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DESENVOLVIMENTO INICIAL DE CULTIVARES DE TOMATEIRO

SUBMETIDOS A DIFERENTES NÍVEIS DE SALINIDADE

Ronier Tavares1, Maria Cristina Martins Ribeiro de Souza2, Antônia Maria Edinaiara
Silveira3, Wandercleyson da Silva3, Antônia Isabela Soares Ximenes3

RESUMO: O tomateiro (Solamum lycopersicum L.) é uma planta anual de alto valor
econômico. Entretanto, trata-se de uma cultura com carência de informações em relação ao
efeito dos sais no seu desenvolvimento. O ensaio foi realizado no período de 30 de novembro
a 02 de Março 2017, e teve como objetivo avaliar o efeito de cinco níveis de salinidade
(condutividade elétrica de 0,3; 1,5; 3,0; 4,5 e 6;0 dS m-1) nas variedades de tomateiro Santa
Clara 1-5300 e Santa Cruz Kada (Paulista). O experimento foi conduzido no Telado Agrícola
do IFCE – Campus Sobral, com delineamento em blocos ao acaso (DBC), em esquema
fatorial 2 X 5 (2 variedades X 5 níveis de salinidade), com quatro repetições. Avaliou-se-se,
aos 30 dias, a altura da planta, o diâmetro do caule e o número de folhas. Os resultados
mostraram que as variáveis analisadas (altura de planta, número de folhas) foram
negativamente afetadas com o aumento dos níveis de salinidade. Constatou-se também que a
variedade Santa Cruz demonstrou maior potêncial de crescimento que a Santa Clara.
PALAVRAS-CHAVE: Solamum lycopersicum, dano, variedades.

INITIAL DEVELOPMENT OF TOMATO CULTIVARS SUBMITTED TO


DIFFERENT LEVELS OF SALINITY

ABSTRACT: The tomato (Solamum lycopersicum L.) is an annual plant of high economic
value. However, it is a culture with lack of information regarding the effect of the salts in its
development. The objective of this experiment was to evaluate the effect of five levels of
salinity (electrical conductivity of 0.3, 1.5, 3.0, 4.5 and 6; 0 dS m-1) in tomato varieties Santa
Clara 1-5300 and Santa Cruz Kada (Paulista). The experiment was conducted at the
Agricultural Roof of the IFCE - Campus Sobral, with a randomized block design (DBC), in a
2 X 5 factorial scheme (2 varieties X 5 salinity levels), with four replications. The plant
height, stem diameter and number of leaves were evaluated at 30 days. The results showed
that the analyzed variables (plant height, number of leaves) were negatively affected with
increasing salinity levels. It was also found that the Santa Cruz variety showed a greater
potential for growth than Santa Clara.
KEY WORDS: Solamum lycopersicum, damage, varieties

INTRODUÇÃO
O tomateiro (Solanum lycopersicon L.) é uma Solanaceae cosmopolita de porte ereto e
de ciclo anual. Embora tenha sido domesticado inicialmente no México, tem seu centro de

1
Técnico em Fruticultura, Acadêmico de Tecnologia em Irrigação e Drenagem, IFCE - Campus Sobral, CEP
62040-730, Sobral-CE. E-mail: roniertavares2005@gmail.com;
2
Professora Doutora do Instituto Federal do Ceará (IFCE)-Campus Sobral;
3
Acadêmico de Tecnologia em Irrigação e Drenagem, IFCE, Campus Sobral
origem na região dos Andes, onde ainda hoje são encontradas numerosas espécies (Naika et
al., 2006). Por ser uma planta de ciclo rápido, trata-se de uma hortaliça de alto valor
econômico, com retorno financeiro rápido para o produtor.
Com a carência de pesquisas em relação ao efeito dos sais em sua fase inicial, e com a
escassez de agua de qualidade no Brasil, principalmente no Nordeste, tornou-se relevante
avaliar variedades de tomateiro que apresentassem tolerância a salinidade. Trabalhos
desenvolvidos por Maas & Hoffman (1977) evidenciaram que a salinidade máxima do extrato
de saturação do solo tolerada pelo tomateiro é de 2,5 dS m-1, sendo esta planta classificada
como moderadamente sensível, embora possa existir resposta diferenciada à salinidade entre
as diferentes cultivares (Alian et al., 2000).
Diante do exposto, o objetivo deste estudo foi avaliar o efeito de diferentes níveis de
salinidade no desenvolvimento inicial de duas variedades de tomateiro.

MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi conduzido no Telado Agrícola do IFCE/Campus Sobral, município
situado na zona do sertão centro-norte do estado do Ceara. Para o cultivos das plantas foram
utilizados vasos com capacidade para 5 litros, no período de 30 de novembro a 02 de
dezembro de 2017.
Foram produzidas mudas de tomateiro duas variedades: Santa Clara 1-5300 e Santa
Cruz Kada ( Paulista). As sementes foram semeadas em bandejas de polietileno com uma
mistura de composto orgânico e solo, nas proporções de 1:1. Para cada 20 litros desta mistura,
foram aplicados 500 g da formulação 4:14:8 (NPK). As mudas foram irrigadas diariamente
com água de condutividade elétrica 0,3 dS m-1.
Quando as mudas apresentaram entre 4 e 6 pares de folhas definitivas foram
transplantadas para os vasos de 5 litros onde permaneceram até o fim do experimento. Com o
intuito de corrigir eventuais carências nutricionais, foram feitas análises da fertilidade do solo
utilizados no experimento e, de acordo com o resultado, foi calculada a adubação química
para as plantas testadas, seguindo a recomendação de Fernandes (1993).
A aplicação da água de irrigação foi realizada de forma localizada, de modo a evitar o
contato direto da mesma com as folha. E para atingir os níveis de condutividade elétrica da
água de irrigação (CEa) desejados foram utilizado diferentes quantidades de sais de NaCl,
CaCl2.2H2O e MgCl2.6H2O, na proporção de 7:2:1, obedecendo-se a relação entre CEa e a
concentração (mmolc L-1 = CE x 10), extraída de Rhoades et al. (2000).
As variáveis avaliadas foram: altura da planta (cm), do colo até a inserção da última
folha; diâmetro do caule (mm), feita a 5 mm do solo; e o número de folhas. Todas as variáveis
foram avaliadas aos 30 dias após o transplantio.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Para a variável altura de planta, houve diferença significativa a 5% de probalidade e
para variedade e a 1% para níveis de salinidade, não havendo interação entre os fatores. Para a
variável número de folhas, houve diferença significativa apenas para o fator nível de
salinidade. Já para diâmetro do caule, não ocorreu diferença significativa nem para
variedades, nem para níveis de salinidade, entretanto houve interação entre os fatores
(Tabela 1).

Tabela 1. Resumo do quadro da análise de Variância (ANOVA) com o grau de liberdade


(GL), quadrados médios e coeficientes de variação das variáveis estudadas (altura de planta,
número de folhas e diâmetro do caule) aos 30 dias após o transplantio. Sobral - CE, 2018
Quadrados médios
Fonte de Variação GL
Altura da planta (cm) Nº de folhas Diâmetro do caule (mm)
Variedade 1 442,22* 3,02ns 0,03ns
Nível de salinidade 4 393,31** 16,22** 0,81ns
Variedade X Salinidade 4 67,10ns 1,08ns 2,35*
Bloco 3 12,46ns 1,64ns 0,82ns
Resíduo 27 69,94 1,07 0,78
CV (%) 18,77 13,92 16,19
*
Significativo a 5%; **Significativo a 1%; nsNão significativo.

A variedade Santa Cruz apresentou maior altura de planta quando comparada a altura de
planta da variedade Santa Clara (Figura 1).

Figura 1. Altura da planta (cm) de duas variedades de tomateiro (A) submetidas a cinco
níveis de salinidade (B) aos 30 dias após o transplantio. IFCE – Campus Sobral, Sobral - CE,
2018.
Quando avalia-se o efeito dos sais na altura da planta percebe-se que os níveis de
salinidade 4 dS m-1 e 6 dS m-1 afetaram significativamente o desenvolvimento da planta
(Figura 1). Maas & Hoffmann (1977) citaram que a salinidade limiar do tomateiro é 2,5 dS m-
1
. Conforme os autores acima supracitados, observou-se que no nível de salinidade 3 dS m-1 a
altura da planta não diferiu estatisticamente dos tratamentos como os níveis de 4,5 e 6 dS m-1.

Figura 2. Número de folhas de duas variedades de tomateiro (A) submetidas a cinco níveis de
salinidade (B) aos 30 dias após o transplantio. IFCE – Campus Sobral, Sobral - CE, 2018.

As variedades estudadas não diferiram estatisticamente entre se em relação a variável


numero de folhas. Entretanto, observou-se que ambas as variedades foram afetadas
negativamente com o aumento dos níveis de salinidade, visto que a partir do nível de
salinidade 3 dS m-1, o número de folhas das plantas diminuiu significativamente em relação
ao tratamento testemunha (ausência de sais).
Observando-se os valores para diâmetro do caule aos 30 dias após o transplantio, não
houve influenciados dos sais sobre as duas variedades (Tabela 1).

Tabela 2. Diâmetro do caule das variedades de tomateiro Santa Clara e Santa Cruz,
submetidas a cinco níveis de salinidade, aos 30 dias após o transplantio. IFCE – Campus
Sobral, Sobral - CE, 2018.
Níveis de salinidade (dS m-1)
Variedade Média
0,3 1,5 3,0 4,5 6,0
Santa Clara 6,31*Aa 5,72Aa 5,86Aa 4,58Aa 4,77Aa 5,45
Santa Cruz 4,31Ba 6,09Aa 5,35Aa 5,83Aa 5,47Aa 5,51
Média 5,56 5,9 5,6 5,2 5,12
CV (%) 16,19
*
Médias seguidas pela mesma letra, minúscula nas linhas e maiúscula nas colunas, não diferem entre si pelo teste de Tukey
(P<0,05).
Com reação ao diâmetro do caule, as plantas apresentaram o mesmo comportamento em
todos os tratamentos estudados. Entretanto, apenas quando cultivados na ausência de sais a
variedade Santa Clara apresentou o maior diâmetro que a variedade Santa Cruz. (Tabela 1).

CONCLUSÕES
A variedade Santa Cruz apresentou um maior desenvolvimento inicial que a Santa
Clara. A altura de planta e numero de folhas foram afetadas negativamente pelos níveis de
salinidade a partir de 3 dS m-1.

REFERÊNCIAS

ALIAN, A.; ALTMAN, A.; HEUER, B. Genotypic difference in salinity and water stress
tolerance of fresh market tomato cultivars. Plant Science, v. 152, p. 59-65, 2000.

MAAS, E. V.; HOFFMAN, G. J. Crop salt tolerance - Current Assessment. Journal of


Irrigation and Drainage Division, v. 103, p. 115-134, 1977.

NAIKA, SHANKARA; JEUDE, J. V. L. DE; GOFFAU, M. DE; BARBARA, HILME, M.;


DAM, V. D. A cultura do tomate: produção, processamento e comercialização.
Wageningen: Fundação Agromisa e CTA, 2006. 104 p.

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