Você está na página 1de 8

UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

INSTITUTO DE FÍSICA
Física Geral e Experimental III-E – Física 123

Mateus Conceição Silva


Rodrigo Rivas
Victor Nascimento Lima

EXPERIÊNCIA 06
LINHAS EQUIPOTENCIAIS

Salvador
2019
1. Introdução
Para a realização deste relatório foi de extrema importância a ter
noção de alguns conceitos físicos.
Muito utilizado na determinação de campos elétricos, o potencial
elétrico – ou apenas potencial – é a energia potencial por unidade de
carga, ou seja, é a energia potencial U associada a uma carga teste q o.

𝑈 𝑄
𝑉= =
𝑞0 𝑘𝑑
Sendo d a distância entre Q e qo. E, em se tratando de um conjunto
de cargas puntiformes, o potencial será dado por:
𝑈 1 𝑄𝑖
𝑉= = ∑
𝑞0 𝑘 𝑑𝑖
𝑖

Uma superfície é dita equipotencial quando todos os pontos nela


têm o mesmo potencial elétrico, ou seja, nela V é constante. E são
classificadas linhas equipotenciais as linhas sobre essa superfície.

Figura 1
2. Objetivo

Fazer um mapeamento de linhas equipotenciais,


experimentalmente, numa solução condutora de sulfato de cobre –
CuSO4 – com o auxílio de um galvanômetro de zero central.

3. Procedimento Experimental
O experimento consiste em fazer o mapeamento de algumas linhas
equipotenciais num meio líquido condutor (solução de sulfato de cobre), com o
auxílio do multímetro. Para produzir a corrente elétrica neste meio, manteve-se
uma diferença de potencial entre os dois eletrodos mergulhados no meio. Das
linhas equipotenciais obtidas, deduziram-se as linhas de campo do problema
eletrostático. Seguem-se abaixo, os materiais e equipamentos utilizados nos
experimentos.

3.1. Materiais Utilizados


Para a realização deste experimento foram utilizados os seguintes
materiais:
• Cuba de madeira e vidro com papel milimetrado na superfície
inferior;
• Fonte de tensão;
• Eletrodos;
• Sonda móvel;
• Sonda fixa com resistência de proteção para o galvanômetro;
• Líquido condutor CuSO4 – sulfato de cobre;
• Galvanômetro de zero central;
• Placa de ligação;
• Papel milimetrado;
• Fios.

3.2. Metodologia
O experimento inicia-se com a montagem do circuito mostrado na Figura
2 abaixo com uma fonte de tensão – ajustada em 5V. Para obter um melhor
resultado, os eletrodos foram postos alinhados no meio da cuba. A partir daí
a sonda fixa foi posta em um ponto aleatório na cuba e, com a sonda móvel,
o mapeamento de linha equipotenciais foi iniciado na configuração 1 (Figura
3).

Figura 2

Figura 3

Mergulhando a sonda móvel na solução mediu-se a ddp do ponto onde


ela foi posta. Se o valor da ddp medida for igual ao valor da ddp na sonda fixa, o
valor medido no galvanômetro será 0V (ΔV = 0), encontrando-se um ponto da
linha equipotencial.
Ao terminar o mapeamento de uma linha, a sonda fixa foi deslocada para
outro ponto, e o mesmo procedimento foi realizado, mapeando então uma outra
linha. O mapeamento desta etapa pode ser visualizado na folha em anexo,
juntamente com a polaridade dos eletrodos.

Para a segunda configuração, utilizou-se duas barras e em uma delas


foi acrescentado uma haste à montagem, essa haste foi fixada à barra.
Mapeou-se a família de linhas equipotenciais. A montagem corresponde à da
Figura 4.

Figura 4

Na terceira configuração (Figura 5), foi acrescentado um eletrodo plano


(barra) e uma eletrodo circular. Apenas acrescentou-se uma haste à montagem
da segunda configuração, essa haste foi fixada à barra. Mapeou-se a família de
linhas equipotenciais. E como feito nas outras configurações acima, procurou-se
as linhas equipotenciais.

Figura 5

4. Resultados e Discussões

Ao mergulhar a ponta de prova (sonda móvel) na solução aquosa


(CuSO4) é medida a diferença de potencial entre a ponta móvel e a ponta
fixa. Entretanto, existem medidas onde os dois pontos (sonda móvel e sonda
fixa), possuem o mesmo potencial, isto é, ∆U=0. Neste caso não haverá
corrente circulando pelo multímetro e os pontos estarão numa mesma linha
equipotencial.
Linhas equipotenciais são, geralmente, paralelas. Se elas se
interceptam, significa que elas estão convergindo para determinado ponto.
Ou seja, esse ponto possui potencial comum à essas linhas equipotenciais.
Dessa forma, essas linhas pertencem à mesma Superfície Equipotencial, ou
seja, a diferença de potencial entre dois pontos, pertencentes a mesma
superfície, é igual a zero.
Assumindo que a resistividade da solução de sulfato de cobre é muito
superior à resistividade do metal dos eletrodos, podemos considerar os
eletrodos como equipotenciais, pois os eletrodos são condutores e devem ter
cargas distribuídas na superfície e como a sua resistividade é muito baixa,
temos que o potencial em seu interior não é muito diferente de um ponto a
outro. Dessa maneira também concluímos que deve haver pouco movimento
de cargas em seu interior. Pela condição de equilíbrio eletrostático temos que
o potencial deve ser o mesmo em todo o condutor. São a partir dessas
considerações que os eletrodos são elementos equipotenciais.
Caso o fundo da cuba não fosse horizontal, teríamos uma resistividade
do fluído não mais uniforme, pois acarretaria uma variação da área da seção
transversal da solução. Esse efeito teria enorme influência em nosso
experimento, alterando a forma das linhas equipotenciais.
Uma variação na profundidade da cuba é análoga a uma variação de
dielétrico no caso eletrostático equivalente, pois a resistividade do fluído é
muito maior que os eletrodos. Assim como em capacitores, a introdução de
um dielétrico altera as linhas de campo, dessa forma podemos considerar a
parte mais profunda (maior resistividade) como um dielétrico que foi
introduzido entre os eletrodos.
É importante ressaltar que a linha equipotencial mapeada pela sonda
móvel passa obrigatoriamente pela fixa. Isso ocorre porque as sondas
estão ligadas em série, e a medição da equipotencial depende da
passagem de corrente elétrica entre elas. Caso a corrente elétrica entre
os pontos seja nula, ΔV = 0 e se conhece a posição da linha equipotencial.

A configuração estudada corresponde a um problema de duas


dimensões. Contudo, é possível simular um problema eletrostático de três
dimensões. Uma modificação simples seria colocar o líquido condutor em
um recipiente com profundidade, como uma caixa de vidro, por exemplo.
Neste caso os condutores tridimensionais ficariam submersos no interior
do recipiente e a ponta de prova seria segura por uma haste contendo
um a válvula regulatória de profundidade, possibilitando movimentos
verticais da mesma. A medição de linhas equipotenciais seria mais
complicada nesta nova configuração, pois os elétrons teriam mais espaço
e mais direções para se movimentarem.

Na realização o experimento foi observado uma determinada simetria


das linhas equipotenciais com relação ao centro do condutor que
emanava o campo elétrico. Tal simetria pode ser mais bem observada
nos condutores circulares, os quais produziam nas linhas equipotenciais
comportamentos curvos, simétricos com relação a uma linha de força de
comportamento radial que intercepta a curva ao meio.

Nas proximidades do condutor plano a presença de oscilações nas


linhas equipotenciais é menos perceptível, entretanto a medida que a
distância do condutor aumenta esses pequenos desvios na
equipotencialidade são mais bem observados. A premissa é válida para
os condutores circulares, bem como para as combinações entre os dois
tipos de condutores supramencionados. Salvo que nos condutores
circulares a configuração das linhas equipotenciais forma um arco de
circunferência mais fechado, ao passo que o mesmo tornar-se mais
aberto à medida que a distância aumenta, evidenciado a dispersão radial
das linhas de força em direção perpendicular as linhas equipotenciais. É
possível afirmar ainda que nos condutores planos as linhas de força
apontam do terminal positivo para o terminal negativo, formando um
ângulo de 90º com as linhas equipotenciais.

Infere-se com base no que fora observado a respeito do


comportamento decrescente do campo ao se aproximar da placa negativa
que o campo mais intenso se localiza nas proximidades da placa
condutora positiva. Para os condutores circulares de forma análoga nota-
se um sentido centrípeto do aumento do campo.
Próximo às extremidades da placa condutora observa-se um mau
comportamento das linhas equipotenciais, evidenciado por uma curva
côncava devido a efeitos de borda. Os quais são atribuídos a geometria
do condutor, pois nos condutores circulares essas distorções não são
verificadas.
Fazendo uma breve analogia com do experimento com a situação
eletrostática o comportamento das linhas equipotenciais aparentemente
se adequa a superfície do condutor. No que se refere aos efeitos de borda
da placa condutora esperava-se que nas pontas a curva equipotencial
divergisse, entretanto ela convergia nas bordas para o eixo de elongação
da barra. No teste realizado com um anel circular foi verificada, assim
como rege o princípio da eletrostática, a ausência do campo no interior do
anel.
É sabido que os erros associados ao experimento são apenas de
caráter relativo ao procedimento do operador, nesse sentido vale a pena
ressaltar: a ineficiência em permanecer com o a ponta de prova o mais
vertical possível, precipitação de sal na ponta de prova devido à falta de
limpeza periódica do objeto, dificuldade na precisão das leituras devido a
refração sofrida pela luz ao passar pelo fluído presente na tuba, e força
imposta sobre a ponta de prova, modificando nos valores de leitura e pôr
fim a troca dos operadores.

5. Conclusão

Por meio desse experimento, do estudo e dos conceitos apresentados


nesse relatório tornou-se possível a compreensão do mapeamento de linhas
equipotenciais; linhas pertencentes a uma superfície equipotencial. As
equipotenciais são assim ditas, pois, como visto experimentalmente, possuem o
mesmo potencial elétrico.

Conclui-se também que a horizontalidade da cuba foi de grande


importância para os resultados obtidos, uma vez que a geometria das linhas foi
influenciada por este fator, assim como pelo líquido condutor homogêneo.

6. Referências

I. Roteiro da prática: Experimento 04: Linhas equipotenciais.


Departamento de Física do Estado Sólido – Instituto de Física,
Universidade Federal da Bahia, 2008.
II. YOUNG, Hugh D., FREEDMAN, Roger A. Física III:
eletromagnetismo, 12ed., São Paulo, Pearson Education do Brasil, 2008,
p.71-88.

Você também pode gostar