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Ano XXI  N.º 209  Fevereiro/2004  1.

25€

Jornal da Liga
dos Bombeiros
Portugueses.
Fundado em
Junho de 1982

CONTAS POR SALDAR

Bombeiros
continuam
“a arder”

Foto: Rogério Oliveira

Os bombeiros, de Norte a Sul do País, continuam à espera que o serviço regularize as contas da última época de incêndios. E nem a
declaração de calamidade pública ajudou. Pelo contrário, transformou-se num problema ainda maior do que o normal pagamento das
verbas do DECIF. Falta dinheiro e, sobretudo, faltam meios. Os bombeiros estão preocupados e deixam a pergunta: estará o problema
dos meios para a próxima época de incêndios resolvido em tempo útil? Págs. 11 a 13

VISEU ACOLHE FÓRUM NACIONAL


INTERNET
“Incêndios
não são um problema dos bombeiros”
Visões criticas, análises construtivas, recados e apelos. Tudo isto foi possível
ENB à “distância de um clique”
ouvir no Fórum Nacional Sobre Incêndios Florestais, que decorreu no passado dia
31 de Janeiro em Viseu.
Págs. 14 e 15

CARLOS MARTINS, SECRETÁRIO DE ESTADO DA SAÚDE A Escola Nacional de Bombeiros conta, desde o final do ano
passado, com duas novas páginas na Internet: www.enb-
“Bombeiros são parceiro insubstituível” infonet.com e www.enb-lojavirtual.com. Tirar dúvidas, en-
trar em conversação com formadores, marcar reuniões, ter
São várias as questões que os bombeiros têm para colocar ao Ministério da Saú- acesso a salas de aula ao vivo são valias destes “sítios”. O
de. O jornal “Bombeiros de Portugal” entrevistou Carlos Martins para saber o que “BP” fez uma viagem por estes dois endereços electrónicos
pensa o governante sobre algumas das matérias que unem a área do socorro à que colocam a ENB à distância de um simples “clique”.
saúde. Pág. 9
Págs. 17 a 19
2 ABERTURA FEVEREIRO 2004

EDITORIAL ÍNDICE

É frequente Viseu debateu incêndios florestais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5

Incêndios:

Foto: Rogério Oliveira


Comissão Parlamentar recebeu SNBPC e INEM . . . . . . . . . 6 e 7

Mundo:
Portugal é o mais vulnerável a cheias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8

Destaque:

Foto: Rogério Oliveira


António Moura e Silva Como estão as contas
dos incêndios florestais de 2003? . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 a 13
D izer-se Ano Novo, Vida Nova, mas parece
que tal adágio não é seguido por aqueles
que mais responsabilidades têm sobre a manu- Reportagem:
tenção dos corpos de bombeiros no nosso país.
E, apesar dos graves problemas que ocorre- ENB aposta na internet
ram no ano findo e do propósito moral de acabar para chegar aos bombeiros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 e 15
de vez com tudo que possa molestar a missão
altruísta dos nossos bombeiros, o certo é que
surgiram ainda casos que têm de terminar de Entrevista:
vez. Com o secretário de Estado da Saúde,
E se é certo que no nosso espírito paira ainda
a verdadeira catástrofe dos fogos florestais que Carlos Martins . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 a 19

Foto: Rogério Oliveira


tanto destruíram o nosso país, a verdade é que o
dano moral subsiste a agravar a obra dos nossos
Opinião . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
bombeiros, que não foram ressarcidos dos preju-
ízos incalculáveis causados no seu material de
socorro, o que de certo modo os inibe de prestar Cara a Cara:
serviço útil no Verão que se avizinha.
E tudo isto é doloroso para aqueles abnegados com Mónica Sintra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
soldados da paz que ficam impedidos de salvar
vidas e haveres das populações a seu cargo.
LBP definiu calendário para prémio
Estamos a viver uma época dolorosa e não
antevemos que as nossas autoridades, de quem “Bombeiro de Mérito” . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23

Foto: Rogério Oliveira


dependemos e a quem servimos, tenham essa
preocupação, evitando-se males maiores e a
destruição do nosso querido Portugal. Ministro da Agricultura apresenta plano para a floresta . . . . 24

O Director
FEVEREIRO 2004 ACTUALIDADE 3
PONTO DE SITUAÇÃO

Absurda intriga
N ão tenho por hábito comentar o que os jornais e revis-
tas publicam, no exercício da liberdade de imprensa
– um dos pilares da nossa democracia -, mesmo que o
lizada no pavilhão Atlântico, no passado dia 12 de Dezem-
bro.
Se a referida senhora tivesse noção das regras elemen-
tema em causa sejam os bombeiros que, na qualidade de tares da prática jornalística, ter-se-ia certificado que não foi
Presidente do Conselho Executivo da Liga dos Bombeiros a Liga que organizou esta festa, mas sim a Comissão de
Portugueses, tenho a honra de representar. Apoio às Vitimas dos Incêndios e a RTP. Teria ainda conclu-
Por razões acrescidas tenho-me recusado a perder tem- ído que ninguém teve intervenções por decisão da Organi-
po com uma folha colorida que se publica por aí, impro- zação. Teria finalmente evitado o absurdo de escrever que
priamente intitulada Revista dos Bombeiros. esta festa foi uma preparação para o Congresso da Liga.
Desde há muito que a referida “folha colorida“ nos habi- Apesar de constrangido pelo espaço que estou a ocupar
tuou à especulação, ao ataque gratuito e ao uso e abuso neste jornal com a tal folha colorida, tenho obrigação de
do jornalismo de cordel, razões mais do que suficientes formular ainda uma nota final.
para a ignorarmos. A senhora editora “responsável pela publicação” diz no
Porém, na edição distribuída no último Fórum Nacional seu texto que a Liga é “maioritariamente controlada por
sobre Incêndios Florestais – por gentileza da Liga dos partidos da oposição ao Governo”.
Bombeiros Portugueses e da Federação de Bombeiros do Com esta afirmação, a senhora revela ainda a sua ape-
Distrito de Viseu, a referida folha insere um editorial, as- tência para as conspirações políticas.
sinado por uma senhora que na ficha técnica é identificada A esta “não notícia” só vale a pena responder com um
como “Editor Responsável pela Publicação”, que constitui convite à senhora: por favor, não envolva a Liga e os seus
um exercício de intriga de baixo nível. dirigentes nas suas acções de insinuação junto dos gover-
A referida senhora tem o direito de escrever os dispara- nantes, principalmente recorrendo a classificações de or-
tes que quiser. A referida senhora, naturalmente, precisa dem política de pessoas que não conhece e que, também,
da intriga e da especulação – tão própria da escola jorna- não têm qualquer interesse em conhecê-la.
lística que parece possuir – para se afirmar e justificar a E já agora, quanto ao título da capa da folha colorida a
folha colorida que edita. A referida senhora gosta de agra- que nos temos estado a referir – Liga dos Bombeiros Por-
dar ao poder, a qualquer preço. tugueses intimida Governo com proposta musculada – só
Porém, esta senhora não tem o direito de produzir juí- resta dizer que é digna de um filme de “cowboys”.
zos caluniosos, como é o de responsabilizar a Liga e os
seus dirigentes pela vaia que visou o Senhor Ministro da Duarte Caldeira
Administração Interna na homenagem aos bombeiros rea- Presidente do CE da LBP

JORNAL BOMBEIROS DE PORTUGAL TEM NOVO ADMINISTRADOR

Saudação
N estes tempos conturbados em que a grande família
dos Bombeiros é obrigada a continuar a viver com
cada vez mais dificuldades e, pior do que isso, com cada
para que o ano de 2004 venha a ser idêntico ao trágico
ano de 2003, porque o País vai ter o maior evento des-
portivo de sempre, o Euro 2004, sem que os Bombeiros
vez mais indefinições, acabo de aceitar, com o espírito de tivessem sido, pelo menos, convidados a conhecer os
missão tão frequente nos Bombeiros, o lugar e a função planos de emergência desse evento, tudo isso nos preo-
de administrador do nosso Jornal BOMBEIROS DE PORTU- cupa, mas também nos anima para, educada e correcta-
GAL. mente, usando as colunas deste nosso jornal, podermos,
Não seria certamente a pessoa mais indicada para tal na altura própria, dar a conhecer ao País a realidade que
desempenho, mas, apesar de tudo, contando com a enor- vivemos e a forma como os bombeiros continuam a ser
me experiência e inquestionável saber do meu anteces- tratados.
sor, bem como com o seu apurado sentido de companhei- A todos os bombeiros de Portugal, em todos os Qua-
rismo e de colaboração, e também com a ajuda indispen- dros, sem esquecer o de Honra, Bombeiros com ou sem
sável de todos os que dão vida a este grande jornal farda, quero afirmar que este órgão de comunicação so-
BOMBEIROS DE PORTUGAL, espero e desejo levar este cial deve ser considerado por todos como o verdadeiro
barco a bom porto. jornal da classe, que todos devemos defender e procurar
Carlos Pinheiro Agradeço reconhecidamente a confiança que o presi- melhorar. Por isso, seguem todos os meses vários exem-
O Administrador dente do CE em mim depositou para mais esta missão. plares para os quartéis. Por isso, queremos cada vez mais
Mas porque não pretendo defraudar quem em mim con- assinantes. Por isso, o Jornal “BP” está aberto a todas as
fia, tudo farei para não desmerecer tal confiança, contan- notícias e a todas as iniciativas que nos queiram apresen-
do, naturalmente, com a imprescindível colaboração e tar, partilhando-as, e que possam de algum modo presti-
ajuda de todos aqueles que, mês após mês, vão trazendo giar os bombeiros de Portugal, dando a conhecer as ver-
à estampa, com muito trabalho, profissionalismo e empe- dades que muitos teimam em desconhecer.
nho, o maior elo de ligação entre todos os bombeiros De todos espero a melhor colaboração.
portugueses. A todos prometo o meu melhor trabalho.
Porque os tempos são difíceis, porque tudo se perfila Bem hajam.
4 NOTÍCIAS FEVEREIRO 2004

LOCAL UNIVERSIDADE MODERNA DO PORTO E LBP ASSINAM CONVÉNIO

“Arrancou” pós-graduação
ALENQUER

Ambientalistas plantam árvores


na Serra de Montejunto
em gestão da protecção e socorro
Teve início no passado mês de Janeiro a Especialização em Avaliação de Assinado convénio
Riscos e Análise de Vulnerabili- entre UMP e LBP
primeira edição do Curso de Pós-Graduação dades constitui o segundo mó-
em Gestão da Protecção e Socorro, dulo, integrando Teoria e Pre- Entretanto, por ocasião da
venção de Riscos, Riscos Natu- abertura desta formação, foi
iniciativa que conta com o apoio rais e Ordenamento do Territó- assinado no passado dia 17 de
institucional da Liga dos Bombeiros rio, Riscos Tecnológicos e Janeiro um convénio entre a
Ordenamento do Território e Universidade Moderna do Porto
Portugueses. Na mesma ocasião foi Formação de Campo. O terceiro e a Liga dos Bombeiros Portu-
assinado um convénio entre as duas módulo, Curso de Especializa- gueses. O referido documento
ção em Planeamento, Direcção visa aprofundar a cooperação
entidades, que abre portas a outros tipos
Foto: Sónia Rufino

e Gestão de Crises, integra Li- entre as duas entidades, nome-


de cooperação. derança e Coordenação de Re- adamente em matéria da con-
cursos Humanos de Organiza- cretização de “projectos de for-

C
om o objectivo de “col- até ao próximo mês de Outubro ções de Socorro em Ambiente mação e estudos de carácter

A associação ambientalista de Alenquer, Alambi, anunciou


recentemente que vai plantar 40 mil árvores na Serra de
Montejunto, zona classificada como paisagem protegida que
matar uma lacuna no
universo das oportunida-
des de formação técnica e cien-
e que está a decorrer na Uni-
versidade Moderna do Porto
(UMP), com o apoio institucio-
de Crise, Planeamento de
Emergência, Gestão de Crises,
Comunicação em Situação de
técnico-científico e de desen-
volvimento”, mas também in-
centivar a “realização de estu-
ficou destruída pelos fogos florestais do último Verão. tífica de alto nível e multidisci- nal da Liga dos Bombeiros Por- Emergência. dos, colóquios, seminários e
A Associação de Defesa do Ambiente de Alenquer e o Fundo plinaridade, exigidas pelos pro- tugueses (LBP). Finalmente, o trabalho práti- conferências de reconhecido
para a Protecção dos Animais Selvagens vão plantar 20 mil fissionais ligados a actividades A pós-graduação está, de co dá por concluído o calendário interesse para ambas as par-
sobreiros e 20 mil carvalhos-cerquinhos entre Vale do Fura- de protecção civil e conexas, resto, dividida em quatro mó- da pós-graduação. tes”.
douro e a aldeia de Casais da Pedreira. bem como contribuir para o re- dulos. O primeiro, o Curso Coordenada por Artur Fer- A realização de estágios no
As duas entidades indicam em comunicado que a medida forço de uma cultura e de um Avançado de Protecção e Socor- nandes Costa, da Universidade seio da LBP para recém-licen-
“pretende auxiliar a regeneração da vegetação natural da Ser- património de conhecimento ro, integra os seguintes capítu- Moderna do Porto, esta iniciati- ciados daquela universidade,
ra de Montejunto”. comuns a instituições coope- los: Sistema Nacional de Pro- va tem como coordenadores bem como melhores condições
Para os ambientalistas, trata-se de privilegiar as árvores rantes na prestação de serviços tecção e Socorro; Sistemas dos cursos especializados Artur na frequência dos cursos da
nativas em detrimento de outras espécies, como o eucalipto de protecção e socorro em Por- Complementares de Protecção Gomes, da ENB (Módulo I), UMP para membros, funcioná-
ou o pinheiro bravo, “mais susceptíveis ao fogo e incompatí- tugal”, arrancou no passado das Populações; Sistemas Euro- Carlos Bateira, da UMP (Módulo rios e filiados da LBP, são outras
veis com a preservação dos solos”. mês de Janeiro a primeira edi- peus e Internacionais de Pro- II), e Duarte Caldeira, da LBP das partes integrantes deste
A Serra de Montejunto abrange território dos concelhos do ção do Curso de Pós-Gradução tecção Civil; Economia e Gestão (Módulo III). convénio, que pretende ser
Cadaval (75 por cento) e de Alenquer (15 por cento). em Gestão da Protecção e So- das Organizações e Fiscalidade A assessoria técnica é de Ar- uma porta aberta para muitos
Do lado do Cadaval, a associação florestal local dispõe de corro, iniciativa que se prologa das Organizações. O Curso de tur Teixeira. outros tipos de cooperação.
sapadores florestais que estão a proceder a limpezas na zona
ardida da serra.

ODEMIRA: HOMENAGEM A MARCOS CABRITA


VILA DE REI

Mais de nove mil árvores “Bombeiro-parteiro”


para minimizar efeitos dos incêndios
A presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei, Irene Ba-
rata, anunciou recentemente que aquele concelho vai re-
ceber 9.500 árvores para minimizar os efeitos dos incêndios
agraciado pela LBP
do Verão de 2003.
As árvores são uma oferta da Sociedade Interbancária de
Serviços (SIBS) e correspondem ao total de terminais de caixa
M arcos Cabrita, o “chefe
Cabrita”, como é conhe-
cido entre os Bombeiros Vo-
gas de associação, amigos,
familiares, autarcas e respon-
sáveis do sector uniram-se
multibanco instalados em todo o território nacional, acrescen- luntários de Odemira e um numa homenagem a este ho-
tou a autarca. pouco por todo o País, foi re- mem, conhecido no meio por
centemente homenageado “bombeiro-parteiro”.
por todo o percurso de uma Da Liga dos Bombeiros Por-
NISA vida dedicada à causa dos tugueses, Marcos Cabrita re-
bombeiros. cebeu o galardão máximo da

Constituída brigada Aos 71 anos de idade, este


homem, que conta cerca de
confederação – o Crachá de
Ouro. Após a entrega da in-

para prevenir incêndios 40 anos de serviço, viu reco-


nhecida a sua carreira de
sígnia, a comoção e a alegria
eram visíveis. Para Duarte

F oi recentemente constituída no concelho de Nisa (Portale-


gre) uma Brigada de Sapadores Florestais para executar
trabalhos relacionados com a devastação originada pelos in-
soldado da paz que, devido a
muitas circunstâncias, fica
marcada pelo facto de já ter
Caldeira, presidente da LBP,
“este é o exemplo de alguém
que fez durante toda a sua
cêndios do Verão passado e prevenir situações futuras. realizado mais de 50 partos. vida o exercício da coragem e
De acordo com a autarquia, a constituição desta brigada Tal como o jornal “BP” noti- da humildade, a favor da cau-
visa minimizar os prejuízos resultantes da vaga de incêndios ciou na sua edição de Janeiro, sa da ‘Vida por Vida’”.
ocorridos na região. o facto do Hospital de Beja, o Na cerimónia, a LBP anun-
A intervenção dos sapadores florestais passa por trabalhos mais próximo dos BV de Ode- ciou que vai propor que seja
de limpeza de matas, reparação de muros, reconstrução de mira, ficar a mais de 100 qui- atribuída a Marcos Cabrita
palheiros, plantação de árvores, colocação de vedações, lim- lómetros de distância, faz uma condecoração nacional.
peza e regularização dos leitos e das margens de ribeiras e com que este homem, conhe- Mas, na verdade, a festa não
linhas de água. No Verão, os sapadores florestais desempe- cido em todo o concelho, te- teria sido festa se nela não
nharão tarefas de vigilância florestal e prevenção de incên- nha servido de autêntico tivessem estado presentes
dios. “anjo salvador” para dezenas algumas das mães que apoiou
A equipa é constituída por cinco sapadores que tiveram for- de parturientes. e as crianças que ajudou a
mação adequada e conta com o apoio técnico de uma enge- Agora, e numa altura em nascer.
nheira florestal. que já pensa na reforma, não Na hora da recompensa,
Em termos logísticos, a Brigada de Sapadores Florestais obstante a vontade de querer fica a certeza de missão cum-
está integrada no Projecto de Luta Contra a Pobreza “Porta continuar a “ajudar” a asso- prida com a garantia de que
Amiga”, que fez o recrutamento e coordena as actividades. ciação à qual sempre esteve os Bombeiros Voluntários de
Foto: Rogério Oliveira

A acção da brigada é articulada com as autarquias, nomea- ligado de “alma e coração”, o Odemira contam já com al-
damente as Juntas de Freguesia, que têm um papel importan- chefe Cabrita guarda na sua guns elementos capazes de
te na sinalização dos locais que necessitam de intervenção. memória um dia marcante da suceder ao “herói nacional”
A colaboração das autarquias passa também pela cedência sua vida de bombeiro – o dia de Odemira. Ele promete ficar
de equipamentos e apoio na remoção e transporte de lixos e 24 de Janeiro de 2004. Cole- por perto. Marques Cabrita
outros materiais.
FEVEREIRO 2004 NOTÍCIAS 5
FORAM APURADOS 7600 EUROS RECORTES

FPSB aguarda transferência


Leiria: Coordenador da Protecção Civil agarrar pelos braços e pelos cabelos, e puxá-la
quer pacificar ambiente nos bombeiros para dentro, mas ainda se fartou de espernear”,
O novo coordenador distrital dos Bombeiros e resumiu Faustino Possidónio, que recusa hero-
Protecção Civil de Leiria prometeu hoje pacificar ísmos. “Fiz apenas o meu trabalho”, garantiu.

de verbas de Gala da RTP


o ambiente nas corporações, que foi afectado Já a salvo, dentro de casa, a jovem pediu
pela demissão de alguns dirigentes e a exone- para tomar uns comprimidos, tentando com
ração do seu antecessor. isso novo suicídio. No entanto, os seus intentos
Em declarações à Agência Lusa, por ocasião voltaram a sair frustrados, sendo conduzida
da sua tomada de posse, José Manuel Moura para tratamento ao Hospital de Setúbal, onde
afirmou estar confiante na resolução dos pro- ainda está internada.
blemas internos. in Correio da Manhã, 29/01/04
O objectivo passa por “sentar todos os co-
mandantes e discutir as diferenças com total Portugal 2004: Nuno Freitas insiste
lealdade”, explicou, acreditando que as divisões nas insuficiências da organização
internas sejam “rapidamente ultrapassadas”. Nuno Freitas, vereador do Desporto da Câ-
No início de Janeiro, o coordenador do Sector mara Municipal de Coimbra, voltou hoje a aler-
Operacional Distrital dos Bombeiros, Carlos tar para as várias insuficiências de organização
Guerra, e o comandante da zona sul do distrito, do Europeu de futebol Portugal 2004, que, a
Carlos Gonçalves, demitiram-se em protesto não serem ultrapassadas, podem colocar em
contra a actuação do antecessor de José Manuel risco o sucesso da prova.
Moura, Ilídio de Sousa, que foi posteriormente Num documento distribuído aos jornalistas, o
exonerado. vereador aponta, desde logo, o plano de saúde
Na sequência desta exoneração, as corpora- que o ministro da tutela, Luís Filipe Pereira, vai
ções do norte subscreveram um comunicado apresentar em Março e que “não terá aplicação
onde criticavam o processo, e Ilídio de Sousa prática”, pois os jogos este ano vão terminar a
afirmou à Agência Lusa ter sido alvo de um “sa- 9 de Maio.
neamento político”, porque havia criticado a Nuno Freitas junta a este problema os cha-
actuação de dirigentes do PSD no Verão passa- mados planos de contingência, “sem aplicação
do. duradoura e nenhum salto qualitativo” na orga-
Face a esta situação tensa, José Manuel Mou- nização e gestão dos recintos desportivos e das
Foto: Rogério Oliveira

ra promete “estabelecer diálogo” entre todas as cidades envolvidas.


partes e garante maior eficácia na coordenação (...) Relativamente ao Estádio Cidade de
dos meios no terreno, através da concentração Coimbra, o vereador critica sobretudo a ausên-
dos recursos do Centro Distrital de Operações cia de “participação efectiva do INEM” em simu-
O Pavilhão Atlântico recebeu bombeiros para a sua homenagem de Socorro (CDOS) no mesmo edifício. lação ou situações reais.
O CDOS “é para estar ao serviço de todo o Para Nuno Freitas, a presença efectiva do
Cerca de 7600 euros. É este o valor apurado Protecção Social do Bombeiro distrito e não é um centro de ninguém”, avisou INEM, em colaboração com outras entidades,
(FPSB) da Liga dos Bombeiros José Manuel Moura, adiantando que vai revogar como bombeiros e Cruz Vermelha, será uma
pelo sector multimédia da RTP e que Portugueses. as nomeações feitas pelo seu antecessor para das soluções para ultrapassar estas dificulda-
resultou da acção de solidariedade levada a Dois meses depois do even- os lugares dos dirigentes que se haviam demiti- des, em conjunto com a realização de audito-
to, o “BP” foi saber como esta- do. rias externas por “entidades idóneas” nas áreas
cabo no decorrer da gala de homenagem
vam as contas da iniciativa. Os novos nomes vão ser sujeitos a votação da segurança e saúde.
aos bombeiros que se realizou no Pavilhão José Poiares, da RTP, referiu entre os comandantes, e o coordenador distrital (...) Estas insuficiências detectadas já foram
Atlântico no passado dia 12 de Dezembro. que, nessa noite, foi feitas 15 irá escolher um dos três elementos mais vota- comunicadas ao ministro- adjunto do primeiro-
165 chamadas telefónicas dos para os dois cargos. ministro, José Luís Arnaut, e as críticas constru-
Para que o dinheiro chegue aos para o número em causa, ten- “Quero fazer o melhor trabalho, sem criar tivas “visam alertar todas as entidades envolvi-
destinatários, falta ainda assinar um do sido recolhidos 7643,16 conflitos”, prometeu José Manuel Moura. das, públicas e particulares, para os reais pro-
euros, valor este que deverá Contactado pela Agência Lusa, José Leitão da blemas a resolver em apenas quatro meses”.
protocolo para transferência das verbas... ser entregue aos referidos Silva, governador civil de Leiria, mostrou-se “Vamos a tempo de resolver estas questões.
Texto: Sónia Rufino destinatários. Só que o pro- confiante no trabalho do novo coordenador e na Os problemas de Coimbra não são os únicos do
cesso deverá levar ainda al- sua “acção com todos os agentes de protecção país. O Euro 2004 é um desígnio nacional que

A
história conta-se em transmitida para todo o País e gum tempo. De acordo com a civil no terreno”, considerando que as divergên- nos responsabiliza a todos”, concluiu de forma
poucas linhas. No passa- para o Mundo, através da RTP mesma fonte, e agora que cias que se verificaram no sector já estão ultra- optimista o vereador do Desporto.
do dia 12 de Dezembro, a Internacional. Simultaneamen- está apurado o valor, falta passadas. in Lusa, 29/01/04
Comissão Nacional de Apoio te, fez-se um apelo aos teles- marcar a data para a assinatu- “O distrito está unido e não há razão para
Solidário às Vítimas dos Incên- pectadores para que telefonas- ra de um protocolo para trans- preocupações”, confiou. Açores: Protecção Civil
dios Florestais, de 2003, asso- sem para um número, dando ferência das verbas para a in Lusa 20/01/04 com dois coordenadores
ciou-se à RTP para a realização assim um contributo financeiro Comissão Nacional de Apoio para suprir falhas operacionais
de uma gala de homenagem que seria depois distribuído por Solidário às Vítimas dos In- Bombeiro evita suicídio O governo açoriano anunciou hoje a nomea-
aos bombeiros. O pavilhão duas entidades: a Comissão de cêndios Florestais que só de- O alerta chegou ao quartel da Companhia de ção dos comandantes de dois corpos de bom-
Atlântico encheu-se de cor e de Apoio Solidário para a Recons- pois deverá entregar o dinhei- Sapadores de Setúbal pelas 08h20. “Alguém beiros para o desempenho de funções de ins-
música numa festa que foi trução (CASR) e o Fundo de ro ao FPSB e à CASR. nos ligou dizendo que uma mulher estava pen- pecção e coordenação operacional no Serviço
durada de um sétimo andar, na Praceta Dr. José Regional de Protecção Civil em situações de
Ferro, à Bela Vista”, explicou ao CM o chefe emergência ou catástrofe.
Faustino. António Cunha, presidente da Protecção Civil
SACAVÉM José Mário Pina foi uma das testemunhas açoriana, justificou ambas as nomeações com a
deste “facto invulgar”. “Saí do meu prédio para necessidade de ultrapassar falhas de coordena-
Novo quartel dos bombeiros ir buscar o pão. Quando olhei para o prédio em
frente, vi uma mulher pendurada de uma va-
ção operacional detectadas no passado em situ-
ações de catástrofe, como a registada em 1997
terá valência para formação randa, no sétimo andar. Ainda ficou ali cerca de
meia hora”, explicou.
nas derrocadas da Ribeira Quente, ilha de S.
Miguel, em que morreram cerca de três deze-

A Câmara de Loures vai iniciar o processo de


construção do novo quartel dos bombeiros
de Sacavém, um equipamento que terá uma
Bombeiros Voluntários de Sacavém, que servi-
rão mais de 100 mil habitantes residentes na
zona oriental do concelho de Loures, vão tam-
A emergência da situação obrigou os Sapa-
dores a enviarem para o local nove homens,
auxiliados por três viaturas, que correram em
nas de pessoas.
Manuel Furtado (Madalena do Pico) e José
Gabriel Melo (Ribeira Grande, S. Miguel), no-
valência de formação para ensaio de combate bém dispor de uma área social aberta à popu- auxílio da PSP, que já se encontrava no local. meados inspectores coordenadores na se-
a incêndios urbanos e industriais. lação, com uma sala polivalente e um auditó- Na residência da mulher, onde, para além da quência da entrada em vigor da nova orgânica
O novo quartel, orçado em quatro milhões rio. potencial suicida, se encontravam os seus fi- da Protecção Civil, passarão, por exemplo, a
de euros, vai estar equipado com uma área de Entretanto, o comandante dos bombeiros de lhos, dois rapazes de 4 e 7 anos, o cenário en- responder de imediato por operações lançadas
formação de bombeiros com possibilidades de Sacavém, José Luís Gouveia, afirmou que “a contrado foi dramático. “O marido dela saiu de em eventuais situações de catástrofe, adian-
fogo real, treino de motobombas e edifício para valência de quartel/escola estará também vira- casa há poucos dias e ela gritava que se queria tou.
ensaio de salvamentos com escadas e meios da para a formação de empresas e escolas”. suicidar por causa disso, tendo-se pendurado Segundo António Cunha, que acumula fun-
de combate em zonas industriais e prédios ur- A autarquia já assinou um protocolo de cola- de uma varanda na parte frontal do prédio”, ções de inspector regional, aos dois novos ele-
banos, informou a autarquia no passado dia 4 boração com os bombeiros onde se comprome- acrescentou o bombeiro. mentos da protecção civil competirá igualmente
de Fevereiro. te a ceder o terreno (na zona nova da cidade, O impasse criado em redor da situação obri- garantir uma avaliação permanente da opera-
O executivo camarário deverá aprovar em junto à esquadra da PSP e ao Campo do Saca- gou a que os responsáveis pelo socorro retiras- cionalidade do pessoal e equipamentos dos
reunião o lançamento do concurso público para venense), a lançar o concurso público e a sem as duas crianças da residência, levando-as bombeiros açorianos.
a construção do quartel, o qual servirá uma acompanhar a obra que se estima esteja con- para a casa de familiares. Regularmente afectados por situações de
extensa zona industrial, grandes eixos viários cluída em 13 meses. Foi então que a intervenção de Faustino Pos- emergência relacionadas com temporais ou cri-
(A1, variante à EN10, CRIL e Ponte Vasco da Do lado dos bombeiros, a associação irá ce- sidónio evitou a consumação da tragédia. “As- ses sísmicas, os Açores dispõem de 17 corpos
Gama), linha ferroviária do Norte, aeroporto, der à câmara o espaço do actual quartel para sim que ela viu a nossa auto-escada a ser iça- de bombeiros com um efectivo que ronda os
Parque Expo e estuário do Tejo. ser alvo de um projecto de requalificação da da, a partir da rua, tentou mesmo mandar-se. 1.100 elementos.
As novas instalações da Associação dos zona. Eu e um agente da PSP só tivemos tempo de a in Lusa, 23/01/04
6 NOTÍCIAS FEVEREIRO 2004

BREVES COMISSÃO PARLAMENTAR DOS FOGOS FLORESTAIS 2003

Mais três helicópteros


INCÊNDIOS FLORESTAIS

Caritas quer requalificar


espaços públicos
O
no combate aos fogos
presidente da Caritas portuguesa admitiu recentemente
que parte dos 3,1 milhões de euros (mais de 600 mil con-
tos) recolhidos na campanha a favor das vítimas dos incêndios
florestais do último Verão seja aplicada na requalificação de
espaços públicos danificados.
Tendo recolhido até ao momento cerca de 3,1 milhões de
euros de donativos, a Caritas prevê a recuperação até Maio
das casas que ficaram sob a sua responsabilidade, estando
prevista a aplicação das verbas remanescentes na formação Auditorias técnicas a ca” e que, por isso, “há que
profissional e na requalificação de espaços públicos atingidos. mexer em toda esta estrutura”.
No total, 29 casas atingidas pelo fogo foram reconstruídas
todos os corpos de Sobre o reequipamento dos
ou recuperadas pela Caritas nas dioceses de Portalegre, Cas- bombeiros e o corpos de bombeiros, adiantou
telo Branco, Beja, Algarve, Santarém, Guarda e Viseu. que ainda este ano vai ser con-
reforço dos meios
Após esta fase de investimento dos donativos, até ao próxi- cluído um plano para executar
mo Conselho Geral da Caritas, a realizar em Fevereiro, as aéreos para o nos anos 2004, 2005 e 2006.
dioceses vão apresentar um levantamento das possibilidades combate aos fogos Entretanto, o Ministério da
de criação de postos de trabalho para as pessoas que o perde- Administração Interna anun-
ram com a vaga de incêndios, estando prevista a formação foram duas das ciou, no passado dia 12 de Ja-
profissional para reconversão laboral. medidas levadas neiro, que os estudos para a
“Se, depois disso, conseguirmos ter algum dinheiro, vamos concretização das medidas pro-
aplicá-lo nos espaços públicos”, embora respeitando a acção
pelo presidente do postas no Livro Branco sobre os
do poder central, explicou à Agência Lusa Eugénio Fonseca. SNBPC à Comissão incêndios estão “em adiantada
“A Caritas não se quer substituir ao Estado, nem é esse o parlamentar dos fase de elaboração”, devendo
seu papel”, afirmou, elogiando a adesão dos portugueses à estar concluídos até ao final de
campanha. fogos florestais Março.
No Natal, a Caritas lançou uma campanha denominada “Dez 2003, no passado Um comunicado do MAI re-

Foto: Rogério Oliveira


milhões de estrelas”, em que os portugueses eram convidados corda que entre estas medidas
a adquirir uma vela e colocá-la à porta das casas na noite da
dia 7 de Janeiro. se encontram a revisão da Lei
Consoada. Orgânica do Serviço Nacional

O
Fazendo um balanço “extraordinariamente positivo” desta presidente do Serviço de Bombeiros e Protecção Civil,
acção, que levou à venda de 200 mil velas a preços simbóli- Nacional de Bombeiros e Paiva Monteiro foi ao Parlamento falar sobre incêndios florestais a actualização do Plano Nacio-
cos, Eugénio Fonseca revelou que foram recolhidos cerca de Protecção Civil (SNBPC) nal de Emergência e a constitui-
50 mil euros em dinheiro. anunciou no passado dia 7 de rias técnicas a todos os corpos Quanto à aquisição de meios ção de grupos de grupo de re-
Deste total, 12,5 mil euros serão entregues ao Cardeal-Pa- Janeiro um reforço de três heli- de bombeiros. aéreos próprios, o presidente acção rápida.
triarca D. José Policarpo, que os encaminhará para minorar a cópteros alugados para comba- Na comissão parlamentar do SNBPC salientou que é “um Estas medidas contemplam
crise humanitária do Uganda, adiantou Eugénio Fonseca, pro- ter os fogos florestais neste eventual dos fogos florestais de processo moroso”, que neces- ainda a dinamização da Comis-
metendo que, “em breve”, serão prestadas contas desta cam- ano. Paiva Monteiro anunciou 2003, Paiva Monteiro fez um sita previamente de um levan- são Nacional de Protecção Civil
panha. ainda a preparação de audito- ponto da situação de algumas tamento das necessidades e e o Plano de reequipamento de
das medidas apresentadas em possibilidades financeiras e das meios de combate a incêndios
Novembro pelo governo no Li- características técnicas dos florestais, incluindo meios aére-
vro Branco dos Incêndios. aviões e helicópteros a adqui- os.
“Para avançar com a audito- rir. Por outro lado, o MAI assegu-
ria aos corpos de bombeiros, Para este ano, além de um ra que este ano todas as famí-
que deverá estar executada a reforço dos meios aéreos, o lias portuguesas terão à sua
30 de Junho, falta só o parecer SNBPC anunciou que estão a disposição um pequeno manual
da Liga de Bombeiros sobre os ser realizados cursos de forma- de prevenção face a incêndios e
parâmetros que serão objecto ção na Escola Nacional de Bom- outros sinistros.
de exame”, afirmou aos deputa- beiros, especialmente no que O MAI recorda, a terminar,
dos o presidente do SNBPC. respeita à capacidade de co- que as verbas destinadas à re-
Paiva Monteiro disse que, mando dos bombeiros. paração ou reposição dos equi-
ainda em Janeiro, terá lugar a Paiva Monteiro reconheceu pamentos afectados pelos in-
primeira fase do concurso para que “toda a legislação que tem cêndios do último Verão foram
aluguer de meios aéreos, que a ver com bombeiros está em já libertadas, acentuando que
inclui mais dois helicópteros causa”, que a estrutura dos “é a primeira vez que tal ocorre
pesados e um ligeiro. corpos de bombeiros é “cadu- com tanta celeridade”.
Diversos Fardamentos
Cinto conjugado Grande Uniforme
Cinturões Uniforme 1 e 2
Bandeiras
Diversos Trabalho
Fardamentos
ADESÃO SUPERIOR A 70 POR CENTO

Bombeiros Profissionais em greve


Divisas e galões Bivaques
Cinto conjugado
Emblemas Grande
Bonés Uniforme
Cinturões
Troféus Uniforme 1 e 2
Bandeiras
Escadas de gancho Trabalho
Normex
Diversos
Divisas e galões
Fardamentos
Bivaques
Escadas de mola Impermeáveis

O
Cinto conjugado
Emblemas Grande
Bonés Uniforme
Espias Botas Sindicato Nacional dos “Em Lisboa, por exem-
Cinturões
Troféus Uniforme 1 e 2
Estandartes Sapatos Bombeiros Profissio- plo, o Regimento de Sapa-
Bandeiras
Escadas Trabalho
Material de
de gancho
protecção Normex nais (SNBP) anunciou que dores Bombeiros foi obri-
Divisas
Escadas edegalões
mola Bivaques
Impermeáveis
Reparação em todo o material de Bombeiro Capacetes a adesão da classe à greve gado a recrutar os estagiá-
Foto: Rogério Oliveira

Emblemas
Espias Bonés
Botas
Machados
Troféus da administração publica- rios para garantir os servi-
Estandartes Combate
Sapatos com viseira
Escadas de gancho Tipo romano, G. U.
Normex do passado dia 23 de Ja- ços mínimos, apesar de a
Material de protecção
Machadinho de Bombeiro
Escadas de mola Metal, G. U.
Impermeáveis neiro foi superior a 70 por maioria dos bombeiros em
Reparação em
Guarda de Honra todo o material de Bombeiro Capacetes
Espias E miniaturas
Botas cento a nível nacional, nú- greve se ter apresentado
Grande
MachadosUniforme Combate mero que “ultrapassou as nos quartéis”, assegurou o
Estandartes
Representação Sapatos com viseira
Material de protecção
Machadinho de Bombeiro Tipo romano, G. U. perspectivas” dos sindicalistas. SNBP. Em comunicado, a estrutura sindical
Reparação
Guarda (Somos
em todo o material
de Honra de Bombeiro Metal, G. U.
fabricantes) De acordo com o SNBP, a adesão rondou os sublinhou que o impacto do Orçamento de
Capacetes
Grande Av. Infante Santo, lote 43-A – EPortela
Uniforme miniaturas
de Azoia 70 por cento nos distritos de Lisboa, Porto, Estado nas corporações de bombeiros “é ex-
Machados Combate com viseira Braga, Coimbra e Setúbal, e chegou aos 80 tremamente negativo, reflectindo-se clara-
Representação 2695-283 Santa Iria de Azoia
Tipo romano, G. U.
Machadinho de Bombeiro
tel. 21 955 01 55fabricantes)
– fax. 21 955 01 55 por cento na Região Autónoma da Madeira. mente na qualidade do socorro prestado às
Guarda de Honra (Somos Metal, G. U. O distrito de Viana do Castelo foi o que re- populações”.
Av. Infante Santo, lote 43-A – EPortela
Grande Uniforme miniaturas
de Azoia gistou o menor índice de adesão, com apenas Entre as reivindicações apresentadas, os
Representação 2695-283 Santa Iria de Azoia 10 por cento dos bombeiros a aderirem à pa- sindicalistas exigem o preenchimento de va-
tel. 21 955 01 55 – fax. 21 955 01 55 ralisação. gas para colmatar o “esvaziamento dos qua-
(Somos fabricantes)
Segundo o sindicato, o nível de adesão à dros” provocado pela saída de 400 elementos
Av. Infante Santo, lote 43-A – Portela de Azoia greve fez com que muitos quartéis de norte a dos corpos de bombeiros sapadores e munici-
2695-283 Santa Iria de Azoia sul do país garantissem apenas os serviços pais de todo o país, devido ao novo regime de
tel. 21 955 01 55 – fax. 21 955 01 55 mínimos obrigatórios por lei. aposentações.
FEVEREIRO 2004 NOTÍCIAS 7
EURO 2004 LOCAL

INEM: Emergência Médica


COIMBRA

ADAI promove debate

com reforços anunciados sobre incêndios


S ob coordenação de Domingos Xavier Viegas, investigador
do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais, a Asso-
A compra de novas sição de meios humanos em ciação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial
permanência. “O Euro servirá (ADAI) promove a realização de dois seminários de formação
viaturas, a utilização de alavanca, mas o investimen- destinados a bombeiros, técnicos florestais, autarcas, agen-
de helicópteros e a to permanecerá muito depois tes de protecção civil, proprietários florestais, investigado-
do campeonato”, sublinhou. res, entre outros, sobre a temática do incêndios. Estas inicia-
colaboração de
De elevado custo serão tam- tivas inserem-se no programa de formação avançada que a
médicos tradutores bém as deslocações de “VIP” a ADAI tem vindo a levar a feito com o objectivo de transferir
nos CODU durante o Portugal, porque as confirma- os conhecimentos gerados no âmbito de projectos de inves-
ções acontecem habitualmente tigação de que é autora com a colaboração de diversas enti-
Euro 2004, foram 48 horas antes das visitas, mas dades e com apoios de programas nacionais e europeus.
algumas das o planeamento terá que ser an- Assim, no próximo dia 20 de Fevereiro terá lugar, no audi-
tecipado e “dimensionado por tório do Departamento de Engenharia Mecânica, situado no
novidades cima”, explicou o responsável. II Polo da Universidade de Coimbra, um Seminário dedicado
anunciadas pelo Em termos de telecomunica- ao tema “Segurança Pessoal dos Incêndios Florestais. Já no

Foto: Rogério Oliveira


presidente do INEM ções, Cunha Ribeiro precisou dia 15 de Março o auditório da Comissão de Coordenação da
que continuará a ser usado o Região Centro será palco de um outro seminário, este dedi-
na Comissão sistema analógico, com apoio do cado ao tema “Os Incêndios Florestais e as Habitações”.
Parlamentar de GPRS e GSM (comunicação sem
Cunha Ribeiro fios). A hipótese de um “roa-
Acompanhamento ming” interno para potenciar o PORTALEGRE
do Euro, reunida no cou que nos Centros de Orien- blinhou o responsável, revelan- sinal das várias redes de tele-
passado dia 21 de tação de Doentes Urgentes es-
tará em permanência um tradu-
do a presença de equipas de
cardiologistas nos recintos para
móveis também já foi avançada.
O responsável do INEM confes- Município quer aeródromo
Janeiro. tor para atender chamadas em responderem imediatamente a sou igualmente estar à espera
A Câmara de Portalegre vai apresentar uma candidatura ao

A
compra de novas viaturas língua estrangeira, enquanto no situações de enfartes. da definição de corredores de programa Comunitário INTERREG para a construção de
de emergência médica, a terreno estarão médicos de ori- evacuação por parte das autori- um aeródromo no concelho, num investimento de um milhão
utilização de dois helicóp- gem eslava para acompanha- EURO vai sair dades policiais. O atraso nas de euros, anunciou recentemente o presidente do municí-
teros e a colaboração de médi- rem equipas do INEM, sem, no “caro” ao INEM obras das acessibilidades aos pio.
cos tradutores nos Centros de entanto, exercerem medicina. estádios também irá exigir um Segundo José Mata Cáceres, o aeródromo está projectado
Orientação de Doentes Urgen- Esses médicos/tradutores tam- Quanto a meios materiais, o trabalho extra aos profissionais para a zona da Abrunheira, junto ao IP 2, a cerca de dez qui-
tes (CODU) durante a realiza- bém atenderão as chamadas INEM já dispõe de quase todo o da saúde. Os pormenores da lómetros da cidade de Portalegre.
ção do Europeu de futebol, fo- telefónicas reenviadas do material necessário e o que actuação dos responsáveis pelo O autarca adiantou que o projecto, uma “antiga aspiração”
ram algumas das novidades CODU. De prevenção, e numa “está em falta, está para che- sector da saúde serão divulga- do concelho, aponta para uma pista com um máximo de mil
anunciadas por Cunha Ribeiro, espécie de “backup funcional”, gar, como garantiu a tutela”. dos no final deste mês ou no metros de comprimento e uma largura de 50 metros.
presidente do Instituto Nacional como definiu o responsável, es- Na lista de “compras” estão, início do próximo pelo ministro “O projecto pode ser enquadrado numa perspectiva de pre-
de Emergência Médica (INEM) tão já disponíveis várias embai- nomeadamente, novas viaturas da Saúde, Luís Filipe Pereira. venção a incêndios e de melhoria das acessibilidades”, disse.
na Comissão Parlamentar de xadas para fornecer tradutores de emergência médica (para
Acompanhamento do Euro, reu- no caso de as capacidades do triagem de doentes), estando a
nida no passado dia 21 de Ja- INEM se esgotarem. ser estudada a hipótese de se-
neiro. Na sua exposição perante As atenções da emergência rem colocados dois helicópteros
os deputados deste grupo de médica, segundo Cunha Ribei- nas cidades que recebem a
trabalho, que reúne elementos ro, estarão centradas nas cida- competição.
dos vários partidos políticos des anfitriãs do Europeu, nos O INEM tomou ainda a inicia-
com assento parlamentar, centros de estágio das equipas, tiva de contactar a ANA (entida-
Cunha Ribeiro revelou que, nas principais vias rodoviárias e de que gere os aeroportos) para
para tentar resolver eventuais nas praças onde serão instala- demonstrar a sua disponibilida-
problemas ligados a possíveis dos ecrãs gigantes para trans- de em colocar dispositivos na-
dificuldades de comunicação, mitir os jogos. “Dentro dos es- quelas infraestruturas. Cunha
serão utilizados tradutores nos tádios já sabemos que há meios Ribeiro admitiu os custos eleva-
CODU. e pessoas a postos, mas tam- dos que a acção do INEM terá
Depois de ter sido confronta- bém temos que estar prepara- durante a realização da prova
do com algumas dúvidas dos dos para um controlo de segu- (entre 12 de Junho e 4 de Ju-
deputados, Cunha Ribeiro expli- rança em espaços abertos”, su- lho), especialmente pela requi-

CENTRO NACIONAL COORDENADOR DE OPERAÇÕES DE SOCORRO

Viseu será alternativa a Lisboa


em caso de catástrofe na capital
A cidade de Viseu vai acolher
uma “cópia” do Centro Na-
cional de Operações de Socorro
ções de variados sectores. É um
centro operacional de âmbito
nacional que deve fazer a cober-
um terreno de quatro mil metros
quadrados onde será construído
o CDOS de Viseu, situado no
(CNOS), que funcionará em tura dos meios e a atribuição de aeródromo municipal, nos arre-
caso de catástrofe na região de recursos”, explicou. dores da cidade.
Lisboa, anunciou no passado dia A existência de uma alternati- O actual CDOS funciona divi-
29 de Janeiro o ministro da Ad- va ao CNOS justifica-se, uma dido por dois espaços - o Gover-
ministração Interna, Figueiredo vez que o de Carnaxide poderá no Civil de Viseu e o edifício dos
Lopes. ficar inutilizado por vários moti- bombeiros voluntários, o que
O governante frisou aos jor- vos, nomeadamente o risco sís- condiciona a coordenação ne-
nalistas que esta alternativa, mico. cessária em situações de opera-
que funcionará nas novas insta- “É um cenário teórico, mas é ções de socorro.
lações do Centro Distrital de possível”, realçou, acrescentan- Segundo Figueiredo Lopes, há
Operações de Socorro (CDOS) do que “há registos muito im- condições financeiras para co-
de Viseu, ainda em fase de pro- portantes que não se pode cor- meçar de imediato as obras, or-
jecto, “já devia estar criada há rer o risco de perder, tem de se çadas em 400 mil euros, mas
mais de 20 anos, que é a data fazer o ‘backup’”. “há uma série de procedimentos
que têm as bases fundamentais Figueiredo Lopes faz votos relacionados com a empreitada
da protecção civil” de Portugal. para que o CNOS de Viseu nun- a ter em conta até que isso seja
“Tem de ser uma espécie de ca tenha de funcionar, no entan- possível”.
cópia do que existe em Carnaxi- to “tem que estar organizado”. No entanto, disse esperar que
de, que tem uma sala de opera- O governante esteve em Vi- a obra “não demore mais de um
ções de âmbito nacional onde seu para celebrar com a autar- ano desde o seu início” a ficar
são recebidas todas as informa- quia o protocolo de cedência de concluída.
8 NOTÍCIAS DO MUNDO FEVEREIRO 2004

LOCAL RELATÓRIO DO PNUD

Portugal é o país da UE
EGIPTO

Derrocada de prédio
matou nos arredores do Cairo
A
mais vulnerável a cheias
derrocada de um prédio de 12 andares nos arredores do
Cairo, no passado dia 26 de Janeiro, fez pelo menos oito
mortos, segundo a agência noticiosa egípcia Mena.
De acordo com as primeiras informações, a maior parte
das vítimas serão polícias, bombeiros ou elementos da pro-
tecção civil que acorreram ao local devido a um incêndio no
rés-do-chão do edifício. –Este situava-se na principal artéria
comercial da localidade de Madinat Nasr, tendo os moradores Diz um relatório
sido retirados antes de o prédio ruir.
recentemente
As derrocadas são relativamente frequentes no Egipto,
onde muitos edifícios são construídos sem licença. Aquele do PNUD
que ruiu foi construído em 1981, mas foram posteriormente que Portugal
acrescentados sete andares sem autorização.
Em Maio do ano passado sete pessoas morreram na derro-
é o País da União
cada de um outro prédio no Cairo. Europeia mais
vulnerável a cheias.
ÍNDIA
De acordo com
o estudo
Mais de 40 mortos em incêndio do Programa das

O incêndio que se registou no passado dia 23 no sul da


Índia, durante os festejos de um casamento, provocou a
morte de pelo menos 44 pessoas e fez 75 feridos, segundo a
Nações Unidas para
o Desenvolvimento,
polícia. o risco
O fogo deflagrou num edifício da cidade de Tiruchchira- de fatalidades
pally, perto do célebre templo hindu de Srirangam, no estado
de Tamil Nadu, a 300 quilómetros de Madras, capital do es- em caso de grandes
tado. cheias é de dez
O incêndio foi controlado e os bombeiros iniciaram o res-
vítimas mortais
gate dos corpos, entre os quais o do noivo.
O fogo foi provocado por uma chama sagrada que os re- por cada milhão

Foto: Rogério Oliveira


cém-casados deviam atear sete vezes para selar a união, de portugueses
segundo a tradição hindu.
afectados.

O
Programa das Nações
LIXA Unidas para o Desenvol- PNUD revela dados preocupantes para o nosso País
vimento (PNUD) divul-
Voluntários promovem gou recentemente um relatório
que traça um panorama pouco
nosso país probabilidades de
morte de 10 pessoas por cada
te os diversos tipos de catás-
trofes naturais.
das para o Desenvolvimento
diz ainda que em todo o mundo
campanha além-fronteiras agradável da situação do nosso
País face à possibilidade de
milhão de habitantes afecta-
dos.
Ao longo dos 20 anos anali-
sados, o PNUD refere que Por-
as catástrofes naturais provo-
caram, nas duas décadas anali-
“B ombeiros da Lixa Além-Fronteiras” é o nome de um
projecto, iniciado há cerca de um ano, com o objectivo
de dar a conhecer a instituição fora de Portugal, bem como
ocorrência de grandes cheias.
De acordo com o PNUD, Por-
O PNUD analisou terramo-
tos, cheias, secas e furacões de
tugal sofreu duas secas, dois
terramotos e quatro cheias sig-
sadas, cerca de 1,5 milhões de
mortos, sendo que a maioria se
tugal é o país da União Euro- média e grande dimensão em nificativas, tendo sido contabi- regista nos países desenvolvi-
divulgar os trabalhos realizados, em especial junto das nos- peia mais vulnerável às cheias. todo o mundo entre 1980 e lizados 80 mortes em terramo- dos (53 por cento), embora
sas comunidades em todo o mundo. Este projecto, que co- Mais ainda, em termos de ris- 2000 e compilou índices de ris- tos e 69 em cheias. nesses ocorram apenas 11 por
meçou já a dar frutos no Luxemburgo e na Alemanha, consis- cos de fatalidades, existem no cos que cada país corre peran- O Programa das Nações Uni- cento de desastres naturais.
te em enviar informação a todas as associações e instituições
portuguesas no estrangeiro.
Os voluntários da Lixa dão a conhecer o seu percurso de ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS
114 anos de existência, tentando obter apoio exterior para

Verões muito quentes


aquisição de equipamento de socorro. No âmbito desta ini-
ciativa, os voluntário da Lixa já receberam alguns donativos:
620 euros da Associação Portuguesa de Gutersloh (Alema-
nha) e 100 euros do Rancho Folclórico Luso-Luxemburguês

até ao fim do século


(Luxemburgo).
Os Bombeiros Voluntários da Lixa “agradecem reconheci-
dos” estes gestos dos seus compatriotas que, mesmo longe
da sua terra e não sendo oriundos do concelho, se disponibi-
lizaram para colaborar com os soldados da paz lixenses.
O s Verões muito quentes,
com temperaturas como as
que atingiram a Europa em
dições meteorológicas e tam-
bém pelo aumento geral da
temperatura, aponta o estudo.
2003, deverão repetir-se com Os investigadores calculam
frequência até ao final do sécu- que haverá grandes dificulda-
lo, indica um estudo de investi- des de adaptação da agricultura
gadores suíços recentemente a estas alterações.
divulgado. Outros especialistas traçam
Foto: Rogério Oliveira

No Verão passado, as altas para Portugal um cenário pouco


temperaturas na Europa provo- favorável, prevendo que a tem-
caram a morte a muitas pesso- peratura máxima no Verão au-
as, sobretudo idosos, e desen- mente mais de nove graus en-
cadearam violentos incêndios Temperaturas como as de 2003 poderão ser atingidas no próximo Verão tre 2080 e 2100.
florestais, como se verificou em De acordo com um relatório
Portugal. Mas as notícias para o quente como o de 2003”, expli- a 30 graus durante várias se- apresentado pelo projecto SIAM
futuro não são animadoras. Os cou Christoph Schaer, professor manas e as máximas chegaram – que se dedica ao estudo do
Verões muito quentes, com de climatologia na Escola Poli- a atingir os 40 graus. clima - o nível da água do mar
temperaturas como as que atin- técnica de Zurique. “O Verão de 2003 é um sinal na costa portuguesa poderá su-
giram a Europa em 2003, deve- O especialista prevê ainda daquilo que o futuro nos reser- bir entre 25 a 110 centímetros
rão repetir-se com frequência que os Verões muito quentes va”, assinalaram os autores do até 2080, devido às alterações
até ao final do século, indica um “passem a ser a regra e não a estudo publicado na revista climáticas.
estudo de investigadores suíços excepção” até ao fim do sécu- “Nature”. Os gases com efeito de estu-
recentemente divulgado. lo. O aquecimento global, provo- fa emitidos pela indústria e pe-
“As nossas simulações mos- Durante 2003, a temperatura cado pelas alterações climáticas los transportes são apontados
tram que, na Europa, um em de muitas regiões da Europa que têm origem na poluição, como a principal causa para o
cada dois Verões deverá ser tão Ocidental manteve-se superior traduz-se por variações das con- sobre-aquecimento global.
FEVEREIRO 2004 NOTÍCIAS 9
WWW.ENB-INFONET.COM E WWW.ENB-LOJAVIRTUAL.COM

Escola Nacional de Bombeiros


à “distância de um clique”
Para além da página institucional, a Escola
Nacional de Bombeiros conta, desde o final
do ano passado, com mais duas páginas na
Internet. Em www.enb-infonet.com e em
www.enb-lojavirtual.com é possível aceder
ao mundo “ENB”. Tirar dúvidas, entrar em
conversação com formadores, marcar
reuniões, ter acesso a salas de aula ao vivo,
comprar material, etc. O “BP” fez uma
viagem por estes dois endereços
electrónicos que colocam a ENB à distância
de um simples “clique”.
Texto: Patrícia Cerdeira

Foto: Rogério Oliveira


er acesso ao manancial de da ENB, explicou: “A escola
informação técnica, e não percebeu que tinha uma falha
só, que a Escola Nacional grande. A página existente não
de Bombeiros coloca à disposi- passava de um mero portal es-
ção de todos deixou de implicar tático e institucional. No âmbito Basta um computador e uma ligação à Internet para aceder ao mundo “ENB”
uma presença física em Sintra, da informatização da própria
na Lousã ou em Bragança. A escola, surgiu a ideia de ciar paços destinados à conversação e da recertificação”. “Durante
compra dos manuais técnicos, dois novos espaços para tentar entre bombeiros e formadores, esse período não havia acom-
ou de todo o outro material colmatar essa lacuna. Afinal, a salas de aula ao vivo, etc. De- panhamento. Esta página é, na
que a ENB disponibiliza, já ENB tem à partida mais de 45 pois, há espaços dedicados a minha opinião, uma referência
pode ser feito via Internet. mil potenciais utilizadores. Esta diferentes tipos de fóruns, des- de formação”, acrescenta Luís
Desde o final do ano passado é uma forma de ‘entrar em casa tinados a várias áreas de for- Madeira.
que, para além da página ins- ou no quartel’ de cada bom- mação ministrada pela escola –
titucional desta instituição de beiro. A página www.enb.pt, e este tem sido um dos espaços www.enb-lojavirtual.com
ensino – www.enb.pt – estão que irá manter-se, não era di- “com maior sucesso”, subli-
disponíveis dois novos endere- nâmica, ou seja, não permitia nham os responsáveis. Na loja virtual é possível
ços com objectivos diferentes. interacção. Estas duas novas É possível colocar questões comprar tudo o que está dispo-
Em www.enb-infonet.com é páginas são, acima de tudo, que serão comentadas e mo- nível no economato da ENB.
possível aceder a uma panóplia de interacção. A escola perce- deradas num curto espaço de Segundo Luís Madeira, há um
de informações técnicas, orien- beu que estava ‘parada’ nesta tempo, já que a mais valia facto curioso que esta página
tadas, “alimentadas” e geridas área, por várias razões. Éramos desta Internet consiste no veio colocar a nu: “Muitas pes-
pelos formadores e outros téc- das poucas instituições que não facto de não ser preciso estar soas não conheciam os manuais
Foto: Rogério Oliveira

nicos da instituição. Já na pági- tinham uma página deste géne- na ENB para responder aos da ENB e nem sabiam que exis-
na www.enb-lojavirtual.com,  os ro. Sabíamos que tínhamos po- utilizadores. Há ainda espaço tiam. Não temos dúvidas de
interessados podem ver todo tênciais utilizadores, para além para debates. É marcada uma que, em muitos locais, os ma-
o tipo de material destinado dos bombeiros, e nada para hora través do ‘site’ e na hora nuais são guardados nas gave-
a bombeiros e comprá-lo via lhes oferecer. Qualquer institui- Susana Silva combinada estará “presente” tas e não chegam aos bombei-
Internet, ao mesmo preço, ção está hoje retratada na ‘net’. um moderador/formador que ros”, sublinha.
sem ter de sair do quartel ou Este projecto, que arrancou em acessível a todos, podemos en- uma outra porta onde, sempre responderá às solicitações em Agora, e através desta pági-
de casa. finais de Novembro, tem sido contrar de tudo um pouco. Na- que preciso, estará um “al- tempo real. Este tipo de evento na, é possível a venda directa.
Durante uma visita guiada a um enorme sucesso”, sublinha vegar neste endereço constitui guém virtual” à nossa espera é promovido na própria página, Pagos os portes de envio, qual-
estas duas novas páginas, visi- a responsável da ENB. um autêntico desafio à imagi- para tirar dúvidas e trocar que anuncia que no dia tal a quer manual chega rapidamen-
ta apoiada pelos seus criadores, nação e ao conhecimento. A ideias. A ENB, por razões esta- tal hora realiza-se um debate te ao comprador - 24 a 48 horas
César António e Luís Madeira, o www.enb-infonet.com partir da página principal há tísticas e de apoio na manuten- sobre um determinado tema. no máximo. Os preços para
“BP” tentou perceber o que um mundo à nossa espera, e, ção dos temas, consegue ter Entre as múltiplas opções dis- bombeiros são iguais aos prati-
esteve na base deste projec- Nesta página de fácil acesso, cada passo, cada clique, cons- acesso à informação sobre as poníveis, destaque para a zona cados na escola. Os valores au-
to. Susana Silva, da direcção elaborada com uma linguagem titui mais uma “entrada” por horas de permanência e os lo- da legislação do sector (breve- mentam quando os interessa-
cais de origem dos utilizadores. mente disponível), actualizada dos são civis.
Há uma grande aposta na “ino- sempre que necessário, a ga- Para César António, um dos
vação” e todos os dias há coi- leria fotográfica, na qual todos principais responsáveis por es-
sas novas para serem vistas e podem participar com contri- tes projectos da ENB na rede,
procuradas. Muitas das vezes, butos, as ”salas de reunião”, estas páginas serão “pontos de
acabam por ser os próprios uti- através das quais podem ser referência” para os bombeiros,
lizadores a ajudar na sua cons- mantidas conversas restritas mas a ideia é ir mais longe: “A
trução. Qualquer bombeiro ou a partir de diversos pontos do médio prazo pretendemos che-
não-bombeiro pode enviar in- País, zona de arquivo, votações gar não só a bombeiros mas a
formações ou material para (onde é possível saber os locais todos os interessados e esse é o
este espaço virtual. A informa- mais visitados), sondagens, co- nosso grande desafio. Informar
ção só entrará na rede, só será mentários, etc. é essencial e terá de ser para
afixada, após validação dos A www.enb-infonet.com, toda a gente. Temos de contra-
técnicos da ENB, consoante a que já foi visitada por vários riar o facto da informação não
sua área. Neste portal pode países, de vários continentes, chegar a todos da mesma for-
noticiar-se a realização de foi galardoada com a distinção ma. É importante que os bom-
eventos, iniciativas técnicas e de credibilidade da “World Web beiros saiam dos seus circuitos
não só – podem ser publicados Award”. Para Luís Madeira, um normais e estas páginas dão
Foto: Rogério Oliveira

textos técnicos, entre outras dos responsáveis pela criação e acesso a outras realidades, a
matérias. manutenção destas páginas, o outros mundos. Aqui queremos
Nesta página existem áreas grande objectivo deste projecto tratar questões técnicas e não a
dedicadas somente a formado- é “colmatar as falhas que exis- polémica gratuita”, conclui Cé-
César António e Luís Madeira res, áreas para bombeiros, es- tiam entre a fase da formação sar António.
10 NOTÍCIAS FEVEREIRO 2004

LOCAL MURÇA

Bombeiros comemoram
VILA REAL

Combate a incêndio
em habitação

75.º aniversário
deixou bombeiro ferido
U m bombeiro da Cruz Branca de Vila Real ficou ferido no
passado dia 30 de Janeiro quando o extintor de água e
espuma que manuseava no combate a um incêndio numa
habitação, em Almodena, rebentou, disse fonte da corpora-
ção.
A fonte referiu que o bombeiro, de 30 anos, ficou com feri- A bênção de um auto-tanque, a inauguração de uma rua com o nome dos bombeiros volun-
mentos no peito quando, ao accionar o extintor, a tampa des-
te saltou devido a uma ruptura.
tários e a distribuição de um livro e de medalhas comemorativas, foram algumas das inicia-
A vítima foi transportada para o hospital de Vila Real. tivas que marcaram as comemorações do 75º aniversário da Associação Humanitária dos
O incêndio, com origem num cobertor eléctrico, foi comba-
Bombeiros Voluntários de Murça, no passado mês de Dezembro.
tido por 17 bombeiros de duas corporações, que tiveram o
apoio de cinco viaturas.
Os bombeiros demoraram cerca de 50 minutos a apagar as
chamas, que consumiram parte do mobiliário, cobertores e
roupa da habitação, localizada no bairro da Almodena, em Vila
Real.

QUELUZ DE BAIXO

Um bombeiro ferido
no combate às chamas
U m bombeiro ficou ligeiramente ferido durante o combate
ao incêndio que deflagrou na noite do dia 21 de Janeiro na
Lisgráfica, em Queluz de Baixo, Lisboa.
O bombeiro terá ficado ferido na sequência de uma queda
ocorrida enquanto combatia o fogo, que deflagrou cerca das
22.00 horas.
O ferido foi levado ao Hospital São Francisco Xavier.
O incêndio atingiu uma nave que servia de armazém e des-
truiu uma rotativa que se encontrava em manutenção, mas
não afectou a impressão de jornais, disse fonte da Lisgráfica.
O sinistro, cujas causas são ainda desconhecidas, foi com-

F
batido por 68 bombeiros e 24 veículos. oi no passado mês de De-
zembro que a Associação
humanitária dos Bombei-
PONTE DA BARCA ros Voluntários de Murça assi-
nalou mais um aniversário, o

Três bombeiros 75.º. Num ambiente de festa,


procedeu-se á bênção de um

feridos em incêndio auto-tanque, à inauguração de


uma rua com o nome dos bom-

T rês bombeiros dos Voluntários de Ponte da Barca ficaram


feridos quando combatiam um incêndio no passado dia 13
de Janeiro, tendo este destruído por completo um antigo moi-
beiros voluntários e à distribui-
ção de um livro e de medalhas
comemorativas.
nho que recentemente tinha sido reconstruído e transformado No decorrer das cerimónias,
em casa de habitação. Elói Ribeiro, Governador Civil
Segundo o Centro Distrital de Coordenação e Socorro de de Vila Real, justificou que a
Viana do Castelo, os bombeiros sofreram apenas escoriações ausência de um membro do Go-
nas mãos e foram assistidos no Centro de Saúde de Ponte da verno nos festejos não signifi-
Barca, após o que imediatamente receberam alta. cava “falta de apreço” por parte
No combate às chamas estiveram 15 bombeiros dos Volun- do Executivo pela instituição, Aspectos das comemorações do aniversário dos BV de Murça
tários de Ponte da Barca, apoiados por quatro viaturas. apelando a que haja confiança
no ministério que os tutela. Pre- que a constituem. Fazer um le- Os Bombeiros Voluntários de Teixeira, a Liga dos Bombeiros
sente esteve Paiva Monteiro. O vantamento rigoroso das ne- Murça aproveitaram a ocasião Portugueses condecorou três
AÇORES presidente do SNBPC mostrou cessidades (equipamentos) de para mostrar o seu reconheci- bombeiros que se destacaram
interesse em aprofundar as re- todas as corporações, melhorar mento para com algumas insti- pelo serviços prestados: Fran-

Sismos não aumentaram lações de confiança entre o


serviço e os vários agentes de
a formação dos bombeiros e o
seu suporte legislativo, foram
tuições do concelho, oferecendo
algumas miniaturas e medalhas
cisco Saraiva, ex-comandante,
Gonçalves e António Amorim,

chamadas de socorro protecção civil, de forma a “sa-


nar a turbulência” que tem
alguns dos pontos referidos por
Paiva Monteiro perante os pre-
comemorativas.
Sob proposta do comandan-
que a título póstumo recebeu
a medalha de serviços distin-

O s bombeiros e a Protecção Civil de Ponta Delgada recebe-


ram um número reduzido de chamadas na noite de 21 de
Janeiro e na madrugada do dia seguinte, apesar dos oito sis-
ocorrido ao nível dos agentes sentes. te da corporação, Joaquim tos.

mos que abalaram a Ilha de São Miguel.


Fonte do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil de SANTA MARINHA DO ZÊZERE
Ponta Delgada disse à agência Lusa que algumas pessoas te-
lefonaram quando se registou o sismo mais intenso, mas “não
houve grande acréscimo de chamadas”.
Três jovens bombeiros realizaram parto
“Foi uma situação normal. Recebemos alguns telefonemas a
seguir ao sismo mais intenso. Mas nada de anormal”, acres-
centou.
T rês jovens Bombeiros dos Voluntários de Santa Marinha do
Zêzere, em Baião, “transformaram-se” no passado dia 29
de Janeiro à noite em verdadeiros parteiros ao assistirem ao
pescoço, mas correu tudo bem”, precisou, mostrando grande
emoção.
O parto foi assistido pelos bombeiros José Alves, Pedro Je-
O tremor de terra mais forte teve magnitude de 3,4 na es- nascimento de uma bebé junto ao quartel da corporação. sus e Bruno Sousa, todos com pouco mais de 20 anos de
cala de Mercali modificada, disse fonte do Sistema de Vigilân- Segundo o bombeiro Albino Monteiro, a corporação recebeu idade.
cia Sismológica dos Açores (SIVISA). um telefonema para ir buscar a jovem mãe, de 24 anos, a Para Pedro Jesus esta não foi uma experiência nova, uma
“Seguiram-se réplicas aos sismos principais, mas apresen- casa por já se encontrar em trabalho de parto, mas “foi tudo vez que há cerca de um ano teve que participar no primeiro
tando um padrão decrescente. Foram sentidos menos sismos muito rápido” e a viagem acabou à porta do quartel. parto registado numa ambulância daquela corporação.
e de menor magnitude”, afirmou José Luís Gaspar, responsá- “A ideia era levar a Alexandra Raquel, que vive em Tôrtola, Albino Monteiro contou à Lusa que o nascimento da bebé foi
vel daquele serviço, indicando que, regra geral, são necessá- Baião, ao hospital de Amarante, mas não deu tempo”, disse. “um momento único, de grande satisfação e alegria”.
rias 24 horas para verificar se a situação normalizou. A bebé, cujo peso e nome os bombeiros desconhecem, aca- Após cortado o cordão umbilical foi tempo dos bombeiros
De acordo com a mesma fonte, apesar dos sismos “terem bou por nascer dentro da ambulância às 23:05. seguirem caminho até ao hospital de Amarante, onde mãe e
sido sentidos por algumas pessoas não houve danos mate- “A menina era grande e tinha o cordão umbilical à volta do filha ficaram internadas.
riais”, situação normal com este tipo de intensidade.
FEVEREIRO 2004 DESTAQUE 11
CONTAS POR SALDAR PREOCUPAM BOMBEIROS

Verbas da calamidade
continuam “congeladas”

Foto: Rogério Oliveira


Estará o problema dos meios resolvido em tempo útil?

O que nasceu para ser a forma mais rápida bombeiros, em Agosto do ano tentativas neste sentido”. Uma que há corporações que têm Fora das questões financei-
passado, em que o serviço ga- conferência de imprensa e vá- muitos milhares de euros em ras, mas sempre na mente dos
de resolver os problemas decorrentes das rantia o pagamento urgente das rias diligências fazem parte de reparações de viaturas. E há soldados da paz, estão ainda
vagas de incêndios que assolaram o nosso reparações de viaturas sinistra- um processo que foi conturba- reparações de viaturas que es- outras preocupações: “Estamos
das na primeira vaga de incên- do: “Foram-nos devolvidos os tão nos carroçadores, e que praticamente à beira de um
país no ano passado – a declaração de
dios, ficou apenas a expectativa processos pelo Centro Distrital ainda não foram levantadas novo Verão. Não sabemos o que
calamidade pública – acabou por se de que a situação fosse resolvi- de Operações de Socorro, di- porque não há dinheiro”. Res- vai acontecer e uma grande
transformar num problema ainda maior. É da com brevidade. E já lá vão zendo que faltavam orçamentos tam ainda as “associações que parcela das viaturas não está
seis meses. e fotografias dos danos causa- estão com rupturas de tesoura- em condições de actuar. Algu-
que do dinheiro prometido para pagar as Com os veículos reparados, dos nas viaturas. Em plenário, a ria, porque não têm dinheiro, e mas reparações foram feitas,
reparações das viaturas acidentadas no mas sem poderem pagar às ofi- federação decidiu que não ia algumas que até já tiveram de outras, se não nos pagarem,
cinas; com as reparações pa- fornecer esses documentos, fazer empréstimos para pagar não temos hipótese de fazer.
combate aos fogos, nem sinal. E nem o gas, mas sem forma de fazer porque nunca tinham sido pedi- vencimentos aos assalariados”. Depois há carros que têm de ir
SNBPC sabe ainda quando poderão ser face às despesas correntes, ou dos, e agora, depois dos carros A luz ao fundo do túnel para a a oficinas especializadas, o que
regularizadas estas contas pendentes. Os ainda com as viaturas “inopera- reparados e de pagas muitas resolução total do problema é demora tempo. O problema
cionais” à espera das verbas dessas reparações, não íamos que teima em não aparecer: grave é a falta de meios para os
bombeiros estão preocupados e deixam a para reparação, estão grande arranjar esses orçamentos, “Nada… Não há qualquer data incêndios. Se algumas corpora-
questão: estará o problema dos meios para parte dos corpos de bombeiros porque teriam de ser fictícios. marcada… Nada” – diz Simões ções mandaram reparar as via-
que combateram os incêndios Depois de tudo isso, foram do- Velez, que fala de valores totais turas e agora estão à espera do
a próxima época de incêndios resolvido em de Agosto do ano passado. Não cumentos para o SNBPC e fo- que deverão ascender aos 500 dinheiro, outras – e se calhar
tempo útil? há dados nacionais, mas não é ram devolvidos porque faltavam mil euros para os 15 corpos de foram os mais espertos – só
difícil perceber a situação do livretes, seguros...Enfim, foi bombeiros do distrito, “todos irão reparar os carros depois de
Texto: Sónia Rufino e Patrícia Cerdeira País. O “BP” foi ouvir alguns dos outra maratona para os arran- com problemas”. receberem o dinheiro, pois so-
responsáveis do sector e faz jar. Tenho conhecimento que, As críticas não podiam faltar: mos nós que damos a cara ao

S
ão vários os problemas Ibéria já é por demais conheci- eco das preocupações dos sol- neste momento, algumas cor- “Estamos a falar de incêndios homem da oficina e depois não
que se colocam quando da. Do mesmo modo, têm sido dados da paz. porações já receberam alimen- de Agosto, quando há um des- podemos dizer que não paga-
se fala da falta de paga- amplamente discutidas as con- Simão Velez, presidente da tação e combustíveis. Outras pacho com base no qual nos mos…” – afirma o responsável
mento das despesas referentes tas das associações de bombei- Federação de Bombeiros do ainda não receberam nada. Há mandaram fazer reparações e pela Federação de Portalegre.
ao combate aos incêndios flo- ros e o impacto da tragédia do Distrito de Portalegre traça o promessa do serviço de pagar que saiu em Diário da República E de novo as críticas ao servi-
restais do ano passado. O País Verão de 2003 nos cofres dos panorama daquela região: “Há esta semana todos os combus- a 11 de Agosto. Foi com base ço: “Entrou-se numa situação
esteve a arder e a história ne- soldados da paz. Depois de uma corporações que já receberam, tíveis, mas para as despesas nisso que andámos para a fren- em que toda a gente diz que
gra da ponta mais ocidental da comunicação aos corpos de depois de termos feito algumas que temos é muito pouco, por- te”. (continua na página seguinte)
12 DESTAQUE FEVEREIRO 2004

(continuação da página anterior)


não há dinheiro. Possivelmente
será um facto, e por isso vai-se
tentando arranjar problemas
para não se fazerem os paga-
mentos. Agora falta mais um
papel e lá vão mais 15 dias… É
uma forma de adiar os paga-
mentos, não há dúvida nenhu-
ma. O que me revolta mais é
que todos já sabemos das difi-
culdades do País, mas foram os
altos governantes que estive-
ram no terreno e que disseram
“meus amigos, arranjem ime-
diatamente porque amanhã va-
mos precisar novamente”. Isso
era muito bom de dizer quando
os fogos andavam por cá, quan-
do andávamos a combater 24
sobre 24 horas e ardiam casas…
e ardia tudo e mais alguma coi-
sa. Agora levamos com isto. É
pena que as pessoas estejam a

Foto: Rogério Oliveira


esquecer-se das lágrimas que
choraram nos locais dos incên-
dios. E é provável que o próxi-
mo Verão não seja muito me-
lhor. Este ano ainda se fez, mas Os ministros Morais Sarmento e Figueiredo Lopes quando numa das conferências de imprensa decorrentes dos incêndios do ano passado
no próximo ano haverá falta de
meios e material e o desânimo primeiro embate poderão ficar
das pessoas” – conclui Simões ‘inop’. Isso tira-nos a capacida-
Velez. de de resposta e de garantias
No distrito de Castelo Bran- em termos de combate de fo-
co, a situação é um pouco me- gos florestais”.
lhor. Diz o presidente da fede- No caso de Portimão, os pro-
ração de bombeiros daquele blemas alargaram-se ao veículo
distrito que o serviço “pagou de combate a incêndios urba-
combustível, alimentação e re- nos, já que “foi utilizado nos
parações a todos os corpos de florestais, quando o incêndio
bombeiros”, 12 no total. Mas ameaçava as populações, e so-
apenas as reparações já efec- freu danos”.
tuadas. A faltar, ficam “aquelas Para Vilarim Reis, é uma
que as corporações não pude- questão de dinheiro, mas tam-
ram fazer por falta de meios. bém de tempo: “Precisamos de
Falta verba e nesses casos ain- consultar oficinas, estudar or-
da não há autorização para ar- çamentos. As oficinas não têm
ranjar e pagar. De resto, têm já só os nossos carros para repa-
toda a documentação” – refere rar, o que vai complicar muito
António Sousa, que adianta mais a problemática do planea-
que o que resta fazer ainda é mento e preparação da próxima
bastante. Datas, também não época. Vejo isto com muito pes-
existem: “Não sei dizer, porque simismo, porque medidas de
ninguém tem conhecimento de fundo não temos. Ainda se jun-
Foto: Rogério Oliveira

nada. Não há informação ne- ta o Euro 2004 aos incêndios.


nhuma sobre quando nos po- Os meios estão reduzidos e te-
derão autorizar e pagar as im- mos os encargos que a associa-
portâncias orçadas. Depois, ção assumiu e que, numa situa-
não sei como será o Verão. Viaturas “inop” são preocupação dos bombeiros ção análoga, não sei como
Penso que 2004 ficará sempre será”.
prejudicado… Não sei o que o mentos, e respectivo aval, é dos definitivamente. Não estão Falou-se muito a seguir ao Ve- os bombeiros…” – remata An- Por isso fica o alerta: “É ur-
Governo está a pensar sobre complicado dizermos que te- operacionais a 90 por cento. Os rão, agora toda a gente se ca- tónio Sousa. gente que o Serviço tome cons-
isso. Se não houver a compar- mos viaturas, porque os carros bombeiros estão preocupados. lou. Quando o calor começar, Mais a sul, no Algarve, Vila- ciência do que se está a passar
ticipação e aprovação dos orça- saem uma vez e ficam arruma- Estamos à espera do Governo. começam novamente a culpar rim Reis, comandante dos Bom- nas Associações e Corpos de
beiros Voluntários de Portimão Bombeiros neste momento e
esclarece: “Por aqui, apenas que pense seriamente num pla-
algumas associações foram res- neamento para a próxima cam-
sarcidas de algumas verbas re- panha de incêndios florestais,
lativas ao combustível. Falta sob pena de termos uma situa-
alimentação e reparações de ção idêntica e não termos meios
viaturas. Falta quase tudo. Não para fazer face à calamidade” –
há valores totais apurados, por- conclui Vilarim Reis.
que não há da parte do SNBPC Preocupações que a Liga dos
indicação de verbas. Ou seja, Bombeiros Portugueses subs-
foram enviadas as despesas e creve. Para Duarte Caldeira, a
nem sequer ainda temos infor- grande questão que se coloca
mação do que vai ser pago, se com o arrastar dos processos é
está ou não tudo bem, em a “dos meios disponíveis para o
suma, daquilo que se vai passar combate aos incêndios”.
a seguir”.
Os casos difíceis também Despesas do DECIF
existem: “Temos situações em “saldadas até Maio”
que algumas associações avan-
çaram com a reparação das O SNBPC garante que “nada
viaturas e, como é óbvio, esse ficará por pagar”. Os atrasos
dinheiro está a fazer falta para nos pagamentos devem-se a
os pagamentos. Também temos questões processuais, lentas e
situações em que há associa- rigorosas. Algumas das despe-
ções que continuam com as sas decorrentes da Calamidade
viaturas inoperacionais porque Pública ainda vão demorar a ser
continuam à espera do Serviço. saldadas. Mais rápido será o
Outros casos existem em que processo relativo às contas nor-
as viaturas estão operacionais, mais do DECIF. Diz o SNBPC
mas ficticiamente. Ou seja, po- que dentro de dias há corpora-
dem avançar, no entanto, no ções que vão começar a ter “luz
FEVEREIRO 2004 DESTAQUE 13

Foto: Rogério Oliveira


Foto: Rogério Oliveira
Este ano “poderá ficar prejudicado” no combate às chamas

“Já se esqueceram das lágrimas que choraram nos locais dos incêndios” - acusam os bombeiros SNBPC prepara-se para saldar com uma data real para o paga-
dívidas antigas. Há corpos de mento total das dívidas relati-
verde” para mandar reparar inventariação do total nacional ser precisas nos meses seguin- Ministério da Administração In- bombeiros que ainda não foram vas ao ano passado: “Relativa-
material. Quem já o fez, rece- deverá terminar “durante este tes. terna. Os pagamentos têm es- ressarcidos de despesas relati- mente às verbas da Calamidade
berá em breve. mês”. “Esta é uma convicção, Na vertente da Calamidade tado a ser feito através de ou- vas a 2001 ou 2002, por exem- não gostaria de avançar com
O Serviço Nacional de Bom- um processo de intenções. Es- Pública, o diploma contempla tras verbas disponibilizadas plo. uma data. Nos próximos dias
beiros e Protecção Civil (SNBPC) pero começar a antecipar o seis critérios rigorosos: alimen- pelo MAI”, refere Álvaro Olivei- “Para além do que já referi, tenho reuniões determinantes e
não desmente atrasos nos pa- pagamento deste tipo de pro- tação, combustíveis, reposição ra. há paralelamente essa preocu- prometer uma data não seria
gamentos das contas relativas cesso, que normalmente só de viaturas novas, reparação de pação. Está tudo inventariado e sincero. Posso dizer-lhe que o
ao Verão de 2003. Mesmo as- acontece em Maio”. As verbas viaturas, equipamentos diver- Anos anteriores nos próximos dias o SNBPC es- serviço já pagou 4600 mil euros
sim, nega quaisquer acusações referidas correspondem a des- sos e despesas ligadas à coope- vão ser saldados tará em condições de pagar e que nada ficará por pagar.
de “má fé” para com os bom- pesas de alimentação, com- ração internacional. De todo despesas de um passado me- Não queremos prejudicar nin-
beiros portugueses. A comple- bustível e reparação de viatu- este “bolo”, garante o SNBPC, Em sede de fogos florestais nos recente”, refere o respon- guém e gostaria que isso ficas-
xidade de todo um processo ras. Depois dos processos to- já foi pago muito perto de 1600 de dispositivos anteriores, o sável, que prefere não avançar se claro”.
decorrente de um Verão “anor- dos conferidos, o SNBPC, que mil euros, de um total que o
mal” e “sem comparação”, é, ainda aguarda a “chegada de serviço ainda não está em con-
segundo o SNBPC, uma das alguns documentos”, afirma-se dições de poder contabilizar. “Já
principais razões para a actual convicto de que estas contas foi paga uma parte substan-
situação vivida no sector. serão saldadas nos próximos cial”, garante Álvaro Oliveira,
Para tentar perceber o estado dois meses. “No máximo até que acrescenta: “Há uma ideia
das contas - quem deve o quê e Maio”, refere o vice-presidente. que quero transmitir. O SNBPC
até quando -, o “BP” falou com “Obviamente que esta questão tem a maior vontade em resta-
Álvaro Oliveira, vice-presidente está directamente ligada à dis- belecer tudo. Há milhares de
do SNBPC. Para este responsá- ponibilidade financeira do ser- processos, milhares de papéis.
vel a honestidade é “ponto de viço. O nosso orçamento não Reforcei a minha equipa para
honra”, ou não fosse o serviço fica totalmente disponível logo poder resolver tudo o mais bre-
de que é responsável o “princi- no início do ano, no dia 1 de vemente possível. Os processos
pal interessado” na estabilidade Janeiro. Há verbas que vão vão chegando e, dentro do pos-
económica dos corpos de bom- chegando a pouco e pouco, já sível, vamos resolvendo. Nas
beiros que integrarão, dentro que o dinheiro com que lida- despesas decorrentes da Cala-
em breve, um novo dispositivo mos tem duas origens: as ver- midade Pública já pagámos as
de combate. bas inscritas em Orçamento de despesas referentes à alimen-
Mas, afinal, como e quando é Estado e as receitas próprias, tação, combustível e coopera-
feito o pagamento aos corpos como as que advêm dos segu- ção internacional. Em aberto
de bombeiros no que às contas ros, ou do Totoloto e Totobola. estão as reparações e a reposi-
de 2003 diz respeito? O paga- Estas são verbas que vão che- ção de viaturas. Relativamente
mento das despesas decorren- gando em diferentes tempos. A a esta última questão, está
tes dos incêndios está a ser componente Estado é a que quase tudo concluído. Espera-
realizado com base em duas vem sendo utilizada na gestão mos ter a inventariação total
situações distintas, duas fontes diária”, explica o responsável, nos próximos dias, com o ob-
financeiras diferentes. São pa- que refere o valor total já dis- jectivo de, na segunda quinze-
gas as despesas inerentes, e ponibilizado pelo serviço no na deste mês, avisarmos as
habituais, afectas ao orçamen- âmbito das despesas do DE- corporações de que têm autori-
to do habitual Dispositivo Es- CIF: “Vale a pena dizer que o zação para mandar arranjar as
pecial de Combate a Incêndios serviço já pagou três milhões viaturas. Aos corpos de bom-
Florestais (de Junho a Setem- de euros de despesas relativas beiros irá chegar uma autoriza-
bro) e, este ano excepcional- ao DECIF e é nossa intenção ção dizendo que o serviço com-
mente, estão igualmente a ser prosseguir os pagamentos no participa e qual o montante. Há
pagas outras contas através do decorrer deste mês. duas situações das quais de-
fundo que decorre da declara- pende a resolução de todos es-
ção pelo Governo do Estado de Dinheiro da UE ainda tes processos: a necessidade
Calamidade. Em situação nor- não chegou ao MAI de termos os processos devida-
mal, e no que concerne aos mente constituídos e sermos - o
pagamentos do DECIF, os cor- Depois há uma outra fonte de serviço - ressarcidos de verbas
pos de bombeiros têm até fi- pagamento. Da declaração de ao abrigo do Fundo de Calami-
nais de Novembro para consti- Calamidade Pública surge um dade da União Europeia que, ao
tuir os processos e enviar as diploma, aprovado em Conse- que sabemos, irá ser disponibi-
contas para reembolso. Estas lho de Ministros, que determi- lizado a breve prazo. Já infor-
verbas, depois de conferidas e nou em Agosto último o paga- mei que temos processos con-
ratificadas pelo SNBPC, come- mento imediato de despesas cluídos e que o dinheiro tem de
çam a ser pagas em Maio. Nes- relativas à reparação de viatu- chegar às nossas mãos. Sabe-
te momento, e segundo decla- ras, já que entendeu o Governo mos que o dinheiro já chegou a
rou ao “BP” Álvaro Oliveira, a que as mesmas continuariam a Portugal, mas ainda não está no
14 REPORTAGEM FEVEREIRO 2004

VISEU ACOLHE FÓRUM NACIONAL SOBRE INCÊNDIOS FLORESTAIS

“Incêndios não são um problema


dos bombeiros”
Visões criticas,
análises construtivas,
recados e apelos.
Tudo isto foi possível
ouvir no Fórum
Nacional Sobre
Incêndios Florestais,
que decorreu no
passado dia 31 de
Janeiro em Viseu.
Organizada pela
federação de
bombeiros daquele
distrito, esta
iniciativa, que juntou
cerca de 500
participantes, foi, na
opinião de alguns, a
melhor e mais
consistente realização
do género. No final,
entre apelos à união e
garantias de

Foto: Rogério Oliveira


profissionalismo,
ficou o recado: “Os
incêndios não são um O encontro reuniu cerca de 500 pessoas
problema dos
bombeiros”. da Liga dos Bombeiros Portu- lembro de ouvir coisas do géne- co que muita tinta tem feito beiros de Portugal); “Modelos Bombeiros do Distrito de Viseu)
gueses (LBP), decidiu organizar ro com tanta consistência e correr nos últimos meses: “In- de Análise para Adequação dos e, finalmente, a sínteses con-
um evento sobre esta matéria. qualidade”, ou “até que enfim cêndios Florestais 2003 – Uma Meios Aéreos Face ao Risco Po- clusiva a cargo de Duarte Cal-

F
oram várias as aborda- A verdade é que o objectivo foi que o tema incêndios é discuti- análise integrada”, por Gil Mar- tencial de Incêndios”, por Rui deira, presidente da LBP.
gens feitas à temática “In- conseguido. De entre os cerca do desta forma. Parabéns”. tins (ex-coordenador do CNOS); Almeida (SNBPC); “Os Incên- Uma das intervenções mais
cêndios Florestais 2003”. de 500 participantes neste fó- As cinco intervenções temáti- “Os Incêndios Florestais na dios Florestais e os Bombeiros: aguardadas era a de Gil Mar-
Era esta a intenção da Federa- rum, ouviram-se opiniões cas que assinalaram esta inicia- Agenda da Comunicação So- Uma Abordagem Integrada”, tins. Contra o que muitos espe-
ção dos Bombeiros do Distrito como: “Já ando nos bombeiros tiva marcaram diferentes abor- cial”, por Patrícia Cerdeira (Jor- por Joaquim Rebelo Marinho ravam, um discurso crítico ou
de Viseu, quando, com o apoio há mais de 40 anos e não me dagens sobre um tema polémi- nalista da RDP e do Jornal Bom- (presidente da Federação de até delatório, o ex-coordenador
apresentou aos participantes
uma análise técnica de futuro,
com base nas experiências do
“OURO” PARA GIL MARTINS E PEDRO LOPES passado.
Gil Martins aproveitou a oca-
LBP diz que “foi feita justiça” sião para dizer que “pouco”
está a ser feito para evitar uma

O momento mais significativo e


emocionado do fórum realizado
em Viseu aconteceu já no final do
ros, porque é esta a minha casa e é
aqui que sei estar”, sublinhou.
Também Pedro Lopes não escon-
catástrofe semelhante à do ano
passado. “Esperar que alguma
coisa se altere em 2004, em
dia, quando, a pedido de Duarte Cal- deu a emoção de receber o Crachá de termos de fogos florestais, é
deira, Gil Martins, ex-Coordenador do Ouro, referindo o sentimento de “es- estar à espera de um milagre”,
CNOS, e Pedro Lopes, ex-vice-presi- tranheza que o invadiu”: “É engraça- avisou.
dente do SNBPC, subiram ao palco do, pois nunca pensei sentir o que “Nós estamos a discutir o Ve-
para receberem o Crachá de Ouro da senti ao ser agraciado pela LBP. É rão de 2004, mas devíamos
confederação. Questionados pelo uma sensação diferente. Estou muito estar a preparar o Verão de
“BP”, os dois bombeiros “de alma e reconhecido e espero que continuem 2010. É o que acontece em Es-
coração”, como fazem questão de di- a contar comigo, pois a minha rela- panha ou em França. Estas
zer, afirmaram que vão guardar “reli- ção e ligação aos bombeiros não ter- questões preparam-se com cer-
giosamente” a insígnia em suas ca- minará nunca. Foi aqui que “nasci e é ca de 25 anos de antecedência.
sas, em lugar especial. aqui que vou continuar. Na minha Devíamos trabalhar com calma
Visivelmente emocionado, Gil Mar- próxima missão (INEM), tudo farei e serenidade”, aconselhou. Pe-
tins referiu que “não estava à espe- para que esta ligação não se perca, rante uma plateia expectante, o
ra”, sublinhando que a condecoração antes pelo contrário, se reforce”, su- antigo coordenador defendeu a
representa uma recompensa e o re- blinhou o ex-responsável do SNBPC. aplicação de legislação que li-
Foto: Vítor Alfaia

conhecimento pelos anos que dedi- Para Duarte Caldeira, “foi feita justi- mite o acesso da população às
cou à causa, revestindo-se, por isso ça”, opinião partilhada pelos muitos florestas durante épocas de ris-
mesmo, de um “grande simbolismo”. amigos e bombeiros que participa- co elevado de incêndio: “Essas
“Continuarei ao serviço dos bombei- ram nesta cerimónia. Gil Martins e Pedro Lopes receberam o Crachá de Ouro da LBP medidas preventivas devem
prever sanções penais”, susten-
FEVEREIRO 2004 REPORTAGEM 15

Foto: Rogério Oliveira


Joaquim Marinho, da Federação de Viseu

tou. O antigo responsável do isso exaltadas”, como a dos au-


CNOS lembrou que mais de 95 tarcas, a das populações ou até
por cento dos incêndios têm mesmo a de bombeiros no limi-
origem humana, sendo as cau- te, que devido à situação, à
sas por negligência e acidente emoção de ver os seus bens a
as mais numerosas. Impõe-se, arder, nem sempre dão as infor-
por isso, que exista informação mações correctas.

Foto: Rogério Oliveira


sobre as “atitudes a tomar na Nos debates gerados entre as
manipulação do fogo e no aviso intervenções, foram muitas as
às populações sobre os dias de críticas ao modo como o Gover-
maior perigo”, acrescentou. no aglutinou o Serviço Nacional
“A educação da população é o de Bombeiros (SNB) e o Serviço O governador civil do distrito de Viseu
instrumento mais importante Nacional de Protecção Civil. Re-
da prevenção”, sublinhou, refe- belo Marinho, presidente a Fe- serenidade e profundidade, não prescindem do capital da Mortágua, onde no Verão pas- to de Viseu, Azevedo Maia
rindo que, para um programa deração dos Bombeiros do Dis- praticar reflexão autocrítica sua reflexão e conhecimentos sado, contrariando o panorama elogiou por várias vezes o tra-
de prevenção ter sucesso, de- trito de Viseu (FBDV), realçou o sem auto-flagelação. Ficou para criar um sistema de pro- de Portugal, se registaram balho dos soldados da paz, lem-
vem ser tidas em conta as prin- “impasse” que o sector atraves- também provado que o manan- tecção e socorro melhor”, con- “apenas onze incêndios flores- brando que não fora o “profis-
cipais causas de incêndio em sa. Na sua intervenção, o res- cial de conhecimento acumula- cluiu o responsável perante um tais que consumiram pouco sionalismo e os conhecimentos”
cada distrito, adequando os ponsável referiu que o Governo do durante muitos anos pelos enorme aplauso. mais de três hectares”. Segun- destes elementos e o cenário do
programas e as mensagens a “não ouviu” os parceiros, se- bombeiros de Portugal é razão do Azevedo Maia, 70 por cento Verão “teria sido outro”. Na pla-
cada comunidade. guindo uma política “economi- suficiente para o que dizemos Governador Civil do concelho é floresta, que teia, estes elogios provocaram
Gil Martins defendeu também cista”. tenha consequências. Este dia elogiou bombeiros constitui a principal riqueza e alguma estranheza e descon-
a criação de estratégias junto “Temos de encontrar as cau- acentuou algo que há muito vi- rendimento dos seus habitan- tentamento, depois de, no Ve-
dos órgãos de comunicação so- sas deste impasse em que se mos dizendo e que já hoje aqui Na sessão de abertura do fó- tes. Durante o discurso, e pe- rão passado, o responsável po-
cial, uma vez que, segundo as encontra o nosso sector para foi referido: o problema dos in- rum, o Governador Civil de Vi- rante a perplexidade dos bom- lítico ter criticado os bombeiros,
sondagens, “setenta e sete por sairmos dele, mas o Estado tem cêndios florestais não é um seu, Azevedo Maia, destacou a beiros presentes, nomeada- dizendo que “estes não sabiam
cento da população acredita no de dar uma ajuda”, advertiu. O problema dos bombeiros. É sim experiência do concelho de mente dos bombeiros do distri- apagar fogos”.
que é publicado”. antigo presidente do SNB sa- um problema de Portugal, e,
Na mesma linha, Patrícia lientou o facto de “o Estado não como tal, cabe aos represen-
Cerdeira, jornalista da RDP e do ter bombeiros, é essa uma das tantes dos portugueses encon-
jornal “Bombeiros de Portugal”, razões deste conflito”: “A res- trar as soluções para que seja
alertou na sua intervenção para ponsabilidade da protecção e do resolvido e eliminado. A nós
a “falta de uma estratégia forte socorro é do Estado, isto está caberá responder quando for
e eficaz de comunicação com os constitucionalmente consagra- preciso, dizer presente com
jornalistas”: “Os bombeiros, do. Mas como impera uma lógi- profissionalismo, ao contrário
devido à missão, têm muita di- ca economicista, transferem-se do que muitos tentaram contra-
ficuldade em perceber as ne- as responsabilidades para os riar. Temos os melhores bom-
cessidades dos jornalistas, que bombeiros”, defendeu. beiros do mundo. Isso ficou
têm horários para cumprir, jor- Joaquim Marinho acusou ain- provado em 2003 e também
nais para fechar, horas para in- da o Governo de não ter apos- aqui hoje”.
formar”, afirmou. Para a jorna- tado no reforço dos meios, nem Referindo-se a muitas das
lista, “a falta de um elo de liga- numa estratégia de clarificação questões técnicas assinaladas
ção” - que lembrou estar insti- e fiscalização. “Faltou, e conti- nas diversas intervenções, Du-
tuído – “um alguém eficaz, nua a faltar, um projecto mobi- arte Caldeira sublinhou: “Este
credível e permanente, acaba lizador. Faltou o diálogo com os fórum provou que para além da
por se traduzir num clima de parceiros. O Estado poupou, necessidade de uma política in-
conflito que não é benéfico para mas não reorganizou, o traba- tegrada para a floresta é preci-
ninguém, porque o jornalista lho continua nas nossas mãos”, so melhorar modelos de organi-
vai ter de informar e, quando conclui o presidente da federa- zação, formação para a decisão
não tem a informação da fonte ção de Viseu. estratégica, bem como repen-
certa, acaba por encontrar ou- sar meios disponibilizados para
tros métodos, por vezes menos Liga denuncia o combate. Em Portugal, o vo-
éticos ou menos eficazes”. “ausência” do SNBPC luntariado não tem os dias con-
“Todos temos uma missão no tados, tem sim de ser repensa-
terreno. Há que arranjar meca- Na síntese conclusiva deste do, reinventado e complemen-
nismos para que essa realidade fórum sobre incêndios flores- tado com estruturas permanen-
incontornável se torne em algo tais, Duarte Caldeira, agrade- tes, porque a realidade mudou”.
saudável, porque cada um está cendo a disponibilidade de to- Pronunciando-se sobre a inter-
a fazer o seu trabalho tentando dos os presentes e ressalvando venção do ex-coordenador do
dar o seu melhor”, realçou. a participação do técnico do CNOS, o presidente da LBP des-
Reportando-se ao Verão do SNBPC, Rui Almeida, criticou a tacou a “dignidade do discurso”
ano passado, no seu entender a não representação ao mais alto apresentando em Viseu. “Mui-
realização de dois briefings diá- nível da direcção do serviço, o tos esperavam sangue ou um
rios com os jornalistas no CNOS que, como sublinhou o presi- discurso magoado. Enganaram-
não foi a forma ideal de o con- dente da LBP, “era sua obriga- se. Gil Martins trouxe-nos um
seguir, uma vez que o Centro ção”. Para consubstanciar a crí- valioso contributo para refle-
não teve a capacidade para tica, Duarte Caldeira referiu: xão. Convidou-nos a consolidar
centralizar informação ao minu- “Não é possível construir um aquilo que denominou de “espí-
to, como os profissionais da novo serviço e um novo sistema rito de classe”. Não trouxe um
comunicação necessitam. Neste sem ter a capacidade e humil- discurso fácil, de quem procu-
âmbito, Patrícia Cerdeira defen- dade de estar junto daqueles raria afirmar qualquer tipo de
de a descentralização através que o justificam. E esses somos retaliação. Em nome da Liga, e
de porta-vozes em cada distri- nós!”. Sobre o fórum, o respon- pela forma bonita, corajosa e
to, para que os jornalistas não sável da confederação subli- de elevação, o nosso muito
tenham de ir “à procura de vi- nhou: “Esta iniciativa provou obrigado. Os bombeiros de Por-
sões mais sentimentais e por que somos capazes de, com tugal, ao contrário de outros,
16 PREVENIR FEVEREIRO 2004

FISCALIZAÇÕES EM 2003
LOURES

Falta de segurança obriga Câmara aprovou


Plano de Intervenção
a encerrar lares e creches na Floresta
Faltam condições de segurança em alguns lares A Câmara de Loures, que aprovou no
passado dia 13 de Janeiro o Plano Mu-
nicipal de Intervenção na Floresta, deverá
de idosos, creches e jardins de infância. As iniciar em breve trabalhos de prevenção
fiscalizações levadas a cabo em 2003 resultaram contra incêndios, segundo as indicações do
documento, onde constam as zonas de
no encerramento de 170 espaços deste tipo.
maior risco.
Bagão Félix, ministro da Segurança Social e do O vereador do sector do Ambiente, Rui
Trabalho fez o anúncio dos problemas e das Pinheiro, disse à Agência Lusa que o plano
“dá a conhecer os locais de maior risco de
medidas... incêndio, que é a zona Norte do concelho,
nomeadamente Lousa, Bucelas e Fanhões,

Foto: Rogério Oliveira


ministro da Segurança Social de segurança, e das próprias insta- por terem encostas mais expostas ao sol”.
e do Trabalho, Bagão Félix, lações dos lares”. A aprovação da versão final do plano,
revelou recentemente que Bagão Félix recordou que há um que estava em elaboração há dois anos,
em Setembro de 2003 foram encer- ano foi assinado um acordo entre o permitirá à Câmara “seguir um trabalho de
rados 130 creches e jardins de in- Governo e a Confederação das Insti- Foram encerrados 40 lares de idosos prevenção aos incêndios com os sapadores
fância e 40 lares de idosos por não tuições de Solidariedade Social, florestais e os bombeiros”, afirmou o res-
reunirem condições de qualidade e União das Misericórdias Portuguesas ocupa com o facto de lares de ido- co”, acrescentou o ministro da Se- ponsável.
segurança. e União das Mutualidades, para vi- sos não possuírem sistema de de- gurança Social e do Trabalho, que “Em termos práticos, o município fica
Falando à margem do encontro gorar entre 2003 e 2006, intitulado tecção de incêndios, conforme disse não haver necessidade de re- em melhores condições para a definição de
“Maus Tratos a Crianças, Idosos e “Programa para o Desenvolvimento aponta o relatório, Bagão Félix res- ver a legislação que regula o funcio- uma política de prevenção contra incêndios
Deficientes - Prevenção”, que se re- da Qualidade das Respostas So- pondeu: “Preocupo-me, sim, mas namento dos lares, considerando que garanta a preservação dos ecosiste-
alizou no passado dia 13 de Janeiro ciais”, onde se avança com “o siste- preocupa-me mais estarmos cons- que “as leis são suficientes”. mas e dos bens dos seus munícipes”, fri-
em Lisboa, Bagão Félix referiu que ma de certificação, a exigência ao tantemente a apelar à institucionali- “Prefiro fazer menos três ou qua- sou.
“em Setembro de 2003 foram en- nível da detecção de incêndios, da zação dos idosos, quando precisa- tro lares de idosos e aumentar as Rui Pinheiro disse ainda que “o plano vai
cerrados 130 creches e jardins de segurança, da formação de pessoal mos é de mais família e menos be- situações de detecção e combate a muito mais longe”, pois dá também a co-
infância e 40 lares de idosos”, acres- em gestão, em técnica relacional e tão para os mais velhos”. incêndios, de vigilância, de seguran- nhecer “os solos, os problemas de erosão e
centando que “não foram encerra- em comunicações”. Sobre as deficiências apontadas ça e de conforto nos que existem”, todo o tipo de vegetação existente, o que
dos mais porque, infelizmente, não O governante disse também que, pela auditoria feita aos lares, Bagão confessou o membro do Governo. vai permitir também ordenar a caça e a
se pode pôr as pessoas na rua”. nos lares e creches, passou a ser Félix disse que “o que existe hoje é A maior parte dos lares de idosos pastorícia”.
Por outro lado, adiantou, “foram obrigatória “uma placa, precisa- uma situação que se arrastou ao em Portugal tem barreiras arquitec- A elaboração do plano, da iniciativa do
gastos em 2003 cerca de cinco mi- mente para dizer que está regista- longo dos tempos, quer ao nível das tónicas que impedem a mobilidade Departamento do Ambiente da autarquia
lhões de euros, pagos pelo Ministé- do, está legalizado, tem alvará em instituições de solidariedade social, dos utentes, e só menos de metade de Loures, envolveu um levantamento
rio da Segurança Social e do Traba- dia, justamente porque as famílias quer ao nível dos lares lucrativos”. tem sistemas de detecção e comba- exaustivo do território, desde o relevo, hi-
lho, para, por exemplo, melhorar os não sabem esses pormenores”. “A qualidade constrói-se dia a dia, te a incêndios, revela a referida au- drologia, ocupação do solo e clima.
sistemas de detecção de incêndios, Questionado sobre se não se pre- não é por decretos ou por diagnósti- ditoria.
FEVEREIRO 2004 ENTREVISTA 17
CARLOS MARTINS, SECRETÁRIO DE ESTADO DA SAÚDE

“Bombeiros são parceiro


importante e insubstituível”
São várias as questões que os bombeiros
têm para colocar ao Ministério da Saúde.
Para quando o pagamento das dívidas aos
bombeiros? O que pensa a tutela da Saúde
sobre o trabalho dos voluntários? Para
quando o aumento das tabelas em vigor?
E a polémica participação dos soldados
da paz no Euro 2004? O jornal “Bombeiros
de Portugal” entrevistou Carlos Martins
para saber o que pensa o governante sobre
algumas das matérias que unem a área
do socorro à saúde.

Entrevista: Patrícia Cerdeira

Bombeiros de Portugal de Protecção Civil (SNBPC). É


(BP) – Quem são e o que que a Emergência Médica lida
representam os bombeiros com pessoas, a quem presta
portugueses na óptica do assistência, e essa assistência
Ministério da Saúde no que não é mais do que a prestação
concerne à problemática do de cuidados de saúde. Assim,
socorro? não faria sentido que a entidade
Carlos Martins – Os bom- que coordena o SIEM, e que,
beiros portugueses são um im- como vimos, presta cuidados de
portante e insubstituível parcei- saúde, ficasse fora da alçada do
ro no socorro, assim como em Ministério da Saúde. O exemplo
qualquer situação de excepção que nos chega do estrangeiro
e de calamidade pública em que também não deve ser ignorado,
tenhamos (Ministério da Saúde) porquanto em todos os países
que intervir. Do ponto de vista desenvolvidos os serviços de
do socorro em emergência mé- emergência médica estão sob a
dica, os bombeiros são o princi- alçada dos respectivos ministé-
pal parceiro no Sistema Inte- rios da Saúde. Dar um passo
grado de Emergência Médica em sentido contrário seria vol-
(SIEM) e constituem um ele- tar 30 anos atrás, aos tempos
mento importantíssimo no fun- do Serviço Nacional de Ambu-
cionamento actual deste siste- lâncias fora da tutela da Saúde,
ma. São dezenas de milhar de e desperdiçar todo um trabalho
profissionais que, em corpora- entretanto feito. Seria também
ções por esse País fora, desem- caminhar no sentido contrário
penham um valioso trabalho ao que se pretende para a
que tem permitido salvar mui- emergência médica nacional:
tas vidas e que vai continuar a cada vez maior especialização e
salvar muitas mais. Conforme diferenciação dos que traba-
sempre afirmámos, estamos lham nesta área, assumindo
reconhecidos aos soldados da sem margem para dúvidas que
paz e temos muito orgulho em é necessária e indispensável
pertencermos a esta grande uma supervisão médica.
equipa que diariamente faz o BP – A Liga dos Bombeiros
bem sem olhar a quem. Portugueses (LBP) entende
BP – As estatísticas mos- que “não tem havido vonta-
tram que o transporte de de política” para adoptar o
Foto: Rogério Oliveira

doentes e o pré-hospitalar princípio da central integra-


constituem os principais ser- da de socorro. Qual é a sua
viços dos bombeiros. Como opinião?
se explica que a tutela do CM – Cada um tem a sua
sector da protecção e socor- competência própria e, hoje em
ro não seja uma tutela inte- dia, com as facilidades tecnoló- é que os bombeiros continu-   Em todos os países desenvolvidos, contrário, tem sido possível nos
grada e que existam dois gicas, é possível estar em dois am a considerarem-se o últimos tempos aproximar os
ministérios a “tomar conta” espaços diferentes e ainda as- “parente pobre” da área da os serviços de emergência médica profissionais do INEM do terre-
deste mesmo agente? sim executar um trabalho inte- saúde, em contraponto com no, de forma a terminar com
CM – A tutela dos bombeiros grado. A emergência médica os elementos do INEM.
estão sob a alçada dos respectivos esse clima de “pseudo-competi-
é da exclusiva responsabilidade deve ser gerida por profissio- Como se explica que, passa- ministérios da Saúde  tividade”. Os milhares de bom-
do Ministério da Administração nais com competências especí- do tanto tempo, ainda se beiros que todos os dias de-
Interna (MAI) e o INEM, res- ficas nesta área, devidamente assista a uma indefinição sempenham missões na emer-
ponsável pela coordenação do articulados com todos os que quanto ao modelo de parce- “parente pobre” na área da BP – Diariamente, no ter- gência pré-hospitalar sabem
SIEM, é, esse sim, tutelado pelo têm responsabilidades e inte- ria entre o INEM e os bom- Saúde e eu nunca os entendi reno, assiste-se a um clima que têm nos Centros de Orien-
Ministério da Saúde. Do ponto gram o socorro em Portugal. beiros, se no terreno o tra- dessa forma, nem admito qual- de competitividade entre os tação de Doentes Urgentes
de vista técnico nunca pareceu balho é o mesmo? quer atitude diferente desta. agentes na missão do socor- (CODU) do INEM um apoio para
razoável ter o MAI a tutelar a “Bombeiros não são CM – A parceria existe há Existe, sim, um conteúdo fun- ro. Como será possível in- o trabalho que desenvolvem no
Emergência Médica, e eis por- parente pobre da Saúde” muito tempo e está definida, cional, um modelo organizativo verter esta tendência, que terreno. Os bombeiros sabem
que o INEM ficou de fora da fu- embora possa e deva eventual- e uma missão técnico-profissio- tanto mal-estar cria? que têm no INEM um apoio e
são entre o Serviço Nacional de BP – Apesar da mentalida- mente ser incentivada e alarga- nal diferente, mas complemen- CM – Não é essa a orientação um parceiro empenhado em
Bombeiros e o Serviço Nacional de estar a mudar, a verdade da. Os bombeiros não são o tar. da tutela ao INEM, e, bem pelo (continua na página seguinte)
18 ENTREVISTA FEVEREIRO 2004

(continuação da página anterior)


melhorar as condições de de-
sempenho do Sistema Integra-
do de Emergência Médica. No
entanto, o INEM não pode dei-
xar de exercer as suas compe-
tências estatutárias, e muito
menos de assumir a coordena-
ção do referido sistema, tal
como os bombeiros têm as suas
competências e a sua coorde-
nação própria. Mas agradeço
que comportamentos e atitudes
menos correctas sejam trans-
mitidos ao presidente do INEM
ou a mim, enquanto tutela e
responsável político.
BP – Na última missão in-
ternacional, que esteve no
Irão, os bombeiros portu-
gueses, por indicação do
Serviço Nacional de Bombei-
ros e Protecção Civil, saíram
do País com um seguro de
vida dez vezes menor do que
o dos elementos do INEM
que integraram esta mesma
operação. O INEM conseguiu
um seguro bem mais eleva-
do. Acha razoável? Estamos
a falar de socorristas de pri-
meira e de segunda?
CM – O INEM, cumprindo as
minhas orientações, providen-
ciou todas as condições logísti-
cas e de operação aos seus
profissionais que se deslocaram
até ao Irão, e foi nesse contexto

Foto: Rogério Oliveira


que providenciou seguros para
os elementos da equipa, de
acordo com os seus critérios.
Outras entidades fizeram segu-
ros diferentes, que o INEM des-
conhecia e cujos critérios tam- feita pelo Serviço Nacional de houve tratamento diferencia- de que houve socorristas de   Até ao momento, não existe nenhuma
bém desconhece, sendo que Bombeiros e Protecção Civil. E, do), mas o INEM efectuou uma primeira e de segunda, porque
nada impede cada uma das en- de facto, eis o que está em cau- cobertura de risco adicional. não estamos a falar de conteú- intenção e/ou iniciativa de privatização
tidades de efectuar uma cober- sa: o SNBPC efectuou um segu- Naturalmente que, mais uma dos, responsabilidade e missões
tura suplementar àquela que foi ro igual para todos (logo, não vez, não aceito a classificação iguais.
na área do socorro pré-hospitalar.
BP – É conhecida a inten- Quem o afirma está a procurar conflitos
ção do executivo de rever o
regulamento de transporte gratuitos e a ‘sonhar acordado’,
de doentes. Também sabe- ou a traçar cenários claramente virtuais 
mos que em muitos pontos
do País não existem opera-
dores privados, nem trans- entre elas a actualização anual quando é que os bombeiros
portes públicos. Mais uma do custo por quilómetro e dos vão ter de se substituir ao
vez, só sobram os bombei- prémios INEM. Estado nesta matéria tão
ros. Como poderá ser aplica- sensível como é a prestação
da a mesma lei em realida- “Não existe nenhuma do socorro?
des geográficas diferentes? intenção de privatização CM – Felizmente que o INEM
CM – Muito pelo contrário: do pré-hospitalar” tem capacidade financeira para
actualmente é que existe um honrar os seus compromissos
único enquadramento jurídico BP – As alegadas inten- com os fornecedores e com os
para diferentes operadores, ções de privatizar a área da seus parceiros institucionais,
meios, responsabilidades e Saúde em Portugal têm sus- entre eles os bombeiros. Mas
zonas geográficas. O que es- citado muita polémica. Há quero aqui deixar bem claro
tamos a ultimar vai “separar cerca de 20 anos que esta é que me empenhei pessoalmen-
as águas”, valorizando, po- uma missão conferida aos te nesta questão – dívidas – e
tenciando e dignificando o bombeiros. Que garantias que estamos a monitorizar a
transporte de doentes. Vamos poderá dar, se é que exis- situação mensalmente, exigin-
revogar a portaria n.º 1147 e tem, de que esta tarefa con- do explicações a quem se afas-
publicar regulamentação para tinuará a ser dos bombei- ta de orientações concedidas
o transporte de doentes (trans- ros? para 2003 e dos objectivos defi-
porte em ambulância) e para o CM – Até ao momento não nidos para 2004. Acredito que a
transporte de utentes (trans- existe nenhuma intenção e/ou realidade em 31 de Dezembro
portes públicos). Naturalmente iniciativa de privatização na deste ano pouco terá a ver com
que, com este enquadramento, área do socorro pré-hospitalar. a de períodos homólogos
vamos também responder a Quem o afirma está a procurar BP – Por várias vezes o
diversas questões (legítimas) conflitos gratuitos e a “sonhar Ministério da Saúde já ouviu
dos bombeiros portugueses, e acordado”, ou a traçar cenários dos bombeiros a palavra
claramente virtuais. Essa era “basta”. O facto de se saber
uma intenção de alguém que, que os bombeiros jamais di-
  Os bombeiros também por isso, já não tem rão não ao socorro faz com
qualquer responsabilidade nes- que estas matérias não se-
não são o “parente ta área. jam encaradas de forma tão
BP – Falemos agora do séria, ao contrário de outras
pobre” na área eterno problema das dívidas áreas onde as greves resol-
da Saúde e eu nunca da Saúde aos bombeiros. vem por vezes os diferen-
Apesar do INEM ter as con- dos?
os entendi dessa tas regularizadas, a verdade CM – Eu encaro os bombei-
forma, nem admito é que muitos hospitais só ros portugueses de forma muito
Foto: Rogério Oliveira

têm saldado algumas das séria e desde o primeiro mo-


qualquer atitude dívidas perante ameaças le- mento estabeleci uma relação
gítimas de paralisação por institucional que irá dar os seus
diferente desta  parte dos bombeiros. Até “frutos“ nesta legislatura. Em
FEVEREIRO 2004 ENTREVISTA 19
2004 iremos fechar algumas   Não está e zações não governamentais,
questões e resolver algumas como é exemplo a Liga dos
heranças pouco simpáticas e nem será aberto o Bombeiros Portugueses. No
complexas, conforme tenho caso concreto da Saúde, foi de-
anunciado. Pela primeira vez,
processo sobre quem cidida a criação de uma Comis-
por exemplo, um membro do é emergência médica são de Acompanhamento. Foi
governo da área da Saúde en- entendido procurar que essa
viou um documento formal para no nosso País  comissão tivesse uma repre-
um Conselho Nacional da Liga sentatividade alargada a outros
dizendo o que pensamos dos TAS e 25 cursos de recertifica- departamentos do governo
bombeiros e qual o seu papel ção de TAS. É um passo muito com intervenção transversal
na Saúde, no Sistema Nacional significativo no reforço da for- nesta matéria. É importante
de Saúde. mação. referir que nesta realização a
BP – Que pensa o Ministé- responsabilidade da área da
rio da Saúde sobre as capa- “Não temos no socorro Saúde não se resume à emer-
cidades técnicas e profissio- qualquer visão gência. Teremos a emergência
nais dos bombeiros que dia- economicista” médica, o socorro, a segurança
riamente socorrem os por- alimentar, a reserva estratégica
tugueses? BP – A tabela dos prémios de medicamentos e sangue,
CM – Temos que ser claros, de saída a pagar pelo INEM etc.. No que diz respeito à
falar verdade e admitir que aos bombeiros pelo trans- emergência, o que vai aconte-
existem deficiências quantitati- porte de doentes fixa mon- cer é o que acontece neste mo-
vas, mais sentidas em algumas tantes diferentes no caso da mento. Há médicos e enfermei-
zonas do País do que noutras. O tripulação ter curso TAS ou ros ligados à emergência médi-
principal problema diz respeito TAT, sendo que a missão de ca e teremos bombeiros TAS e
à capacidade das corporações socorro é o mesma. Como bombeiros não-TAS. Portanto, o
de bombeiros manterem ao explica esta situação, quase sistema vai funcionar em várias
serviço suficientes elementos de visão economicista? camadas. As equipas de inter-
com formação adequada ou de CM – A missão de socorro é a venção rápida, equipas de in-
possuírem oferta capaz para a mesma, mas vamos falar ver- tervenção em situação de ex-
missão confiada. Quando isso dade: a diferenciação dos so- cepção, que estarão dentro e
acontece, temos as melhores corristas é que não é. Esta dife- fora dos estádios, que serão
referências dos bombeiros TAS. renciação visa também incenti- depois “acolchoadas” por viatu-
Fazem, como referido no início, var as corporações de bombei- ras do INEM e viaturas do INEM
um trabalho muito importante e ros a apostar na formação dos atribuídas, tripuladas e à res-
insubstituível, o qual queremos seus elementos e a escalarem ponsabilidade dos bombeiros.
e vamos potenciar. os elementos que têm o curso Quando se fala do voluntariado,
BP – Fala-se muito em fal- de TAS para prestarem serviço e eu respeito muito as sensibi-
ta de formação. O que tem nas ambulâncias. Não se paga o lidades, não podemos ficar
feito a sua tutela nesta ma- mesmo a um médico e a um agarrados a uma palavra. Ob-
téria? Vamos continuar enfermeiro, por analogia, e am- viamente que este não pode
como estamos, já que é con- bos integram uma equipa de ser um trabalho de voluntários.
sensual que não estamos prestação de cuidados ou ope- A emergência que foi atribuída
bem? ratória. E, por favor, não temos à Saúde, a emergência médica,
CM – Por estar consciente no socorro e na emergência é um trabalho profissional.

Foto: Rogério Oliveira


das dificuldades referidas, o qualquer visão economicista. Quando se fala em voluntariado
INEM iniciou um processo de BP – Como se explica que é em sentido abstracto. Quan-
descentralização dessa forma- o preço pago por quilómetro do falamos em trabalho profis-
ção e um incremento do esforço aos bombeiros (0,33 cênti- sional, não estamos a incluir os
de formação global. Esta nova mos) não seja revisto há bombeiros, já que me refiro a
forma de estar e de actuar, dan- cerca de três anos. Até   Não podemos improvisar nesta matéria, muitos centros de saúde profissionalismo de técnicos da
do já uma resposta às preten- quando os bombeiros vão continuam a dizer não. saúde com disponibilidade. Não
sões da LBP, foi possível através continuar a “pagar para tra- ou seja, teremos de saber quem estará Como explica? podemos improvisar nesta ma-
de um acordo com a ENB, o balharem”, como dizem? CM – Neste preciso momento téria, ou seja, teremos de sa-
qual permitiu assim partilhar o CM – Importa não esquecer
disponível, quando e onde  aguardamos um contributo final ber quem estará disponível,
exclusivo que esta detinha no que, por exemplo, os prémios da LBP, após o que será exara- quando e onde.
que toca à formação dos bom- de saída da emergência pré- para a incapacidade de respos- retribuição financeira, matéria a do o despacho adequado e as- BP – À palavra voluntaria-
beiros em termos de socorro hospitalar (pagos pelo INEM ta em 2003. Quanto aos preços negociar com a LBP neste tri- sumido em tempo. Também do deve então associar-se o
pré-hospitalar. O INEM formou, aos bombeiros) foram actuali- pagos por quilómetro no trans- mestre. nesta matéria não quisemos ser conceito disponibilidade?
desde que ministra cursos de zados em Julho de 2003 em porte programado (pagos pelas BP – Disse há cerca de subjectivos e assumir compro- CM – Afirmar outra coisa era,
TAS, mais de 2500 elementos, cerca de 17 por cento, um valor ARS), conforme já afirmei em dois meses que a questão da missos simpáticos e rápidos, para além de falta de bom sen-
muitos dos quais pertencem a muito significativo e que enten- resposta anterior, na revisão da gratuitidade das vacinas mas não exequíveis técnica e/ so, hipotecar à partida a missão
corpos de bombeiros. Este ano di que, além de justo, era tam- regulamentação dos transpor- para bombeiros estava a ser ou financeiramente. O que as- da Saúde, ao colocar de lado a
devemos realizar 24 cursos de bém um pouco compensatório tes está integrada a questão da tratada. A verdade é que sumimos, estamos e vamos rede dos bombeiros. Como que-
cumprir! E mais não fazemos do remos ter sucesso nesta mis-
que ser justos para com os sol- são, contribuindo para a melhor
dados da paz em matéria de imagem possível, não nos pas-
prevenção e protecção da doen- sa isso pela cabeça. Mais do
ça. que as palavras, devemos olhar
para os actos. Tem havido da
Euro 2004: “A emergência minha parte, da parte do INEM,
atribuída à Saúde a melhor relação institucional
é um trabalho com a Liga, e ela sabe disso.
profissional” Um dos novos elementos que
integra a direcção do INEM –
BP – Estamos a pouco Pedro Lopes – é um homem que
tempo do Euro 2004 e os emana dos bombeiros. Por tudo
bombeiros dizem-se arreda- isto, a cultura da ética será
dos de muitas matérias que sempre a nossa postura. É tem-
entendem ser cruciais em po de enterrar uma discussão
caso de intervenção. A his- que não nos leva a lado ne-
tória mostra que, mais tarde nhum. Para terminar esta ques-
ou mais cedo, acabarão por tão, e em nome do Governo,
ser também eles a intervir posso dizer-lhe que não está e
na prestação do socorro a nem será aberto o processo so-
eventuais vítimas. Quer co- bre quem é emergência médica
mentar, uma vez que já fez no nosso País.
saber que conta com os Os emergencistas têm uma
bombeiros para este even- missão, que só terá sucesso se
to? resultar do somatório da acção
CM – O Euro 2004 é proprie- de todos os intervenientes nes-
Foto: Rogério Oliveira

dade de todos os portugueses e ta área. É tão importante um


de todos os que têm responsa- médico como um TAS. Para o
bilidades, seja ao nível do go- bom e para o mau, a responsa-
verno, seja ao nível de organi- bilidade é de todos.
20 OPINIÃO FEVEREIRO 2004

INEM: Quem lhe põe a mão?


Justiça para os bombeiros
S ou sócio da ABVAC (Agualva-Cacém) e antigo director
(1973-1986).
Sinto que é urgente que se faça justiça ao real valor dos

N
bombeiros. Por vezes, é minimizado o seu esforço e sacrifí-
a madrugada do passado cio.
dia 15 decorreu nesta ci-
Aceitem pois este meu simples mas sincero contributo,
dade (Porto) um simula-
com o único intuito de lhes reforçar a moral.
cro de acidente no Metro, no
túnel situado entre as estações
da Lapa e da Trindade.
Todos sabemos que os simu- Bombeiros com “B” grande
lacros têm por objectivo testar
a operacionalidade e os meios I
dos agentes de Protecção Civil
(bombeiros, polícia, INEM, etc.) Bombeiros só com “B” grande,
envolvidos no exercício. Outros há... É dos jornais!...
Não será estranho para nin- Foram apanhados em flagrante,
guém que tudo seja planeado Ateando fogos reais!
antecipadamente e que se ela-
bore um “Plano de Operações”
II
que deve ser cumprido por to-
dos os intervenientes, tornan-
do-o o mais real possível. Também têm emoções,
Confesso que sou adepto da Estes homens e mulheres;
existência de simulacros sem E tão nobres corações,
pré-aviso. As realidades serão, são “paus para todas as colheres”.
obviamente, diferentes. No en-
tanto, há agentes da Protecção III
Civil que “utilizam” esses simu-
lacros para cultivarem a sua Deixam família e lar,
imagem, que não corresponde Partem para enfrentar escolhas;
à realidade. Isso passou-se, em
E é vê-los regressar,
meu entender, no simulacro do
Com labaredas nos olhos.
Metro do Porto, por parte do
INEM. Para além de serem utili-
zados pelo INEM meios huma- IV
nos e materiais que, no dia a
dia, parecem não existir, “es- Às vezes, alegria e aflição,
queceram-se” de cumprir o que Em casos que não esperam;
previamente estava planificado São parteiros de ocasião;
– a montagem de dois postos E nisso também se esmeram.
de triagem de feridos. Escusado
será dizer que o único posto de V
triagem montado se situava na
estação da Trindade, local de
Por montes e vales se esgueiram,
concentração dos “media”.
Foto: Rogério Oliveira

Enfrentando fogo e horrores;


É do conhecimento geral que
o INEM apenas tem nos seus Todos os querem à sua beira,
quadros médicos, enfermeiros ... Se não estão, chovem clamores.
e operadores de central. A
maior parte dos operadores de VI
central é contratada a empre- do Hospital de S. João estava, sitado, deslocar meios humanos aquando da realização do
sas de colocação de mão-de- uma vez mais, INOP. e materiais do Porto para o Al- EURO, vamos assistir ao desfile Tanta gente em desespero,
obra temporária. As ambulân- Os bombeiros têm sido a “es- garve, para a Concentração do INEM, com VMERs, ambu- Por fogos que já são demais;
cias são tripuladas por bombei- pinha dorsal” do INEM, uma vez Motard de Faro do Verão passa- lâncias, motos, etc., só para Uns por falta de esmero,
ros ou agentes da PSP. que a entidade nacional respon- do. Já para não falar na deslo- estrangeiro ver. Os bombeiros Outros... por “causas” naturais (?).
Mas, a ser verdade que o sável pela emergência médica cação de meios do Porto para que até agora têm efectuado
INEM possui tantos meios no não cobre todo o País e o socor- Guimarães, para efectuarem exemplarmente as assistências
VII
Porto, questiono: porque será ro às populações nunca deixou buscas ao motard de Guima- nos estádios vão ficar em se-
que a VMER do Hospital de S. de ser efectuado pelos “Solda- rães, cerca de 36 horas após o gundo plano.
João está 70% do dia inopera- dos da Paz”. seu desaparecimento, missão Para quando uma rede nacio- O fogo rouba-nos a vida,
cional? Esta situação verificou- Nos últimos meses tem-se da responsabilidade dos agen- nal de emergência médica dos A dor mata-nos a alma;
se recentemente no simulacro falado muito em auditorias/ tes da autoridade e dos bom- bombeiros? E não encontramos saída,
de incêndio efectuado no IPO, inspecções aos bombeiros, mas beiros. Continuamos no País do faz Por até nos faltar a calma.
onde foi destacada para o local ninguém fala em efectuá-las a Afinal o País não está de tan- de conta.
a VMER do Hospital de Pedro este departamento estatal que ga, pelo menos para alguns. José Lachado VIII
Hispano – Matosinhos, já que a se dá ao luxo de, sem ser requi- Dentro de poucos meses, Presidente dos B. V. Portuenses
E no “calor” do medo,
Vendo os bens em perigo;
Gera-se algum “enredo”,
E diz-se o que eu não digo.

IX

Também é fogo a nossa vida,


Que dia após dia arde;
E por muito que nos seja querida,
Apagar-se-á mais cedo ou tarde.

Quer sejam voluntários, quer não,


É no Fogo, Fogacho ou Fogaréu;
Que eles mostram o que são,
E eu tiro-lhes o chapéu!

Fernando N. Costa

Manique, 2003
FEVEREIRO 2004 SOBRE BOMBEIROS... 21
CARA A CARA ANIVERSÁRIOS
Nome: Mónica Sintra 1 de Fevereiro

Idade: 25 anos
Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Cerveira . . . . . . . . . . 65

2 de Fevereiro

Profissão: Cantora Bombeiros Voluntários de Cascais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 118

Bombeiros de Portugal – Quando ouve a palavra bom- Bombeiros Voluntários S. Pedro do Sul . . . . . . . . . . . . . . . . 79
beiro, qual é a primeira ideia que lhe ocorre?
Mónica Sintra – Coragem. Bombeiros Voluntários de Valpaços . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68
BP – Como definiria os bombeiros portugueses?
MS – Pessoas que têm vontade de trabalhar, que têm ambi- Bombeiros Voluntários de Aljustrel . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55
ção de fazer melhor, mas que, infelizmente, por falta de meios
3 de Fevereiro
técnicos, não conseguem estar à altura dos Estados Unidos, da
Holanda e de uma série de outros países que estão muito de-
Bombeiros Voluntários Flavienses . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 115
senvolvidos nesta área.
BP – Já alguma vez precisou deles? Quando e como? 6 de Fevereiro
MS – Já. A minha mãe teve um problema de saúde e nessa
altura precisei. Também precisei quando tive um acidente de Bombeiros Voluntários de Moreira da Maia . . . . . . . . . . . . . . 78
automóvel.
BP – Nunca na sua juventude lhe passou pela cabeça 7 de Fevereiro
ser soldado da paz?
MS – Sim, já fui bombeira. Foi bastante gratificante, porque Bombeiros Voluntários de Carrazeda de Ansiães . . . . . . . . . . 76
é diferente de todas as outras experiências que possamos ter
naquela idade... Entrei para os bombeiros estava quase a fazer Bombeiros Voluntários Celoricenses . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
os 18 anos. Houve uma grande aprendizagem a todos os níveis,
8 de Fevereiro
nomeadamente em relação àquilo que os bombeiros fazem...
Imaginamos que apagar um incêndio é só chegar lá com uma
Bombeiros Voluntários de Sernancelhe . . . . . . . . . . . . . . . . 46
mangueira e já está, mas as coisas não funcionam assim. Há

Foto: Rogério Oliveira


uma lógica, uma aprendizagem que devemos fazer para ser 10 de Fevereiro
bombeiro... Foi isso que achei muito gratificante.
BP – Acha que a classe dos bombeiros em Portugal tem Bombeiros Voluntários de Mondim de Basto . . . . . . . . . . . . . 80
o tratamento que merece?
MS – Não. Bombeiros Voluntários de Baltar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76
BP – O que mudaria no sector dos bombeiros em Portu- são pessoas que dão a vida deles por outras, que nem sequer
gal? conhecem. Merecem sempre o nosso apoio. 12 de Fevereiro
MS – As pessoas desvalorizam bastante o trabalho dos bom- BP – É sócia de alguma associação de bombeiros?
beiros. Lembram-se apenas dos bombeiros no Verão, e é quan- MS – Sim, dos Voluntários de Sintra, onde prestei serviço. Bombeiros Voluntários de Vieira do Minho . . . . . . . . . . . . . . 64
do as coisas correm bem. Quando correm mal, culpabilizam-nos BP – Sabe usar um extintor de incêndios?
15 de Fevereiro
por tudo e por nada. Acho que deviam pensar que os bombeiros MS – Claro...
Bombeiros Voluntários de Vialonga . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27

INTERNET 18 de Fevereiro

www.bvpinhalnovo.pt Bombeiros Voluntários de São Mamede de Infesta . . . . . . . . 86

Bombeiros Voluntários de Melo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68

20 de Fevereiro

Bombeiros Voluntários de Crestuma . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9

21 de Fevereiro

Bombeiros Sapadores de Setúbal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 218

Bombeiros Voluntários de São Pedro do Sul . . . . . . . . . . . . 119

Bombeiros Voluntários de Montemor-o-Velho . . . . . . . . . . . . 72

24 de Fevereiro

Bombeiros Voluntários de Penacova . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74

Bombeiros Voluntários de Fronteira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9

25 de Fevereiro

Bombeiros Voluntários de Mogadouro . . . . . . . . . . . . . . . . . 67


“É um prazer receber-vos no site oficial da Associação Hu-
manitária dos Bombeiros Voluntários de Pinhal Novo”. É
assim que o presidente e comandante dos voluntários daquele
às bases de dados internas dos bombeiros. Fala ainda de via-
turas e ocorrências de última hora, e contém também uma
área de edição de informação (actualizada sempre que neces-
26 de Fevereiro

corpo de bombeiros do distrito de Setúbal acolhe os cibernau- sário) e vários espaços que convidam à interactividade com o Bombeiros Voluntários de Vila Franca do Campo . . . . . . . . . . 16
tas que visitam o endereço www.bvpinhalnovo.pt. A associa- visitante.
ção, que “faz questão de também ter um lugar na aldeia glo- O site, enquanto “extensão virtual do quartel”, pretende 27 de Fevereiro
bal”, mostra através deste site a história e outras informações igualmente constituir uma fonte de informação acessível aos
deste corpo de soldados da paz, além de estabelecer a ligação meios de comunicação social. Bombeiros Voluntários de Vila Flor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
22 CULTURA FEVEREIRO 2004

LIVROS “SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO” BREVES

“Shakespeare” regressa
AUGUSTO TELMO VISEU

“Quatro Teatro Viriato


‘Crachás de Ouro’
dos Bombeiros
ao Teatro D. Maria II divulga agenda

Depois do sucesso da temporada passada,


Voluntários o espectáculo “Sonho de Uma Noite de Verão”,
de Arrifana” de William Shakespeare, voltou à cena na Sala Garrett
do Teatro Nacional D. Maria II, onde estará até 28 de Fevereiro.

O teatro Viriato, em Viseu, continua com uma


agenda cheia de espectáculos para os mais
diversos públicos. Assim, já no próximo dia 4 de
Março aquela sala apresenta em estreia absoluta o
espectáculo “Cavaterra”, da Companhia Circolan-
do. Trata-se da “reinvenção da linguagem circense,
através do rico cruzamento do circo, dança, música
e construção plástica”.
“Cavaterra” é a segunda parte do “Ciclo das Mi-

A ugusto Telmo é licenciado em


Engenharia Civil e em Engenha-
ria e Gestão Industrial. Professor do
nas” e representa em palco o trabalho árduo nas
entranhas da terra, através de teatro físico, mani-
pulação de objectos e marionetas.

D
ensino secundário e director do jor- evido ao êxito que alcan- O espectáculo continua em cena nos dias 5 e 6
nal “O Arrifanense”, dedicou-se çou junto do público in- de Março.
agora a escrever um livro, recente- fanto-juvenil na tempo- Ainda na agenda desta sala de espectáculo está
mente editado, que dedica aos sol- rada passada, com lotações es- a peça “A Tempestade”, de William Shakespeare,
dados da paz portugueses. gotadas, o espectáculo “Sonho com encenação de Tim Carrol e interpretação de
“Quatro ‘Crachás de Ouro’ dos de Uma Noite de Verão”, de Diogo Infante, André Gago, Sandra Faleiro, entre
Bombeiros Voluntários de Arrifana” William Shakespeare, está de outros.
é o título de uma obra que fala de regresso à Sala Garrett do Tea- A última peça escrita por William Shakespeare,
quatro “personagens” reais: Artur tro Nacional D. Maria II, onde uma comédia em cinco actos, discute conceitos de
Francisco da Silva; Eduardo Coim- estará em cena até ao próximo Poder e sua legitimidade, ideias de magia e de na-
bra Laçal; Delfim Vieira da Silva; dia 28. tureza, e a relação destes com o tema do valor das
Augusto Gomes dos Reis. Adaptada pela escritora Hélia Um espectáculo dedicado aos jovens ciências, bem como os próprios valores da justiça,
Uma obra que o autor, nascido Correia para um público infantil da misericórdia, da liberdade e da pura alegria de
em Arrifana, dedica aos seus avós e juvenil, esta peça de Shakes- bem como fomentar a apetên- ject. Na interpretação, estão os viver.
– Manuel Ferreira Dias e Francisco peare é encenada por João Ri- cia pela mitologia clássica, actores Ana Piu, Ana Rocha, No fundo, reflecte o triunfo do Mal sobre o Bem,
da Horta, que foram ambos bom- cardo e remete para um mundo através da expressão teatral”. André Amalio, Edmundo Rosa, a ambição de domínio e a reconciliação.
beiros naquela associação. onírico de fadas, reis e rainhas. Esta peça conta com ceno- Filipe Valentim, Francisco Brás, Já para assinalar o Dia Mundial do Teatro, em
Esta obra encontra-se à venda na O objectivo deste espectáculo grafia de Rui Francisco, figuri- João Gualdino, João Pedreiro, Viseu poderá assistir-se, a 27 de Março, ao espec-
Associação Humanitária dos Bom- é, segundo a organização, nos de Maria Gonzaga, desenho Lavinia Moreira, Lilia Matos, táculo “Damas D’Ama”, pelo Teatro Focus. Com
beiros Voluntários de Arrifana. “promover a aproximação de de luz de Bruno Gaspar e pro- Maria Gil, Paula So, Pedro Gil, texto de Isabel Freire, esta peça foca a vida margi-
crianças e jovens ao teatro, dução executiva da Cultur Pro- Rita Martins e Sara Gonçalves. nal dos bairros africanos de Lisboa, baseada em
testemunhos reais.
Só para maiores de 16 anos.

INICIATIVA DA CÂMARA DE VISEU


LISBOA
Biblioteca vai a escolas mais distantes da cidade
Teatro Extremo
U ma biblioteca itinerante está a percorrer,
desde o início do mês, as 20 freguesias de
Viseu mais afastadas da sede do concelho,
rá-los durante o processo de ensino e aprendi-
zagem.
A “caixinha de contos” visa conferir ao pro- apresenta “Água”
disponibilizando livros e várias actividades às jecto uma dinâmica lúdica e pedagógica, atra-
crianças das escolas do primeiro ciclo do ensi- vés da participação de contadores de histórias
no básico. e animadores culturais, acrescentou.
O projecto do Bibliobus foi anunciado pelo Segundo Fernando Ruas, numa segunda
presidente da autarquia, Fernando Ruas, que fase o Bibliobus “poderá ter as mesmas ver-
pretende que as crianças dessas freguesias tentes da biblioteca municipal: os ateliers di-
CARTOON tenham condições idênticas àquelas que estão versos, os filmes, a ciência divertida e a edu-
mais próximas da biblioteca municipal. cação ambiental”.
Para rir... O autarca disse aos jornalistas que, numa
primeira fase, a biblioteca terá duas compo-
Fora do projecto de promoção de leitura fi-
caram, para já, as 14 freguesias da chamada
com os bombeiros! nentes: o “livro em movimento” e a “caixinha
de contos”.
zona urbana de Viseu.
Fernando Ruas anunciou também o início do

Cartoon publicado
A primeira consiste em disponibilizar livros
com diferentes temáticas, que podem ser re-
quisitados. A carrinha visitará uma vez por
funcionamento, para breve, de uma “Farmo-
drive”, na zona da Quinta do Galo, onde os
utentes ir no seu próprio carro e aviar os me-
O Teatro Extremo, em Lisboa, apresenta até ao
próximo dia 29 de Fevereiro o espectáculo
“Água”, de Antónia Terrinha.
na revista “Mundo”, mês cada escola, onde permanecerá no míni- dicamentos sem sair do veículo. Com interpretação de Antónia Terrinha, Fernan-
n.º 60, mo 30 minutos, “havendo ou não solicitações”, “Assim as pessoas podem aviar os medica- do Ascenção, Isabel Leitão e Tiago Pereira, esta
explicou. mentos de dentro do carro”, explicou, acres- produção do Teatro Extremo pretende associar-se
de 18 de Setembro Depois de lidos os livros, estes são guarda- centando que o serviço será disponibilizado à comemoração, que decorreu em 2003, do Ano
dos num pequeno baú existente nas escolas, por uma farmácia que funciona actualmente Internacional da Água. Trata-se de uma peça que
de 1958 para que as crianças possam trocá-los e explo- na Rua Direita. pretende ser didáctica e que, como tal, tem como
destinatário o público mais jovem.
FEVEREIRO 2004 A FECHAR 23
LBP DIVULGA INICIATIVA
INCÊNDIOS FLORESTAIS

Prémio Bombeiro de Mérito BV Palmela e Prospin


apoiaram familiares
com calendário definido de bombeiros mortos
A Liga
dos Bombeiros
Portugueses
já definiu
e apresentou
a calendarização
de uma importante
iniciativa

Foto: Rogério Oliveira


que anualmente
é promovida
pela confederação:
Quartel dos Voluntários de Palmela
a entrega do Prémio
Bombeiro de Mérito
C erca de 19500 euros foi o montante conseguido pela

Foto: Rogério Oliveira


campanha de solidariedade dos Bombeiros Voluntários
a um soldado de Palmela e pela empresa Prospin-Controlauto. O total da
da paz que se tenha verba angariada foi distribuído pelas famílias dos três bom-
beiros que faleceram durante os incêndios do último Verão:
destacado Os vencedores do prémio, na cerimónia realizada o ano passado João Francisco Tavares da Silva (Figueira de Castelo Rodri-
em serviço. go), Francisco Franco (Castelo de Vide) e Manuel Castanhei-
de um acontecimento anual que máximo de duas propostas/ candidatura aprovadas nas res- ra Chaves (Vouzela).
este ano vai repetir-se. candidaturas, tanto para Bom- pectivas assembleias gerais. Da campanha promovida pelos Voluntários de Palmela foi

A
Liga dos Bombeiros Portu- O “BP” divulga, assim, as da- beiro de Mérito, como para as Porque o ano de 2003 foi um entregue um cheque no valor de 17.091,96 euros. Já a Pros-
gueses (LBP) já definiu e tas mais importantes deste menções honrosas, isto de ano trágico, cheio de aconteci- pin, através dos donativos conseguidos junto dos participan-
apresentou a calendariza- evento. Assim, as candidaturas acordo com o n.º 2 do artigo 2.º mentos passíveis de candidatu- tes no torneio de ténis patrocinado pela Controlauto, ofere-
ção para as candidaturas a uma deverão ser enviadas pelas en- do Regulamento, remetendo as ras, o “Conselho Executivo da ceu um cheque no valor de 2.355 euros.
das mais prestigiadas iniciativas tidades proponentes às respec- mesmas à aprovação da res- LBP agradece que os prazos aci- Na reunião realizada no passado mês de Novembro, a Liga
da confederação: a entrega do tivas federações distritais até pectiva assembleia geral. ma indicados sejam respeita- dos Bombeiros Portugueses deliberou distribuir equitativa-
Prémio Bombeiro de Mérito a 28 de Fevereiro. Por seu turno, As direcções das federações dos, a fim de se evitarem situa- mente o valor acima referido pelos familiares dos três solda-
um soldado da paz que se tenha as direcções das federações enviam para a LBP, até 31 de ções melindrosas e delicadas de dos da paz falecidos em 2003.
destacado em serviço. Trata-se distritais seleccionam até ao Março, via CTT, as propostas de última hora”.
24 ÚLTIMA FEVEREIRO 2004

“ESTÁ EM MARCHA” A REFORMA DO SECTOR FLORESTAL

Reflorestação de áreas ardidas


custará 200 milhões de euros
Duzentos milhões de euros na área Relativamente à questão do
fogo posto, Sevinate Pinto
da reflorestação. Esta é uma das duras anunciou que o Ministério da
facturas decorrentes dos incêndios do ano Justiça, em colaboração com o
seu ministério, está já a estudar
passado. Aprovada que foi em Conselho
formas de “controlar” os alega-
de Ministros, no dia 4 de Fevereiro dos incendiários. “Através da
a tão polémica e reclamada Reforma persuasão, fazer ver a estas
pessoas que estão a ser vigia-
do Sector Florestal já começou. das”, explicou.
A reforma da floresta integra
Texto: Patrícia Cerdeira ainda campanhas de sensibili-
zação à população. Nos próxi-

E
stão em marcha várias mais de 420 mil hectares de mos meses, televisões, rádios e
iniciativas que terão refle- área ardida, 20 mortos e cerca jornais vão, através de campa-
xos a curto, médio e longo 92 indivíduos detidos por sus- nhas publicitárias, fazer chegar
prazo com o objectivo de reor- peita de fogo posto. a todos nós frases de sensibili-
ganizar, ajustar e melhorar a O documento elaborado pelo zação para que os portugueses
política para a floresta portu- executivo é vasto e envolve vá- aprendam a forma como a flo-
guesa. rios ministérios: Agricultura, resta deve ser utilizada.
Duzentos milhões de euros através da recém criada Secre- A faltar ficam três medidas
na área da reflorestação. Esta é tária de Estado das Florestas, que serão aprovadas até ao fi-
uma das duras facturas decor- Administração Interna, Justiça nal do ano. Já em Março, o Go-

Foto: Vítor Hugo Fernandes


rentes dos incêndios do ano e Defesa. verno prepara-se para aprovar
passado. Aprovada em Conse- As verbas canalizadas para um quadro jurídico de sanções
lho de Ministros no dia 4 de Fe- este longo e complexo pro- que visa a responsabilização
vereiro, a Reforma do Sector jecto destinam-se a múltiplas dos proprietários pelo abando-
Florestal já começou e surge na vertentes. Só na área da re- no da floresta. Já a definição
sequência das devastadoras florestação, o Governo prevê Sensibilizar as populações deverá ser uma das políticas a seguir das formas de intervenção do
consequências das centenas de gastar, nos próximos três anos, Estado em terrenos privados
incêndios que assolaram Portu- cerca de 200 milhões de euros Reforma do Sector Florestal é de recuperação das áreas afec- com os bombeiros. Para incenti- deverá ser conhecida só em Ju-
gal no ano passado. No balanço para reflorestar entre 30 a 60 constituída por vários diplo- tadas pelos incêndios de 2003. var estes elementos, o Governo nho. Adiada para o final do ano
ficaram números assustadores: por cento da área ardida. A mas, reflectindo-se na criação Nestas comissões estarão re- pretende reforçar o apoio a es- ficou a criação da Conta de Ges-
de várias estruturas: foi criada presentadas estruturas ligadas tas equipas florestais com pré- tão Florestal, que obriga os
a Direcção-Geral dos Recursos ao ambiente, produtores flores- mios de eficácia de cinco mil proprietários a reinvestir na
LOUVOR/REPREENSÃO Florestais, órgão que será in- tais, associações ligadas à flo- euros. “sua floresta” parte dos lucros
vestido de Autoridade Florestal restas e o SNBPC que deverá obtidos a partir da mesma.
Seminário de Viseu Nacional, que tem por missão
a concepção, execução e ava-
escolher duas entidades de
apoio a este tipo de missão de
Medidas
para o próximo Verão Ataque aos fogos demorou
Um louvor para a forma como decorreu o liação da política nacional para que é investido. em média “43 minutos”
seminário de Viseu sobre os incêndios flo- esta área, racionalização das Foi igualmente criado o Fun- Depois, há ainda uma panó-
restais. Organizado por uma federação de estruturas e atribuição dos do Florestal Permanente, já do- plia de medidas, a implantar a No decorrer da apresentação
bombeiros, a de Viseu, este encontro reve- meios necessários à coordena- tado de 30 milhões de euros, curto prazo, para que, como da Reforma do Sector Florestal,
lou que os bombeiros estão empenhados e ção dos serviços centrais, regio- que visa assegurar a angaria- sublinhou o ministro da Agricul- e questionado pelo “BP” sobre a
disponíveis para contribuir de forma séria e nais e locais. Outro dos diplo- ção de recursos financeiros que tura, esta reforma possa come- definição das áreas de inter-
credível para a resolução de um dos proble- mas aprovados cria a Agência permitam levar à prática todas çar a “dar os seus frutos”. Está venção de sapadores florestais
mas inerentes à sua missão. para a Prevenção de Incêndios as iniciativas previstas. previsto o reforço dos meios e bombeiros, Sevinate Pinto
Florestais que, à semelhança Igualmente instituído está o tecnológicos de apoio à preven- pouco mais conseguiu explicar
da extinta CNEFF, concentrará Programa de Sapadores Flores- ção, nomeadamente através do do que médias de detecção e
Ao MS e ao MAI estratégias de orientação na
área da prevenção, criando
tais, que ficará na dependência
da Direcção-Geral dos Recursos
uso de satélites para auxiliar os
postos de vigia e “impulsionan-
combate em 2003: “Segundo
relatórios não oficiais e não
Por uma questão de atitude. Ao que pare- ainda as Comissões Municipais Florestais e que regulamenta as do” a rede de comunicações confirmados, a informação que
ce, o INEM, continua a querer passar a ideia, de Defesa da Floresta Contra condições para a atribuição (sistemas de rádio e telefo- tenho refere que a média da
errada, de que é único no socorro às popula- Incêndios. Estas comissões destes elementos, as entidades nes). intervenção no combate à
ções. Esquece-se dos bombeiros, repetida- funcionarão como centros de que poderão candidatar-se, Na área das medidas de refor- maioria dos incêndios do ano
mente... Nas declarações públicas, nos si- coordenação da acção local, despesas elegíveis, equipamen- ço e vigilância da floresta está passado foi de 43 minutos. O
mulacros, nomeadamente no Metro do Por- ficando sob orientação das di- tos e funcionamentos dessas também previsto o condiciona- tempo foi excessivo e temos de
to. Enfim. Mas, parece que não é caso isola- ferentes autarquias. equipas. Sobre esta matéria, o mento de acesso das pessoas às combatê-lo”, sublinhou, acres-
do. Na própria tutela, o valor da vida de um Há ainda um outro diploma, Ministério da Agricultura prevê áreas florestais nos períodos centando dados fornecidos pe-
bombeiro – e de elementos das outras forças que terá de ser discutido no criar, para já, mais 50 equipas considerados críticos para os in- los técnicos do seu ministério:
de segurança do MAI – vale apenas um déci- parlamento e aprovado em de sapadores florestais, a jun- cêndios: “Em certas zonas as “Sabe-se que, se uma interven-
mo daquilo que o Ministério da Saúde (MS) Conselho de Ministros, que pre- tar às 120 já existentes. pessoas serão indentificadas e, ção demorar até 15 minutos,
atribui aos elementos do INEM. Vide o caso vê a criação do Conselho Nacio- Na apresentação oficial da nalguns casos, pode mesmo ser qualquer fogo é facilmente
da missão do Irão. O INEM segurou a vida de nal de Reflorestação (estrutura Reforma Florestal, e pronun- proibido o acesso”, disse Sevina- apagável. Mais do que isso,
cada um dos seus elementos em 200 mil de carácter temporário) e ainda ciando-se sobre os sapadores te Pinto. Ainda segundo o minis- será muito complicado”. Não
contos. O SNBPC segurou a vida de cada um quatro Comissões Regionais florestais, Sevinate Pinto defi- tro da Agricultura, as forças ar- descartando responsabilidades
dos seus elementos em apenas 20 mil con- (Beira Interior, Ribatejo, Alen- niu estas estruturas como um madas, através do Ministério da na área da detecção, Sevinate
tos. Mesmo tendo em conta que uma vida tejo e Algarve). As funções con- “corpo de elite” na prevenção, Defesa, estão a ser preparadas Pinto voltou a reacender a polé-
não tem preço, dá que pensar... sistem em planear a interven- sublinhando que não se trata de para acções de patrulha e vigi- mica sobre a alegada “lentidão
ção e coordenação das acções qualquer “concorrência directa” lância nas matas públicas. na resposta”.

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