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29/09/21, 22:12 UNINTER - MUSICALIZAÇÃO INFANTIL

MUSICALIZAÇÃO INFANTIL
AULA 3

Profª Florinda Cerdeira Pimentel

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CONVERSA INICIAL

A música é uma ferramenta poderosa no processo de


ensino-aprendizagem de crianças. Esse

uso do fazer musical resulta na formação


de um indivíduo sensível ao universo sonoro e musical e às

diferentes culturas
que o rodeia.

Nesta aula, serão abordados assuntos sobre os grandes pilares


que sustentam as fases da

educação musical, que são a apreciação, a execução e a


composição. Outro aspecto fundamental na

musicalização infantil é o movimento, que


envolve a abordagem de diversas maneiras de alinhar

música e movimento na sala


de aula, promovendo uma educação musical lúdica, estimuladora e

eficaz.

Toda criança gosta de ouvir histórias; assim, nesta aula,


serão apresentadas propostas de

sonorização de histórias e diferentes maneiras


de incorporar a música na contação de histórias.
Também serão abordados temas
sobre como o educador musical pode e deve ampliar seu repertório

musical, bem
como a importância dos cuidados com a voz das crianças e o canto na
musicalização

infantil.

TEMA 1 – PILARES DA EDUCAÇÃO MUSICAL

Nesta aula, serão abordados os principais pilares que


sustentam a educação musical: apreciação,
execução e
composição. Como foi visto anteriormente, os sons e a música já são
percebidos pelo

bebê desde o ventre materno. Cabe agora na infância desenvolver


a percepção desse indivíduo para

que sua atenção seja voltada para uma escuta


ativa do ambiente que o cerca. Sendo assim, o

educador precisa compreender que


ouvir e escutar são ações distintas.

Ouvir
remete ao ouvido, não requer concentração. Podemos ouvir uma música tocando,
várias

pessoas falando, carros passando na rua, tudo ao mesmo tempo, mas não
estar atento ao que

está acontecendo.

Escutar
traz o som a um plano mais emocional e significativo. É quando colocamos foco
em

determinado som, música, por exemplo, e consigo percebê-lo em seus detalhes.


É com essa

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escuta ativa que se desenvolve a apreciação musical.

Segundo a educadora Teca Alencar Brito, “som é tudo que soa!


Tudo o que o ouvido percebe

sob a forma de movimentos vibratórios.” (Brito,


2003,

p. 17). No entanto, até que se alcance a produção sonora, um objeto deve ser
visualizado,

manipulado, testado, até que a criança descubra como funciona.


Brincar com as possibilidades, de

maneira global, explorando os materiais


utilizando todos os sentidos, perceber cheiros, formas, cores,

movimentos,
sons, faz parte das atividades propostas nas aulas de musicalização. É assim,
brincando,

que se faz apreciação musical com crianças.

A criança é um ser “brincante” e, brincando, faz música, pois


assim se relaciona com o mundo que
descobre a cada dia. Fazendo música, ela,
metaforicamente, “transforma-se em sons”, num
permanente exercício: receptiva e
curiosa, a criança pesquisa materiais sonoros, “descobre
instrumentos”, inventa
e imita motivos melódicos e rítmicos e ouve com prazer a música de todos
os
povos. (Brito, 2003, p. 35)

Para que a proposta apreciativa se torne interessante e o


objetivo dessa proposta seja alcançado,

é necessário que se faça uma análise do


público em que se está aplicando determinada prática.

Nessa análise, um dos


aspectos que se deve observar é a faixa etária dos alunos, visto que crianças

pequenas precisam de movimento, ludicidade, enquanto crianças maiores e


adolescentes precisam se

sentir desafiadas. Propostas muito simples ou muito


complexas fazem com que as crianças percam o

interesse.

As crianças pequenas precisam ser cativadas, precisam de


encantamento. “A educação começa

pela admiração, que desperta no aprendiz a


vontade de imitar e guardar na memória aquilo que

percebe”
(Nadalim et al., 2018, p. 4).

Outro aspecto muito importante a ser levado em conta em uma


proposta apreciativa é a

bagagem cultural do aluno. O educador musical precisa


se despir de preconceitos. A Base Nacional

Comum Curricular (BNCC) enfatiza que


a criança é o centro da proposta educacional, é um ser de

direitos e, sendo
assim, o professor deve respeitar e reconhecer como cultura que merece ser

apreciada aquilo que o aluno traz para a sala de aula e, por meio daquilo que o
aluno já conhece,

oferecer a novidade que o professor está propondo.

Por meio desse encantamento, dessa troca cultural entre aluno


e professor, se dá o processo de

execução musical, em que, pela imitação,


as crianças tendem a interpretar e reproduzir obra,

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movimentos e canções. A
interpretação é uma atividade ligada à imitação e reprodução de uma obra.

No
entanto, interpretar significa ir além da imitação, por meio da ação expressiva
do intérprete.

Quando uma criança executa o que ouviu, muitas vezes ela não
está apenas imitando, o que já é

um grande passo no seu fazer musical. Ela está


reproduzindo de maneira diferente, com um olhar

criativo, à sua própria maneira,


e, por meio disso, o educador deve oferecer oportunidades para que

os alunos
possam manifestar suas intenções criativas acerca do que ouviram e,
posteriormente,

reproduziram.

A composição é a criação musical caracterizada por sua


condição de permanência, seja por

registro da memória, por gravação ou pela


própria notação musical. “A forma com que as crianças

percebem, apreendem e se
relacionam com os sons, no tempo-espaço, revela o modo como

percebem, apreendem
e se relacionam com o mundo que vêm explorando e descobrindo a cada dia”

(Brito,
2003, p. 41).

Existem muitas propostas pedagógicas que abrangem os três


pilares da educação musical

(apreciação, execução e composição). A proposta exemplificada


a seguir pode ser adaptada de

acordo com a faixa etária da criança.

1.1 MODELO DE PROPOSTA PARA CRIANÇAS DE ATÉ 7 ANOS

1. Escolham uma música instrumental juntos (deve ser instrumental para que a
letra da

música não interfira na atividade); mostre trechos da música, deixe


que as crianças participem

da escolha.

2. Ouçam a música e permita que as crianças se movimentem no ritmo da


música; se

possível, pode acrescentar um adereço como um lenço.

3. Se forem crianças maiores, que já sabem utilizar o lápis, peça que façam
um desenho da

música e questione: “o que a música te faz pensar?”. Crianças de


5 a 7 anos adoram desenhar!

4. Faça uma roda de conversa: “essa música é lenta ou rápida?”, “forte ou


fraca?”, “tem letra

ou são só instrumentos, quais instrumentos tocaram?”. Se


possível, mostre fotos ou vídeos dos

instrumentos.

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5. Organize
uma exposição com uma apreciação para os pais, relacionando a música aos

desenhos compostos pelas crianças.

1.2 MODELO DE PROPOSTA PARA CRIANÇAS DE ATÉ 3 ANOS

1. Escolha uma música instrumental alegre, que permita movimentos para


dançar.

2. Permita que as crianças se movimentem livremente enquanto escutam a


música. Podem

ser oferecidos a elas adereços, como lenços coloridos.

3. Coloque
à disposição materiais diversificados como instrumentos musicais, objetos
sonoros como potes, latas, cascas de árvores, pedras, pedaços de madeira, porém,
com o

cuidado de que tenham uma qualidade sonora adequada para a produção


musical, como

também com a segurança dos pequenos no caso de peças miúdas. Nesse


momento, o

educador não interfere na prática, apenas observa a ação das


crianças.

Algumas crianças vão reproduzir exatamente o que ouviram,


outras vão brincar com os objetos,

explorando os sons, outras vão compor novas


possibilidades musicais. O papel do educador é o de

mediador, não devendo


interferir nessa prática de experimentação.

TEMA 2 – MÚSICA E MOVIMENTO

É muito difícil falar de musicalização infantil sem pensar em


movimento, pois todo o

desenvolvimento da criança acontece de maneira global.


Segundo Aristóteles, “nada está no intelecto

que não tenha passado pelos


sentidos”, demonstrando a fundamental importância de se promover o

movimento e
as vivências antes de ensinar teorias e técnicas musicais.

A educadora musical Josette Feres (1998)


enfatiza que, quando a criança é colocada em uma

aula de instrumento,
provavelmente ainda não possui a coordenação motora adequada para a

compreensão
de tudo o que envolve uma aula de música, e ainda está por desenvolver
habilidades
como disciplina, concentração, emoção e criatividade. Sem isso, a
aprendizagem se torna mecânica, o

aluno se restringe a decifrar códigos


complexos e digitá-los no instrumento.

A criança precisa primeiramente sentir e vivenciar a música por


meio das brincadeiras e jogos em

que possa andar, correr, galopar, dançar, se


expressar, para que as aulas de música não se tornem

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puramente matemática.
Desse modo, promovem o desenvolvimento da criatividade, das emoções,

do
equilíbrio, da lateralidade, do respeito ao espaço do outro, das sensações dos
sons e do ritmo;

assim, posteriormente, o aprendizado de um instrumento se


tornará muito mais orgânico. Ao

trabalhar o ritmo por meio do movimento


corporal, a criança desenvolve sua criatividade, pois o

movimento auxilia no
despertar dos sentimentos e ela aprende a se expressar e socializar. Ao colocar

seu corpo em movimento juntamente com a música por meio das práticas lúdicas,
ela respeita o

andamento, canta, toca, brinca, imagina, controla impulsos,


promovendo várias áreas de trabalho
cerebral, tão importante para o
desenvolvimento humano.

2.2 SUGESTÕES DE PROPOSTAS PARA UTILIZAR MÚSICA E MOVIMENTO NA


SALA DE AULA

2.2.1 JOGO DO GRAVE E AGUDO

Semelhante à conhecida brincadeira tradicional morto-vivo, esse


jogo consiste em,
primeiramente, colocar as crianças em pé. O objetivo musical
é o trabalho das diferentes alturas. O

mediador segue com o comando: deve-se


ficar em pé ao ouvir o som agudo e de cócoras ao ouvir o
som grave.

Utilizando um instrumento musical, o mediador emite os sons


alternando entre graves ou
agudos até que a última criança a permanecer na
brincadeira seja a vencedora. Uma observação: as

crianças que forem errando não


precisam ficar fora da brincadeira, podem ser consideradas
“auxiliares do
juiz”. Essa estratégia evita frustrações e dispersão enquanto o jogo não
termina.

2.2.2 JOGO DOS ANDAMENTOS

Nessa brincadeira musical, o objetivo é a percepção de


diferentes andamentos. O mediador deve

escolher uma música e combinar com as crianças


o seguinte comando, sem perder a pulsação da
música:

ao
ouvir 1, devem andar bem devagar (adágio);
ao
ouvir 2, devem andar em um andamento médio (andante);
ao
ouvir 3, devem andar (não correr) depressa (alegro).

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2.2.3 JOGO DOS ANDAMENTOS PARA CRIANÇAS MENORES (EDUCAÇÃO


INFANTIL)

Nessa brincadeira musical, o objetivo é a percepção de


diferentes andamentos, como na
brincadeira anterior, porém, a abordagem é mais
lúdica, para que as crianças pequenas

compreendam a diferença entre os


movimentos. O mediador deve escolher uma música e combinar
com as crianças os
seguintes comandos:

ao
ouvir “tartaruga”, devem caminhar bem devagar (adágio);

ao
ouvir “gato”, devem caminhar em um andamento médio, com a elegância de um gato
(andante);

ao
ouvir “rato”, devem andar (não correr) bem depressa (alegro).

TEMA 3 – MÚSICA E HISTÓRIAS

“Era uma vez...”: é impressionante o poder dessa frase no


universo infantil. São três palavras que
imediatamente provocam encantamento,
olhos atentos e muita curiosidade pelo que vem pela

frente.

A arte de contar histórias resgata tradições que são passadas


de geração em geração e o
educador musical pode se utilizar desse recurso para
musicalizar, possibilitando ao indivíduo o

contato da literatura por meio da


música. É um aprendizado rico em que sons e palavras permeiam o
ambiente lúdico
de aprendizagem e desenvolvimento.

Antes, portanto, é preciso discernir leitura de contação de


histórias. Quando se lê para uma

criança, é oferecida a ela a literatura em sua


forma original. O leitor apresenta um livro, por exemplo,
e reproduz aqui exatamente
que está escrito.

Na contação de histórias, o mediador não apenas lê, mas passa


a usar diversos recursos para que
a história envolva profundamente o espectador.
Esses recursos podem ser a improvisação, elementos

surpresa, recursos cênicos variados,


interação com o ouvinte e a música.

A música pode ser inserida na contação de histórias de diversas


maneiras.

3.1 MÚSICA DE FUNDO OU MÚSICA INCIDENTAL

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A música de fundo na contação de histórias auxilia na


ambientação para contação da história,
criando um “clima” que prepara o
espectador para o que há de vir. Geralmente, utiliza-se música

instrumental e
esta pode ser interrompida ou substituída dependendo do contexto a ser narrado.

3.2 MÚSICA TEMA OU LEITMOTIV

De acordo com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), o termo Leitmotiv,


que em português

pode ser traduzido como “motivo condutor”, consiste em um tema


ou ideia musical que aparece
constantemente no decorrer de uma obra com o
objetivo de associá-lo a uma personagem, um
objeto ou uma ideia. Apesar de
nunca ter especificado tal termo, a técnica do Leitmotiv ficou

conhecida
por meio do compositor Richard Wagner, que a aplicou de forma sistemática em
suas
óperas. Posteriormente, o uso do Leitmotiv também passou a fazer
parte de outras linguagens, como

o cinema e telenovelas. Na contação de


histórias, esse recurso é muito útil, pois sua repetição reforça
a intenção de
tema de uma determinada personagem.

3.3 SONOPLASTIA

A sonoplastia dentro da contação de histórias é um recurso em


que são utilizados sons, música e
ruídos. São os efeitos sonoros que ajudam a
captar a atenção do ouvinte e dar ênfase a determinadas

cenas.

Os efeitos utilizados podem ser produzidos com o uso de diversos


tipos de materiais, por
exemplo: instrumentos musicais, objetos sonoros como
cocos, madeiras, guizos, lixas, papel, plástico,

portas. A escolha do recurso


utilizado depende da necessidade e da criatividade do contador da
história.
Outra sugestão são as onomatopeias, que o professor pode ter gravado para serem

utilizadas na hora da história e, posteriormente, em um trabalho com timbres,


solicitando às crianças
que reproduzam com o corpo aqueles sons.

Saiba mais

São exemplos de sonoplastia os


sons de água, que podem ser representados por
instrumentos como o Ocean Drum
(tambor oceânico), o pau-de-chuva ou com o manuseio de

uma bacia com água,


dependendo do efeito que o contador precisa no momento da história.

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Outro
exemplo é a simulação de alguém caminhando sobre a grama: pode-se usar um
pedaço

de plástico ou papel sendo amassado ou manuseio de folhas secas.

Pode-se construir um Ocean


Drum da seguinte forma: decorar uma caixa grande de pizza,
colocar meia
xícara de arroz cru ou areia grossa. Vedar bem a caixa com fita adesiva por
todos os

lados. Observe um exemplo de utilização do instrumento Ocean Drum,


feito à mão, por meio do
link a seguir. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=7ztcKZnTHkI>.
Acesso em: 29

set. 2020.

3.4 RECURSOS CÊNICOS

Além dos sons, o contador de histórias pode usar recursos


cênicos como bonecos, fantoches,

marionetes, bichos de pelúcia, objetos variados.


Isso vai depender da criatividade do contador.

3.5 ELEMENTO SURPRESA

Esconder algo ou criar um elemento surpresa que será revelado


somente ao final da contação da
história também é um recurso interessante para
prender a atenção das crianças durante o evento.

Instigá-las com frases, por


exemplo: “adivinhem o que o mágico trazia em sua cartola?”. Em uma aula
de
musicalização infantil, esse recurso é excelente para apresentar um novo
instrumento musical,

como uma flauta doce. É muito mais interessante tirar a


flauta de dentro de uma cartola ou de um
saco surpresa do que simplesmente de
dentro da bolsa do professor ou de cima de uma prateleira.

3.6 INTERAÇÃO COM O ESPECTADOR, ESPECIALMENTE AS CRIANÇAS

O educador, de acordo com a BNCC, deve ser um mediador de


oportunidades, e, a contação de

histórias, é uma oportunidade rica de


aprendizado, interatividade e diversão. Sendo assim, ele deve
se colocar como
contador de histórias com as crianças e não para as crianças. O
fazer junto, deixar

que as crianças se envolvam, participem, peguem os objetos,


questionem, opinem, ajudem a
construir o desfecho da história, fará com que o
momento de contação de histórias seja de fato um

momento de aprendizado
efetivamente enriquecedor.

TEMA 4 – CONVERSANDO SOBRE REPERTÓRIO


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Não há proposta pedagógica mais completa em uma aula de


musicalização infantil do que a
roda de música. Essa proposta faz parte de
todas as faixas etárias, tanto na educação infantil quanto

no ensino
fundamental, pois é o momento em que se dá início à aula e todos se sentam em
círculo,
se olham, se ouvem e cantam juntos. É um momento riquíssimo de
socialização e harmonização, um

aquecimento para a aula que está começando,


especialmente se as canções já fazem parte do
cotidiano das crianças, pois elas
cantam com ainda mais prazer. Porém, vem a grande pergunta: o

que cantar?

Quando se pensa em repertório para a musicalização infantil,


deve-se levar em conta alguns
aspectos.

1. O educador musical, ao pensar em repertório, precisa valorizar e


preservar as raízes

culturais do seu país, oferecendo às crianças as cantigas


tradicionais do cancioneiro infantil.

2. Algumas
canções são muito complexas para crianças pequenas e outras são

desestimulantes
para as crianças maiores, que naturalmente gostam de se sentir desafiadas.
Portanto,
deve-se ter o cuidado na escolha do repertório ou na abordagem com que essa

determinada canção será apresentada, levando em consideração a faixa etária dos


alunos. Não
se trata de dizer que tal música é muito infantil ou não, mas sim
refletir sobre a forma com que
ela será abordada.

Por exemplo, a canção Bambalalão, de Heitor Villa


Lobos, pode ser trabalhada de diversas
maneiras, dependendo da faixa etária das
crianças.

Figura 1 – Canção Bambalalão, de Heitor Villa


Lobos

Fonte: Villa Lobos, 1987.

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Para a roda de música com crianças pequenas, essa cantiga pode


ser cantada com

acompanhamento de palmas, seguindo o ritmo real da cantiga.


Outra opção é a utilização de
instrumentos de percussão.

Para crianças maiores, já é possível oferecer um desafio maior


utilizando a mesma canção,

propondo a elas que criem uma percussão corporal,


dando ênfase a aspectos musicais pré-
determinados, por exemplo, altura – “Bambala”,
em que se repete a nota Dó (batem palmas) e “lão”

onde se repete a nota Sol


(batem os pés). A mesma proposta pode ser para trabalho de intensidade,
em que as
palmas representam o som mais fraco e as batidas dos pés o som forte.

Isso é apenas uma sugestão, o ideal é permitir que as próprias


crianças sugiram sua proposta de

percussão. Esse tipo de atividade pode ser


realizado com as mais diversas canções do vasto
repertório do cancioneiro
popular infantil brasileiro e adaptada a várias faixas etárias.

Outro ponto importante a ser levado em consideração na escolha


do repertório é o bom senso
do educador. Não se pode descartar as músicas que
as crianças trazem de casa: a não ser que
tenham letras com palavras
inapropriadas, a bagagem cultural que elas carregam faz parte da vida

delas e,
por mais que o professor não goste ou não concorde, deve haver respeito, pois é
aquilo que

ela está acostumada a ouvir. Cabe ao educador musical se colocar no


papel de mediador de
oportunidades já antes mencionado e, partindo daquilo que
a criança conhece, oferecer novas

possibilidades.

Com o avanço das mídias sociais, é válido ao educador musical


pesquisar e elaborar o seu

repertório com nomes de especialistas para que possa


oferecer aos seus alunos um conteúdo de

qualidade e, assim, garantir-lhes um


aprendizado eficaz.

Saiba mais

Listamos a seguir alguns


exemplos de educadores musicais com conteúdo facilmente

encontrado na internet,
alguns para compra, outros gratuitos.

Grupos musicais: Palavra Cantada, Grupo Triii, Tiquequê, Tupi


Pererê.

Educadores musicais: Elvira Drummond, Breeze Rosa, Josette Feres;


Margareth Darezzo,

Enny Parejo, Estevão Marques, Anna Quilez.

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Música clássica e instrumental para bebês e crianças: Mozart


for babies, Beatles for babies,
MPB for babies, entre
outros.

Existe uma fonte inesgotável de


pesquisa, cabe ao professor conhecer o perfil dos seus
alunos e pesquisar qual
o melhor repertório, com maior qualidade e que mais se adapta a eles.

No curso de licenciatura em música, os educadores musicais


licenciados terão potencialidade

para compor suas próprias canções. Crie seu


próprio repertório, escolha um repertório de qualidade
para utilizar com seus
alunos, porém não perca a oportunidade preciosa de criar suas próprias

brincadeiras e canções, especialmente se for em parceria com eles.

TEMA 5 – VOZ E CANTO NA MUSICALIZAÇÃO INFANTIL

O corpo é o mais perfeito instrumento para a experimentação


sonora e o canto na musicalização

infantil possibilita a escuta interior do


indivíduo, favorecendo o autoconhecimento musical.

No entanto, a utilização do canto requer alguns cuidados, pois


o aparelho fonador de uma

criança é diferente do de um adulto. Pesquisas


mostram que meninos e meninas possuem vozes
semelhantes até a puberdade. Nessa fase,
as crianças estão com seu aparelho fonador em pleno

desenvolvimento e precisam
de cuidados para prevenir possíveis problemas vocais como diafonias

ou nódulos,
comuns por abuso ou uso inadequado da voz.

Pensando na anatomia e fisiologia da voz infantil, cabe ao


educador musical e às pessoas mais

próximas o cuidado de ser modelo, uma vez


que as crianças, desde o nascimento, aprendem por
imitação. O adulto que o
acompanha, ao utilizar a voz corretamente, fará com que a criança aprenda

a
usar a voz corretamente tanto para a voz falada quanto para a voz cantada. Carnassale (1995)

enfatiza a importância de se falar


corretamente, articuladamente, com boa afinação e tom de voz

adequado, uma vez


que se sabe que a criança observa e aprende aquilo que foi observado.

A imensa maioria dos comportamentos expressos pelo homem é


aprendido por tentativa e erro,
e/ou por observação de um modelo. Assim é
também com o canto. A criança aprende a cantar
ouvindo aqueles com que tem mais
tempo de contato e, mais tarde, através da eleição de um ídolo
ou modelo. (Carnassale,
1995, p. 21)

Levando em consideração esses cuidados, o trabalho vocal


preparatório deve propor atividades

de aquecimento e exercícios lúdicos, com o


principal objetivo de proporcionar às crianças consciência
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corporal.

5.1 EXERCÍCIOS VOCAIS PARA CRIANÇAS

5.1.1 RESPIRAÇÃO E RELAXAMENTO

Esse exercício pode ser realizado após uma atividade mais


agitada, com o objetivo de acalmar as

crianças, além de prepará-las para o


canto.

Em pé, com a coluna ereta, sugira às crianças que imaginem que


estão em volta de um lago.

Peça-as a fazer de conta que são árvores e


oriente-as de que, um a um, estão nascendo os galhos
(braços e pernas), até que
a criança fique com os braços abertos e apoiados em um pé só. Mantenha

o
equilíbrio e volte o corpo ao relaxamento suavemente.

Comente que, na beira desse lago, existem muitos dentes de


leão. Agora, elas devem colher o

dente de leão e soprar suave e longamente para


que voem todas as pétalas.

5.1.2 ENCHENDO O BALÃO

Esse exercício desperta a consciência diafragmática, pois a


criança precisa usar a força do
abdome para encher o balão.

O professor deve dizer às crianças que, usando a imaginação,


coloquem um balão na boca e

comecem a enchê-lo até ficar bem grande.

5.2 ALGUNS EXERCÍCIOS VOCAIS LÚDICOS

É muito importante ter cuidado com a voz das crianças ao


cantar, porém, quando falamos em

aula de musicalização, diferentemente do


coral, o tempo para aquecimentos e vocalises é muito
restrito. Mesmo assim,
existem algumas brincadeiras rápidas e divertidas que podem ser feitas para o

preparo vocal dos pequenos.

5.2.1 TRAVA-LÍNGUAS

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Esses exercícios relaxam as pregas vocais e auxiliam no


aquecimento e relaxamento da laringe,

como também ajudam a melhorar a dicção


das crianças. Eles devem ser realizados com alunos do

ensino fundamental que já


possuem um vocabulário mais amplo. Por exemplo, “o rato roeu a roupa
do rei de
Roma”, em que o r deve ser bem enfatizado.

5.2.2 SONS VIBRANTES

São os sons da junção de fonemas como br ou tr. Podem


ser realizados em intervalos de terças,

subindo e descendo de meio em meio tom,


para as crianças maiores, e para os pequenos a sugestão
é criar histórias em
que eles possam, por exemplo, imitar uma motocicleta utilizando onomatopeias:

brrumm,
brruuum, brrrruuuuuummmmm... Ou, ainda, imitar um liquidificador: “vamos
fazer uma

vitamina? Liguem o liquidificador! TRRRRRRRR...”.

NA PRÁTICA

A atividade exemplificada a seguir pode ser interessante para


o trabalho em sala de aula.

Conto sonoro: A dança da chuva

(autoria de
Florinda Cerdeira Pimentel)

Materiais necessários:

Recursos utilizados Objetivo

Gravação com sons de floresta Simular o ambiente da floresta

Lençol, toalha ou TNT azul Rio

Tambores, caxixi, chocalhos, cocos Instrumentos indígenas

Raio-x Trovão

Pau-de-chuva ou manuseio de plástico Chuva

Era uma vez uma tribo que morava


na beira de um rio em uma floresta muito distante. Seus

habitantes viviam
felizes, pois havia muita fartura.
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Um dia, os nativos perceberam


que a chuva não vinha já fazia muito tempo e, com isso, o

rio começou a secar.


As plantações começaram a morrer e então faltou alimento, e a situação

das
pessoas ficou muito difícil. Não havia água nem comida, era precisa que
chovesse, o que

fazer?

Então, um velho sábio teve uma


ideia! Reuniu os anciãos da tribo e decidiram invocar a Mãe
Natureza, pedindo
que ela mandasse a chuva. Reuniram toda tribo numa noite de lua cheia e ali

ficaram em vigília, cantando e tocando seus instrumentos, pedindo chuva. Mas


chegou a

madrugada e nada aconteceu. Desanimados, os habitantes da tribo


deixaram seus instrumentos

e foram dormir.

Estava quase amanhecendo quando


alguém saiu gritando pela tribo:

— Acordem, acordem, ouçam os


trovões!

As pessoas acordaram assustadas


com aquela gritaria e vieram ver o que estava

acontecendo. Perceberam que


finalmente estava começando a chover.

— Que benção dos céus! — disse


alguém emocionado.

— A Mãe Natureza atendeu nossas


preces! — disse outro.

Naquele dia choveu o dia todo e


choveu também por vários dias. Para celebrar, os nativos

fizeram uma grande


festa e a vida tranquila e feliz daquela tribo voltou a ser como antes.

Sugestão para a contação da história

As crianças devem ficar em


círculo no chão, sentadas, de pernas cruzadas, em volta do

tecido azul (rio).


Um aparelho de som ou celular pode ficar ligado com a gravação dos sons de
floresta tocando durante todo o tempo, mas bem fraco. No momento da seca, o
tecido azul

deve ser recolhido e recolocado depois que a chuva voltar. Durante


toda história, o educador

deve ter o cuidado de envolver todas as crianças na


participação, seja cantando, dançando ou

reproduzindo a sonoplastia de trovão e


chuva.

Ao final, o educador musical


pode passar os instrumentos para que todas as crianças
possam manusear e tocar.
Pode-se também realizar uma conversa sobre os timbres desses

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29/09/21, 22:12 UNINTER - MUSICALIZAÇÃO INFANTIL

instrumentos e as
impressões das crianças a respeito da história. É um momento rico de
aprendizado e troca de experiências.

FINALIZANDO

Nesta aula, foram abordados os temas que tratam dos principais


pilares da educação musical:
apreciação, execução e composição. Foi possível também
observar que, quando é possibilitado ao

indivíduo um aprendizado com base na


vivência, esse aprendizado se torna sólido, pois a vivência se

fixa como
experiência que o segue por toda vida. Também foi vista a importância do
movimento, em

que, mais uma vez, a experimentação por meio dos sentidos é


fundamental para o aprendizado
musical.

Na contação de histórias, além do incentivo à leitura e o acesso


à literatura, ao inserir o conto

sonoro nas aulas de musicalização, utiliza-se


de um recurso muito rico para o aprendizado de

diversos aspectos musicais, por


meio das histórias que fazem parte no imaginário infantil.

Também foram vistos alguns aspectos do canto na musicalização


infantil. O canto faz parte do

cotidiano infantil, e cabe ao adulto mais


próximo ser modelo de um bom uso vocal, sendo o papel do
educador em sala de
aula possibilitar o preparo vocal das crianças de maneira lúdica e eficaz, de

modo a proporcionar, acima de tudo, consciência corporal. Para isso, é


necessário saber escolher um

repertório que seja de boa qualidade musical, seja


música clássica ou popular, respeitando a

bagagem cultural que as próprias


crianças trazem antes de oferecer algo novo, além de resgatar as
canções do
cancioneiro infantil brasileiro.

REFERÊNCIAS

BRITO, T. A. de. Música na educação infantil:


propostas para a formação integral da criança. São

Paulo: Peirópolis, 2003.

CARNASSALE, G. J. O ensino de canto para crianças e


adolescentes. 1995. 183 f. Dissertação

(Mestrado em Artes) – Instituto de


Artes, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1995.

EBC – EMPRESA BRASIL DE COMUNICAÇÃO. Você sabe o que é “Leitmotiv”?.


Caderno de

Música. 22 fev. 2016. Disponível em: <https://radios.ebc.com.br/

https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 16/17
29/09/21, 22:12 UNINTER - MUSICALIZAÇÃO INFANTIL

caderno-de-musica/edicao/2016-02/voce-sabe-o-que-e-leitmotiv>. Acesso em: 29


set. 2020.

FERES, S. M. J. Bebê, música e movimento: orientação


para musicalização Infantil. Jundiaí:

Editora do Autor, 1998.

NADALIM, C. et al. Maravilhamento. Desvendério.


São Paulo, 2018.

VILLA-LOBOS, H. O pensamento vivo de Villa-Lobos.


São Paulo: Martin Claret, 1987.

https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 17/17

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