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UNIVERSIDADE REGIONAL INTEGRADA DO ALTO URUGUAI E DAS

MISSÕES
PRÓ-REITORIA DE ENSINO E PESQUISA
CAMPUS DE SANTIAGO
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS
CURSO DE DIREITO

FRANCIÉLE DOS ANJOS COSTA

A EFETIVAÇÃO E OS DESAFIOS DOS DIREITOS HUMANOS NA AMÉRICA DO


SUL: UMA ANÁLISE A PARTIR DAS DECISÕES PROFERIDAS PELO SISTEMA
INTERAMERICANO DE DIREITOS HUMANOS

SANTIAGO – RS
2021
FRANCIÉLE DOS ANJOS COSTA

A EFETIVAÇÃO E OS DESAFIOS DOS DIREITOS HUMANOS NA AMÉRICA DO


SUL: UMA ANÁLISE A PARTIR DAS DECISÕES PROFERIDAS PELO SISTEMA
INTERAMERICANO DE DIREITOS HUMANOS

Projeto de Monografia apresentado como


requisito parcial à aprovação na
Disciplina de Monografia I, do Curso de
Direito, Departamento de Ciências Sociais
Aplicadas da Universidade Regional
Integrada do Alto Uruguai e das Missões -
Campus de Santiago.

Orientadora: Ma. Paula Vanessa Fernandes

SANTIAGO – RS
2021
FRANCIÉLE DOS ANJOS COSTA

A EFETIVAÇÃO E OS DESAFIOS DOS DIREITOS HUMANOS NA AMÉRICA DO


SUL: UMA ANÁLISE A PARTIR DAS DECISÕES PROFERIDAS PELO SISTEMA
INTERAMERICANO DE DIREITOS HUMANOS

Projeto de Monografia apresentado como


requisito parcial à aprovação na
Disciplina de Monografia I, do Curso de
Direito, Departamento de Ciências Sociais
Aplicadas da Universidade Regional
Integrada do Alto Uruguai e das Missões -
Campus de Santiago.

Santiago, ______de____________de 2021.

BANCA EXAMINADORA

_______________________________
Professora Ma. Paula Vanessa Fernandes
(Orientadora)
URI Campus de Santiago – RS

_______________________________
Prof.
URI Campus de Santiago – RS

_______________________________
Prof.
URI Campus de Santiago - RS
3

SUMÁRIO

1 TEMA......................................................................................................................4
2 DELIMITAÇÃO DO TEMA......................................................................................4
3 PROBLEMA............................................................................................................4
4 JUSTIFICATIVA......................................................................................................5
5 OBJETIVOS............................................................................................................6
5.1 Objetivo geral......................................................................................................6
5.2 Objetivos específicos.........................................................................................6
6 REFERENCIAL TEÓRICO......................................................................................7
7 METODOLOGIA....................................................................................................14
8 SUMÁRIO PRÉVIO................................................................................................15
9 CRONOGRAMA....................................................................................................15
REFERÊNCIAS.........................................................................................................16
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1 TEMA

A efetivação e os desafios dos direitos humanos na América do Sul

2 DELIMITAÇÃO DO TEMA

A efetivação dos direitos humanos no atual contexto dos quatro países


-Brasil, Argentina, Chile e Uruguai- da América Sul a partir da atuação do Sistema
Interamericano de Direitos Humanos

3 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA

A Segunda Guerra Mundial impactou a humanidade através de suas


atrocidades nos campos de concentrações, gerando uma preocupação mundial na
preservação da vida humana e seus direitos, gerando a necessidade de um conjunto
de direitos mínimos e básicos para que o mesmo não ocorresse novamente, o ano
de 1948 foi marcado pela promulgação da Declaração Universal de Direitos
Humanos.
O sistema interamericano, obtendo seu espaço na Organização dos Estados
Americanos, é convocado a partir do momento que um país provoca graves
violações contra os direitos humanos, assim o direito internacional entra em ação
permitindo que a pessoa atingida, outros Estados, organismos estatais ou
organizações, procurem essas garantias de direitos como forma de proteção ou
prevenção de novas violações, como por exemplo, as condenações do caso Maria
da Penha, Carandiru e Candelária, entre outros.
Outro acontecimento que marcou a América Latina foi a grande quantidade de
ditaduras militares instaladas em diversos países e regiões, sendo consolidada essa
prática em na década de 1960, chegando com força no Brasil no ano de 1964,
ocorrendo no Uruguai em 1973 e perdurando até 1985, já na Argentina começou em
1966 tendo seu fim em 1973, ainda o Chile de 1973 e 1990.
Percebe-se as violações dos direitos humanos ao longo do tempo, o senso
comum criado sob o que seria e sua funcionalidade nos países da América Latina,
5

ainda sofrendo uma resistência na implementação de políticas públicas que


provavam o desenvolvimento humano e a dignidade humana.
Com isso, diante do Estado Democrático e pós-democrático, questiona-se:
qual é o papel do Sistema Interamericano de Direitos Humanos na promoção e
implementação dos Direitos Humanos nos quatro países- Brasil, Argentina, Chile e
Uruguai - da América do Sul?

4 JUSTIFICATIVA

A conquista por Direitos Humanos foi marcada por sangue, dor e inúmeras
vidas perdidas, tendo dois acontecimentos históricos que deixaram sua marca na
memória mundial, o primeiro o Pós-Guerra Mundial que devido à materialidade como
corpos, objetos e pertences pessoais em grande quantidade, ocorre que o sistema
de Adolf Hitlher não conseguiu esconder essas provas, o que gerou comoção e
indignação na humanidade, provocando a criação de um rol de direitos mínimos e
básicos.
Ainda, o segundo fato que mesmo após a promulgação da Declaração
Universal de Direitos Humanos foram os golpes de estado que geraram as ditaduras
militares na América Latina, infelizmente causando novamente inúmeros
desaparecimentos sem justificativas, sendo em alguns casos corpos nunca
encontrados e nem devolvidos as famílias, além disso, outros encontrados como um
suposto suicídio ou em condições de tortura de forma degradante, havendo como
registro dessa época as músicas MPB e os livros com relatos e fotos dos fatos
ocorridos.
Com isso, compreende-se que houve uma grande evolução nessa área,
porém popularmente há um equívoco no entendimento do real significado do que
são os direitos humanos e como funcionam e sua construção histórica e social,
consequentemente a má impressão do tema provoca revoltas em desfavor desses
direitos conquistados, ressaltando que as mídias auditivas e visuais puxam mais
para o lado “negativo” em sua aplicação na sociedade pós-moderna.
Ademais, outro fator que agravou a economia e as pessoas, foi o Covid- 19
em 2021, o qual provocou uma grande crise econômica, aumentando o desemprego,
dificultando o acesso à educação, pois grande parte não possuía internet ou
6

tecnologia para o mesmo, e causando um colapso nos sistemas de saúde, gerando


maiores índices de pobreza e diminuição dos direitos adquiridos.
No mesmo norte, a pesquisadora desenvolveu estágio de extensão voltado
para área de direitos humanos em contato com a comunidade pelo período de quase
três anos e posteriormente por um ano pesquisando às problemáticas e resultados
dos direitos humanos como bolsista da Universidade do Alto Uruguai e das Missões
– URI Santiago, diante dessa perspectiva se faz necessário um estudo aprofundado
da temática.
Assim, para a presente pesquisadora, a averiguação do tema se justifica na
necessidade de esclarecer o real significado dos Direitos Humanos, semeando a
ideia de políticas públicas que promovam a educação, saúde, qualidade de vida e
desenvolvimento humano.
Por fim, a pesquisa possui uma grande relevância acadêmica, pois busca
ampliar a abordagem dessa temática que se faz presente em todas as disciplinas do
curso de direito de forma direta, ainda importante para comunidade geral, pois
propagará os seus direitos como cidadão em um Estado Democrático de Direito,
essa pesquisa encontra-se vinculada a linha de pesquisa Direito, Justiça e
Cidadania do Curso de Direito da URI-Santiago.

5 OBJETIVOS

5.1 Objetivo Geral

Analisar a efetivação dos direitos humanos no atual contexto dos quatro


países -Brasil, Argentina, Chile e Uruguai- da América Sul a partir da atuação do
Sistema Interamericano de Direitos Humanos.

5.2 Objetivos Específicos

a) Estudar os direitos humanos a partir de uma perspectiva histórica e social,


buscando compreender o seu sentindo e o seu alcance na sociedade
contemporânea;
7

b) Pesquisar o processo democrático e pós-democrático nos quatro países da


América - Brasil, Argentina, Chile e Uruguai - com a finalidade de se analisar os
retrocessos, desafios e os avanços na implementação e efetivação dos direitos
humanos nesses respectivos países;
c) Compreender o Sistema Interamericano de Direitos Humanos, bem como
se investigará as condenações frente às graves violações cometidas, com o intuito
de se verificar se a sua atuação é eficiente e adequada para a promoção dos direitos
humanos.

6 REFERENCIAL TEÓRICO

Os Direitos Humanos enfrentam uma barreira histórica, moral, cultural, social


consequentemente preconceitos na sua aplicação, apesar de ser instituída a
Declaração Universal de Direitos Humanos, o qual proíbe os governos de fazerem
algumas coisas e os impede de fazer outras, nem todos pactuaram desse acordo,
deixando outras questões interferirem na dignidade humana e individualidade da
propriedade privada, ou seja, sob a vida. (DUDH, 2018).
Tem-se como positivo que grande parte da América-Latina decidiu fazer parte
desse rol de direitos inerentes as pessoas sem distinção de etnia, gênero, religião
entre outros fatores,uma vez que devido inúmeras atrocidades ocorridos na
Segunda Guerra Mundial e nas Ditaduras militares da América- Latina.
(DUDH,2018).
Ressalta-se que em tempos que a violência vigora o pior fato não está
ocasionado com a retirada da liberdade ou da vida, mas com sentimentos que não
se encontram tipificados nos códigos, exemplo o medo, a angustia, a ansiedade do
inesperado que poderia ocorrer como descrito por HannahArendt na obra Homens
em tempos sombrios:
Hoje sabemos que o matar está longe de ser o pior que o homem pode
infligir ao homeme que, por outro lado, a morte não é de forma alguma
aquilo que o homem mais teme. A morte não é a quintessência de todo o
aterrorizante, e infelizmente podem existir penas muito mais severas que a
pena de morte. (ARENDT, 2008, p. 115).

Ainda, o que atualmente encontra-se respaldo na lei são atos conhecido como
a tortura física e psicológica, limites para experimentos médicos e científicos, não
havendo distinção entre homens e mulheres, muito menos de etnia ou religião,
8

sendo que nesses fatos históricos era considerada uma prática normal e moral,
inexistindo preceitos básicos de proteção.
Nesse sentido, o Brasil implementou em sua Constituição Federal de 1988,
em seu artigo 5°, referente aos direitos individuais:

Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,


garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade. (BRASIL, 1988).

No mesmo norte, três parágrafos são importantíssimos na visão nacional e no


aspecto internacional, presentes no artigo 5° da Constituição Federal, os § 2º, § 3º e
§ 4º, os quais abordam que os direitos e garantias descritos na lei maior não
excluem os princípios e tratados internacionais, também os requisitos para
aprovação de emendas que envolvam os Direitos Humanos e ainda que o Brasil é
submetido ao Tribunal Penal Internacional.
O Brasil na construção e reformulação de uma nova constituição (1988) se
preocupou nos mínimos detalhes em proteger a vida e promover dentro de suas
possibilidades a dignidade humana, através de projetos de políticas públicas, tais como:
Minha casa minha vida, Prouni, Bolsa Família, Saúde para todos por intermédio do Sistema
Único de Saúde, dentre outros que buscar que aquelas pessoas que devido sua condição
econômica não haveriam de ter acesso à moradia, à saúde, à educação, à alimentação.
(DUDH, 2018).
Além disso, consegue-se observar que a Constituição da Argentina resguarda
o direito à liberdade e o respeito e cuidado com a vida humana, esse acontecimento
decorreu da chegada Juan Domingo Perón que assumiu o poder em dois períodos
consecutivos, aplicando o estado de bem-estar social como base de seu governo,
posteriormente levando essa discussão para a construção da nova constituição
consolidando o estado de bem- estar social.
Constituição da Argentina no artigo 18 expõe o seguinte:

Artículo 18.- Ningún habitante de la Nación puede ser penado sinjuicioprevio


fundado enley anterior al hechodelproceso, nijuzgado por
comisionesespeciales, o sacado de losjueces designados por laley antes
delhecho de la causa. Nadiepuede ser obligado a declarar contra símismo;
ni arrestado sino envirtud de orden escrita de autoridad competente.
Esinviolablela defensa enjuicio de la persona y de losderechos. El domicilio
esinviolable, como tambiénlacorrespondencia epistolar y lospapeles
privados; y una ley determinará enqué casos y conqué justificativos
podráprocederse a suallanamiento y ocupación. Quedan abolidos para
9

siemprela pena de muerte por causas políticas, toda especie de tormento y


los azotes.

Compreende-se que foram constituídos em 1853 e reformulados em 1949


direitos sociais, posterior 1957 os direitos relacionados ao trabalho, transitando
realmente sob o aspecto da Democracia, após a promessa de “Nunca Más” devido o
processo de Ditadura Militar em 1994 ocorreu a maior reforma, sendo consolidados
os tratados internacionais e direitos humanos no conjunto de leis fundamentais, ou
seja, a constituição argentina. (UNESCO, 2010).
Como demostrado pelo artigo 18 da Constituição da Argentina é proibido
retirar a liberdade de um indivíduo sem o devido processo legal, ainda que o
domicílio e demais documentos pessoais e sua correspondência são em regra
invioláveis, para tal acesso há exceções tipificadas em norma jurídica, por fim a
pena de morte é abolida, ressaltando a proibição de violações físicas a qualquer
pessoa. (UNESCO, 2010).
No tocante de políticas públicas no governo Juan Domingo Perón, foi instruído
o plano de pensões para os trabalhadores, seguro saúde abrangendo grande parte
das empresas, sistema de segurança social e prestação ou assistência de doenças
ou maternidade. (JUSTICIA, 2019).
O Uruguai adota um sistema de democracia mista ou semi-representativa,
sendo que mantem formas de governo direto por intermédio do povo, por exemplo,
referendos e plebiscitos. O país depois de superado os conflitos, aprendeu
manifestar suas diferenças mediante ao voto, deixando a violência no passado.
(POLITIZE, 2020).
Importante enfatizar que o Uruguai não admite reeleição sendo que o
presidente ficará no governo pelo período de 5 anos, ainda é constituído por três
poderes independentes: executivo, legislativo e judiciário, tendo como que qualquer
alteração constitucional necessita ser aprovada pelos cidadãos de forma direta.
(POLITIZE, 2020).
Nesse sentido, após longos anos de hegemonia, obteve-se o
desmantelamento de um sistema familiar de política, pois os representantes vinham
de uma linhagem de políticos, quem ocasionou essa quebra foi Tabaré Vasquez
(2005-2009), mas quem impressionou mundialmente pela sua simplicidade e
inovação no governo foi José Pepe Mujica (2010-2014). (BONNER,2020).
10

Pepe promoveu mudanças sociais, tais como: a legalização do aborto até a


segunda décima semana de gestação, legalização da venda e uso da maconha e o
casamento gay reconhecido mediante seu país, ademais o olhar humanizado nas
questões sociais se destaca que durante o período da Ditadura no Uruguai foi
prisioneiro por alguns anos. (BONNER, 2020).
Posteriormente Tabaré Vasquez se tornou presidente por mais um mandato
(2015-2019), retornando ao tradicionalismo com Luis Alberto LacallePou das famílias
com gerações de políticos.
O Chile apresenta um sistema de democracia, mas com uma constituição da
época do regime militar do governo de Augusto Pinochet (1973 até 1990), vigorando
a partir de 1980 até o presente momento, ocorre que pela motivação de protestos foi
anunciado pelo atual presidente SebastiánPiñera que será construído uma nova
constituição estando em formação à assembleia constituinte onde 50% dos 155
serão mulheres, ainda para consolidar questões de saúde, educação, segurança e
principalmente previdência social, uma vez que o país só adota previdência
privada.(BBB NEWS, 2019).
Enfatiza-se que o protesto começou devido o aumento da passagem em
transportes públicos, apesar do Chile ser considerado um país economicamente
desenvolvido essa riqueza não é distribuída com grande parte da população, ou
seja, existe uma grande desigualdade econômica entre os cidadãos chilenos, ainda
o protesto tomou força e continuidade por outras questões sociais que o governo
desampara os mais vulneráveis economicamente. (BBD NEWS, 2019).
Nessa perspectiva, verifica-se que, os quatro países apesar de vizinhos e
serem geograficamente bem próximos, apresentam suas particularidades no sistema
de governo e na aplicação de políticas públicas sociais, que retratam na efetivação
dos direitos humanos e geram os índices de desenvolvimento humano.
Retornando no aspecto da criação dos Direitos Humanos, a revista
internacional de direitos humanos, através do estudo científico de KathynSikkink,
afirma que a América Latina foi protagonista na ideia de direitos humanos
“internacionais”, criando a primeira declaração intergovernamental de direitos: a
Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem, sendo aprovada 8 meses
antes da Declaração Universal de Direitos Humanos (DUDH). (KATHRYN, 2015, p.
216).
11

Ocorrendo críticas do não reconhecimento da América Latina como um


fundador das ideias em prol dos direitos humanos, mas em sua aplicação a
Argentina vem sendo reconhecida como “protagonista global de direitos humanos”
na atualidade, porém tem-se um empasse com os países mais ricos e desenvolvidos
que acabam concentrando esse poder de decisão nas questões de geopolítica,
vendo DUDH como “uma arma para os mais fracos”, como por exemplo, a
concentração de poder dos Estados Unidos nas relações internacionais. (KATHRYN,
2015, p. 217).
A proposta criada pelos Estados Unidos não referenciava diretamente os
direitos humanos, mas com a reunião de Duambarton Oaks com integrante União
Soviética, Reino Unido, República da China e EUA, os quais se preparavam para a
conferência de São Francisco, porém obtivam em seu texto apenas uma menção
aos direitos humanos. (KATHRYN, 2015, ps. 217 e 218).
Com a demonstração de que as grandes potências não se importaram
efetivamente com o projeto Dumbarton Oaks e com a concretização dos Direitos
Humanos,revoltando-se de uma forma positiva para mobilização do que era
importante, assim a comunidade de organizações não governamentais e os grupos
de Estados com poder aquisitivo menor, dando ênfase a América Latina, Nova
Zelândia e Austrália. Dessa forma, os países latino-americanos se sentiram
enganados e excluídos devidos não serem convidados para reunião e construçãodo
rol de direitos de proteção à vida, à liberdade, à dignidade humana, ainda nessa
discussão pós-guerra o projeto Duambarton Oaks não abordava nenhum ideal que
os demais países apoiam. (KATHRYN, 2015, p. 218).
Como resultado esses paísesconvocaram uma reunião extraordinária no
Castelo de Chapultepec localizado no México em fevereiro de 1945, o qual
procurava discutir e resolver através da Conferência Interamericana relacionada aos
Problemas da Guerra e da Paz, a qual terminou algumas semanas depois da
Conferência de São Francisco. Foi debatido e argumentado uma sequencia de
questões importantes sobre o poder das grandes potências, relevância do direito
internacional nas relações entre países, celebração de acordos regionais em prol da
segurança, os problemas econômicos e sociais, destacando-se a configuração e
andamento na construção acerca dos Direitos Humanos. (KATHRYN, 2015, p. 218).
Motivados pela grande repercussão e violação de preceitos básicos inerentes
aos seres humanos, os delegados pelo México acabaram entregando a Comissão
12

Jurídica Interamericana um projeto de declaração dos direitos e deveres do homem.


(KATHRYN, 2015, p. 218).
Os países participantes eram especialmente Uruguai, Chile, Panamá e
México, encontrando apoio em ONGs (sediadas nos EUA), que se fizeram
presentes, entre outros países latinos americanos que participaram incentivando
essa iniciativa, cerda de vinte países de cinquenta que compareceram na reunião de
São Francisco, gerando um bloco eleitoral. (KATHRYN, 2015, p. 218).
O sucesso dessa construção e a posição pró-direitos humanos constituídos
pelas delegações latino-americanas são de suma importância à carta, que contém
sete referências aos direitos humanos, se a mesma aprovada logo após a Segunda
Guerra Mundial não contivesse essa menção de preceitos, é provável que a
Declaração de Direitos Humanos não tivesse sido redigida em 1948. (KATHRYN,
2015, p. 219).
A efetivação normativa dos direitos humanos na Carta da ONU foi um dos
fatos históricos mais importantes, uma vez que estabeleceu como os países
deveriam agir ao pós- guerra e freando as grandes potências econômicas.
Na visão de Jhering os direitos nascem com lutas e conquistas, sendo pelos
confrontos individuais, sociais e nacionais:

Todos os direitos do mundo foram conquistados com luta; todas as normas


importantes do direito começaram por serem arrancadas aos que se lhe
opunham, e todo direito, direito de um povo ou direito particular, supõe que
se esteja continuamente disposto a mantê-lo. O direito não é pura teoria,
mas uma força viva (JHERING,1978,p.39).

Nesse norte, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, encontra-se


localizada sua sede em Washington D.C, sendo considerado órgão primordial no
sistema de proteção dos direitos humanos no continente americano. Constituída por
sete membros de alta autoridade moral e reconhecido saber em relação à matéria
de direitos humanos, eleitas pela Assembléia Geral da OEA, a qual é apresentada
uma lista de até três candidatos por estados-membros. (RAMOS, 2001, p. 85).
Havendo impedimento de fazer parte da Comissão de um mesmo país, sendo
ele menos rigoroso em seus requisitos que a Corte de juízes, pois a comissão não
possui competência jurisdicional, ainda os mandatos seguem uma ordem
quatrienais, aceitando a reeleição por um único período subsequente e são
renovados a cada biênio, tendo ainda na primeira investidura, o art.37 da Convenção
13

estipulou que fossem sorteados três membros da Comissão para que exerçam pelo
período por dois anos. (PIOVESAN, 2019, p.164).
Para melhor compreensão, é necessário entender que a Comissão de Direitos
Humanos atua como um meio de investigação, instruções probatórias e
determinações que consiga transparecer a melhor elucidação com o intuito de lograr
o convencimento, ou seja, a primeira fase da investigação de possíveis atos de
violação de direitos humanos passa pela comissão, a qual ainda tem a função
conciliatória, uma vez que busca a resolução amistosa. (JAYME, 2005, p.73).
No que se refere ao limite da competência material da Comissão não está
restrito aos requisitos formais das normas de direito interno do Estado, como
disposto na Corte Interamericana de Derechos Humanos:
O fato de que se trata de leis internase de que estas hajam sido adotadas
de acordo com o disposto pela Constituição” nada significa se elas violam
qualquer dos direitos e liberdades protegidos. As atribuições da Comissão
neste sentido não estão de maneira alguma restringidas pela forma como a
Convenção é violada. (...) No âmbito internacional, o que interessa
determinar é se uma lei viola o compromisso assumido internacionalmente
por um Estado em virtude de um tratado. (CORTE INTERAMERICANA DE
DERECHOS HUMANOS, 1993,p.52).

A Corte Interamericana de Direitos Humanos é competente para julgar os


casos denunciados e com materialidade probatória dos fatos, sendo constituída por
sete juízes que necessitam preencher a naturalidade dos Estados-membros OEA,
eleitos o jurista da mais elevada autoridade moral e reconhecidos como competente
na matéria de Direitos Humanos, por fim que preencha os requisitos para tal cargo
mediante a nacionalidade de seu país, não podendo esse colegiado nomear mais de
um juiz do mesmo país, sendo cumprido esse encargo pelo período de seis anos e
podendo ser reeleitos apenas uma vez. (USP, 2008).
A Corte adota o procedimento contraditório, o qual após toda investigação e
se averiguado que realmente são existentes essas violações, o processo termina
com uma sentença judicial motivada, obrigatória, definitiva e inapelável, ainda se a
decisão não for de caráter expresso, no todo ou parcial, a opinião unanime dos
juízes, qualquer dos mencionados tem o direito que se junte sua opinião de forma
dissidente ou individual. Nos casos de desacordo no tocante do sentido ou no
alcance da decisão, a Corte como responsabilidade no prazo de noventa dias após a
promulgação da sentença analisará e interpretará a solicitação. (USP, 2008).
Ressalta-se que a comissão procura promover a observância e a defesa dos
direitos humanos e servindo como órgão representativo da Organização dos
14

Estados Americanos, mais especificamente em receber, analisar e investigar as


petições de forma individuais que alegam violações de Direitos Humanos, conforme
o disposto dos arts. 44 a 51 da Convenção, observando a vigência de forma geral
dos direitos humanos nos estados membros e publica, quando se fazem
necessários, realizando visitas, in loco, aos países para aprofundar questões
particulares ou como resultado para preparação de um informe, sendo enviado à
Assembleia Geral. (JAYME, 2005, p.74).
Ainda, instigam e estimulam a consciência dos direitos humanos nos países,
realizando outras atividades, realizando e publicando estudos sobre temáticas
específicos, realizando medidas para assegurar maior independência do poder
judiciário, inibindo atividades de grupos irregulares armados, questões em
direitoshumanos em relação aos menores, direitos relacionados às mulheres e dos
povos indígenas. (OLIVEIRA, 2016, p.154).
Realizando e participando das conferências internacionais e reuniões com
representantes de governos, comunidades acadêmicas, organizações não
governamentais, para discutir e repensar temas relacionados ao sistema
interamericano de direitos humanos, realizando recomendações e instruções aos
estados-membros da OEA nas adoções de medidas que contribuam na garantia dos
direitos. (JAYME, 2005, p. 74).
Requerendo aos estados em casos urgentes que adotem “medidas
provisórias” como uma forma de evitar danos mais graves e de forma irreparáveis,
podendo solicitar como segurança a essas pessoas mesmo esse caso não tendo
passado pela Corte. Ocorrendo ainda a função jurisdicional da Corte Interamericana
que atua nos litígios e formula consultas para a Corte Interamericana no tocante da
interpretação da Convenção Americana. (JAYME, 2005, p. 75).

7 METODOLOGIA

O projeto se construirá a partir dos seguintes parâmetros metodológicos e


científicos:
Partindo por uma perspectiva do método de abordagem dedutivo, o qual, por
meio de uma cadeia de raciocínio em ordem descente, partindo de uma análise
geral dos direitos humanos, no contexto mundial, buscará compreender, de forma
particular, a efetividade dos direitos humanos nos países da América-Latina,
15

chegando-se a uma conclusão. Dessa forma, se utilizará também método de


procedimento histórico, transportando os elementos históricos gerando fontes para
melhor compreensão e análise da presente temática, buscando, por meio disso,
refletir sobre o desenvolvimento e a efetivação das políticas públicas que buscam
promover a dignidade humana e os direitos humanos, bem como recorreu-se ao
método de procedimento monográfico, baseado na utilização da técnica de
pesquisa indireta, bibliográfica, documental e de textos legais; para voltar-se à
realidade dos Direitos Humanos e avaliar as legislações da Argentina, Brasil, Chile e
Uruguai a fim de verificar a incorporação dos seus direitos humanos na Corte
Interamericana de Direitos Humanos.

8 SUMÁRIO PRÉVIO

1 INTRODUÇÃO
2. A ORIGEM DOS DIREITOS HUMANOS A PARTIR DE UMA PERSPECTIVA
HISTÓRICA E SOCIAL
2.1 O desenvolvimento histórico dos direitos humanos
2.2 A proteção internacional dos direitos humanos: uma análise a partir dos
principais documentos internacionais e dos seus fundamentos
3. OS DIREITOS HUMANOS E O PROCESSO DEMOCRÁTICO NO BRASIL,
ARGENTINA, CHILE E URUGUAI: DESAFIOS E AVANÇOS
3.1 A ditadura militar e as graves violações aos direitos humanos
3.2 Os direitos humanos e o Estado Democrático de Direito
4. O SISTEMA INTERAMERICANO DE PROTEÇÃO E PROMOÇÃO DOS
DIREITOS HUMANOS: EM BUSCA DE UMA NOVA REALIDADE
4.1 A atuação do sistema interamericano de proteção aos direitos humanos
4.2 Uma análise acerca da atuação do Sistema Interamericano na promoção e
implementação dos Direitos Humanos no Brasil, na Argentina, no Chile e no
Uruguai
5 CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS

9 CRONOGRAMA
16

2021/2022
AGO SET OUT NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

Escolha do
Tema e X
Orientador
Pesquisa
bibliográfica X X X

Preliminar

Elaboração X X X
do Projeto

Entrega do X
Projeto

Defesa do X
Projeto
Encontros
X X X
com o
Orientador
Leituras e
Fichamentos X X X
X

Entrega do
1º cap. X

Entrega do
2º cap. X

Entrega do
3º cap. X

Revisão
ortográfica X X X X X X X X X X X X X

Entrega da
Monografia
X
Defesa da
Monografia
X

REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: Informação e


documentação – Referências - Elaboração. Rio de Janeiro: ABNT, 2002.

AGU, Sistema Interamericano de proteção dos Direitos Humanos. Disponível


em:https://www.youtube.com/watch?v=mqs_hevqfww&t=93s,Acesso em: 02. Out.
2021.

______. NBR 14724: Informação e documentação – Trabalhos Acadêmicos -


Apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2011.

BBD NEWS, BRASIL. Protestos no Chile: o que está por trás da fúria em país
modelo na América Latina.Disponível
17

em:https://www.youtube.com/watch?v=u9etr84qnck. Acesso em: 02 de agos. de


2021.
BELINI, C. ROUGIER, M. O Estado empreendedor da indústria argentina:
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BONNER, ZÉ. Geopolítica à Vera (Ep.07) – Uruguai na Atualidade, através do


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