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REPÚBLICA DE ANGOLA

GOVERNO DA PROVÍNCIA DE LUANDA

GABINETE PROVINCIAL DE EDUCAÇÃO E SAÚDE

INSTITUTO MÉDIO POLITÉCNICO ACÁCIAS RUBRAS

PROJECTO TECNOLOGICO

TRABALHO DE CONCLUSÃO DO CURSO MÉDIO TÉCNICO DE


ENFERMAGEM

HIPERTENSÃO GESTACIONAL

CONHECIMENTOS DAS VENDEDEIRAS DO MERCADO DA MAMÃ


GORDA COM IDADES ENTRE OS 20 E 45 ANOS DE IDADE SOBRE A
HIPERTENSÃO NA GESTAÇÃO EM FEVEREIRO DE 2021.

Orientador
______________________________
Teodoro Albino André Prof. Lic.

Luanda, 2021

1
Conhecimentos das vendedeiras do mercado da mamã gorda com idades entre os 20 e 45 anos de
idade sobre a hipertensão na gestação em fevereiro de 2021.

Trabalho apresentado á Escola de Formação de Técnicos


de Saúde de Luanda como um dos requisitos para a
obtenção do título de Técnico Médio de Enfermagem

Integrantes do grupo
1.

Orientador
______________________________
Teodoro Albino André Prof.Lic.

LUANDA, 2021

2
EPÍGRAFE

«Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina»

Autor: Willian Shakespeare

3
DEDICATORIA

4
AGRADECIMENTO

5
Autorizamos a reprodução total ou parcial deste trabalho de fim do curso para fins académicos e
científicos, desde que citada a fonte do trabalho.

Assinatura

-------------------------------------

Data____/_____/_____

Ficha catalográfica

( Escrever nome de todos alunos aqui)

CONHECIMENTOS DAS VENDEDEIRAS DO MERCADO DA MAMÃ GORDA


COM IDADES ENTRE OS 20 E 45 ANOS DE IDADE SOBRE A HIPERTENSÃO
NA GESTAÇÃO EM FEVEREIRO DE 2021.

Trabalho de conclusão do curso Médio de Enfermagem

Orientador
Prof: Teodoro Albino André Prof.Lic.

Palavra-chave: Hipertensão, gestação

6
CONHECIMENTOS DAS VENDEDEIRAS DO MERCADO DA MAMÃ GORDA COM IDADES ENTRE OS 20 E
45 ANOS DE IDADE SOBRE A HIPERTENSÃO NA GESTAÇÃO EM FEVEREIRO DE 2021.

Aprovados aos____/____/2021

Trabalho de conclusão do curso apresentado a EFTSL


para a obtenção do grau de técnico medio de
Enfermagem.

Banca Examinadora

Dr.

Júri_________________________________Assinatura________________________________

Dr.

1◦ Vogal____________________________Assinatura________________________________

Dr.

2◦ Vogal___________________________Assinatura________________________________

7
SUMÁRIO (ÍNDICE)

8
ÍNDICE DE TABELAS

9
LISTA DAS ABREVIATURAS

 OMS- Organização mundial da saúde

 DHEG- Doença hipertensiva especifica da gestação

 HG- Hipertensão Gestacional

 HGC- Hospital Geral Dos Cajueiros

 HTA- Hipertensão Arterial

 TAS- Tensão Arterial Sistólica

 TAD- Tensão Arterial Diastólica

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RESUMO

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1. INTRODUÇÃO

A hipertensão é um problema de saúde mais comum nas grávidas, estando presente em


cerca de 10 a 15% das gestantes no mundo. Uma grávida pode ter hipertensão seja porque já
era hipertensa antes de engravidar ou porque desenvolveu hipertensão arterial durante a sua
gestação. Os problemas de hipertensão podem aparecer antes da gravidez ou serem
desencadeadas durante a gestação, e todos os tipos de hipertensão pode apresentar riscos para
a gestante e o bebé (OMS, 2011).

A Organização Mundial de Saúde estima que, no mundo, aproximadamente 100.000


mulheres morrem por essa complicação a cada ano. Este aumento da pressão sanguínea que
acomete mulheres sem histórico de quadro hipertenso é classificado como Doença
Hipertensiva Específica da Gestação (DHEG).

Entre tanto, as doenças maternas-infantil é um dos problemas que ocorre em todas partes
do mundo durante o período gravídico. É considerada uma das principais causas de mortes em
mulheres (REINERS, 2013).

Por esta razão abordamos o tema em questão, de acordo com a fonte de obtenção de
informação sobre o conceito, sinais e sintomas, prevenção as diferenças entre hipertensão
crônica na grávida, hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia. Vamos falar também sobre o
tratamento da hipertensão na gestante e os riscos para o bebê. Tendo em conta que os
profissionais de saúde têm um papel importante de promover a saúde e prevenir a doença
durante o acompanhamento das mulheres gestadas nas consultas pré-natais.

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1.1. Formulação do problema

Os dados do Ministério da Saúde Brasileira mostram a Hipertensão na Gestação como


uma das principais causas de partos por cesariana, partos complicados ou demorados, morte
das parturientes nas maternidades. Estes dados são extremamente preocupantes e demonstram
uma clara necessidade do conhecimento desta patologia gestacional, não só pelos
profissionais de saúde como da população em geral. Com base no problema exposto,
levantamos a seguinte pergunta de partida: Que conhecimentos possuem as vendedoras do
Mercado da Mamã Gorda com idades entre os 20 e 45 anos de idade sobre a
Hipertensão na Gestação em Fevereiro de 2020?

1.2. Justificativa

Hipertensão Arterial é uma doença grave que está relacionada com outras doenças como a
diabete, a insuficiência renal, o acidente vascular cerebral entre outras doenças. Neste sentido
a Hipertensão na gestação, se constitui num problema maior em virtude dela afetar não só a
gestante, mas também o bebé aumentando pondo em risco a vida dos dois. Com base no
exposto a escolha desta temática visa aumentar os nossos conhecimentos e promover esses
conhecimentos entre as famílias e a população em geral.

O presente estudo revela-se de grande importância não só para nós como pesquisadores,
mas para a comunidade onde será realizado o estudo, para os estudantes de saúde e não só.
Este trabalho também servirá como fonte de pesquisa para os próximos pesquisadores.

13
1.3. Objetivos

Os objetivos definem-se como as metas ou finalidade que se pretendem alcançar na


realização de atividades planificadas. No presente trabalho definimos os seguintes:

1.3.1. Objetivos gerais:


 Avaliar os conhecimentos das vendedeiras do Mercado da Mamã Gorda com idades
entre os 20 e 45 anos de idade sobre a Hipertensão na Gestação em Fevereiro de 2021.
1.3.2. Objetivos específicos:
 Caracterizar os vendedores do mercado da Estalagem (Mamã Gorda) quanto ao
género, idade e nível académico;
 Descrever os fatores de risco da Hipertensão na Gestação;
 Avaliar os conhecimentos dos vendedores quanto as medidas de prevenção da
Hipertensão na Gestação;
 Propor medidas de prevenção.

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2. FUNDAMENTACÃO TEÓRICA

2.1. Definição de termos e conceitos

 Hipertensão Arterial ´´é uma síndrome caracterizada basicamente pelo aumento dos
níveis pressóricos, tanto sistólico quanto diastólico``. (Dicionário médico, versão
eletrônica)
 Gestação: ´´É um fenômeno fisiológico pode ser encarada como um processo que se
associa com transformações biológicas, psicológicas e sociais que ocorrem
ininterruptamente´´ (CAETANO, 2011)
 Hipertensão na gestação ``é um fator de risco para diversas doenças mais comum
entre as mulheres, não somente nos anos férteis, mas também durante a gravidez que
pode representar vários perigos para saúde da mulher`` (ALVES, 2013, p. 3).
 Pressão Arterial: ``refere-se a pressão exercida pelo sangue contra a parede das
Artérias``. (Dicionário eletrônico Houaiss 3, versão digital)
 Artéria: são vasos sanguíneos que garantem o transporte do sangue do coração para
os diferentes tecidos do corpo. (Dicionário eletrônico Houaiss 3, versão digital)
 Veia: ``considerada um vaso sanguíneo que transporta o sangue em direção ao
coração``. (Dicionário eletrônico Houaiss 3, versão digital)
 Sistólica: ´´o maior valor verificado durante aferição da Pressão Arterial´´
((Dicionário eletrônico Houaiss 3, versão digital)
 Diastólica: ´´é o menor valor verificado durante aferição da Pressão Arterial´´
(Dicionário eletrônico Houaiss 3, versão digital)
 Cuidar: é um fenómeno universal que influencia a forma como pensamos, sentimos e
nos comportamos em relação aos outros (POTTER et al. 2003 p. 9)

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2.2. Historial da Hipertensão na gestação

Hipertensão arterial ou pressão alta é uma doença crônica caracterizada pelos níveis
elevados da pressão sanguínea nas arteriais. Ela acontece quando os valores das pressões
máxima e mínima são iguais ou ultrapassam os 140/90 mm hg. A pressão alta faz com que o
coração tenha que exercer um esforço maior do que o normal para fazer com que o sangue
seja distribuído corretamente no corpo. A pressão alta é um dos principais fatores de risco
para a ocorrência de muitas doenças como acidente vascular cerebral, enfarte, aneurisma
arterial, insuficiência renal, cardíaca e muito mais. (CAETANO, 2006, p. 78)

No fim do século XIX, Mohamed descreveu a síndrome arterial hipertensiva. Em 1881,


Riva-Rocci criou o primeiro esfigmomanômetro e em 1906, Korotkoff tornou prática a
medida de pressão arterial. Em 1914, Volhard descreveu as síndromes de hipertensão maligna
e benigna. No que concerne à história da terapêutica da hipertensão arterial, salienta-se que,
em 1876, Ambard descobriu que os hipertensos excretavam menos cloreto pela urina, e, em
1922, Allen padronizou o tratamento da hipertensão utilizando dietas pobres em sal.

As drogas existentes até a década de 1940 eram realmente muito pouco efetivas no que se
refere ao controle da pressão arterial, constituindo-se, fundamentalmente, da mistura, em
proporções diversas, de papaverina, aminofilina e barbitúricos leves administrados por via
oral. Nesta mesma década já era consenso que o aumento da pressão deveria ser tratado e que
três linhas terapêuticas eram utilizadas, a saber: psicoterapia, dieta extremamente baixa em
sódio (dieta de arroz) e simpatectomia dorsolombar. A dieta de arroz era bastante efetiva no
controle da pressão arterial, porém de paladar quase insuportável para o paciente.

De qualquer modo, devido a pressão arterial subir ou baixar durante o dia, os profissionais
de saúde devem repetir a medição várias vezes para obter um valor médio que determine se a
mulher realmente tem hipertensão, de modo a controlá-la para evitar riscos na gravidez
(MAGIPE, 2002, p.34). 

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2.3. Epidemiologia

A hipertensão arterial é considerada atualmente, um dos mais importantes fatores de risco


para doença cardiovascular. Primeiro, por apresentar alta prevalência e segundo por ter forte
relação de risco com eventos cardiovasculares fatais e não fatais, sendo esta relação contínua,
positiva e independente de outros fatores.

Cerca de 30% da população adulta apresenta níveis de pressão arterial acima de


140/90mmHg, porém riscos cardiovasculares começam a existir em níveis ainda menores. Os
benefícios de se reduzir a pressão arterial foram inicialmente demonstrados após tratamento
da hipertensão maligna por curtos períodos, e posteriormente, em todos os níveis de pressão
arterial.

Os dados epidemiológicos relacionados com a PA podem variar dependendo das


populações em estudo e da presença de fatores de risco. Nos países subdesenvolvidos as taxas
de incidência podem atingir os 18% em algumas zonas africanas e a mortalidade associada é 5
a 9 vezes superior. (Oliveira, 2007, p. 48)

Estima-se que aproximadamente 2-8% das grávidas em todo o mundo sejam afetadas pela
PA sendo responsável por 12% de restrições de crescimento fetal e 19% de partos prematuros,
ou seja quanto mais precocemente ocorrer a PA, maior o risco de morte materna e perinatal.
Segundo os dados mais recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS), 14 % da
mortalidade materna mundial está diretamente relacionada com esta patologia é a principal
causa de morte materna na África, América Latina e Caraíbas.

2.4. Fisiopatologia

A causa que origina a hipertensão na gravidez permanece ainda desconhecida, entretanto


sabe-se que alguns fatores de risco podem pré-dispor a grávida a desenvolver a hipertensão.

Segundo Santos (2004) considera que” as alterações fisiológicas são necessárias e de


extrema importância para a mulher e para a própria gravidez, pois fazem com que a mulher se
adapte á nova fase de sua vida”. Para a maioria das mulheres, a gravidez representa uma face
da vida e não uma doença, mas entretanto, existem mulheres que vivenciam problemas
significativos durante a gravidez, em função das diferentes patologias, que de uma forma ou
outra poderão afetar a sua saúde obstétrica. Uma dessas patologias é a hipertensão na

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gravidez, considerada como sendo uma das que mais efeitos nocivos provocam no organismo
materno, fetal e neonatal.

A força que o sangue exerce contra o interior das artérias, que são os vasos sanguíneos
que transportam sangue rico em oxigênio para todo o organismo, é conhecida como pressão
arterial. Quando fica elevada mais do que o normal, aparece a hipertensão ou pressão arterial
alta. Quando o valor da pressão sistólica é de 140 ou superior, e o valor da pressão diastólica
alcança 90 ou níveis superiores, estamos diante de um quadro de hipertensão (SOUZA, 2014
p. 8).

Desde que a gravidez é planeada até aos primeiros meses de vida do bebé, a grávida está
sujeita a modificações, sendo necessário conhecê-las para gerir e preparar o organismo para
esta importante fase da vida. Estas modificações devem ser entendidas como adaptações
fisiológicas ao binómio materno-fetal, consideradas como o requisito para a deteção e
otimização do acompanhamento de novas doenças ou de doenças preexistentes (HTA)
(TRANQUILELL, 2008).

É importante que os profissionais de saúde tenham conhecimento sobre a pressão arterial


(PA) na gravidez, visto que sua elevação representa o indicador mais seguro do
desenvolvimento da pré-eclâmpsia. Cerca de 5 a 10% das gestações são complicadas pela
HTA, e a incidência da eclâmpsia está em torno de 1% (Sousa, et al; 2009).

Acredita-se que constituição Arteriolar generalizada provoque diminuição do fluxo


sanguíneo ao longo da placenta e dos órgãos maternos, isso leva a redução ou restrição do
crescimento intrauterino, infartos e deslocamento prematuro da placenta” (Ambrose 2017, p.
390)

2.5. Causas da Hipertensão na gestação

A causa que origina a hipertensão na gravidez permanece ainda desconhecida, entretanto


sabe-se que alguns fatores de risco podem pré-dispor a grávida a desenvolver a hipertensão.

Segundo Ambrose (2017 p. 391) entre os fatores que contribuem para o aparecimento da
Hipertensão gestacional, os seguintes:

 Fatores geográficos, étnicos, racionais, nutricionais, imunológico e familiares;


 Vasculopatia preexistente;
 Idade materna;

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 Autólise de infartos placentários;
 Auto intoxicação;
 Uremia;
 Semebilização materna a proteína totais;
 Pielonefrite;
 Diabetes;
 Faixa etárias adolescentes e primíparas com idades superiores a 33 anos correm maior
risco de pré-eclâmpsia;
2.6. Sinais e sintomas

Segundo a Tânia (2017 p. 207) referiu que os sintomas mais importantes que podem
indicar pressão arterial elevada durante a gestação são:

 Dores de cabeça;
 Dores abdominais;
 Edemas
 Náuseas e vômitos
 Alterações na visão
 Sangramentos vaginais
 Ganho de peso súbito;
 Tensão emocional

Hipertensão Arterial é o sinal mais frequente (100%) e o mais marcante. Consideram-se


como limite da normalidade os valores de 140 a 90 mmHg, respectivamente, para as pressões
sistólica e diastólica, entretanto para casos limítrofes, é necessário conhecer a pressão arterial
anterior.

A linha basal da pressão sanguínea (ou pressão sanguínea normal) é, muitas vezes,
desconhecida, porque muitas grávidas, principalmente as que procuram as clinicas de
prénatal, recorrem ao atendimento no final da gestação. É por esta razão que o nível
estabelecido de 140/90mmHg para a pressão sanguínea é significativo. É muito importante
lembrar que se não diagnosticada e tratada precocemente, pode evoluir para uma forma grave,
possivelmente para uma eclâmpsia (BURROUGHS, 1995).

De realçar que por vezes as grávidas não apresentam qualquer sintomatologia de


hipertensão arterial (HTA) associado, porém, deve-se ter em atenção que a ausência de

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sintomas pode levar a grávida a uma complicação no momento do parto, evoluindo para uma
pré-eclâmpsia ou eclâmpsia.

 Edema

O edema afeta aproximadamente 85% das mulheres com pré-eclâmpsia. Pode surgir
subitamente, e pode estar associado a uma rápida velocidade de ganho ponderal. Todas as
mulheres sem edema, e com edema de início precoce ou tardio, possuem uma incidência
semelhante de hipertensão (ENKIN, 2005).

O edema da face e das mãos, entretanto, é um sinal de alerta, porque caracteriza o edema
generalizado da hipertensão na gestação. Este sinal é, primeiramente, observado por um
ganho de peso de mais do que 900g por semana (BURROUGHS, 1995).

Devem-se considerar duas formas de edema: o edema oculto e o edema visível. O


primeiro caracteriza-se apenas pelo rápido aumento de peso: No segundo, além de
comprovação do facto, a compressão de face anterior da perna determina formação de godé
característico. Costuma-se classificar o edema em graus: na escala ascendente, ele atinge os
membros inferiores do maléolo até a tíbia; estende-se às coxas e também aos membros
superiores (REZENDE, 2000).

A proteinúria é indicada como a perda de proteínas pela urina, sendo um sinal laboratorial
muito importante principalmente se aparece associada à hipertensão, podendo denotar casos
de pré-eclampsia.

A excreção renal de proteínas aumenta na gravidez normal, e a proteinúria só é considera


anormal quando ultrapassa 300 mg em 24 h. A proteinúria geralmente é um sinal tardio nos
distúrbios hipertensivos induzidos pela gravidez, e está associada a um aumento de risco de
má evolução fetal. Assim, o exame de urina é parte vital do processo de rastreamento de
distúrbios hipertensivos na gravidez (ENKIN, 2005, p.40).

A proteinuria demonstra redução da função urinária, o que é motivo de preocupação.


Como limite clinico, aceita-se que gravidas normais possam apresentar proteinuria de até 0,6g
nas 24horas.

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2.7. Diagnóstico

O diagnóstico é clínico e laboratorial: medida da pressão arterial, pesquisa de


edema (inchaço) e dosagem de proteínas na urina. A medida da pressão arterial é uma
das intervenções mais importantes durante o pré-natal.

A caracterização do problema é feita através da pressão arterial diastólica (mínima)


sendo igual ou superior a 90 mmHg ou o aumento da pressão arterial acima de 15
mmHg do valor medido antes de 20 semanas de gestação. Quanto mais alta estiver a
pressão da gestante, maior é o risco de parto prematuro.

Quando a hipertensão na gravidez estiver associada a perda de proteínas pela urina


(proteinúria), teremos um quadro chamado pré-eclâmpsia ou toxemia gravídica, que é
o aparecimento de hipertensão arterial acompanhada de proteinúria em gestação acima
de 20 semanas, podendo haver ou não edema (inchaço) nas pernas, rosto e mãos.
(ENKIN, 2005, p.41-42).

A proteinúria significativa é aquela com valores iguais ou maiores a 300 mg de


proteína na urina colectada durante 24 horas.

Hipertensão é o aumento dos níveis tensionais acima de 140 x 90 mmHg. A


pressão arterial deve ser medida com a paciente sentada e confirmada após período de
repouso em 3 medidas. (BURROUGHS, 1995).

2.8. Fatores de risco

Ainda são desconhecidas as causas específicas para o aparecimento da hipertensão na


gravidez, assim sendo, é necessário identificar os factores de risco que contribuem para o
aparecimento da hipertensão arterial (CAMANO, 2011 p.207)

 Primeira gestação;
 Fecto multiplo;
 Histórico de coagulopatia;

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2.9 Tratamento

O tratamento da grávida hipertensa depende do grau de hipertensão arterial. A maioria das


mulheres com hipertensão gestacional que apresenta níveis de pressão arterial abaixo de
160/110mmHg pode ser acompanhada com consultas semanais ou bissemanal para medir a
pressão arterial e a excreção de proteína na urina. O objetivo das consultas é de identificar
precocemente quaisquer sinais de progressão para pré-eclâmpsia. (REZENDE, 2000).

Os estudos científicos nos mostram que o tratamento da pressão arterial na hipertensão


gestacional não-grave não traz benefícios nem para mãe nem para o feto, podendo ainda
provocar efeitos colaterais. Portanto se a gestante não apresentar valores da presão arterial
acima de 160/110mmHg, não é preciso iniciar nenhuma droga anti-hipertensiva.
(BURROUGHS, 1995).

O parto na hipertensão gestacional costuma ser realizada entre 37º e a 39ª semanas de
gravidez, de acordo com a situação da gestante e do feto.As mulheres que desenvolvem
hipertensão gestacional grave que é maior de 160/110mmHg, têm taxas de complicações
semelhante ás da pré-eclâmpsia, e portanto, devem ser tratadas de forma semelhante.
(BURROUGHS, 1995).

A hipertensão gestacional grave precisa ser tratada com medicamentos anti-hipertensivos


e o parto costuma ser realizado entre 34 e 36 semanas de gravidez. Se a gestante tiver menos
de 34 semanas, a internação hospitalar para controle e monitorização do feto e da pressão
arterial. O objetivo é tentar levar a gravidez de forma segura até, pelo menos, 34 semanas
(PINHEIRO, 2008 p. 9)

Segundo Ambrose (2017, p. 391) além dos tratamentos com anti-hipertensivos, o


tratamento também baseando-se:

 Medidas para impedir a evolução do distúrbio e assegurar a sobrevivência do feto;


 Indução imediata do trabalho de parto e especialmente se a cliente estiver perto do
tempo defendida por alguns médicos;
 Nutrição adequada;
 Dieta com baixo teor de sódio, se for indicado limitação do consumo de cafeína;

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 Repouso absoluto (Decúbito lateral esquerdo);

2. 10. Cuidados de enfermagem

Segundo Ambrose (2017, p.392) ao cuidar de uma paciente com hipertensão na


gestação, esteja preparado para realizar as seguintes intervenções:

 Controlar os sinais vitais;


 Administrar os fármacos prescritos com forme a orientação médica;
 Elevar perna ou braços endemados;
 Aplicar cateter urinário de demora se necessário;
 Providencie um ambiente tranquilo;
 De apoio emocional;
 Estimule o paciente a manifestar sentimentos;
 Ajude ao paciente a desenvolver estratégias efetivas de enfrentamento da situação.

Os enfermeiros desempenham um papel de extrema importância no cuidado à grávida


hipertensa quer a nível primário (nos centros de saúde ou no domicilio), quer a nível
secundário ou terciário (no meio hospitalar). Logo é imprescindível a atuação do enfermeiro e
de preferência a sua integração nas equipas multidisciplinares, constituídas para a prestação
dos cuidados ou tratamentos à doença hipertensiva especifica da gravidez. (REZENDE,
2000).

Os cuidados de enfermagem devem ser prescritos pelo enfermeiro responsável pela


grávida. É importante que o enfermeiro preste atenção a todos os acontecimentos com a
gestante (SANTOS, 2004).

Os objetos terapêuticos visam estabelecer a segurança materna e o nascimento de um


recém-nascido saudável e tão perto do final da gravidez quanto possível (SANTOS, 2004).

Portanto, na primeira consulta vigilância pré-natal, é efetuada a cada mulher uma


avaliação inicial para detecção de eventuais fatores de risco. Em cada consulta subsequente a
mulher é avaliada quanto a sinais e sintomas que sugiram o aparecimento ou a presença de
pré-eclâmpsia. (RIBEIRO, 2017).

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Ainda nesse contexto, Santos (2004) refere que, os objectivos da assistência pré-natal
são: assegurar bom desenvolvimento fetal, evitar complicações futuras tanto como para o feto,
proteger a saúde materna e fetal, e orientar quanto aos primeiros com o recém-nascido.

Os cuidados de enfermagem começam com a prestação de cuidados às grávidas


hipertensas primeiramente orientando e estimulando para mudanças, por exemplo o estilo de
vidas (hábitos alimentares, sedentários, consumo de substâncias tóxicas como o álcool e
tabaco, entre outros aspectos) e depois determinar os fatores predisponentes para o
desenvolvimento da hipertensão. São medidas simples, mas necessárias para o -controlo da
hipertensão na gravidez, da mesma forma que, o reforço dessas orientações para o
autocuidado e plano de cuidados, deverá ser feito com base no processo de enfermagem
(entrevista, diagnóstico, planeamento, implementação e avaliação). (FERRAZ, p. 405, 2003)

Burroughs (1995, p.329) o controlo da doença hipertensiva depende da gravidade dos


sintomas, da conduta, da compreensão e comprometimento da mulher. São muito importantes
para a grávida, para o filho e para a família, o ensinamento e as orientações cuidadosas em
relação ao problema.

Para a garantia de um adequado cuidado de enfermagem á grávida hipertensa, a


realização de uma avaliação física e uma anamnese cuidadosa, bem como exames
laboratoriais e imagiologia devem ser sempre solicitados, além de uma monitorização
contínua e rigorosa do feto, para que o enfermeiro esteja ciente das verdadeiras condições de
todos os sistemas orgânicos da grávida e do desenvolvimento do feto e reunir assim
informações necessárias, ficando a saber quando e como cuidar da grávida hipertensa.
(FERRAZ, p. 410, 2003)

 Anamnese

Segundo Santos (2004; p.81) a avaliação pré-natal nada mais é do que o exame
clinico, a anamnese, um dos métodos de coleta de dados mais comum na enfermagem.
Revisa-se a história clínica pessoal, especialmente a presença de diabete mellitus, de doença
renal e de hipertensão. A história familiar é explorada em virtude da ocorrência de condições
pré-eclâmpsias ou hipertensivas, de diabete mellitus e de outras condições crónicas.

A história social e de experiências prévias proporcionam informações sobre o estado


conjugal, o estado nutricional, as crenças culturais, o nível de atividades e os hábitos pouco
sadios, como o fumo, o álcool e o consumo de drogas ilícitas (TÂNIA et.al 2004).

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Por outro lado, deve-se fazer uma recolha de informações muito precisa, a fim de obter
dados concretos, caso houver modificações na linha basal da pressão sanguínea, o ganho
anormal de peso, o padrão do ganho de peso, os sinais de aumento do edema e a presença de
proteinúria.

 Exame Físico

Além da anamnese, o exame físico e os exames laboratoriais fazem parte da rotina do


pré-natal. É importante associar as consultas aos exames para garantir á grávida segurança,
confiança e bem-estar durante toda a gravidez, quanto á sua saúde e á saúde do seu bebé.

Deve-se ter em conta também sinais e sintomas (hipertensão, diminuição dos sons
pulmonares e do debito urinário, cefaleia, dor epigástrica, convulsões etc) que demostram
agravamento do estado, e que pode ser um indicador de pré-eclâmpsia ou eclâmpsia, para
além de fazer uma avaliação precisa e efectuar os registos, de comprometimento de algum
sistema orgânico mais precisamente a nível hepático, pulmonar, renal, cardíaco, placentário e
cerebral. Fazer uma avaliação precisa e rigorosa trará mais vantagem materno-fetais.

 Análises Laboratoriais

Para ajudar no diagnóstico de pré-eclâmpsia, síndrome de HEELP ou hipertensão crónica


a enfermeira coletar amostras de sangue, urina e outros espécimes. Presentemente não se
conhecem testes de laboratório que permitam a detecção do desenvolvimento de pré-
eclâmpsia, contudo, teste laboratoriais de rotina são úteis no diagnóstico precoce de pré-
eclâmpsia e para possibilitar a comparação com os resultados obtidos de forma a avaliar a
progressão e gravidade da doença (BOBAK et al, 2004 p. 207)

2.10.1 Cuidados a Nível Ambulatório

A mulher deve ser informada de que, para manter a hipertensão moderada, requer (CAETANO,
2009 P. 37):

 Reconhecer que o repouso na cama é essencial;


 Deitar sobre o lado esquerdo; Ingerir uma dieta rica em proteínas;
 Reduzir a ansiedade;

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 Tomar a medicação prescrita pelo médico;
 Ir às consultas pré-natais (geralmente, 2 vezes por semana);

Comunicar-se imediatamente com o médico, caso apareça algum dos seguintes sintomas:
cefaleia, dor epigastrica, perturbação visual, ou edema da face ou das mãos.

Os cuidados domiciliários podem ser suficientes se a pré-eclâmpsia for ligeira e não


existirem problemas de atraso no crescimento fetal. Para que estes se realizem de forma
eficaz, a enfermeira necessita avaliar o ambiente da casa e as capacidades da mulher em
assumir a responsabilidade.

A monitorização ambulatória contínua da pressão arterial pode melhorar o diagnóstico e


assistências subsequentes. A mulher é ensinada a pesar-se e a pesquisar a proteinúria
diariamente. O aparecimento desta numa fase inicial, geralmente indica um agravamento
progressivo da pré-eclâmpsia.

a. Complicações

Os distúrbios hipertensivos são as complicações de maior relevância durante o período


gravídico-puerperal. As complicações e os riscos afectam tanto a mãe como o feto, e
consequentemente aumenta o risco de mortalidade e morbilidade (pré-eclâmpsia, síndrome de
HEELP, descolamento de placenta normalmente inserida) Além disso pode desenvolver
outras complicações como choque hemorrágico, infecção, hemorragia cerebral, insuficiência
cardiopulmonar.

As sequelas fetais e neonatais são mais difíceis de determinar, visto que algumas sequelas
de morbidade e mortalidade no período do pré-natal da doença hipertensiva estão relacionadas
com o retardo do crescimento intrauterino e com o sofrimento fetal agudo ou crónico. Isso
pode ter efeitos a longo prazo sobre o SNC. Em suma, a taxa de mortalidade das grávidas com
doença hipertensiva é cerca de 10%, variando com o nível económico e a qualidade dos
cuidados recebidos (REINERS et.al 2003).

b. Prevenção da hipertensão na gestação

A Educação em Saúde efetiva dispõe de uma base sólida para o bem-estar individual e da
comunidade (FERRAZ, at all p.2, 2003)

Quando atuamos no nível de prevenção primário, ou seja, fazendo educação para saúde, é
um fator influenciador diretamente relacionado com os resultados de cuidados positivos do

26
paciente, na medida que a pessoa pode fazer modificações de comportamento optando por
estilos de vida saudáveis de acordo com as informações que foram previamente oferecidas ao
longo do ensino.

O tratamento mais eficaz é a prevenção. Os cuidados pré-natais precoces, essenciais para


optimizar os resultados quer perinatais quer materno são identificar as mulheres de risco e
reconhecer e comunicar os sinais e sintomas de alarme. Conforme (BOBAK et al 1999).

A monitorização ambulatória contínua da pressão arterial que pode melhorar o diagnóstico


e a assistência (ENKIN et all 2005).

As mulheres com hipertensão ou pré-eclâmpsia leve ou moderada, frequentemente são


aconselhadas a repousar no leito em casa, ou podem ser internadas para facilitar o repouso e
permitir investigação e supervisão mais rigorosas da sua gravidez e reduz o edema e a pressão
sanguínea.

Uma dieta rica em proteínas é recomendável e o sódio não deve ser restringido (contudo,
uma ingestão excessiva de alimentos com grande quantidade de sódio, como picles, as
azeitonas e as batatas fritas, deve ser evitada). (Oliveira 2005, p.23).

A suplementação de cálcio durante a gravidez parece reduzir o risco das mulheres


desenvolverem pré-eclâmpsia, particularmente se corriam grande risco e consumiam pouco
cálcio no início da gravidez;Deve ser dada atenção ao apoio emocional e físico a grávida,
enquanto estiver em casa (BURROUGHS, 1995).

27
3. METODOLOGIA

28
4. APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS

29
5 CONCLUSÃO

30
Considerações finais

31
Sugestões

32
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. ALMEIDA, Paulo César de. A mortalidade materna relacionada à doença


hipertensiva especifica da gestação em uma maternidade escola. v. 9, n. 1, p. 54-63,
2005.
2. CAMANO, Luiz; BOBAK e TÂNIA. Proteinúria nas síndromes hipertensivas da
gestação: prognóstico materno e perinatal. Rev. Assoc. Méd. Bras., São Paulo, v. 50, n.
2, p.207- 213, 2004.
3. CAETANO, Junior MD Aguiar, RA, Correa MD. Fisiopatologia da pré eclampsia:
aspectos atuais. e repercussões perinatais. Rev Bras.Saúde Matern Infant. 2006; 6: 93-8.
4. FERRAZ, Elenice Maria. Distúrbios hipertensivos na gestação. Revista Femina, v. 31, n.
5, p. 405-411, 2003.
5. Oliveira CA, Lins CP, Sá RAM, Netto HC, Bornia RG, Silva NR et al. Síndrome
hipertensiva na gestação.
6. REINERS e POTTER. Hipertensão arterial na gravidez: aspectos práticos. Revista
SOCERJ., Rio de Janeiro, v. 16, n. 1, p. 9-15, 2003.
7. SOUZA. G. PINHEIRO, Hipertensão arterial na gravidez: aspectos práticos. Revista
SOCERJ., Rio de Janeiro, v. 16, n. 1, p. 9-15, 2003.
8. ALVES, E. R. P.; TRENTINI, M. O cuidado de enfermagem em gestantes. Rev Latino-am
Enfermagem. 2013; 12 (2): 250-7.
9. Dicionário eletrônico Houaiss 3, versão digital)
10. Dicionário médico, versão eletrônica
11. MAGIPE,, Megney Fisiologia humana.. 2002; 12 (2): 250-7.
12. SANTOS, Susana E REZENDE – Porque Vão as Pessoas ao Médico? – Coleção Educação e
Saúde. Coimbra: Editora Quarteto, 2002.
13. TRANQUILELLI, A. M.; BURROUGHS ., M. H. T. Número de horas de cuidados de
enfermagem em unidade de terapia intensiva para gestantes. Resumen. Rev. Esc.
14. AMBROSE, B. A.; RIBEIRO, F. A. Participação da equipe de enfermagem na assistência à
dor do paciente queimado. Revista Dor, São Paulo, v. 12, n. 4, dezembro, 2017
15. BURROUGHS. P. RIBEIRO, Semiologia da pertensão arterial na gravidez: aspectos
práticos.,P 1995
16. ENKIN D. TANTUM, Semiologia da pressão arterial na gravidez: aspectos práticos.,P.
40, 2005

33
ANEXOS

34
APÊNDICES

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