Você está na página 1de 5

CÓDIGO DEONTOLÓGICO DO SERVIÇO POLICIAL

O Código Deontológico do Serviço Policial visa promover a qualidade do serviço policial


e reforçar o prestígio e a dignidade das forças de segurança, bem como contribuir para a
criação das condições objectivas e subjectivas que, no âmbito da acção policial, garantam
leno exercício dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.
A Comissão Pró-Associação Sindical da PSP (ASP/PSP) - de quem a ASPP/PSP é legítima sucesso
a - reivindicava, desde 1985, um código deontológico para os profissionais da Polícia
de Segurança Pública, mas o projecto oficial apenas deu os primeiros passos em Junho
de 2002 e o Código Deontológico do Serviço Policial só foi publicado em 28 de Fevereiro
de 2002 (Diário da República n.º 50, Série I-B).
Apesar de ter chegado tardiamente - mais vale tarde do que nunca -, reconforta-n
os o facto de o texto deste código acusar inegável influência, de conteúdo e enquadramen
to, do Código Deontológico dos Profissionais da PSP, que a ASP/PSP tinha aprovado e
adoptado em 1985.
O nosso Código Deontológico dos Profissionais da PSP chegou a ser apresentado, em 30
de Julho de 1985, ao então Provedor de Justiça, Ângelo de Almeida Ribeiro (falecido e
m 2000), durante a primeira audiência formal que aquele ilustre defensor dos direi
tos humanos concedeu à ASP/PSP. Eram tempos difíceis, de perseguições e repressão, para os
defensores do Sindicalismo Policial. O país era então governado por uma coligação parti
dária PS-PSD, chefiada por Mário Soares. Por ocasião da audiência concedida à ASP/PSP, Ânge
o de Almeida Ribeiro afirmou publicamente o seu apoio aos defensores do Sindicat
o da Polícia.
Foram então entregues ao Provedor de Justiça exemplares de um Manifesto de Princípios,
de uma Carta Reivindicativa e do Código Deontológico dos Profissionais da PSP, docu
mentos que haviam sido aprovados no mesmo mês, no I Encontro da Comissão Executiva N
acional da ASP/PSP.
O Código Deontológico dos Profissionais da PSP constava de 16 artigos e foi o primei
ro de que há memória no seio da Polícia de Segurança Pública, como proposta de conduta int
imamente ligada ao exercício da actividade profissional dos polícias, no sentido do
desenvolvimento da consciência dos agentes de segurança pública, quanto à importância e à d
gnidade das funções que desempenham. Este Código Deontológico - que tinha sido elaborado
com base nos princípios consignados na Constituição da República Portuguesa, no Código de
Conduta dos Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei (aprovado pela Assembleia G
eral da ONU) e na Declaração sobre Polícia (aprovada pela Assembleia Parlamentar do Co
nselho da Europa) - era também revelador (enquanto proposta surgida no âmbito da dinâm
ica do movimento pró-sindical da Polícia de Segurança Pública) da noção que os "sindicalist
s" da PSP tinham da necessidade de uma chamada de atenção para a consciência de regras
deontológicas que devem ser escrupulosamente respeitadas no relacionamento dos po
lícias com os cidadãos e no respeito dos direitos dos cidadãos (encontrem-se eles em q
ue situações se encontrarem) e no sentido de um escrupuloso respeito da legalidade,
nesse tratamento.
O Código Deontológico dos Profissionais da PSP foi posteriormente acrescentado de ma
is 13 artigos e aprovado na totalidade, em 12 de Outubro de 1985, durante o II E
ncontro da Comissão Executiva Nacional, realizado no Porto. Totalizando 29 artigos
, o Código Deontológico dos Profissionais da PSP está dividido em duas partes, a saber
: Dos Deveres, formada por 14 artigos, e Dos Direitos, constituída por 15 artigos.
Em 15 de Junho de 2000, por despacho do ministro da Administração Interna, Fernando
Gomes, foi criado "um Grupo de Trabalho para elaboração da proposta de Código Deontológi
co das Forças de Segurança". O grupo era constituído por representantes da Inspecção-Geral
da Administração Interna (IGAI), Ministério da Administração Interna (MAI), Comando-Geral
da GNR, Direcção Nacional da PSP, Associação Sócio Profissional da Polícia (ASPP), Associa
e Profissionais da Guarda (APG), Associação Nacional de Sargentos da Guarda (ANSG) e
Associação de Oficiais da Guarda (AOG). Em 31 de Julho de 2000, o Grupo de Trabalho
aprovou o texto do projecto, com alteração da denominação para Código Deontológico do Serv
Policial. Os trabalhos de aprovação e deliberação do relatório final para apreciação minis
ial decorreram em 25 de Setembro de 2000. O comissário da PSP, Adrião Rodrigues da S
ilva (representante da ASPP no Grupo de Trabalho) propôs a inclusão, no preâmbulo do t
exto, de uma referência ao Código Deontológico dos Profissionais da PSP, aprovado em 1
985 pela ASP/PSP. Apesar de esta pretensão não ter sido acolhida, o texto final acus
a inegável influência, de conteúdo e enquadramento, do Código Deontológico aprovado em 198
5 pela antecessora da ASPP/PSP (Vd. Código Deontológico do Serviço Policial - Grupo de
Trabalho, Acta n.º 2 e Acta n.º 3, de 25 de Setembro de 2000).
Código Deontológico do Serviço Policial
Resolução do Conselho de Ministros n.º 37/2002, de 7 de Fevereiro de 2002, reg
ista a adopção deste código pelos profissionais da PSP e da GNR, comete ao Ministério da
Administração Interna a divulgação pública
deste código e determina a previsão de um módulo de formação em matéria de deontolo
ia do serviço policial, com carácter obrigatório, nos currículos dos cursos de formação, pr
ca e superior, ministrados aos agentes das forças de segurança.
O presente Código visa promover a qualidade do serviço policial, reforçar o prestígio e
a dignidade das Forças de Segurança, bem como contribuir para a criação das condições objec
ivas e subjectivas que, no âmbito da acção policial, garantam o pleno exercício dos dire
itos, liberdades e garantias dos cidadãos.
A consagração de padrões ético-profissionais de conduta, comuns a todos os membros das F
orças de Segurança é condição indispensável para um exercício credível e eficiente do servi
cial, enquanto parte integrante do Estado de Direito Democrático.
A adopção pelos membros das Forças de Segurança de um Código Deontológico do Serviço Polici
vem ao encontro da Resolução n.º 690 da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa,
de 8 de Maio de 1979, e da Resolução n.º 34/169 da Assembleia Geral das Nações Unidas, de
17 de Dezembro de 1979.
Artigo 1.º
(Âmbito de aplicação)
O presente Código Deontológico aplica-se aos militares da Guarda Nacional Republican
a (GNR) e ao pessoal da Polícia de Segurança Pública (PSP), adiante designados membros
das Forças de Segurança, no âmbito do exercício das suas funções policiais.
Artigo 2.º
(Princípios fundamentais)
Os membros das Forças de Segurança cumprem os deveres que a Lei lhes impõe, servem
o interesse público, defendem as instituições democráticas, protegem todas as pessoas c
ontra actos ilegais e respeitam os direitos humanos.
Como zeladores pelo cumprimento da Lei, os membros das Forças de Segurança, cult
ivam e promovem os Valores do Humanismo, da Justiça, Integridade, Honra, Dignidade
, Imparcialidade, Isenção, Probidade e Solidariedade.
Na sua actuação os membros das Forças de Segurança devem absoluto respeito pela Cons
tituição da República Portuguesa, pela Declaração Universal dos Direitos do Homem, pela Co
nvenção Europeia dos Direitos do Homem, pela legalidade comunitária, pelas convenções inte
rnacionais, pela Lei e pelo presente Código.
Os membros das Forças de Segurança que actuem de acordo com as disposições do presen
te Código tem direito ao apoio activo da comunidade que servem e ao devido reconhe
cimento por parte do Estado.
Artigo 3.º
(Respeito pelos Direitos Fundamentais da pessoa humana)
No cumprimento do seu dever, os membros das Forças de Segurança promovem, respei
tam e protegem a dignidade humana, o direito à vida, à liberdade, à segurança e demais d
ireitos fundamentais de toda a pessoa, qualquer que seja a sua nacionalidade ou
origem, a sua condição social, as suas convicções políticas, religiosas ou filosóficas.
Em especial, têm o dever de, em qualquer circunstância, não infligir, instigar ou
tolerar actos cruéis, desumanos ou degradantes.
Artigo 4.º
(Respeito pelos Direitos Fundamentais da pessoa detida)
Os membros das Forças de Segurança têm o especial dever de assegurar o respeito pe
la vida, integridade física e psíquica, honra e dignidade das pessoas sob a sua custód
ia ou ordem.
Em especial devem abster-se, em qualquer circunstância, de praticar qualquer a
cto de tortura ou qualquer outro castigo ou tratamento cruel, desumano ou degrad
ante, bem como opor-se, pronta e determinadamente, à prática de tais actos.
Os membros das Forças de Segurança devem zelar pela saúde das pessoas que se encon
tram à sua guarda e tomar, imediatamente, todas as medidas para assegurar a prestação
dos cuidados médicos necessários.
Artigo 5.º
(Isenção e Imparcialidade)
Os membros das Forças de Segurança devem actuar com zelo e imparcialidade, tendo
sempre presente a igualdade de todos os cidadãos perante a lei.
Em especial, têm o dever de, no uso dos poderes de autoridade de que estão inves
tidos, se abster da prática de actos de abuso de autoridade, não condizente com um d
esempenho responsável e profissional da missão policial.
Os membros das Forças de Segurança abstêm-se de qualquer acto que possa por em cau
sa a liberdade da sua acção, a independência do seu juízo e a credibilidade da Instituição
que pertencem.
Artigo 6.º
(Integridade, Dignidade e Probidade)
Os membros das Forças de Segurança cumprem as suas funções com integridade e dignida
de, evitando qualquer comportamento passível de comprometer o prestígio, a eficácia e
o espírito de missão de serviço público da função policial.
Em especial, não exercem actividades incompatíveis com a sua condição de agente de a
utoridade ou que os coloquem em situações de conflito de interesses susceptíveis de co
mprometer a sua lealdade, respeitabilidade e honorabilidade ou a dignidade e pre
stígio da Instituição a que pertencem.
Os membros das Forças de Segurança combatem e denunciam todas as práticas de corru
pção, abusivas, arbitrárias e discriminatórias.
Artigo 7.º
(Correcção na actuação)
No desempenho da sua função, os membros das Forças de Segurança devem agir com deter
minação, prudência, tolerância, serenidade, bom senso e autodomínio na resolução das situaç
orrentes da sua actuação profissional.
Os membros das Forças de Segurança devem comportar-se de maneira a preservar a c
onfiança, a consideração e o prestígio inerentes à função policial, tratando com cortesia e
rrecção todos os cidadãos, nacionais, estrangeiros ou apátridas, promovendo a convivenci
alidade e prestando todo o auxílio, informação ou esclarecimento que lhes for solicita
do, no domínio das suas competências.
Os membros das Forças de Segurança exercem a sua actividade segundo critérios de j
ustiça, objectividade, transparência e rigor; actuam e decidem prontamente para evit
ar danos no bem ou interesse jurídico a salvaguardar.
Artigo 8.º
(Adequação, necessidade e proporcionalidade do uso da força)
Os membros das Forças de Segurança usam os meios coercivos adequados à reposição da le
galidade e da ordem, segurança e tranquilidade públicas só quando estes se mostrem ind
ispensáveis, necessários e suficientes ao bom cumprimento das suas funções e estejam esg
otados os meios de persuasão e de diálogo.
Os membros das Forças de Segurança evitam recorrer ao uso da força, salvo nos caso
s expressamente previstos na lei, quando este se revele legítimo, estritamente nec
essário, adequado e proporcional ao objectivo visado.
Em especial, só devem recorrer ao uso de armas de fogo, como medida extrema, q
uando tal se afigure absolutamente necessário, adequado, exista comprovadamente pe
rigo para as suas vidas ou de terceiros e nos demais casos taxativamente previst
os na lei.
Artigo 9.º
(Obediência)
Os membros das Forças de Segurança acatam e cumprem prontamente as ordens legítima
s e legais de superior hierárquico.
A obediência que os membros das Forças de Segurança devem aos seus superiores hierár
quicos não os isenta da responsabilidade pela execução de tais ordens que constituam,
manifestamente, violações à lei.
Nenhuma sanção disciplinar pode ser aplicada a um membro das Forças de Segurança que
se tenha recusado a cumprir uma ordem ilegal e ilegítima.
Artigo 10.º
(Responsabilidade)
Os membros das Forças de Segurança assumem, prontamente, os seus erros e promove
m a reparação dos efeitos negativos que, eventualmente, resultem da acção policial.
Os membros das Forças de Segurança, a todos os níveis da hierarquia, são responsáveis
pelos actos e omissões que tenham executado ou ordenado e que sejam violadores das
normas legais e regulamentares.
Artigo 11.º
(Sigilo)
Os membros das Forças de Segurança devem guardar segredo sobre as informações de naturez
a confidencial, ou relacionadas com métodos e tácticas de acção operacional, que venham
a obter no desempenho das suas funções, sem prejuízo das necessidades da administração da
Justiça ou do cumprimento do dever profissional.
Artigo 12.º
(Cooperação na administração da Justiça)
Os membros das Forças de Segurança respeitam a independência dos Tribunais e colaboram
, prontamente, na execução das decisões das autoridades judiciárias.
Artigo 13.º
(Solidariedade na acção)
Todo o membro das Forças de Segurança observa a solidariedade para com os seus camar
adas, sem prejuízo dos princípios da honra e da dignidade e das regras da disciplina
e do dever de defesa da legalidade.
Artigo 14.º
(Preparação individual)
Todo o membro das Forças de Segurança prepara-se física, psíquica e moralmente para
o exercício da sua actividade e aperfeiçoa os respectivos conhecimentos e aptidões pro
fissionais, de forma a contribuir para uma melhoria do serviço a prestar à Comunidad
e.
Em especial, interioriza e pratica as normas deontológicas contidas no present
e Código, que deverão ser parte integrante da sua formação profissional.