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Nutrição no tratamento e prevenção da úlcera de decúbito

As úlceras de decúbito ou efeito de suplemento nutricional


úlcera de pressão, ou ainda em grupos com úlcera de pressão
escaras, são alterações da e puderam concluir que além d e
integridade da pele que resultam promover um melhor estado
em lesões que acometem nutricional, o tempo de
pacientes hospitalizados e têm hospitalização e a mortalidade
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sido motivo de preocupação tanto foram minimizados .
da equipe de enfermagem quanto De acordo com Waitzberg
da equipe multidisciplinar. (2000), a resposta fibroblástica ás
Resultam de uma complexa feridas é prejudicada pela
interação entre fator es de risco depleção de proteínas e energia,
externo e interno como f orça promovendo uma cicatrização
mecânica excessiva, imobilidade, mais lenta 9. As células são
incontinência, idade avançada e basicamente compostas por
outros. De acordo com Rogenski e proteínas e as proteínas
Santos (2005), a incidência dessas compostas por aminoácidos que
lesões pode variar em torno de por sua vez são essenciais à
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3,2% a 66% . neovascularização, síntese de
Estudos apontam a colágeno, proliferação fibroblástica
desnutrição como fator de risco e produção de linfócitos. Neste
para o desenvolvimento de úlceras caso, quando ocorre a d epleção
de decúbito e também no retardo protéica, ocorre então a inibição
da cicatrização de lesões já da proliferação fibroblástica ,
existentes 1. A cicatrização é um prolongamento da fase
processo complexo dividido em inflamatória, redução da síntese
três fases e influenciado por vários de colágeno, redução da força
motivos dentre eles o estado tênsil da ferida e conseqüente
nutricional. Larsson et al (1990) e aumento da taxa de infecção 9.
Delmi et al (1990) verificaram o
Existe ainda, uma apresenta todos os aminoácidos
classificação para os estágios da essenciais e em proporções
úlcera de pressão de acordo com a adequadas. Além disso, possui
profundidade de rápida digestão e lent a passagem
comprometimento tecidual, que pelo intestino, promovendo maior
pode variar de I até IV. O primeiro absorção de aminoácidos e
estágio é caracterizado pela peptídeos pelo organismo. As
alteração da pele, na consistência proteínas do soro do leite
do tecido, pode causar sensação apresentam atividade biológica
de coceira ou queimação e em como ação antimicrobiana,
pessoas de pele clara o cicatrização de feridas, imunidade
aparecimento de eritema e em passiva, fator de crescimento para
pessoas com a pele mais escura bifidobactérias, atividade
pode aparecer descoloração, imunomoduladora, atividade
manchas roxas ou azuladas. No antiinflamatória, ligação entre
estágio II ocorre a perda da plaquetas e outras atividades 8.
epiderme, derme ou então de Devido ao quociente de eficiência
ambas. O surgimento de bolhas ou protéica (PER) elevado e excelente
orifícios rasos é comum nessa perfil aminoacídico, a proteína do
fase. O estágio III envolve perda soro do leite torna-se perfeita para
de pele com necrose subcutânea e complementar outras fontes
no estágio IV ocorre destruição de protéicas como a proteína isolada
músculos, ossos e outras de soja e caseinato de cálcio. A
estruturas 1. proteína isolada de soja, por sua
Mais do que a quantidade, vez, além de ter valor biológico
oferecer uma dieta com nutrientes equivalente ao de fontes protéicas
de qualidade torna -se essencial de origem animal, apresenta
em todas as fases, mas em aminoácidos anabólicos como
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especial nas fases I e II . O aporte arginina e glutamina .
de proteínas de alto valor biológico Além das proteínas,
como a proteína do soro do leite é algumas vitaminas e minerais
uma excelente opção, pois exercem papel importante no
processo de cicatrização como Outro mineral de
vitamina A, C, K, vitaminas do importância no processo de
complexo B, ferro, cobre, zinco e cicatrização da úlcera de decúbito
até mesmo manganês . A vitamina é o cálcio, pois atua como co-fator
C ou ácido ascórbico atua na necessário para coagulação
hidroxilação da prolina, lisina e sangüínea e o manganês
também na síntese de colágeno. importante na síntese e ativação
Além disso, a vitamina C otimiza a de protrombina na presença da
absorção e utilização do ferro, vitamina K 9.
outro nutriente essencial no Como foi colocado
processo de cicatrização. O ferro, anteriormente, o processo de
componente essencial de algumas cicatrização compreende três
enzimas como hemoglobina, fases, nas quais a nutrição atua de
mieloglobina, participa da forma essencial e efetiva . De
hidroxilação da prolina e lisina na acordo com EPUAP (European
síntese de colágeno e age Pressure Ulcer Advisory Panel ),
juntamente com o cobre 9. South Australian D epartment of
O zinco é um íon health e Guideline 2004, o objetivo
fundamental presente em primário deve ser a correç ão da
enzimas, proteínas, carboidratos, desnutrição protéico -calórica,
lipídeos e ácidos nucléicos . Além sendo dada atenção atualmente à
de ação antioxidante, o zinco atua qualidade protéica ofertada , mais
na regulação hormonal da divisão do que a quantidade. Com o
celular, sendo que o eixo do intuito de promover a qualidade de
hormônio gonadotrófico e o IGF -1 vida de tais pac ientes, a
é responsivo ao estado nutricional intervenção nutricional deve ser
do zinco, conforme Fernandes e iniciada logo aos primeiros sinais
Mafra (2005)2. Deficiência de zinco de alteração da pele, seja quanto
tem sido associada à à cor, temperatura ou umidade,
susceptibilidade a infecções (livro prevenindo futuras úlceras ou em
materese), pois atua no sistema estágio inicial 1,3,7,9.
imunológico 2,3,5.
Referências
1. European Pressure Ulcer Advisory Panel. Directrizes de nutrição na
prevenção e tratamento de úlceras de pressão. 2003.
2. Fernandes, AG e Mafra, D. Zinco e câncer: uma revisão. Revista Saúde e
Com. 1 (2):144-156. 2005.
3. Koury, JC. E Donangelo, CM. Zinco, estresse oxidativo e atividade física.
Revista Nutr. Campinas. Out/dez. 2003.
4. Magnoni, D e Emed, T. Revisão Clínica sobre proteína de soja. The Solae
Company. 2005.
5. Matarese, LE e Gottschlich, MM. Contemporary Nutrition Support Practice. A
Clinical Guide. 1998.
6. Rogenski, N M B e Santos, V L C G. Est udo sobre a incidência de úlceras por
pressão em um hospital universitário. Revista Latino-am Enfermagem, Julho
/ Agosto. 2005.
7. South Australian Department of Health. Pressure ulcer prevention &
Management Practices Integration of Evidence. 2003.
8. Walzem R L, Dillard C S, et al. Whey Components: M. Llenia of evolution
createsfunctionalities from mamalian nutrition: "What we know and what we
may be over looking". Critical Reviews in Food Science.
9. Waitzberg D L. Nutrição Oral, Enteral e Parenteral na Prática clínica. São
Paulo:Editora Atheneu. 2000.

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