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Índice
Introdução ..................................................................................................................................... 1
Materiais e Métodos ..................................................................................................................... 4
Resultados ..................................................................................................................................... 5
Discussão de resultados ................................................................................................................ 6
Conclusão ...................................................................................................................................... 8
Bibliografia .................................................................................................................................... 9
Anexos ......................................................................................................................................... 10
A1. Observações experimentais .............................................................................................. 10
A2. Exemplos de cálculos ........................................................................................................ 11
A3. Gráficos ............................................................................................................................. 12

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Introdução

Os surfactantes são agentes de superfície activa (tensioactivos), popularmente


conhecidos como sabão e detergente, são moléculas anfifílicas cujas estruturas moleculares
caracterizam-se por apresentar, no mínimo, duas regiões
distintas, uma parte hidrofílica (polar) que tem afinidade com a
água e uma outra hidrofóbica (apolar) que tem afinidade com
gorduras[1] e tendência a afastar-se das moléculas de água. A
parte polar destas moléculas é designada por cabeça e a não Figura 1 Exemplo da localização da
parte polar e apolar numa
[3]
polar por cauda (como se pode verificar na Figura 1), quando molécula

se encontram em solução aquosa, tendem a localizar-se à


superfície da água, orientando-se de forma a que os grupos polares fiquem dirigidos para o
interior e os não polares para o exterior[2].

As moléculas de surfactante podem associar-se formando


uma variedade de possíveis nano-estruturas dependendo da
estrutura molecular, da concentração e da composição do
sistema[4]. Podem organizar-se em micelas, cristais líquidos,
vesículas, membranas bicamada e microemulsões. As micelas
(Figura 2) são agregados tipicamente coloidais de nano-estruturas.
Em solução diluída, os surfactantes iónicos actuam como electrólitos Figura 2 -Exemplo de
[5]
organização de micelas.
fortes, porém, com o aumento da concentração, observa-se bruscas
mudanças das propriedades físicas da solução, esta concentração é definida como
concentração micelar critica (cmc)[1]. A concentração micelar crítica dos tensioactivos pode ser
determinada através das mudanças no comportamento de algumas de suas propriedades
físicas em solução, tais como, espalhamento de luz, viscosidade, condutividade eléctrica,
tensão superficial etc..

No caso do uso da variação da tensão superficial para determinar a concentração


micelar crítica a figura 3 mostra um esquema do comportamento do tensioactivo na superfície
do líquido e no seio da solução. A adição de tensioactivos à água tende a saturar todas as
interfaces (situação B e C) de modo que a partir da Concentração Micelar Crítica tem-se a
saturação do meio e a formação de micelas (situação D). A micela é a configuração das
moléculas de tensioactivo com melhor estabilidade na solução, com as cadeias hidrofóbicas
agrupadas e a parte hidrofílica das moléculas voltada para a água[6]. A tensão superficial pode

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ser obtida por vários métodos como por exemplo o método do anel ou o Método do prato de
Wilhelmy.

Figura 3- Esquema do comportamento do tensioactivo, em


[6]
função da tensão superficial, indicando a c.m.c.

No uso da condutividade eléctrica para detectar a concentração micelar


mi elar crítica a figura
4 mostra um gráfico típico da condutividade específica versus concentração molar de
surfactante. A condutividade é a medida da mobilidade das espécies iónicas em solução.
solução
Observa-se na figura 4 que a cmc é definida na concentração do surfactante corresponde à
repentina mudança do perfil de condutividade
eléctrica. O aumento linear da condutividade
abaixo da cmc, observado no perfil da Figura 4,
4 é
característico de electrólitos
trólitos fortes e a inclinação
depende da condutividade molar das espécies em
solução. Após a formação de micelas, cada
monómero adicionado continua a contribuir para
a formação das micelas.[7] Para medir a
Figura 4- Perfil de condutividade versus
.[8] condutividade eléctrica daa solução pode-se
[surfactante] indicando a cmc
recorrer ao condutivímetro.

A formação das micelas permite uma maior interacção entre as moléculas de água,
através do estabelecimento de pontes de hidrogénio, o que não é tão fácil quando as
moléculas do surfactante se encontram dispersas
dispersas no seio da solução. Este factor que é
bastante importante quando ocorre a micelização é designado, frequentemente, por efeito
hidrofóbico.

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Há possibilidade de se facilitar a micelização, ou seja, de diminuir o valor de c.m.c., actuando


de diferentes formas:

• Usando substâncias tensioactivas com grupos hidrofóbicos mais longos, ou seja com
cadeias hidrocarbonadas mais extensas. Para surfactantes iónicos o valor de c.m.c.
baixa para cerca de metade por cada grupo CH2 adicional. No caso dos tensioactivos
não iónicos o decréscimo correspondente pode ser de 1/10. No entanto, para cadeias
acima de C18 não se verifica alteração apreciável, o que poderá ser devido ao
enrolamento das cadeias hidrocarbonadas;
• Baixando a temperatura, uma vez que a micelização é um processo exotérmico;
• Adicionando sais, quando os tensioactivos são iónicos, o que reduz a repulsão entre os
grupos electricamente carregados à superfície da micela[2]

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Materiais e Métodos

A partir de uma solução padrão de SDS com 20 mM, preparou-se as seguintes diluições
em balões de 25ml, como mostra a Tabela 1

Tabela 1 – Concentrações de SDS (mM) para preparação das soluções

SDS 12 10 8 6 4 2
SDS + 5ml 12 10 8 6 4 2
NaCl(0,6M)
SDS + 5ml 12 10 8 6 4 2
NaCl(0,3M)

Seguidamente passou-se as soluções para goblés, e foi medida em triplicado a


condutividade eléctrica de cada uma, mergulhando o condutivímetro nela e registando a sua
condutividade, lavando a sonda entre cada medição.

Passou-se as soluções para placas de petri e foram medidas as tensões superficiais de


cada solução recorrendo ao método do anel.

Foram medidas a tensão superficial e condutividade da água.

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Resultados

Na tabela 2 encontram-se os resultados das concentrações micelares criticas das


amostras de SDS com e sem NaCl.

Tabela 2: Concentrações micelares criticas das amostras

Concentração micelar critica


SDS sem NaCl 8 mM
SDS com NaCl (0,3M) 6 mM
SDS com NaCl (0,6M) 4,5 mM

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Discussão de resultados

Esta actividade laboratorial teve como objectivo a determinação da concentração


micelar crítica (c.m.c.) de três soluções (A, B e C). A solução A é uma solução de SDS em água, a
solução B é de SDS com 0.3M de NaCl e a solução C é de SDS com 0.6M de NaCl. Foram feitas
diluições a partir de soluções iniciais sendo posteriormente medida a condutividade eléctrica e
a tensão superficial, encontrando-se os resultados expostos na tabela 3 do anexo A1 . No
referido anexo estão presentes os gráficos condutividade versus concentração de SDS das
soluções bem como da tensão superficial.

Pela análise dos gráficos efectuados (anexo A3) facilmente se observa que as soluções
B e C em que estão presentes o NaCl possuem condutividades mais elevadas que a solução A.
Uma análise importante é que qualquer uma das três soluções (A, B e C) possui condutividades
eléctricas superiores à água.

Observando-se isoladamente os resultados obtidos, na solução A, constata-se que a


condutividade aumenta com o aumento da concentração de SDS. No entanto, a partir da
concentração de 8 mM este aumento torna-se menos acentuado, o que pode indicar o início
da formação de micelas tornando a solução menos condutora. Pode-se verificar pela análise
do gráfico da tensão superficial (figura 5) que existe um decréscimo acentuado da mesma até
aos 8mM. Estima-se, portanto, que a c.m.c da solução A é aos 8 mM.

O SDS provoca uma diminuição da tensão superficial de água, pois é a função de um


detergente, até se atingir a cmc. A partir do momento em que se inicia a formação de micelas
a tensão superficial da água não diminui mais, ou seja, mantém-se constante num certo valor.
[9]
A literatura indica que quando a concentração de NaCl é nula na solução, a c.m.c é de
8,1x10-3mol/dm3 (o que é igual a 8,1 mM). Este é o valor de referência para a solução A,
constatando-se que o valor experimental está em conformidade com a literatura. [2]

Quanto à solução B, constata-se um aumento acentuado da condutividade eléctrica na


passagem de 2 mM para 6 mM de SDS. A partir desta última concentração até 12 mM o
aumento torna-se menos acentuado. Pela análise gráfica (figura 7) pode-se verificar que a
tensão estabiliza aos 6mM, podendo-se prever que a cmc do SDS com 0.3M de NaCl é aos
6mM.

Relativamente à solução C, verifica-se que a condutividade eléctrica é superior que a


solução B, uma vez que a concentração de NaCl também é maior. À semelhança do que se

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verificou nas duas soluções anteriores, constata-se que a condutividade eléctrica aumenta
gradualmente ate, aproximadamente, aos 4.5mM e a tensão superficial estabiliza nos 4mM.
Considera-se que a c.m.c da solução C é 4.5mM.

Como era esperado, diferentemente dos surfactantes, a adição de NaCl (composto


tensiónico) aumentam a tensão superficial. [10]

A adição de sais, como é o caso no NaCl, a surfactantes provoca a diminuição


considerável da cmc, o que é explicado pelo facto de o sal induzir a diminuição do potencial de
superfície e a repulsão electrostática das cabeças de surfactante iónicas. Acrescenta-se que
este efeito é acompanhado pelo crescimento dos agregados micelares. [11]

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Conclusão

Após a análise da actividade experimental, pode-se concluir que a condutividade


eléctrica das soluções A, B e C estudadas são maiores do que a condutividade eléctrica da
água.

Já com a interpretação dos gráficos, anuiu-se que a condutividade eléctrica das três
soluções aumenta com a concentração de SDS. Tem-se que a condutividade eléctrica da
solução A é inferior à da solução B e, por sua vez, que esta é inferior à solução C.

Comparando com os valores da concentração micelar crítica fornecidos pela literatura,


averiguou-se que a solução A está em conformidade com o esperado (8.1mM).

Por último e devido aos resultados que foram obtidos, pode-se concluir que com a
adição de compostos tensiónicos (NaCl), a concentração micelar critica das soluções diminui.

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Bibliografia

[1] SHAW, D. J.; Introduction to colloid and surface chemistry; 4. ed.- Oxford: Butterworth
Heinemann, 1992.

[2] OLIVEIRA, R.; Fenómenos Interfaciais; Universidade do Minho; 2001.

[3]http://www.oilproduction.net/cms/index.php?option=com_content&view=article&id=210:
el-uso-de-surfactantes-en-proyectos-de-recuperacion-terciaria-&catid=54:eor-ior&Itemid=101
(consultado a 1 de Maio de 2010)

[4] LIMA, F. C.; Investigação de Complexos Mistos Polímeros-Surfactantes em Misturas de


Dodecilsulfato de Sódio e Decilfosfato de Sódio com Polióxido de Etileno. Tese de Doutorado
em Química, UFSC, Florianópolis, Março de 1998.

[5]http://dta.utalca.cl/biologia/BioROM%202005/contenido/cibertexto/lip/lipid34

.htm; (consultado a 1 de Maio de 2010)

[6] SANTOS, F. G.; ALVES, J.; Determinação da Concentração Micelar Crítica de Tensoativos
Obtidos a Partir de Óleos Vegetais Para Uso na Recuperação Avançada de Petroleo; SP;
Outubro 2007.

[7] OLDHAM, K. B.; MYLAND, J. C. Fundamental of Electrochemical Science Academic Press: UK,
1-7, 1994.

[8 ] DAL-BÓ, A. G.; Associação de Micelas Mistas de Surfactantes Aniônicos Com o Polimero


Hidrofobicamente Modificado Etil (Hifroxietil) Celulose (EHEC); Universidade de Santa
Catarina; Florianópolis, 2007.

[9] REIS, R., Síntese de surfactantes derivados da ribonolactona, Juiz de Fora, Agosto, 2007.

[10] ROCCO, R.; NASCIMENTO, F.; FREITAS, F.; Determinação da Tensão Superficial e CMC
(SDS); Universidade Estadual de Campinas; 2009

[11] FLORENCE, A. T.; ATTWOOD, D.; Princípios físico-químicos em farmácia; São Paulo; 2003.

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Anexos

A1. Observações experimentais

Na tabela 3 estão apresentados os valores de condutividade eléctrica para as soluções


A, B e C.

Tabela 3 – Observações experimentais: Condutividades e respectivas médias e tensões superficiais das


três soluções

Condutividade (S/m) Tensão


Solução Concentração amostra amostra amostra Média superficial
1 2 3 (N/m)
A 12 0.66 0.63 0.63 0.640 29
10 0.58 0.66 0.59 0.610 30
8 0.55 0.56 0.60 0.570 31
6 0.39 0.41 0.38 0.393 37
4 0.24 0.28 0.22 0.247 40
2 0.13 0.17 0.14 0.143 42.5
B 12 5.70 5.71 5.73 5.713 31
10 5.69 5.70 5.68 5.690 32
8 5.64 5.67 5.65 5.653 33
6 5.60 5.61 5.64 5.617 33.5
4 5.48 5.45 5.46 5.463 38
2 5.33 5.35 5.37 5.350 45
C 12 8.21 8.22 8.23 8.220 32.5
10 8.20 8.19 8.19 8.190 33
8 8.18 8.17 8.18 8.180 33.5
6 8.18 8.16 8.16 8.167 34
4 8.05 8.05 8.08 8.060 34.5
2 7.87 7.85 7.86 7.860 42.5

Solução A: SDS (mM) sem NaCl.

Solução B: SDS (mM) com NaCl (0.3 M).

Solução C: SDS (mM) com NaCl (0.6 M).

A condutividade da água é 0,04 S/m.


A tensão superficial da água é 71,5 N/m.

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A2. Exemplos de cálculos

Volume de Solução a utilizar: C1V1=C2V2

Solução 6mM

6 × 25
ܸ1 = = 7,5 ݈݉
20

Tensão superficial real = (tensão experimental) * (factor de correcção)

Factor de correcção = (tensão superficial agua tabelada) / (tensão superficial da agua experimental)

Factor de correcção = 72,8/71,5 = 1,02

Tensão superficial real = 29*1,02 = 29,58

Condutividade real = (condutividade experimental) – (condutividade da agua)

Condutividade real = 0,66 – 0,04 = 0,62

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A3. Gráficos
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45

40
Tensão superficial (N/m)

35

30

25

20

15

10

0
0 2 4 6 8 10 12 14
Concentração de SDS (mM)

Figura 5- Concentração vs Tensão superficial do SDS sem NaCl.

0,7

0,6

0,5
Conductividade (S/m)

0,4

0,3

0,2

0,1

0
0 2 4 6 8 10 12 14
Concentração de SDS (mM)

Figura 6- Concentração vs Condutividade do SDS sem NaCl.

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Tensão superficial (N/m)

35

30

25

20

15

10

0
0 2 4 6 8 10 12 14
Concentração de SDS (mM)

Figura 7- Concentração vs Tensão superficial do SDS com NaCl 0,3M.

5,7
5,65
5,6
Conductividade (S/m)

5,55
5,5
5,45
5,4
5,35
5,3
5,25
0 2 4 6 8 10 12 14

Concentração de SDS (mM)

Figura 8- Concentração vs Condutividade do SDS com NaCl 0,3M.

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Tensão superficial (N/m)

35

30

25

20

15

10

0
0 2 4 6 8 10 12 14
Concentração de SDS (mM)

Figura 9- Concentração vs Tensão superficial do SDS com NaCl 0,6M.

8,2

8,15

8,1
Conductividade (S/m)

8,05

7,95

7,9

7,85

7,8
0 2 4 6 8 10 12 14
Concentração de SDS (mM)

Figura 10- Concentração vs Condutividade do SDS com NaCl 0,6M.

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