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Universidade Federal de Pelotas

Instituto de Filosofia, Sociologia e Política


Curso de Licenciatura em Ciências Sociais
Professor Marcus Vinicius Spolle
Disciplina Sociologia I

As Revoluções e a Modernidade

LUIZ EDUARDO PAIVA DUARTE

Pelotas
2021
1. Trabalho Assalariado, expropriação dos meios de produção
Com o desenvolvimento industrial e com a expansão urbana, o capitalismo deu
início a exploração do trabalho assalariado, pelos proprietários e donos dos meios de
produção, causando uma transformação nas cidades e nas zonas rurais.
Com a lei Enclosures ou Cercamento, houve uma crescente ação de
privatização de terras que eram de uso dos camponeses, através desta lei, se deu o
cercamento das terras pelos poderosos senhores dos locais.
Os camponeses que utilizavam as terras para extraírem seu sustendo através
da agricultura viram-se privados dessa fonte de recursos. Sua incapacidade de
produção em pequenos pedaços de terras os obrigou a abandonar suas propriedades.
Aqueles que concordaram em continuar na zona rural, tiveram que alugar as terras e
ainda pagar impostos.
Aqueles que foram para as cidades atrás de melhores condições de vida,
passaram a trabalhar nas indústrias e fábricas de forma assalariada, contribuindo para
a formação da classe operária.
Na revolução francesa, em suas consequências podemos ver os ideais de
liberdade e igualdade, o trabalho passou a ser livre, sendo possível ter liberdade
de contratar e comerciar .

2. livre venda da força de trabalho, relação contratual


• Revolução francesa
Com a ida dos camponeses para a cidade, eles precisaram trabalhar e
passaram a vender sua força como mão de obra. Desta maneira, seus trabalhos se
transformaram em mercadoria para a burguesia que ficava com todos os lucros.
A burguesia aparece na revolução francesa, eles representavam a classe pobre
do 3° estado.
• Revolução industrial
Antes das máquinas, a forma de produção da época era feita inteiramente
manual, os artesãos faziam tudo manualmente, fazendo todo processo de produção,
desde à matéria-prima até a venda.
Com a chegada das máquinas, o trabalho não era mais realizado totalmente da
de forma artesanal. Os empregadores agora “capitalistas” passaram a utilizar a divisão
do trabalho e a contratar os trabalhadores, que recebiam uma remuneração por uma
parte daquilo que produziam.
Com a invenção das máquinas à vapor, as indústrias deram um grande salto
na produção de bens, mas grande baixa na contratação da massa de camponeses
que vieram do campo.

3 Urbanização e vida na cidade


A revolução industrial, trouxe uma profunda transformação para a sociedade,
com esta mudança, uma grande massa de camponeses migrou para as cidades
formando uma nova classe social.
E como consequência, a urbanização cresceu enormemente em decorrência
do afluxo das massas de camponeses atraídos pelo trabalho nas fábricas e indústrias.
A vida na cidade e a urbanização provocou a degradação do espaço urbano,
do meio ambiente e a destruição dos valores tradicionais e novos problemas
começaram a aparecer como contaminação da água do ar o acúmulo de detritos
humanos e industriais... as mulheres eram empregadas por salários humilhantes e
moravam em condições muito precárias, como relata (DIAS, 2010) “em sua maioria
aglomeradas em casas sujas, em péssimo estado, superlotadas e sem a mínima
infraestrutura, como água e esgoto, eram jogados na rua, a céu aberto”.
E acrescenta ainda, “essa condição urbana provocava problemas sociais
gravíssimos, advindos da rápida urbanização: doenças, ausência de moradia,
prostituição, alcoolismo, suicídios, surtos de violência, epidemias” (DIAS, 2010).
Na revolução Francesa, uma má safra em 1788 e 1789 fez com que o
campesinato sofresse. A maioria dos homens com suas poucas terras tinham que se
alimentar do trigo reservado para o plantio. Na cidade, o custo dos alimentos duplicava
fazendo o povo sofrer com fome e sem emprego,

Uma má safra em 1788 (e 1789) e um inverno muito difícil tornaram aguda a


crise. As más safras faziam sofrer o campesinato, pois significavam que
enquanto os grandes produtores podiam vender cereais a preços de fome, a
maioria dos homens em suas insuficientes propriedades tinha provavelmente
que se alimentar do trigo reservado para o plantio ou comprar alimentos
àqueles preços, especialmente nos meses imediatamente anteriores à nova
safra (maio-julho). Obviamente as más safras faziam sofrer também os
pobres das cidades, cujo custo de vida - o pão era o principal alimento - podia
duplicar. Fazia-os sofrer ainda mais, porque o empobrecimento do campo
reduzia o mercado de manufaturas, portanto também produzia uma
depressão industrial. Os pobres do interior ficavam assim desesperados e
envolvidos em distúrbios e banditismo; os pobres das cidades ficavam
duplamente desesperados já que o trabalho cessava no exato momento em
que o custo de vida subia vertiginosamente. (HOBSBAWN, 1991 [1977])
4 Produção em alta escala, mecanização
Em cerca de cem anos, a Europa de sítios, rendeiros e artesãos tornou-se uma
Europa de cidades abertas industriais. Os utensílios manuais e os dispositivos
mecânicos simples foram substituídos por máquinas, a lojinha de artífice, pela fábrica.
O vapor e a eletricidade suplantaram as fontes tradicionais de energia-água, vento e
músculo.
Mas a revolução industrial teve sua ascensão inicial com a indústria Algodoeira
que elevou a produção de tecido. Máquinas de madeiras, foram trocadas por
máquinas produzidas em ferro, mais resistentes e com nova tecnologia “vapor e
elétrica”, que poderiam produzir mais em menos tempo e necessitando de menos mão
de obra especializada nas indústrias.
Com o enorme crescimento da economia inglesa, foi preciso matéria-prima
para as indústrias, coisa que o mercado inglês tinha, mas não o suficiente, mesmo
aumentando suas colônias. A solução seria buscar no mercado externo para poder
ampliar seu mercado e sua produção.
A expansão do mercado externo era feita através de tecidos e escravos que
eram capturados na África e encaminhados para os centros de produtores de matérias
primas das indústrias. De acordo com Marx e Engels,

a grande indústria criou um mercado mundial de que acelerou o


desenvolvimento do comercio, da navegação e dos meios de transporte por
terra, particularmente das ferrovias. Esse desenvolvimento, por sua vez,
influenciou a expansão industrial. (MARX E ENGELS, 1977)

A zona rural para produzir em alta escala alimentos e matéria-prima para as


cidades e industrias teve que introduzir maquinas que ajudariam o homem no plantio,
este setor. As maquinas além de fazem o trabalho mais rápido traziam um grande
benéfico para as indústrias. Segundo Adam Smith, em sua obra: A riqueza das nações

apresentou um exemplo de divisão do trabalho em fabrica que se tornou


clássico. Descreve como os operários realizam até 18 operações distintas
com um fio metálico do qual devem produzir um alfinete, gerando, ao final do
dia, até 4.800 unidades. E comparado com um operário isolado, que não
conseguiria produzir 20 unidades em um mesmo dia. (SMITH, 1976)

Isso nos mostra como a mecanização trouxe a produção em alta escala, nas
indústrias, fábricas, zonas rurais e desenvolvimento para o mundo.
Com as máquinas tomando cada vez mais os lugares dos trabalhadores nas
indústrias, nasceu os luditas, um movimento popular que surgiu na Grã-Bretanha,
entre 1811-1818, dedicados à destruição das máquinas e o protesto contra a
tecnologia.

5 Revolução agrícola
A revolução agrícola ocorreu entre 5 mil a 8 mil anos atrás período conhecido
como ‘Primeira Revolução Cientifico-tecnológica’ nesta mesma época os homens
deixaram de ser nômades, se instalando em lugares onde constituíram as primeiras
comunidades urbanas, Segundo (DIAS, 2010)

isso foi possível porque animais foram domesticados e houve uma melhoria
na qualidade das sementes, propiciando colheitas mais abundante e um
excedente que possibilitou que pessoas deixassem de ser caçadoras ou
coletoras, criando assim novos ofícios e novas necessidades, os quais
possibilitaram um avanço importante da organização social como um todo.

Com isso, o homem, que antes vivia como nômade, era caçador e coletava
sementes e frutos, agora tem animais domesticados e plantações, trazendo para si
uma melhora de viva.
Com a domesticação dos animais, sementes de qualidade e plantações
abundantes, as pessoas passaram a não precisar depender da caça e das coletas de
frutas. Desta forma, deu-se início a uma nova atividade e novas necessidades, dando
possibilidade ao avanço da organização social.
Com o aumento do consumo de alimento e a busca por matéria prima os donos
de campos, atrases da lei ENCLOSURES, ou cercamentos, buscavam maior
produtividade no campo.
Segundo Dias, Reinaldo (2010) Desde o século XVII, a agricultura na Inglaterra
vinha passando por uma profunda reestruturação. O processo, conhecido como
ENCLOSURES, ou cercamentos, buscava maior produtividade no campo, tendo o
lucro como objetivo principal.
• Revolução francesa
Na França mesmo com a Revolução agrária, uma forte crise de má safra entre
os anos (1788 e 1789), trouxe tanto para as pessoas do campo como as das cidades um
período de extrema fome, conforme (HOBSBAWN, 1991 [1977])
Uma má safra em 1788 (e 1789) e um inverno muito difícil tornaram aguda a
crise. As más safras faziam sofrer o campesinato, pois significavam que
enquanto os grandes produtores podiam vender cereais a preços de fome, a
maioria dos homens em suas insuficientes propriedades tinha provavelmente
que se alimentar do trigo reservado para o plantio ou comprar alimentos
àqueles preços, especialmente nos meses imediatamente anteriores à nova
safra (maio-julho). Obviamente as más safras faziam sofrer também os
pobres das cidades, cujo custo de vida - o pão era o principal alimento - podia
duplicar. Fazia-os sofrer ainda mais, porque o empobrecimento do campo
reduzia o mercado de manufaturas e, portanto, também produzia uma
depressão industrial. Os pobres do interior ficavam assim desesperados e
envolvidos em distúrbios e banditismo; os pobres das cidades ficavam
duplamente desesperados já que o trabalho cessava no exato momento em
que o custo de vida subia vertiginosamente.

6 Igualdade Jurídica
Após a queda da Bastilha, a prisão que era um símbolo do regime antigo, foi
constituído o decreto que cortava os privilégios da nobreza, a isenção de impostos e
o domínio sobre terras cultiváveis.
Também foi criada a Declaração de direitos do homem e do cidadão,
reivindicando a condição de cidadãos da França, deixando de serem súditos do rei.
No ano de 1791 foi declarado a nova Constituição Francesa. Que trouxe
igualdade para todos, diante da lei. Deu início então, a confiscação das terras e o fim
dos dízimos.

Referências

HOBSBAWN, Eric J. Revolução Francesa. In: A era das revoluções: Europa 1789 -
1848. Tradução de Maria Tereza Lopes Teixeira e Marcos Penchel. Rio de Janeiro:
Paz e Terra, 1991 [1977]. P.71-94.

DIAS, Reinaldo. A revolução Indústria e as mudanças na sociedade. In:


Introdução à Sociologia. 2ªed. São Paulo: Pearson Prentice Hill,2010. P. 20-28.

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