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EXMO. SR.

DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ___ª VARA CÍVEL DA


COMARCA DE OLINDA/PE.

JOÃO CARLOS DA SILVA, brasileiro, casado,


desempregado, portador do RG nº 3.283.230, inscrito no
CPF/MF sob o nº 897.787.675-32 – SDS/PE, com endereço na
Av. Vasco Rodrigues, 543, Peixinhos, Olinda - PE, CEP:
53.220-375, e-mail: joaodasilva@gmail.com, por meio do seu
advogado ao final assinado, constituído nos termos do
instrumento procuratório em anexo (vide doc 1 ou ID nº...),
com endereço profissional na Rua do Espinheiro, 800,
Espinheiro, Recife – PE, CEP: 52.020-020, e-mail:
fsilvaadv@gmail.com, onde deverá receber todas as
intimações processuais, vem à presença de V.Exa. propor a
presente

AÇÃO DE COBRANÇA DE DÍVIDAS


em face de MÁRIO RAIMUNDO DOS SANTOS, brasileiro, casado,
administrador de empresas, portador do RG nº 6.786.123-
SDS/PE, inscrito no CPF/MF sob o nº 068.987.985.68, com
endereço na Rua Portugal, nº 210, Jardim Brasil, Olinda/PE,
CEP: 30.030-030, pelos motivos de fato e de direito que se
expõem:

DOS BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA

De início informa a esse Douto Juízo Monocrático que o


autor é pobre na forma da lei, estando inclusive,
desempregado, conforme se vislumbra no preâmbulo, e,
portanto, vem requerer os benefícios da gratuidade da
justiça, nos termos do art. 5º, LXXXIV, CF/88, c/c arts. 98
e ss. do CPC/2015, o que desde logo, requer pelo seu
DEFERIMENTO, conforme se depreende na Declaração de
Hipossuficiência em anexo (vide Doc. 02 ou ID ...).

I – DOS FATOS

O AUTOR da demanda em comento formalizou


contrato de compra e venda (vide doc. 3 ou ID...) de
automóvel da marca Volkswagen, modelo Voyage, 1.6 flex, 4p,
placa XYZ-3223, ano 2019/2020, de sua propriedade com o sr.
MÁRIO RAIMUNDO DOS SANTOS no valor de R$ 50.000,00
(cinquenta mil reais). Na ocasião, as partes acordaram que
o comprador pagaria integralmente o valor devido por meio
de cheque pré-datado (vide doc. 4 ou ID...) para o dia
16/02/2021, um mês após a formalização do contrato. Foi
convencionado entre as partes que a transferência da posse
e a entrega do bem com todos os seus acessórios, tais
quais, chaves, documento, manual, livro de manutenção,
vistoria e revisão seriam entregues na data da formalização
do negócio jurídico, em 16/01/2021, ficando ressalvado
apenas o registro de propriedade para a data de compensação
do cheque em 16/02/2021. Ocorre que, na data acordada para
recebimento do valor, o cheque foi devolvido por falta de
fundos e o REQUERENTE foi informado pelo gerente do banco
do devedor que a conta do demandado havia sido encerrada há
pelo menos 6 meses. Diante dessa informação o AUTOR
procurou por diversas vezes o demandado para cobrar o valor
total da dívida, mas não obteve êxito. Diante da
insistência do credor, o devedor informou que só poderia
pagar a quantia de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil), metade
do valor pactuado, e que não teria mais como pagar o
restante do valor devido, quantia de R$ 25.000,00 (vinte e
cinco mil). Tendo o seu direito violado, o AUTOR decidiu
procurar o poder jurisdicional do Estado para ter seu dano
reparado.

II – FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA

O Código Civil brasileiro em suas


disposições gerais sobre os contratos apresenta-nos um
dispositivo que alude sobre a necessidade de as partes
manterem em todas as fases do contrato conduta de probidade
e lealdade. Tal preceito é compreendido como boa-fé
objetiva. Art. 422 do CCB.

“Art. 422: Os contratantes são obrigados a


guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua
execução, os princípios de probidade e boa-fé.”
Vê-se claramente, adentrando ao mérito da
ação que o direito material do AUTOR está sendo lesado de
acordo com os arts. 478 c/c 489 do CC/02, que textualmente
estabelece, “in verbis”:

“Art. 478: Nos contratos de execução


continuada ou diferida, se a prestação de uma das partes se
tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a
outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e
imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do
contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão
à data da citação.”

Além da previsibilidade legal


supramencionada, a doutrina majoritária, a luz de Flávio
Tartuce, chama a nossa atenção para a necessidade de
observação do princípio do PACTA SUNT SERVANDA nas relações
contratuais. Diz o referido autor: “a força obrigatória dos
contratos prevê que tem força de lei o estipulado pelas
partes na avença, constrangendo os contratantes ao
cumprimento do conteúdo completo do negócio jurídico.”
(TARTUCE, 2019:95).

Por fim, a jurisprudência é pacífica, sobre


o direito aqui pleiteado, quando decidiu em Recurso de
Apelação nº 0019442-37.2011.8.08.0011, do TJ/ES, a possibilidade de
pagamento do débito pelo comprador. Vide Ementa em
sucessivo, “ipsis verbis”:

APELAÇÃO CÍVEL – PRELIMINAR DE INTEMPESTIVIDADE


RECURSAL REJEITADA – MÉRITO - EMBARGOS À EXECUÇÃO –
INADIMPLEMENTO PARCIAL DE CONTRATO DE COMPRA E
VENDA DE VEÍCULO – OBRIGAÇÃO NÃO EXECUTADA –
APLICAÇÃO DO ART. 333, II, DO CPC - RECURSO
IMPROVIDO.
1. Rejeita-se a alegação de intempestividade
recursal porque o apelante foi devidamente intimado
para ciência da sentença
recorrida por meio de sua publicação no Diário de
Justiça no dia 10/09/2013 e, de acordo com a
Resolução deste e. TJES nº
006/2010, é considerada como data da publicação o
dia 11/09/213, começando o prazo para interposição
do recurso a correr a partir do dia 12/09/2013 e
esgotando-se em 26/09/2013, data do protocolo do
recurso.
2. Se o comprador do veículo assume que não cumpriu
integralmente o contrato porque não executou uma
obrigação firmada como parte do pagamento do preço
do veículo, mas afirma que assim agiu por culpa
exclusiva do vendedor, deve fazer prova de suas
alegações, como determina o art. 333, II, do CPC.
3. Neste caso concreto, o embargante assumiu, de
acordo com o art. 333, II, do CPC, o ônus de provar
suas alegações, mas
não foi capaz de dele se desincumbir, já que,
embora afirme que a área onde seria instalada a
cobertura contratada precisava de uma preparação a
ser realizada pelo embargado, tal circunstância não
está prevista no contrato e nem foi
demonstrada/provada nos autos, porque no contrato
não há nenhuma cláusula prevendo a necessidade
prévia da preparação do ambiente pelo vendedor e
não houve prova de que tal tratativa teria sido
realizada posteriormente.
4. De outra banda, a alegação de que foram
instalados os pilares (que fazem parte da
instalação da cobertura) não foi
comprovada e ainda que tivesse sido, tal
circunstância não é capaz de satisfazer a obrigação
de instalação da cobertura e,
portanto, não serve para os fins almejados pelo
apelante. Sequer um abatimento no valor da execução
seria possível,
mormente se não foi realizada a respectiva
valoração na petição inicial, como determina o 739-
A, § 5º, do CPC.
5. Por fim, não restou comprovada, ainda, a
alegação de que as testemunhas que assinaram o
contrato executado não
presenciaram o fato e, tão pouco, a má-fé do
apelado, que utilizou de um direito seu de acesso à
Justiça para executar, em
juízo, as cláusulas contratuais de seu interesse.
6. Recurso improvido.
Inúteis foram os esforços do autor para
receber seu crédito, não restando alternativa a não ser a
tutela jurisdicional do Estado.

Em razão do dito contrato não dispor de


força executiva, O AUTOR OPTOU PELO MANEJO DA AÇÃO DE
COBRANÇA.

III – DOS PEDIDOS

Ante o exposto, pugna a AUTORA:

a) Seja concedida a Assistência Judiciária gratuita, em


todos os termos constantes na preliminar suscitada, o
que desde logo se reitera, conforme arts. 98 e ss.
CPC/15;

b) Assim sendo, requer a citação do demandado, pelos


correios “AR”, Art. 246, I do NCPC, no endereço
indicado no preâmbulo para que o mesmo, querendo,
apresente sua resposta no prazo legal, sob pena de
revelia, Art. 344 do NCPC.

c) QUE O RÉU SEJA CONDENADO A PAGAR a importância de


R$25.000,00, e a sentença seja julgada procedente,
para reconhecendo a obrigação do réu devedor, e seja o
mesmo condenado a pagar a importância cobrada,
acrescida de correção monetária e juros de mora,
honorários advocatícios na base de 20% do valor
apurado e o reembolso das custas processuais, sob pena
de execução.
d) Vem à presença de V. Exª, outrossim, não opção de
tentativa de conciliação ou mediação, conforme
disposto no inc. VII, do art. 319 NCPC.

Por fim, requer todos os meios de provas admitidas


pelo Art 369 e ss. do NCPC, especialmente o depoimento
do demandado e oitiva de testemunhas, perícias que se
fizerem necessárias e a juntada de documentos.

Dá-se à causa o valor de R$25.632,50.

Nestes termos,

Pede e espera deferimento.

Recife, 24 de março de 2021

Fábio Ricardo Silva


OAB/PE XXXXXX

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