Você está na página 1de 12

Universidade Católica de Moçambique

Instituto de Educação à Distância

Escala dos Annales e o alargamento do objeto de história

Acácio Mateus
Código:708212311

Curso: Licenciatura em História

Disciplina: História

IºAno

Nampula, Novembro 2021


1. Introdução
O presente trabalho, é de caracter avaliativo da cadeira de História, que tem como tema,
Escala dos Annales e o alargamento do objeto de história. Segundo Lucien Febvre, é
estudo feito cientificamente das diversas atividades e criações dos homens de outros
tempos,  consideradas numa determinada e dentro do quadro de sociedades
extremamente variadas.estuda o passado do Homem para melhor compreender o
presente e perspetivar o futuro. O objeto da historia é o conjunto das ações humanas
praticadas no passado.

1.1. Objetivo geral

Desenvolver o tema, escala dos Annales e o alargamento do objeto de história

1.2. Objetivos específico


 Demorar o contexto do surgimento da Escola dos Analles
 Destacar o papel da Escola dos Analles no alargamento do objecto de História;
 Apresentar as características da História Nova.

1.3. Metodologia

Para a realização desse trabalho foi necessário o uso de referências bibliográficas.


ESCOLA DOS ANALLES E O ALARGAMENTO DO OBJECTO DE
HISTÓRIA

2. O contexto do surgimento da Escola dos Analles

A Escola dos Annales foi um movimento historiográfico surgido na França, durante a


primeira metade do século XX.

Desde o século XVIII, quando a História passou a ser notada como ciência, os métodos
de se escrever e pensar sobre História conquistaram grande evolução. A historiografia
passou por grandes modificações metodológicas que permitiram maior conhecimento do
cotidiano do passado, através da incorporação de novos tipos de fontes de pesquisa.
Ainda assim, no início do século XX, questionava-se muito sobre uma historiografia
baseada em instituições e nas elites, a qual dava muita relevância a fatos e datas, de uma
forma positivista, sem aprofundar grandes análises de estrutura e conjuntura.

Em 1929, surgiu na França uma revista intitulada Annales d’Histoire Économique et


Sociale, fundada por Lucien Febvre e Marc Bloch. Ao longo da década de 1930, a
revista se tornaria símbolo de uma nova corrente historiográfica identificada
como Escola dos Annales. A proposta inicial do periódico era se livrar de uma visão
positivista da escrita da História que havia dominado o final do século XIX e início do
XX. Sob esta visão, a História era relatada como uma crônica de acontecimentos, o
novo modelo pretendia em substituir as visões breves anteriores por análises de
processos de longa duração com a finalidade de permitir maior e melhor compreensão
das civilizações das “mentalidades”.

O novo movimento historiográfico foi muito impactante e renovador, colocando em


questionamento a historiografia tradicional e apresentando novos e ricos elementos para
o conhecimento das sociedades. Apresentava uma História bem mais vasta do que a que
era praticada até então, apresentando todos os aspetos possíveis da vida humana ligada à
análise das estruturas.
Entre as modificações apresentadas pela Escola dos Annales, estava a argumentação de
que o tempo histórico apresenta ritmos diferentes para os acontecimentos, os quais
podem ser de simples acontecimento, conjuntural ou estrutural. A obra de Fernand
Braudel, O Mediterrâneo, foi o grande símbolo da nova concepção apresentada. Ao
considerar a História não mais apenas como uma seqüência de acontecimentos, outros
tipos de fontes, como arqueológicas, foram adotadas para as pesquisas. Da mesma
forma, foram incorporados os domínios dos fatores econômicos, da organização social e
da psicologia das mentalidades. Com todo esse enriquecimento, a outra grande novidade
da Escola dos Annales foi a promoção da interdisciplinaridade que aproximou a História
das demais Ciências Sociais, sobretudo, da Sociologia.

A Escola dos Annales deixou sua marca bem notável da historiografia desde então e
continua existindo até hoje. Desde seu surgimento, passou por quatro fases e teve
grandes nomes como representantes de cada uma. A primeira delas, a fase de fundação,
é identificada por seus criadores Marc Bloch e Lucien Febvre. A segunda fase, já em
torno de 1950, é caracterizada pela direção e marcante produção de Fernand Braudel. A
partir da terceira geração a Escola dos Annales passou a receber uma identificação mais
plural, na qual destacaram-se vários pesquisadores como Jacques Le Goff e Pierre Nora.
A quarta geração da Escola dos Annales é referente a um período que se inicia em 1989,
neste momento há um desenvolvimento notório da História Cultural e os grandes nomes
que a representam são, por exemplo, Georges Duby e Jacques Revel.

a. Gerações

i. Primeira geração (1929-1949)

A primeira geração dos Annales é composta por seus fundadores, Marc Bloch e Lucien
Febvre que vão inaugurar no campo historiográfico o conceito de história-problema.
Contestavam a chamada história política, narrativa e dos acontecimentos. A partir de
múltiplas abordagens no campo social, os Annales vão estabelecer uma renovação
historiográfica. Bloch passou a relativizar o apreço aos documentos e fontes e a
valorizar à problemática, as interrogações feitas à fonte, de modo muito mais a
compreender o presente do que apenas organizar e sistematizar cronologicamente o
passado.

ii. Segunda geração (1946-1968)

Na segunda geração dos Annales, é Braudel que dá sequência na direção da revista


Annales d’historie économique et sociale. Braudel teve grande importância para a
inovação no conceito de tempo e da geo-história. Como afirma Braudel, “a história é
filha do seu tempo”. E por essa razão, suas ideias relacionam-se com pesquisas que
ocorreram e vinham ocorrendo em seu tempo. A influência de Ranke na disciplina é
percebida de forma negativa, a história produzida sob sua percepção é vista por Braudel
como uma história sem contexto, vinculada à filosofia da história e a ideia de eterno
retorno.

iii. Terceira geração (1968-1989)

A terceira geração dos Annales foi composta por diversos historiadores, entre eles,
Jacques Le Goff e Pierre Nora. Le Goff,aluno de Febvre, Bloch e Braudel,afirma que os
interessaes de Bloch e Febvre com a revista Annales d’historie économique et sociale
era construir uma nova história de esfera internacional. Mesmo reconhecendo que os
Annales tiveram inspiração em diversas revistas como Revue Historique, a Revue de
Synthèse, e a Vierteljahrschrift fur Sozial-und Wirtschaftsgeschichte, Le Goff afirma
que o trabalho de Bloch e Febvre na construção dos Annales é de grande originalidade e
produziu uma ruptura historiográfica. Eles teriam estabelecido um novo paradigma
historiográfico. Divergindo em partes com Le Goff, Peter Burke afirma que este novo
fazer historiográfico já vinha sendo pensado e produzido em trabalhos na Alemanha
com Gustav Schmoller e Karl Lamprecht, e na França com Henri Sée, Henri Hauser e
Paul Mantoux. Segundo Peter Burke, a revista dos Annales foi pensada com intuito de
exercer liderança intelectual no campo da história e sua principal inovação está na
abordagem interdisciplinar. Le Goff e Pierre Chaunu afirmam que há história enquanto
ciência é fruto do trabalho dos Annales e que se inicia em 1929.
iv. Quarta geração

A partir de 1989 inicia-se a quarta geração da escola dos Annales, destacando-se


entre seus membros Bernard Lepetit.

3. O papel da Escola dos Analles no alargamento do objecto de


História

a. Em Históriaa e as Ciências Sociais no início do século XX

Em 1903, um sociólogo chamado François publicou na revista “Revue de synthèse


historique” um importante artigo, que discutia a metodologia usada tradicionalmente
em história. Simiand no início do século já trazia em seu texto, idéias que de vinte anos
mais tarde, seriam reelaboradas e discutidas e modernizadas pelo Movimento dos
Annales.

Simiand era um sociólogo durkheimiano, que criticava a metodologia histórica hoje


conceituada como positivista em que se acreditava que o essencial na História seria
estabelecer os fatos. A sociologia no início do século constituía-se como uma nova
ciência social. Esta possuía um dinamismo e uma articulação com o social, que não se
possuía em História.

No início do século XX, nota-se na França um constante debate entre historiadores e


sociólogos, que trouxeram aproximações e ferrenhas distinções entre as duas
disciplinas. O texto de Simiand encontra -se situado entre estas constantes discussões e
debates. O autor acreditava que seria possível uma unidade metodológica para todas as
ciências sociais, incluindo a História. No entanto, a interdisciplinaridade que defendia,
era concebida a partir da existência de um modelo unificado que serviria para todas as
áreas do conhecimento humano.

Com as ciências sociais no início do século XX, o homem deixou de ser considerado
pelo pensamento como sujeito e tornou-se objeto. Na perspectiva de Simiand, a
constituição de uma verdadeira ciência social passaria por exigências conceituais como
da escolha de hipótese para a realização de uma pesquisa.

A Historia, na perspectiva sociológica, seria uma abordagem entre outras do fenômeno


social, além de dar conta dos fenômenos do passado. Possuía uma posição importante
entre as ciências sociais, mas não central.

Nos Annales, apesar da influência de Simiand e das ciências sociais, a


interdisciplinaridade, e a integração da História entre as ciências sociais, não seguem
exatamente o modelo Durkheimiano.

Diferente do que propunham os sociólogos, a partir dos anos 30 e por mais de uma
geração, o que ocorre é que a História será o centro das atenções entre as ciências
sociais, ou as ciências do Homem, como costuma-se denominar na França. A partir dos
Annales, a História deixa de ser uma disciplina preocupada com os meandros políticos,
para assumir a questão do social. Procurar entender a sociedade, as formas de
sociabilidade, nos diversos tempos vividos pelo homem, que caracteriza-se por ser um
ser social.

b. Objetivo da escola dos Annales

O grande objetivo da Escola dos Annales foi o de transformar a produção histórica,


mediante a incorporação de novos conceitos, metodologias e práticas. Em relação aos
pressupostos metodológicos criados pela Escola dos Annales, podemos considerar que
seus seguidores:

I. Valorizam o tempo linear, cristalizado.

II. Reconhecem todos os homens como sujeitos da História.

III. Procuram considerar todas as esferas da vivência humana.

IV. Consideram documentos de todos os tipos: iconográfico, sonoro, oral,


escrito, de cultura material.
A História, como uma disciplina a ser ensinada nos colégios e na universidade,
percebida como uma carreira intelectual, encontrava muito mais apoio e prestígio
durante o período das duas Grandes Guerras Mundiais, do que as outras ciências sociais
como a sociologia, e a antropologia. Pode-se dizer, que houve um certo imperialismo
dos Historiadores na França, calcados principalmente nas figuras de Bloch, Febvre e
posteriormente Braudel. O que inicialmente era uma revista marginal, tornou-se uma
publicação de grande prestígio na França.

4. As características da história nova

O termo “História Nova” ou “Nova História” foi lançado em 1978 por alguns membros
do chamado grupo dos Annales, conforme Guy Bourdé e Hervé Martin. Enquanto
proposta teórica, nasceu, de acordo com Peter Burke, juntamente com a fundação da
revista Annales, criada para “promover uma nova espécie de História”, por isso os
historiadores ligados à Nova História são vistos como herdeiros da Escola dos Annales.
No presente ensaio discutimos a historiografia dessa tendência teórica, seus conceitos,
como também sua aplicação prática como teoria para compreensão histórica.

a. As principais características da Nova História são:

1. Democratização;

2. Quotidiano do homem comum;

3. Novas fontes;

4. Multidisciplinaridade;

5. Multicausalidade.

6. História a três tempos:

 Eventual
 Conjuntural

 Estrutural

1.. Democratização como a essência do próprio nome,“democratizar”, significa


popularizar, tornar público, ou seja permitir a participação directa ou indirecta de todos,
o que obviamente leva-nos a suspeitar que a anterior história não era democrática ou
seja, excluía parte da sociedadeciedade, impedindo assim a participação alguns grupos
ou elementos que compunha a sociedade,. Pois, é verdade, a história anteriormente não
registava os feitos do Homem comum, registava sim só os feitos das elites (realeza,
nobreza e o clero).

2.. O quotidiano do Homem comum que antes era excluído dos registos históricos,
tornou-se um objecto de estudo precioso para compreender e estudar melhoras
condições em que o povo vivia, o que comia, quanto ganhava, quanto gastava na
alimentação etc.

3.. Novas

4.. Multidisciplinaridade;

5.. Multicausalidade.

6.. A História a três tempos resume-se a eventual, ou história a curto prazo, a


conjuntural que é a médio prazo e a estrutural a de longo prazo. A primeira, é uma
história de acontecimentos, ou melhor dizendo uma história ocorrido num curto espaço
de tempo.
5. Conclusão

Por tanto, quando há um grupo de historiadores ou, mesmo, duas ou três gerações de
historiadores que trabalham em torno de uma instituição específica, tal como uma
universidade ou uma revista universitária especializada, escrevendo sobre temas afins e
com um tipo de abordagem que esteja em sintonia, dá-se a esse grupo o nome de
“escola histórica” ou “escola de historiografia”. No século XX, uma das mais notáveis
escolas históricas foi a chamada Escola dos Annales, cuja atividade começou em 1929.
6. Bibliografia

BURKE, Peter. A Escola dos Annales: 1929-1989. São Paulo: Edit. Univ. Estadual
Paulista, 1991.

Reis, José Carlos – “Escola dos Annales – A inovação em história”. São Paulo , Paz e
Terra, 2000

Revel Jacques – “A invenção das sociedades”. Lisboa, Diefel, 1989

ARIES, Philippe. (1989) O tempo da História. Rio de Janeiro, Francisco Alves.

BANN, Stephen. (1994). As invenções da história. São Paulo, Ed. UNESP.


BARROS, José D’ Assunção. (2004) O campo da História. Petrópolis, Editora Vozes.

Você também pode gostar