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Apontamentos de Iniciaçã o à Investigaçã o Científica 1

Introdução a Investigação Científica


1.O QUE É PESQUISA/ INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA?
"Pesquisa é um conjunto de ações, propostas para encontrar a solução de um problema, que
têm por base procedimentos racionais e sistemáticos. A pesquisa é realizada quando se tem
um problema e não se tem informações para solucioná-lo" (BOAS, 2007)
1
De acordo com as definições apresentadas pelo Dicionário da Língua Portuguesa da Porto
Editora acerca da palavra “investigar” (do latim investigare), este verbo refere-se à ação de
seguir os vestígios de algo ou alguém. Também faz referência à realização de atividades
intelectuais e experimentais de modo sistemático (pesquisar), com o objectivo de ampliar os
conhecimentos sobre uma determinada matéria.
Nesse sentido, pode-se dizer que uma investigação é a procura de conhecimentos ou de
soluções para certos problemas. Cabe destacar que uma investigação, mais concretamente na
área científica, é todo um processo sistemático (são recolhidos dados a partir de
um plano previamente estabelecido que, uma vez interpretados, modificarão ou acrescentarão
conhecimentos aos já existentes), organizado (é necessário especificar os detalhes
relacionados com o estudo) e objectivo (as suas conclusões não assentam em impressões
subjectivas, mas sim em factos que tenham sido observados e avaliados).
Michel (2015, p.5) salienta que uma pesquisa é considerada científica se a sua realização for
objeto de investigação planificada, desenvolvida e redigida conforme normas metodológicas
aceites pelos órgãos reguladores.
Similarmente, Ruiz (2008); De Andrade (2008); consideram que pesquisa científica é a
realização concreta de uma investigação planificada, desenvolvida e redigida de acordo com
as normas metodológicas consagradas pela ciência.

De Andrede (2008) considera que pesquisa científica é um conjunto de procedimentos


sistemáticos, baseados no raciocínio lógico, que tem por objectivo encontrar soluções para os
problemas propostos, mediante o emprego de métodos científicos.
Sendo assim podemos compreender como características da pesquisa, a planificação e
aplicação de normas previamente acordadas pela ciência ou um ramo da ciência, no
estudo de um fenómeno, com vista resolver um problema (pesquisa aplicada) ou para simples
conhecimento (pesquisa pura).
Para Medeiros (2003) a pesquisa científica divide-se em pura e aplicada e sua finalidade
principal é concorrer para o progresso da ciência.
1
https://conceito.de/investigacao
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1.1. Finalidades da Investigação Científica


De Andrade (op. cit., p.2) classifica as finalidades da pesquisa científica em dois grupos:
1o – tem por objectivo a satisfação do desejo de adquirir conhecimentos (ciência pura) e; Ex.
Como vivem as formigas
2o – tem por finalidade as aplicações práticas (ciências aplicadas e tecnológicas); Ex. Como
evitar a propagação das doenças contagiosas em suínos?
Ainda na sua óptica, a pesquisa pura, realizada por cientistas, é movida por razões de ordem
intelectual, cujo objectivo é alcançar o saber, descobrir teorias dos factos e pesquisa aplicada,
voltada para fins práticos (com objectivo de solucionar problemas concretos). Não constituem
duas áreas estanques, exclusivos entre si. A pesquisa pura pode proporcionar conhecimentos
passiveis de aplicação prática enquanto a pesquisa aplicada, pode resultar na descoberta de
princípios científicos que promovam o progresso da ciência em determinada área2.
Richardson et.al (2012, p.16), destaca três finalidades da pesquisa científica: resolver
problemas (pesquisas que pretendem resolver problemas práticos); gerar teorias (pesquisas
que procuram descobrir relações entre fenómenos) e testar teorias (hipóteses) (consistem em
testar empiricamente as teorias existentes).

1.3. Metodologia Científica


Michel (2015, p.34-35) destaca que “enquanto a ciência se propõe a entender a realidade, a
metodologia se preocupa em estabelecer formas de como se chegar a ela, através da pesquisa
científica.
A metodologia científica é a busca da verdade num processo de pesquisa ou aquisição de
conhecimentos, um caminho que utiliza procedimentos científicos, racionais normalizados e
aceitos pela ciência.
Ela é o tratado de métodos, conjunto de métodos e técnicas utilizados numa investigação,
numa ação; conhecimento geral e habilidades necessárias ao pesquisador para se orientar no
processo de investigação, etc. (Idem).
Para Ramos & Naranjo (2013: 13), metodologia científica é a ciência que estuda como se
conduz cientificamente a investigação, é a via de solução sistemática dos problemas de
investigação; A metodologia constitui a doutrina do método científico e de transformação do
mundo.

2
Ibid., p.3
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A metodologia é a ciência que nos enina a conduzir determinado processo de maneira


eficiente e eficaz para alcançar os resultados desejados e tem como objectivo dar-nos a
estratégia a seguir no processo. Ela é uma ciência que habilita o investigador com um serie de
conceitos, princípios, métodos e leis que lhe permitem canalizar o estudo verdadeiramente
científico do objecto em causa.
A metodologia científica inclui o estudo geral e sistemático (epistemológico) dos métodos de
aquisição do conhecimento e de transformação da realidade (Idem).

1.3.1. Método científico


É o modo de abordar a realidade, de estudar os fenómenos da natureza, a sociedade e o
pensamento com o propósito de descobrir a sua essência e as suas relações; é a estrutura do
processo de investigação científica para enriquecer a ciência, (Ramos & Naranjo, 2013, p.14).
Para Marconi & Lakatos (2011), “não há ciência sem emprego de métodos científicos”.
Sendo assim, métodos vai ser o caminho pelo qual se chega a um determinado resultado; é a
forma de proceder ao longo do caminho; é a ordem que se deve impor aos diferentes
processos necessários para atingir um fim dado; é um procedimento regular, explicito e
passível de ser repetido para conseguir-se alguma coisa; etc.
Leituras complementares
3
Porque é preciso tanto rigor nos Métodos ?
Imagine que você queira saber qual terapia é mais eficaz para o tratamento de uma pessoa com
depressão. Um modo de fazer isso seria perguntando para pessoas que tiveram depressão e passaram
por terapia qual foi o método que fez com que elas fossem curadas. Mas o que aconteceria se por
acaso a primeira pessoa que você pergunta te disser que a terapia A foi mais eficaz e a segunda pessoa
te disser que a terapia B foi mais eficaz? Como você decidirá qual é a mais eficaz?
Você pode perguntar para mais pessoas, certo? Mas quantas pessoas seriam necessárias? E como você
poderia garantir que a Terapia A e a Terapia B foram idênticas para todas as pessoas, que todos os
terapeutas tinham a mesma experiência no manejo da terapia e que todos os pacientes tinham o mesmo
tipo de depressão?
Agora imagine se o seu colega tem a mesma questão que você, mas ao invés de perguntar a pacientes
ele resolva atender metade de seus pacientes usando a terapia A e a outra metade ele usa a terapia B.
O que você acha? Isso resolveria o problema de que os terapeutas tivessem níveis de experiência
diferentes certo? Mas como garantir que todos os pacientes eram iguais em seu nível de depressão?
Como saber se os pacientes que foram designados para um tipo de terapia já não estavam melhores do
que os outros? Como garantir que seu colega era igualmente capaz de usar a Terapia A e a Terapia B?
Você percebe como essas coisas podem afetar as suas conclusões sobre qual é o melhor tipo de
terapia? Por esta razão é preciso ter o domínio de métodos de pesquisa, para saber exatamente como
você deve conduzir suas pesquisas de modo que os resultados sejam realmente aceitáveis por uma
comunidade científica, não sejam apenas “falsas respostas” que surgiram devido aos seus métodos.
Resultados errados, frutos da má condução de pesquisas, podem, portanto, fazer com que decisões
erradas sejam tomadas e gerem prejuízos e riscos as vidas de milhares de pessoas. Por isso, os
métodos científicos são bastante rigorosos.

3
https://www.psicologiaexplica.com.br/metodos-de-pesquisa-em-psicologia/
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Etapas de uma pesquisa científica:


a) Elaboração do projeto de pesquisa (escolha do tema; revisão da literatura;
justificativa; formulação do problema; determinação dos objetivos; metodologia; organização
de um cronograma; definição dos recursos, etc.);
b) Execução (coleta de dados, organização dos dados; análise e discussão dos
resultados; conclusão)4;
c) Apresentação dos resultados (artigo, monografia, tese, trabalho escolar, etc.).
NB: lembre-se que nesta disciplina iremos falar da primeira etapa de uma pesquisa científica.
Para tal o estudante é convidado a ler o primeiro capítulo do livro de Marconi & Lakatos, (pg.
13-17).

2. O QUE É UM PROJETO DE PESQUISA?


Realizar um projeto de pesquisa (PP) antes de tudo significa preparar-se para executar uma
ação que vise buscar uma resposta a uma indagação inicial. Ele representa uma bússola,
indicando o norte do pesquisador. Ou seja, o documento chamado projeto é o resultado obtido
ao se projetar no papel tudo o que é necessário para o desenvolvimento de um conjunto de
ações a serem executadas.
2.1. Elementos Principais de u m projeto de pesquisa
os principais elementos que caracterizam um projeto de pesquisa são:
 Tema
 Problema (problematização)
 Objectivos: gerais e específicos
 Justificativa
 Hipóteses
 Metodologia
Neste sentido, iremos a partir de já discutir um cada elemento aqui apresentado..

2.1.1 Tema
No acto de preparação da pesquisa é imperioso ter-se clareza quanto ao tema a escolher. Tal
significa seleccionar um assunto de acordo com as inclinações, as possibilidades, as aptidões e
as tendências de quem se propõe elaborar um trabalho científico. O tema escolhido deve ser
exequível (um tema com disponibilidade bibliográfica; que permite a recolha de dados, etc.).

4
http://biblioteca.ifc.edu.br/wp-content/uploads/sites/9/2014/07/Como-elaborar-um-projeto-de-pesquisa-de-
Inicia%C3%A7%C3%A3o-Cient%C3%ADfica.pdf
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Também, deve ser adequado a factores pessoais do investigador (gosto pelo tema, interesse
pessoal, etc.).
Deve estar delimitado, isto é, eleger uma parcela de um determinado assunto, estabelecendo
limites ou restrições para o desenvolvimento da pesquisa pretendida e, portanto, evitando
temas tão gerais ao ponto de se tornarem vagos.

Exemplo de um tema vago:


«A educação em Moçambique». Neste caso seria necessário delimitar/explicitar o que é que
sobre a educação em Moçambique se pretende investigar, o que levaria a um refinamento do
tema, por exemplo: «A educação em Moçambique: impacto das sucessivas mudanças
curriculares na aprendizagem dos alunos».
No processo da escolha do tema é preciso ter em conta os seguintes aspectos:
 Selecionar um tema concreto e acessível – para isso, é aconselhável delimitar o tema
tendo o cuidado de que ofereça recursos bibliográficos e que facilite a recolha de dados.
 Escolher um tema conhecido – não se deve trabalhar em áreas de conhecimento que não
domina ou das quais não obteve uma informação básica.
 Encontrar um problema de investigação de interesse real para o investigador – a
investigação gera ansiedade e muito esforço. Por isso, convém que o investigador sinta
muito interesse pelo que vai investigar e tenha uma motivação para conseguir superar
eventuais dificuldades com que se possa deparar.

2.1.2. Problematização (Problema)


Qualquer projecto de pesquisa deve fundamentar-se em alguma preocupação ou
questionamento sobre algum fenómeno da realidade. Assim a problematização é uma
descrição do que esteja acontecer numa determinada realidade, é a caracterização do problema
ou seja, do que nos deixa inquietos.
É importante salientar que a problematização, em geral, é resultado de uma contradição entre
os conhecimentos disponíveis sobre um determinado fenómeno e os factos constatados na
realidade ou no campo de pesquisa. Assim, só existe um problema de pesquisa quando há
uma contradição (algo duvidoso, questionável, não comum, curioso, etc), entre o que se sabe
ou se diz (o que os autores ou cientistas dizem) e o que se vive no campo (a realidade).
É importante salientar que a problematização termina com uma pergunta de partida
(Problema) também chamada problema ou questão de partida.
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Em síntese, o problema deve ser colocado em forma de uma pergunta clara, que seja
percebida e que exclua equívocos ou ambiguidades; objectiva, que não tenha múltiplas
interpretações; imparcial, não viciada por interesses pessoais; precisa, dizer mesmo aquilo
que se pretende, e empírica, que pode ser testável a partir de dados colectados no terreno;

Exemplos de problemas5: e
1º: até que ponto a distribuição gratuita dos livros escolares contribui para a melhoria da
aprendizagem dos alunos da E.P.C. de Matadouro?
2º: Em que medida é que o Novo Currículo do Ensino Básico contribui para o
aperfeiçoamento do hábito de leitura dos alunos da primeira classe da EPC de Maxixe?
3º: Quais os factores determinantes na desistência escolar dos alunos residentes nos bairros
periféricos da vila de Homoíne?

5
Os problemas formulam-se sempre em forma de uma pergunta e iniciam-se com um pronome
interrogativo. Por exemplo, Até que ponto…? Por quê…? Como…? Em que medida…? Quais/Qual
…? O quê…?
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Exemplo de Problematização com pergunta de partida.

Tema: Relevância dos Programas de AEA: Seu Impacto no Acesso e Retenção dos
Educandos no núcleo pedagógico de base do Distrito de Homoine (2016)

Problematização

Um dos problemas da modalidade de AEA, para além do défice acesso, é a continuidade, a


progressão dos educandos nos semestres e anos lectivos seguintes, ou seja, para os educandos
que chegam ao processo de alfabetização, na maioria das vezes, não progridem para os anos
seguintes ou mesmo para o período pós-alfabetização, no qual consolidariam as
aprendizagens e continuariam em uma cultura de aprendizagem e desenvolveriam novos
conhecimentos a partir da aprendizagem da leitura e da escrita em outros horizontes.

No Núcleo Pedagógico da Cadeia de Homoíne na província de Inhambane, maior parte dos


educandos que se matriculam no início do ano não chegam ao final e, dos que chegam,
poucos continuam nos anos seguintes. Muitos que desistem desta modalidade, ocupam o seu
tempo com as actividades de produção doméstica, dentre as quais o comércio informal, a
produção agrícola e pequenos contractos em empresas informais ou quintais familiares. Este
aspecto, que evidentemente reduz o acesso e retenção dos educandos adultos nas modalidades
de AEA, poderia ser reduzido ou mesmo solucionado se as aprendizagens promovidas a partir
destas modalidades estivessem diretamente ligadas para o melhoramento destas actividades
ocupacionais dos membros da sociedade. Em outras palavras, se os programas de ensino de
AEA melhorassem a prática agrícola, o comércio informal, permitisse a profissionalização,
entre outros aspectos, acredita-se que os educandos adultos procurariam e manter-se-iam nos
centros de AEA em percentagem diferente à actual. Face a estes aspectos, elaboramos a
seguinte pergunta de pesquisa: “Que relevância os programas de AEA têm no acesso e
retenção dos educandos?”
Exercício 1: Veja se consegue identificar os conhecimentos disponíveis sobre a matéria em
debate, ou o tema, patentes na problematização; os factos constatados e a contradição.

2.1.3 objectivos
Uma vez cumpridos os procedimentos anteriores, definem-se os objectivos do estudo. Com
efeito, os objectivos são extraídos diretamente a partir do problema levantado e das
concepções teóricas relativas ao tema.
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Os objectivos são apresentados de forma resumida, tendo em conta o que se disse sobre o
tema e o problema. Os objectivos respondem aos porquês da investigação e apresentam-se
como frases declarativas.
Os objectivos para conseguirem responder eficazmente ao problema, vêm muitas vezes
divididos em gerais e específicos. Sendo os objectivos gerais mais genéricos, precisam de ser
delimitados, surgindo assim os objectivos específicos, que definem aspectos particulares que
se pretendem estudar e contribuir para se alcançarem os objectivos gerais.
Seja como for, os objectivos devem ser redigidos com recursos a um verbo no infinitivo e
sempre de forma afirmativa.

Exemplos de objectivos:
Problema
Quais as implicações do uso excessivo do método expositivo nas aulas de História na Escola
Secundária de Nampula?
Objectivo geral
Analisar as implicações do uso excessivo do método expositivo na aprendizagem dos
alunos nas aulas de História na Escola Secundária de Nampula.
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Objectivos específicos
 Identificar as implicações do uso excessivo do método expositivo na Escola Secundária de
Nampula;
 Descrever as implicações do uso exclusivo do método expositivo na aprendizagem dos
alunos.
 Propor o uso de métodos alternativos que melhorem a aprendizagem dos alunos nas aulas
de História.

Exemplo de infinitivos muito utilizados para definir objectivos gerais:


Administrar, Aprimorar, Delegar, Fazer, Aferir, Avaliar, Resolver, Integrar,
Analisar, Distinguir, Saber, Transferir, Aprender, Compreender, Entender, Aplicar, Constatar,
Conhecer, Enumerar, Interpretar,  Apreciar, Construir, Examinar, etc. 

Exemplo de infinitivos muito utilizados para definir objectivos específicos:


Aplicar, Converter, Esboçar, Justificar, Relacionar, Alistar, Relatar, Criticar, Especificar,
Calcular, Exemplificar, Modificar, Definir, Explicar, Mostrar, Resumir, Citar, Expressar,
Organizar, Classificar, Descrever, Rever, Combinar, Identificar, Organizar, Seleccionar,
Compilar, Discriminar, Preparar, Separar, Comparar, Distinguir, Indicar, Inferir, Produzir,
Enumerar, Enunciar, Interpretar, Redigir, Confrontar, Escolher, Utilizar, etc.

Exercício 2: com base no seu tema, elabora uma problematização (e sua pergunta de partida)
bem como os seus objectivos, geral e específicos. Veja os exemplos trazidos no texto.
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3. Justificativa
A justificativa, como parte da introdução, serve para justificar a escolha do tema e a sua
pertinência. Escolher um tema não é tarefa fácil pois a nossa tendência é escolher temas
demasiado abrangentes, que não são passíveis de ser tratados com profundidade.
O tema será um enunciado breve, claro e específico do assunto que se pretende estudar. Por
outro lado, na escolha do tema é preciso ter-se em conta a disponibilidade bibliográfica, mas
também a prioridade deve ser o estudo de um assunto novo, pois é de pouca utilidade
trabalhar sobre temas onde já existam estudos em quantidade.
Só procedendo desta forma revela-se a importância e a originalidade do contributo do tema
em relação à ciência, ao conhecimento. Portanto, é na justificativa que o autor explica sobre a
importância do estudo para a área em que ele (o autor) busca uma formação académica, ou
ainda para a sociedade em geral. Aqui você deve responder a duas perguntas básicas: o
porquê (motivações da escolha do tema) e o para quê (finalidades da escolha, ou seja,
escolheu para que? Que contributo a sua pesquisa trará para a sociedade, para a ciência, ou
para a população estudada etc.).

4.Hipóteses
As Hipóteses – podem ser entendidas como prováveis soluções ao problema que nos
colocamos no começo da investigação. No sentido restrito, utiliza-se a designação «hipótese»,
quando se trata de uma afirmação de correlação entre variáveis ou fenómenos.
Para Fortin (1999), a hipótese é um enunciado formal das relações previstas entre duas ou
mais variáveis. É uma predição baseada na teoria ou numa parte desta. Por seu turno, Bailey
(1985) refere que as hipóteses são geralmente tiradas da teoria ou da observação directa dos
dados.
As hipóteses, grosso modo, indicam uma correlação entre duas ou mais variáveis, e são
geralmente formuladas de modo a que possa ser submetidas a considerações críticas da
experiência.
Exemplos de hipóteses: ( veja que a primeira hipótese é incorrecta a sua formulação)
1º: O não uso de métodos diversificados concorre para o mau aproveitamento

pedagógico dos alunos na disciplina de história.


2º: O uso exclusivo do método expositivo nas aulas de história pode contribuir para a perda
de motivação pela aprendizagem por parte dos alunos.
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3º: A alternância de métodos de ensino concorre para o interesse pela disciplina de história
por parte dos alunos
No segundo exemplo, de facto, expõe-se uma correlação entre duas variáveis sendo a
primeira: uso exclusivo do método expositivo , e a últimas: perda de motivação pela
aprendizagem. Quanto ao terceiro exemplo, as variáveis em correlação são: alternância de
métodos de ensino e interesse pela disciplina de história
As variáveis podem ser dependentes e independentes. As vaiáveis independentes são a causa e
origem de um fenómeno, ao passo que as variáveis dependentes são o efeito ou a
consequência desse fenómeno.
Dias (2010), considera ser necessário evitar a construção de hipóteses negativas (ex. ver a
hipótese tracejada), porque estas são muito genéricas, sendo as afirmativas, as que de facto
sugerem de forma mais eficaz relações entre factores a documentar ou a estudar (as variáveis).

Exercícios de aplicação:
1. Das hipóteses acima colocadas, identifique as suas variáveis independentes e
dependentes.
2. Escolha um tema de investigação e redija o problema correspondente.
3. Justifique os porquês da escolha desse tema.
4. Defina os respectivos objectivos gerais e específicos.
5. Elabore as hipóteses, sem se esquecer de identificar as variáveis dependentes e
independentes.
6. Se possível, faça uma breve revisão da literatura referente ao tema ora escolhido.
7. Indique, justificadamente, a metodologia ou as metodologias que irá utilizar para
efectuar o seu estudo.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Inclui a definição de conceitos. A definição de conceitos é uma breve lista de conceitos
centrais do estudo, com as suas definições, específicas. Uma vez que um mesmo conceito
pode ter significados diferentes para diferentes contextos, o autor do projecto deve informar o
leitor sobre como determinado conceito deve ser entendido no seu texto. Daí, a pertinência da
definição de conceitos.
Portanto, a fundamentação teórica tem como finalidade a apresentação dos estudos realizados
por outros autores sobre o tema, ou especificamente sobre o problema. Neste capítulo faz-se a
revisão da literatura existente a fim de que o autor ou o leitor do projecto tomem
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conhecimento do que já foi escrito sobre o assunto, fornecendo contextualização e


consistência à investigação.
É ainda neste capítulo que o autor do projecto revela as suas preocupações, apontando
eventuais lacunas na bibliografia consultada, as discordâncias existentes ou pontos a ratificar,
tudo o que dá vida ao trabalho científico.
Assim, as vantagens da fundamentação teórica são:
 Permitir que o autor do projecto tenha maior clareza na formulação do problema de
pesquisa;
 Facilitar a formulação de hipóteses e de suposições;
 Apontar para o método ou os métodos mais adequados à solução do problema;
 Fornecer elementos para a interpretação dos dados que serão colectados e tratados.

Desta feita, os recursos para a efectivação da fundamentação teórica podem ser obtidos tanto
na literatura electrónica (E-book e publicações na Internet), em livros, periódicos (revistas e
jornais) teses, dissertações, relatórios de investigação e outras fontes escritas, mas sempre
tendo o cuidado de se certificar quanto à fiabilidade dessas fontes.
Na fundamentação teórica, os assuntos tratados virão em capítulos e/ou subcapítulos, sendo o
investigador obrigado a fazer o levantamento do que já foi publicado a respeito do que está a
ser objecto de investigação, apresentando várias posições teóricas, confrontando-as,
apontando fragilidades ou lacunas, discutindo-as, comentando-as ou reformulando-as.
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METODOLOGIAS
A metodologia é o estudo dos métodos, técnicas e procedimentos aplicados na pesquisa
cientifica. Sendo assim, neste capítulo, o investigador informa os procedimentos que usou ou
vai usar para levar a bom porto a investigação que efectuou/efectuará. Existem muitos tipos
de pesquisas e métodos. Neste apontamento traremos aqueles que mais se aplicam às ciências
sociais.
Das tantas pesquisas existentes, o investigador escolhe aquela que mais se ajusta ao seu
projecto, tendo em conta os objectivos que definiu e a disponibilidade de recursos para a
materialização da investigação. Desta feita, cabe ao investigador informar ao leitor sobre o
tipo de pesquisa que vai realizar, sua definição, bem como a justificação da escolha desse (s)
tipo (s) de pesquisa6 à luz de metodologias cientificamente válidas.
É também neste capítulo em que se indicam a população ou universo, bem como se
caracteriza o tipo de amostra com se trabalhou.
Como forma de clarificar mais a metodologia a aplicar, as pesquisas costumam ser
classificadas segundo: a abordagem do problema; os objectivos, os procedimentos técnicos, a
natureza do problema e o método de abordagem
Tipos de pesquisa:
Quanto à abordagem dos dados Quanto aos meios/procedimentos
( problema) utilizados na pesquisa
 Pesquisa qualitativa  Pesquisa de laboratório
 Pesquisa quantitativa  Pesquisa documental
 Pesquisa mista  Pesquisa bibliográfica
Quanto aos objectivos da pesquisa/Niveis
 Estudo de caso
da pesquisa
 Pesquisa de campo;
 Pesquisa exploratória
 Pesquisa-acção, etc.;
 Pesquisa descritiva
 Pesquisa explicativa; etc.;
Quanto à natureza Quanto ao método de abordagem
 Pesquisa pura  Método Indutivo
 Pesquisa aplicada  Método Dedutivo
 Método Hipotético-
dedutivo
 Método dialético
6
A definição do tipo de pesquisa (ou de metodologia) e a justificação pela sua escolha não se inventam, mas faz-
se com recurso à bibliografia de Metodologias de investigação Científica.
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Fonte: Adaptado de Marconi & Lakatos (2011); Gil, António Carlos (2008)
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Método e métodos
Na verdade, uma pequena distinção é necessária quando se fala destes dois termos. Muitos
estudiosos confundem ou usam um no lugar do outro ou ainda, todos no mesmo sentido.
Marconi & Lakotos (2011) referem que método caracteriza-se por ser ter uma abordagem
mais ampla em nível de abstração mais elevado dos fenómenos da natureza e da sociedade.
Sendo assim, teríamos como método de abordagem: indutivo, dedutivo, hipotético-dedutivo e
dialético.
Por sua vez, os métodos (de procedimentos) seriam etapas mais concretas da investigação,
com finalidade mais restrita em termos de explicação geral dos fenómenos e menos abstrato.
Pressupõem uma atitude concreta em relação ao fenómeno e estão limitadas a um domínio
particular. Ex: método histórico, comparativo, monográfico, estatístico, tipológico,
funcionalista e estruturalista.

Trabalhos em grupo de 4 elementos:


1. Façam uma síntese sobre os tipos de pesquisa indicados no quadro acima. Descrevam
em que consistem cada um dos tipos de pesquisa indicado. Para tal terão que consultar
os vários livros de Metodologias Científica disponíveis na sua biblioteca.
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População e amostragem
Após a escolha da metodologia do trabalho e a respectiva justificação, é altura de definir a sua
população e amostra da pesquisa.
A população é definida como sendo o conjunto de seres animados ou inanimados que
apresentam pelo menos uma característica em comum, MARCONI & LAKATOS (2003:
223) ou ainda, conforme RAMOS & NARANJO (2014: 216), população é o conjunto
formado por todas as unidades de análise ou por todas as características que são de
interesse e relevantes para o investigador. Por outras palavras, a população é conjunto de
pessoas ou seres não vivos com características comuns que vão fazer parte da sua pesquisa.

Amostragem

Já por amostra se entende uma parte da população que deve ser estudada. Na dificuldade de
trabalhar com todo universo da população.

Uma regra básica da amostragem é que a amostra da pesquisa deve ser representativa do
universo populacional com o qual se trabalha.

Tipos de amostragem

GIL (2008) identifica na pesquisa social dois grandes grupos de amostragem: probabilísticas
e não-probabilisticas.

Os tipos do primeiro grupo são rigorosamente científicos e se baseiam nas leis da estatística.
Os do segundo grupo não apresentam fundamentação matemática ou estatística, dependendo
unicamente de critérios do pesquisador. Claro que os procedimentos deste último tipo são
muito mais críticos em relação à validade de seus resultados, todavia apresentam algumas
vantagens, sobretudo no que se refere ao custo e ao tempo despendido.
Os tipos de amostragem probabilísticas mais usuais são: aleatória simples, sistemática,
estratificada, por conglomerado e por etapas. Dentre os tipos de amostragem não
probabilística, os mais conhecidos são: por acessibilidade, por tipicidade e por cotas (TPC:
pesquisar sobre esses tipos todos).

Cronograma das actividades


Indicam-se as datas e respectivas actvidades. É uma espécie de plano das actividades, dividido
em datas ou dias da semana ou meses.
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Orçamento do Projecto
Serve mais para clarificar os custos do projecto, por isso deve-se indicar os recursos materiais,
humanos e financeiros necessários para a materialização do projecto. Se for um projecto a ser
submetido para pedido de financiamento é importante descrever claramente a aplicação dos
valores monetários implicados no projecto, desde a compra dos recursos materiais
(necessários) e o pagamento de subsídios aos colaboradores (caso isso seja necessário). No
final é necessário acrescer ao valor do projecto (subtotal) 10% de contingências e no fim
calcular o total.
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ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS


Neste capítulo, analisam-se os resultados obtidos do trabalho do campo. Elabora-se
interpretações e sistematizam-se as informações a fim de inferir as devidas conclusões. (De
salientar que este ponto não entra no projecto, mas sim, no próprio trabalho, ou seja, a
monografia final ou relatório da pesquisa).

CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
Aqui apresentam-se as sínteses conclusivas do trabalho. Visto que as conclusões inferem-se
do próprio trabalho, elas não devem ser uma novidade, mas uma síntese das linhas mestras do
próprio trabalho. Relativamente às recomendações, são dirigidas a instituições que lidam com
o problema da nossa investigação, por exemplo, Direcção de uma escola, SDEJT, Direcção de
Educação, etc. (De salientar que este ponto também não entra no projecto, mas sim, no
próprio trabalho, ou seja, a monografia final ou relatório da pesquisa).

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