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Mecânica Quântica B

Campos Clássicos
Advanced Quantum Mechanics - J.J. Sakurai (Revised Edition)

1.1 Partículas e Campos


 A mecânica quântica não-relativística fornece uma descrição unificada e
logicamente consistente de numerosos fenômenos nas áreas atômica e
molecular.

 Segundo Dirac “as leis físicas básicas necessárias para a teoria matemática de
uma grande parte da física e toda química são completamente conhecidas”.

Mas por que precisamos ir além da mecânica quântica não relativística?

Dois motivos:

 Como a mecânica quântica não-relativística é formulada de maneira que, no


limite clássico, fornece a relação energia-momento na forma não-relativística, ela
é incapaz de explicar a estrutura fina de átomos hidrogenóides.

 A mecânica quântica não relativística é essencialmente uma teoria de uma


partícula, na qual a integral sobre todo o espaço da densidade de probabilidade
de encontrar uma dada partícula é um para qualquer instante de tempo. Nesta
teoria, as partículas não podem ser criadas nem destruídas.

Exemplos que não podem ser tratados por esta teoria:


 Decaimento beta nuclear em que um elétron e um antineutrino são criados
enquanto o neutron torna-se um próton.

 Processos simples nos quais um átomo excitado retorna ao seu estado


fundamental emitindo “espontaneamente” um único fóton na ausência de campos
externos.

Conceito de Campo

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 Na teoria clássica O conceito de campo foi ntroduzido na física clássica para
descrever a interação entre dois corpos separados por uma distância finita. Por
exemplo, o campo eletrico Ex, t é uma função de três componentes, E x , E y , E z ,
definida em cada ponto do espaço-tempo x, t, e a interação entre dois corpos
carregados, 1 e 2, é vista como a interação do corpo 2 com o campo elétrico
criado pelo corpo 1.

 Na teoria quântica O conceito de campo adquire uma nova dimensão na


teoria quântica. Entre 1920 e 1930, a idéia básica da teoria de campo quântica
era associar partículas a campos, tal como o campo eletromagnético. Várias
exigências impostas pela teoria de campo quântica quando combinadas com
outros princípios gerais, restringiram bastante as classes de partículas que são
permitidas existir na natureza. Por exemplo, as duas regras obtidas da teoria de
campo quântica relativística são:

 Para cada partícula carregada, existe uma antipartícula com carga oposta e com a mesma

massa e vida-média.

 Todas as partículas da natureza obedecem o teorema da estatística de spins, isto é,

partículas com spin semi-inteiro (elétron, próton etc) seguem a estatística de Fermi-Dirac,

enquanto que partículas com spin inteiro (fóton, méson- etc), seguem a estatística de

Bose-Einstein.

Leia no livro-texto sobre as dificuldades envolvidas com esta associação

partícula ↔ campo, em partícular, no domínio das fortes interações.

1.2 Sistemas Mecânicos Discretos e Contínuos


Veja as notas de aula de revião sobre mecânica clássica. Os resultados

importantes são:

 Sistema discreto com uma partícula O comportamento mecânico de uma


partícula em mecânica clássica pode ser inferido das equações de movimento de

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Lagrange, ou seja,

d ∂L − ∂L  0
dt ∂q̇ i ∂q i

que são derivadas do princípio variacional de Hamilton,


t2
  Lq i , q̇ i   0
t1

onde a Lagrangeana Lq i , q̇ i  (considerada aqui não depender explicitamente do


tempo) é dada por

Lq i , q̇ i   T − V

Similarmente, podemos definir a Hamiltonians, Hq i , p i 

Hq i , p i   ∑ p i q̇ i − L
i

onde os momentos conjugados p i às cordenadas q i são dados por

p i  ∂L
∂q̇ i

 Sistema discreto com N partículas Este caso é uma generalização direta da


formulação Lagrangeana para uma partícula. Por exemplo, para o caso de N
partículas conectadas entre si por molas idênticas de constante elástica k e
alinhadas em uma dimensão, a Lagrangeana é definida como
N N
L  ∑a 1 m ̇ 2 − ka  i1 −  i 2
 ∑ aL i
2 a i a
i1 i1

onde introduzimos a densidade Lagrangeana L i para a i-ésima partícula;  i , é


deslocamento dessa partícula em relação à posição de equilíbrio; a é a distância
que separa duas partículas vizinhas na posição de equilíbrio.

 Sistema contínuo Pode ser obtido, tomando-se o limite do sistema discreto


de N partículas, fazendo-se N →  e a → 0. Poderíamos pensar no sistema como
uma corda. No limite indicado, obtém-se

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a → dx; m →  (densidade linear de massa)
a
 i1 −  i ∂
a → ; ka → Y (módulo de Young)
∂x

sendo a soma substituída por uma integral. Logo,

L L dx

onde

∂ 2
L  1 ̇ 2 − Y
2 ∂x

Da formulação do princípio variacional no caso contínuo, obtém-se as equações


de Euler-Lagrange,

∂ ∂L  ∂ ∂L − ∂L  0
∂x ∂∂/∂x ∂t ∂∂/∂t ∂

No caso do exemplo, esta equação torna-se

∂2 ∂2
Y 2 − 2  0
∂x ∂t

que é a equação de onda para uma corda.

Densidade Hamiltoniana Em analogia com a Hamiltoniana de uma partícula,


H  ∑ p i q̇ i − L, podemos definir a densidade Hamiltoniana para o sistema contínuo,
dada por

H  ̇ ∂L − L.
∂̇

1.3 Campos Escalares Clássicos


Considere um campo x, t que é uma função real definida em cada ponto do espaço
x, t. Fazendo  →  nas equações de Euler-Lagrange da seção anterior, e lembrando
∂ ̇
que L  L , ,  onde k  1, 2, 3 ou x, y, z , obtém-se
∂x k

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3

∑ ∂ ∂L  ∂ ∂L − ∂L  0
k1
∂x k ∂∂/∂x k  ∂t ∂∂/∂t ∂

 Observe que só temos uma equação de Lagrange, correspondente a um único


campo que estamos descrevendo.

Notação covariante
Veja as notas de aula de revisão sobre tensores. Aqui nos interessa a maneira

de escrever a equação de Euler-Lagrange na forma relativisticamente covariante, isto


é, aquela que tem a “mesma forma” em todos os referenciais inerciais. Daquele estudo,
vimos que um quadrivetor, b, no espaço-tempo de Minkowski é representado por

b   b 1 , b 2 , b 3 , b 4   b, ib 0 

onde b k são reais e b 4  ib 0 é imaginário puro. O vetor posição x  é dado por

x   x 1 , x 2 , x 3 , x 4   x, ict

Transformações de Lorentz As coordenadas de eventos que ocorrem em sistemas


de coordenadas ligados a diferentes referenciais inerciais, S e S ′ (inicialmente
coincidentes), estão relacionadas por transformações de Lorentz, ou seja,

x ′  a  x 

onde a  satisfazem

a  a     , a −1    a 

Portanto,

x   a −1   x ′  a  x ′

Quadrivetor e a transformação de Lorentz Um quadrivetor, A, por definição


transforma-se da mesma maneira que x  sob transformações de Lorentz, ou seja,

A ′  a  A 

Logo, como x   a  x ′ , então

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∂  ∂x  ∂  a ∂
′ ∂x 

∂x  ∂x   ∂x 

e, portanto, o gradiente ∂ é um quadrivetor.


∂x 

Produto escalar O produto escalar b  c é definido por


3
b  c  bc  ∑ bjcj  b4c4  b  c − b0c0
j1

O produto escalar b  c é invariante por transformação de Lorentz, ou seja,

b ′  c ′  b ′ c ′  a  b  a  c   a  a  b  c     b  c   b  c   b  c
 

Tensor de segunda ordem Um tensor t  de segunda ordem transforma-se como

t ′  a  a  t 

Estamos adotando a convenção do Sakurai, que nos limites da relatividade

restrita não faz distinção entre vetores covariantes e contravariantes. 

Forma covariante da equação de Lagrange Desta maneira, a equação de


Euler-Lagrange pode ser reescrita como
3

∑ ∂ ∂L  ∂ ∂L − ∂L  0
k1
∂x k ∂∂/∂x k  ∂t ∂∂/∂t ∂
3

∑ ∂ ∂L  ∂ ∂L − ∂L  0
k1
∂x k ∂∂/∂x k  ∂ict ∂∂/∂ict ∂
3

∑ ∂ ∂L  ∂ ∂L − ∂L  0
k1
∂x k ∂∂/∂x k  ∂x 4 ∂∂/∂x 4  ∂

ou seja,

∂ ∂L − ∂L  0
∂x  ∂∂/∂x   ∂

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onde devemos lembrar a convenção da soma para índices repetidos, e   1, 2, 3, 4. :

 Cada termo desta equação será um escalar se L for um escalar e a equação de


campo obtida da densidade Lagrangeana será covariante, isto é, a equação tem
a mesma forma em todos os referenciais de Lorentz.

Campo escalar neutro


Seja x um campo escalar, que por definição, sob transformações de Lorentz entre os
sistemas S e S ′ , transforma-se como

 ′ x ′   x

onde  ′ x ′  é a forma funcional do campo no sistema S ′ . Ou seja, é um invariante sob


essas transformações.

Qual deve ser a forma da Lagrangena para um campo escalar ?

 Pode depender do campo escalar  e de suas derivadas.

 Não pode depender explicitamente das coordenadas x  , uma vez que isso
violaria a invariância por rotação ou translação.

 Para uma equação de onda linear, não pode aparecer em L potências elevadas
de  (maiores do que 2.

 Nestas condições, a única Lagrangeana possível é

∂ ∂
L  −1  22
2 ∂x  ∂x 

Equação de Euler-Lagrange O próximo passo é obter a equação de


Euler-Lagrange para este campo. Partindo de

∂ ∂L − ∂L  0
∂x  ∂∂/∂x   ∂

e considerando que

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∂L ∂ ∂ ∂
∂∂/∂x  

∂∂/∂x  
∑ −1
2 ∂x  ∂x 
 22

∂ ∂
∂ ∂
∂x  ∂ ∂ ∂x 
 −1
2 ∑ ∂∂/∂x   ∂x 

∂x  ∂∂/∂x  

∂ ∂ ∂
 −1
2 ∑  
∂x 

∂x 
   −1 2
2 ∂x 

∂L  ∂ − 1 ∂ ∂
 22  − 2 
∂ ∂ 2 ∂x  ∂x 

então

∂
− 1 ∂ 2  2  0
2 ∂x  ∂x 

ou

∂ ∂
− 2  0
∂x  ∂x 

Lembrando que x 4  ict, então

∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂2
 − 12 ∂  ∂ − 12
∂x  ∂x  ∂x k ∂x k c ∂t ∂t ∂x k ∂x k c ∂t 2

e que

∂ ∂ ∂2 ∂2 ∂2


    ∇2
∂x k ∂x k ∂x 2
∂y 2
∂z 2

Logo,

∂ ∂
−  2   0  ∇ 2 − 12 ∂ 2
2
 − 2  0
∂x  ∂x  c ∂t

Definindo o operador

  ∇ 2 − 12 ∂ 2
def 2

c ∂t

resulta a equação de onda


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 −  2   0

conhecida como equação de Klein-Gordon. Esta equação já foi considerada como forte
“candidata” a análoga relativística da equação de Schrödinger não-relativística. A
similaridade desta equação com relação energia-momento para uma partícula livre de
massa m, ou seja,

E 2 − |p| 2 c 2  m 2 c 4

torna-se aparente quando substituímos

E → i ∂ , p k  −i ∂
∂t ∂x k

 É importante observar que a equação obtida desta substituição relaciona a


segunda derivada espacial do campo à segunda derivada temporal, enquanto que
a equação de Schrödinger é de primeira ordem no tempo.

Potencial de Yukawa
Para incorporar a fonte na densidade Lagrangeana do campo, basta somar o termo de
interação

L int  −

onde  é a densidade da fonte. Assim,

∂ ∂
L  −1  22 − 
2 ∂x  ∂x 

A equação de campo torna-se agora

 −  2   

Caso estático de um fonte puntiforme Para o caso em que   x, ou seja, é


independente do tempo (caso estático), e a fonte seja puntiforme localizada na origem,
x  G x, a equação de campo torna-se

∇ 2  −  2   G x

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onde G é uma constante numérica.

Solução pelo método da transformada de Fourier Seja ̃ k a tranformada de


Fourier de x definida como

x  1  d 3 k e ikx ̃ k


2 3/2
̃ k  1  d 3 x e −ikx x
2 3/2

Fazendo
−ikx −ikx
∇ 2 x −  2 x e 3/2  G x e 3/2
2 2

e integrando em todo o espaço

1  e −ikx ∇ 2 xd 3 x −  2 1  e −ikx xd 3 x  G 1  xe −ikx d 3 x


2 3/2 2 3/2 2 3/2

encontra-se

−|k| 2 −  2 ̃ k  G


2 3/2

Resolvendo esta equação algébrica para ̃ k, encontra-se

̃ k  − G 1
2 |k|   2
3/2 2

x  − G
2 3
 d3k e ikx
|k| 2   2

Integral  d 3 k e ikx /|k| 2   2 Podemos fixar x ao longo do eixo-z de forma que

k  x  kr cos , onde  é o ângulo polar do vetor k. Como d 3 k  2k 2 sen  dk d,

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 
 d3k e ikx  0 0 k2 e ikr cos  sen  dk d  2    1 k 2 e ikr cos  dcos  dk
|k| 2   2 k2  2 0 −1 k2  2
 k2 1  k2
 2   −1 e ikrs ds dk  2  e ikr − e −ikr dk
0 k2  2 0 k2  2 ikr
 k2
 2  2 sen kr dk  2 2 e −r
r
0 k2  2 kr

 Obs: Este resultado poderia ter sido obtido por uma integral de contorno no plano
complexo.

Logo,

x  − G 2 2 e −r −r


 x  − G e r
2 3 r 4

Campo mesônico Yukawa propôs que um núcleon fosse a fonte de um campo


força, chamado campo mesônico, da mesma forma que um objeto carregado
eletricamente é a fonte de um campo eletrostático. Esta solução significa que, se um
campo mesônico estático em torno de um núcleon localizado na origem, satisfaz a
equação ∇ 2  −  2   G x, então a intensidade do campo no ponto x 2 devido à
presença de um núcleon no ponto x 1 é dado por
−|x 2 −x 1 |
x 2   − G e
4 |x 2 − x 1 |

Como o campo é estático,   x, a densidade Hamiltoniana, definida por

∂ ∂L
H − L.
∂t ∂∂/∂t

será H int  −L int  , e, portanto   Gx

H int   H int d 3 x    d 3 x  G  x 2 , x ′  x ′ −x 1  d 3 x ′


Então, a energia de interação entre dois núcleons, um localizado no ponto x 1 e o outro
no ponto x 2 , é

H 1,2  − G 2 e −|x 2 −x 1 |
int 4 |x 2 − x 1 |

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Diferente do caso de Coulomb, esta interação é atrativa e de curto alcance. Vai a zero
rapidamente para
1
|x 2 − x 1 |  

Campo escalar complexo


Leia esta seção no livro-texto.

1.4 Campos Clássicos de Maxwell


Equações básicas
Os campos eletromagnéticos são tratados dentro da estrutura da eletrodinâmica
clássica. Neste caso, partimos das equações de Maxwell dadas por

∇  B − 1c ∂E  c ,
j
∇  E  ,
∂t

∇  B  0, ∇  E  1c ∂B  0.
∂t

Nestas unidades, a constante de estrutura fina é dada por

 e2 ≈ 1
4c 137, 04

As unidades adotadas aqui, as chamadas unidades racionalizadas de

Heaviside-Lorentz, estão relacionadas com as do CGS através de:

CGS Racionalizada H-L


e → e
4
E, B, A,  → 4 E, B, A, 

eA/c → e 4 A /c  eA/c
4

Por exemplo, as equações de Maxwell no CGS, obtidas a partir destas unidades são

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∇ E  4 ,  ∇  E  4,
4

∇ B − 1 ∂E  4 j  ∇  B − 1c ∂E  c
4j
4 4 c ∂t c ∂t
∇  B  0,  ∇B  0
4
∇ E  1 ∂B  0  ∇  E  1c ∂B  0
4 4 c ∂t ∂t

Observe que nestas unidades, a força de Lorentz, F  −eE  v  B/c fica


inalterada nos dois sistemas.

Tensor do campo eletromagnético F 


 Vamos introduzir o tensor eletromagético, F  , cujas componentes
correspondem, no formalismo relativista, ao campos E e B. Ou seja,

0 B3 −B 2 −iE 1
−B 3 0 B1 −iE 2
F  
B2 −B 1 0 −iE 3
iE 1 iE 2 iE 3 0

onde obviamente F  é anti-simétrico nos índices.

 Definindo-se também o quadrivetor carga-corrente, j  , como

j   j, ic,

as equações de Maxwell podem ser escritas mais abreviadamente.

 Por exemplo, com estas definições, as equações que dependem da fonte, isto é,

∇  E  , ∇  B − 1c ∂E  c
j
∂t

podem ser escritas como

∂F  j
 c
∂x 

 Note que o tensor F  pode ser obtido do potencial vetor A, através das relações:

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A   A, i
∂A 
F   ∂A  −
∂x  ∂x 

que satisfazem automaticamente a anti-simetria nos índices  e .

Algumas componentes do tensor Usando as relações

B  ∇  A, E  −∇ − 1c ∂A
∂t

encontra-se x 4  ict, A 4  i

F 12  ∂A 2 − ∂A 1  ∇  A  B
3
∂x 1 ∂x 2 3

F 13  ∂A 3 − ∂A 1  −∇  A  −B
2
∂x 1 ∂x 3 2

F 4i  ∂A i − ∂A 4  1 ∂A i − ∂i  −i ∂  1 ∂A i  iE i
∂x 4 ∂x i ic ∂t ∂x i ∂x i c ∂t

Equações que não dependem da fonte As outras duas equações que não
dependem da fonte, podem ser escritas como

t ,  t ,  t ,  0

onde o tensor de terceira ordem é definido como

∂F  ∂A 
t ,   ∂ − ∂A 
∂x  ∂x  ∂x  ∂x 

Equação da continuidade
 A assimetria de F  leva diretamente à equação da continuidade carga-corrente.
De fato, seja a equação

∂F  j
 c
∂x 

 Tomando a 4-divergência,

∂ ∂F  ∂ j
 c
∂x  ∂x  ∂x 

e considerando que

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∂ ∂F  ∂ ∂F  − ∂ ∂F  ∂ ∂F  − ∂ ∂F 
 1  1 0
∂x  ∂x  2 ∂x  ∂x  ∂x  ∂x  2 ∂x  ∂x  ∂x  ∂x 

encontra-se

∂ j
c 0
∂x 

Lagrangeana e Hamiltoniana
 Não há muitas maneira de construir uma Lagrangeana escalar de um tensor de
campo. Já sabemos que

∂F  j
 c
∂x 

 A Lagrangeana que procuramos deve descrever os campos e não a corrente, o


que elimina a possibilidade de aparecer as derivadas de F  .

 Por outro lado, L não pode depender explicitamente das coordenadas x  .

 A única densidade escalar que pode ser construída do tensor de campo, envolve
a contração

F  F   2|B| 2 − |E| 2 

 Como no caso do campo escalar, precisamos adicionar um termo de interação


com a fonte j  . O termo escalar mais simples que podemos escrever é j  A  .

 Então, a densidade Lagrangeana que satisfaz essas condições é


j A
L  − 1 F  F   c 
4
onde cada componente de A  deve ser tratada como um campo independente.

Equação de Euler-Lagrange Usando essa densidade Lagrangeana na equação de


E-L,

∂ ∂L − ∂L  0
∂x  ∂∂A  /∂x   ∂A 

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onde

j A
L  − 1 F  F   c   − 1 ∂A  − ∂A  ∂A  − ∂A  
jA
4 4 ∂x  ∂x  ∂x  ∂x  c

Assim,

∂L − 1 ∂ ∂A  − ∂A  ∂A  − ∂A 
∂∂A  /∂x   4 ∂A  /∂x  ∂x  ∂x  ∂x  ∂x 

− 1 ∂ ∂A  ∂A  − ∂A  ∂A  − ∂A  ∂A   ∂A  ∂A 
4 ∂A  /∂x  ∂x  ∂x  ∂x  ∂x  ∂x  ∂x  ∂x  ∂x 
− 1 ∂ 2 ∂A  ∂A  − 2 ∂A  ∂A 
4 ∂A  /∂x  ∂x  ∂x  ∂x  ∂x 

 − 12 ∂ ∂A  ∂A  − ∂ ∂A  ∂A 
4 ∂A  /∂x  ∂x  ∂x  ∂A  /∂x  ∂x  ∂x 
 − 1 2     ∂A   ∂A      −     ∂A  −     ∂A 
4 ∂x  ∂x  ∂x  ∂x 
∂A  ∂A 
 − 12  − ∂A  − ∂A 
4 ∂x  ∂x  ∂x  ∂x 
∂A 
 − 14 − ∂A   −F 
4 ∂x  ∂x 
 F 

∂L  ∂ jA j j
 c    c
∂A  ∂A  c

Portanto,

∂L − ∂L  0  ∂F  − j   0
∂x  ∂A  ∂x  c

ou

∂F  j
 c
∂x 

Note que, com esta Lagrangeana, as equações de Euler-Lagrange dão de volta as


equações de Maxwell, o que justifica a escolha da densidade Lagrangeana.

Densidade Hamiltoniana de campo livre Na região onde não existe fonte,

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j   0, podemos definir a densidade Hamiltoniana, em analogia com o caso da corda,

H  ̇ ∂L − L, , ou seja,
∂̇

∂L ∂A 
H −L
∂∂A  /∂x 4  ∂x 4

considerando L  − 1 F  F  . Já calculamos
4
∂L  F 
∂∂A  /∂x  

Então

∂L ∂A  ∂A  ∂A 
H − L  F 4 − L  F 4  1 F  F 
∂∂A  /∂x 4  ∂x 4 ∂x 4 ∂x 4 4

Mas como

∂A  ∂A 
F   ∂A  −   ∂A  − F 
∂x  ∂x  ∂x  ∂x 

Logo,

H  F 4 ∂A 4 − F 4  1 F  F   −F 4 F 4  F 4 ∂A 4  1 F  F 
∂x  4 ∂x  4

De acordo com a definição de F  , F 4  −iE  e então

H  −F 4 F 4  F 4 ∂A 4  1 F  F   |E| 2  F 4 ∂A 4  1 |B| 2 − |E| 2 


∂x  4 ∂x  2
∂i
 1 |E| 2  |B| 2   F 4 ∂A 4  1 |E| 2  |B| 2   iE  
2 ∂x  2 ∂x 
∂
 1 |E| 2  |B| 2  − E j  1 |E| 2  |B| 2  − E  ∇
2 ∂x j 2

Então

H H d 3 x  1 |E| 2  |B| 2  d 3 x −  E  ∇ d 3 x
2

Integrando por partes o segundo termo do segundo membro, aparece o termo ∇  E  0


(espaço livre) e E e  anulam-se rapidamente no infinito (a integração é em todo o
espaço). Logo,

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H  1 |E| 2  |B| 2  d 3 x
2

que é o resultado esperado para a energia do campo eletromagnético (Lembre-se das

unidades. Caso queira H no CGS E, B → 1 E, B. )


4

Invariância por transformações de gauge (ou de calibre)


 Com a prescrição de que cada componente de A  deve ser tratada como um
campo independente, estamos na verdade construindo uma teoria para campo
vetorial A  e não para o campo F  .

 O potencial vetorial, como as fases nas funções de onda em mecânica quântica,


não são quantidades observáveis diretamente, embora suas simetrias o sejam.

 Vamos usar esta simetria (invariância por gauge ou calibre) para simplificar
essas equações.

 A forma covariante das equações de Maxwell,

∂F  ∂A 
onde F   ∂A  −
j
 c ,
∂x  ∂x  ∂x 

pode ser reescrita como

∂ ∂A  − ∂A  j
 c
∂x  ∂x  ∂x 

ou

∂ ∂A  − ∂ ∂A   − j   ∂ ∂A  − ∂ ∂A  j
− c
∂x  ∂x  ∂x  ∂x  c ∂x  ∂x  ∂x  ∂x 

Como,

∂ ∂A   ∂2  ∂2  ∂2  ∂2 A   ∇ 2 − 12 ∂
2
A   A 
∂x  ∂x  ∂x 21 ∂x 22 ∂x 23 ∂x 24 c ∂t

logo,

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∂F  j ∂A  j
 c  A  − ∂ − c
∂x  ∂x  ∂x 

Redefinindo o vetor A  Vamos supor que ∂A  ≠ 0. Podemos redefinir o vetor A 


∂x 
sem modificar o tensor F  , da seguinte maneira

novo ant ∂
A  A 
∂x 

onde
ant
∂A 
  −
∂x 

Então
novo ant novo ant ant ant
∂A  ∂A  ∂ ∂A  ∂A  ∂A  ∂A 
  ∂      − 0
∂x  ∂x  ∂x  ∂x  ∂x  ∂x  ∂x  ∂x 

Logo, sempre é possível encontrar uma condição que satisfaça

∂A   0
∂x 

conhecida como condição de Lorentz. As equações de Maxwell, com a condição de


Lorentz, tornam-se

A  − ∂ ∂A  j j
 − c  A   − c
∂x  ∂x 

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