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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO

INSTITUTO MULTIDISCIPLINAR
DEPARTAMENTO DE LETRAS
Aluno: PAULO HENRIQUE PORTUGAL COSTA
Matrícula: 20190020065
Disciplina: AA765 – ESTÁGIO SUPERVISIONADO I
Professor: CARMEN PIMENTEL
RESENHA CRÍTICA DA BNCC — BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR
PARA LÍNGUA PORTUGUESA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
A Base Nacional Comum Curricular é um documento que apresenta informações sobre a
organização dos currículos escolares brasileiros, isto é, sobre as aprendizagem essenciais, os
conteúdos mínimos, as habilidades e competências que os estudantes necessitam desenvolver
durante os anos na Educação Básica e tem como referência a formulação e adequação dos
currículos dos sistemas de ensino escolares. Além disto procura orientar a escola e os
professores para que promovam uma educação motivadora, com protagonismo do aluno,
alinhando-se à formação de professores e às políticas de avaliação, de conteúdos educacionais
e aos critérios para oferta de infraestrutura adequada. Seu texto se baseia no Art. 210 da
Constituição de 1988, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9394/96), nas
Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica (DCN, 2013), no Plano Nacional de
Educação (PNE, 2014) e foi elaborado em regime de colaboração de diferentes esferas da
sociedade, por meio de audiências públicas, de sugestões feitas pela sociedade e de revisão
por um grupo de especialistas vinculados ao MEC — Ministério da Educação.
A BNCC parte do princípio de que as decisões curriculares e didático-pedagógicas das
Secretarias de Educação devem levar em consideração as desigualdades sociais e superá-las,
sendo necessário que os sistemas e redes de ensino e as instituições escolares planejem-se
com foco na equidade. Por isso, define que todas as aprendizagens pretendem assegurar uma
formação humana integral visando construir uma sociedade justa, democrática e inclusiva e,
assim, devem convergir, ao longo da Educação Básica, em diversas capacidades de atuar a
partir da reunião de diferentes conhecimentos, habilidades, atitudes e valores — dispostas em
dez Competências Gerais.

Está organizada em quatro áreas do conhecimento: Linguagens e suas Tecnologias;


Matemática e suas Tecnologias; Ciências da Natureza e suas Tecnologias; e Ciências
Humanas e Sociais Aplicadas.
No Ensino Fundamental, a BNCC dispões cinco Áreas do Conhecimento, disposta em oito
Componentes Curriculares nos Anos Iniciais, 1º ao 5º ano, e em nove nos Anos Finais, 6º ao
9º ano. E, ainda, determina que cada Componente Curricular apresente um conjunto de
Habilidades relacionadas ao seu Objeto de conhecimento — conteúdos, conceitos e processos
— organizados em unidades temáticas. Estas Habilidades são expressas numa relação de
processos cognitivos, objetos de conhecimento e contextos envolvidos a ser adquirida.
O ensino do componente curricular Língua Portuguesa, na BNCC, dialogando com as atuais
tendências das produções sobre sua didática, desenvolve-se a partir da perspectiva
enunciativo-discursiva de linguagem, que assume o texto como unidade de trabalho, em
constante relação ao contexto de produção e ao desenvolvimento de habilidades voltadas para
o uso significativo da linguagem em suas diferentes práticas.
O documento define que estas práticas de linguagem devem ser trabalhadas por meio de Eixos
de integração: Leitura, práticas de linguagem que envolvem a interação do leitor com os
textos (verbais e não-verbais) e sua interpretação; Produção de Textos, práticas que envolvem
interação e autoria do texto; Oralidade, práticas que envolvem a situação oral; Análise
Linguística/Semiótica, práticas que envolvem procedimentos e estratégias de análise e
avaliação nos processos de leitura e produção de textos.
Na escola, o estudo da natureza teórica e metalinguística não deve estar centrada em si
mesmo. Assim, a BNCC define que estes Eixos devem estar envolvidos em práticas de
reflexão, que se entrelaçam com os Campos de atuação, que juntos orientam os gêneros, as
práticas, as atividades e os procedimentos, apontando para uma contextualização do
conhecimento escolar e para práticas que envolvam situações da vida social significativas aos
estudantes. No documento, os Campos de Atuação da Língua Portuguesa nos anos iniciais do
Ensino Fundamental são: Campo da vida cotidiana, que envolvem os textos vivenciados no
espaço doméstico, familiar, escolar, próprias de atividades cotidianas; Campo artístico-
literário, que envolvem os textos literários e artísticos, representam a diversidade cultural e
linguística e favorecem diferentes experiencias estéticas; Campo das práticas de estudo e
pesquisa, que envolve os textos expositivos e argumentativos e que apresentam linguagens e

práticas relacionadas ao estudo, a pesquisa e a divulgação científica; e Campo de atuação na


vida pública, que envolve as situações de leitura e produção de textos das esferas jornalística,
publicitária, política, jurídica e reivindicatória e que apresentam temas sobre cidadania e
exercício de direitos.
Para cada Campo de Atuação, os Objetos de conhecimento e as Habilidades estão organizadas
a partir do Eixos e distribuídos pelos nove anos do Ensino Fundamental em seis segmentos —
1º ao 5º ano; 1º e 2º anos; 3º ao 5º ano; 6º ao 9º ano; 6º e 7º anos; e 8º e 9º anos.
A BNCC apresenta quadros de cada campo de experiência, organizados em colunas que
detalham sua prática de linguagem (Eixo de integração), definidora do Objeto de
conhecimento que se relaciona à(s) Habilidade(s) a ser(em) desenvolvida(s), conforme
ilustração a seguir.
Tabela 1

LÍNGUA PORTUGUESA — 1º AO 5º ANO

HABILIDADES
PRÁTICAS DE OBJETOS DE
LINGUAGEM CONHECIMENTO
3º ANO 5º ANO

TODOS OS CAMPOS DE ATUAÇÃO

(EF15LP01) Identificar a função social de textos que


circulam em campos da vida social dos quais participa
Leitura/escuta Reconstrução das cotidianamente (a casa, a rua, a comunidade, a escola)
(compartilhada e condições de produção e e nas mídias impressa, de massa e digital,
autônoma) recepção de textos reconhecendo para que foram produzidos, onde
circulam, quem os produziu e a quem se destinam.

CAMPO ARTÍSTICO-LITERÁRIO

(EF35LP25) Criar narrativas ficcionais, com certa


autonomia, utilizando detalhes descritivos, sequências
de eventos e imagens apropriadas para sustentar o
sentido do texto, e marcadores de tempo, espaço e de
Produção de textos fala de personagens.
Escrita autônoma e
(escrita compartilhada e (EF35LP26) Ler e compreender, com certa
compartilhada
autônoma) autonomia, narrativas ficcionais que apresentem
cenários e personagens, observando os elementos da
estrutura narrativa: enredo, tempo, espaço,
personagens, narrador e a construção do discurso
indireto e discurso direto.
(EF35LP29) Identificar, em narrativas, cenário,
Análise linguística/ personagem central, conflito gerador, resolução e o
Forma de composição de
semiótica ponto de vista com base no qual histórias são
narrativas
(Ortografização) narradas, diferenciando narrativas em primeira e
terceira pessoas.

Adaptado de: BNCC, 2018.

São muitos os desafios que a educação escolar brasileira precisa enfrentar mediante a
desigualdade social, e a BNCC se mostra como uma boa base para tal enfrentamento. Para
que haja um rompimento com estas desigualdades, é necessário que a educação seja
emancipatória, que siga um projeto decolonial de forma a romper não só com as realidades
opressoras, mas também compreender que existe um sistema opressor presente em nosso país
e que é preciso combatê-lo. Assim, é necessário pensar a Escola como o espaço de formação
dos sujeitos dessa sociedade e, portanto, decolonizá-la pensando nas e fazendo uso das
ferramentas disponíveis para desenvolver este trabalho. O professor de Língua Portuguesa
tem um importante e necessário papel neste desenvolvimento por possuir a linguagem como
objeto de estudo e por ter a possibilidade de trabalhar conteúdos e análises semióticas de
diferentes perspectivas e sociedades que cruzem a realidade do aluno com diversas outras
realidades, sem que se faça juízo de valor, e que rompa com a a pedagogia colonial. Para isso,
é fundamental que este professor tenha um sensível trabalho no desenvolvimento de
ferramentas e práticas que promovam este aprendizado.
É possível que este professor desenvolva um trabalho relacionando as diferentes habilidades
apresentadas na Tabela 1, como apresentar uma aula com atividades envolvendo leitura e
discussão de texto midiáticos que circulam no cotidiano dos estudantes, apresentando filmes,
animes, séries, quadrinhos com lendas, parlendas, contos etc de mesma origem contadas por
diferentes sujeitos, brancos, quilombolas, indígenas, para que se analise como as
subjetividades colonial e decolonial estão presentes nos textos e se concretizam na sociedade
e como na sociedade brasileira coexistem composições de diferentes sociedades que fizeram e
fazem, em constante movimento de desenvolvimento, parte de nossa construção; e se
compreenda e discuta que há valoração e inferiorização de algumas destas sociedades.; e
desenvolver uma atividade de produção em grupo(s) em que os alunos desenvolvam, dentro
dos gêneros trabalhados, uma releitura das histórias partindo das perspectivas decoloniais e
que posteriormente, individualmente, os mesmos produzam um texto discutindo como estas
diferentes perspectivas coexistem no seu cotidiano e como é importante conhecer esta
coexistência e repensar em uma sociedade em que esta convivência seja pacífica.
REFERÊNCIAS:
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Base Nacional Comum Curricular. Disponível em: <http://
basenacionalcomum.mec.gov.br/>. Acesso em: 5 de jul. 2021.