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SENNA, Sylvia Regina Carmo Magalhães e DESSEN, Maria Auxiliadora

Contribuições das teorias do desenvolvimento humano para a


concepção contemporânea da adolescência

PROFESSOR: Fernando Franzoi da Silva

1
PROFESSOR: Fernando Franzoi da Silva

CIÊNCIAS SOCIAIS
Bacharelado (UEL, 1990)
PROJETOS GOVERNAMENTAIS
Especialista (UEL, 1993)
CIÊNCIAS SOCIAIS
Mestre (UFSCar, 1994)
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
SENNA, Sylvia Regina Carmo Magalhães; DESSEN, Maria
Auxiliadora. Contribuições das teorias do desenvolvimento
humano para a concepção contemporânea da adolescência.
Psicologia: Teoria e Pesquisa. Brasília, v. 28, n. 1, p. 101-
108, jan./mar. 2012.

Disponível em: \<http://www.scielo.br/pdf/ptp/v28n1/13.pdf\>


Acesso em: 07 out. 2016.
BREVES CURRÍCULOS
Sylvia Regina Carmo Magalhães Senna, graduada em
Psicologia (UERJ), especialista em Psicopedagogia pelo
Instituto Sedes Sapientiae, Mestrado e Doutorado em
Desenvolvimento Humano pelo Programa de Pós-Graduação
em Psicologia do Desenvolvimento e Saúde (UnB). Psicóloga
clínica e psicopedagoga, e professora de Psicologia Jurídica na
Faculdade Processus. Experiência em psicologia escolar e
magistério superior.
BREVES CURRÍCULOS (cont.)
Maria Auxiliadora Dessen, Graduada em Psicologia (USP, 1978),
Mestra em Psicologia pela UnB (1984) e doutora em Psicologia
Experimental pela USP (1992). Possui 3 pós-doutoramentos
(Lancaster, 1998 – professora visitante; Instituto Max Planck para
Desenvolvimento Humano e Educação, 2003, 2009 – pesquisadora
convidada). Atuou em diversas universidades e na CAPES. É
Professora Colaboradora da Pós-graduação em Família na
Sociedade Contemporânea da Universidade Católica do Salvador e
Professora Aposentada da UnB. Desde 1981, realiza pesquisas na
área de Psicologia do Desenvolvimento Humano e Processos
Familiares, com ênfase no desenvolvimento infantil. Autora de 55
artigos, 30 capítulos de livros, 3 livros organizados e 92 resumos
em Anais de Congressos. Editora e revisora de diversas revistas e
jornais de Psicologia.
ESTRUTURA DO ARTIGO
 Resumo
 Introdução
 O Percurso do Estudo Científico da Adolescência no Século XX
 Primeira Fase: Descrição dos Processos de Desenvolvimento na Adolescência
 Segunda Fase: A Visão Contextualista do Desenvolvimento do Adolescente
 A Teoria do Curso de Vida
 O Modelo (Bio)Ecológico de Urie Bronfenbrenner
 Tendências Atuais: A Visão do Desenvolvimento Positivo
 Considerações Finais
 Referências
RESUMO
 Ponto de partida: aumento do interesse no estudo da adolescência.
 Situação: impacto da adolescência no desenvolvimento do
indivíduo, família e sociedade. É um período essencial. 2 visões:
Adolescência
Período transitório, Período decisivo
universal, inevitável do curso de vida:
de grandes mudanças, com rebeldia, intensas explorações e
tempestades e estresse múltiplas oportunidades

Momento “único” no curso da vida: Visão relacional e contextual


dificuldades, conflitos, instabilidade, riscos Contextos sociais e culturais
Visão tradicional: modelo médico Ciência do Desenvolvimento
Diagnóstico e tratamento Avanços das ciências:
interesse
dos problemas de conduta modelos sistêmicos - interrelação
Século XV Século XIX Século XX
INTRODUÇÃO
ADOLESCÊNCIA: VISÃO RELACIONAL E
CONTEXTUAL
 1) relações específicas entre os aspectos do indivíduo e de
seus contextos de desenvolvimento.
 2) identificação de desafios, potencialidades e possibilidades
de desenvolvimento das reais competências do adolescente.
 São mais pronunciados neste período:
 Fatores de mudança e de plasticidade.
 Diversidade social e cultural.
 Diante das rápidas mudanças no mundo nas sociedades e
famílias, surgem novas preocupações e questionamentos.
AS GRANDES QUESTÕES:
TROCAS DINÂMICAS
 1) Como compreender as influências mútuas entre
 Fatores individuais e
 Forças contextuais (históricas e culturais)
 no curso do desenvolvimento individual e vice-versa?

 2) Como promover relações entre o indivíduo e seu contexto


que sejam mutuamente benéficas à saúde do jovem, de sua
família e da sua nação?
Potenciais

Nação Desafios
Família do
mundo
Adolescência Saudável adulto
Desenvolvimento Positivo
Contexto
sócio-histórico e cultural
em mudança
I – O PERCURSO DO ESTUDO CIENTÍFICO
DA ADOLESCÊNCIA NO SÉCULO XX
 Visão geral das Fases sobrepostas:
Século XX – até os anos 1970 A partir da década de 1970…Século XXI
Primeira Fase: A Descrição dos Processos Segunda Fase: A Visão Contextualista do
de Desenvolvimento na Adolescência Desenvolvimento do Adolescente
Teorias clássicas Visão integradora e contextualista
Socio- Cogni-
Biológicas Psicanalíticas 1996 1979
culturais tivas
1856- 1968- Urie
1904 1928/79 1958/76 Elder
1939 1976 Bronfenbrenner
Stanley Sigmund Erik Margaret Jean Modelo
Hall Freud Erikson Mead Piaget Curso de Vida
(bio)ecológico
Filogênese Sexua- Psicos- Aspectos Assimi-
Ontogênese lidade sócio- sócio- lação, aco- Estágios de Vida: Interação do Sujeito
Plasticidade humana cultural culturais modação - Tempo em diferentes
Transição Impul- Inte- Ambiente Cogni- - Contexto contextos e
inevitável sos ração social tivo - Processo sistemas
AS 2 EXPLICAÇÕES BÁSICAS SOBRE A
ADOLESCÊNCIA
 1) Como fase distinta do desenvolvimento
 2) Como período caracterizado por crescentes e inevitáveis
níveis de turbulência
 Duas teorias:
 Organísmicas:
 mundo como organismo vivo
 Indivíduo como agente ativo do seu desenvolvimento
 Contextualistas: variáveis históricas e socioculturais
I-1: PRIMEIRA FASE: A DESCRIÇÃO DOS
PROCESSOS DE DESENVOLVIMENTO NA
ADOLESCÊNCIA
GRUPO 1/4: TEORIA BIOLÓGICA
– STANLEY HALL, “ADOLESCÊNCIA” (1904)
 Desenvolvimento:
 das espécies (filogênese) e
 do indivíduo (ontogênese)
 Adolescência: período de transição universal e inevitável
 Segundo nascimento, com influência da cultura
 valorização das diferenças individuais, com plasticidade
(maleabilidade)
 Inovador, foi precursor das teorias contextualistas contemporâneas
GRUPO 2/4: A) TEORIA PSICANALÍTICA
– SIGMUND FREUD (1856-1939)
 Pessoa:
 dotada de reservatório de impulsos biológicos básicos
 emergem aspectos da sexualidade humana a cada fase do ciclo vital
 Adolescência: fase crucial mas não é distinta
 ocorre a reativação, na forma madura e genital, de vários impulsos
sexuais e agressivos experimentados pela criança nas fases iniciais de
seu desenvolvimento (oral, anal e edípica).
 Intelectualização: mecanismo de defesa usado para lidar com a revolta
emocional, conduzindo a mudar do concreto para o abstrato
 Conflitos são normais e necessários para o esforço “adaptativo” na
busca por um novo sentido da personalidade e papel social
GRUPO 2/4 (cont.): B) DESENVOLVIMENTO
PSICOSSOCIAL – ERIK ERICKSON (1968/1976):
 teoria que integra psicanálise à antropologia cultural
 Interação entre dimensões intelectual, sociocultural, histórica e biológica:
 Influência de ambientes e impacto da experiência social no curso vital
 Desenvolvimento: série de estágios previsíveis, onde, a cada estágio
 a pessoa se depara com um conflito central, crise normal e saudável a
ser ultrapassada
 Adolescência: crise caracterizada pelo desenvolvimento da identidade
 Identidade em constante mudança, dependente das experiências e
informações adquiridas nas interações diárias com os outros.

 Quanto mais apropriados o encorajamento e o reforço, mais forte é o


sentido de si mesmo e sentimento de independência e controle
GRUPO 3/4: TEORIAS SOCIOCULTURAIS
– MARGARET MEAD (1928/1979)
 Prioriza os aspectos socioculturais
 Adolescência: é moldado pelo ambiente social:
 Imediato: pais e pares
 Amplo: cultura
 Universalidade da ideia de turbulência atribuída à adolescência:
 Rebeldia da puberdade (fase universal) contra a autoridade
os pais relacionada ao idealismo dos jovens
 Dependendo do estilo de vida e da cultura na qual ele está
inserido
GRUPO 4/4: TEORIAS COGNITIVAS
– JEAN PIAGET (1958/1976)
 Privilegia processos cognitivos do desenvolvimento
 Adolescência:
 Inicial: comportamentos “turbulentos”, ao mudar forma de pensar
 Desenvolvimento do pensamento formal: por meio da
assimilação e da acomodação de novas estruturas, o adolescente:
 revela maneira própria de compreender a realidade e
 constrói sistemas filosóficos, éticos e políticos tentando se
adaptar e mudar o mundo
 Inserção na sociedade na idade adulta: ao perceber que as
soluções baseadas apenas no raciocínio lógico não são possíveis
CICLO NATUREZA CRIAÇÃO/
Maturacional AMBIENTE
VITAL e genético
Desenvolvimento Contextual
herdado adquirido

Descontinuidade Continuidade
Mudanças Estabilidade

Não partilhadas
Partilhadas
Peculiares

Determinada Cultura
Indivíduo Grupo Universais
I-2: SEGUNDA FASE: A VISÃO
CONTEXTUALISTA DO DESENVOLVIMENTO
DO ADOLESCENTE
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS
 Início na década de 1970
 Enfatiza o indivíduo e o ambiente na sua dinâmica de relações
bidirecionais
 Papel do tempo e do espaço no desenvolvimento humano
 Interações pessoa-contexto passam a ser vistas como um
fenômeno do desenvolvimento psicológico que implica considerar:
 A) pessoa em constante desenvolvimento
 B) desenvolvimento humano caraterizado pelo grande potencial
para mudança sistemática (plasticidade)
 C) significado do desenvolvimento humano inserido no contexto
SURGE A CIÊNCIA DO DESENVOLVIMENTO
 Carolina Consortium on Human Development (CCHD, 1996)
 Objetivo:
 Organizar um modelo, síntese das diferentes disciplinas e
teorias sociais, psicológicas e biocomportamentais para
orientar pesquisas
 Desenvolvimento:
 Fenômeno multifacetado:
 Conjunto de mudanças progressivas, estruturais e
organizacionais ocorridos nas interações entre
pessoas e sistemas biológicos, dentro de grupos
sociais e ambientes, no decorrer do tempo
COMO COMPREENDER O
DESENVOLVIMENTO
 Investigar:
 contextos,
 propriedades estruturais e funcionais da pessoa e do
ambiente
 e como eles interagem e produzem constâncias e
mudanças no desenvolvimento do indivíduo
 Desenvolvimento: epigenético e probabilístico
 Interação entre fatores biológicos e contextuais
FOCO NO DESENVOLVIMENTO DO INDIVÍDUO
 cada indivíduo tem seu desenvolvimento delineado por:
 inúmeros fatores mutuamente interativos,
 que variam de acordo com o tempo, o contexto e o processo, e
 a cada etapa desse processo, novas possibilidades são
geradas para a próxima

o desenvolvimento ocorre por meio de


forças internas e externas (co-ação),
que atuam de modo complementar e bidirecional
no sentido de adaptar e manter equilíbrio e harmonia
do sistema diante de situações novas ou adversas
A EXIGÊNCIA DA ABORDAGEM
INTERDISCIPLINAR E SISTÊMICA
 1) Como compreender os múltiplos sistemas que influenciam o
desenvolvimento individual,
 Desde os processos genéticos e eventos fisiológicos
 Até os eventos culturais e interações sociais?

 2) Como estes sistemas se integram ao longo do tempo para


produzir ou não saúde e funcionamento adaptativo?

 Para responder essas questões: necessidade de


entrelaçamento e integração de disciplinas de diversas áreas
I-3: A TEORIA DO CURSO DE VIDA
O QUE É A TEORIA DO CURSO DE VIDA?
 Orientação teórica que propõe identificação dos
estágios de vida:
 Infância, adolescência, fase adulta e velhice

 Aspectos:
 Temporais
 Contextuais
 Processuais
 para compreender mudanças no desenvolvimento humano
Nível Macro
Potenciais (sociedade)
Nível de Estruturas
M Intermediárias H
U (comunidades,
vizinhança) I
D
Padrões S
A Geográficas Mundo
de Vida Proximal T
N (escola e Ó
Ç Moldam o conteúdo, a forma e família)
o processo de
R
A Desenvolvimento Individual I
S Contexto A
sócio-histórico e cultural
do mundo “social” em mudança
IMPORTANTE!

“Os indivíduos adquirem significados próprios do seu


contexto histórico e das experiências de outros e, como
agentes ativos de mudança, influenciam seu próprio
desenvolvimento, fazendo escolhas baseadas nessas
experiências - disposições, conhecimentos e crenças -,
que afetam suas perspectivas, expectativas e adaptações
subsequentes”. (p. 104)
INTERDEPENDÊNCIA DE TRAJETÓRIAS NO
CONCEITO DE CURSO DE VIDA
 cada trajetória:
 não está restrita a histórias individuais,
 está envolvida na dinâmica de caminhos múltiplos e
interrelacionados,
 formando uma matriz de relações sociais que variam ao longo do
tempo e do espaço.

 cada geração pode tomar decisões e promover eventos no curso de


vida das outras, havendo interdependência entre vidas e entre níveis
 Exemplo: entre trabalho e família, casamento e parentalidade,
trabalho e lazer.
DIFERENÇA ENTRE OS MODELOS

Modelos tradicionais Teoria do Curso de Vida


• lineares, • articulação de conceitos do
• unidimensionais, desenvolvimento (regulador)
• unidirecionais e • Facilita ou impede
• unifuncionais oportunidades de mudança:
ganhos e perdas
• de crescimento e maturação
biológica do indivíduo. • visão holística
• Potencialidades são
expressas por meio da
plasticidade intraindividual
(grau de maleabilidade)
EM SÍNTESE…QUE REMETE AO QUE VEM A
SEGUIR…

 A visão contemporânea do desenvolvimento contribuiu:


 Não somente para a compreensão da atual
concepção de adolescência
 Mas para adoção de metodologias mais
apropriadas para responder questões dessa fase
do curso de vida
I-4: O MODELO (BIO)ECOLÓGICO DE URIE
BRONFENBRENNER
“A ECOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO
HUMANO”, BRONFENBRENNER (1979)
 para compreender o desenvolvimento humano, é preciso
incorporar, nas análises:
 não somente o indivíduo e as suas capacidades
perceptuais, motoras ou cognitivas,
 mas também, as interações e os padrões relacionais,
diretos e indiretos,
 que se estabelecem em diferentes contextos
(ambientes), ao longo do tempo.
 implica analisar influências múltiplas dos diferentes
ambientes, diretos ou indiretos, ao ser humano
4 ELEMENTOS BÁSICOS DO “MODELO”:
INTERRELACIONADOS E DINÂMICOS
Contexto (C)

Processo (P)
Pessoa (P)
Tempo (T)
• Ao longo do desenvolvimento, a pessoa (P) se envolve em processos
(P) de interações recíprocas, com outras pessoas, objetos ou
símbolos.
• interações podem variar de acordo com as características das pessoas,
dos contextos e do momento em que elas acontecem, podendo produzir
tanto competências como disfunções no desenvolvimento.
MODELO Macrosistema
Exosistema
Mesosistema
Microsistema
Família Escola
Indivíduo
Serviços
sexo, idade, saúde, e Colegas
de Saúde
Grupo tc.
religios Vizinhança
o

Tempo Cronosistema
(condições sócio-históricas
e
tempo desde eventos vitais)
COMO SE DÁ ESSE MODELO COM OS
ADOLESCENTES

 o adolescente:
 como qualquer pessoa, apresenta características
próprias - individuais, psicológicas e biológicas –
 além de uma forma própria de lidar com suas
experiências de vida.
 sujeito ativo, produto e produtor do seu
desenvolvimento que ocorre na interação com o
contexto (C).
COMO SE DÁ ESSE MODELO COM OS
ADOLESCENTES (cont.)

 O contexto é definido por uma hierarquia de sistemas


interdependentes composto pelas atividades, papéis e
relações interpessoais
 Micro: interações imediatas - famílias, escolas
 Meso: grupos de amigos
 Exo: vizinhança, comunidade
 Macrossistemas: instituições educacionais e de
saúde, sociais e políticas.
FAMÍLIA: PRINCIPAL MICROSSISTEMA –
PROCESSOS PROXIMAIS

 interações cotidianas mais diretas e as experiências mais


significativas para a pessoa.
 Em sua complexidade, é responsável por conduzir o
adolescente:
 à compreensão de conceitos e valores básicos,
 ao engajamento na realização de tarefas e papéis
sociais cada vez mais diversificados e complexos, e
 ao desenvolvimento de competências sociais: práticas
educativas e processos de comunicação (diálogos,
negociações e trocas de argumentos e de opiniões).
INFLUÊNCIAS DE OUTROS MICROSSISTEMAS
E CONTEXTOS – MESOSSISTEMA

 o funcionamento interno do microssistema familiar – seu


desenvolvimento, bem-estar e clima emocional – recebe
influências também de outros contextos em que os familiares
vivem e crescem.

 E, à medida que o adolescente passa a participar de outros


microssistemas e a formar e ampliar sua rede de relações
interpessoais, são formadas novas relações e influências
interdependentes entre a família, o adolescente e os demais
contextos de interações proximais (mesossistema).
INFLUÊNCIAS DO EXOSISTEMA

 Além disso, mesmo quando o adolescente não tem um papel


diretamente ativo,
 como por exemplo,
 em decisões tomadas em contextos sociais do
trabalho dos pais,
 por dirigentes da escola ou
 por agentes responsáveis pelo lazer e cultura
(parques jardins e bibliotecas),

 ele, indiretamente, recebe influências provenientes


destes ambientes (exosistema).
INFLUÊNCIAS DO MACROSSISTEMA

 decisões que são tomadas nas esferas macrossistêmicas,


 Exemplo: leis que regulam o sistema educacional e de
saúde pública,

 interferem em sua vida e na vida de sua família, ao


promoverem contextos mais ou menos favoráveis ao seu
desenvolvimento
 Na adolescência, pode-se reconhecer os efeitos diretos e
indiretos gerados pelas mudanças e estabilidades sucessivas,
que ocorrem não somente nas características individuais, mas,
sobretudo, nas transformações histórico-culturais, sociais,
políticas e econômicas, atribuídas à época em que ela é vivida.
INFLUÊNCIAS DO CRONOSSISTEMA
 Algumas dessas transições são esperadas ou normativas
 Exemplos: namoro, entrada em novo ciclo escolar
 enquanto outras são imprevistas ou não-normativas
 Exemplos: guerras mundiais, queda do muro de Berlim,
atentado às Torres Gêmeas

 porém, ambas devem ser vistas nos níveis do micro, meso e


macrotempo que compõem o cronossistema (T).

 Importante: influências bidirecionais entre a pessoa e os contextos -


sistemas ideológicos de crenças e valores, sistemas
governamentais e políticas públicas, aspectos étnicos e religiosos,
família de origem e disponibilidade de recursos e oportunidades -
devem ser consideradas ao longo do tempo.
CONCLUSÕES SOBRE O MODELO
(BIO)ECOLÓGICO DE BRONFENBRENNER

 dificuldades na operacionalização integral do modelo, em um


único projeto de pesquisa, sendo adotado parcialmente.

 auxilia a investigação da forma:


 como os adolescentes estão situados em seus
contextos específicos,
 como esses contextos influenciam o curso do seu
desenvolvimento e, ao mesmo tempo,
 como os adolescentes influenciam esses contextos
direta ou indiretamente.
 Estes conhecimentos têm permitido avanços no sentido
de:

 ultrapassar a visão inicial de adolescência como


um período de turbulência e instabilidade,

 para incorporar uma visão mais positiva do


desenvolvimento do adolescente.
II – TENDÊNCIAS ATUAIS: A VISÃO DO
DESENVOLVIMENTO POSITIVO
SÉCULO XXI: PROBLEMAS
Rápidas
INTERRELACIONADOS mudanças
Desenvolvimento
econômico e
tecnológico Drogas
Cuidados
ao Abusos
próximo Efeitos
Fracasso
desastrosos
Saúde escolar
Sexo
Crime e inseguro
Qualidade
Violência Pobreza ambiental
MUDANÇA DE “FOCO” CIENTÍFICO NO
DISCURSO COLETIVO
 pesquisas voltadas para questões sociais e para a aplicação
e utilização dos resultados em direção ao progresso da
sociedade.
Séc. XX Séc. XXI
Visão otimista:
Discurso Desenvolvimento positivo de recursos
negativo do indivíduo e do ecossistema
da “falta”
(déficit)
Intervenções no curso de vida:
Teoria e prática – colaboração entre produtores e
consumidores de conhecimento científico
ORIGENS DA NOVA PERSPETIVA “FOCO”
NO DESENVOLVIMENTO POSITIVO
 modelos dinâmicos do comportamento e
desenvolvimento humanos
 da compreensão da plasticidade e
 da importância das relações entre indivíduos e
contextos ecológicos do mundo real;
 também das intervenções feitas nas comunidades, por
meio de programas dirigidos aos jovens com
comportamentos de risco.
ELEMENTOS DA VISÃO DO
DESENVOLVIMENTO POSITIVO
 Jovens são fontes de recursos e forças internas a serem
desenvolvidas
 Famílias, escolas, comunidades: “nutrientes” para
promover o “florescimento” saudável dos jovens
 é preciso identificar os recursos para fortalecer conexões
entre eles que dependem de um compromisso mútuo:
 Jovem: papel pró-ativo ou atuar em parceria c
 Sociedade: oferecer suporte ao desenvolvimento dos
seus cidadãos.
Fontes de recursos
Forças internas Potenciais

Nação
Família Recursos Flores-
Conexões
Escola Nutrientes cimento
Comunidade Saudável
Adolescência Saudável
Desenvolvimento Positivo
Contexto
sócio-histórico e cultural
em mudança
OS RECURSOS DE DIFERENTES
AMBIENTES INFLUENCIAM O
DESENVOLVIMENTO
 “Logo, não se pode negligenciar os recursos provenientes de
diferentes ambientes, já que eles exercem influência crescente e
decisiva no período da adolescência.
 Entretanto, não são apenas as condições estabelecidas pelos
contextos, mas o tempo que o jovem despende com adultos
cuidadores e com pares, em atividades que reforçam valores
associados à saúde e ao bem-estar comum, que asseguram seu
sucesso escolar, e garantem o desenvolvimento de valores e
comportamentos relativos à consciência social, liderança,
solidariedade e valorização da diversidade”.
PROMOÇÃO DO DESENVOLVIMENTO
POSITIVO DO JOVEM
 1) identificação de seus recursos pessoais - talentos,
energias e interesses construtivos – e

 2) a elaboração de programas específicos de


estimulação desses talentos.
3 FATORES DE SUCESSO DOS
PROGRAMAS DE DESENVOLVIMENTO
POSITIVO
participação
do jovem em
todas as
atividades decisões e
dirigidas ao vertentes do
desenvolvimento programa.
de suas
a)uma habilidades;
relação
positiva e
sustentável
com adultos;
AÇÕES BASEADAS NOS 5 “Cs” E IDEOLOGIAS
DE COMPROMISSO MORAL E CIDADÃO
Caráter, Cuidado, Confiança,
Conexão, Compaixão

Risco de comprometimento
de seu desenvolvimento saudável
Mais riscos de
adesão a escolhas negativas
e destrutivas
Mais chances e desafios
que as gerações anteriores
COMO ENTENDER O
DESENVOLVIMENTO POSITIVO
 não significa, apenas:
 prevenção de comportamentos de risco;
 manter o adolescente livre de problemas.

 para estar preparado ou engajado com seu próprio


desenvolvimento e da sociedade, é preciso:
 acompanhamento e estímulo;
 reconhecimento nas suas peculiaridades,
estabilidades e mudanças sistemáticas que
ocorrem ao mesmo tempo que às transições dos
seus contextos.
CIÊNCIA APLICADA DO
DESENVOLVIMENTO
 Objetivo: compartilhar conhecimentos científicos com a
comunidade e propondo aprimoramentos nas chances
de vida de crianças, adolescentes, famílias e
comunidades, isto é, nas suas trajetórias no curso de
vida.
 Metodologia:
 descrição e explicação dos processos normativos
 ênfase nos aspectos saudáveis.
CIÊNCIA APLICADA DO
DESENVOLVIMENTO

Norteia intervenções
Supera o para
Discurso negativo prevenir riscos e
da “falta” (déficit) otimizar sucessos
Remediar problemas, de indivíduos
deficiências ou fraquezas e contextos
 As ações propostas reforçam:
 as diferenças interindividuais
 diversidade de raça, etnia, classe social e
gênero;

 as diferenças intraindividuais
 esperadas pelas transições da puberdade;

 a centralidade
 do contexto e
 das relações bidirecionais entre os diferentes
níveis ecológicos do desenvolvimento.
RELAÇÃO DA PESQUISA E APLICAÇÃO
CAMINHAM NA MESMA DIREÇÃO
 Objeto: processos relacionais básicos de
desenvolvimento, em contextos naturais, ecologicamente
válidos
 Consequências práticas:
 estudar o indivíduo e seus múltiplos contextos, de
modo integrativo, relacional e temporal, conforme as
teorias contextualistas e de Bronfenbrenner;
 adotar seus conceitos em programas de educação
e intervenção, em políticas públicas dirigidas aos
cidadãos e em sua avaliação.
 Ênfase das pesquisas (em expansão):
 Aspectos relacionais,
 Plasticidade e
 Diversidade;
 Metodologia longitudinal (quantitativa/qualitativa)
 Aplicação das teorias do desenvolvimento
 Avanços sobre a genética do comportamento:
influência conjunta entre a biologia e o ambiente, entre
os fatores biológicos e neuropsicológicos do
desenvolvimento cerebral na adolescência
DESAFIO DAS PESQUISAS
 integração de diversos conhecimentos a respeito de uma só
pessoa (no caso, o adolescente, típicos dessa fase), sobre:
 mudanças biológicas na puberdade,
 o desenvolvimento do cérebro,
 as influências genéticas,
 ritmos de sono,
 saúde física,
 transições sociais,
 influências religiosas, educacionais e culturais
NECESSIDADE DE ULTRAPASSAR
ESSES DESAFIOS

 compreensão melhor dos ajustamentos positivos na


adolescência;
 ao reconhecimento dos aspectos ditos normativos,
necessários ao desenvolvimento; e
 a possibilidade de oferta de contextos de relações mais
positivas, sustentadoras e contínuas, de proximidade e
aceitação, que dão a tônica da adolescência saudável.
COMO ENTENDER A ADOLESCÊNCIA
 Considerando os jovens como empreendedores vitais
para o futuro, tanto da ciência como da sociedade,

 necessidade de compreendê-los melhor, fornecendo-


lhes suporte e mais oportunidades de maximizarem
suas chances de desenvolvimento saudável e positivo.

 “eles representam, em qualquer ponto da história,


aqueles que vão assumir a liderança nas famílias,
comunidades e sociedades, e manter e trazer
progressos à vida humana”.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
 Há avanços na compreensão da Adolescência.
 mas persistem 2 tendências (visões) já abordadas nesse artigo:

Adolescência
Período transitório, Período decisivo
universal, inevitável do curso de vida:
de grandes mudanças, com rebeldia, intensas explorações e
tempestades e estresse múltiplas oportunidades

Momento “único” no curso da vida: Visão relacional e contextual


dificuldades, conflitos, instabilidade, riscos Contextos sociais e culturais
Visão tradicional: modelo médico Ciência do Desenvolvimento
Diagnóstico e tratamento Avanços das ciências:
interesse
dos problemas de conduta modelos sistêmicos - interrelação
Século XV Século XIX Século XX
1) CONSEQUÊNCIAS DA VISÃO DA
“ADOLESCÊNCIA ÚNICA”
 Considerar o adolescente:
 com base em fatores particulares,
 isolar aspectos genéticos e ambientais
 abordar como período único e transitório de mudança

 Pode impedir o diálogo amplo:


 entre as áreas de pesquisa
 entre pesquisadores, profissionais e políticos

 Distorce a ideia do processo contínuo de desenvolvimento


humano,
 com seus antecedentes geradores de mudanças
2) CONSEQUÊNCIAS DA VISÃO DA
ADOLESCÊNCIA COMO
DESENVOLVIMENTO
 A adolescência não é algo acabado, que tenha início e fim definidos
 a delimitação desse período:
 ultrapassa aspectos cronológicos e biológicos
 há condições sociais, culturais, históricas e psicológicas
específicas

 Portanto, precisa ser compreendida a partir da noção de que:

Um mesmo resultado em desenvolvimento pode ser alcançado por


diferentes meios e em contextos relativamente diferentes
MISSÃO CENTRAL DAS PESQUISAS
SOBRE O “ADOLESCER”
Investigar potencialidades e qualidades humanas
– habilidades interpessoais que indicam vida saudável –
e propor intervenções que facilitem sua construção

Otimismo Esperança
RESILIÊNCIA
Coragem  Dos jovens Altruísmo
 Das Famílias

PROMOÇÃO DO
VALORIZAÇÃO DAS Mecanismos
BEM-ESTAR E
FORÇAS PESSOAIS Subjacentes às
competências
SATISFAÇÃO
DIREÇÃO DAS PESQUISAS EMPÍRICAS FUTURAS: GRANDE
QUESTÃO COM 5 PERGUNTAS INTERRELACIONADAS

Quais
Em relação a atributos?
quais aspectos De quais
familiares ou indivíduos?
geracionais?
Desenvolvimento
Positivo
Em relação a
quais aspectos Em relação a
ontogenéticos quais condições
? ecológicas?
IMPLICAÇÕES PARA RESPONDER À
“GRANDE QUESTÃO”
“MUNDO EM MUDANÇAS”
NO CURSO DO DESENVOLVIMENTO
“ADOLESCER”
COMPLEXIDADE
INTERRELAÇÕES DO
DAS CIÊNCIAS
JOVEM E CONTEXTO
Projetos de Pesquisa Parcerias entre

mais aprofundados +
Empírica - biológica/social profissionais, políticos
e pesquisadores
Modelos de intervenção
preventiva e “positiva”
Processos conjuntos
Dados quantitativos e
qualitativos  Descrever
Instrumentos/técnicas  Explicar
de avaliação sensíveis  Promover
Superar fragmentação:
diálogo interdisciplinar
CIÊNCIA PARA O DESENVOLVIMENTO
POSITIVO DOS JOVENS
 disseminação do conhecimento, conectando ciência e
sociedade:
 comunicação de massa,
 especialistas e
 comunidade

 ciência como instrumento para a sociedade civil.

 pesquisadores brasileiros: longa trajetória a percorrer, para a


qual devemos aplicar os princípios do “desenvolvimento
positivo do jovem”.

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