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Reflexões sobre a maçonaria

Revista
Tempo contemporânea e alguns de seus
Amazônico desafios: mulher, o uso das redes
sociais, laicidade e landmarks
Alexandre Gomes Galindo1

Resumo: Este trabalho buscou empreender olhares no sentido de


entender como se configuram os desafios da mulher, das redes
sociais, da laicidade e dos Landmarks na maçonaria com a
intenção de contribuir para estudos e práticas futuras voltadas
para compreensão das transformações características da
contemporaneidade. A pesquisa se caracterizou como sendo de
cunho exploratório, com procedimentos que incorporaram
técnicas de pesquisa bibliográfica em uma abordagem de coleta
e análise de dados predominantemente qualitativa. Longe de
estabelecer posicionamentos cristalizados frente aos desafios
apresentados, o trabalho se propôs a resgatá-los como fatos dados
em um contexto vivido por aqueles que integram o campo
maçônico nos dias de hoje. Neste sentido, a maçonaria, entendida
como fenômeno social, passível de ser abordada como objeto de
estudo nas mais variadas áreas do saber, se confronta neste século
XXI com desafios, havendo duas vias que se apresentam como
ambientes capazes de possibilitar abordagens diretas de
enfrentamento. A primeira via, chamada de institucional,
envolve o campo representado pelas instituições e atores
vinculados às Ordens maçônicas, e a segunda, chamada de
epistemológica, envolve o campo representado pelos processos
de produção de saberes sobre os temas vinculados a cada desafio
e que fundamenta, tanto os processos de permanência, quanto os
de transformação do universo maçônico. No Campo
epistemológico emergem potenciais temas de estudos maçônicos
futuros capazes de subsidiar mudanças de realidade, a exemplo
de pesquisas que busquem identificar singularidades e
similaridades nas estruturas, ritualísticas e liturgias de
instituições que se autodenominam maçônicas e desenvolvem
suas atividades com, e sem, a presença de mulheres nos seus
trabalhos em loja; identificar as possíveis alternativas do uso de
diversas tecnologias de informação e comunicação nas diversas
Ordens maçônicas e seus impactos em suas atividades; identificar
os elementos de sincretismo místico, filosófico e religioso dos
diversos rituais e liturgias maçônicas sob a perspectiva do
conceito de laicidade e identificar os traços e características que
distinguem as Ordens Maçônicas como tais.

1
Departamento de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Amapá-DFCH/UNIFAP. Doutor em
Sociologia, Mestre e Bacharel em Administração. Pós-Graduado Lato-Sensu em Maçonologia e em História da
Maçonaria. Membro da Academia Amapaense Maçônica de Letras-AAML. Email: alexandregalindo@bol.com.br
Revista Tempo Amazônico

Palavras-chave: Maçonologia; Maçonaria;


Contemporaneidade.

Abstract: This work sought to understand how dilemmas of


women, social, networks, secularism and Landmarks in
Freemasonry are configured to contribute to future studies and
practices aimed at understanding the transformations
characteristic of contemporary times. The research was
characterized as exploratory, with producers that incorporate
bibliographic research techniques in a predominantly qualitative
approach to collection and analysis. Far from establishing
crystallized positions in the face of the challenges presented, the
work proposed to rescue them as facts given in a context lived by
those who make up the Masonic field today. In this sentence,
Freemasonry, understood as a social phenomenon, which can be
studied as an object of study in the most varied areas of
knowledge, faces challenges in the 21st century. The first, called
Institutional, involves the field represented by the institutions and
actors linked to the Masonic Orders, and the second, called
Epistemological, involves the field represented by the process of
knowledge production on the themes linked to each challenge
and which underpins it, both the processes of permanence and the
transformation of the masonic universe. In the Epistemological
field potential themes of future Masonic studies emerge that can
be subsidized changes in reality, such as research that seeks to
identify singularities and similarities in the strictures rituals and
77
liturgies of institutions that call themselves Masonic and carry
out their activities with and without the presence of women in
their store work; Identify possible alternatives for the use of
various information and communication technologies in the
various Masonic Orders and theirs impacts on their activities;
Identify the elements of mystical, philosophical and religious
syncretism of the various Masonic rituals and liturgies from the
perspective of the concept of secularism and identify the features
and characteristics that distinguish Masonic Orders as such.

Keywords: Freemasonology; Freemasonry; Contemporaneity.

Revista Tempo Amazônico - ISSN 2357-7274| V. 7 | N.1 | jul-dez de 2019| p. 76-105.


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INTRODUÇÃO

A sociedade contemporânea vem passando, desde a segunda metade do Século XX,


por profundas e exponenciais transformações que têm provocando mudanças significativas nas
relações sociais e culturas nas mais diversas partes do planeta. Estas transformações
(fundamentadas no desenvolvimento das Tecnologias da Informação e Comunicação; da
Logística Global e das forças político-econômicas provenientes das Empresas Corporativas)
têm gerado aculturações, hibridismos culturais e multiculturalismos proporcionados pelo uso
dos sistemas de comunicação e forças midiáticas que aproximam e/ou afastam povos e induzem
comportamentos.
A estes fatos, soma-se a convergência das tecnologias digitais, biológicas e físicas que
sinalizam fortemente a possibilidade, já quase real, da ocorrência de singularidades que
marcarão a profunda conexão simbiótica entre homens e máquinas de várias formas e meios,
selando o início definitivo de um novo ciclo de desenvolvimento humano, onde também a
inteligência artificial confrontará em muito a inteligência humana no seu uso em diversas
atividades da vida.
78
Frente a uma contemporaneidade que se apresenta como palco onde pessoas e
instituições são profunda e constantemente confrontadas com desafios concretos em suas
relações, a maçonaria também se posta neste cenário como mais um agente que enfrenta
desafios que possuem suas origens em gerações passadas, concomitantemente com desafios
característicos desde século XXI que, direta ou indiretamente, influenciam significativamente
as dinâmicas das relações sociais.
Dentro deste contexto algumas questões vinculadas com a maçonaria na
contemporaneidade emergem como norteadoras de estudos e reflexões sobre esta temática.
Dentre elas, pode-se destacar: Como configuram-se os desafios em relação ao papel da mulher
na maçonaria contemporânea? De que maneira a laicidade está relacionada com a atuação
maçônica? De que forma os Landmarks se apresentam como um ponto de pauta no contexto
maçônico da contemporaneidade? Como as redes sociais podem ser usadas de forma
construtiva no ambiente maçônico?
Vale destacar que a realização de estudos que se debruçam sobre estas questões
ancora-se na percepção da sociedade como campo de interações e transformações. A sociedade
se transforma de tempos em tempos através de processos contínuos e abruptos de mudanças
culturais e tecnológicas, gerando tensões entre gerações de pessoas e instituições. Estas tensões
provocam ajustes na forma com que os indivíduos e as instituições lidam com determinados

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valores de tal monta que práticas consideradas inadmissíveis em determinada época podem ser
consideradas normais em outra e vice e versa.
A maçonaria, fundamentada em Landmarks, Estatutos, Constituições, bem como usos
e costumes específicos da Ordem, está também sujeita ao mesmo fenômeno temporal e tem
apresentado traços evidentes de plasticidade em alguns casos e rigidez em outros, no que diz
respeito às características de sua manifestação como um fenômeno social.
Neste sentido, dilemas como Landmarks e contemporaneidade, a participação da
mulher, o uso de Redes Sociais, bem como da laicidade vêm persistindo no tempo como tópicos
presentes em alguns círculos de discussão e geradores de impasses nas relações entre pessoas e
instituições.
Vale destacar também que, a partir da segunda metade do século XX, houveram
significativas mudanças nas relações entre empresas, instituições, grupos sociais e pessoas, na
medida em que estes sujeitos começaram, através da internet e das novas tecnologias, acessar,
processar e divulgar rapidamente um volume maior de informações.
A maçonaria também não ficou a parte destas transformações, na medida em que
várias instituições maçônicas vêm de forma crescente incorporando mudanças no modo de 79
operar suas informações através da criação de sites, blogs, e-mails corporativos, sistemas de
informações gerenciais customizados, redes sociais, dentre outros.
Estudos que se esforçam em resgatar estas temáticas são considerados relevantes na
busca de melhor entender como estes fenômenos se apresentam em uma Ordem místico-
filosófica que historicamente tem sido denominada de secreta por uns e de discreta por outros.
Este trabalho busca entender, em um olhar exploratório, como estão configurados os
dilemas da mulher, das redes sociais, da laicidade e dos Landmarks na maçonaria com a
intenção de contribuir para estudos e práticas futuras voltadas para compreensão das
transformações características da contemporaneidade. Desta forma, o objetivo geral deste
trabalho reside em tecer considerações sobre os desafios da maçonaria atual, direcionando os
esforços mais especificamente em 1): analisar a participação da mulher na maçonaria como um
desafio da contemporaneidade; 2) analisar potencialidades do uso das redes sociais no contexto
maçônico; 3) analisar elementos vinculados à relação entre laicidade e maçonaria; e 4)
apresentar reflexões sobre os ladmarks sob a perspectiva da maçonaria contemporânea.
O presente estudo se caracteriza como sendo de cunho exploratório, com
procedimentos que incorporam técnicas de pesquisa bibliográfica em uma abordagem de coleta
e análise de dados predominantemente qualitativa. A predominância qualitativa do presente

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estudo não descarta a manipulação e avaliação de informações quantificáveis envolvendo a


aplicação de um conjunto de práticas interpretativas.
A trajetória estabelecida para o resgate dos desafios elencados neste artigo foi
delineada com o propósito de estabelecer foco na intencionalidade de provocar reflexões
daqueles que se propõem a navegar entre as dinâmicas do fenômeno maçônico no contexto da
atualidade. O caminho percorrido no atual trabalho não perpassa pelo aprofundamento das
questões de definição e origem da Ordem, bem como, nas questões de funcionamento, estrutura
e ritualística, pois a exploração destes temas excederia significativamente os limites desta peça
e do escopo proposto. Sobre a perspectiva destas questões, os trabalhos de Zeldis (1995), Pinto
(1999), Castellani (2005), Costa (1994) e Charlier (1995) apresentam-se como fontes iniciais
para um mergulho exploratório.
Além desta parte introdutória, o presente trabalho está estruturado em seis sessões. A
primeira referente a um breve resgate teórico relacionado com a maçonaria vista como
fenômeno social e objeto de estudo acadêmico. As três subsequentes sessões apresentam
reflexões sobre os desafios da mulher, das redes sociais, da laicidade e dos Landmarks frente a
um maçonaria contemporânea. Por fim, nas últimas sessões, são apresentadas considerações 80
finais e as fontes utilizadas no apoio das reflexões apresentadas neste ensaio exploratório.

A MAÇONARIA COMO OBJETO DE ESTUDO

Desde a sua existência, a maçonaria tem sido tópico de estudo e produção de trabalhos
por vários escritores pelos mais diversos motivos e propósitos. Neste sentido, vale destacar,
algumas temáticas desenvolvidas nos trabalhos em maçonaria como a divulgação de
regulamentações de suas atividades operativas; a descrição dos processos de participação de
seus membros em eventos históricos; a apresentação de vínculos entre seus preceitos morais
com processos de formação místico-filosófica do homem; a descrição de práticas ritualísticas
maçônicas; a descrição de seu desenvolvimento histórico como Ordem Iniciática; dentre outros.
É de se esperar que nem todos os trabalhos produzidos sobre maçonaria utilizem
métodos rigorosos de pesquisa. Um número bem significativo de estudos que são divulgados
pelos mais variados meios fundamentam-se predominantemente no uso de compilações
baseadas em impressões e opiniões pessoais, e quando muito, por processos de transcrição de
informações primárias obtidas através das mais inúmeras fontes sem muito cuidado no que se
refere à implementação, com mais rigor, de técnicas apuradas de obtenção e analise de dados.

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Desta forma, muita coisa escrita em maçonaria traduz opiniões pessoais que beiram a
hipóteses não testadas tidas como verdades comprovadas, sendo apresentadas na prática como
fenômenos genéricos (quando são na realidade singulares), ou como fenômenos reais (quando
na realidade se caracterizam como mitos/lendas ou costumes inovadores). Esta situação tem
gerado críticas entre escritores de maçonaria, principalmente por aqueles que têm aplicado
métodos sistemáticos de estudo da realidade e assumido posturas éticas nos trabalhos
produzidos, na busca de separar fatos, de mitos/lendas e de opiniões/suposições pessoais a
exemplo de Ismail (2012. p. 7-10).
Em um esforço de destacar as diversas abordagens de produção de conhecimento em
maçonaria, Leadbeater (1978, p. 13-28) separa as linhas de pensamento maçônico em quatro
vertentes, chamadas de Escolas de Pensamento Autêntica; Antropológica; Mística e Oculta. No
que diz respeito a Escola Autêntica, ela

[...] surgiu na segunda metade do século dezenove, em resposta ao desenvolvimento


do conhecimento crítico em outros campos. As antigas tradições da Ordem foram
minuciosamente examinadas à luz de regisros autênticos ao alcance do historiador.
Empreendeu-se enorme soma de pesquisas em atas de Lojas, documentos de todas as
espécies versando sobre o passado e pesente da Maçonaria, arquivos de
municipalidades e vilarejos, sentenças legais e judiciais; enfim, foram consultados e
81
classificados todos os registros acessíveis. [...] Devido aos trabalhos dos eruditos da
Escola Autêntica, aos estudantes de nossa Ordem se tornou acessível uma vasta soma
de material que lhes será de permanente utilidade. (LEADBEATER, 1978, p. 14-15).

Por mais que os trabalhos dos eruditos desta corrente de pensamento tenham tornado
acessível uma importante e vasta soma de informações fidedigmas, vale destacar a existência
de limitações decorrentes do fato de existir muita coisa na maçonaria que nunca foi escrita, e
sim transmitida apenas oralmente, tornando relativo valor dos documentos e arquivos que são
incorporados à cultura maçônica. Segundo o autor, a Escola Antropológica está vinculada aos
estudos e descobertas na área da cultura humana, associando os costumes religiosos e iniciáticos
de sociedades do passado e do presente, de vários países e continentes, com os rituais e
simbologia maçônica. Dentro desta perspectiva, os argumentos apontam para o fato de que os
sinais e rituais utilizados na maçonaria são também encontrados em vários locais como Egito,
México, China, Índia e em diversos Templos e Catedrais da Europa Medieval.
A terceira corrente de pensamento, denominada de Escola Mística, vê
predominantemente os mistérios da Ordem como um plano para o despertar espiritual e o
desenvolvimento interior do homem. A espiritualização torna-se a via individual interna, na
qual a maçonaria oferece um roteiro que orienta a marcha mística consciente da união do
buscador com o Divino. Sob esta perspectiva, o interesse está mais centrado na interpretação

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do que na pesquisa histórica. Desta forma, esta escola de pensamento tende a associar o
parentesco da maçonaria com os antigos Mistérios que buscam proporcionar ao homem uma
Senda na qual possa se desenvolver espiritualmente. Os pensadores desta corrente tendem a
declarar que os graus maçônicos representam simbolicamente os estados de consciência a serem
despertados individualmente no iniciado.
Já a quarta e última corrente de pensamento maçônico, apresentada por Leadbeater,
denominada de Escola Oculta ou Sacramental, postula sobre a eficácia do poder sacramental
do cerimonial maçônico, quando realizado de forma devida e executado regularmente. Esta
abordagem se fundamenta na noção da existência de um lado sutil oculto da natureza, que pode
ser mobilizado pelos poderes existentes em todos os homens, mas adormecido na maioria da
humanidade. Por mais que o objetivo do ocultista, como o do místico, seja a união consciente
com o Divino, o autor alerta que seus métodos são diferentes. Enquanto o ocultista trilha em
seus trabalhos um caminho no qual é de grande importância a exata observância da forma com
o auxílio de invocações, o místico trilha um caminho através da oração, da prece e da ação
consequente, não cuidando estritamente de formas, embora, por sua união com elas, trilhe
também caminhos na busca da harmonização divina. 82
Frente aos limites da Escola Autêntica (que não se resumem apenas na impossibilidade
dos seus métodos captarem outros dados relevantes que não são possíveis de serem obtidos
através de documentos escritos), abre-se um extenso horizonte de possibilidades de estudos
sérios com o uso de técnicas de pesquisa qualitativa e quantitativa.
Atualmente, o pensamento científico tem avançado significativamente no que se refere
à adoção e integração de métodos e desenhos de pesquisa que viabilizam leituras mais apuradas
da realidade nos mais diversos campos do saber. Na medida em que a maçonaria se torna objeto
de estudo acadêmico, ela incorpora a qualidade de ser passível do crivo nas mais diversas áreas
do conhecimento, a exemplo das Ciências Humanas, Sociais, Sociais Aplicadas, Exatas, da
Saúde, etc.

Figura 1: Maçonaria como Objeto de Estudo. Fonte: Próprio Autor

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Neste sentido, cada área com suas abordagens metodológicas específicas, é passível
de proporcionar respostas consistentes para diversas questões de pesquisa relacionadas com a
maçonaria vista como um fenômeno observável e capaz de ser delimitado, observado e
analisado à luz da ciência.
Para além de uma postura que rechace qualquer autor de literatura maçônica, podemos
assumir que, ao falar de pesquisa científica em maçonaria, estamos falando de adoção de
método sistemático para produção de conhecimento científico. Neste sentido, existem ainda
nítidos desafios e oportunidades para pesquisadores que se interessam em mergulhar nesta trilha
de desenvolvimento do saber.
Na medida em que o estabelecimento de agendas de pesquisa maçônica faz-se
necessário para o enriquecimento da produção literária nacional, o entendimento de que os
pesquisadores podem assumir alguns paradigmas diferenciados para estudar o mesmo
fenômeno torna-se imprescindível para a boa produção, o bom diálogo e a redução das
improdutivas “intolerâncias acadêmicas” entre autores de paradigmas diferentes, provocadas
muitas das vezes por falta de uma compreensão mais apurada das possíveis rotas
epistemológicas de estudo que um mesmo objeto comporta. 83
Para se perceber o quanto é amplo este espectro de possibilidades de pesquisa
maçônica, pode-se apontar algumas alternativas baseadas no pressuposto de que “Ao
compreendermos a maçonaria como um fenômeno social somos capazes de analisa-la sob a
esfera dos estudos organizacionais”. Sobre este prisma, a título de exemplo, além da
possibilidade de pesquisas científicas em maçonaria fundamentadas no conceito de metáforas,
similares àquelas sugeridas por Morgan (1996)2, elas podem também assumir abordagens
diferenciadas conforme os paradigmas sociológicos propostos por Burrell (1999) em função da
natureza dos instrumentos/técnicas de coleta e análise dos dados (subjetivos/objetivos) e da
natureza do processo sociológico estudado (regulação/mudança), conforme ilustrado na Figura
2:

2
Organização maçônica vista como Maquina; Organização maçônica vista como Organismo Vivo; Organização
maçônica vista como Cérebro; Organização maçônica vista como Sistema Cultural; Organização maçônica vista
como Sistema Político; Organização maçônica vista como Prisão Psíquica; Organização maçônica vista como
Processos, Fluxos e Transformações e Organização maçônica vista como Instrumentos de Dominação.

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Figura 2: Paradigmas, metáforas e as escolas de análise organizacional relacionadas.


Fonte: Morgan (2005)

Levando em consideração as possibilidades de pesquisa em maçonaria que se abrem


84
ao considerá-la um fenômeno social capaz de ser abordado pelo método científico, pode-se
estabelecer pautas de pesquisa maçônica as quais os pesquisadores nacionais contemporâneos
possam compor uma frente de produção de conhecimentos capazes de elucidar vários pontos
obscurecidos e de subsidiar o fortalecimento das Ordens maçônicas. Estas pautas podem ser
estruturadas em três vertentes de estudos caracterizados por pesquisas direcionadas às 1)
“Questões de Origem”, 2) “Questões de Evolução” e 3) “Questões de Natureza, Finalidade e
Sentido”, conforme apresentado na Tabela 1.
Tabela 1: Sugestão de agenda de pesquisa maçônica.
Questões de pesquisa Aspectos
Origem da maçonaria Marcos de surgimento.
Maçonaria até o Século XVII;
Maçonaria nos Séculos XVIII e XIX;
Evolução da maçonaria
Maçonaria no Século XX e
Maçonaria Contemporânea (Século XXI).
correntes de pensamento maçônico; filosofia, misticismo e
simbologia maçônica;
ritualística e liturgia maçônica;
Natureza, finalidade e
relacionamento social maçônico;
sentido da maçonaria”
processos administrativos, econômicos e políticos das
Ordens maçônicas;
processos de formação maçônica.
Fonte: Próprio Autor

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Os estudos relacionados às “Questões de Origem da Maçonaria” estariam


concentrados nos esforços de identificação de demarcações temporais que apresentam
características que apontam a criação de tradições, instituições, costumes e grupos sociais
relacionados à maçonaria. Neste sentido, as pesquisas histórico-arqueológicas focadas no
continente Latino-Americano e no Brasil estariam entre as opções mais amigáveis aos
pesquisadores nacionais.
Já os estudos relacionados com as “Questões de Evolução da Maçonaria” estariam
concentrados em identificar e descrever processos de mudanças e permanências entre as mais
variadas características dos fenômenos maçônicos. Neste sentido, o estabelecimento de faixas
temporais para análise das transformações ocorridas nas diversas variáveis vinculadas com o
fenômeno da maçonaria no Brasil e nos continentes, torna-se um traço marcante nos desenhos
metodológicos das pesquisas nesta área. As quatro faixas temporais que se apresentam como
prováveis marcadores de horizontes podem ser definidas como àquelas 1) até o Século XVII;
2) dos Séculos XVIII e XIX; 3) do Século XX e 4) do Século XXI (Maçonaria Contemporânea).
Por fim, os estudos relacionados às “Questões de Natureza, Finalidade e Sentido da
Maçonaria” estariam concentrados em temáticas vinculadas com 1) as correntes de pensamento 85
maçônico; 2) os elementos de filosofia, misticismo e simbologia maçônica; 3) os elementos de
ritualística e liturgia maçônica; 4) as dinâmicas de relacionamento social maçônico nas esferas
interna e externa das Ordens; 5) os elementos relacionados aos processos administrativos,
econômicos e políticos das Ordens maçônicas; 6) os processos de formação maçônica.
Neste contexto, vale destacar que à adoção da rotina de estudo sistemático também por
todos os membros das Ordens, desde o estágio inicial de Aprendiz, torna-se um prática
necessária de tal forma que possa ser percebida como traço marcante da cultura de formação
do obreiro e gerador de uma produção constante de conhecimento maçônico consistente e de
qualidade.

A MAÇONARIA CONTEMPORÂNEA E ALGUNS DE SEUS DESAFIOS: MULHER NA


MAÇONARIA E USO DAS REDES SOCIAIS

Longe de ser um fato novo, a questão da participação da mulher na maçonaria esteve


presente desde o início da sua trajetória de formação e desenvolvimento. A natureza desta
participação se apresenta de forma diversa, conforme o tipo de relação que se estabelece entre
a mulher e as dinâmicas da Ordem.

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Neste sentido, pode-se apontar formas de relações que vão desde uma participação
superficial (como simples esposa, ou filha, de um maçom), passando por atuações mais ativas
(integrando entidades para-maçônicas) e até assumindo papéis de vanguarda no processo
histórico de desenvolvimento da maçonaria (a exemplo da criação de Lojas/Potências femininas
e mistas).
Todas estas formas de participação não se restringem apenas à esfera de discussão
conceitual e dogmática. Elas são fatos dados e como tais devem ser analisados. Sobre este
aspecto, a despeito das diferenças naturais existentes entre os seres, a mulher e o homem
possuem características que os tornam, similares por uns aspectos, complementares e singulares
por outros.
Evidencias demonstram que, para além do simples papel de esposa de maçom, ou
integrante de entidades para-maçônicas, existem registros esporádicos de mulheres que
participaram em trabalhos dentro de lojas maçônicas conforme destaca Mellor (1989, p. 100.).

Alguns nomes de mulheres são encontrados nos documentos da Fase operativa, como
o de uma certa Margaret Wild, nos idos de 1663. Em 1696, o Mason’s Court Book cita
duas viúvas. Em 1713-1714, as fontes referem a uma tal Mary Banister, filha de um
barbeiro de Barking, aprendiz registrada por um tempo de serviço de sete anos, 86
recebendo a corporação 5 shilings desse chefe.

Além deste argumento, Millor (1989, p. 99-100.) aponta duas outras afirmativas
contestadoras sobre a justificativa do impedimento da participação da mulher nos trabalhos
regulares de uma loja maçônica conforme os Landmarks da Ordem. O primeiro diz respeito ao
fato de que “nenhuma exclusão das mulheres estava escrita nos Old Charges, ou Antigas
Obrigações, (documentos originais da maçonaria) e o segundo está relacionado ao fato de que
na Maçonaria especulativa a admissão da mulher não seria comprometida por uma suposta
necessidade de força física exigida pela maçonaria operativa.
Em sua obra, o resgate feito por Mellor contextualiza este tema crítico, identificando-
o como um grande problema a ser enfrentado pela atual Franco-maçonaria. Neste resgate, são
trazidos a tona os elementos envolvidos nos processos de consolidação do movimento feminista
e as características da participação da mulher na maçonaria desde antes do século XVIII até o
século XX, detalhando inclusive o processo de formação da maçonaria feminina (através da
fundação da Grande Loja “O Direito Humano”), da evolução da maçonaria mista e da própria
fundação da Grande Loja Feminina da França. Fundamentado neste contexto, foram destacados
pelo referido autor quatro possíveis cenários frente a questão da mulher na maçonaria
contemporânea, conforme Tabela 2.

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Tabela 2: Cenários frente aos desafios relacionados com a participação da mulher na


maçonaria contemporânea
Cenário Característica
A exclusão incondicional das mulheres tem a seu favor toda a tradição
Exclusão maçônica, bem como argumentos psicológicos similares ao contexto de
organizações do tipo Rotary e Lion’s Clube Internacional
A assimilação integral, ou seja, a fórmula do Direito Humano, seria sem
Assimilação dúvida alguma a solução mais lógica e mais conforme à evolução social,
se a Maçonaria fosse apenas um grupo entre muitos outros.
Uma terceira solução é a do Apartheid dos sexos. Liberdade às mulheres
para praticarem um Ritual masculino, mas estritamente entre elas. Nada
Separação
de “mixidade”. Nem mesmo a admissão de homens na qualidade de
visitantes.
Desde que a Franco-Maçonaria representa um enorme enriquecimento
Adaptação espiritual, não é justo afastar as mulheres de seu convívio, apenas porque
não sejam aptas ou iniciáveis.
Fonte: Extraído de Mellor (1989, p. 151-154)
Ainda sobre este tema, vale resgatar as opiniões de Para Prires e Ruan (2015),
respectivamente Presidente do Conselho Nacional da Federação Portuguesa da Ordem
Maçônica Mista Internacional e Grã-Mestra da Grande Loja Feminina de Portugal, que
apresentam pontos de vista singulares frente a relação entre homens e mulheres na maçonaria:
87
No meu entender, como já me referi, não deve haver a separação das mulheres dos
homens na Maçonaria, embora respeite a liberdade de cada ser humano na sua escolha.
A maçonaria mista é a mais próxima à Maçonaria Universal, pois, sendo formada por
homens e mulheres, que trabalham em conjunto, pelo que a considero assim, mais justa,
mais perfeita e mais equilibrada. Os homens e as mulheres têm características
diferentes, é certo, mas que se completam e se complementam ainda melhor se
caminharem, lado a lado, pensando, e, construindo novos rumos. (PRIRES, 2015. p.
123.).

As mulheres maçonas são mulheres como as outras, sem qualquer elitismo. São
mulheres inseridas na sociedade, vindas de toda a origem cultural, sem idade
determinada, solteiras, casadas, mães, estudantes, profissionalmente ativas ou
reformadas, mas que possuem em comum um olhar mais consciente sobre elas mesmas
e sobre o mundo, além de uma vontade de participar na organização social ou política
da Cidade ou Estado. (...) Temos a plena consciência que o Homem é o outro polo da
humanidade, sabemos quão enriquecedor é trabalhar em Templo com Irmãos de outras
Obediências, mas o Homem e a Mulher são seres distintos e como tal, sentem pensam
e vivenciam de forma diversa o que lhes é dado a experimentar, na especificidade da
riqueza de cada um dos seus gêneros (Ruan, 2015. p. 123-124).

As perspectivas apresentadas acima denotam o quanto o assunto demarca um


importante campo de debate e construção das relações maçônicas nos dias de hoje. Neste
sentido, Ismaill (2012. p. 70-73) colabora apontando que as diferentes justificativas para a
restrição das mulheres na maçonaria se aglutinam em dimensões de cunho histórico, social,
ocultista, sexual, legal e moral, sendo necessário que estas dimensões sejam observadas no
enfrentamento honesto dos dilemas e paradoxos característicos da maçonaria contemporânea.

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Vale ressaltar que, da mesma forma que a maçonaria operativa não era a mesma da
maçonaria moderna, tão pouco a mesma da maçonaria contemporânea, a maçonaria da segunda
metade do século XXI terá na aceitação da participação da mulher nos trabalhos de Loja em
coexistência reconhecida de Lojas Masculinas, Femininas e Mistas um ponto de pauta no
campo das prováveis mudanças a serem debatidas.
Já a temática do uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) no
ambiente maçônico vem ganhando cada vez mais espaço privilegiado no estabelecimento das
pautas de discussões e deliberações administrativas dos Organismos Maçônicos.
Os dilemas inerentes a uma instituição centenária, como a maçonaria, frente aos
desafios relacionados com o uso das TICs, remetem os dirigentes e obreiros a ela vinculados à
uma revisão em vários de seus valores e atitudes relacionados com a maneira com que lidam
com as informações. Tendo em vista a natureza que caracteriza a Maçonaria, vale resgatar o
apontamento trazido pelos professores Júnior e Rocha (2019). Conforme eles nos alertam,

A Maçonaria ou as Maçonarias, como toda e qualquer outra instituição, entidade ou


empresa, independentemente dos seus interesses privados ou de sua concepção ou
forma de atuação, possui um cabedal de saberes e valores outros, cultura, filosofia,
simbolismo, doutrinas e políticas, que, podendo serem definidas formal ou praticadas 88
informalmente, precisa ser preservada em garantia e segurança da própria instituição e
dos seus membros efetivos ou associados. (JÚNIOR E ROCHA, 2019, p. 42)

Neste sentido, torna-se crítico o entendimento de que as Ordens maçônicas devam


acompanhar as mudanças da contemporaneidade, incorporando os avanços tecnológicos na
gestão da informação, tendo o cuidado de preservarem os traços que às caracterizam como
instituições que possuem elementos próprios e singulares que as definem. Sobre este aspecto,
vale resgatar as sugestões apresentadas por Lôbo (2015) usando apenas o Instagram como
objeto de análise. Ao apontar os potenciais uso do instagram no ambiente empresarial (e
inclusive não empresarial) o autor destaca que:

[...] O Instagram é uma ótima plataforma para quem quer aumentar o engajamento e
criar uma personalidade para a sua marca por meio da interação com os fãs; Por ser um
aplicativo de dispositivos móveis a sua taxa de conversão tende a ser maior; O
Instagram tem 15 vezes mais engajamento do que o Facebook, mesmo sendo menor, e
a plataforma de fotos ainda está crescendo; Qualquer tipo de negócio pode usar o
Instagram, e empresas com produtos físicos podem aproveitar ainda mais a plataforma;
Há 5 formas básicas de aplicar uma boa estratégia de engajamento no Instagram: Usar
fotos dos seguidores; Mostrar os bastidores; Organizar competições e sorteios
envolvendo fotos; Imitar os seus fãs; Promover uma imagem. (LÔBO, 2015)

Desta forma, apenas para exemplificar, são elencados na Tabela 3 possíveis


abordagens de uso das ferramentas Instagram, Facebook, WhatsApp, E-mail, YouTube viáveis
à maçonaria contemporânea. Estas propostas foram elaboradas incorporando o pressuposto de

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que as Organizações devam estabelecer planejamento prévio de uso e códigos de conduta


relacionados com a utilização das redes sociais pelos seus membros.
Tabela 3: Propostas de uso do Instagram, Facebook, WhatsApp, E-mail, YouTube por
Organizações Maçônicas
Ferramenta Proposta Objetivo
1- Abertura de perfil 1- Divulgar a realização em tempo real de
provisório (ou permanente) de ações sociais (filantrópicas e/ou educativas)
Instagram
projetos sociais da promovidas pela Organização Maçônica
Organização Maçônica. para maçons e membros da sociedade
1- Congregar uma comunidade de amigos e
interessados sobre maçonaria onde pode-se
1- Abertura de perfil
divulgar programações, eventos,
Facebook institucional no Facebook da
mensagens, e estabelecer um ambiente de
Organização Maçônica.
diálogo direto entre vários públicos para
além dos maçons vinculados a organização.
1- Estabelecer um Fórum aberto entre os
dirigentes da Organização Maçônica (Loja,
Potência, etc) para debates, discussões e
1- Criação de Grupo
deliberações de temas específicos na área
Específico do Quadro
administrativa.
89
Administrativo da Organização
2- Estabelecer um Fórum aberto entre os
Maçônica.
Maçons regulares Integrantes da
Organização Maçônica (Exemplo Loja
2- Criação de Grupo dos
WhatsApp Maçônica) para divulgação de mensagens,
Obreiros (Maçons) Regulares
avisos, diálogos e debates relacionados a
da Organização Maçônica.
temas relevantes da Maçonaria.
3- Estabelecer um Fórum aberto entre os
3- Criação de Grupo dos
Maçons, familiares e amigos relacionados
Amigos da Organização
com a Organização Maçônica (Exemplo
Maçônica.
Loja Maçônica) para divulgação de
mensagens, avisos, diálogos e debates de
temas considerados relevantes para o grupo.
1-Abertura de e-mails
Institucionais das áreas que
1- Estabelecer canal de comunicação com o
integram a estrutura da
público interno e externo para formalização
E-mail Organização Maçônica
de demandas institucionais entre estes
(Secretaria; tesouraria;
públicos e a organização maçônica.
Presidência; Vice-Presidência;
etc.).
1- Depositar vídeos relacionados com as
temáticas Maçônicas para o público
1- Abertura de um Canal
maçônico e público em geral. Os vídeos
YouTube Oficial da Organização
podem ser institucionais, não institucionais,
Maçônica.
Cursos, Palestras, bem como mensagens
relacionadas com temas específicos.
Fonte: Próprio autor

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O uso das TICs, e em especial das Redes Sociais pela comunidade maçônica, se mostra
como um fenômeno irreversível e que remete aos atuais gestores das Ordens maçônicas, tanto
a uma releitura de seus valores, quanto ao tratamento que deve ser dado à gestão da informação
nos ambientes maçônico e não maçônico vinculados aos trabalhos das Ordens.
Neste sentido, o uso adequado das novas tecnologias pode ser considerado benéfico,
devendo, entretanto, haver cautela na categorização dos tipos, níveis de acesso e de divulgação
de informações, bem como, no estabelecimento de adequados códigos de conduta vinculados
ao relacionamento dos obreiros da Ordem com às diversas tecnologias existentes, sendo estes
considerados temas relevantes de estudo.

A MAÇONARIA CONTEMPORÂNEA E ALGUNS DE SEUS DESAFIOS: LAICIDADE E


MAÇONARIA

O tema laicidade pode ser entendido como um dos pontos críticos a serem trabalhados
nas reflexões sobre as bases que sustentam as relações entre as pessoas de determinada
sociedade. Neste sentido, percebe-se que este assunto carrega um nítido grau de complexidade,
na medida em que a laicidade na perspectiva do mundo ocidental se conecta ao fenômeno de 90
secularização (com manifestações singulares), alimentando por vezes a justificativa para
surgimento de processos mais radicais denominados de laicismo. Desta forma, a secularização,
laicidade e laicismo (que muitas vezes são inadvertidamente entendidos como sinônimos)
representam fenômenos distintos por mais que possuam estreitos vínculos.
Resgatando as reflexões de Rollo (2014), pode-se afirmar que a secularização
representa um movimento, que ganha corpo no fim do período medieval, e se prolonga durante
a era moderna, caracterizado pela ruptura entre o político e o religioso, isso é, entre a política,
a moral e o religioso, contribuindo para a configuração da laicidade como um ideário
materializado sob estes fundamentos. Para o avanço deste movimento modernizante de
secularização

[…] muito contribuíram os combates travados pela nova filosofia, uma vez que
pugnava pelo exercício da razão crítica, liberto de todos os dogmatismos e a afirmação
da liberdade de consciência e o livre-pensamento [...] [proporcionando assim os
fundamentos da laicidade como] forma institucional que estabelece a diferença entre o
espiritual e o temporal, o Estado e a sociedade civil, o indivíduo e o cidadão [...]
[permitindo onde este princípio foi aplicado] instaurar a separação da sociedade civil e
das religiões, não exercendo o Estado quaisquer poder religioso e as igrejas qualquer
poder político. (ROLLO, 2014, p. 273).

O referido autor destaca, ainda que sobre esta ótica, que a laicidade distingue e separa
o domínio público do domínio privado, se propondo a ser ao mesmo tempo condição fundante

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para a existência do espaço de coexistência de todas as convicções como consequência do


princípio da liberdade de consciência. Entretanto em sua aplicação prática, o ideário da
laicidade além de se desenvolver como um processo social, que não pode ser generalizado ou
universalizado (pois não ocorreu, e não ocorre, de forma idêntica e única nos diversos países),
se manifesta em várias situações ultrapassando as conotações de neutralidade e indiferença para
uma nítida expressão reativa de anticlericalismo, se assemelhando a uma verdadeira guerra
(laicismo) que encontra significação semântica na aplicação do sentido etimológico da palavra
grega laós que designava “povo” que se opunha ao “clerical” (Rollo, 2014; Ranquetat, 2008).
Sobre a perspectiva das manifestações e diferenças entre laicidade e laicismo nas
sociedades democráticas, Neto (2010) faz um apanhado sobre os preceitos regulatórios e
conceituais, tecendo as seguintes considerações:

1–O Estado laico não e um Estado inimigo da fé, mas, ao contrário, permite que haja a
coexistência de vários credos dentro de seu território, assegurando uma mutua
independência e autonomia entre si e as comunidades religiosas; 2–A postura laicista
ofende os princípios de um Estado laico, tolhendo a liberdade de manifestação da
crença; 3–A liberdade da pratica religiosa em âmbito privado é absoluta, condizente

91
com a própria dignidade do ser humano, não podendo, portanto, sofrer restrições por
parte do Estado; quanto a pratica pública do direito de crença, este pode ser limitado,
dentro da razoabilidade, nos limites e condições necessárias para preservar os direitos
de outrem e a ordem pública; 4–A laicidade robustece o propósito de construção de
uma sociedade livre, justa e solidaria. (NETO, 2010, p. 99).

Em seu estudo, Oro (2011) apresenta uma descrição sobre as relações entre Estado e
Religião agrupando estas relações em três formas de regime político adotadas pelos países dos
continentes europeu e americano. O referido estudo aponta para uma variedade de formas que
agrupam sociedades nos modelos de 1) países que mantem um regime de separação Estado-
Igreja, 2) países que adotam o regime de separação entre religião e estado com dispositivos
particulares em relação a algumas religiões ou igrejas e 3) países que adotam o regime de “Igreja
de Estado”.
Segundo o autor, por mais que constitucionalmente o Brasil se enquadre no grupo de
países que mantem um regime de separação Estado-Igreja, deve-se relativizar este
enquadramento. Ao proceder-se o resgate dos fatos históricos de desenvolvimento do Estado
Brasileiro, visto que a construção da laicidade no Brasil perpassa por uma formatação de “Igreja
de Estado” no período colonial e imperial para, na prática, se tornar em regime de separação
acordada entre Estado Brasileiro e Igreja (inicialmente com a Igreja Católica, e posteriormente
também com as vertentes evangélicas, em detrimento de outras correntes religiosas, em especial
as de matrizes afro-brasileiras), desde o final do período imperial até após a ratificação
constitucional de 1988 da separação entre Igreja e Estado no Brasil.

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Neste contexto, a maçonaria se apresenta como Ordem iniciática, profundamente


influenciada pelo movimento iluminista do século XVIII, que incorpora em seus ritos uma
confluência sincrética de simbologias e alegorias, cujas origens remontam nas mais variadas
matizes místico-religiosas (CASTELLANI, 2005; LEPAGE, 1978; LEADBEATER, 1978;
BIASI, 2012; RAMALHO, 2016). Estas características fizeram da Ordem uma instância natural
de aglutinação de pessoas cujos ideais, crenças e práticas geralmente se fundamentam em
preceitos que defendem o estudo e exercício da ciência e do livre-pensamento, bem como do
questionamento das autoridades religiosas como detentoras do poder ordenador maior sobre as
vidas dos indivíduos que integram as sociedades.
Como um ideal, o movimento da laicidade naturalmente perpassou (e ainda perpassa)
por processos conflituosos de ajustes em suas diversas formas e tipologias, sendo a Igreja
Católica uma das entidades que mais profundamente foram impactadas e que mais
incisivamente se manifestaram em oposição a sua perda de poder sobre o Estado nos países em
que exercia forte influência na estrutura de poder, focando suas pressões institucionais em
governos, bem como em Ordens místicas e iniciáticas (dentre elas a maçonaria) e outras
religiões a exemplo das orientais e africanas. 92
No Brasil, a laicidade tem sido pauta de atuação da maçonaria, perpassando em vários
momentos por conflitos diretos com a igreja católica. O envolvimento da maçonaria na
discussão sobre a laicidade esteve presente no Império desde 1870, onde a Ordem foi efetiva
no processo de secularização brasileira na chamada “Questão Religiosa” (CURY, 2017;
SILVA, MARQUES, 2017; SANTOS, SOFFIATTI, 2015; COLUSSI, 2000), e em outros
pontos de intercessão até a década de 1930, que corresponde ao final da República Velha
(PIPPI, 2002; SILVA, 2013; 2015; 2009; 2011; COELHO, 2017).
A partir e 1930, com o início da Era Vargas, a Ordem viu-se mergulhada em todo o
pais em um processo de forte movimento antimaçônico oriundo da conjugação institucional do
Estado Brasileiro com a própria Igreja Católica (ALENCAR JÚNIOR, 2014), a exemplo de
Juiz de Fora e Pernambuco, como relatam (CASTRO, 2008; RICARDO, YVÁN, 2015; SILVA,
2014).
Este movimento antimaçônico na Era Vargas tem em um dos cumes o decreto de
fechamento do Grande Oriente do Brasil, dos Grandes Orientes Estaduais e de todas as lojas
maçônicas do país efetuado pelo governo brasileiro em 1938, cujo relato é apresentado por
Castellani e Carvalho (2009). Vale destacar que este processo se abranda gradativamente após
o início do regime militar, encontrando uma significativa diluição ao ser aprovada a

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Constituição Federal em 1988, que estabelece o direito fundamental aos brasileiros à livre
associação, cujas bases da evolução conceitual, bem como do tratamento dos dispositivos
constitucionais são aprofundados por Oliveira, 2017.
Neste percurso, o ensino foi palco constante de disputa nos debates sobre a laicidade,
e a maçonaria constantemente atuou neste campo, tanto nos debates sobre limites da ação da
igreja na educação escolar, quanto na implementação de ações efetivas no estabelecimento de
políticas e no fomento da criação de algumas instituições de ensino, como relatam (ARRIADA,
TAMBARA, 2018; AMARAL, 2000; DREY, MARCON, 2014; JABUR, COSTA, 2014; e
EGITO, 2011).
Os debates e dilemas sobre esta questão ainda estão presentes na atualidade. O tema
da laicidade na relação Estado, escola e religião tem recebido abordagens diferenciadas, que
vão desde propostas de rupturas extremas com supressão do ensino religioso em escolas
públicas, até propostas de participação de estruturas institucionais religiosas nos processos
voltados para formar e avalizar professores de ensino religioso contratados e sustentados pelo
Estado (GIUMBELLI, 2004)
Vale salientar que a maçonaria, mesmo possuindo as características de instituição 93
laica, enfrenta desafios neste século XXI, tanto na dimensão externa, quanto na própria
dimensão interna da Ordem. No que se refere a dimensão externa, convém apontar para as
próprias contradições do estado Laico Brasileiro, apresentadas por Oro (2010, p. 235), onde as
aparentes incongruências observadas em nosso cotidiano social revelam “uma situação
relativamente paradoxal entre o que ocorre na prática (proximidade das religiões, especialmente
da Igreja Católica, com o Estado e a esfera pública) e o que é proclamado e firmado legalmente
(separação Igreja-Estado)”.
No que se refere à dimensão interna, uma característica se apresenta como elemento
desafiador que remete aos integrantes da Ordem à necessidade de reflexões e ponderações. Ela,
diz respeito ao que podemos denominar de “Matriz sincrética da filosofia maçônica”, a qual
pode ser extraída da leitura sobre os diversos materiais (livros, artigos, manuais, rituais, etc.)
que atualmente são disponibilizados e de fácil acesso generalizado ao público por diversos
meios. Esta característica sincrética também é observada por (RAMALHO, 2005), quando
busca associar a maçonaria como uma ordem que combina valores tradicionais e modernos,
laicos e religiosos, sagrados e profanos em um ambiente que se propõe a ancorar uma
confluência de tradições, valores e práticas tecidas com princípios de tolerância frente a
diversidade.

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Sobre este aspecto, afloram ambiguidades que podem ser entendidas como evidências
que comprometem a noção de Laicidade Maçônica a exemplo dos dilemas referentes às
perspectivas Teísta e Deista frente aos conceitos e usos do “Livro da Lei” (SOUSA, 2016) e no
que diz respeito ao fato de que, por mais que as Potências Simbólicas declarem que seus
integrantes têm liberdade de crença religiosa, a grande maioria de seus rituais estão estruturados
para executar procedimentos ritualísticos compostos predominantemente de elementos das
religiões judaico-cristãs.
No transcurso deste singelo resgate, percebe-se a importância da incorporação da
laicidade como tema de estudo e reflexão por parte dos integrantes das diversas entidades
maçônicas neste século XXI visando promover entendimento mais aprofundado sobre os
processos de consolidação de posições institucionais e de práticas individuais frente aos
desafios que a relação entre o Estado e Religião traz no contextos dos dias atuais.

A MAÇONARIA CONTEMPORÂNEA E ALGUNS DE SEUS DESAFIOS: LANDMARKS

No que concerne ao esforço de configurar uma representação estrutural da maçonaria,


os trabalhos sobre o assunto tenderão a convergir para uma descrição que apontaria para uma
94
rede não centralizada de poder, com várias instituições independentes e soberanas que
estabelecem, entre si, formas de reconhecimento mutuo que chancelam atestamentos de
regularidades fundamentados em princípios caracterizadores do que seria, ou não, considerado
maçônico. Sobe este aspecto, torna-se oportuno resgatar o que Varoli Filho (1976) elucida sobre
o que se pode entender como Maçonaria Universal e Regular. Neste sentido,

não há poder maçônico internacional. As Potências Maçônicas, tenham o nome de


Grande Loja ou Grande Oriente, são independentes e soberanas. Na esfera
internacional elas se reconhecem mutualmente e assim se comunicam. Trocam
representantes ou garantes de amizade. Realizam congressos e reuniões em que se
decidem recomendações. Estabelecem tratados e convenções. Por via de regra, só
reconhecem um Corpo Maçônico para cada território. Por “corrente universal” da
Maçonaria deve entender-se o conjunto de Potências Maçônicas que seguem normas
tradicionais e máximas denominadas “landmarks” e “princípios gerais”, e que por
isso conquistam reconhecimento geral. É de dever revelar que essas Potências
regulares constituem a maioria absoluta na maçonaria do mundo. Daí o obreiro
“irregular”, pode não ser admitido ou recebido nas lojas da corrente dita universal.
(VAROLI FILHO, 1976. P.293).

A distinção do campo maçônico, e em especial da diferenciação do que seja ou não


maçonaria em âmbito institucional, é um tópico que tem agregado extensa discussão entre
vários estudiosos de diversas nacionalidades, e que por sua natureza possui certo grau de
complexidade que não deve ser desconsiderado. Entretanto, Aslan (1975) fundamentado nas

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reflexões de Lionel Vibert apresenta elementos fundantes que, em conjunto, se apresentam


como referência de distinção. Segundo o autor,

[...] precisamos ressaltar cuidadosamente todos os traços particulares da Ordem que


podem servir para diferenciá-la de todas as outras religiões, sociedades, corporações,
fraternidades, ou o que quer que seja e, ao mesmo tempo, nos recusarmos firmemente
em aclamar como precursos toda associação da antiguidade que não possui, em lugar
de um ou dois, a maioria destas marcas distintivas. Encontraremos que estas marcas
são em número de dez. A nossa sociedade: 1º) pertence a uma profissão ou ofício
específico (no nosso caso, só mantemos similitude com uma profissão comum); 2º)
possui uma constituição particular (Mestres, Vigilantes e outros oficiais); 3º) admite
candidatos no decorrer de cerimônias especiais, e estes candidatos devem ser adultos,
masculinos e “livres” (ou “francos”); 4º) possui um conjunto de sinais secretos e de
palavras de passe, que permite aos seus membros de se reconhecerem entre si, e que
não devem ser revelados; 5º) tem a sua história tradicional; 6º) tem o seu costume
especial de cerimônia; 7º) possui um ritual elaborado que aplica com precisão, e do
qual exige a estrita observância; 8º) ensina o dever de ajudar os outros membros da
sociedade, conhecidos sob o nome de irmãos, e uma moral simples ilustrada pelos
instrumentos de trabalho do ofício; 9º) utiliza um simbolismo elaborado, não somente
como veículo da instrução moral, mas fazendo corpo com todas as nossas cerimônias
e nossos sinais. E enfim: 10º) reúne-se periodicamente, não somente para despachar os
negócios da Sociedade, mas também para difundir e ensinar a ciência técnica da
Ordem, que é considerada como mistério que não deve ser comunicado aos estranhos
[...]. (ASLAN, 1975. p. 205-206).

O Termo inglês Landmark, cuja expressão significa limite marco, tradição ou costume 95
que assumem o caráter de antiguidade, consenso universal e imutabilidade, teve no âmbito
maçônico a sua primeira menção nos Regulamentos Gerais de Payne, aprovados pela Grande
Loja de Londres em 1721, não havendo, entretanto, unidade entre os sistemas de classificação
que foram apresentados posteriormente por diversos autores. Um exemplo ilustrativo desta falta
de unidade está no próprio fato de haver quantidades variadas de landmarks por sistema de
classificação, conforme apresentadas na Tabela 4.
Tabela 4: Quantidade de Landmarkrs por sistema de classificação
3 Landmarks para Alexander S. Bacon e Chetwode Crawley;
5 Landmarks para Albert Pike, fundamentados em sua crítica aos Landmarks de Albert G.
Makey;
6 Landmarks para Jean-Piere Berthelon;
6 Landmarks para a Grande Loja de Nova York, que toma por base os capítulos em que se
dividem as constituições de Anderson;
7 Landmarks para Roscoe Pound, a Grande Loja da Virginia e o cubano Carlos F.
Beatancourt;
9 Landmarks para J.G. Findel;
10 Landmarks para a Grande Loja de Nova Jersey;
12 Landmarks para A.S. Mac Bride;
14 Landmarks para Joaquim Gervásio de Figueiredo;
15 Landmarks para John W. Simons e para a Grande Loja de Tennessee;
17 Landmarks para Robert Morris;
19 Landmarks para Luke A. Lockwood e a Grande Loja de Conecticut;
20 Landmarks para a Grande Loja Ocidental de Colômbia, com sede em Cali;

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25 Landmarks para Albert G. Mackey e Chalmers I. Paton e ainda a Grande Loja de


Massachussets, a qual, embora só admitindo 8 Landmarks, estes são iguais àqueles
enunciados por Mackey;
26 Landmarks para a Grande Loja de Minnesota;
29 Landmarks para Henrique Lecerff;
31 Landmarks para o Dr. Oliver;
54 Landmarks para H.G. Grant e para a Grande Loja de Kentucky.
Fonte: Extraído de Aslan (1995) e De Senna (1981).

Vale destacar que a tese dos Landmarks tem sido um tema bastante discutido,
polêmico, controverso e ainda não esgotado no ambiente maçônico desde o século XVIII. Não
obstante, para além deste fato, e assumindo o pressuposto de que os marcos de distinção são
influenciadores na definição do campo maçônico, convém trazer a tona algumas fragilidades
nos critérios de antiguidade, consenso universal e imutabilidade que são definidos como
excenciais para a definição de um landmark. Neste sentido, Fagundes et al (1981), argumentam
que vários dos landmarks nasceram por ocasião da própria catalogação dos sistemas, bem como
não existe consenso universal maçônico entre as Potências no que se refere aos vários
landmarks adotados.
Para exemplificar os desafios em que os sistemas são remetidos a enfrentar, torna-se 96
conveniente resgatar alguns dos 25 Ladmarks do Sistema de Classificação de Albert Mackey a
luz dos comentários de Albert Pike em 1888 e de algumas questões que entendemos ser ainda
relevantes na atualidade, conforme apresentados no Quadro 5.
Tabela 5: Indagações relacionadas com alguns Landmarkrs de Albert Mackey
Landmark de Observações de albert
Questões
Albert mackey pike (*)
2º Landmark - A divisão da “A antiga maçonaria -O que se pode dizer sobre o
Maçonaria Simbólica em três operativa não tinha graus, Sagrado Arco Real?
graus - Aprendiz, Companheiro visto que foram
e Mestre - é um Landmark que, estabelecidos em 1723, e
mais que qualquer outro, tem quarenta anos mais tarde,
sido preservado de alterações algumas Lojas que
apesar dos esforços feitos pelo obedeciam à Grande Loja
daninho espírito inovador. da Inglaterra ainda não os
tinha aceito.”
6º Landmark - A prerrogativa “Antigamente não tinha o -O que se pode dizer sobre a
do Grão-Mestre de conceder Grão-Mestre esta autonomia de um Grão-
licença para conferir graus em prerrogativa, porque não Mestre Estadual em
tempos anormais, é outro eram necessárias tais conceder Grau simbólico à
importantíssimo Landmark. Os dispensas pois cada Loja Revelia do Grão-Mestre
estatutos e leis maçônicas gozava de absoluta Geral em um sistema
exigem prazos, que devem independência no que diz federativo (principalmente
transcorrer entre a proposta e a respeito à obtenção dos se àqueles que receberam
recepção do candidato, porém graus.” graus forem oriundos de

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o Grão-Mestre tem o direito de organizações não


dispensar esta ou qualquer reconhecidas buscando
exigência, e permitir a regularização) na medida em
Iniciação, a Elevação ou que o 6º Landmark
Exaltação imediata. estabelece que “[...]porém o
Grão-Mestre tem o direito
de dispensar esta ou
qualquer exigência, e
permitir a Iniciação, a
Elevação ou Exaltação
imediata.”? Grão-Mestre
Estadual é Grão-Mestre ou
não é Grão-Mestre?
18º Landmark - Por este “Antigamente não era -O que seria realmente
Landmark, os candidatos à necessário que os defeitos ou mutilações
Iniciação devem ser isentos de aprendizes fossem maiores impeditivas à iniciação?
defeitos ou mutilações, livres de idade, de vez que lhes -O que significa escravo?
de nascimento e maiores. Uma chamavam jovens por não Onde estão os limites da
mulher, um aleijado ou um terem chegado a virilidade. liberdade e escravidão na
escravo não podem ingressar Tampouco é necessário sociedade contemporânea?
na Fraternidade. hoje na Inglaterra que o -O que dizer sobre as
candidato seja livre de organizações que se
nascimento.” autodenominam Lojas
Maçônicas Mistas e
97
Femininas?
23º Landmark - Este Landmark “Não é certo que a -O que se pode dizer sobre
prescreve a conservação Maçonaria seja uma as publicações de
secreta dos conhecimentos sociedade secreta, pois informações maçônicas em
havidos pela Iniciação, tanto os entende-se por sociedade Livros; em sites oficiais de
métodos de trabalho como suas secreta aquela cuja Organizações Maçônicas;
lendas e tradições, que só existência é ignorada e em diversas mídias
devem ser comunicados a cujos membros não são eletrônicas, dentre outros?
outros Irmãos. conhecidos. Mas é um
Landmark que os segredos
da Maçonaria não se
devem divulgar.”
25º Landmark - O último “Sem dúvida alguma, -O que se pode dizer sobre a
Landmark é o que afirma a podem sê-lo e o têm sido. “Brecha Lógica” existente
inalterabilidade dos anteriores, Certamente que são neste Landmark que torna
nada lhes podendo ser inalteráveis os verdadeiros inalterável todos os outros
acrescido ou retirado, nenhuma Landmarks da Maçonaria; Landmarks anteriores e nada
modificação podendo ser-lhes mas quem os designa?” dispõe sobre a sua própria
introduzida. Assim como de inalterabilidade?
nossos antecessores os
recebemos, assim os devemos
transmitir aos nossos
sucessores - ”nolumus leges
mutari”, “permitam cumprir as
leis”

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Fonte: Própio Autor. (*) Extraído de Aslan (1972)


Aproveitando o exemplo acima mencionado, pode-se inclusive destacar as
contradições existentes entre o ordenamento legal do Brasil, representado por sua Constituição
Federal em seu artigo 5º, e o 18º Landmark. Sem tecer juízo de valor e apenas com o propósito
de evidenciar o respectivo dilema são apresentados no Quadro 6 os dois dispositivos.

Tabela 6: Comparação entre o Artigo 5º da Constituição Federal do Brasil e o 18º Landmark


de Albert Mackey
Dispositivo legal Landmark
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem 18º Landmark de Albert Gallatin
distinção de qualquer natureza, garantindo-se Mackey (1807-1881): “Por este
aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Landmark, os candidatos à Iniciação
País a inviolabilidade do direito à vida, à devem ser isentos de defeitos ou
liberdade, à igualdade, à segurança e à mutilações, livres de nascimento e
propriedade, nos termos seguintes: maiores. Uma mulher, um aleijado ou
I - homens e mulheres são iguais em direitos e um escravo não podem ingressar na
obrigações, nos termos desta Constituição; Fraternidade”.
Fonte: Própio Autor

98
Em um esforço de sintetizar a problemática dos Landmarks, De Senna (1981, p. 15-
17) apresenta uma síntese sobre a questão. Para ele, 1) os Landmarks, constituem atualmente
problema de difícil solução, onde tratadistas, jurisconsultos e todos que deles se ocuparam não
chegaram a um acordo no sentido de definí-los, enumerá-los, classifica-los e interpretá-los; 2)
em face da extrema complexidade do tema e da inexistência de uma solução, têm os landmarks
sofrido as mais diversas contestações; 3) os escritores maçônicos, via de regra, não têm
procurado estudar o assunto, possivelmente em face da complexidade do mesmo; 4) há uma
idéia generalizada de que os Landmarks jamais poderão sofrer qualquer alteração ou
modificação; 5) é público e notório que, muitas das prescrições contidas nos Landmarks, em
especial na relação de Mackey, seriam mais apropriadas a prescrições regulamentares ou a
regimentos internos; 6) há necessidade de profundos estudos sobre os Landmarks, para que
estes sejam universalmente aceitos e 7) sugere-se, inicialmente, a designação de comissões,
compostas de profundos estudiosos da Maçonaria de cada País, com o objetivo precípuo de
prepararem um ante-projeto, a ser submetido a uma Assembleia Internacional de Maçons de
todas as Potências, com a finalidade de obter-se um denominador comum em torno de
Landmarks.
Mesmo propondo garantir segurança aos preceitos que buscam definir em essência o
que é, e o que não é maçonaria, os Sistemas de Landmarks sofrem corrosão natural do tempo
proveniente das pressões geradas pelas mudanças de tecnologia, conhecimento e cultura entre

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as gerações nas diversas sociedades. Neste sentido, podemos retroagir na história e observar as
características dos períodos aristocrático e democrático da maçonaria que se estabelecem como
fruto das transformações ocorridas em seu período operativo (ASLAN, 1975). Sobre este
aspecto não é incorreto afirmar que a Maçonaria de ontem não era a mesma da Maçonaria de
hoje, bem como, provavelmente as duas terão diferenças significativas em relação à Maçonaria
do futuro, sendo os Landmarks considerados como pontos críticos a serem incorporados nas
pautas de mesa de discussão maçônica e acadêmica relacionadas aos ajustes dos preceitos da
Ordem frente às mudanças e transformações da Maçonaria no Século XXI.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho buscou empreender olhares no sentido de entender como estão


configurados os dilemas da mulher, das redes sociais, da laicidade e dos Landmarks na
maçonaria com a intenção de contribuir para estudos e práticas futuras voltadas para
compreensão das transformações características da contemporaneidade. Desta forma, o
objetivo geral deste trabalho residiu em tecer considerações sobre os desafios da maçonaria
atual, direcionando os esforços mais especificamente em 1): analisar a participação da mulher
99
na maçonaria como um desafio da contemporaneidade; 2) analisar potencialidades do uso das
redes sociais no contexto maçônico; 3) analisar elementos vinculados à relação entre laicidade
e maçonaria e 4) apresentar reflexões sobre os Ladmarks sob a perspectiva da maçonaria
contemporânea.
Longe de estabelecer posicionamentos frente aos desafios apresentados, o presente
estudo se propôs apenas a resgatá-los como fatos dados em um contexto vivido por aqueles que
integram o campo maçônico nos dias de hoje. Neste sentido, a maçonaria, entendida como
fenômeno social, é passível de ser abordada como objeto de estudo nas mais variadas áreas do
saber. Entretanto, vale destacar que as fraturas percebidas nas pesquisas em maçonaria,
especialmente no Brasil, aparentam estarem relacionadas com a falta de escolas de estudo
maçônico consolidadas, além do número reduzido de pesquisas/trabalhos elaborados com
desenhos metodológicos de adequado rigor científico, bem como com as descontinuidades nas
produções de estudos maçônicos por parte das linhas/grupos de estudos criados para pesquisar
este campo do saber.
Sobre este aspecto, é prudente confessar que para tecer considerações mais sólidas
sobre esta questão recomenda-se esforços exploratórios de caráter bibliométrico no sentido de
abarcar dados que possibilitem afirmar com mais segurança 1) o aumento (ou diminuição) de

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publicação de trabalhos cujo objeto de estudo é (ou está mergulhado na) maçonaria como
fenômeno; 2) os tipos de meios de divulgação das pesquisas em maçonaria utilizados com mais
(ou menos) frequência; 3) as áreas do conhecimento que mais são mobilizadas para execução
das pesquisas em maçonaria (história, filosofia, teologias, ciência política, sociologia,
psicologia, administração, etc.); 4) as principais temáticas, problemas e objetos de pesquisa que
são definidos como focos no estabelecimento dos estudos científicos em maçonaria; 5) as
principais características dos pesquisadores em maçonaria (nacionalidade, naturalidade, faixa
etária, sexo, formação educacional, vinculo institucional, etc.); 6) os paradigmas, desenhos
metodológicos e categorias analíticas mais (ou menos) utilizados nas pesquisas em maçonaria;
7) as evidências de rigor científico apresentadas nos resultados das pesquisas em maçonaria
relacionados ao tratamento dos dados qualitativos e quantitativos.
Assumindo uma forte especulação baseada na percepção assistemática do presente
autor sobre as características do processo de estudo em maçonaria, ousa-se afirmar neste
trabalho, como hipóteses aos estudos bibliométricos recomendados acima, que: 1) mesmo
aumentando a cada ano, a produção de literatura fundamentada em pesquisas que adotam rigor
no método de coleta, análise e discussão dos dados ainda é significativamente reduzida; 2) 100
dependendo da temática (especialmente àquelas relacionadas com as origens e difusão da
maçonaria moderna entre os séculos XVII a XIX), há um volume maior de escritores europeus
e norte-americanos que desenvolveram (e desenvolvem) pesquisas com maior rigor científico,
principalmente quando seus objetos de estudo possuem locus existencial capaz de gerar dados
primários nestes dois continentes; 3) entretanto, quando os objetos de estudo e seus locus
existenciais, estão situados em outras regiões, o volume de pesquisadores de outros continentes
deve ser maior; 4) no Brasil, percebe-se também o aumento do interesse pelo estudo mais
rigoroso em maçonaria; 5) mesmo não sendo uma tradição a pesquisa cientifica no meio
literário especializado no Brasil, verifica-se também o acréscimo contínuo de publicações de
pesquisas científicas que adotam a maçonaria como dimensão de análise, bem como é nítido o
aumento do número de pessoas que se manifestam criticamente sobre a qualidade
(principalmente em relação a validade e confiabilidade) dos conteúdos de várias publicações
de autores nacionais e, 6) neste sentido, existem algumas pautas de difícil enfrentamento para
os pesquisadores brasileiros, a exemplo dos estudos focados nas Questões de Origem e de
Desenvolvimento da Maçonaria na Europa e Estados Unidos até o final do século XIX, sendo
as pautas de estudo da maçonaria contemporânea no Brasil e continente latino-americano
àquelas que se apresentam como rotas mais amigáveis de pesquisa.

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Frente aos desafios da maçonaria do Século XXI em relação a mulher, redes sociais,
laicidade e Landmarks emergem duas vias que se apresentam como ambientes capazes de
possibilitar abordagens diretas. A primeira via, chamada de institucional, envolve o campo
representado pelas instituições e atores vinculados às Ordens maçônicas, e a segunda chamada
de epistemológica, envolve o campo representado pelos processos de produção de saberes sobre
os temas vinculados a cada desafio e que fundamenta tanto os processos de permanência, quanto
os de transformação do universo maçônico.
É no campo institucional que as dinâmicas vinculadas aos conflitos, disputas de poder
e tomada de decisão se mesclam efetivamente com os processos de mudanças e transformações
das Ordens maçônicas, e é nesta ambiência que se definirão no tempo os cenários de exclusão,
assimilação, separação ou adaptação da mulher na maçonaria, bem como a regulação do uso
das redes sociais e o estabelecimento de conclaves sobre o posicionamento formal frente aos
Landmarks da Ordem.
Entretanto é na via epistemológica que, o desafio da produção do conhecimento
assume o papel de elemento fundamental nos processos de ajustes às transformações da
sociedade neste século XXI, na medida em que a produção de saberes fundamentada em 101
abordagem dialógica descortina equívocos e proporciona a elucidação de alternativas capazes
de serem adotadas na ambiência que ancora o campo institucional maçônico.
Neste sentido, emergem potenciais temas de estudos maçônicos futuros capazes de
subsidiar mudanças de realidade, a exemplo de pesquisas que busquem: 1) identificar
singularidades e similaridades nas estruturas, ritualísticas e liturgias de instituições que se
autodenominam maçônicas e desenvolvem suas atividades com, e sem, a presença de mulheres
nos seus trabalhos em loja; 2) identificar as possíveis alternativas do uso de diversas tecnologias
de informação e comunicação nas diversas Ordens maçônicas e seus impactos em suas
atividades; 3) Identificar os elementos de sincretismo místico, filosófico e religioso dos diversos
rituais e liturgias maçônicas sob a perspectiva do conceito de laicidade e 4) Identificar os traços
e características que distinguem as Ordens Maçônicas como tais.

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