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EXMA SR.

(A) JUÍZ(A) DE DIREITO DO JUIZADO ESPECIAL CIVEL DA


COMARCA DE TERESINA-PI.

MARDONIO DA SILVA DIOGO, brasileiro, divorciado, comerciante, R.G. nº


1423950 SSP-PI, inscrito no CPF nº 591.523.893-91, residente na Rua
Riachuelo, 413, Centro/Norte, CEP: 64.000-050, Teresina/PI, fone (86) 99491-
1790, email: msdiogo1975@gmail.com, vem, perante V. Exa. Propor a seguinte

AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR COBRANÇA INDEVIDA C/C REPARAÇÃO


POR DANOS MORAIS E PEDIDO DE LIMINAR.

em face da empresa EQUATORIAL PIAUÍ DISTRIBUIDORA DE ENERGIA,


pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ nº 06.840.748/0001-89,
inscrição estadual nº 193013835 situada à Rua João Cabral, 730, Centro/Sul,
Teresina/PI, CEP 64.001-010, pelos fatos, motivos e fundamentos a seguir
expostos:

PRELIMINARMENTE
DA GRATUIDADE DA JUSTIÇA

Inicialmente, cumpre noticiar que a REQUERENTE é pessoa pobre sem


condições de arcar com as custas processuais e honorários advocatícios, nos
termos do art. 98 do CPC, assim requerendo a concessão do benefício da
gratuidade da justiça.
DOS FATOS

O REQUERENTE acima qualificado é consumidor de energia


elétrica no endereço supra citado perante a REQUERIDA sob o Código Único
nº 0053553-2, o qual mantem todas suas faturas de energia elétrica
regulamente quitadas desde a religação em 14/05/2019.
O REQUERENTE tem estabelecimento comercial de bar e
restaurante, denominado Lanchonete O Toinho, precisando de energia elétrica
continuamente, haja vista a necessidade de refrigeração de bebidas e
conservação de alimentos.
Acontece que no período de 2016 a 2018, o REQUERENTE,
permissionário da Loja 15 e os demais permissionários da parte externa do
Mercado Central de Teresina (Mercado São José) fomos obrigados a
entregamos os devidos pontos comerciais por conta de uma reforma na parte
externa, onde ficam localizadas tais Lojas.
No mês de 08/2016, logo após me retirar do ponto comercial,
solicitei o desligamento da energia elétrica devido à desocupação da Loja que
eu teria que sofrer por conta da reforma.
Passado o Tempo, o Prefeito de Teresina, Firmino Filho, nos
entregou a obra em 11/2018 e fomos realocados nas Lojas, nesse período
tivemos que usar a energia elétrica do relógio geral do contador de energia do
Mercado Central, cuja referida loja 15 também faz parte, por conta que foi
constatado pela empresa requerida que os quadros de energia elétrica
estavam fora do padrão de energia elétrica exigido pela mesma, ocasionando,
assim, um atraso no fornecimento de energia.
No mês de 05/2019 já com todos os permissionários devidamente
alocados em suas determinadas Lojas recebemos a informação da Equatorial
de que já se encontrava tudo regularizado e que deveríamos pedir a religação
da energia elétrica.
No dia 09/05/2019 fiz a solicitação de religação da energia elétrica
sendo efetuada dia 14/05/2019, sendo que em todo esse período de
informação, solicitação e religamento não nos foi informado nenhuma
irregularidade ou corte de fornecimento, pois a requerida tinha pelo
conhecimento que utilizávamos a energia fornecida pelo mercado central, como
todos os demais permissionários do prédio público.
Essa energia utilizada foi devidamente cobrada no contador de
energia geral do Mercado durante esse período, reforça-se mais uma vez aqui
que essa energia foi utilizada também por todos os outros permissionários do
Mercado Central de Teresina e pela Construtora Responsável pela Reforma,
não havendo assim nenhuma irregularidade e prejuízo para Equatorial.
Vale ressaltar aqui que os permissionários da parte interna utilizam a
energia fornecida pelo Mercado Central, não havendo conta invidualizada para
cada um.
Agora no mês 05/2021 recebo uma conta de cobrança retroativa do
período de 11/2018 a 04/2019 no valor total de R$ 3.133,91 ( Três Mil Cento
Trinta Três Reais e Noventa Um Centavos) sendo que nesse período
estávamos impedidos de pedir religamento por conta da finalização das obras
onde se encontrava o quadro geral dos relógios contadores de energia das
Lojas. DETALHE: NÃO HAVIA SEQUER CONTRATO DE FORNECIMENTO
DE ENERGIA ATIVO, HAJA VISTA A REQUERIDA NÃO REATIVOU A
NOVA LIGAÇÃO COMO SOLICITADO PELO REQUERENTE.
Dos Fatos relatados aqui a Equatorial estava ciente em todo esse
período pelo simples fato de seus funcionários no ato da informação de
religamento, solicitação de religamento e religamento comprovarem o uso de
energia do Mercado central.
Diante disso, o REQUERENTE bate as portas do Poder Judiciário a
fim de evitar um pagamento indevido, ao passo que evidentemente não utilizou
energia elétrica fornecida pela REQUERIDA, portanto, fazendo jus ao a
indenização por cobrança indevida, ao dano moral e concessão de medida
liminar para suspender o pagamento da dívida indevida, evitar o corte da
energia elétrica e a não negativação do nome do REQUERENTE nas
empresas responsáveis por proteção ao crédito.

DO DIREITO

"Havendo dano, produzido injustamente na esfera alheia, surge a


necessidade de reparação, como imposição natural da vida em sociedade e,
exatamente, para a sua própria existência e o desenvolvimento normal das
potencialidades de cada ente personalizado. É que investidas ilícitas ou
antijurídicas ou circuito de bens ou de valores alheios perturbam o fluxo
tranquilo das relações sociais, exigindo, em contraponto, as reações que o
Direito engendra e formula para a restauração do equilíbrio rompido.” (Carlos
Alberto Bittar)

Dois foram os ilícitos cometidos pela REQUERIDA, vejamos:

1º – DA COBRANÇA INDEVIDA E DO DEVER DE INDENIZAR

Num primeiro momento a REQUERIDA fez cobrança indevida ao


REQUERENTE, no momento em que lançou debito de energia elétrica no valor
de R$ 3.133,91 (Três Mil Cento Trinta Três Reais e Noventa Um Centavos)
sendo que o requerente não usufruía do produto fornecido pela empresa de
energia elétrica, usando, sim, energia fornecida pelo Mercado Central e paga
pela Prefeitura de Teresina, como todos os permissionários ali alocados até o
desenrolar do conflito feito entre, Prefeitura, Construtora responsável pela
reforma e Equatorial sobre a adequação dos quadros de energia nos padrões
exigidos.
Vale ressaltar aqui que entre o pedido de nova ligação e a efetiva
ligação da energia elétrica passaram-se 06 (seis) meses, sendo que a
REQUERIDA resolveu por ato próprio cobrar energia desse período sem haver
contrato de fornecimento de energia ativo, por simplesmente achar que a
energia que estávamos usando era fruto de ligação indevida e com base na
media dos aparelhos elétricos usado no estabelecimento comercial.
Excelência, em momento algum foi utilizada energia fornecida
diretamente pela REQUERIDA, TODA ENERGIA, DURANTE ESSE PERIODO,
FOI FORNECIDA GENTIMENTE PELA ADMINISTRAÇÃO DO MERCADO
CENTRAL COM INFORMADO ACIMA.
Portanto, impõe-se à REQUERIDA, por ter cobrado quantia
indevida de forma negligente, por não observar o que prescreve a legislação
em vigor, a obrigação de indenizar o REQUERENTE, de acordo com os
mandamentos legais.

Vejamos o que diz o Código Civil Brasileiro:


“Art. 940. Aquele que demandar por dívida já paga, no todo ou em
parte, sem ressalvar as quantias recebidas ou pedir mais do que for devido,
ficará obrigado a pagar ao devedor, no primeiro caso, o dobro do que houver
cobrado e, no segundo, o equivalente do que dele exigir, salvo se houver
prescrição”.

Na mesma linha, vêm se manifestando alguns de nossos


tribunais:

“(...) Portanto, inexigível a quantia indicada no demonstrativo de


débito. A restituição em dobro do que foi indevidamente exigido é igual cabível,
nos termos do art. 940 do Código Civil, não havendo qualquer justificativa para
isentar a parte da penalidade imposta”.(Proc. Nº 54/2004, Itus, 7 de junho de
2.004, J. D. ANDREA RIBEIRO BORGES, fonte: Revista Consultor Jurídico)

Cabe ressaltar a CULPA da REQUERIDA, tendo em vista que


agiu de forma omissa ao efetuar um débito sem ao menos haver contrato de
prestação de fornecimento de energia elétrica no período de 06 (seis) meses
anterior a efetiva ligação e não estando o REQUERENTE utilizado a energia
da REQUERIDA.

O Código de Defesa do Consumidor cita:

“Da Cobrança de Dívidas -

Art. 42. Na cobrança de débitos, o consumidor inadimplente não


será exposto a ridículo, nem será submetido a qualquer tipo de
constrangimento ou ameaça.
Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia indevida tem
direito à repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que
pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros
legais, salvo hipótese de engano justificável.

Art. 42-A. Em todos os documentos de cobrança de débitos


apresentados ao consumidor, deverão constar o nome, o
endereço e o número de inscrição no Cadastro de Pessoas
Físicas – CPF ou no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica –
CNPJ do fornecedor do produto ou serviço correspondente.”

2º - DO DANO MORAL

De imediato, percebe-se que a REQUERIDA deliberadamente


atingiu e molestou a integridade moral do REQUERENTE, no momento que
este se viu na condição de devedor por erro da REQUERIDA, lançando débito
totalmente inexistente e colocando em dúvida a honestidade do
REQUERENTE, pois foi praticamente, mesmo de forma indireta, insinuou que
REQUERENTE estava furtando energia elétrica.
A REQUERIDA deve responder pela lisura em suas cobranças,
tomando para tanto, todas as medidas cabíveis para evitar prejuízos ao
consumidor. É notória a falha de procedimento da mesma ao cobrar dívida
inexistente, devendo, portanto, assumir pelos danos decorridos.
Traz-se a lume fundamento do ato ilícito previsto no Art. 186 do
Novo Código Civil, segundo o qual:

"Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária,


negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem,
ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”.

Envidando-se novamente pelo Código de Defesa do Consumidor,


no que se refere aos direitos básicos do consumidor, Art. 6º, inciso VI:

“a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais,


individuais, coletivos e difusos”.

Posto isto, postula coerentemente o REQUERENTE por cumular


pedido de repetição de indébito com indenização por danos morais
caracterizados pelos fatos narrados.
A Magna Carta em seu art. 5º consagra a tutela do direito à
indenização por dano material ou moral decorrente da violação de direitos
fundamentais, tais como a honra e a imagem das pessoas:
"Art. 5º (...) - X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a
honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a
indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua
violação;(...)”.

Assim, a Constituição garante a reparação dos prejuízos morais e


materiais causados ao ser humano. Este dispositivo assegura o direito da
preservação da dignidade humana, da intimidade, da intangibilidade dos
direitos da personalidade.
Dessa forma, o Art. 186 do CÓDIGO CIVIL define o que é ato
ilícito, entretanto, observa-se que não disciplina o dever de indenizar, ou seja, a
responsabilidade civil, matéria tratada no art. 927 do mesmo Código.
Sendo assim, é previsto como ato ilícito àquele que cause dano,
ainda que, exclusivamente moral. Faça-se constar Art. 927, caput, do mesmo
diploma legal:

"Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano
a outrem, fica obrigado a repará-lo."

Os Tribunais pátrios já decidiram casos análogos ao presente,


consolidando entendimento no sentido ao cabimento da indenização pela
cobrança indevida a clientes de bancos:
O STF tem proclamado que" a indenização, a título de dano
moral, não exige comprovação de prejuízo "(RT 614/236), por ser este uma
consequência irrecusável do fato e um" direito subjetivo da pessoa ofendida
"(RT 124/299).
As decisões partem do princípio de que a prova do dano (moral)
está no próprio fato, "não sendo correto desacreditar na existência de prejuízo
diante de situações potencialmente capazes de infligir dor moral. Esta não é
passível de prova, pois está ligada aos sentimentos íntimos da pessoa. Assim,
é correto admitir-se a responsabilidade civil, p. ex., na maioria dos casos de
ofensa à honra, à imagem ou ao conceito da pessoa, pois subentendem-se
feridos seus íntimos sentimentos de auto-estima (CRJEC, 3ª Turma, Rec.
228/98, rel. Juiz Demócrito Reinaldo Filho, j. 20.08.98, DJ 21.08.98). Como já
proclamava José de Aguiar Dias, nesses casos "acreditar na presença de dano
é tudo quanto há de mais natural" (Da Responsabilidade Civil, vol. II, p. 368).
Sobre dano moral a Egrégia Corte do Superior Tribunal de Justiça
entende que:

“Ementa: Dano moral puro. Caracterização. Sobrevindo em razão


de ato ilícito, perturbação nas relações psíquicas, na
tranqüilidade, nos entendimentos e nos afetos de uma pessoa,
configura-se o dano moral, passível de indenização. (STJ, Min.
Barros Monteiro, T. 04, REsp 0008768, decisao 18/02/92, DJ
06/04/1998, p. 04499)”.

O dano causado ao REQUERENTE, é o chamado Dano Direto,


ou seja, lesão específica de um direito mora ou patrimonial. Neste sentido,
podemos afirmar que para a caracterização dos danos moral e consequente
responsabilização do autor, é necessária a concorrência simultânea de três
requisitos: a ocorrência do dano, a culpa do agente e o nexo de causalidade
entre o dano e o ato lesivo praticado pelo ofensor, sendo que a falta de um
deles impede o deferimento da indenização.
A personalidade do indivíduo é o repositório de bens ideais que
impulsionam o homem ao trabalho e à criatividade e ocupações habituais. As
ofensas a esses bens imateriais redundam em dano extra-patrimonial,
suscetível de reparação.
Com efeito, em situações que tais, o ato lesivo afeta a
personalidade do indivíduo, sua honra, sua integridade psíquica, seu bem-estar
íntimo, suas virtudes, enfim, causando-lhe mal-estar ou uma indisposição de
natureza espiritual. Sendo assim, a reparação, nesses casos, reside no
pagamento de uma soma pecuniária, arbitrada pelo consenso do juiz, que
possibilite ao lesado uma satisfação compensatória da sua dor íntima, e
compense os dissabores sofridos pela vítima, em virtude da ação ilícita do
lesionador.
Assim, todo mal infligido ao estado ideal das pessoas, resultando
mal-estar, desgostos, aflições, interrompendo-lhes o equilíbrio psíquico,
constitui causa suficiente para a obrigação de reparar o dano moral. O dinheiro
proporciona à vítima uma alegria que pode ser de ordem moral, para que
possa, de certa maneira, não apagar a dor, mas mitigá-la, ainda com a
consideração de que o ofensor cumpriu pena pela ofensa, sofreu pelo
sofrimento que infligiu.
Não vai estar pagando a dor nem se lhe atribuindo um preço, e
sim, aplacando o sofrimento da vítima, fazendo com que ela se distraia, se
ocupe e, assim supere a sua crise de melancolia.
Para que se amenize esse estado de melancolia, de desânimo, há
de se proporcionar os meios adequados para a recuperação da vítima. Quais
são esses meios? Passeios, divertimentos, ocupações, cursos, a que CUNHA
GONÇALVES chamou de “sucedâneos”, que devem ser pagos pelo ofensor ao
ofendido.
Na avaliação do dano moral, o juiz deve medir o grau de sequela
produzido, que diverge de pessoa a pessoa. A humilhação, a vergonha, as
situações vexatórias, devem somar-se nas conclusões do magistrado para que
este saiba dosar com justiça a condenação do ofensor.
Há ofensor, como no caso em tela, que age com premeditação,
usando de má-fé, pois os funcionários da REQUERIDA sabiam da utilização da
energia do Mercado Central, com o intuito unicamente de prejudicar o
REQUERENTE, para arranhar a honra, a boa fama, e o patrimônio do
ofendido. Neste caso, a condenação deve atingir somas mais altas, trazendo
não só a função compensatória ao REQUERENTE, mas também o caráter
punitivo e desestimulante à REQUERIDA.
Não se pode em plena democracia permitir que pessoas tenham
sua vida privada atacada, seu patrimônio dilapidado, sua honra atingida pela
irresponsabilidade de determinados setores que se julgam acima das Leis e
insuscetíveis de qualquer controle.
No caso sub judice, uma vez que fora escolhido o procedimento
da Lei 10.259/01, deve-se ter como o parâmetro para a fixação do quantum
indenizatório o valor admitido no art. 3º, da referida lei, ou seja, 30 (trinta)
salários mínimos, a fim de que a REQUERIDA, ao menos sinta em seu bolso o
tamanho do dano que infligiu ao REQUERENTE.
A responsabilidade da REQUERIDA é a denominada objetiva,
onde não há a necessidade da prova da culpa, bastando à existência do dano,
da conduta e do nexo causal entre o prejuízo sofrido e a ação do agente.
Conforme verifica-se, a obrigação de indenizar o REQUERENTE,
encontra amparo na doutrina, legislação e jurisprudência de nossos Tribunais,
restando sem dúvidas a obrigação de indenizar da REQUERIDA.
Quanto a teoria do desestimulo trazemos a baila o entendimento
da Jurisprudência, em especial, a do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás:

APELAÇÃO CÍVEL. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS.


INSTITUIÇÃO BANCÁRIA. RELAÇÃO DE CONSUMO.
RESPONSABILIDADE OBJETIVA. DEFEITO NA PRESTAÇÕA
DO SERVIÇO. DEVOLUCAO INDEVIDA DE CHEQUE
SUSTADO. DANO MORAL. COMPROVADO.
DESNECESSIDADE DE PROVA. FIXAÇÃO DO QUANTUM
INDENIZAT モ RIO. MAJORAÇÃO. 1. A luz do Código de Defesa
do Consumidor, INDEPENDE DA DEMONSTRAÇÃO DE CULPA
a responsabilidade civil da instituição financeira que não toma
precauções mínimas a segurança do consumidor. 2.
Caracterizado defeito na prestação do serviço bancário
consubstanciado na devolução de cheque do correntista por
insuficiência de fundos, ainda que com ordem de sustação,
impõe-se a condenação pelo resultado lesivo na forma de
indenização por danos morais. 3. O arbitramento do valor
indenizatório deve ser feito de forma moderada e criteriosa,
levando-se em conta a extensão do dano, a condição financeira
das partes e o grau de culpabilidade da instituição financeira DE
MODO A ATENDER O CARÁTER PUNITIVO DA
CONDENACÃO, sem causar enriquecimento ilícito da lesada.
Logo, deve-se majorar a verba indenizatória quanto a arbitrada
em valor irrisório que não repare o abalo efetivamente sofrido.
Apelo e recurso adesivo conhecidos. O primeiro parcialmente
provido e o segundo improvido. (TJ-GO, 4ª Câmara Cível, recurso
114086-9/188 – Apelação Cível, Processo n.º 200703027497, DJ
n.º 15137 de 04/12/2007, Relator: Dr. Jair Xavier Ferro). (Grifos
nossos).
PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO. INDENIZAÇÃO POR DANOS
MORAIS. INSCRIÇÃO INDEVIDA EM ÓRGÃOS DE PROTEÇÃO
AO CRÉDITO. QUANTUM INDENIZAÓRIO. I - A instituição
bancária que promove indevida inscrição de correntista nos
cadastros de restrição ao crédito responde pela reparação do
dano moral dela decorrente, exigindo-se como prova do dano, tão
somente a demonstração da inscrição irregular. II - Na
quantificação da indenização por dano moral são levadas em
consideração circunstancias como o grau de culpa do ofensor, a
gravidade da ofensa, situação econômica, grau de instrução e
formação das partes. Revelado insuficiente o quantum a indenizar
segundo os critérios apontados, merece majoração. III - Apelo
provido. (TJ-GO, 4ª Câmara Cível, recurso 112830-9/188 –
Apelação Cível, Processo n.º 200702368312, DJ n.º 15132 de
27/11/2007, Relatora: Dra. Beatriz Figueiredo Franco).

RESPONSABILIDADE CIVIL. DANO MORAL. DUPLA FUNÇÃO


DA INDENIZAÇÃO. FIXAÇÃO DO QUANTUM DEVIDO.
Considera-se de natureza grave a perda do companheiro e do pai
cuja vida foi ceifada em pleno verdor dos anos. A indenização do
dano moral tem DUPLA FUNÇÃO: REPARATÓRIA E
PENALIZANTE. Se a indenização pelo dano moral visa
compensar o lesado com algo que se contrapõe ao sofrimento
que lhe foi imposto, justo que para aplacar os grandes
sofrimentos, seja fixada indenização capaz de propiciar aos
lesados grandes alegrias. (Ap. Cível nº. 44.676/97 - 5ª. Turma
Cível do TJDF, Relatora Des. Carmelita Brasil).

A ideia de que o dano simplesmente moral não indenizável


pertence ao passado. Na verdade, após muita discussão e resistência, acabou
impondo-se o princípio da reparabilidade do dano moral. Quer por ter a
INDENIZAÇÃO A DUPLA FUNÇÃO REPARATÓRIA E PENALIZANTE, quer
por não se encontrar nenhuma restrição na legislação privada vigente em
nosso País. (RSTJ 33/513 - Resp. 3 220-RJ - registro 904 792, trecho do voto
do relator Ministro Cláudio Santos) A reparação do dano moral tem natureza
também punitiva, aflitiva para o ofensor, com o que tem a importante função,
entre outros efeitos, de evitar que se repitam situações semelhantes...
(RJTARGS, 164/312).

DO POSSÍVEL ENRIQUECIMENTO ILÍCITO DA REQUERIDA CASO HAJA O


PAGAMENTO DO DÉBITO.

No caso em análise, a REQUERIDA visa receber a quantia


referente ao uso de energia elétrica de maneira indevida, haja vista que não foi
em momento algum fornecida energia elétrica ao REQUERENTE, seja pelo
fornecimento por parte da administração do Mercado Central e seja pela não
assinatura de contrato para tal provimento de energia elétrica.
A nosso ver, a obrigação oriunda do enriquecimento ilícito se
funda no princípio geral de Direito segundo o qual ninguém se pode locupletar,
à custa de outrem, sem uma causa jurídica. Esse fundamento é tanto
doutrinário como de direito positivo. Doutrinário, porque assenta,
alicerçadamente, no direito natural; positivo, porque encontra base no art. 4º da
Lei de Introdução ao Código Civil.
Sérgio Savi, a seu turno, explica que a função do enriquecimento
sem causa é a de remover o enriquecimento; portanto, em que pese também
haja a remoção do dano, esta acontece de forma indireta, e até eventual.
Assim: “O que provoca aqui a reação do ordenamento é a vantagem ou
aumento injustificado do patrimônio de ‘A’ (enriquecido), e não a possível perda
ou diminuição verificada no patrimônio de ‘B’ (empobrecido)”
Portanto, Excelência, o pagamento do débito de energia elétrica
cobrado pela REQUERIDA é enriquecer a REQUERIDA sem uma causa justa,
haja vista que os valores utilizados pelo REQUERENTE no período de 06 (seis)
meses foi pago de maneira indireta na conta de energia do Mercado Central de
Teresina, ou seja, a REQUERIDA ira receber valores em duplicidade, o que de
fato a enriquece ilicitamente e empobrece o REQUERENTE.

DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA

É sabido que, em se tratando de situações em que uma das


partes encontra-se em posição de desigualdade jurídica, sendo obrigada a
submeter-se à vontade da parte "mais forte", perfeitamente aplicável a inversão
do ônus da prova.
Prescreve a norma do art. 4º, I, do CDC:

Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por


objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o
respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus
interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem
como a transparência e harmonia das relações de consumo,
atendidos os seguintes princípios:
I - reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado
de consumo.

Ratificando o entendimento da vulnerabilidade do consumidor, o


art. 6º, VIII, CDC, o qual reproduzimos:

Art. 6º São direitos básicos do consumidor:


VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a
inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando,
a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele
hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências.

Por último, ressalte-se que a comprovação da existência do débito


cabe à ré. Entender diferente, é imputar ao autor a responsabilidade de
produzir prova negativa/diabólica, o que é inaceitável.

DA LIMINAR PARA SUSPENSÃO DA COBRANÇA, NÃO INTERRUPÇÃO


DO FORNECIMENTO DE ENERGIA E NÃO NEGATIVAÇÃO DO NOME DO
REQUERENTE NAS EMPRESAS DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO

Os danos causados são irreparáveis. O REQUERENTE não pode


continuar submetido às práticas abusivas da REQUERIDA, exacerbado por
cobranças indevidas na forma descrita nesta petição. É inconcebível que as
exigências continuem e com isso o consequente corte no fornecimento de
energia elétrica será prejudicial a atividade econômica exercida pelo
REQUERENTE, que precisa dela pra prover seu estabelecimento e o sustento
de sua família, assim como a inscrição indevida do nome do REQUERENTE
em estabelecimentos de proteção ao crédito.
Assim preceitua o Código Civil:

Art. 84. Na ação que tenha por objeto o cumprimento da


obrigação de fazer ou não fazer, o juiz concederá a tutela
específica da obrigação ou determinará providências que
assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento.

Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver


elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de
dano ou o risco ao resultado útil do processo.

Posto isto, está demonstrado em toda petição o FUMUS BONI


IURIS, pois a REQUERIDA não pode se locupletar de um produto que não
forneceu (energia elétrica) para com isso enriquecer ilicitamente e o
PERICULUM IN MORA, pois o corte no fornecimento de energia elétrica ira
trazer prejuízos e danos irreparáveis ao REQUERENTE, que tira do
estabelecimento comercial o sustento de sua família.
Cabe lembrar que todas as contas de energia elétrica junto a
REQUERIDA estão devidamente quitadas, sem atrasos desde o religamento
ordinário realizado pela REQUERIDA em 14/05/2019.
Assim presentes e devidamente demostrados o fumus boni iuris e
periculum in mora para a concessão da liminar é medida justa e com isso a
tutela antecipada é necessária para a suspensão de futuras cobranças, para
evitar a negativa do nome do autor e o corte no fornecimento de energia
elétrica, preservando assim sua Dignidade e de seu trabalho, comprar a crédito
e ter acesso a empréstimos.

DOS PEDIDOS

Ante o exposto, REQUER à Vossa Excelência:


a) Que se julgue procedente a presente demanda, condenando-se
a REQUERIDA a restituir em DOBRO O VALOR COBRADO
INDEVIDAMENTE, perfazendo a quantia de R$ 3.133,91 (três mil cento trinta
três reais e noventa um centavos), acrescidos de juros e correção monetária;
b) A condenação da REQUERIDA ao pagamento de valor
pecuniário a ser arbitrado por Vossa Excelência, a título de reparação pelos
DANOS MORAIS E MATERIAIS causados ao REQUERENTE;
c) A citação da REQUERIDA, na forma do art. 19, da Lei nº
9.099/95, para comparecer à audiência pré-designada, a fim de responder à
proposta de conciliação ou querendo e podendo, conteste a presente peça
exordial, sob pena de revelia e de confissão quanto à matéria de fato, de
acordo com o art. 20 da Lei 9.099/95;
d) Concessão da liminar urgente, pois o débito tem vencimento
em 02/07/2021, para: suspender de cobrança indevida até o julgamento
definitivo do mérito desta ação; não negativação do nome do REQUERENTE
nos órgãos de proteção ao crédito; e a não interrupção do fornecimento de
energia elétrica por parte a REQUERIDA;
e) Inversão do ônus probatório, de acordo com fundamentação;
f) Provar o alegado por todos os meios de provas admitidos em
direito, comprometendo-se o REQUERENTE a levar suas devidas testemunhas
independente de intimação por parte do Juízo;
g) Dá-se a causa o valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais).

Termos em que,
Pede Deferimento.

Teresina/PI, 01 de julho de 2021.

MARDONIO DA SILVA DIOGO


CPF nº 591.523.893-91

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