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ROBINSON e ASSOCIADOS

Peter R. Robinson Júnior


José Maria de Aguiar Silva Neto

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ___◦ VARA DE


FAMÍLIA, SUCESSÕES, ÓRFÃOS, INTERDITOS E AUSENTES DA COMARCA
DE BOA VISTA – RR

AGATHA LORRANY GADELHA DA SILVA, menor


impúbere, neste ato representada por sua genitora, a Sra.
ANDRÉIA GADELHA LOPES, brasileira, casada, portadora da cédula
de identidade nº 233.370 SSP/RR, inscrita no CPF nº
845.198.002-34, residente e domiciliado na Rua Leão, 622,
Bairro Cidade Satélite, Boa Vista-RR, vêm, por intermédio de
seu advogado que esta subscreve, respeitosamente, perante
Vossa Excelência, propor a presente

AÇÃO DE ALIMENTOS

Em face de HIULBY KENNEDY PEREIRA DA SILVA,


brasileiro, casado, inscrito no CPF nº 791.281.062-53,
residente e domiciliado na Av. Princesa Isabel, 1407, Bairro
Buritis, Boa Vista-RR, pelas razões de fato e de direito a
seguir expostas:

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DOS FATOS
A mãe da Requerente conviveu com o Requerido
durante aproximadamente oito anos, ou seja, do ano de 2006 a
maio de 2014

Que desta união nasceu a Requerente, em data de 16


de setembro de 2009, conforme verifica-se da Certidão de
Nascimento em anexo. (doc.)

A sociedade de fato foi rompida por culpa exclusiva


do Requerido, quando este abandonou o lar para viver uma
relação amorosa com outra mulher. Em consequência dessa
atitude, sempre que se encontravam ocorriam desentendimentos,
ocasiões em que o Requerido muitas vezes, ofendia verbalmente,
restando assim comprovada a impossibilidade da vida em comum.

O dever de sustento está perfeitamente


caracterizado, pois o Réu é pai da autora (doc.).

A mãe da Requerente não está em condições de


suportar sozinha os encargos alimentares e não tem condições
de sustentá-los.

Desnecessário dizer que, ante a diferença e o


descaso do Réu quanto à sorte de sua própria filha, vem a
Autora, passando por inúmeras privações, pois os rendimentos
de sua mãe não são suficientes para atender a todos os
reclamos oriundos da sua manutenção e sustento, necessitando
da colaboração paterna.

Assim, somente a fixação judicial dos alimentos,


poderá atender ao menos as necessidades elementares da Autora,
porquanto, cabe também ao Pai, ora Réu, esta obrigação que
decorre da Lei e da moral.

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O Requerido é proprietário de empresa, que tem como
atividade de finanças, e também como autônomo, auferindo
destes serviços, um salário de aproximadamente R$7.000,00
(sete mil reais) por mês, valor este suficiente para prestar
alimentos a sua filha, cumprindo, desta forma, com seu dever
de pai.

PRELIMINARMENTE
Requer a Autora que lhe sejam concedidos os
benefícios da Justiça Gratuita, com fulcro no disposto ao
inciso LXXIV, do art. 5º da Constituição Federal e na Lei nº.
1.060/50, em virtude de ser pessoa pobre na acepção jurídica
da palavra e sem condições de arcar com os encargos
processuais, sem prejuízo de seu próprio sustento e de sua
família.

DO DIREITO

É direito preliminar do ser humano a sobrevivência,


e constitui meios fundamentais para a sua realização os
alimentos, o vestuário, o abrigo, e inclusive a assistência
médica no momento em caso de doença.

Vemos na presente Ação, as dificuldades que vem


passando a genitora da Requerente, que mantém sua filha sob
sua guarda e proteção exigindo assim, sacrifício
extraordinário desde o rompimento de sua união com o Réu, pois
a si cabe o encargo, haja vista a necessidade da presença da
figura materna na formação da personalidade da filha menor.

É interesse do Estado assegurar a proteção das


gerações novas, pois elas constituem matéria-prima da
sociedade futura, e assim se espera que o Estado diga, no caso

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em tela, o direito da Requerente exercendo desta forma a
jurisdição que lhe compete.

Indeclinável é o dever do Requerido em prestar


alimentos a filha menor, que necessita atualmente de pelo
menos um salário mínimo e meio a mais por mês, para a
manutenção e sobrevivência de ambos, sendo que o pai tem
condições financeiras para satisfazer o valor pedido.

O pedido formulado é juridicamente possível, uma


vez que contém todos os requisitos indispensáveis à sua
eficácia.

A ação de alimentos é disciplinada pela Lei nº


5.478/68 e o seu artigo 2º, prevê que o credor "exporá suas
necessidades, provando apenas, o parentesco ou a obrigação de
alimentar ao devedor...".

No caso da Requerente, resta demonstrado seu estado


de necessidade e o fato de sua representante não poder prover
o seu sustento, e, ainda, é filha do casal, conforme faz prova
as cópias das certidões de nascimento anexas.

Com base nos ensinamentos de Orlando Gomes e Maria


Helena Diniz, os alimentos podem ser conceituadas como as
prestações devidas para a satisfação das necessidades pessoais
daquele que não pode provê-las pelo trabalho próprio. O
pagamento desses alimentos visa à pacificação social, estando
amparado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da
solidariedade familiar, ambos de índole constitucional.

Diante dessa proteção máxima da pessoa humana,


precursora da personalização do Direito Civil, o art. 6◦ da
CF/1988 serve como uma luva para preencher o conceito de
alimentos,

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Feitas estas considerações, tem-se que a prestação
alimentícia é medida de justiça, vez que esta obrigação do
Requerido ficou demonstrada.

Aliás, sobre a violação desses bens que ornam a


personalidade da parte Autora, desnecessária é qualquer prova
da repercussão do gravame, bastando o ato em si. Nesse sentido
tem se posicionado a jurisprudência dominante de nossos
tribunais:

97010716 - APELAÇÕES CÍVEIS. AÇÃO DE ALIMENTOS. APELO


PRINCIPAL. VALOR DOS ALIMENTOS. Desproporcionalidade
constatada. Majoração necessária. Pedido de inclusão em
plano de saúde. Inovação em sede de recurso. Análise
impossibilidade sob pena de supressão de instância.
Recurso adesivo: não conhecido. Ausência do preparo.
Recurso principal parcialmente provido. (TJRR; AC
0010.13.714131-2; Câmara Única; Relª Juíza Conv. Elaine
Cristina Bianch; DJERR 08/07/2014; Pág. 46)

97010405 - DIREITO DE FAMÍLIA. AÇÃO DE ALIMENTOS.


FIXAÇÃO DOS ALIMENTOS PROVISÓRIOS NO PATAMAR DE 10% DOS
RENDIMENTOS DO AGRAVANTE PARA CADA AGRAVADO. MINORAÇÃO
DO ENCARGO ALIMENTAR PROVISÓRIO. IMPOSSIBILIDADE.
INTELIGENCIA DO ART. 1.694, § 1º, DO CÓDIGO CIVIL.
DECISÃO MANTIDA. AGRAVO DESPROVIDO. 1. O credor,
pessoalmente, ou por intermédio de advogado, dirigir-se-
á ao juiz competente, qualificando-se, e exporá suas
necessidades, provando, apenas o parentesco ou a
obrigação de alimentar do devedor, indicando seu nome e
sobrenome, residência ou local de trabalho, profissão e
naturalidade, quanto ganha aproximadamente ou os
recursos de que dispõe (lei nº 5.478/68: art. 2º). 2. Ao
despachar o pedido, o juiz fixará desde logo alimentos
provisórios a serem pagos pelo devedor, salvo se o
credor expressamente declarar que deles não necessita.
(lei nº 5.478/68: art. 4º). 3. O objetivo dos alimentos
provisórios é propiciar meios para que a ação seja

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proposta e prover a mantença do alimentando e seus
dependentes durante o curso do processo, todavia, os
alimentos devem ser fixados na proporção das
necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa
obrigada (cc: §1ª, do artigo 1694). 4. Temerária a
minoração da pensão alimentícia sem que haja prova
convincente sobre a desnecessidade dos credores, bem
como a redução expressiva das condições financeiras do
devedor. 5. Essa averiguação deverá ser feita em sede de
instrução, em fase processual adequada. 6. Agravo
conhecido e não provido. (TJRR; AI 0000.13.001734-6;
Câmara Única; Rel. Juiz Conv. Leonardo Cupello; DJERR
20/06/2014; Pág. 6)

TJ-SC - Apelação Cível AC 609764 SC 2009.060976-4 (TJ-


SC) Ementa: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE ALIMENTOS. SENTENÇA
QUE ARBITROU A VERBA ALIMENTAR EM 1,5 SALÁRIOS MÍNIMOS.
ALIMENTANDA FREQÜENTANDO CURSO SUPERIOR EM PERÍODO
INTEGRAL. NECESSIDADE DE MAJORAÇÃO COMPROVADA.
ALIMENTANTE EMPRESÁRIO. RENDA SUPERIOR À COMPROVADA.
SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA. POSSIBILIDADE EM
CONTRIBUIR COM O SUSTENTO DA FILHA. MAJORAÇÃO PARA 2,5
(DOIS E MEIO) SALÁRIOS MÍNIMOS QUE SE IMPÕE. RESPEITO AO
PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE, E RESGUARDO AO BINÔMIO
POSSIBILIDADE/NECESSIDADE. QUEBRA DE SIGILO QUANTO AOS
RENDIMENTOS DA EMPRESA DO GENITOR. DESNECESSIDADE.
RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. É cediço que
os alimentos devem ser fixados de acordo com a
necessidade de quem pleiteia e com a possibilidade de
quem é obrigado a suportá-los, atendendo ao binômio
necessidade/possibilidade, estabelecido no § 1º do art.
1694 do Código Civil . "À míngua de provas específicas
quanto aos rendimentos reais do alimentante, deve o
magistrado, na tarefa de fixação dos alimentos, valer-se
dos sinais exteriores de riqueza daquele, a denotarem,
ante a visão de seu patrimônio e de seu modo de vida, o
seu verdadeiro poder aquisitivo, mormente quando se
tratar de empresário ou de profissional liberal, dada a
pouca credibilidade das declarações unilaterais feitas

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por eles, em Juízo, a respeito de seus rendimentos
mensais." (Ag. de inst. n. , de Itajaí, Relator: Des.
Luiz Carlos Freyesleben.) É discricionária do juiz a
seleção de quais provas são indispensáveis à instrução e
ao julgamento da lide (inteligência do artigo 130 do CPC
), e, tendo encontrado nos autos elementos suficientes
para decidir a questão, mormente na prova documental e
testemunhal até então carreada, não há se falar em
juntar aos autos cópias de livros de registros contábeis
da empresa do genitor.

94520264 - AÇÃO DE ALIMENTOS EM FAVOR DE FILHO MENOR.


REDUÇÃO DOS ALIMENTOS PROVISIONAIS. AUSÊNCIA DE PROVA.
PRESSUPOSTOS. POSSIBILIDADE/NECESSIDADE. AUSÊNCIA DE
ELEMENTOS. INTERESSE DO MENOR. Não havendo comprovação
nos autos da possível incapacidade da parte alimentante
em pagar os alimentos provisórios à filha menor no
patamar fixado, inexistindo elementos que demonstrem que
a decisão poderá comprometer a subsistência do devedor,
deve-se manter o arbitramento, posto que, nos termos do
art. 1.694, § 1º, do Código Civil, a verba alimentar
deve ser arbitrada de modo a promover, de modo
equilibrado, a proporcionalidade ideal entre as
necessidades do alimentando e a capacidade contributiva
de alimentante. (TJMG; AI 1.0481.13.005065-3/001; Rel.
Des. Duarte de Paula; Julg. 14/08/2014; DJEMG
21/08/2014)

Ante a resistência pela prestação alimentícia


mensal, pelo Requerido, não resta outra opção a Requerente
senão buscar através do presente pedido a necessária prestação
jurisdicional, a fim de proteger o direito de sua filha.

DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

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Por todo exposto, restando evidenciado o direito
inexpugnável dos Requerentes, requer a Vossa Excelência:

1. A citação do Requerido, no endereço supracitado, para


responder a presente Ação de Alimentos, nos termos da Lei
nº 5.478/68., sob pena de revelia, além de confissão
quanto à matéria de fato segundo procedimento daquele
instrumento.

2. A concessão dos benefícios da Gratuidade de Justiça, uma


vez que a representante dos Requerentes não tem condições
de pagar as custas do processo, sem prejuízo do sustento
próprio e de sua família.

3. A intervenção no feito, do ilustre Representante do


Ministério Público que atua nessa Vara.

4. A procedência do pedido para condenar o requerido ao


pagamento de alimentos a filha, ora Requerentes, em
definitivo, conforme dispõe a Lei nº 5.478/68, pois, na
sua profissão, a renda lhe proporciona condições para
efetuar tal pensão.

5. A fixação de alimentos no valor de 2 (dois) salários


mínimos, totalizando o valor de R$1.448,00 (um mil
quatrocentos e quarenta e oito reais) com base no
disposto no Art. 4º da Lei nº 5.478/68, que deverá ser
depositado em conta corrente em nome da representante
legal da Requerente.

6. A condenação do Requerido nas custas e honorários


advocatícios, este último segundo o prudente arbítrio de
Vossa Excelência.

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7. Protesta provar o alegado, por todos os meios de provas
em direito admitidas, em especial a oitiva de testemunhas

8. e o depoimento pessoal do requerido, sob pena de


confesso.

Dá-se à causa o valor de R$ 17.376,00 (dezessete mil


trezentos e setenta e seis reais).

Termos em que,
Pede deferimento.

Boa Vista-RR, 27 de Agosto de 2014.

Peter Reynold Robinson Jr. José M. de Aguiar Neto


Advogado OAB-RR 556 Advogado OAB-RR 361B

Smiller Carvalho
Acadêmico de Direito

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