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Tema: Como a sociedade brasileira elabora a questão

indígena?
TEXTO I 

A constituição federal define os direitos dos índios sobre suas terras como “direitos originários”, isto é,
anteriores à criação do próprio Estado e que levam em conta o histórico de dominação da época da
colonização. Também há garantias aos povos indígenas em  outros dispositivos ao longo do texto
constitucional. No Artigo 232, é garantida aos povos indígenas a capacidade processual, ao  trazer
expresso que “os índios, suas comunidades e organizações, são partes legítimas para ingressar em juízo,
em defesa dos  seus direitos e interesses”.  
Apesar de o texto magno ter estabelecido um novo panorama sobre os direitos dos povos originários do
Brasil, a concretização dessa ruptura ainda está́ em curso, segundo os especialistas entrevistados. “A
quebra que existe entre a formulação e a execução desses direitos é de política de governo. Nós temos
boas leis. Mas para executá-las, precisamos combater o racismo que é histórico,  estrutural, institucional”,
considera a especialista em direitos indígenas Daiara Tukano. “Até esses direitos serem respeitados e de
o cidadão brasileiro comum vir, de fato, a respeitar e até a se orgulhar dos indígenas são, quem sabe,
outros quinhentos anos”,  acrescenta.  

“POVOS INDÍGENAS: CONHEÇA OS DIREITOS PREVISTOS NA CONSTITUIÇÃO”


HTTPS://AGENCIABRASIL.EBC.COM.BR (19.04.2017)   

TEXTO II
TEXTO III 

Brasileiros de todas as regiões do País estão morrendo devido à Covid-19. E quando a questão são os
povos originários, a situação não é diferente. Há duas semanas, eram 22.325 infectados pelo novo
coronavírus (Sars-coV-2) em 148 povos. Óbitos estavam na  casa dos 633. Desde então, foram
registrados mais 4.118 casos e 57 mortes entre indígenas. Além disso, o número de povos  afetados
chegou a 155, de acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).  
Há focos da doença em locais como a reserva do Terena, na região de Aquidauana e Anastácio, no Mato
Grosso do Sul, onde 648  pessoas pegaram Covid-19 e 18 morreram. Ainda assim, o governo federal
rejeitou, na última quinta-feira (20), uma proposta do  Médicos Sem Fronteiras (MSF) para atuar em 11
comunidades indígenas locais, com uma população de 6 mil pessoas. 
"COMUNIDADES INDÍGENAS SÃO AFETADAS PELA COVID-19"HTTPS://ULTIMOSEGUNDO.IG.COM.BR
(21.08.2020) 

TEXTO IV 

Ao dominar a natureza, o homem ocidental pensa que pode chegar à felicidade. No contexto da
sociedade indígena, no entanto, a  felicidade é posta em outro lugar e os esforços são investidos em
outros campos.  
A natureza não é objeto para ser simplesmente explorado. Nessa atitude de respeito, as sociedades
indígenas chegaram a um  equilíbrio perfeito, utilizando uma tecnologia que, comparativamente à do
Ocidente, é muito simples.  
DANIEL MUNDUKURU. O BANQUETE DOS DEUSES: CONVERSA SOBRE A ORIGEM E A CULTURA
BRASILEIRA  

TEXTO V

Sabemos como o “ser indígena” está profundamente ligado à terra e às diversas territorialidades. E ser
integrado, ou assimilado,  significa deixar de “ser índio”, de acordo com o que a sociedade brasileira
entende como “ser índio”. As populações tradicionais, ao  serem “desindianizadas” são transformadas em
“mestiços”, “caboclos” ou “bugres”, e, por conseguinte, passam a ser  “invisibilizadas”. A terra indígena
tem proteção constitucional desde a Constituição de 1934. A terra de “mestiços”, “caboclos” ou  “bugres”,
todavia, está livre para ser tomada.  
“INTEGRAÇÃO” DOS POVOS INDÍGENAS: A POLÍTICA DO RETROCESSO WWW.CARTACAPITAL.COM.BR
(17.01.2019)  

TEXTO VI
TEXTO VII

O senso comum desconhece a noção de cultura, que é um processo contínuo de transformação. Os


povos indígenas sempre  incorporaram hábitos e tecnologias seja uns dos outros, seja de sociedades
vizinhas como os Incas, com os quais algumas etnias  da Amazônia ocidental estabeleciam contato antes
da invasão dos europeus.  
Toda cultura é por definição aculturada, isto é, resultado de um processo contínuo de apropriação de
conhecimentos e práticas alheios. O senso comum pode até se dar conta de que tal processo acontece
com a sociedade brasileira, que é mais brasileira  quanto mais incorpora hábitos orientais, europeus ou
africanos. Mas não quando se trata das sociedades indígenas. A ótica colonialista corrente imagina que
índios são espécimes de museus, que devem permanecer sempre congelados para quem sabe, 
merecerem os seus direitos. Esquece-se assim de que os índios são pessoas reais, dotadas de tradições
dinâmicas que, assim  como outras tantas, são sempre traduções.  
PEDRO CESARINO, ANTROPÓLOGO. “O QUE É SER INDÍGENA NO BRASIL HOJE, SEGUNDO 3 JOVENS E 2
ANTROPÓLOGOS” HTTPS://WWW.NEXOJORNAL.COM.BR (29.04.2017)  

REPERTÓRIO:

 Romantismo (1ª geração) – livro Iracema – idealização do índio (puro, inocente)


 Colonização
 Poema “Erro de Português” – Oswald de Andrade
Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.

 Prefeitos indígenas: https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2020/eleicao-em-


numeros/noticia/2020/11/16/indigenas-se-elegem-para-prefeituras-de-8-
municipios-no-1o-turno-apenas-um-e-mulher.ghtml
 Carta de Pero Vaz de Caminha
 Comemorações do dia do índio (sempre clichê)
 Índios – Legião Urbana

PONTOS IMPORTANTES:

 Demarcação de território x razão econômica - agronegócio (o modo de vida


indígena não é produtivo, anticapitalista)
 Participação na política (pouca, como se o índio fosse incapaz)
 Criação de um estereótipo indígena, se ele não corresponde a esse estereótipo
não é indígena: O índio como um selvagem que deve ser civilizado (herança da
colonização).