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CENTRO UNIVERSITÁRIO FAVENI

INTRODUÇÃO A TEORIA DOS NÚMEROS

GUARULHOS – SP
SUMÁRIO

1 SISTEMA DE NUMERAÇÃO .............................................................................. 4

1.1 Sistema Decimal ................................................................................................. 4

1.2 Sistema Binário ................................................................................................... 5

2 OPERAÇÕES COM BINÁRIOS .......................................................................... 6

2.1 Conversão de Decimal para Binário: .................................................................. 6

2.2 Conversão de Binário para Decimal: .................................................................. 6

2.3 Soma de Binários:............................................................................................... 7

2.4 Subtração de Binários: ........................................................................................ 8

3 CÓDIGO ASCII ................................................................................................... 8

4 SISTEMA HEXADECIMAL ............................................................................... 10

4.1 Conversão direta entre Hexadecimal e Binário: ................................................ 10

4.2 Conversão de Binário para Hexadecimal .......................................................... 10

4.3 Conversão de Hexadecimal para Binário .......................................................... 11

4.4 Conversão de Decimal para Hexadecimal ........................................................ 11

4.5 Conversão de Hexadecimal para Decimal ........................................................ 12

5 CONJUNTOS NUMÉRICOS ............................................................................. 13

5.1 Conjunto dos Números Naturais ..................................................................... 13

5.2 Conjunto dos Números Inteiros ....................................................................... 13

5.3 Módulo, ou valor absoluto de um número inteiro .............................................. 14

5.4 Conjunto dos Números Racionais ................................................................... 14

5.5 Conjunto dos Números Irracionais .................................................................. 14

5.6 Conjunto dos Números Reais .......................................................................... 15

6 OPERAÇÕES FUNDAMENTAIS ...................................................................... 16

6.1 Adição de Números Naturais ............................................................................ 16


6.2 Propriedades da Adição .................................................................................... 16

6.3 Subtração de Números Naturais ....................................................................... 17

6.4 Multiplicação de Números Naturais .................................................................. 18

6.5 Propriedades da Multiplicação .......................................................................... 18

6.6 Divisão de Números Naturais ........................................................................... 20

6.7 Relação essencial numa divisão de números naturais ..................................... 20

7 DIVISIBILIDADE ............................................................................................... 21

7.1 Critérios de Divisibilidade .................................................................................. 21

7.2 Critério de divisibilidade por potências de 2 ...................................................... 21

7.3 Critério de divisibilidade por 3 e por 9 ............................................................... 24

7.4 Critério de divisibilidade por potências de 5 ...................................................... 25

7.5 Critérios de divisibilidade por 7 e 11 ................................................................. 26

8 O ALGORITMO DA DIVISÃO ........................................................................... 31

8.1 Aplicando o algoritmo da divisão ...................................................................... 31

9 DIVISÃO EUCLIDIANA ..................................................................................... 34

9.1 Algoritmo de Euclides ....................................................................................... 35

10 INTRODUÇÃO A ARITMÉTICA DOS NÚMEROS ............................................ 37

10.1 NúmerosPrimos ................................................................................................ 37

10.2 Reconhecendo números primos: Crivo de Erastóstenes................................. 37

10.3 Decomposição em fatores primos...................................................................39

10.4 Máximo divisor comum (m.d.c.).........................................................................40

10.5 Mínimo múltiplo comum (m.m.c.).......................................................................41

11 O ALGORITMO DA DIVISÃO ........................................................................... 43

11.1 Equações de duas variáveis..............................................................................43

11.2 Equações Diofantinas de três variáveis.............................................................45

12 GENERALIZAÇÃO: EQUAÇÕES DIOFANTINAS DE N VARIÁVEIS ............... 52

12.1 Solução Geral....................................................................................................52


13 CONGRUÊNCIA NUMÉRICA ........................................................................... 57

13.1 Significado de congruência e de congruência numérica...................................57

13.2 Exemplos exploratórios e a notações ≡ mod q..................................................58

13.3 Definição geral de congruência numérica..........................................................60

13.4 Regras: somando e multiplicando congruências numéricas..............................61

13.5 Regras: é possível simplificar ´ ac ≡ bc mod q para a ≡ b mod q?.......................62

13.6 Aplicação: decidindo a divisibilidade de um número inteiro................................63

13.7 Aplicação: decidindo a divisibilidade de uma soma...........................................64

14 OS TEOREMAS DE EULER ............................................................................. 65

14.1 Polígonos...........................................................................................................66

14.2 Poliedros............................................................................................................70

14.3 Relações entre Arestas, Faces e Vértices........................................................ 71

15 TEOREMAS DE FERMAT ................................................................................ 73

15.1 O método de Fermat ........................................................................................ 73

15.2 O pequeno teorema de Fermat ........................................................................ 76

16 TEOREMA DE WILSON ................................................................................... 78

17 TEOREMA CHINÊS DO RESTO ...................................................................... 79

17.1 Origem .............................................................................................................. 79

17.2 O Teorema ........................................................................................................ 79

17.3 Exemplo de Aplicação do Teorema Chinês do Resto ....................................... 80

17.4 Teorema Chinês do Resto Aplicado em Grupos ............................................... 81

18 A FUNÇÃO MAIOR INTEIRO ........................................................................... 82

19 RESÍDUOS QUADRÁTICOS ............................................................................ 84

19.1 Lei da Reciprocidade Quadrática ...................................................................... 87

20 NÚMEROS ALGÉBRICOS E TRANSCENDENTES ....................................... 100

20.1 Algumas propriedades dos números algébricos e dos números


transcendentes.........................................................................................................101
20.2 Números De Liouville ...................................................................................... 102

21 NÚMEROS DE LIOUVILLE ............................................................................ 102

21.1 Teorema de Liouville e a demonstração da transcendência ........................... 102

22 A TRANSCENDÊNCIA ................................................................................... 103

22.1 A série ............................................................................................................ 103

22.2 Prova da transcendência ................................................................................ 105

22.3 A Constante E Não É Um Número De Liouville .............................................. 108

23 BIBLIOGRAFIA BÁSICA ................................................................................. 111


1 SISTEMA DE NUMERAÇÃO

Um numeral é um símbolo ou grupo de símbolos que representa um número em


um determinado instante da evolução do homem. Tem-se que, numa determinada
escrita ou época, os numerais diferenciaram-se dos números do mesmo modo que as
palavras se diferenciaram das coisas a que se referem. Os símbolos "11", "onze" e
"XI" (onze em latim) são numerais diferentes, representativos do mesmo número,
apenas escrito em idiomas e épocas diferentes. Um sistema de numeração, (ou
sistema numeral) é um sistema em que um conjunto de números são representados
por numerais de uma forma consistente. Pode ser visto como o contexto que permite
ao numeral "11" ser interpretado como o numeral romano para dois, o numeral binário
para três ou o numeral decimal para onze.

Fonte: www.universiaenem.com.br

1.1 Sistema Decimal

O sistema decimal é um sistema de numeração de posição que utiliza a base dez.

 Símbolos da base Decimal: 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Baseia-se em uma


numeração de posição, onde os dez algarismos indo-arábicos: 0 1 2 3 4 5
6 7 8 9 servem a contar unidades, dezenas, centenas, etc. da direita para
a esquerda. Contrariamente à numeração romana, o algarismo árabe tem
4
um valor diferente segundo sua posição no número: assim, em 111, o
primeiro algarismo significa 100, o segundo algarismo 10 e o terceiro 1,
enquanto que em VIII (oito em numeração romana) os três I significam
todos 1. Assim:

No sistema decimal o símbolo 0 (zero) posicionado à esquerda do número escrito


não altera seu valor representativo. Assim: 1; 01; 001 ou 0001 representam a mesma
grandeza, neste caso a unidade. O símbolo zero posto à direita implica multiplicar a
grandeza pela base, ou seja, por 10 (dez).

1.2 Sistema Binário

O sistema binário ou base 2, é um sistema de numeração posicional em que todas


as quantidades se representam com base em dois números.

 Símbolos da base Binária: 0 1 Os computadores digitais trabalham


internamente com dois níveis de tensão, pelo que o seu sistema de
numeração natural é o sistema binário (aceso, apagado). Com efeito, num
sistema simples como este é possível simplificar o cálculo, com o auxílio da
lógica booleana. Em computação, chama-se um dígito binário (0 ou 1) de
bit, que vem do inglês Binary Digit. Um agrupamento de 8 bits corresponde
a um byte (Binary Term). O sistema binário é base para a Álgebra booleana
(de George Boole - matemático inglês), que permite fazer operações
lógicas e aritméticas usando-se apenas dois dígitos ou dois estados (sim e
não, falso e verdadeiro, tudo ou nada, 1 ou 0, ligado e desligado). Toda a
eletrônica digital e computação está baseada nesse sistema binário e na
lógica de Boole, que permite representar por circuitos eletrônicos digitais
(portas lógicas) os números, caracteres, realizar operações lógicas e
aritméticas. Os programas de computadores são codificados sob forma
binária e armazenados nas mídias (memórias, discos, etc) sob esse
formato.

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2 OPERAÇÕES COM BINÁRIOS

2.1 Conversão de Decimal para Binário:

Divide-se sucessivamente por 2. Depois o número binário é formado pelo


quociente da última divisão seguido dos restos de todas as divisões na sequência em
que foram realizadas. Exemplo:

2.2 Conversão de Binário para Decimal:

Deve-se escrever cada número que o compõe (bit), multiplicado pela base do
sistema (base=2), elevado à posição que ocupa. A soma de cada multiplicação de
cada dígito binário pelo valor das potências resulta no número real representado.
Exemplo:

6
2.3 Soma de Binários:

Para somar dois números binários, o procedimento é o seguinte:


Exemplo 1:

Explicando: Na soma de 0 com 1 o total é 1. Quando se soma 1 com 1, o resultado


é 2, mas como 2 em binário é 10, o resultado é 0 (zero) e passa-se o outro 1 para a
"frente", ou seja, para ser somado com o próximo elemento, conforme assinalado pelo
asterisco, como no exemplo acima.
Exemplo 2:

Explicando: Nesse caso acima, na quarta coluna da direita para a esquerda, nos
deparamos com uma soma de 1 com 1 mais a soma do 1 ( * ) que veio da soma
anterior. Quando temos esse caso (1 + 1 + 1), o resultado é 1 e passa-se o outro 1
para frente.

7
2.4 Subtração de Binários:

Para subtrair dois números binários, o procedimento é o seguinte:

Explicando: Quando temos 0 menos 1, precisamos "pedir emprestado" do


elemento vizinho. Esse empréstimo vem valendo 2 (dois), pelo fato de ser um número
binário. Então, no caso da coluna 0 - 1 = 1, porque na verdade a operação feita foi 2 -
1 = 1. Esse processo se repete e o elemento que cedeu o "empréstimo" e valia 1 passa
a valer 0. Os asteriscos marcam os elementos que "emprestaram" para seus vizinhos.
Perceba, que, logicamente, quando o valor for zero, ele não pode "emprestar" para
ninguém, então o "pedido" passa para o próximo elemento e esse zero recebe o valor
de 1.

3 CÓDIGO ASCII

O "American Standard Code for Information Interchange" comumente referido


como ASCII – também chamado ASCII completo, ou ASCII estendido –, é uma forma
especial de código binário que é largamente utilizado em microprocessadores e
equipamentos de comunicação de dados. Com 7 bits pode-se representar um total de
27 = 128 caracteres diferentes. Estes caracteres compreendem números decimais de
0 até 9, letras maiúsculas e minúsculas do alfabeto, mais alguns outros caracteres
especiais usados para pontuação e controle de dados.

8
9
4 SISTEMA HEXADECIMAL

O sistema hexadecimal é um sistema de numeração posicional que representa os


números em base 16, portanto empregando 16 símbolos.

 Símbolos da base Hexadecimal: 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 A B C D E F O sistema


hexadecimal está vinculado à informática, pois os computadores costumam
utilizar o byte como unidade básica da memória. 1 byte = 8 bits e então um
byte pode ser representado por 8 algarismos do sistema binário ou por 2
algarismos do sistema hexadecimal. Ex: Bin = 10011100, Hexa= 9C.
Exemplo de equivalência das 3 bases vistas até agora:

4.1 Conversão direta entre Hexadecimal e Binário:

4.2 Conversão de Binário para Hexadecimal

Separe o número binário em grupos de 4 dígitos da direita para a esquerda e


então faça a conversão de cada grupo de acordo com a tabela de conversão direta

10
acima. Caso a quantidade de dígitos a ser convertida não for um número múltiplo de
4, complete com 0´s a esquerda até torná-lo múltiplo de 4

Ex: (1010111001010) B para hexadecimal:

Note que os 3 primeiros zeros foram preenchidos apenas para formar um grupo.
Desta forma o número correspondente em hexadecimal é 15CA.

4.3 Conversão de Hexadecimal para Binário

Execute o processo inverso ao da conversão de binário para hexadecimal,


convertendo cada dígito hexadecimal em um grupo de 4 dígitos binários. Ex: (1F7)H
para binário:

Podemos excluir os zeros à esquerda que sobraram no grupo mais a esquerda,


assim o resultado em binário será: 111110111.

4.4 Conversão de Decimal para Hexadecimal

Para esta conversão, dividiremos o número decimal por 16 sucessivas vezes,


separando sempre o seu resto e continuando a dividir o seu quociente até que ele seja
menor que 16. Por fim, a sequência inversa dos restos (começando pelo quociente da
última divisão) formará o resultado.

11
4.5 Conversão de Hexadecimal para Decimal

Para realizarmos essa conversão, primeiro transformamos cada dígito


hexadecimal em decimal. Assim o C, por exemplo, será convertido para 12. Agora
multiplicamos cada número decimal convertido por 16n, onde n é casa decimal onde
ele se encontra, sendo que o dígito mais a direita é 0. No final somamos todas as
multiplicações obtidas.1

1 Texto extraído: SCOTTI, Haline S. FERREIRA, Rodrigo F. Sistemas de Numeração Disponível em


http://www.inf.ufsc.br/~bosco.sobral/extensao/sistemas-de-numeracao.pdf. Acesso em: 27/12/2018 às
12:48h.

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5 CONJUNTOS NUMÉRICOS

5.1 Conjunto dos Números Naturais

Os números naturais são usados para indicar uma contagem, uma ordem ou um
código. A sequência dos números naturais é: 0, 1, 2, 3, ..., e o conjunto que representa
esta sequência de números é denotado por:

5.2 Conjunto dos Números Inteiros

Com o passar dos tempos os números naturais tornaram-se insuficientes para a


resolução de todos os problemas matemáticos e, na busca de suprir essas
necessidades, foi criado o conjunto dos números inteiros, que é composto pelos
números naturais (inteiros positivos e o zero) e os números inteiros negativos. O
conjunto dos números naturais é denotado por:

Podemos representar os números inteiros em uma reta numérica. Veja:

13
5.3 Módulo, ou valor absoluto de um número inteiro

Podemos determinar na reta numérica, a distância de qualquer ponto em relação


à origem (representada pelo zero). Assim, a distância entre qualquer ponto e a origem
da reta numérica é chamada de valor absoluto ou módulo de um número associado a
esse ponto.
Por exemplo: o valor absoluto do número +4 é 4 (a distância do ponto 4 à origem
é 4).
Da mesma forma, o módulo de -3 é 3 (a distância do ponto -3 à origem é 3)
Notação de módulo: |-a| = a

5.4 Conjunto dos Números Racionais

Os números racionais são todos os números que podem ser colocados na forma

de fração, com o numerador e denominador ou seja, o conjunto dos números


racionais é a união do conjunto dos números inteiros com as frações positivas e
negativas.
Pode ser representado por:

5.5 Conjunto dos Números Irracionais

Os números irracionais são decimais infinitas não periódicas, ou seja, são


números que não podem ser escritos na forma de fração. Exemplos: Os números
abaixo têm uma representação decimal não periódica com infinitas ordens decimais.

14
5.6 Conjunto dos Números Reais

O conjunto dos números reais é a união entre o conjunto dos números racionais
com o conjunto dos números irracionais. Pode ser representado por:

Diagrama geral

De onde temos:

15
6 OPERAÇÕES FUNDAMENTAIS

6.1 Adição de Números Naturais

A primeira operação fundamental na matemática é a adição. Onde esta operação


está ligada a ideia de juntar, acrescentar algo.

6.2 Propriedades da Adição

Fechamento: A adição no conjunto dos números naturais é fechada, pois a soma


de dois números naturais resulta em um número natural.

Associativa: A adição no conjunto dos números naturais é associativa, pois na


adição de três ou mais parcelas de números naturais quaisquer, é possível associar
de quaisquer modos, conforme ilustrado a seguir.

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Elemento Neutro: No conjunto dos números naturais, existe o elemento neutro
que é o zero, pois tomando um número natural qualquer e somando com o elemento
neutro (zero), o resultado será o próprio número natural. Assim: a + 0 = a

Exemplo: 5 + 0 = 5

Comutativa: No conjunto dos números naturais, a adição é comutativa, pois a


ordem das parcelas não altera a soma. Assim: a + b = b + a

Exemplo: 6 + 10 = 16 = 10 + 6

6.3 Subtração de Números Naturais

A subtração é o ato ou efeito de subtrair algo, ou seja, tirar ou diminuir alguma


coisa. O resultado obtido através dessa operação e denominado diferença. Exemplo:

Diante da operação de subtração, são retiradas algumas propriedades.

17
6.4 Multiplicação de Números Naturais

É a operação que tem por finalidade adicionar o primeiro número denominado


multiplicador ou parcela, tantas vezes quantas são as unidades do segundo número
denominado multiplicador.
Exemplo: 4 vezes 9 é somar o número 9 quatro vezes:

O resultado da multiplicação é denominado produto e os números dados que


geram o produto, são chamados fatores. Usamos x ou •, para representar a
multiplicação.

6.5 Propriedades da Multiplicação

Fechamento: A multiplicação é fechada no conjunto dos números naturais


pois realizando o produto de dois ou mais números naturais, o resultado estará em

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Associativa: Na multiplicação, podemos associar 3 ou mais fatores de modos
diferentes. Assim:

Elemento Neutro: No conjunto dos números naturais existe um elemento neutro


para a multiplicação que é 1. Qualquer que seja o número natural n, tem-se que:

Comutativa: Quando multiplicamos dois números naturais quaisquer, a ordem dos


fatores não altera o produto, Assim,

Distributiva: Multiplicando um número natural pela soma de dois números


naturais, é o mesmo que multiplicar o fator, por cada uma das parcelas e a seguir
adicionar os resultados obtidos. Assim,

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6.6 Divisão de Números Naturais

Dados dois números naturais, às vezes necessitamos saber quantas vezes o


segundo está contido no primeiro. O primeiro número que é o maior é denominado
dividendo e o outro número que é menor é o divisor. O resultado da divisão é chamado
quociente. Se multiplicarmos o divisor pelo quociente obteremos o dividendo.

No conjunto dos números naturais, a divisão não é fechada, pois nem sempre é
possível obter um número natural como resultado na divisão de outros dois números
naturais.

6.7 Relação essencial numa divisão de números naturais

1. Em uma divisão exata de números naturais, o divisor deve ser menor


que o dividendo. Por exemplo: 35: 7 = 5.
2. Em uma divisão exata de números naturais, o dividendo é produto do
divisor pelo quociente. Por exemplo: 35 = 5 x 7
3. A divisão de um número natural n por zero não é possível pois, se
admitíssemos que o quociente fosse q, então poderíamos escrever: n :
0 = q, e isso significaria que: n = 0 x q = 02

2 Texto extraído: ASSIS, Luciana M. Elias. Conjunto dos Números Naturais. Disponível em:
http://sinop.unemat.br/site_antigo/prof/foto_p_downloads/fot_9327apostila_matematica_basica_pdf.pd
f-Acesso em 27/12/2018 às 13:37h.
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7 DIVISIBILIDADE

7.1 Critérios de Divisibilidade

Um critério de divisibilidade é uma regra que permite avaliarmos se um dado


número natural é ou não divisível por outro número natural, sem que seja necessário
efetuarmos a divisão. Nesta aula exibiremos os principais critérios de divisibilidade e
explicaremos porque esses critérios funcionam.

Fonte:www.lomeutec.com.br

7.2 Critério de divisibilidade por potências de 2

O primeiro critério de divisibilidade a ser estudado é muito simples:

Para identificar um número par, basta observarmos o algarismo da unidade desse


número: números pares têm algarismo da unidade igual a 0, 2, 4, 6 ou 8. Dessa forma,
podemos afirmar que um número é divisível por 2 quando seu algarismo das unidades
é divisível por 2.

21
Vamos ao próximo critério:

Exemplo 2. Os números 1316, 2208, 145728 e 74648 são divisíveis por 4, pois
seus dois últimos algarismos, respectivamente 16, 08, 28 e 48, formam números
divisíveis por 4. Os números 4443, 1817, 2015 e 63663 não são divisíveis por 4, pois
seus dois últimos algarismos, respectivamente 43, 17, 15 e 63, formam números que
não são divisíveis por 4.

Exemplo 3. Os números 14136, 13184, 2088 e 111112 são divisíveis por 8, pois
os números formados por seus três últimos algarismos, respectivamente 136 = 8 · 17,
184 = 8 · 23, 088 = 8 · 11 e 112 = 8 · 14, são múltiplos de 8. Os números 1881, 321123,
777778 e 91919292, pois os números formados por seus três últimos algarismos,
respectivamente 881, 123, 778 e 292, não são divisíveis por 8.
Comparando esses três critérios de divisibilidade, vemos que surge um padrão,
ou seja, uma propriedade similar que se repete nos três casos:

22
• Um número natural N é divisível por 21 se o n´umero formado
pelo último algarismo de N for divisível por 2 1.

• Um número natural N é divisível por 22 se o número formado


pelos 2 últimos algarismos de N for divisível por 22.

• Um número natural N é divisível por 23 se o n´umero formado


pelos 3 últimos algarismos de N for divisível por 23. Observando
esse padrão, podemos supor que ele se repete para potências de
2 com expoente maior. Dessa forma, é possível formular a
seguinte

Observe que essa generalização precisa ser justificada. Uma vez provada a sua
validade, estarão também demonstrados os critérios que exibimos antes. Veremos
mais adiante como justificar essa generalização. Por enquanto, vamos checar a
validade do critério no caso p = 4.
Exemplo 4. Considere o número natural N = 234828432. Vamos verificar se N é
divisível por 16. Os 4 últimos algarismos de N formam o número 8432 = 16 · 527,
divisível por 16. Assim, confiando na validade do critério, afirmamos que N é divisível
por 16. Claro que podemos verificar esse fato diretamente, dividindo N por 16 e
obtendo N = 16 · 14676777. A vantagem do critério é que reduzimos o cálculo a uma
divisão onde o dividendo tem, no máximo, 4 algarismos. Para números muito grandes
isso pode fazer uma diferença significativa no esforço a ser despendido nesse cálculo.
Observação 5. Vale ressaltar que os critérios exibidos acima não só apontam
quando um número é divisível por uma potência de 2, como também determinam o
resto da divisão por essa potência de 2. Por exemplo, o número 222222 não é divisível
por 4 pois 22 não é divisível por 4. Além disso, como 22 deixa resto 2 quando dividido
por 4, 222222 também deixa resto 2 quando dividido por 4. Da mesma forma, 222222

23
deixa resto 6 quando dividido por 8, pois esse ´e o resto que 222 deixa quando dividido
por 8.

7.3 Critério de divisibilidade por 3 e por 9

Critério de divisibilidade por 3 e por 9

Note que o critério de divisibilidade por 3 não leva em consideração apenas os


algarismos finais do número N, e sim todos os algarismos do número. Exemplos 6. O
número 123 é divisível por 3, pois 1 + 2 + 3 = 6 é divisível por 3. O número 423712
não é divisível por 3, pois 4 + 2 + 3 + 7 + 1 + 2 = 19 não é divisível por 3.
Observação 7. Assim como ressaltamos na observação 5, o critério de
divisibilidade por 3 também determina o resto da divisão de um número por 3. Assim,
no exemplo 6 o número 423712 não é divisível por 3 e o resto da divisão desse número
por 3 coincide com o resto da divisão de 19 por 3, que ´e 1. Note que 1+9 = 10, que
também deixa resto 1 quando dividido por 3. Em geral, podemos afirmar que um
número deixa o mesmo resto que a soma de seus algarismos quando dividido por 3.
Análogo ao critério de divisibilidade por 3 é o critério de divisibilidade por 9:

De um modo mais geral, podemos afirmar que um número deixa o mesmo resto
que a soma de seus algarismos quando dividido por 9. Exemplo 8. O número 18135
é divisível por 9, pois 1+ 8+ 1 + 3 + 5 = 18 é divisível por 9. Exemplo 9. Vamos testar
a divisibilidade por 9 de um número grande:

24
A soma dos algarismos desse número é 4 + 5 + 5 + 7 + 2 + 1 + 6 + 0 + 5 + 0 + 6
+ 7 + 6 = 54. e 54 é um m´múltiplo de 9, logo N é múltiplo de 9. Veja que poderíamos
ter repetido o primeiro passo para o resultado da soma, obtendo 5 + 4 = 9.
Observação 10. Quando estudamos os critérios de divisibilidade por 2, 4 e 8,
vimos que é possível generalizar os critérios, obtendo-se um critério para potências
de 2. Isso não funciona no caso das potências de 3. Um aspecto importante dos
números 3 e 9 é que as potências de 10 deixam resto 1 quando divididas por 3 ou por
9. Como veremos mais adiante, isso é fundamental para o funcionamento do critério
e não ocorre no caso da divisão de uma potência de 10 por 27.

7.4 Critério de divisibilidade por potências de 5

O critério de divisibilidade por 5 é muito simples:

Exemplos 11. O número 2015 é divisível por 5 pois termina em 5. O número


314570 é divisível por 5 pois termina em 0. Para a divisibilidade por 25 devemos
verificar os dois últimos algarismos do número.

Exemplo 12. Os números 2025, 117175, 14650 e 80100 são todos divisíveis por
25, pelo critério acima. Os números 121314, 25026, 10001 e 23461 não são divisíveis
por 25.

25
Exemplo 13. Os números 20000, 10125, 122250, 200375, 118500, 1437625,
1444750 e 23875 são todos divisíveis por 125, pois os números formados pelos seus
três últimos algarismos são, respectivamente, 0, 125, 250, 375, 500, 625, 750 e 875,
todos divisíveis por 125. Assim como no caso das potências de 2, há aqui um padrão
que pode ser generalizado:

Observação 14. O critério generalizado acima é similar ao critério que obtivemos


para potências de 2. Isso não é coincidência. Explicaremos, mas adiante que isso é
consequência da igualdade 10 = 2 · 5.

7.5 Critérios de divisibilidade por 7 e 11

Para a divisibilidade por 7 temos dois critérios. O primeiro requer algumas


explicações preliminares A posição de cada algarismo de um número, contada a partir
da direita, é chamada ordem do algarismo. Assim, em um número, o algarismo das
unidades é de primeira ordem, o das dezenas ´e de segunda ordem, o das centenas
é de terceira ordem, assim por diante. Por exemplo, no número N = 23437 as ordens
são as seguintes:

26
O algarismo 3 ocupa no número N duas ordens diferentes: 2 a e 4a. Cada grupo
de três ordens de um número, contadas a partir da direita, forma uma classe. A
primeira classe é formada pelas três primeiras ordens: unidades, dezenas e centenas.
A segunda classe é formada pelas três ordens seguintes: unidades de milhar, dezenas
de milhar e centenas de milhar. A terceira classe é formada pelas ordens, da sétima
a nona: unidades de milhão, dezenas de milhão e centenas de milhão, e assim
sucessivamente. Dessa forma, cada classe possui três ordens. Vejamos, por exemplo,
o número N = 214356728913.

No número N acima, o algarismo 7 é de sexta ordem e segunda classe. Vamos


chamar de número da classe o número formado pelos três algarismos de uma mesma
classe. Para o número N acima, os números da 1a, 2 a, 3 a e 4a classes são,

respectivamente, 913, 728, 356 e 214. Finalmente, vamos denotar por a soma

dos números das classes ímpares e por a soma nos números das classes pares
de um dado número. Por exemplo, para o número

e Com essa
preparação, podemos escrever nosso primeiro critério de divisibilidade por 7:

27
Para esclarecer o que significa a expressão “diferença não negativa”, vamos
examinar o seguinte

28
Há um segundo critério para a divisibilidade por 7

Observação 19. Note que N = 10b + a pode ser divisível por 7 sem que b − a seja
divisível por 7. Por exemplo, se N = 21 = 7·3, então b = 2, a = 1 e b−a = 1 não é
divisível por 7. Isso indica que o critério acima não pode ser usado para encontrar o
resto da divisão de um número por 7. Finalmente, vamos estabelecer um critério para
a divisibilidade por 11.

29
Observação 20. De modo mais geral, podemos dizer que N deixa o mesmo resto
que Soi − Sop quando dividido por 11. Exemplo 21. Considere o número N = 3767632.
Temos

Aqui, o significado de “diferença não negativa” ´e semelhante ao que aparece no


primeiro critério de divisibilidade por 7, como esclarece o próximo exemplo

30
8 O ALGORITMO DA DIVISÃO3

O algoritmo utilizado no Brasil para realizar a divisão é conhecido como “método


da chave”. Para realizar a divisão por meio desse algoritmo, devemos dispor os
elementos da seguinte maneira:
Dividendo | divisor
Resto Quociente

O quociente será um número que, multiplicado pelo divisor, terá como resultado o
dividendo, isto é,

q·d = D

Caso essa divisão tenha resto, escreve-se:

r + q·d = D

Portanto, para realizar uma divisão pelo método da chave, temos como pré-
requisito saber toda a tabuada de multiplicação.

8.1 Aplicando o algoritmo da divisão

Exemplo 1 - Observe a divisão de 9 por 3:

9|3
-9 3
0

Nesse caso, observamos: Dividendo = 9, divisor = 3, quociente = 3 e resto = 0.

3 Texto extraído: NETO, Ângelo P.N. Critérios de Divisibilidade. Disponível:


https://portaldosaber.obmep.org.br/uploads/material_teorico/5obdvodxmnk8c.pdf. Acesso em:
27/12/2018 às 15:02h.

31
Podemos escrever a seguinte expressão:

r + q·d = D

0 + 3·3 = 9

Nesse caso, não houve resto.

Exemplo 2 - Observe agora a divisão de 92 por 2. Nesse caso, em um primeiro


momento, dívida 9 por 2 e coloque o resto 1. Observe que 4·2 +1 = 9, logo,
colocamos 4 no quociente, o resultado de 4·2 abaixo do 9 (que é o número que
estamos dividindo nesse primeiro momento) e diminuímos 9 por esse resultado. O
resto é 1.

92 | 2
-8 4
1

Ao lado do resto 1, “desça” o próximo algarismo do dividendo:

92 | 2
-8 4
12

Agora repita o processo para o número 12, formado pelo resto e pelo próximo
número do dividendo inicial:

92 | 2
-8 46
12
-12
0

O resultado dessa divisão é 46. Podemos escrever, portanto, a seguinte


expressão:

r+ q·d = D
32
0 + 46·2 = 92

Exemplo 3 - Observe agora a divisão de 486 por 2. Dividimos 4 por 2, depois


dividimos 8 por 2 e depois dividimos 6 por 2, seguindo os passos detalhados no
exemplo anterior.

486 | 2
-4 243
08
-8
06
-6
0

Se o primeiro algarismo do dividendo for menor que o divisor, considere os dois


primeiros. Se mesmo assim continuar menor, considere os três primeiros e assim
sucessivamente. Observe a divisão de 361 por 30: 3 é menor que 30 e, por esse
motivo, consideramos 36 para a primeira divisão:

361 | 30
-30 12
61
-60
1

Desse modo, podemos escrever 361 = 1 + 30·12.4

4 Texto extraído: Algoritmo da divisão. Mundo Educação. Disponível em:


https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/matematica/algoritmo-divisao.htm. Acesso em:
27/12/2018 às 15:21h.

33
9 DIVISÃO EUCLIDIANA

Euclides enunciou, porém não demonstrou, uma das regras mais importantes
dentro da Matemática, a divisão euclidiana, conhecida também como divisão com
resto.
Esse resultado é visto por todos desde o Ensino Fundamental e aplicado, não
somente no interstício escolar, mas em diversas situações do dia a dia. Dados a b ∈

Z, com , existem unicamente determinados tais que

Demonstração. Para a prova desse resultado consideremos dois casos:

Provaremos inicialmente a existência. Como a ∈ Z e b > 0, temos que a deve ser


um múltiplo de b ou estar entre dois múltiplos consecutivos de b. Assim, existe q ∈ Z
tal que

Aplicando a distributividade na segunda desigualdade e subtraindo q.b. na


inequação, obtemos

34
Para verificarmos o teorema quando

A demonstração é análoga ao caso anterior. Na divisão euclidiana, o número q é


chamado quociente da divisão de a por b e r o resto dessa divisão. É importante
observar que o teorema enunciado acima considera números inteiros. Contudo,
Euclides quando enunciou essa regra, considerava medidas representadas por
números naturais. Segundo [9], a noção de números inteiros veio séculos depois, com
Brahmagupta (628 d.C.) interpretando noções de dívidas, entretanto, vários séculos
se passaram desde sua aparição até sua aceitação, uma vez que haviam dúvidas
quanto a sua veracidade. No século XVI, Stiffel denominava-os de números absurdos
e Cardano, de soluções falsas de uma equação. Na divisão euclidiana de 257 por 13
temos o quociente 19 e resto 10, ou seja, 256 = 13(19) + 10.

9.1 Algoritmo de Euclides

Sejam números inteiros não negativos com . Se


o algoritmo da divisão for aplicado sucessivamente para se obter.

35
Demonstração. pode ser
facilmente determinado. Suponhamos que Assim temos que

Realizando a segunda iteração, obtemos

36
10 INTRODUÇÃO A ARITMÉTICA DOS NÚMEROS

Fonte:www.revistazunai.com.br

10.1 Números Primos

Chamamos de número primo qualquer número natural n>1 que tenha apenas dois
divisores diferentes: 1 e ele próprio. Os números que têm mais de dois divisores são
chamados de números compostos.
Exemplos:

a) 23 é um número primo. Seus únicos divisores são: 1 e 23.


b) 42 é um número composto. Além de ser divisível por 1 e 42, é também divisível
por 2, 3, 6, 7, 14 e 21.

10.2 Reconhecendo números primos: Crivo de Erastóstenes

O Crivo de Erastóstenes foi um dos primeiros métodos conhecidos para se


encontrar números primos, que consiste em organizar os números inteiros positivos a
partir do número 2, em ordem crescente, numa tabela composta por números de 2 a
n, e remover os múltiplos de cada primo determinado. Logo, aparecerão nessa
sequência números que não serão múltiplos dos anteriores e, portanto, não serão
removidos da tabela. Estes números serão os números primos procurados.
Inicialmente, colocamos na tabela, uma sequência de inteiros positivos numerados de
2 a 100 conforme segue:
37
Aplica-se o conceito de número primo para o inteiro positivo 2. Sabendo-se que o
número 2 é um número primo, marca-se na tabela todos os números que sejam
múltiplos de 2; O primeiro número da sequência que aparecer sem estar marcado será
um número primo, que neste caso, é o número 3. Em seguida, marca-se todos os
números que sejam múltiplos de 3; O próximo número que aparecer sem estar
marcado, que neste caso, é o número 5, será o nosso terceiro número primo da
sequência numérica da tabela. Seguindo este raciocínio um número finito de vezes, é
possível ao final determinar todos os números primos p compreendidos entre 2 e 100
da tabela acima.
Obs.: é possível ainda, criar uma sequência de números primos acima de 100 a
partir do crivo de Erastóstenes. Além disso, para saber se um número é primo,
podemos utilizar o seguinte algoritmo:

1. Dado um número natural n, calcule. Se a raiz for exata, significa que


temos um número quadrado perfeito e, portanto, composto. Se a raiz
quadrada não for exata, pegue somente a parte inteira do número obtido.
2. Divida n por todos os naturais maiores do que 1 até chegar ao número
obtido a partir do cálculo da raiz quadrada de n.

38
3. Se n não for divisível por nenhum dos números da sequência iniciada

em 2 e terminada no maior número inteiro menor do que dizemos


que este número n é primo. Caso exista algum divisor nessa sequência,
então n será composto.

Por exemplo: Verifique se n=1167 é primo

10.3 Decomposição em fatores primos

Um número composto pode ser decomposto em fatores primos. Sendo utilizado o


método das divisões sucessivas. Exemplo:

39
630 = 2 x x 5 x 7
Números primos entre si Dois números são denominados primos entre si, quando
o único divisor comum entre os dois é o número 1.

Exemplo: Determine os divisores comuns de 15 e 16


D (15) = {1, 3, 5, 15}
D (16) = {1, 2, 4, 8, 16}

Portanto o único divisor comum de 15 e 16 é 1.

10.4 Máximo divisor comum (m.d.c.)

O máximo divisor comum de dois ou mais números, na forma fatorada, é o maior


divisor comum entre eles. Cálculo do m.d.c.
 Um dos modos de calcular o m.d.c. de dois ou mais números consiste em
utilizar a decomposição desses números em fatores primos.
1. Decompor os números em fatores primos;
2. Realizar o produto dos fatores primos comuns (os fatores primos comuns
são considerados com o menor expoente).

Exemplo: Acompanhe o cálculo do m.d.c. entre 84 e 90:

O m.d.c. é o produto dos fatores primos comuns com menor expoente (neste caso,
os expoentes são iguais nos dois números, então, basta pegar o fator primo de
qualquer um dos números). Portanto, m.d.c. (84,90) = 2 x 3 = 6
O m.d.c. de dois ou mais números, quando fatorados, é o produto dos fatores
comuns a eles, cada um elevado ao menor expoente.
40
 Cálculo do m.d.c. pelo processo das divisões sucessivas.

Neste processo efetuamos sucessivas divisões utilizando o algoritmo da divisão,


até chegar a uma divisão exata. O último resto não nulo das sucessivas divisões será
o m.d.c. procurado.

Exemplo: Calcule m.d.c. (48,30)

1. Dividimos o número maior pelo número menor; 48 30 = 1 (com resto 18)


2. Realize uma nova divisão entre o divisor 30 com o resto 18 obtido.
Repita este processo até que o resto seja zero. Assim:

3. O último resto não nulo obtido a partir das sucessivas divisões feitas acima
corresponde ao número 6. Portanto, m.d.c. (48,30) = 6

10.5 Mínimo múltiplo comum (m.m.c.)

O mínimo múltiplo comum de dois ou mais números naturais é o menor dos


múltiplos comuns a eles, diferentes de zero. Ou ainda: O mínimo múltiplo comum de
dois ou mais números escritos na forma fatorada, é o produto dos fatores comuns e
não comuns desses números. Os fatores comuns são considerados com o maior
expoente.
Cálculo do m.m.c.

Para calcular o m.m.c. de dois ou mais números podemos usar:


 Decomposição simultânea em fatores primos.

41
Exemplo: Calcular o m.m.c. entre 18,25 e 30.

 Decompondo cada número separadamente.


1. Decompor em fatores primos cada número;
2. Multiplicar os fatores primos comuns e não comuns e, entre os fatores
comuns, escolher aquele que apresenta maior expoente.

Exemplo:

42
11 O ALGORITMO DA DIVISÃO5

11.1 Equações de duas variáveis

Uma equação diofantina de duas variáveis é dita linear se ela é da forma ax+by =
c, onde a, b e c ∈ Z, com a e b não nulos. Uma solução inteira desse tipo de equação
é o par de inteiros x0, y0 que satisfaz a igualdade:

Vejamos aqui um exemplo simples de equação diofantina:

Podemos exprimir facilmente uma solução inteira da equação dada.


Consideremos o par (15, 10). Se o substituir na equação, obtemos:

O que mostra que esse par é uma solução. Mas sempre as equações diofantinas
vão ter soluções inteiras? Pretendemos responder essa pergunta logo abaixo. Porém,
antes disso vamos observar a seguinte equação:

5 Texto extraído: ASSIS, Luciana M. Elias. Conjunto dos Números Naturais. Disponível em:
http://sinop.unemat.br/site_antigo/prof/foto_p_downloads/fot_9327apostila_matematica_basica_pdf.pd
f-Acesso em 27/12/2018 às 15:47h.
43
Analisando a equação dada é possível verificar que esta não admite soluções
inteiras. A justificativa é simples. Suponhamos que x0, y0, números inteiros, é uma
solução da equação.

Assim .

Contudo, pelo lado esquerdo da igualdade temos que

Por outro lado, 1023 é ímpar. Daí segue que essa equação não admite solução
inteira. Uma das condições para que a equação diofantina da forma ax + by = c admita.
Solução inteira é que m.d.c. (a b) | c. Vamos mostrar esse resultado na seguinte
proposição.

Por outro lado, seja d = m.d.c. (a b). Então d | a e d | b, ou seja, a e b podem ser
reescritos como a = k1d e b = k2d, com k1, k2 ∈ Z. Substituindo os valores de a e b
na equação acima segue que,

Portanto, d | c.
(⇐) Considere d = m.d.c. (a, b). Pela relação de Bachet-Bézout, existem inteiros
x0 e y0 tais que:

44
Por hipótese temos que d | c, ou seja, existe t ∈ Z tal que c = dt. Segue então que:

11.2 Equações Diofantinas de três variáveis

Dizemos que uma equação diofantina é linear de três variáveis se ela é escrita da
forma:
ax + by + cz = s,

Em que a, b, c, z ∈ Z, no qual os coeficientes a, b e c não são nulos.


Vimos na proposição 3.1.1 que uma equação diofantina linear de duas variáveis
ax + by = c possui solução se, se somente se, mdc(a, b) | c. De forma similar, as
equações diofantinas de três variáveis admitem solução se, e somente se, o termo a
direita da igualdade é divisível pelo máximo divisor comum dos coecientes a b e c.
Enunciamos esse resultado na seguinte proposição.

45
Contudo, é mais interessante conhecermos uma forma geral para todas as
soluções do que apenas casos particulares. Nesse sentido, na proposição a seguir
determinaremos o conjunto dessas soluções a partir de soluções particulares. Para
isto, reduziremos a equação diofantina de três variáveis a uma de duas variáveis, que
sabemos resolver utilizando a teoria desenvolvida até aqui.

46
47
Apesar da demonstração anterior não seguir este viés, é importante ressaltar que
em uma equação do formato ax + by + cz = k, poderíamos considerar p = ax + by e
resolver a equação de duas variáveis p + cz = k. A partir desta, determinamos a
solução geral, ou seja, o valor de z e o valor de p (p = p0 + ct e z = z0 − t). Na sequência
basta resolvermos ax + by = p0 + ct que obteremos os respectivos valores das
incógnitas x e y. Na próxima seção apresentamos três exemplos mostrando o
processo para a determinação da solução geral de equações diofantinas de três
variáveis.

Exemplos:
Determine a solução de 56x + 72y + 21z = 317.

Solução: Reescrevendo a equação acima de tal forma que em um lado da


igualdade permaneça apenas as variáveis x e y, obtemos 56x + 72y = 317 − 21z. Essa
equação admite solução somente se mdc(56, 72) | 317−21z. No entanto, como
mdc(56, 72) = 8, para que a equação tenha solução devemos ter 8 | 317−21z. Pela
divisão euclidiana, consideremos z = 8k + r, de forma que r é o número entre 0 e 7
que satisfaça 8 | 317 − 21(8q + r).
Observemos que:

Como r assume valores de 0 a 7, o único valor possível de r tal que 8|5 − 21r é 1.
Assim z = 8q + 1 e, portanto, 56x + 72y = 296 − 168q. Determinaremos agora as
soluções particulares dessa equação de duas variáveis.
Pelo algoritmo de Euclides:

48
49
50
51
12 GENERALIZAÇÃO: EQUAÇÕES DIOFANTINAS DE N VARIÁVEIS

12.1 Solução Geral

O método para determinar a solução geral de uma equação diofantina


solucionável de n variáveis consiste basicamente em reduzir a equação em uma outra
equação composta de duas variáveis, que já sabemos resolver. Com esse
procedimento determinaremos o valor da n-ésima incógnita. Após, devemos
solucionar uma equação de n − 1 incógnitas, e, procedendo de forma análoga,
obteremos o valor da incógnita de índice n−1. Repetindo esse processo
consecutivamente, paramos apenas no momento em que nos depararmos com uma

52
equação de duas variáveis do formato a1x1 + a2x2 = k, cuja solução é conhecida.
Vamos ilustrar esse método com o seguinte exemplo referente a uma equação
diofantina composta por 5 variáveis: Exemplo 3.4.1. Determine a solução da equação
30x + 42y + 70z + 105u + 26v = 41. Solução. Para resolver esse exemplo,
primeiramente devemos verificar se a equação possui solução. Como mdc (30, 42,
70, 105, 26) = 1, a solução pode ser determinada. Seja:

53
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55
56
13 CONGRUENCIA NUMERICA6

13.1 Significado de congruência e de congruência numérica

Em Matemática, ocasionalmente trabalhamos com igualdades que não são


identidades. Ou seja: pode ser vantajoso ou conveniente tratarmos dois objetos
matemáticos (dois números, duas figuras, duas funções, etc.) como sendo iguais.
Para evitar confusão, se usa a palavra congruência para denotar esse tipo de
igualdade. O leitor certamente já encontrou esse tipo de situação quando estudou
congruência de figuras (como congruência de triângulos). Coube a um dos maiores
matemáticos de todos os tempos, Karl F. Gauss, aplicar a ideia de congruência aos
números inteiros. Isso ele fez em seu livro Disquisitiones Arithmeticæ (= Estudos de
Aritmética) c. 1800, o qual revolucionou a Teoria dos Números. A exploração da
paridade serve como exemplo bem simples da essência da ideia de congruência de
números. Seja decidir se 345 678 + 1 111 111 é número par ou ímpar. Em vez de

6 Texto extraído: LIMA, Ricardo V. Equações Diofantinas. Disponível em:


https://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/comat/tcc_Ricardo.pdf. Acesso em: 27/12/2018 às
19:28h.
57
efetuarmos a soma desses números e depois ver se ela é par ou ímpar, meramente
observamos que se trata de uma soma do tipo par + ímpar, logo podemos afirmar que
o resultado é ímpar, sem nem ter calculado seu valor! Na terminologia que
desenvolveremos adiante, dizemos que decidimos a paridade da soma usando
“congruência módulo 2”

13.2 Exemplos exploratórios e a notações ≡ mod q

Exemplo 1

Mostrar que as sucessivas potências de 10 são números múltiplos de 6


aumentados de 4. Obviamente, 10 = 4 + 6. O caso 100 se reduz a esse: 100 = 10x10
= (4+6) x10 = 40 + 10x6 = 36 + 4 + 10x6 = 6x6 + 4 + 10x6 = 4 + 16x6.
Semelhantemente, o caso 1000 se reduz ao de 100. Contudo, vejamos uma maneira
ainda mais inteligente de raciocinarmos. Introduzindo a notação M6, para indicar
qualquer múltiplo de 6, refaçamos os cálculos acima: 100 = 10x10 = (4+6) x10 = 40 +
M6 = 4 + 36 + M6 = 4 + M6. A vantagem dessa notação fica ainda mais evidente no
caso 1000. Vejamos: 1000 = 10x100 = 10x (4 + M6) = 40 + M6 = 4 + 36 + M6 = 4 +
M6. Também fica evidente que o padrão continua: 10 000 = 10x1000 = 10x (4 + M6)
= etc. Bem, a ideia de Gauss permite abreviar ainda mais esses cálculos.

Com isso, podemos refazer os cálculos acima: 100 = 10 × 10 ≡ 10 × 4 ≡ 40 ≡ 4. O


caso 1000 fica: 1000 = 10×100 ≡ 10×4 ≡ 40 ≡ 4. Para 10 000: 10000 = 10×1000 ≡

10×4 ≡ 40 ≡ 4, etc. É imediato generalizar para

58
Exemplo 2

Todo número natural é igual a um múltiplo de 6 somado com seu algarismo das
unidades e mais “o produto de 4 pela soma dos demais algarismos”. Exemplificando,
7452 = M6+2+4× (7+4+5). Provemos isso, iniciando com 7 452 = 7000 + 400 + 50 + 2
e usando o exercício anterior, o que dá:

E, novamente, somando: 7452 ≡ 2+4×(7+4+5) , ou seja: a menos de um múltiplo


de 6, 7 452 é igual a 2+4×(7+4+5) .

Exemplo 3
Se um número natural for tal que “a soma do seu algarismo das unidades com o
produto de 4 pela soma dos demais algarismos” resultar num número divisível por 6 ,
então o número dado também é divisível por 6.

59
13.3 Definição geral de congruência numérica

Cuidado, observe que :

• eventualmente, precisaremos admitir inteiros k negativos; por


exemplo, assim como 19 ≡ 5 mod 7 (pois 19 = 5+2×7), também
temos 5 ≡ 19 mod 7, (pois 5 = 19+(−2) ×7);

• não é permitido tomar o módulo q = 1; V. consegue perceber o


porquê disto?
60
13.4 Regras: somando e multiplicando congruências numéricas

Prova: Usando a notação Mq, podemos ver facilmente a veracidade desses


resultados. Mostremos apenas o caso mais difícil, o da multiplicação. Assim, a partir
de a ≡ b mod q e c ≡ d mod q (ou seja: a = b + M q e c = d + M q), temos ac = (b + M
q) (d + M q) = bd +dM q +bM q + M qM q = bd + M q + M q + M q = bd + M q , de modo
que ac ≡ bd mod q.

61
13.5 Regras: é possível simplificar ´ ac ≡ bc mod q para a ≡ b mod q?

Em geral, não! Exemplificando: vale 44 ≡ 8 mod 6, mas não podemos simplificar


por 4 e afirmar que 11 ≡ 2 mod 6. Com efeito, 11 ≡ 5 mod 6. Tentemos entender por
que a simplificação não funcionou nesse caso. Certamente, 44 - 8 ≡ 0 ou 4× (11-2) ≡
0, ou ainda: 4 × 9 ≡ 0, e gostaríamos de concluir que 9 ≡ 0 (pois é o mesmo que 11-2
≡ 0, ou 11 ≡ 2). Ora, examinando todas as possibilidades de resultado mod 6 para o
produto 9n, obtemos o quadro abaixo, o qual mostra que 9n ≡ 0 ocorre mais de uma
vez, para n não nulo. Ou seja, somente sabendo que 9n ≡ 0, não podemos garantir
que 9 ≡ 0.

Isso nos leva a investigar quando mn ≡ 0 mod q nos permite concluir que ao menos
um dentre m e n ≡ 0 mod q. Revertendo para a aritmética de inteiros, isso equivale a
perguntar quando q dividindo o produto mn nos permite concluir que q divide ao menos

62
um dentre m e n. Ora, já sabemos pelo Lema de Euclides que isso ocorre quando q
for primo. Conclusão:

13.6 Aplicação: decidindo a divisibilidade de um número inteiro

Uma técnica para decidir a divisibilidade de um inteiro a consiste em trabalhamos,


usando alguma engenhosidade, de modo a chegar a um ponto onde podemos usar a
muito simples observação:

Exemplo:
O número 74 315 é divisível por 9? Já sabemos que 10n ≡ 1 mod 9 , de modo
que, como 74315 = 70000+4000+300+10+5 = 7×10000+4× 1000+3×100+10+5 ,
obtemos em mod 9: 74315 ≡ 7×1+4×1+3×1+1×1+5 ≡ 7+4+3+1+5 ≡ 20 ≡ 2. Logo, não
podemos chegar a zero mod 9, e assim 74 315 não é divisível por 9.

63
Com raciocínios semelhantes, podemos achar regras para divisibilidade para 2, 3,
4, 5, ..., 9. O quadro abaixo resume algumas delas.

13.7 Aplicação: decidindo a divisibilidade de uma soma

Temos duas técnicas, conforme se mostra nos exemplos a seguir.

64
14 OS TEOREMAS DE EULER7

Leonhard Euler nasceu em 15 de abril de 1707 na cidade Basileia, Suíça, filho de


pastor calvinista que tinha desejo de fazer seu filho seguir seus caminhos. Faleceu
em 18 de setembro de 1783, com 76 anos. Conta-se que de manhã brincou com os
netos, tratou de questões matemáticas sobre voo de balões e realizou alguns cálculos
sobre a ´orbita do planeta Urano, descoberto recentemente. À tarde, foi acometido de
um forte AVC e não resistiu. Do conhecimento matemático e criando outros novos.
Euler escreveu cerca de 900 tratados, livros e estudos. Jornais e editores da época
não conseguiam acompanhar a velocidade de sua produção. Isto é notório, pois em
1909, 126 anos após sua morte, a Academia de Ciências da Suíça decidiu editar o
conjunto completo de sua obra, começando os trabalhos em 1911, com o título de
Opera Omnia, e isto permitiu-se que vislumbrássemos o gigantesco material fornecido
por Euler. O projeto desenvolveu-se praticamente por todo o século XX e ainda não
foi completado. Há 73 grandes volumes da Opera Omnia com cerca de 25.000 páginas
em Latim, francês e Alemão, cobrindo variados temas da Matemática pura e aplicada.
Euler escreveu sobre Álgebra, Geometria, Teoria dos Números, Topologia, Cálculo,
Equações Diferenciais, Geometria Diferencial, Cálculo das Variações, Musica,
Astronomia, Mecânica, Engenharia, Acústica, Mecânica Celeste, etc. Suas
contribuições na Geometria, compiladas em cerca de 1.600 páginas na Opera Omnia,
apresenta uma descoberta no triângulo no plano euclidiano, que nem os gregos, com
tantos séculos de estudos e análises neste polígono conseguiram identificar. Euler
provou que em qualquer triângulo o ortocentro, que ´e o ponto de encontro das alturas
relativas aos vértices, o baricentro, que ´e o ponto de encontro das medianas relativas

7 Texto extraído: Congruência Numérica. Disponível em: http://mat.ufrgs.br/~portosil/aula-5.pdf.


Acesso em: 28/12/2018 às 12:33h.

65
aos lados e o circuncentro, que ´e o ponto de encontro das mediatrizes relativas aos
lados, estes três pontos notáveis são colineares, isto é, há uma reta que os contém.
Hoje essa reta é conhecida como Reta de Euler. Ainda há o teorema sobre as
faces, vértices e arestas de poliedros simples, onde afirma que o número de vértices
somado ao número de faces e subtraindo do número de arestas é sempre igual a dois:

V−A+F=2

Esta relação será demonstrada no Capítulo 2. Antes de Euler, Descartes


percebera tal relação, mas Euler demonstrou-a e publicou-a, sendo conhecida hoje
como Teorema de Euler dos Poliedros.

14.1 Polígonos

Fonte:www.estudokids.com.br

Daremos aqui um tratamento adequado para a definição de polígono, permitindo-


nos alcançar o principal objetivo deste trabalho que é a demonstração do Teorema de
Euler para poliedros. Imaginamos que o leitor já tenha conhecimento de noções
geométricas primitivas como ponto, reta e plano conheça também propriedades
elementares de figuras geométricas simples como o triângulo, sabendo que a soma

66
de seus ângulos internos equivale a 180◦, ou π radianos, e que um triângulo equilátero
possui os três lados congruentes e os três ângulos internos congruentes. De modo
geral, os polígonos podem ser identificados como figuras planas fechadas, formadas
por finitos segmentos de retas unidos por suas extremidades.
Esta informação nos dá uma ideia básica do que seja polígono agora, com mais
detalhes, iniciemos considerando três pontos A B e C no plano. Se o ponto C pertencer

a reta diremos então que A, B e C são colineares. Caso contrário, diremos


que A, B e C são não colineares

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Cada vértice do polígono determina um ângulo interno e um ˆangulo externo
formado pelas aberturas dos lados concorrentes a este vértice. Neste trabalho, fica
entendido que quando referirmos ao ângulo interno do polígono, chamaremos apenas
de ângulo.

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14.2 Poliedros

De modo geral, Poliedros podem ser imaginados como sólidos formados por
faces. Definição Poliedro: é uma reunião de um número finito de polígonos
denominados faces, de modo que:

1. Cada lado de um desses polígonos é também lado de um, e apenas um,


outro polígono.
2. A interseção de duas faces quaisquer, ou é um lado comum, ou é um vértice
ou é vazia.
3. E sempre possível ir de um ponto de uma face a um ponto de qualquer
outra, sem passar por nenhum vértice. Chama-se aresta do poliedro o lado
comum a exatamente duas faces. Chama-se vértice do poliedro a cada
vértice da face.

Qualquer poliedro, atendendo a definição acima, limita o espaço em duas regiões:


interior ao poliedro e exterior a ele. Pode-se dizer que um poliedro é convexo se a
região do espaço interior a ele for convexa. Podemos definir região convexa da
seguinte forma: Um conjunto A de pontos no espaço é convexo quando qualquer
segmento de reta que liga dois pontos distintos de A está inteiramente contido em A.
Para os poliedros, podemos adequar a definição acima por uma equivalente, na forma:
Um poliedro é convexo se qualquer reta, não contida no plano de alguma de suas
faces, o intersecta em no máximo dois pontos distintos.
70
14.3 Relações entre Arestas, Faces e Vértices

Dado um poliedro vamos verificar as relações entre faces, vértices e arestas.


Assim, sejam A o número de arestas, F o número de faces e V o número de vértices.
Como os polígonos que formam as faces podem ser de gêneros diferentes,

representaremos por conforme, ao número de faces que possuem n


lados. Do mesmo modo, os vértices podem ser de gêneros diferentes, então podemos

representá-los por ao número de vértices nos quais concorrem n


arestas. Assim, podemos escrever os números F e V como:

71
Agora relacionaremos as arestas do poliedro com suas faces. Para isto, imagine
desmontando o poliedro face por face e dispondo estes polígonos sobre uma mesa.
Assim, podemos contar o número de arestas A, somando o número de lados de
polígonos formados por triângulos, isto é, de gênero F3, também dos quadriláteros,
de gênero F4 e assim por diante. Mas cada aresta do poliedro ´e lado de exatamente
duas faces e ao proceder nesta soma, contamos o número de arestas em dobro.
Assim,

Relacionemos, por fim, o número de arestas com o número de vértices do


poliedro. Para tanto, basta multiplicar por três o número de vértices do gênero V3,
multiplicar por quatro o número de vértices do gênero V4 e assim por diante, somando
estes resultados. Neste proceder, contamos o número de arestas em dobro. Assim,

Duas desigualdades que ocorrem entre arestas e faces e também entre arestas e
vértices são descritas pela seguinte propriedade:

72
15 TEOREMAS DE FERMAT8

15.1 O método de Fermat

Nesta seção vamos descrever um método para achar um fator de determinado


número ou saber se ele primo. Para começar supomos que n é ímpar, pois se fosse
par, então 2 seria um de seus fatores. A ideia do algoritmo é tentar achar números
inteiros positivos x e y tais que n = x 2 − y 2. Supondo que encontramos estes números,
temos que

8Texto extraído: Parreira, José Roberto Penachia. P258p poliedros e o Teorema de Euler [manuscrito]
/ José Roberto Penachia Parreira. – 2014. 80 f.: il., figs. Disponível em:
https://repositorio.bc.ufg.br/tede/bitstream/tde/2970/5/Poliedros_E_Teorema_de_Euler.pdf. Acesso
em: 28/12/2018 as 13:28h.
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15.2 O pequeno teorema de Fermat

O Pequeno Teorema de Fermat afirma que se p é um número primo e é um inteiro


qualquer então p divide a p −a. Antes de demonstrá-lo precisamos de um resultado
auxiliar.

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16 TEOREMA DE WILSON9

Uma aplicação do inverso multiplicativo é o famoso teorema de Wilson.


Primeiramente precisamos de um lema.

9 Texto extraído: BARBOSA, Henrique F. Teoria dos Números e Criptografia. Disponível em:
https://www.dm.ufscar.br/~ptlini/TCC_Henrique_Favarom_Barbosa.pdf.Acesso em : 28/12/2018 às
14:00h.
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17 TEOREMA CHINÊS DO RESTO

17.1 Origem

Problemas antigos da astronomia, ligados aos movimentos periódicos dos corpos


celestes, deram origem ao hoje conhecido como Teorema Chinês de Restos. O nome
veio do fato dos problemas terem sido originários dos antigos matemáticos chineses.
Há registros de problemas relacionados ao tema propostos no século terceiro depois
de Cristo.

17.2 O Teorema

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17.3 Exemplo de Aplicação do Teorema Chinês do Resto

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17.4 Teorema Chinês do Resto Aplicado em Grupos

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18 A FUNÇÃO MAIOR INTEIRO10

Dado um número real x, sempre é possível dizer que ou ele será um número
inteiro n, ou estará entre um inteiro n e o seu sucessor n+1. Por exemplo, o número
real 2,7 está entre os inteiros 2 e 3; o número real -2 está entre os inteiros -2 e -1, o
número real está entre 3 e 4 e o número real 5 é o próprio número inteiro 5. Usando a
linguagem matemática, acabamos de dizer que, para todo número real x, existe um
único inteiro n tal que n menor ou igual que x menor que n+1. Esse número inteiro n
é chamado de "parte inteira de x", cuja notação é [x]. Em relação aos exemplos, segue
que: [2,7] = 2, [- 2] = -2; [3,5] = 3 e [5] = 5.
Vamos ver agora uma aplicação da função parte inteira. Se eu corro x quilômetros
em t minutos, como posso saber o tempo médio por quilômetro? Se corri 5 km em 30
minutos, faço a divisão de 30 por 5 e concluo que o tempo médio é de 6 minutos/ km,
mas, se tivesse corrido os mesmos 5 km em 31 minutos, qual seria o significado de
31/5 que me conduziria ao número 6,2? A parte inteira indica 6 minutos e a parte
decimal 1/5 de minuto ou, de outra forma, 20% de 60 segundos. Usando o conceito e
o símbolo da função parte inteira, concluímos que o tempo médio por quilômetro
corrido será dado por: [x/t] minutos e {(x/ t) -[x/ t]}.60 segundos.
A função parte inteira, que à primeira vista pode parecer uma simples brincadeira
matemática, constitui importante ferramenta para a programação de computadores.
Convido agora você a construir o gráfico da função parte inteira no plano cartesiano.
Definimos função parte inteira de x à função f: R → R definida por f(x)=[x] onde [x] é o
maior inteiro menor que x Gráfico de f(x)=[x]

10 Texto extraído: TORRES, F. Teorema Chinês do Resto. Disponível em:


https://www.ime.unicamp.br/~ftorres/ENSINO/MONOGRAFIAS/Yana1_EA2016.pdf. Acesso em
28/12/2018 às 14:27h.
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19 RESÍDUOS QUADRÁTICOS11

11 Texto extraído: Tipos importantes de funções. Disponível em:


https://miltonborba.org/CD2/MaisFuncoes.pdf. Acesso em: 28/12/2018 às 14:34h.
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12

12 Texto extraído: Resíduos Quadráticos. Disponível em :


http://www.mat.uc.pt/~mat0615/FolhasDelfos/ResiduosQuadraticos.pdf. Acesso em 28/12/2018 às
14:53h.
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19.1 Lei da Reciprocidade Quadrática

A primeira demonstração deste teorema foi dada por Gauss e encontra-se no seu
livro Disquisitiones Aritmética onde se menciona que Euler conhecia o resultado em
1775 e que Legendre publicou uma demonstração deficiente em 1785. Contam que
Gauss encontrou oito demonstrações. Uma lista com 221 demonstrações, os autores
e os métodos utilizados são apresentados no final deste trabalho. Uma demonstração
utilizando argumentos geométricos foi proposta por Einstein (1823 - 1852).
Inicialmente, é necessário fazer algumas considerações para tentar compreender a
Lei da Reciprocidade Quadrática. Para dois primos ímpares distintos p e q ambos os

símbolos de Lagrange e estão definidos. A questão que surge é, o que


acontece se trocarmos neles os papéis de p e q, ou seja: O que tem a ver a questão
se q é um resto quadrático mod p com a questão se p é um resto quadrático mod q?

Para um número ímpar m temos que é par se m ≡1(mod 4) , enquanto

ímpar se m ≡ 3 (mod 4) . Assim, o produto é ímpar (par) ⇔, ambos


p e q são ≡ 3 (mod 4) (pelo menos um de p ou q é ≡1(mod 4)). Logo, a lei da
reciprocidade diz que podemos simplesmente trocar p e q se pelo menos um de p ou
q é ≡1 (mod 4). Porém, se p ≡ q ≡ 3 (mod 4), o símbolo invertido troca o sinal. A lei de
Gauss de reciprocidade quadrática fornece um rápido algoritmo para determinar se a
é quadrado módulo p onde a é um inteiro e p um número primo. Lembramos que a é

quadrado módulo n se existe x ∈ Z com

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A demonstração apresentada a seguir pode ser encontrada em [2]. Teorema: (Lei
de reciprocidade quadrática). Sejam p e q primos ímpares.

Demonstração: Na notação acima, com a = q, para cada j ∈ P, onde P ={1,2,...,( p


−1)/ 2}, temos que ε j = −1 se e só se existe y ∈ Z tal que − ( p −1)/ 2 ≤ qj − py < 0. Tal
y deve pertencer a Q, onde Q = {1, 2..., (q −1) / 2}.

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20 NÚMEROS ALGÉBRICOS E TRANSCENDENTES13

Um número complexo α é chamado algébrico se é raiz de algum polinômio não


nulo com coeficientes inteiros. O polinômio minimal de α é o polinômio primitivo1 de
menor grau que tem α como raiz. Nesse caso, o grau de α é definido como o grau do
seu polinômio minimal. Denotamos: Q = Conjunto dos números algébricos. Um
número complexo α é chamado transcendente, se ele não é algébrico. A definição de
números transcendentes é uma definição do século XV III e, segundo Euler, esses
números são chamados transcendentes porque transcendem o poder das operações
algébricas. Contudo, apenas um século depois verificou-se a existência desses

13 Texto extraído: Introdução `a Teoria dos Números: Funções Aritméticas disponível em:
http://www.uel.br/eventos/colmatsul/livros/Funcoes_Aritmeticas.pdf. Acesso em 28/12/2018 às 15:27
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números, quando, em 1844, Liouville exibiu os primeiros exemplos. Números racionais
são exemplos de números algébricos:

20.1 Algumas propriedades dos números algébricos e dos números


transcendentes

Na proposição a seguir, vemos algumas propriedades do conjunto dos números


algébricos.

Usando a proposição anterior, verifica-se que o conjunto dos números algébricos


forma um corpo. Ao longo deste livro, veremos alguns exemplos de números
transcendentes. Entretanto, é possível verificar a existência desses números sem
apresentar exemplos explícitos, através da seguinte proposição. Proposição 1.5. O
conjunto dos números algébricos é enumerável. Um resultado conhecido é que R, o
conjunto dos números reais, é não-enumerável. Observe que, com a proposição
anterior, conseguimos concluir que existem números reais que são transcendentes e
que existe uma quantidade não enumerável desses números, caso contrário, o
conjunto dos números reais seria enumerável.
101
20.2 Números De Liouville

É interessante observar que, quando Liouville exibiu os primeiros exemplos de


números transcendentes, em 1844, ainda não existia esse conceito de
enumerabilidade, uma vez que esse conceito se deve a Cantor que nasceu em 1845,
um ano depois que Liouville exibiu esses números. A seguir, relembramos a definição
de conjuntos de medida (de Lebesgue) nula em R.

Dizemos que uma condição é satisfeita por quase todos os números reais, se o
subconjunto de R dos elementos que não satisfazem tal condição tem medida nula.
Proposição 1.8. Quase todo número real é transcendente. Demonstração. Pela
Proposição 1.5, segue que o conjunto dos números algébricos é enumerável, em
particular, Q ∩ R é enumerável. Segue, da Proposição 1.7, que Q ∩ R tem medida
nula. Com isso concluímos que quase todo número real é transcendente.

21 NÚMEROS DE LIOUVILLE

21.1 Teorema de Liouville e a demonstração da transcendência

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22 A TRANSCENDÊNCIA DE

As primeiras referências à constante e foram publicadas em 1618 em um trabalho


sobre logaritmos de John Napier. Entretanto, esse trabalho não continha a constante
especificamente, mas simplesmente uma lista de logaritmos calculados a partir de e.
A primeira indicação da constante, propriamente dita, é creditada a Jacob Bernoulli,
quando buscava encontrar um valor para o seguinte limite:

que é a própria constante

22.1 A série

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22.2 Prova da transcendência

Para provar a transcendência de , precisaremos de alguns resultados


auxiliares. Incialmente, considere a função

Onde P(x) é um polinômio de grau r.

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22.3 A Constante E Não É Um Número De Liouville

Para provar que e não é um número de Liouville, faremos uso de frações


contínuas e algumas ferramentas analíticas. Seja a/b uma fração irredutível. Podemos
utilizar o algoritmo de Euclides para obter as seguintes equações:

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23 BIBLIOGRAFIA BÁSICA

HEFEZ, A. Elementos de Aritmética. IMPA. Rio de Janeiro, 2006

RIBENBOIM, Paulo. Números Primos: mistérios e recordes. IMPA. Rio de


Janeiro, 2001.

SANTOS, José Plínio de Oliveira. Introdução à Teoria dos Números. IMPA. Rio
de Janeiro, 2000

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

BURTON, David M. Elementary Number Theory. Allyn and Bacon, Inc. Boston,
1976

JONES, Burton W. Teoria de los Números. Editorial F. Trillos S. A. México, 1969.

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