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UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI

GABRIELA DE OLIVEIRA ZANATTA


BARBARA MANDROT

TÍTULO DO TRABALHO

SÃO PAULO

2021
GABRIELA DE OLIVEIRA ZANATTA
BARBARA MANDROT

TÍTULO DO TRABALHO

Trabalho acadêmico apresentado à disciplina de


Naturologia e Ciência do Curso de Naturologia da
Faculdade Anhembi Morumbi de São Paulo como
requisito de nota parcial do 8° Semestre da Turma
matutino. Requerido pelo prof.......

SÃO PAULO

2021
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INTRODUÇÃO

A naturologia integra o conhecimento de medicinas tradicionais com os


conhecimentos científicos ocidentais. No seu corpo de conhecimento, estuda as
medicinas tradicionais indianas, como a medicina ayurveda, a medicina chinesa,
dentre outras, procurando abordá-las do ponto de vista acadêmico e científico,
alinhando estas tradições a disciplinas ocidentais, tais como, psicoterapia corporal,
psicanálise, fisiologia, anatomia, etc..

A naturologia integra, no seu corpo de conhecimento, os saberes de


medicinas tradicionais com os conhecimentos científicos ocidentais. Para isso,
desenvolve uma perspectiva dialógica e interdisciplinar. Neste exercício, aborda as
medicinas tradicionais orientais, como a medicina ayurveda e a medicina chinesa, a
antroposofia, a medicina botânica, dentre outras; procurando dialogá-las com a
perspectiva acadêmico-científica. Dessa forma, a naturologia enquanto saber
acadêmico e prática profissional, fundamenta-se nos saberes de medicinas
tradicionais e em disciplinas ocidentais, tais como, fisiologia, anatomia, psicoterapia
corporal, psicanálise, etc..1

“A Naturologia é um conhecimento caracterizado pela mescla de


racionalidades médicas, de filosofias e de técnicas de cura orientais,
ocidentais, modernas e tradicionais. É um fenômeno decorrente da crise de
paradigmas do mundo contemporâneo e da necessidade de revisão e
ampliação dos modelos de práticas vigentes. Apresenta-se como um
conhecimento transdisciplinar filiado a modelos integrativos e
complementares de atuação e atenção em saúde.” (p. XX)¹

A partir da década de 60, nos países desenvolvidos, configurou-se o


movimento da contracultura, que teve seu impacto no campo da saúde, através do
movimento da Nova Era, que possibilitou o resgate de saberes e práticas das
medicinas tradicionais. No Brasil, a naturologia surge na década de 90, sob
influência destes movimentos, tendo seu primeiro curso de bacharelado fundado em
1998. Segundo Ana Luisa P. Leite 2 concepções recorrentes da naturologia no Brasil
assemelham-se a ideias do movimento da Nova Era, tais como, “a crise é vista como
uma oportunidade de transformação; saúde se relaciona ao equilíbrio entre corpo,
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mente e espírito; e a cura implica na busca pessoal do indivíduo por este equilíbrio”
(p. XX) 2.
Segundo Capra3, o paradigma cartesiano/biomédico que está agora
retrocedendo dominou a nossa cultura por várias centenas de anos, durante as
quais modelou nossa sociedade ocidental e influenciou significativamente o restante
do mundo. Esse paradigma consiste em várias ideias e valores, entre os quais a
visão do corpo humano como uma máquina, visão da vida em sociedade como uma
luta competitiva pela existência, a crença no progresso material ilimitado, de
crescimento econômico e tecnológico. Observa-se no decorrer dos séculos uma
desconexão do indivíduo com a saúde, relações sociais, ancestralidade e natureza.
² (Capra, Fritjof A teia da vida: uma nova compreensão científica dos sistemas vivos.
1° ed. São Paulo, Cultrix, 1997)

A partir deste contexto, este artigo pretendeu ampliar a abordagem em saúde


a partir do estudo de outras medicinas tradicionais, a qual podemos aprender para a
transformação de paradigmas. O Xamanismo utiliza de substâncias psicoativas em
seus rituais para que auxiliam em momentos de passagem e eventos significativos
de sua vida individual e coletiva, com a função de encaminhar energia psíquica nas
mudanças de um ciclo existencial a outro, favorecendo o relacionamento e
crescimento com os diferentes ritmos encontrados na vida e na natureza. Rituais
ligados as plantas medicinas da floresta originárias de tribos acreanas como
ayahuasca, sananga, rapé, kambô entre outros, contendo substâncias psicoativas
tem como objetivo promover a cura para o indivíduo através de uma percepção
própria deste, o qual entende onde está a raiz da sua doença considerando uma
percepção de que não há separação entre o corpo físico, mental e espiritual.
(Bernardo, 2010)³
A abordagem em saúde em conjunção com o estudo de outras medicinas e
racionalidades médicas pode contribuir para a transformação do modelo de práticas
médicas atuais. Tendo em vista que as medicinas da floresta utilizam em seus rituais
terapias já analisadas em outros contextos no meio científico/acadêmico e na
Naturologia, como a musicoterapia, fitoterapia, meditação, arteterapia, dança
circular, entre outros; o objetivo deste artigo é revisar a literatura e artigos científicos
da etnia Huni Kuin e de outros movimentos das medicinas da floresta, mapeando e
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identificando pontos de uma possível relação com a naturologia, buscando observar


diferentes paradigmas envolvidos no processo de cuidado à saúde.
Para desenvolver esta pesquisa também recorremos a referenciais da
antropologia da saúde, em vista de..... . A cultura de um grupo social associa-se com
a forma que esse grupo lida com as doenças. Segundo Langdon 5 cada indivíduo
demonstra comportamentos e pensamentos singulares quanto à experiência da
doença, assim como noções particulares sobre saúde e terapêutica, as
particularidades não provém de diferenças biológicas, e sim das diferenças
socioculturais, sendo a cultura que determina essas particularidades, as questões
específicas à saúde e de doença necessitam ser pensadas a partir dos contextos
socioculturais específicos nos quais os mesmo ocorrem. 

Este estudo se propôs a analisar as práticas realizadas dentro dos rituais de


medicinas da floresta através do conceito das terapias integrativas e suas
racionalidades médicas. O Objetivo foi identificar a presença e de como o cuidado
acontece nas práticas dos rituais, sendo analisado através das dimensões
terapêuticas da naturologia, buscando observar como diferentes paradigmas que
estão envolvidos no processo de saúde e cuidado.
Os conceitos de saúde coletiva como saúde, integralidade e subjetividade do
sujeito, contribuem aos questionamentos deste estudo sobre a noção de saúde e
cuidados que as medicinas da floresta propõem em diferentes contextos de uso –
também estão incorporados na análise desta pesquisa.

METODOLOGIA
O presente artigo é resultado de uma revisão bibliográfica qualitativa teórico-
conceitual, desenvolvida nas áreas de Saúde Coletiva e Ciências Sociais e
Humanas em Saúde.
O levantamento bibliográfico foi realizada em bases de dados científicas
online e físicas, a partir das palavras-chaves....
foi realizada a busca do tema nos respectivos bancos de dados: Pubmed,
Scielo, Scopus, Scholar Google. O levantamento das fontes foi estruturado a partir
das seguintes palavras chaves: medicinas da floresta, huni kuin, ayahuasca.

Como foi feita a análise, fichamento planilhamento, etc.


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RESULTADOS E DISCUSSÃO
Um parágrafo: apresentar os resultados, qtos artigos forma levantados e
principais referencias selecionadas.
Outro parágrafos: apresentando as seções do artigo.

Medicinas da floresta: O Surgimento


O recente movimento das medicinas da floresta foi impulsionado a partir do
uso da bebida ayahuasca e outras substâncias psicoativas¹ frequentemente
utilizadas em rituais contemporâneos como o rapé, o kambô e a sananga. Além
destas, também estão presentes o tabaco, a cannabis, a pimenta-malagueta, além
de folhas para pingar nos olhos, para fazer defumação, dentre outras. Esses rituais
surgiram inicialmente em aldeias de povos indígenas acreanos e, posteriormente,
iniciou nos centros urbanos, propagando-se em diversos contextos de consumo
ritual, como o santo daime (religião ayuahuasqueira brasileira), xamanismo pano
(tronco linguístico de diversas etnias da floresta amazônica), xamanismo urbano.
A ayahuasca, também conhecido como nix pae, pela etnia Huni Kui de onde
originou-se, é utilizada milenarmente por diversas etnias indígenas da porção
ocidental da floresta amazônica, e atualmente se configura como a mais importante
aos adeptos das medicinas da floresta. Conforme o antropólogo, Luiz Eduardo Luna
(1986) há uma lista de 71 grupos indígenas da região amazônica que utilizam da
ayahuasca e que relatam algumas mesmas particularidades como: entrar em
contato com o mundo dos espíritos; conhecimentos da sua psique e a interconexão
do ser com o meio ambiente, diagnosticam e curam doenças; sendo parte da
composição cultural, religiosa, mitológica e artística de diversas etnias. Durante os
consumos contemporâneos da ayahuasca, sendo em contextos indígenas ou não
indígenas, urbanos ou rurais, destaca-se o tema da cura, que era um dos
componentes principais do uso ancestral indígena

Os Huni Kuin e outras religiões ayahuasqueiras.

Os huni kui, assim como outros povos indígenas da região, fazem uso do que
chamam de “medicinas da floresta”, dentre elas destacando-se o nixi pae também
conhecido como ayahuasca. São um povo falante da língua hãtxa kui, pertencente à
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família linguística pano, e habitam territórios no Brasil e no Peru. No Brasil, no


estado do Acre, os huni kui vivem atualmente em doze terras indígenas situadas ao
longo dos rios, com população estimada em aproximadamente 1-,801
indivíduos (SESAI, 2014).
O termo huni e seus correlatos honi e uni podem ser traduzidos como “homem”, no
sentindo de “ser humano” (Ibidem, p. 36). E o kui é um termo traduzido como
“verdadeiro”. Assim, as traduções mais recorrentes para a expressão “huni kui” são
“gente verdadeira ou “homens verdadeiros”
Para os huni kui a ayahuasca é a própria cultura, sendo a bebida também a fonte
que sustenta, embasa e revitaliza as demais práticas culturais, ou seja, a cultura
para eles não é só humana: nela estão presentes animais, plantas, espíritos e outros
seres. Há, assim, uma cultura dos animais, de outros povos e de outros não-
humanos. O sentido de cultura para os Huni Kui é mais próximo à ideia de um modo
de vida.
A despeito das substâncias mais utilizadas em seus rituais, para os Huni Kui
medicinas são primeiramente espécies (em uma breve tradução do português
praticado por eles, quer dizer “plantas”). Assim, o termo ‘medicina’ também abrange
plantas usadas para defumação, banhos, ingestão, para esfregar na pele, cheirar,
aplicar nos olhos ou nos ouvidos, entre outros modos de uso, com propósito de
tratar doenças específicas, mal-estar, como pontua Oliveira (OLIVEIRA, 2016, p.4)

Nos últimos dez anos, é possível observar um movimento crescente de indígenas da


região do Acre em direção a cidades de diferentes estados do Brasil a fim de realizar
rituais envolvendo o consumo da bebida ayahuasca e de outras medicinas da
floresta. Observa-se na literatura algumas controvérsias mobilizadas por questões
de legitimidade dos pajés (e desta própria nomeação), da formação e saída dos
jovens para as cidades, do retorno e/ou benefícios que essas atividades trazem (ou
não) para as suas comunidades de origem, da associação de conhecimentos
considerados tradicionais e coletivos e da comercialização de uma “espiritualidade”
indígena.
No início do século XX, no período conhecido como período da borracha, quando
nordestinos adentraram a floresta amazônica brasileira em busca do ouro branco, o
uso da ayahuasca se deslocou de um contexto exclusivamente indígena em direção
às populações mestiças dos centros urbanos, surgindo o fenômeno das religiões
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ayahuasqueiras brasileiras. Sendo a primeira dessas, o Santo Daime, a Barquinha,


União do vegetal ou vegetalismo, dentre outras. Existindo diferentes possibilidades
de rituais com a ayahuasca, conforme as alianças estabelecidas.
De acordo com antropólogo Saulo Conde Fernandes, “as medicinas da floresta
chegaram ao Daime através da interação cultural entre povos indígenas do Acre –
em especial os do tronco linguístico Pano e Aruak - com os daimista da região. Não
foi possível determinar em que momento e a partir de quais fatores sociais as
medicinas passaram a ser usadas no circuito do Santo Daime; toda via, creio que
este foi um processo que aconteceu rizomaticamente, sem direção única e que
precisar um início seria inviável.” (FERNANDES, 2019, P.288).

Santo Daime é uma religião brasileira de caráter híbrido, surgida no interior da


floresta amazônica no início do século XX, cuja sua principal característica é a
ingestão da bebida psicoativa² chamada daime, sendo uma ressignificação da
bebida indígena ayahuasca. A fundação da religião remonta à história do negro
Raimundo Irineu Serra (1892-1971) que, emigrando do Maranhão e refugiando-se
na Amazônia no contexto da extração da borracha, consumiu a bebida das mãos de
um curandeiro peruano na região fronteira entre Brasil e Bolívia, nos idos de 1920. A
história da religião registra que, ao longo de suas experiências com ayahuasca,
Irineu obteve revelações espirituais sobre os poderes curativos da bebida, bem
como os ensinamentos que o capacitariam ao título de curador e Mestre de uma
missão espiritual no contexto de uma Amazônia em crise.

Assim, na década de 1930 do século de XX, na periferia da cidade de Rio Branco,


Estado do Acre, Brasil, Raimundo Irineu, reuniu um pequeno grupo de pessoas,
negras em sua maioria, e começou o trabalho com a ayahuasca operando, nesse
processo, uma cristianização do uso da bebida que passou a obter o status de
sacramento religioso, além de outra denominação: daime².
¹ O termo psicoativo engloba “o conjunto das plantas e substâncias químicas que
agem sobre a mente”
²A palavra Daime foi recebida da Rainha pelo Mestre Irineu e vem do verbo ‘dar’
mais a partícula ‘me’ como um pedido, Daime forma, Daime luz” (La Rocque Couto,
op cit., p. 31)
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REFERENCIAS

1 Silva A E. Repensar a História: um diálogo entre saberes. São Paulo: Ed. xxxxx,
2012
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O naturólogo busca fortalecer e fazer com que o indivíduo reconheça o poder de


autocura presente em si, atuando para identificar e remover os obstáculos que
possam aparecer durante o período de recuperação do equilíbrio individual, sendo
um facilitador no processo saúde-doença que está sendo tratado.

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