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Série Automação Industrial

e Mecatrônica

Eletrônica Aplicada a
Sistemas Automatizados
Medições elétricas industriais
Sumário

• Estrutura da matéria, condutores, semicondutores e isolantes

• A tensão elétrica e suas aplicações

• A corrente elétrica e suas aplicações

• A resistência elétrica e suas aplicações

• A potência elétrica e suas características

• Unidades de medidas elétricas e suas aplicações

• Instrumentos de medição elétrica e suas aplicações

• Organização do ambiente de trabalho

• A importância do uso de EPIs e EPCs

• Procedimentos para a organização do trabalho


Estrutura da
matéria,
condutores,
semicondutores
e isolantes
Itinerário Nacional de Educação Profissional de 2020: Técnico em Automação Industrial e
Mecatrônica, 2021.

Capacidade granular: Reconhecer os conceitos que se aplicam à estrutura da matéria,


considerando átomo, molécula, cargas elétricas, condutores, semicondutores e isolantes.
Conhecimentos associados: Eletricidade Básica: eletrostática; fontes de energia. Carga
horária: 2h.

Conteudista: Carlos Eduardo Kroth


Revisor Técnico: Laércio da Silva Xavier
Grão: Estrutura da matéria, condutores, semicondutores e isolantes
Unidade Curricular: Eletrônica Aplicada a Sistemas Automatizados

JUNHO 2021 CÓD: UC02G01UE1

_____________________________________________________________________________

©2021.SENAI – Departamento Nacional


©2021.SENAI – Departamento Regional do Rio Grande do Sul

A reprodução total ou parcial desta publicação por quaisquer meios, eletrônico, mecânico,
fotocópia, gravação ou outros, somente será permitida com prévia autorização, por escrito, do
SENAI - Departamento Nacional.

Esta publicação foi elaborada pela equipe da Gerência de Desenvolvimento Educacional - GDE,
do SENAI do Rio Grande do Sul, com a coordenação do SENAI Departamento Nacional, para ser
utilizada por todos os Departamentos Regionais do SENAI em cursos presenciais, semipresenciais
e a distância.
Diego é estagiário do setor de manutenção elétrica de equipamentos industriais de uma empresa e
está trabalhando com Aline, responsável pelo setor de vistoria em instalações elétricas.
Quais as características que devem ser reconhecidas na estrutura da matéria para definir se um
material pode ser usado como condutor, isolante ou semicondutor?

A estrutura da matéria

O termo “matéria” é empregado para caracterizar tudo que tem massa e ocupa lugar no espaço,
como objetos sólidos (mesas e cadeiras), substâncias líquidas (água e gasolina) e gases (ar que
respiramos).

Se dividíssemos continuamente uma gota de água, por exemplo, obteríamos uma molécula de água
que é a menor partícula que conserva as características originais da água. Hoje sabemos que uma
molécula de água é formada por dois átomos de hidrogênio e um átomo de oxigênio, conforme
mostra esta figura.
Átomos e moléculas que constituem a estrutura da matéria água

A evolução do conceito do átomo

Todos os objetos que fazem parte de nosso cotidiano são formados por estruturas minúsculas,
como moléculas, átomos e outras partículas menores.

O primeiro conceito de átomo foi dado pelo filósofo grego Demócrito, por volta do ano 400 a.C., que
afirmou que a matéria era constituída por pequenas partículas indivisíveis, as quais ele chamou de
átomo (do grego: a = não, tomo = divisível). Com o tempo, os cientistas contribuíram para explicar
a estrutura da matéria como a conhecemos atualmente. Observe, na figura a seguir, os modelos de
estruturas atômicas.

Linha do tempo e os modelos de estruturas atômicas

Cargas elétricas no átomo

Conforme os modelos atômicos propostos pelos cientistas, o núcleo do átomo tem carga elétrica
positiva, pois concentra os prótons, que são partículas positivas, e os nêutrons, que não têm carga
elétrica. Já a eletrosfera tem carga elétrica negativa, pois é a região em que orbitam os elétrons,
que são partículas negativas. Nesta figura, temos uma representação esquemática de um átomo
com suas partículas e respectivas cargas elétricas.

Representação esquemática de um átomo

ÂNION E CÁTION

No estado natural, o átomo é eletricamente neutro, pois o número de prótons é igual ao número de
elétrons. Quando esse equilíbrio é alterado, isto é, quando o número de prótons for diferente do
número de elétrons, diz-se que o átomo está ionizado. Então, quando um átomo tem mais elétrons
do que prótons, ele se torna um íon de carga negativa e é chamado de ânion. Quando um átomo
tem menos elétrons do que prótons, ele se torna um íon de carga positiva e é chamado de cátion.

A figura a seguir mostra o modelo atômico de Niels Bohr com núcleo e eletrosfera. A região da
eletrosfera apresenta vários níveis energéticos, chamados de camadas, que são identificadas pelas
letras: K, L, M, N, O, P e Q. É nas camadas mais externas, como a camada Q, que se observam as
variações no número de elétrons de um átomo. Também é nessas camadas externas que ocorre a
interação entre os átomos para formar moléculas e compor as substâncias como as conhecemos.

Representação dos níveis eletrônicos de energia


Eletrostática

Muitas pessoas já sofreram com descargas elétricas ao tocar em maçanetas de porta ou mesmo
ao encostar na mão de alguém. Esse fenômeno ocorre porque uma das partes envolvidas apresenta
excesso ou falta de elétrons. Esse desequilíbrio de cargas elétricas que ocorre na superfície dos
objetos pode afetar as pessoas ou os outros objetos a distância.

A figura seguinte mostra um raio em uma tempestade, que é um fenômeno eletrostático natural que
provoca descargas elétricas entre as nuvens e a superfície da terra.

Descargas elétricas entre as nuvens e a superfície da terra

Processo de eletrização

Nos fenômenos eletrostáticos, as cargas elétricas são removidas ou separadas nas superfícies dos
objetos e esses efeitos são chamados de processos de eletrização. Os processos de eletrização
mais comuns são por atrito, por contato e por indução. Conheceremos algumas características
desses processos.

ELETRIZAÇÃO POR ATRITO

Esse processo ocorre quando esfregamos dois materiais isolantes neutros. A figura a seguir
apresenta um exemplo muito simples de eletrização por atrito do pente no cabelo. Observe a
atração de pequenos pedaços de papéis picados quando o pente que está eletrizado é aproximado.
Isso acontece devido ao atrito do pente no cabelo, quando um dos corpos ganha elétrons, ficando
carregado negativamente, enquanto o outro perde elétrons, ficando carregado positivamente.

Processo de eletrização por atrito


ELETRIZAÇÃO POR CONTATO

A eletrização por contato acontece ao se colocar dois materiais condutores em contato, conforme
mostra a figura. Quando a esfera B, que está negativamente eletrizada, faz contato com a esfera A,
que está neutra, ambas ficam com cargas de mesmo sinal da esfera eletrizada B.

Processo de eletrização por contato

ELETRIZAÇÃO POR INDUÇÃO

Esse processo acontece quando aproximamos um corpo eletrizado a um corpo neutro sem que haja
contato entre eles. As cargas elétricas mais externas do corpo neutro são separadas e o corpo fica
eletrizado.

A figura seguinte mostra como ocorre a eletrização da esfera B a partir da indução produzida pela
esfera A, eletrizada negativamente. Observe que as cargas positivas da esfera B ficam mais
próximas da esfera A e as cargas negativas são empurradas para o lado oposto. Esse fenômeno
também é chamado de polarização.

Processo de eletrização por indução

Eletrodinâmica

A eletrodinâmica é a ciência que estuda todos os fenômenos relacionados a cargas elétricas em


movimento. Em nossas rotinas diárias, utilizamos muitos equipamentos que funcionam com energia
elétrica, como lâmpadas, geladeiras, aparelhos de TV, que dependem das cargas elétricas em
movimento.

Na eletrodinâmica, as cargas não são separadas nem arrancadas dos objetos como na
eletrostática. Em vez disso, as cargas elétricas circulam pelos circuitos, compostos por
fios, chaves, motores e outros dispositivos tecnológicos.

O avanço no uso da energia elétrica aconteceu quando os cientistas começaram a compreender os


fenômenos envolvidos na eletrodinâmica. O conhecimento da eletrodinâmica e das propriedades
dos materiais permitiu o desenvolvimento de dispositivos e componentes usados em circuitos e
instalações elétricas residenciais e, principalmente, industriais. Veja alguns disjuntores nesta figura.

Componentes elétricos que dependem da eletrodinâmica

Materiais condutores e isolantes

Como você já sabe, as cargas elétricas se deslocam entre os componentes e os dispositivos dos
circuitos elétricos. O uso seguro dessa energia em movimento requer o emprego de materiais que
permitam controlar quando e onde as cargas podem circular nas instalações elétricas.
É preciso utilizar materiais com boas propriedades condutoras para construir dispositivos
elétricos eficientes. Além disso, é importante que algumas de suas partes apresentem
materiais considerados bons isolantes para que seu uso seja seguro. Vamos conhecê-
los.

MATERIAIS CONDUTORES

Você já percebeu que os fios que conectam os equipamentos elétricos de sua casa utilizam
materiais metálicos, como cobre e alumínio? Você sabia que a facilidade ou a dificuldade de as
cargas elétricas se deslocarem em um material está relacionada com a quantidade de elétrons livres
nas camadas mais externas do átomo?

EXEMPLOS DE BONS CONDUTORES

Os átomos de elementos químicos metálicos, como ouro, cobre e prata, apresentam um elétron
livre na camada mais externa; o alumínio, por sua vez, tem três elétrons livres. Assim, nesses
metais, a ligação dos elétrons mais externos com o núcleo do átomo é muito fraca e eles apresentam
uma facilidade maior para se deslocar internamente. Por isso, os materiais metálicos são
considerados bons condutores de eletricidade.

O cobre é usado na maioria dos fios condutores das instalações elétricas, o alumínio é empregado
nas redes aéreas de distribuição de energia e o ouro está presente em circuitos e componentes
eletrônicos, conforme mostra a figura.

Uso do ouro nas conexões de placas eletrônicas


O corpo humano também é condutor de eletricidade porque contém várias substâncias
líquidas que facilitam a movimentação das cargas elétricas em seu interior. Por isso, todo
profissional que trabalha com serviços que envolvam eletricidade deve seguir as
orientações de segurança para evitar contatos que permitam a passagem de eletricidade
pelo seu corpo.

MATERIAIS ISOLANTES

Você já notou que a carcaça da maioria dos equipamentos elétricos, geralmente, é composta de
materiais plásticos? Da mesma maneira, para permitir instalações elétricas seguras, os
equipamentos elétricos devem estar revestidos por materiais que apresentem dificuldades na
movimentação das cargas elétricas.

Ao contrário dos materiais condutores, os elétrons das camadas mais externas dos materiais
isolantes estão fortemente ligados aos núcleos de seus próprios átomos e, assim, dificultam a
movimentação das cargas elétricas em seu interior. Por isso, esses materiais são considerados
isolantes e são compostos por diferentes tipos de plásticos, borrachas naturais ou sintéticas ou
ainda vidros e cerâmicas.

A figura a seguir mostra alguns isoladores feitos de porcelana empregados para sustentar os cabos
condutores da rede de distribuição de energia elétrica.

Isoladores elétricos construídos com materiais cerâmicos


Os elétrons, que são as cargas elétricas, estão presentes em todos os materiais. Por isso,
qualquer material isolante usado em condições não recomendadas pode conduzir
eletricidade. Sendo assim, não existe material isolante perfeito, apenas bons e maus
condutores.

Agora, assista ao vídeo que apresenta algumas propriedades elétricas dos materiais que os
classificam como condutores ou isolantes.

Para acessar o vídeo “Propriedades elétricas dos


materiais” leia o QRcode ou acesse o link:
https://youtu.be/HZ-t0M9gsLM

Materiais semicondutores

Os elementos químicos silício e germânio têm quatro elétrons na camada mais externa da estrutura
atômica e, em seu estado natural, esses materiais não apresentam propriedades condutoras de
eletricidade. Porém, com a adição de pequenas quantidades de átomos de outros elementos
químicos em sua estrutura atômica, é possível transformá-los em materiais condutores elétricos,
tornando-os semicondutores.

Nesta próxima figura, por exemplo, temos a inclusão de átomos de boro (B) e de fósforo (P) na
estrutura atômica do silício (Si).
Adição de átomos de boro e fósforo na estrutura do silício

SEMICONDUTOR TIPO N

Na figura anterior, observamos que os átomos de silício (Si) apresentam quatro elétrons em sua
última camada e estão ligados uns aos outros, formando uma estrutura completa. Com a inserção
de um átomo de fósforo (P), que tem cinco elétrons em sua última camada, um dos seus elétrons
fica livre nessa estrutura, conforme mostra a próxima figura.

Semicondutor tipo N pela adição de átomos de fósforo ao silício

Assim, esse elétron livre terá mais facilidade para se deslocar internamente na estrutura atômica,
apresentando um comportamento semelhante ao dos átomos dos materiais metálicos condutores.
Essa estrutura com excesso de cargas negativas é chamada de semicondutor tipo N.

SEMICONDUTOR TIPO P

Quando um átomo de boro (B) com três elétrons em sua última camada é inserido, cria-se uma
lacuna na estrutura atômica do silício (veja a figura a seguir). Desse modo, há um local em que
elétrons poderão circular de forma mais livre entre os átomos do silício, fazendo com que este
semicondutor apresente propriedades condutoras de eletricidade. Os materiais que apresentam
essa estrutura com falta de elétrons são chamados de semicondutores tipo P.

Semicondutor tipo P pela adição de átomos de boro ao silício

Geração de energia elétrica

Um dos princípios básicos da física é o da conservação da energia. Segundo esse princípio,


nenhuma energia se cria ou se perde, porque tudo se transforma. A energia elétrica também segue
esse princípio, pois há várias maneiras de transformar outras formas de energia em eletricidade,
como energia térmica (termelétricas), energia mecânica (hidrelétricas e eólicas), energia solar
(painéis fotovoltaicos) e outras.

Funcionamento de usina hidrelétrica

Para acessar a animação “Funcionamento de


usina hidrelétrica” leia o QRcode ou acesse o link
e clique no botão vermelho “Iniciar” para ver o
esquema simplificado de funcionamento de uma
usina hidrelétrica:
https://ead.senairs.org.br/cursos/www/84823f2f-
8971-5dec-865c-
c33aa641dfd9/uc2/animacoes/anim_hidroeletrica.
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Funcionamento de usina termelétrica

Para acessar a animação “Funcionamento de


usina termelétrica” leia o QRcode ou acesse o
link e clique no botão vermelho “Iniciar” para ver o
esquema simplificado de funcionamento de uma
usina termelétrica:
https://ead.senairs.org.br/cursos/www/84823f2f-
8971-5dec-865c-
c33aa641dfd9/uc2/animacoes/anim_termeletrica.
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Agora observe a figura a seguir, que mostra o detalhamento de funcionamento de uma usina
hidrelétrica. Nesse sistema, a queda livre da água movimenta um gerador que transforma a energia
mecânica (da água) em energia elétrica. Apesar dos impactos ambientais causados pela construção
das grandes usinas hidrelétricas, essa energia é considerada limpa e renovável.

Geração de energia elétrica em uma usina hidrelétrica


Você aprendeu que os materiais podem apresentar três características distintas quanto aos
fenômenos elétricos: condutor, isolante ou semicondutor. Essas características estão relacionadas
com a estrutura atômica dos elementos químicos.

Os materiais usados como condutores de eletricidade são aqueles em que elétrons estão mais livres
nas camadas mais externas dos seus átomos, enquanto que os materiais considerados isolantes
são aqueles em que os elétrons estão mais fortemente ligados aos seus núcleos. Já os
semicondutores são aqueles cuja estrutura atômica permite a adição de outros elementos químicos
em suas camadas mais externas e, então, passam a conduzir as cargas elétricas.

Reconhecer as características dos materiais e compreender os fenômenos envolvidos na


eletrostática e na eletrodinâmica é muito importante para o técnico que atua na indústria, pois ele
deverá escolher o material mais adequado para determinada aplicação ou terá de identificar que
cuidados devem ser observados quando trabalhar com cargas elétricas acumuladas ou em
movimento.
A tensão elétrica e
suas aplicações
Itinerário Nacional de Educação Profissional de 2020: Técnico em Automação Industrial e
Mecatrônica, 2021.

Capacidade granular: Reconhecer a grandeza física “tensão elétrica” (contínua e alternada)


que atua em sistemas elétricos, suas bases teóricas, características e funções nos circuitos.
Conhecimentos associados: Eletricidade Básica: Eletrostática; Grandezas elétricas
*(Potência de base dez, números fracionários e decimais, múltiplos e submúltiplos, conversão
de base numérica); Fontes de energia; Instrumentos de medidas; Lei de Ohm *(Função Linear,
Funções Trigonométricas); Associação dos resistores; Leis de Kirchhof *(Sistemas Lineares);
Potência e energia elétrica *(Funções do 1º e do 2º Grau). Carga horária: 2h.

Conteudista: Carlos Eduardo Kroth


Revisor Técnico: Laércio da Silva Xavier
Grão: A tensão elétrica e suas aplicações
Unidade Curricular: Eletrônica Aplicada a Sistemas Automatizados

JUNHO 2021 CÓD: UC02G02UE1

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©2021.SENAI – Departamento Nacional
©2021.SENAI – Departamento Regional do Rio Grande do Sul
A reprodução total ou parcial desta publicação por quaisquer meios, eletrônico, mecânico,
fotocópia, gravação ou outros, somente será permitida com prévia autorização, por escrito, do
SENAI - Departamento Nacional.
Esta publicação foi elaborada pela equipe da Gerência de Desenvolvimento Educacional -
GDE, do SENAI do Rio Grande do Sul, com a coordenação do SENAI Departamento Nacional,
para ser utilizada por todos os Departamentos Regionais do SENAI em cursos presenciais,
semipresenciais e a distância.
João está iniciando seu estágio em uma empresa que produz máquinas e bancadas de montagem
para o setor de automação industrial. Para que João adquira experiência, ele foi incumbido de
trabalhar com o colaborador Pedro, que é responsável pela instalação dos componentes elétricos
das bancadas.
Quais características e funções devem ser reconhecidas na tensão elétrica para que seja possível
conectar diferentes componentes nos circuitos elétricos?
Definindo a tensão elétrica

Em sua casa, existem diferentes dispositivos que funcionam com energia elétrica, como televisão,
rádio, lanterna, geladeira, telefone celular e notebook. Você sabe como a energia elétrica é
fornecida para cada um desses equipamentos?

Os condutores elétricos têm internamente partículas invisíveis chamadas de elétrons, que estão
continuamente em movimento desordenado. Para que esses elétrons possam se movimentar, é
preciso que se aplique uma força que os impulsione de forma a estabelecer um fluxo ordenado –
essa força é chamada de tensão elétrica. A figura a seguir mostra o efeito da tensão elétrica sobre
o movimento dos elétrons em um fio condutor de eletricidade.

Efeito da tensão elétrica nos elétrons de um fio condutor de eletricidade

Classificando a tensão

A tensão pode ser classificada de três formas diferentes, de acordo com sua aplicação: força
eletromotriz (f.e.m), diferença de potencial (ddp) e tensão elétrica (V).

Força eletromotriz (f.e.m) é uma expressão específica muito utilizada na física para designar a
tensão no momento da sua geração, medida nos terminais do gerador quando não existe uma carga
consumidora de energia conectada. Assim, a força eletromotriz pode ser compreendida como a
quantidade de trabalho que um gerador realiza para mover uma carga elétrica entre dois pontos de
um circuito.

Exemplo de um gerador elementar como fonte da geração de tensão


Diferença de potencial elétrico (ddp) é uma expressão usada para identificar a energia disponível
em uma tomada de energia. A origem da expressão está relacionada ao fato de que um dos polos
da tomada tem muitos elétrons, enquanto que o outro tem poucos. Então, dizemos que existe uma
diferença de potencial elétrico (ddp) entre os polos de uma tomada de energia elétrica.

Exemplo de uma tomada de energia

Tensão elétrica (V) é a expressão usada para identificar a tensão elétrica quando ela é aplicada nas
mais diferentes situações. Por exemplo, quando conectamos um equipamento elétrico em uma
tomada de energia, não falamos mais em ddp, mas, sim, que existe uma tensão aplicada sobre os
terminais do equipamento conectado, ou seja, é a força necessária para movimentar os elétrons e
criar assim uma corrente elétrica.

Exemplo de um carregador de celular conectado a uma tomada de energia


Algumas literaturas utilizam as letras E ou U (maiúsculas) para identificar a grandeza da
tensão elétrica. Representaremos a tensão elétrica pela letra V.

Tipos e unidade de tensões elétricas

Nos sistemas elétricos, podemos encontrar dois tipos de tensões elétricas: contínua e alternada.
Por isso, quando vamos conectar um equipamento em um circuito elétrico, devemos ter certeza do
tipo de tensão elétrica com o qual estamos trabalhando. Os equipamentos que funcionam com um
tipo de tensão podem não funcionar ou mesmo sofrer avarias se forem conectados a outro tipo de
tensão.

A figura a seguir mostra as simbologias aplicadas nos equipamentos elétricos para identificar a
tensão contínua e a tensão alternada. A letra V significa volt, em homenagem a Alessandro Volta,
e deve ser expressa em letra maiúscula.

Simbologias para tensões contínua e alternada

A principal característica da tensão contínua é um traço contínuo sobre outro tracejado ao lado do
V, como mostra a imagem à esquerda da figura anterior. Esse símbolo indica que é uma tensão
contínua. A tensão alternada é representada pela união do V com o til (~) e sinaliza a presença de
uma tensão alternada.

Além dos símbolos citados, encontramos outras formas para especificar o tipo de tensão elétrica.
Por exemplo, junto com a tensão contínua, observamos a expressão VCC, que significa tensão em
corrente contínua (em inglês, VDC – voltage direct current).

Quando estamos especificando uma tensão alternada, observamos a expressão VCA, que significa
tensão em corrente alternada (em inglês, VAC – voltage alternating current), conforme mostra esta
figura.
Outras simbologias para tensões contínua e alternada

Para fazer medições de diferentes grandezas elétricas, como tensão alternada e contínua,
utilizamos um instrumento específico conhecido como multímetro, apresentado na próxima figura.
De acordo com a posição da chave seletora e da simbologia mostrada, podemos observar que o
instrumento está selecionado para medir a tensão contínua.

Simbologias de tensões alternada e contínua no instrumento de medida


Para facilitar o processo de identificação das simbologias e os tipos de tensões CC e CA, vamos
assistir a este vídeo.

Para acessar o vídeo “Os tipos de tensões CC e CA e suas


simbologias” leia o QRcode ou acesse o link:
https://youtu.be/-r54OjU9lhU

Entendendo as tensões contínua e alternada

Algumas propriedades das tensões contínuas e alternadas apresentam diferenças de


comportamento no tempo. Para isso, utilizaremos um gráfico para analisar o comportamento do
valor e a polaridade do sinal da tensão elétrica ao longo do tempo. O eixo vertical do gráfico
representa a amplitude da tensão, que é o valor numérico da grandeza tensão elétrica medida.
Observe este gráfico e observe que o eixo horizontal representa o tempo (t) decorrido em nossa
análise.

Representação do gráfico da tensão elétrica ao longo do tempo


CARACTERÍSTICAS DA TENSÃO CONTÍNUA

Uma tensão é chamada de contínua quando apresenta sempre a mesma polaridade, podendo ter
valor constante ou variável ao longo do tempo. A figura a seguir mostra a representação gráfica da
tensão elétrica contínua, cujo valor permanece constante ao longo do tempo, mantendo a mesma
polaridade positiva.

Gráfico de um sinal de tensão contínua constante

Em alguns circuitos podemos encontrar uma tensão do tipo pulsante, que também é considerada
um sinal contínuo, porque não muda de polaridade.

A próxima figura mostra dois comportamentos de uma tensão pulsante, tipo senoidal, cujos sinais
de tensão oscilam entre um valor mínimo e um valor máximo positivo, mas em nenhum momento a
onda avança para o quadrante de polaridade negativa do gráfico. Essa forma de onda é utilizada
em circuitos de frenagem de motores elétricos industriais.

Tensão contínua pulsante


A onda senoidal é uma curva descrita por um sinal que obedece a uma função
matemática denominada de função seno. A onda que descreve oscilações suaves e
repetitivas ocorre com frequência nos processamentos de sinais nos campos da física,
da engenharia e outros.

Além dos sinais de tensão contínua pulsante apresentados, existem outros tipos, como a onda
triangular ou a onda quadrada, conforme mostra o próximo gráfico. Esses são sinais gerados, por
exemplo, em equipamentos de automação industrial, como conversor, controlador e transmissor.

Tensão contínua triangular e pulsante


CARACTERÍSTICAS DA TENSÃO ALTERNADA

A tensão alternada, que chega nas nossas tomadas de energia, é uma grandeza elétrica que tem
valor e polaridade que variam ao longo do tempo, ou seja, o valor oscila entre mínimo e máximo
com sua polaridade ora positiva, ora negativa. Observe este gráfico.

Forma da onda da tensão alternada

Como se origina o sinal alternado?

A forma de sinal alternado tem origem na geração da tensão elétrica. A energia elétrica é gerada
por equipamentos rotativos chamados de geradores e, como consequência, o valor e a polaridade
do sinal gerado oscilam no tempo, produzindo a tensão elétrica alternada (VCA).

Na tensão alternada gerada, ocorre uma oscilação entre as duas polaridades positiva e negativa, a
qual damos o nome de ciclo. Então, o ciclo completo (ou a onda completa) é composto pelo
semiciclo positivo (ou meia onda positiva) mais o semiciclo negativo (ou meia onda negativa). O
tempo que leva para executar um ciclo completo é chamado de período, conforme mostra esta
figura.

Características do sinal ondulatório da tensão alternada


Aplicações da tensão contínua

A tensão contínua geralmente é usada por aparelhos que funcionam por meio de pilhas ou baterias.
Como exemplos de aplicações da tensão contínua, podemos citar controle remoto de televisão,
lanterna, brinquedos, trena a laser, multímetro e outros. A figura mostra uma lanterna que usa a
tensão contínua fornecida por pilhas elétricas.

Lanterna que funciona com tensão contínua

Aplicações da tensão alternada

A tensão alternada é fornecida pelas concessionárias via redes de distribuição de energia elétrica.
A energia elétrica está presente nas tomadas de energia que encontramos em residências,
comércios e indústrias.

Entre os equipamentos que funcionam por meio da tensão alternada estão os motores elétricos,
presentes nos mais variados equipamentos domésticos e industriais, como ventiladores,
compressores, bombas, máquinas de lavar, furadeiras, entre outros. A figura a seguir mostra um
motor elétrico de tensão alternada usado para movimentar uma bomba industrial.

Aplicação da tensão alternada em motores industriais


Equipamentos de conversão de tensão

Existem equipamentos que funcionam com tensão contínua, mas são energizados por circuitos de
tensão alternada. Esses equipamentos têm internamente um circuito que converte a tensão
alternada da rede elétrica em tensão contínua necessária para fazer o equipamento funcionar
adequadamente. Como exemplos, podemos mencionar carregadores de celulares, notebook, tablet,
lâmpadas de LED, televisores, aparelhos de som e outros.

Nas indústrias, também é utilizado um equipamento para fazer a conversão de tensão CA/CC, que
é a fonte de alimentação variável. Seu circuito eletrônico converte uma tensão alternada de entrada
em uma tensão contínua em sua saída. A figura a seguir mostra um exemplo desse modelo de fonte
de alimentação, que é ligada em uma fonte de tensão alternada e que possibilita ajustar o valor de
tensão contínua na saída.

Exemplo de fonte de alimentação que converte tensão CA em tensão CC

Fornecimento de energia

Você sabe por que o fornecimento da energia elétrica é feito em tensão alternada e não em tensão
contínua? Todo o sistema de energia elétrica nacional é responsável pela geração, pela transmissão
e pela distribuição e, em cada etapa desse sistema, são utilizados diferentes valores de tensão
elétrica. O comportamento ondulatório da tensão alternada permite com facilidade rebaixar ou
elevar o valor da tensão elétrica conforme a necessidade de cada uma dessas etapas.

Outra vantagem do uso da tensão alternada em relação a tensão contínua é que a primeira pode
ser aplicada a motores elétricos industriais. Os motores construídos para funcionar em tensão
alternada apresentam menor preço de compra, necessitam de sistemas de comando mais simples,
têm mais eficiência energética, têm menor custo de manutenção e têm tamanhos físicos que
ocupam menos espaço na instalação industrial.
Agora, vamos assistir ao vídeo que mostra o comportamento ondulatório da tensão elétrica.

Para acessar o vídeo “Tipos de sinais de tensão elétrica”


leia o QRcode ou acesse o link: https://youtu.be/FjfOJ6lqHMc

Você aprendeu que existem dois tipos de tensões elétricas, tensão contínua (VCC) e tensão
alternada (VCA), e que elas apresentam comportamentos diferentes no tempo. No dia a dia de
trabalho, um técnico se depara com situações em que precisa identificar qual desses tipos de
tensões elétricas cada equipamento precisa para funcionar. Além disso, o técnico deve ter certeza
do valor adequado da tensão elétrica de funcionamento do equipamento antes de conectá-lo a uma
tomada de tensão elétrica alternada.

Saber identificar os tipos de tensões elétricas a partir da simbologia que está especificada nos
equipamentos e nos documentos e interpretar valores e comportamentos de cada tipo de tensão
(VCC e VCA) no tempo são habilidades fundamentais para um técnico, pois do contrário algum
componente elétrico poderá ser danificado por mau uso.
A corrente elétrica e
suas aplicações
Itinerário Nacional de Educação Profissional de 2020: Técnico em Automação Industrial e
Mecatrônica, 2021.

Capacidade granular: Reconhecer a grandeza física “corrente elétrica” (contínua e alternada)


que atua em sistemas elétricos, suas bases teóricas, características e funções nos circuitos.
Conhecimentos associados: Eletricidade Básica: Grandezas elétricas *(Potência de base
dez, números fracionários e decimais, múltiplos e submúltiplos, conversão de base numérica);
Fontes de energia; Potência e energia elétrica *(Funções do 1º e do 2º Grau). Carga horária:
2h.

Conteudista: Carlos Eduardo Kroth


Revisor Técnico: Laércio da Silva Xavier
Grão: A corrente elétrica e suas aplicações
Unidade Curricular: Eletrônica Aplicada a Sistemas Automatizados

JUNHO 2021 CÓD: UC02G03UE1

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©2021.SENAI – Departamento Regional do Rio Grande do Sul
A reprodução total ou parcial desta publicação por quaisquer meios, eletrônico, mecânico,
fotocópia, gravação ou outros, somente será permitida com prévia autorização, por escrito, do
SENAI - Departamento Nacional.
Esta publicação foi elaborada pela equipe da Gerência de Desenvolvimento Educacional -
GDE, do SENAI do Rio Grande do Sul, com a coordenação do SENAI Departamento Nacional,
para ser utilizada por todos os Departamentos Regionais do SENAI em cursos presenciais,
semipresenciais e a distância.
Bruno é recém-contratado em uma empresa que instala painéis fotovoltaicos para a geração de
energia elétrica e está organizando, com sua colega, o material a ser distribuído às equipes que
farão instalações elétricas de painéis solares.
Quais características e funções devem ser reconhecidas na corrente elétrica para selecionar os
diferentes componentes nos circuitos elétricos?
O que é corrente elétrica?

Todos os dispositivos eletrônicos, como smartphones, tablets e aparelhos de televisão utilizam


energia elétrica para funcionar. Sabemos que na estrutura atômica dos materiais condutores
existem elétrons livres, que apresentam cargas elétricas negativas com liberdade para se
movimentar dentro da estrutura atômica do material.

Portanto, o som, a luz e o aquecimento produzidos por esses aparelhos decorrem de um fluxo
ordenado de cargas elétricas, que chamamos de corrente elétrica. Observe, nesta figura, o
movimento ordenado dos elétrons que geram a corrente elétrica.

Movimento ordenado dos elétrons que geram a corrente elétrica

A corrente elétrica em circuitos

Sem uma força externa, os elétrons não produzem corrente elétrica em um circuito eletrônico. Para
que esses elétrons possam se movimentar ordenadamente, é necessário que haja um desequilíbrio
elétrico, ou seja, as extremidades do circuito devem ser submetidas a uma diferença de potencial
elétrico (ou tensão elétrica).

Observe o circuito mostrado nesta figura, composto por uma bateria, um interruptor, uma lâmpada
e fios condutores. Como o interruptor está aberto, uma de suas extremidades não está em contato
com o terminal da bateria. Nesse momento, não há uma tensão elétrica aplicada nas extremidades
do circuito e, portanto, não se percebe nenhum fenômeno elétrico acontecendo. Veja que os
elétrons livres no interior do condutor estão em movimentos desordenados, isto é, movem-se em
todas as direções.
Comportamento dos elétrons no condutor quando o circuito elétrico está interrompido

A figura a seguir mostra o que acontece no circuito quando o interruptor for acionado. Nesse
momento, todo circuito elétrico está submetido à tensão da bateria, os elétrons livres são orientados
e começam a fluir, uma corrente elétrica se estabelece no circuito e a lâmpada acende.

Comportamento dos elétrons dentro do condutor em um circuito fechado

Com os exemplos apresentados nessas duas figuras, compreendemos que a corrente elétrica é o
movimento ordenado dos elétrons em um condutor, que acontece quando suas extremidades estão
submetidas a uma diferença de potencial (tensão elétrica).
Em um circuito elétrico pode haver tensão sem corrente elétrica, mas não pode existir
corrente elétrica sem tensão, pois é ela que orienta os elétrons.

Intensidade de corrente elétrica

Você sabia que, ao ajustar o brilho de uma lâmpada ou a velocidade de rotação de um motor, está
controlando a quantidade de elétrons que estão fluindo pelos equipamentos elétricos? Essa
quantidade de elétrons que passa por um condutor em determinado intervalo de tempo é
denominada de intensidade de corrente elétrica.

Assim, quanto maior a quantidade de elétrons que passa pelo circuito, maior será a intensidade de
corrente elétrica. Por isso, a grandeza corrente elétrica é representada pela letra I, escrita com letra
maiúscula, que teve sua origem na palavra francesa intensité.

O fio condutor do chuveiro elétrico tem um diâmetro maior do que o fio da televisão porque
o chuveiro utiliza uma intensidade de corrente elétrica bem maior do que o aparelho de
televisão. Fios com diâmetros maiores permitem a circulação de intensidades de corrente
mais elevadas do que os fios de diâmetros menores.

Sentido de fluxo da corrente elétrica nos circuitos elétricos

Você sabia que a eletricidade começou a ser utilizada para ligar lâmpadas e acionar motores antes
mesmo de os cientistas compreenderem como ocorria o fluxo de elétrons?
Os cientistas acreditavam que a energia saía do polo positivo, porque pensavam que ele
tinha mais energia do que o polo negativo. Assim, o sentido da corrente elétrica recebeu,
por convenção, o nome de sentido convencional da corrente. No entanto, mais tarde,
os cientistas observaram que a origem das cargas elétricas é o polo negativo. Então,
além do sentido convencional, os cientistas definiram o polo positivo como fonte geradora
de cargas elétricas. Esse sentido de circulação dos elétrons recebeu o nome de sentido
eletrônico da corrente.

Por causa do sentido de fluxo da corrente elétrica, quando uma pilha elétrica é colocada no controle
remoto de um aparelho eletrônico, deve-se observar corretamente a sua polaridade, porque o
controle não funcionará com as pilhas colocadas de forma errada. A figura a seguir mostra como
ocorre o fluxo das cargas elétricas no sentido convencional e no sentido eletrônico.

Sentido convencional e eletrônico da corrente elétrica

Entendemos, assim, que corrente elétrica é o fluxo de cargas elétricas que partem de um polo com
excesso de elétrons, o polo negativo, no caso. Por isso, esse fluxo desloca-se desse ponto para
outro polo com falta de elétrons. No entanto, você deve saber que frequentemente os circuitos
eletrônicos adotam o sentido convencional da corrente.

Efeitos da corrente elétrica

Ao utilizar um equipamento elétrico queremos os benefícios e as facilidades que a energia elétrica


nos proporciona. No entanto, nem todos os efeitos da corrente elétrica são benéficos. Há sérias
consequências decorrentes da circulação das cargas elétricas, quando elas passam por materiais
metálicos e orgânicos. Conheceremos os efeitos térmicos e fisiológicos gerados pela passagem da
corrente elétrica.

EFEITO TÉRMICO

Este efeito é conhecido também como efeito Joule. Ele ocorre quando a corrente elétrica que
atravessa o condutor produz um aumento de temperatura devido às colisões dos elétrons com os
átomos do material condutor.

O efeito Joule traz efeitos que podem ser considerados positivos ou negativos, dependendo do uso
dos equipamentos elétricos. O aquecimento da água no chuveiro elétrico é um exemplo positivo do
efeito térmico da passagem da corrente elétrica.

No entanto, quando a passagem da corrente elétrica for superior à capacidade de condução do


equipamento elétrico, temos um efeito negativo do efeito Joule. Essa consequência negativa pode
danificar cabos e motores elétricos, como mostra a figura a seguir, que apresenta um condutor
pegando fogo e o que está ocorrendo no interior deste condutor.

Efeito térmico da corrente elétrica nos condutores elétricos

EFEITO FISIOLÓGICO

Uma corrente elétrica, quando atravessa o corpo humano, produz contrações em nervos e
músculos, causando uma sensação dolorosa conhecida como choque elétrico. Esse é um efeito de
consequência negativa da passagem da corrente elétrica pelo corpo humano, que pode gerar
resultados graves. Por isso, é importante que as pessoas tenham cuidado ao manusear qualquer
equipamento elétrico, pois um choque elétrico pode gerar consequências fatais.
Efeito da passagem da corrente elétrica no corpo humano

Tipos e unidades de correntes elétricas

Nos circuitos elétricos, podemos encontrar dois tipos de corrente elétrica: a contínua e a alternada.
Ao conectar um equipamento em um circuito elétrico, deve-se ter certeza do tipo de corrente elétrica
com o qual se está trabalhando. Os equipamentos que funcionam com um tipo de corrente podem
não funcionar ou mesmo sofrer avarias quando forem conectados a outro tipo de corrente.

A figura a seguir mostra as simbologias aplicadas aos equipamentos elétricos para identificar a
corrente contínua e a corrente alternada. A letra A (em maiúscula) da simbologia corresponde ao
ampère, que é a unidade de corrente elétrica.

Simbologia para corrente contínua e alternada

Na figura anterior, existe um traço contínuo sobre outro tracejado, ao lado da letra A. Esse símbolo
indica que é uma corrente contínua. Observe também o símbolo til (~) ao lado da letra A, que sinaliza
a presença de uma corrente alternada.

Além dessas informações, podemos encontrar outros termos em equipamentos e desenhos


eletrônicos que servem para especificar os dois tipos de correntes elétricas. Na figura a seguir,
observe a expressão CC, que significa corrente contínua (ou, em inglês, DC – direct current) e a
expressão CA, que significa corrente alternada (ou, em inglês, AC – alternating current).

Expressão empregadas para identificar corrente contínua e alternada

A figura a seguir mostra um multímetro utilizado para fazer diferentes medições elétricas. Observe
que o multímetro está selecionado para fazer uma medição de corrente elétrica contínua, conforme
a simbologia mostrada na chave seletora e no mostrador eletrônico do instrumento.

Identificação da corrente contínua por meio de sua simbologia no instrumento

Correntes contínua e alternada

Algumas características da corrente elétrica, como valor e polaridade do sinal, apresentam


diferenças de comportamento no tempo, quando comparamos a corrente contínua com a corrente
alternada. Para entender essas diferenças, vamos utilizar um gráfico e analisar o comportamento
de ambas as grandezas, conhecidas como corrente contínua e corrente alternada, ao longo do
tempo.

CARACTERÍSTICAS DA CORRENTE CONTÍNUA

Veja a representação gráfica do comportamento da corrente elétrica contínua neste próximo gráfico.
O eixo vertical mostra a amplitude da corrente (valor numérico) e o eixo horizontal representa o
tempo decorrido em nossa análise. Neste gráfico observe que o valor da corrente permanece
sempre constante ao longo do tempo e mantém sempre a polaridade positiva – a corrente que
apresenta esse comportamento é chamada de contínua.

Gráfico de um sinal de corrente contínua constante

Em alguns circuitos, o valor da corrente contínua não se mantém constante e apresenta pulsações
ao longo do tempo. A figura a seguir mostra o comportamento de uma corrente contínua pulsante,
tipo senoidal, em que os sinais oscilam entre valores mínimo e máximo sem alterar a sua polaridade
positiva.

Corrente contínua pulsante


Agora vamos assistir a um vídeo que mostra, de forma bastante didática, como podemos identificar
a polaridade na corrente CC.

Para acessar o vídeo “Por que identificar a polaridade na


corrente CC?” leia o QRcode ou acesse o link:
https://youtu.be/SpnSZkoGU1U

CARACTERÍSTICAS DA CORRENTE ALTERNADA

A corrente alternada recebe essa denominação porque algumas de suas características, como a
polaridade e a amplitude, sempre se alteram no decorrer do tempo. Isso quer dizer que ora a
polaridade é positiva, ora é negativa. Além disso, a corrente alternada também apresenta outras
características importantes, como frequência e período.

Amplitude da corrente elétrica alternada

Amplitude é o maior valor que a corrente elétrica atinge durante seu funcionamento ondulatório. Ela
também é conhecida como corrente máxima ou corrente de pico, tendo um valor mínimo e máximo.

A próxima figura mostra o comportamento de uma corrente alternada de forma senoidal. Observe
que a amplitude da onda sai de um ponto de mínimo (0A), descrevendo uma curva suave, e atinge
o ponto de valor máximo positivo (valor de pico).

Comportamento da corrente alternada senoidal no tempo


Depois que a amplitude da onda começa decair, passa pelo valor mínimo novamente e muda a sua
polaridade para negativa. Então, a onda descreve outra curva suave e a amplitude atinge o ponto
de valor máximo negativo (valor de pico). Após esse processo, o valor começa a decair e volta a
atingir o ponto de valor mínimo mais uma vez.

O valor da corrente medida entre a máxima amplitude positiva e a máxima amplitude


negativa é chamado de corrente de pico a pico. Esse ciclo se repete no tempo enquanto
o sistema elétrico estiver ligado.

Analisando a frequência da corrente elétrica alternada

Quando alguns fatos se repetem várias vezes em seu cotidiano, como escovar os dentes após
acordar, você diz que esses são fatos frequentes, certo? Na corrente alternada, as pulsações
também ocorrem várias vezes ao longo do tempo. Por isso, uma característica importante da
corrente alternada é a frequência.

A frequência, expressa pela letra f minúscula, é a quantidade de vezes que um ciclo se repete em
determinado período de tempo (T). Neste próximo gráfico, você pode observar que a corrente
alternada completa três ciclos em um período de tempo de um segundo. Assim, a sua frequência é
de três ciclos por segundo (f = 3 ciclos/s).

Frequência da corrente alternada


A unidade de medida da frequência elétrica é o hertz (Hz), em homenagem ao cientista Heinrich
Rudolf Hertz, e equivale ao número de ciclos que ocorrem em um segundo. Portanto, a onda
mostrada no gráfico anterior apresenta uma frequência de 3 Hz.

A relação de período e frequência

Período (T) e frequência (f) são duas grandezas físicas relacionadas a movimentos repetitivos e
oscilatórios, sendo que uma grandeza é o inverso da outra. Observe a expressão matemática que
relaciona período e frequência:

Expressão matemática da relação de período e frequência

Na rede elétrica da sua casa, os equipamentos como geladeira, televisão e máquina de


lavar funcionam com corrente alternada. A frequência utilizada nas redes elétricas do
Brasil é de 60 Hz, ou 60 ciclos por segundo. Porém, em outros países da América Latina
e da Europa, a frequência utilizada é de 50 Hz.

Representação da corrente alternada


Neste próximo vídeo, você conhecerá a importância da amplitude e da frequência em um sinal CA.

Para acessar o vídeo “A importância da amplitude e da


frequência em um sinal CA” leia o QRcode ou acesse o
link: https://youtu.be/5SEtEf4RStA

Você aprendeu que a corrente elétrica é um fluxo de cargas elétricas negativas que se movimentam
de forma ordenada nos circuitos elétricos. Nas instalações industriais, são empregados dois tipos
de correntes elétricas: corrente contínua (CC) e corrente alternada (CA).

No dia a dia de trabalho, um técnico deve saber identificar o tipo de corrente elétrica no circuito e
suas características, como polaridade, amplitude e frequência. Saber identificar os tipos de
correntes elétricas a partir dos símbolos específicos utilizados em equipamentos e documentos e
ainda interpretar valores e comportamentos de cada tipo de corrente (CC e CA) no tempo são
habilidades fundamentais. Caso contrário, você, como futuro técnico que irá trabalhar na indústria,
poderá danificar algum componente elétrico por mau uso.
A resistência
elétrica e suas
aplicações
Itinerário Nacional de Educação Profissional de 2020: Técnico em Automação Industrial e
Mecatrônica, 2021.

Capacidade granular: Reconhecer a grandeza física “resistência elétrica” que atua em sistemas
elétricos, suas bases teóricas, características e funções nos circuitos. Conhecimentos
associados: Eletricidade Básica: Grandezas elétricas. Carga horária: 2h.

Conteudista: Carlos Eduardo Kroth


Revisor Técnico: Laércio da Silva Xavier
Grão: A resistência elétrica e suas aplicações
Unidade Curricular: Eletrônica Aplicada a Sistemas Automatizados

JUNHO 2021 CÓD: UC02G04UE1

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A reprodução total ou parcial desta publicação por quaisquer meios, eletrônico, mecânico,
fotocópia, gravação ou outros, somente será permitida com prévia autorização, por escrito, do
SENAI - Departamento Nacional.

Esta publicação foi elaborada pela equipe da Gerência de Desenvolvimento Educacional - GDE,
do SENAI do Rio Grande do Sul, com a coordenação do SENAI Departamento Nacional, para
ser utilizada por todos os Departamentos Regionais do SENAI em cursos presenciais,
semipresenciais e a distância.
Carlos foi contratado por uma empresa fabricante de estufas industriais. Seu supervisor, o técnico
Adriano, solicitou que ele fizesse manutenção em uma estufa que não está funcionando.
Quais características e funções devem ser reconhecidas na resistência elétrica para possibilitar que
ela seja utilizada em diferentes aplicações industriais?

O que é resistência elétrica?

Quando ouvimos a palavra resistência, logo associamos a impedir algo ou a resistir a um movimento
que está ocorrendo. Por exemplo, quando tentamos erguer um objeto pesado, como um armário,
experimentamos certa dificuldade no movimento que está relacionada à limitação da nossa
capacidade de força física. Então, dizemos que temos uma resistência (limitação) física para erguer
objetos.

Nos sistemas elétricos, observamos comportamentos semelhantes em alguns materiais em relação


à passagem da corrente elétrica, devido a algumas limitações físicas dos materiais empregados.
Quando isso ocorre, dizemos que há resistência elétrica, que impõem dificuldade para cargas
elétricas fluirem pelo material.

A figura a seguir apresenta dois materiais usados como condutores elétricos – as bolas verdes
representam a estrutura do material e as bolinhas vermelhas representam as cargas elétricas que
fluem pelo condutor. Observe que no material de menor resistência (pouca bolas verdes), imagem
à esquerda, as cargas elétricas fluem com mais facilidade do que no material de maior resistência
(muitas bolas verdes), imagem à direita.

Resistência dos materiais à passagem da corrente elétrica


Unidade de medida da grandeza resistência elétrica

A grandeza resistência elétrica é indicada pela letra R (maiúscula) e sua unidade de medida é o
ohm (ohms, no plural), que é representado pela letra grega ômega (Ω). O nome ohm é uma
homenagem ao físico e matemático alemão Georg Simon Ohm (1787-1854), que definiu o conceito
de resistência elétrica aplicando relações matemáticas entre as dimensões físicas dos condutores,
como comprimento, área e outras.

O multímetro é utilizado para fazer medições de diferentes grandezas elétricas, como a de


resistência elétrica. Observe, nesta figura do multímetro, que quando a posição da chave seletora
está alinhada à simbologia mostrada, dizemos que o instrumento está ajustado para medir a
resistência elétrica.

Medição da resistência elétrica com um multímetro

Nunca se deve realizar uma medição de resistência elétrica com o equipamento


energizado, pois isso poderá provocar curto-circuito e acidentes elétricos graves.
Fatores que influenciam na resistência elétrica de um condutor

Em nossa casa, usamos muitos equipamentos que dependem da energia elétrica disponível nas
tomadas para funcionar. Quando ligados, ocorre a circulação de uma corrente elétrica da tomada
de energia até o equipamento por meio de fios condutores.

Essa circulação da corrente elétrica está relacionada com algumas características construtivas dos
fios utilizados, como o comprimento, a área da seção transversal, o material do qual o condutor é
feito e a temperatura no condutor. Essas características físicas influenciam na capacidade de
conduzir as cargas elétricas, por isso são chamadas de resistência elétrica de um condutor.

RELAÇÃO COMPRIMENTO X RESISTÊNCIA

Observe a figura a seguir que mostra fios condutores nos quais o tipo do material, a área da seção
transversal e a temperatura são os mesmos. A única diferença é o comprimento dos fios. Então,
observe que temos o aumento do valor da resistência elétrica de acordo com o aumento do
comprimento do condutor, pois as cargas elétricas precisam percorrer distâncias maiores para
circular entre a estrutura atômica do material condutor.

Exemplos de condutores elétricos com diferentes comprimentos

RELAÇÃO ÁREA X RESISTÊNCIA

Agora observe a próxima figura. Temos fios condutores nos quais o tipo do material, o comprimento
e a temperatura são os mesmos. A única diferença neste caso é a área da seção transversal. Então,
observe que temos a diminuição do valor da resistência elétrica de acordo com o aumento da área
da seção transversal do condutor, pois as cargas elétricas encontram mais espaços livres para
circular na estrutura atômica do material condutor.

Exemplos de condutores elétricos com diferentes áreas


O que são resistores?

Muitas tarefas diárias ficaram mais simples de serem realizadas devido ao uso dos equipamentos
elétricos, como aquecer a água do banho com o chuveiro, gerar calor para passar roupas com o
ferro elétrico e secar os cabelos com ar quente do secador. Mas você sabia que todos esses
equipamentos dependem de um componente chamado resistor?

O resistor é um componente construído com materiais (níquel, cromo, carbono, filme metálico ou
óxido-metálico) cujas propriedades de conduzir a corrente elétrica não são tão boas quanto as dos
materiais condutores. Sua finalidade nos sistemas elétricos é controlar a passagem da corrente
elétrica em um determinado ponto de um circuito ou converter a energia elétrica que circula no
equipamento em energia térmica, processo chamado de efeito Joule. A figura a seguir mostra um
chuveiro elétrico que utiliza um resistor que tem a função de aquecer a água, transformando a
energia elétrica em energia térmica (efeito Joule).

Chuveiro elétrico que utiliza um resistor para aquecimento da água

Preste atenção para não confundir resistência elétrica com resistor. O resistor é o
dispositivo físico que pode ser instalado em circuitos elétricos e a resistência elétrica é a
propriedade física dos materiais.
Tipos de resistores

Os resistores podem ser divididos em dois grupos: os resistores fixos, que têm um único valor
inalterado, e os resistores variáveis, que permitem que seu valor seja ajustado manualmente, por
um movimento mecânico.

RESISTOR FIXO

É aquele que tem um único valor de resistência determinado pelo fabricante – não é possível alterar
esse valor durante a aplicação. Os resistores fixos podem ser encontrados nos circuitos eletrônicos,
em chuveiros e estufas elétricas.

A figura a seguir mostra um exemplo de resistor fixo construído com fio metálico enrolado sobre um
material cerâmico e as simbologias mais aplicadas para representá-lo nos desenhos eletrônicos. O
resistor fixo é dotado de dois terminais e não tem uma polaridade positiva ou negativa, por isso
pode ser instalado em qualquer posição no circuito eletrônico.

Exemplo de um resistor fixo de filme metálico e suas possíveis simbologias

RESISTOR AJUSTÁVEL

É aquele que permite variar o valor da resistência elétrica dentro de uma faixa e os limites do ajuste
podem ser visualizados no corpo do componente ou em documentos que são fornecidos pelos
fabricantes (datasheet).

Os resistores ajustáveis (ou variáveis) presentes em equipamentos eletrônicos são chamados de


potenciômetro ou trimpot e executam funções de controle, como volume de um rádio, velocidade
de um ventilador, brilho de uma lâmpada e outros. O ajuste no valor da resistência do resistor é feito
por botão giratório, por parafuso com fenda ou por uma barra deslizante. Na próxima figura temos
diferentes exemplos de resistores variáveis, como potenciômetro e trimpot, juntamente com os tipos
de símbolos que são utilizados em circuitos eletrônicos.
Exemplos de resistores variáveis e suas possíveis simbologias

Características dos resistores fixos

Quando vamos definir um resistor fixo para executar uma função em um circuito elétrico, devemos
especificar suas características elétricas, como o valor da resistência nominal, o valor percentual
de tolerância e a capacidade de dissipação de potência.

RESISTÊNCIA NOMINAL

É o valor da resistência elétrica especificada pelo fabricante, expresso em ohms (Ω), e em valores
numéricos padronizados e estabelecidos pela norma IEC 63 (Comissão Eletrotécnica Internacional).
Observe, nesta figura, um resistor de cerâmica que tem valor nominal da resistência de 27 Ω,
estampado no corpo do componente.

Valor nominal da resistência de um resistor

VALOR DE TOLERÂNCIA

É uma faixa percentual que indica a variação possível no valor da resistência elétrica (decorrente
do processo de fabricação) que o resistor pode apresentar em relação ao valor padronizado da
resistência nominal. Essa faixa de tolerância indica que o valor nominal pode variar para mais ou
para menos. Por exemplo, a figura a seguir mostra um resistor de fio com valor nominal de 22 Ω,
que apresenta uma tolerância de 5%. Espera-se que o valor apresentado por este resistor seja de
22 Ω ± 1,1 Ω. Portanto, se este resistor estiver em perfeito estado, o valor nominal da sua resistência
elétrica deve estar na faixa de 20,9 Ω e 23,2 Ω.
Valor da tolerância da resistência em um resistor de fio

DISSIPAÇÃO NOMINAL DE POTÊNCIA

A passagem da corrente elétrica por um resistor produz a conversão de parte da energia elétrica
em energia térmica. O resistor deve ser capaz de transferir essa energia térmica para fora de seu
corpo, para limitar o seu aquecimento e evitar que seja danificado pelo excesso de temperatura.

A capacidade de transferir essa energia térmica para fora de seu corpo é chamada de dissipação
de potência e está relacionada com o tamanho físico do componente. Na próxima figura, você pode
observar dois resistores com tamanhos diferentes – o da esquerda apresenta maior área de
dissipação térmica em comparação ao da direita, permitindo assim maior liberação de calor interno
para o ambiente.

Resistores com diferentes capacidades de dissipação térmica


Como técnico, quando especificar um resistor, você
deverá avaliar dois fatores:

● O valor da resistência nominal (com o


percentual de tolerância);
● A potência de dissipação.

Caso esses fatores não sejam observados, o resistor


pode ser danificado por ter excedido o limite de
dissipação nominal de calor, como na figura.

Código de cores para resistores fixos

Nas placas eletrônicas que são usadas em sistemas de automação industrial, podemos encontrar
vários tipos de resistores fixos que não têm o valor da resistência escrito numericamente em seu
corpo. Nesses componentes, tanto os valores da resistência quanto da tolerância estão
especificados no seu corpo por meio de faixas coloridas, compostos por um código de cor.

Na próxima figura, temos como relacionar as faixas de cores do resistor com a tabela do código de
cores. Observe que o resistor apresenta quatro faixas coloridas (verde, azul, preto e cinza) em seu
corpo e a leitura deve iniciar sempre na extremidade com mais faixas. As duas primeiras faixas
representam o valor da resistência (verde = 5; azul = 6); a terceira é um fator multiplicador (preto =
x1); e a quarta e última faixa (prata = ± 10%) indica a tolerância do valor da resistência. Conforme
o código de cores, esse resistor apresenta o valor de resistência de 56 Ω com tolerância de ± 10%.
Código de cores para resistores fixos de quatro faixas

Alguns resistores não têm a quarta faixa referente à tolerância, isso significa que o valor
da sua resistência pode variar em ± 20%. Outros resistores podem ter cinco ou seis faixas,
que servem para apresentar mais exatidão no valor da resistência elétrica com níveis
menores de tolerância.

A seguir, assista ao vídeo que mostra como identificar as propriedades de um resistor.

Para acessar o vídeo “O resistor e suas


propriedades” leia o QRcode ou acesse o link:
https://youtu.be/wVVLWfRIH7I
Aplicação de resistores em sistemas elétricos

Os resistores têm várias aplicações nos sistemas elétricos industriais, seja para adequar valores de
grandezas elétricas como tensão e corrente ou para a conversão da energia elétrica em energia
térmica em equipamentos industriais. Vamos conhecer algumas aplicações comuns dos resistores
em instalações de vários segmentos industriais.

RESISTOR EM CIRCUITOS ELETRÔNICOS

Nas placas internas dos controladores eletrônicos industriais, são utilizados muitos resistores de
filme de carbono com a finalidade de limitar a corrente elétrica em um circuito ou adequar o valor
da tensão elétrica da fonte, conforme a necessidade das diferentes etapas do circuito do
controlador. Observe, nesta figura, um resistor de filme de carbono em aplicação no circuito
eletrônico.

Resistor de filme de carbono aplicado em circuitos eletrônicos

RESISTOR PARA AQUECIMENTO DE LÍQUIDOS

Nos processos industriais automotivos, químicos e farmacêuticos, diversos produtos, como óleos,
água e solventes necessitam de aquecimento para participarem de etapas específicas do processo
produtivo. Esses produtos passam por equipamentos aquecedores construídos com resistores
elétricos blindados. A figura a seguir mostra exemplos de resistores elétricos blindados que são
utilizados em processos de aquecimento de indústrias químicas.

Resistor de aquecimento para líquidos industriais


RESISTOR PARA AQUECIMENTO DE EQUIPAMENTOS

Nos processos industriais, como petroquímicos, refinarias de petróleo e indústria de celulose, alguns
equipamentos, como motores, extrusora e estufas necessitam de aquecimento de suas estruturas
metálicas para operarem adequadamente com os produtos específicos dos seus processos. Nesses
equipamentos, são instalados um exemplo de resistor elétrico blindado que é utilizado em
extrusoras de instalações petroquímicas.

Resistência de aquecimento de uma extrusora de indústria petroquímica

Você aprendeu que o resistor é um componente físico que é instalado nos sistemas elétricos, viu
também que resistência é a dificuldade que o componente apresenta à passagem de corrente
elétrica. A resistência apresentada por um resistor está associada a fatores como comprimento,
área de sua seção transversal e o tipo do material condutor que, quando mal especificado,
compromete a vida útil do componente.

A propriedade física de resistência elétrica permite aplicações variadas nos sistemas elétricos e
eletrônicos, em que pequenos resistores fazem a função de adequar sinais eletrônicos e resistores
mais robustos fazem a função de aquecimento de produtos e equipamentos nas instalações
industriais.

Por isso, é de extrema relevância que o técnico saiba interpretar as informações que estão escritas
no corpo do resistor ou por meio de código de cores, uma vez que a não observação dessas
informações pode danificar o componente.
A potência elétrica e
suas características
Itinerário Nacional de Educação Profissional de 2020: Técnico em Automação Industrial e
Mecatrônica, 2021.

Capacidade granular: Reconhecer a grandeza física “potência elétrica” que atua em sistemas
elétricos, suas bases teóricas, características e funções nos circuitos. Conhecimentos
associados: Eletricidade Básica: Grandezas elétricas. Carga horária: 2h.

Conteudista: Carlos Eduardo Kroth


Revisor Técnico: Laércio da Silva Xavier
Grão: A potência elétrica e suas características
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fotocópia, gravação ou outros, somente será permitida com prévia autorização, por escrito, do
SENAI - Departamento Nacional.
Esta publicação foi elaborada pela equipe da Gerência de Desenvolvimento Educacional -
GDE, do SENAI do Rio Grande do Sul, com a coordenação do SENAI Departamento Nacional,
para ser utilizada por todos os Departamentos Regionais do SENAI em cursos presenciais,
semipresenciais e a distância.
João trabalha no almoxarifado de uma empresa de instalação e manutenção de máquinas
industriais, mas está com problemas para identificar as características dos motores. Marcos, o
técnico de manutenção da empresa, foi ajudá-lo nesta tarefa.
Quais características e funções devem ser reconhecidas em relação à grandeza potência elétrica
para que seja possível compreender a atuação dela nos sistemas elétricos?

O que é potência elétrica?

Ao comprar uma lâmpada, espera-se que ela seja capaz de produzir luminosidade suficiente para
um ambiente. No entanto, em vez de observar a capacidade luminosa, prestamos atenção à
potência elétrica, que representa o consumo da lâmpada.

A potência elétrica é a capacidade de um equipamento produzir algum tipo de trabalho (mecânico,


térmico, luminoso ou outros), a partir da energia elétrica. A lâmpada elétrica produz um trabalho
luminoso utilizando a energia elétrica. A figura a seguir mostra a embalagem de uma lâmpada que
apresenta a potência elétrica (17 W) utilizada para transformar energia elétrica em energia luminosa.

Indicação de potência elétrica de uma lâmpada de LED


Relação entre potência e trabalho elétrico

Você já percebeu que alguns elevadores são mais rápidos do que outros? Por que isso acontece?
Os elevadores mais rápidos contam com motores mais potentes, que executam o trabalho em
menor tempo e, por isso, deslocam-se mais rapidamente.

A potência elétrica é uma grandeza física que relaciona o trabalho feito com o tempo necessário
para sua execução. A grandeza potência elétrica é identificada pela letra P (maiúscula) e sua
unidade de medida é o watt, simbolizada pela letra W (maiúscula).

A unidade de potência elétrica watt recebeu esse nome em homenagem ao matemático


e engenheiro britânico James Watt, por suas contribuições para o desenvolvimento do
motor a vapor na época da revolução industrial.

Matematicamente a potência é determinada pela divisão do trabalho (simbolizado pela letra grega
𝜏 – tau) pelo tempo t necessário para executar o respectivo trabalho, como mostra a expressão a
seguir.

Fórmula da potência

A quantidade de 1 watt corresponde ao trabalho mecânico de 1 joule feito por uma máquina no
tempo de 1 segundo, resultando em uma potência de 1 joule por segundo (1 W = 1 J/s). Por
exemplo, uma batedeira elétrica que faz um trabalho de 400 J em um tempo de 1 segundo tem uma
potência de 400 W.

Potência elétrica em sistemas de corrente contínua

Nos equipamentos elétricos, a transformação da energia elétrica em trabalho efetivo se comporta


de forma linear, e esse trabalho está relacionado à corrente elétrica que circula e à tensão aplicada
sobre o equipamento. Assim, a potência desenvolvida pelo equipamento elétrico pode ser
determinada diretamente pela próxima expressão matemática.

Fórmula da potência elétrica

Pela expressão matemática apresentada, podemos observar que 1 watt (1 W) corresponde à


potência desenvolvida por um equipamento elétrico, quando energizado com uma tensão de 1 V e
quando está passando por seu circuito uma corrente elétrica de 1 A.

A partir dessa expressão matemática, também podemos determinar os valores de tensão e a


corrente elétrica. Veja a seguir:

Fórmula da tensão elétrica

Potência elétrica em sistemas de corrente alternada

Nos sistemas de corrente alternada (CA), a corrente elétrica e a tensão elétrica passam a se
comportar de maneiras diferentes dos sistemas de corrente contínua CC, apresentando distorções
ou defasagem na forma da onda senoidal. Por isso, nos sistemas alimentados em CA, a potência
elétrica é definida de três formas: potência ativa, potência reativa e potência aparente. Vamos
conhecer suas características.

POTÊNCIA ATIVA

A potência ativa é a potência útil de um equipamento elétrico representada pela letra P (maiúscula)
e sua unidade de medida é o Watt (W). Em um motor elétrico, a potência útil é a que está disponível
na ponta do seu eixo, como o trabalho na rotação da broca em uma furadeira.

A próxima figura mostra um instrumento analógico que mede a potência ativa, conhecido como
wattímetro, que geralmente é instalado na porta de painéis elétricos industriais.
Modelo de wattímetro analógico instalado em painéis elétricos

POTÊNCIA REATIVA

Quando equipamentos elétricos, como motores e transformadores, estão em operação, nem toda
potência fornecida é transformada em potência útil. Uma parte dela é transformada em campo
magnético, necessário ao funcionamento desses equipamentos.

Essa potência que não produz trabalho útil é denominada de potência reativa, representada pela
letra Q (maiúscula), cuja unidade de medida é o volt-ampere reativo (VAr). Portanto, quanto menor
for valor dessa potência, mais eficiente é o sistema. Nesta figura temos um medidor digital de
potência reativa utilizado em painéis elétricos industriais.

Medidor digital de potência reativa instalado em painéis elétricos

POTÊNCIA APARENTE

É a potência total consumida por um equipamento elétrico, representada pela letra S (maiúscula),
cuja unidade de medida é o volt-ampere (VA). A potência aparente é a potência total que o
equipamento solicita da rede elétrica. A maior parte dela é usada como potência ativa e uma
pequena parte é desperdiçada em potência reativa. Veja um medidor digital de potência aparente
utilizado em painéis elétricos industriais.
Medidor digital de potência aparente instalado em painéis elétricos

Equivalência entre potência elétrica e potência mecânica

Para expressar a potência elétrica em motores, se utiliza a unidade watt (W); e para expressar sua
potência mecânica, são usadas as unidades hp (horse-power, em inglês) e cv (cavalo-vapor). Essa
unidade surgiu quando James Watt precisou expressar a potência mecânica de sua máquina a
vapor. Para isso, comparou essa potência com o trabalho realizado por cavalos que movimentavam
rodas de moinhos.

Na indústria, para especificar projetos elétricos que utilizam motores, é necessário fazer a
equivalência entre potência mecânica e potência elétrica. As equivalências entre essas potências
são mostradas nas expressões a seguir:

● 1 hp equivale a aproximadamente 746 W

● 1 cv equivale a aproximadamente 736 W

A unidade cv não é uma tradução literal da expressão inglesa hp para o português.


Embora essas duas unidades hp e cv se refiram à mesma grandeza de potência
mecânica, elas apresentam valores diferentes. A origem da diferença no valor é que o
cv foi obtido no sistema métrico, segundo uma norma alemã, e o hp foi obtido utilizando
o padrão de unidade imperial.
Identificando a potência elétrica nominal dos equipamentos

Um chuveiro, uma lâmpada ou um motor transformam a energia elétrica em outras formas de


energia, como a térmica, a luminosa e a mecânica, respectivamente. Uma característica comum
para a especificação desses dispositivos é a potência útil de cada um deles.

Na compra de um chuveiro, por exemplo, devemos escolher que potência nominal desejamos.
Podemos encontrar as potências de 5.500 W, 6.000 W e 7.500 W, entre outras. Essa informação,
geralmente, está especificada no corpo do chuveiro ou na embalagem, como mostra esta figura.

Identificação da potência nominal de um chuveiro elétrico

A potência nominal das lâmpadas de LED podem ser encontradas com valores de 5 W,
8 W, 15 W, entre outros. Esses valores são muito inferiores às potências nominais das
lâmpadas incandescentes (40 W, 60 W e 100 W). Mas, mesmo assim, a luminosidade
das lâmpadas de LED é superior, devido a melhor eficiência energética na conversão da
energia elétrica em energia luminosa. Por exemplo, uma lâmpada de LED com potência
de 8 W produz aproximadamente a luminosidade equivalente a de uma lâmpada de 60
W.
Vamos assistir agora a um vídeo que mostra a identificação da potência elétrica em equipamentos.

Para acessar o vídeo “A potência elétrica em


equipamentos” leia o QRcode ou acesse o link:
https://youtu.be/Z7jAdXsubEU

Potência e efeito Joule

Quando a corrente elétrica circula por componentes instalados em circuitos elétricos, verificamos
que uma parte da energia é transformada em calor – é por isso que observamos o aquecimento na
maioria dos equipamentos elétricos energizados.

Esse calor produzido é conhecido como efeito Joule, em homenagem ao físico britânico James
Prescott Joule, que estudou a natureza do calor gerado em uma resistência devido à circulação de
corrente elétrica. Joule determinou as relações entre o fluxo da corrente elétrica que passa por um
resistor elétrico e o calor dissipado, expressas pelas leis de Joule. Essas relações são
representadas pela seguinte expressão matemática:

Relações entre o fluxo da corrente elétrica que passa por um resistor elétrico e o calor dissipado

Outra relação matemática diz que, quando a tensão for constante, a potência elétrica dissipada é
inversamente proporcional a sua resistência elétrica. Essa relação é representada nesta expressão
matemática:

Relação matemática entre potência elétrica e sua resistência elétrica


Muitos resistores não informam em seu corpo a tensão nominal de funcionamento e, por isso,
precisamos determinar a potência elétrica dissipada por ele quando conectado a um circuito elétrico.
Esse fator é importante, pois a quantidade de calor (efeito Joule) produzida pelo resistor não pode
ser excessiva a ponto de danificá-lo.

UM EXEMPLO IMPORTANTE

Determinaremos a potência dissipada por um resistor de 100 Ω, pelo qual circula uma corrente
elétrica de 0,1 A, energizado por uma fonte de tensão de 10 V. Para esse caso, podemos utilizar
qualquer uma das expressões matemáticas mostradas a seguir.

𝑃= V x 1 = 10 x 0,1 = 1 W
P = R x I² = 100 x 0,1² = 1 W
𝑉² 10²
𝑃 = =
𝑅 100
= 1W

Observe que em todas as expressões matemáticas utilizadas o resultado encontrado para a


potência dissipada foi o mesmo. Sendo assim, o resistor de 100 Ω escolhido para esse circuito
deverá ter uma estrutura física capaz de dissipar uma potência superior a 1 W para não ser
danificado.

O efeito Joule nas instalações elétricas

O efeito Joule pode ser observado em diferentes componentes dos circuitos elétricos industriais.
Basta observar a produção de calor em fusíveis, disjuntores, fios e cabos elétricos. Esse efeito
representa perdas de energia nos sistemas elétricos, podendo inclusive comprometer a segurança
de instalações e equipamentos elétricos.

EFEITOS EM FIOS E CABOS ELÉTRICOS

A passagem excessiva da corrente elétrica pelos condutores que alimentam um determinado


equipamento provoca aumento da temperatura do condutor devido ao efeito Joule. Quando a
temperatura ultrapassar o valor limite especificado pelo fabricante para o condutor, seu isolamento
poderá ficar comprometido e, em casos mais graves, produzir um curto-circuito.
Efeito Joule em condutores elétricos

EFEITOS EM MOTORES ELÉTRICOS

Em motores elétricos, a passagem excessiva de corrente elétrica também gera aquecimentos


elevados em seus enrolamentos, provocados pelo efeito Joule. Essa temperatura elevada danifica
o verniz que faz o isolamento entre os fios das bobinas. A figura a seguir mostra a queima de um
motor em razão das altas temperaturas sofridas pelas bobinas.

EFEITOS EM DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO

O efeito Joule também é utilizado em dispositivos de proteção elétrica, como fusíveis e disjuntores,
cuja finalidade é proteger a instalação pela limitação da potência fornecida ao circuito. Quando a
corrente elétrica ultrapassa determinado valor especificado, o calor gerado pelo efeito Joule funde
o filamento interno do fusível.

Nos disjuntores, um dispositivo térmico se dilata com o aumento da temperatura provocado pelo
efeito Joule. Como consequência, esse dispositivo térmico se deforma e aciona o dispositivo de
proteção, que desenergiza o circuito elétrico. A próxima figura mostra um tipo de fusível e disjuntor
empregados na proteção de circuitos elétricos.

Tipo de fusível e de disjuntor usado na proteção de circuitos elétricos


Potência e rendimento em motores elétricos

Nos motores, a energia elétrica é transformada em energia mecânica. Porém, nem toda potência
elétrica fornecida ao motor é convertida em movimento rotacional no seu eixo, pois parte dela é
perdida devido ao atrito, ao aquecimento e a outros fatores. A figura a seguir mostra a relação entre
a potência mecânica de saída e a potência elétrica na entrada do motor.

Relação entre a potência elétrica e a mecânica

O rendimento é a relação que define a eficiência entre a potência elétrica absorvida da rede
(potência de entrada em watt) e a potência mecânica disponível no eixo do motor (potência de saída
em watt). O rendimento, representado pela letra grega η (eta), é uma grandeza que não tem unidade
e seu valor numérico será sempre um número menor que 1.

Quando expresso em porcentagem, o rendimento apresenta valores que variam de 0 a 100%. Para
expressar o rendimento de um motor elétrico, podemos utilizar as expressões matemáticas a seguir:

𝑃𝑜𝑡ê𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑒 𝑠𝑎í𝑑𝑎 𝑃𝑜𝑡ê𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑚𝑒𝑐â𝑛𝑖𝑐𝑎 (𝑊)


𝜼= =
𝑃𝑜𝑡ê𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑒 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎 𝑃𝑜𝑡ê𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑒𝑙é𝑡𝑟𝑖𝑐𝑎 (𝑊)

Ou em percentual:

𝑃𝑜𝑡ê𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑒 𝑠𝑎í𝑑𝑎 𝑃𝑜𝑡ê𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑚𝑒𝑐â𝑛𝑖𝑐𝑎 (𝑊)


𝜼 (%) = = × 100%
𝑃𝑜𝑡ê𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑒 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎 𝑃𝑜𝑡ê𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑒𝑙é𝑡𝑟𝑖𝑐𝑎 (𝑊)

Quanto maior for o valor do rendimento do motor, melhor é o aproveitamento da potência


elétrica. Nos motores elétricos antigos da década de 1960, o rendimento variava em torno
de 88% e, atualmente, nos motores de alto rendimento, esse valor pode ser até maior
que 96%.
Você aprendeu que a grandeza potência elétrica é a capacidade de um equipamento produzir
trabalho a partir da energia elétrica. A potência em circuitos CC tem um comportamento linear, pois
depende apenas da tensão e da corrente elétrica.

Nos circuitos CA, devido às distorções entre formas de ondas senoidais, nem toda energia fornecida
converte-se em trabalho. Como consequência, é necessário considerar a potência ativa (W), a
potência reativa (VAr) e a potência aparente (VA).

A potência elétrica também está relacionada a dois fatores importantes para o funcionamento de
equipamentos elétricos, que são o efeito Joule e o rendimento. O efeito Joule é a potência elétrica
dissipada pelos equipamentos elétricos sob a forma de calor, enquanto que o rendimento relaciona
a potência elétrica fornecida ao motor elétrico com trabalho efetivo em seu eixo.

Por isso, é importante que o técnico saiba reconhecer essas características e funções da grandeza
potência elétrica para que possa especificar adequadamente os componentes de um sistema
elétrico na indústria.
Unidades de
medidas elétricas e
suas aplicações
Itinerário Nacional de Educação Profissional de 2020: Técnico em Automação Industrial e
Mecatrônica, 2021.

Capacidade granular: Reconhecer as unidades de medida que se aplicam às grandezas


“tensão, corrente, resistência e potência elétrica”, assim como suas formas de conversão e
possíveis impactos de erros na conversão. Conhecimentos associados: Eletricidade Básica:
Grandezas elétricas *(Potência de base dez, números fracionários e decimais, múltiplos e
submúltiplos, conversão de base numérica). Carga horária: 3h.

Conteudista: Carlos Eduardo Kroth


Revisor Técnico: Laércio da Silva Xavier
Grão: Unidades de medidas elétricas e suas aplicações
Unidade Curricular: Eletrônica Aplicada a Sistemas Automatizados

JUNHO 2021 CÓD: UC02G06UE1

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©2021.SENAI – Departamento Nacional
©2021.SENAI – Departamento Regional do Rio Grande do Sul
A reprodução total ou parcial desta publicação por quaisquer meios, eletrônico, mecânico,
fotocópia, gravação ou outros, somente será permitida com prévia autorização, por escrito, do
SENAI - Departamento Nacional.
Esta publicação foi elaborada pela equipe da Gerência de Desenvolvimento Educacional -
GDE, do SENAI do Rio Grande do Sul, com a coordenação do SENAI Departamento Nacional,
para ser utilizada por todos os Departamentos Regionais do SENAI em cursos presenciais,
semipresenciais e a distância.
João e Lucas trabalham em uma empresa petroquímica que utiliza muitos instrumentos, com as
mais diferentes escalas, para medir várias grandezas elétricas. Um dia, Lucas apresentou uma
dúvida sobre o uso de grandezas elétricas. Observe como João esclareceu essa dúvida.
Quais as bases numéricas que são utilizadas para representar as medidas das grandezas elétricas
e como são feitas as conversões em múltiplos e submúltiplos de tensão, corrente, resistência e
potência dos sistemas elétricos?

O uso de prefixos em unidades de medidas

Em seu dia a dia, certamente você utiliza unidades de medidas que expressam quantidades
imensas ou minúsculas. Por exemplo, o dispositivo que serve para armazenamento de informações
ou dados, chamado de pendrive.
Os primeiros pendrives tinham pouca capacidade de memória, na ordem de quilobytes (1 kb = 1.000
byte), atualmente os dispositivos comercializados apresentam capacidade de memória de vários
gigabytes (1 Gb = 1.000.000.000 byte). Por isso, para comprar um pendrive, é importante
compreender o significado desses prefixos usados nas unidades de medidas de capacidade de
memória.

Nas indústrias, também é importante compreender os significados dos prefixos que são usados ao
lado das unidades de medidas de grandezas elétricas, como tensão, corrente, resistência e potência
elétrica. A conversão entre esses prefixos permite representar os valores das grandezas elétricas
com números mais fáceis de se trabalhar.

Por exemplo, fazer operações matemáticas ou mesmo escrever em um relatório o valor de uma
resistência elétrica de 10.000 Ω é complicado em razão da quantidade de zeros. Uma maneira mais
fácil de representar e usar em cálculos esse mesmo valor é fazendo a conversão para um múltiplo,
como 10 kΩ ou 10 k. Nesta figura temos um resistor expresso em um múltiplo.

Resistor expresso em um múltiplo

Conceitos matemáticos na aplicação dos números

Para compreender a relação entre o nome dos prefixos e os valores que eles expressam nas
grandezas elétricas, precisamos estudar alguns conceitos matemáticos, como números decimais,
números fracionários e potência de base dez.

NÚMEROS FRACIONÁRIOS

Também chamados de racionais, surgiram para facilitar a representação e a operação comercial


nas trocas de mercadorias efetuadas no cotidiano. Quando não se quer utilizar uma unidade inteira
de uma medida, divide-se a quantidade em partes iguais e cada uma é chamada de uma fração
dessa quantidade.

A figura a seguir mostra uma barra de cobre utilizada em painéis elétricos, em que a unidade foi
dividida em quatro partes e cada parte cortada é uma fração da barra inteira. Então, se retirarmos
uma parte da barra, significa que utilizamos um quarto da unidade inteira da barra.
Barra de cobre cortada em partes

Quando for necessário fracionar uma unidade em mais de dez partes, falamos o numeral
acompanhado da palavra avos. Assim, se o exemplo anterior fosse dividido em 11
pedaços, cada um representaria 1/11 (um onze avos) da barra.

NÚMEROS DECIMAIS

São números compostos por duas partes: uma parte inteira, expressa antes da vírgula, e outra
decimal (não inteira), expressa depois da vírgula. Os números decimais surgiram da necessidade
de facilitar as operações matemáticas, principalmente em cálculos astronômicos, em virtude da
precisão proporcionada nos resultados. Assim, a partir de um número fracionário como ¼ (um
quarto), originou-se o numeral decimal 0,25, resultante da divisão entre o numerador 1 e o
denominador 4.

Fração e números decimais

No Brasil, a vírgula é o símbolo utilizado como separador decimal. Para facilitar a leitura
de números inteiros grandes, se utiliza também o ponto como separador de milhar a cada
três dígitos.
Em outros países, como os de cultura inglesa, o separador decimal utilizado é o ponto, já
o separador de milhar é a vírgula.

POTÊNCIAS DE BASE DEZ

É um número composto por uma base e um expoente. Nesse caso, a base é dez e o expoente
significa a quantidade de multiplicações sucessivas por dez, como apresenta a próxima figura.

Multiplicações sucessivas por dez

A potência de base dez é uma forma prática de representar números imensos (100.000.000.000)
ou minúsculos (0,00000000001), pois facilita a conversão de unidades de grandezas elétricas. Para
realizar operações matemáticas com potência de base dez, são utilizadas algumas propriedades,
como multiplicação, divisão e potenciação.

Multiplicação de potências → Conserva a base e soma os expoentes.

102 x 103
= 10(2 + 3)
= 105
= 10 x 10 x 10 x 10 x 10
= 100.000

Divisão de potências → Conserva a base e diminui os expoentes.

104 ÷ 102
= 10(4 - 2)
= 102
= 10 x 10
= 100
Potenciação de potências → Conserva a base e multiplica os expoentes.

(102)2 = 10(2 x 2)
= 104
= 10 x 10 x 10 x 10
= 10.000

A notação científica é uma forma de expressar as grandezas físicas em números decimais


com potência de base dez. A parte inteira do número decimal deve ser sempre maior ou
igual a 1 e também sempre menor que 9.

1.950.000 = 1,95 x 106

0,00000995 = 9,95 x 10-6

POTÊNCIA DE BASE DEZ PARA NÚMEROS N > 0

O N é o expoente que indica quantas vezes multiplicamos o número pela base dez, ou seja, o
expoente identifica a quantidade de zeros que serão colocados após o número 1, como mostra a
tabela a seguir.

101 10 10

102 10 x 10 100

103 10 x 10 x 10 1.000

104 10 x 10 x 10 x 10 10.000

105 10 x 10 x 10 x 10 x 10 100.000

106 10 x 10 x 10 x 10 x 10 x 10 1.000.000

A seguir, veremos exemplos de operações matemáticas com potência de base dez em números
com N > 0. Antes, vamos lembrar o significado dos termos em cada uma das posições dos numerais.

a . 10b

a = coeficiente numérico 10 = base b = expoente (ordem de grandeza)


Soma → Soma os coeficientes ( 2 + 5) e mantém a base com os expoentes (103).
(2 x 103) + (5 x 103)
= (2 + 5) x 10³
= 7 x 103
= 7 x 10 x 10 x 10
= 7.000

Subtração → Subtrai os coeficientes (5 - 1) e mantém a base com os expoentes (103).


(5 x 103) - (1 x 103)
= (5 - 1) x 104
= 4 x 103
= 4 x 10 x 10 x 10
= 4.000

Produto → Multiplica os coeficientes (2 x 3), mantém a base (10) e soma os expoentes (3 + 2).
(2 x 103) x (3 x 102)
= (2 x 3) x 10(3 + 2)
= 6 x 105
= 6 x 10 x 10 x 10 x 10 x 10
= 600.000

Divisão → Divide os coeficientes (6 ÷ 3), mantém a base (10) e subtrai os expoentes (5 - 2).
(6 x 105) ÷ (3 x 102)
= (6 ÷ 3) x 10(5 - 2)
= 2 x 103
= 2.000

POTÊNCIA DE BASE DEZ PARA NÚMEROS N < 0

O N é o expoente que indica quantas vezes dividimos o número pela base dez, ou seja, quando um
expoente for negativo, pode-se escrever esse número na forma de fração, sendo o denominador
uma potência de base dez com numerador 1.

Potência de base dez para números N < 0

Também podemos escrever na forma decimal, sendo que o número do expoente indica a
quantidade de dígitos após a vírgula, como é possível ver nesta tabela.
10-1 0,1 0,1

10-2 0,1 x 0,1 0,01

10-3 0,1 x 0,1 x 0,1 0,001

10-4 0,1 x 0,1 x 0,1 x 0,1 0,0001

10-5 0,1 x 0,1 x 0,1 x 0,1 x 0,1 0,00001

10-6 0,1 x 0,1 x 0,1 x 0,1 x 0,1 x 0,1 0,000001

Exemplos de operações matemáticas com potências de base dez com N < 0:

Soma → Soma os coeficientes (2 + 2) e mantém a base com os expoentes (10-3). Depois,


transforma a base em fração para trocar o sinal do expoente.
(2 x 10-3) + (2 x 10-3)
= (2 + 2) x 10-3
1
=4x 3
10
4
=
103
4
= 1000
= 0,004

Subtração → Subtrai os coeficientes (4,5 - 2,3) e mantém a base com os expoentes (10-3). Depois,
transforma a base em fração para trocar o sinal do expoente.
(4,5 x 10-3) - (2,3 x 10-3)
= (4,5 - 2,3) x 10-3
= 2,2 x 10-3
1
= 2,2 x 3
10
2,2
= 1000
= 0,0022

Produto → Multiplica os coeficientes (2 x 4), mantém a base (10) e soma os expoentes (-6 + 3).
Depois, transforma a base em fração para trocar o sinal do expoente.
(2 x 10-6) x (4 x 103)
= (2 x 4) x 10(-6 + 3)
= 8 x 10(-6 + 3)
= 8 x 10-3
1
=8x 3
10
8
=
103
8
=1000
= 0,008
Divisão → Divide os coeficientes (6.300 ÷ 30), mantém a base (10) e subtrai os expoentes (-6 + 3).
Depois, transforma a base em fração para trocar o sinal do expoente.
(6.300 x 10-6) ÷ (30 x 10-3)
= (6.300 ÷ 30) x 10(-6 + 3)
= 210 x 10(-6 + 3)
= 210 x 10-3
210
= 3
10
210
=1000
= 0,21

Caso alguma operação de soma ou subtração tenha valores de expoentes diferentes,


você terá de ajustar um dos valores para que os expoentes fiquem iguais. Veja o exemplo
a seguir:

(2 x 103) + (2 x 10-3)
= (2 x 103) + (0,000002 x 103)
= 2000,000002 x 103

Observação: para chegar de 10-3 até 103, foi necessário acrescentar seis zeros na
transformação do número 2 (0,000002). Assim, somente após igualar as potências de
base dez nos dois termos em 103, é possível fazer a operação matemática.

POTÊNCIA DE BASE DEZ PARA N = 0

Uma regra matemática diz que todo número elevado ao expoente zero é igual a 1, então isso vale
para a potência de base dez. Sendo assim, 100 = 1.

Conversão de base numérica


Em nossas rotinas, todas as operações matemáticas são feitas usando os números decimais ou em
potência de base dez. Na automação, são utilizados sistemas numéricos que empregam potências
com outras bases, como: 2 (binário) e 16 (hexadecimal). A tabela a seguir mostra a equivalência
entre valores em cada base numérica.
Decimal Hexadecimal Binário

0 0 0000

1 1 0001

2 2 0010

3 3 0011

4 4 0100

5 5 0101

6 6 0110

7 7 0111

8 8 1000

9 9 1001

10 A 1010

11 B 1011

12 C 1100

13 D 1101

14 E 1110

15 F 1111

Tabela de equivalência entre valores de diferentes bases numéricas

BASE DECIMAL

O sistema decimal compreende dez algarismos numéricos: 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9. A composição


dos números pode ser em: unidades, dezenas (dez unidades), centenas (cem unidades), milhares
(mil unidades) etc.

Embora a base dez tenha o nome decimal, não existe o algarismo 10. O número 10 é
composto pelos algarismos 1 e 0.
BASE BINÁRIA

É um sistema numérico cuja base é 2 e é composto apenas pelos algarismos 0 e 1. A base binária
é utilizada para representar qualquer dispositivo que tenha dois estados lógicos (ligado/desligado,
aberto/fechado), como circuitos eletrônicos que utilizam valores de corrente ou tensão como nível
lógico, sendo que o algarismo 1 significa ligado (nível lógico alto) e o algarismo 0 significa desligado
(nível lógico baixo). Veja na figura a seguir.

Representação de um estado lógico com sistema binário

Todo computador utiliza a base binária para representar programas, textos e vídeos,
formados por sequências compostas pelos estados lógicos 0 e 1. Em sistemas
eletrônicos, o dígito binário 0 ou 1 é chamado de bit, e um conjunto de 8 bits é uma
informação denominada de byte. A capacidade de memória do computador é medida em
byte.

CONVERSÃO ENTRE UM VALOR DECIMAL PARA BINÁRIO

A conversão de um número do sistema decimal para o binário é feita dividindo-se sucessivamente


cada dígito decimal por 2, até que o último quociente seja 1. Os restos obtidos das divisões e o
último quociente compõem o número binário, expressando o valor do bit mais significativo (2n) para
o menos significativo (20), sendo que “n” significa o número de divisões, como mostra a próxima
figura.
Conversão de um número do sistema decimal para o binário

CONVERSÃO ENTRE UM VALOR BINÁRIO PARA DECIMAL

A conversão de um número do sistema binário para o sistema decimal é efetuada multiplicando-se


cada dígito binário pela potência de 2, a qual deve ser iniciada pelo menos significativo (20) e,
depois, deve-se ir incrementando a potência de base 2 conforme a quantidade de números binários.
A figura a seguir mostra a conversão de um número binário 10011 para decimal, cujo algarismo
mais significativo deve ser multiplicado pela base 24.

Conversão de um número do sistema binário para o decimal

BASE HEXADECIMAL

É um sistema numérico, cuja base é 16, composto por uma sequência de algarismos e letras, como
0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, A, B, C, D, E e F.

A tabela a seguir mostra, na primeira linha, os algarismos da base hexadecimal e, na segunda linha,
a equivalência com os números da base decimal. Por essa equivalência, a letra A hexadecimal
representa o número 10 do sistema decimal, da mesma forma que a letra D representa o número
13.
Base hexadecimal

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 A B C D E F

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15

Base decimal

Equivalência entre sistema decimal e hexadecimal

CONVERSÃO ENTRE UM VALOR DECIMAL PARA HEXADECIMAL

A conversão de um número do sistema decimal para o sistema hexadecimal é efetuada dividindo-


se sucessivamente cada dígito decimal por 16, até que o último quociente seja um valor menor que
16. Os restos obtidos das divisões e o último quociente compõem o número hexadecimal,
expressando o valor do bit mais significativo (16n) para o menos significativo (160), sendo que n
significa a quantidade de divisões. Veja a próxima figura.

Conversão de um número do sistema decimal para o hexadecimal

Assim, a escrita do valor 1000 na base Hexadecimal é: bit mais significativo (3) + bit intermediário:
E (= 14) + bit menos significativo (8)

CONVERSÃO ENTRE UM VALOR HEXADECIMAL EM DECIMAL

A conversão de um número do sistema hexadecimal para o sistema decimal é efetuada


multiplicando-se cada dígito binário pela potência de 16, a qual deve ser iniciada pelo menos
significativo (160) e, depois, deve-se ir incrementando potências de base 16 de acordo com a
quantidade de números hexadecimais. A próxima figura mostra a conversão de um número
hexadecimal 1D6 para decimal, em que o algarismo mais significativo deve ser multiplicado pela
base 162.
Conversão de um número do sistema hexadecimal para o decimal

O sistema hexadecimal é muito utilizado para efetuar operações aritméticas e na tomada


de decisão na programação de microprocessadores que são usados, por exemplo, em
controladores lógicos programáveis (CLP).

Potência de base dez para múltiplos e submúltiplos de unidades elétricas

Atuando como técnico, você fará algumas atividades de medições e cálculos matemáticos
envolvendo grandezas elétricas expressas em valores grandes ou pequenos. Para facilitar essa
atividade, recomenda-se utilizar os múltiplos e submúltiplos da unidade fundamental da grandeza
medida.

Por exemplo, um instrumento que mede um sinal de corrente com valor de 0,016 A. Esse é um valor
pequeno para ser expresso na unidade fundamental ampère, por isso os técnicos preferem
representar essa medida em um submúltiplo, o miliampère, com valor de 16 mA.

As tabelas a seguir mostram exemplos de prefixos utilizados para representar os valores das
grandezas elétricas em base decimal, apresentando múltiplos e submúltiplos, usando potências de
base dez. Observe que os prefixos foram organizados por fatores de mil vezes, ou seja, de um
prefixo para outro ele pode ser 1000 (103) vezes maior ou 1000 (10-3) vezes menor.
Múltiplos

Prefixo Símbolo Potência de 10 Valor decimal

tera T 1012 1.000.000.000.000

giga G 109 1.000.000.000

mega M 106 1.000.000

quilo k 103 1.000

Exemplos de múltiplos do sistema métrico

Submúltiplos

Prefixo Símbolo Potência de 10 Valor decimal

mili m 10-3 0,001

micro μ 10-6 0,000001

nano n 10-9 0,000000001

pico p 10-12 0,000000000001

Exemplos de submúltiplos do sistema métrico

UNIDADES DE TENSÃO ELÉTRICA

A unidade fundamental de medida da grandeza de tensão elétrica é o volt, representada pela letra
V maiúscula. Nas medições efetuadas em sistemas de geração e distribuição de energia elétrica,
que trabalham com valores elevados, as tensões são expressas em volt (V) e seus múltiplos
quilovolt (kV) e megavolt (MV). Em circuitos eletrônicos em que predominam pequenos valores de
tensão, utilizam-se a unidade volt (V) e seus submúltiplos milivolt (mV) e microvolt (μV), conforme
mostra a próxima tabela.

Prefixo Símbolo Potência Valor em volt (V)


de 10

Múltiplos megavolt MV 106 1.000.000 V

quilovolt kV 103 1.000 V

Unidade Volt V 100 1V

Submúltiplos milivolt mV 10-3 0,001 V

microvolt μV 10-6 0,000001 V

Unidades de medida de tensão elétrica e seus fatores multiplicadores


● Convertendo unidades de tensão elétrica: uma forma fácil de fazer a conversão é utilizar o
quadro de conversão, apresentado na próxima figura, em que cada unidade de medida está
subdividida em três dígitos. Fazemos a leitura da direita para a esquerda, assim o primeiro dígito
é a unidade, o segundo é a dezena e o terceiro é a centena.

Suponha que você fez uma medição em um circuito eletrônico e encontrou o valor de 0,0056 V e
quer representar esta medida com um valor numérico maior, em milivolt. Para isso, escreva a
medida original obedecendo cada dígito da unidade fundamental, mantendo a vírgula sobre a linha
da unidade V, conforme o exemplo apresentado neste quadro.

Para fazer a conversão desse valor para mV, desloque a vírgula até a linha sob a unidade mV.
Perceba que a vírgula foi deslocada três dígitos para a direita (103). Observe no próximo quadro de
conversão que não será necessário deixar os dígitos zeros à esquerda do número 5, pois o zero
não terá valor nessa posição. O valor convertido de volt (V) para milivolt (mV) será de 5,6 mV.

Ao escrever o valor da medida original no quadro de conversões, a vírgula sempre deve


ser posicionada sobre a linha à direita do dígito da unidade, sendo um múltiplo, um
submúltiplo ou a unidade fundamental, conforme vemos a seguir.
UNIDADES DE CORRENTE ELÉTRICA

A unidade fundamental de medida da grandeza de corrente elétrica é o ampère, representado pela


letra A (maiúscula). Nas especificações de proteção em sistemas elétricos que é definida com
valores elevados, as correntes elétricas são expressas em ampère (A) e seu múltiplo é quiloampère
(kA). Em circuitos eletrônicos, em que predominam pequenos valores de correntes, utiliza-se a
unidade ampère (A) e seus submúltiplos miliampère (mV), microampère (μA), nanoampère (nA) e
picoampère (pA), conforme mostra a tabela.

Prefixo Símbolo Potência Valor em ampère (A)


de 10

Múltiplo quiloampère kA 103 1.000 A

Unidade ampère A 100 1A

miliampère mA 10-3 0,001 A

Submúltiplos microampère μA 10-6 0,000001 A

nanoampère nA 10-9 0,000000001 A

picoampère pA 10-12 0,000000000001 A

Unidades de medida de corrente elétrica e seus fatores multiplicadores

● Convertendo unidades de corrente elétrica: para fazer conversões em unidades de corrente


elétrica, utilizaremos o mesmo quadro de conversão de unidades. Suponha que você precisa
converter um valor de 0,0002 A para microampère (µA). No procedimento de conversão a seguir,
coloque o número na posição da unidade de medida ampère; desloque a vírgula até a linha sob
a unidade µA, que é a unidade desejada, preenchendo com zeros todos os dígitos vazios até a
vírgula. Perceba que a vírgula foi deslocada seis dígitos (106) para a direita e que os zeros à
esquerda do número 2 não têm nenhum valor. Também não será necessário completar com
zeros os espaços após a vírgula do µA. Sendo assim, o valor convertido de ampère (A) para
microampère (µA) será de 200 µA.

Em uma conversão, a vírgula sempre vai ser deslocada de três em três dígitos decimais.
Quando a conversão for de um prefixo maior para outro menor, se multiplica por 1000,
isto é, desloca-se a vírgula três dígitos para a direita.

Exemplos: de V para mV ou de mA para nA.

Quando a conversão for de um prefixo menor para outro maior, se divide por 1000, isto
é, desloca-se a vírgula três dígitos para a esquerda.

Exemplos: de Ω para MΩ ou de W para kW.

UNIDADES DE RESISTÊNCIA ELÉTRICA

A unidade fundamental de medida da grandeza de resistência elétrica é o ohm, representada pela


letra grega ômega (Ω). Uma característica importante dos motores elétricos é a resistência de
isolamento de suas bobinas internas, cujos valores devem ser elevados e expressos em megaohm
(MΩ), que é um múltiplo da unidade fundamental ohm (Ω). Em circuitos eletrônicos, também são
utilizados valores de resistências em ohm (Ω) e quiloohm (kΩ), conforme mostra a tabela.

Prefixo Símbolo Potência Valor em ohm


de 10 (Ω)

Múltiplos Megaohm MΩ 106 1.000.000 Ω

Quiloohm kΩ 103 1.000 Ω

Unidade Ohm Ω 100 1Ω

Unidades de medida de resistência elétrica e seus fatores multiplicadores


● Convertendo unidades de resistência elétrica: para fazer conversões em unidades de
resistência elétrica, utilizaremos o mesmo quadro de conversão de unidades. Suponha que você
precise converter um valor de 1.200.000 Ω para megaohm (MΩ). No quadro de conversão,
coloque o número na posição da unidade de medida ohm e, depois, desloque a vírgula até a
linha da unidade MΩ, que é a unidade desejada. Perceba que a vírgula foi deslocada seis dígitos
para a esquerda, isto é, o valor foi dividido por um fator de 106 e os zeros à direita do número 2
não precisam ser escritos. Sendo assim, o valor convertido de ohm (Ω) para megaohm (MΩ) será
de 1,2 MΩ.

UNIDADES DE POTÊNCIA ELÉTRICA

A unidade fundamental de medida da grandeza de potência elétrica é o watt, representada pela


letra W (maiúscula). Em sistemas de aquecimento elétrico, a potência dissipada apresenta valores
elevados, normalmente expressa em quilowatt (kW), que é um múltiplo da unidade fundamental
watt (W). Já em circuitos eletrônicos predominam pequenos valores de potência dissipada, que
utilizam a unidade watt (W) e seu submúltiplo miliwatt (mW), como mostra a tabela a seguir.

Prefixo Símbolo Potência Valor em watt


de 10 (W)

Múltiplos megawatt MW 106 1.000.000 W

quilowatt kW 103 1.000 W

Unidade watt W 100 1W

Submúltiplo miliwatt mW 10-3 0,001 W

Unidades de medida de potência elétrica e seus fatores multiplicadores

● Convertendo unidades de potência elétrica: para fazer conversões em unidades de potência


elétrica utilizaremos novamente o quadro de conversão de unidades. Suponha que você queira
converter um valor de 55 kW para watt (W). No quadro, coloque o número na posição da unidade
de medida quilowatt (kW); depois, desloque a vírgula até a linha da unidade W, que é a unidade
desejada. Perceba que a vírgula foi deslocada três dígitos (103) para a direita e complete com
zeros os espaços até a vírgula do W. Sendo assim, o valor convertido de quilowatt (kW) para
watt (W) será de 55.000 W.

Uma informação importante do motor elétrico é sua potência, cujo valor é mostrado na
placa de identificação do motor e é expresso em kW. Na figura, o valor da potência é de
1,5 kW, que equivale a 1.500 W.

A tabela a seguir apresenta todos os múltiplos e submúltiplos aplicados para as quatro grandezas
elétricas: tensão, corrente, resistência e potência. Observe que alguns múltiplos e submúltiplos não
estão expressos em algumas grandezas, pois raramente são encontrados valores tão grandes ou
tão pequenos para essas unidades de medidas elétricas.

Prefixo Símbolo Potência Valor Tensão Corrente Resistência Potência


de 10 decimal (V) (A) (Ω) (W)

Giga G 109 1.000.000. - - - GW


000

Mega M 106 1.000.000 MV - MΩ MW

Quilo k 103 1.000 kV kA kΩ kW


Unidade 100 1 V A Ω W
fundamental

mili m 10-3 0,001 mV mA - mW

micro μ 10-6 0,000001 μV μA - -

nano n 10-9 0,0000000 nV nA - -


01

pico p 10-12 0,0000000 pV pA - -


00001

Múltiplos e submúltiplos das quatro grandezas elétricas

A seguir, assista ao vídeo que mostra como converter unidades de medidas de grandezas elétricas.

Para acessar o vídeo “Por que converter unidades de


medidas de grandezas elétricas?” leia o QRcode ou
acesse o link: https://youtu.be/cRC3-BB-1aA

Cuidados na conversão de unidades elétricas

Nos projetos de circuitos eletrônicos, são efetuados muitos cálculos para especificar os valores das
grandezas elétricas, como tensão, corrente, resistência e potência. Por exemplo, para adequar
sinais elétricos de uma medição, o técnico deve calcular os valores de resistência elétrica dos
resistores necessários para inserir no circuito eletrônico.

Supondo que o valor da resistência encontrado no cálculo foi de 1.500 Ω e, ao fazer a conversão
para comprar um valor disponibilizado comercialmente, o técnico cometeu um erro, convertendo o
valor para 15 kΩ, sendo que o correto era 1,5 kΩ. Nesse caso, a possibilidade de o circuito não
funcionar corretamente é grande, pois houve um erro de especificação do valor da resistência
elétrica do resistor usado, conforme mostra o próximo quadro.
Um segundo caso que requer atenção na conversão envolve valores de corrente elétrica em
dispositivos de proteção dos circuitos eletrônicos. Imagine um caso em que para especificar o valor
de corrente de um fusível que protege o sistema contra curto-circuito, o técnico calculou que o valor
da corrente nominal do circuito é de 0,50 A. Ao fazer a conversão, o técnico cometeu um erro e
especificou um fusível de 50 mA. Ao ligar o circuito, o fusível queimou imediatamente, pois seu valor
era inferior ao de corrente nominal do circuito, que era 500 mA, conforme mostra este quadro.

Você aprendeu que é fundamental reconhecer e aplicar as unidades de medidas das grandezas
elétricas, como tensão, corrente, resistência e potência elétrica. Todas essas grandezas adotam
como padrão o sistema métrico de base decimal para especificar os valores medidos.

Em muitos sistemas elétricos, não é conveniente empregar a unidade fundamental da grandeza


elétrica medida, pois o valor numérico pode ser imenso ou minúsculo. Nesses casos, são adotados
múltiplos e submúltiplos da unidade fundamental, que são expressos em potência de base dez.

Para fazer as conversões entre múltiplos e submúltiplos das medidas elétricas, é importante que o
técnico saiba usar os conceitos matemáticos referentes aos números decimais, aos números
fracionários e à potência de base dez, para que os resultados finais obtidos nas conversões entre
os múltiplos e os submúltiplos de cada grandeza elétrica tenham valores confiáveis, evitando-se,
assim, problemas de funcionamento dos circuitos elétricos.
Instrumentos de
medição elétrica e
suas aplicações
Itinerário Nacional de Educação Profissional de 2020: Técnico em Automação Industrial e
Mecatrônica, 2021.

Capacidade granular: Reconhecer os diferentes tipos de instrumentos empregados na


medição das grandezas elétricas de tensão, corrente, potência e resistência, suas
características, funções específicas, funcionalidades e requisitos de uso e conservação.
Conhecimentos associados: Eletricidade Básica: Grandezas elétricas *(Potência de base
dez, números fracionários e decimais, múltiplos e submúltiplos, conversão de base numérica);
Instrumentos de medidas. Carga horária: 3h.

Conteudista: Carlos Eduardo Kroth


Revisor Técnico: Laércio da Silva Xavier
Grão: Instrumentos de medição elétrica e suas aplicações
Unidade Curricular: Eletrônica Aplicada a Sistemas Automatizados

JUNHO 2021 CÓD: UC02G07UE1

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©2021.SENAI – Departamento Nacional


©2021.SENAI – Departamento Regional do Rio Grande do Sul

A reprodução total ou parcial desta publicação por quaisquer meios, eletrônico, mecânico,
fotocópia, gravação ou outros, somente será permitida com prévia autorização, por escrito, do
SENAI - Departamento Nacional.

Esta publicação foi elaborada pela equipe da Gerência de Desenvolvimento Educacional -


GDE, do SENAI do Rio Grande do Sul, com a coordenação do SENAI Departamento Nacional,
para ser utilizada por todos os Departamentos Regionais do SENAI em cursos presenciais,
semipresenciais e a distância.
Pedro trabalha em uma empresa que presta serviços de manutenção de máquinas industriais. Seu
supervisor solicitou que ele visitasse um cliente que relatou problemas de funcionamento em uma
máquina.
Quais são as características, as funções e os requisitos de uso para cada tipo de instrumento que
faz medições de tensão, corrente, potência e resistência elétrica?
A medição de valores na indústria

Em nosso dia a dia, precisamos fazer várias medições, para saber o tempo de cozimento de algum
alimento, o peso de determinado objeto ou a velocidade de um automóvel. Medição é a
determinação do valor de uma grandeza com o uso de um instrumento de medida.

Na indústria, quando precisamos determinar os valores de grandezas elétricas como tensão,


corrente, resistência e potência nos sistemas elétricos, também utilizamos instrumentos de
medição. Esses valores podem ser obtidos de duas formas: pelos efeitos físicos e pela conversão
da grandeza elétrica.

MEDIÇÃO PELOS EFEITOS FÍSICOS

Essa forma de medição tem como base os efeitos físicos causados por uma grandeza elétrica. As
forças eletromagnéticas dos campos elétricos, as forças eletrodinâmicas geradas pela variação das
cargas elétricas e as forças dinâmicas geradas pelo movimento de um corpo são exemplos de
efeitos físicos. Os instrumentos que funcionam para esse tipo de medição são os instrumentos
analógicos, como mostra a figura a seguir.

Medição por forças eletromagnéticas dos campos elétricos

MEDIÇÃO PELA CONVERSÃO DA GRANDEZA ELÉTRICA

A segunda forma de medição consiste na conversão de uma grandeza elétrica em sinais digitais,
por um circuito eletrônico. Os instrumentos que funcionam segundo esse princípio são os
instrumentos digitais. Observe, na próxima figura, como é feita a medição de tensão por um
voltímetro digital.
Medição por conversão de grandeza elétrica em voltímetro digital

Instrumentos analógicos de medição

Como você já sabe, para indicar o valor medido, os instrumentos analógicos partem dos efeitos
físicos causados pela grandeza a ser medida. O funcionamento desses instrumentos pode ter como
princípio efeitos eletromagnéticos, como o ferro móvel; eletrodinâmicos, como a bobina móvel; e
dinâmicos, como o instrumento ressonante.

No quadro seguinte, veja os tipos construtivos de instrumentos analógicos, a descrição de


funcionamento, a simbologia de identificação e o tipo de grandezas elétricas que eles são capazes
de medir.

Nome Descrição Simbologia Grandeza

É formado por duas palhetas


de ferro, montadas lado a
ACC
lado. Quando uma corrente
ACA
Ferro móvel passa pelo instrumento, a
VCC
palheta móvel se desloca e
VCA
movimenta o ponteiro.
É formado por um ponteiro
que está fixado em uma
bobina móvel. Quando uma
ACC
corrente passa pelo
Bobina móvel VCC
instrumento, a bobina móvel

se movimenta e arrasta o
ponteiro, que desliza sobre
uma escala graduada.

É formado por duas bobinas


(a móvel para tensão e a fixa
para a corrente elétrica). Na
medição, uma corrente circula
na bobina móvel, fazendo
Eletrodinâmico W
com que ela se afaste da
bobina fixa. Esse movimento
arrasta o ponteiro, que
desliza sobre a escala
graduada.

É formado por uma bobina e


um conjunto de lâminas
dispostas lado a lado que
Ressonante Hz
vibram de acordo com a
frequência elétrica.

Tipos de instrumentos analógicos

Características dos instrumentos de medição analógico

Para que não ocorram erros na leitura de uma medição elétrica, algumas características devem ser
observadas, como a escala, a resolução, a posição de instalação e o erro de paralaxe. Vamos
conhecer essas características, pois elas são muito importantes.

ESCALA E RESOLUÇÃO

A escala de um instrumento está relacionada com os limites mínimo e máximo que ele pode medir.
Já a resolução é o menor valor que o instrumento consegue mostrar e está relacionado com os
números de divisões da escala. O princípio de funcionamento dos instrumentos determina qual é a
resolução da faixa de medição, que pode ser homogênea ou heterogênea.

Na escala homogênea, a resolução é linear, ou seja, apresenta a mesma quantidade de divisões


em toda a faixa de medição. Na escala heterogênea, uma parte dela tem uma resolução melhor
do que as demais, isto é, a quantidade de divisões da escala é diferente.

A figura a seguir mostra dois amperímetros analógicos. A escala é homogênea no da esquerda,


enquanto que no da direita a escala é heterogênea. Observe que a escala heterogênea apresenta
melhor resolução da faixa de medição entre os valores 10 A e 40 A.

Escala homogênea e a heterogênea em amperímetros analógicos

POSIÇÃO

Esta característica se refere à posição de instalação do instrumento. Caso o técnico não respeite
esta característica, haverá erro na leitura. A posição de funcionamento é apresentada por meio de
um símbolo que indica a posição vertical, horizontal ou inclinada.

Há também instrumentos que não trazem o símbolo característico da posição de funcionamento, o


que significa que eles podem funcionar em qualquer posição. Observe na próxima figura a
simbologia referente à correta posição de instalação do instrumento, que é informada na parte
inferior da escala de medição.

Simbologia referente a correta posição de instalação do instrumento


ERRO DE PARALAXE

O erro de paralaxe ocorre quando qualquer instrumento analógico de medida é lido a partir de um
ângulo desfavorável, isto é, quando o olho humano não está posicionado perpendicularmente sobre
a escala de medição do instrumento, mas com uma visão oblíqua em relação ao instrumento.

Para minimizar o erro de paralaxe, os instrumentos analógicos de melhor qualidade


contam com um espelho junto com a escala de medição. Assim, ao fazer a leitura da
medição, o observador deve posicionar o olho de modo que o ponteiro coincida com o
reflexo de sua imagem no espelho.

Na próxima figura, temos duas leituras efetuadas no mesmo instrumento. No visor da esquerda, a
forma de leitura está incorreta, pois é possível observar o ponteiro e o reflexo da sua imagem no
espelho, provocando o erro de paralaxe na leitura. No visor da direita, não observamos a imagem
do ponteiro refletido no espelho, significando que o ponteiro e sua imagem estão alinhados, o que
certifica a posição correta da leitura da medição evitando o erro de paralaxe.

Exemplos de leitura com erro e sem erro de leitura

Instrumentos de medição digital

O instrumento digital informa o valor da medição por meio de dígitos numéricos e seu funcionamento
depende de um circuito eletrônico que converte os sinais analógicos medidos pelo instrumento em
dígitos numéricos, informados em um mostrador digital.
A figura a seguir mostra um instrumento medidor digital de tensão e corrente elétrica informando os
valores medidos, as respectivas unidades de medição das grandezas e se a medição é feita em
sistema alternado ou contínuo.

Exemplos de leitura em instrumento digital

Características dos instrumentos de medição digital

Como o instrumento digital informa as medições com dígitos numéricos, ele apresenta algumas
características diferentes em relação aos instrumentos analógicos, como:

● A resolução está relacionada ao número de casas decimais do instrumento.

● O instrumento não apresenta erro de paralaxe, porque não tem ponteiro.

● A indicação por mostrador digital permite fazer a instalação e a leitura em qualquer posição.

● O medidor faz conversões de sinais e, assim, permite escolher escalas mais adequadas
para cada medição efetuada (múltiplos e submúltiplos) e possibilita medir diferentes
grandezas elétricas em um mesmo instrumento.

Quando precisamos acompanhar a tendência de um sinal medido, a melhor opção é o


instrumento analógico, pois visualizamos o movimento do ponteiro sobre a escala.
Quando necessitamos da exatidão do valor numérico da medição, a melhor opção é um
instrumento digital, pois esse instrumento indica o número exato.
O multímetro digital

O multímetro é um instrumento que permite medir várias grandezas elétricas a partir de


selecionamento adequado de unidades de medidas e escalas, com o posicionamento adequado de
suas ponteiras de medição.

Em um multímetro tipo digital, o resultado da medição se dá por meio da leitura direta dos números
e das unidades que aparecem em seu mostrador digital (display). As partes que compõem um
multímetro digital são o display, a chave seletora, os bornes e as pontas de prova, conforme mostra
a figura a seguir.

Partes de um multímetro digital

ESCALAS DE MEDIÇÃO

Em alguns multímetros, só precisamos definir a grandeza elétrica, pois a escolha da escala é


automática. Já em outros multímetros, é preciso fazer a seleção da grandeza e ainda escolher uma
escala adequada ao valor a ser medido, chamada de fundo de escala, correspondente ao valor
máximo que pode ser mostrado no display.

Por isso, devemos sempre escolher uma escala maior do que o valor que pretendemos medir.
Quando não se tem certeza do valor a ser medido, é recomendável escolher o fundo de escala mais
alto e depois ir reduzindo até encontrar a escala ideal (com a melhor resolução).

A próxima figura mostra a medição da tensão de uma bateria de 9 V efetuada com dois fundos de
escala diferentes. Observe que a resolução da medição do instrumento da esquerda é melhor, pois
foi usada uma escala mais adequada.
Importância da escolha da resolução da escala em uma medição

BORNES DE CONEXÃO

São os terminais destinados para ligar os conectores das pontas de prova. Geralmente, os
multímetros têm três ou quatro bornes de conexão, identificados pela cor e pela unidade da
grandeza elétrica a ser medida.

A ponta de prova preta na maioria das medidas é conectada ao borne COM (comum), cuja cor
também é preta. Já a ponta de prova vermelha é conectada ao borne correspondente à grandeza
elétrica a ser medida, que pode ser tensão, corrente, resistência etc. A figura a seguir mostra os
bornes disponíveis para conexão das pontas de provas.

Conexão das pontas de provas para uma medição de tensão elétrica

Categorias de proteção (CAT)

Estas categorias se referem à capacidade de proteção que o instrumento assegura ao operador


quando ocorre um surto de tensão, que é o aumento drástico e momentâneo do valor da tensão
elétrica:
● Categoria 1 (CAT I) – Aplicável a medições de circuitos e equipamentos eletrônicos
protegidos

● Categoria 2 (CAT II) – Aplicável a medições de iluminação doméstica e eletrodomésticos

● Categoria 3 (CAT III) – Aplicável a medições dos dispositivos de proteção como disjuntores,
iluminação industrial e motores

● Categoria 4 (CAT IV) – Categoria com a maior proteção, aplicável a todas as medições
elétricas de baixa tensão

A figura a seguir representa um sinal alternado de um motor que repentinamente apresentou um


surto, atingindo um valor de 5.000 V. Nessa situação, se o técnico estivesse fazendo medições no
motor e o multímetro fosse de uma categoria inferior à CAT III, provavelmente ocorreria uma avaria
no instrumento ou um acidente com o técnico.

Exemplo de uma senóide que mostra um surto de tensão

Medição de grandezas elétricas com multímetro

O multímetro é utilizado para medir várias grandezas elétricas. Para cada grandeza selecionada, é
importante que o instrumento funcione como se fosse um instrumento individual para a respectiva
grandeza.

Assim, o multímetro serve para medir tensão elétrica, na função de voltímetro; medir corrente
elétrica, na função de amperímetro; e medir resistência elétrica, na função de ohmímetro.
Aprenderemos a fazer essas medições.

VOLTÍMETRO

O multímetro está na função voltímetro quando as seguintes opções são selecionadas:


E ele é utilizado para fazer medição de tensão elétrica. Observe, nesta figura, como ajustar o
multímetro para medir a tensão contínua.

Observe, nesta figura, como ajustar o multímetro para medir a tensão contínua.

Posição das pontas de prova em uma medição de tensão contínua

Para medir a tensão alternada, como as que existem nas tomadas de energia de nossas casas, o
procedimento é o mesmo que foi apresentado para VCC. Basta girar a chave seletora para VCA.

Nunca se deve mudar de escala ou de função quando o instrumento de medição estiver


conectado a um circuito energizado, pois você poderá queimar o instrumento.

AMPERÍMETRO

O multímetro está na função amperímetro quando as opções ACC (ADC ou ) ou ACA ( )

são selecionadas e ele é utilizado para fazer medições de corrente elétrica. A figura que segue
mostra como ajustar o multímetro para medir a corrente contínua. Por segurança, sempre certifique-
se de que o sistema está desenergizado antes de conectar as ponteiras em série com o circuito.
Posição das pontas de prova em uma medição de corrente contínua

Para medir a corrente alternada em circuitos eletrônicos, gire a chave seletora para a opção ACA e
siga o mesmo procedimento anterior. Para medir corrente elétrica em motores elétricos e circuitos
de comando existe a opção de usar o alicate amperímetro.

Para fazer essa medição, o condutor precisa estar envolvido pelas garras do instrumento, conforme
é possível ver na figura a seguir. Esse procedimento é mais seguro pelo fato de não haver o risco
de choque elétrico, já que a medição é feita sem que o circuito seja aberto.

Medição de corrente elétrica com alicate amperímetro

OHMÍMETRO

A função ohmímetro é utilizada para fazer medição de resistência elétrica quando a chave seletora
estiver na opção Ω. Para fazer a medição da resistência, o circuito ou o componente não podem
estar energizados e, pelo menos, uma das pontas do resistor deverá estar desconectada totalmente
do circuito. A primeira medida tem o objetivo de não danificar o instrumento e a segunda serve para
não interferir na medida.

Observe como ajustar o multímetro para medir a resistência elétrica de um resistor utilizado para
aquecimento industrial nesta figura.

Posição das pontas de prova em uma medição de resistência elétrica

Neste vídeo, você aprenderá a utilizar o multímetro para fazer medições de grandezas elétricas.

Para acessar o vídeo “Como utilizar o multímetro para


medir grandezas elétricas?” leia o QRcode ou acesse o
link: https://youtu.be/nvZcQSlsDcc

Medição de potência elétrica

O instrumento para medir potência elétrica é o wattímetro, que permite medir os valores dos três
tipos de potência: ativa (kW), reativa (kVAr) e aparente (kVA). Alguns modelos de wattímetro
também podem ser utilizados para fazer outras medições, como tensão, corrente, frequência etc.
Para fazer as medições com o wattímetro, precisamos medir tensão e corrente ao mesmo tempo.
Para isso, são utilizadas duas pontas de prova para medir tensão elétrica em conjunto com a garra
do alicate que mede a corrente elétrica, de acordo com a figura a seguir.

Medição de potência elétrica

Vantagens e desvantagens de instrumentos analógicos e digitais

Durante muito tempo, o instrumento analógico de medição foi o melhor recurso para o técnico medir
e avaliar o comportamento das grandezas elétricas. Nos dias atuais, ele perdeu espaço para os
instrumentos que usam tecnologias digitais, em razão da grande quantidade de recursos oferecidos
por esses últimos. O quadro a seguir mostra um comparativo entre as duas tecnologias empregadas
nos instrumentos de medição.

Instrumento Vantagem Desvantagem

● Avalia o ● Interpretação dos valores medidos


comportamento ● Falta de exatidão na leitura
Analógico dinâmico (oscilações) ● Possibilidade de uso de escala errada
● Mostra a tendência ● Possibilidade de erro de leitura (paralaxe)
da grandeza medida

● Não precisa ● Atraso na leitura devido à conversão


interpretar os valores ● Dificuldade de leituras de grandezas que
Digital obtidos oscilam
● Melhora a exatidão
na medição

Comparativo entre instrumentos analógicos e digitais


Cuidados na utilização e seleção de unidades de medida das grandezas elétricas

Em suas rotinas profissionais, os técnicos precisam fazer diferentes tipos de medições elétricas.
Antes de fazer a medição com um multímetro, ele deve se perguntar:

● Que grandeza quero medir?

● Que unidade devo usar?

● Que faixa de valores espero encontrar?

SELECIONAR UNIDADES DE MEDIDA

Suponha que um técnico teve que fazer uma medição de corrente elétrica em um equipamento
eletrônico, cujo valor informado na placa era de 1 ampère (A). O primeiro passo do técnico foi
selecionar a grandeza elétrica e a unidade de medida adequada, conforme mostrado na figura a
seguir.

Seleção de unidade para medir corrente elétrica em multímetro

Ao fazer a medição, o valor mostrado no display do multímetro foi de 980 mA. O valor numérico
informado foi muito diferente do esperado, pois, nesse caso, o instrumento fez a troca automática
da escala de medição. Esse é um fato comum nas medições industriais. Por isso, o técnico deve
estar atento às unidades de medida que o instrumento apresenta para não fazer interpretações
erradas.

CUIDADOS NA UTILIZAÇÃO DO INSTRUMENTO

Outros erros podem ocorrer no uso de instrumentos de medição. Para medir a tensão, tanto a
conexão das pontas de prova no instrumento quanto a conexão das ponteiras com o circuito a ser
medido são diferentes de quando se faz medição de corrente elétrica. A inversão desses
procedimentos pode causar sérios acidentes com o técnico e danificar o instrumento.

Para manter as funcionalidades dos instrumentos, o usuário precisa ter alguns cuidados de
conservação e de manuseio, como:

● Verificar se as pilhas estão conectadas com suas polaridades corretas e sem indícios de
vazamento (principalmente quando o instrumento não for usado por longos períodos)

● Fazer as manobras de rotação na chave seletora de maneira suave e com as pontas de


prova desconectadas da medição

● Utilizar as pontas de prova somente para conectá-las ao circuito a ser medido e não para
outros fins, como riscar e perfurar

Você aprendeu que para cada grandeza elétrica existe um instrumento de medição, que pode ser
analógico ou digital: tensão elétrica (voltímetro); corrente elétrica (amperímetro); resistência elétrica
(ohmímetro); potência elétrica (wattímetro).

Os instrumentos analógicos informam o valor medido com um ponteiro que se movimenta sobre
uma escala e a exatidão das medições depende de características como tipo de escala, resolução,
posição de instalação e ângulo de visualização. Já os instrumentos digitais fazem a conversão da
grandeza elétrica e mostram o valor medido em um display numérico, sem erros de leitura por
paralaxe. Nesses instrumentos, a resolução está relacionada ao número de casas decimais do
instrumento.

Ao fazer as medições, o técnico pode usar um instrumento específico (amperímetro, voltímetro e


ohmímetro) ou utilizar um multímetro, que permite medir todas as grandezas elétricas com um único
instrumento. Nesse caso, é importante que o técnico reconheça as funcionalidades do instrumento
e identifique os requisitos de uso para cada grandeza medida. Quando os requisitos não são
seguidos, pode ocorrer dano ao equipamento ou até mesmo o técnico pode sofrer acidentes.
Organização do
ambiente de
trabalho
Itinerário Nacional de Educação Profissional de 2020: Técnico em Automação Industrial e
Mecatrônica, 2021.

Capacidade granular: Reconhecer os princípios que contribuem para uma organização


adequada de ambientes de trabalho, de forma a facilitar a guarda, a localização, o uso e a
conservação de ferramentas, instrumentos e materiais. Conhecimentos associados:
Princípios de organização; Organização de ferramentas e instrumentos: formas, importância;
Organização do espaço de trabalho. Carga horária: 1h.

Conteudista: Cláudio Marcos Soares Morais


Revisor Técnico: Laércio da Silva Xavier
Grão: Organização do ambiente de trabalho
Unidade Curricular: Eletrônica Aplicada a Sistemas Automatizados

JUNHO 2021 CÓD: UC02G22UE1

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A reprodução total ou parcial desta publicação por quaisquer meios, eletrônico, mecânico,
fotocópia, gravação ou outros, somente será permitida com prévia autorização, por escrito, do
SENAI - Departamento Nacional.
Esta publicação foi elaborada pela equipe da Gerência de Desenvolvimento Educacional -
GDE, do SENAI do Rio Grande do Sul, com a coordenação do SENAI Departamento Nacional,
para ser utilizada por todos os Departamentos Regionais do SENAI em cursos presenciais,
semipresenciais e a distância.
Pedro e Lúcia são técnicos em uma refinaria de biodiesel e estão conversando próximos a uma das
bancadas do setor, que está totalmente desorganizada e com muitas ferramentas espalhadas.
Quais princípios de organização e limpeza contribuem para a guarda, o uso e a conservação de
ferramentas, instrumentos e materiais nos ambientes industriais?

Por que devemos organizar o ambiente de trabalho?

Muitas pessoas têm dificuldade para encontrar objetos, como roupas, canetas ou boletos de
pagamento dentro de sua própria casa, por causa da falta de organização na hora de guardar esses
itens.

Nas empresas, alguns profissionais também apresentam as mesmas dificuldades para encontrar
as ferramentas, os materiais e os instrumentos, porque não conhecem alguns princípios básicos de
limpeza e organização no ambiente de trabalho.

A organização no trabalho é muito importante para os profissionais de qualquer área, pois ela está
relacionada à qualidade das atividades desempenhadas e à produtividade. Por outro lado, a
desorganização impacta no rendimento do profissional, podendo afetar o seu humor, a sua saúde
e até mesmo as suas relações interpessoais na empresa.

A falta de organização do ambiente de trabalho, como é possível observar na próxima figura, pode
gerar atrasos e o não cumprimento de metas de produção estabelecidas.

Ambiente de trabalho desorganizado

Quais são os princípios da organização no ambiente de trabalho?

Cada vez mais, as empresas estão adotando medidas com a finalidade de otimizar seus recursos
humanos e materiais, incentivando seus colaboradores a usarem o mínimo de tempo e esforço
possível para desenvolver as suas tarefas. Com pequenas medidas de organização e limpeza,
essas empresas têm se destacado em suas áreas de atuação.

Quais medidas são tomadas para organizar os locais de trabalho?

Medidas de organização e limpeza


Selecionar: inspecione, regularmente, as ferramentas, os instrumentos e os materiais e mantenha,
na oficina ou em sua sacola, apenas aqueles itens que realmente estão em condições de uso.

Descartar: dê o destino adequado para ferramentas, instrumentos e materiais que não podem ou
não devem ser usados. Para aqueles que têm conserto, tome as providências necessárias; para os
demais, faça o descarte correto.

Organizar: utilize recursos como armários, painéis e caixas de ferramentas disponíveis no setor
para guardar e organizar de forma adequada as ferramentas, os instrumentos e os materiais que
estão em condições de uso.

Padronizar: converse com seus colegas para adotar um padrão para guardar e organizar as
ferramentas, os instrumentos e os materiais de uso coletivo. Todos os usuários devem saber como
e onde encontrar ferramentas e instrumentos, principalmente em situações emergenciais.

Manter: tenha a disciplina de devolver cada ferramenta, instrumento ou material ao seu devido lugar
após usá-lo. Se perceber alguma avaria, tome as providências necessárias.

Definindo locais para guardar ferramentas e instrumentos

Ferramentas e instrumentos não devem ser jogados em qualquer lugar após serem usados. É
preciso reservar um espaço exclusivo para as ferramentas, de preferência próximo às bancadas
onde as atividades são executadas.

Os espaços devem ser adequados para que sejam guardados os equipamentos sem que fiquem
amontoados e para que fiquem em locais de fácil acesso e que possam ser visualizados por
qualquer pessoa, para que seja possível certificar-se de que as ferramentas e os instrumentos estão
em seus respectivos lugares.

Entre as formas de organização das ferramentas e dos instrumentos, estão os painéis de


ferramentas e os armários de instrumentos. Além disso, a organização deve ser feita por tipo de
equipamento.

PAINÉIS DE FERRAMENTAS

Os painéis são ótimas opções para guardar as ferramentas coletivas e deve-se priorizar alguns
locais para que eles sejam instalados no setor de trabalho. Os painéis podem ser fixados nas
paredes ou podem ficar apoiados no solo ou sobre rodas, que permitem que eles sejam
movimentados pelo ambiente quando necessário. A figura que segue mostra um tipo de painel de
ferramentas que pode ser fixado em paredes e acima de bancadas.
Modelos de armário para o armazenamento de ferramentas

ARMÁRIOS DE INSTRUMENTOS
Os armários são as melhores opções para guardar e organizar os instrumentos de medição (de
testes ou para uso nos processos industriais) e alguns materiais de consumo (óleos, álcool, panos
e outros). A figura a seguir mostra um modelo de armário com portas envidraçadas, que permitem
visualizar se determinado instrumento ou material está disponível, mantendo-o protegido contra
poeira e umidade.

Modelos de armário para o armazenamento de instrumentos


Organização por tipos

Procure agrupar ferramentas e instrumentos dentro dos armários e nos painéis por categorias
(mecânicas e elétricas), dimensões (milimétrica e polegadas) ou finalidades (uso individual e
coletivo).

Essa forma de organização agiliza a busca em momentos de urgências e evita usos indevidos,
como:

● Ferramentas elétricas: quando possível, manter as ferramentas elétricas agrupadas e


identificadas com os respectivos valores de tensão de energização

● Ferramentas manuais: guardar e identificar separadamente as ferramentas milimétricas e


de polegadas

● Instrumentos de medição: classificar, identificar e manter em locais separados


instrumentos de testes e instrumentos de uso em processos industriais

Como transportar ferramentas e instrumentos

Muitas atividades de rotina dos técnicos são executadas fora das oficinas especializadas. Nesses
casos, o profissional precisa selecionar um grupo de ferramentas e instrumentos para levar consigo
e fazer a assistência no local dentro da área de produção. As melhores alternativas para o transporte
de ferramentas, instrumentos e materiais são caixas de ferramentas e carrinhos.

CAIXA DE FERRAMENTAS

Geralmente, as caixas permitem transportar a quantidade necessária de ferramentas e pequenos


materiais (fitas, panos e lubrificantes) para que os técnicos possam desenvolver as atividades nos
ambientes externos ao setor. Para que as ferramentas não sejam perdidas e fiquem protegidas
contra sujeiras e oxidação, é importante que o usuário mantenha-as limpas e organizadas dentro
da caixa de ferramentas.

A figura que você verá na sequência mostra alguns modelos de caixas que podem ser usadas no
transporte de ferramentas e que também contribuem para ampliar a vida útil das ferramentas.
Exemplos de tipos de caixas de ferramentas

CARRINHOS PARA INSTRUMENTOS

Outra maneira de armazenar e transportar ferramentas, instrumentos e materiais de forma


organizada é utilizando o carrinho apropriado para tal finalidade, como mostra a figura a seguir.
Esse móvel é um pequeno armário com rodas em sua base, com prateleiras internas para separar
e guardar adequadamente ferramentas e instrumentos e é prático para o deslocamento dentro do
ambiente industrial.

Carrinho para ferramentas


A seguir, assista a um vídeo que mostra que a organização pode refletir em maior produtividade e
agilidade nas atividades industriais. Veja alguns exemplos de como organizar e conservar as
ferramentas de forma adequada.

Para acessar o vídeo “Organizando o local de trabalho”


leia o QRcode ou acesse o link:
https://youtu.be/MHE8px09zao

A lista de verificação ou checklist é uma ferramenta simples e básica para controlar


ferramentas e instrumentos necessários para uma atividade, de um armário ou de uma
caixa de ferramentas. Quando listamos ferramentas e instrumentos, dificilmente perdemos
ou deixamos de guardar alguma em seu devido lugar. A partir de um checklist, podemos:
organizar a nossa área de trabalho, listar as ferramentas emprestadas ou não devolvidas
ao seu lugar, selecionar ferramentas e instrumentos que são necessários para a execução
das atividades. Por isso, elabore sempre que possível, antes e após efetuar uma tarefa,
uma checklist para verificar se todas as ferramentas foram levadas para o serviço e se
retornaram para o local que devem ser armazenadas.

Quais são as vantagens da organização no trabalho?

Manter o ambiente organizado traz inúmeras vantagens e isso reflete no desempenho de todos os
funcionários do setor de trabalho. Algumas vantagens decorrentes da organização no ambiente de
trabalho são: otimização do tempo e de recursos materiais, bem-estar individual e coletivo e
aumento da produtividade.
Otimização do tempo e recursos: ao organizar um ambiente bagunçado, é
possível sistematizar a execução das tarefas, de forma a evitar a perda de
componentes e ferramentas, executando o que foi planejado com mais facilidade
e agilidade, para evitar o retrabalho e para minimizar o gasto de tempo com
tarefas improdutivas (como procurar ferramentas).

Bem-estar individual e coletivo: um ambiente de trabalho desorganizado é


um cenário desmotivador e desgastante, que pode gerar estresse entre os
funcionários e a busca constante pelo culpado pelos atrasos e pela falta de
estrutura e organização para executar uma atividade. Em casos extremos,
impacta no rendimento do profissional, podendo afetar o seu humor, a sua
saúde e até mesmo a sua relação interpessoal dentro da empresa. Já os
ambientes organizados criam a sensação de conforto, bem-estar e segurança, motivando os
colaboradores a trabalhar naquele ambiente laboral.

Aumento da produtividade: um ambiente de trabalho bagunçado, com


equipamentos, ferramentas e instrumentos jogados sobre uma bancada ou fora
do seu local de armazenamento, fará com que o funcionário seja menos
produtivo que o esperado. A falta de organização impacta na execução das
tarefas e no tempo programado, uma vez que será necessário gastar tempo
com as atividades não planejadas, buscar por um material que não está no local adequado, nesse
caso, o armário de instrumentos. Por outro lado, um ambiente organizado permite exercer as
atividades cumprindo todas as metas estipuladas.

Como vimos, ambientes de trabalho com ferramentas e instrumentos organizados nos seus devidos
lugares permitem a otimização de tempo e de recursos, contribuem para o bem-estar individual e
coletivo e são fatores que geram aumento de produtividade.

Para atingir um padrão efetivo de organização de ferramentas e instrumentos no ambiente de


trabalho, o profissional deve adotar alguns princípios básicos, como selecionar só o que realmente
é útil; descartar equipamentos sem condições de uso; organizar equipamentos em armários, painéis
ou carrinhos; adotar um padrão de organização e comunicar a todos os envolvidos; e ter disciplina
para manter cada coisa em seu devido lugar.

CURY, Antonio. Organização e métodos: uma visão holística. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL. Série automotiva: organização dos
ambientes de trabalho. Brasília: SENAI/DN, 2012.
A importância do
uso de EPIs e EPCs
Itinerário Nacional de Educação Profissional de 2020: Técnico em Automação Industrial e
Mecatrônica, 2021.

Capacidade granular: Reconhecer a importância e a função dos EPIs e EPCs nos ambientes
de trabalho, bem como o papel das normas que disciplinam o seu uso. Conhecimentos
associados: EPIs e EPCs: Conceitos, funções e uso. Carga horária: 1h.

Conteudista: Cláudio Marcos Soares Morais


Revisor Técnico: Laércio da Silva Xavier
Grão: A importância do uso de EPIs e EPCs
Unidade Curricular: Eletrônica Aplicada a Sistemas Automatizados

JUNHO 2021 CÓD: UC02G23UE1

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©2021.SENAI – Departamento Regional do Rio Grande do Sul
A reprodução total ou parcial desta publicação por quaisquer meios, eletrônico, mecânico,
fotocópia, gravação ou outros, somente será permitida com prévia autorização, por escrito, do
SENAI - Departamento Nacional.
Esta publicação foi elaborada pela equipe da Gerência de Desenvolvimento Educacional -
GDE, do SENAI do Rio Grande do Sul, com a coordenação do SENAI Departamento Nacional,
para ser utilizada por todos os Departamentos Regionais do SENAI em cursos presenciais,
semipresenciais e a distância.
João e Paulo trabalham no setor de manutenção de uma empresa produtora de bebidas. João
estava acompanhado por Paulo na manutenção de uma máquina, quando, por acidente, derrubou
uma ferramenta sobre o seu pé.
Por que um técnico deve saber reconhecer a importância e a função dos equipamentos de proteção
individual (EPIs) e dos equipamentos de proteção coletiva (EPCs) e as normas que regulamentam
o seu uso no ambiente de trabalho?

Acidentes x segurança

Nas empresas, existem máquinas que têm partes móveis, superfícies aquecidas ou equipamentos
pressurizados, que podem apresentar algum tipo de perigo aos colaboradores que trabalham ou
transitam próximos delas.

Os acidentes ocorrem devido a uma falha no planejamento de uma atividade ou por uma ação de
segurança que não foi pensada ou adotada para a execução de uma atividade. Todo acidente pode
e deve ser evitado, por isso nas empresas existe uma preocupação muito grande com as questões
ligadas à segurança nas atividades executadas pelos seus colaboradores, com fornecimento de
EPIs e EPC e treinamento para o uso adequado de tais equipamentos.
O uso de EPCs e EPIs é um dos requisitos básicos que devem ser seguidos pelos trabalhadores
de uma empresa, como uma atitude preventiva para evitar ou minimizar os riscos e as
consequências dos acidentes.

A figura a seguir mostra um exemplo de como o uso de equipamentos de proteção individual é


importante para minimizar os riscos e as consequências dos acidentes no ambiente de trabalho.

Uso de equipamentos de proteção no ambiente de trabalho

O técnico precisa reconhecer a importância e a função dos EPIs e dos EPCs nos ambientes de
trabalho, bem como deve conhecer o papel das normas que disciplinam o uso desses
equipamentos. Então, vamos estudar um pouco sobre esse assunto.

EPCs

Os EPCs têm a função de minimizar os riscos de acidentes em atividades que podem atingir mais
de uma pessoa ao mesmo tempo. O uso dos EPCs é de extrema importância, pois eles também
protegem dos acidentes de trabalho outras pessoas que não estão envolvidas diretamente na
atividade, mas precisam transitar pelo local onde a tarefa está sendo executada.

Os EPCs apresentam mais eficiência em relação aos equipamentos individuais, pois não geram
incômodos de uso aos colaboradores, além de proteger toda a equipe de trabalho ao mesmo tempo.
No quadro seguinte, veja a descrição, a imagem e a aplicação de alguns tipos de EPCs usados nas
empresas.
Descrição Imagem Aplicações

Orienta a circulação de pessoas, desvia e


alerta pedestres quanto às atividades que
Fita refletiva estão sendo executadas e sinaliza áreas
de serviço e obras em vias públicas.

Indica advertência e pode ser de uso


Bandeira com manual ou pode ser fixa junto aos cones
bastão de sinalização.

Orienta o trânsito de veículos e pedestres,


Cone de além de sinalizar áreas de serviço e obras
sinalização em vias públicas ou rodovias.

Possibilita fazer aterramentos temporários


nas atividades executadas em sistemas
Cabos de
elétricos.
aterramentos
Extintores de Indicados para combater princípio de
incêndio incêndio ou pequenos focos de incêndio.

Exemplos de equipamentos de proteção coletiva de uso industrial

Nas empresas e nos locais públicos, existem muitas medidas de proteção que são
consideradas como EPCs, como corrimão de escada e plataforma, exaustor, porta corta-
fogo, biombos para solda, proteção de correias, polias e serras circulares.

EPIs

Os EPIs, como o nome sugere, são equipamentos de uso pessoal que têm a função de proteger o
trabalhador de possíveis perigos relacionados à saúde e à segurança no ambiente de trabalho.

Existem EPIs para proteção de várias partes do corpo, como cabeça, olhos e face, membros
superiores e inferiores, bem como há equipamentos para proteção auditiva, respiratória e outras.
No próximo quadro, veja a descrição, a imagem e a aplicação de alguns tipos de EPIs usados no
ambiente de trabalho nas empresas.
Descrição Imagem Aplicações

Proteção da cabeça

O capacete de proteção do tipo aba


frontal protege o trabalhador de agentes
Capacete de que possam atingir parte da cabeça, seja em
proteção tipo aba trabalhos a céu aberto ou em locais
frontal fechados.

Proteção dos olhos e faces

Os óculos de segurança protegem os olhos


Óculos de e a face de impactos de objetos. Eles podem
segurança ter lentes incolores ou escuras.

Proteção auditiva

Os protetores auriculares protegem os


ouvidos em atividades que apresentam
Protetores
ruídos excessivos. Eles podem ser do tipo
auriculares
concha ou inserção (plug).

Proteção respiratória

As máscaras de proteção respiratória


protegem as vias respiratórias (boca e nariz)
em locais com poeiras, gases e vapores
Máscara de orgânicos e em atividades que envolvam
proteção respiratória contato com fumo. Elas podem ser
descartáveis e devem ter filtros apropriados
para cada situação.
Proteção de membros superiores

As luvas de couro protegem as mãos


contra choques mecânicos, esmagamentos
e escoriações em atividades que envolvam o
Luvas de couro
manuseio de ferramentas e materiais que
podem ser cortantes.

As luvas de borracha protegem as mãos


contra choques elétricos em atividades
executadas em circuitos elétricos
Luvas de borracha
energizados com tensão de 500 V até 36 kV,
(baixa tensão)
nas classes 00, 0, 1, 2 e 3, de acordo com
especificações do fabricante.

Proteção de membros inferiores

Calçados apropriados às atividades,


protegem os pés dos trabalhadores contra
torções, escoriações, derrapagens, umidade,
Botas de segurança
agentes químicos abrasivos, objetos
cortantes e perfurantes, entre outros. Podem
ser do tipo sapato, botas e perneiras.

Vestimentas de segurança

As vestimentas de segurança protegem os


membros superiores e inferiores do
Vestimentas de trabalhador contra chuva, calor e produtos
segurança químicos. As mais comuns são blusão e
calça em tecido impermeável.
Sinalização

A sinalização individual facilita a


visualização do trabalhador nas atividades
executadas em movimentações de cargas e
Sinalização
em locais mal iluminados, evitando
acidentes indesejados.

Proteção contra quedas com diferença de nível

Os cinturões de segurança do tipo


paraquedista protegem o trabalhador de
quedas em atividades realizadas em alturas
Cinturão de iguais ou superiores a 2 m.
segurança do tipo O cinturão do tipo paraquedista pode ser
paraquedista utilizado em conjunto com dispositivos trava-
quedas, muito importante contra quedas de
níveis elevados.

Exemplos de equipamentos de proteção pessoal de uso industrial

A importância do uso de EPIs e EPCs

A erradicação de acidentes nos ambientes de trabalho ainda é um desafio para governos, empresas
e trabalhadores e é preciso uma grande conscientização coletiva para atingir esse objetivo. As
empresas precisam motivar e fiscalizar seus funcionários quanto ao uso de equipamentos de
proteção e os trabalhadores precisam se conscientizar sobre a importância do uso desses
equipamentos no desempenho de suas atividades.

Não é uma tarefa fácil, mas é preciso garantir que o uso dos EPIs pelos colaboradores se torne um
hábito. Há algumas maneiras de convencer as pessoas sobre a importância do equipamento de
proteção e motivar a sua utilização, entre elas destacam-se: campanhas informativas, treinamentos
constantes, palestras motivacionais e disponibilidade de equipamentos confortáveis e de boa
qualidade.
Os acidentes sempre ocorrem devido ao relaxamento de algumas práticas seguras na
execução das tarefas de rotinas de trabalho, que acabam sendo deixadas de lado, pelo
pensamento de que nada de errado acontecerá. O relaxamento no uso de equipamentos
de proteção, mesmo naquelas tarefas básicas e “rapidinhas”, costuma ser a causa de
vários acidentes em ambientes de trabalho.

A seguir, assista ao vídeo que apresenta a importância do uso dos EPIs e EPCs, a partir da análise
dos riscos e perigos no ambiente industrial.

Para acessar o vídeo “A importância dos equipamentos de


proteção individual e coletivo” leia o QRcode ou acesse o
link: https://youtu.be/jez1F-YNM4Q

NRs de segurança no ambiente de trabalho

As normas regulamentadoras (NRs) são elaboradas pelo Ministério do Trabalho e trazem diretrizes
específicas para a segurança e a saúde no trabalho. O descumprimento dessas normas é um fato
grave e pode gerar passivos trabalhistas para empresas, penalidades para gestores, bem como
multas, embargo e interdição em obras e empresas.

Atualmente, existem 36 NRs no país. Algumas são abrangentes e se aplicam a diversas áreas da
indústria, já outras são mais específicas e se aplicam a determinado setor ou a determinado tipo de
atividade, conforme mostra a figura seguinte.
NRs relacionadas à saúde e à segurança no trabalho
A seguir, veja algumas das NRs que regulamentam o uso de EPIs e EPCs.

NR-6 – EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPIs)

Esta norma tem o objetivo de capacitar e orientar os trabalhadores quanto à necessidade e ao uso
correto dos EPIs, visando a garantir a segurança e a integridade física dos empregados. Ela
estabelece como responsabilidade da empresa a obrigatoriedade de fornecer gratuitamente os EPIs
para os colaboradores e como responsabilidade do trabalhador usar os equipamentos fornecidos
apenas para a finalidade a que se destinam, zelando por sua guarda e conservação.

Segundo a NR-6, todos os EPIs, antes de serem colocados à venda, devem ser submetidos a vários
testes, que garantem durabilidade, conforto e proteção ao trabalhador. Caso seja aprovado, o
equipamento recebe um certificado de aprovação (CA) e autorização para ser comercializado, como
a luva de couro mostrada na figura a seguir.

Número de CA de uma luva de couro


O CA de qualquer EPI tem prazo de validade de 5 anos; após o prazo de vencimento, o
produto não poderá mais ser comercializado. Entretanto, o EPI poderá ser utilizado pelo
trabalhador caso a sua empresa já o tenha adquirido para uso. O prazo de validade do
CA de um EPI pode ser consultado no site do governo federal.

NR-10 – SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES ELÉTRICAS E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE

Esta norma estabelece os requisitos para medidas de controle e prevenção, a fim de garantir a
segurança e a saúde dos colaboradores em atividades relacionadas com instalações elétricas.

A NR-10 indica o uso de medidas específicas de proteção individual, como o uso de EPIs: luvas de
borracha de proteção das mãos, botas com solado de borracha e sem metal para os pés e
capacetes com revestimentos isolantes para a cabeça.

Entre as medidas de controle recomendada pela norma NR-10, estão o uso prioritário de medidas
de proteção coletiva, como sinalização de painel elétrico energizado, uso de aterramentos, uso de
extra baixa tensão em circuitos de comando, sistemas de proteção contra o contato acidental em
partes energizadas dentro de painéis, entre outros (veja a figura a seguir).

Exemplo de sinalização utilizada para indicação de painéis energizados


NR-33 – SEGURANÇA E SAÚDE NOS TRABALHOS EM ESPAÇOS CONFINADOS

Esta norma estabelece os requisitos para avaliação, monitoramento e controle dos riscos existentes
em espaços confinados, de forma a garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores que precisam
acessar tais espaços não projetados para a presença humana contínua.

A NR-33 estabelece as responsabilidades do empregador e dos empregados com relação à


utilização dos EPIs e dos EPCs nesse tipo de ambiente, como treinamentos para trabalhadores que
precisam ocupar esses espaços, sistemas de respiração autônomos para proteção respiratória,
sinalização (figura e isolamento desses espaços para evitar a entrada acidental de pessoas),
sistemas rápidos e seguros para resgates nesses espaços. Observe um exemplo de sinalização,
na figura que segue.

Exemplo de sinalização utilizada para indicação de espaços confinados

Você aprendeu sobre a função e a importância dos EPC e dos EPIs, bem como estudou algumas
normas que regulamentam o uso desses equipamentos nas atividades executadas no ambiente de
trabalho.

Os EPCs são importantes porque possibilitam a proteção de várias pessoas, inclusive aquelas que
não estão envolvidas com a atividade em execução. Esses equipamentos têm a função de sinalizar,
isolar em situações perigosas e combater pequenos focos de incêndio.
Os EPIs são importantes porque permitem a proteção individual de cada trabalhador em atividade
que possa gerar algum perigo à saúde e à integridade de qualquer parte do corpo do trabalhador.
A função desses equipamentos é a proteção da cabeça, de olhos e face, de membros superiores e
inferiores dos trabalhadores, bem como possibilitam proteção auricular, respiratória, entre outras

Por isso, ao realizar atividades de rotina, o técnico deverá saber a que perigos está exposto, bem
como deve ser capaz de identificar possíveis riscos à sua integridade. A partir disso, deverá saber
escolher os EPCs e os EPIs mais adequados à situação e usá-los de forma responsável, para evitar
acidentes ou danos a sua saúde.

BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. NR-6 – Equipamentos de Proteção Individual – EPI.


Brasília, 2011.
______. Ministério do Trabalho e Emprego. NR-10 – Segurança em instalações e serviços em
eletricidade. Brasília, 2004.
SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL. Série eletroeletrônica: Qualidade,
saúde, meio ambiente e segurança nos serviços em eletricidade. Brasília: SENAI/DN, 2012.
Procedimentos para
a organização do
trabalho
Itinerário Nacional de Educação Profissional de 2020: Técnico em Automação Industrial e
Mecatrônica, 2021.

Capacidade granular: Reconhecer os critérios, requisitos técnicos, procedimentais e de


produtividade estabelecidos pela empresa para a organização do trabalho que é de sua
responsabilidade. Conhecimentos associados: Princípios de organização; Organização do
espaço de trabalho; Ferramenta da Qualidade: 5S. Carga horária: 1h.

Conteudista: Cláudio Marcos Soares Morais


Revisor Técnico: Laércio da Silva Xavier
Grão: Procedimentos para a organização do trabalho
Unidade Curricular: Eletrônica Aplicada a Sistemas Automatizados

JUNHO 2021 CÓD: UC02G24UE1

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©2021.SENAI – Departamento Nacional
©2021.SENAI – Departamento Regional do Rio Grande do Sul
A reprodução total ou parcial desta publicação por quaisquer meios, eletrônico, mecânico,
fotocópia, gravação ou outros, somente será permitida com prévia autorização, por escrito, do
SENAI - Departamento Nacional.
Esta publicação foi elaborada pela equipe da Gerência de Desenvolvimento Educacional -
GDE, do SENAI do Rio Grande do Sul, com a coordenação do SENAI Departamento Nacional,
para ser utilizada por todos os Departamentos Regionais do SENAI em cursos presenciais,
semipresenciais e a distância.
Luíza e seu colega Paulo trabalham com manutenção de equipamentos eletrônicos em uma
empresa química, sob a supervisão de Machado. Eles são responsáveis pela manutenção de alguns
equipamentos que fazem os acionamentos eletrônicos dos motores do processo da empresa.
Quais critérios, procedimentos e requisitos técnicos um profissional da área precisa saber para
organizar as atividades sob sua responsabilidade na empresa e, assim, obter maior produtividade?
Por que organizar nossa rotina de trabalho?

Você já deve ter escutado alguém reclamando que não consegue desenvolver as suas atividades
pessoais ou profissionais, que o tempo parece passar mais rápido do que de costume, por isso não
consegue dar conta de todas as tarefas acumuladas que tem para realizar.

Talvez até você já tenha feito as mesmas reclamações. Na maioria dos casos, as pessoas que
reclamam não conseguem fazer as suas tarefas no tempo desejado porque falta organização em
sua rotina de trabalho.

Afinal, o que é organizar? Segundo muitos autores, como Antonio Cesar Maximiano e João Abreu
de Faria Bilhim, organizar é o processo de identificar e agrupar objetos e atividades, para que haja
mais rapidez nos processos. Organizar também envolve definir e delegar responsabilidades na
execução de tarefas, estabelecendo relações entre pessoas com o objetivo de que elas trabalhem
juntas para atingir uma meta proposta.

O conceito de organização é importante tanto para as nossas atividades pessoais quanto para as
tarefas no trabalho. Para colocar esse conceito em prática, é importante que você conheça alguns
princípios básicos de organização, como os mostrados na figura a seguir, que são muito usados
nas empresas.

Alguns conceitos básicos para a organização

Princípios básicos da organização do trabalho

Quando uma empresa está funcionando, várias atividades são executadas quase que
simultaneamente, como administração, produção, manutenção, armazenagem e comercialização
da produção.
Devido ao grande volume de tarefas que precisam ser desenvolvidas, a empresa é dividida em
vários setores e cada um desempenha uma atividade, que é executada por diferentes profissionais.
O trabalho executado por um setor influencia no desempenho produtivo de outros setores, por isso
a organização interna do trabalho é fundamental para que a empresa funcione adequadamente e
cumpra o seu propósito de produção.

Há pelo menos cinco princípios básicos da organização do trabalho nas empresas – divisão do
trabalho, especialização dos profissionais, hierarquia das funções, amplitude administrativa e
paridade entre autoridade e responsabilidade –, que serão explicados na sequência.

DIVISÃO DO TRABALHO

Um dos critérios adotados no gerenciamento das empresas é a decomposição dos processos


produtivos em uma série de pequenas tarefas, de modo que cada colaborador execute uma
pequena atividade que é de extrema importância para o processo e para a organização.

Assim, cada colaborador tem uma função definida na organização, para que a produção seja
eficiente e os recursos humanos e financeiros sejam usados, adequadamente, pela instituição.

Divisão de tarefas

ESPECIALIZAÇÃO

Vários autores, como Stephen Paul Robbins e Idalberto Chiavenato, defendem que o
aperfeiçoamento das habilidades profissionais gerado pela especialização melhora o rendimento do
profissional envolvido, aumenta a eficiência na atividade executada e diminui o desperdício de
material utilizado na produção e na manutenção industrial.

Por isso, esses autores também afirmam que a especialização melhora a habilidade de um
funcionário devido à repetição de uma mesma tarefa várias vezes, diminuindo o tempo de execução
das tarefas e aumentando a sua produtividade.
Sendo assim, um dos requisitos técnicos na divisão do trabalho é a necessidade da especialização
que o profissional deve ter para executar aquelas tarefas que exigem determinada capacidade
técnica, como mostra a figura.

Cada profissional deve executar atividade conforme sua especialidade

Não queira fazer todas as atividades que surgirem dentro de um processo produtivo. Você
foi contratado para desempenhar uma função relativa a sua especialidade, então não
assuma a responsabilidade das tarefas que você não tem habilidade para desenvolver.

HIERARQUIA

Em uma empresa, as várias atribuições instituídas pela especialização exigem o desdobramento


da função de comando em camadas ou em níveis de autoridade. Por isso, um dos procedimentos
adotados pelas empresas na organização da divisão do trabalho é a hierarquia.

Segundo Henri Fayol, o pai da teoria clássica da administração, é necessário haver alguém com
autoridade para conduzir todo o processo da empresa, que pode compartilhar, quando necessário,
a ação de comandar entre os subordinados.

Dentro da hierarquia, como mostra a próxima figura, os funcionários precisam estar aptos para
receber as instruções e cumpri-las conforme o solicitado. Além disso, é importante que o
colaborador receba as orientações de uma única pessoa para manter a clareza das instruções.
Hierarquia com níveis de autoridade

Em uma hierarquia empresarial, muitos profissionais recebem ordens de profissionais


superiores e enviam comandos para profissionais subordinados. A prestação de contas,
para cada ordem enviada ou recebida, é requisito importante para a organização dos
trabalhos executados em uma empresa.

AMPLITUDE ADMINISTRATIVA

Em uma organização, a amplitude administrativa é a quantidade de subordinados que um gestor


tem sob o seu comando. Nas empresas, a correta definição da amplitude do comando é importante
para que o chefe possa gerir com eficácia seus funcionários e os recursos materiais disponíveis.

A amplitude administrativa também impede que alguns problemas de gerenciamento possam


ocorrer, como o não cumprimento de prazos na execução de uma atividade, a tomada de decisões
demorada e ineficiente, a desmotivação da equipe, a falha nas comunicações das diretrizes
corporativas.

A figura que você verá na sequência mostra alguns exemplos do impacto da amplitude
administrativa no funcionamento de uma empresa. Em uma estrutura achatada, é mais difícil fazer
a distribuição e o controle das tarefas a serem executadas. Já em uma estrutura aguda, pode haver
poucos profissionais executantes para muitas demandas do comando.

Impacto da amplitude administrativa

PARIDADE ENTRE AUTORIDADE E RESPONSABILIDADE

Para entender este princípio, é necessário compreender os conceitos de autoridade e


responsabilidade. De maneira bem simples, podemos definir autoridade como o poder de comandar
e exigir a obediência dos comandados e responsabilidade como a obrigação de responder pelas
nossas ações ou pelas ações daqueles sob o nosso comando.

Assim, segundo o princípio de paridade, um dos requisitos na organização de uma empresa é que
deve haver uma correspondência entre o volume de autoridade e de responsabilidade conferido a
cada profissional, de modo que não tenham muitas responsabilidades sem autoridade ou
demasiada autoridade sem qualquer responsabilidade.

Como organizar as atividades na empresa

Agora que você já conhece alguns dos princípios básicos sobre a organização do trabalho, podemos
conhecer algumas dicas sobre como aplicar esses princípios nas nossas atividades na empresa.

Certamente, não é uma sensação muito boa não saber por onde começar a desenvolver as
atividades na rotina de trabalho na empresa, ainda mais quando temos responsabilidade na tomada
de decisões em nosso departamento. Então, veja no infográfico seguinte, algumas dicas sobre
como proceder na organização de suas atividades.
Infográfico com dicas de organização

A seguir, assista ao vídeo que ressalta pontos importantes sobre como o profissional deve
organizar-se para fazer suas atividades na empresa.

Para acessar o vídeo “A organização dos profissionais nas


atividades da empresa” leia o QRcode ou acesse o
link: https://youtu.be/Sq0ksHzAUkY
Organização do espaço no trabalho

A organização do espaço físico no ambiente de trabalho também é um requisito básico para


melhorar a produtividade nas atividades diárias. Por isso, as empresas utilizam procedimentos e
metodologias, como 5S, para organizar tanto as rotinas de trabalho quanto o próprio ambiente onde
as atividades são executadas.

A metodologia dos 5S, quando implantada e incorporada às rotinas de uma empresa, traz profundas
mudanças comportamentais e organizacionais em todos os seus níveis hierárquicos, como:

● Redução de acidentes de trabalho

● Redução de custos na produção

● Eliminação de desperdício de material

● Desenvolvimento do trabalho em equipe

● Melhoria das relações humanas

● Melhoria da qualidade de produtos e serviços

A ferramenta ou metodologia 5S é uma técnica que foi desenvolvida no Japão e foi


utilizada inicialmente pelas donas de casa japonesas para envolver todos os integrantes
da família na administração e na realização das tarefas domésticas. No final dos anos
1960, as indústrias japonesas começaram a incorporar e a adaptar essa metodologia aos
seus sistemas de produção.

QUAL É O SIGNIFICADO DO 5S?

O termo 5S foi criado a partir de cinco palavras em japonês, que norteiam o programa, que são:
seiri, seiton, seiso, seiketsu e shitsuke. Em português, essas palavras foram traduzidas,
respectivamente, para senso de utilização, senso de organização, senso de limpeza, senso de
padronização e senso de disciplina, conforme mostra a figura.
Significado das palavras usadas na metodologia 5S

Senso de utilização (seiri)

Esse é o senso de utilização ou seleção das ferramentas, equipamentos e


instrumentos, conforme a sua utilidade. Devemos identificar o que realmente
é necessário para o trabalho e o que não é, para depois utilizá-lo conforme a
necessidade na tarefa que será executada.

Senso de organização (seiton)

O senso de organização visa a classificar todos os objetos que estão nos


postos de trabalho, conforme o seu nível de utilização, de maneira que o
material usado com maior frequência esteja em local de fácil acesso,
enquanto que aquele material pouco usado seja guardado em depósito,
almoxarifado ou armário de uso compartilhado.
Senso de limpeza (seiso)

Após a arrumação e a organização do local de trabalho, é preciso manter o


ambiente limpo e deve-se identificar as práticas que causam a sujeira. Além
disso, é preciso cuidar da boa conservação dos equipamentos, das
ferramentas e dos instrumentos. Assim, teremos um ambiente de trabalho
sempre limpo.

Senso de padronização (seiketsu)

O senso de padronização e saúde estimula os cuidados com a saúde física e


mental, difundindo a importância da prática de exercícios físicos regulares e de
bons hábitos de higiene e alimentação.

Senso de disciplina (shitsuke)

Esta etapa estimula as pessoas a manterem funcionando todas as etapas do


programa, pois só com disciplina se consegue eliminar maus hábitos. Com
disciplina, as ações são realizadas de forma automática, como o cumprimento
dos requisitos e o uso dos procedimentos da empresa.

A ferramenta ou metodologia 5S é adotada em várias organizações, desde pequenas empresas até


grandes corporações. Sua implementação tem o objetivo de melhorar a qualidade, a produtividade
e o desempenho dos profissionais em seu ambiente de trabalho.

Agora que você conheceu um pouco sobre a metodologia 5S, o que você acha de aplicá-la em seu
ambiente de trabalho?

Você aprendeu que, para organizar as atividades na empresa, um técnico precisa conhecer alguns
critérios, requisitos e procedimentos que estão associados à organização das atividades com o
propósito de melhorar a produtividade do trabalho. Entre os princípios para a organização do
trabalho, estão: divisão do trabalho, cujo critério é a decomposição da atividade de produção em
pequenas tarefas; especialização, que é um requisito para que o profissional seja inserido na divisão
do trabalho; e hierarquia, que é um procedimento adotado pelas empresas e que deve ser seguido
pelo técnico, pois faz a divisão de autoridades e responsabilidades das tarefas a serem executadas
pelos profissionais.

Outro ponto importante que o técnico precisa conhecer e aplicar são os procedimentos relacionados
com a organização do espaço físico no ambiente de trabalho, pois seus efeitos também são
importantes para a melhoria da produtividade. Para isso, pode usar a metodologia 5S em sua rotina
de trabalho, que propõem uma mudança comportamental e introduz alguns sensos de utilização,
limpeza, organização, padronização e disciplina, que reduzem o desperdício de material, melhoram
a organização dos ambientes e agilizam o tempo gastos na execução das atividades.

CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração: uma visão abrangente da


moderna administração das organizações. 7. ed. rev. e atual. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.
SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL. Série eletroeletrônica: qualidade,
saúde, meio ambiente e segurança nos serviços em eletricidade. Brasília: SENAI/DN, 2012.
_______. Série mineração: qualidade, saúde, meio ambiente e segurança no trabalho. Brasília:
SENAI/DN, 2016.

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