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Área Temática: Saúde

Adaptação da técnica de role-play para vias remotas

Jade Cristine Bezerra Machado¹. Felipe Araujo de Melo¹. Lissandra Justo


Anibal de Sousa¹. Maria Eduarda Denóbile Torres¹. Marisia Oliveira da Silva².

O Projeto “Para Além da Psicologia Clínica Clássica” está inserido na atenção


básica em saúde e surgiu a partir da constatação da necessidade de agregar, na
formação em psicologia, práticas mais próximas de contextos socioculturais e
econômicos populares, a fim de desatrelar-se do modelo biomédico e
individualizante. As ações são pautadas pelas noções da Abordagem Centrada
na Pessoa (ACP): tendência atualizante, empatia, congruência e aceitação
incondicional, além da perspectiva da Educação Popular Freiriana. Com isso,
surgiu também a necessidade dos estudantes de psicologia se apropriarem dos
conhecimentos acerca da escuta psicológica qualificada e do acolhimento das
demandas da comunidade. A técnica do Role-play é um dos recursos utilizados
pelo projeto na preparação teórico-metodológica dos extensionistas. Essa técnica
consiste em simular situações de escuta, sendo os personagens definidos como
um que acolhe a demanda e o outro que é ouvido. Com o contexto da pandemia,
foi percebida como essencial a adaptação do treinamento do role-play à essa
realidade. Diante disso, os treinamentos do role-play passaram a acontecer em
reuniões virtuais, por meio de videoconferências. Nos encontros, além de
estudadas as teorias e pesquisas, era reservado um período para ser realizado o
treinamento. O presente trabalho tem como objetivo compartilhar a estratégia de
role-play como exercício prático da fundamentação teórica para a escuta
psicológica e qualificada, sendo essa relevante para o acolhimento das
demandas das pessoas da comunidade. A participação aconteceu de forma
voluntária, bem como a escolha dos personagens a serem interpretados. Dentro
das reuniões de 2 horas, foi estipulado um período de 15 minutos para a
simulação e 15 minutos posteriores para a avaliação dos participantes presentes
nas vídeoconferências durante o treinamento. Além disso, cada participante do
role-play era convidado a socializar como foi a experiência. Para se adaptar à
maneira remota, foi solicitado que os demais presentes na reunião desligassem
os seus microfones deixando, assim, o áudio apenas para a dupla que participaria
do role-play. Após cada treinamento, os extensionistas compartilhavam e
refletiam sobre como foram realizadas as intervenções, e se estavam de acordo
com a postura terapêutica da abordagem centrada na pessoa. Com base nos

1. Jade Cristine Bezerra Machado, Discente do curso de Psicologia,


bolsista, jdcristine@gmail.com;
1. Felipe Araujo de Melo, Discente do curso de
Psicologia, voluntário, felipeadmelo@gmail.com;
1. Lissandra Justo Anibal de Sousa, Discente do curso de Psicologia,
voluntária, lissandrajusto@gmail.com;
1. Maria Eduarda Denóbile Torres, Discente do curso de Psicologia,
voluntária, eduardadenobile@gmail.com;
2. Marisia Oliveira da Silva, Coordenadora, Professora do curso de
Psicologia, marisia.oliveira@academico.ufpb.br.
relatos dos extensionistas sobre a experiência, percebeu-se três principais
dimensões significativas: a vivência d sentimentos de insegurança em relação à
práxis como estudantes de psicologia; a percepção de que o treinamento, por
mais que ocorresse em duplas, foi um processo facilitador da aprendizagem
grupal e que o treinamento propiciou maior alicerce e autoconfiança para a
atuação como extensionista. Ainda, segundo os relatos dos participantes, os
encontros de role play foram de suma importância para a reflexão da atuação dos
extensionistas, os quais possibilitaram a geração de questões norteadoras para
serem aprofundadas em seus estudos, em sua postura e em sua formação.
Assim, tornou possível aprimorar a potencialidade de escuta dos extensionistas
no sentido de capacitá-los para o acolhimento e a escuta dos sofrimentos
psíquicos dos moradores da comunidade.

Palavras-chave: Abordagem centrada na pessoa. Comunidade. Educação


popular. Treinamento remoto.

1. Jade Cristine Bezerra Machado, Discente do curso de Psicologia,


bolsista, jdcristine@gmail.com;
1. Felipe Araujo de Melo, Discente do curso de
Psicologia, voluntário, felipeadmelo@gmail.com;
1. Lissandra Justo Anibal de Sousa, Discente do curso de Psicologia,
voluntária, lissandrajusto@gmail.com;
1. Maria Eduarda Denóbile Torres, Discente do curso de Psicologia,
voluntária, eduardadenobile@gmail.com;
2. Marisia Oliveira da Silva, Coordenadora, Professora do curso de
Psicologia, marisia.oliveira@academico.ufpb.br.

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