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Comentários sobre a transição socialista: as pré-condições para a

extinção da Lei do Valor. Parte 2.


Escrevi um texto recente para o site do Poder Popular- MG, na qual
debato a questão da Transição Socialista e, da Lei do Valor 1. Na ocasião
defendi, que em Marx a transição socialista pressupõe a anulação da Lei do
valor como reguladora das relações econômicas durante o período do que
Marx chama de primeira fase do comunismo (transição). O referido texto
recebeu inúmeras críticas, passo a resumi-las, o texto não buscou responder a
questões da transição socialista em uma formação social concreta – isto é, que
o texto seria uma exegese abstrata que não leva em consideração as
experiências reais de transição. Ademais, que o texto confunde primeira fase
da transição socialista com a segunda fase do comunismo, que o texto não
aborda a vigência relativa do valor em uma sociedade de transição, ou seja,
quais ramos da economia continuam produtivos no sentido das relações
capitalistas, por fim, se crítica o texto por ele fornecer munição ao esquerdismo
que tenta deslegitimar as experiências socialistas em curso por estas não
superaram a lei do valor.
Nesse sentido, minha postura em face das críticas é de nega-las, negar
no sentido dialético do termo, de incorporar-superando. Reconheço que o texto
tem inúmeras lacunas, embora eu reivindique a tese central que lá se encontra-
que em uma sociedade de transição constitui aspecto chave a questão da
anulação da lei do valor e, como essa lei é incompatível com uma sociedade
em que os meios de produção são propriedade comum, por isso, submeto o
leitor a este novo texto, na qual pretendo desenvolver a questão da lei do valor
em uma sociedade pós-revolucionária com baixo desenvolvimento das forças
produtivas, ilustraremos nosso texto com as lições do debate que se deu na
gloriosa URSS dos anos 20 do século passado.
Não é segredo para ninguém que nas primeiras décadas do século XX a
socialdemocracia difundia a tese segundo a qual, Marx teria previsto que a
revolução socialista aconteceria primeiro nos países mais industrializados do
capitalismo- Gramsci certa vez chegou a afirmar em artigo que a Revolução
Russa era uma revolução contra “O Capital de Marx”.
Lenin após estudar as mudanças ocorridas no capitalismo na passagem
do século XIX para o XX compreende que estamos em nova fase do
capitalismo, designada por ele de imperialismo, nessa fase diferente do
capitalismo da livre concorrência, predomina o capital monopolista, a fusão
entre o capital bancário e o industrial, (capital financeiro) o aumento do saque
extra-econômico (colonialismo, semicolonialíssimo, dependência) a exportação
de capitais não mais somente de bens e serviços e a partilha do mundo entre
algumas nações imperialistas que necessariamente levaria a guerras inter-
imperialistas – e observa que a tendência que se apresenta é que a revolução
deva se dar nos elos débeis da cadeia imperialista- contrariando a previsão da

1
O texto pode ser acessado aqui: https://www.poderpopularmg.org/comentario-sobre-a-transicao-
socialista-as-precondicoes-para-a-extincao-da-lei-do-valor/
socialdemocracia e confirmando a teoria de Lenin a revolução acaba
arrebentando no elo mais fraco, ou seja, em um dos países mais atrasados da
Europa a Rússia.
Apresentarei a seguir o debate em torno da transição socialista nos seus
aspectos gerais tais como o debate se materializou a partir da revolução russa
na tradição revolucionária.

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