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DESENHO DE PROJETOS

MECÂNICOS

Prof. Bruno Campos Pedroza

e-mail: bpedroza@vm.uff.br
celular: (21) 99621-1282

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 1
Projetos Mecânicos
Ajustes
OBJETIVOS:

 Usar o Sistema ISO de desvios e ajustes, determinar o tipo


de ajuste mais adequado a cada situação e caracterizá-lo.

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Projetos Mecânicos
Ajustes
1. INTRODUÇÃO:

 A principal aplicação do estudo das tolerâncias são os


ajustes, isto é, a união, encaixe ou acoplamento de
peças.

 Duas peças que devem trabalhar juntas, muitas vezes


devem encaixar com folga, como eixos em seus mancais,
corrediças em suas guias, etc. Outras vezes devem
encaixar mais ou menos forçadas, como polias e
engrenagens em eixos.

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Ajustes
1. INTRODUÇÃO:

 No passado, como ainda hoje na execução individual de


máquinas de precisão, o ajuste das peças é
experimentado inúmeras vezes, retocando-se com a
lima, raspador, escariador, etc., até obter-se o
acoplamento desejado.

 A “folga de trabalho” ou o “forçamento” necessários são


deixados ao sentimento do operário.

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Ajustes
1. INTRODUÇÃO:

 Este sistema tem uma série de inconvenientes,


assinalando-se entre os mais graves:

a) O processo de ajuste individual é moroso, exigindo


inúmeras experiências e retoques. Este fato já o torna
completamente inaplicável às linhas de montagem da
moderna produção em massa, pois ajustagens morosas
e complicadas criam um ponto de estrangulamento na
linha de produção.

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Ajustes
1. INTRODUÇÃO:

b) O processo é caro, porque exige trabalho longo de um operário


especializado.
c) O processo é inseguro, pois deixa ao critério do operário a “folga de
trabalho” ou o “forçamento”, dando margem a discussões e
controvérsias.
d) Finalmente, pela ajustagem individual das peças, torna-se
impossível à fábrica fornecer peças de reposição que sirvam
exatamente para a máquina fornecida, isto é, não existe
intercambialidade. Na produção em massa, a intercambialidade
das peças é uma exigência sine qua non. Por exemplo, uma peça
de automóvel deve ser fornecida pronta para substituir a peça
gasta, sem qualquer retoque.
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Ajustes
1. INTRODUÇÃO:

 Para evitar os inconvenientes da ajustagem individual e


conseguir a intercambialidade perfeita é preciso recorrer
a processos de fabricação bem organizados e
racionalizados.

 É preciso estudar dentro de que limites de tolerância é


possível o encaixe das peças de uma máquina em
qualquer de suas contrapeças sem necessidade de
retoques.

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Ajustes
1. INTRODUÇÃO:

 Determinados estes limites e verificada a viabilidade de


sua observância com máquinas apropriadas e sem
dispêndio excessivo, pode-se passar à produção em
grandes séries.

 Desta forma e com um controle rigoroso da produção,


torna-se possível uma montagem direta, por operários
não especializados, sem qualquer trabalho de
ajustagem.

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Ajustes
2. TERMINOLOGIA DE AJUSTES:

Terminologia brasileira adotada pela ABNT, norma NBR


6158:1995.

Folga: Diferença positiva entre as dimensões do furo e do eixo, antes da


montagem, quando o diâmetro do eixo é menor que o diâmetro do furo.

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Ajustes
2. TERMINOLOGIA DE AJUSTES:

Folga mínima: Diferença positiva


entre as dimensão mínima do
furo e a dimensão máxima do
eixo.

Folga máxima: Diferença


positiva entre as dimensão
máxima do furo e a dimensão
mínima do eixo.

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Ajustes
2. TERMINOLOGIA DE AJUSTES:

Interferência: Diferença negativa entre as dimensões do furo e do eixo,


antes da montagem, quando o diâmetro do eixo é maior que o diâmetro
do furo.

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Ajustes
2. TERMINOLOGIA DE AJUSTES:

Interferência mínima: Diferença


negativa entre as dimensão
máxima do furo e a dimensão
mínima do eixo.

Interferência máxima: Diferença


negativa entre as dimensão
mínima do furo e a dimensão
máxima do eixo.

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3. CLASSES DE AJUSTE:

Ajuste: Relação resultante da diferença, antes da


montagem, entre as dimensões de dois elementos
a serem montados.

Nota :Dois elementos em ajuste têm em comum a


dimensão nominal.

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Ajustes
3. CLASSES DE AJUSTES:
Ajuste com folga: Ajuste no qual
sempre ocorre uma folga entre o
furo e o eixo quando montados,
isto é, a dimensão mínima do
furo é sempre maior ou, em
caso extremo, igual a dimensão
máxima do eixo.

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Ajustes
3. CLASSES DE AJUSTES:
Ajuste com interferência: Ajuste no
qual sempre ocorre uma
interferência entre o furo e o eixo
quando montados, isto é, a
dimensão máxima do furo é sempre
menor ou, em caso extremo, igual a
dimensão mínima do eixo.

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Ajustes
3. CLASSES DE AJUSTES:

Ajuste incerto: Ajuste no qual


pode ocorre uma folga ou uma
interferência entre o furo e o eixo
quando montados, isto é, os
campos de tolerância do furo e
do eixo se sobrepõem
parcialmente ou totalmente.

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Ajustes
4. SISTEMAS DE AJUSTES:

 A norma NBR 6158:1995 prevê dois sistemas


de ajuste: o de eixo-base e o de furo-base.

Sistema de ajuste: Sistema compreendendo


eixos e furos pertencentes a um sistema de
tolerâncias.

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Ajustes
4. SISTEMAS DE AJUSTES:

Sistema de ajustes eixo-base: Sistema de ajuste


no qual as folgas ou interferências exigidas são
obtidas pela associação de furos de várias classes
de tolerâncias com eixos de uma única classe de
tolerâncias. Neste sistema a dimensão do eixo é
idêntica à dimensão nominal, isto é o afastamento
superior é zero.

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Ajustes

Fonte: NBR 6158:1995

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Ajustes
4. SISTEMAS DE AJUSTES:

Sistema de ajustes furo-base: Sistema de ajuste no


qual as folgas ou interferências exigidas são
obtidas pela associação de eixos de várias classes
de tolerâncias com furos de uma única classe de
tolerâncias. Neste sistema a dimensão do furo é
idêntica à dimensão nominal, isto é o afastamento
inferior é zero.

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Ajustes

Fonte: NBR 6158:1995

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Ajustes
5. RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS PARA A ESCOLHA DE
UM DE AJUSTE:

As seguintes recomendações devem ser


observadas na escolha de um ajuste:

a) Deve-se decidir primeiramente se o ajuste a ser


adotado é do sistema furo-base ou eixo-base;

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Ajustes
5. RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS PARA A ESCOLHA DE
UM DE AJUSTE:
b) O sistema furo-base deve ser escolhido como
sistema preferencial para uso geral, o que permite
evitar uma multiplicidade desnecessária de
calibradores;
c) O sistema eixo-base deve ser escolhido somente no
caso em que a sua utilização resultar em
inquestionáveis vantagens econômicas (por
exemplo, quando houver necessidade de montar
peças com furos tendo diferentes afastamentos em
um único eixo);
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Ajustes
5. RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS PARA A ESCOLHA DE
UM DE AJUSTE:

d) Os outros afastamentos e campos de tolerâncias


(letras e números) devem ser escolhidos para furos
e eixos, de modo a obter as folgas ou interferências
mínimas e máximas correspondentes, que melhor
satisfaçam as condições requeridas ao
funcionamento (especialmente nos casos de ajustes
críticos com interferências acentuadas). Neste caso,
as tolerâncias devem ser as maiores, compatíveis
com a condição de utilização;
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Ajustes
5. RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS PARA A ESCOLHA DE
UM DE AJUSTE:

e) Sendo mais difícil a usinagem de um furo do que a


de um eixo, pode ser escolhido para o furo um grau
de tolerância maior do que a do eixo, como, por
exemplo: H8/f7.

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Ajustes
5. RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS PARA A ESCOLHA DE
UM DE AJUSTE:

Devem ser escolhidas as classes de tolerâncias,


cujos símbolos se encontrem nas tabelas a seguir,
preferencialmente aquelas que estão emolduradas:

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Ajustes
5. RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS PARA A ESCOLHA DE
UM DE AJUSTE:

Classes de tolerâncias selecionadas para eixos.

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Ajustes
5. RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS PARA A ESCOLHA DE
UM DE AJUSTE:

Classes de tolerâncias selecionadas para furos.

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Ajustes
5. RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS PARA A ESCOLHA DE
UM DE AJUSTE:

TIPO DE
CLASSES CARACTERÍSTICAS MONTAGEM APLICAÇÕES
AJUSTE
Grande folga, precisão muito
Parafusos,
LIVRE H11-c11 fraca, permite grandes
eixos
velocidades
Para movimentos rápidos,
permite grandes variações de
ROTATIVO H9-c9
temperatura e lubrificantes de
À mão
elevada viscosidade
Casquilhos,
Boa precisão garantindo folga, pistons
permite velocidades
ROTATIVO
H8-f7 moderadas e lubrificação com
JUSTO
lubrificantes de baixa
viscosidade

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Ajustes
5. RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS PARA A ESCOLHA DE
UM DE AJUSTE:

TIPO DE
CLASSES CARACTERÍSTICAS MONTAGEM APLICAÇÕES
AJUSTE
Permite deslocamentos e
DESLIZANTE H7-g6 À mão Guias
rotações com precisão
Folga mínima nula, permite
uma montagem precisa dos
DESLIZANTE À mão sob Rodas
H7-h6 eixos, podendo estes, no
JUSTO pressão dentadas
entanto, ser facilmente
desmontados.
LIGEIRAMENTE Rolamentos,
H7-k6 Para montagens que Com madeira
PRESO chavetas
necessitam de uma fixação
suficientemente rígida, mas Engrenagens,
BLOQUEADO H7-n6 que permita a desmontagem Com martelo rolamentos,
uniões

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Ajustes
5. RECOMENDAÇÕES PRÁTICAS PARA A ESCOLHA DE
UM DE AJUSTE:

TIPO DE
CLASSES CARACTERÍSTICAS MONTAGEM APLICAÇÕES
AJUSTE
Para peças que necessitam
APERTADO A ser alinhadas e montadas Pinhões em
H7-p6 Prensa a frio
FRIO rigidamente e com precisão. eixos motores
Não permite a desmontagem
APERTADO A
Para conjuntos cuja função é Prensa a Rotores de
QUENTE H7-s6
transmitir grandes esforços quente motores

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Exemplos
EXEMPLO AJUSTE COM FOLGA

Duas peças que trabalham em conjunto na cota


nominal de 25mm, devem ser ajustadas com
folga mínima de 15 μm e folga máxima de 60μm.
Especifique um ajuste furo base que atenda as
especificações de projeto.

TDT 00.041 - Desenho de


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Exemplos
EXEMPLO AJUSTE COM FOLGA

Inicialmente, representamos
graficamente as especificações de
projeto.
Como o ajuste é furo base,
sabemos que a furo terá campo de
tolerância H.

TDT 00.041 - Desenho de


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Exemplos
EXEMPLO AJUSTE COM FOLGA

Em seguida, devemos identificar


na tabela “Desvios fundamentais
para eixos: posições a-js” um
afastamento adequado para o
campo de tolerância do eixo.

TDT 00.041 - Desenho de


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Exemplos
EXEMPLO AJUSTE COM FOLGA

Verifica-se que o campo f possui


um afastamento superior de 20μm,
o que atende as especificações de
folga mínima de 15μm.

TDT 00.041 - Desenho de


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Exemplos
EXEMPLO AJUSTE COM FOLGA

O próximo passo é estimar o


tamanho T dos campos de
tolerância do furo e do eixo. Da
figura, tiramos que:

60 − 20
2T + 20 = 60 ⇒ T = = 20
2
TDT 00.041 - Desenho de
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Exemplos
EXEMPLO AJUSTE COM FOLGA

Consultando a tabela “Valores das


tolerâncias para as classes de
qualidade mais usuais”, verifica-
se que para a dimensão nominal
de 25mm, a classe IT6 possui uma
tolerância de 13 μm.
Observe que primeiramente defino
o IT do eixo e, só depois,
estabeleço o IT do furo.TDT 00.041 - Desenho de
01/03/2021 Projetos Mecânicos 37
T 1 + 20 + 13 = 60 ⇒ T 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO AJUSTE COM FOLGA

Finalmente, estimamos o valor do


campo de tolerância do furo T1.
Da figura, temos que:
T 1 + 20 + 13 = 60 ⇒ T 1 = 27

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 38
T 1 + 20 + 13 = 60 ⇒ T 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO AJUSTE COM FOLGA

Consultando a tabela “Valores das


tolerâncias para as classes de
qualidade mais usuais”, verifica-
se que para a dimensão nominal
de 25mm, a classe IT7 possui uma
tolerância de 21μm.

TDT 00.041 - Desenho de


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T 1 + 20 + 13 = 60 ⇒ T 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO AJUSTE COM FOLGA

VALOR MÁXIMO VALOR MINIMO


ELEMENTO
(mm) (mm)

FURO 25,021 25

EIXO 24,980 24,967

FOLGA 0,054 0,020

Observe que o ajuste obtivo é um ajuste com folga


mínima de 20μm e folga máxima de 54μm o que atende
as especificações de projeto.
TDT 00.041 - Desenho de
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T 1 + 20 + 13 = 60 ⇒ T 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO AJUSTE COM INTERFERÊNCIA

Duas peças que trabalham em conjunto na cota nominal


de 50mm, devem ser ajustadas com interferência
mínima de 5 μm e interferência máxima de 50μm.
Especifique um ajuste eixo base que atenda as
especificações de projeto.

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 41
T 1 + 20 + 13 = 60 ⇒ T 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO AJUSTE COM INTERFERÊNCIA

Inicialmente,
representamos graficamente
as especificações de
projeto. Como o ajuste é
eixo base, sabemos que o
eixo terá campo de
tolerância h.

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 42
T 1 + 20 + 13 = 60 ⇒ T 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO AJUSTE COM INTERFERÊNCIA

A seguir, devemos
estabelecer a tolerância
para o eixo. Analisando a
figura, podemos estabelecer
uma primeira aproximação
para o tamanho do campo
do eixo fazendo
50 − 5
2T + 5 = 50 ⇒ T = = 22,5
2
TDT 00.041 - Desenho de
01/03/2021 Projetos Mecânicos 43
T 1 + 20 + 13 = 60 ⇒ T 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO AJUSTE COM INTERFERÊNCIA

Consultando a tabela de
“Valores das tolerâncias
para as classes de qualidade
mais usuais”, verificamos
que para a dimensão
nominal de 50mm, a classe
IT6 possui uma tolerância
de 16μm.
TDT 00.041 - Desenho de
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T 1 + 20 + 13 = 60 ⇒ T 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO AJUSTE COM INTERFERÊNCIA
O próximo passo será
posicionar o campo de
tolerância do furo em
relação à linha zero. Para
isto, atendendo a
interferência mínima de
5μm, o furo deverá ser
posicionado a uma
distância mínima de 21μm
da linha zero. TDT 00.041 - Desenho de
01/03/2021 Projetos Mecânicos 45
T 1 + 20 + 13 = 60 ⇒ T 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO AJUSTE COM INTERFERÊNCIA

Consultando a tabela
“Desvios fundamentais
para furos: posições P-ZC”
verifica-se que o campo P
está posicionado 26μm
abaixo da linha zero,
atendendo ao estimado.

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 46
T 1 + 20 + 13 = 60 ⇒ T 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO AJUSTE COM INTERFERÊNCIA

O próximo passo será


definir o IT para o furo.
Após determinar o valor
máximo para a tolerância
T1,

T 1 + 26 = 50 ⇒ T 1 = 24

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 47
T 1 + 20 + 13 = 60 ⇒ T 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO AJUSTE COM INTERFERÊNCIA

Verifica-se na tabela de
“Valores das tolerâncias”
que o IT6, cuja tolerância é
de 16μm, atende ao valor
aproximado para a
tolerância T1.

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 48
T 1 + 20 + 13 = 60 ⇒ T 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO AJUSTE COM INTERFERÊNCIA

VALOR MÁXIMO VALOR MINIMO


ELEMENTO
(mm) (mm)

EIXO 50 49,984

FURO 49,974 49,958

INTERFERÊNCIA 0,042 0,010

Observe que o ajuste obtivo é um ajuste com


interferência mínima de 10μm e interferência máxima de
42μm o que atende as especificações de projeto.
TDT 00.041 - Desenho de
01/03/2021 Projetos Mecânicos 49
T 1 + 20 + 13 = 60 ⇒ T 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO DE AJUSTE INCERTO

Duas peças que trabalham em conjunto na cota nominal


de 70mm, devem ser ajustadas com folga máxima de 80
μm e interferência máxima de 20μm. Especifique um
ajuste eixo base que atenda as especificações de projeto.

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 50
T 1 + 20 + 13 = 60 ⇒ T 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO DE AJUSTE INCERTO

Inicialmente, representamos
graficamente as especificações de
projeto. Como o ajuste é eixo base,
sabemos que o eixo terá campo de
tolerância h.

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 51
T 1=+20
20++x13⇒=T60=⇒
50T 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO DE AJUSTE INCERTO

Inicialmente, devemos estimar o


tamanho dos campos de tolerância.
Para isto, temos
80 − 20
2 x + 20 = 80 ⇒ x = = 30
2
Assim,
T = 20 + x ⇒ T = 50
TDT 00.041 - Desenho de
01/03/2021 Projetos Mecânicos 52
T 1=+20
20++x13⇒=T60=⇒
50T 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO DE AJUSTE INCERTO

Analisando a tabela dos “Valores


das tolerâncias para as classes de
qualidades mais usuais” e
considerando uma dimensão
nominal de 70mm, temos que o IT8,
com campo de tolerância de 46μm,
pode ser uma possibilidade.

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 53
T 1=+20
20++x13⇒=T60=⇒
50T 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO DE AJUSTE INCERTO

Antes de se definir por este IT,


devemos verificar a posição do
campo de tolerância do furo.

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 54
T 1=+20
20++x13⇒=T60=⇒
50T 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO DE AJUSTE INCERTO

Analisando a tabela dos “Desvios


fundamentais para furos; posições
A-N”, observamos que para a
dimensão de 70mm, o campo de
tolerância J8 esta posicionado a
28μm acima da linha zero, próximo
ao afastamente de x=30 μm.

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 55
T 1=+20
20++x13⇒=T60=⇒
50T 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO DE AJUSTE INCERTO

Assim, adotando o IT8 para o eixo


e o furo e o campo J, podemos
desenhar o esquema a seguir para o
ajuste proposto.

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 56
T 1=+20
20++x13⇒=T60=⇒
50T 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO DE AJUSTE INCERTO

VALOR MÁXIMO VALOR MINIMO


ELEMENTO
(mm) (mm)

EIXO 70 69,964

FURO 70,028 69,982

INTERFERÊNCIA 0,018 -

FOLGA 0,074 -

Observe que o ajuste obtivo é um ajuste incerto


interferência máxima de 74μm e folga máxima de 18μm
o que atende as especificações de projeto.
TDT 00.041 - Desenho de
01/03/2021 Projetos Mecânicos 57
Ajustes
5. AJUSTE SELETIVO:

 Muitas vezes o bom funcionamento de um


acoplamento depende de uma pequena
tolerância de ajuste.

 Para obter-se uma pequena tolerância há duas


possibilidades:

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 58
Ajustes
5. AJUSTE SELETIVO:

1. Execução das peças em máquinas de alta precisão, com


controle acurado e operários especializados. Esta solução
nem sempre é possível, quer pela falta de maquinaria
adequada, quer pelo custo excessivo de fabricação.

2. Execução das peças em máquinas usuais, com tolerância


normal e seleção das pecas em grupos com tolerância parcial
Tp dentro das exigências. A execução será muito mais
econômica, porém a intercambialidade será limitada.

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 59
Ajustes
5. AJUSTE SELETIVO:
 Pela seleção dividem-se as tolerâncias totais Te e Ti da peça
externa e interna, respectivamente, em um número igual de
tolerâncias parciais, geralmente de igual amplitude Tp.

Na figura ao lado, está


representado um exemplo em
que as tolerâncias das peças
interna e externa são iguais. Por
seleção, subdividem-se as
peças em três grupos, cada um
com uma amplitude de
tolerância Tp.
TDT 00.041 - Desenho de
01/03/2021 Projetos Mecânicos 60
Ajustes
5. AJUSTE SELETIVO:
T = Te = Ti = n ⋅ Tp
 Tem-se, pois, de modo geral, em
que n é o número de grupos em que se dividem as
peças.
As peças correspondentes, isto é,
as peças pertencentes aos
grupos a serem associados, são
marcadas com o mesmo número
ou a mesma cor. Como se vê pela
figura ao lado, a seleção resulta
numa grande redução da
tolerância de ajuste.
TDT 00.041 - Desenho de
01/03/2021 Projetos Mecânicos 61
Ajustes
5. AJUSTE SELETIVO:

 Pela figura ao lado verifica-


se que embora a tolerância
de ajuste tenha ficado
dividida pelo número de
grupos, a folga mínima
aumentou.

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 62
Ajustes
5. AJUSTE SELETIVO:
 Se deseja que a folga
mínima Fmin ou,
respectivamente, a
interferência mínima Imin
sejam iguais tanto no ajuste
comum como no ajuste por
seleção, é necessário que a
posição dos campos de
tolerância seja distinta nos
dois casos.

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 63
Ajustes
5. AJUSTE SELETIVO:

 Assim, enquanto no ajuste


comum o campo de
tolerâncias Te tem um
afastamento inferior a’i, no
ajuste por seleção, para a
mesma folga mínima Fmin e a
mesma tolerância total Te,
ter-se-á o afastamento ai,
dado pelas relações

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 64
Ajustes
5. AJUSTE SELETIVO:

 Ajuste com interferência:

ai = I min + Tp

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 65
Ajustes
5. AJUSTE SELETIVO:

 Ajuste com folga:

ai = Fmin + Tp

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 66
Ajustes
5. AJUSTE SELETIVO:

 Um exemplo típico de ajuste por seleção se


encontra na fábrica de rolamentos.

 As esferas são primeiramente forjadas, depois


retificadas, temperadas e finalmente recebem o
retificado final e o polimento.

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 67
Ajustes
5. AJUSTE SELETIVO:

 Quando as esferas estão suficientemente


polidas, não se prossegue a operação, mesmo
que as esferas ainda estejam algo grandes. Da
mesma forma não se refugará esferas que
tenham alcançado a medida exata, porém com
polimento ainda insuficiente. Pelo contrário, por
uma questão econômica, nestas também se
levará a operação de polimento até o fim.

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 68
Ajustes
5. AJUSTE SELETIVO:

 Por isto, as esferas com polimento final têm


diâmetros diferentes. São selecionadas numa
máquina, de forma que esferas de um mesmo
grupo terão diferenças máximas de 1 a 2
mícrons. Esferas de grupos diferentes poderão
apresentar diferenças de até 20 mícrons. A
fábrica não fornece esferas isoladas de
reposição, pois não há intercambialidade.

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 69
Ajustes
5. AJUSTE SELETIVO:

 Outro exemplo é a montagem de pistões nas


camisas de cilindro.

 Nos blocos, com um determinado número de


cilindros, estes são retificados simultaneamente
por Honing. Como trabalha uma ferramenta em
cada cilindro, é muito difícil obter-se uma
usinagem com tolerância muito estreita.

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 70
Ajustes
5. AJUSTE SELETIVO:

 Prefere-se então, após o Honing, medir a


dimensão efetiva de cada cilindro, marcando-o
com um número correspondente ao grupo de
medidas (tolerância parcial) a que pertence. Os
pistões são igualmente divididos no mesmo
número de grupos de medidas e numerados,
observando-se na montagem o cuidado de
associar sempre peças de igual número.

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 71
T 1=+20
20++x13⇒=T60=⇒
50T 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO AJUSTE SELETIVO
Duas peças que trabalham em conjunto na cota nominal
de 25mm, devem ser ajustadas com interferência no
sistema eixo base de modo que a interferência mínima
seja de 5μm e a máxima 40μm. Sabendo que as máquinas
empresa trabalham com precisão no IT9, pergunta-se:
1. As peças poderão ser fabricadas na empresa?
2. Considerando que o cliente aceita ajuste seletivo,
como estas peças poderiam ser fabricadas e
selecionadas para atenderem as exigências de
projeto? TDT 00.041 - Desenho de
01/03/2021 Projetos Mecânicos 72
T 1=+20
20++x13⇒=T60=⇒
50T 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO AJUSTE SELETIVO

Inicialmente, as
especificações de projeto
devem ser traduzidas em
um desenho esquemático
para facilitar a
compreensão do problema.
Desta forma, temos:

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 73
T 1=+20
20++x13⇒=T60=⇒
50T 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO AJUSTE SELETIVO

Inicialmente, devemos
estabelecer a tolerância
para o eixo.

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 74
T 1=+20
20++x13⇒=T60=⇒
50T 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO AJUSTE SELETIVO

Analisando a figura,
podemos estabelecer uma
primeira aproximação para
o tamanho do campos do
eixo por
40 − 5
2T + 5 = 40 ⇒ T = = 17,5
2

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 75
T 1=+20
20++x13⇒=T60=⇒
50T 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO AJUSTE SELETIVO

Assim, considerando a
dimensão nominal de
25mm, da tabela de
“Valores das tolerâncias”
verificamos que o IT6, cuja
tolerância é de 13μm,
atende ao valor aproximado
para a tolerância T.
TDT 00.041 - Desenho de
01/03/2021 Projetos Mecânicos 76
T 1=+20
20++x13⇒=T60=⇒
50T 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO AJUSTE SELETIVO

O próximo passo será


posicionar o campo de
tolerância do furo em
relação à linha zero. Para
isto, atendendo a
interferência mínima de
5μm, o furo deverá ser
posicionado a uma
distância mínima de 18μm
da linha zero. TDT 00.041 - Desenho de
01/03/2021 Projetos Mecânicos 77
T 1=+20
20++x13⇒=T60=⇒
50T 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO AJUSTE SELETIVO

Consultando a tabela
“Desvios fundamentais
para furos: posições P-ZC”
verifica-se que o campo P
está posicionado 22μm
abaixo da linha zero,
atendendo ao estimado.

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 78
T 1=+20
22++=x13
20 ⇒=⇒
40 T60T=1⇒=T18
50 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO AJUSTE SELETIVO

O próximo passo será


definir o IT para o furo.
Após determinar o valor
máximo para a tolerância
T1,

T 1 + 22 = 40 ⇒ T 1 = 18

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 79
T 1=+20
22++=x13
20 ⇒=⇒
40 T60T=1⇒=T18
50 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO AJUSTE SELETIVO

Verifica-se na tabela de
“Valores das tolerâncias”
que o IT 6, cuja tolerância é
de 13μm, atende ao valor
aproximado para a
tolerância T1.

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 80
T 1=+20
22++=x13
20 ⇒=⇒
40 T60T=1⇒=T18
50 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO AJUSTE SELETIVO

Para este ajuste, temos:

VALOR MÁXIMO VALOR MINIMO


ELEMENTO
(mm) (mm)

EIXO 25 24,987

FURO 24,978 24,965

INTERFERÊNCIA 0,035 0,009

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 81
T 1=+20
22++=x13
20 ⇒=⇒
40 T60T=1⇒=T18
50 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO AJUSTE SELETIVO

Como para atender as especificações de projeto as peças


deverão ser fabricadas no IT6, a empresa não poderá
atender ao pedido sem considerar o uso de ajuste
seletivo.

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 82
T 1=+20
22++=x13
20 ⇒=⇒
40 T60T=1⇒=T18
50 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO AJUSTE SELETIVO

Para atender as especificações de


projeto, considerando ajuste
seletivo, fabricaremos as peça no
IT9.

Observe que este ajuste incerto


não atende as especificações de
projeto.

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 83
T 1=+20
22++=x13
20 ⇒=⇒
40 T60T=1⇒=T18
50 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO AJUSTE SELETIVO

Em seguida, dividiremos em
quatro grupos.

Finalmente, faremos o ajuste


selecionando pares de eixo e
furos que pertençam ao mesmo
grupo.

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 84
T 1=+20
22++=x13
20 ⇒=⇒
40 T60T=1⇒=T18
50 1 = 27

Exemplos
EXEMPLO AJUSTE SELETIVO

Estes pares selecionados atenderão


as especificações de projeto:
• Interferência mínima de 5μm
• Interferência máxima de 40μm

TDT 00.041 - Desenho de


01/03/2021 Projetos Mecânicos 85
Bibliografia de Referência
SILVA, Arlindo et al. Desenho Técnico Moderno. 4ª edição. Rio de Janeiro: LTC, 2006.
475p.

STEMMER, Caspar Erich. Projeto e Construção de Máquinas. 2ª edição. Porto Alegre:


Globo, 1979. 302p.

ABNT NBR 6158:1995. Sistema de Tolerâncias e Ajustes. Rio de Janeiro: ABNT. 1995.

ABNT. NBR 6173:1980. Terminologia de Tolerancias e Ajustes. Rio de Janeiro: ABNT.


1980.

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Projetos Mecânicos

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