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EXCELENTÍSSIMA SENHORA DOUTORA JUÍZA DE DIREITO DA VARA ÚNICA


DA COMARCA DE ÁGUA CLARA/MS

PRIORIDADE NA TRAMITAÇÃO – PESSOA IDOSA (art. 1.048 do CPC  e 71 do


Estatuto do Idoso).

ODETE DA CUNHA LOUVEIRA, brasileira, aposentada, portadora do RG n°.


371.351 – SSP/MS e do CPF/MF n°. 779.211.781-20, não possui e-mail, residente e
domiciliada na Rua José Candido dos Santos, n°. 42, bairro Jardim das Palmeiras, Água
Clara/MS, CEP: 79.680-000, por intermédio de suas procuradoras infra-assinadas, vem à
presença de Vossa Excelência propor:

AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXIGIBILIDADE DE DÉBITO C/C


REPARAÇÃO DE DANOS PATRIMONIAIS – REPETIÇÃO DE INDÉBITO C/C
PEDIDO DE REPARAÇÃO DE DANOS MORAIS POR DESCONTOS INDEVIDOS
EM CONTA CORRENTE BANCÁRIA C/C TUTELA DE URGÊNCIA EM CARÁTER
LIMINAR

Em face de COMPANHIA DE SEGUROS PREVIDENCIA DO SUL -


PREVISUL, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ n° 92.751.213/0001-73,
com sede na Rua General Câmara, nº 230, andar 07 ao 11, Centro Histórico, Porto Alegre -
RS, CEP 90.010-230, endereço eletrônico vaniza@previsul.com.br, e

BANCO BRADESCO S/A, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ


n° 60.746.948/0001-12, com sede na Rua Cidade de Deus, s/nº, Vila Yara, Osasco/SP, CEP:
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06029-900 e filial na Avenida Benevenuto Ottoni, 02 Centro, Água Clara/MS, pelos fatos e
fundamentos jurídicos adiante aduzidos.

I- DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA

Afirma a parte autora, sob as penas da Lei 1.060/50, ser pessoa juridicamente
pobre, não possuindo condições de arcar com as custas processais e honorários advocatícios,
sem prejuízo do seu sustento e de sua família e, portanto, requerendo os benefícios da
GRATUIDADE DE JUSTIÇA.

II - DA AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO

A autora aduz ter interesse em audiência de conciliação/mediação, assim como


preleciona o artigo 319, VII do Código de Processo Civil.

III - DOS FATOS. DA VERDADE REAL. FRAUDE CONTRA APOSENTADOS

A autora é aposentada pelo INSS e recebe seus proventos por meio do Banco
Bradesco, Agência 1176-2, Conta Corrente n° 0000917-2, conforme documentos anexos,
cabendo ressaltar que se trata de pessoa idosa, humilde e de pouca instrução, contando com 61
anos de idade.

Vem se socorrer do judiciário por estar sendo mais uma lesada das
requeridas, pois, compulsando seus extratos bancários, verifica-se que, em alguns meses,
houveram descontos, mediante débito automático, em favor da requerida COMPANHIA DE
SEGUROS PREVIDENCIA DO SUL - PREVISUL, conforme comprovam os documentos
anexos.

Ocorre que a autora JAMAIS contratou qualquer tipo de serviço/produto, por


qualquer via, seja telefônica ou documental, com a Seguradora em questão e, até então,
ignorava os valores mensalmente descontados em folha de pagamento, NÃO
AUTORIZADOS, nem à Seguradora, tampouco ao Banco Bradesco. Isso porque,
inicialmente, acreditava tratar-se de tarifas bancárias de praxe, por conduta proba e de boa fé
do próprio banco, ora requerido e do qual é cliente correntista, mas jamais imaginando ser
cobranças ilícitas e abusivas das Rés, como no caso em exame.

Posteriormente, decidiu pedir ao Banco que lhe fossem fornecidos extratos dos
meses anteriores, confirmando, por meio deles, que a Seguradora requerida efetuou descontos,
em débito automático ilegítimos, e quando questionou ao Bradesco sobre a origem desse
débito, foi informado que referido seguro representava contrato com terceiros, neste caso,

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com a Seguradora Ré, não fazendo parte das taxas de manutenção de sua conta bancária ou
qualquer serviço na condição de correntista.

Somados os descontos automáticos efetuados da conta corrente da autora em proveito


da Requerida COMPANHIA DE SEGUROS PREVIDENCIA DO SUL, os mesmos
totalizaram o valor principal de R$ 199,60 (cento e noventa e nove reais e sessenta
centavos), cuja atualização segue abaixo:

PLANILHA DE DÉBITOS JUDICIAIS


ATUALIZAÇÃO DE CÁLCULO ODETE DA CUNHA X PREVISUL SEGURADORA
Data de atualização dos valores: novembro/2018
Indexador utilizado: IGP-M - (FGV)
Juros compensatórios simples de 1,00% ao mês
Acréscimo de 0,00% referente a multa.
Honorários advocatícios  de 0,00%.

JUROS JUROS
VALOR
ITE VALOR COMPENSATÓRI MORATÓRI MULTA TOTA
DESCRIÇÃO DATA ATUALIZA
M SINGELO OS  OS  0,00% L
DO
1,00% a.m. 0,00% a.m.
1 Descontos Indevidos 24/4/2018 49,90 53,50 3,75 0,00 0,00 57,25
2 Descontos Indevidos 25/6/2018 49,90 51,92 2,60 0,00 0,00 54,52
3 Descontos Indevidos 25/7/2018 49,90 51,53 2,06 0,00 0,00 53,59
4 Descontos Indevidos 27/8/2018 49,90 51,17 1,54 0,00 0,00 52,71
--------------------------------
Sub-Total R$ 218,07
--------------------------------
TOTAL GERAL R$ 218,07

Sendo idosa, de baixa renda, a diminuição das referidas quantias em seu


orçamento fatalmente lhe causa danos de toda sorte, por cuidar de verba de caráter
alimentar.

Diante do exposto, não resta alternativa para a requerente senão buscar a


intervenção do Poder Judiciário, a fim de cessar imediatamente a conduta ilícita das rés, sem o
prejuízo de sua condenação em danos morais e materiais.

IV - DA TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA

Conforme demonstrado, presentes os requisitos exigidos no Art. 300 do CPC


(probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo) para o
deferimento da tutela pretendida.

No caso em tela, presentes com certeza as duas figuras jurídicas necessárias à


manifestação preventiva do Juiz: o fumus bonis juris e o periculum in mora.

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A tutela preventiva tem por escopo impedir que possam consumar-se danos a
direitos e interesses jurídicos em razão da natural demora na solução dos litígios submetidos
ao crivo do Judiciário.

Muito frequentemente, tais danos são irreversíveis e irreparáveis, impossibilitando


o titular do direito de obter concretamente o benefício decorrente do reconhecimento de sua
pretensão.

A verossimilhança das alegações do Autor advém da notoriedade e dos


documentos que acompanham esta inicial. Em suma: encontram-se preenchidos os requisitos
para o deferimento da tutela ora pleiteada, a saber: o relevante fundamento da demanda
(fumus boni juris) e o justificado receio de ineficácia do provimento final (periculum in
mora).

Sobre a necessidade do deferimento da tutela pretendida, impende destacar o


ensinamento de JOSÉ ROBERTO DOS SANTOS BEDAQUE, segundo o qual:

“(...) o tempo decorrido entre o pedido e a concessão da tutela definitiva, em


qualquer de suas modalidades, pode não ser compatível com a urgência de
determinadas situações, que requerem soluções imediatas, sem o quê ficará
comprometida a satisfação do direito.” (grifamos)

Ademais, em caso semelhante, o posicionamento adotado pela melhor


jurisprudência não tem sido outro se não a suspensão dos indevidos descontos por meio de
concessão liminar. Vejamos:

RECURSO INOMINADO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. DECISÃO


LIMINAR QUE DETERMINOU A SUSPENSÃO DE DESCONTOS INDEVIDOS
NOS CRÉDITOS DA PARTE AUTORA. OBRIGAÇÃO NÃO CUMPRIDA.
RECLAMADA QUE PERSISTE NA COBRANÇA DOS SERVIÇOS. MULTA
POR DESCUMPRIMENTO. VALOR CORRETAMENTE FIXADO. SENTENÇA
MANTIDA. Recurso conhecido e desprovido. (TJ-PR - Recurso Inominado n°
0001104-49.2015.8.16.0044, 3ª TURMA RECURSAL - DM92 – PROJUDI,
Relatora: Fernanda de Quadros Jorgensen Geronasso, Julgamento: 09 de Novembro
de 2016, Publicação: 21/11/2016)

Nesta vertente, a requerente pleiteia a obrigação de fazer às requeridas, em sede


de liminar, para ocorrer à suspensão imediata dos descontos indevidos aqui relatados em
sua conta bancária, no prazo máximo de 48 (quarenta e oito) horas, sob as penas legais.

V - DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA DOS REQUERIDOS. LEGITIMIDADE


DO BANCO
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A Autora sustenta a responsabilidade objetiva dos Requeridos, considerando os
riscos de sua atividade. O Banco ora Requerido, em especial, é parte legítima e deve ser assim
condenado, por gerenciar os descontos da conta corrente da Autora, de modo que é
responsável civilmente por conduta ilícita de terceiros, independente de culpa, em que pese
esta restará cabalmente demonstrada, pelos documentos que eventualmente apresentarão,
vindo à tona a negligência do Banco Requerido no dever de cautela diante da inexistência de
relação contratual com as Seguradoras trazida à baila.

A jurisprudência assim se posiciona:

Ementa: APELAÇÃO CÍVEL – DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE


RELAÇÃO JURÍDICA E DÉBITO – DESCONTOS INDEVIDOS NOS
PROVENTOS PREVIDENCIÁRIOS – CERCEAMENTO DE DEFESA –
JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE PEDIDO PELO APELANTE –
IMPERTINÊNCIA DA MATÉRIA – ATO ILÍCITO DE TERCEIRO –
RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO BANCO . AGRAVO RETIDO –
PRETENSÃO DE REDUZIR A MULTA DIÁRIA
PARA SUSPENSÃO DOS DESCONTOS INDEVIDOS E
DESCUMPRIMENTO DA TUTELA ANTECIPADA PARA NÃO INCLUSÃO
DO NOME DO AUTOR EM CADASTROS DE ÓRGÃOS DE PROTEÇÃO AO
CRÉDITO – DESPROVIMENTO – REPETIÇÃO EM DOBRO DO INDÉBITO –
POSSIBILIDADE. DANO MORAL – INDENIZAÇÃO RAZOÁVEL. DANO
MORAL – JUROS DE MORA DESDE A CITAÇÃO – CORREÇÃO
MONETÁRIA A PARTIR DO ARBITRAMENTO – AGRAVO RETIDO
DESPROVIDO – RECURSO DE APELAÇÃO PROVIDO PARCIALMENTE. É
impertinente a alegação de cerceamento de prova pericial por quem requer o
julgamento antecipado da lide. O banco assume os riscos de sua atividade,
portanto, é responsável civilmente por  descontos indevidos na conta de cliente,
ainda que provenientes de ato ilícito de terceiro . O desconto indevido em
proventos da aposentadoria resulta em dano moral indenizável, com juros de mora
desde a citação e a correção monetária desde o arbitramento. Constatado
serem indevidos os descontos realizados nos proventos de aposentadoria, a vítima
faz jus à devolução em dobro do que lhe foi suprimido. (TJ-MT –Ap 34268/2010,
DES. JURACY PERSIANI, SEXTA CÂMARA CÍVEL, Julgado em 24/11/2010,
Publicado no DJE 03/12/2010)

Ementa:  AGRAVO DE
INSTRUMENTO. SUSPENSÃO DE DESCONTOS INDEVIDOS NA
APOSENTADORIA DO POSTULANTE. RESPONSABILIDADE DO BANCO
EM SOLICITAR AO ÓRGÃO PAGADOR O SOBRESTAMENTO
DOS DESCONTOS E PROCEDER O ESTORNO NA HIPÓTESE DE
CONTINUIDADE. I) O fato de os descontos oriundos de empréstimo consignado
serem implementados pelo órgão pagador, não exime o banco da responsabilidade
de comprovar a solicitação da suspensão dos descontos, bem como de estornar o
valor no caso de continuidade dos mesmos. MULTA DIÁRIA. CABIMENTO.
ARTIGOS 536 E 537 DO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL . VALOR
MANTIDO POR ESTAR DE ACORDO COM A FINALIDADE QUE SE
PRETENDE ALCANÇAR. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. I) A multa
tem caráter coercitivo, cuja finalidade é intimidar e constranger o devedor a
cumprir a determinação judicial que lhe impôs uma obrigação de fazer ou não
fazer. Previsão no NCPC , nos arts. 536 e 537 . II) Tendo em vista o objetivo
primordial da multa cominatória, qual seja, o de causar temor no devedor de
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obrigação de fazer ou não fazer em descumprir mandamento constante em decisão
judicial, deve ser fixada em valor razoável porém suficiente para compelir ao
cumprimento da obrigação. III) Recurso parcialmente provido. (TJ-MS – Agravo
de Instrumento AI 14081420820178120000 MS 1408142-08.2017.8.12.0000 (TJ-
MS), Relator: Dorival Renato Pavan, Data do Julgamento: 06/09/2017, Data de
Publicação: 06/09/2017)

Destarte, a condenação é medida que se impõe.

VI– DA DEFESA DO CONSUMIDOR. PRÁTICA ABUSIVA

É de se ver que se trata de uma relação de consumo que, como tal, garante a
Autora os direitos básicos previstos na Lei 8.078/90, Código de Defesa do Consumidor, quais
sejam, dentre outros:

Art. 6º São direitos básicos do consumidor:

(...)

IV - a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais


coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas
no fornecimento de produtos e serviços;

(...)

VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais,


coletivos e difusos;
VII - o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com vistas à prevenção ou
reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou difusos,
assegurada a proteção Jurídica, administrativa e técnica aos necessitados;

VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da


prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a
alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de
experiências;

Ademais, o art. 39, III do CDC complementa: É vedado ao fornecedor de produtos


ou serviços, dentre outras práticas abusivas:

III- enviar ou entregar ao consumidor, sem solicitação prévia, qualquer produto, ou


fornecer qualquer serviço;
IV - prevalecer-se da fraqueza ou ignorância do consumidor, tendo em vista sua
idade, saúde, conhecimento ou condição social, para impingir-lhe seus produtos ou
serviços;

Desta forma, a Autora invoca, desde logo, a proteção aos direitos do consumidor,
em especial a efetiva reparação dos danos materiais e morais decorrentes da prática de
métodos comerciais coercitivos, desleais e abusivos.

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Pleiteia, ainda, a proteção aos direitos do consumidor para que se determine a
inversão do ônus da prova, sem a qual seria inviável o exercício dos referidos direitos, uma
vez que é hipossuficiente em face dos Réus, pois estes que possuem acesso a eventuais provas
e demais arquivos e contratos firmados entre as partes.

Destaque-se que a verossimilhança das alegações da Autora está consubstanciada


na mais do que suficiente prova documental acostada a esta inicial (INCLUSIVE A
INÚMERAS RECLAMAÇÕES DA MESMA NATUREZA DOS CONSUMIDORES
EM SITES DE PROTEÇÃO AO CONSUMIDOR).

VII – DOS DANOS MATERIAIS E MORAIS

O direito à indenização por danos materiais e morais encontra-se expressamente


consagrado em nossa Carta Magna, como se vê pela leitura de seu artigo 5º, incisos V e X, os
quais menciono: "É assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da
indenização por dano material, moral ou à imagem" (artigo 5º, inciso V, CF). E mais:

"São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas,


assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral, decorrente de sua violação"
(artigo 5º, inciso X, CF).

É correto que, antes mesmo do direito à indenização material e moral ter sido
erigido à categoria de garantia constitucional, já era previsto em nossa legislação
infraconstitucional, bem como, reconhecido pela Justiça.

O comando constitucional do art. 5º, V e X, também é claro quanto ao direito da


parte autora à indenização dos danos morais sofridos. É um direito constitucional.

E se não bastasse o direito constitucional previsto no art. 5º, é a própria Lex Mater
que em seu preâmbulo alicerça solidamente como um dos princípios fundamentais de nossa
nação e, via de consequência, da vida em sociedade, a defesa da dignidade da pessoa humana.
Dignidade que foi ultrajada, desprezadas pelas Rés.

A indenização dos danos morais e materiais que se pleiteia é direito constitucional


a todos. E no ordenamento jurídico infra constitucional, além do CDC, está o Código de Leis
Substantivas Civis de 2002 a defender o mesmo direito da parte autora. Com efeito o artigo
927 do Código Civil apressa-se em prenunciar a obrigação de reparar que recai sobre aquele
que causar dano a outrem por ato ilícito.

E o ato ilícito presente neste acidente de consumo é, conforme norma ínsita no


artigo 186 do Códex Civil, a ação ou omissão voluntária das Rés que vieram a causar dano à
parte autora.

É assente a doutrina no sentido da reparação do dano sofrido. Assim é que Sérgio


Severo afirma: “Dano patrimonial é aquele que repercute, direta ou indiretamente, sobre o
patrimônio da vítima, reduzindo-o de forma determinável, gerando uma menos-valia, que
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deve ser indenizada para que se reconduza o patrimônio ao seu status que ante, seja por uma
reposição in natura ou por equivalente pecuniário.” (In Os Danos Extrapatrimoniais. São
Paulo: Saraiva, 1996, p. 40).

“Dano moral é aquele que, direta ou indiretamente, a pessoa, física ou jurídica,


bem assim a coletividade, sofre no aspecto não econômico dos seus bens jurídicos”. (Op. Cit.
p. 42). E, mais:

Quanto ao valor ou critério de seu estabelecimento, já se firmou a


jurisprudência: “Na indenização a título de danos morais, como é
impossível encontrar um critério objetivo e uniforme para a avaliação
dos interesses morais afetados, a medida da prestação do
ressarcimento deve ser fixada a arbítrio do juiz, levando-se em conta
as circunstâncias do caso, a situação econômica das partes e a
gravidade da ofensa, de modo a produzir, no causador do mal, impacto
bastante para dissuadi-lo de igual e novo atentado, sem, contudo,
significar um enriquecimento sem causa da vítima, visto que quem
está enriquecendo ilicitamente é a empresa UOL ao se apropriar
indevidamente dos recursos financeiros da Autora. (TJ-MG – Ac. da
2ª Câm. Cív. julg. em 22-5-2001 – Ap. 000.197.132-4/00-Divinópolis
– Rel. Dês. Abreu Leite; in ADCOAS 8204862).

A vista do alegado, e da fraude praticada, a Requerente pleiteia a indenização por


Danos Morais, em patamar de 40(quarenta) salários mínimos vigentes, o que perfaz
atualmente o valor de R$ 38.160,00 (trinta e oito mil cento e sessenta reais), observados os
parâmetros utilizados em demandas análogas, tendo em vista a reiterada prática abusiva
praticada pelas Rés, a fim de responder não só a efetiva reparação do dano, mas também ao
caráter preventivo-pedagógico do instituto, no sentido de que no futuro o fornecedor de
serviços tenha mais cuidado e zelo com o consumidor sem, contudo, caracterizar em hipótese
alguma enriquecimento ilícito por parte da Autora, pois o Princípio da Razoabilidade das
indenizações por danos morais é um prêmio aos maus prestadores de serviços, públicos e
privados.

O que se reclama é uma correção do desvio de perspectiva dos que, à guisa de


impedir o enriquecimento sem causa do lesado, sem perceber, admitem um enriquecimento
indireto do causador do dano.

Em relação ao dano material, vale mencionar que segundo o artigo 42 do Código


de Defesa do Consumidor garante que a consumidora, quando cobrada em quantia indevida,
tem direito à repetição indébito, por valor igual ao dobro, como podemos observar:

Art. 42. Na cobrança de débitos, o consumidor inadimplente não será exposto a


ridículo, nem será submetido a qualquer tipo de constrangimento ou ameaça.

Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à


repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que pagou em excesso,
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acrescido de correção monetária e juros legais, salvo hipótese de engano
justificável. (grifo nosso).

Este é o entendimento jurisprudencial adotado em nosso sistema jurídico, como


pode ser observado:

Ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM APELAÇÃO CÍVEL – AÇÃO


DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C INDENIZAÇÃO POR
DANOS MORAIS – DEMONSTRAÇÃO PELA PARTE AUTORA DA
COBRANÇA INDEVIDA DE VALORES NÃO CONTRATADOS
– REPETIÇÃO EM DOBRO DOS VALORES – DEVIDA – ART. 42,
PARÁGRAFO ÚNICO DO CDC – VALOR DA INDENIZAÇÃO – JUSTA
COMPENSAÇÃO – CARÁTER PEDAGÓGICO – MAJORAÇÃO DEVIDA –
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS – MAJORADOS – AUSÊNCIA DE
ARGUMENTO CAPAZ DE INFIRMAR A DECISÃO RECORRIDA – DECISÃO
MANTIDA – RECURSO IMPROVIDO De acordo com o parágrafo único, do art.
42, do Código de Defesa do Consumidor, "o consumidor cobrado em quantia
indevida tem direito à repetição do indébito, por valor igual ao dobro do
que pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros legais, salvo
hipótese de engano justificável". A fixação do valor da indenização por danos
morais deve considerar a justa compensação e o caráter pedagógico, levando-se em
consideração as nuances que precederam a ocorrência do fato ensejador da
reparação. O arbitramento de honorários cujo montante se afaste do princípio da
razoabilidade, sob pena de distanciamento do juízo de equidade insculpido no art.
20, § 4º, do CPC e consequente desqualificação do trabalho desenvolvido pelo
advogado, deve ser revisto. Quando o agravante não apresenta qualquer argumento
capaz de infirmar a decisão agravada, inviável a retratação do posicionamento
exarado, devendo ser mantido o decisum que negou seguimento ao recurso ante a
jurisprudência dominante do Tribunal de Justiça respectivo. ( TJ-MS - Agravo
Regimental AGR 08023417220148120031 MS 0802341-72.2014.8.12.0031 , 4ª
Câmara Cível, Des. Claudionor Miguel Abss Duarte, Data do Julgamento:
17/02/2016, Data de publicação: 18/02/2016)

Nesta esteira, as Rés demandadas, com seus atos, causaram e ainda causam
prejuízos financeiros a Autora, devendo responder objetivamente por tais danos, com
devolução em dobro das parcelas descontadas indevidamente e sem autorização, já apuradas
em tópico superior.

VII- DOS PEDIDOS

Diante de todo o exposto, REQUER:

a) Seja concedida medida liminar - Inaudita altera parte – a fim de


DETERMINAR às Rés que se abstenham de descontar quaisquer valores em
folha de pagamento em nome do Promovente, no prazo máximo de 48
(quarenta e oito) horas, a contar da decisão judicial, abstendo-se de inserir o
nome do Autor no Cadastro Restritivo de Crédito (SPC/SERASA/PROTESTO
EXTRATJUDICIAL), enquanto tramitar este feito, bem como arbitrada multa
diária a ser estipulada pelo douto juiz do feito em caso de descumprimento da
decisão liminar;

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b) A designação de audiência de Conciliação/Mediação;

c) Não havendo acordo, seja reconhecida a legitimidade das Requeridas a


responderem solidária e objetivamente, considerando os riscos de sua
atividade, determinando a citação, via postal, no endereço constante da
primeira página, para, querendo, comparecerem à audiência conciliatória e/ou
formular defesa, sob pena de confissão quanto aos fatos aqui discorridos,
apresentando cópia do suposto contrato assinado em via original pela Autora;

d) Seja conhecida e declarada como abusiva a cobrança dos valores a título


de “PREVISUL” e a respectiva devolução/ressarcimento em dobro do
valor mensalmente descontados com esse fim, desde a data de 25/08/2017
e os subsequentes, sendo que, atualmente tais valores perfizeram o
montante de R$ R$ 218,07 (duzentos e dezoito reais e sete centavos), o que
em dobro corresponde a R$ 436,14 (quatrocentos e trinta e seis reais e
quatorze centavos), correção monetária e juros legais, consoante ao Art. 42,
parágrafo único do Código de Defesa do Consumidor- lei 8.078/90, em razão
de terem sido descontados indevidamente, à título de dano material;

e) d) Inversão do ônus da prova conforme o art. 6º, VIII, do CDC que constitui
direito básico do consumidor a facilitação da defesa dos seus direitos em
juízo;

f) e) Seja, ao final, julgado procedente a presente demanda, para tornar definitiva


a tutela antecipada deferida e condenar as Rés a pagarem a parte Autora o
valor de valor R$ 38.160,00 (trinta e oito mil cento e sessenta reais), pelos
danos morais;

g) Justiça gratuita à Autora e condenação em custas e honorários advocatícios à


Ré.

Por último, protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito
admitidos.

Dá-se a causa o valor de R$ 38.596,14 (trinta e oito mil, quinhentos e noventa e


seis reais e quatorze centavos).

Nestes termos, pede deferimento.


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Água Clara/MS, 30 de novembro de 2018.

Ana Paula Rezende Munhoz Dubiela Kelly Tatiane Gonçalves dos


Santos
Advogada
Advogada
OAB/MS 10.558 OAB/MS 12.987

Carolina Cunha Calazans Danielle dos Santos Reis


Advogada Advogada
OAB/MS 19.578 OAB/MS 23.222

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