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1.

A corrente do pensamento criminológico, que teve por precursor Filippo Gramatica e fundador Marc Ancel, a qual
apregoa que o delinquente deve ser educado para assumir sua responsabilidade para com a sociedade, a fim de
possibilitar saudável convívio de todos (pedagogia da responsabilidade), é denominada
a) Teoria das Janelas Quebradas (Broken Windows);
– Trata-se de um modelo norte-americano de política de segurança pública no enfrentamento e combate ao crime,
tendo como visão fundamental a desordem como fator de elevação dos índices da criminalidade.
b) Escola Antropológica Criminal;
– A Antropologia Criminal, também chamada de Biologia Criminal é a disciplina baseada na suposição de que os
criminosos apresentam características físicas próprias que os predispõem ao crime.
c) Nova Defesa Social;
– A Escola da Nova Defesa Social surgiu após a Segunda Guerra Mundial como uma reação ao sistema retributivo.
Também é conhecida como Neodefensivismo Social e tem por finalidade precípua proteger a sociedade dos crimes e,
apenas em segundo plano, punir o infrator. Essa escola rechaça a ideia de um direito penal repressor, e defende que
deve ser substituído por sistemas preventivos e por intervenções educativas e reeducativas nas quais o delinquente
deve ser educado para assumir sua responsabilidade diante da sociedade (pedagogia da responsabilidade) de forma a
possibilitar um convívio harmônico entre os seus membros. O maior expoente foi Filippo Gramatica que em sua obra
"Princípios da Defesa Social", publicada em 1949, defendia que o indivíduo tinha que ser preparado para o
aprimoramento da sociedade a fim de se substituir o direito penal por um "direito de defesa social". Marc Ancel
desenvolveu o tema da defesa social na obra "A Nova Defesa Social" publicada em 1954.
d) Criminologia Crítica ou Radical;
– Criminologia Crítica opta pela análise das condições objetivas, estruturais e funcionais que originam, na sociedade
capitalista, os fenômenos de desvios, interpretando-os separadamente conforme se tratem de condutas das classes
menos favorecidas ou condutas das classes dominantes, ou seja, os detentores do poder econômico e político.
e) Lei e Ordem.
– Considera a criminalidade uma doença infecciosa a ser combatida e o criminoso um ser daninho. Assim, a sociedade
separa-se em pessoas sadias, incapazes de praticar crimes, e pessoas doentes, capazes de executá-los, tendo a justiça o
dever de separar estes dois grupos para que não haja contágio dos doentes aos sadios.

2. A respeito dos objetos da Criminologia, analise as assertivas abaixo:


I. O conceito de delito para a Criminologia é o mesmo para o Direito Penal, razão pela qual tais disciplinas se
mostram complementares e interdependentes. 
II. O controle social consiste em um conjunto de mecanismos e sanções sociais que pretendem submeter o indivíduo
aos modelos e às normas comunitários. Para alcançar tais metas, as organizações sociais lançam mão de dois sistemas
articulados entre si: o controle social informal e o controle social formal. 
III. Desde os teóricos do pensamento clássico, o centro dos interesses investigativos da primitiva Criminologia sempre
esteve no estudo do criminoso, prisioneiro de sua própria patologia (determinismo biológico), ou de processos causais
alheios (determinismo social).
IV. A particularidade essencial da vitimologia reside em questionar a aparente simplicidade em relação à vítima e
mostrar, ao mesmo tempo, que o estudo da vítima é complexo, seja na esfera do indivíduo, seja na interrelação
existente entre autor e vítima.
São CORRETAS apenas as assertivas:
a) I, II e III.
b) II e IV.
c) II, III e IV.
d) III e IV.
e) I, III e IV.

3. Pode-se afirmar que o pensamento criminológico moderno é influenciado por uma visão de cunho funcionalista e
uma de cunho argumentativo, que possuem, como exemplos, a Escola de Chicago e a Teoria Crítica, respectivamente.
Essas visões também são conhecidas como teorias
a) da ecologia criminal e do transtorno;
b) do consenso e do conflito;
– Segundo Nestor Sampaio Penteado Filho, no seu Manual Esquemático de Criminologia, a moderna sociologia
criminal é influenciada basicamente por duas vertentes: as teorias do consenso, de cunho funcionalista; e as teorias do
conflito, de cunho argumentativo. 
A criminologia tradicional tinha por base o consenso: o conceito legal de delito, não questionado; as teorias
etiológicas da criminalidade, da qual hauriam seu suporte ontológico; o princípio da diversidade (patológica) do
homem delinquente (e da disfuncionalidade do comportamento criminal) e os fins conferidos à pena, como resposta
justa e útil ao delito. Estes constituíam seus quatro pilares mais destacados desse modelo criminológico.
A Nova Criminologia, no entanto, põe em xeque a ideia de que as normas de convívio social derivam de certo
consenso em torno de valores objetivos e comuns. Daí surge a "Sociologia do Conflito", que apregoa que a
"Sociologia do Consenso" seria uma mera ficção erigida com a finalidade de legitimar a ordem social. Na realidade,
essa ordem social seria produto não de consenso, mas de conflito de interesses de grupos antagônicos, prevalecendo a
vontade daqueles que lograram exercer maior dominação.
c) do conhecimento e da pesquisa;
d) da formação e da dedução;
e) do estudo e da conclusão.

4. Entende-se como controle social o conjunto de mecanismos e sanções sociais que visam submeter o homem aos
modelos e normas do convívio comunitário. Desta forma, são exemplos de influências no controle social informal:
a) Administração Penitenciária, PROCON e Judiciário;
b) Polícia Militar, Ministério Público e Guarda Municipal;
c) Tribunal de Contas, Forças Armadas e Ordem dos Advogados do Brasil;
d) Família, Escola e Igrejas;
– No seio de qualquer coletividade humana há uma série de possibilidades de colisão entre interesses individuais e de
subgrupos. Em todas sociedades há instituições que se prestam a dirimir ou atenuar eventuais conflitos decorrentes
dessa colisão de interesses. Há as instituições estatais que promovem o controle social formal e as instituições sociais
que decorrem da sociedade civil e promovem o controle social informal exercido, notadamente, pela família, escola e
instituições religiosas de diversos espectros.
e) Partidos Políticos, Conselho Tutelar e Polícia Civil.

5. Quanto às Escolas Penais, é correto:


a) “Positiva” entende que o crime deriva de circunstâncias biológicas ou sociais, tendo sido defendida por Feuerbach.
b) “Clássica” funda-se no livre-arbítrio e tem em Carrara um de seus maiores expoentes.
c) “Lombrosiana” acredita que o homem é racional e nasce livre, sendo o crime fruto de uma escolha errada,
concepção hipotetizada por Lombroso e também por Ferri.
d) “Clássica” entende que a pena é medida profilática, de cura, pensamento difundido por Carmignani.
e) “Positiva” nasce em contraposição às ideias de Lombroso, defende o naturalismo-racional e tem em Garofalo um de
seus doutrinadores

6. A teoria do labelling approach é uma das mais importantes teorias do conflito. Surgiu na década de 60 nos Estados
Unidos da América e tem, como um de seus principais autores, Howard Becker. Essa teoria também é conhecida
como teoria
a) cultural ou de modismo;
b) da associação diferencial ou white colar crimes;
c) do estudo ou da pesquisa;
d) do etiquetamento ou da rotulação;
– A teoria do Labelling Approach ganhou força nos Estados Unidos no início da década de 60 do século XX. É uma
espécie das chamadas teorias do conflito, uma vez que parte da premissa de que a sociedade não se baseia no
consenso, mas sim é permeada por conflitos, notadamente o de classes. Tem como marco a obra do sociólogo norte-
americano Howard Saul Becker chamada "Outsiders. Studies in the Sociology of deviance”, publicada em 1963. Essa
teoria também é conhecida como "Teoria do Etiquetamento" ou da "Rotulação Social".
e) da anomia ou da subcultura delinquente.

7. Com base no ponto de vista criminológico, a conduta dos membros de facções criminosas, das gangues urbanas e
das tribos de pichadores são exemplos da teoria sociológica da(o)
a) abolicionismo penal;
b) subcultura delinqüente;
– A Teoria da Subcultura Delinquente consiste na concepção de que o infrator aprenderia a prática de crimes em razão
de sua convivência em certos ambientes, assumindo o comportamento de determinados grupos (facções criminosas,
gangues urbanas e outras tribos marginais)  aos quais estaria vinculado por uma proximidade voluntária, ocasional ou
coercitiva. É decorrente da "Teoria da Associação Diferencial", elaborada por Edwin H. Sutherland, que defende que a
criminalidade, a exemplo de qualquer outro modelo de comportamento humano, é aprendida em conformidade com as
convivências específicas às quais o sujeito está submetido em seu ambiente social e profissional.
c) identidade pessoal;
d) minimalismo penal;
e) predisposição nata à criminalidade.

8. Em face das escolas criminológicas, julgue os itens seguintes.


I. Conforme a escola clássica, a responsabilidade penal é lastreada na imputabilidade moral e no livre-arbítrio
humano. – A Escola Clássica teve como seus principais adeptos Paul Feuerbach e Francesco Carrara. Tinha o livre
arbítrio como seu fundamento indeclinável, sendo
homem moralmente imputável em razão dos seus atos externos, que podem ser praticados por ação ou omissão. 
II. Para a escola técnico-jurídica, que utiliza o método indutivo ou experimental, apresenta as fases antropológica,
sociológica e jurídica. – A Escola Técnico-Jurídica teve Arturo Rocco como
seu nome principal, pregando que nenhuma ciência jurídica deveria intervir no Direito Penal, que deve resumir-se ao
que positivado. O Direito Penal não sofre intervenção da Antropologia
e da sociologia. Tais intervenções são vistas na Escola Positiva (Lombroso, Ferri e Garofalo), que possui as fases
atropológica, sociológica e jurídica. 
III. A escola correcionalista fundamenta-se na proposta de imposição de pena, com caráter intimidativo, para os
delinquentes normais, e de medida de segurança para os perigosos. Para essa escola, o direito penal é a insuperável
barreira da política criminal. – A Escola Correlacionista almeja a correção ou emenda do delinquente, buscando a sua
compreensão e proteção, buscando-se a recuperação para o convívio em sociedade, em vez de intimidação. 
IV. Para o movimento de defesa social sustenta a ressocialização do delinquente, e não a sua neutralização. Nesse
movimento, o tratamento penal é visto como um instrumento preventivo. – O movimento surge após a Segunda
Guerra Mundial, liderado por Fillipo Gramatica e Marc Ancel. O Direito Penal deve ser um instrumento preventivo,
tendo como foco evitar que o criminoso volte a delinquir, rejeitando-se o viés meramente retributivo.

Estão certos apenas os itens


a) I e III.
b) I e IV.
c) II e III.
d) II e IV.
e) I e II

9. A criminologia pode ser conceituada como uma ciência, baseada na observação e na experiência, e que tem por
objeto de análise o crime, o criminoso, a vítima e o controle social. Quais das características abaixo são identificadas
na criminologia:
a) exata e multidisciplinar
b) objetiva e monodisciplinar
c) humana e unidisciplinar
d) biológica e transdisciplinar
e) empírica e interdisciplinar

10. Sobre o prognóstico criminológico estatístico, é correto afirmar que ele consiste em:
a) É a certeza de um indivíduo delinquir, em razão de dados estatísticos coletados.
b) Seria a probabilidade de um indivíduo delinquir, em razão de dados estatísticos coletados.
c) Seria a certeza de um criminoso reincidir, em razão de dados estatísticos coletados.
d) Seria a probabilidade de um criminoso reincidir, em razão de dados estatísticos coletados.
– A estatística é um instrumento metodológico que também é empregado pela ciência criminalística com o objetivo de
registrar dados relativos a eventos criminosos ocorridos em determinado território. Recorre a técnicas de pesquisa para
levantar informações essenciais para o conhecer de modo mais minucioso o fenômeno criminoso e suas causas, de
modo a evitar e reprimir a sua consecução. Essa metodologia permite individualizar os diversos fatores que
determinam o comportamento criminoso e o perfil de seus autores. Deve-se notar, que de acordo com a teoria
criminológica do “etiquetamento", que integra uma das denominadas “teorias criminológicas do conflito", a prática de
delitos, chamada de “desviação", não seria um atributo ontológico da ação, sendo, na verdade, o resultado de uma
reação social. Essa teoria, nada obstante seu viés marxista ou crítico, que historicamente se opõem às teorias
criminológicas clássicas, dentre as quais as de matiz biológica, admite – ainda que sob o viés marxista - que o
delinquente se distinguiria do homem "normal" em razão da estigmatização que padece, especificamente a decorrente
da institucionalização que se dá pelo recolhimento às “instituições totais" (prisões, casas de custódia etc). Com efeito,
ainda que por conta de estereótipos que reproduz – como afirmam as correntes criminológicas marxistas -, parece
incontroverso a estatística proporciona o conhecimento de fatores ligados aos criminosos ajudando, com efeito, para
evitar que reincida. Sintetizando essa noção, o criminalista marxista Alessandro Baratta, corroborando, sob o viés já
apontado a utilidade da estatística diz que “O cárcere representa, em suma, a ponta do iceberg [...] geralmente, a
consolidação definitiva de uma carreira criminosa".
e) É a avaliação médica imediata e preliminar acerca de uma enfermidade ou estado psicológico, com base na
observação momentânea do criminoso.

11. A distinção entre imputáveis e inimputáveis, a responsabilidade moral baseada no determinismo, o crime como
fenômeno social e individual e a pena com caráter aflitivo, cuja finalidade é a defesa social, são características da:
a) Terza Scuola Italiana;
– A Terza Scuola italiana, também denominada de Escola Crítica ou Eclética, surgiu na Itália em 1891 e teve como
maior expoente Manuel Carnavale. Sua criação dá ensejo ao surgimento do chamado positivismo crítico. Tem como
características marcantes, de acordo com Luiz Regis Prado, a noção de que a responsabilidade penal tem por base a
imputabilidade moral, substituindo-se o libre-arbítrio pelo determinismo psicológico; a distinção entre o imputável e
o inimputável se dá pela capacidade ou não do indivíduo de se levar pelo motivo mais forte, o que é determinado
psicologicamente ao homem e não decorre de seu libre-arbítrio; o crime é contemplado no seu aspecto real - fenômeno
natural e social; a pena tem função defensiva ou preservadora da sociedade e somente pode ser aplicada aos
imputáveis, ao passo que aos inimputáveis se aplica a medida de segurança.
b) Escola Moderna Alemã;
c) Escola Positiva;
d) Escola Clássica;
e) Escola Tradicional.

12. A relação entre Criminologia e Direito Penal está evidenciada de forma CORRETA em:


a) A Criminologia aproxima-se do fenômeno delitivo, sendo prescindível a obtenção de uma informação direta desse
fenômeno. Já o Direito Penal limita interessadamente a realidade criminal, mediante os princípios da fragmentariedade
e da seletividade, observando a realidade sempre sob o prisma do modelo típico.
– A criminologia tem como método justamente a análise e observação da realidade. E a seletividade, apesar de ocorrer
na pratica não é um princípio do direito penal.
b) Criminologia e o Direito Penal são disciplinas autônomas e interdependentes, e possuem o mesmo objetivo com
meios diversos. A Criminologia, na atualidade, erige-se em estudos críticos do próprio Direito Penal, o que evita
qualquer ideia de subordinação de uma ciência em cotejo com a outra.
– Não há subordinação da criminologia com o direito penal e, apesar da metodologia diversa, alcançam a análise do
fenômeno delitivo.
c) Criminologia tem natureza formal e normativa. Ela isola um fragmento parcial da realidade, a partir de critérios
axiológicos. Por outro lado, o Direito Penal reclama do investigador uma análise totalizadora do delito, sem
mediações formais ou valorativas que relativizem ou obstaculizem seu diagnóstico.
– O direito penal é que assume um papel lógico, abstrato e normativo, e não a Criminologia. A criminologia é
empírica e interdisciplinar, ocupando o crime enquanto fato real. Já o direito penal ocupa o crime enquanto norma.
d) Criminologia versa sobre normas que interpretam em suas conexões internas, sistematicamente. Interpretar a norma
e aplicá-la ao caso concreto, a partir de seu sistema, são os momentos centrais da Criminologia. Por isso, ao contrário
do Direito Penal, que é uma ciência empírica, a Criminologia tem um método dogmático e seu proceder é dedutivo
sistemático.
– Aqui o examinador trocou os métodos do direito penal com os métodos da Criminologia. Os métodos da
criminologia são: o empírico, interdisciplinar e indutivo.

13. Quanto ao conceito e aos objetos de estudo da criminologia, é correto afirmar que
a) a criminologia é o ramo das ciências criminais que define as infrações penais (crimes e contravenções) e comina as
respectivas sanções (penas e medidas de segurança).
b) a criminologia extrapola a análise do controle social formal do crime, preocupando-se também com os sistemas
informais, e, sob um ponto de vista crítico, pode até mesmo defender a extinção de alguns crimes para determinadas
condutas.
c) após os inúmeros equívocos e abusos cometidos a partir das visões lombrosianas, a criminologia moderna afastou-
se do estudo sobre o criminoso, pois funda-se em conceitos democráticos e respeita os direitos fundamentais da pessoa
humana.
d) o estudo do crime por parte da criminologia tem por objetivo principal a análise de seus elementos objetivos e
subjetivos indispensáveis à tipificação penal
e) a preocupação com o estudo da vítima motivou a criação da criminologia como ciência autônoma, sendo este, por
consequência, seu primeiro objeto de estudo.

14. Quanto á teoria da Associação Diferencial marque a INCORRETA:


a) O comportamento criminoso é aprendido, ou seja, não é algo inato, diferente do que diziam os lombrosianos
b) O crime é aprendido com a interação com as outras pessoas em um processo de comunicação e ocorre
principalmente dentro dos grupos privados, sendo para este sentido pouco significativos os papeis desempenhados por
filmes ou jornais para o comportamento criminoso
c) O fato de a pessoa se tornar delinquente se deve à falta de definições em favor da violação da lei sobre aquelas em
oposição à infringência desta.
– O fato de a pessoa se tornar delinquente se deve ao excesso de definições em favor da violação da lei sobre aquelas
em oposição à infringência desta.
d) Associações diferenciais podem variar em frequência, duração, prioridade e intensidade
e) O processo de aprendizagem pela associação com padrões criminosos e não criminosos envolve todos os
mecanismos presentes em todos os tipos de aprendizagem

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