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SUICÍDIO DA POPULAÇÃO LGBTQIA+ (produção da cartilha)

O suicídio é acima de tudo formulado moralmente pela sociedade, que, por sua vez, incorpora
determinadas ideias, pensamentos e ações que são identificados pelos seus membros,
atingindo positivamente ou de forma negativa um determinado grupo (-)

O fator determinante é encontrado nos vínculos sociais que desfaçam ou mantém o indivíduo
entrelaçado à vida social, sendo destacada a importância de haver o equilíbrio nas relações
sociais

Em “Casa Grande e Senzala”, Gilberto Freyre detalha que conceitos como homossexualidade,
bissexualidade, transexualidade eram naturais nas aldeias indígenas brasileiras. A atração
sexual entre pessoas do mesmo sexo sempre foi bem recebida na comunidade indígena, e
eram direcionados papéis sociais importantes e representativos aos índios com a sexualidade
amplamente desenvolvida. Com a chegada dos europeus, o cenário de preconceito se instala
no Brasil Colônia. Apesar de a laicidade ser uma 7 qualidade do Estado, o discurso de certo e
errado pelas religiões europeias não deixaram de refletir em todo convívio social. Exemplo
disso são parlamentares que desrespeitam o regime constitucional usando de suas crenças
religiosas dentro do parlamento

O suicídio, em geral, vai muito além do que se possa pensar como decorrências de doenças
psicológicas. Entre os pilares de qualquer desconforto, existem inúmeros acontecimentos que
vêm de fora para dentro estruturando-se para o mal estar social. A população LGBT sofre
nitidamente esses acontecimentos 8 negativos diariamente vindos da vida coletiva, passando
por restrições e injustiças que desencadeiam o sentimento de não pertencimento e de medo,
como foi abordada um pouco antes por Stuart Mill a relação do perigo da tirania da maioria
contra as minorias.

Os ataques homofóbicos não são de origem exclusiva da instituição familiar. É claro que o
primeiro contato com os valores morais são passados pela família, porém esses valores que
estão enraizados no núcleo tradicional são reflexos de uma sociedade arcaica que propaga o
desrespeito humano e priva o direito de liberdade, passando por cima de qualquer conduta
moral e humana merecida pelos indivíduos.

Anna fala sobre a população LGBT não possuir apoio emocional, passando pelo “estresse de
minorias” onde as principais causas de estresses dos indivíduos são formuladas em esconder
sobre a sua sexualidade e gênero, a LGBTfobia institucionalizada e os acontecimentos
preconceituosos e violentos, que afetam o psicológico. Condutas preconceituosas não nascem
com ninguém. Elas são ensinadas na infância e reproduzidas adiante. Para exaurir a
homofobia, é necessário haver uma reeducação dos comportamentos e da moral da
sociedade. “Cada nova geração é educada pela que precede; é preciso, pois, que esta última se
corrija para corrigir a que segue. Giramos em círculo.” (Durkheim, 2000, p. 487)

Um estudo produzido nos Estados Unidos pela Universidade da Columbia aponta que os jovens
homossexuais estão cinco vezes mais propensos às tentativas e realizações do suicídio do que
os jovens heterossexuais. A pesquisa considera que quanto mais os lugares forem receptivos,
menor é a chance de jovens homossexuais se suicidarem. Infelizmente, o cenário social
brasileiro é completamente hostil com os LGBTs. Crescer na educação sexista regida pela
cultura heteronormativa é ser destinado a caminhos opressivos, resultantes de frustações,
ódio de ser quem é, baixa autoestima, dentre outros comportamentos que afastem os
indivíduos dos seus grupos sociais e produzam tendências suicidas.
Primeira folha: título da cartilha com a ilustração.

Segunda folha: Organização (Fratelli), Autoras, título,

Terceira folha: apresentação/objetivo da cartilha.

Quarta folha: desenvolvimento da cartilha.

Ao se falar sobre suicídio, devemos levar em consideração as singularidades dos


sujeitos que podem se tornar vulneráveis a tal resultado de intenso sofrimento psíquico.
A presente cartilha abordará este delicado tema atrelado a população LGBTQIA+,
indivíduos que, apesar de representarem uma grande comunidade, são colocados como
minoria por não se encaixarem em uma sociedade heteronormativa e com valores e
normas previamente estabelecidos. Como preservar a saúde mental dentro de uma
sociedade que te transmite uma sensação de inadequação nos mais variados espaços?
Quantos são os desafios que uma existência reprimida pode suportar?
Através do espaço oportunizado pela Fratelli e o seu conjunto de organizadores
que contribuem para o curso de formação em Suicidologia, pudemos desenvolver este
material como uma maneira de contribuir para o mês de prevenção ao suicídio, mais
conhecido como Setembro Amarelo. Por meio das pesquisas realizadas, percebeu-se que
falar sobre o suicídio da população LGBTQIA+ será sempre necessário, pois reiterar e
trazer novos olhares para as pautas que envolvem a problemática são formas de
estimular ainda mais os cuidados para com as pessoas que não se enquadram no padrão
exigido.
O suicídio, que se configura como uma morte intencional autoinflingida – isto é,
quando a pessoa decide tirar a sua própria vida -, apresenta 5 vezes mais riscos à
população LGBTQIA+ do que ao resto da população, segundo pesquisas da
Universidade de Oregon, nos Estados Unidos. Além disso, o Brasil é um dos países que
mais mata os LGBTQIA+ e, de acordo com dados do Ministério da saúde, o suicídio é a
quarta principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. Apesar de, em 1990, a
Organização Mundial de Saúde (OMS) retirar a homosse xualidade da lista de doenças
mentais – e de ter sido um importante passo para a garantia dos direitos e cidadania de
tais indivíduos -, mas não foi o suficiente para que ser um LGBTQIA+ no Brasil se
tornasse algo respeitado e normalizado. Diante das informações citadas acima e pelo
crescente índice de mortes por suicídio ao longo do tempo, propomos abranger o
assunto com os seguintes tópicos: a importância de incluir a comunidade LGBTQIA+
nas campanhas sobre suicídio, fatores de risco, importância de acompanhamento
psicológico e como a rede de apoio pode ajudar.

O Ceará cravou a quinta posição no índice de mortes


violentas de LGBTs, com 23 casos em 2018. No Nordeste, o
Ceará ficou atrás apenas da Bahia, que terminou o ano com 35
registros. Em todo o País, a LGBTfobia deixou 420 vítimas. Em
caso de suicídio, as lésbicas representaram o maior aumento de
casos de 2017 para 2018: foram 52% a mais. Gays tiveram um
aumento de 45%, trans uma diminuição de 14%. Bissexuais
permaneceram com 3%. (colocar esses dados)

QUAIS SÃO OS FATORES DE RISCO?


Diante das informações apresentadas acima, faz-se necessário explicar que o fato de ser
um indivíduo LGBTQIA+ representa o surgimento de uma série de fatores de risco,
sejam eles sociais ou de origem psicológica. Ao sair do padrão heteronormativo, a
pessoa também sai de um lugar confortável e seguro da sociedade, pois o gênero e a
sexualidade não estão sendo performados da maneira “adequada”, segundo as normas e
costumes que regem a família tradicional. Logo, ao identificar os fatores de risco a
partir do conhecimento antecipado, é possível minimizar o risco de mortes por suicídio,
o que torna o aprofundamento dos profissionais de saúde algo primordial para o
exercício de suas respectivas funções – além de ser uma temática de extremo interesse
para a população, no geral.

FATORES DE RISCO SOCIAIS E PSICOLÓGICOS

 LGBTQIA+ FOBIA: Para Natarelli et al (2015), a LGBTQIA+ FOBIA


está relacionada a um conjunto de sentimentos e emoções de rejeição a
comunidade LGBTQIA+. Configura-se como o prejulgamento, a
estigmatização e a violência contra lésbicas, homossexuais, bissexuais,
travestis, transexuais, entre outros indivíduos que fazem parte da
comunidade. Além disso, pode se manifestar através de agressões físicas,
verbais, psicológicas e sexuais – a violência psicológica, por exemplo, é
a que causa mais sofrimento e acarreta mais danos, sendo capaz de levar
o indivíduo a desenvolver pensamentos suicidas e atentar contra a
própria vida.
 EXCLUSÃO E/OU AGRESSÕES VIVIDAS DESDE A INFÂNCIA:
Diante da diversidade presente na comunidade LGBTQIA+, nem sempre
as crianças apresentarão aspectos considerados “afeminados” ou
“masculinizados” demais para o seu gênero de nascimento – no caso, as
meninas não performam o “ideal” de feminilidade e os meninos são
afetados pela masculinidade tóxica presente nas nossas criações.
Entretanto, existem indivíduos que, na fase escolar, têm personalidades e
comportamentos diferentes do que é esperado socialmente. Dessa forma,
o risco de sofrerem exclusões e/ou agressões de determinado grupo
social é um fator que pode deixar traumas e marcas dolorosas – e, assim,
ser um possível fator de risco para o desenvolvimento de pensamentos
suicidas.

 ISOLAMENTO SOCIAL E SENSAÇÃO DE DESAMPARO: A


adolescência é um momento de transições e mudanças que fazem o
indivíduo questionar a própria existência, buscar o autoconhecimento e
compreender o seu lugar no mundo. A partir disso, ao se perceber
diferente das outras pessoas – e não ter nenhuma referência que gere
identificação -, é bastante comum os indivíduos LGBTQIA+ sentirem-se
desamparados e acabarem de isolando socialmente. Tais comportamentos
pedem atenção da família, da escola e também da própria comunidade
em que este indivíduo está inserido.

 AUSÊNCIA DE APOIO SOCIAL E INSTITUCIONAL: Como dito


anteriormente, a família, a instituição escolar e a comunidade devem
acolher o indivíduo LGBTQIA+ e fazerem o seu papel em prol de uma
sociedade inclusiva e sem LGBTQIA+ fobia. Entretanto, não é o que
acontece na maioria dos casos. Onde tal indivíduo vai encontrar
acolhimento se há situações em que a família não aceita a sua orientação
sexual ou identificação de gênero? Ou até mesmo a instituição escolar
não está preparada para lidar com casos de bullying envolvendo
LGBTQIA+ fobia? E quando acontece no mercado de trabalho, meio
acadêmico ou científico? Por fim, e quando são as igrejas – ambientes
que deveriam ser de acolhimento e bem estar – que estimulam o
preconceito e condenam os indivíduos? São várias barreiras construídas
através dos estigmas sofridos pela comunidade LGBTQIA+ e que
influenciam no possível desenvolvimento de ideações suicidas, no ato
propriamente dito e também no desencadeamento de transtornos
psicológicos.

 MAIOR PROPENSÃO DE DESENVOLVER PROBLEMAS


EMOCIONAIS: A comunidade LGBTQIA+, na maioria das vezes,
enfrenta condições de vida extremamente desfavoráveis. Logo, ter a sua
existência condenada em um país com líderes conservadores, como no
Brasil, é um fator social que, possivelmente, pode influenciar no
desenvolvimento de problemas emocionais.

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