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Noções espaciais em

imagens literárias
Luís Alberto Brandão

Seminário Imagem e Memória


Memória, História, patrimônio, paisagens e identidades urbanas
(PPGHIS-UFRJ)
Profa. Dra. Andrea Casa Nova

Leonardo José Iorio


Proposta de investigação
Análise da noção de espaço, sobretudo em textos literários, a partir de três concepções

de imagem:

Imagem espacial (Bachelard);

Imagem cronotópica (Bakhtin);

Imagem dialética (Benjamin).

- São tentativas de entender a imagem literária em suas relações com o espaço.


Proposta de investigação
A imagem dialética (Benjamin) como matriz de análise:

Opera em nível externo (dos espaços percebidos) e no nível interno (da própria

percepção do espaço).

Um tratamento dialético da relação objeto e método, que não podem ser

separados.

Método de investigação: montagem literária, a partir da imagem dialética.

> "Mostrar o espaço antes de dizer. Utilizar os objetos antes de inventariá-los.".

(adaptado)
A noção de intervalo
O projeto de Benjamin compreende uma tentativa de espacialização do pensamento,

onde os intervalos entre as partes essenciais, entre os momentos de reflexão, devem

ser preservados.

Brandão propõe entender os intervalos a partir de três perspectivas:

a) descontinuidades.

- cortes e rupturas.

b) simultaneidade.

- tensão e polarização.

c) externalidade.
As descontinuidades
Imagem dialética = imagem que lampeja.

Manifestação e apagamento.

O conhecimento seria formado por lampejos.

Confronta a ideia de que o conhecimento é contínuo.

"Fazer explodir a continuidade".

Pretende quebrar o pressuposto de continuidade associado ao tempo, à história e à

tradição.

Descontinuidade como condição obrigatória.


Divisões sucessivas

O escalonamento de diferentes segmentos para formas continuidades.

São diferentes recortes agrupados e organizados.

Descobre-se em um pequeno momento individual a importância para

compreender o acontecimento total.

Preocupação de Benjamin para que o agrupamento não se faça de forma aleatória,

para evitar a fixidez dos domínios.


A noção de corte
- As descontinuidades implicam a prática de cortes e rupturas na imagem benjaminiana.

- O corte como a ideia de "despertar" - uma ruptura em relação ao sono e uma forma de acesso

ao presente, de possibilidade de acesso ao conhecimento.

- O despertar seria uma forma de espacializar o tempo e seria através desse método que as

abordagens naturalistas e mitológicas seriam convertidas em abordagem histórica. Ocorre a

sua dissolução no espaço da história.

- Ideia de citação: arrancar de um contexto um dado fragmento. A criação de uma

descontinuidade.
Conclusões
- O método de Benjamin e a imagem dialética.

- As formas de espacialização do pensamento a partir de um conjunto de ideias acerca da

sua descontinuidade, tais como os intervalos, cortes e rupturas.

- Quebra do mito da continuidade na história, na tradição e no tempo.

- A descontinuidade como requisito ao acesso ao conhecimento e à espacialização do tempo

e do pensamento.

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