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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO

EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE RORAIMA.

HABEAS CORPUS COM PEDIDO DE LIMINAR


Paciente: ELISSANDRO ALVES DA SILVA
Relativo à Ação Penal nº 0800908-68.2019.8.23.0090

JOSÉ MARIA DE AGUIAR SILVA NETO, brasileiro, união estável,


advogado, portador do Registro Geral nº 897829, expedido pela SESP/TO, inscrito no CPF/MF
sob o nº 028.662.101-07, com endereço profissional, sito à Benjamin Constant, nº 433/5, Bairro
São Pedro - Boa Vista/RR - CEP 69301-050, vem com o devido respeito e costumeiro
acatamento à douta e honrosa presença de Vossa Excelência e, perante a Colenda Turma
Criminal deste egrégio Tribunal, impetrar a presente Ordem de HABEAS CORPUS COM
PEDIDO LIMINAR, com fulcro no art. 5º., inciso LXVIII da CF e nos arts. 647, e 648, incisos
II e IV e, arts. ss., do CPP, em favor de ELISSANDRO ALVES DA SILVA, brasileiro, união
estável, agricultor, portador do Registro Geral nº 400.474-4, expedido pela SESP/RR, inscrito no
CPF/MF sob o nº 557.581.772-53, residente e domiciliado na BR 401, KM 134, Sítio Tacutu,
Município de Bonfim/RR, em razão do ilegal constrangimento que sofre por parte do ilustre
MM. Juiz de Direito da Comarca de Bonfim/RR, tida como autoridade coatora, nos autos acima
identificados, o que faz pelos motivos de fato e de direito a seguir delineados:

Av. Benjamin Constant, nº 433/5, Bairro São Pedro - Boa Vista/RR - CEP 69301-050
O paciente Elissandro Alves da Silva encontra-se ilegalmente preso
preventivamente, desde o dia 15 de outubro de 2019, o qual vem sendo mantido pela ilustre e

competente Juíza da Comarca de Bonfim/RR.

O Paciente responde à ação penal acima epigrafada, porque segundo a


denúncia, no dia 20 de agosto de 2019, por volta das 20h30min, no sítio Tacutu, na BR401, KM
134, Município de Bonfim/RR, teria subtraído para si, mediante, violência e grave ameaça
exercidas com emprego de arma de fogo, coisas móveis alheias, consistentes em U$ 2.000,00 (dois
mil dólares americanos), R$ 12.000,00 (doze mil reais), C$ 600,00 (seiscentos dólares canadenses),
GYD$ 30.000,00 (trinta mil dólares guianenses), todos em espécie, várias joias e documentos
pessoais pertencentes às vítimas Eduard Stanley Melville e Wendy Savory, causando-lhes ainda
lesão corporal grave, conforme cópia da denúncia em anexo.

A denúncia sustenta-se como prova da autoria dos fatos delituosos na pessoa


de Elissandro, no frágil depoimento das vítimas, um ancião de mais de 80 anos, com problemas na
visão e sua esposa que conta com 64 anos, no escuro e após passar por agressões físicas, tendo sido
indicado como autor do fato, apenas depois de 15 dias da ocorrência do delito, de modo que, resta
claro que foram induzidos a reconhecê-lo como um dos autores da conduta tipificada. No entanto
aqui, não se discute o mérito da causa, que terá o seu momento oportuno, mas tão somente a
desnecessária e ilegal prisão cautelar do ora Paciente.

Além da falta de justa causa para a prisão preventiva, são duas as


ilegalidades flagrantes a que está sendo submetido um jovem, primário e trabalhador, que deverão
ser sanadas por este egrégio Tribunal, através do competente Relator e confirmado pela colenda
Turma Criminal, senão vejamos:

Registre-se que, já fora realizado pedido objetivando a liberdade do


paciente, tendo sido negado pela ilustre Magistrada de Bonfim/RR, o que a torna autoridade
coatora, face ao direito incontestável do acusado, ora Paciente, aguardar o julgamento em liberdade,

Av. Benjamin Constant, nº 433/5, Bairro São Pedro - Boa Vista/RR - CEP 69301-050
eis que além da fragilidade da provas manejadas contra si, é primário, bons antecedentes, tem
residência fixa e trabalhava até a data de sua prisão, não estando também mais presentes quaisquer

dos requisitos da prisão preventiva.

DOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA DIGNIDADE HUMANA

Prescreve o art. 5º., em seu inciso LXXVIII o seguinte:

LXXVIII – A todos, no âmbito judicial e administrativo são


assegurados a razoável duração do processo e os meios que
garantam a celeridade de sua tramitação.

Demais do que acima expendido, cumpre esclarecer que o Paciente foi preso
preventivamente no dia 15 de outubro de 2019, sendo que há mais de 68 (sessenta e oito) dias se
encontra encarcerado sem que tenha direito ao julgamento, afrontando não somente o dispositivo
acima, mas, e principalmente aquele disposto no inciso III do art. 1º. da Carta Magna, que aponta
como um dos princípios fundamentais da Constituição Federal a DIGNIDADE DA PESSOA
HUMANA.

É constitucional a razoável duração do processo e a prioridade no


julgamento de réus presos, também é certo que a celeridade na prestação jurisdicional é meta
indissociável da aplicação de justiça, não podendo jamais retroceder e permitir que alguém
permaneça encarcerado, mesmo quando já se ultimou a instrução do processo ou o réu foi
sentenciado, o que não é o caso dos presentes autos, em que o Paciente, sequer foi ouvido no
interrogatório. É assim a Jurisprudência pátria que pode ser utilizada como paradigma e que se
pode observar adiante:

Av. Benjamin Constant, nº 433/5, Bairro São Pedro - Boa Vista/RR - CEP 69301-050
HABEAS CORPUS. ROUBO MAJORADO. PRISÃO PREVENTIVA.
IMPETRAÇÃO CONTRA DECISÃO INDEFERITÓRIA DE LIMINAR EM
OUTRO HABEAS CORPUS NA ORIGEM, AINDA NÃO JULGADO.
POSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO DA SÚMULA N.º 691 DA SUPREMA

CORTE. MOTIVAÇÃO DA SEGREGAÇÃO NÃO APLICÁVEL À


PACIENTE. CONDIÇÕES PESSOAIS FAVORÁVEIS.
CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIADO. ORDEM DE HABEAS
CORPUS CONCEDIDA, CONFIRMANDO A LIMINAR, PARA REVOGAR
A CUSTÓDIA CAUTELAR, SEM PREJUÍZO DA FIXAÇÃO DE MEDIDAS
CAUTELARES DIVERSAS DA PRISÃO. 1. O entendimento firmado pelo
Supremo Tribunal Federal e por este Superior Tribunal de Justiça é no sentido de
não se admitir habeas corpus contra decisão denegatória de liminar proferida em
outro writ na instância de origem, sob pena de indevida supressão de instância. 2. A
despeito de tal óbice processual, tem-se entendido que, em casos excepcionais, deve
preponderar a necessidade de se garantir a efetividade da prestação da tutela
jurisdicional de urgência para que flagrante constrangimento ilegal ao direito de
liberdade possa ser cessado - tarefa a ser desempenhada caso a caso. 3. A prisão
preventiva, para ser legítima à luz da sistemática constitucional, exige que o
Magistrado, sempre mediante fundamentos concretos extraídos de elementos
constantes dos autos (arts. 5.º, LXI, LXV e LXVI, e 93, inciso IX, da Constituição
da República), demonstre a existência de prova da materialidade do crime e de
indícios suficientes de autoria delitiva (fumus comissi delicti), bem como o
preenchimento de ao menos um dos requisitos autorizativos previstos no art. 312 do
Código de Processo Penal, no sentido de que o réu, solto, irá perturbar ou colocar
em perigo (periculum libertatis) a ordem pública, a ordem econômica, a instrução
criminal ou a aplicação da lei penal. 4. Apesar de o Magistrado afirmar a
presença de indícios suficientes de autoria e materialidade delitiva para a
deflagração da ação penal e fundamentar a custódia preventiva dos demais
partícipes com base em elementos concretos do delito, a participação da
Paciente limitou-se, segundo narra a denúncia (fls. 161-163), a permanecer em
local próximo ao delito para alertar em caso de aproximação de viatura
policial. 5. O risco de reiteração delitiva não ficou caracterizado em relação à
Paciente, pois em suas folhas de antecedentes criminais consta apenas uma
absolvição anterior ao caso em análise. Assim, em observância ao binômio
proporcionalidade e adequação, impõe-se a revogação da custódia preventiva.
6. Ordem de habeas corpus concedida para, confirmando a liminar, revogar a
prisão preventiva e, portanto, determinar, incontinenti, a soltura da Paciente,
se por outro motivo não estiver presa, sem prejuízo da fixação de medidas
cautelares previstas no art. 319 do Código de Processo Penal pelo Juízo
processante, de maneira fundamentada, ou de nova decretação de prisão
provisória, em caso de fato novo a demonstrar a necessidade da medida. STJ -
HC: 478003 SP 2018/0296237-8, Relator: Ministra LAURITA VAZ, Data de
Julgamento: 07/02/2019, T6 - SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJe
28/02/2019.

PENAL. RECURSO EM HABEAS CORPUS. ROUBO


CIRCUNSTANCIADO. RECONHECIMENTO DO ACUSADO POR
FOTOGRAFIA NA DELEGACIA DE POLÍCIA. FASE PROCESSUAL.
AUSÊNCIA DE CERTEZA PELAS VÍTIMAS, QUANDO DO
RECONHECIMENTO PESSOAL DO DENUNCIADO. PRISÃO
PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO COM BASE NA GRAVIDADE
CONCRETA DO DELITO E EM RECONHECIMENTO ANTERIOR.
LAPSO TEMPORAL ENTRE O DELITO E O RECONHECIMENTO

Av. Benjamin Constant, nº 433/5, Bairro São Pedro - Boa Vista/RR - CEP 69301-050
PESSOAL. EXISTÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. 1. Diante da
gravidade em concreto do delito, supostamente cometido pelo recorrente, porém,
considerando o não reconhecimento do recorrente pelas vítimas, na fase processual,
bem como a excepcionalidade da prisão preventiva no sistema jurídico brasileiro,

devido à concessão da liberdade provisória, sem prejuízo de aplicação das medidas


cautelares diversas da prisão, como proposto pelo Ministério Público, na instância
ordinária, o que se mostra adequado, suficiente e proporcional à presente hipótese. 2.
Recurso em habeas corpus provido, para determinar a concessão da liberdade
provisória ao recorrente, sem prejuízo de aplicação das medidas cautelares diversas
da prisão, previstas no art 319 do Código de Processo Penal, caso assim seja
entendido pelo Juízo de Origem. STJ - RHC: 79448 SP 2016/0321389-1, Relator:
Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Data de Julgamento: 21/02/2017, T6 -
SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJe 02/03/2017)

Inconteste que a decisão restou fundamentada apenas em suposições, sem


indicação de razões fundadas em elementos concretos que ampare o referido decreto e sem
demonstrar de forma objetiva (como requer a Lei) a sua necessidade, caracterizado assim,
constrangimento ilegal manifesto.

Doutos julgadores, pelas motivações acima expendidas, provas restam


exaustivas de que o Paciente se encontra preso, salvo cálculos mais atuais, há mais de 68 dias,
portanto, há mais de 02 (dois) meses, aguardando o desfecho da lide, ainda na fase instrutória. Sem
razão para o encarceramento.

No caso em epígrafe, a perda da liberdade de um jovem, que jamais se


envolveu em ilícitos, com provas frágeis, sem perspectiva de julgamento, somente tem como
infortúnio mais grave e comparável, a própria morte.

DA INEXISTÊNCIA DOS REQUISITOS DA PRISÃO PREVENTIVA.

Por outro lado, mesmo que existentes no momento de sua decretação, a


prisão preventiva do paciente Elissandro, não possui mais razão para sua manutenção, vez que
inexistem os requisitos ensejadores da mesma, nos termos do art. 312 do CPP.

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Noutro turno, a decisão da ilustre Juíza a quo, que manteve a prisão
preventiva do Paciente, carece de fundamentação adequada, vez que se resumiu a poucas linhas

singelas, o que afronta o art. 5º da Constituição Federal, que determina que as decisões judiciais
necessitam ser motivadas (princípio da motivação das decisões), mormente em casos como o
vertente em que se restringe a liberdade do cidadão.

Conforme entendimento pacífico dos tribunais superiores, a prisão antes de


transitar em julgado a sentença só se justifica quando existirem dados concretos que demandem
uma medida cautelar. No presente caso não houve qualquer motivo decorrente dos requisitos
constantes no art. 312, do CPP, ou seja, não existem requisitos autorizadores da prisão preventiva.

Verifica-se que a decisão que manteve a prisão preventiva, da lavra da


autoridade coatora mostra-se totalmente desprovido de qualquer fundamentação válida, a simples
alegação de que é necessária para garantia da ordem pública e a gravidade do crime, por si só, não
justificam a prisão de um jovem, primário, de bons antecedentes, que possui endereço certo no
distrito da culpa. O decreto de prisão cautelar deve ser fundamento em alguma das hipóteses do art.
312 do CPP, dentre as quais “certeza da impunidade, incentivo à prática criminosa, ameaça a
testemunhas, clamor público, insatisfação da comunidade local, etc”. Nenhum desses, presente no
caso em comento.

Destarte, nada justifica a prisão cautelar a qual só se justifica ante a


demonstração clara por parte do Magistrado das razões de cautela fundadas em elementos concretos
de convicção.

Gravidade do crime “A simples gravidade do crime não legitima a medida


coercitiva da prisão, mas, a necessidade de conservação da ordem social. Nunca como forma
antecipada de punição. Precedentes: STF, RHC nº 54.375.Recurso Provido”.(RHC 11.755/RS-
6ªT.-Rel.Min.Fernando Gonçalves-j.23.10.2001-p.173)”.

Av. Benjamin Constant, nº 433/5, Bairro São Pedro - Boa Vista/RR - CEP 69301-050
Nesse sentido a farta e uníssona jurisprudência e doutrina pátria:

HABEAS CORPUS. ROUBO MAJORADO. PRISÃO PREVENTIVA.


IMPETRAÇÃO CONTRA DECISÃO INDEFERITÓRIA DE LIMINAR EM
OUTRO HABEAS CORPUS NA ORIGEM, AINDA NÃO JULGADO.
POSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO DA SÚMULA N.º 691 DA SUPREMA
CORTE. MOTIVAÇÃO DA SEGREGAÇÃO NÃO APLICÁVEL À
PACIENTE. CONDIÇÕES PESSOAIS FAVORÁVEIS.
CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIADO. ORDEM DE HABEAS
CORPUS CONCEDIDA, CONFIRMANDO A LIMINAR, PARA REVOGAR
A CUSTÓDIA CAUTELAR, SEM PREJUÍZO DA FIXAÇÃO DE MEDIDAS
CAUTELARES DIVERSAS DA PRISÃO. 1. O entendimento firmado pelo
Supremo Tribunal Federal e por este Superior Tribunal de Justiça é no sentido
de não se admitir habeas corpus contra decisão denegatória de liminar
proferida em outro writ na instância de origem, sob pena de indevida supressão
de instância. 2. A despeito de tal óbice processual, tem-se entendido que, em
casos excepcionais, deve preponderar a necessidade de se garantir a efetividade
da prestação da tutela jurisdicional de urgência para que flagrante
constrangimento ilegal ao direito de liberdade possa ser cessado - tarefa a ser
desempenhada caso a caso. 3. A prisão preventiva, para ser legítima à luz da
sistemática constitucional, exige que o Magistrado, sempre mediante
fundamentos concretos extraídos de elementos constantes dos autos (arts. 5.º,
LXI, LXV e LXVI, e 93, inciso IX, da Constituição da República), demonstre a
existência de prova da materialidade do crime e de indícios suficientes de
autoria delitiva (fumus comissi delicti), bem como o preenchimento de ao
menos um dos requisitos autorizativos previstos no art. 312 do Código de
Processo Penal, no sentido de que o réu, solto, irá perturbar ou colocar em
perigo (periculum libertatis) a ordem pública, a ordem econômica, a instrução
criminal ou a aplicação da lei penal. 4. Apesar de o Magistrado afirmar a
presença de indícios suficientes de autoria e materialidade delitiva para a
deflagração da ação penal e fundamentar a custódia preventiva dos demais
partícipes com base em elementos concretos do delito, a participação da
Paciente limitou-se, segundo narra a denúncia (fls. 161-163), a permanecer em
local próximo ao delito para alertar em caso de aproximação de viatura
policial. 5. O risco de reiteração delitiva não ficou caracterizado em relação à
Paciente, pois em suas folhas de antecedentes criminais consta apenas uma
absolvição anterior ao caso em análise. Assim, em observância ao binômio
proporcionalidade e adequação, impõe-se a revogação da custódia preventiva.
6. Ordem de habeas corpus concedida para, confirmando a liminar, revogar a
prisão preventiva e, portanto, determinar, incontinenti, a soltura da Paciente,
se por outro motivo não estiver presa, sem prejuízo da fixação de medidas
cautelares previstas no art. 319 do Código de Processo Penal pelo Juízo
processante, de maneira fundamentada, ou de nova decretação de prisão
provisória, em caso de fato novo a demonstrar a necessidade da medida. STJ -
HC: 478003 SP 2018/0296237-8, Relator: Ministra LAURITA VAZ, Data de
Julgamento: 07/02/2019, T6 - SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJe
28/02/2019.

PENAL. RECURSO EM HABEAS CORPUS. ROUBO


CIRCUNSTANCIADO. RECONHECIMENTO DO ACUSADO POR

Av. Benjamin Constant, nº 433/5, Bairro São Pedro - Boa Vista/RR - CEP 69301-050
FOTOGRAFIA NA DELEGACIA DE POLÍCIA. FASE PROCESSUAL.
AUSÊNCIA DE CERTEZA PELAS VÍTIMAS, QUANDO DO
RECONHECIMENTO PESSOAL DO DENUNCIADO. PRISÃO
PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO COM BASE NA GRAVIDADE

CONCRETA DO DELITO E EM RECONHECIMENTO ANTERIOR.


LAPSO TEMPORAL ENTRE O DELITO E O RECONHECIMENTO
PESSOAL. EXISTÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. 1. Diante da
gravidade em concreto do delito, supostamente cometido pelo recorrente,
porém, considerando o não reconhecimento do recorrente pelas vítimas, na fase
processual, bem como a excepcionalidade da prisão preventiva no sistema
jurídico brasileiro, devido à concessão da liberdade provisória, sem prejuízo de
aplicação das medidas cautelares diversas da prisão, como proposto pelo
Ministério Público, na instância ordinária, o que se mostra adequado, suficiente
e proporcional à presente hipótese. 2. Recurso em habeas corpus provido, para
determinar a concessão da liberdade provisória ao recorrente, sem prejuízo de
aplicação das medidas cautelares diversas da prisão, previstas no art 319 do
Código de Processo Penal, caso assim seja entendido pelo Juízo de Origem. STJ
- RHC: 79448 SP 2016/0321389-1, Relator: Ministro SEBASTIÃO REIS
JÚNIOR, Data de Julgamento: 21/02/2017, T6 - SEXTA TURMA, Data de
Publicação: DJe 02/03/2017)

A regra é o indivíduo responder o processo em liberdade até o trânsito em


julgado, sob pena de se banalizar o instituto da prisão cautelar, instituto este que deve ser usado nos
casos de crimes graves de grande repercussão, O QUE NÃO É O CASO, haja vista o Paciente não
ser um criminoso contumaz, ao contrário é primário, possui bons antecedentes e a dúvida de sua
culpabilidade é evidente.

Por oportuno, o jovem Elissandro, nega a autoria do horrível crime que lhe
fora imputado.

Sem contar ainda, que o “reconhecimento” dele como possível autor só


foi realizado 15 (quinze) dias após o fato. Ocorre que, o curiosos neste caso, é que apesar das
alegações de ambas as vítimas de que prontamente reconheceram o acusado ELISSANDRO
no dia do fato, nem a Sra. Wendy, tampouco o Sr. Eduard, ao serem atendidos pela guarnição
da Polícia Militar, informaram que se tratava do ora acusado como sendo o responsável pelo
crime, conforme relato da testemunha arrolada pelo Ministério Público, o 2º SGT/PM
Lindemberg Vieira de Moura.

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Sem querer adentrar no mérito da persecução penal, cumpre mencionar que,
nos primeiras depoimentos das vítimas na Delegacia, não houve a imputação do crime ao ora

acusado, diferente disso, a vítima Eduard se limitou a descrever os bens roubados, bem como,
afirmou que os autores do delito eram indivíduos que falavam castelhano, portanto, sendo de
origem venezuelana. Ademais, foram incisivos em afirmar que, em decorrência da ESCURIDÃO,
NÃO VISLUMBRARAM OUTRAS CARACTERÍSTICAS dos indivíduos, além da estatura.
Limitando-se a descrever o idioma falado, qual seja, castelhano, conforme consta no Termo de
Declaração abaixo:

No primeiro depoimento das vítimas, as mesmas se limitaram a


mencionar os bens roubados e descrever os autores como “dois indivíduos encapuzados, um
alto magro e outro mais baixo”. Note-se que, em momento algum perante a autoridade

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policial, as vítimas reconheceram o acusado como o autor do delito, conforme consta no ROP
e Boletim de Ocorrência juntados no EP-1.

Registre-se ainda que, o suposto reconhecimento, imputação do crime em


face do ora Paciente, se deu TÃO SOMENTE, no dia 05/09/2019, quando as vítimas afirmam na
delegacia que reconheciam o homem mais alto como sendo o acusado Elissandro. Ocorre que, as
vítimas são idosas, além do fato de que estava escuro e os autores do delito usavam um pano no
rosto, como bem detalhado no bojo do inquérito policial, o que de certo, impossibilitaria duas
pessoas idosas a reconhecerem os dois indivíduos. Some-se a isso, a notícia prestada no dia dos
fatos, de que os indivíduos falavam castelhano, ou seja, de origem venezuelana e não brasileiros,
como o ora acusado.

De outro modo, a manutenção da prisão preventiva de um jovem, primário e


sem qualquer antecedente criminal, junto ao falido sistema prisional local, acarretará danos
irreparáveis ao mesmo, que está em verdadeiro cumprimento antecipado de pena, sem qualquer
sentença penal condenatória, por crime que não cometeu.

PELO EXPOSTO, a presente impetração apresenta-se como o único


remédio capaz de pôr fim a ilegalidade da prisão, seja pela demora injustificada para o julgamento
do paciente; seja por ter cessado e inexistir motivos para a prisão preventiva neste caso, a prisão
transmuda-se em constrangimento ilegal somente remediável por meio do presente habeas corpus.
Por isso, requer a Vossa Excelência, que se digne a CONCEDER LIMINAR DA PRESENTE
ORDEM DE HABEAS CORPUS, revogando-se o mandado de prisão preventiva e ordenando-
se, incontinenti, a revogação da prisão preventiva do paciente ELISSANDRO ALVES DA SILVA,
determinando a expedição do ALVARÁ DE SOLTURA.

Finalmente, confiando ainda no extremado senso de justiça de Vossa


Excelência, espera a concessão da liminar, e, ao final seja a presente ordem julgada procedente com

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a concessão definitiva da ordem de Habeas Corpus, face ao constrangimento ilegal a que está
sofrendo o Paciente, considerando que inexistem motivos para a segregação preventiva.

Pede deferimento

Boa Vista/RR, 30 de dezembro de 2019.

(assinatura digital)
JOSÉ MARI DE AGUIAR SILVA NETO
Advogado – OAB/RR 361-B

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