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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL E CRIMINAL

DA COMARCA DE FLORESTA DO ESTADO DE PERNAMBUCO.

Autos sob o n.º:

Autor: Ricardo

Réu: Luiz

Luiz, já qualificado nos autos acima destacados, por intermédio do seu advogado
regularmente constituído, e que ao final assina, vem perante deste douto juízo interpor
RECURSO INOMINADO, conforme permissivo contido no artigo 41, §1, da Lei Federal n.º 9.099,
de 1995, com base no que a seguir se articula.

De forma oportuna, requer que este recurso seja recebido, processado e remetido à
Turma Recursal de Juizado Especial.

Nestes Termos,

Pede e espera deferimento.

Local, data.

Advogado

OAB.UF n.º

EGRÉGIA TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS E CRIMINAIS DA COMARCA DE


FLORESTA DO ESTADO DE PERNAMBUCO.

Recorrente: Luiz

Recorrido: Ricardo

Insigne Turma

I Da Tempestividade

O prazo recursal, à luz dos artigos 42 e 12-A, da Lei Federal n.º 9.099, de 1995, é de 10
dias úteis. Logo, sabendo que o publicação da sentença vergastada se deu aos dias , e que
o prazo para interposição deste recurso vai ate os dias , tem-se que o presente recurso é
tempestivo.

II Do Preparo

Juntou-se o competente preparo.

III Dos Fatos

O ora recorrido ajuizou ação buscando a condenação do recorrente em perdas e


danos, além de danos morais, alegando quebra de contrato, visto que haviam celebrado
avença na qual o recorrente realizaria o transporte do recorrido até a cidade onde ocorreria
um concurso televisivo, mediante o pagamento de um valor que fora acertado de maneira
adiantada. Ocorre que o réu da ação, aqui recorrente, acabou não cumprindo o contrato,
ressaltando-se que houve a total devolução do valor pago.

Diante disto, o magistrado de piso proferiu sentença procedente ao pedido do autor,


aqui recorrido, e condenou o recorrente ao pagamento de cinco vezes o valor por recebido
pela contraprestação que deveria ter prestado, além do pagamento de um quarto do prêmio
final que seria pago ao vencedor do referido concurso, como forma de indenização por danos
morais.

É a síntese do importante.

IV Do direito

Descabida foi a sentença do ilustre magistrado de piso. Vejamos:

Para haver condenação por perdas e danos, conforme estabelece o artigo 475,
necessário se faz a demonstração do real prejuízo suportado, à luz do artigo 944, da Lei Civil, o
que não fora feito em momento algum do processo, logo, uma vez que o recorrido não
apresentou quantitativo real do dano por ele suportado, descabida se faz a condenação.
Ressaltando-se que o recorrido foi devidamente restituído pelos valores pagos.

Outrossim, oportuno se faz mencionar que o autor, ora recorrido, incorreu em culpa
concorrente visto que não adotou outra medida para que pudesse participar do concurso,
como a de utilizar o ônibus que iria até a cidade onde o evento se realizaria. Logo, e de acordo
com o artigo 945, do Código Civil, e em virtude da concorrência de culpas, havendo dano a ser
reparado, este deve ser fixado proporcionalmente à culpa concorrente das partes.

Ademais, a jurisprudência é pacífica no adotar da teoria da Perda de Uma Chance,


estabelecendo tal entendimento que deve ser demonstrado que havia chance real de se
conseguir o objetivo pretendido na chance perdida, o que novamente não foi feito pelo
recorrido, visto que este participaria de um concurso com trinta mil candidatos, logo não tinha
como ter certeza de que receberia o prêmio. Diante disto, descabida se faz a condenação por
danos morais, ao menos no importe fixado na sentença.
V dos requerimentos

Ante o exposto, se requer:

i) O recebimento do presente recurso em seus efeitos devolutivos e suspensivo;


ii) a reforma da sentença vergastada, para que: i) não haja a condenação ao
pagamento de perdas e danos, pois o recorrido não demonstrou o real
quantum do prejuízo por ele alegado, condição exigida, com base no artigo
944, do Código Civil, para que haja a referida condenação; b) o
reconhecimento da culpa concorrente, conforme dispõe o artigo 945, da Lei
civil, a fim de que, havendo dano a ser reparado, este seja fixado observando-
se a culpa concorrente das partes; c) o afastamento da condenação em danos
morais, no quantum fixado, pelo menos, visto que o recorrido não demonstrou
que havia certeza da obtenção do prêmio do concurso do qual ele participaria,
dando atenção a teoria do Perda de Uma Chance;
iii) a condenação do recorrido no pagamento de custas e no ônus da
sucumbência.

Nestes termos,

Pede deferimento.

Local, data.

Advogado

OAB.UF n.º

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