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COLÉGIO ESTADUAL JOSÉ RIBEIRO DE

ARAÚJO NTE 01 –
CANARANA/BAHIA

ESTUDANTE:
COMPONENTE CURRICULAR: LINGUAGENS PROFESSOR(A):
SÉRIE: TURMA: TURNO: UNIDADE:

ACC – LINGUAGENS 04/09/2021

Texto 1
ORIGEM DOS JOGOS PARALÍMPICOS

Desde o final do século XIX existiam clubes esportivos que estimulavam a prática
desportiva entre jovens com necessidades especiais. Inicialmente, para deficientes auditivos e, já
no início do século XX, iniciou-se a prática com deficientes visuais. Após a Segunda Guerra
Mundial, objetivando a integração social e reabilitação física de ex-combatentes, esportes
passaram a ser adaptados a um grande público com necessidades especiais. Foi nesse período
que o neurologista e neurocirurgião judeu-alemão Ludwig Guttmann (03.07.1899 – 18.03.1980)
inaugura, com o apoio do governo da Grã-Bretanha, um Centro para Tratamento de Traumas
Medulares no Hospital de Stoke Mandeville para tratar soldados britânicos. Na 2ª Guerra
Mundial, muitos soldados britânicos perderam membros do corpo ou a capacidade de audição
e visão, com isso foi inserido o uso da prática esportiva no processo de tratamento. Com os
progressos obtidos, o Dr. Ludwig tem a ideia de organizar uma competição esportiva entre os
pacientes exatamente no dia da Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Londres, em
1948. A primeira competição para atletas de cadeira de rodas foi nomeada como ‘Jogos Stoke
Mandeville´. A partir daí, surge a ‘International Stoke Mandeville Games’ e é marcado o
ponto inicial para evolução do esporte paralímpico. Nos jogos de Stoke Mandeville de 1948, 16
veteranos de guerra participaram das disputas. O sucesso da competição fez com que
portadores de deficiência de outras nações praticassem esportes, o que permitiu que em 1952
acontecesse os Jogos Internacionais de Mandeville, com 130 esportistas ingleses e holandeses.
Com o passar do tempo, o exercício de reabilitação evoluiu para o esporte recreativo, depois
para o esporte competitivo e outras competições aconteceram. A evolução foi tão grande que
em 1960, na cidade de Roma (Itália), finalmente houve a primeira Olimpíada dos Portadores
de Deficiência, a atual Paralimpíadas e teve a participação de 23 países e 400 atletas, todos
cadeirantes. Com isso foi realizada a primeira edição dos Jogos Paralímpicos. Desde então, a
cada quatro anos, há uma edição. Durante esta primeira edição, foi criado um grupo de
trabalho internacional sobre o desporto para deficientes objetivando estudar os problemas da
prática esportiva por pessoas com necessidades especiais. Em 1964, esse grupo criou a
Organização Internacional de Esporte para Deficientes (IOSD) ampliando a representatividade de
atletas deficientes visuais, amputados, pessoas com paralisia cerebral e paraplégicos. Uma maior
organização possibilitou a realização, em 1976, na cidade de Ornskoldsvik (Suécia), dos
primeiros jogos Paralímpicos de inverno - até Vancouver 2010, foram realizadas 10 edições.
Diversas entidades internacionais representando portadores de necessidades especiais se
uniram e, no dia 22 de setembro de 1989, em Dusseldorf (Alemanha), foi criado o Comitê
Paralímpico Internacional (CPI ou IPC, em inglês) para atuar como o órgão regulador global
do movimento paralímpico. A estrutura do IPC é feita de representantes de 162 comitês
paralímpicos nacionais, 4 organizações internacionais para o desporto destinado aos deficientes,
5 organizações regionais e 6 federações internacionais de desporto. A partir de um acordo
entre o IPC e o COI, desde os Jogos de Seul (Coréia, 1988) e dos Jogos de Inverno de
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Albertville (França, 1992), as edições acontecem nas mesmas cidades e locais dos Jogos
Olímpicos. No Brasil, o esporte começou a se popularizar a partir de 1958 quando Robson de
Almeida Sampaio funda o Clube do Otimismo (RJ) e Sergio Delgrande o Clube dos
Paraplégicos (SP) – o que viabiliza a criação dos primeiros times de basquete sobre rodas no
país. Em 1959, no Maracanãzinho (Rio de Janeiro) é realizada a primeira disputa
paradesportiva brasileira com atletas dos dois clubes. Só em 1969, que o Brasil começa a
participar das primeiras competições internacionais e, somente nos Jogos de Heidelberg
(Alemanha, 1972), faz sua estreia em Jogos Paralímpicos (em inglês, Paralympic Games).
Seguindo recomendação do COI, em novembro de 2011, quando lançou a logomarca dos
Jogos Paralímpicos Rio 2016, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) adotou a expressão
“paralímpico” em substituição a “paraolímpico”.

TEXTO 2

De Paraolimpíada a Paralimpíada: por que a mudança?


Afinal, existe uma forma correta de se referir ao evento? Segundo linguistas ouvidos pela BBC
Brasil, o termo correto deve manter o "o" como em 'paraolimpíada'. Segundo os organizadores, no
entanto, a forma correta de se referir ao evento é 'paralimpíada', sem o "o".
Contactado pela BBC Brasil, o Comitê Paralímpico Internacional disse que, desde sua
fundação em 1989, usa o termo "Paralímpiada", do inglês "Paralympics", e que nunca se referiu às
competições de outra maneira em inglês. Alguns países, entretanto, entre eles o Brasil, optavam por
"Paraolimpíada" por questões linguísticas.
Segundo linguistas consultados pela BBC Brasil, o vocábulo "paralimpíada" vai contra a
evolução natural das palavras em português com a supressão do "o" na junção do "para + olimpíada".

Entenda
Até 2011, no Brasil, as competições eram chamadas oficialmente de "Paraolimpíada" ou "Jogos
Paraolímpicos" e os participantes eram conhecidos como "atletas paraolímpicos".
Naquele ano, no entanto, após os Jogos Panamericanos de Guadalajara, no México, o CPI
determinou que todos os comitês nacionais padronizassem o termo "Paralimpíada" e, por
consequência, "Jogos Paralímpicos" e "atletas paralímpicos". O comitê brasileiro acatou a
determinação e mudou a terminologia.
Para Paulo Ledur, mestre em linguística aplicada pela PUC-RS e professor aposentado de
língua portuguesa da Escola Superior do Ministério Público do Rio Grande do Sul, a decisão das
autoridades esportivas brasileiras de suprimir o "o" a pedido do Comitê Paralímpico Internacional
gerou "mal-estar".
"Acho que não deveria ter sido retirado porque isso não é característica da língua portuguesa.
Assim como afetou a autonomia do português, certamente, deve ter afetado outras línguas latinas,
como o espanhol", diz Ledur à BBC Brasil.
"Eu continuaria utilizando 'Paraolimpíada', sem dúvida nenhuma. Não há impedimento para
quem quiser fazer isso, na forma falada ou escrita, muito pelo contrário".
Uma das principais publicações do país, a Folha de S. Paulo, por exemplo, optou por não usar
"paralimpíada". Em um artigo publicado no jornal, o colunista e professor de língua portuguesa
Pasquale Cipro Neto argumenta que "não faz o menor sentido" retirar o "o" da palavra.
Para ele, no processo de junção na nossa língua, o que ocorre é a supressão da vogal final do
primeiro elemento e não da vogal inicial do segundo elemento - ou seja: "para+olimpíada" faria com
que o "a" de "para" fosse suprimido, e não o "o" de "olimpíada". Teríamos como resultado deste
processo, que reflete a forma como as pessoas pronunciam a palavra, o vocábulo 'parolímpico'.
Pasquale cita comos exemplos equivalentes duas palavras: hidrelétrico e gastrintestinal.
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Evolução do idioma e razões comerciais


Ledur diz que, além da regra usual de construção dos vocábulos com o prefixo "para", há outro
motivo pelo qual a supressão do "o" no termo não faria sentido.
"A evolução de um idioma se dá sempre de 'baixo para cima'. Ou seja, quando a população
começa a usar mais uma forma do que a outra, os dicionários e linguistas podem passar a adotá-la, e
nunca o contrário, quando um termo é sugerido de 'cima para baixo', como é o caso com a
'Paralimpíada'", explica.
A padronização, como reconhece o próprio Comitê Paralímpico, tem também origens
mercadológicas. "Um motivo mais pragmático para não usar o termo 'Paraolímpico' é que violaria os
direitos do Comitê Olímpico Internacional ligados ao nome 'Olímpico' como marca registrada", explica
o site oficial das Paralimpíadas.

Origens
As origens do termo, seja "Paraolímpiada" ou "Paralimpíada", não são claras. Em inglês,
entretanto, parece haver menos controvérsia do que em português e a versão sem o "o" predomina em
referências históricas. Segundo explica o CPI, a palavra provavelmente surgiu nos primórdios dos
jogos, na década de 50, com a junção das palavras 'paraplégico' e 'Olimpíada'. Essa tese é reforçada
pelas primeiras referências escritas ao termo, como um artigo de 1954 que fala em "Paraplegic Games"
ou a "Paralympic Tokyo 1964".
Mas, com o passar do tempo, outros tipos de deficiência foram incorporados aos jogos e a
interpretação original do termo - que se referia apenas a paraplégicos - foi deixada de lado. A
interpretação atual do CPI é a de que o termo "Paralimpíada" indica que o megaevento acontece "em
paralelo à Olimpíada" e que os dois movimentos do esporte internacional convivem lado a lado. O
significado dos jogos mudou, mas a palavra em inglês permaneceu a mesma.
Em português, especialistas brasileiros sugerem o emprego do termo "Paraolimpíada" como o
que melhor reflete não apenas o significado atual dos jogos como também o processo natural de
formação de palavras no nosso idioma.

PARA COMPLEMENTAR A LEITURA ASSISTA O VÍDEO A SEGUIR:

https://www.youtube.com/watch?v=0E1GjjXAkSE

Após realizar a leitura dos textos e assistir ao vídeo, respondam as questões a


seguir:

1. O ínicio da utilização das atividades esportivas para as pessoas com deficiência era
restrito, inicialmente para os deficientes auditivos e posteriormente para os deficientes
visuais. Com quais objetivos estas atividades foram ampliadas para um grupo maior de
pessoas com deficiencias diversas?
2. Os sucessos obtidos com a utilização da pratica esportiva para reabilitação de soldados
que perderam membros do corpo, a visão ou a audição levou o neurologista e
neurocirurgião judeu-alemão Ludwig Guttman, responsável pela reabilitação, criasse
as primeiras competições para este público. Quando, onde e quais países participaram
da primeira edição dos Jogos Paralímpicos?
3. Quando e quem foi responsável pela popularização do esporte paralímpico no Brasil?

4. Quais foram os motivos que levaram o comitê Paralímpico a substituir o termo


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“Paraolimpíco” pelo termo Paralímpico?

5. Porque, segundo o texto, o termo Paralímpico não é correto e adequado?

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