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UNIVERSIDADE DO OESTE DE SANTA CATARINA – UNOESC

CAMPUS XANXERÊ
CURSO DE PSICOLOGIA

JOAO VINICIOS RECK GNOATTO


LUIZ FERNANDO MACHADO

PSICODIAGNÓSTICO: ESTUDO DE CASO CLÍNICO

Chapecó
2021
1

JOÃO VINICIOS RECK GNOATTO


LUIZ FERNANDO MACHADO

PSICODIAGNÓSTICO: ESTUDO DE CASO CLÍNICO

Relatório do Estágio Básico VI – apresentado ao Curso


de Psicologia, da Área das Ciências da Vida, da
Universidade do Oeste de Santa Catarina como
requisito para á obtenção do grau de Psicólogo.

Orientador: Prof. Eliandra Solivo

Chapecó
2021
2

RESUMO

TÍTULO DO TRABALHO (centralizado e em letras maiúsculas)

Orientador(es)/Coordenador1: SOBRENOME, Nome


Pesquisador(es)2: SOBRENOME, Nome
Curso: Psicologia
Área do conhecimento: Ciências Biológicas e da Saúde

O resumo deve ser elaborado na 3ª pessoa do singular, sem citações e referências, com o
mínimo de 200 e máximo de 450 palavras, texto já revisado, justificado, em bloco único, sem
parágrafos ou linhas em branco, estar em fonte Times New Roman, tamanho 12, espaçamento
1,5 com margens: superior e esquerda 03 cm; inferior e direita 2 cm, em papel A4.
Caracterizar a equipe: Orientador(es)/Coordenador: SOBRENOME (letras maiúsculas), Nome
(somente com a primeira letra maiúscula; quando houver mais de um autor, usa-se a mesma
regra, separando os autores com ponto-e-vírgula); Pesquisador(es), mesma regra; Curso (se
for resumo de Graduação ou Pesquisa); Área temática (se for resumo de Extensão); Área do
conhecimento. Deve-se separar com um espaço 1,5 o título do trabalho da identificação da
equipe (autor, orientador, curso e área do conhecimento) e esta do início do texto, bem como
o texto final e a fonte de financiamento e esta do(s) e-mails da equipe. O conteúdo do resumo
deverá abordar na forma de texto: a) em aproximadamente quatro linhas introduzir o assunto e
escrever de maneira geral sobre o tema. A primeira frase deve ser significativa, explicando o
tema; b) objetivo; c) metodologia; d) resultados (parciais ou finais); e) conclusões. Palavras-
chave: ao final do resumo, evidenciam-se as palavras-chave (de três a cinco), iniciadas com
letra maiúscula, fonte Times New Roman, tamanho 12 e ponto na separação entre elas.
Ex.: Palavras-chave: Educação. Avaliação. Emancipação.

E-mail do(s) pesquisador(es).

____________________________________________________
1 Titulação acadêmica e vínculo Institucional do Orientador.
2 Titulação acadêmica e vínculo Institucional Pesquisador.
3
O número de página
deve ser ocultado.
4

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO: 4
1.1 JUSTIFICATIVA: 4
1.2. OBJETIVOS: 4
1.2.1 Objetivo Geral: 4
1.2.2 Objetivos Específicos: 5
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: 6
3 MÉTODO: 9
3.1 SUJEITOS 9
3.2 INSTRUMENTO(S) DE COLETA DE DADOS 9
3.3 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS 9
4 RELATÓRIO DE COLETA DE DADOS: 10
4.1 RELATO DE EXECUÇÃO 10
4.2 DIÁRIOS DE CAMPO DA PRIMEIRA OBSERVAÇÃO (01/08/2016) 10
4.3 DIÁRIOS DE CAMPO DA SEGUNDA OBSERVAÇÃO (02/09/2016) 10
5 DISCUSSÕES SOBRE A PRÁTICA 11
6 CONCLUSÃO 12
REFERÊNCIAS 13
ANEXO A – FICHA DE FREQUÊNCIA ORIENTAÇÕES ESTÁGIO. 14
Anexo B - Ficha de Freqüência da Prática de Observação. 15
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1 INTRODUÇÃO:
Este trabalho nasce da determinidade essencial que é experienciar na prática um
processo psicodiagnóstico, aplicando-o e escrutando-o numa experiência real com
contingentes reais. Pasquali (2006) afirma que avaliação psicológica é de maior abrangência
no tocante à aplicação de testes, que a rigor depende da aplicabilidade e de fatores
sociodemográficos mais gerais, como idade, sexo, gênero, maturidade, escolaridade, etc. Os
testes são parte deste todo que constitui uma tarefa humana por excelência, da qual se conclui
partes do comportamento em relação a outros. É uma metodologia puramente científica sob a
qual a psicologia orgulha-se em ter assentado raízes.
Como sendo ampla, o psicodiagnóstico, identidade congenial da avaliação
psicológica, suscita dúvidas a respeito de seu alcance: poderia ela atingir a psicanálise em seu
viés mais ortodoxo, como metodologia legada “individualista”, cujo opifício fora descrito por
Freud há mais de cem anos? A resposta é afirmativa, visto que o psicodiagnóstico é um
fenômeno moderno, de cuja aplicação é demandada uma investigação sofisticada sobre um
sofrimento, incômodo ou desconforto (ARZENO,1995). Dessa forma, encontrando-se a
psicanálise nesta esteira, qual seja, de alívio do sofrimento psíquico, o psicodiagnóstico vem
ao seu encontro, bem como ela, no psicodiagnóstico, vê novas formas de operação.
Neste estudo buscou-se (CUIDADO COM O TEMPO VERBAL) introduzir o
psicodiagnóstico psicanalítico como uma chave de leitura para a experiência desenrolada no
setting instaurado pelo psicólogo clínico. Dessa forma, julga-se fundamental esclarecer os
pontos centrais do psicodiagnóstico, conduzindo-os paralelamente à atuação prática e
extraindo dele seus resultados, que, como diz Pasquali (2006), devem produzir conclusões e
observações “válidas e verificáveis”. Para tanto, investigaremos como a psicanálise produz
seu saber no campo psicodiagnóstico, de que forma e em que sentido.
Nesse sentido, Rosa (1996) nos localiza na questão, que a princípio já se contradiz:
a psicanálise lida com uma demanda advinda de um analisando, cuja falta é essencial e enseja
a procura, mas como conciliá-la com a demanda de um psicodiagnóstico quando sua cura é
efetivada pelo dizer? Seria possível preenchê-la com um teste, por exemplo? A autora
sustenta uma tese com a qual nos embasaremos: a psicanálise aninha-se em dois campos: o
campo do sujeito e do sintoma, onde a escuta é o principal; e o campo das teorizações sobre o
ocorrido, onde a transferência é demarcada no campo da escrita.
Assim desejamos operar. Acreditamos que mesmo o psicodiagnóstico se dê com
interferência da escuta, técnica, clínica, transformativa. E o psicodiagnóstico a complementa
fragorosamente, dando-a vida, cor e significado. Operando transformação.
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APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA?
1.1 JUSTIFICATIVA:

Este projeto é também fruto do estágio básico VI realizado numa universidade do Extremo
Oeste Catarinense, que visa capacitar e habilitar psicólogos ao atendimento clínico e à mestria
em processos diagnósticos e testagens psicológicas. Ressalta-se que este processo não é de
cunho individual, mas comunitário. A ideia é proporcionar à comunidade em questão
atendimentos gratuitos e de qualidade, produzindo, neste interstício, conhecimentos
específicos para o acadêmico.
A tematização do diagnóstico psicanalítico tem em Freud ainda muitas inibições. Uma
relação diagnóstica, é certo, não é transferencial, tampouco uma relação transferencial é
diagnóstica; a fala é imperatriz do campo simbólico e não se vale de recursos externos,
racionalizações, enquadramentos, e mesmo diagnósticos (FINELLI; MENDONÇA, 2015).
Aqui, incorremos no risco de tornar o demandante “catatônico”, de perder o sujeito que opera
através do vir-a-ser.Com a diferença do rigor técnico do psicodiagnóstico, a escuta tem seu
próprio viés construtivo.
Vieira (2011) aponta que, ao assumir o risco, o diagnóstico favorece: a) debate teórico; b)
conhecimento do analisando; c) encaminhamento para condução efetiva do tratamento. Logo,
ressalta-se efeitos positivos desta quase-escuta, que consiste, de modo geral, em levantar as
bases familiares, sociais e culturais do sujeito, de dá-lo oportunidade de efetivar-se na fala e
na escuta ativas, de conhecer-se melhor e dar saídas ao sofrimento. Para tanto é necessário do
psicólogo uma postura que respeite o código de ética da profissão e a mesma ética descrita
por Freud nos escritos sobre técnica (2012).
Desse modo, buscaremos buscou-se uma conjuntura na qual se respeite as normativas
técnicas, étnicas e científicas da psicologia enquanto profissão, e o posicionamento ético
respeitado pela clínica psicanalítica, a produzir um quadro onde seja possível pintar uma
escuta ativa e transformativa, ao mesmo tempo em que se cumpra os passos necessários para
um diagnóstico preciso, objetivo e idôneo do psicodiagnóstico. Respeitando, desse modo, o
estatuto do sujeito, buscamos a questão: até que ponto a fala é científica, e quando deixa de
ser?
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1.2. OBJETIVOS:

1.2.1 Objetivo Geral:

Erguer as bases do psicodiagnóstico psicanalítico à luz do referencial teórico


psicanalítico
1.2.2 Objetivos Específicos:

Analisar e interpretar dados coletados durante avaliação psicológica;


Elaborar relatório psicológico relacionando teoria e prática;
Realizar devolução do processo psicodiagnóstico e encaminhar paciente para
atendimento, conforme necessidade e com base em laudo psicológico.
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2. Fundamentação Teórica:
A psicanálise freudiana define-se como um método de tratamento contra as neuroses,
em especial a histeria. Ao longo do tempo, com a apropriação taxionômica operada por Freud
e a sui generis capa que cobriu sua extensa pluralidade e deu nome à coisa, a psicanálise
torna-se não somente um saber, mas um agir do psicanalista. Quer dizer, com a neutralidade, a
abstinência, a atenção flutuante e a associação livre, o psicanalista tinha em mãos um arsenal
silente, porém poderoso. E por meio deste conjunto de técnicas Freud foi capaz de desbravar o
inconsciente, produzindo novos conceitos e saberes. O essencial, com o qual iniciamos esta
dissertação, é o conceito de Eu, o correlato mais próximo da noção psiquiátrica de
personalidade.
De acordo com Moreira (2009), Freud viveu etapas antes de atingir o condicionamento
maduro de seu sistema. Desde a interpretação dos sonhos Freud pensava o Eu como uma
entidade abstrata: o Eu que sonha; que deseja...,Mas ao lado da abstração residia o
inominável ou indecifrável, um mesmo Eu que recusava-se a sonhar, recusava-se a desejar,
rejeitava todo e qualquer desejo. Essa dualidade desenvolve-se a redundar na antinomia
pulsões do Eu e pulsões sexuais, donde se falava de um princípio do prazer e princípio da
realidade; um impelindo à satisfação, outro recusando-a, sopesando a desenvoltura do
inconsciente num cessar do clima agonístico, um puro estar na realidade, comportar-se nela.
Este Eu da autoconservação seria, pois, responsável pela manutenção do real, além de
efetuar a defesa do psiquismo através do recalque. Percebemos a dinâmica pulsional
aclimatada por poderes opostos que travam no mesmo campo de batalha uma luta pela
aparição (Erscheinung), pela nomeação. Como esta batalha dificilmente tem vencedores, o
resultado é o que Freud chamou de solução de compromisso; um acordo entre o Eu e o
recalcado: o sintoma. Na segunda tópica os eixos perdem os parafusos. O que era atópico e
abstrato, pura força, puro desejo, pura defesa, ganha agora contornos específicos, o sistema
ganha envergadura.
Na segunda tópica, o Eu preso a abstrações, que podemos ligar à consciência
percipiente de Hegel, se torna um Eu formado para Outro, constituído pelo Outro, pelo
“princípio de alteridade” (MOREIRA, 2009). Assim, o Eu é formado a partir do Id, que é
moldado, descoberto pela realidade efetiva, de sorte que a chamada “personalidade” pela
psiquiatria moderna seja tão somente os precipitados objetais com os quais este Id em sua fase
mais pura se deparou. O Eu, deste modo, passa a constituir o seu objeto e ser constituído por
ele (COELHO JR, 2001). Aqui resumiremos brevemente que instâncias são essas da 2°tópica
e como agem.
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O Eu é o mediador do real, que deve lidar com duas demandas diferentes, uma do Id,
outra do Super-Eu. Deve ser o cavaleiro às agruras segurando as rédeas do irrefreável cavalo
marcado como Id, e deve, também, defender-se do legiferar imperativo do Super-Eu, o
herdeiro do complexo de Édipo, figura suprassensível que se oculta atrás do masoquismo, da
má-consciência e da culpa. O Id é o núcleo do qual se origina o desejo e as pulsões. O Super-
eu é o de início chamado imperativo categórico, que advoga o proibido e não proibido, uma
estrutura da qual o Eu não escapa, pois, como Freud (1929/) mesmo afirma, nem os
pensamentos passam despercebidos para ele.
Devemos, por ora, compreender o Eu como uma experiência, que nasce do Id e é
coibido pelo Super-eu, atuando ora para um, ora para outro destes dois senhores. De certo
teríamos pelo que apreendê-lo, mas, compreendendo-o como um resultado de experiências
formativas, como a educação e as inevitáveis frustrações do real, podemos retornar à
afirmação de Coelho Jr (2001): O Eu é constituído pelos objetos. Sendo assim, a experiência
se confirma atingindo a cúspide constitutiva pelo complexo de Édipo, que, como veremos, é o
núcleo formador das neuroses.
Para Freud, é o Édipo e seu curso quem determinará a formação da personalidade
“saudável” e a quem restará a psicose e a perversão. De acordo com Nasio (2007), é a fantasia
sexual que arranja nossa identidade de homem e mulher. Freud retira a fantasia do mito de
Sófocles Édipo-rei, no qual a personagem, por ocasião do destino, assassina o pai e desposa a
mãe. No romance familiar, a coisa vai por aí. O menino, que ao longo da fase fálica
experencia sensações erógenas no pênis, vivencia a ameaça da castração e o medo de que sua
satisfação lhe custe o pênis, de sorte que, para evitá-lo, renuncia à satisfação e à fantasia
sexual, conservando o pênis num movimento puramente narcísico. Parte, portanto, da
sexualização dos pais à hora final de dessexualizá-los, enquanto recalca o Édipo, renuncia aos
pais, e introjeta-os como Super-Eu.
Para a menina o processo é mais transversal. De início, ambos os sexos partem do
mesmo lugar, pois o clitóris se comporta como um pênis, precedendo a universalidade do
pênis. Essa relação intensifica-se à medida que a pequena percebe no amiguinho um pênis que
ela não tem, sente-se castrada, humilhada, afinal. Inferioriza-se. Dirige-se à mãe, depois ao
pai, vê-se recusada dos dois lados. O pênis passa, enfim, de objeto perdido ou não
conquistado ao equacionamento de um bebê, que na fantasia da menina será dado pelo pai. Ao
contrário do menino, que abandona o Édipo pela ameaça da castração, a menina inicia ali. E,
desse modo, supera o Édipo substituindo a figura do pai pelo amado, fazendo do falo a vagina
(ZANETTI E HÖFIG, 2016).
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Por muito tempo, de acordo com Nasio (2007), o Édipo surge como modelo que reputa
à circularidade familiar a própria estrutura do psiquismo; o pai como figura central e a criança
como submetida ao desenrolar-se das cenas. E a forma com a qual as cenas transitam no
cenário revestirá a criança de um Super-eu mais ou menos inflexível, e um Eu mais ou menos
submisso. Na clínica o Édipo reatualiza-se na relação transferencial, ao longo da qual a
criança reencena os ditames infantis e transfere, para a figura do médico, o pai querido ou a
mãe amada. Nessa situação, o conflito fala com ele mesmo e uma possível reconciliação se
esboça. Aqui concluímos o primeiro percurso. Trataremos agora de investigar como se dá um
processo diagnóstico, na sua relação analista/psicólogo e paciente, e suas determinações
enquanto processo.
O psicodiagnóstico
Primeiro, dissipemos as dúvidas. Psicodiagnóstico é um vetor clínico, um processo no
interior do qual produzem-se estratégias para averiguar as forças e fraquezas do psiquismo do
paciente. Ele é um processo dinâmico porque as soluções e hipóteses não são apresentadas
antes de uma base previamente estabelecida, em relação à qual se possa infirmar ou confirmar
o que antes se previu, mas são, antes, processadas pela reunião de sinais e vetores que juntos
as produziram (CUNHA, 2007). O psicólogo envolvido no processo está responsável por: a)
determinar o motivo do encaminhamento ou queixa; b) levantar fontes complementares; c)
colher dados sobre história de vida; d) realizar exame de estado mental; e) criar hipóteses
iniciais; f) criar um plano de ação; g) estabelecer o contrato de trabalho; h) concluir a
utilização ou não de testagem psicológica; i) organizar os dados averiguados; j) comunicar os
resultados, fazer a devolutiva, laudo, relatório, etc.
Como se vê, o trabalho é exaustivo, mas não se esgota em meras descrições. Para além
de descrever os sinais, o problema deve ser contextualizado, isto é, inscrito no tempo histórico
e individual do sujeito. O que não é, de forma alguma, limitá-los à palavra de ordem de quem
fala, porém, separar as ordens: do que é falado e do falante. Segundo Cunha (2007), pode ser
considerado um problema quando há uma mudança ou alteração no comportamento comum,
sendo de natureza quanti e qualitativa. Ora, repetitividade do discurso, fala ritmada ou
pausada, gaguejos e soluços, silêncio parcial ou total, flutuação de ânimo, etc. Esses
problemas desenvolvem-se em dois níveis: a) de ordem ambiental ou estrutural, isto é, déficits
relacionais derivados da incomunicabilidade, não pertencimento familiar, dificuldades de
aprendizagem, etc; ou b) de ordem transferencial ou contratual, isto é, problemas que se
referem à relação psicólogo/cliente e os problemas suscitados por este envolvimento.
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Daí fala-se necessariamente de contato; onde há contato, há proximidade, e onde há


proximidade há experiência. Como Cunha (2007) bem afirma, tolerar um psicodiagnóstico é
uma experiência difícil para o próprio sujeito, por isso a importância de “manejar a
transferência”, como Freud desde cedo falava. Frequentemente, a pessoa busca atendimento
premida ou por consequências externas as quais experimentou de maneira indevida, ou por
aconselhamento profissional ou mesmo familiar. Desse modo é de fato um despir-se diante do
estrangeiro, uma solução que por vezes parte de outro alguém, de modo impessoal, mas ainda
recorrente por firmar-se no saber de que não se está bem. Então a dificuldade de estabelecer
laços e criar vínculos, que são bastante facilitados por uma postura cuidadosa e acolhedora
por parte do psicólogo. É a isso que Cunha (2007) alerta já nas primícias do atendimento, no
estágio pré-clínico, isto é, a angústia de saber que algo não familiar, estranho, diferente se
passa com aquele alguém.
Para que o contato seja de fato efetivo é necessário atentar-se a toda e qualquer
manifestação ou fenômeno de entrada na clínica. A vestimenta, o comportar-se, o falar, todas
são manifestações às quais o psicólogo deve estar atento pois constituem modos de relação,
que podem estar capacitados como modo de ser real ou puramente hieráticas, desenvolvidas à
ocasião e mantidas com extrema fé. Cunha (2007) fala ainda da resistência, quer dizer,
mecanismo involuntário e inconsciente que recusa e protesta a revisitar os precedentes
traumáticos dos quais nada quer saber. As resistências surgem dentro da relação transferencial
e podem, a exemplo, tirar o interesse do paciente da sessão, ou mesmo da cura, e orientá-lo
para os prováveis interesses do médico ou psicólogo, suscitando questões tais: “será que ele
gostou de mim?”; “se chateou por eu ter chegado fora do horário?”, etc. Vemos, pois, que se
tratam de fenômenos normais, não eximidos de mostrarem-se ao médico ou psicólogo. A esse
conhece-se como contratransferência.
Por fim, ressalta-se ainda a postura clínica do psicólogo, que não deve ser autoritária,
agressiva ou impositiva, mas sim neutra, calma e mesmo leniente, assumindo o controle
transferencial de onde o paciente pode identificar-se.
A ética no psicodiagnóstico
Ao falar de ética miramos no singular, mas atingimos o plural. Fala-se de ética em
psicologia do desenvolvimento, de desastres e emergências, em clínica e em hospitalar. Mas
que quer dizer? Que diretrizes éticas devemos seguir? Lembremos da resolução do CFP
(2005, p.7):
O psicólogo baseará o seu trabalho no
respeito e na promoção da liberdade, da
12

dignidade, da igualdade e da integridade


do ser humano, apoiado nos valores que
embasam a Declaração Universal dos
Direitos Humanos; II. O psicólogo
trabalhará visando a promover a saúde e
a qualidade de vida das pessoas e das
coletividades e contribuirá para a
eliminação de quaisquer formas de
negligência, discriminação, exploração,
violência, crueldade e opressão.
SE FOR CITAÇÃO REVER
ESPAÇAMENTO E RECUO
Assim, a ética do psicodiagnóstico é a ética do trabalho, do profissional, segundo Hutz
et al (2016). Desse modo, o autor ressalta que a saúde mental do operador clínico é precípua,
isto é, o psicólogo só poderá cuidar e escutar com imparcialidade estando, senão em
acompanhamento, com cuidados devidos. Desse modo podemos esperar da ética do
psicodiagnóstico uma ética parecida com a da psicanálise, de forma que, se as duas não
batem, encontram-se em amplas frentes. Para continuar, é justo ressaltar que o sigilo é
fundamental no processo psicodiagnóstico, pois a identidade do paciente deve ser preservada
a todo custo, sendo rompida apenas em casos graves, que envolvem a vida do paciente ou
outra vida. Ideações suicidas ou tentativas suicidas enquadram-se neste precedente.
Mas a ética está longe de ser apenas prescrições de cunho médico, “irrelativizáveis”.
Lacan escrevia que o analista deve analisar na sua época, sob o contexto do qual faz parte.
Isso torna as opções, por um lado, francamente difíceis, porém amplamente abertas e
numerosas. As preocupações do analista devem ser as preocupações de seu tempo, a histeria
certamente não goza do mesmo furor e burburinho que tinha no século XIX e XX,
preocupações novas deram lugar às antigas, a subjetividade se tornou um precioso processo
social e as modalidades de satisfação e perda de satisfação passam hoje pelo crivo da cultura,
nem tão próximas, nem tão longe das psicopatologias. Daí a ideia de a psicanálise dar ao
sujeito seu “lugar” no mundo, seu espaço.
O sujeito em diagnóstico, o que esperar?
Como vimos ao longo da discussão, o psicodiagnóstico é determinado a operar de tal
forma que seus procedimentos são padronizados, sucedem-se por etapas, cada uma devendo à
outra a superação da etapa anterior, indo da entrevista inicial, passando pelo levantamento das
primeiras hipóteses, desembocando no laudo ou relatório final. Mas esta entrevista, embora
dimensionada para atender as especificidades do diagnóstico, deixa entrever processos e
13

momentos que pertencem à psicanálise como um todo, que envolve dinâmica transferencial,
envolvimento afetivo, comunicação sobressalente e um setting equipado ao funcionalismo
psíquico.
Segundo Gastaud (2008), a entrevista põe o psicólogo sob duas identidades:
pesquisador e profissional. A esse respeito cabe distinguir anamnese de entrevista. A primeira
investiga a evolução sintomatológica, a segunda pretende dizer sobre o indivíduo. De fato,
ainda segundo o autor, os encontros que antecedem efetivamente as sessões são cruciais e
determinam previamente o sucesso ou não da intervenção, bem com a relação amistosa ou
inamistosa a se desenrolar. As entrevistas iniciais dão o tom do ulterior relacionamento.
Zimmermann (2004) define o que deve ser uma diagnóstica em psicanálise como sendo uma
avaliação simples e articulada da vida do paciente e seus diversos momentos, e a criação de
um laço de confiabilidade. Não obstante a isso ainda é possível antever formulações diversas
para o mesmo momento, como: a) a lógica dinâmica do inconsciente; b) a lógica nosológica;
c) a lógica evolutiva e; d) cognitiva, sensório-motora.
Nesse sentido, Gastaud (2008) amplia a discussão do terapeuta autodenominado
“psicanalista clássico” que dispensa diametralmente o uso de testagens e aquele que se vale
deste instrumental para aprofundar a investigação. Para o autor, trata-se de uma escolha, a
qual Zimmermann (2004) mesmo acede. A entrevista não pode impingir o teste ao paciente,
tampouco o terapeuta deve tomá-la como exclusividade de seu ofício. Deve, isso sim, tomá-la
como um acidente que, na melhor das hipóteses, produzirá efeitos a depender do paciente e
daquilo que ele próprio traz à análise. Assim, retornamos à discussão do início. O saber do
terapeuta parece alocado ao do paciente e, assim, eclipsado pela contingência que é própria do
ser. Ou melhor, depende tão somente deste último.
A avaliação psicológica e, ato contínuo, o psicodiagnóstico conservam sua estrutura
elementar, mas não se restringem a ela somente. Eles são capazes de, sendo um saber,
produzir outros saberes através de subcategorias (entrevista inicial, guiada, estruturada,
semiestruturada) que não só não atrapalham o resultado como o enriquecem infinitamente.
Esta discussão será aprofundada no resultado, unindo-as para mostrar que a ética do psicólogo
não é tão desviante da do psicanalista quanto se pensa e que seu processo, no fundo, é um
único e mesmo processo: o alívio do sofrimento. Para pensá-lo, porém, é importante que o
psicólogo tenha em mãos toda história de vida do paciente. Esta história nós reconstruímos
junto dele na anamnese.
É a este o processo ao qual Gastaud (2008) se refere e que criam as linhas para a
posterior simpatia ao tratamento. Uma anamnese é, em suma, uma certa entrevista, porém se
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diferencia desta por alguns fatores: a) levantamento histórico-pessoal da vida do paciente,


experiências transindividuais, infanto-juvenis, da adultez recente ou tardia e mesmo
experiências narrativizadas de tempos imemoriais (durante a gestação ou a primeira-infância);
b) concatenação ou articulação dos fatos ou eventos importantes para tratá-los posteriormente;
c) é uma espécie de segunda memória com a qual o psicólogo pode auxiliar o paciente no
enfrentamento de seus problemas.

TRAZER NA FUNDAMENTAÇAÕ TEÓRICA SOBRE A PSICANÁLISE E


PACIENTES COM RETARDO MENTAL/ PACIENTES DE DIFÍCIL
ACESSO/ FAMÍLIA E SINTOMA....

PODEM SEGUIR COM A ESCRITA DO RELATÓRIO COM OS OUTROS TÓPICOS


3 Procedimento: descreva o métodos utilizados, instrumentos, entrevista, anamnese, a
descrição do sujeito. Tudo como ocorreu o número de atendimento, descrevam todo o
procedimento. Aqui colocar os diários de campo.
4 Análise
5 Conclusão
Mudei o nome dos tópicos.
Os subtítulos e informações 15
poderão ser suprimidos conforme
3 MÉTODO: critério do professor orientador.
3.1 SUJEITOS

Esclarecer quem serão os sujeitos (e/ou comunidade) da pesquisa, de onde vêm, de


que gênero, idade, classe social, condição psíquica, profissão, grupo étnico etc. (dependendo
do tema, problema e objetivos), são. Descrever o local de realização da pesquisa. (UNOESC,
2009b)
Quais são os critérios de inclusão e exclusão de sujeitos na pesquisa? Qual o plano de
recrutamento? Quantos serão os sujeitos? Se for o caso: qual a população pesquisada e como
será constituída a amostra? (idem)

3.2 INSTRUMENTO(S) DE COLETA DE DADOS

3.3 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS

Descrever quais serão os procedimentos para a Análise dos Dados, baseados em que
teoria(s) ou autor(es).
No caso do “Estágio Básico I” 16
este capítulo deverá ser
4 RELATÓRIO DE COLETA DE DADOS: suprimido.

4.1 RELATO DE EXECUÇÃO

Neste item deve ser descrito como efetivamente se deram os procedimentos para
entrada no campo (local de estágio) as dificuldades encontradas. Além disso, todas as
informações relevantes para a posterior análise dos dados.

4.2 DIÁRIOS DE CAMPO DA PRIMEIRA OBSERVAÇÃO (01/08/2016)


JÁ PODEM IR COLOCANDO OS DIÁRIOS DE CAMPO DE VOCÊS AQUI.
A CADA ATENDIMENTO

4.3 DIÁRIOS DE CAMPO DA SEGUNDA OBSERVAÇÃO (02/09/2016)


17

5 DISCUSSÕES SOBRE A PRÁTICA

Neste item, os dados coletados através dos procedimentos e instrumentos


metodológicos são relacionados entre si, discutidos, analisados, classificados e/ou
interpretados de acordo com a forma de análise dos dados descrita no item 3.3.
“Apontar quais foram os benefícios da pesquisa para o(s) sujeito(s) pesquisado(s).”
(UNOESC, 2009c, p.3)
18

6 CONCLUSÃO

Qual a importância da realização desta prática? O que acrescentou para você enquanto
como estudante de Psicologia? Qual importância para sua formação e para formação do
Psicólogo?
19

REFERÊNCIAS
CITEM TODOS OS CAPÍTULOS USADOS E NÃO APENAS OS LIVROS.
ARZENO, M, G, E. Psicodiagnóstico Clínico. São Paulo: Artmed, 1995.
COELHO JR, Nelson Ernesto. A noção de objeto na psicanálise freudiana. Ágora, p.37-49,
v.4, n.2, jul/dez 2001.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução CFP Nº 30/2001. Manual de
elaboração de documentos produzidos pelo psicólogo, decorrentes de Avaliação Psicológica.
Brasília, 2005.
CUNHA, J, A. Psicodiagnóstico-V. São Paulo: Artmed, 2007.
FINELLI, Leonardo Augusto Couto; MENDONÇA, Angélica Silveira Martins de.
DIAGNÓSTICO CLÍNICO X DIAGNÓSTICO EM PSICANÁLISE: A IMPORTÂNCIA DA
ESCUTA NA CONSTRUÇÃO DO DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL. Revista Bionorte,
p.50-61, v.4, n.1, fev.2015.
GASTAUD, Marina Bento. A entrevista clínica psicanalítica. Revista Barbarói, p.104-119,
n.29, jul/dez, 2008.
HUTZ et al. Psicodiagnóstico. São Paulo: Artmed, 2016.
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ZIMERMAN, D. Manual de técnica psicanalítica: uma re-visão. Porto Alegre: Artmed, 2004.
20

ANEXO A – FICHA DE FREQUÊNCIA ORIENTAÇÕES ESTÁGIO.


21

ANEXO B - FICHA DE FREQÜÊNCIA DA PRÁTICA DE OBSERVAÇÃO.

No caso do “Estágio Básico I”


este anexo deverá ser suprimido.

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