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UNIVERSIDADE ZAMBEZE

FACULDADE DE CIÊNCIAS DE SAÚDE

MEDICINA GERAL - V NÍVEL

IX SEMESTRE
 

CADEIRA: Saúde da comunidade VII

TEMA: Apresentação e Interpretação da Informação no Sistema de Informação em Saúde

Discentes: Docente:

Nélio Ilídio Mula Dra: Octávia Martins

Nércio Agricio Feliciano

Tomás Joaquim Charles

Tete, Setembro de 2020

 
SAÚDE DA COMUNIDADE VII

APRESENTAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DA INFORMAÇÃO NO SISTEMA DE


INFORMAÇÃO EM SAÚDE

___________________________________________

Discentes:

Nélio Ilídio Mula

Nércio Agricio Feliciano

Tomás Joaquim Charles

____________________________________________

Docente:

Dra: Octávia da Conceição A. Martins

Tete, Setembro de 2020


Resumo

O ciclo de informação é uma maneira diagramática de olhar para a informação; ele permite
ver as ligações entre as diferentes fases de colheita, processamento e análise, apresentação,
interpretação e uso da informação. Cada uma destas fases é um conjunto de processos
práticos. Na sua totalidade, as fases permitem entender por que o ciclo de informação é útil.

Informação é definida como um conjunto de dados que mereceu processamento de tal


modo que a sua nova forma e o seu novo conteúdo são apropriados para um determinado
uso. O processo de transformação de dados em informação através da formatação, filtração
e outras formas de processamento é uma das tarefas chave para os sistemas de informação.

A apresentação consiste na organização das informações em tabelas e gráficos. Estes meios


facilitam a análise e compreensão das informações, em particular os gráficos que
evidenciam visivelmente uma situação sobre a qual é talvez necessário tomar uma decisão.

A interpretação é a tentativa de encontrar explicações para um determinado acontecimento


e suas causas. Saber interpretar é a condição indispensável para poder escolher medidas
correctivas adequadas e evitar tomada de decisões precipitadas.

Palavras-Chave: Dados; Informação; Apresentação; Interpretação


Abstract

The information cycle is a diagrammatic way of looking at information; it allows us to see


the links between the different phases of information gathering, processing and analysis,
presentation, interpretation and use. Each of these phases is a set of practical processes. In
its entirety, the phases allow us to understand why the information cycle is useful.

Information is defined as a set of data that has been processed in such a way that its new
form and new content are appropriate for a particular use. The process of transforming data
into information through formatting, filtering and other forms of processing is one of the
key tasks for information systems.

The presentation consists of organizing the information in tables and graphs. These means
facilitate the analysis and understanding of information, in particular graphics that visibly
show a situation about which it is perhaps necessary to make a decision.

Interpretation is the attempt to find explanations for a particular event and its causes.
Knowing how to interpret is the indispensable condition for choosing appropriate corrective
measures and avoiding hasty decisions.

Keywords: Data; Information; Presentation; Interpretation


Lista de abreviaturas
SIS – Sistema de Informação em Saúde
BES – Boletim Epidemiológico Semanal
US – Unidade Sanitária
SNS – Sistema Nacional de Saúde
MISAU – Ministério da Saúde
DPS – Direção Provincial da Saúde
SDSMAS – Serviço Distrital de Saúde Mulher e Acão Social
VE – Vigilância Epidemiológica
VAT – Vacina antitetânica
Índice
1. Introdução........................................................................................................................7

1.1. Objectivos....................................................................................................................8

1.1.1. Objectivo Geral........................................................................................................8

1.1.2. Objectivos Específicos.............................................................................................8

2. Conceitos básicos do ciclo de informação em saúde.......................................................9

2.1. Visão do ciclo de informação.....................................................................................10

2.1.1. Passos de um sistema de vigilância........................................................................10

2.2. Apresentação da informação......................................................................................11

2.2.1. Tipos de gráfico e sua aplicação.............................................................................12

2.3. Interpretação da informação.......................................................................................15

3. Conclusão......................................................................................................................16

4. Bibliografia....................................................................................................................17
1. Introdução
O acesso à informação de saúde é um direito de todos, daí que a sua produção e
disseminação são deveres das instituições gestoras da saúde. O gestor deve assegurar que
todos tenham acesso à informação mediante a publicação das decisões e actuações
(conceito de transparência) e todos possam ter uma palavra no que se refere à informação
(conceito de participação)”.

O ciclo de informação em saúde é uma apresentação gráfica de todas as actividades


principais que possibilitam que dados colhidos nos serviços de saúde sejam analisados,
apresentados, partilhados e transformados em informação útil para tomar decisões e realizar
acções para corrigir problemas ou melhorar intervenções.

O ciclo é uma ferramenta de aprendizagem muito útil porque pode ser transformado em um
mecanismo para diagnosticar onde residem as limitações da manipulação de dados,
sobretudo aquelas que alteram a qualidade dos dados.

Neste trabalho buscar-se-á descrever o processo de apresentação e interpretação de dados.


Debruçando, sobretudo, em torno dos tipos de gráficos e sua aplicação.
1.1. Objectivos

1.1.1. Objectivo Geral


 Descrever o processo de apresentação e interpretação de dados no sistema de
informação de saúde

1.1.2. Objectivos Específicos


 Conceituar dado e informação
 Conceituar ciclo de informação
 Mencionar os passos do ciclo de informação em saúde
 Mencionar os tipos de gráficos e sua aplicação no sistema de informação
 Explicar o processo de interpretação da informação
2. Conceitos básicos do ciclo de informação em saúde
O ciclo de informação é uma maneira diagramática de olhar para a informação; ele permite
ver as ligações entre as diferentes fases de colheita, processamento e análise, apresentação,
interpretação e uso da informação. Cada uma destas fases é um conjunto de processos
práticos. Na sua totalidade, as fases permitem entender porque o ciclo de informação é útil
(MISAU, 2009).

A utilização de sistemas de informação para a saúde permite aumentar o conhecimento e


melhorar a qualidade dos serviços de saúde prestados a população. Estes sistemas, quando
combinados com as tecnologias de informação e comunicação (TIC) permitem integrar
dados provenientes das mais diversas fontes (MISAU, 2009).

Dados

São definidos como observações documentadas ou resultados de uma medição. A


capacidade de definir os dados que importa recolher é uma das características mais
importantes de um sistema de informação e contribui para determinar o seu grau de
desempenho (MISAU, 2009).

Informação

Um conjunto de dados que mereceu processamento de tal modo que a sua nova forma e o
seu novo conteúdo são apropriados para um determinado uso. O processo de transformação
de dados em informação através da formatação, filtração e outras formas de
processamento é uma das tarefas chave para os sistemas de informação. Pode afirmar‐se
que a informação é o resultado da agregação, manipulação e organização de dados dentro
de um contexto que possui significado e utilidade para um utilizador específico (MISAU,
2009).

Por exemplo:

Número de nados mortos durante o mês de Fevereiro de 2008 numa determinada


unidade sanitária Número de adultos suspeitos de cólera no mês de Novembro do 2000
num certo posto de saúde.
2.1. Visão do ciclo de informação
O conjunto de actividades rotineiras do pessoal de saúde referentes ao atendimento e
tratamento de pacientes, preenchimento de livros de registos, impressos entre outros,
encontra‐se inserido no ciclo de informação e recebe o nome de sistemas de informação
para a saúde (SIS). Em Moçambique, o SIS está organizado de forma a reflectir um ciclo de
informação integrando as fases de colheita/recolha, o processamento de dados, a análise,
apresentação e interpretação de informação, a retroinformação e o uso dessa informação
para a tomada de decisão.

Os elementos fundamentais para a realização das actividades rotineiras do SIS são: o Os


impressos (livros de registo e fichas) de rotina, para recolha semanal ou mensal dos casos e
óbitos, ou para notificação individual de casos e um controlo contínuo sobre os dados
(completos, atempados, precisos), contendo as normas de preenchimento

 Normas e procedimentos para a realização de inquéritos sobre surtos e epidemias


 Definições precisas de caso
 A lista de indicadores (seu conceito, método de cálculo, área de integração,
limitações na interpretação) das doenças a monitorar
 Fluxo e partilha de informação estável entre funcionários de saúde.

O ciclo de informação é uma apresentação gráfica de todas as actividades principais que


possibilitam que dados colhidos nos serviços de saúde sejam analisados, apresentados,
partilhados e transformados em informação útil para tomar decisões e realizar acções para
corrigir problemas ou melhorar intervenções.

2.1.1. Passos de um sistema de vigilância


a) Registo – consiste em anotar num impresso um caso diagnosticado, uma actividade
realizada ou um recurso recebido. Por exemplo: o clínico escreve (regista) no seu livro
de consulta um caso diagnosticado de malária.

b) Recolha – é o acto de transferência dos dados dos livros de registo ou das fichas diárias
para as fichas de resumo (diárias, semanais, mensais ou anuais), de modo a permitir a
organização dos dados em grandes categorias.
c) Elaboração – é o agrupamento dos dados para transformá-los em informação. Um dado
considerado isoladamente não permite a sua interpretação e, portanto, não é útil para a
tomada de decisões.

d) Apresentação – consiste na organização da informação em tabelas e gráficos, o que


facilita a sua análise e compreensão.
e) Interpretação – é a tentativa de encontrar explicações para um determinado
acontecimento e suas causas. Saber interpretar é a condição indispensável para poder
escolher medidas correctivas adequadas e evitar tomadas de decisões precipitadas.
f) Envio – consiste na entrega dos impressos de resumo ao nível superior, devendo seguir
o percurso estabelecido e respeitar os prazos de entrega. Por exemplo: na 3ª feira de
cada semana, o Boletim Epidemiológico Semanal (BES) da US correspondente à
semana epidemiológica anterior, deve ser enviada. O resumo de Lepra deve ser enviado
trimestralmente.
g) Recepção – é o acto de receber, numa instituição do SNS, os impressos enviados pelo
nível inferior.
h) Controlo de qualidade – para cada uma das 7 actividades precedentes, o controlo de
qualidade deve ser feito, ou seja, deve-se verificar se os dados estão completos, se são
oportunos, atempadas e confiáveis.
i) Retroinformação – consiste em devolver aos níveis inferiores (MISAU-DPS; DPS-
SDSMAS; SDSMAS-US) informação interpretada e com comentários. Exemplo: A
DPS deve enviar mensalmente a todos SDSMAS um resumo mensal do BES provincial
que inclui dados de todos os distritos com recomendações de como proceder para cada
caso particular julgado conveniente.

2.2. Apresentação da informação


A apresentação consiste na organização das informações em tabelas e gráficos. Estes meios
facilitam a análise e compreensão das informações, em particular os gráficos que
evidenciam visivelmente uma situação sobre a qual é talvez necessário tomar uma decisão
(Culuze e Sousa, 2020).
Por exemplo:

No caso do BES, o responsável da VE do Distrito deve actualizar mensalmente, o


gráfico dos casos de sarampo e de diarreia que foram notificados.

Imagem 1: Apresentação de dados usando Tabela

2.2.1. Tipos de gráfico e sua aplicação

Atualmente, é essencial saber interpretar os diferentes tipos de gráficos, seja para o


desempenho de determinada função, como para conseguir absorver informações úteis ao
cotidiano (Culuze e Sousa, 2020).

Gráfico de colunas

Um dos gráficos mais utilizados. Costuma ser utilizado para comparar quantidades,
apresentando variações que mostram a intensidade de determinado fenômeno, em
comparação com um período de tempo, por exemplo (Culuze e Sousa, 2020).
Imagem 2: Apresentação de informação em gráfico de colunas

Gráfico de barras

É similar ao gráfico de colunas, mas com os valores dos dados dispostos na posição
horizontal, enquanto que as informações comparativas aparecem na vertical (Culuze e
Sousa, 2020).

Imagem 3: Apresentação da informação em gráfico de barras


Gráfico de Pizza ou Circular

Também chamado de Gráfico de Setores, este modelo tem este nome por ter o formato de
uma piza (um círculo). Usado para reunir valores a partir de um todo, seguindo o conceito
da Proporcionalidade (Culuze e Sousa, 2020).

Imagem 4: Apresentação da informação em gráfico circular

Gráfico de linhas

Também chamado de Gráfico de Segmento, serve para apresentar valores (numéricos) em


determinado espaço-tempo. Mostra as evoluções e diminuições de determinado fenômeno
(Culuze e Sousa, 2020).

Imagem 5: Apresentação da informação em gráfico de linhas


2.3. Interpretação da informação
A interpretação é a tentativa de encontrar explicações para um determinado acontecimento
e suas causas. Saber interpretar é a condição indispensável para poder escolher medidas
correctivas adequadas e evitar tomada de decisões precipitadas (BARRETO, 2002).

Por exemplo:

Na sua análise anual, o núcleo de epidemiologia nota que diminuiu o número de


casos de tétano neo-natal notificados no Distrito. Encontrou como possíveis causas
que explicavam a diminuição: (a) ausência de notificação no BES, ou (b) melhoria
da higiene durante o parto pelas Parteiras Tradicionais ou (c) aumento da cobertura
da VAT em mulheres grávidas.
3. Conclusão

Dados são definidos como observações documentadas ou resultados de uma medição.


Informação, por sua vez, é um conjunto de dados que mereceu processamento de tal modo
que a sua nova forma e o seu novo conteúdo são apropriados para um determinado uso. O
processo de transformação de dados em informação através da formatação, filtração e
outras formas de processamento é uma das tarefas chave para os sistemas de informação.

O ciclo de informação é uma maneira diagramática de olhar para a informação; ele permite
ver as ligações entre as diferentes fases de colheita, processamento e análise, apresentação,
interpretação e uso da informação.

O ciclo de informação em saúde envolve os seguintes passos: registo, recolha, elaboração,


apresentação, interpretação, envio, recepção, controlo de qualidade e retroinformação.

A apresentação consiste na organização das informações em tabelas e gráficos. Estes meios


facilitam a análise e compreensão das informações, em particular os gráficos que
evidenciam visivelmente uma situação sobre a qual é talvez necessário tomar uma decisão.

O tipo de gráfico a usar na apresentação da informação depende do tipo de informação que


se pretende dar. O gráfico de colunas e o gráfico de barras costumam ser utilizados para
comparar quantidades; o gráfico de Pizza ou Circular permite demonstrar o conceito da
proporcionalidade e o gráfico de linhas serve para apresentar valores (numéricos) em
determinado espaço-tempo.

A interpretação é a tentativa de encontrar explicações para um determinado acontecimento


e suas causas. Saber interpretar é a condição indispensável para poder escolher medidas
correctivas adequadas e evitar tomada de decisões precipitadas.
4. Bibliografia
CULUZE, Jaime B., SOUSA, Honório F. A.; Manual Prático Sis, Monitoria & Avaliação
E Planificação Em Saúde; Direcção Provincial de Saúde; Zambézia; 2020.

MINISTÉRIO DE SAÚDE (2009); Curso Integrado De Planificação, Monitoria E


Avaliação E Sistemas De Informação Em Saúde; 1ª edição; s/l; 2009.

MISAU; Disciplina de Deontologia I; Disciplina de Saúde da Comunidade; Currículo do


Curso de Técnicos de Medicina Geral; 2012.

BARRETO, Avertino; GUJRAL, Lorna ; MATOS, Carla Silva; Manual De Vigilância


Epidemiológica Para O Nível Distrital; 3ª edição; DNS-DEE-Gabinete De Epidemiologia –
Ministério Da Saúde; Maputo, 2002.

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