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Surgimento da ideia de consciência de classe e sua discussão

Inicialmente é importante esclarecer o que é tomado como consciência de classe segundo


Marx , e o desenvolvimento do seu conceito a partir da perspectiva da teoria marxista. O
surgimento da ideia de consciência de classe foi o ponto de partida de uma extensa
discussão sobre a teoria de Marx, pois a partir do reconhecimento do proletariado como a
ideia uma nova força politicamente engajada em uma luta pela emancipação, ele ocupou se
completamente por uma análise complexa referente à estrutura econômica das sociedades e
de seu processos de crescimento e desenvolvimento delimitando assim aos poucos uma
estrutura de classes da fase inicial do capitalismo e as lutas nessa concepção de sociedade que
constituiria o principal ponto de referência para teoria marxista da história.

As luta de classes foram classificadas como força motriz ( que impulsionava, que faz mover,
ocasiona movimento) da história a foram explanadas em Manifesto Comunista desenvolvido
por Marx e Engels que a partir desse imaginário puderam apontar que a história das
sociedades que até então se teve contato é inteiramente baseado na história das lutas de
classes . Marx e Engels possibilitaram a análise social da classe como uma característica
particular e exclusiva da sociedades capitalistas; eles abordam em A Ideologia Alemã que a
própria classe é um resultado da burguesia inicialmente constituída através da perspectiva da
estratificação social e também no que diz respeito à situação e ao desenvolvimento das duas
principais classes na sociedade capitalista, a burguesia e o proletariado.

Em O Dezoito Brumário de Luís Bonaparte (1851-1852), Marx definiu a seguinte situação:


“Na medida em que milhões de famílias vivem sob condições econômicas de existência que
separam seu modo de vida, seus interesses e a sua cultura daqueles das outras classes e as
colocam em posição hostil a essas outras classes, elas formam uma classe. Na medida em há
apenas uma interconexão local entre esses camponeses de pequenas propriedades, e a
identidade de seus interesses não gera nenhuma comunidades, nenhum elo nacional e
nenhuma organização política entre eles, tais pessoas formam uma classe. (MARX, 2000,
p.180)”.
No livro A Miséria da Filosofia (1847) o autor descreve o aparecimento da classe
trabalhadora, expressando uma interpretação referente às condições econômicas que
transformaram, a maior parte do povo em trabalhadores. Foi essa dominação do capital sobre
os trabalhadores que foi responsável por criar uma situação de sentimento entre os interesses
comuns de pessoas que dividiam a mesma vivência. Assim, essa massa de trabalhadores já
tornava se uma classe em relação de subordinação ao capital, mas não ainda uma classe para
si mesma.
As relações sociais só se apresentaram na forma de “classe” na sociedade capitalista, pois
neste molde as condições desses trabalhadores nessa sociedade tornou se um fator que
possibilitou o reconhecimento,e identificação e foi determinado principalmente pela
propriedade privada, posses dos meios de produção ou pela exclusão dessa propriedade ou
desse controle. Pois antes o sistema de relações de propriedade estava oculto pelas estruturas.
Contudo, pertencer a uma classe, dependia de conhecer sua própria posição dentro do
processo de produção,e com a ascensão da burguesia o desenvolvimento do capital
mercantil, manufatureiro e finalmente industrial, e como a burguesia (parcialmente
enobrecida) concluía se que em grande escala, essa harmonia foi sendo cada vez mais
enfraquecida.

Marx apresenta o aparecimento da consciência de classe na burguesia e no proletariado como


consequência da crescente luta política do Tiers État (o Terceiro Estado da sociedade feudal
francesa); ele aborda as dificuldades do desenvolvimento da consciência de classe com o
exemplo dos camponeses pequenos proprietários da França, que usavam seu direito de votar
para se sujeitam a um senhor (Napoleão III).A consciência foi fundamentalmente diferente da
consciência de classe. Pois ainda vinculava se a uma ordem hereditária ou seja, a partir dos
direitos e privilégios que se perderam, ou da exclusão de tais direitos e privilégios.

Desta maneira, muitas vezes tais condição permaneciam escondidas por uma orientação
nostálgica voltada para o velho sistema de estamentos, das “camadas intermediárias”
pequeno-burguesas e camponesas. Na medida em que muitas de famílias vivem em condições
econômicas de existência que separam seu modo de vida, seus interesses, aos interesses das
outras classes, e as coloca em posição estranhamento a essas classes, constituída por sua vez
uma classe. Enquanto houvesse apenas relação local entre esses camponeses pequenos
proprietários, e a identidade de seus interesses, não se cria um elo forte suficientemente,
comunitário, e nenhuma organização política entre eles, não constituem uma classe.

E em consequência disso, tornam se alienados de impor seus interesses de classe


responsabilizando se por si ,independentemente de qual meio fosse parlamento ou de uma
convenção. A formação da consciência de classe no proletariado pode ser tomada do ponto de
vista do fracasso necessário de consciência de classe política entre os pequenos camponeses.
No caso do proletariado, o conflito inicialmente limitado amplia-se com baseada em
identidade de interesses, até tornar-se questão comum a toda a classe, que também
desenvolve um instrumento adequado, sob a forma de partido político. O processo de
formação da consciência de classe coincide com ascensão de uma organização de classe
hegemônica.

Portanto, compreende-se que a consciência de classe é um acontecimento gradual que


depende, além de outros fatores, de um momento favorável e de uma relação de uma
correlação forças onde o processo de desenvolvimento da consciência tem momentos de
avanços, mas também momentos de retrocessos a consciência de classe deve ser ponderada
não apenas com relação ao conceito, mas, especialmente de luta de classes, pois somente,
desta maneira, poderá oferecer a possibilidade de sua constituição . E que adotando seus
moldes contemporâneos como exemplo, ainda nota se a ausência da consciência de classe nas
grandes massas que atualmente vivem conectadas via internet mas ainda sim não tomam
dimensão de sua sujeição na sociedade capitalista que é ainda maior e o maior torna se
desafio do questionamento de como despertar essas massas uma luta uma vez que a alienação
não mais é baseada na omissão de realidades semelhantes,mas de uma manipulação
tecnológica.

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