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TÉCNICO EM ENFERMAGEM

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ORGANIZAÇÃO A 8ª Conferência Nacional da Saúde, realizada em


março de 1986, considerada um marco histórico,
DO SISTEMA DE SAÚDE NO BRASIL E A consagra os princípios preconizados pelo Movimento da
CONSTRUÇÃO DO SISTEMA ÚNICO DE Reforma Sanitária.
SAÚDE (SUS)
Em 1987 é implementado o Sistema Unificado e
As duas últimas décadas foram marcadas por Descentralizado de Saúde (SUDS), como uma
intensas transformações no sistema de saúde brasileiro, consolidação das Ações Integradas de Saúde (AIS), que
intimamente relacionadas com as mudanças ocorridas adota como diretrizes a universalização e a equidade no
no âmbito político-institucional. Simultaneamente ao acesso aos serviços, à integralidade dos cuidados, a
processo de redemocratização iniciado nos anos 80, o regionalização dos serviços de saúde e implementação
país passou por grave crise na área econômico- de distritos sanitários, a descentralização das ações de
financeira. saúde, o desenvolvimento de instituições colegiadas
gestoras e o desenvolvimento de uma política de
No início da década de 80, procurou-se consolidar recursos humanos.
o processo de expansão da cobertura assistencial
iniciado na segunda metade dos anos 70, em O capítulo dedicado à saúde na nova Constituição
atendimento às proposições formuladas pela OMS na Federal, promulgada em outubro de 1988, retrata o
Conferência de Alma-Ata (1978), que preconizava resultado de todo o processo desenvolvido ao longo
"Saúde para Todos no Ano 2000", principalmente por dessas duas décadas, criando o Sistema Único de Saúde
meio da Atenção Primária à Saúde. (SUS) e determinando que "a saúde é direito de todos e
dever do Estado" (art. 196).
Nessa mesma época, começa o Movimento da
Reforma Sanitária Brasileira, constituído inicialmente Entre outros, a Constituição prevê o acesso
por uma parcela da intelectualidade universitária e dos universal e igualitário às ações e serviços de saúde, com
profissionais da área da saúde. Posteriormente, regionalização e hierarquização, descentralização com
incorporaram-se ao movimento outros segmentos da direção única em cada esfera de governo, participação
sociedade, como centrais sindicais, movimentos da comunidade e atendimento integral, com prioridade
populares de saúde e alguns parlamentares. para as atividades preventivas, sem prejuízo dos
serviços assistenciais.
As proposições desse movimento, iniciado em
pleno regime autoritário da ditadura militar, eram A Lei nº 8.080, promulgada em 1990,
dirigidas basicamente à construção de uma nova operacionaliza as disposições constitucionais. São
política de saúde efetivamente democrática, atribuições do SUS em seus três níveis de governo, além
considerando a descentralização, universalização e de outras, "ordenar a formação de recursos humanos na
unificação como elementos essenciais para a reforma área de saúde" (CF, art. 200, inciso III).
do setor.

Várias foram às propostas de implantação de uma


rede de serviços voltada para a atenção primária à
saúde, com hierarquização, descentralização e
universalização, iniciando-se já a partir do Programa de
Interiorização das Ações de Saúde e Saneamento
(PIASS), em 1976.

Em 1980, foi criado o Programa Nacional de


Serviços Básicos de Saúde (PREV-SAÚDE) - que, na
realidade, nunca saiu do papel -, logo seguida pelo plano
do Conselho Nacional de Administração da Saúde
Previdenciária (CONASP), em 1982 a partir do qual foi
implementada a política de Ações Integradas de Saúde
(AIS), em 1983. Essas constituíram uma estratégia de
extrema importância para o processo de
descentralização da saúde.
SUS - PRINCÍPIOS, DIRETRIZES E ARCABOUÇO desenvolvidos de acordo com as diretrizes previstas no
LEGAL artigo 198 da Constituição Federal, obedecendo ainda
aos seguintes princípios.
Durante os últimos anos o processo de implantação
e consolidação do Sistema único de Saúde-SUS, desde I - Universalidade de acesso aos serviços de saúde
sua concepção na Constituição Federal, em 1988, vem em todos os níveis de assistência;
sendo objeto de inúmeros instrumentos normativos,
II - Integralidade de assistência, entendida como
como forma de regulamentar esse sistema e colocar em um conjunto articulado e contínuo das ações e serviços
prática os objetivos, diretrizes e princípios do mesmo. preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos
A Constituição Federal que é considerada o marco para cada caso em todos os níveis de complexidade do
jurídico inicial, onde “nasce o SUS”, traz em seus artigos sistema;
196 ao 200, o “registro do SUS”, o artigo 198 da CF, traz III - preservação da autonomia das pessoas na
em seu texto as Diretrizes e alguns dos princípios do defesa de sua integridade física e moral;
SUS, conforme podemos verificar abaixo:
IV - Igualdade da assistência à saúde, sem
“Art. 198. As ações e serviços públicos de saúde
preconceitos ou privilégios de qualquer espécie;
integram uma rede regionalizada e hierarquizada e
constituem um sistema único, organizado de acordo V - Direito à informação, às pessoas assistidas,
com as seguintes diretrizes: sobre sua saúde;
I - Descentralização, com direção única em cada VI - Divulgação de informações quanto ao potencial
esfera de governo; dos serviços de saúde e sua utilização pelo usuário;
II - Atendimento integral, com prioridade para as VII - utilização da epidemiologia para o
atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços estabelecimento de prioridades, a alocação de recursos
assistenciais; e a orientação programática;
III - participação da comunidade. ” VIII - participação da comunidade;
Uma vez constituído o SUS, houve a necessidade de IX - Descentralização político-administrativa, com
regulamentação, o que aconteceu em 1990, com a direção única em cada esfera de governo:
promulgação das duas Leis Orgânicas da Saúde (LOS):
a) ênfase na descentralização dos serviços para os
1. Lei 8.080/90 que dispõe sobre as condições para municípios;
a promoção, proteção e recuperação da saúde, a
organização e o funcionamento dos serviços b) regionalização e hierarquização da rede de
correspondentes e dá outras providências. serviços de saúde;

2. Lei 8.142/90 que dispõe sobre a participação da X - Integração, em nível executivo, das ações de
comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) saúde, meio ambiente e saneamento básico;
e sobre as transferências intergovernamentais de XI - conjugação dos recursos financeiros,
recursos financeiros na área da saúde e dá outras tecnológicos, materiais e humanos da União, dos
providências. Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na
Os princípios do SUS prestação de serviços de assistência à saúde da
população;
Os princípios e diretrizes do SUS estão na
Constituição Federal de 1988, regulamentados e XII - capacidade de resolução dos serviços em todos
“reafirmados” no capítulo II, artigo 7º da lei 8.080/90. os níveis de assistência; e
XIII - organização dos serviços públicos de modo a
evitar duplicidade de meios para fins idênticos.”
“CAPÍTULO II
Os princípios do sus são cobrados em provas.
Dos Princípios e Diretrizes Muitos certames utilizam em questões a divisão teórica
dos princípios:
Art. 7º As ações e serviços públicos de saúde e os
serviços privados contratados ou conveniados que
integram o Sistema Único de Saúde - SUS são
precoce de doenças, sejam ações de diagnóstico,
1- Doutrinários (universalidade, integralidade e tratamento e reabilitação.
equidade*);
O princípio da equidade, mais um dos princípios
2- Organizativos: todos os outros que constam no finalísticos do SUS e, atualmente, o tema central em
art. 7 desta lei. todos os debates sobre as reformas dos sistemas de
saúde no mundo ocidental. A noção de equidade diz
respeito à necessidade de se “tratar desigualmente os
No total são 13 princípios/diretrizes. Falaremos um desiguais” de modo a se alcançar a igualdade de
pouco, dos mais importantes: oportunidades de sobrevivência, de desenvolvimento
pessoal e social entre os membros de uma dada
sociedade. O ponto de partida da noção de equidade é
A universalidade é um princípio finalístico, ou o reconhecimento da desigualdade entre as pessoas e
seja, é um ideal a ser alcançado, indicando, portanto, os grupos sociais e o reconhecimento de que muitas
uma das características do sistema que se pretende dessas desigualdades são injustas e devem ser
construir e um caminho para sua construção. Para que superadas. Em saúde, especificamente, as
o SUS venha a ser universal é preciso se desencadear um desigualdades sociais se apresentam como
processo de universalização, isto é, um processo de desigualdades diante do adoecer e do morrer,
extensão de cobertura dos serviços, de modo que reconhecendo-se a possibilidade de redução dessas
venham, paulatinamente, a se tornar acessíveis a toda a desigualdades, de modo a garantir condições de vida e
população. saúde mais iguais para todos.
Para isso, é preciso eliminar barreiras jurídicas,
econômicas, culturais e sociais que se interpõem entre
a população e os serviços.A primeira delas, a barreira
jurídica, foi eliminada com a Constituição Federal de
88, na medida em que universalizou o direito à saúde, e
com isso, eliminou a necessidade do usuário do sistema
público colocar-se como trabalhador ou como
“indigente”, situações que condicionavam o acesso aos
serviços públicos antes do SUS.

Universalidade: ACESSO PARA TODOS OS CIDADÃOS;

A noção de integralidade diz respeito ao leque


de ações possíveis para a promoção da saúde, A descentralização da gestão do sistema implica na
prevenção de riscos e agravos e assistência a doentes, transferência de poder de decisão sobre a política de
implicando a sistematização do conjunto de práticas saúde do nível federal (MS) para os estados (SES) e
que vem sendo desenvolvidas para o enfrentamento municípios (SMS). Esta transferência ocorre a partir da
dos problemas e o atendimento das necessidades de redefinição das funções e responsabilidades de cada
saúde. A integralidade é (ou não), um atributo do nível de governo com relação à condução político
modelo de atenção, entendendo-se que um “modelo de administrativa do sistema de saúde em seu respectivo
atenção integral à saúde” contempla o conjunto de território (nacional, estadual, municipal), coma
ações de promoção da saúde, prevenção de riscos e transferência, concomitante, de recursos financeiros,
agravos, assistência e recuperação. Um modelo humanos e materiais para o controle das instâncias
“integral”, portanto, é aquele que dispõe de governamentais correspondentes.
estabelecimentos, unidades de prestação de serviços, A regionalização e a hierarquização dos serviços,
pessoal capacitado e recursos necessários, à produção dizem respeito à forma de organização dos
de ações de saúde que vão desde as ações inespecíficas estabelecimentos (unidades de unidades) entre si e
de promoção da saúde em grupos populacionais com a população usuárias.
definidos, às ações específicas de vigilância ambiental,
sanitária e epidemiológica dirigidas ao controle de - A regionalização dos serviços implica a
riscos e danos, até ações de assistência e recuperação delimitação de uma base territorial para o sistema de
de indivíduos enfermos, sejam ações para a detecção saúde, que leva em conta a divisão político-
administrativa do país, mas também contempla a
delimitação de espaços territoriais específicos para a participação dos cidadãos no processo de tomada de
organização das ações de saúde, subdivisões ou decisão. Contudo, a regionalização, apesar dos
agregações do espaço político-administrativo. benefícios, apresenta desafios, tais como as
dificuldades para integrar e coordenar as ações e
- A hierarquização dos serviços, por sua vez, diz serviços, em diferentes espaços geográficos, com
respeito à possibilidade de organização das unidades distintas gestões e gerências para atender as
segundo grau de complexidade tecnológica dos necessidades de saúde e demandas da população na
serviços, isto é, o estabelecimento de uma rede que escala, qualidade e custos adequados. Para isso, requer
articula as unidades mais simples às unidades mais a existência de sistemas de informação em tempo real
complexas, através de um sistema de referência (SR) e para orientar a tomada de decisão e a busca constante
contrarreferência(CR) de usuários e de informações. O de alternativas para otimizar recursos e organizar a
processo de estabelecimento de redes hierarquizadas gestão compartilhada (Brasil,2009).
pode também implicar o estabelecimento de vínculos
específicos entre unidades (de distintos graus de
complexidade tecnológica) que prestam serviços de
determinada natureza, como por exemplo, a rede de A regionalização da saúde na regulamentação do SUS
atendimento a urgências/emergências, ou a rede de
atenção à saúde mental.
Constituição Federal – Art. 198
A integração entre as ações promocionais,
preventivas e curativas diz respeito à possibilidade de se
estabelecer um perfil de oferta de ações e serviços do As ações e serviços públicos de saúde integram uma
sistema que contemple as várias alternativas de rede regionalizada e hierarquizada e constituem um
intervenção sobre os problemas de saúde em vários sistema único, organizado de acordo com as seguintes
planos de sua “história (natural) social”, abarcando diretrizes:
intervenções sobre condições de vida, riscos e danos à I - Descentralização, com direção única em cada
saúde. Cabe registrar a distinção entre “integralidade” e esfera de governo;
“integração”, termos que por vezes se confundem no
debate acerca da organização dos serviços de saúde. Se II –Atendimento integral, com prioridade para as
a integralidade, como posto anteriormente, é um atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços
atributo do modelo, algo que o modelo de atenção à assistenciais;
saúde “deve ser”, a integração é um processo, algo “a
III - participação da comunidade. (Brasil, 1998).
fazer” para que o modelo de atenção seja integral.
Nesse sentido, a integração envolve duas dimensões:
uma dimensão “vertical”, proporcionada pelo
estabelecimento da hierarquização dos serviços (SR e Lei nº 8.080/1990 – Art. 7º
CR), que permite a produção de ações de distinta As ações e serviços públicos de saúde e os serviços
complexidade (primária, secundária, terciária) em privados contratados ou conveniados que integram o
função da natureza do problema que se esteja Sistema Único de Saúde (SUS) são desenvolvidos de
enfrentando, e uma integração “horizontal”, que acordo com as diretrizes previstas no art. 198 da
permite a articulação, no enfrentamento do problema, Constituição Federal, obedecendo ainda aos seguintes
de ações de distinta natureza (promoção, prevenção, princípios: [...]
recuperação).
a) ênfase na descentralização dos serviços para os
Regionalização da assistência à saúde municípios;
A regionalização no Sistema Único de Saúde b) regionalização e hierarquização da rede de
constitui estratégia prioritária para garantir o direito à serviços de saúde; [...]. (BRASIL, 1990).
saúde, reduzir desigualdades sociais e territoriais,
promover a equidade e a integralidade da atenção,
racionalizar os gastos, otimizar os recursos e
NOB-SUS 01/93 – Item g da Introdução –
potencializar o processo de descentralização.
Portaria GM/MS n. 545/1993 Item g)
A regionalização oferece os meios para melhorar a
A regionalização deve ser entendida como uma
coordenação e integração do cuidado em saúde e os
articulação e mobilização municipal que leve em
custos e proporciona escala mais adequada e maior
consideração características geográficas, fluxo de transportes compartilhados, com a finalidade de
demanda, perfil epidemiológico, oferta de serviços e, integrar a organização, o planejamento e a execução de
acima de tudo, a vontade política expressa pelos ações e serviços de saúde (art. 2°, I)
diversos municípios de se consorciar ou estabelecer
qualquer outra relação de caráter cooperativo O Decreto estabelece a Comissão Intergestores
(BRASIL,1993). Regional e delibera sobre todos os aspectos
operacionais de serviços de saúde na região (aloca
NOB-SUS 01/96 – Item 4 – Portaria GM/MS n. recursos financeiros na região; distribui serviços,
2203/1996 acompanha o desenvolvimento e a produção de
serviços da rede, aclara o plano de saúde para as
A totalidade das ações e de serviços de atenção à regiões).
saúde, no âmbito do SUS, deve ser desenvolvida em um O pressuposto da região é a organização da rede de
conjunto de estabelecimentos, organizados em rede atenção, o Decreto define quais são os compromissos
regionalizada e hierarquizada e disciplinados segundo com e dos municípios de cada região em termos de
subsistemas, um para cada município – o SUS-Municipal saúde.
– voltado ao atendimento integral de sua própria
população e inserido de forma indissociável no SUS, em Objetivos da regionalização
suas abrangências estadual e nacional (BRASIL, 1996).
1. Garantir acesso, resolutividade e qualidade às
NOAS-SUS 01/2001 e NOAS-SUS 01/2002 ações e serviços de saúde cuja complexidade e
contingente populacional transcendam a escala
[...] para o aprofundamento do processo de local/municipal.
descentralização, deve-se ampliar a ênfase na
regionalização e no aumento da equidade, buscando a 2. Garantir o direito à saúde, reduzir desigualdades
organização de sistemas de saúde funcionais com todos sociais e territoriais e promover a equidade.
os níveis de atenção, não necessariamente confinados
aos territórios municipais e, portanto, sob 3. Garantir a integralidade na atenção à saúde por
responsabilidade coordenadora da SES. [...](BRASIL, meio da organização de redes de atenção à saúde
2001). integradas.

1. Estabelecer o processo de regionalização como 4. Potencializar o processo de descentralização,


estratégia de hierarquização dos serviços de saúde e de fortalecendo estados e municípios para exercerem
busca de maior equidade. [...] papel de gestores e organizando as demandas nas
diferentes regiões.
2. Instituir o Plano Diretor de Regionalização – PDR
como instrumento de ordenamento do processo de 5. Racionalizar os gastos e otimizar os recursos,
regionalização da assistência em cada estado [...] possibilitando ganhos em escala nas ações e serviços de
(BRASIL, 2001). saúde de abrangência regional (MINISTÉRIO DA SAÚDE,
2006).
Pacto pela Saúde – Item 2, Diretrizes para a Gestão
do SUS, Pacto de Gestão, Portaria GM/ MS n. 399/2006 Os gestores do SUS em cada esfera de governo

A Regionalização é uma diretriz do Sistema Único A nova concepção do sistema de saúde,


de Saúde e um eixo estruturante do Pacto de Gestão e descentralizado e administrado democraticamente com
deve orientar a descentralização das ações e serviços de a participação da sociedade organizada, prevê
saúde e os processos de negociação e pactuação entre mudanças significativas nas relações de poder político e
os gestores. Os principais instrumentos de na distribuição de responsabilidades entre o Estado e a
planejamento da Regionalização são o Plano Diretor de sociedade e entre as distintas esferas de governo –
Regionalização – PDR –, o Plano Diretor de nacional, estadual e municipal –, cabendo aos gestores
Investimentos – PDI – e a Programação Pactuada e setoriais papel fundamental na concretização dos
Integrada da Atenção à Saúde – PPI [...] (BRASIL, 2006b). princípios e das diretrizes da reforma sanitária
brasileira.
Decreto federal n° 7.508/11
O processo de descentralização em saúde no Brasil
Região de Saúde - espaço geográfico contínuo envolve não apenas a transferência de serviços, mas
constituído por agrupamentos de Municípios limítrofes, também de responsabilidades, poder e recursos da
delimitado a partir de identidades culturais, econômicas esfera federal para a estadual e a municipal (LECOVITZ;
e sociais e de redes de comunicação e infraestrutura de LIMA; MACHADO, 2001).
Para que se possa discutir o papel de cada esfera
de governo no SUS, é importante definir quem são os
gestores do Sistema Único de Saúde e o que são as
funções gestoras no SUS.
Os gestores do SUS são os representantes de cada
esfera de governo designados para o desenvolvimento
das funções do Executivo na saúde: no âmbito nacional,
o Ministro da Saúde; no âmbito estadual, o Secretário
de Estado da Saúde, e no municipal, o Secretário
Municipal de Saúde.
A atuação do gestor do SUS efetiva-se por meio do
exercício das funções gestoras na saúde. As funções
gestoras podem ser definidas como “um conjunto
articulado de saberes e práticas de gestão, necessários
para a implementação de políticas na área da saúde”
(SOUZA, 2002).
Definir o papel e as atribuições dos gestores do SUS
nas três esferas de governo significa identificar as
especificidades da atuação no que diz respeito a cada
uma dessas macro funções gestoras, de forma coerente
com a finalidade de atuação do Estado em cada esfera
governamental, com os princípios e os objetivos
estratégicos da política de saúde, e para cada campo da
atenção na saúde (promoção da saúde, articulação
intersetorial, vigilância sanitária, vigilância
epidemiológica, saúde do trabalhador, assistência à
saúde, entre outros) (LECOVITZ; LIMA; MACHADO,
2001).
Esse processo tem sido orientado pela Legislação
do SUS e pelas Normas Operacionais que, ao longo do
tempo, têm definido as competências de cada esfera de
governo e as condições necessárias para que estados e
municípios possam assumir suas funções no processo
de implantação do SUS.
O CONTROLE SOCIAL NO SUS primeiro, apontando-as, e, posteriormente, propondo
modificações.
A atenção à saúde como um direito universal e
gratuito foi firmada na Constituição de 1988, nos artigos A Resolução nº 453/2012
196 a 200. Segundo expresso no artigo 198, as ações e Inicialmente, no preâmbulo da Resolução nº
os serviços públicos de saúde que integram a rede 453/2012, observa-se a preocupação com a revisão
regionalizada e hierarquizada constituem um sistema linguística no sentido de ampliar a legibilidade do texto
único, que deverá ser organizado de acordo com segundo a função tratada por ele. No texto revogado,
diretrizes estruturadas na descentralização, com especificamente em sua descrição de aprovação do
direção única em cada esfera de governo, no conteúdo, haviam utilizado o termo ‘criação’ dos
atendimento integral, com prioridade para as atividades Conselhos de Saúde com referência à formação desse
preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais, e, colegiado. Agora, na resolução atual, de modo mais
finalmente, na participação da comunidade (BRASIL, apropriado, a ação denominada ‘criação’ foi cambiada
1988). para ‘instituição’. A palavra ‘criar’ tem origem
A efetiva participação da sociedade civil organizada etimológica no Latim creare, ‘produzir, erguer’ e está
nas decisões de gestão do Sistema Público de Saúde relacionada à ação crescere, ‘crescer, aumentar’. A
passou por processos de amadurecimento ao longo dos palavra ‘instituição’ tem origem no Latim institutio, cujo
anos, resultando em um sistema de controle social mais sentido geral, desde meados do século XIX, reporta à
qualificado, deliberativo, independente e ‘organização de sociedades’, que, segundo Firth e
representativo. Dois anos depois da Promulgação da Raymond (2010), consiste na ordenação sistemática de
Constituição, duas leis trouxeram conteúdos relações sociais pelos atos da escolha e da decisão,
importantes sobre essa atuação. Trata-se das Leis: nº segundo a qual os indivíduos baseiam suas ações nas
8.080/90, conhecida como Lei Orgânica da Saúde, que normas da estrutura social na qual convivem. O texto
dispõe sobre as condições para a promoção, a proteção aprovado passa a ter a seguinte redação: “aprovar as
e a recuperação da saúde, a organização e o seguintes diretrizes para ‘instituição’ [grifo nosso],
funcionamento dos serviços correspondentes; e da Lei reformulação, reestruturação e funcionamento dos
nº 8.142/90, que dispõe sobre a participação da Conselhos de Saúde” (BRASIL, 2012, N. P.).
comunidade na gestão do SUS (BRASIL, 2013). A Primeira Diretriz da Resolução nº 453/2012, por seu
A partir de então, a atuação da comunidade no turno, define o termo ‘Conselho de Saúde’ como:
sistema de saúde foi ampliada, democratizada, O Conselho de Saúde é uma instância colegiada,
regulamentada e passou a ser denominada ‘controle deliberativa e permanente do Sistema Único de Saúde
social’. Em seu processo de consolidação no âmbito das (SUS) em cada esfera de Governo, integrante da
políticas públicas, a população, por meio dos Conselhos estrutura organizacional do Ministério da Saúde, da
e das Conferências de Saúde, passa a exercer o controle Secretaria de Saúde dos Estados, do Distrito Federal e
social, participando do planejamento e da fiscalização dos Municípios, com composição, organização e
das ações governamentais no âmbito da saúde, competência fixadas na Lei nº 8.142/90. O processo
estabelecendo relações que contemplam a diferença de bem-sucedido de descentralização da saúde promoveu
interesses dos segmentos de usuários, gestores, o surgimento de Conselhos Regionais, Conselhos Locais,
prestadores de serviço e trabalhadores de saúde em Conselhos Distritais de Saúde, incluindo os Conselhos
todas as esferas de governo. dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas, sob a
O Plenário do Conselho Nacional de Saúde, em sua coordenação dos Conselhos de Saúde da esfera
Ducentésima Trigésima Terceira Reunião Ordinária, correspondente. Assim, os Conselhos de Saúde são
realizada nos dias 9 e 10 de maio de 2012, no uso de espaços instituídos de participação da comunidade nas
suas competências regimentais e atribuições conferidas políticas públicas e na administração da saúde. (BRASIL,
por Lei, aprova a Resolução nº 453, que estabelece 2012, N. P.).
diretrizes para instituição, reformulação, Apesar de o renovador remeter a definição de
reestruturação e funcionamento dos Conselhos de ‘Conselho de Saúde’ à competência conceitual fixada
Saúde e revoga a Resolução nº 333/2003 (BRASIL, pela Lei nº 8.142/90, ele pecou em não explicitar a
2012). O objetivo principal da proposta de reformulação autonomia desse colegiado. A palavra ‘autonomia’, de
das diretrizes é dar mais clareza às normas orientadoras origem grega, formada pelas palavras autos, ‘por si
de estruturação e funcionamento dos Conselhos de mesmo’, e nomos, ‘compartilhar, dar-se nas suas
Saúde. No entanto, percebem-se algumas ‘falhas e próprias leis’, significa a capacidade de uma pessoa ou
lacunas’ merecedoras de um foco de análise específico,
um grupo de pessoas de ser capaz de se autogovernar, representantes tenderia a intrincar o funcionamento
de se orientar e agir de forma independente (SPEAR; dos conselhos. Para preservar o princípio da
KULBOK, 2004). A autonomia é um conceito relacional representação proporcional, seria oportuno e
que fundamenta a propriedade constitutiva de adequado providenciar a separação desses dois
independência dos Conselhos de Saúde, na medida em segmentos para garantir de fato a abrangência e a
que escolhem as suas normas e os seus valores na complementaridade do conjunto da sociedade na
tomada de decisões e que agem em consequência representação colegiada.
dessas escolhas (SIQUEIRA-BATISTA; SCHRANM, 2008).
Não menos importante na Terceira Diretriz é o
Por esse motivo, a autonomia dos Conselhos de Saúde,
destaque dado à relação de órgãos e entidades, descrita
presente como sinônimo de independência, deveria
com potencialidade de representação nos Conselhos de
estar explícita no texto e de modo destacado.
Saúde. Para uma melhor análise da proposta, considera-
A Terceira Diretriz da Resolução nº 453/2012 trata se de bom alvitre a transcrição da matéria em sua
da organização dos Conselhos de Saúde com foco na íntegra:
disposição de sua composição. Mantém a estrutura
A participação de órgãos, entidades e movimentos
quadripartite composta por representantes de
sociais terá como critério a representatividade, a
entidades, instituições e movimentos representativos
abrangência e a complementaridade do conjunto da
de usuários, de entidades representativas de
sociedade, no âmbito de atuação do Conselho de Saúde.
trabalhadores da área da saúde, do governo e de
De acordo com as especificidades locais, aplicando o
entidades representativas de prestadores de serviços
princípio da paridade, serão contempladas, dentre
de saúde, estabelecendo o princípio da representação
outras, as seguintes representações:
paritária. Aqui, há problemas graves que devem ser
apontados. A composição dos Conselhos de Saúde a) associações de pessoas com patologias;
proposta pelos reformadores preserva o ideal de
b) associações de pessoas com deficiências;
oportunizar a participação dos vários e
c) entidades indígenas;
diferentes segmentos da comunidade no controle
social, por isso, mantém a determinação de que os d) movimentos sociais e populares, organizados
Conselhos de Saúde devem ser compostos por 50% de (movimento negro, LGBT...);
entidades e movimentos representativos de usuários,
e) movimentos organizados de mulheres, em
25% de entidades representativas dos trabalhadores da
saúde;
área de saúde e 25% de representação de governo e
prestadores de serviços privados conveniados ao SUS ou f) entidades de aposentados e pensionistas;
sem fins lucrativos. g) entidades congregadas de sindicatos, centrais
De modo inusitado, gestores e prestadores de sindicais, confederações e federações de trabalhadores
serviço foram acomodados em uma mesma categoria e urbanos e rurais;
dividem a parcela de vagas sem qualquer justificativa h) entidades de defesa do consumidor;
para esse agrupamento. Um lado não pode se confundir
com o outro. Se o gestor tem a finalidade i) organizações de moradores;
administrativa, e o prestador de serviços de execução j) entidades ambientalistas;
de serviços, em algum momento, esses dois segmentos
podem defender entendimentos divergentes de k) organizações religiosas;
interesses, descaracterizando similitudes de interesses. l) trabalhadores da área de saúde: associações,
Por isso, seria razoável afirmar que a função de confederações, conselhos de profissões
prestador de serviços se distingue da função de governo regulamentadas, federações e sindicatos, obedecendo
(CARVALHO, 1998). O problema se acumula ao analisar as instâncias federativas;
sobre o critério de divisão das vagas entre gestores e
prestadores de serviços. Está definido que esses dois m) comunidade científica;
segmentos vão compartilhar os 25% das vagas n) entidades públicas, de hospitais universitários e
disponíveis. Resta a presunção de uma divisão hospitais campo de estágio, de pesquisa e
igualitária, onde caberiam a cada segmento 12,5% das desenvolvimento;
vagas. Pelo princípio raso da lógica, tal divisão só seria
possível em colegiados constituídos por pelo menos 96 o) entidades patronais;
representantes. No entanto, esse número elevado de
p) entidades dos prestadores de serviço de saúde; promovam a renovação de, no mínimo, 30% de suas
e entidades representativas. (BRASIL, 2012, N. P.).
q) governo. (BRASIL, 2012, N. P.). Em vista do dispositivo citado, estranhamente,
percebe-se o afastamento do segmento de
Como pode ser visto no texto acima transcrito, a
representantes do governo como agente promotor da
relação desperta especial atenção à representatividade
renovação das entidades representativas. Na tentativa
descrita no item (k) ao se referir às organizações
de entender esse afastamento, poderia-se pressupor a
religiosas. O destaque apresentado para essa
lógica de que o segmento de governo será sempre
representação se justifica pelo princípio da laicidade do
governo. Embora a argumentação pareça razoável, no
Estado brasileiro. Tal aspecto é o mais importante a ser
funcionamento cotidiano dos Conselhos de Saúde, esse
aduzido desta análise. Inicialmente, é importante
entendimento pode ser visto por mais de uma
estabelecer que a organização religiosa é uma pessoa
perspectiva. Muito embora governo seja sempre
jurídica de direito privado constituída por pessoas
governo, ele também pode e deveria contribuir para a
físicas que professam uma religião, portanto, é
oxigenação dos conselhos, promovendo a renovação
equivocada a interpretação de que somente as igrejas
dentro do seu próprio segmento e ofertando
se classificam como organização religiosa
oportunidades aos diferentes setores da saúde pública
(WEINGARTNER, 2007). A laicidade do Estado brasileiro,
de contribuir para o controle social da saúde.
determinada pela Constituição Federal de 1988, é a
base ideológica do regime da liberdade de expressão Por fim, o valor mínimo de renovação das
religiosa no País, não podendo ser dada preferência a entidades sugerido pela norma é de 30% e representa
determinada confissão religiosa, oferecendo-se algum um corte baseado em impressões puramente empíricas.
benefício que não seja estendido às demais (PIRES, Não se conhece qualquer estudo representativo e bem
2015). Atualmente, ainda pairam dúvidas sobre o real controlado que demonstre desfecho positivo no
entendimento de laicismo do Estado brasileiro. Isso se funcionamento e na organização dos conselhos de
dá devido às forças social, moral e até mesmo política saúde associado a esse percentual de renovação, muito
que a religião predominante representa na sociedade, menos sobre impactos negativos causados pela não
que, por sua vez, não pode ser suficiente para beneficiar renovação. Faz-se necessária aqui a implementação de
uma determinada organização em detrimento de outra estudos bem controlados para conhecer tal dinâmica,
(MONELLO, 2015). onde se ponderem as diversidades regionais, estaduais
e municipais dos conselhos e de seus conselheiros, a fim
Ainda, o item ‘d’ dessa diretriz assegura a
de estabelecer parâmetros confiáveis de renovação.
participação de movimentos sociais e populares
Não menos importante é estabelecer garantias de
organizados, citando o movimento negro e o LGBT
recursos humanos e financeiros para a capacitação
(acrônimo de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis,
continuada dos conselheiros neófitos, sem prejuízo aos
Transexuais e Transgêneros) como exemplos de
demais.
representatividade para essa categoria. Muito embora
os movimentos citados atendam aos quesitos de A relevância pública da função do Conselheiro de
elegibilidade propostos pela diretriz, o fato de o Saúde está explicitada no item X da Terceira Diretriz,
reformador ter nominado as entidades pode deixar conforme segue:
implícita uma orientação de valorização de
As funções, como membro do Conselho de Saúde,
determinados grupos sobre outros, o que não é
não serão remuneradas, considerando-se o seu exercício
aceitável na forma da lei. Não é observada no texto
de relevância pública e, portanto, garante a dispensa do
qualquer restrição a qualquer outro movimento social e
trabalho sem prejuízo para o conselheiro. Para fins de
popular, no entanto, a ausência de exemplificações se
justificativa junto aos órgãos, entidades competentes e
apresentaria mais adequada e mais positiva para o
instituições, o Conselho de Saúde emitirá declaração de
entendimento do não privilégio.
participação de seus membros durante o período das
Ainda sobre a organização dos Conselhos de Saúde, reuniões, representações, capacitações e outras
a Resolução, nos termos do item ‘V’, versa sobre a atividades específicas. (BRASIL, 2012, N. P.).
renovação parcial das entidades colegiadas, como
Para o bom cumprimento da garantia do não
segue o texto na íntegra:
prejuízo trabalhista ao conselheiro em atividade oficial,
V - Recomenda-se que, a cada eleição, os esse direito necessita ficar mais explícito nas
segmentos de representações de usuários, formalidades legais. Os conselheiros submetidos ao
trabalhadores e prestadores de serviços, ao seu critério, artigo nº 473 da Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT), que regulamenta o trabalho com carteira XXIII - acompanhar o processo de desenvolvimento
assinada no Brasil, frequentemente têm essa garantia e incorporação científica e tecnológica, observados os
não observada. Muitas vezes, em prejuízo do padrões éticos compatíveis com o desenvolvimento
trabalhador, a solicitação de abono de falta é sociocultural do País.
confrontada com a CLT, que define as situações onde as
XXVII - acompanhar a aplicação das normas sobre
faltas ao serviço estão protegidas de gerar desconto de
ética em pesquisas aprovadas pelo
salário ou de serem compensadas em outros dias de
trabalho (motivos como óbito de familiares e CNS. (BRASIL, 2012, N. P.).
dependentes; casamento; nascimento de filho; doação
Anteriormente, estabelecia-se a competência dos
voluntária de sangue; alistamento eleitoral; provas de
Conselhos de Saúde em estimular, promover e apoiar
vestibular; e exigências do serviço militar, da justiça e da
estudos e pesquisas sobre assuntos e temas na área de
representação sindical). Outro problema verificado na
saúde e pertinentes ao desenvolvimento do SUS, mas
redação acima é a ausência de garantia de dispensa das
sem se ater aos conceitos éticos desses meios. A
obrigações escolares sem prejuízo ao conselheiro
Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep),
estudante quando no exercício de suas atividades como
subordinada ao Conselho Nacional de Saúde e ao
conselheiro. O direito ao abono de faltas e ao
Ministério da Saúde, mediante a Resolução nº 466, de
deferimento para recuperar perdas de provas e exames
12 de dezembro de 2012, renovou as diretrizes e
deve ficar explicitamente garantido nas normas.
normas regulamentadoras sobre as questões de ordem
A Quarta Diretriz da Resolução nº 453/2012, no ética nas pesquisas envolvendo seres humanos
item VIII, trata sobre a necessidade de quórum explicitando a necessidade de acompanhamento dos
deliberatório e decisório e corrige de modo oportuno o padrões éticos compatíveis com o desenvolvimento
equívoco anteriormente estabelecido. O texto anterior sociocultural do País pelos Conselhos de Saúde. Ao
incidia sobre a validade de decisões mediante preconizar a necessidade do acompanhamento das
aprovação de quórum mínimo da metade mais um de normas éticas em pesquisas, o reformador deixou
seus representantes. Agora, de modo reparador, implícita a necessidade de representação dos Conselhos
ressalva a ocorrência de casos regimentais especiais, os de Saúde como membros natos dos Comitês de Ética em
quais exigem maioria qualificada de 2/3 de seus Pesquisa envolvendo seres humanos, o que, pelo
representantes, como, por exemplo, as alterações contrário, deveria estar explicitamente destacado.
regimentais internas. A reforma do texto se apresenta Mesmo na presença de pequenos avanços na legislação,
conforme segue: há algo a dizer sem som de novidade em prol do
aperfeiçoamento dos limites de influência decisória do
VIII - as decisões do Conselho de Saúde serão
governo nas coisas do governo. Curiosamente, quem
adotadas mediante quórum mínimo (metade mais um)
assina a Resolução nº 453/2012 são o Presidente do
dos seus integrantes, ressalvados os casos regimentais
Conselho Nacional de Saúde e o Ministro de Estado de
nos quais se exija quórum especial, ou maioria
Saúde. Nada de anormal se não se tratasse da mesma
qualificada de votos.
pessoa. Essa situação traz à baila ponderar a questão da
(BRASIL, 2012, N. P.). separação da influência dos poderes e de onde o poder
de cada um deve ficar. A ideia central da criação do
O Reformador fez um importante reparo no item
controle social é expor quando o interesse de um
XI, que estabelece a prerrogativa dos Conselhos de
conflitar com o do outro. Assim, cada grupo agirá de
Saúde de alçar, quando necessário, auditoria externa e
acordo com os seus interesses, impedindo os excessos
independente sobre as contas e atividades do gestor do
e desmandos do outro. Não faz sentido que o órgão
SUS. Anteriormente, o texto vinculava essa função aos
executor e fiscalizador sejam o mesmo. Atribuir a
Conselhos de Saúde somente após ouvir o Ministério
execução e a fiscalização a um mesmo agente seria
Público. Agora, afirmando a sua autonomia, o Conselho
contrariar os princípios administrativos. Nos âmbitos
de Saúde procede nesse sentido com competência legal,
nacional e estadual, os Conselhos de Saúde, por
com independência entre as instâncias.
apresentarem maior autonomia, parecem ter
A Quinta Diretriz da Resolução nº 453/2012, nos encaminhado esse problema para uma solução.
itens XXIII e XXVI, respectivamente citados abaixo, Entretanto, muitos municípios ainda atuam à moda
explicita a recomendação aos Conselheiros de Saúde antiga, ou seja, o governo municipal detém o amplo
para o acompanhamento dos aspectos éticos comando do Conselho de Saúde. A Resolução
envolvidos na incorporação de conhecimentos reformadora perdeu uma grande oportunidade de pôr
científicos e tecnológicos. fim a isso, e, se não fosse suficiente, ainda reforça o
contrário. Para o fechamento deste trabalho, decidiu-se
pela transcrição de um relato, ipsis litteris, de um
participante da Consulta Pública do Sistema Único de
Saúde para a revisão da Resolução nº 333/2003 (CNS,
2011), com o objetivo de ilustrar a interferência acima
destacada, como barreira enfrentada no cotidiano de
muitos Conselhos de Saúde, principalmente por aqueles
de menor porte de autonomia.
Os municípios nem sequer oferecem estrutura física
e técnica para o funcionamento dos CMS, desta forma,
são fragilizados, inoperantes e, com isso, continuam as
mazelas na aplicação dos recursos da saúde. O executivo
não cumpre a Lei, os conselhos não têm recursos para
seu funcionamento. Penso que o Governo Federal
deveria estipular percentual para investimento nos
conselhos e fiscalizar os municípios quanto à aplicação.
No caso da Região Norte, a maioria dos conselhos
funcionam dentro das Secretarias de Saúde. Os
conselheiros apenas assinam as atas elaboradas pelos
secretários de saúde. (CNS, 2011).
RESOLUÇÃO Nº 453, DE 10 DE MAIO DE DA DEFINIÇÃO DE CONSELHO DE SAÚDE Primeira
Diretriz:
2012
o Conselho de Saúde é uma instância colegiada,
O Plenário do Conselho Nacional de Saúde, em sua
deliberativa e permanente do Sistema Único de Saúde
Ducentésima Trigésima Terceira Reunião Ordinária,
(SUS) em cada esfera de Governo, integrante da
realizada nos dias 9 e 10 de maio de 2012, no uso de
estrutura organizacional do Ministério da Saúde, da
suas competências regimentais e atribuições conferidas
Secretaria de Saúde dos Estados, do Distrito Federal e
pela Lei no 8.080, de 19 de setembro de 1990, e pela Lei
dos Municípios, com composição, organização e
no 8.142, de 28 de dezembro de 1990, e pelo Decreto
competência fixadas na Lei no 8.142/90. O processo
no 5.839, de 11 de julho de 2006, e
bem-sucedido de descentralização da saúde promoveu
o surgimento de Conselhos Regionais, Conselhos Locais,
Considerando os debates ocorridos nos Conselhos
Conselhos Distritais de Saúde, incluindo os Conselhos
de Saúde, nas três esferas de Governo, na X Plenária
dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas, sob a
Nacional de Conselhos de Saúde, nas Plenárias
coordenação dos Conselhos de Saúde da esfera
Regionais e Estaduais de Conselhos de Saúde, nas 9a,
correspondente. Assim, os Conselhos de Saúde são
10a e 11a Conferências Nacionais de Saúde, e nas
espaços instituídos de participação da comunidade nas
Conferências Estaduais, do Distrito Federal e Municipais
políticas públicas e na administração da saúde.
de Saúde;
Parágrafo único. Como Subsistema da Seguridade
Considerando a experiência acumulada do
Social, o Conselho de Saúde atua na formulação e
Controle Social da Saúde à necessidade de
proposição de estratégias e no controle da execução das
aprimoramento do Controle Social da Saúde no âmbito
Políticas de Saúde, inclusive nos seus aspectos
nacional e as reiteradas demandas dos Conselhos
econômicos e financeiros.
Estaduais e Municipais referentes às propostas de
composição, organização e funcionamento, conforme o
DA INSTITUIÇÃO E REFORMULAÇÃO DOS
§ 5o inciso II art. 1o da Lei no 8.142, de 28 de dezembro
CONSELHOS DE SAÚDE
de 1990;
Segunda Diretriz: a instituição dos Conselhos de
Considerando a ampla discussão da Resolução do
Saúde é estabelecida por lei federal, estadual, do
CNS no 333/92 realizada nos espaços de Controle Social,
Distrito Federal e municipal, obedecida a Lei no
entre os quais se destacam as Plenárias de Conselhos de
8.142/90.
Saúde;
Parágrafo único. Na instituição e reformulação dos
Considerando os objetivos de consolidar,
Conselhos de Saúde o Poder Executivo, respeitando os
fortalecer, ampliar e acelerar o processo de Controle
princípios da democracia, deverá acolher as demandas
Social do SUS, por intermédio dos Conselhos Nacional,
da população aprovadas nas Conferências de Saúde, e
Estaduais, Municipais, das Conferências de Saúde e
em consonância com a legislação.
Plenárias de Conselhos de Saúde;
A ORGANIZAÇÃO DOS CONSELHOS DE SAÚDE
Considerando que os Conselhos de Saúde,
consagrados pela efetiva participação da sociedade civil
Terceira Diretriz: a participação da sociedade
organizada, representam polos de qualificação de
organizada, garantida na legislação, torna os Conselhos
cidadãos para o Controle Social nas esferas da ação do
de Saúde uma instância privilegiada na proposição,
Estado; e
discussão, acompanhamento, deliberação, avaliação e
fiscalização da implementação da Política de Saúde,
Considerando o que disciplina a Lei Complementar
inclusive nos seus aspectos econômicos e financeiros. A
no 141, de 13 de janeiro de 2012, e o Decreto nº 7.508,
legislação estabelece, ainda, a composição paritária de
de 28 de junho de 2011, que regulamentam a Lei
usuários em relação ao conjunto dos demais segmentos
Orgânica da Saúde, resolve:
representados. O Conselho de Saúde será composto por
representantes de entidades, instituições e movimentos
Aprovar as seguintes diretrizes para instituição,
representativos de usuários, de entidades
reformulação, reestruturação e funcionamento dos
representativas de trabalhadores da área da saúde, do
Conselhos de Saúde:
governo e de entidades representativas de prestadores g)entidades congregadas de sindicatos, centrais
de serviços de saúde, sendo o seu presidente eleito sindicais, confederações e federações de trabalhadores
entre os membros do Conselho, em reunião plenária. urbanos e rurais;
Nos Municípios onde não existem entidades,
instituições e movimentos organizados em número h)entidades de defesa do consumidor;
suficiente para compor o Conselho, a eleição da
representação será realizada em plenária no Município, i)organizações de moradores;
promovida pelo Conselho Municipal de maneira ampla
e democrática. j)entidades ambientalistas;

I - O número de conselheiros será definido pelos k)organizações religiosas;


Conselhos de Saúde e constituído em lei.
l)trabalhadores da área de saúde: associações,
II - Mantendo o que propôs as Resoluções nos confederações, conselhos de profissões
33/92 e 333/03 do CNS e consoante com as regulamentadas, federações e sindicatos, obedecendo
Recomendações da 10a e 11a Conferências Nacionais as instâncias federativas;
de Saúde, as vagas deverão ser distribuídas da seguinte
forma: m)comunidade científica;

a)50% de entidades e movimentos representativos n)entidades públicas, de hospitais universitários e


de usuários; hospitais campo de estágio, de pesquisa e
desenvolvimento;
b)25% de entidades representativas dos
trabalhadores da área de saúde; o)entidades patronais;

c)25% de representação de governo e prestadores p)entidades dos prestadores de serviço de saúde; e


de serviços privados conveniados, ou sem fins
lucrativos. q)governo.

III - A participação de órgãos, entidades e IV - As entidades, movimentos e instituições eleitas


movimentos sociais terá como critério a no Conselho de Saúde terão os conselheiros indicados,
representatividade, a abrangência e a por escrito, conforme processos estabelecidos pelas
complementaridade do conjunto da sociedade, no respectivas entidades, movimentos e instituições e de
âmbito de atuação do Conselho de Saúde. De acordo acordo com a sua organização, com a recomendação de
com as especificidades locais, aplicando o princípio da que ocorra renovação de seus representantes.
paridade, serão contempladas, dentre outras, as
seguintes representações: V - Recomenda-se que, a cada eleição, os
segmentos de representações de usuários,
a)associações de pessoas com patologias; trabalhadores e prestadores de serviços, ao seu critério,
promovam a renovação de, no mínimo, 30% de suas
b)associações de pessoas com deficiências; entidades representativas.

c)entidades indígenas; VI - A representação nos segmentos deve ser


distinta e autônoma em relação aos demais segmentos
d)movimentos sociais e populares, organizados que compõem o Conselho, por isso, um profissional com
(movimento negro, LGBT...); cargo de direção ou de confiança na gestão do SUS, ou
como prestador de serviços de saúde não pode ser
e)movimentos organizados de mulheres, em representante dos(as) Usuários(as) ou de
saúde; Trabalhadores(as).

f)entidades de aposentados e pensionistas; VII - A ocupação de funções na área da saúde que


interfiram na autonomia representativa do
Conselheiro(a) deve ser avaliada como possível
impedimento da representação de Usuário(a) e IV - o Plenário do Conselho de Saúde se reunirá, no
Trabalhador( a), e, a juízo da entidade, indicativo de mínimo, a cada mês e, extraordinariamente, quando
substituição do Conselheiro( a). necessário, e terá como base o seu Regimento Interno.
A pauta e o material de apoio às reuniões devem ser
VIII - A participação dos membros eleitos do Poder encaminhados aos conselheiros com antecedência
Legislativo, representação do Poder Judiciário e do mínima de 10 (dez) dias;
Ministério Público, como conselheiros, não é permitida
nos Conselhos de Saúde. V - as reuniões plenárias dos Conselhos de Saúde
são abertas ao público e deverão acontecer em espaços
IX - Quando não houver Conselho de Saúde e horários que possibilitem a participação da sociedade;
constituído ou em atividade no Município, caberá ao
Conselho Estadual de Saúde assumir, junto ao executivo VI - o Conselho de Saúde exerce suas atribuições
municipal, a convocação e realização da Conferência mediante o funcionamento do Plenário, que, além das
Municipal de Saúde, que terá como um de seus comissões intersetoriais, estabelecidas na Lei no
objetivos a estruturação e composição do Conselho 8.080/90, instalará outras comissões intersetoriais e
Municipal. O mesmo será atribuído ao Conselho grupos de trabalho de conselheiros para ações
Nacional de Saúde, quando não houver Conselho transitórias.As comissões poderão contar com
Estadual de Saúde constituído ou em funcionamento. integrantes não conselheiros;

X - As funções, como membro do Conselho de VII - o Conselho de Saúde constituirá uma Mesa
Saúde, não serão remuneradas, considerando-se o seu Diretora eleita em Plenário, respeitando a paridade
exercício de relevância pública e, portanto, garante a expressa nesta Resolução;
dispensa do trabalho sem prejuízo para o conselheiro.
Para fins de justificativa junto aos órgãos, entidades VIII - as decisões do Conselho de Saúde serão
competentes e instituições, o Conselho de Saúde adotadas mediante quórum mínimo (metade mais um)
emitirá declaração de participação de seus membros dos seus integrantes, ressalvados os casos regimentais
durante o período das reuniões, representações, nos quais se exija quórum especial, ou maioria
capacitações e outras atividades específicas. qualificada de votos;

XI - O conselheiro, no exercício de sua função, a) entende-se por maioria simples o número inteiro
responde pelos seus atos conforme legislação vigente. imediatamente superior à metade dos membros
presentes;
ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DOS CONSELHOS
DE SAÚDE b) entende-se por maioria absoluta o número
inteiro imediatamente superior à metade de membros
Quarta Diretriz: as três esferas de Governo do Conselho;
garantirão autonomia administrativa para o pleno
funcionamento do Conselho de Saúde, dotação c) entende-se por maioria qualificada 2/3 (dois
orçamentária, autonomia financeira e organização da terços) do total de membros do Conselho;
secretaria-executiva com a necessária infraestrutura e
apoio técnico: IX - qualquer alteração na organização dos
Conselhos de Saúde preservará o que está garantido em
I - cabe ao Conselho de Saúde deliberar em relação lei e deve ser proposta pelo próprio Conselho e votada
à sua estrutura administrativa e o quadro de pessoal; em reunião plenária, com quórum qualificado, para
depois ser alterada em seu Regimento Interno e
II - o Conselho de Saúde contará com uma homologada pelo gestor da esfera correspondente;
secretaria-executiva coordenada por pessoa preparada
para a função, para o suporte técnico e administrativo, X - a cada três meses, deverá constar dos itens da
subordinada ao Plenário do Conselho de Saúde, que pauta o pronunciamento do gestor, das respectivas
definirá sua estrutura e dimensão; esferas de governo, para que faça a prestação de
contas, em relatório detalhado, sobre andamento do
III - o Conselho de Saúde decide sobre o seu plano de saúde, agenda da saúde pactuada, relatório de
orçamento; gestão, dados sobre o montante e a forma de aplicação
dos recursos, as auditorias iniciadas e concluídas no VI - anualmente deliberar sobre a aprovação ou
período, bem como a produção e a oferta de serviços na não do relatório de gestão;
rede assistencial própria, contratada ou conveniada, de
acordo com o art. 12 da Lei no 8.689/93 e com a Lei VII - estabelecer estratégias e procedimentos de
Complementar no 141/2012; acompanhamento da gestão do SUS, articulando-se
com os demais colegiados, a exemplo dos de seguridade
XI - os Conselhos de Saúde, com a devida social, meio ambiente, justiça, educação, trabalho,
justificativa, buscarão auditorias externas e agricultura, idosos, criança e adolescente e outros;
independentes sobre as contas e atividades do Gestor
do SUS; e VIII - proceder à revisão periódica dos planos de
saúde;
XII - o Pleno do Conselho de Saúde deverá
manifestar-se por meio de resoluções, recomendações, IX - deliberar sobre os programas de saúde e
moções e outros atos deliberativos. aprovar projetos a serem encaminhados ao Poder
Legislativo, propor a adoção de critérios definidores de
As resoluções serão obrigatoriamente qualidade e resolutividade, atualizando-os face ao
homologadas pelo chefe do poder constituído em cada processo de incorporação dos avanços científicos e
esfera de governo, em um prazo de 30 (trinta) dias, tecnológicos na área da Saúde;
dando-se-lhes publicidade oficial. Decorrido o prazo
mencionado e não sendo homologada a resolução e X - a cada quadrimestre deverá constar dos itens da
nem enviada justificativa pelo gestor ao Conselho de pauta o pronunciamento do gestor, das respectivas
Saúde com proposta de alteração ou rejeição a ser esferas de governo, para que faça a prestação de
apreciada na reunião seguinte, as entidades que contas, em relatório detalhado, sobre andamento do
integram o Conselho de Saúde podem buscar a plano de saúde, agenda da saúde pactuada, relatório de
validação das resoluções, recorrendo à justiça e ao gestão, dados sobre o montante e a forma de aplicação
Ministério Público, quando necessário. Quinta Diretriz: dos recursos, as auditorias iniciadas e concluídas no
aos Conselhos de Saúde Nacional, Estaduais, Municipais período, bem como a produção e a oferta de serviços na
e do Distrito Federal, que têm competências definidas rede assistencial própria, contratada ou conveniada, de
nas leis federais, bem como em indicações advindas das acordo com a Lei Complementar no 141/2012.
Conferências de Saúde, compete:
XI - avaliar, explicitando os critérios utilizados, a
I - fortalecer a participação e o Controle Social no organização e o funcionamento do Sistema Único de
SUS, mobilizar e articular a sociedade de forma Saúde do SUS;
permanente na defesa dos princípios constitucionais
que fundamentam o SUS; XII - avaliar e deliberar sobre contratos, consórcios
e convênios, conforme as diretrizes dos Planos de Saúde
II - elaborar o Regimento Interno do Conselho e Nacional, Estaduais, do Distrito Federal e Municipais;
outras normas de funcionamento;
XIII - acompanhar e controlar a atuação do setor
III - discutir, elaborar e aprovar propostas de privado credenciado mediante contrato ou convênio na
operacionalização das diretrizes aprovadas pelas área de saúde;
Conferências de Saúde;
XIV - aprovar a proposta orçamentária anual da
IV - atuar na formulação e no controle da execução saúde, tendo em vista as metas e prioridades
da política de saúde, incluindo os seus aspectos estabelecidas na Lei de Diretrizes Orçamentárias,
econômicos e financeiros, e propor estratégias para a observado o princípio do processo de planejamento e
sua aplicação aos setores público e privado; orçamento ascendentes, conforme legislação vigente;

V - definir diretrizes para elaboração dos planos de XV - propor critérios para programação e execução
saúde e deliberar sobre o seu conteúdo, conforme as financeira e orçamentária dos Fundos de Saúde e
diversas situações epidemiológicas e a capacidade acompanhar a movimentação e destino dos recursos;
organizacional dos serviços;
XVI - fiscalizar e controlar gastos e deliberar sobre XXV - deliberar, elaborar, apoiar e promover a
critérios de movimentação de recursos da Saúde, educação permanente para o controle social, de acordo
incluindo o Fundo de Saúde e os recursos transferidos e com as Diretrizes e a Política Nacional de Educação
próprios do Município, Estado, Distrito Federal e da Permanente para o Controle Social do SUS;
União, com base no que a lei disciplina;
XXVI - incrementar e aperfeiçoar o relacionamento
XVII - analisar, discutir e aprovar o relatório de sistemático com os poderes constituídos, Ministério
gestão, com a prestação de contas e informações Público, Judiciário e Legislativo, meios de comunicação,
financeiras, repassadas em tempo hábil aos bem como setores relevantes não representados nos
conselheiros, e garantia do devido assessoramento; conselhos;

XVIII - fiscalizar e acompanhar o desenvolvimento XXVII - acompanhar a aplicação das normas sobre
das ações e dos serviços de saúde e encaminhar ética em pesquisas aprovadas pelo CNS;
denúncias aos respectivos órgãos de controle interno e
externo, conforme legislação vigente; XXVIII - deliberar, encaminhar e avaliar a Política de
Gestão do Trabalho e Educação para a Saúde no SUS;
XIX - examinar propostas e denúncias de indícios de
irregularidades, responder no seu âmbito a consultas XXIX - acompanhar a implementação das propostas
sobre assuntos pertinentes às ações e aos serviços de constantes do relatório das plenárias dos Conselhos de
saúde, bem como apreciar recursos a respeito de Saúde; e
deliberações do Conselho nas suas respectivas
instâncias; XXX - atualizar periodicamente as informações
sobre o Conselho de Saúde no Sistema de
XX - estabelecer a periodicidade de convocação e Acompanhamento dos Conselhos de
organizar as Conferências de Saúde, propor sua Saúde (SIACS).
convocação ordinária ou extraordinária e estruturar a
comissão organizadora, submeter o respectivo Fica revogada a Resolução do CNS no 333, de 4 de
regimento e programa ao Pleno do Conselho de Saúde novembro de 2003.
correspondente, convocar a sociedade para a
participação nas pré-conferências e conferências de ALEXANDRE ROCHA SANTOS PADILHA
saúde;
Presidente do Conselho Homologo a Resolução
XXI - estimular articulação e intercâmbio entre os CNS no 453, de 10 de maio de 2012, nos termos do
Conselhos de Saúde, entidades, movimentos populares, Decreto nº 5.839, de 11 de julho de 2006.
instituições públicas e privadas para a promoção da
Saúde; ALEXANDRE ROCHA SANTOS PADILHA
Ministro de Estado da Saúde
XXII - estimular, apoiar e promover estudos e
pesquisas sobre assuntos e temas na área de saúde
pertinente ao desenvolvimento do Sistema Único de
Saúde (SUS);

XXIII - acompanhar o processo de desenvolvimento


e incorporação científica e tecnológica, observados os
padrões éticos compatíveis com o desenvolvimento
sociocultural do País;

XXIV - estabelecer ações de informação, educação


e comunicação em saúde, divulgar as funções e
competências do Conselho de Saúde, seus trabalhos e
decisões nos meios de comunicação, incluindo
informações sobre as agendas, datas e local das
reuniões e dos eventos;
CONSTITUIÇÃO FEDERAL 1988, TÍTULO VIII a) a folha de salários e demais rendimentos do
trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à
- ARTIGOS DE 194 A 200 pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo
empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº
CAPÍTULO II
20, de 1998)
DA SEGURIDADE SOCIAL
Seção I
b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela
DISPOSIÇÕES GERAIS
Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
Art. 194. A seguridade social compreende um
c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº
conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes
20, de 1998)
Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os
direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência
II - do trabalhador e dos demais segurados da
social.
previdência social, não incidindo contribuição sobre
aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral
Parágrafo único. Compete ao Poder Público, nos
de previdência social de que trata o art. 201; (Redação
termos da lei, organizar a seguridade social, com base
dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
nos seguintes objetivos:
III - sobre a receita de concursos de prognósticos.
I - universalidade da cobertura e do atendimento;
IV - do importador de bens ou serviços do exterior,
II - uniformidade e equivalência dos benefícios e
ou de quem a lei a ele equiparar. (Incluído pela Emenda
serviços às populações urbanas e rurais;
Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
III - seletividade e distributividade na prestação dos
§ 1º - As receitas dos Estados, do Distrito Federal e
benefícios e serviços;
dos Municípios destinadas à seguridade social
constarão dos respectivos orçamentos, não integrando
IV - irredutibilidade do valor dos benefícios;
o orçamento da União.
V - eqüidade na forma de participação no custeio;
§ 2º A proposta de orçamento da seguridade social
será elaborada de forma integrada pelos órgãos
VI - diversidade da base de financiamento,
responsáveis pela saúde, previdência social e
identificando-se, em rubricas contábeis específicas para
assistência social, tendo em vista as metas e prioridades
cada área, as receitas e as despesas vinculadas a ações
estabelecidas na lei de diretrizes
de saúde, previdência e assistência social, preservado o
orçamentárias, assegurada a cada área a gestão de
caráter contributivo da previdência social; (Redação
seus recursos.
dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da
VII - caráter democrático e descentralizado da
seguridade social, como estabelecido em lei, não
administração, mediante gestão quadripartite, com
poderá contratar com o Poder Público nem dele receber
participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos
benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios.
aposentados e do Governo nos órgãos
colegiados. (Redação dada pela Emenda Constitucional
§ 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas
nº 20, de 1998)
a garantir a manutenção ou expansão da seguridade
social, obedecido o disposto no art. 154, I.
Art. 195. A seguridade social será financiada por
toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos
§ 5º Nenhum benefício ou serviço da seguridade
da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos
social poderá ser criado, majorado ou estendido sem a
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
correspondente fonte de custeio total.
Municípios, e das seguintes contribuições sociais:
§ 6º As contribuições sociais de que trata este
I - do empregador, da empresa e da entidade a ela
artigo só poderão ser exigidas após decorridos noventa
equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação
dias da data da publicação da lei que as houver
dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
instituído ou modificado, não se lhes aplicando o § 14. O segurado somente terá reconhecida como
disposto no art. 150, III, "b". tempo de contribuição ao Regime Geral de Previdência
Social a competência cuja contribuição seja igual ou
§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade superior à contribuição mínima mensal exigida para sua
social as entidades beneficentes de assistência social categoria, assegurado o agrupamento de
que atendam às exigências estabelecidas em lei. contribuições. (Incluído pela Emenda Constitucional nº
103, de 2019)
§ 8º O produtor, o parceiro, o meeiro e o
arrendatário rurais e o pescador artesanal, bem como Seção II
os respectivos cônjuges, que exerçam suas atividades DA SAÚDE
em regime de economia familiar, sem empregados
permanentes, contribuirão para a seguridade social Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do
mediante a aplicação de uma alíquota sobre o resultado Estado, garantido mediante políticas sociais e
da comercialização da produção e farão jus aos econômicas que visem à redução do risco de doença e
benefícios nos termos da lei. (Redação dada pela de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às
Emenda Constitucional nº 20, de 1998) ações e serviços para sua promoção, proteção e
recuperação.
§ 9º As contribuições sociais previstas no inciso I
do caput deste artigo poderão ter alíquotas Art. 197. São de relevância pública as ações e
diferenciadas em razão da atividade econômica, da serviços de saúde, cabendo ao Poder Público dispor, nos
utilização intensiva de mão de obra, do porte da termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e
empresa ou da condição estrutural do mercado de controle, devendo sua execução ser feita diretamente
trabalho, sendo também autorizada a adoção de bases ou através de terceiros e, também, por pessoa física ou
de cálculo diferenciadas apenas no caso das alíneas "b" jurídica de direito privado.
e "c" do inciso I do caput. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 103, de 2019) Art. 198. As ações e serviços públicos de saúde
integram uma rede regionalizada e hierarquizada e
§ 10. A lei definirá os critérios de transferência de constituem um sistema único, organizado de acordo
recursos para o sistema único de saúde e ações de com as seguintes diretrizes:
assistência social da União para os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios, e dos Estados para os I - descentralização, com direção única em cada
Municípios, observada a respectiva contrapartida de esfera de governo;
recursos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20,
de 1998) II - atendimento integral, com prioridade para as
atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços
§ 11. São vedados a moratória e o parcelamento assistenciais;
em prazo superior a 60 (sessenta) meses e, na forma de
lei complementar, a remissão e a anistia das III - participação da comunidade.
contribuições sociais de que tratam a alínea "a" do
inciso I e o inciso II do caput. (Redação dada pela § 1º O sistema único de saúde será financiado, nos
Emenda Constitucional nº 103, de 2019) termos do art. 195, com recursos do orçamento da
seguridade social, da União, dos Estados, do Distrito
§ 12. A lei definirá os setores de atividade Federal e dos Municípios, além de outras
econômica para os quais as contribuições incidentes na fontes. (Parágrafo único renumerado para § 1º pela
forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não- Emenda Constitucional nº 29, de 2000)
cumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº
42, de 19.12.2003) § 2º A União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios aplicarão, anualmente, em ações e serviços
§ 13. (Revogado). (Redação dada pela Emenda públicos de saúde recursos mínimos derivados da
Constitucional nº 103, de 2019) (Revogado pela aplicação de percentuais calculados sobre: (Incluído
Emenda Constitucional nº 103, de 2019) pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)
I - no caso da União, a receita corrente líquida do endemias, competindo à União, nos termos da lei,
respectivo exercício financeiro, não podendo ser prestar assistência financeira complementar aos
inferior a 15% (quinze por cento); (Redação dada pela Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, para o
Emenda Constitucional nº 86, de 2015) cumprimento do referido piso salarial. (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 63, de
II – no caso dos Estados e do Distrito Federal, o 2010) Regulamento
produto da arrecadação dos impostos a que se refere o
art. 155 e dos recursos de que tratam os arts. 157 e 159, § 6º Além das hipóteses previstas no § 1º do art. 41
inciso I, alínea a, e inciso II, deduzidas as parcelas que e no § 4º do art. 169 da Constituição Federal, o servidor
forem transferidas aos respectivos Municípios; (Incluído que exerça funções equivalentes às de agente
pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000) comunitário de saúde ou de agente de combate às
endemias poderá perder o cargo em caso de
III – no caso dos Municípios e do Distrito Federal, o descumprimento dos requisitos específicos, fixados em
produto da arrecadação dos impostos a que se refere o lei, para o seu exercício. (Incluído pela Emenda
art. 156 e dos recursos de que tratam os arts. 158 e 159, Constitucional nº 51, de 2006)
inciso I, alínea b e § 3º.(Incluído pela Emenda
Constitucional nº 29, de 2000) Art. 199. A assistência à saúde é livre à iniciativa
privada.
§ 3º Lei complementar, que será reavaliada pelo
menos a cada cinco anos, estabelecerá:(Incluído pela § 1º As instituições privadas poderão participar de
Emenda Constitucional nº 29, de 2000) forma complementar do sistema único de saúde,
segundo diretrizes deste, mediante contrato de direito
I - os percentuais de que tratam os incisos II e III do público ou convênio, tendo preferência as entidades
§ 2º; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 86, filantrópicas e as sem fins lucrativos.
de 2015)
§ 2º É vedada a destinação de recursos públicos
II – os critérios de rateio dos recursos da União para auxílios ou subvenções às instituições privadas
vinculados à saúde destinados aos Estados, ao Distrito com fins lucrativos.
Federal e aos Municípios, e dos Estados destinados a
seus respectivos Municípios, objetivando a progressiva § 3º - É vedada a participação direta ou indireta de
redução das disparidades regionais; (Incluído pela empresas ou capitais estrangeiros na assistência à
Emenda Constitucional nº 29, de 2000) saúde no País, salvo nos casos previstos em lei.

III – as normas de fiscalização, avaliação e controle § 4º A lei disporá sobre as condições e os requisitos
das despesas com saúde nas esferas federal, estadual, que facilitem a remoção de órgãos, tecidos e
distrital e municipal; (Incluído pela Emenda substâncias humanas para fins de transplante, pesquisa
Constitucional nº 29, de 2000) e tratamento, bem como a coleta, processamento e
transfusão de sangue e seus derivados, sendo vedado
IV - (revogado). (Redação dada pela Emenda todo tipo de comercialização.
Constitucional nº 86, de 2015)
Art. 200. Ao sistema único de saúde compete, além
§ 4º Os gestores locais do sistema único de saúde de outras atribuições, nos termos da lei:
poderão admitir agentes comunitários de saúde e
agentes de combate às endemias por meio de processo I - controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e
seletivo público, de acordo com a natureza e substâncias de interesse para a saúde e participar da
complexidade de suas atribuições e requisitos produção de medicamentos, equipamentos,
específicos para sua atuação. .(Incluído pela Emenda imunobiológicos, hemoderivados e outros insumos;
Constitucional nº 51, de 2006)
II - executar as ações de vigilância sanitária e
§ 5º Lei federal disporá sobre o regime jurídico, o epidemiológica, bem como as de saúde do trabalhador;
piso salarial profissional nacional, as diretrizes para os
Planos de Carreira e a regulamentação das atividades de III - ordenar a formação de recursos humanos na
agente comunitário de saúde e agente de combate às área de saúde;
IV - participar da formulação da política e da
execução das ações de saneamento básico;

V - incrementar, em sua área de atuação, o


desenvolvimento científico e tecnológico e a
inovação; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 85, de 2015)

VI - fiscalizar e inspecionar alimentos,


compreendido o controle de seu teor nutricional, bem
como bebidas e águas para consumo humano;

VII - participar do controle e fiscalização da


produção, transporte, guarda e utilização de
substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e
radioativos;

VIII - colaborar na proteção do meio ambiente, nele


compreendido o do trabalho.
LEI Nº 8.080, DE 19 DE SETEMBRO DE 1990. Parágrafo único. Dizem respeito também à saúde
as ações que, por força do disposto no artigo anterior,
Dispõe sobre as condições para a promoção, se destinam a garantir às pessoas e à coletividade
proteção e recuperação da saúde, a organização e o condições de bem-estar físico, mental e social.
funcionamento dos serviços correspondentes e dá
outras providências. TÍTULO II

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE


o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte
lei: DISPOSIÇÃO PRELIMINAR

DISPOSIÇÃO PRELIMINAR Art. 4º O conjunto de ações e serviços de saúde,


prestados por órgãos e instituições públicas federais,
Art. 1º Esta lei regula, em todo o território nacional, estaduais e municipais, da Administração direta e
as ações e serviços de saúde, executados isolada ou indireta e das fundações mantidas pelo Poder Público,
conjuntamente, em caráter permanente ou eventual, constitui o Sistema Único de Saúde (SUS).
por pessoas naturais ou jurídicas de direito Público ou
privado. § 1º Estão incluídas no disposto neste artigo as
instituições públicas federais, estaduais e municipais de
TÍTULO I controle de qualidade, pesquisa e produção de insumos,
medicamentos, inclusive de sangue e hemoderivados, e
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS de equipamentos para saúde.

Art. 2º A saúde é um direito fundamental do ser § 2º A iniciativa privada poderá participar do


humano, devendo o Estado prover as condições Sistema Único de Saúde (SUS), em caráter
indispensáveis ao seu pleno exercício. complementar.

§ 1º O dever do Estado de garantir a saúde consiste CAPÍTULO I


na formulação e execução de políticas econômicas e
sociais que visem à redução de riscos de doenças e de Dos Objetivos e Atribuições
outros agravos e no estabelecimento de condições que
assegurem acesso universal e igualitário às ações e aos Art. 5º São objetivos do Sistema Único de Saúde
serviços para a sua promoção, proteção e recuperação. SUS:

§ 2º O dever do Estado não exclui o das pessoas, da I - a identificação e divulgação dos fatores
família, das empresas e da sociedade. condicionantes e determinantes da saúde;

Art. 3º A saúde tem como fatores determinantes e II - a formulação de política de saúde destinada a
condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, promover, nos campos econômico e social, a
o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a observância do disposto no § 1º do art. 2º desta lei;
renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos
bens e serviços essenciais; os níveis de saúde da III - a assistência às pessoas por intermédio de
população expressam a organização social e econômica ações de promoção, proteção e recuperação da saúde,
do País. com a realização integrada das ações assistenciais e das
atividades preventivas.
Art. 3o Os níveis de saúde expressam a organização
social e econômica do País, tendo a saúde como Art. 6º Estão incluídas ainda no campo de atuação
determinantes e condicionantes, entre outros, a do Sistema Único de Saúde (SUS):
alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio
ambiente, o trabalho, a renda, a educação, a atividade I - a execução de ações:
física, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e
serviços essenciais. (Redação dada pela Lei nº a) de vigilância sanitária;
12.864, de 2013)
b) de vigilância epidemiológica; II - o controle da prestação de serviços que se
relacionam direta ou indiretamente com a saúde.
c) de saúde do trabalhador; e
§ 2º Entende-se por vigilância epidemiológica um
d) de assistência terapêutica integral, inclusive conjunto de ações que proporcionam o conhecimento,
farmacêutica; a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos
fatores determinantes e condicionantes de saúde
II - a participação na formulação da política e na individual ou coletiva, com a finalidade de recomendar
execução de ações de saneamento básico; e adotar as medidas de prevenção e controle das
doenças ou agravos.
III - a ordenação da formação de recursos humanos
na área de saúde; § 3º Entende-se por saúde do trabalhador, para fins
desta lei, um conjunto de atividades que se destina,
IV - a vigilância nutricional e a orientação através das ações de vigilância epidemiológica e
alimentar; vigilância sanitária, à promoção e proteção da saúde dos
trabalhadores, assim como visa à recuperação e
V - a colaboração na proteção do meio ambiente, reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos
nele compreendido o do trabalho; riscos e agravos advindos das condições de trabalho,
abrangendo:
VI - a formulação da política de medicamentos,
equipamentos, imunobiológicos e outros insumos de I - assistência ao trabalhador vítima de acidentes de
interesse para a saúde e a participação na sua produção; trabalho ou portador de doença profissional e do
trabalho;
VII - o controle e a fiscalização de serviços,
produtos e substâncias de interesse para a saúde; II - participação, no âmbito de competência do
Sistema Único de Saúde (SUS), em estudos, pesquisas,
VIII - a fiscalização e a inspeção de alimentos, água avaliação e controle dos riscos e agravos potenciais à
e bebidas para consumo humano; saúde existentes no processo de trabalho;

IX - a participação no controle e na fiscalização da III - participação, no âmbito de competência do


produção, transporte, guarda e utilização de Sistema Único de Saúde (SUS), da normatização,
substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e fiscalização e controle das condições de produção,
radioativos; extração, armazenamento, transporte, distribuição e
manuseio de substâncias, de produtos, de máquinas e
X - o incremento, em sua área de atuação, do de equipamentos que apresentam riscos à saúde do
desenvolvimento científico e tecnológico; trabalhador;

XI - a formulação e execução da política de sangue IV - avaliação do impacto que as tecnologias


e seus derivados. provocam à saúde;

§ 1º Entende-se por vigilância sanitária um V - informação ao trabalhador e à sua respectiva


conjunto de ações capaz de eliminar, diminuir ou entidade sindical e às empresas sobre os riscos de
prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas acidentes de trabalho, doença profissional e do
sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção trabalho, bem como os resultados de fiscalizações,
e circulação de bens e da prestação de serviços de avaliações ambientais e exames de saúde, de admissão,
interesse da saúde, abrangendo: periódicos e de demissão, respeitados os preceitos da
ética profissional;
I - o controle de bens de consumo que, direta ou
indiretamente, se relacionem com a saúde, VI - participação na normatização, fiscalização e
compreendidas todas as etapas e processos, da controle dos serviços de saúde do trabalhador nas
produção ao consumo; e instituições e empresas públicas e privadas;
VII - revisão periódica da listagem oficial de b) regionalização e hierarquização da rede de
doenças originadas no processo de trabalho, tendo na serviços de saúde;
sua elaboração a colaboração das entidades sindicais; e
X - integração em nível executivo das ações de
VIII - a garantia ao sindicato dos trabalhadores de saúde, meio ambiente e saneamento básico;
requerer ao órgão competente a interdição de máquina,
de setor de serviço ou de todo ambiente de trabalho, XI - conjugação dos recursos financeiros,
quando houver exposição a risco iminente para a vida tecnológicos, materiais e humanos da União, dos
ou saúde dos trabalhadores. Estados, do Distrito Federal e dos Municípios na
prestação de serviços de assistência à saúde da
CAPÍTULO II população;

Dos Princípios e Diretrizes XII - capacidade de resolução dos serviços em todos


os níveis de assistência; e
Art. 7º As ações e serviços públicos de saúde e os
serviços privados contratados ou conveniados que XIII - organização dos serviços públicos de modo a
integram o Sistema Único de Saúde (SUS), são evitar duplicidade de meios para fins idênticos.
desenvolvidos de acordo com as diretrizes previstas
no art. 198 da Constituição Federal, obedecendo ainda XIV – organização de atendimento público
aos seguintes princípios: específico e especializado para mulheres e vítimas de
violência doméstica em geral, que garanta, entre
I - universalidade de acesso aos serviços de saúde outros, atendimento, acompanhamento psicológico e
em todos os níveis de assistência; cirurgias plásticas reparadoras, em conformidade com
a Lei nº 12.845, de 1º de agosto de
II - integralidade de assistência, entendida como 2013. (Redação dada pela Lei nº 13.427, de 2017)
conjunto articulado e contínuo das ações e serviços
preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos CAPÍTULO III
para cada caso em todos os níveis de complexidade do
sistema; Da Organização, da Direção e da Gestão

III - preservação da autonomia das pessoas na Art. 8º As ações e serviços de saúde, executados
defesa de sua integridade física e moral; pelo Sistema Único de Saúde (SUS), seja diretamente ou
mediante participação complementar da iniciativa
IV - igualdade da assistência à saúde, sem privada, serão organizados de forma regionalizada e
preconceitos ou privilégios de qualquer espécie; hierarquizada em níveis de complexidade crescente.

V - direito à informação, às pessoas assistidas, Art. 9º A direção do Sistema Único de Saúde (SUS)
sobre sua saúde; é única, de acordo com o inciso I do art. 198 da
Constituição Federal, sendo exercida em cada esfera de
VI - divulgação de informações quanto ao potencial governo pelos seguintes órgãos:
dos serviços de saúde e a sua utilização pelo usuário;
I - no âmbito da União, pelo Ministério da Saúde;
VII - utilização da epidemiologia para o
estabelecimento de prioridades, a alocação de recursos II - no âmbito dos Estados e do Distrito Federal,
e a orientação programática; pela respectiva Secretaria de Saúde ou órgão
equivalente; e
VIII - participação da comunidade;
III - no âmbito dos Municípios, pela respectiva
IX - descentralização político-administrativa, com Secretaria de Saúde ou órgão equivalente.
direção única em cada esfera de governo:
Art. 10. Os municípios poderão constituir
a) ênfase na descentralização dos serviços para os consórcios para desenvolver em conjunto as ações e os
municípios; serviços de saúde que lhes correspondam.
§ 1º Aplica-se aos consórcios administrativos Art. 14-A. As Comissões Intergestores Bipartite e
intermunicipais o princípio da direção única, e os Tripartite são reconhecidas como foros de negociação e
respectivos atos constitutivos disporão sobre sua pactuação entre gestores, quanto aos aspectos
observância. operacionais do Sistema Único de Saúde
(SUS). (Incluído pela Lei nº 12.466, de 2011).
§ 2º No nível municipal, o Sistema Único de Saúde
(SUS), poderá organizar-se em distritos de forma a Parágrafo único. A atuação das Comissões
integrar e articular recursos, técnicas e práticas voltadas Intergestores Bipartite e Tripartite terá por
para a cobertura total das ações de saúde. objetivo: (Incluído pela Lei nº 12.466, de 2011).

Art. 11. (Vetado). I - decidir sobre os aspectos operacionais,


financeiros e administrativos da gestão compartilhada
Art. 12. Serão criadas comissões intersetoriais de do SUS, em conformidade com a definição da política
âmbito nacional, subordinadas ao Conselho Nacional de consubstanciada em planos de saúde, aprovados pelos
Saúde, integradas pelos Ministérios e órgãos conselhos de saúde; (Incluído pela Lei nº 12.466,
competentes e por entidades representativas da de 2011).
sociedade civil.
II - definir diretrizes, de âmbito nacional, regional e
Parágrafo único. As comissões intersetoriais terão intermunicipal, a respeito da organização das redes de
a finalidade de articular políticas e programas de ações e serviços de saúde, principalmente no tocante à
interesse para a saúde, cuja execução envolva áreas não sua governança institucional e à integração das ações e
compreendidas no âmbito do Sistema Único de Saúde serviços dos entes federados; (Incluído pela Lei nº
(SUS). 12.466, de 2011).

Art. 13. A articulação das políticas e programas, a III - fixar diretrizes sobre as regiões de saúde,
cargo das comissões intersetoriais, abrangerá, em distrito sanitário, integração de territórios, referência e
especial, as seguintes atividades: contrarreferência e demais aspectos vinculados à
integração das ações e serviços de saúde entre os entes
I - alimentação e nutrição; federados. (Incluído pela Lei nº 12.466, de 2011).

II - saneamento e meio ambiente; Art. 14-B. O Conselho Nacional de Secretários de


Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias
III - vigilância sanitária e farmacoepidemiologia; Municipais de Saúde (Conasems) são reconhecidos
como entidades representativas dos entes estaduais e
IV - recursos humanos; municipais para tratar de matérias referentes à saúde e
declarados de utilidade pública e de relevante função
V - ciência e tecnologia; e social, na forma do regulamento. (Incluído pela Lei
nº 12.466, de 2011).
VI - saúde do trabalhador.
§ 1o O Conass e o Conasems receberão recursos do
Art. 14. Deverão ser criadas Comissões orçamento geral da União por meio do Fundo Nacional
Permanentes de integração entre os serviços de saúde de Saúde, para auxiliar no custeio de suas despesas
e as instituições de ensino profissional e superior. institucionais, podendo ainda celebrar convênios com a
União. (Incluído pela Lei nº 12.466, de 2011).
Parágrafo único. Cada uma dessas comissões terá
por finalidade propor prioridades, métodos e § 2o Os Conselhos de Secretarias Municipais de
estratégias para a formação e educação continuada dos Saúde (Cosems) são reconhecidos como entidades que
recursos humanos do Sistema Único de Saúde (SUS), na representam os entes municipais, no âmbito estadual,
esfera correspondente, assim como em relação à para tratar de matérias referentes à saúde, desde que
pesquisa e à cooperação técnica entre essas vinculados institucionalmente ao Conasems, na forma
instituições. que dispuserem seus estatutos. (Incluído pela Lei
nº 12.466, de 2011).
CAPÍTULO IV XII - realização de operações externas de natureza
financeira de interesse da saúde, autorizadas pelo
Da Competência e das Atribuições Senado Federal;

Seção I XIII - para atendimento de necessidades coletivas,


urgentes e transitórias, decorrentes de situações de
Das Atribuições Comuns perigo iminente, de calamidade pública ou de irrupção
de epidemias, a autoridade competente da esfera
Art. 15. A União, os Estados, o Distrito Federal e os administrativa correspondente poderá requisitar bens e
Municípios exercerão, em seu âmbito administrativo, as serviços, tanto de pessoas naturais como de jurídicas,
seguintes atribuições: sendo-lhes assegurada justa indenização;

I - definição das instâncias e mecanismos de XIV - implementar o Sistema Nacional de Sangue,


controle, avaliação e de fiscalização das ações e serviços Componentes e Derivados;
de saúde;
XV - propor a celebração de convênios, acordos e
II - administração dos recursos orçamentários e protocolos internacionais relativos à saúde,
financeiros destinados, em cada ano, à saúde; saneamento e meio ambiente;

III - acompanhamento, avaliação e divulgação do XVI - elaborar normas técnico-científicas de


nível de saúde da população e das condições promoção, proteção e recuperação da saúde;
ambientais;
XVII - promover articulação com os órgãos de
IV - organização e coordenação do sistema de fiscalização do exercício profissional e outras entidades
informação de saúde; representativas da sociedade civil para a definição e
controle dos padrões éticos para pesquisa, ações e
V - elaboração de normas técnicas e serviços de saúde;
estabelecimento de padrões de qualidade e parâmetros
de custos que caracterizam a assistência à saúde; XVIII - promover a articulação da política e dos
planos de saúde;
VI - elaboração de normas técnicas e
estabelecimento de padrões de qualidade para XIX - realizar pesquisas e estudos na área de saúde;
promoção da saúde do trabalhador;
XX - definir as instâncias e mecanismos de controle
VII - participação de formulação da política e da e fiscalização inerentes ao poder de polícia sanitária;
execução das ações de saneamento básico e
colaboração na proteção e recuperação do meio XXI - fomentar, coordenar e executar programas e
ambiente; projetos estratégicos e de atendimento emergencial.

VIII - elaboração e atualização periódica do plano Seção II


de saúde;
Da Competência
IX - participação na formulação e na execução da
política de formação e desenvolvimento de recursos Art. 16. A direção nacional do Sistema Único da
humanos para a saúde; Saúde (SUS) compete:

X - elaboração da proposta orçamentária do I - formular, avaliar e apoiar políticas de


Sistema Único de Saúde (SUS), de conformidade com o alimentação e nutrição;
plano de saúde;
II - participar na formulação e na implementação
XI - elaboração de normas para regular as das políticas:
atividades de serviços privados de saúde, tendo em vista
a sua relevância pública; a) de controle das agressões ao meio ambiente;
b) de saneamento básico; e XII - controlar e fiscalizar procedimentos, produtos
e substâncias de interesse para a saúde;
c) relativas às condições e aos ambientes de
trabalho; XIII - prestar cooperação técnica e financeira aos
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios para o
III - definir e coordenar os sistemas: aperfeiçoamento da sua atuação institucional;

a) de redes integradas de assistência de alta XIV - elaborar normas para regular as relações
complexidade; entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e os serviços
privados contratados de assistência à saúde;
b) de rede de laboratórios de saúde pública;
XV - promover a descentralização para as Unidades
c) de vigilância epidemiológica; e Federadas e para os Municípios, dos serviços e ações de
saúde, respectivamente, de abrangência estadual e
d) vigilância sanitária; municipal;

IV - participar da definição de normas e XVI - normatizar e coordenar nacionalmente o


mecanismos de controle, com órgão afins, de agravo Sistema Nacional de Sangue, Componentes e Derivados;
sobre o meio ambiente ou dele decorrentes, que
tenham repercussão na saúde humana; XVII - acompanhar, controlar e avaliar as ações e os
serviços de saúde, respeitadas as competências
V - participar da definição de normas, critérios e estaduais e municipais;
padrões para o controle das condições e dos ambientes
de trabalho e coordenar a política de saúde do XVIII - elaborar o Planejamento Estratégico
trabalhador; Nacional no âmbito do SUS, em cooperação técnica com
os Estados, Municípios e Distrito Federal;
VI - coordenar e participar na execução das ações
de vigilância epidemiológica; XIX - estabelecer o Sistema Nacional de Auditoria e
coordenar a avaliação técnica e financeira do SUS em
VII - estabelecer normas e executar a vigilância todo o Território Nacional em cooperação técnica com
sanitária de portos, aeroportos e fronteiras, podendo a os Estados, Municípios e Distrito Federal. (Vide
execução ser complementada pelos Estados, Distrito Decreto nº 1.651, de 1995)
Federal e Municípios;
Parágrafo único. A União poderá executar ações de
VIII - estabelecer critérios, parâmetros e métodos vigilância epidemiológica e sanitária em circunstâncias
para o controle da qualidade sanitária de produtos, especiais, como na ocorrência de agravos inusitados à
substâncias e serviços de consumo e uso humano; saúde, que possam escapar do controle da direção
estadual do Sistema Único de Saúde (SUS) ou que
IX - promover articulação com os órgãos representem risco de disseminação nacional.
educacionais e de fiscalização do exercício profissional,
bem como com entidades representativas de formação Art. 17. À direção estadual do Sistema Único de
de recursos humanos na área de saúde; Saúde (SUS) compete:

X - formular, avaliar, elaborar normas e participar I - promover a descentralização para os Municípios


na execução da política nacional e produção de insumos dos serviços e das ações de saúde;
e equipamentos para a saúde, em articulação com os
demais órgãos governamentais; II - acompanhar, controlar e avaliar as redes
hierarquizadas do Sistema Único de Saúde (SUS);
XI - identificar os serviços estaduais e municipais de
referência nacional para o estabelecimento de padrões III - prestar apoio técnico e financeiro aos
técnicos de assistência à saúde; Municípios e executar supletivamente ações e serviços
de saúde;
IV - coordenar e, em caráter complementar, I - planejar, organizar, controlar e avaliar as ações e
executar ações e serviços: os serviços de saúde e gerir e executar os serviços
públicos de saúde;
a) de vigilância epidemiológica;
II - participar do planejamento, programação e
b) de vigilância sanitária; organização da rede regionalizada e hierarquizada do
Sistema Único de Saúde (SUS), em articulação com sua
c) de alimentação e nutrição; e direção estadual;

d) de saúde do trabalhador; III - participar da execução, controle e avaliação das


ações referentes às condições e aos ambientes de
V - participar, junto com os órgãos afins, do trabalho;
controle dos agravos do meio ambiente que tenham
repercussão na saúde humana; IV - executar serviços:

VI - participar da formulação da política e da a) de vigilância epidemiológica;


execução de ações de saneamento básico;
b) vigilância sanitária;
VII - participar das ações de controle e avaliação
das condições e dos ambientes de trabalho; c) de alimentação e nutrição;

VIII - em caráter suplementar, formular, executar, d) de saneamento básico; e


acompanhar e avaliar a política de insumos e
equipamentos para a saúde; e) de saúde do trabalhador;

IX - identificar estabelecimentos hospitalares de V - dar execução, no âmbito municipal, à política de


referência e gerir sistemas públicos de alta insumos e equipamentos para a saúde;
complexidade, de referência estadual e regional;
VI - colaborar na fiscalização das agressões ao meio
X - coordenar a rede estadual de laboratórios de ambiente que tenham repercussão sobre a saúde
saúde pública e hemocentros, e gerir as unidades que humana e atuar, junto aos órgãos municipais, estaduais
permaneçam em sua organização administrativa; e federais competentes, para controlá-las;

XI - estabelecer normas, em caráter suplementar, VII - formar consórcios administrativos


para o controle e avaliação das ações e serviços de intermunicipais;
saúde;
VIII - gerir laboratórios públicos de saúde e
XII - formular normas e estabelecer padrões, em hemocentros;
caráter suplementar, de procedimentos de controle de
qualidade para produtos e substâncias de consumo IX - colaborar com a União e os Estados na
humano; execução da vigilância sanitária de portos, aeroportos e
fronteiras;
XIII - colaborar com a União na execução da
vigilância sanitária de portos, aeroportos e fronteiras; X - observado o disposto no art. 26 desta Lei,
celebrar contratos e convênios com entidades
XIV - o acompanhamento, a avaliação e divulgação prestadoras de serviços privados de saúde, bem como
dos indicadores de morbidade e mortalidade no âmbito controlar e avaliar sua execução;
da unidade federada.
XI - controlar e fiscalizar os procedimentos dos
Art. 18. À direção municipal do Sistema de Saúde serviços privados de saúde;
(SUS) compete:
XII - normatizar complementarmente as ações e
serviços públicos de saúde no seu âmbito de atuação.
Art. 19. Ao Distrito Federal competem as § 1o O Subsistema de que trata o caput deste artigo
atribuições reservadas aos Estados e aos Municípios. terá como base os Distritos Sanitários Especiais
Indígenas. (Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999)
CAPÍTULO V
§ 2o O SUS servirá de retaguarda e referência ao
Do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, devendo,
(Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999) para isso, ocorrer adaptações na estrutura e
organização do SUS nas regiões onde residem as
Art. 19-A. As ações e serviços de saúde voltados populações indígenas, para propiciar essa integração e
para o atendimento das populações indígenas, em todo o atendimento necessário em todos os níveis, sem
o território nacional, coletiva ou individualmente, discriminações. (Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999)
obedecerão ao disposto nesta Lei. (Incluído pela Lei
nº 9.836, de 1999) § 3o As populações indígenas devem ter acesso
garantido ao SUS, em âmbito local, regional e de centros
Art. 19-B. É instituído um Subsistema de Atenção à especializados, de acordo com suas necessidades,
Saúde Indígena, componente do Sistema Único de compreendendo a atenção primária, secundária e
Saúde – SUS, criado e definido por esta Lei, e pela Lei terciária à saúde. (Incluído pela Lei nº 9.836, de
no 8.142, de 28 de dezembro de 1990, com o qual 1999)
funcionará em perfeita integração. (Incluído pela Lei
nº 9.836, de 1999) Art. 19-H. As populações indígenas terão direito a
participar dos organismos colegiados de formulação,
Art. 19-C. Caberá à União, com seus recursos acompanhamento e avaliação das políticas de saúde,
próprios, financiar o Subsistema de Atenção à Saúde tais como o Conselho Nacional de Saúde e os Conselhos
Indígena. (Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999) Estaduais e Municipais de Saúde, quando for o
caso. (Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999)
Art. 19-D. O SUS promoverá a articulação do
Subsistema instituído por esta Lei com os órgãos CAPÍTULO VI
responsáveis pela Política Indígena do País. (Incluído
pela Lei nº 9.836, de 1999) DO SUBSISTEMA DE ATENDIMENTO E INTERNAÇÃO
DOMICILIAR
Art. 19-E. Os Estados, Municípios, outras (Incluído pela Lei nº 10.424, de 2002)
instituições governamentais e não-governamentais
poderão atuar complementarmente no custeio e Art. 19-I. São estabelecidos, no âmbito do Sistema
execução das ações. (Incluído pela Lei nº 9.836, de Único de Saúde, o atendimento domiciliar e a
1999) internação domiciliar. (Incluído pela Lei nº 10.424,
de 2002)
Art. 19-F. Dever-se-á obrigatoriamente levar em
consideração a realidade local e as especificidades da § 1o Na modalidade de assistência de atendimento
cultura dos povos indígenas e o modelo a ser adotado e internação domiciliares incluem-se, principalmente,
para a atenção à saúde indígena, que se deve pautar por os procedimentos médicos, de enfermagem,
uma abordagem diferenciada e global, contemplando fisioterapêuticos, psicológicos e de assistência social,
os aspectos de assistência à saúde, saneamento básico, entre outros necessários ao cuidado integral dos
nutrição, habitação, meio ambiente, demarcação de pacientes em seu domicílio. (Incluído pela Lei nº
terras, educação sanitária e integração 10.424, de 2002)
institucional. (Incluído pela Lei nº 9.836, de 1999)
§ 2o O atendimento e a internação domiciliares
Art. 19-G. O Subsistema de Atenção à Saúde serão realizados por equipes multidisciplinares que
Indígena deverá ser, como o SUS, descentralizado, atuarão nos níveis da medicina preventiva, terapêutica
hierarquizado e regionalizado. (Incluído pela Lei nº e reabilitadora. (Incluído pela Lei nº 10.424, de
9.836, de 1999) 2002)

§ 3o O atendimento e a internação domiciliares só


poderão ser realizados por indicação médica, com
expressa concordância do paciente e de sua II - oferta de procedimentos terapêuticos, em
família. (Incluído pela Lei nº 10.424, de 2002) regime domiciliar, ambulatorial e hospitalar, constantes
de tabelas elaboradas pelo gestor federal do Sistema
CAPÍTULO VII Único de Saúde - SUS, realizados no território nacional
por serviço próprio, conveniado ou contratado.
DO SUBSISTEMA DE ACOMPANHAMENTO
DURANTE O TRABALHO DE PARTO, PARTO E PÓS-PARTO Art. 19-N. Para os efeitos do disposto no art. 19-M,
IMEDIATO são adotadas as seguintes definições:
(Incluído pela Lei nº 11.108, de 2005)
I - produtos de interesse para a saúde: órteses,
Art. 19-J. Os serviços de saúde do Sistema Único de próteses, bolsas coletoras e equipamentos médicos;
Saúde - SUS, da rede própria ou conveniada, ficam
obrigados a permitir a presença, junto à parturiente, de II - protocolo clínico e diretriz terapêutica:
1 (um) acompanhante durante todo o período de documento que estabelece critérios para o diagnóstico
trabalho de parto, parto e pós-parto da doença ou do agravo à saúde; o tratamento
imediato. (Incluído pela Lei nº 11.108, de 2005) preconizado, com os medicamentos e demais produtos
apropriados, quando couber; as posologias
§ 1o O acompanhante de que trata o caput deste recomendadas; os mecanismos de controle clínico; e o
artigo será indicado pela parturiente. (Incluído pela acompanhamento e a verificação dos resultados
Lei nº 11.108, de 2005) terapêuticos, a serem seguidos pelos gestores do
SUS. (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011)
§ 2o As ações destinadas a viabilizar o pleno
exercício dos direitos de que trata este artigo constarão Art. 19-O. Os protocolos clínicos e as diretrizes
do regulamento da lei, a ser elaborado pelo órgão terapêuticas deverão estabelecer os medicamentos ou
competente do Poder Executivo. (Incluído pela Lei produtos necessários nas diferentes fases evolutivas da
nº 11.108, de 2005) doença ou do agravo à saúde de que tratam, bem como
aqueles indicados em casos de perda de eficácia e de
§ 3o Ficam os hospitais de todo o País obrigados a surgimento de intolerância ou reação adversa
manter, em local visível de suas dependências, aviso relevante, provocadas pelo medicamento, produto ou
informando sobre o direito estabelecido no caput deste procedimento de primeira escolha. (Incluído pela
artigo. (Incluído pela Lei nº 12.895, de 2013) Lei nº 12.401, de 2011)

Art. 19-L. (VETADO) (Incluído pela Lei nº Parágrafo único. Em qualquer caso, os
11.108, de 2005) medicamentos ou produtos de que trata o caput deste
artigo serão aqueles avaliados quanto à sua eficácia,
CAPÍTULO VIII segurança, efetividade e custo-efetividade para as
diferentes fases evolutivas da doença ou do agravo à
(Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011) saúde de que trata o protocolo. (Incluído pela Lei nº
12.401, de 2011)
DA ASSISTÊNCIA TERAPÊUTICA E DA
INCORPORAÇÃO DE TECNOLOGIA EM SAÚDE” Art. 19-P. Na falta de protocolo clínico ou de
diretriz terapêutica, a dispensação será
Art. 19-M. A assistência terapêutica integral a que realizada: (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011)
se refere a alínea d do inciso I do art. 6o consiste
em: (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011) I - com base nas relações de medicamentos
instituídas pelo gestor federal do SUS, observadas as
I - dispensação de medicamentos e produtos de competências estabelecidas nesta Lei, e a
interesse para a saúde, cuja prescrição esteja em responsabilidade pelo fornecimento será pactuada na
conformidade com as diretrizes terapêuticas definidas Comissão Intergestores Tripartite; (Incluído pela Lei
em protocolo clínico para a doença ou o agravo à saúde nº 12.401, de 2011)
a ser tratado ou, na falta do protocolo, em
conformidade com o disposto no art. 19- II - no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal,
P; (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011) de forma suplementar, com base nas relações de
medicamentos instituídas pelos gestores estaduais do corridos, quando as circunstâncias
SUS, e a responsabilidade pelo fornecimento será exigirem. (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011)
pactuada na Comissão Intergestores
Bipartite; (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011) § 1o O processo de que trata o caput deste artigo
observará, no que couber, o disposto na Lei no 9.784, de
III - no âmbito de cada Município, de forma 29 de janeiro de 1999, e as seguintes determinações
suplementar, com base nas relações de medicamentos especiais: (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011)
instituídas pelos gestores municipais do SUS, e a
responsabilidade pelo fornecimento será pactuada no I - apresentação pelo interessado dos documentos
Conselho Municipal de Saúde. (Incluído pela Lei nº e, se cabível, das amostras de produtos, na forma do
12.401, de 2011) regulamento, com informações necessárias para o
atendimento do disposto no § 2o do art. 19-Q; (Incluído
Art. 19-Q. A incorporação, a exclusão ou a pela Lei nº 12.401, de 2011)
alteração pelo SUS de novos medicamentos, produtos e
procedimentos, bem como a constituição ou a alteração II - (VETADO); (Incluído pela Lei nº 12.401, de
de protocolo clínico ou de diretriz terapêutica, são 2011)
atribuições do Ministério da Saúde, assessorado pela
Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no III - realização de consulta pública que inclua a
SUS. (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011) divulgação do parecer emitido pela Comissão Nacional
de Incorporação de Tecnologias no SUS; (Incluído
§ 1o A Comissão Nacional de Incorporação de pela Lei nº 12.401, de 2011)
Tecnologias no SUS, cuja composição e regimento são
definidos em regulamento, contará com a participação IV - realização de audiência pública, antes da
de 1 (um) representante indicado pelo Conselho tomada de decisão, se a relevância da matéria justificar
Nacional de Saúde e de 1 (um) representante, o evento. (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011)
especialista na área, indicado pelo Conselho Federal de
Medicina. (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011) § 2o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.401, de
2011)
§ 2o O relatório da Comissão Nacional de
Incorporação de Tecnologias no SUS levará em Art. 19-S. (VETADO). (Incluído pela Lei nº
consideração, necessariamente: (Incluído pela Lei 12.401, de 2011)
nº 12.401, de 2011)
Art. 19-T. São vedados, em todas as esferas de
I - as evidências científicas sobre a eficácia, a gestão do SUS: (Incluído pela Lei nº 12.401, de
acurácia, a efetividade e a segurança do medicamento, 2011)
produto ou procedimento objeto do processo, acatadas
pelo órgão competente para o registro ou a autorização I - o pagamento, o ressarcimento ou o reembolso
de uso; (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011) de medicamento, produto e procedimento clínico ou
cirúrgico experimental, ou de uso não autorizado pela
II - a avaliação econômica comparativa dos Agência Nacional de Vigilância Sanitária -
benefícios e dos custos em relação às tecnologias já ANVISA; (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011)
incorporadas, inclusive no que se refere aos
atendimentos domiciliar, ambulatorial ou hospitalar, II - a dispensação, o pagamento, o ressarcimento
quando cabível. (Incluído pela Lei nº 12.401, de ou o reembolso de medicamento e produto, nacional ou
2011) importado, sem registro na Anvisa.”

Art. 19-R. A incorporação, a exclusão e a alteração Art. 19-U. A responsabilidade financeira pelo
a que se refere o art. 19-Q serão efetuadas mediante a fornecimento de medicamentos, produtos de interesse
instauração de processo administrativo, a ser concluído para a saúde ou procedimentos de que trata este
em prazo não superior a 180 (cento e oitenta) dias, Capítulo será pactuada na Comissão Intergestores
contado da data em que foi protocolado o pedido, Tripartite. (Incluído pela Lei nº 12.401, de 2011)
admitida a sua prorrogação por 90 (noventa) dias
TÍTULO III
DOS SERVIÇOS PRIVADOS DE ASSISTÊNCIA À SAÙDE a) hospital geral, inclusive filantrópico, hospital
especializado, policlínica, clínica geral e clínica
CAPÍTULO I especializada; e (Incluído pela Lei nº 13.097, de
2015)
Do Funcionamento
b) ações e pesquisas de planejamento
Art. 20. Os serviços privados de assistência à saúde familiar; (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015)
caracterizam-se pela atuação, por iniciativa própria, de
profissionais liberais, legalmente habilitados, e de III - serviços de saúde mantidos, sem finalidade
pessoas jurídicas de direito privado na promoção, lucrativa, por empresas, para atendimento de seus
proteção e recuperação da saúde. empregados e dependentes, sem qualquer ônus para a
seguridade social; e (Incluído pela Lei nº 13.097, de
Art. 21. A assistência à saúde é livre à iniciativa 2015)
privada.
IV - demais casos previstos em legislação
Art. 22. Na prestação de serviços privados de específica. (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015)
assistência à saúde, serão observados os princípios
éticos e as normas expedidas pelo órgão de direção do CAPÍTULO II
Sistema Único de Saúde (SUS) quanto às condições para
seu funcionamento. Da Participação Complementar

Art. 23. É vedada a participação direta ou indireta Art. 24. Quando as suas disponibilidades forem
de empresas ou de capitais estrangeiros na assistência insuficientes para garantir a cobertura assistencial à
à saúde, salvo através de doações de organismos população de uma determinada área, o Sistema Único
internacionais vinculados à Organização das Nações de Saúde (SUS) poderá recorrer aos serviços ofertados
Unidas, de entidades de cooperação técnica e de pela iniciativa privada.
financiamento e empréstimos.
§ 1° Em qualquer caso é obrigatória a autorização Parágrafo único. A participação complementar dos
do órgão de direção nacional do Sistema Único de Saúde serviços privados será formalizada mediante contrato
(SUS), submetendo-se a seu controle as atividades que ou convênio, observadas, a respeito, as normas de
forem desenvolvidas e os instrumentos que forem direito público.
firmados.
§ 2° Excetuam-se do disposto neste artigo os Art. 25. Na hipótese do artigo anterior, as
serviços de saúde mantidos, sem finalidade lucrativa, entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos terão
por empresas, para atendimento de seus empregados e preferência para participar do Sistema Único de Saúde
dependentes, sem qualquer ônus para a seguridade (SUS).
social.
Art. 26. Os critérios e valores para a remuneração
Art. 23. É permitida a participação direta ou de serviços e os parâmetros de cobertura assistencial
indireta, inclusive controle, de empresas ou de capital serão estabelecidos pela direção nacional do Sistema
estrangeiro na assistência à saúde nos seguintes Único de Saúde (SUS), aprovados no Conselho Nacional
casos: (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) de Saúde.

I - doações de organismos internacionais § 1° Na fixação dos critérios, valores, formas de


vinculados à Organização das Nações Unidas, de reajuste e de pagamento da remuneração aludida neste
entidades de cooperação técnica e de financiamento e artigo, a direção nacional do Sistema Único de Saúde
empréstimos; (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) (SUS) deverá fundamentar seu ato em demonstrativo
econômico-financeiro que garanta a efetiva qualidade
II - pessoas jurídicas destinadas a instalar, de execução dos serviços contratados.
operacionalizar ou explorar: (Incluído pela Lei nº
13.097, de 2015) § 2° Os serviços contratados submeter-se-ão às
normas técnicas e administrativas e aos princípios e
diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), mantido o Art. 29. (Vetado).
equilíbrio econômico e financeiro do contrato.
Art. 30. As especializações na forma de
§ 3° (Vetado). treinamento em serviço sob supervisão serão
regulamentadas por Comissão Nacional, instituída de
§ 4° Aos proprietários, administradores e dirigentes acordo com o art. 12 desta Lei, garantida a participação
de entidades ou serviços contratados é vedado exercer das entidades profissionais correspondentes.
cargo de chefia ou função de confiança no Sistema
Único de Saúde (SUS). TÍTULO V

TÍTULO IV DO FINANCIAMENTO

DOS RECURSOS HUMANOS CAPÍTULO I

Art. 27. A política de recursos humanos na área da Dos Recursos


saúde será formalizada e executada, articuladamente,
pelas diferentes esferas de governo, em cumprimento Art. 31. O orçamento da seguridade social
dos seguintes objetivos: destinará ao Sistema Único de Saúde (SUS) de acordo
com a receita estimada, os recursos necessários à
I - organização de um sistema de formação de realização de suas finalidades, previstos em proposta
recursos humanos em todos os níveis de ensino, elaborada pela sua direção nacional, com a participação
inclusive de pós-graduação, além da elaboração de dos órgãos da Previdência Social e da Assistência Social,
programas de permanente aperfeiçoamento de tendo em vista as metas e prioridades estabelecidas na
pessoal; Lei de Diretrizes Orçamentárias.

II - (Vetado) Art. 32. São considerados de outras fontes os


recursos provenientes de:
III - (Vetado)
I - (Vetado)
IV - valorização da dedicação exclusiva aos serviços
do Sistema Único de Saúde (SUS). II - Serviços que possam ser prestados sem prejuízo
da assistência à saúde;
Parágrafo único. Os serviços públicos que integram
o Sistema Único de Saúde (SUS) constituem campo de III - ajuda, contribuições, doações e donativos;
prática para ensino e pesquisa, mediante normas
específicas, elaboradas conjuntamente com o sistema IV - alienações patrimoniais e rendimentos de
educacional. capital;

Art. 28. Os cargos e funções de chefia, direção e V - taxas, multas, emolumentos e preços públicos
assessoramento, no âmbito do Sistema Único de Saúde arrecadados no âmbito do Sistema Único de Saúde
(SUS), só poderão ser exercidas em regime de tempo (SUS); e
integral.
VI - rendas eventuais, inclusive comerciais e
§ 1° Os servidores que legalmente acumulam dois industriais.
cargos ou empregos poderão exercer suas atividades
em mais de um estabelecimento do Sistema Único de § 1° Ao Sistema Único de Saúde (SUS) caberá
Saúde (SUS). metade da receita de que trata o inciso I deste artigo,
apurada mensalmente, a qual será destinada à
§ 2° O disposto no parágrafo anterior aplica-se recuperação de viciados.
também aos servidores em regime de tempo integral,
com exceção dos ocupantes de cargos ou função de § 2° As receitas geradas no âmbito do Sistema
chefia, direção ou assessoramento. Único de Saúde (SUS) serão creditadas diretamente em
contas especiais, movimentadas pela sua direção, na dotações consignadas no Orçamento da Seguridade
esfera de poder onde forem arrecadadas. Social, a projetos e atividades a serem executados no
âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
§ 3º As ações de saneamento que venham a ser
executadas supletivamente pelo Sistema Único de Parágrafo único. Na distribuição dos recursos
Saúde (SUS), serão financiadas por recursos tarifários financeiros da Seguridade Social será observada a
específicos e outros da União, Estados, Distrito Federal, mesma proporção da despesa prevista de cada área, no
Municípios e, em particular, do Sistema Financeiro da Orçamento da Seguridade Social.
Habitação (SFH).
Art. 35. Para o estabelecimento de valores a serem
§ 4º (Vetado). transferidos a Estados, Distrito Federal e Municípios,
será utilizada a combinação dos seguintes critérios,
§ 5º As atividades de pesquisa e desenvolvimento segundo análise técnica de programas e projetos:
científico e tecnológico em saúde serão co-financiadas
pelo Sistema Único de Saúde (SUS), pelas universidades I - perfil demográfico da região;
e pelo orçamento fiscal, além de recursos de instituições
de fomento e financiamento ou de origem externa e II - perfil epidemiológico da população a ser
receita própria das instituições executoras. coberta;

§ 6º (Vetado). III - características quantitativas e qualitativas da


rede de saúde na área;
CAPÍTULO II
IV - desempenho técnico, econômico e financeiro
Da Gestão Financeira no período anterior;

Art. 33. Os recursos financeiros do Sistema Único V - níveis de participação do setor saúde nos
de Saúde (SUS) serão depositados em conta especial, orçamentos estaduais e municipais;
em cada esfera de sua atuação, e movimentados sob
fiscalização dos respectivos Conselhos de Saúde. VI - previsão do plano qüinqüenal de investimentos
da rede;
§ 1º Na esfera federal, os recursos financeiros,
originários do Orçamento da Seguridade Social, de VII - ressarcimento do atendimento a serviços
outros Orçamentos da União, além de outras fontes, prestados para outras esferas de governo.
serão administrados pelo Ministério da Saúde, através
do Fundo Nacional de Saúde. § 1º Metade dos recursos destinados a Estados e
Municípios será distribuída segundo o quociente de sua
§ 2º (Vetado). divisão pelo número de habitantes,
independentemente de qualquer procedimento
§ 3º (Vetado). prévio. (Revogado pela Lei Complementar nº 141,
de 2012) (Vide Lei nº 8.142, de 1990)
§ 4º O Ministério da Saúde acompanhará, através
de seu sistema de auditoria, a conformidade à § 2º Nos casos de Estados e Municípios sujeitos a
programação aprovada da aplicação dos recursos notório processo de migração, os critérios demográficos
repassados a Estados e Municípios. Constatada a mencionados nesta lei serão ponderados por outros
malversação, desvio ou não aplicação dos recursos, indicadores de crescimento populacional, em especial o
caberá ao Ministério da Saúde aplicar as medidas número de eleitores registrados.
previstas em lei.
§ 3º (Vetado).
Art. 34. As autoridades responsáveis pela
distribuição da receita efetivamente arrecadada § 4º (Vetado).
transferirão automaticamente ao Fundo Nacional de
Saúde (FNS), observado o critério do parágrafo único § 5º (Vetado).
deste artigo, os recursos financeiros correspondentes às
§ 6º O disposto no parágrafo anterior não prejudica Saúde (SUS) será feita de modo a preservá-los como
a atuação dos órgãos de controle interno e externo e patrimônio da Seguridade Social.
nem a aplicação de penalidades previstas em lei, em
caso de irregularidades verificadas na gestão dos § 6º Os imóveis de que trata o parágrafo anterior
recursos transferidos. serão inventariados com todos os seus acessórios,
equipamentos e outros bens móveis e ficarão
CAPÍTULO III disponíveis para utilização pelo órgão de direção
municipal do Sistema Único de Saúde - SUS ou,
Do Planejamento e do Orçamento eventualmente, pelo estadual, em cuja circunscrição
administrativa se encontrem, mediante simples termo
Art. 36. O processo de planejamento e orçamento de recebimento.
do Sistema Único de Saúde (SUS) será ascendente, do
nível local até o federal, ouvidos seus órgãos § 7º (Vetado).
deliberativos, compatibilizando-se as necessidades da
política de saúde com a disponibilidade de recursos em § 8º O acesso aos serviços de informática e bases
planos de saúde dos Municípios, dos Estados, do Distrito de dados, mantidos pelo Ministério da Saúde e pelo
Federal e da União. Ministério do Trabalho e da Previdência Social, será
assegurado às Secretarias Estaduais e Municipais de
§ 1º Os planos de saúde serão a base das atividades Saúde ou órgãos congêneres, como suporte ao processo
e programações de cada nível de direção do Sistema de gestão, de forma a permitir a gerencia informatizada
Único de Saúde (SUS), e seu financiamento será previsto das contas e a disseminação de estatísticas sanitárias e
na respectiva proposta orçamentária. epidemiológicas médico-hospitalares.

§ 2º É vedada a transferência de recursos para o Art. 40. (Vetado)


financiamento de ações não previstas nos planos de
saúde, exceto em situações emergenciais ou de Art. 41. As ações desenvolvidas pela Fundação das
calamidade pública, na área de saúde. Pioneiras Sociais e pelo Instituto Nacional do Câncer,
supervisionadas pela direção nacional do Sistema Único
Art. 37. O Conselho Nacional de Saúde de Saúde (SUS), permanecerão como referencial de
estabelecerá as diretrizes a serem observadas na prestação de serviços, formação de recursos humanos e
elaboração dos planos de saúde, em função das para transferência de tecnologia.
características epidemiológicas e da organização dos
serviços em cada jurisdição administrativa. Art. 42. (Vetado).

Art. 38. Não será permitida a destinação de Art. 43. A gratuidade das ações e serviços de saúde
subvenções e auxílios a instituições prestadoras de fica preservada nos serviços públicos contratados,
serviços de saúde com finalidade lucrativa. ressalvando-se as cláusulas dos contratos ou convênios
estabelecidos com as entidades privadas.
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS
Art. 44. (Vetado).
Art. 39. (Vetado).
Art. 45. Os serviços de saúde dos hospitais
§ 1º (Vetado). universitários e de ensino integram-se ao Sistema Único
de Saúde (SUS), mediante convênio, preservada a sua
§ 2º (Vetado). autonomia administrativa, em relação ao patrimônio,
aos recursos humanos e financeiros, ensino, pesquisa e
§ 3º (Vetado). extensão nos limites conferidos pelas instituições a que
estejam vinculados.
§ 4º (Vetado).
§ 1º Os serviços de saúde de sistemas estaduais e
§ 5º A cessão de uso dos imóveis de propriedade municipais de previdência social deverão integrar-se à
do Inamps para órgãos integrantes do Sistema Único de direção correspondente do Sistema Único de Saúde
(SUS), conforme seu âmbito de atuação, bem como Art. 54. Esta lei entra em vigor na data de sua
quaisquer outros órgãos e serviços de saúde. publicação.

§ 2º Em tempo de paz e havendo interesse Art. 55. São revogadas a Lei nº. 2.312, de 3 de
recíproco, os serviços de saúde das Forças Armadas setembro de 1954, a Lei nº. 6.229, de 17 de julho de
poderão integrar-se ao Sistema Único de Saúde (SUS), 1975, e demais disposições em contrário.
conforme se dispuser em convênio que, para esse fim,
for firmado. Brasília, 19 de setembro de 1990; 169º da
Independência e 102º da República.
Art. 46. o Sistema Único de Saúde (SUS),
estabelecerá mecanismos de incentivos à participação FERNANDO COLLOR
do setor privado no investimento em ciência e Alceni Guerra
tecnologia e estimulará a transferência de tecnologia
das universidades e institutos de pesquisa aos serviços Este texto não substitui o publicado no DOU de
de saúde nos Estados, Distrito Federal e Municípios, e às 20.9.1990
empresas nacionais.
*
Art. 47. O Ministério da Saúde, em articulação com
os níveis estaduais e municipais do Sistema Único de
Saúde (SUS), organizará, no prazo de dois anos, um
sistema nacional de informações em saúde, integrado
em todo o território nacional, abrangendo questões
epidemiológicas e de prestação de serviços.

Art. 48. (Vetado).

Art. 49. (Vetado).

Art. 50. Os convênios entre a União, os Estados e os


Municípios, celebrados para implantação dos Sistemas
Unificados e Descentralizados de Saúde, ficarão
rescindidos à proporção que seu objeto for sendo
absorvido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Art. 51. (Vetado).

Art. 52. Sem prejuízo de outras sanções cabíveis,


constitui crime de emprego irregular de verbas ou
rendas públicas (Código Penal, art. 315) a utilização de
recursos financeiros do Sistema Único de Saúde (SUS)
em finalidades diversas das previstas nesta lei.

Art. 53. (Vetado).

Art. 53-A. Na qualidade de ações e serviços de


saúde, as atividades de apoio à assistência à saúde são
aquelas desenvolvidas pelos laboratórios de genética
humana, produção e fornecimento de medicamentos e
produtos para saúde, laboratórios de analises clínicas,
anatomia patológica e de diagnóstico por imagem e são
livres à participação direta ou indireta de empresas ou
de capitais estrangeiros. (Incluído pela Lei nº
13.097, de 2015)
LEI Nº 8.142, DE 28 DE DEZEMBRO DE 1990. Art. 2° Os recursos do Fundo Nacional de Saúde
(FNS) serão alocados como:
Dispõe sobre a participação da comunidade na
gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as I - despesas de custeio e de capital do Ministério da
transferências intergovernamentais de recursos Saúde, seus órgãos e entidades, da administração direta
financeiros na área da saúde e dá outras providências. e indireta;

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o II - investimentos previstos em lei orçamentária, de


Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei: iniciativa do Poder Legislativo e aprovados pelo
Congresso Nacional;
Art. 1° O Sistema Único de Saúde (SUS), de que
trata a Lei n° 8.080, de 19 de setembro de 1990, III - investimentos previstos no Plano Qüinqüenal
contará, em cada esfera de governo, sem prejuízo das do Ministério da Saúde;
funções do Poder Legislativo, com as seguintes
instâncias colegiadas: IV - cobertura das ações e serviços de saúde a
serem implementados pelos Municípios, Estados e
I - a Conferência de Saúde; e Distrito Federal.

II - o Conselho de Saúde. Parágrafo único. Os recursos referidos no inciso IV


deste artigo destinar-se-ão a investimentos na rede de
§ 1° A Conferência de Saúde reunir-se-á a cada serviços, à cobertura assistencial ambulatorial e
quatro anos com a representação dos vários segmentos hospitalar e às demais ações de saúde.
sociais, para avaliar a situação de saúde e propor as
diretrizes para a formulação da política de saúde nos Art. 3° Os recursos referidos no inciso IV do art. 2°
níveis correspondentes, convocada pelo Poder desta lei serão repassados de forma regular e
Executivo ou, extraordinariamente, por esta ou pelo automática para os Municípios, Estados e Distrito
Conselho de Saúde. Federal, de acordo com os critérios previstos no art. 35
da Lei n° 8.080, de 19 de setembro de 1990.
§ 2° O Conselho de Saúde, em caráter permanente
e deliberativo, órgão colegiado composto por § 1° Enquanto não for regulamentada a aplicação
representantes do governo, prestadores de serviço, dos critérios previstos no art. 35 da Lei n° 8.080, de 19
profissionais de saúde e usuários, atua na formulação de setembro de 1990, será utilizado, para o repasse de
de estratégias e no controle da execução da política de recursos, exclusivamente o critério estabelecido no § 1°
saúde na instância correspondente, inclusive nos do mesmo artigo. (Vide Lei nº 8.080, de 1990)
aspectos econômicos e financeiros, cujas decisões serão
homologadas pelo chefe do poder legalmente § 2° Os recursos referidos neste artigo serão
constituído em cada esfera do governo. destinados, pelo menos setenta por cento, aos
Municípios, afetando-se o restante aos Estados.
§ 3° O Conselho Nacional de Secretários de Saúde
(Conass) e o Conselho Nacional de Secretários § 3° Os Municípios poderão estabelecer consórcio
Municipais de Saúde (Conasems) terão representação para execução de ações e serviços de saúde,
no Conselho Nacional de Saúde. remanejando, entre si, parcelas de recursos previstos
no inciso IV do art. 2° desta lei.
§ 4° A representação dos usuários nos Conselhos
de Saúde e Conferências será paritária em relação ao Art. 4° Para receberem os recursos, de que trata o
conjunto dos demais segmentos. art. 3° desta lei, os Municípios, os Estados e o Distrito
Federal deverão contar com:
§ 5° As Conferências de Saúde e os Conselhos de
Saúde terão sua organização e normas de I - Fundo de Saúde;
funcionamento definidas em regimento próprio,
aprovadas pelo respectivo conselho. II - Conselho de Saúde, com composição paritária
de acordo com o Decreto n° 99.438, de 7 de agosto de
1990;
III - plano de saúde;

IV - relatórios de gestão que permitam o controle


de que trata o § 4° do art. 33 da Lei n° 8.080, de 19 de
setembro de 1990;

V - contrapartida de recursos para a saúde no


respectivo orçamento;

VI - Comissão de elaboração do Plano de Carreira,


Cargos e Salários (PCCS), previsto o prazo de dois anos
para sua implantação.

Parágrafo único. O não atendimento pelos


Municípios, ou pelos Estados, ou pelo Distrito Federal,
dos requisitos estabelecidos neste artigo, implicará em
que os recursos concernentes sejam administrados,
respectivamente, pelos Estados ou pela União.

Art. 5° É o Ministério da Saúde, mediante portaria


do Ministro de Estado, autorizado a estabelecer
condições para aplicação desta lei.

Art. 6° Esta lei entra em vigor na data de sua


publicação.

Art. 7° Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília, 28 de dezembro de 1990; 169° da


Independência e 102° da República.

FERNANDO COLLOR

Alceni Guerra

Este texto não substitui o publicado no DOU de


31.12.1990
DECRETO Nº 7.508, DE 28 DE JUNHO DE IV - Comissões Intergestores - instâncias de
pactuação consensual entre os entes federativos para
2011. definição das regras da gestão compartilhada do SUS;

Regulamenta a Lei nº 8.080, de 19 de setembro


V - Mapa da Saúde - descrição geográfica da
de 1990, para dispor sobre a organização do Sistema
distribuição de recursos humanos e de ações e serviços
Único de Saúde - SUS, o planejamento da saúde, a
de saúde ofertados pelo SUS e pela iniciativa privada,
assistência à saúde e a articulação interfederativa, e dá
considerando-se a capacidade instalada existente, os
outras providências.
investimentos e o desempenho aferido a partir dos
indicadores de saúde do sistema;
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA , no uso da
atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da
VI - Rede de Atenção à Saúde - conjunto de ações e
Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei nº
serviços de saúde articulados em níveis de
8.080, 19 de setembro de 1990,
complexidade crescente, com a finalidade de garantir a
integralidade da assistência à saúde;
DECRETA:
VII - Serviços Especiais de Acesso Aberto - serviços de
CAPÍTULO I saúde específicos para o atendimento da pessoa que, em
razão de agravo ou de situação laboral, necessita de
DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES atendimento especial; e

Art. 1º Este Decreto regulamenta a Lei nº 8.080, de VIII - Protocolo Clínico e Diretriz Terapêutica -
19 de setembro de 1990, para dispor sobre a documento que estabelece: critérios para o diagnóstico
organização do Sistema Único de Saúde - SUS, o da doença ou do agravo à saúde; o tratamento
planejamento da saúde, a assistência à saúde e a preconizado, com os medicamentos e demais produtos
articulação interfederativa. apropriados, quando couber; as posologias
recomendadas; os mecanismos de controle clínico; e o
Art. 2º Para efeito deste Decreto, considera-se: acompanhamento e a verificação dos resultados
terapêuticos, a serem seguidos pelos gestores do SUS.
I - Região de Saúde - espaço geográfico contínuo
constituído por agrupamentos de Municípios limítrofes, CAPÍTULO II
delimitado a partir de identidades culturais, econômicas
e sociais e de redes de comunicação e infraestrutura de DA ORGANIZAÇÃO DO SUS
transportes compartilhados, com a finalidade de
integrar a organização, o planejamento e a execução de Art. 3º O SUS é constituído pela conjugação das
ações e serviços de saúde; ações e serviços de promoção, proteção e recuperação
da saúde executados pelos entes federativos, de forma
II - Contrato Organizativo da Ação Pública da Saúde - direta ou indireta, mediante a participação
acordo de colaboração firmado entre entes federativos complementar da iniciativa privada, sendo organizado
com a finalidade de organizar e integrar as ações e serviços de forma regionalizada e hierarquizada.
de saúde na rede regionalizada e hierarquizada, com
definição de responsabilidades, indicadores e metas de Seção I
saúde, critérios de avaliação de desempenho, recursos
financeiros que serão disponibilizados, forma de controle
Das Regiões de Saúde
e fiscalização de sua execução e demais elementos
necessários à implementação integrada das ações e
Art. 4º As Regiões de Saúde serão instituídas pelo
serviços de saúde;
Estado, em articulação com os Municípios, respeitadas
as diretrizes gerais pactuadas na Comissão
III - Portas de Entrada - serviços de atendimento
Intergestores Tripartite - CIT a que se refere o inciso I do
inicial à saúde do usuário no SUS;
art. 30.
§ 1º Poderão ser instituídas Regiões de Saúde Art. 8º O acesso universal, igualitário e ordenado às
interestaduais, compostas por Municípios limítrofes, ações e serviços de saúde se inicia pelas Portas de
por ato conjunto dos respectivos Estados em articulação Entrada do SUS e se completa na rede regionalizada e
com os Municípios. hierarquizada, de acordo com a complexidade do
serviço.
§ 2º A instituição de Regiões de Saúde situadas em
áreas de fronteira com outros países deverá respeitar as Art. 9º São Portas de Entrada às ações e aos serviços
normas que regem as relações internacionais. de saúde nas Redes de Atenção à Saúde os serviços:

Art. 5º Para ser instituída, a Região de Saúde deve I - de atenção primária;


conter, no mínimo, ações e serviços de:
II - de atenção de urgência e emergência;
I - atenção primária;
III - de atenção psicossocial; e
II - urgência e emergência;
IV - especiais de acesso aberto.
III - atenção psicossocial;
Parágrafo único. Mediante justificativa técnica e de
IV - atenção ambulatorial especializada e acordo com o pactuado nas Comissões Intergestores, os
hospitalar; e entes federativos poderão criar novas Portas de Entrada
às ações e serviços de saúde, considerando as
V - vigilância em saúde. características da Região de Saúde.

Parágrafo único. A instituição das Regiões de Saúde Art. 10. Os serviços de atenção hospitalar e os
observará cronograma pactuado nas Comissões ambulatoriais especializados, entre outros de maior
Intergestores. complexidade e densidade tecnológica, serão
referenciados pelas Portas de Entrada de que trata o art.
Art. 6º As Regiões de Saúde serão referência para 9º .
as transferências de recursos entre os entes federativos.
Art. 11. O acesso universal e igualitário às ações e
Art. 7º As Redes de Atenção à Saúde estarão aos serviços de saúde será ordenado pela atenção
compreendidas no âmbito de uma Região de Saúde, ou primária e deve ser fundado na avaliação da gravidade
de várias delas, em consonância com diretrizes do risco individual e coletivo e no critério cronológico,
pactuadas nas Comissões Intergestores . observadas as especificidades previstas para pessoas
com proteção especial, conforme legislação vigente.
Parágrafo único. Os entes federativos definirão os
seguintes elementos em relação às Regiões de Saúde: Parágrafo único. A população indígena contará
com regramentos diferenciados de acesso, compatíveis
I - seus limites geográficos; com suas especificidades e com a necessidade de
assistência integral à sua saúde, de acordo com
disposições do Ministério da Saúde.
II - população usuária das ações e serviços;

Art. 12. Ao usuário será assegurada a continuidade do


III - rol de ações e serviços que serão ofertados; e
cuidado em saúde, em todas as suas modalidades, nos
serviços, hospitais e em outras unidades integrantes da
IV - respectivas responsabilidades, critérios de
rede de atenção da respectiva região.
acessibilidade e escala para conformação dos serviços.
Parágrafo único. As Comissões Intergestores
Seção II
pactuarão as regras de continuidade do acesso às ações
e aos serviços de saúde na respectiva área de atuação.
Da Hierarquização
Art. 13. Para assegurar ao usuário o acesso deverão compor os Mapas da Saúde regional, estadual
universal, igualitário e ordenado às ações e serviços de e nacional.
saúde do SUS, caberá aos entes federativos, além de
outras atribuições que venham a ser pactuadas pelas Art. 17. O Mapa da Saúde será utilizado na
Comissões Intergestores: identificação das necessidades de saúde e orientará o
planejamento integrado dos entes federativos,
I - garantir a transparência, a integralidade e a contribuindo para o estabelecimento de metas de
equidade no acesso às ações e aos serviços de saúde; saúde.

II - orientar e ordenar os fluxos das ações e dos Art. 18. O planejamento da saúde em âmbito
serviços de saúde; estadual deve ser realizado de maneira regionalizada, a
partir das necessidades dos Municípios, considerando o
III - monitorar o acesso às ações e aos serviços de estabelecimento de metas de saúde.
saúde; e
Art. 19. Compete à Comissão Intergestores
IV - ofertar regionalmente as ações e os serviços de Bipartite - CIB de que trata o inciso II do art. 30 pactuar
saúde. as etapas do processo e os prazos do planejamento
municipal em consonância com os planejamentos
Art. 14. O Ministério da Saúde disporá sobre estadual e nacional.
critérios, diretrizes, procedimentos e demais medidas
que auxiliem os entes federativos no cumprimento das CAPÍTULO IV
atribuições previstas no art. 13.
DA ASSISTÊNCIA À SAÚDE
CAPÍTULO III
Art. 20. A integralidade da assistência à saúde se
DO PLANEJAMENTO DA SAÚDE inicia e se completa na Rede de Atenção à Saúde,
mediante referenciamento do usuário na rede regional
Art. 15. O processo de planejamento da saúde será e interestadual, conforme pactuado nas Comissões
ascendente e integrado, do nível local até o federal, Intergestores.
ouvidos os respectivos Conselhos de Saúde,
compatibilizando-se as necessidades das políticas de Seção I
saúde com a disponibilidade de recursos financeiros.
Da Relação Nacional de Ações e Serviços de Saúde
§ 1º O planejamento da saúde é obrigatório para os - RENASES
entes públicos e será indutor de políticas para a
iniciativa privada. Art. 21. A Relação Nacional de Ações e Serviços de
Saúde - RENASES compreende todas as ações e serviços
§ 2º A compatibilização de que trata o caput será que o SUS oferece ao usuário para atendimento da
efetuada no âmbito dos planos de saúde, os quais serão integralidade da assistência à saúde.
resultado do planejamento integrado dos entes
federativos, e deverão conter metas de saúde. Art. 22. O Ministério da Saúde disporá sobre a
RENASES em âmbito nacional, observadas as diretrizes
§ 3º O Conselho Nacional de Saúde estabelecerá as pactuadas pela CIT.
diretrizes a serem observadas na elaboração dos planos
de saúde, de acordo com as características Parágrafo único. A cada dois anos, o Ministério da
epidemiológicas e da organização de serviços nos entes Saúde consolidará e publicará as atualizações da
federativos e nas Regiões de Saúde. RENASES.

Art. 16. No planejamento devem ser considerados Art. 23. A União, os Estados, o Distrito Federal e os
os serviços e as ações prestados pela iniciativa privada, Municípios pactuarão nas respectivas Comissões
de forma complementar ou não ao SUS, os quais Intergestores as suas responsabilidades em relação ao
rol de ações e serviços constantes da RENASES.
Art. 24. Os Estados, o Distrito Federal e os Terapêuticas ou com a relação específica complementar
Municípios poderão adotar relações específicas e estadual, distrital ou municipal de medicamentos; e
complementares de ações e serviços de saúde, em
consonância com a RENASES, respeitadas as IV - ter a dispensação ocorrido em unidades
responsabilidades dos entes pelo seu financiamento, de indicadas pela direção do SUS.
acordo com o pactuado nas Comissões Intergestores.
§ 1º Os entes federativos poderão ampliar o acesso
Seção II do usuário à assistência farmacêutica, desde que
questões de saúde pública o justifiquem.
Da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais -
RENAME § 2º O Ministério da Saúde poderá estabelecer
regras diferenciadas de acesso a medicamentos de
Art. 25. A Relação Nacional de Medicamentos caráter especializado.
Essenciais - RENAME compreende a seleção e a
padronização de medicamentos indicados para Art. 29. A RENAME e a relação específica
atendimento de doenças ou de agravos no âmbito do complementar estadual, distrital ou municipal de
SUS. medicamentos somente poderão conter produtos com
registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária -
Parágrafo único. A RENAME será acompanhada do ANVISA.
Formulário Terapêutico Nacional - FTN que subsidiará a
prescrição, a dispensação e o uso dos seus CAPÍTULO V
medicamentos.
DA ARTICULAÇÃO INTERFEDERATIVA
Art. 26. O Ministério da Saúde é o órgão
competente para dispor sobre a RENAME e os Seção I
Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas em âmbito
nacional, observadas as diretrizes pactuadas pela CIT. Das Comissões Intergestores

Parágrafo único. A cada dois anos, o Ministério da Art. 30. As Comissões Intergestores pactuarão a
Saúde consolidará e publicará as atualizações da organização e o funcionamento das ações e serviços de
RENAME, do respectivo FTN e dos Protocolos Clínicos e saúde integrados em redes de atenção à saúde, sendo:
Diretrizes Terapêuticas.
I - a CIT, no âmbito da União, vinculada ao
Art. 27. O Estado, o Distrito Federal e o Município Ministério da Saúde para efeitos administrativos e
poderão adotar relações específicas e complementares operacionais;
de medicamentos, em consonância com a RENAME,
respeitadas as responsabilidades dos entes pelo
II - a CIB, no âmbito do Estado, vinculada à
financiamento de medicamentos, de acordo com o
Secretaria Estadual de Saúde para efeitos
pactuado nas Comissões Intergestores.
administrativos e operacionais; e
Art. 28. O acesso universal e igualitário à
III - a Comissão Intergestores Regional - CIR, no
assistência farmacêutica pressupõe, cumulativamente:
âmbito regional, vinculada à Secretaria Estadual de
Saúde para efeitos administrativos e operacionais,
I - estar o usuário assistido por ações e serviços de devendo observar as diretrizes da CIB.
saúde do SUS;
Art. 31. Nas Comissões Intergestores, os gestores
II - ter o medicamento sido prescrito por públicos de saúde poderão ser representados pelo
profissional de saúde, no exercício regular de suas Conselho Nacional de Secretários de Saúde - CONASS,
funções no SUS; pelo Conselho Nacional de Secretarias Municipais de
Saúde - CONASEMS e pelo Conselho Estadual de
III - estar a prescrição em conformidade com a Secretarias Municipais de Saúde - COSEMS.
RENAME e os Protocolos Clínicos e Diretrizes
Art. 32. As Comissões Intergestores pactuarão: atenção à saúde será firmado por meio de Contrato
Organizativo da Ação Pública da Saúde.
I - aspectos operacionais, financeiros e
administrativos da gestão compartilhada do SUS, de Art. 34. O objeto do Contrato Organizativo de Ação
acordo com a definição da política de saúde dos entes Pública da Saúde é a organização e a integração das
federativos, consubstanciada nos seus planos de saúde, ações e dos serviços de saúde, sob a responsabilidade
aprovados pelos respectivos conselhos de saúde; dos entes federativos em uma Região de Saúde, com a
finalidade de garantir a integralidade da assistência aos
II - diretrizes gerais sobre Regiões de Saúde, usuários.
integração de limites geográficos, referência e
contrarreferência e demais aspectos vinculados à Parágrafo único. O Contrato Organizativo de Ação
integração das ações e serviços de saúde entre os entes Pública da Saúde resultará da integração dos planos de
federativos; saúde dos entes federativos na Rede de Atenção à
Saúde, tendo como fundamento as pactuações
III - diretrizes de âmbito nacional, estadual, estabelecidas pela CIT.
regional e interestadual, a respeito da organização das
redes de atenção à saúde, principalmente no tocante à Art. 35. O Contrato Organizativo de Ação Pública da
gestão institucional e à integração das ações e serviços Saúde definirá as responsabilidades individuais e
dos entes federativos; solidárias dos entes federativos com relação às ações e
serviços de saúde, os indicadores e as metas de saúde,
IV - responsabilidades dos entes federativos na Rede os critérios de avaliação de desempenho, os recursos
de Atenção à Saúde, de acordo com o seu porte financeiros que serão disponibilizados, a forma de
demográfico e seu desenvolvimento econômico- controle e fiscalização da sua execução e demais
financeiro, estabelecendo as responsabilidades individuais elementos necessários à implementação integrada das
e as solidárias; e ações e serviços de saúde.

V - referências das regiões intraestaduais e § 1º O Ministério da Saúde definirá indicadores


interestaduais de atenção à saúde para o atendimento nacionais de garantia de acesso às ações e aos serviços de
da integralidade da assistência. saúde no âmbito do SUS, a partir de diretrizes
estabelecidas pelo Plano Nacional de Saúde.
Parágrafo único. Serão de competência exclusiva
da CIT a pactuação: § 2º O desempenho aferido a partir dos indicadores
nacionais de garantia de acesso servirá como parâmetro
I - das diretrizes gerais para a composição da para avaliação do desempenho da prestação das ações
RENASES; e dos serviços definidos no Contrato Organizativo de
Ação Pública de Saúde em todas as Regiões de Saúde,
II - dos critérios para o planejamento integrado das considerando-se as especificidades municipais,
ações e serviços de saúde da Região de Saúde, em razão regionais e estaduais.
do compartilhamento da gestão; e
Art. 36. O Contrato Organizativo da Ação Pública de
III - das diretrizes nacionais, do financiamento e das Saúde conterá as seguintes disposições essenciais:
questões operacionais das Regiões de Saúde situadas
em fronteiras com outros países, respeitadas, em todos I - identificação das necessidades de saúde locais e
os casos, as normas que regem as relações regionais;
internacionais.
II - oferta de ações e serviços de vigilância em
Seção II saúde, promoção, proteção e recuperação da saúde em
âmbito regional e inter-regional;
Do Contrato Organizativo da Ação Pública da Saúde
III - responsabilidades assumidas pelos entes
Art. 33. O acordo de colaboração entre os entes federativos perante a população no processo de
federativos para a organização da rede interfederativa de regionalização, as quais serão estabelecidas de forma
individualizada, de acordo com o perfil, a organização e a
capacidade de prestação das ações e dos serviços de cada Art. 40. O Sistema Nacional de Auditoria e
ente federativo da Região de Saúde; Avaliação do SUS, por meio de serviço especializado,
fará o controle e a fiscalização do Contrato Organizativo
IV - indicadores e metas de saúde; de Ação Pública da Saúde.

V - estratégias para a melhoria das ações e serviços § 1º O Relatório de Gestão a que se refere o inciso
de saúde; IV do art. 4º da Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de
1990, conterá seção específica relativa aos
VI - critérios de avaliação dos resultados e forma de compromissos assumidos no âmbito do Contrato
monitoramento permanente; Organizativo de Ação Pública de Saúde.

VII - adequação das ações e dos serviços dos entes § 2º O disposto neste artigo será implementado em
federativos em relação às atualizações realizadas na conformidade com as demais formas de controle e
RENASES; fiscalização previstas em Lei.

VIII - investimentos na rede de serviços e as Art. 41. Aos partícipes caberá monitorar e avaliar a
respectivas responsabilidades; e execução do Contrato Organizativo de Ação Pública de
Saúde, em relação ao cumprimento das metas
IX - recursos financeiros que serão disponibilizados estabelecidas, ao seu desempenho e à aplicação dos
por cada um dos partícipes para sua execução. recursos disponibilizados.

Parágrafo único. O Ministério da Saúde poderá Parágrafo único. Os partícipes incluirão dados
instituir formas de incentivo ao cumprimento das metas sobre o Contrato Organizativo de Ação Pública de Saúde
de saúde e à melhoria das ações e serviços de saúde. no sistema de informações em saúde organizado pelo
Ministério da Saúde e os encaminhará ao respectivo
Conselho de Saúde para monitoramento.
Art. 37. O Contrato Organizativo de Ação Pública de
Saúde observará as seguintes diretrizes básicas para fins
de garantia da gestão participativa: CAPÍTULO VI

I - estabelecimento de estratégias que incorporem DAS DISPOSIÇÕES FINAIS


a avaliação do usuário das ações e dos serviços, como
ferramenta de sua melhoria; Art. 42. Sem prejuízo das outras providências
legais, o Ministério da Saúde informará aos órgãos de
II - apuração permanente das necessidades e controle interno e externo:
interesses do usuário; e
I - o descumprimento injustificado de
III - publicidade dos direitos e deveres do usuário responsabilidades na prestação de ações e serviços de
na saúde em todas as unidades de saúde do SUS, saúde e de outras obrigações previstas neste Decreto;
inclusive nas unidades privadas que dele participem de
forma complementar. II - a não apresentação do Relatório de Gestão a
que se refere o inciso IV do art. 4º da Lei no 8.142, de
Art. 38. A humanização do atendimento do usuário 1990 ;
será fator determinante para o estabelecimento das
metas de saúde previstas no Contrato Organizativo de III - a não aplicação, malversação ou desvio de
Ação Pública de Saúde. recursos financeiros; e

Art. 39. As normas de elaboração e fluxos do IV - outros atos de natureza ilícita de que tiver
Contrato Organizativo de Ação Pública de Saúde serão conhecimento.
pactuados pelo CIT, cabendo à Secretaria de Saúde
Estadual coordenar a sua implementação. Art. 43. A primeira RENASES é a somatória de todas
as ações e serviços de saúde que na data da publicação
deste Decreto são ofertados pelo SUS à população, por
meio dos entes federados, de forma direta ou indireta.

Art. 44. O Conselho Nacional de Saúde


estabelecerá as diretrizes de que trata o § 3º do art. 15
no prazo de cento e oitenta dias a partir da publicação
deste Decreto.

Art. 45. Este Decreto entra em vigor na data de sua


publicação.

Brasília, 28 de junho de 2011; 190º da


Independência e 123º da República.

DILMA ROUSSEFF

Alexandre Rocha Santos Padilha

Este texto não substitui o publicado no DOU de


29.6.2011
DETERMINANTES SOCIAIS DA SAÚDE Villermé, com Tableau de l’état physique et moral des
ouvriers de Paris, de 1840, e Engels, com A situação das
As diversas definições de determinantes sociais classes trabalhadoras na Inglaterra, Londres, de 1845.
de saúde (DSS) expressam, com maior ou menor nível Nas últimas décadas do século XIX, com o
de detalhe, o conceito atualmente bastante extraordinário trabalho de bacteriologistas como Koch e
generalizado de que as condições de vida e trabalho dos Pasteur, afirma-se um novo paradigma para a explicação
indivíduos e de grupos da população estão relacionadas do processo saúde-doença. A história da criação da
com sua situação de saúde. Para a Comissão Nacional primeira escola de saúde pública nos Estados Unidos, na
sobre os Determinantes Sociais da Saúde (CNDSS), os Universidade Johns Hopkins, é um interessante exemplo
DSS são os fatores sociais, econômicos, culturais, do processo de afirmação da hegemonia desse
étnicos/raciais, psicológicos e comportamentais que “paradigma bacteriológico”. Desde 1913, quando a
influenciam a ocorrência de problemas de saúde e seus Fundação Rockefeller decide propor o estabelecimento
fatores de risco na população. A comissão homônima da de uma escola para treinar os profissionais de saúde
Organização Mundial da Saúde (OMS) adota uma pública, até a decisão, em 1916, de financiar sua
definição mais curta, segundo a qual os DSS são as implantação em Johns Hopkins, há um importante
condições sociais em que as pessoas vivem e trabalham. debate entre diversas correntes e concepções sobre a
Nancy Krieger (2001) introduz um elemento de estruturação do campo da saúde pública. No centro do
intervenção, ao defini-los como os fatores e debate estiveram questões como: deve a saúde pública
mecanismos através dos quais as condições sociais tratar do estudo de doenças específicas, como um ramo
afetam a saúde e que potencialmente podem ser especializado da medicina, baseando-se
alterados através de ações baseadas em informação. fundamentalmente na microbiologia e nos sucessos da
Tarlov (1996) propõe, finalmente, uma definição teoria dos germes ou deve centrar-se no estudo da
bastante sintética, ao entendêlos como as influência das condições sociais, econômicas e
características sociais dentro das quais a vida ambientais na saúde dos indivíduos? Outras questões
transcorre. relacionadas: a saúde e a doença devem ser pesquisadas
Embora, como já mencionado, tenha-se hoje no laboratório, com o estudo biológico dos organismos
alcançado certo consenso sobre a importância dos DSS infecciosos, ou nas casas, nas fábricas e nos campos,
na situação de saúde, esse consenso foi sendo buscando conhecer as condições de vida e os hábitos de
construído ao longo da história. Entre os diversos seus hospedeiros?
paradigmas explicativos para os problemas de saúde, Como se pode ver, o conflito entre saúde pública
em meados do século XIX predominava a teoria e medicina e entre os enfoques biológico e social do
miasmática, que conseguia responder às importantes processo saúde-doença estiveram no centro do debate
mudanças sociais e práticas de saúde observadas no sobre a configuração desse novo campo de
âmbito dos novos processos de urbanização e conhecimento, de prática e de educação. Ao final desse
industrialização ocorridos naquele momento histórico. processo, Hopkins foi escolhida pela excelência de sua
Estudos sobre a contaminação da água e dos alimentos, escola de medicina, de seu hospital e de seu corpo de
assim como sobre riscos ocupacionais, trouxeram pesquisadores médicos. Esta decisão representou o
importante reforço para o conceito de miasma e para as predomínio do conceito da saúde pública orientada ao
ações de saúde pública (SUSSER, 1998). controle de doenças específicas, fundamentada no
Virchow, um dos mais destacados cientistas conhecimento científico baseado na bacteriologia e
vinculados a essa teoria, entendia que a “ciência médica contribuiu para “estreitar” o foco da saúde pública, que
é intrínseca e essencialmente uma ciência social”, que passa a distanciar-se das questões políticas e dos
as condições econômicas e sociais exercem um efeito esforços por reformas sociais e sanitárias de caráter
importante sobre a saúde e a doença e que tais relações mais amplo. A influência desse processo e do modelo
devem ser submetidas à pesquisa científica. Entendia por ele gerado não se limita à escola de saúde pública
também que o próprio termo “saúde pública” expressa de Hopkins, estendendo-se por todo o país e
seu caráter político e que sua prática implica internacionalmente. O modelo serviu para que nos anos
necessariamente a intervenção na vida política e social seguintes a Fundação Rockefeller apoiasse o
para identificar e eliminar os fatores que prejudicam a estabelecimento de escolas de saúde pública no Brasil
saúde da população (ROSEN, 1980). Outros autores que (Faculdade de Higiene e Saúde Pública de São Paulo),
merecem destaque nessa corrente de pensamento são Bulgária, Canadá, Checoslováquia, Inglaterra, Hungria,
Chadwick, com seu Report on the sanitary condition of Índia, Itália, Japão, Noruega, Filipinas, Polônia, Romênia,
the labouring population of Great Britain, de 1842, Suécia, Turquia e Iugoslávia (FEE, 1987).
Apesar da preponderância do enfoque médico mecanismos de produção das iniqüidades ou, para usar
biológico na conformação inicial da saúde pública como a expressão de Adler, está dedicada a responder à
campo científico, em detrimento dos enfoques pergunta: como a estratificação econômico-social
sociopolíticos e ambientais, observa-se, ao longo do consegue “entrar” no corpo humano?
século XX, uma permanente tensão entre essas diversas
O principal desafio dos estudos sobre as
abordagens. A própria história da OMS oferece
relações entre determinantes sociais e saúde consiste
interessantes exemplos dessa tensão, observando-se
em estabelecer uma hierarquia de determinações entre
períodos de forte preponderância de enfoques mais
os fatores mais gerais de natureza social, econômica,
centrados em aspectos biológicos, individuais e
política e as mediações através das quais esses fatores
tecnológicos, intercalados com outros em que se
incidem sobre a situação de saúde de grupos e pessoas,
destacam fatores sociais e ambientais. A definição de
já que a relação de determinação não é uma simples
saúde como um estado de completo bem-estar físico,
relação direta de causa-efeito. É através do
mental e social, e não meramente a ausência de doença
conhecimento deste complexo de mediações que se
ou enfermidade, inserida na Constituição da OMS no
pode entender, por exemplo, por que não há uma
momento de sua fundação, em 1948, é uma clara
correlação constante entre os macroindicadores de
expressão de uma concepção bastante ampla da saúde,
riqueza de uma sociedade, como o PIB, com os
para além de um enfoque centrado na doença.
indicadores de saúde. Embora o volume de riqueza
Entretanto, na década de 50, com o sucesso da
gerado por uma sociedade seja um elemento
erradicação da varíola, há uma ênfase nas campanhas
fundamental para viabilizar melhores condições de vida
de combate a doenças específicas, com a aplicação de
e de saúde, o estudo dessas mediações permite
tecnologias de prevenção ou cura.
entender por que existem países com um PIB total ou
A Conferência de Alma-Ata, no final dos anos 70, PIB per capita muito superior a outros que, no entanto,
e as atividades inspiradas no lema “Saúde para todos no possuem indicadores de saúde muito mais satisfatórios.
ano 2000” recolocam em destaque o tema dos O estudo dessa cadeia de mediações permite também
determinantes sociais. Na década de 80, o predomínio identificar onde e como devem ser feitas as
do enfoque da saúde como um bem privado desloca intervenções, com o objetivo de reduzir as iniqüidades
novamente o pêndulo para uma concepção centrada na de saúde, ou seja, os pontos mais sensíveis onde tais
assistência médica individual, a qual, na década intervenções podem provocar maior impacto.
seguinte, com o debate sobre as Metas do Milênio,
Outro desafio importante em termos
novamente dá lugar a uma ênfase nos determinantes
conceituais e metodológicos se refere à distinção entre
sociais que se afirma com a criação da Comissão sobre
os determinantes de saúde dos indivíduos e os de
Determinantes Sociais da Saúde da OMS, em 2005.
grupos e populações, pois alguns fatores que são
importantes para explicar as diferenças no estado de
saúde dos indivíduos não explicam as diferenças entre
O estudo dos determinantes sociais da saúde
grupos de uma sociedade ou entre sociedades diversas.
Nas últimas décadas, tanto na literatura Em outras palavras, não basta somar os determinantes
nacional, como internacional, observa-se um de saúde identificados em estudos com indivíduos para
extraordinário avanço no estudo das relações entre a conhecer os determinantes de saúde no nível da
maneira como se organiza e se desenvolve uma sociedade. As importantes diferenças de mortalidade
determinada sociedade e a situação de saúde de sua constatadas entre classes sociais ou grupos
população (ALMEIDA-FILHO, 2002). Esse avanço é ocupacionais não podem ser explicadas pelos mesmos
particularmente marcante no estudo das iniqüidades fatores aos quais se atribuem as diferenças entre
em saúde, ou seja, daquelas desigualdades de saúde indivíduos, pois se controlamos esses fatores (hábito de
entre grupos populacionais que, além de sistemáticas e fumar, dieta, sedentarismo etc.), as diferenças entre
relevantes, são também evitáveis, injustas e estes estratos sociais permanecem quase inalteradas.
desnecessárias (WHITEHEAD, 2000). Segundo Nancy
Adler (2006), podemos identificar três gerações de Enquanto os fatores individuais são importantes
estudos sobre as iniqüidades em saúde. A primeira para identificar que indivíduos no interior de um grupo
geração se dedicou a descrever as relações entre estão submetidos a maior risco, as diferenças nos níveis
pobreza e saúde; a segunda, a descrever os gradientes de saúde entre grupos e países estão mais relacionadas
de saúde de acordo com vários critérios de com outros fatores, principalmente o grau de eqüidade
estratificação socioeconômica; e a terceira e atual na distribuição de renda. Por exemplo, o Japão é o país
geração está dedicada principalmente aos estudos dos com a maior expectativa de vida ao nascer, não porque
os japoneses fumam menos ou fazem mais exercícios, social, ocasionados pelas iniqüidades de renda, são os
mas porque o Japão é um dos países mais igualitários do que menos investem em capital humano e em redes de
mundo. Ao confundir os níveis de análise e tratar de apoio social, fundamentais para a promoção e proteção
explicar a saúde das populações a partir de resultados da saúde individual e coletiva. Esses estudos também
de estudos realizados com indivíduos, estaríamos procuram mostrar por que não são as sociedades mais
aceitando o contrário da chamada “falácia ecológica” ricas as que possuem melhores níveis de saúde, mas as
(KAWACHI et al., 1997; WILKINSON, 1997; PELEGRINI que são mais igualitárias e com alta coesão social.
FILHO, 2000).
Diversos são os modelos que procuram
O clássico estudo de Rose e Marmot (1981) esquematizar a trama de relações entre os diversos
sobre a mortalidade por doença coronariana em fatores estudados através desses diversos enfoques.
funcionários públicos ingleses ilustra muito bem esta Dois modelos serão analisados a seguir: o modelo de
situação. Fixando como um o risco relativo de morrer Dahlgren e Whitehead (GUNNING-SCHEPERS, 1999) e o
por esta doença no grupo ocupacional de mais alto nível modelo de Didericksen e outros (EVANS et al., 2001).
na hierarquia funcional, os funcionários de níveis
O modelo de Dahlgren e Whitehead inclui os DSS
hierárquicos inferiores, como profissional/executivo,
dispostos em diferentes camadas, desde uma camada
atendentes e outros, teriam risco relativo
mais próxima dos determinantes individuais até uma
aproximadamente duas, três e quatro vezes maiores,
camada distal, onde se situam os macrodeterminantes.
respectivamente. Os autores encontraram que os
Apesar da facilidade da visualização gráfica dos DSS e
fatores de risco individuais, como colesterol, hábito de
sua distribuição em camadas, segundo seu nível de
fumar, hipertensão arterial e outros explicavam apenas
abrangência, o modelo não pretende explicar com
35 a 40% da diferença, sendo que os restantes 60-65%
detalhes as relações e mediações entre os diversos
estavam basicamente relacionados aos DSS.
níveis e a gênese das iniqüidades. Como se pode ver na
Há várias abordagens para o estudo dos figura 1, os indivíduos estão na base do modelo, com
mecanismos através dos quais os DSS provocam as suas características individuais de idade, sexo e fatores
iniqüidades de saúde. A primeira delas privilegia os genéticos que, evidentemente, exercem influência
“aspectos físico-materiais” na produção da saúde e da sobre seu potencial e suas condições de saúde. Na
doença, entendendo que as diferenças de renda camada imediatamente externa aparecem o
influenciam a saúde pela escassez de recursos dos comportamento e os estilos de vida individuais. Esta
indivíduos e pela ausência de investimentos em infra- camada está situada no limiar entre os fatores
estrutura comunitária (educação, transporte, individuais e os DSS, já que os comportamentos, muitas
saneamento, habitação, serviços de saúde etc.), vezes entendidos apenas como de responsabilidade
decorrentes de processos econômicos e de decisões individual, dependentes de opções feitas pelo livre
políticas. Outro enfoque privilegia os “fatores arbítrio das pessoas, na realidade podem também ser
psicosociais”, explorando as relações entre percepções considerados parte dos DSS, já que essas opções estão
de desigualdades sociais, mecanismos psicobiológicos e fortemente condicionadas por determinantes sociais -
situação de saúde, com base no conceito de que as como informações, propaganda, pressão dos pares,
percepções e as experiências de pessoas em sociedades possibilidades de acesso a alimentos saudáveis e
desiguais provocam estresse e prejuízos à saúde. Os espaços de lazer etc.
enfoques “ecossociais” e os chamados “enfoques
multiníveis” buscam integrar as abordagens individuais
e grupais, sociais e biológicas numa perspectiva
dinâmica, histórica e ecológica.
Finalmente, há os enfoques que buscam analisar
as relações entre a saúde das populações, as
desigualdades nas condições de vida e o grau de
desenvolvimento da trama de vínculos e associações
entre indivíduos e grupos. Esses estudos identificam o
desgaste do chamado “capital social”, ou seja, das
relações de solidariedade e confiança entre pessoas e Figura 1 - Determinantes sociais: modelo de Dahlgren e
Whitehead
grupos, como um importante mecanismo através do
qual as iniqüidades de renda impactam negativamente
a situação de saúde. Países com frágeis laços de coesão A camada seguinte destaca a influência das
redes comunitárias e de apoio, cuja maior ou menor
riqueza expressa o nível de coesão social que, como As intervenções sobre os determinantes sociais da
vimos, é de fundamental importância para a saúde da saúde
sociedade como um todo. No próximo nível estão O modelo de Dahlgren e Whitehead e o de
representados os fatores relacionados a condições de Diderichsen permitem identificar pontos para
vida e de trabalho, disponibilidade de alimentos e intervenções de políticas, no sentido de minimizar os
acesso a ambientes e serviços essenciais, como saúde e diferenciais de DSS originados pela posição social dos
educação, indicando que as pessoas em desvantagem indivíduos e grupos.
social correm um risco diferenciado, criado por
condições habitacionais mais humildes, exposição a Tomando o modelo de camadas de Dahlgren e
condições mais perigosas ou estressantes de trabalho e Whitehead, o primeiro nível relacionado aos fatores
acesso menor aos serviços. Finalmente, no último nível comportamentais e de estilos de vida indica que estes
estão situados os macrodeterminantes relacionados às estão fortemente influenciados pelos DSS, pois é muito
condições econômicas, culturais e ambientais da difícil mudar comportamentos de risco sem mudar as
sociedade e que possuem grande influência sobre as normas culturais que os influenciam. Atuando-se
demais camadas. exclusivamente sobre os indivíduos, às vezes se
consegue que alguns deles mudem de comportamento,
Necessário mencionar, pela crescente influência mas logo eles serão substituídos por outros (ROSE,
sobre as condições sociais, econômicas e culturais dos 1992). Para atuar nesse nível de maneira eficaz, são
países, o fenômeno da globalização. Suas principais necessárias políticas de abrangência populacional que
características, assim como a influência da globalização promovam mudanças de comportamento, através de
sobre a pobreza e as condições de saúde, e sobre as programas educativos, comunicação social, acesso
condições de vida em geral foram analisadas por Buss facilitado a alimentos saudáveis, criação de espaços
(2006). públicos para a prática de esportes e exercícios físicos,
O modelo de Diderichsen e Hallqvist, de 1998, foi bem como proibição à propaganda do tabaco e do álcool
adaptado por Diderichsen, Evans e Whitehead (2001). em todas as suas formas.
Esse modelo enfatiza a estratificação social gerada pelo O segundo nível corresponde às comunidades e
contexto social, que confere aos indivíduos posições suas redes de relações. Como já mencionado, os laços
sociais distintas, as quais por sua vez provocam de coesão social e as relações de solidariedade e
diferenciais de saúde. No diagrama abaixo (figura 2), (I) confiança entre pessoas e grupos são fundamentais
representa o processo segundo o qual cada indivíduo para a promoção e proteção da saúde individual e
ocupa determinada posição social como resultado de coletiva. Aqui se incluem políticas que busquem
diversos mecanismos sociais, como o sistema estabelecer redes de apoio e fortalecer a organização e
educacional e o mercado de trabalho. De acordo com a participação das pessoas e das comunidades,
posição social ocupada pelos diferentes indivíduos, especialmente dos grupos vulneráveis, em ações
aparecem diferenciais, como o de exposição a riscos que coletivas para a melhoria de suas condições de saúde e
causam danos à saúde (II); o diferencial de bem-estar, e para que se constituam em atores sociais e
vulnerabilidade à ocorrência de doença, uma vez participantes ativos das decisões da vida social.
exposto a estes riscos (III); e o diferencial de
conseqüências sociais ou físicas, uma vez contraída a O terceiro nível se refere à atuação das políticas
doença (IV). Por “conseqüências sociais” entende-se o sobre as condições materiais e psicossociais nas quais as
impacto que a doença pode ter sobre a situação pessoas vivem e trabalham, buscando assegurar melhor
socioeconômica do indivíduo e sua família. acesso à água limpa, esgoto, habitação adequada,
alimentos saudáveis e nutritivos, emprego seguro e
realizador, ambientes de trabalho saudáveis, serviços de
saúde e de educação de qualidade e outros. Em geral
essas políticas são responsabilidade de setores distintos,
que freqüentemente operam de maneira
independente, obrigando o estabelecimento de
mecanismos que permitam uma ação integrada.
O quarto nível de atuação se refere à atuação ao
nível dos macrodeterminantes, através de políticas
Figura 2 - Determinantes sociais: modelo de Diderichsen e macroeconômicas e de mercado de trabalho, de
Hallqvist proteção ambiental e de promoção de uma cultura de
paz e solidariedade que visem a promover um
desenvolvimento sustentável, reduzindo as constituindo importante apoio para a implantação das
desigualdades sociais e econômicas, as violências, a políticas e intervenções acima mencionadas.
degradação ambiental e seus efeitos sobre a sociedade
(CNDSS, 2006; PELEGRINI FILHO, 2006).
A Comissão Nacional sobre os Determinantes Sociais
O outro modelo, proposto por Diderichsen et al.,
da Saúde (CNDSS)
permite também identificar alguns pontos de incidência
de políticas que atuem sobre os mecanismos de O conhecimento e as intervenções sobre os DSS
estratificação social e sobre os diferenciais de no Brasil deverão receber importante impulso, com a
exposição, de vulnerabilidade e de suas conseqüências. criação da Comissão Nacional sobre Determinantes
Sociais da Saúde (CNDSS). Essa Comissão foi
Embora a intervenção sobre os mecanismos de
estabelecida em 13 de março de 2006, através de
estratificação social seja de responsabilidade de outros
Decreto Presidencial, com um mandato de dois anos. A
setores, ela é das mais cruciais para combater as
criação da CNDSS é uma resposta ao movimento global
iniqüidades de saúde. Aqui se incluem políticas que
em torno dos DSS desencadeado pela OMS, que em
diminuam as diferenças sociais, como as relacionadas ao
março de 2005 criou a Comissão sobre Determinantes
mercado de trabalho, educação e seguridade social,
Sociais da Saúde (Commission on Social Determinants of
além de um sistemático acompanhamento de políticas
Health - CSDH), com o objetivo de promover, em âmbito
econômicas e sociais para avaliar seu impacto e diminuir
internacional, uma tomada de consciência sobre a
seus efeitos sobre a estratificação social.
importância dos determinantes sociais na situação de
O segundo conjunto de políticas busca diminuir saúde de indivíduos e populações e sobre a necessidade
os diferenciais de exposição a riscos, tendo como alvo, do combate às iniqüidades de saúde por eles geradas.
por exemplo, os grupos que vivem em condições de
A CNDSS está integrada por 16 personalidades
habitação insalubres, trabalham em ambientes pouco
expressivas de nossa vida social, cultural, científica e
seguros ou estão expostos a deficiências nutricionais.
empresarial.1 Sua constituição diversificada é uma
Aqui se incluem também políticas de fortalecimento de
expressão do reconhecimento de que a saúde é um bem
redes de apoio a grupos vulneráveis para mitigar os
público, construído com a participação solidária de
efeitos de condições materiais e psicossociais adversas.
todos os setores da sociedade brasileira. O Decreto
Quanto ao enfrentamento dos diferenciais de Presidencial que criou a CNDSS constituiu também um
vulnerabilidade, são mais efetivas as intervenções que Grupo de Trabalho Intersetorial, integrado por diversos
buscam fortalecer a resistência a diversas exposições, ministérios relacionados com os DSS, além dos
como por exemplo, a educação das mulheres para Conselhos Nacionais de Secretários Estaduais e
diminuir sua própria vulnerabilidade e a de seus filhos. Municipais de Saúde (CONASS e CONASEMS). O trabalho
A intervenção no sistema de saúde busca reduzir os
articulado da CNDSS com esse Grupo permite que se
diferenciais de conseqüências ocasionadas pela doença,
multipliquem ações integradas entre as diversas esferas
aqui incluindo a melhoria da qualidade dos serviços a
da administração pública, e que as já existentes ganhem
toda a população, apoio a deficientes, acesso a cuidados
maior coerência e efetividade.
de reabilitação e mecanismos de financiamento
eqüitativos, que impeçam o empobrecimento adicional As atividades da CNDSS têm como referência o
causado pela doença. conceito de saúde, tal como a concebe a OMS - “um
estado de completo bem-estar físico, mental e social e
Essas intervenções sobre níveis macro, não meramente a ausência de doença ou enfermidade”
intermediário ou micro de DSS, com vistas a diminuir as - e o preceito constitucional de reconhecer a saúde
iniqüidades relacionadas à estratificação social, além de como um “direito de todos e dever do Estado, garantido
obrigarem a uma atuação coordenada intersetorial mediante políticas sociais e econômicas que visem à
abarcando diversos níveis da administração pública,
redução do risco de doença e outros agravos e ao acesso
devem estar também acompanhadas por políticas mais
universal e igualitário às ações e serviços para sua
gerais de caráter transversal que busquem fortalecer a
promoção, proteção e recuperação” (artigo 196 da
coesão e ampliar o “capital social” das comunidades
Constituição brasileira de 1988).
vulneráveis, e promover a participação social no
desenho e implementação de políticas e programas Três compromissos vêm orientando a atuação da
(CSDH, 2006). Comissão:
A evolução conceitual e prática do movimento Compromisso com a ação: implica apresentar
de promoção da saúde em nível mundial indica uma recomendações concretas de políticas,
ênfase cada vez maior na atuação sobre os DSS,
programas e intervenções para o combate às nível local, regional e nacional. O GT Intersetorial deve
iniqüidades de saúde geradas pelos DSS. constituir o principal instrumento para o
Compromisso com a eqüidade: a promoção da desenvolvimento desta linha de atuação.
eqüidade em saúde é fundamentalmente um
3) Desenvolvimento de ações de
compromisso ético e uma posição política que
promoção e mobilização junto adiversos setores da
orienta as ações da CNDSS para assegurar o
sociedade civil, para a tomada de consciência sobre a
direito universal à saúde.
importância das relações entre saúde e condições de
Compromisso com a evidência: as
vida e sobre as possibilidades de atuação para
recomendações da Comissão devem estar
diminuição das iniqüidades de saúde. Membros da
solidamente fundamentadas em evidências
CNDSS e da secretaria técnica vêm participando de
científicas, que permitam, por um lado,
congressos e reuniões nacionais e internacionais e
entender como operam os determinantes
utilizando meios de comunicação de massa para o
sociais na geração das iniqüidades em saúde e,
desenvolvimento desta linha de atuação. Em breve será
por outro, como e onde devem incidir as
organizado um fórum de discussão nacional e regional,
intervenções para combatê-las e que resultados
com a participação de organizações não
podem ser esperados em termos de efetividade
governamentais que atuam em áreas relacionadas com
e eficiência.
os DSS.
Os principais objetivos da CNDSS são:
4) Portal sobre DSS: a CNDSS mantém uma
produzir conhecimentos e informações sobre os página institucional(www.determinates.fiocruz.br) com
DSS no Brasil; informações sobre as atividades que vem
apoiar o desenvolvimento de políticas e desenvolvendo, além de publicações de interesse. Em
programas para a promoção da eqüidade em breve será lançado um Portal sobre DSS, onde, além de
saúde; informações sobre as atividades da CNDSS, serão
promover atividades de mobilização da incluídos dados, informações e conhecimentos sobre
sociedade civil para tomada de consciência e DSS existentes nos sistemas de informação e na
atuação sobre os DSS. literatura mundial e nacional. Esse portal deve também
Para o alcance desses objetivos, a CNDSS vem se constituir num espaço de interação para intercâmbio
desenvolvendo as seguintes linhas de atuação: e discussão de grupos estratégicos relacionados aos
DSS, como pesquisadores, tomadores de decisão,
1) Produção de conhecimentos e profissionais de comunicação e outros.
informações sobre as relações entre os determinantes
sociais e a situação de saúde, particularmente as A partir do segundo semestre de 2007, a CNDSS
iniquidades de saúde, com vistas a fundamentar começará a publicar seu relatório final em fascículos,
políticas e programas. No âmbito desta linha de para prestar contas sobre o cumprimento de seus
atuação, a CNDSS, o Departamento de Ciência e objetivos, traçar um panorama geral da situação de
Tecnologia do Ministério da Saúde e o CNPq lançaram saúde do país e propor políticas e programas
um edital de pesquisa que permitiu apoiar projetos de relacionados aos DSS. Estamos convencidos de que as
pesquisa sobre DSS por um montante de cerca de atividades da CNDSS e seus desdobramentos futuros
quatro milhões de reais. Os pesquisadores responsáveis serão uma valiosa contribuição para o avanço do
por esses projetos e gestores locais e estaduais processo de reforma sanitária brasileira e para a
convidados estão conformando uma rede de construção de uma sociedade mais humana e justa.
colaboração e intercâmbio para seguimento dos
projetos e discussão de implicações para políticas de
seus resultados intermediários. Ainda no âmbito desta
linha de atuação, foram identificados e avaliados
sistemas de informação de abrangência nacional sobre
DSS e foi realizado um seminário internacional sobre
metodologias de avaliação de intervenções sobre os
DSS. Os resultados dessas atividades estarão em breve
disponíveis no site da CNDSS.
2) Promoção, apoio, seguimento e
avaliação de políticas, programas e intervenções
governamentais e não-governamentais realizadas em
SISTEMAS DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE A década de 1970 trouxe marcos para a história das
estatísticas de saúde no Brasil. O período foi marcado
Como você utiliza as informações para tomar
pela Lei Federal nº 6.015/73, que regulamentou o
decisões no seu cotidiano?
registro civil no país e atribuiu ao IBGE a
Antes de sair de casa, é natural verificarmos as responsabilidade pelas estatísticas do registro civil. O
condições climáticas para decidir levar ou não o guarda- segundo marco ocorreu em 1975 com
chuva, para decidir fazer uma festa ao ar livre ou em
a realização da primeira Reunião Nacional sobre
ambiente fechado, por exemplo. Assim, rapidamente
Sistemas de Informação de Saúde durante a
conseguimos listar situações em que a tomada de
Conferência Nacional de Saúde. Alguns dos principais
decisão é orientada pelas informações disponíveis.
sistemas de informações de saúde de abrangência
A gestão no âmbito da saúde exige lidar com nacional foram criados entre meados da década de
problemas de alta complexidade diariamente, assim 1970 e princípios dos anos 80 (BRASIL, 2009).
como a adoção de medidas de alta relevância social.
Nas últimas décadas, o Ministério da Saúde
Dessa maneira, a informação deve ser tomada como um
desenvolveu sistemas nacionais de informação sobre
redutor de incertezas e possibilitar um planejamento
nascimentos, óbitos, doenças de notificação, atenção
mais próximo das necessidades de saúde para atingir
hospitalar, ambulatorial e básica, orçamento público em
uma situação futura desejada.
saúde e outros. Há ampla disponibilidade eletrônica
Vale ressaltar que a disponibilidade de informações desses dados, cada vez mais utilizados no ensino de
não garante a assertividade das ações. Aquele que se saúde pública.
utiliza das informações deve ser capaz de fazer
Outras fontes relevantes para a saúde são os
perguntas pertinentes, que possibilitem mapear
censos e pesquisas de base populacional do IBGE, que
adequadamente o cenário e definir os objetivos
cobrem aspectos demográficos e socioeconômicos; do
pretendidos. A lógica é reduzir ao máximo as incertezas
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea),
para decidir, baseando-se em evidências.
referentes a políticas públicas; as bases de informação
Faz-se necessário, portanto, conhecer o usuário científica e técnica acessíveis na Biblioteca Virtual de
dos serviços, os territórios, as inter-relações com o meio Saúde (BVS), apoiada pelo Centro Latino-Americano e
ambiente, características socioculturais, entre outras. do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme)
(RIPSA, 2008).
A medida da realidade é tomada por meio de
indicadores de saúde, que se configuram como Sistemas de Informação em Saúde – é um
parâmetros utilizados com o objetivo de avaliar a conjunto de componentes que atuam de forma
situação de saúde, bem como fornecer subsídios para o integrada, por meio de mecanismos de coleta,
processo de planejamento. Por meio dos indicadores, é processamento, análise e transmissão da informação
possível acompanhar tendências históricas de necessária e oportuna para implementar processos de
diferentes coletividades na mesma época, ou da mesma decisões no Sistema de Saúde.
coletividade em diferentes períodos (ROUQUAYROL;
Fontes de informação em saúde
ALMEIDA FILHO, 2003).
Onde podemos encontrar as informações úteis ao
Indicadores de saúde – são medidas síntese que
processo de planejamento em saúde? Onde podemos
contêm informação relevante sobre determinados
registrar as informações oriundas da implementação do
atributos e dimensões do estado de saúde, bem como
planejamento?
do desempenho do sistema de saúde.
O uso de indicadores socioeconômicos,
demográficos e de saúde nos permite conhecer as
características de uma determinada população e sua Avaliação hospitalar
evolução ao longo do tempo no território. O acesso aos Percentagem da ocupação, mortalidade hospitalar,
indicadores, obtidos de sistemas de informação, necropsia hospitalar, infecção hospitalar e outros.
aumentam a capacidade da gestão em intervir nos nós
críticos, ou seja, nos problemas que, se enfrentados, Produção dos serviços
farão grande diferença na transformação da realidade. Fornece dados sobre números de consultas
produzidas, por idade, sexo, tipos de procedimento e
Listamos a seguir as principais categorias de
outras variáveis de interesse. Permite a construção de
informação que devem estar ao alcance das gerências
indicadores de cobertura populacional e utilização dos
das três esferas de gestão (CARVALHO; EDUARDO,
serviços, concentração das atividades por paciente,
1998).
produtividade, dentre outros.
Demográfico/econômico-social e cutural
Qualidade
Censos populacionais periódicos ou ocasionais.
Refere-se, principalmente, aos sistemas de
Permitem conhecer a estrutura de uma população em
avaliação sanitária dos estabelecimentos prestadores
determinada área geográfica, por sexo, idade,
de serviços de saúde ou produtores de alimentos,
constituindo as “pirâmides de população”, estado civil,
medicamentos, equipamentos, saneantes. Permite
religião, nacionalidades e outras características sociais,
conhecer as condições técnicas de funcionamento dos
econômicas e culturais.
estabelecimentos, as condições de risco, a qualidade de
Eventos vitais produtos como alimentos, medicamentos.
Referem-se ao registro de nascimentos vivos, Administrativo
nascimentos mortos, óbitos etc. Fornecem dados
Gestão financeira/orçamento, folha de
importantes para a confecção de vários indicadores,
pagamento/ recursos humanos, gestão de estoques de
como mortalidade, morbidade, vida média ou
materiais de consumo, equipamentos e outros bens
esperança de vida, corbetura das ações.
patrimoniais, controle de processos/ expediente
Morbidade administrativo.
Permite o registro de doenças por sexo, idade, Se observarmos o processo de planejamento e as
procedimentos médicos, raça, nacionalidade, informações requeridas pelos respectivos instrumentos
procedência e outras variáveis de interesse clínico, que o formalizam, perceberemos que as categorias
epdemiológico, social, econômico e cultural. Fornece citadas se articulam claramente com eles. Vejamos que
dados, coletados periódica ou ocasionalmente, a elaboração do Plano de Saúde requer as seguintes
importantes para o controle das doenças; para a etapas:
investigação de etiologia e patogenia e da relação com
fatores econômicos, sociais e culturais; para a
investigação de eficácia das medidas preventivas e
terapêuticas.

Classificação Internacional de Doenças


Agrupa as doenças ou eventos segundo as
características semelhantes apresentadas, criando-se a
nomeclatura de doenças e sua classificação. Além da
padronização e universalização do diagnóstico, fornece
os códigos das doenças para os fins clínicos,
epdemiológicos e de processamento das informações
A Portaria nº 2.135, de 25 de setembro de 2013, seja, incorporar o monitoramento e avaliação à rotina
estabelece diretrizes para o processo de planejamento dos gestores e profissionais, como cultura indissociável
no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), e define do fazer em saúde. A premissa é básica, o planejamento
que a análise situacional deve ser orientada pelos é mutável, deve se acomodar às necessidades de saúde.
seguintes temas: Ora, pois então como saberemos o momento de mudar
os planos se não definirmos processos de
• Estrutura do sistema de saúde;
acompanhamento? A resposta é simples: mudaremos
• Redes de atenção à saúde; apenas quando tivermos problemas. Isso resolve? Às
• Condições sociossanitárias; vezes sim, mas se lembrarmos de que o papel
fundamental do gestor em saúde é tomar decisões
• Fluxos de acesso; assertivas e antecipadas, esperar que os problemas
• Recursos financeiros; aconteçam para tomar a decisão nos remete a um
processo ineficiente de gerenciamento (CARVALHO et
• Gestão do trabalho e da educação na saúde;
al., 2012).
• Ciência, tecnologia, produção e inovação em
Essas informações fundamentais para a definição
saúde e gestão (BRASIL, 2013). das ações, seu monitoramento e avaliação, podem ser
obtidas de variadas fontes. Faz-se necessário saber
Assim, a observância aos sistemas de informação onde buscar as informações relevantes para a
em saúde fica evidenciada, tanto em caráter composição da análise situacional do Plano de Saúde,
diagnóstico, conforme apresentado, quanto em caráter para a definição de objetivos, para a priorização de
de monitoramento e avaliação das mudanças nos ações, assim como para o registro do andamento das
indicadores após a implementação dos Planos de Saúde. ações para fins de monitoramento, avaliação e controle
Monitoramento e avaliação no SUS social.

Monitoramento - processo sistemático e contínuo Serão tratados neste tópico os principais sistemas
que produz informações sintéticas em tempo eficaz, de informação relacionados ao processo de
permitindo uma rápida avaliação situacional, planejamento em saúde cujas informações são obtidas
propiciando uma intervenção oportuna. nas seguintes fontes:
Acompanhamento rotineiro de informações • Sistemas de informações do Ministério da
prioritárias. O monitoramento no âmbito da gestão Saúde.
pública não poderá ser eficaz se a equipe gestora não
conhecer de maneira contínua e objetiva os sinais vitais • Censos e pesquisas operados pelo IBGE (RIPSA,

dos processos que conduz. 2008).

Avaliação - traz a visão de julgamento de valor, Sistemas de Informações do Ministério da Saúde


prática de intervenções que auxiliam na tomada de Vamos apresentar os sistemas de saúde que
decisão, ação capaz de subsidiar mudanças na poderão auxiliar o processo de planejamento,
construção e/ou na implementação de programas, monitoramento e avaliação dos serviços de saúde.
projetos ou políticas de saúde. Embora seja uma prática
Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM)
que viabilize o monitoramento, tomada por si mesma,
trata-se de um processo mais amplo, referente aos Criado pelo DATASUS para a obtenção regular
resultados mais finalísticos da ação avaliada. No âmbito de dados sobre mortalidade no país.
do SUS, monitorar e avaliar são desafios. O ponto crítico
é alcançar a institucionalização desses processos. Ou
Possibilita a captação de dados sobre Constam do sistema a planilha e o boletim de
mortalidade, de forma abrangente, para subsidiar as acompanhamento de surtos, e boletins de
diversas esferas de gestão na saúde pública. acompanhamento de hanseníase e tuberculose.

O documento básico é a Declaração de Óbito, As secretarias estaduais ou municipais de Saúde


padronizada nacionalmente e distribuída pelo são responsáveis pela impressão, numeração e
Ministério da Saúde, em três vias. distribuição dos formulários.

Problema: sub-registro, chegando a mais de Sistema de Informações Hospitalares do SUS


30% em algumas regiões do país. (SIH/SUS)

Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) Limita-se às internações no âmbito do SUS.

Concebido à semelhança do SIM e implantado Estima-se que o SIH/SUS reúna informações


gradualmente pelo Ministério da Saúde, a partir de sobre 60% a 70% das internações hospitalares
1990. Dispõe de dados consolidados nacionalmente realizadas no país, variando de acordo com a região.
desde 1994, mas apresenta variações de cobertura nos Documento básico: Autorização de Internação
primeiros anos de implantação. Hospitalar (AIH), que habilita a internação do paciente e
O documento básico é a Declaração de Nascido gera valores para pagamento.
Vivo (DN), padronizada nacionalmente e distribuída Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS
pelo Ministério da Saúde, em três vias. (SIA/SUS)
Fluxo análogo ao do SIM, com codificação e Captação e processamento das contas
transcrição efetuadas pelas secretarias municipais e ambulatoriais do SUS, que representam mais de 200
estaduais de Saúde. milhões de atendimentos mensais.

Sistemas de Informações de Agravos de Notificação Documento básico: Boletim de Produção


(Sinan) Ambulatorial (BPA), preenchido pelas unidades
Coleta, transmite e dissemina dados gerados ambulatoriais. Seu processamento é descentralizado na
rotineiramente pelo sistema de vigilância esfera estadual ou municipal, conforme o nível de
epidemiológica, nas três esferas de governo. gestão, para envio ao Datasus.

Apoia processos de investigação e de análise Para procedimentos de alta complexidade e alto


das informações sobre doenças de notificação custo (hemodiálise, terapia oncológica etc.), o SIA/SUS
tem como documento básico a autorização para
compulsória.
procedimentos de alto custo/complexidade (Apac).
Sistema modular e informatizado desde o nível
Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde
local, pode ser operado a partir das unidades de saúde. (CNES)

Documentos básicos: ficha individual de Registra as características dos


notificação (FIN), preenchida pelas unidades estabelecimentos, tais como tipo, leitos, serviços,
assistenciais a partir da suspeita clínica da ocorrência de equipamentos. O sistema registra também a
algum agravo de notificação compulsória ou outro mantenedora, as habilitações, sua forma de
agravo sob vigilância. Ficha individual de investigação relacionamento com o SUS (regras contratuais) e seus
(FII), que contém campos específicos de orientação para profissionais dos estabelecimentos, com ou sem vínculo
a investigação do caso. empregatício.

Também são registradas equipes de Saúde da


Família e de Agentes Comunitários de Saúde,
permitindo então uma ampla visão dos recursos físicos coleta, armazenagem e análise de informações de
e humanos existentes, SUS e não SUS. gestão do trabalho para planejamento e
acompanhamento, formulação de políticas de gestão a
Sistema de Informações do Programa Nacional de
Imunização (SI-PNI) ser utilizado em serviços e sistemas locais de saúde. O
Departamento de Gestão e da Regulação do Trabalho
Permite a avaliação dinâmica do risco quanto à
em Saúde (DEGERTS) disponibiliza o SIG-RHS para as
ocorrência de surtos ou epidemias, a partir do registro
Secretarias que queiram adotá-lo (BRASIL, 2007).
dos imunobiológicos aplicados e do quantitativo
populacional vacinado, agregados por faixa etária, Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos
período de tempo e área geográfica. Possibilita também em Saúde (Siops)
o controle do estoque de imunobiológicos necessário Implantado pelo Ministério da Saúde em
aos administradores que têm a incumbência de parceria com o Ministério Público Federal a partir de
programar sua aquisição e distribuição. 1999.

Módulos: Avaliação do Programa de Subsidia o planejamento, a gestão, a avaliação e


Imunizações (API), Estoque e Distribuição de o controle social do financiamento e do gasto público
Imunobiológicos (EDI), Apuração dos Imunobiológicos em saúde nas três esferas de governo, por meio da
Utilizados (AIU), Eventos Adversos PósVacinação formação e manutenção de um banco de dados sobre
(EAPV), Programa de Avaliação do Instrumento de receitas e despesas com ações e serviços de saúde, sob
Supervisão (PAIS), Programa de Avaliação do responsabilidade do poder público.
Instrumento de Supervisão em Sala de Vacinação
Utilizado para avaliar, também, o cumprimento
(PAISSV) e Sistema de Informações dos Centros de
da Emenda Constitucional n° 29, assim como subsidiar
Referência em Imunobiológicos Especiais (SICRIE).
estudos sobre os gastos públicos em saúde.
Os documentos básicos do sistema
Sistema de Informações em Saúde da Atenção Básica
correspondem a cada módulo, e estão implantados em (SISAB) e o e-SUS
todos os municípios brasileiros: boletins mensais de
Foi desenvolvido pelo DATASUS, em 1998, para
doses aplicadas de vacinas e de movimentação de
coletar dados de produção, realizado pela equipe das
imunobiológicos, fichas de notificação de eventos
Unidades de Saúde, e sistematizar dados coletados nas
adversos, instrumento de supervisão etc.
visitas às comunidades, realizadas pelos agentes
A base de dados é consolidada na Secretaria de comunitários de saúde e Equipe de Saúde da Família.
Vigilância em Saúde, em âmbito nacional, com
Por muito tempo os instrumentos de coleta de
retroalimentação para os Estados e Municípios.
dados do SIAB foram: relatório PMA2, relatório SSA2,
Sistemas de Informações para a Gestão do Trabalho ficha D, ficha C, ficha B-GES, ficha B-HA, ficha B-DIA,
em Saúde ficha B-TB, ficha B-HAN.
Banco de dados dos Conselhos Profissionais
O Departamento de Atenção Básica (DAB)
(CONPROF) dispõe de informações sobre os conselhos
iniciou um processo de avaliação e reestruturação dos
federais e regionais de saúde dos conselhos das
sistemas de informação da Atenção Básica de modo a
profissões que compõem a equipe de saúde. O
facilitar o processo de trabalho e de gestão da AB. Os
CONPROF possibilita visualizar: localização,
frutos dessa nova estratégia são o Sistema de
abrangência, número de inscritos, estatuto, código de
Informação em Saúde da Atenção Básica (SISAB) e um
ética, legislações, resoluções.
novo software, o e-SUS Atenção Básica (e-SUS AB)
O Sistema de Informação e Gestão de Recursos (PORTAL DA SAÚDE, 2012).
Humanos (SIG-RHS) – Trata-se de um instrumento de
O e-SUS AB é uma estratégia do DAB para homologação de pactuações; reversão de validações;
reestruturar as informações da Atenção Básica em nível reversão de homologações e relatórios para o
nacional. Esta ação está alinhada com a proposta mais monitoramento do processo (BRASIL, 2015).
geral de reestruturação dos Sistemas de Informação em
Sistema de Apoio à Construção do Relatório de
Saúde do Ministério da Saúde, entendendo que a Gestão - SARGSUS
qualificação da gestão da informação é fundamental
Trata-se de uma ferramenta eletrônica
para ampliar a qualidade no atendimento à população.
fundamental ao ciclo de planejamento vigente no SUS.
Portanto, o e-SUS é uma estratégia que faz Foi desenvolvido pela Secretaria de Gestão Estratégica
referência ao processo de informatização qualificada do e Participativa do Ministério da Saúde em conjunto com
SUS em busca de um SUS eletrônico. O sistema de o DATASUS, com o objetivo de apoiar os gestores
software público e-SUS AB é um sistema de apoio à municipais na elaboração e envio do Relatório Anual de
gestão do processo de trabalho. Ele pode servir de apoio Gestão (RAG) ao Conselho de Saúde. Possibilita acesso
ao planejamento de atividades por profissionais das a informações sobre a aprovação dos Relatórios Anuais
equipes de AB, pelas equipes dos Núcleos de Apoio à de Gestão, Relatórios Quadrimestrais e Relatórios
Saúde da Família (NASF), do Consultório na Rua (CnR) e Resumidos de Execução Orçamentária desde 2007. Os
da Atenção Domiciliar (AD), oferecendo ainda dados arquivos dos relatórios passaram a estar disponíveis
para acompanhamento de programas como Saúde na eletronicamente a partir de 2010.
Escola (PSE) e Academia da Saúde (PORTAL DA SAÚDE,
2012).

Sala de Apoio à Gestão Estratégica - SAGE/SUS


Com o intuito de disponibilizar informação,
gerar conhecimento e potencializar a tomada de
decisão do gestor, o Ministério da Saúde criou a SAGE,
que agrupa indicadores de vários sistemas de
informação.

É possível fazer buscas por região e município


nas seguintes áreas: redes e programas, atenção à
saúde, sociodemográficos, situação de saúde e gestão e
financiamento.

Sistema de Pactuação dos Indicadores - SISPACTO


O SISPACTO é o sistema que permite o registro
de metas pactuadas por municípios, regiões de saúde,
estados e Distrito Federal, conforme fluxo previsto na
Resolução CIT nº 5, de 19 de junho de 2013. Visa ao
fortalecimento do planejamento do Sistema Único de
Saúde (SUS) e a implementação do Contrato
Organizativo da Ação Pública da Saúde (COAP) (BRASIL,
2015).

O SISPACTO também oferece outras


funcionalidades, acessíveis aos gestores de acordo com
os seus perfis de acesso: visualização, validação e
RESOLUÇÃO DE DIRETORIA COLEGIADA - Definições
RDC Nº 63, DE 25 DE NOVEMBRO DE 2011 Art. 4º Para efeito deste Regulamento Técnico são
adotadas as seguintes definições:
Dispõe sobre os Requisitos de Boas Práticas de I – garantia da qualidade: totalidade das ações
Funcionamento para os Serviços de Saúde sistemáticas necessárias para garantir que os serviços
prestados estejam dentro dos padrões de qualidade
A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de exigidos, para os fins a que se propõem;
Vigilância Sanitária, no uso da atribuição que lhe
confere o inciso IV do art. 11, do Regulamento aprovado II - gerenciamento de tecnologias: procedimentos
pelo Decreto nº. 3.029, de 16 de abril de 1999, e tendo de gestão, planejados e implementados a partir de
em vista o disposto no inciso II e nos § § 1º e 3º do art. bases científicas e técnicas, normativas e legais, com o
54 do Regimento Interno nos termos do Anexo I da objetivo de garantir a rastreabilidade, qualidade,
Portaria nº. 354 da Anvisa, de 11 de agosto de 2006, eficácia, efetividade, segurança e em alguns casos o
republicada no DOU de 21 de agosto de 2006, em desempenho das tecnologias de saúde utilizadas na
reunião realizada em 24 de novembro de 2011, adota a prestação de serviços de saúde, abrangendo cada etapa
seguinte Resolução da Diretoria Colegiada e eu, do gerenciamento, desde o planejamento e entrada das
DiretoraPresidente Substituta, determino a sua tecnologias no estabelecimento de saúde até seu
publicação: descarte, visando à proteção dos trabalhadores, a
preservação da saúde pública e do meio ambiente e a
Art. 1º Fica aprovado o Regulamento Técnico que
segurança do paciente;
estabelece os Requisitos de Boas Práticas para
Funcionamento de Serviços de Saúde, nos termos desta III - humanização da atenção e gestão da
Resolução. saúde: valorização da dimensão subjetiva e social, em
todas as práticas de atenção e de gestão da saúde,
CAPÍTULO I fortalecendo o compromisso com os direitos do
cidadão, destacando-se o respeito às questões de
DAS DISPOSIÇÕES INICIAIS
gênero, etnia, raça, orientação sexual e às populações
específicas, garantindo o acesso dos usuários às
Seção I
informações sobre saúde, inclusive sobre os
profissionais que cuidam de sua saúde, respeitando o
Objetivo
direito a acompanhamento de pessoas de sua rede
social (de livre escolha), e a valorização do trabalho e
Art. 2º Este Regulamento Técnico possui o
dos trabalhadores;
objetivo de estabelecer requisitos de Boas Práticas para
funcionamento de serviços de saúde, fundamentados
IV – licença atualizada: documento
na qualificação, na humanização da atenção e gestão, e
emitido pelo órgão sanitário competente dos Estados,
na redução e controle de riscos aos usuários e meio
Distrito Federal ou dos Municípios, contendo permissão
ambiente.
para o funcionamento dos estabelecimentos que
exerçam atividades sob regime de vigilância sanitária;
Seção II
V - Plano de Gerenciamento de Resíduos de
Abrangência
Serviços de Saúde (PGRSS): documento que aponta e
descreve as ações relativas ao manejo dos resíduos
Art. 3º Este Regulamento Técnico se aplica a
sólidos, observadas suas características e riscos, no
todos os serviços de saúde no país, sejam eles públicos,
âmbito dos estabelecimentos de saúde, contemplando
privados, filantrópicos, civis ou militares, incluindo
os aspectos referentes à geração, segregação,
aqueles que exercem ações de ensino e pesquisa.
acondicionamento, coleta, armazenamento,
transporte, tratamento e disposição final, bem como as
Seção III
ações de proteção à saúde pública e ao meio ambiente.
VI - política de qualidade: refere-se às Parágrafo único. O serviço de saúde deve utilizar
intenções e diretrizes globais relativas à qualidade, a Garantia da Qualidade como ferramenta de
formalmente expressa e autorizada pela direção do gerenciamento.
serviço de saúde.
Art. 6º As Boas Práticas de Funcionamento (BPF)
VII - profissional legalmente habilitado: são os componentes da Garantia da Qualidade que
profissional com formação superior ou técnica com suas asseguram que os serviços são ofertados com padrões
competências atribuídas por lei; de qualidade adequados.

VIII - prontuário do paciente: documento § 1º As BPF são orientadas primeiramente à


único, constituído de um conjunto de informações, redução dos riscos inerentes a prestação de serviços de
sinais e imagens registrados, gerados a partir de fatos, saúde.
acontecimentos e situações sobre a saúde do paciente
e a assistência a ele prestada, de caráter legal, sigiloso e § 2º Os conceitos de Garantia da Qualidade e
científico, que possibilita a comunicação entre Boas Práticas de Funcionamento (BPF) estão inter-
membros da equipe multiprofissional e a continuidade relacionados estando descritos nesta resolução de
da assistência prestada ao indivíduo; forma a enfatizar as suas relações e sua importância
para o funcionamento dos serviços de saúde.
IX - relatório de transferência: documento
que deve acompanhar o paciente em caso de remoção Art. 7º As BPF determinam que:
para outro serviço, contendo minimamente dados de
identificação, resumo clínico com dados que justifiquem I. o serviço de saúde deve ser capaz de ofertar
a transferência e descrição ou cópia de laudos de serviços dentro dos padrões de qualidade exigidos,
exames realizados, quando existentes; atendendo aos requisitos das legislações e
regulamentos vigentes.
X - responsável técnico - RT: profissional de nível
superior legalmente habilitado, que assume perante a II - o serviço de saúde deve fornecer todos os recursos
vigilância sanitária a responsabilidade técnica pelo necessários, incluindo:
serviço de saúde, conforme legislação vigente;
a) quadro de pessoal qualificado, devidamente treinado e
XI - segurança do Paciente: conjunto de identificado;
ações voltadas à proteção do paciente contra riscos,
eventos adversos e danos desnecessários durante a b) ambientes identificados;
atenção prestada nos serviços de saúde.
c) equipamentos, materiais e suporte logístico; e
XII - serviço de saúde: estabelecimento de
saúde destinado a prestar assistência à população na d) procedimentos e instruções aprovados e vigentes.
prevenção de doenças, no tratamento, recuperação e
na reabilitação de pacientes. III - as reclamações sobre os serviços oferecidos
devem ser examinadas, registradas e as causas dos
CAPÍTULO II desvios da qualidade, investigadas e documentadas,
devendo ser tomadas medidas com relação aos serviços
DAS BOAS PRÁTICAS DE FUNCIONAMENTO com desvio da qualidade e adotadas as providências no
sentido de prevenir reincidências.
Seção I
Seção II
Do gerenciamento da qualidade
Da Segurança do Paciente
Art. 5º O serviço de saúde deve desenvolver ações
no sentido de estabelecer uma política de qualidade Art. 8º O serviço de saúde deve estabelecer
envolvendo estrutura, processo e resultado na sua estratégias e ações voltadas para Segurança do
gestão dos serviços. Paciente, tais como:
I. Mecanismos de identificação do paciente; § 1º Os serviços e atividades terceirizados devem
estar regularizados perante a autoridade sanitária
II. Orientações para a higienização das competente, quando couber.
mãos;
§ 2º A licença de funcionamento dos serviços e
III. Ações de prevenção e controle de atividades terceirizados deve conter informação sobre a
eventos adversos relacionada à assistência à saúde; sua habilitação para atender serviços de saúde, quando
couber.
IV. Mecanismos para garantir segurança
cirúrgica; Art. 12 O atendimento dos padrões sanitários
estabelecidos por este regulamento técnico não isenta
V. Orientações para administração segura o serviço de saúde do cumprimento dos demais
de medicamentos, sangue e hemocomponentes; instrumentos normativos aplicáveis.

VI. Mecanismos para prevenção de quedas Art. 13 O serviço de saúde deve estar inscrito e
dos pacientes; manter seus dados atualizados no Cadastro Nacional de
Estabelecimentos de Saúde – CNES.
VII. Mecanismos para a prevenção de
úlceras por pressão; Art. 14 O serviço de saúde deve ter um responsável
técnico (RT) e um substituto.
VIII. Orientações para estimular a
participação do paciente na assistência prestada. Parágrafo único. O órgão sanitário competente
deve ser notificado sempre que houver alteração de
Seção III responsável técnico ou de seu substituto.

Das Condições Organizacionais Art. 15 As unidades funcionais do serviço de


saúde devem ter um profissional responsável conforme
Art. 9º O serviço de saúde deve possuir regimento definido em legislações e regulamentos específicos.
interno ou documento equivalente, atualizado,
contemplando a definição e a descrição de todas as suas Art. 16 O serviço de saúde deve possuir
atividades técnicas, administrativas e assistenciais, profissional legalmente habilitado que responda pelas
responsabilidades e competências. questões operacionais durante o seu período de
funcionamento.
Art. 10 Os serviços objeto desta resolução devem
possuir licença atualizada de acordo com a legislação Parágrafo único. Este profissional pode ser o
sanitária local, afixada em local visível ao público. próprio RT ou técnico designado para tal fim.

Parágrafo único. Os estabelecimentos integrantes Art. 17 O serviço de saúde deve prover


da Administração Pública ou por ela instituídos infraestrutura física, recursos humanos, equipamentos,
independem da licença para funcionamento, ficando insumos e materiais necessários à operacionalização do
sujeitos, porém, às exigências pertinentes às serviço de acordo com a demanda, modalidade de
instalações, aos equipamentos e à aparelhagem assistência prestada e a legislação vigente.
adequada e à assistência e responsabilidade técnicas,
aferidas por meio de fiscalização realizada pelo órgão Art. 18 A direção e o responsável técnico do
sanitário local. serviço de saúde têm a responsabilidade de planejar,
implantar e garantir a qualidade dos processos.
Art. 11 Os serviços e atividades terceirizadas
pelos estabelecimentos de saúde devem possuir Art. 19 O serviço de saúde deve possuir
contrato de prestação de serviços. mecanismos que garantam a continuidade da atenção
ao paciente quando houver necessidade de remoção ou
para realização de exames que não existam no próprio
serviço.
Parágrafo único. Todo paciente removido deve XIV - eventos adversos e queixas técnicas
ser acompanhado por relatório completo, legível, com associadas a produtos ou serviços;
identificação e assinatura do profissional assistente, que
deve passar a integrar o prontuário no destino, XV - monitoramento e relatórios
permanecendo cópia no prontuário de origem. específicos de controle de infecção;

Art. 20 O serviço de saúde deve possuir XVI - doenças de Notificação Compulsória;


mecanismos que garantam o funcionamento de
Comissões, Comitês e Programas estabelecidos em XVII - indicadores previstos nas legislações
legislações e normatizações vigentes. vigentes;

Art. 21 O serviço de saúde deve garantir XVIII - normas, rotinas e procedimentos;


mecanismos para o controle de acesso dos
trabalhadores, pacientes, acompanhantes e visitantes. XIX - demais documentos exigidos por
legislações específicas dos estados, Distrito Federal e
Art. 22 O serviço de saúde deve garantir municípios.
mecanismos de identificação dos trabalhadores,
pacientes, acompanhantes e visitantes. Seção IV

Art. 23 O serviço de saúde deve manter Do Prontuário do Paciente


disponível, segundo o seu tipo de atividade,
documentação e registro referente à: Art. 24 A responsabilidade pelo registro em
prontuário cabe aos profissionais de saúde que prestam
I - Projeto Básico de Arquitetura (PBA) aprovado o atendimento.
pela vigilância sanitária competente.
Art. 25 A guarda do prontuário é de
II - controle de saúde ocupacional; responsabilidade do serviço de saúde devendo
obedecer às normas vigentes.
III - educação permanente;
§ 1º O serviço de saúde deve assegurar a guarda
IV - comissões, comitês e programas; dos prontuários no que se refere à confidencialidade e
integridade.
V - contratos de serviços terceirizados;
§ 2º O serviço de saúde deve manter os
VI - controle de qualidade da água; prontuários em local seguro, em boas condições de
conservação e organização, permitindo o seu acesso
VII - manutenção preventiva e corretiva da sempre que necessário.
edificação e instalações;
Art. 26 O serviço de saúde deve garantir que o
VIII - controle de vetores e pragas urbanas; prontuário contenha registros relativos à identificação e
a todos os procedimentos prestados ao paciente.
IX - manutenção corretiva e preventiva
dos equipamentos e instrumentos; Art. 27 O serviço de saúde deve garantir que o
prontuário seja preenchido de forma legível por todos
X - Plano de Gerenciamento de Resíduos de os profissionais envolvidos diretamente na assistência
Serviços de Saúde; ao paciente, com aposição de assinatura e carimbo em
caso de prontuário em meio físico.
XI - nascimentos;
Art. 28 Os dados que compõem o prontuário
XII - óbitos; pertencem ao paciente e devem estar
permanentemente disponíveis aos mesmos ou aos seus
XIII - admissão e alta;
representantes legais e à autoridade sanitária quando V - medidas para a prevenção de acidentes e
necessário. incidentes;

Seção V VI - medidas a serem adotadas pelos


trabalhadores no caso de ocorrência de acidentes e
Da Gestão de Pessoal incidentes;

Art. 29 As exigências referentes aos recursos VII - temas específicos de acordo com a
humanos do serviço de saúde incluem profissionais de atividade desenvolvida pelo profissional.
todos os níveis de escolaridade, de quadro próprio ou
terceirizado. Seção VI

Art. 30 O serviço de saúde deve possuir equipe Da Gestão de Infraestrutura


multiprofissional dimensionada de acordo com seu
perfil de demanda. Art. 34 O serviço de saúde deve ter seu projeto
básico de arquitetura atualizado, em conformidade com
Art.31 O serviço de saúde deve manter as atividades desenvolvidas e aprovado pela vigilância
disponíveis registros de formação e qualificação dos sanitária e demais órgãos competentes.
profissionais compatíveis com as funções
desempenhadas. Art. 35 As instalações prediais de água, esgoto,
energia elétrica, gases, climatização, proteção e
Parágrafo único. O serviço de saúde deve possuir combate a incêndio, comunicação e outras existentes,
documentação referente ao registro dos profissionais devem atender às exigências dos códigos de obras e
em conselhos de classe, quando for o caso. posturas locais, assim como normas técnicas
pertinentes a cada uma das instalações.
Art. 32 O serviço de saúde deve promover a
capacitação de seus profissionais antes do início das Art. 36 O serviço de saúde deve manter as
atividades e de forma permanente em conformidade instalações físicas dos ambientes externos e internos
com as atividades desenvolvidas. em boas condições de conservação, segurança,
organização, conforto e
Parágrafo único. As capacitações devem ser
registradas contendo data, horário, carga horária, limpeza.
conteúdo ministrado, nome e a formação ou
capacitação profissional do instrutor e dos Art. 37 O serviço de saúde deve executar ações de
trabalhadores envolvidos. gerenciamento dos riscos de acidentes inerentes às
atividades desenvolvidas.
Art. 33 A capacitação de que trata o artigo
anterior deve ser adaptada à evolução do conhecimento Art. 38 O serviço de saúde deve ser dotado de
e a identificação de novos riscos e deve incluir: iluminação e ventilação compatíveis com o
desenvolvimento das suas atividades.
I - os dados disponíveis sobre os riscos potenciais
à saúde; Art. 39 O serviço de saúde deve garantir a
qualidade da água necessária ao funcionamento de suas
II - medidas de controle que minimizem a unidades.
exposição aos agentes;
§ 1º O serviço de saúde deve garantir a limpeza
III - normas e procedimentos de higiene; dos reservatórios de água a cada seis meses.

IV - utilização de equipamentos de § 2º O serviço de saúde deve manter registro da


proteção coletiva, individual e vestimentas de trabalho; capacidade e da limpeza periódica dos reservatórios de
água.
Art. 40 O serviço de saúde deve garantir a Art. 47 O serviço de saúde deve garantir
continuidade do fornecimento de água, mesmo em caso mecanismos de prevenção dos riscos de acidentes de
de interrupção do fornecimento pela concessionária, trabalho, incluindo o fornecimento de Equipamentos de
nos locais em que a água é considerada insumo crítico. Proteção Individual - EPI, em número suficiente e
compatível com as atividades desenvolvidas pelos
Art. 41 O serviço de saúde deve garantir a trabalhadores.
continuidade do fornecimento de energia elétrica, em
situações de interrupção do fornecimento pela Parágrafo único. Os trabalhadores não devem
concessionária, por meio de sistemas de energia elétrica deixar o local de trabalho com os equipamentos de
de emergência, nos locais em que a energia elétrica é proteção individual
considerada insumo crítico.
Art. 48 O serviço de saúde deve manter registro
Art. 42 O serviço de saúde deve realizar ações de das comunicações de acidentes de trabalho.
manutenção preventiva e corretiva das instalações
prediais, de forma própria ou terceirizada. Art. 49 Em serviços de saúde com mais de vinte
trabalhadores é obrigatória a instituição de Comissão
Seção VII Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA.

Da Proteção à Saúde do Trabalhador Art. 50 O Serviço de Saúde deve manter disponível a


todos os trabalhadores:
Art. 43 O serviço de saúde deve garantir
mecanismos de orientação sobre imunização contra I - Normas e condutas de segurança biológica,
tétano, difteria, hepatite B e contra outros agentes química, física, ocupacional e ambiental;
biológicos a que os trabalhadores possam estar
expostos. II - Instruções para uso dos Equipamentos de
Proteção Individual – EPI;
Art. 44 O serviço de saúde deve garantir que os
trabalhadores sejam avaliados periodicamente em III - Procedimentos em caso de incêndios e
relação à saúde ocupacional mantendo registros desta acidentes;
avaliação.
IV - Orientação para manuseio e
Art. 45 O serviço de saúde deve garantir que os transporte de produtos para saúde contaminados.
trabalhadores com agravos agudos à saúde ou com
lesões nos membros superiores só iniciem suas Seção VIII
atividades após avaliação médica.
Da Gestão de Tecnologias e Processos
Art. 46 O serviço de saúde deve garantir que seus
trabalhadores com possibilidade de exposição a agentes Art. 51 O serviço de saúde deve dispor de normas,
biológicos, físicos ou químicos utilizem vestimentas procedimentos e rotinas técnicas escritas e atualizadas,
para o trabalho, incluindo calçados, compatíveis com o de todos os seus processos de trabalho em local de fácil
risco e em condições de conforto. acesso a toda a equipe.

§ 1º Estas vestimentas podem ser próprias do Art. 52 O serviço de saúde deve manter os
trabalhador ou fornecidas pelo serviço de saúde. ambientes limpos, livres de resíduos e odores
incompatíveis com a atividade, devendo atender aos
§ 2º O serviço de saúde é responsável pelo critérios de criticidade das áreas.
fornecimento e pelo processamento das vestimentas
utilizadas nos centros cirúrgicos e obstétricos, nas Art. 53 O serviço de saúde deve garantir a
unidades de tratamento intensivo, nas unidades de disponibilidade dos equipamentos, materiais, insumos e
isolamento e centrais de material esterilizado. medicamentos de acordo com a complexidade do
serviço e necessários ao atendimento da demanda.
Art. 54 O serviço de saúde deve realizar o Parágrafo único. O controle químico, quando for
gerenciamento de suas tecnologias de forma a atender necessário, deve ser realizado por empresa habilitada e
as necessidades do serviço mantendo as condições de possuidora de licença sanitária e ambiental e com
seleção, aquisição, armazenamento, instalação, produtos desinfestantes regularizados pela Anvisa.
funcionamento, distribuição, descarte e rastreabilidade.
Art. 64 Não é permitido comer ou guardar
Art. 55 O serviço de saúde deve garantir que os alimentos nos postos de trabalho destinados à execução
materiais e equipamentos sejam utilizados de procedimentos de saúde.
exclusivamente para os fins a que se destinam.
CAPÍTULO III
Art. 56 O serviço de saúde deve garantir que os
colchões, colchonetes e demais mobiliários DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS
almofadados sejam revestidos de material lavável e
impermeável, não apresentando furos, rasgos, sulcos e Art. 65 Os estabelecimentos abrangidos por esta
reentrâncias. resolução terão o prazo de 180 (cento e oitenta) dias
contados a partir da data de sua publicação para
Art. 57 O serviço de saúde deve garantir a promover as adequações necessárias ao Regulamento
qualidade dos processos de desinfecção e Técnico.

esterilização de equipamentos e materiais. Parágrafo único. A partir da publicação desta


resolução, os novos estabelecimentos e aqueles que
Art. 58 O serviço de saúde deve garantir que pretendam reiniciar suas atividades, devem atender na
todos os usuários recebam suporte imediato a vida íntegra às exigências nela contidas.
quando necessário.
Art. 66 O descumprimento das disposições
Art. 59 O serviço de saúde deve disponibilizar os contidas nesta resolução e no regulamento por ela
insumos, produtos e equipamentos necessários para as aprovado constitui infração sanitária, nos termos da Lei
práticas de higienização de mãos dos trabalhadores, nº. 6.437, de 20 de agosto de 1977, sem prejuízo das
pacientes, acompanhantes e visitantes. responsabilidades civil, administrativa e penal cabíveis.

Art. 60 O serviço de saúde que preste assistência Art. 67 Esta resolução entra em vigor na data de sua
nutricional ou forneça refeições deve garantir a publicação.
qualidade nutricional e a segurança dos alimentos.
MARIA CECÍLIA MARTINS BRITO
Art. 61 O serviço de saúde deve informar aos
órgãos competentes sobre a suspeita de doença de
notificação compulsória conforme o estabelecido em
legislação e regulamentos vigentes.

Art. 62 O serviço de saúde deve calcular e manter


o registro referente aos Indicadores previstos nas
legislações vigentes.

Seção IX

Do Controle Integrado de Vetores e Pragas Urbanas

Art. 63 O serviço de saúde deve garantir ações


eficazes e contínuas de controle de vetores e pragas
urbanas, com o objetivo de impedir a atração, o abrigo,
o acesso e ou proliferação dos mesmos.
RESOLUÇÃO Nº 553, DE 09 DE AGOSTO DE participação, a proteção e a defesa dos direitos do
usuário dos serviços públicos da administração pública;
2017
Considerando o Decreto nº 6.040, de 07 de
fevereiro de 2007, que institui a Política Nacional de
O Plenário do Conselho Nacional de Saúde, em sua
Desenvolvimento Sustentável dos Povos e
61ª Reunião Extraordinária, realizada no dia 9 de agosto
Comunidades Tradicionais; Considerando a Portaria nº
de 2017, no uso de suas atribuições conferidas pela Lei
992, de 13 de maio de 2009, que institui a Política
nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, pela Lei nº 8.142,
Nacional de Saúde Integral da População Negra;
de 28 de dezembro de 1990 e pelo Decreto nº 5.839, de
Considerando a Portaria nº 2.836, de 1º de
11 de julho de 2006, cumprindo as disposições da
dezembro de 2011, que institui a Política Nacional de
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988,
Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e
da legislação brasileira correlata; e
Transexuais; Considerando a Portaria nº 2.866, de 02 de
Considerando a necessidade de atualização da
dezembro de 2011, que institui a Política Nacional de
Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde, publicada por
Saúde Integral das Populações do Campo e da Floresta;
meio da Portaria nº 1.820, de 13 de agosto de 2009, a
Considerando as Diretrizes estabelecidas na
partir da legislação e avanços do Sistema Único de
Política Nacional de Humanização da Atenção e da
Saúde (SUS);
Gestão do SUS, de 2003;
Considerando a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de
Considerando a Política Nacional de Gestão
1990, que dispõe sobre as condições para a promoção,
Estratégica e Participativa no SUS, Portaria nº 3.027, de
a proteção e a recuperação da saúde a organização e
26 de novembro de 2007;
funcionamento dos serviços correspondentes;
Considerando a Política Nacional de Educação
Considerando a Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de
Popular em Saúde no âmbito do SUS (PNEPS-SUS),
1990, que dispõe sobre a participação da comunidade
Portaria nº 2.761, de 19 de novembro de 2013;
na gestão do SUS;
Considerando a Política Nacional de Educação
Considerando a Lei nº 9.836, de 23 de setembro de
Permanente para o Controle Social no SUS, Resolução
1999, que acrescenta dispositivos à Lei nº 8.080, de 19
CNS nº 363, de 11 de agosto de 2006;
de setembro de 1990, que institui o Subsistema de
Considerando a Portaria nº 971/GM/MS, de 3 de
Atenção à Saúde Indígena;
maio de 2006, que aprova a Política Nacional de Práticas
Considerando a Lei nº 13.146, de 06 de julho de
Integrativas e Complementares no SUS (PNPIC);
2015, que institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa
Considerando as diretrizes estabelecidas nas
com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência);
Conferências de Saúde, nas esferas Municipal, Estadual
Considerando a Lei nº 12.527 (Lei de Acesso à
e Nacional, e no Conselho Nacional de Saúde, em defesa
Informação), de 18 de novembro de 2011;
do SUS e dos seus princípios;
Considerando a Lei nº 13.460, de 26 de junho de
Considerando as proposições do Grupo de
2017, que dispõe sobre a
Trabalho do Conselho Nacional de Saúde, que elaborou
propostas e sistematizou as contribuições da Consulta à
Sociedade, realizada de maio a junho de 2017, para burocráticos, respeitando as prioridades garantidas em
atualização da Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde; Lei.
e II - A promoção e a proteção da saúde devem
Considerando que compete ao Conselho Nacional estar relacionadas com as condições sociais, culturais e
de Saúde o fortalecimento da participação e do controle econômicas das pessoas, incluídos aspectos como:
social no SUS (artigo 10, IX da Resolução nº 407, de 12 a) segurança alimentar e nutricional;
de setembro de 2008). b) saneamento básico e ambiental;
Resolve: c) tratamento às doenças negligenciadas
Aprovar a atualização da Carta dos Direitos e conforme cada região do País;
Deveres da Pessoa Usuária da Saúde, que dispõe sobre d) iniciativas de combate às endemias e doenças
as diretrizes dos Direitos e Deveres da Pessoa Usuária transmissíveis;
da Saúde anexa a esta Resolução. e) combate a todas as formas de violência e
discriminação;
RONALD FERREIRA DOS SANTOS f) educação baseada nos princípios dos Direitos
Presidente do Conselho Nacional de Saúde Humanos;
g) trabalho digno; e
Homologo a Resolução CNS nº 553, de 9 de agosto h) acesso à moradia, transporte, lazer, segurança
de 2017, com base no Decreto de Delegação de pública e previdência social. §1º O acesso se dará
Competência de 12 de novembro de 1991. preferencialmente nos serviços de Atenção Básica.
§2º Nas situações de urgência e emergência,
RICARDO BARROS qualquer serviço de saúde deve receber e cuidar da
Ministro de Estado da Saúde pessoa bem como encaminhá-la para outro serviço no
caso de necessidade.
§3º Em caso de risco de vida ou lesão grave, deverá
ANEXO DA RESOLUÇÃO Nº 553, DE 9 DE AGOSTO DE ser assegurada a remoção do usuário, em tempo hábil e
2017 em condições seguras para um serviço de saúde com
capacidade para resolver seu tipo de problema.
Primeira diretriz: toda pessoa tem direito, em §4º O encaminhamento às especialidades e aos
tempo hábil, ao acesso a bens e serviços ordenados e hospitais, pela Atenção Básica, será estabelecido em
organizados para garantia da promoção, prevenção, função da necessidade de saúde e indicação clínica,
proteção, tratamento e recuperação da saúde. levando-se em conta a gravidade do problema a ser
I - Cada pessoa possui direito de ser acolhida no analisado pelas centrais de regulação, com
momento em que chegar ao serviço e conforme sua transparência.
necessidade de saúde e especificidade, §5º Quando houver alguma dificuldade temporária
independentemente de senhas ou procedimentos para atender as pessoas é da responsabilidade da
direção e da equipe do serviço, acolher, dar
informações claras e encaminhá-las sem discriminação h) a necessidade ou não de anestesia e seu tipo e
e privilégios. duração;
Segunda diretriz: toda pessoa tem direito ao i) partes do corpo afetadas pelos procedimentos,
atendimento integral, aos procedimentos adequados e instrumental a ser utilizado, efeitos
em tempo hábil a resolver o seu problema de saúde, de colaterais, riscos ou consequências indesejáveis;
forma ética e humanizada. j) duração prevista dos procedimentos e tempo
Parágrafo único. É direito da pessoa ter de recuperação;
atendimento adequado, inclusivo e acessível, com k) evolução provável do problema de saúde;
qualidade, no tempo certo e com garantia de l) informações sobre o custo das intervenções das
continuidade do tratamento, e para isso deve ser quais a pessoa se beneficiou;
assegurado: m) outras informações que forem necessárias;
I - atendimento ágil, com estratégias para evitar I - que toda pessoa tem o direito de decidir se
o agravamento, com tecnologia apropriada, por equipe seus familiares e acompanhantes deverão ser
multiprofissional capacitada e com condições informados sobre seu estado de saúde;
adequadas de atendimento; II - o registro atualizado e legível no prontuário,
II - disponibilidade contínua e acesso a bens e das seguintes informações: a) motivo do atendimento
serviços de imunização conforme calendário e ou internação;
especificidades regionais; b) dados de observação e da evolução clínica;
II - espaços de diálogo entre usuários e c) prescrição terapêutica;
profissionais da saúde, gestores e defensoria pública d) avaliações dos profissionais da equipe;
sobre diferentes formas de tratamentos possíveis. e) procedimentos e cuidados de enfermagem;
III - informações sobre o seu estado de saúde, de f) quando for o caso, procedimentos cirúrgicos e
forma objetiva, respeitosa, compreensível, e em anestésicos, odontológicos,
linguagem adequada a atender a necessidade da resultados de exames complementares
usuária e do usuário, quanto a: laboratoriais e radiológicos;
a) possíveis diagnósticos; g) a quantidade de sangue recebida e dados que
b) diagnósticos confirmados; garantam a qualidade do sangue,
c) resultados dos exames realizados; como origem, sorologias efetuadas e prazo de
d) tipos de exames solicitados, as justificativas e validade;
riscos; h) identificação do responsável pelas anotações;
e) objetivos, riscos e benefícios de procedimentos i) data e local e identificação do profissional que
diagnósticos, cirúrgicos, preventivos realizou o atendimento;
ou de tratamento; j) outras informações que se fizerem necessárias;
f) duração prevista do tratamento proposto; I - o acesso à anestesia em todas as situações em
g) quanto a procedimentos diagnósticos e que for indicada, bem como a medicações e
tratamentos invasivos ou cirúrgicos; procedimentos que possam aliviar a dor e o sofrimento;
II - o recebimento das receitas e prescrições que está sendo encaminhada.
terapêuticas, deverão conter: a) o nome genérico das Terceira diretriz: toda pessoa tem direito ao
substâncias prescritas; atendimento inclusivo, humanizado e
b) clara indicação da dose e do modo de usar; acolhedor, realizado por profissionais qualificados,
c) escrita impressa, datilografada ou digitada, ou em ambiente limpo, confortável e acessível.
em caligrafia legível; §1º Nos serviços de saúde haverá igual visibilidade
d) textos sem códigos ou abreviaturas; aos direitos e deveres das pessoas usuárias e das
e) o nome legível do profissional e seu número de pessoas que trabalham no serviço de saúde.
registro no conselho profissional; e §2º A Rede de Serviços do SUS utilizará as
f) a assinatura do profissional e a data; tecnologias disponíveis para facilitar o agendamento de
I - o recebimento dos medicamentos, quando procedimentos nos serviços de saúde em todos os níveis
prescritos, que compõem a farmácia básica e, nos casos de complexidade.
de necessidade de medicamentos de alto custo, deve §3º Os serviços de saúde serão organizados
ser garantido o acesso conforme protocolos e normas segundo a demanda da população, e não limitados por
do Ministério da Saúde; produção ou quantidades de atendimento pré-
II - a garantia do acesso à continuidade da determinados.
atenção no domicílio, quando pertinente, com estímulo §4º A utilização de tecnologias e procedimentos
e orientação ao autocuidado que fortaleça sua nos serviços deverá proporcionar celeridade na
autonomia e a garantia de acompanhamento em realização de exames e diagnósticos e na
qualquer serviço que for necessário, extensivo à rede de disponibilização dos resultados.
apoio; §5º Haverá regulamentação do tempo de espera
III - o encaminhamento para outros serviços de em filas de procedimentos.
saúde deve ser por meio de um documento que §6º A lista de espera de média e alta complexidade
contenha: deve considerar a agilidade e transparência.
a) caligrafia legível ou datilografada ou digitada ou §7º As medidas para garantir o atendimento
por meio eletrônico; incluem o cumprimento da carga horária de trabalho
b) resumo da história clínica, possíveis dos profissionais de saúde.
diagnósticos, tratamento realizado, evolução e §8º Nas situações em que ocorrer a interrupção
o motivo do encaminhamento; temporária da oferta de procedimentos como consultas
c) linguagem clara evitando códigos ou e exames, os serviços devem providenciar a remarcação
abreviaturas; destes procedimentos e comunicar aos usuários.
d) nome legível do profissional e seu número de §9º As redes de serviço do SUS deverão se
registro no conselho profissional, organizar e pactuar no território a oferta de plantão de
assinado e datado; e atendimento 24 horas, inclusive nos finais de semana.
e) identificação da unidade de saúde que recebeu
a pessoa, assim como da Unidade a
§10 Cada serviço deverá adotar medidas de I - o atendimento agendado nos serviços de
manutenção permanente dos equipamentos, bens e saúde, preferencialmente com hora marcada;
serviços para prevenir interrupções no atendimento. II - o direito a acompanhante, pessoa de sua livre
§11 É direito da pessoa, na rede de serviços de escolha, nas consultas e exames;
saúde, ter atendimento humanizado, acolhedor, livre de III - o direito a acompanhante, nos casos de
qualquer discriminação, restrição ou negação em internação, nas situações previstas em lei, assim como
virtude de idade, raça, cor, etnia, religião, orientação naqueles em que a autonomia da pessoa estiver
sexual, identidade de gênero, condições econômicas ou comprometida, com oferta de orientação específica e
sociais, estado de saúde, de anomalia, patologia ou adequada para os acompanhantes;
deficiência, garantindo-lhe: IV - o direito a visita diária não inferior a duas
I - identificação pelo nome e sobrenome civil, horas, preferencialmente, abertas em todas as unidades
devendo existir em todo documento do usuário e de internação, ressalvadas as situações técnicas não
usuária um campo para se registrar o nome social, indicadas;
independente do registro civil, sendo assegurado o uso V - a continuidade das atividades escolares, bem
do nome de preferência, não podendo ser identificado como o estímulo à recreação, em casos de internação
por número, nome ou código da doença ou outras de criança ou adolescente;
formas desrespeitosas ou preconceituosas; VI - a informação a respeito de diferentes
II - a identificação dos profissionais, por crachás possibilidades terapêuticas de acordo com sua condição
visíveis, legíveis e por outras formas de identificação de clínica, baseado em evidências e a relação custo-
fácil percepção; benefício da escolha de
III - nas consultas, nos procedimentos tratamentos, com direito à recusa, atestado pelo
diagnósticos, preventivos, cirúrgicos, terapêuticos e usuário ou acompanhante;
internações, o seguinte: VII - a escolha do local de morte;
a) integridade física; VIII - o direito à escolha de tratamento,
b) a privacidade e ao conforto; quando houver, inclusive as práticas integrativas e
c) a individualidade; complementares de saúde, e à consideração da recusa
d) aos seus valores éticos, culturais, religiosos e de tratamento proposto;
espirituais; IX - o recebimento de visita, quando internado, de
e) a confidencialidade de toda e qualquer outros profissionais de saúde que não pertençam
informação pessoal; àquela unidade hospitalar sendo facultado a esse
f) a segurança do procedimento; profissional o acesso ao prontuário;
g) o bem-estar psíquico e emocional; X - a opção de marcação de atendimento
h) a confirmação do usuário sobre a compreensão pessoalmente, por telefone e outros meios tecnológicos
das questões relacionadas com o disponíveis e acessíveis;
seu atendimento e possíveis encaminhamentos. XI - o recebimento de visita de religiosos de
qualquer credo, sem que isso acarrete mudança da
rotina de tratamento e do estabelecimento e ameaça à saúde pública, considerando que o consentimento
segurança ou perturbações a si ou aos outros; anteriormente dado poderá ser revogado a qualquer
XII - a não-limitação de acesso aos serviços de instante, por decisão livre e esclarecida, sem que sejam
saúde por barreiras físicas, tecnológicas e de imputadas à pessoa sanções morais, financeiras ou
comunicação; legais;
XIII - a espera por atendimento em lugares VI - pleno conhecimento de todo e qualquer
protegidos, limpos e ventilados, tendo a sua disposição exame de saúde admissional, periódico, de retorno ao
água potável e sanitários, e devendo os serviços de trabalho, de mudança de função, ou demissional
saúde se organizarem de tal forma que seja evitada a realizado e seus resultados;
demora nas filas; VII - a indicação de sua livre escolha, a quem
XIV - soluções para que não haja confiará a tomada de decisões para a eventualidade de
acomodação de usuários em condições e locais tornar-se incapaz de exercer sua autonomia;
inadequados. VIII - o recebimento ou a recusa à
Quarta diretriz: toda pessoa deve ter seus valores, assistência religiosa, espiritual, psicológica e social;
cultura e direitos respeitados na relação com os serviços IX - a liberdade, em qualquer fase do tratamento,
de saúde. de procurar segunda opinião ou parecer de outro
Parágrafo único: os direitos do caput serão profissional ou serviço sobre seu estado de saúde ou
garantidos por meio de: sobre procedimentos recomendados;
I - escolha do tipo de plano de saúde que melhor X - a não-participação em pesquisa que envolva
lhe convier, de acordo com as exigências mínimas ou não tratamento experimental sem que tenha
constantes da legislação e a informação pela operadora garantias claras da sua liberdade de escolha e, no caso
sobre a cobertura, custos e condições do plano que está de recusa em participar ou continuar na pesquisa, não
adquirindo; poderá sofrer constrangimentos, punições ou sanções
II - sigilo e a confidencialidade de todas as pelos serviços de saúde, sendo necessário, para isso:
informações pessoais, mesmo após a morte, salvo nos a) que o dirigente do serviço cuide dos aspectos
casos de risco à saúde pública; éticos da pesquisa e estabeleça
III - acesso da pessoa ao conteúdo do seu mecanismos para garantir a decisão livre e
prontuário ou de pessoa por ele autorizada e a garantia esclarecida da pessoa;
de envio e fornecimento de cópia, em caso de b) que o pesquisador garanta, acompanhe e
encaminhamento a outro serviço ou mudança de mantenha a integridade da saúde dos participantes de
domicílio; sua pesquisa, assegurando-lhes os benefícios dos
IV - obtenção de laudo, relatório e atestado resultados encontrados; e
sempre que justificado por sua situação de saúde; c) que a pessoa assine o termo de consentimento
V - consentimento livre, voluntário e esclarecido, livre e esclarecido;
a quaisquer procedimentos diagnósticos, preventivos XI - o direito de se expressar e ser ouvido nas suas
ou terapêuticos, salvo nos casos que acarretem risco à queixas, denúncias, necessidades, sugestões e outras
manifestações por meio das ouvidorias, urnas e derivados do tabaco e bebidas alcoólicas, colaborar com
qualquer outro mecanismo existente, sendo sempre a segurança e a limpeza do ambiente;
respeitado na privacidade, no sigilo e na VII - adotar comportamento respeitoso e cordial
confidencialidade; e com as demais pessoas que usam ou que trabalham no
XII - a participação nos processos de indicação e estabelecimento de saúde;
eleição de seus representantes nas Conferências, nos VIII - realizar exames solicitados, buscar os
Conselhos de Saúde e nos Conselhos Gestores da Rede resultados e apresentá-los aos profissionais dos serviços
SUS. de saúde;
Quinta diretriz: toda pessoa tem responsabilidade IX - ter em mão seus documentos e, quando
e direitos para que seu tratamento e solicitados, os resultados de exames que estejam em
recuperação sejam adequados e sem interrupção. seu poder;
Parágrafo único. Para que seja cumprido o disposto X - cumprir as normas dos serviços de saúde que
no caput deste artigo, as pessoas deverão: devem resguardar todos os princípios desta Resolução;
I - prestar informações apropriadas nos XI - adotar medidas preventivas para situações de
atendimentos, nas consultas e nas internações sobre: sua vida cotidiana que coloquem em risco a sua saúde e
a) queixas; da comunidade;
b) enfermidades e hospitalizações anteriores; XII - comunicar aos serviços de saúde, às ouvidorias
c) história de uso de medicamentos, drogas, ou à vigilância sanitária irregularidades relacionadas ao
reações alérgicas, exames anteriores; uso e à oferta de produtos e serviços que afetem a
d) demais informações sobre seu estado de saúde. saúde em ambientes públicos e privados;
II - expressar se compreendeu as informações e XIII - desenvolver hábitos, práticas e
orientações recebidas e, caso ainda tenha dúvidas, atividades que melhorem a sua saúde e qualidade de
solicitar esclarecimento sobre elas; vida;
III - seguir o plano de tratamento proposto pelo XIV - comunicar à autoridade sanitária local
profissional ou pela equipe de saúde responsável pelo a ocorrência de caso de doença transmissível, quando a
seu cuidado, que deve ser compreendido e aceito pela situação requerer o isolamento ou quarentena da
pessoa que também é responsável pelo seu tratamento; pessoa ou quando a doença constar da relação do
IV - informar ao profissional de saúde ou à equipe Ministério da Saúde; e
responsável sobre qualquer fato que ocorra em relação XV - não dificultar a aplicação de medidas
a sua condição de saúde; sanitárias, bem como as ações de fiscalização sanitária.
V - assumir a responsabilidade formal pela recusa Sexta diretriz: toda pessoa tem direito à
a procedimentos, exames ou tratamentos informação sobre os serviços de saúde e aos diversos
recomendados e pelo descumprimento das orientações mecanismos de participação.
do profissional ou da equipe de saúde; §1º A educação permanente em saúde e a
VI - contribuir para o bem-estar de todas e todos educação permanente para o controle social devem
nos serviços de saúde, evitar ruídos, uso de fumo e
estar incluídas em todas as instâncias do SUS, e envolver I - endereços;
a comunidade. II - telefones;
§2º As unidades básicas de saúde devem constituir III - horários de funcionamento; e
conselhos locais de saúde com participação da IV - ações e procedimentos disponíveis.
comunidade. §8º Em cada serviço de saúde deverá constar, em
§3º As ouvidorias, Ministério Público, audiências local visível e acessível à população:
públicas e outras formas institucionais de exercício da I - nome do responsável pelo serviço;
democracia garantidas em lei, são espaços de II - nomes dos profissionais;
participação cidadã. III - horário de trabalho de cada membro da
§4º As instâncias de controle social e o poder equipe, inclusive do responsável pelo serviço e;
público devem promover a comunicação dos aspectos IV - ações e procedimentos disponíveis.
positivos do SUS. §9º As informações prestadas à população devem
§5º Devem ser estabelecidos espaços para as ser claras, para propiciar a compreensão por toda e
pessoas usuárias manifestarem suas posições qualquer pessoa.
favoráveis ao SUS e promovidas estratégias para §10. Os Conselhos de Saúde deverão informar à
defender o SUS como patrimônio do povo brasileiro. população sobre:
§6º O direito previsto no caput deste artigo, inclui I - formas de participação;
a informação, com linguagem e meios de comunicação II - composição do Conselho de Saúde;
adequados sobre: III - regimento interno dos Conselhos;
I - o direito à saúde, o funcionamento dos IV - Conferências de Saúde;
serviços de saúde e o SUS; V - data, local e pauta das reuniões; e VI -
II - os mecanismos de participação da sociedade deliberações e ações desencadeadas.
na formulação, acompanhamento e fiscalização das §11. O direito previsto no caput desse artigo inclui
políticas e da gestão do SUS; a participação de Conselhos e
III - as ações de vigilância à saúde coletiva Conferências de Saúde, o direito de representar e
compreendendo a vigilância sanitária, epidemiológica e ser representado em todos os mecanismos de
ambiental; e participação e de controle social do SUS.
IV - a interferência das relações e das condições Sétima diretriz: toda pessoa tem direito a participar
sociais, econômicas, culturais, e dos Conselhos e Conferências de Saúde e de exigir que
ambientais na situação da saúde das pessoas e da os gestores cumpram os princípios anteriores.
coletividade. §1º As Conferências Municipais de Saúde são
§7º Os órgãos de saúde deverão informar as espaços de ampla e aberta participação da comunidade,
pessoas sobre a rede SUS mediante os diversos meios complementadas por Conferências Livres, distritais e
de comunicação, bem como nos serviços de saúde que locais, além das de plenárias de segmentos.
compõem essa rede de participação popular, em §2º Respeitada a organização da democracia
relação a: brasileira, toda pessoa tem direito a acompanhar dos
espaços de controle social, como forma de participação acessíveis e na internet, em
cidadã, observando o Regimento Interno de cada http://www.conselho.saude.gov.br.
instância.
§3º Os gestores do SUS, das três esferas de
governo, para observância dessas diretrizes,
comprometem-se a:
I - promover o respeito e o cumprimento desses
direitos e deveres, com a adoção de medidas
progressivas, para sua efetivação;
II - adotar as providências necessárias para
subsidiar a divulgação desta Resolução, inserindo em
suas ações as diretrizes relativas aos direitos e deveres
das pessoas;
III - incentivar e implementar formas de
participação dos trabalhadores e usuários nas instâncias
e participação de controle social do SUS;
IV - promover atualizações necessárias nos
regimentos e estatutos dos serviços de saúde,
adequando-os a esta Resolução;
V - adotar estratégias para o cumprimento efetivo
da legislação e das normatizações do SUS;
VI - promover melhorias contínuas, na rede SUS,
como a informatização para implantar o Cartão SUS e o
Prontuário Eletrônico com os objetivos de:
a) otimizar o financiamento;
b) qualificar o atendimento aos serviços de saúde;
c) melhorar as condições de trabalho;
d) reduzir filas; e
e) ampliar e facilitar o acesso nos diferentes
serviços de saúde.
Oitava diretriz: Os direitos e deveres dispostos
nesta Resolução constituem a Carta dos Direitos Usuária
da Saúde.
Parágrafo único. A Carta dos Direitos e Deveres da
Pessoa Usuária da Saúde será disponibilizada nos
serviços do SUS e conselhos de saúde por meios
RESOLUÇÃO - RDC Nº 36, DE 25 DE JULHO I - boas práticas de funcionamento do serviço de saúde:
componentes da garantia da qualidade que asseguram
DE 2013 que os serviços são ofertados com padrões de qualidade
adequados;
a segurança do paciente em serviços de saúde e dá
outras providências.
II - cultura da segurança: conjunto de valores, atitudes,
competências e comportamentos que determinam o
A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância
comprometimento com a gestão da saúde e da
Sanitária, no uso das atribuições que lhe conferem os
segurança, substituindo a culpa e a punição pela
incisos III e IV, do art. 15 da Lei n.º 9.782, de 26 de
oportunidade de aprender com as falhas e melhorar a
janeiro de 1999, o inciso II, e §§ 1° e 3° do art. 54 do
atenção à saúde;
Regimento Interno aprovado nos termos do Anexo I da
Portaria nº 354 da ANVISA, de 11 de agosto de 2006,
III - dano: comprometimento da estrutura ou função do
republicada no DOU de 21 de agosto de 2006, e suas
corpo e/ou qualquer efeito dele oriundo, incluindo
atualizações, tendo em vista o disposto nos incisos III,
doenças, lesão, sofrimento, morte, incapacidade ou
do art. 2º, III e IV, do art. 7º da Lei n.º 9.782, de 1999, e
disfunção, podendo, assim, ser físico, social ou
o Programa de Melhoria do Processo
psicológico;
de Regulamentação da Agência, instituído por meio da
Portaria nº 422, de 16 de abril de 2008, em reunião
IV - evento adverso: incidente que resulta em dano à
realizada em 23 de julho de 2013, adota a seguinte
saúde;
Resolução da Diretoria Colegiada e eu, Diretor-
Presidente , determino a sua publicação:
V - garantia da qualidade: totalidade das ações
sistemáticas necessárias para garantir que os serviços
CAPÍTULO I
prestados estejam dentro dos padrões de qualidade
exigidos para os fins a que se propõem;
DAS DISPOSIÇÕES INICIAIS
VI - gestão de risco: aplicação sistêmica e contínua de
Seção I
políticas, procedimentos, condutas e recursos na
identificação, análise, avaliação, comunicação e
Objetivo
controle de riscos e eventos adversos que afetam a
segurança, a saúde humana, a integridade profissional,
Art. 1º Esta Resolução tem por objetivo instituir ações o meio ambiente e a imagem institucional;
para a promoção da segurança do paciente e a melhoria
da qualidade nos serviços de saúde.
VII - incidente: evento ou circunstância que poderia ter
resultado, ou resultou, em dano desnecessário à saúde;
Seção II
VIII - núcleo de segurança do paciente (NSP): instância
Abrangência do serviço de saúde criada para promover e apoiar a
implementação de ações voltadas à segurança do
Art. 2º Esta Resolução se aplica aos serviços de saúde, paciente;
sejam eles públicos, privados, filantrópicos, civis ou
militares, incluindo aqueles que exercem ações de IX - plano de segurança do paciente em serviços de
ensino e pesquisa. saúde: documento que aponta situações de risco e
descreve as estratégias e ações definidas pelo serviço de
Parágrafo único. Excluem-se do escopo desta Resolução saúde para a gestão de risco visando a prevenção e a
os consultórios individualizados, laboratórios clínicos e mitigação dos incidentes, desde a admissão até a
os serviços móveis e de atenção domiciliar. transferência, a alta ou o óbito do paciente no serviço
de saúde;
Seção III
X - segurança do paciente: redução, a um mínimo
Definições aceitável, do risco de dano desnecessário associado à
atenção à saúde;
Art. 3º Para efeito desta Resolução são adotadas as
seguintes definições:
XI - serviço de saúde: estabelecimento destinado ao II - A disseminação sistemática da cultura de segurança;
desenvolvimento de ações relacionadas à promoção,
proteção, manutenção e recuperação da saúde, III - A articulação e a integração dos processos de gestão
qualquer que seja o seu nível de complexidade, em de risco;
regime de internação ou não, incluindo a atenção
realizada em consultórios, domicílios e unidades IV - A garantia das boas práticas de funcionamento do
móveis; serviço de saúde.

XII - tecnologias em saúde: conjunto de equipamentos, Art.7º Compete ao NSP:


medicamentos, insumos e procedimentos utilizados na
atenção à saúde, bem como os processos de trabalho, a I - promover ações para a gestão de risco no serviço de
infraestrutura e a organização do serviço de saúde. saúde;

CAPÍTULO II II - desenvolver ações para a integração e a articulação


multiprofissional no serviço de saúde;
DAS CONDIÇÕES ORGANIZACIONAIS
III - promover mecanismos para identificar e avaliar a
Seção I existência de não conformidades nos processos e
procedimentos realizados e na utilização de
Da criação do Núcleo de Segurança do Paciente equipamentos, medicamentos e insumos propondo
ações preventivas e corretivas;
Art. 4º A direção do serviço de saúde deve constituir o
Núcleo de Segurança do Paciente (NSP) e nomear a sua IV - elaborar, implantar, divulgar e manter atualizado o
composição, conferindo aos membros autoridade, Plano de Segurança do Paciente em Serviços de Saúde;
responsabilidade e poder para executar as ações do
Plano de Segurança do Paciente em Serviços de Saúde. V - acompanhar as ações vinculadas ao Plano de
Segurança do Paciente em Serviços de Saúde;
§ 1º A direção do serviço de saúde pode utilizar a
estrutura de comitês, comissões, gerências, VI - implantar os Protocolos de Segurança do Paciente e
coordenações ou núcleos já existentes para o realizar o monitoramento dos seus indicadores;
desempenho das atribuições do NSP.
VII - estabelecer barreiras para a prevenção de
§ 2º No caso de serviços públicos ambulatoriais pode ser incidentes nos serviços de saúde;
constituído um NSP para cada serviço de saúde ou um
NSP para o conjunto desses, conforme decisão do VIII - desenvolver, implantar e acompanhar programas
gestor local do SUS. de capacitação em segurança do paciente e qualidade
em serviços de saúde;
Art. 5º Para o funcionamento sistemático e contínuo do
NSP a direção do serviço de saúde deve disponibilizar: IX - analisar e avaliar os dados sobre incidentes e
eventos adversos decorrentes da prestação do serviço
I - recursos humanos, financeiros, equipamentos, de saúde;
insumos e materiais;
X - compartilhar e divulgar à direção e aos profissionais
II - um profissional responsável pelo NSP com do serviço de saúde os resultados da análise e avaliação
participação nas instâncias deliberativas do serviço de dos dados sobre incidentes e eventos adversos
saúde. decorrentes da prestação do serviço de saúde;

Art. 6º O NSP deve adotar os seguintes princípios e XI - notificar ao Sistema Nacional de Vigilância Sanitária
diretrizes: os eventos adversos decorrentes da prestação do
serviço de saúde;
I - A melhoria contínua dos processos de cuidado e do
uso de tecnologias da saúde;
XII- manter sob sua guarda e disponibilizar à autoridade XIV- segurança nas terapias nutricionais enteral e
sanitária, quando requisitado, as notificações de parenteral;
eventos adversos;
XV - comunicação efetiva entre profissionais do serviço
XIII - acompanhar os alertas sanitários e outras de saúde e entre serviços de saúde;
comunicações de risco divulgadas pelas autoridades
sanitárias. XVI - estimular a participação do paciente e dos
familiares na assistência prestada.
Seção II
XVII - promoção do ambiente seguro
Do Plano de Segurança do Paciente em Serviços de
Saúde CAPÍTULO III

Art. 8º O Plano de Segurança do Paciente em Serviços DA VIGILÂNCIA, DO MONITORAMENTO E DA


de Saúde (PSP), elaborado pelo NSP, deve estabelecer NOTIFICAÇÃO DE EVENTOS ADVERSOS
estratégias e ações de gestão de risco, conforme as
atividades desenvolvidas pelo serviço de saúde para: Art. 9º O monitoramento dos incidentes e eventos
adversos será realizado pelo Núcleo de Segurança do
I - identificação, análise, avaliação, monitoramento e Paciente - NSP.
comunicação dos riscos no serviço de saúde, de forma
sistemática; Art. 10 A notificação dos eventos adversos, para fins
desta Resolução, deve ser realizada mensalmente pelo
II - integrar os diferentes processos de gestão de risco NSP, até o 15º (décimo quinto) dia útil do mês
desenvolvidos nos serviços de saúde; subsequente ao mês de vigilância, por meio das
ferramentas eletrônicas disponibilizadas pela Anvisa.
III - implementação de protocolos estabelecidos pelo
Ministério da Saude; Parágrafo único - Os eventos adversos que evoluírem
para óbito devem ser notificados em até 72 (setenta e
IV - identificação do paciente; duas) horas a partir do ocorrido.

V - higiene das mãos; Art. 11 Compete à ANVISA, em articulação com o


Sistema Nacional de Vigilância Sanitária:
VI - segurança cirúrgica;
I - monitorar os dados sobre eventos adversos
VII - segurança na prescrição, uso e administração de notificados pelos serviços de saúde;
medicamentos;
II - divulgar relatório anual sobre eventos adversos com
VIII - segurança na prescrição, uso e administração de a análise das notificações realizadas pelos serviços de
sangue e hemocomponentes; saúde;

IX - segurança no uso de equipamentos e materiais; III - acompanhar, junto às vigilâncias sanitárias distrital,
estadual e municipal as investigações sobre os eventos
X - manter registro adequado do uso de órteses e adversos que evoluíram para óbito.
próteses quando este procedimento for realizado;
CAPÍTULO IV
XI - prevenção de quedas dos pacientes;
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS
XII - prevenção de úlceras por pressão;
Art. 12 Os serviços de saúde abrangidos por esta
XIII - prevenção e controle de eventos adversos em Resolução terão o prazo de 120 (cento e vinte) dias para
serviços de saúde, incluindo as infecções relacionadas à a estruturação dos NSP e elaboração do PSP e o prazo
assistência à saúde; de 150 (cento e cinquenta) dias para iniciar a notificação
mensal dos eventos adversos, contados a partir da data
da publicação desta Resolução.

Art. 13 O descumprimento das disposições contidas


nesta Resolução constitui infração sanitária, nos termos
da Lei n. 6.437, de 20 de agosto de 1977, sem prejuízo
das responsabilidades civil, administrativa e penal
cabíveis.

Art. 14 Esta Resolução entra em vigor na data de sua


publicação.

DIRCEU BRÁS APARECIDO BARBANO

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