniciativas de segurança governamentais imple-
os colaboradores da organização possuem uma
mentadas para dar segurança à cadeia logística,
gama mais ampla de atribuições, cada um sendo
conhecer e entender todos os requisitos pode
diretamente responsável pela consecução dos
constituir um verdadeiro desafio.
objetivos da organização. Desse modo, a comu-
nicação organizacional, em todos os níveis, torna-
-se uma peça-chave da dinâmica da organização.
Tem sido amplamente utilizada, na atualidade,
por organizações públicas e privadas, de qual-
quer porte, em materiais, produtos, processos ou

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O que são os SCSS?

Os Serviços de Segurança de Cadeias de


Fornecimentos (SCSS) são um tipo de serviço no
qual os importadores, exportadores, fabricantes e
outros envolvidos na logística das mercadorias na
cadeia logísticas podem confiar para simplificar o
processo complicado.
O serviço pode igualmente proporcionar
aos clientes maiores lucros pelo fato de as merca-
dorias chegarem ao mercado de forma mais rápi-
da e com maior confiabilidade.

Quais são os principais benefícios?

ƒƒ Confiabilidade e segurança e melhora-


da da cadeia logísticas;
ƒƒ Simplificação dos processos de seguros;
ƒƒ Reduz o número e a duração das inspe-
ções nos portos de destino e trânsito;
ƒƒ Despacho mais rápido das mercadorias;
ƒƒ Reduz os atrasos.

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