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Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Instituto de Psicologia – Unidade Coração Eucarístico

Prática Investigativa: Políticas de Saúde Mental

Anatiele Fonseca Pacheco


Andressa da Silva Cezaria
Ângela de Almeida Oliveira
Angélica Guimarães da Costa
Juliana Sabrina Mariano
Raquel Mendes da Cruz
Tiago Ferreira dos Santos

Belo Horizonte
2010
Anatiele Fonseca Pacheco
Andressa da Silva Cezaria
Ângela de Almeida Oliveira
Angélica Guimarães da Costa
Juliana Sabrina Mariano
Raquel Mendes da Cruz
Tiago Ferreira dos Santos

Prática Investigativa: políticas de Saúde Mental

Prática Investigativa apresentada à


disciplina, Psicologia e Políticas
Públicas, do sétimo período, noite,
unidade Coração Eucarístico, do
Instituto de Psicologia da Pontifícia
Universidade Católica de Minas Gerais.

Orientadora: Márcia Mansur.

Belo Horizonte
2010
SUMÁRIO

1. Introdução ............................................................................. 01

2. Objetivo Geral ................................................................. 02

2.1 Objetivos específicos .......................................................... 04

3. Levantamento Bibliográfico ............................................................. 05

4. Analise da Entrevistas .................................................................. 07


1. Introdução e Justificativa

2. Objetivo Geral: O objetivo desta prática será o de construir uma reflexão sobre
as políticas de saúde mental a partir de suas determinações históricas, desde a
reforma psiquiátrica brasileira, a partir dos anos 1980, passando pela promulgação
da Lei Paulo Delgado, em abril de 2001, até aos dias atuais.

2.1 Objetivos específicos

 Ampliar o conhecimento sobre as políticas de saúde mental


 Elaborar uma reflexão a partir deste conhecimento

3. Levantamento bibliográfico

3.1 A TRAJETÓRIA DAS POLÍTICAS DE SAÚDE MENTAL

As Políticas de Saúde mental no Brasil remetem ao século XIX onde teve


início no país, o processo de urbanização das cidades, sobretudo a do Rio de
Janeiro. Assim configurava-se como necessário, a determinação social para o
“saneamento” que interdita o livre transito dos doentes, mendigos, vadios e loucos,
tendo como pressuposto a idéia de que estes interferiam na ordem social. O que
motivou o surgimento da primeira instituição psiquiátrica no Brasil em 1852, o
Hospital Pedro II, no Rio de Janeiro.

A psiquiatria do século XX além de remover e excluir sugeria uma indicação


clínica, o tratamento moral. A pretensão de tal tratamento, segundo Mussel (2008),
era de moderar as paixões e destruir os delírios a partir do trato amável, da
persuasão e respeito pela autoridade do médico. O desejo era fazer do louco um
bom cidadão, um sujeito produtivo e autodisciplinado.

Para modernizar o Hospício, no sentido do ideal liberal republicano, Oswaldo


Cruz, aliou-se a Juliano Moreira, e tomou a psicologia alemã como modelo para o
Brasil. Isto repercutiu na discussão da etiologia da doença mental, pois o biologismo
passou a explicá-la, como também aos aspectos étnicos, éticos, políticos e
ideológicos e a psiquiatria se colocou em defesa da manutenção do controle social
pelo Estado.

Nesta questão foi promulgada a primeira lei federal, n. 1.132 de dezembro de


1903, que reorganizou a assistência aos alienados, concretizando a legitimação
jurídico-política da psiquiatria nacional. O sanitarismo ainda continuou nos anos 20 e
30, quando se vincula o benefício da saúde a uma ocupação produtiva.

Segundo Tenório (2002), na segunda metade da década de 1970, no contexto


do combate ao Estado autoritário, emerge as criticas a ineficiência da assistência
pública em saúde e ao caráter privatista da política de saúde do governo central.
Sem falar, nas denúncias de fraude no sistema de financiamento dos serviços e, o
que é mais importante para o posterior Movimento da Reforma Psiquiátrica, as
denúncias do abandono, da violência e dos maus-tratos a que eram submetidos os
pacientes internados nos muitos e grandes hospícios do país.

3.2 A TRAJETÓRIA DA REFORMA PSIQUIÁTRICA NO BRASIL

Toda essa pressão social à psiquiatria descrita acima e o cenário de


abandono e segregação vivida pelos usuários de serviços de saúde mental
favoreceu a criação do contexto para difusão das discussões em torno da saúde
mental e deram início as articulações do processo de reforma psiquiátrica brasileira.

O marco que ficou considerado como o estopim para o movimento da reforma


psiquiátrica brasileira foi a crise da DINSAM (Divisão Nacional de Saúde Mental),
órgão esse que pertencia ao Ministério da Saúde, sendo sua função responsabilizar-
se pela formulação das políticas de saúde do subsetor saúde mental. Essa crise
iniciou-se quando profissionais de quatro unidades do DINSAM, no Rio de Janeiro,
iniciaram uma greve, em abril de 1978, após a demissão de 260 estagiários e
profissionais. O DINSAM, que não realizava concursos para a contratação de novos
profissionais desde 1956, passou a contratar bolsistas, que eram profissionais
graduados ou estudantes universitários, que atuavam como médicos, psicólogos,
enfermeiros e assistentes sociais. Segundo Amarante (1995), esses profissionais
trabalhavam em condições precárias, em clima de violência e ameaças contra eles
próprios e os pacientes dessas instituições. Era freqüente nesse contexto, denúncia
de agressão, estupros, trabalho escravo e mortes não esclarecidas.

A crise surge a partir da denuncia feita por três médicos do Centro


Psiquiátrico Pedro II que, ao registrarem no livro as ocorrências de plantão do Pronto
Socorro, trazem ao público as irregularidades daquela unidade hospitalar. Esse ato
de denúncia acabara por mobilizar profissionais de outras unidades e receber o
apoio imediato do Movimento de Renovação Médica (REME) e do Cebes.

A partir daí sucedem-se reuniões freqüentes em grupos, comissões e


assembléias que discutem todas essas questões referentes à precariedade das
condições de trabalho, refletida na assistência à população e seu atrelamento às
políticas de saúde mental e trabalhista nacionais. Em meio a esse movimento são
organizados o Núcleo de Saúde Mental, do Sindicato dos Médicos e o núcleo de
Saúde Metal dos Cebes.

Assim nasce o MTSM, cujo objetivo é constituir-se em espaço


de luta não institucional, em lócus de debate e
encaminhamento de propostas de transformação da
assistência psiquiátrica, que aglutina informações, organiza
encontros e reúne trabalhadores em saúde, associações de
classe, bem como entidades e setores mais amplos da
sociedade. (AMARANTE 1995, p. 58).

O Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MSTM) pode ser


considerado ator e sujeito político fundamental no projeto de reforma psiquiátrica
Brasileira.

Em outubro de 1978, surgem as primeiras organizações de alguns


movimentos ao nível nacional, movimentos esses que já estavam sendo
organizados em outros estados. Na cidade de Camboriú, no estado de Santa
Catarina, nos dias 27 de outubro a 01 de novembro, realizou-se o V Congresso
Brasileiro de Psiquiatria, que possibilitou o despertar para o surgimento desses
movimentos. Esse evento ficou conhecido como o “Congresso de Abertura”, pois,
pela primeira vez, os setores de saúde mental considerados conservadores
começaram a participar de encontros.

Esse congresso estabelecia uma frente ampla a favor das mudanças, que
fazia com que as discussões e a organização do evento assumissem um caráter
político ideológico, voltadas às questões não só relativas à saúde mental, mas para
a crítica ao regime político nacional. O Congresso foi percebido como grande
oportunidade para aglutinar em reuniões “paralelas” às reuniões oficiais
programadas pela comissão organizadora, os movimentos em saúde mental
progressista em todo o país, pois a crise do setor era vista como reflexo da situação
política geral do Brasil de acordo com Amarante (1995).

Alguns anos depois surge um outro movimento resultado das conquistas do


MTSM, a Articulação Nacional da Luta Antimanicomial. Esse movimento é
interessante porque é marcado por uma pluralidade composto por um grande
número de entidades, amigos, familiares e usuários dessas unidades de tratamento
psiquiátrico. Inicialmente eram feitas denuncias e criticas a forma tradicional como
era dada a assistência á população. Essas críticas e denúncia eram feitas pelos
grupos formadores de opinião que propunham o cumprimento de alternativas
baseadas em reformulações que buscassem assumir um caráter em práticas
preventivas, extra-hospitalares e multidisciplinares.

“Ao lado das críticas á administração/gestão dos serviços,


surgem o lema da luta antimanicomial e as denúncias de
favorecimento ao setor privado (pelos convênios com o setor
público e pelo caráter medicamentoso e lucrativo com que se
trata a questão da saúde e da psiquiatria)”.(AMARANTE 1995,
p. 65).

POLÍTICAS DE SAÚDE MENTAL DO SUS

É somente no ano de 2001, após 12 anos de tramitação no Congresso Nacional, que a Lei
Paulo Delgado é sancionada no país. A aprovação, no entanto, é de um substitutivo do Projeto
de
Lei original, que traz modificações importantes no texto normativo. Assim, a Lei Federal
10.216
redireciona a assistência em saúde mental, privilegiando o oferecimento de tratamento em
serviços
de base comunitária, dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas com transtornos
mentais, mas
não institui mecanismos claros para a progressiva extinção dos manicômios. Ainda assim, a
promulgação da lei 10.216 impõe novo impulso e novo ritmo para o processo de Reforma
Psiquiátrica no Brasil. É no contexto da promulgação da lei 10.216 e da realização da III
Conferência Nacional de Saúde Mental, que a política de saúde mental do governo federal,
alinhada
com as diretrizes da Reforma Psiquiátrica, passa a consolidar-se, ganhando maior sustentação
e
visibilidade.

Os relatórios da I e II Conferência nacional de saúde mental, nortearam o


plano de trabalho/1994, da coordenação de saúde mental do ministério da Saúde –
COSAM, propondo a substituição progressiva do modelo asilar por uma rede de
assistência diversificada.

Estas orientações permitiram iniciativas como: a criação dos Centros de


Atenção Psicossocial – CAPS e dos Núcleos de Atenção Psicossocial - NAPS com
práticas transformadoras, o projeto de lei 3.657/89 do deputado Paulo Delgado, que
previa a desinstitucionalização psiquiátrica no país; a edição de Portarias Ministeriais
que redirecionam a assistência para a rede substitutiva ao hospital, entre outros
instrumentos.

Em sua forma original, o projeto dispunha sobre a extinção progressiva dos


manicômios e sua substituição por outros recursos assistenciais, além de
regulamentar a internação psiquiátrica compulsória.

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (2006), um marco dos avanços


obtidos em Minas consiste na aprovação das leis estaduais nº 11.802, de 1995 e
12.684, de 1997, que preconizam a extinção progressiva dos hospitais psiquiátricos
e sua substituição por uma rede de serviços e de cuidados pautados pelo respeito à
dignidade e à liberdade dos portadores de sofrimento mental. A aprovação posterior
da lei nacional nº 10.216, em 2001, veio fortalecer e referendar a legislação
estadual.
A Secretaria de Saúde ainda fornece alguns dados importantes; no início dos
anos 90, havia em Minas Gerais, cerca de 8.000 leitos psiquiátricos, distribuídos em
36 hospitais, dos quais a grande maioria era de instituições privadas conveniadas ao
SUS.

Atualmente, os leitos foram diminuídos para cerca de 3 500, em 20 hospitais;


esta redução foi feita de forma progressiva e sempre acompanhada pela construção
de uma rede substitutiva de cuidados. Há hoje, 100 Centros de Atenção
Psicossocial, cuja clientela-alvo são os portadores de sofrimento mental severo e
persistente, acolhidos em regime de tratamento intensivo, sobretudo nas situações
de crise

4. Análise das entrevistas:

Entrevistadas A, B e C:
Sugestões, capes, psf e cersam

4. Conclusão

5. Referências

BRASIL, Conselho Nacional de Saúde. Relatório Final da III Conferencia Nacional


de Saúde Mental. Brasília: Ministério da Saúde, 2002.

FAGUNDES, Hugo. Os Caps de Campo Grande e Santa Cruz e a consolidação


da rede de atenção psicossocial. Cadernos Ipub, Rio de Janeiro, n.14, p.31-46.
GUIMARAES, José Maria Ximenes et al. Participação social na saúde mental:
espaços de construção de cidadania, formulação de políticas e tomada de decisão.
Ciência & Saúde Coletiva. vol.15, n.4, p.2113-2122. Ceará, 2010.

MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Atenção em Saúde Mental. Marta


Elizabeth de Souza. Belo Horizonte, 2006. 238 p.

TENÓRIO, Fernando. A reforma psiquiátrica brasileira, da década de 1980 aos


dias atuais: história e conceitos. História, Ciência e Saúde. vol.9, n.1, p.25-59, jan-
abr.2002.

Políticas de saúde e de saúde mental no Brasil: a exclusão/inclusão social


como intenção e gesto. Rev. Escola da Enfermagem da USP. v.36, n1 ,
Març.2002.
MUSSEL, Eliane. Apostila de psicopatologia. Belo Horizonte, 2008.Texto
disponibilizado pela autora.

“(...) é importante considerar que as formas de efetivação da participação social, na


organização do SUS, são concretizadas em instâncias que protagonizam a
participação da comunidade na gestão do sistema. Significa, portanto, um processo
de articulação entre atores sociais com olhares distintos sobre a realidade, sendo
eles portadores de interesses diversos, nem sempre convergentes e harmônicos, em
que estão presentes: disputas de poder, conflitos e negociações. Por conseguinte,
os processos de discussão devem buscar o consenso em defesa dos princípios e
diretrizes de um sistema público, equânime e resolutivo.”