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DIREITO II

1. Direito Público: existe uma parte que tem mais poder, mais direitos que outra, isto é, poder exorbitante,
por exemplo, o Estado. Neste processo não é necessário pôr uma ação em tribunal, o Estado tem o direito de
desencadear processos, por exemplo, para obter o que alguém lhe deve. Tal acontece porque o Estado visa
satisfazer necessidades/interesses públicos.

2. Direito Privado: como característica principal, as duas partes estão em pé de igualdade, isto é, o
fundamento do direito privado é a igualdade. Quando uma das partes tem um direito a outra parte tem o dever.
Por exemplo, ao comprar uma coisa, tenho o dever de pagar e a outra parte tem o direito de receber. A pessoa
que pagou e não recebeu o bem tem exatamente o mesmo direito do que a pessoa que deu o bem, mas não
recebeu o dinheiro, ou seja, igualdade de ambos.

 A base do Direito Privado é o Direito Civil. Antigamente, tudo era resolvido através do Direito
Civil. Mais tarde, muitas pessoas começaram a dedicar-se ao comércio e a partir daí surgiram muitas questões
que o Direito Civil já não conseguia resolver. Assim, surgiu o Direito Comercial.

Direito Comercial

 Considerado um direito próprio dos comerciantes. Aplica-se aos atos de comércio, seja por um comerciante
ou não. Regula a organização criada pelo comerciante para através dela exercer a sua atividade comercial.

Conceção Subjetivista:
 O ponto de especificidade do Direito Comercial era o facto de regular relações entre comerciantes.
Refere-se ao sujeito. O que distingue os atos são os sujeitos, ou seja, os comerciantes.

Conceção Objetivista:
 Começaram a focar-se no ato, no objeto.
 Um ato é considerado ato de comércio quando o legislador assim o diz. Não existem pressupostos que
classifiquem o ato como comercial.
 Além do que a lei prevê são também atos de comércio os contratos e obrigações dos comerciantes, que não
forem de natureza exclusivamente civil (a não ser que o próprio ato indique que é civil).
 Temos de analisar se aquele ato é ou não exclusivamente civil. Se não for então é comercial. Temos de
procurar indícios que identifiquem a natureza do ato.

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Conceção Empresarialista:
 Diz que a teoria do ato não é muito fácil de aplicar. Volta a reger-se pelo sujeito, no entanto, um sujeito
diferente do anterior.
 Vê o comerciante como pessoa coletiva, mais do que a pessoa em si, é uma organização.
 A pessoa exerce o comércio, no entanto para o Direito Comercial, é a organização que o está a fazer.
 O Direito Comercial atua sobre os atos praticados por esta organização, estes que ditam o funcionamento
da organização.
 Não tem expressão legal.

Artigo 1º  Objeto da Lei Comercial


Código Comercial Artigo 2º  Noção de Atos de Comércio
Artigo 3º  Critério de Interpretação e Integração

Fontes do Direito Comercial (Artigo 3º do Código Comercial)

 O Direito Comercial é um Direito especial. No Direito, a norma geral é o


Código Civil, mas em determinadas situações as necessidades dos comerciantes já
não podem ser satisfeitas pelo Código Comercial. Primeiro, vamos sempre às
normas do Direito Comercial, se resolver ótimo, se não, vamos ao Código Civil.

Exemplo: Pode-se estacionar em todos os locais onde não é proibido, isto é, regra geral. O sinal de proibido
estacionar é uma regra excecional. Em alguns locais só alguns é que podem estacionar, ou seja, regra especial.

 Na prática quando há um problema, há que raciocinar do especial para o geral, ou seja, do Comercial para
o Civil. Se não existir nenhuma norma no Comercial para resolver, vamos ao Civil. Partir sempre do
Comercial!

Liberdade de Exercício da Atividade Económica

 Liberdade dos particulares exercerem a atividade económica.

1. Liberdade de Contratar: liberdade de celebrar o contrato que eu quiser, com quem quiser e estabelecer as
condições que eu e o meu cocontratante acordarmos.

1.1 - Liberdade de Celebrar Contratos


1.2 - Liberdade de Escolher o cocontratante Direitos Corolários

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1.3 - Liberdade de Conteúdo
2. Liberdade de Iniciativa Económica: liberdade de exercer qualquer atividade económica (reunidos os
pressupostos de determinada área podemos exercê-la). Liberdade de criar qualquer empresa, gerir qualquer
empresa.

3. Liberdade de Concorrência: o Estado tem de garantir que a concorrência se faça de forma sã.

Empresas Comerciais (Artigo 230º do Código Comercial)

A empresa enquanto…
1. Sujeito: refere-se ao comerciante, alguém que reúne os fatores, que os gere e exerce a atividade económica.
2. Atividade: descreve as atividades exercidas pelo sujeito como empresa.
3. Objeto: fatores que o comerciante organiza, reúne e gere para exercer a atividade.
(Exemplo: bolos, balcão, mesas, máquinas…)
4. Conjunto Ativo de Elementos ou Instituição: a empresa mais que o objeto, relaciona-se com o contexto
envolvente e “interage” com ele. Todos estes elementos mudam (ativos), o que implica que a empresa mude.

NOTA: Quando a empresa é transmitida, mantém-se todos os direitos dos seus trabalhadores, bem como
outros aspetos. A instituição mantém-se sempre a mesma. Mesmo que a empresa mude a sua atividade, se
existir dívidas, a dívida continua a existir, uma vez que a empresa continua vinculada aos mesmos direitos e
deveres.

 Na atividade comercial existe sempre um sujeito (comerciante), o elemento patrimonial utilizado (objeto) e
o elemento funcional (função), para alguém obter lucro.

Estabelecimento Comercial

 Conjunto de elementos, que fazem sentido comercial, reunidos pelo comerciante sobre os quais este tem o
poder jurídico e que através da sua gestão o comerciante exerce a sua atividade comercial. O estabelecimento
comercial vai-se alterando conforme divergem os elementos que o compõem. A sua natureza tem a ver com os
elementos que o compõem.

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Estabelecimento Comercial ≠ Local
 Ao alterarmos os elementos que compõem o estabelecimento comercial, a empresa continua a ser a mesma,
mas o estabelecimento comercial é outro, de natureza diferente.
 O comerciante gere os elementos para exercer a sua atividade e posteriormente criar lucro.

Fatores de Produção: conjunto de elementos que o comerciante reúne.


Local: pode ser um elemento do estabelecimento comercial. Existem atividades que não têm local fixo. Se o
local for propriedade do comerciante, este é considerado um elemento do estabelecimento comercial.

Elementos do Estabelecimento Comercial

1. Elementos Corpóreos: todos os elementos do estabelecimento comercial que se traduzem em algo


palpável.

2. Elementos Incorpóreos: todos os elementos do estabelecimento comercial que não se traduzem em algo
palpável, ou seja, algo que não se materializa (exemplo: direitos e obrigações…).

3. Clientes: são um elemento do estabelecimento comercial. Por um lado, é um elemento importantíssimo,


mas por outro nada nos garante que exista. Todo o Direito Comercial visa proteger a clientela e dar segurança
ao comerciante de que pode tê-la. O Direito Comercial procura assegurar que o comerciante tem direito a ter
clientela de forma livre e legal.

4. Aviamento: maior ou menor suscetibilidade do estabelecimento comercial gerar lucro. Normalmente tem a
ver com os elementos anteriores e com a forma como estes estão organizados. É um elemento fundamental
para a valorização do estabelecimento comercial. É mensurável (os elementos em conjunto com a gestão e o
nome, traduzem-se em valor). Constitui um dos elementos mais importantes!

5. Local: o local pode ser corpóreo ou incorpóreo. Se o local for propriedade de quem explora o
estabelecimento comercial então é corpóreo, porque o proprietário tem direitos de propriedade sobre aquele
imóvel. Se não for de quem explora o estabelecimento comercial, o que é elemento do estabelecimento
comercial não é o local em sim, mas sim os direitos e deveres no âmbito do contrato, logo é incorpóreo.

 A conjugação/gestão destes elementos, com o objetivo de ter lucro, formam o estabelecimento


comercial.

 Para sabermos se temos um estabelecimento comercial e a sua natureza temos de analisar os elementos
agrupados. Podemos retirar elementos até ao ponto em que descaracterizamos o estabelecimento comercial, de

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tal forma que ele altera a sua natureza ou deixa de existir. Existe um número mínimo de elementos e é
diferente de estabelecimento para estabelecimento.

Âmbito Mínimo: conjunto de elementos mínimos que nos permitem identificar que estamos na presença de
um estabelecimento comercial e qual a sua natureza.
 O estabelecimento comercial é um bem jurídico sobre o qual incidem negócios jurídicos, daí que
seja importante perceber quando temos âmbito mínimo ou não.

Natureza Jurídica do Estabelecimento Comercial

 O Direito só reconhece pessoas, coisas, direitos e deveres.

(Artigo 202º ao 206º do Código Civil)

Coisa Simples: formada apenas por uma coisa indivisível.


Coisa Composta ou Universalidade: coisa composta por várias individualidades que quando se juntam
formam outra coisa e têm entre si um nexo funcional.

 Conjunto de coisas pertencentes ao mesmo titular e afeto à mesma atividade, formam uma coisa composta
ou universalidade.

Estabelecimento Comercial:

 O estabelecimento comercial é uma coisa composta (universalidade). Cada um dos elementos é uma coisa
simples (individualidade), mas todos juntos passam a ser uma coisa composta. O estabelecimento comercial é
uma coisa móvel, ainda que do estabelecimento comercial faça parte o local, que é imóvel. O estabelecimento
comercial é sempre um elemento incorpóreo, uma vez que é possível mudar todos os seus elementos
corpóreos e este continua a ser o mesmo.

Estabelecimento Comercial  Coisa Composta  Coisa Móvel  Elemento Incorpóreo

Negócios Jurídicos Aplicados a Estabelecimentos Comerciais

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1. Permuta
2. Doação
3. Dação em Pagamento ou Cumprimento
4. Compra e Venda
1. Permuta: diz respeito a uma troca.

3. Dação em Pagamento ou Cumprimento: alguém que já teve um sacrifício antes e a outra pessoa entrega
algo em forma de pagamento, isto é, dou alguma coisa em pagamento de uma obrigação. Pode ser aplicado
aos estabelecimentos comerciais.

 Todos estes negócios quando se referem ao estabelecimento comercial dividem-se em dois grandes grupos:
locação e trespasse.

Trespasse (Artigo 1112º do Código Civil)

 Transmissão definitiva e entre vivos (tem efeito durante a vida da pessoa) de um estabelecimento
comercial. O âmbito mínimo tem de ser transmitido para haver trespasse.

Mortis Causa: negócio que vai ter efeito depois da morte da pessoa (exemplo: testamento…).

 Pode existir trespasse em local próprio/arrendado ou mesmo sem que exista local fixo.
 Só existe trespasse se a pessoa comprar e continuar a exercer a mesma atividade.

 Durante muito tempo as rendas ficaram congeladas. As pessoas que tinham bons locais trespassavam-nos a
preços exorbitantes. Mais tarde, as rendas foram atualizadas e os trespasses deixarem de ser tão interessantes.
Muitos dos problemas com o trespasse aparecem devido ao arrendamento do local.

Exemplo: A pode transmitir o estabelecimento a B sem dependência de C, este é obrigado a aceitar, mas tem
de lhe ser comunicado. Com o trespasse tem de se manter o âmbito mínimo. Quando não é mantido o âmbito
mínimo, ou seja, só é mantido o local, não há trespasse, apenas se transmite a posição contratual. Neste caso
tem que haver consentimento do senhorio.

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 Não se pode trespassar se for para exercer outra atividade. Desde que a mudança de ramo não seja uma
simulação, desde que o negócio seja explorado algum tempo, pode alterar-se a natureza do estabelecimento
comercial.
 No caso de haver simulação relativa (ambas as partes chamarem de trespasse, mas não o ser), o trespasse é
nulo e o senhorio terá de dar a sua aprovação, quanto à cessão de posição contratual. A lei não exige
autorização, mas exige que o negócio seja comunicado ao senhorio.

Forma do Trespasse: a forma obrigatória do trespasse é a forma escrita e tem de ser comunicado ao senhorio
(Artigo 1112º do Código Civil, nº3).

NOTA: Artigo 1083º, nº 2 (alínea e) do Código Civil.

Direito Por Preferência (Artigo 414º do Código Civil)


 Direito que alguém tem de tomar parte de um negócio de forma preferente a outra, isto é, obriga alguém,
em caso de transmissão, a dar preferência a outrem. Só se aplica no trespasse por compra e venda e na dação
em pagamento.

 A é obrigado a dar preferência a C. Deve comunicar-se as condições e C escolhe exercer ou não o direito
de preferência. Para exercer o direito de preferência tem o prazo de 8 dias (Artigo 416º do Código Civil).

 A parte prejudicada (o contrato tinha condições diferentes do comunicado, ou não foi comunicado) tem o
direito de até 6 meses, após descobrir, pôr uma ação em tribunal, isto é, ação de preferência contra B, pois é
este que tem o estabelecimento comercial no momento, e exigir o pagamento nos 15 dias seguintes.

 O senhorio tem o direito de preferência no trespasse por venda ou dação em pagamento. Na doação não há
direito de preferência, mas tem de lhe ser comunicado. Se não for, aplica-se as leis do arrendamento.

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NOTA: É obrigação do locatário comunicar ao locador em 15 dias a cedência de posição (Artigo 1038º do
Código Civil). Quando não existe comunicação aplica-se o nº2, alínea e, do Artigo 1112º do Código Civil, ou
seja, o senhorio pode resolver o contrato, isto é, acabar com o contrato, porque a cessão foi ineficaz para o
senhorio, uma vez que ele não sabia da ocorrência.

Locação (Artigo 1109º do Código Civil)

 Cedência do uso e da fruição (frutos) do estabelecimento


comercial por um período determinado de tempo, com
contrapartida económico, sendo que esta normalmente é uma
renda.

 A diz a B que pode explorar o seu estabelecimento durante 5 anos se lhe pagar uma renda. Aqui, a
transmissão é temporária.

Condições:

1  O que deve ser transmitido com o negócio é o estabelecimento.


2  Transmissão do todo, pelo menos o âmbito mínimo.
3  Até ao fim do contrato deve ser explorado o mesmo estabelecimento comercial.
4  Tem de ser celebrado por escrito.

 Neste contrato os funcionários (direitos e deveres) mantém-se. Na locação de estabelecimento comercial


nunca há direito de preferência. Quando há um senhorio este não tem de autorizar o contrato de locação,
mas deve ser lhe comunicado no prazo de 1 mês. Se não for comunicado neste prazo viola o Artigo 1038º,
alínea g. É fundamento para acabar com o contrato de arrendamento (negócio ineficaz para o senhorio) a
violação do Artigo 1038º, alínea g, segundo o Artigo 1083º, alínea e.

NOTA: A locação permite usar o estabelecimento e ficar com os frutos.

ATENÇÃO: Quando os casos práticos têm datas é para ter atenção!

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Comerciante (Artigo 13º do Código Comercial)

 Pessoas singulares que exercem uma atividade comercial e sociedades comerciais, que são as únicas
pessoas coletivas que são consideradas comerciantes.

Pressupostos:

1- Personalidade Jurídica (Artigo 60º do Código Civil)


2- Capacidade de exercício (Artigo 7º do Código Comercial)
3- Prática de atos de comércio
4- Profissionalidade
5- Em nome e por conta do comerciante

2- Capacidade de exercício: qualquer pessoa que tenha capacidade para praticar negócios jurídicos, tem
capacidade para o exercício de comércio. A capacidade de exercício é a medida de direitos e deveres que
somos capazes de exercer pessoal e livremente.

4- Profissionalidade: fazê-lo profissionalmente. Ter uma atividade habitual como comerciante, mas não tem
de ser exclusivamente comerciante.

Obrigações dos Comerciantes (Artigo 18º do Código Comercial)

 Obrigações que o Código Comercial determina que os comerciantes têm de cumprir.

1. Firma: nome pelo qual o comerciante exerce a sua atividade (nome que se apresenta ao público, do
comerciante e não do estabelecimento comercial). É obrigatório para comerciantes singulares e coletivos.
Pode ser o nome do comerciante, da atividade exercida ou “firma fantasia”. Se for em nome individual tem de
ter o nome do comerciante obrigatoriamente e pode ter a atividade exercida. Se for um comerciante pessoa
coletiva, a firma tanto pode ter o nome, a atividade ou a firma fantasia. A firma tem de ser sempre algo
nominativo e não figurativo (Artigo 10º do Código Comercial).

Princípios da Constituição da Firma:

1. Verdade: a firma deve corresponder à situação real do comerciante a quem pertence, não podendo incluir
elementos suscetíveis de falaciar ou provocar confusão quanto à identidade do comerciante, ao objeto de
comércio e, nas sociedades, quanto ao tipo. Todas as informações que a firma contém têm de ser reais e
verdadeiras.

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2. Novidade ou Exclusivo: as firmas e as denominações devem ser distintas e não suscetíveis de confusão ou
erro com as registadas ou licenciadas no mesmo âmbito de exclusividade, mesmo quando a lei permita a
inclusão de elementos já utilizados por outras já registadas ou com designações de instituições notoriamente
conhecidas.

 Quando se colocam duas firmas em análise, temos de perceber se o consumidor normal pensará
que a firma pertence a outra, se são confundíveis, se são o mesmo produto ou serviço, ou se estão
relacionadas. Embora possa haver confundibilidade, se as áreas forem distintas, esta não é tão elevada.

 Para além das firmas terem de ser novas, o registo garante o direito exclusivo à utilização da firma,
como tal, pode impugnar qualquer firma que possa ser confundível com a registada. Nas sociedades
comerciais, o direito de exclusividade abrange todo o país, quando é comércio em nome individual abrange
apenas o concelho, exceto que este requeira uma área maior.

3. Princípio da Unidade: qualquer comerciante (individual ou sociedade) apenas pode utilizar na sua
atividade uma única firma.

Firma (distinguir o comerciante) ≠ Marca (distinguir o produto)

2. Escrituração Mercantil: registo de todos os factos que podem influir nas operações e na situação
patrimonial dos comerciantes. Para além da contabilidade são todos os outros registos de operações
comerciais, dos comerciantes. É obrigatório que todos os comerciantes mantenham a escrituração e de forma
organizada. É um importante meio de prova dos factos que relata (operações comerciais). Os comerciantes
que tiverem a sua escrituração, fazem prova do que for bom para si ou mau. Se um comerciante tiver a
escrituração organizada e outro não tiver, este último não pode fazer prova de nada positivo com a sua
escrituração (Artigo 29º ao 44º do Código Comercial).

NOTA: A escrituração também serve para liquidação de impostos e como meio de prova para investigação de
terceiros, ou seja, entidades fiscais. O comerciante deve manter a sua escrituração durante 10 anos (a partir de
cada ato). Mesmo que a empresa acabe é nomeada uma pessoa que tem o dever de manter a escrituração por 5
anos (livro de atas, livro de faturas, contratos…).

3. Obrigação do Balanço: indicação da situação patrimonial da empresa em determinado momento. A lei


obriga a pelo menos um balanço por ano referente a 31 dezembro. Este deve ser aprovado pelos sócios no
primeiro trimestre.

4. Registo Comercial: todos os comerciantes têm a obrigação de estar inscritos na conservatória do registo
comercial referente à sua área de sede. Em nome individual, o registo deve ser feito quando começa a
atividade quando acaba. Nas sociedades existe a necessidade de serem registados mais facto (quem são os
sócios, capital social…).

 Para as sociedades comerciais o registo é obrigatório e tem um efeito constitutivo. Esta só ganha
personalidade jurídica (nasce) após o seu registo.

Regime Jurídico do Comerciante Casado

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1. Comunhão geral: todo o património que tinham antes e todo o que adquirem depois do casamento,
pertence ambos. Cada um apenas tem direito à meação, isto é, “quota ideal”, que se apura quando o casamento
acaba.

2. Separação de bens: todos os bens são próprios de cada um.

3. Comunhão de adquiridos: todos os bens adquiridos antes são de cada um. Todos os bens adquiridos
depois do casamento são de ambos.

 Qualquer um dos cônjuges tem a legitimidade para contrair dívidas sem o consentimento do outro. Isto
aplica-se aos regimes de comunhão geral e de adquiridos (Artigo 1690º do Código Civil).

Dívidas Solidárias (Artigo 512º do Código Civil): quando existe um credor e este tem dois devedores, se a
dívida for solidária o credor pode exigir a totalidade a qualquer um dos dois.

Artigos 1691º e 1692º do Código Civil:

 Quando as dívidas responsabilizam os dois cônjuges (comunhão geral ou de adquiridos), o credor primeiro
vai buscar à meação. Se for insuficiente vai buscar a um dos cônjuges.

 Se o cônjuge for comerciante e contrair uma dívida no âmbito


do comércio, a dívida é comum, salso se se provar que não foram
contraídas no proveito comum (exemplo: empréstimos, escola
dos filhos…) ou se vigorar entre os cônjuges a separação de bens.

Sociedades Civis e Comerciais

Sociedade Civil: têm como objeto atividades que não são consideradas comerciais.

Tipos de Sociedades Comerciais:

1. Sociedade por quotas  LDA/Limitada


2. Sociedades Anónimas  SA
3. Sociedades em Nome Coletivo  & companhia / C&A
4. Sociedades em Comandita  em comandita

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Sociedades Comerciais (Artigo 1º do Código Comercial)

 Sociedade que tem por fim uma atividade comercial com vista ao lucro. É uma pessoa jurídica, com
personalidade jurídica e com capacidade de exercício. Como tal, tem direitos e deveres. Deve exercer-se uma
atividade comercial através de uma sociedade comercial e não em nome individual. Quando se exerce uma
atividade em nome individual todo o património da pessoa que a exerce está em risco.

Artigo 980º do Código Civil: Pressupostos

 Negócio jurídico bilateral!

1º Elemento Pessoal: duas ou mais pessoas que sejam as que criam a empresa, as quais designamos de
sócios.

Sociedades Unipessoais (Artigo 270º C do Código Comercial) podem ser constituídas apenas por um
sócio. Tem de conter: unip., LDA ou unipessoal, LDA. Cada comerciante só pode ter apenas uma sociedade
unipessoal.

 Pode ser sócio de outras sociedades, desde que seja pluripessoal. Não pode existir sociedades
unipessoais em cadeias, ou seja, uma sociedade unipessoal não pode ser sócia de outra unipessoal, de modo a
não perder a noção de responsabilidade.

Unipessoalidade originária  sociedade unipessoal desde a sua origem.

Unipessoalidade superveniente  sociedade unipessoal formada depois.

 Problema das sociedades comerciais: assenta na falta de clareza entre o negócio da sociedade e o sócio
único. O que responsabiliza o sócio e o que anula o negócio é o que está relacionado com as regras que estão
no artigo. As regras constam no Artigo 270º F do Código Comercial.

 O negócio entre a sociedade e o sócio único devem pelo menos beneficiar a sociedade. Se não exigir forma
deve ser pelo menos de forma escrita. Os registos dos negócios devem estar guardados e podem ser
consultados por pedido de qualquer credor.

2º Elemento Patrimonial: nas sociedades comerciais, as pessoas só põem determinado património em causa,
o que desejarem. A obrigação de entrada é quando os sócios se obrigam a entrar para a sociedade com um
determinado património. Este tem que ser avaliável e que tenha valor! (Artigo 20º do Código Comercial)

 Nas sociedades anónimas pode diferir 70%, enquanto que nas sociedades por quotas pode diferir
100% (Artigo 277º do Código Comercial).

- Ação Declarativa: declarar que uma pessoa tem de cumprir com o deu “dever” em relação à outra.
- Ação Executiva.

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 Todos os sócios têm que entrar para a sociedade comercial com património que seja suscetível de penhor,
isto é, possibilidade de apreensão dos bens. Existem bens que não são suscetíveis de penhora, tais como, bens
sem valor e bens indispensáveis à economia familiar (exemplo: panelas, colchão…).

 Em determinadas sociedades (nome coletivo e em comandita) pode haver sócios de indústria, ou seja,
sócios que em vez de entrarem com bens, entram com o seu trabalho.

 No seu conjunto, esse património vai formar o fundo comum, que vai permitir à sociedade comercial
exercer uma atividade.

 Entrada de cada sócio: define a proporção que cada sócio tem na sociedade. Essa proporção tem
implicações em muitas coisas.

Capital Social: conjunto de entradas dos vários sócios. Tem como objetivo proteger a confiança/segurança
que terceiros têm á sociedade, em relação á sua solvabilidade.

 Valor que nos permite identificar maior ou menos grau de solvabilidade da empresa.
 Apesar de parte desse dinheiro poder ser gasto, deve ser reposto. A sociedade deve ter no mínimo o
valor do capital social.
 O valor patrimonial não pode ser menos de metade do valor do capital social (Artigo 35º do
Código Comercial). Caso seja, a sociedade tem de convocar uma assembleia geral e tomar uma das decisões:
injetar valor patrimonial, reduzir o capital social ou dissolver a sociedade.
 Não podem ser distribuídos lucros que prejudiquem o capital social.
 O valor mínimo de capital social é 1€ para as sociedades por quotas e 50 000€ para as sociedades
anónimas.
 Um sócio pode diferir a obrigação de entrada, desde que o capital mínimo social esteja equilibrado.

3º Elemento Finalístico: o fim de uma sociedade comercial é exercer determinada atividade comercial, que
não seja de mera fruição. Pressupõe-se que implique uma atividade regular, não apenas com o objetivo de
receber lucros. As sociedades têm que ter uma atividade que passe por gerar utilidade, acrescentar algo.

4º Elemento Teológico: fim último de qualquer coisa. O fim último de uma sociedade é sempre dar um lucro
e distribuí-lo pelos sócios. Se no fim do exercício, existir lucro, surge um direito para os sócios, isto é, direito
ao dividendo.

 Lucro: qualquer benefício que a sociedade possa dar aos seus sócios para este efeito. Tem de ser superior
aos custos e a ao capital social. Os sócios têm o direito a receber os dividendos quando há lucro, ou seja,
direito fundamental dos sócios. Este designa-se de direito de quinhoar (parte de um todo atribuível a alguém)
os lucros. Atribuível consoante a parte que o sócio possui na empresa (parte do capital social).

 Este direito não pode ser retirado aos sócios. Estes apenas podem receber menos se for deliberado
pelo conjunto dos sócios, isto se não afetar os 50%.

 Se for menos de 50% (do que tem direito) tem de ser aprovado por ¾ dos sócios.

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 A sociedade comercial nasce tendo apenas uma razão de ser, o exercício do comércio. Apesar de ser uma
pessoa jurídica, a sua capacidade jurídica apenas serve para a prática do exercício do comércio.

 Quando os sócios escolhem um tipo de sociedades, existe um conjunto de regras que têm que adotar.
Quando se constitui uma sociedade é obrigatório escolher um tipo.

1. Sociedades por Quotas:


 Participação social de um sócio (quota).
 A importância do sócio é maior do que nas sociedades anónimas.
 Não se materializa em documento nenhum.
 Dívidas entre sócios: os sócios são responsáveis por essas dívidas. Os sócios são também responsáveis
pelas dívidas de outros sócios da sociedade.
 Os sócios não são responsáveis por dívidas a terceiros. É a sociedade a responsável, e esta responde com o
seu património. A sociedade não pode exigir que os sócios paguem as dívidas. Os sócios só podem pagar
dívidas, se estiver declarado no contrato. Isto designa-se de responsabilidade limitada.

2. Sociedades Anónimas:
 Tem de ser fundada com o mínimo de 5 acionistas.
 Os sócios chamam-se acionistas.
 O acionista não tem tanta importância no dia a dia da empresa.
 O responsável é o gestor profissional.
 Utilizada para investimentos de um montante elevado.
 Sociedade de Capitais  Sociedades Anónima
 Participação do acionista é uma mera parte do capital social.
 As ações estão tituladas em papel.
 Os acionistas não são responsáveis por dívidas nenhumas.
 Se um acionista não entrar com o devido, não recebe essas ações correspondentes a esse valor.
 Dívidas a terceiros: os acionistas não são responsáveis nunca, apenas a sociedade.

3. Sociedades em Nome Coletivo:


 Os sócios designam-se participação social.
 Os sócios podem entrar com capital ou com serviços (sócios de indústria).
 Se não existir sócios a entrar com capital a sociedade não tem capital social.
 Dívidas entre sócios: sócios que entram com capital são responsáveis pelos outros sócios que entram com
capital.
 Dívida a terceiros: a sociedade é responsável pela dívida. Se a sociedade não tiver como pagar (todo ou
parte), o credor pode subsidiariamente ir exigir aos sócios (responsabilidade subsidiária em relação á

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empresa). Quando o credor exige aos sócios, corresponde a uma responsabilidade solidária (entre sócios). Esta
é também ilimitada.

4. Sociedades em Comandita:

 Sócios comanditados (quer na simples ou por ações) aplicam-se as regras de responsabilidade das
sociedades coletivas.

 Numa sociedade em comandita tem de existir sempre sócios comanditados e comanditários.

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