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Índice

1.0 Introdução....................................................................................................................4

2.0 Família no contexto de Mudança em Moçambique....................................................5

2.1 Origem e evolução histórica do conceito Família.......................................................5

2.2 A família como fenómeno cultural..............................................................................7

2.3 Novas abordagens teóricas e metodológicas no estudo da Família.............................8

3.0. Conclusão..................................................................................................................9

4.0 Referencias Bibliográficas.........................................................................................10


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1.0 Introdução

A família é o meio em que cada indivíduo desenvolve o seu potencial social e culturais
sendo assim leva a entender que um indivíduo que cresce fora de um meio família pode
ter dificuldades em adquirir os hábitos e costumes da sua Sociedade. Sendo assim é
mais do que imperioso debruçar entorno deste assunto que é um quanto que importante.
Não mais obstante o presente trabalho para além de tratar da família num contexto
cultural, ele também olha para a família como responsável do crescimento harmonioso
dos indivíduos e educa as novas gerações nos valores morais, éticos e sociais.
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2.0 A família no contexto de mudança em Moçambique

2. 1Etimologia

O termo família provem do vocábulo latino famulus, que significa ser vicial, domestico;
à sua vez, provem do sânscrito faama-dháman, que significa pôr, pausar, assentar.
Francisco Lerma( 2014։130).

Uma família é um conjunto de pessoas ligadas por parentesco de sangue, por casamento
ou algum outro tipo de relacionamento acordado ou adopção, e que compartilha a
responsabilidade básica de reprodução e cuidado dos membros da sociedade.
De acordo com a WLSA Moçambique (1998), para uma compreensão de família, é
necessário que se leve em conta tanto os modos que orientam a sua constituição e
organização, como as representações simbólicas que lhes dá significação
Olhando para a definição acima citada, podemos entender que, a família é a mais antiga
instituição humana que se conhece.

2.1.1 Classificação da família

De acordo com Aghassianetall (2003), as famílias podem ser classificadas em:


1. Filiação unilinear ou unilateral: quando o parentesco só é transmitido aos filhos de
um casal legítimo por um dos pais, com exclusão do outro. Quando o pai transmite o
parentesco, a filiação é patrilinear; quando é a mãe que o transmite, a filiação é
matrilinear. A filiação unilateral ou unilinear segundo o autor subdivide-se em:
Filiação patrilinear ou Agnática.
A WILSA Moçambique (1998), sustenta que a patrilinearidade é frequente no sul e
centro de Moçambique. A patrilinearidade é mais frequente nas sociedades onde as
actividades económicas masculinas são decisivas e o seu papel social é sobrevalorizado.
A filiação patrilinear é a forma mais comum da filiação unilinear.
2. Filiação cognáticas ou bilaterais: diferente da filiação unilinear, ou filiação
diferenciada, a filiação cognática é uma filiação indiferenciada, pois o parentesco é
transmitido tanto pelo pai como pela mãe. A filiação cognática reconhece o parentesco
de ambos os lados. Todos os descendentes têm direitos e obrigações, deveres e
privilégios idênticos para com os seus parentes paternos e maternos.
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3. Dupla filiação unilinear: quando duas filiações unilaterais se justapõem, cada uma
regendo, com exclusão da outra, a transmissão de determinados direitos Por exemplo,
entre os Yako da Nigéria, o grupo paterno, Kepun, está localizado; pais e filhos habitam
com as suas mulheres num mesmo aglomerado, o grupo materno, Lejima, está disperso:
tios e sobrinhos uterinos vivem, cada um, junto do seu grupo paterno. O pai transmite
ao filho as suas terras cultiváveis, mas o gado e o dinheiro vão para o filho da sua irmã:
come-se no lado paterno e herda-se no lado materno.

2.2 Origem e evolução histórica do conceito Família

A família é conhecida como sendo, a célula germinal da sociedade, devido a sua


existência datar de milhares de anos, o que quer dizer que não existe sociedade alguma
que não se organiza ou organizava em estruturas familiares. Porém, não se pode
determinar com segurança em qual momento e em quais circunstâncias que o homem
primitivo começou a se agrupar e formar família mas o pouco que se sabe é que os
primeiros agrupamentos se constituíram de forma natural e espontânea, eram
caracterizados essencialmente pelo nomadismo, promiscuidade sexual e falta de
organização institucional.

Porém, com o evoluir dos tempos, estes agrupamentos passaram a estabelecer moradas
permanentes e viver da agricultura, fazendo surgir uma sociedade basicamente rural,
onde a família funcionava como unidade de produção.

Segundo Rodrigo da Cunha Ferreira, existem três fases históricas na evolução da


instituição familiar:

 O estado selvagem;
 O estado barbárie;
 Estado de civilização

Estado Selvagem

Este estado é caracterizado pelo contacto entre o homem e a natureza, que se


apropriavam dos bens oferecidos pela natureza. Eram meios de subsistência a caça e a
pesca, feitas com instrumentos como arco e flecha. Começaram-se a articular a
linguagem, a agricultura, a cerâmica, a domesticação dos animais, a arte, etc. Esta fase
se subdivide em fase inferior, média e superior.
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A primeira fase caracteriza-se pelo estado mais selvagem, onde o homem vivia em
árvores, se alimentava de frutos e raízes e luta pela sua sobrevivência em meio aos
animais selvagens. Já a fase média tem como principal facto o surgimento do fogo, a
maior descoberta da humanidade. Por fim, na fase superior, o homem passou a utilizar
armas na caça a animais, fixaram residências e desenvolveram a fabricação de
utensílios.

Estado Barbárie

De acordo com Engels esta fase é subdividida em três: fase inferior, média e fase
superior. A fase inferior foi marcada pelo desenvolvimento da argila e do cultivo
doméstico de plantas e animais, o que possibilitou ao homem produzir o próprio
sustento, em consequência disto, já na fase média o homem passou a viver em casa e
conviver em grupos nas conhecidas aldeias. Já na fase superior, o homem inventou a
escrita e despertou para a fundição do minério do ferro.

São várias as teorias que dizem respeito a evolução da família, de acordo com Noé de
Madeiros, as famílias inicialmente eram chefiadas por mulheres, porem em seguida
iniciou-se o patriarcado, assumindo o homem a direcção da família e dos bens, ou seja,
o homem era considerado o chefe, o administrador e o representante da sociedade
conjugal.

Engels divide a evolução da família em quatro etapas nomeadamente:

 Família consanguínea;
 Família punaluana;
 Família pré-monogâmica;
 Família monogâmica

Na primeira, os grupos conjugais se separam por gerações. Todos os avós e avós, dentro
dos limites da família, são em seu conjunto, marido e mulher entre si, ou seja, todos os
membros da família se relacionavam entre si.

A família consanguínea deu lugar a família punaluana, em que se exclui a prática sexual
entre membros da mesma família, inclusive entre primos do segundo e terceiro grau.
Isso possibilitou o fortalecimento da família como instituição religiosa e social.
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Na etapa punaluana só se poderia ter certeza da maternidade, pois as mulheres se


relacionavam com diversos homens dificultando a identificação do pai. Isso acaba com
aparecimento da Família pré-monogâmica, onde a mulheres deixa de ter diversos
parceiros e passa a ser propriedade de apenas um, sob penas de castigos cruéis,
enquanto era permitido o adultério ao homem.

O casamento se consolidou como uma forma de homem ter uma esposa para que
cuidasse da casa e produzisse assim se da origem a família monogâmica.

2.3 A família como fenómeno cultural

Para Messa (s.d), família é o primeiro grupo no qual o homem está inserido ou seja, é a
rede inicial de relações do indivíduo que funciona como uma matriz de identidade,
dando oportunidade de pertença a um grupo específico e também de ser separado e ter
participação em subsistemas e grupos sociais externos.

A família veio da evolução natural como nascer, crescer, evoluir e morrer e carrega
dentro dela a sua cultura. Cada sociedade cria um sentido e seus valores representativo
de cada família, esse comportamento acaba se tornando um âmbito cultural, e como um
fenómeno natural é inserida na sociedade e com isso na cultura daquela sociedade em
que convive.

Desde a criação a família começa como natural e no decorrer do tempo sua vida vai
sendo incluída na vida cultural, por isso acredita-se que seja Natural e Cultural.

Desde o princípio com existência da vida já se pode chamar de um fenómeno natural, a


espécie humana já começa com disciplina e costumes conforme a vida da família ou
estado em que residem. As famílias das antiguidades usavam mais os costumes como
doutrina ou regras a serem cumprida e delas faziam-se culturas também. Esse
mecanismo que homem usa para se aperfeiçoar, conhecer descobrir coisas novas, o dado
da natureza se converte em elemento da cultura adquirindo uma significância ou
dimensão nova, ao ponto de exigir a participação do antropólogo. Sendo assim, a
família desempenha um papel fundamental na formação sócio e cultural de um
indivíduo e falar da família como um fenómeno cultural tende que se ter em conta o
desempenho que a família tem mostrado no desenvolvimento da cultura no sentido
geral.
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Para o grupo a família é o meio social onde o indivíduo é moldado, procedendo-se a


transmissão de valores costumes e tradições do seu grupo social através de uma
educação sem uso de técnicas, onde constitui maior relevância aquilo que o indivíduo é
e não aquilo que ele é capaz de fazer.

2.4 Novas abordagens teóricas e metodológicas no estudo da Família.

As novas abordagens no campo teórico, no que concerne ao estudo da família, têm a


tendência de mostrar que a familia não pode ser considerada um sistema estanque e
inalterável, pois ela evolui e complexifica-se. Os elementos transformam-se ao longo da
sua vida familiar, mediante exigências provenientes do interior ou do meio social, onde
é necessária a adaptação a novos papéis de modo a equilibrar o funcionamento familiar.
É assim que os estudos inclui um conceito de família definindo-se como a comunidade
de membros ligados entre si pela procriação, parentesco, casamento, afinidade e
adopção.
Na perspectiva africana Osório (2002), citada por Borsa e Feil (2008), apresenta uma
visão operatória de família tipicamente africana, definindo-a como uma unidade grupal
na qual se desenvolvem três tipos de relações:
i)Aliança (casal),
ii) filiação (pais/filhos) e
iii) consanguinidade (irmãos) e que a partir dos objectivos genéricos de preservar a
espécie, nutrir e proteger a descendência e fornecer-lhe condições para a aquisição de
suas identidades pessoais tendo em conta que cada membro ocupa uma posição com a
qual se deve identificar.

2.5 Estudo de caso (Família em contexto de mudança em Moçambique)


Moçambique é um país com uma população predominante de origem bantu, sendo
assim, na actualidade ele apresenta uma estrutura família bantu mas com ares modernos.
Olhando para o estudo de casos, o grupo escolheu mostrar a estrutura da família
primitiva em contraste com a actual.
Na visão de ALTUNA (2006:113) a estrutura familiar bantu compreendia: família
elementar, nuclear ou conjugal e a família alargada ou extensa.
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 Família elementar, nuclear ou conjugal


Esta é a primeira célula social da família que compreende: pai, mãe e filhos. Na verdade
esta não é a verdadeira família bantu porque as famílias nucleares unidas entre si, são o
fundamento da solidariedade que dá origem às instituições sócio-politicas as quais não
são mais do que o alargamento do núcleo primário. Esta família por si só não forma um
núcleo organizado e ela tem uma forte dependência da família alargada.
A família elementar, monogâmica desde o princípio e, ainda hoje mais corrente do que
a poligamia, existiu desde sempre. Sem ela faltaria a base para as estruturas sociais e
politicas que inauguram a partir da consanguinidade.
 Família alargada ou extensa
A família alargada é um grupo-comunidade compostos pelos membros das famílias
nucleares aparentados por consanguinidade real, patrilinear ou matrilinear, que
engendra a solidariedade vertical e horizontal.
Isto leva-nos a acreditar que, a ideia personalista europeia do matrimónio e do seu
sistema de vida familiar não se coadunam com a ideia basilar bantu de família que é
sempre uma ampla instituição comunitária, de cooperação e interacção, de participação
vital extensa e indestrutível. E olhando para aquilo que é a família num contexto actual
podemos ver a família como um conjunto invisível de exigências funcionais que
organiza a interacção dos membros da mesma, considerando-a, igualmente, como um
sistema, que opera através de padrões transaccionais e no seu interior os indivíduos
podem constituir subsistemas, podendo estes ser formados pelas gerações, sexo,
interesse e/ ou função, havendo diferentes níveis de poder, e onde os comportamentos
de um membro afectam ou influenciam os outros membros.
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3.0. Conclusão
Chegados a este ponto, é fundamental frisar que a organização familiar muda no
decorrer da história do homem, é alterada das mudanças sociais. Nesse sentido, entende-
se que a família não é apenas uma instituição de origem biológica, mas, sobretudo, um
organismo com nítidos caracteres culturais e sociais. É grande a importância da família
para a construção de uma sociedade estruturada, saudável e equilibrada, a família,
favorece um engajamento social que cria para o indivíduo uma espécie de ordem, na
qual sua vida adquire um sentido, constituindo-o como sujeito e que vão assegurar a sua
pertença num determinado seio cultural. A família constrói-se sobre a base da natureza,
modificando aos demais e a si próprio, ela representa a relação entre o sujeito e a
cultura, a cultura é um conjunto de tudo aquilo, nos planos material espiritual que
acabam construindo o homem natural.
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4.0 Referencias Bibliográficas

1. Aghassian, M. et all (2003). Os Domínios do Parentesco: Filiação. Aliança


matrimonial. Residência. Lisboa – Portugal: Edições 70.
2. Afonso, Irene (2002). Sobre a proposta de Lei de Família in Revista outras vozes, n°
1, WLSA MoçNogueira (s/d). O que é ser família? Há momentos que somos de
facto uma família e em outros qualquer coisa menos uma fa
http://www.pimenet.org.br/missaojovem/mjeducser.htm a cessado em 28 de
Setembro de 2019.Portal do governo de Mocambique (sd ).
3. Constituição da Republica de Moçambique (2004). Maputo: Imprensa Nacional de
Mocambque.
4. Dioma, S. e Vilela, C. (2005). A Importância que a Família exerce na Sociedade.
Disponível em http://4pilares.zi-yu.com/?page_id=314 acessado no dia 28 de
Setembro de 2019.
5. PE. Raul Ruiz de Asua Altuna. (2006).Cultura tradicional bantu.Angola
6. WLSA Moçambique (1998). Famílias em contexto de mudança em Moçambique.
Maputo: Impressa Universitária.

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