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Fisiologia Humana e Comparativa 1 – BIF 211

Exercício Teórico-Prático: Sistema Visual

Introdução
Parte do presente conjunto de experimentos utilizar-se-á de computadores para manipular
estímulos visuais. A outra parte deverá ser realizada como trabalho "extra-classe".

Experimentos com o computador.

1. Experimentos envolvendo o ponto cego do olho.

Questão 1. Explicar porque a posição específica da cruz e da bola em relação a olho fechado é
importante para que se detecte a real existência de um ponto cego na retina.
A bola deve estar do lado da cruz para fora do vídeo, contrário ao do olho fechado. Como o
ponto cego se localiza na região entre a fóvea e o lado do nariz [lado de dentro da cruz], o
cristalino invertendo a imagem da cruz e da bola [lado de fora], vai trazer a bola para o lado do
ponto cego.

Questão 2. Considerando-se o diâmetro do olho humano como da ordem de 17 mm, e


baseado nas medidas que você pode fazer com uma régua, calcule (a) a distância entre a
fóvea e o centro do ponto cego e (b) o diâmetro do ponto cego (lembre-se que o cristalino é
uma lente biconvexa).
a) Aproximadamente 4mm.
b) Aproximadamente 0,1mm.

Questão 3. Essas medidas exibem grande variabilidade individual ?


Sim. As diferenças surgiram no próprio grupo.

Questão 4. Qual a sensação que se tem sobre o tipo de estimulação proveniente do ponto
cego em função da estimulação proveniente das suas regiões circunvizinhas?
Temos a impressão de que o que não foi visto foi preenchido pelo que era visto nas regiões
próximas.

Questão 5. Como se pode explicar esse fenômeno ?


Imaginamos que haja um mecanismo, na região do cérebro que interpreta as imagens,
preenchendo o espaço vazio do ponto cego com as imagens que seriam esperadas naquele
ponto.

Referência: Ramachandram, V.S., 1992. Blind spots. Scientific American, V.266, Número 6,
p44-49, Maio/1992.

2. Chuvisco

Questão 6. Descreva o fenômeno observado. Em que aspectos este fenômeno se assemelha


ao observado nos experimentos envolvendo o ponto cego? No que ele difere ?
Após uma fração de tempo fixando o olhar no quadrado vermelho, o quadrado cinza parece
desaparecer, coberto pelo chuvisco. O fenômeno é semelhante ao ponto cego porque provoca
o preenchimento de uma região utilizando a imagem da região mais próxima. O fenômeno é
diferente porque não está associado com a falta de receptores [talvez decorra de uma
simplificação na região do cérebro que interpreta a imagem].
3. Demonstrações sobre o efeito White
Verifique o efeito das manipulações propostas no programa, incluindo variações na largura e
comprimento das barras da grade, variações da claridade do cinza que as intercala, e da
utilização de cor, ao invés de cinza.

Questão 7. Verifique o efeito dessas variáveis, descrevendo como afetam a percepção da


Figura de White.
Houve dificuldade crescente para acertar a tonalidade do cinza quando as barras ficaram mais
estreitas. Não houve diferença de dificuldade nas variações de comprimento das barras. Os
tons mais escuros ficaram mais difíceis.

Referência: Moulden, B. & Kingdom, F., 1989. White’s effect: a dual mechanism. Vis.
Research, 29, 1245-1259.

4. Experimentos sobre o efeito de White

Os voluntários (alunos do grupo) deverão comparar a tonalidade de cinza do retângulo direito


com a do esquerdo. Antes da apresentação dos estímulos, fixar o número de comparações que
será realizado, a largura das listras e a tonalidade do cinza da esquerda (cinza modelo). Passo
1: Diante da Figura de White, o voluntário deverá selecionar a tonalidade de cinza do quadrado
da direita que mais se assemelhar ao cinza modelo, através da seta para a direita (se o
voluntário achar que "passou do ponto" basta continuar a pressionar a mesma tecla que ela
retornará ao início. Passo 2: Repetir o passo 1 só que agora com a seta para a esquerda. Com
os procedimentos dos passos 1 e 2 ficará selecionada uma faixa de cinzas dentro da qual o
programa apresentará em ordem aleatória uma série de tonalidades de cinza para
comparação. Passo 3: O voluntário deverá pressionar a tecla <S> para indicar que os cinzas
percebidos nos quadrados são iguais ou a tecla <N> para indicar que os cinzas percebidos são
diferentes (imediatamente após cada pressão da tecla <S> ou <N>, a tela do computador
apresenta uma nova imagem (que poderá parecer a mesma imagem que a anterior - mas não é
- não se incomode com esse fato, apenas faça seu julgamento e pressione as teclas assim que
o tiver concluído). Ao final do número de comparações estabelecido inicialmente, será
mostrado o resultado final num histograma das tonalidades julgadas iguais ao modelo. O cinza
modelo está marcado na abscissa por uma seta. O resultado da análise estatística (média e
desvio padrão) aparece no canto superior direito da tela. O experimento deve ser repetido com
o mesmo voluntário utilizando mais 4 larguras de listras e mais 5 tonalidades de cinza modelo.
Os resultados finais devem ser anotados e comparados com o de pelo menos 3 alunos do
mesmo grupo.

Questão 8. Qual o efeito da largura das listras sobre a precisão do julgamento de similaridade
de cinzas ?
Barras mais estreitas eram mais difíceis de acertar a similaridade.

Questão 9. Qual o efeito da tonalidade e cinza modelo sobre a precisão do julgamento ?


As tonalidades mais escuras eram mais difíceis de acertar a similaridade.

Questão 10. Pode-se dizer que existe grande variabilidade individual nesses julgamentos ?
Sim. As diferenças surgiram no próprio grupo.

Questão 11. Apresente hipóteses para explicar os fenômenos observados.


Havia uma impressão de que as barras eram tomadas como fundo, como naqueles
experimentos de preenchimento e, ao mesmo tempo, a impressão do efeito de contraste, em
que uma mesma tonalidade exposta com um fundo mais claro pareceria mais escura.

Referência: Perception, 1981, volume 10, p. 215-230.

5. Experimentos sobre ilusões perceptuais


<F1> Observam-se pequenas manchas escuras nas confluências das linhas brancas.

Questão 12. A que se deve essa ilusão? Em que porção do sistema visual o fenômeno se
inicia?
As manchas escuras ocorrem pela estimulação e inibição dos campos receptores que estão
definindo as bordas dos quadrados, pois suas extremidades estão muito próximas entre si,
provocando ativação e desativação ao mesmo tempo. A discriminação das bordas é realizada
pelas células centro-on e centro-off da retina.

<F2> e <F3> Respectivamente, quadrado e triângulo de Kanizsa. Os setores cortados do disco


nos induzem a ver um quadrado/triângulo. Estes parecem ter mais brilho que o branco do
entorno e sobrepor-se ao fundo.

Questão 13. Como surge essa ilusão ? Qual a porção do sistema visual responsável pelo seu
aparecimento ?
Os setores cortados do disco provocam a discriminação das bordas pela estimulação e inibição
dos campos receptores centro-on e centro-off, induzindo a formação da figura. O fenômeno do
preenchimento acaba completando a impressão de que há borda onde não foi desenhado.

<F4> Ilusão de Ponzo - barras sobre um triângulo.

Questão 14. Em relação às dimensões das duas barras que aparecem sobre o triângulo, qual
delas parece maior? Medir o comprimento das mesmas com uma régua. Durante a sensação
de que a barra superior é maior, qual a sensação que se tem sobre a forma geométrica do
triângulo? Como explicar o fenômeno ?
A barra de cima parece maior. A sensação é de que suas laterais estão curvadas para dentro.
A impressão sobre o fenômeno é de que lembra a perspectiva de uma longa estrada,
provavelmente resultado do treinamento do sistema sensorial, já acostumado com esse tipo de
interpretação.

<F5> Contraste simultâneo.

Questão 15. Por que dois cinzas iguais são percebidos como diferentes em decorrência da
estimulação que os rodeia?
O efeito de contraste com os tons de fundo acaba definindo a percepção. O fundo mais escuro
faz o cinza parecer mais claro.

6. Outros testes
Se você quiser "visitar" esses programas, tecle:<CVD> seguido de <enter> para testes da visão
a cores,<sample1> seguido de <enter> para testes de ilusões visuais e <sample2> seguido de
<enter> para testes de sensação de causalidade visual.

Experimentos extra-classe
1. Acomodação
Colocar um livro sobre a mesa, cerca de 40 cm dos olhos. Interpor uma ponta de lápis entre os
olhos e o livro.

Questão 16. Feche um dos olhos e verifique: é possível focalizar simultaneamente a ponta do
lápis e o texto? Faça um esquema da ótica dessa focalização, considerando que
independentemente da distância do objeto a ser focalizado, a distância entre o cristalino e a
retina deve ser sempre a mesma.
Não se consegue fazer os dois focos ao mesmo tempo.

2. Experiência de Schein
Com o auxílio de um alfinete, fazer dois furos em um cartão branco, afastados verticalmente de
2 mm. Segurar o cartão perfurado próximo a um dos olhos sendo que o outro olho deve
permanecer fechado. Coloca-se, então, um alfinete atrás do cartão a uma distância de
aproximadamente 10 cm.

Questão 17. Focalizando-se, agora, um objeto situado atrás do alfinete, qual a sensação que
se tem deste último ? Explique a origem desta sensação.
A sensação é de que o alfinete parece maior do que o outro objeto.

3. Imagens posteriores positivas


Olhe fixamente para um objeto colorido muito brilhante por aproximadamente 60 segundos. Em
seguida, feche os olhos ou olhe para uma superfície preta.

Questão 18. Que sensação se tem, particularmente em relação à cor do objeto inicial? Como
explicar esse fenômeno ?
A sensação é de que o objeto brilhante ainda está presente. Pode ter havido uma estimulação
excessiva dos cones e bastonetes, que continuariam disparando potencial de ação na
ausência do estímulo original.

4. Imagens posteriores negativas


Olhe fixamente para um pedaço de cartão vermelho, verde ou azul durante 60 segundos e
depois olhe para uma superfície branca (por exemplo, um papel sulfite). O experimento deve
ser repetido diversas vezes com cores diferentes, deixando passar cerca de 3-4 minutos entre
cada teste.

Questão 19. Qual a sensação produzida pela estimulação por uma superfície branca? Explicar
o fenômeno.
A sensação é de que fica uma superfície mais escura, do tamanho do pedaço colorido. É
provável que tenha havido saturação dos cones da mesma cor, pela insistência da exposição,
tendo como conseqüência menos resposta quando passamos a olhar o papel branco.

5. Visão direta e indireta


Olhe através de um tubo de papel (feito com papel sulfite), com o outro olho fechado. Procure
ler através do tubo.

Questão 20. O que ocorre com o tamanho das letras?


As letras ficam maiores.

Experimente andar com o tubo diante dos olhos.


Questão 21. Por que é difícil andar com o tubo diante dos olhos. Qual o tipo de visão que foi
diminuída ?
Perdemos a visão do ambiente, pois a área da visão fica reduzida. Prejudica a visão periférica
e a noção de profundidade.

6. Fusão de imagens
Exercer pressão sobre o lado externo de uma das pálpebras deslocando ligeiramente o globo
ocular. Olhe para um objeto qualquer. Agora feche o olho sob pressão e, em seguida, feche o
outro olho abrindo o primeiro.

Questão 22. Como explicar esse fenômeno ?


Acabamos enxergando duas imagens, pois o globo foi deslocado fazendo com que suas
imagens se separassem, deixando de ficar sobrepostas.

Faça um tubo de papel de cerca de 30 cm de comprimento e coloque-o diante de um dos


olhos, focalizando algum objeto distante. Agora coloque a mão espalmada justamente ao lado
do final tubo, 25 cm diante do outro olho aberto.

Questão 23. Explique por que se tem a "sensação visual de mão furada".
A sensação decorre da sobreposição da imagem vista através do tubo, ocupando o mesmo
lugar que mão vista pelo outro olho.

7. Avaliação de distâncias
Feche um dos olhos e com o outro olhe através de um tubo de papel de cerca de 30 cm de
comprimento. Suspenda um fio de linha verticalmente a cerca de 15 cm da extremidade do
tubo de modo que o voluntário seja capaz de ver o fio através do tubo. Agora coloque uma
ponta de lápis cerca de 2 ou 4 cm atrás ou adiante do fio sem sobrepô-los, mas de modo que
ambas as imagens - do fio e do lápis - sejam visíveis através do tubo. Depois da resposta do
voluntário sobreponha as imagens do lápis e do fio, mantendo as distâncias iniciais. Realize
diversos testes manipulando as distâncias.

Questão 24. Explique por que há dificuldades para avaliação da distância nestas condições
experimentais ?
A percepção fica prejudicada pela redução da visão periférica e pela perda da noção de
profundidade.

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