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Contextos Clínicos, 10(2):172-184, julho-dezembro 2017

Unisinos - doi: 10.4013/ctc.2017.102.03

Articulação entre o Psicodrama e a Gestalt-terapia


como uma possibilidade de intercâmbios
a partir do olhar de psicoterapeutas

Articulation between Psychodrama and Gestalt therapy as a


possibility of exchanges from psychoterapists’ perspectives

Érico Douglas Vieira


Universidade Federal de Goiás. Regional Jataí, BR 364, km 195, 3800,
75801-615, Jataí, GO, Brasil. ericopsi@yahoo.com.br

Luc Vandenberghe
Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Av. Universitária, 1440, Setor Universitário,
74605-010, Goiânia, GO, Brasil. luc.m.vandenberghe@gmail.com

Resumo. A diversidade epistemológica das psicoterapias suscita questiona-


mentos quanto à forma de articulação entre os diversos saberes. Apesar da
crescente preocupação em mapear as possibilidades de comunicação entre
as abordagens, permanecem dúvidas sobre o escopo da integração e sobre
critérios seguros para a realização de diálogos interdisciplinares. Este artigo
objetivou examinar possíveis benefícios e caminhos para a integração entre
o Psicodrama e a Gestalt-terapia, considerando as afinidades epistemológi-
cas entre elas, a partir da ótica de 22 profissionais de ambas as abordagens.
Foram realizadas entrevistas cujo conteúdo indicou um enaltecimento ao
exercício da interdisciplinaridade na psicoterapia, além de fornecer cami-
nhos claros para as integrações, diferentes do que está descrito na literatura.
De uma análise pautada nos preceitos da Teoria Fundamentada, emergiu a
ideia de que estudar outras teorias aumenta a sensação de segurança e de
competência do profissional em face de realidades complexas encontradas
no consultório. A consciência de que ambas as abordagens se desenvolve-
ram historicamente graças a migrações de conceitos fomenta a esperança de
que novos impasses possam ser superados pelos diálogos interdisciplinares.
A articulação do diálogo integrativo deve ser norteada pela proximidade
epistemológica entre as teorias, pelos imperativos clínicos do terapeuta e
pelas exigências das situações práticas no consultório. O estudo sugere a ne-
cessidade de uma mudança no campo das psicoterapias no sentido de uma
maior comunicação entre as abordagens.

Palavras-chave: Gestalt-terapia, Psicodrama, interdisciplinaridade.

Abstract. The epistemological multiplicity of psychotherapies raises the


issue of how to articulate the diversity of knowledge implied. Despite the
growing concern of mapping the possibilities of communication between
different approaches, doubts remain about the scope of integration and se-
cure criteria for conducting interdisciplinary dialogue. This article aimed
to examine possible benefits and pathways to the integration between Psy-
chodrama and Gestalt therapy from the perspective of 22 professionals of

Este é um artigo de acesso aberto, licenciado por Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0), sendo
permitidas reprodução, adaptação e distribuição desde que o autor e a fonte originais sejam creditados.
Érico Douglas Vieira, Luc Vandenberghe

both approaches. These approaches were chosen based on the perception


of possible epistemological affinities between them. The contents of the in-
terviews indicated great confidence in the exercise of interdisciplinary prac-
tice in psychotherapy, and provided clear pathways for integrations that are
different from those described in the literature. From a Grounded Theory
analysis emerged the idea that studying other models increases the feeling
of safety and competence in the face of the complex realities therapists need
to deal with. The awareness that the historical development of both schools
of psychotherapy involved migration of concepts fosters the hope to over-
come present day difficulties through an interdisciplinary dialogue. Criteria
for the articulation of integrative dialogue include the proximity between
epistemological theories, the therapist’s in-session needs and the pragmatics
of clinical situations. The study suggests the need for a change in the field of
psychotherapy to promote better communication between these approaches.

Keywords: Gestalt therapy, Psychodrama, interdisciplinarity.

Introdução da importância de refletir sobre a pluralidade


do campo, são necessárias reflexões sobre a
No desenvolvimento da ciência ocidental relação entre as escolas. As teorias sabem con-
observa-se uma vertiginosa produção de co- viver umas com as outras? O projeto interdis-
nhecimentos reunidos em diversas disciplinas. ciplinar proposto para reorganizar as relações
O crescimento exponencial de saberes separa- e possibilitar as interações produtivas entre os
dos conduziu a uma crescente especialização. saberes mutilados pela fragmentação cientifi-
Consequentemente, há ao mesmo tempo um ca (Morin, 2007) pode também ser relevante
progresso em virtude de fecundas descobertas para as psicoterapias?
e uma compreensão mutiladora da realidade Na seara das psicoterapias, percebe-se
em razão da pouca comunicação interdiscipli- uma rivalidade histórica na qual os adep-
nar (Morin, 2005). A questão problemática é a tos de cada abordagem ou ignoram ou são
forma como o conhecimento foi organizado, hostis às contribuições de abordagens dife-
baseado na fragmentação e no fechamento dis- rentes (Watchel, 2010). Tradicionalmente, os
ciplinar. Os modos simplificadores de organi- terapeutas operaram dentro de suas escolas
zação do conhecimento levam, atualmente, de filiação, permanecendo cegos aos concei-
os praticantes da ciência a questionarem se a tos e intervenções alternativos (Norcross,
complexidade da realidade e dos fenômenos 2005; Paris, 2013). No entanto, desde o início
está sendo bem retratada (Morin, 2007). da década de 1990, há um crescente interes-
Inserida neste âmbito, as abordagens em se em extrapolar as fronteiras e examinar o
psicoterapia representam uma tentativa de que pode ser aprendido das outras formas
responder às necessidades do ser humano mo- de psicoterapia. Os terapeutas desejam ficar
derno, decorrentes da insuficiência dos modos expostos a mais de uma maneira de pensar e
de subjetivação liberal e romântico, que pres- buscam estudar outras abordagens com serie-
supunham um ser humano dotado de liber- dade, sem terem a certeza de que vão incor-
dade e singularidade (Figueiredo, 2009). Para porar os novos conhecimentos nas suas práti-
dar conta desta demanda, produziu-se uma cas (Watchel, 2010). Em torno deste interesse
multiplicidade de concepções de fazeres clíni- formou-se um movimento de integração em
cos, influenciada por diversas práticas sociais, psicoterapia na Europa e nos Estados Unidos
modelos filosóficos e conceitos importados de que se caracteriza pelo estudo das formas
outras ciências (Ferreira, 2007). Do surgimen- possíveis de comunicação e de integração en-
to até o presente, a diversidade de pontos de tre as escolas. A insatisfação com a adoção de
vistas tornou-se uma marca do campo (Figuei- uma abordagem isolada e a busca por inter-
redo, 1991). Como compreender e lidar com venções mais eficazes são marcas deste movi-
este polimorfismo? Deve-se afirmar o caráter mento (Gold e Stricker, 2006; Norcross, 2005).
multiparadigmático do campo das psicotera- A interdisciplinaridade refere-se às trocas
pias e entender a diversidade como sinal de entre os diversos saberes com uma postura de
riqueza e vitalidade (Figueiredo, 2009)? Além disponibilidade em ser enriquecido por con-

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cepções alheias. Com a conexão das disciplinas as direções e os caminhos para a integração
através do diálogo epistemológico, há a expec- de acordo com os profissionais. Desta forma,
tativa de expansão do espectro compreensivo procurou-se verificar se a vivência profissio-
da realidade (Osório, 2003). Proponentes do nal no campo condiz com o que está descri-
movimento de integração argumentam que é to na literatura. Na medida em que o tema é
mais provável que se tenha uma prática mais mais desenvolvido em trabalhos de língua in-
ajustada às necessidades do cliente quando glesa, a relevância do estudo também pode se
se busca conhecer uma variedade flexível de dar devido à escassez de pesquisas sobre co-
conceitualizações. A adoção de uma solução municação entre abordagens no Brasil. O re-
procusteana na qual o cliente deve ser encai- corte de se estudar o olhar de psicodramatis-
xado em uma abordagem predeterminada tem tas e Gestalt-terapeutas foi delineado a partir
o risco de beneficiar menos clientes (Stricker, da prática docente de um dos autores deste
2010). Aumentar o repertório teórico e técnico estudo, lecionando disciplinas com ementas
do terapeuta o capacita a lidar melhor com a contendo aspectos teórico-metodológicos do
complexidade da realidade clínica e a lidar Psicodrama e da Gestalt-terapia. Ao longo do
com os casos difíceis (Norcross, 2005). processo de reflexão com os alunos sobre as
Existem inúmeros estudos empreendidos bases filosóficas destas abordagens, gradu-
para a elaboração de formas de diálogos entre almente emergiu uma percepção de unidade
abordagens. Serão mencionados alguns cami- entre elas. Em contraste, foi constatada uma
nhos para as integrações descritos na literatu- lacuna na literatura científica em examinar
ra científica. Prochaska e DiClemente (2005) possíveis semelhanças, divergências e possi-
propõem a abordagem transteórica na qual o bilidades de trocas entre elas.
processo de mudança ganha foco. Os proces-
sos de mudança modificam o pensamento, o Método
comportamento ou afeto relativo a um pro-
blema em particular. Os autores citam alguns Este artigo é fruto da pesquisa intitulada
deles: aumento da conscientização, autoava- “Investigando as possibilidades de integração
liação, reavaliação do ambiente, alívio dramá- entre o Psicodrama e a Gestalt-terapia”, apro-
tico, contracondicionamento, relação de ajuda, vada em Comitê de Ética em Pesquisa sob o
controle de estímulos. Geralmente, as grandes protocolo de número CAAE 003.0.168.000-11.
escolas de psicoterapia utilizam somente dois A metodologia da Teoria Fundamentada foi
ou três destes processos. O terapeuta transte- utilizada em todas as etapas da investigação.
órico pode escolher técnicas provenientes de Como sugere o nome, seus métodos condu-
diferentes escolas com o intuito de facilitar zem à construção de teoria a partir dos dados
uma maior gama de processos de mudança e não de hipóteses preconcebidas. Desde o
no cliente. Para os autores, os terapeutas de- início da investigação, buscou-se a elaboração
veriam ser tão complexos quanto seus clientes de códigos e categorias analíticas que se ajus-
(Prochaska e DiClemente, 2005). Outra pro- tassem adequadamente aos dados (Charmaz,
posta que envolve integração é a abordagem 2009). A densidade conceitual foi uma meta
informada pelos resultados (Miller et al., 2005). adotada para a superação de estudos mera-
Nesta concepção, a psicoterapia é ajustada mente descritivos. A diretriz era a obtenção
para a estrutura de referência do cliente, trata- de dados relevantes que conseguissem alcan-
do como um consumidor que deve ter voz ati- çar aquilo que estava sob a superfície da vida
va. Os feedbacks dos clientes sobre o processo e social e subjetiva. Para isto, alguns critérios
os resultados da psicoterapia guiam os passos foram necessários: a revisão de literatura de-
do terapeuta e são mais importantes do que a veria ter a função inicial restrita de guia dos
abordagem psicológica escolhida. interesses de pesquisa; a coleta e a análise de
Portanto, na literatura científica e profis- dados deveria ocorrer simultaneamente; as
sional são descritos alguns caminhos que são ideias iniciais deveriam ser constantemente
produtos do engenho e da criatividade dos comparadas com o material emergente, sendo
teóricos do movimento de integração. No abandonadas ou ajustadas de acordo com o
presente trabalho pretendeu-se descrever os que se apresentava. Adotou-se uma metodolo-
benefícios e critérios para a integração a par- gia de caráter qualitativo, pois a amostragem
tir das narrativas Gestalt-terapeutas e psico- foi norteada para a construção de uma teoria,
dramatistas que atuam como psicoterapeutas sem a busca da representatividade populacio-
no campo. Pretendeu-se entender quais são nal (Charmaz, 2009).

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Para a coleta de dados, foram utilizadas 2013. O encerramento da busca de participan-


entrevistas semiestruturadas com 22 profissio- tes se deu pelo entendimento de que a pergun-
nais, 11 Gestalt-terapeutas e 11 psicodramatis- ta de pesquisa foi respondida.
tas. Foram entrevistadas 14 mulheres (6 psico- As entrevistas foram transcritas textual-
dramatistas e 8 Gestalt-terapeutas) e 8 homens mente, constituindo o material que foi analisa-
(5 psicodramatistas e 3 Gestalt-terapeutas). do. A análise foi feita pela equipe de pesquisa
Dezessete são professores de formação na formada por dois psicólogos clínicos, autores
abordagem (7 de Psicodrama e 10 de Gestalt- do manuscrito. As categorias construídas fo-
-terapia) e seis são professores universitários ram resultado da investigação das entrevistas
(5 de Gestalt-terapia e 1 de Psicodrama). Por sem nenhuma adoção de hipótese ou a priori,
fim, oito são autores de livros na abordagem (3 como preconiza a metodologia qualitativa da
Gestalt-terapeutas e 5 psicodramatistas). Teoria Fundamentada. Não há amparo em ca-
Para seleção dos participantes da pesqui- tegorias prontas, pois uma das diretrizes desta
sa, foi realizada uma busca de sujeitos com metodologia é buscar conhecer algo novo que
base em dois critérios: a disponibilidade em possa emergir das entrevistas. Sendo assim, as
fornecer a entrevista e a capacidade de dar in- categorias emergiram durante o processo de
formações. Os primeiros participantes foram investigação. Na primeira etapa, utilizou-se a
buscados através da rede de relacionamentos codificação inicial que representa a busca em
do próprio pesquisador. No desenvolvimen- nomear e categorizar segmentos de dados –
to das entrevistas, outros informantes foram no caso desta pesquisa são os trechos das en-
indicados pelos próprios entrevistados. Tal trevistas - com o objetivo de alcançar insights
procedimento de constituição de amostra de- teóricos (Charmaz, 2009). Após as reflexões
nomina-se snowballing. Entrevistas intensivas teóricas iniciais, novas coletas de dados foram
foram realizadas com os sujeitos de ambas realizadas para buscar dados mais específicos.
abordagens, procedimento de coleta que re- A cada entrevista transcrita, novos códigos
presentou um exame minucioso e detalhado surgiam e eram reunidos numa tabela. Como
sobre o assunto. A entrevista intensiva é uma o montante de códigos criados foi muito exten-
técnica de coleta flexível que permite ao entre- so, foge dos propósitos do artigo retratá-los.
vistador seguir orientações de tópicos e ideias A segunda etapa importante da codifica-
emergentes durante a realização da conver- ção foi a codificação focalizada na qual utili-
sação entre pesquisador e sujeito (Charmaz, zaram-se os códigos, “mais significativos e/
2009). Os temas norteadores das perguntas ou frequentes para analisar minuciosamente
das entrevistas foram: relação pessoal com a grandes montantes de dados” (Charmaz, 2009,
própria abordagem; grau de conhecimento da p. 87). Muitos códigos novos substituíram os
outra abordagem; pontos em comum entre a antigos por terem melhor alcance explicati-
Gestalt-terapia e o Psicodrama; pontos de di- vo. Os códigos emergentes foram compara-
vergência; possibilidades de integrações entre dos constantemente com os códigos iniciais,
as abordagens. Onze entrevistas aconteceram modificando gradativamente o panorama da
nos consultórios de psicoterapia dos profis- construção dos dados. Os códigos focados,
sionais, a partir de agendamento prévio. Duas mais refinados do que os códigos iniciais, fo-
entrevistas aconteceram através do programa ram organizados em grupos a partir de suas
Skype com vídeo e áudio. Houve situações nas afinidades temáticas dando origem às subca-
quais foi necessária uma adequação à opor- tegorias. Estas, por sua vez, também foram
tunidade em coletar as informações, casos de agrupadas pela semelhança, formando as ca-
nove entrevistas que foram realizadas durante tegorias. Por fim, foram desenvolvidos textos
congressos nacionais de Psicodrama e de Ges- com reflexões dos pesquisadores suscitadas
talt-terapia. Nestas situações, o pesquisador pelas entrevistas com temas que não estavam
procurava alguma sala apropriada no local explícitos nos conteúdos das narrativas. Estes
onde se realizava o evento para a realização da textos, denominados de memorandos, deram
entrevista. A inserção do pesquisador e sujei- suporte analítico para o desenvolvimento das
tos de pesquisa num ambiente que promove subcategorias e categorias.
discussões de conceitos e práticas como são os Na construção da teoria fundamentada
congressos, pode ter tido um efeito de imersão sobre as possibilidades de integração entre o
que potencializou as reflexões durante a sua Psicodrama e a Gestalt-terapia as categorias
realização. As vinte e duas entrevistas foram que emergiram do estudo foram: (i) Benefícios
realizadas entre fevereiro de 2012 a outubro de de integrações para as abordagens, (ii) Benefí-

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cios de integrações para a prática profissional refinamento da própria teoria (P10). Os par-
e (iii) Caminhos da integração. Como o tema ticipantes trouxeram alguns exemplos das
da integração ainda é pouco desenvolvido no possibilidades de benefícios através do espe-
Brasil e a atuação profissional é enclausurada lhamento de outra teoria. É desejável que os
em guetos teóricos, as reflexões sobre benefí- Gestalt-terapeutas façam interlocuções com
cios e diretrizes para comunicação entre abor- outras teorias que abordam a auto-organiza-
dagens trouxe uma densidade de pensamento ção dos sistemas, aspecto já desenvolvido pela
integrativo imprevisto. Os resultados retratam Gestalt-terapia: “Estou pensando sobre organi-
reflexões sobre os ganhos tanto para o aprimo- zação dos sistemas e eu fui pensar pra fazer uma
ramento da prática, quanto para o aperfeiçoa- interlocução com os avanços da ciência, da física, da
mento das abordagens em melhorar a comuni- biologia. Então, assim, são interlocuções. É como
cação interdisciplinar em Psicologia. a Gestalt olha esse fenômeno” (G22). Examinar
os escritos gestálticos sobre criatividade pode
Resultados ajudar a ampliar a compreensão dos psicodra-
matistas do processo criativo que é um aspecto
Os resultados serão apresentados a seguir importante do Psicodrama, na medida em que
e estão reunidos em três categorias: (i) Bene- as duas abordagens buscam a superação de
fícios de integrações para as abordagens, (ii) comportamentos rotineiros (P21). O espelha-
Benefícios de integrações para a prática pro- mento com outra teoria pode ainda auxiliar na
fissional e (iii) Caminhos para as integrações. instauração de um processo de reflexividade,
Os participantes são designados pelas letras de um melhor entendimento da própria abor-
P (psicodramatistas) e G (Gestalt-terapeutas). dagem. Nos diálogos interdisciplinares, cada
Os números que acompanham as letras indi- teoria pode ter mais clareza sobre suas poten-
cam a ordem na qual foram entrevistados. cialidades e dificuldades. Além disso, seus
membros podem questionar os compromissos
do grupo e os temas de pesquisa preferidos e
Benefícios de integrações preteridos (P10 e G20).
para as abordagens O contato com outras teorias revelou-se
fundamental, sem o qual alguns desenvolvi-
As trocas entre teorias foram elogiadas mentos importantes dentro da abordagem não
como condição para o crescimento de cada teriam sido realizados (P14, P17, G20). Sair das
abordagem. Os intercâmbios podem nortear fronteiras disciplinares auxilia a preencher
novas direções de pesquisa e ajudar a pre- lacunas. No Psicodrama, a influência de con-
encher lacunas. Nos diálogos estabelecidos, ceitos psicanalíticos estimulou a elaboração de
cada abordagem pode refletir sobre si mesma formas psicodramáticas de compreensão de
para situar-se melhor. As abordagens crescem aspectos “intrapsíquicos” servindo de com-
quando os conceitos podem ser comparados, plementação aos conceitos relacionais (P14).
facilitando um refinamento conceitual de teo- A busca pela Psicanálise pode ampliar a visão
rias pouco desenvolvidas. Os pontos fortes de do psicodramatista sobre o ser humano: “Acho
cada abordagem foram vistos como valiosas que as vantagens de aproximação com a Psicaná-
contribuições que podem influenciar o apri- lise seria que a Psicanálise oferece uma visão am-
moramento das demais escolas. pla, consegue explicar fenômenos como a guerra,
O contato de cada abordagem com outras por exemplo” (P16). A Psicoterapia da Relação,
teorias e sistemas acarretou um crescimento e metodologia psicodramática de atendimento
um refinamento dos seus conceitos (G7, P10, individual, foi desenvolvida através da in-
P12, P14, P17, G20, G22). As interlocuções com fluência de autores como Jacques Lacan, Carl
pontos de vistas diferentes proporcionam uma Rogers e Fritz Perls (P14). Os pressupostos da
ampliação de perspectivas de estudos, poden- Gestalt-terapia podem ajudar na adaptação
do gerar novas possibilidades teóricas e de do Psicodrama ao trabalho clínico individual,
intervenção, como aponta P10: “É importante pois inspira intervenções com recursos de ação
dialogar com outras possibilidades, a gente ganha na situação bipessoal. Através da representa-
novas perspectivas e com isso a gente pode ganhar ção de papéis de forma minimalista, o psico-
novas formas de intervenção, né”. O exame de terapeuta pode dispensar o aparato teatral
algum conceito de outra teoria semelhante a tradicionalmente usado pelos psicodramatis-
algum conceito da abordagem de filiação aju- tas, conforme argumenta P14: “A Gestalt ajuda
da a desenvolvê-lo mais, contribuindo para o na parte prática com essas integrações de técnicas

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que são muito fáceis de serem feitas. Tem essa coi- a prática. Sendo assim, as duas abordagens
sa de incorporar papéis e trabalhar rapidamente a podem se complementar (P1 e P15). Os psico-
dramatização. Ajuda a minimalizar o Psicodrama”. dramatistas deveriam examinar a capacidade
No caso da Gestalt-terapia, a incorporação didática gestáltica, expressa na clareza dos
das ideias de Martin Buber foram de extrema seus conceitos, na expectativa de que o Psico-
importância para a evolução da abordagem: drama alcance maior clareza: “Essa parte filosó-
“A Gestalt tem uma evolução, uma suavização bu- fica da Gestalt, acho que está mais palatável para
beriana. Houve uma influência maior do Martin um aluno, por exemplo, do que o Moreno1. Porque
Buber e as pessoas começaram a ficar mais sensíveis ler Moreno também não é fácil” (P14). Alguns
com a relação e foi largando essa coisa do experi- Gestalt-terapeutas também anseiam pela in-
mento” (G20). terlocução com o Psicodrama (G2, G3, G4, G5
Os participantes indicaram exemplos de in- e G6). Os aspectos teóricos e metodológicos do
cremento de possibilidades através de influên- Psicodrama – o conceito de tele, o uso do pal-
cias de outras teorias. Recursos das neurociên- co, o desempenho de papéis, o trabalho com
cias podem ser integrados ao Psicodrama para personagens, o treinamento prático de psico-
o exame das áreas cerebrais após as dramati- terapeutas através do role playing e a estrutu-
zações (P12). Os conhecimentos das neuroci- ração do trabalho através de etapas2 – podem
ências e do EMDR podem orientar a invenção enriquecer a Gestalt-terapia (G2, G3 e G5).
de aquecimentos mais eficazes, preparando O contato com os sentimentos pode ser segui-
dramatizações bem-sucedidas (P12). O concei- do pela exploração do conteúdo emergente
to de implicação, oriundo da Análise Institu- numa dramatização, como G5 relata:
cional, pode estimular a radicalização da eta-
pa do compartilhar, etapa do Psicodrama na Eu uso Psicodrama direto. Às vezes, eu pos-
qual os membros do grupo e o coordenador so estar sentado com um cliente, se está fa-
podem expressar as ressonâncias afetivas que lando alguma coisa ligada ao mundo, que ele
a cena dramatizada suscitou. O entrevistado acha que as pessoas não o entendem, ou eu
P10 pondera: não consigo estar nesse mundo. Eu simples-
mente posso estar do seu lado aqui e vamos
O conceito de implicação tem uma potência. notar o mundo ali: o que você gostaria de
E acho que a gente no Psicodrama usa ou falar pras pessoas?
considera muito pouco isso, embora a gente
faça a etapa do compartilhar. Mas o analista Este recurso psicodramático pode poten-
institucional, ele está fazendo intervenção o cializar ainda mais a presentificação da experi-
tempo todo, ele está fazendo o diário dele das ência pretendida pela Gestalt-terapia (G5). Na
intervenções, do que isso tem a ver com a outra via, a ampliação da consciência buscada
vida dele, do que ele pode ter colocado na- pela Gestalt-terapia pode influenciar no alcance
quela fala lá que era dele (P10). de estados espontâneos, meta principal do Psi-
codrama (P21). Na reflexividade facilitada pelo
As integrações entre a Gestalt-terapia e o tema da integração, houve significativas cogi-
Psicodrama também foram realidades desejá- tações sobre as potenciais contribuições que a
veis. A Gestalt-terapia pode contribuir com os abordagem de filiação pode oferecer às outras.
psicodramatistas nos seguintes aspectos: a ên- Os participantes enalteceram as virtudes especí-
fase na ampliação da consciência, a metodolo- ficas da própria abordagem que supostamente
gia da presentificação da experiência, a busca faltam nas outras abordagens. A Gestalt-terapia
do contato com os sentimentos e a abordagem enfatiza a horizontalidade da relação terapêuti-
dos significados subjetivos individuais - as- ca como a diretriz da promoção da autonomia
pectos pouco desenvolvidos no Psicodrama do cliente. Para isto, o terapeuta deve cultivar
(P1, P11, P14, P15 e P21). Nas óticas de P1 e uma consideração especial pelo outro, expres-
P15, a Gestalt-terapia é uma abordagem com sa nas seguintes atitudes: respeitar o saber do
um corpo filosófico e teórico mais desenvol- cliente sobre si mesmo, despojar-se de precon-
vido e o Psicodrama tem mais recursos para cepções percebendo o sujeito concreto, ter con-

1
Jacob Levy Moreno, médico romeno que viveu entre 1889 e 1974, criador do Psicodrama.
2
As etapas que estruturam uma sessão de Psicodrama são: aquecimento (o grupo é preparado para a ação), dramatização
(concretização e representação de situações conflituosas) e compartilhar (expressão das ressonâncias afetivas despertadas
pela cena dramatizada).

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Articulação entre o Psicodrama e a Gestalt-terapia como uma possibilidade de intercâmbios

fiança na capacidade de auto-organização e na Benefícios de integrações


tendência ao crescimento do cliente (G3, G5, para a prática profissional
G6, G7, G18, G19, G20 e G22). A postura demo-
crática e dialogal do terapeuta, concebendo o Os profissionais sentem-se mais munidos
cliente como um ser de possibilidades, permi- para a compreensão da realidade e para as
te que este possa sentir-se capaz de fazer esco- intervenções quando estudam outras abor-
lhas e de desprender-se dos rótulos recebidos: dagens. Mesmo tendo uma abordagem de
“O que a Gestalt pode ajudar é exatamente essa ques- referência, o exame de outras teorias pode im-
tão do relacional e a consideração pelo outro no rela- pulsionar o desenvolvimento profissional e po-
cional porque só é relacional se eu fizer numa postura tencializar desempenhos criativos e eficientes.
democrática” (G18). A entrevistada G19 também A incursão em outros sistemas ampliou o
apontou a dimensão dialogal como uma impor- espectro compreensivo e as possibilidades de
tante contribuição: “Então através do diálogo, por atuação do profissional. Alguns participantes
ser uma abordagem dialógica, ela ajuda a pessoa a perceberam sua identidade profissional cons-
se reconhecer e a começar a se dizer por si mesmo. tituída a partir do estudo de várias aborda-
Eu acho que isso é uma contribuição inestimável”. gens e teorias (P11, P13, P14, P17, G18, G20,
A metodologia descritiva e menos interpreta- P21 e G22). No depoimento de G18, pode-se
tiva permite que os significados do cliente se perceber a influência de vários saberes na sua
destaquem, podendo inspirar as outras escolas trajetória profissional:
a ficarem menos diretivas (G3 e G5). O terapeu-
ta deveria se incluir como pessoa participante Eu estudei muito a teoria rogeriana, eu gos-
da relação, sua atuação deveria transcender o to muito. Mas, depois eu achei o dinamismo
papel de técnico. Sua coparticipação no proces- da Fenomenologia que eu não tenho que pa-
so deve ser feita com atenção, presença e cui- rar em nada, a coisa vai. Então, entendi que
dado da relação, com a finalidade de facilitar a precisamos ter a presença inteira e amorosa
emergência dos processos de auto-organização que é o que me possibilita abrir como cliente
do cliente (G7, G20 e G22). e isso está no Humanismo, no Existencialis-
De maneira similar, os psicodramatistas mo, está também na Fenomenologia.
também narraram possíveis contribuições de
sua escola. O Psicodrama brasileiro na década O referencial da abordagem isolada foi vis-
de 1960 foi responsável por quebrar a ortodoxia to como insuficiente e seu uso restrito pode
das abordagens influenciadas pela Psicanáli- ser limitante. As outras teorias complementam
se, abrindo caminho para práticas alternativas lacunas compreensivas da abordagem de fi-
como a psicoterapia de grupo, por exemplo liação e credenciam o profissional a entender
(P16). A derrocada da hegemonia psicanalíti- melhor a complexidade da realidade humana
ca transformou o espaço psi, que passou a ser (P10, P17 e G18). Foi relatado como necessário
mais democrático e flexível (P16). Ainda hoje, conhecer os diferentes aspectos do ser huma-
a teoria psicodramática possui conceitos mais no abordados pelas teorias psicológicas, assim
amplos para o trabalho com grupos (P21). como é preciso ampliar a visão com os aportes
O Psicodrama pode estimular um entendimen- das outras ciências como a Física, a Biologia e
to mais contextual do ser humano: “O Psicodra- as Neurociências, por exemplo (G22). O esfor-
ma ajuda a olhar pro indivíduo não fechado na sua ço perseguido é de poder ter uma prática mais
individualidade. Não existe unicamente a singu- efetiva e ajudar melhor a clientela (P10, P14,
laridade, mas que existe uma universalidade e que P17 e G18).
isso está presente na gente enquanto indivíduo”. A utilização de recursos externos somados
A ruptura com a terapia do confessionário, aos recursos da abordagem de filiação pode
com a ideia do indivíduo isolado demonstra a originar formas criativas de intervenções (P9,
natureza social dos problemas humanos (P10 P12, P13, P15, G20 e P21). Alguns entrevista-
e P16). A perspectiva de se colocar no lugar dos utilizam ativamente aspectos de outros
do outro, fundamentada na noção de encontro sistemas balizados por dois critérios: a bus-
humano e na busca de uma relação terapêuti- ca de abordagens que sintonizem com a sua
ca forte e espontânea, foi percebida como uma identidade e a busca de intervenções mais
contribuição valiosa (P10 e P13). Finalmente, o potentes. Alguns exemplos concretos de inte-
interesse no desenvolvimento da espontanei- grações práticas emergiram nas conversações.
dade estimula outras teorias a abordarem os P13 utiliza a noção de presentificação da expe-
aspectos saudáveis do ser humano (P21). riência da Gestalt-terapia, pede ao cliente que

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Érico Douglas Vieira, Luc Vandenberghe

verbalize as crenças relacionadas às emoções abordagem. Para evitar erros e aproveitar os


experimentadas, presta atenção às palavras e benefícios das integrações é necessária a ado-
metáforas utilizadas e propõe dramatizações ção de critérios que norteiem adequadamente
quando acha necessário. P12 utiliza a estrutura os intercâmbios.
do EMDR, com sua sequência de passos para Para serem produtivas, as integrações não
as intervenções e a postura não diretiva do podem ser realizadas de forma desordenada
terapeuta. Os cursos de formação em outros e irrefletida (P10). Um dos critérios apontados
sistemas feitos pelos profissionais foram per- foi a busca da “coerência epistemológica” (G22).
cebidos como fatores que aumentam sua com- É preciso identificar se há uma proximidade
petência e segurança. “Vou pegando de cada uma epistemológica entre as abordagens (P9, P10,
delas o que sinto que tem a ver comigo e me facilita P17). O exame superficial pode apontar seme-
nas coisas que faço”, diz P15 ao refletir sobre sua lhanças nas técnicas. No entanto, se a visão de
prática profissional sustentada pelo Psicodra- mundo e a fundamentação filosófica forem
ma, Teoria Sistêmica e Gestalt-terapia. Alguns incompatíveis, as integrações são impertinen-
profissionais buscam ampliar as capacidades tes, como colocou G22: “Eu não posso imaginar
expressivas deles mesmos e de suas clientelas integrar o pensamento gestáltico com o lacaniano.
através da adoção de recursos artísticos como Eu não posso pegar e trabalhar com uma aborda-
pintura, poesia e técnicas teatrais (G4, G5 e gem que tem base epistemológica fenomenológica
P9). Mesmo a integração com outras culturas existencial fazendo articulação com abordagem que
também pode ampliar a atuação do terapeuta: trabalha com método analítico”. As interfaces e
“Você torna-se um terapeuta mais pluripartidário sinergias de concepções epistemológicas con-
se passa a conhecer o que os terapeutas de outros vidam para os diálogos e respaldam as tro-
países estão fazendo” (P13). cas integrativas (G7, P9, P10, P14, G20 e G22).
As integrações entre o Psicodrama e a O entrevistado G7 elogiou o exercício integra-
Gestalt-terapia são realizadas nas práticas tivo para abordagens que possuem afinidades:
de alguns profissionais (G2, G5, G8 e P15). “Eu acho que nenhuma abordagem pode se fechar
Os aspectos admirados na outra abordagem em si. E é obvio que é mais fácil conversar com um
facilitaram esta aproximação. O Psicodrama psicodramatista do que com um cognitivista rígi-
foi enaltecido por alguns Gestalt-terapeutas do. Quanto mais próxima a visão de homem, mas
pelas seguintes características: a ruptura com fácil o diálogo e acho que mais enriquecedor”. P10
aspectos indesejáveis da Psicanálise, trazen- demonstrou o seu percurso integrativo: “as
do flexibilidade para as psicoterapias (G8) e articulações que faço do Psicodrama com outros
a concretização do contexto do indivíduo ao saberes se justifica a partir de vários ingredientes.
trabalhar com a representação de papéis (G2 Tento ver se os campos apontam na mesma direção,
e G5). G5 explicitou a utilização do Psicodra- se têm uma sinergia possível, se têm uma troca pos-
ma em sua prática clínica: “O que me atrai no sível”. Mais especificamente, a procura de um
Psicodrama e que eu uso na clínica é a possibili- conceito comum foi apontado como um ponto
dade de poder representar, de tornar esses pensa- de partida coerente (P10). A busca de elemen-
mentos, essas emoções, vivas ali”. A apreciação tos que faltam na abordagem de filiação em
da outra abordagem possibilitaria incorporar outras teorias que possuem fundamentações
os elementos desejados e a permanência na filosóficas próximas também foi um caminho
abordagem de filiação: “O que tem no Psico- valorizado (G20 e G22).
drama, eu posso fazer na Gestalt-terapia” (G5). Cada abordagem tem pontos de conexão e
A entrevistada P15 disse admirar a valori- pontos fechados (P10 e P14). Os aspectos sin-
zação da perspectiva do cliente realizada na gulares de cada abordagem constituem seu
Gestalt-terapia. A partir dessa influência ges- “núcleo” que está inserido em um “campo”.
táltica, busca incorporar em sua prática a vali- Os aspectos nucleares de cada sistema esta-
dação da experiência do cliente e a não impo- riam fechados para trocas, devendo ser preser-
sição do ponto de vista do terapeuta. vados. Os aspectos mais periféricos estariam
autorizados para dialogar com outra teoria:
Caminhos para a integração
Então, a ideia basicamente, cada discipli-
As integrações entre abordagens devem na, cada ponta de conhecimento, tem o seu
ser feitas com esmero para a promoção de núcleo próprio que lhe é singular e esse
resultados bem-sucedidos, com o intuito de núcleo está inserido num campo que pode
respeitar as contribuições singulares de cada dialogar com outro campo, de uma outra

Contextos Clínicos, vol. 10, n. 2, Julho-Dezembro 2017 179


Articulação entre o Psicodrama e a Gestalt-terapia como uma possibilidade de intercâmbios

disciplina que tem, por sua vez, o seu nú- P12 sente a necessidade de ser mais conserva-
cleo próprio (P10). dor, “não ficar misturando muito”. Quando atua
no âmbito clínico, por outro lado, sente mais
Os aspectos específicos devem ser man- liberdade para integrar abordagens (P12).
tidos para preservar a singularidade de cada As integrações não excluem uma visão crítica,
abordagem que contém a sua maior potência pois alguns conceitos das abordagens procu-
(P10). Com isso, a integração entre duas abor- radas podem ser incoerentes com a proposta
dagens não deve gerar uma terceira aborda- pessoal do profissional (P21). As influências
gem. O diálogo com outra teoria tem como são incorporadas na prática de modo fluido,
propósito ampliar os conceitos e práticas da sem decisões deliberadas de qual abordagem
abordagem de filiação (P10). Outro exercício utilizar em cada momento (P21). As experi-
de cautela nas integrações é estar atento à di- ências práticas possuem maior complexidade
nâmica de assimilação e acomodação, como do que o alcance de uma abordagem isolada,
argumentou P10: por isso demandam integrações (P15). Mesmo
ressaltando o caráter pessoal das integrações,
A noção de análise veio das ciências físicas, é desejável que o profissional sistematize os
especificamente da química. Então, essa no- caminhos traçados que poderão ser úteis a ou-
ção foi transportada para as ciências huma- tros interessados (P15).
nas e tomou outro significado. Aí, a gente Houve a recomendação de diálogos e não
tem um exemplo de como dois elementos, integrações entre abordagens, norteados pelos
um elemento que pertencia a um campo e desafios da prática. A abordagem de filiação
veio pra outro, ele sofre uma transformação. deveria se esforçar para dialogar com os fe-
nômenos que se apresentam sem recorrer aos
No processo de integração, alguns concei- conceitos de outras abordagens para preencher
tos importados podem sofrer uma profunda lacunas (G22): “Porque a minha questão é simples,
transformação em função do novo contexto como é que a Gestalt-terapia pode olhar para isso
de inserção. A criação da Gestalt-terapia é um ou entender isso? Ou isso seria uma coisa comple-
bom exemplo: Fritz Perls realizou releituras tamente incoerente? Não é o diálogo com a teoria,
de conceitos psicanalíticos, fortemente in- você está entendendo? É o diálogo com o fenômeno”.
fluenciado pelo movimento da Psicologia da Seria desejável que os membros da abordagem
Gestalt, originando um produto significativa- olhassem para os fenômenos estudados por
mente diferente da Psicanálise na qual estava outras teorias de bases epistemológicas seme-
inserido (G22). lhantes a fim de desenvolverem uma percep-
Aspectos pessoais e práticos também fo- ção própria e promoverem o desenvolvimento
ram apontados como importantes indicadores da abordagem de filiação (G22).
para as integrações. Alguns profissionais pos-
suem facilidade em perceber semelhanças e Discussão
estabelecer conexões entre teorias (P14 e P21).
A necessidade de personalizar as amarrações A rivalidade histórica presente no desen-
entre abordagens colocaria os aspectos subje- volvimento das psicoterapias trouxe, como
tivos como ponto de partida para o exercício consequência, a ocultação ou a pouca visibili-
integrativo (P11, P13, P15). O profissional es- dade de um aspecto fundamental: as aborda-
tuda conceitos de outras abordagens que são gens não teriam se desenvolvido se estivessem
significativas para ele: “Eu acho que vou pegando fechadas em si mesmas. Portanto, o tema da
coisas que fazem sentido pra mim, que têm a ver integração entre abordagens é relativamente
com meu jeito de ser” (P15). A fusão entre os novo como proposta de pesquisa – a partir da
diversos conceitos e atitudes terapêuticas e o década de 1990 (Norcross, 2005), mas pode ser
“jeito de ser” (P11) de cada profissional resul- considerado antigo quando o percurso consti-
tam em propostas singulares de integração: tutivo de cada teoria é tomado como perspec-
“Eu resgato a questão do narcisismo da Psicaná- tiva. Na Psicologia e também no desenvolvi-
lise, a terapia experiencial da Gestalt, a abordagem mento das ciências a circulação de conceitos
das crenças da Terapia Cognitiva e faço um pull foi, e continua sendo, um caminho vital para
com a minha cara. Eu adapto pra mim, pro jeito a desobstrução das disciplinas (Morin, 2007).
que eu trabalho” (P13). O profissional seleciona Os conceitos migram de uma ciência para a
contextos apropriados para as integrações. Por outra e são utilizados como metáforas para
exemplo, quando está no papel de professor, explicarem algum aspecto que a disciplina

180 Contextos Clínicos, vol. 10, n. 2, Julho-Dezembro 2017


Érico Douglas Vieira, Luc Vandenberghe

não conseguia com recursos próprios. Neste integração como um caminho promissor para
sentido, cada abordagem isolada parece ser a possibilidade de reflexividade das aborda-
incapaz de sair de alguns impasses provoca- gens. Examinando outras escolas é possível
dos por lacunas importantes. As brechas pre- conhecer melhor a própria. Cada abordagem
enchidas através da influência de conceitos de pode refletir sobre si mesma quando exami-
outras teorias demonstram que o desenvolvi- na o desenvolvimento de outras abordagens.
mento das abordagens psicológicas poderia O contato com a diversidade de perspectivas
ter sido atravancado caso considerássemos so- auxilia a corrigir os próprios erros e a afirmar
mente a autossuficiência de cada escola. Neste as próprias virtudes.
sentido, há um descompasso entre as formula- Além dos benefícios gerais, os participan-
ções originais de cada abordagem e as necessi- tes demonstraram anseio pelos diálogos en-
dades atuais dos profissionais. O Psicodrama tre a Gestalt-terapia e o Psicodrama. A outra
e a Gestalt-terapia recorreram a outras teorias abordagem examinada traz algum conceito ou
para realizar o ajuste entre as suas disciplinas atitude clínica que poderia enriquecer a escola
e o atual perfil de suas comunidades de pro- de filiação. A proximidade epistemológica das
fissionais e clientela. No caso do Psicodrama, duas abordagens, unidas por fundamentos
originalmente grupal, houve um direciona- fenomenológico-existenciais (Almeida, 2006),
mento para modalidades de atendimento in- pode ter facilitado o desejo de intercâmbio.
dividual. No caso da Gestalt-terapia houve A complementação foi almejada como um ca-
uma crescente ênfase na relação terapêutica, minho para a utilização dos pontos específicos
em detrimento das técnicas de ação propostas de cada abordagem, com o objetivo de alcan-
inicialmente por Fritz Perls. çar uma atuação prática mais potente. Este
Os benefícios dos diálogos com outras te- aspecto coincide com a meta do movimento
orias resultaram em expectativas desejosas de de integração que é aumentar a eficácia da
novas integrações. Uma constatação subjacen- psicoterapia por meio da combinação entre
te a este aspecto foi a de que a abordagem não abordagens (Norcross, 2005). Por exemplo, o
está pronta e está em permanente mudança. psicodramatista pode utilizar na sua prática o
Mesmo conceitos mais centrais, como a cria- conceito de awareness da Gestalt-terapia para
tividade no Psicodrama, não estão suficiente- potencializar a promoção da espontaneidade,
mente desenvolvidos. O espelhamento com que é uma das metas principais do Psicodra-
outra teoria, com a análise de aspecto concei- ma. A awareness refere-se a uma ampla cons-
tual semelhante, pode aprimorar o conceito cientização nas formas de ser e agir. Através
em questão da abordagem. A ampliação das de um bom contato com as suas necessidades,
possibilidades teóricas e de intervenção ad- o organismo assimila do meio o que necessita,
vém da fertilização decorrente do contato com garantindo o fluxo do seu crescimento (Perls et
outras abordagens. De forma semelhante, al- al., 1997). A espontaneidade é definida como
guns autores propõem a integração como um a capacidade de dar novas respostas às situa-
esforço permanente em atravessar as frontei- ções antigas ou respostas adequadas às situa-
ras da abordagem de filiação com a abertura ções novas. O Psicodrama busca resgatar a ca-
em aprender algo com as outras escolas (Gold pacidade criativa e a ruptura com padrões de
e Stricker, 2006; Watchel, 2010). A meta é a in- comportamentos cristalizados (Moreno, 1975).
tegração como um processo de ampliação das Pode-se perceber que se o sujeito alcança uma
perspectivas, ao invés da tentativa de se gerar ampla conscientização de si mesmo, fica faci-
algum produto ou método. litado o caminho para uma maior capacidade
A integração como um processo pode ge- de produzir respostas criativas.
rar outro benefício imprevisto: a instauração As expectativas dos benefícios trazidos por
de um processo de reflexividade através do outras abordagens conviveram com as refle-
contato com outras teorias. As ciências são xões sobre as potenciais contribuições que a
convidadas a refletirem mais sobre si mes- própria abordagem pode oferecer às outras es-
mas por meio da construção de estruturas de colas. Mesmo sinalizando as lacunas de outros
trocas coletivas (Bourdieu, 2008). Diante da sistemas e enaltecendo as virtudes específicas
complexidade do real, é importante que cada da sua abordagem, os participantes exerceram
disciplina reflita sobre seus pressupostos par- um raciocínio integrativo. Houve uma concep-
tilhados que permanecem invisíveis e pouco ção cooperativa nas trocas nas quais ofertariam
explicitados (Morin, 2005). É necessário situar- o que têm de melhor. De forma geral, os Ges-
-se, problematizar-se. Os dados apontaram a talt-terapeutas elogiaram a busca da sua abor-

Contextos Clínicos, vol. 10, n. 2, Julho-Dezembro 2017 181


Articulação entre o Psicodrama e a Gestalt-terapia como uma possibilidade de intercâmbios

dagem pela qualidade da relação terapêutica mológicos próximos. Primeiramente, deve-se


que empodera o cliente. Os psicodramatistas examinar a existência de alguma unidade entre
enfatizaram a flexibilidade que o Psicodrama as abordagens, seja através de algum conceito
trouxe para as psicoterapias através da con- em comum, seja através de influências filosó-
cepção contextual do ser humano. Mesmo com ficas semelhantes. Desta forma, os diálogos
a busca de comunicação entre saberes, devem são validados por teorias que possuam uma
ser mantidas as distinções e especificidades de espécie de parentesco epistemológico. Não se
cada disciplina (Morin, 2007). Prochaska e Di- pode conversar com qualquer um, os diálogos
clemente (2005) apontam para a necessidade devem ser disciplinados. Obviamente, é desa-
de se preservar os grandes insights dos siste- conselhável estabelecer diálogos entre abor-
mas de psicoterapia. Observando-se os pontos dagens com concepções antropológicas muito
fortes de cada abordagem, os clientes podem distantes. A partir da constatação da proximi-
ser expostos a uma combinação de fatores que dade, é autorizada a busca na outra teoria de
aumentam a eficácia da psicoterapia (Gold e aspectos lacunares da escola de filiação. Para a
Stricker, 2006). superação da estagnação de alguma parte da
Para lidar com a complexidade da realida- abordagem, pode-se pedir alguma recomen-
de e ter uma atuação eficiente, os profissionais dação ao vizinho ou pegar alguma ferramenta
sentem-se estimulados a estudarem outras emprestada (Gold e Stricker, 2006).
abordagens. Como os saberes não abarcam o Na importação de conceitos e técnicas há
real da experiência que se apresenta, há uma uma dinâmica de assimilação e acomoda-
busca de uma conduta ética que consiga apre- ção, ou seja, existem modificações significa-
ender a particularidade de cada caso (Neto e tivas dos aspectos conceituais em função do
Penna, 2006). Muitos entrevistados possuem novo contexto. Como foi dito, a migração de
uma abordagem de referência, mas reconhe- conceitos ocorreu com frequência na história
ceram a influência de várias teorias na sua das ciências. Conceitos são transpostos entre
formação profissional e permanecem interes- as disciplinas, ajudando no desenvolvimento
sados em buscar algo fora das fronteiras da de novas frentes de pesquisa (Morin, 2007).
abordagem. A possibilidade da utilização de No caso da integração entre as psicoterapias,
uma abordagem única pareceu suscitar uma há um tipo de trocas entre abordagens que se
sensação de insegurança nos entrevistados. aproxima deste processo. Trata-se da integra-
Os profissionais pretendem ter uma visão ção assimilativa, na qual o terapeuta mantém
mais ampla e compatível com a complexidade uma posição teórica de referência, mas incor-
da clientela (Prochaska e DiClemente, 2005). pora conceitos e técnicas de outras orienta-
Como os terapeutas se deparam com clientes ções. O significado, o impacto e o uso do ma-
heterogêneos, com a experiência adquirem terial assimilado muda de maneira importante
uma postura integrativa e ficam mais propen- em função do novo contexto (Stricker e Gold,
sos a rejeitarem a utilização de uma aborda- 2005). No surgimento da Psicologia também
gem única (Norcross, 2005). A tendência ob- pode ser observado o processo de captura de
servada nos participantes foi a busca de teorias conceitos. Por exemplo, o conceito de equilí-
que tivessem sintonia com a sua identidade. brio termodinâmico da Física transformou-se
Tendo uma abordagem de referência, construí- no conceito de princípio do prazer da Psicaná-
ram formas integrativas de atuação singulares lise. Por isso, Ferreira (2007) refere-se à Psico-
e criativas em que há uma combinação entre logia como um campo de hibridações.
características pessoais e atitudes e conceitos Houve, ainda, a indicação de um caminho
de outras abordagens. Diante da riqueza e da para a integração mais conservador. O critério
imprevisibilidade da realidade, os terapeutas aqui é o desenvolvimento da abordagem de fi-
lançam mão da inventividade para a produção liação influenciada externamente por direções
de novas formas de constituição do espaço clí- de pesquisa, mas a partir de suas próprias for-
nico (Neto, 2004). ças. Ou seja, as outras escolas podem ser exa-
Portanto, os participantes indicaram que minadas para fomentar novas investigações
as características pessoais e a necessidade de da própria abordagem. Podem ocorrer diálo-
se manter a especificidade de cada abordagem gos e não integrações. Cada orientação deve
seriam critérios norteadores válidos para as desenvolver-se por si mesma, sem importar
integrações. A busca de coerência epistemo- conceitos ou técnicas externas. Por exemplo,
lógica foi outra regra apontada. É necessário alguma técnica interessante que outra aborda-
procurar teorias que tenham aspectos episte- gem tenha construído pode servir de inspira-

182 Contextos Clínicos, vol. 10, n. 2, Julho-Dezembro 2017


Érico Douglas Vieira, Luc Vandenberghe

ção para que a própria orientação desenvolva BOURDIEU, P. 2008. Para uma Sociologia da Ciência.
algo parecido, mas a partir dos seus conceitos Lisboa, Edições 70, 166 p.
e linguagem próprios. CHARMAZ, K. 2009. A construção da teoria funda-
mentada: guia prático para análise qualitativa. Porto
Portanto, o exercício da interdisciplina-
Alegre, Artmed, 271 p.
ridade entre as escolas psicológicas foi enal- FERREIRA, A.A.L. 2007. O múltiplo surgimento
tecido como condição para: (i) o processo de da Psicologia. In: A.M. JACÓ-VILELA; A.A.L.
construção e consolidação das abordagens; (ii) FERREIRA; F.T. PORTUGAL (eds.), História da
a geração de novos desenvolvimentos teórico- Psicologia: rumos e percursos. Rio de Janeiro, Nau
-práticos; (iii) a possibilidade de instaurar a Editora, p. 13-46.
reflexividade; (iv) aumentar a sensação de se- FIGUEIREDO, L.C.M. 1991. Matrizes do pensamento
psicológico. Petrópolis, Vozes, 208 p.
gurança e competência profissional diante da
FIGUEIREDO, L.C.M. 2009. Revisitando as psicolo-
complexidade da realidade; (v) garantir aten- gias. Da epistemologia à ética das práticas e discursos
dimentos mais qualificados para os clientes. psicológicos. Petrópolis, Vozes, 184 p.
Como foram mapeados benefícios vitais, as GOLD, J.; STRICKER, G. 2006. Introduction: an
reflexões deste trabalho apontam para a neces- overview of psychotherapy integration. In: G.
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