Você está na página 1de 17

Prolapso da Valva Mitral

Definições
a. Dicionário convencional

2. cos
(on
eT
i
de
70
8Cna
de
parte.
Qued
de
um
órgã
"Na
déc nv
0D e
a - Pro/apsol :[do lat.
faça mais incompetente
obrigatoriamente,

anatômica (destaque
resultar de alguma

nosso) da valva mitral que a


durante
deformidade

este período".
prolopsu]S.m.Med.Quedaoudeslocamentodeumórgãodeseulugarnormal,emextensão
Emmarçode1965,novamenteBarloweBosman4sugeriamapresençadeumasíndromecaracteriza-
ta
e1a
variável, por insuficiência de seus meios de
fixação; procidência. da por fenômenos auscultatórios (sopro telessistóli-
co e clique mesotelessistólico) e eletrocardiográfi-
b.Dicionáriomédico-Pro/apso2:[L.prolopsus
(substantivo), queda, de prolobor, pp. -Iopsus,
inclinar-se para frente; prolobi; cair para frente].
Esseartigo,publicadoemfevereirode1966,
apresentou para a comunidade médica a
1.Quedaouinclinaçãoparabaixo;diz-sedeumórgãooudeumaoutra
Síndrome de Barlow.

traba,

Otermoprolapsodavalva
mitral (PVM) foi introduzido na
oudeumaoutraparte,
especialmente seu apareci~ lhos relataram prevalêJ1.cia de literatura cardiológica por
mentoemumorifício
PVMentre5%e15%,chegan,doaatingir35%emalgunsestu,
natural ou artificial; proci- a observação de achados
dência; ptose. ci nea ng ioca rd iog ráficos
dos! Além disso, demonstravam associados a sinais clínicos e
c.Naprática-Pro/apsodavolvamirra/:Termoambí-
auscultatórios.
freqüente associação com
guo, usado para designar
Nasdécadasde70e80
complicações graves como
trabalhos relataram prevalên-
oraumasíndromeclínica,oraumaalteraçãodinâmica
acidente vascular cerebral,
ciadePVMentre5%e15%,chegandoaatingir35%emalgunsestudos!612Alémdisso,
da valva mitral, responsável
fibrilação atrial, insuficiência
porumadasmaiorescon-
fusões de diagnóstico da cardíaca e incompetência demonstravam freqüente asso-

cardiologia. mitral importante. "


ciaçãocomcomplicaçõesgravescomoacidentevascular
I ução cerebral, fibrilação atrial,
insuficiência cardíaca e incompetência mitral
Em1963,Barlowet013.publicaramnoAmericon
Heort Journol o artigo 'The significonce of lote systolic importante13-17. Dados recentes do estudo de
Framingham, entretanto, revelaram números
murmurs'~emquediziam:"Umsopropansistólicocomacentuaçãotelesistólicaimplicanumaquanti-
bastantediferentes.Em3.491pacientesestudados,aprevalênciadePVMfoide2,4%(84pacientes)e
dade maior de regurgitação na telesístole apesar
da queda do gradiente de pressão entre o suas complicações não diferiram estatisticamente

ventrículo e o átrio neste dado instante. Isto deve, daquelas observadas na população geral18.
oEno Apoi
àD
Clín
coca
eci
sem
alt
clí
O
pB
e1r Nesse estudo os prolapsos foram separados em pela ecocardiografia, da valva ser anatomicamente
capítulo 6

taram
PVM
"clás
e 7
"não
clás
O
s
fem
2 exo
"clássico"(deslocamento>2mmassociadoaespessura>5mmdepelomenosumadascúspidesmitral)e"nãoclássico"(deslocamento>2mm
normalouanormal,competenteounãoecomou
na tentativa de diminuir a confusão, propôs a
associado a espessura < ou

utilizaçãodotermoprolapsoapenasnoscasoscomregurgitaçãomitraleintroduziuumasériedenovasdenominaçõescomobillowing,floppyefloilmitrol
=5mm)enãohouveassociaçãodesintomasaumgrupoespecífico.ApesardeconcordarmosqueaincidênciadePVM
(64%
e7eap(61
%
e0%)
6não
alpi
hav
5%
não deva ser tão alta quanto nos primeiros estudos, volve que, a nosso ver, contribuiu para aumentar,
ainda mais, a galeria de termos ambíguos e pouco
comrelaçãoaossintomasnãoobservamososmesmosresultados.Emtrabalhorecenterealizadoemnossoserviço,em111pacientes,39apresen-
explicativos que caracterizam essa alteração valvar.

meConfusãoDentreoselementosquecontribuemparaqueum
nino predominou nos dois grupos (56% e 66%,

consenso não esteja ainda estabelecido, destaca-se


respectivamente)eapenas10%dospacientescomPVM"clássico"e5%dospacientescomPVM"nãoclássico"eramassintomáticos.Ossintomas
a considerável confusão que foi criada quando

(92%
em
relaç
aos
não
"clás
(61
%)
da
mes
"batizou-se"umasíndromeclínicacomomesmonomedeumdistúrbiodinâmicoquenelaocorre,masquepode,também,estarpresenteemoutras
predominantes nos dois grupos foram a ansiedade

do diferença significativa entre os demais sintomas circunstâncias.

entre os grupos, exceto pela predominância da dor


Otermosíndromedoprolapsodavolvamitralrefere-seaumaentidadeclínica,cujossintomas
torácicanoPVM"nãoclássico"(10/39V5.33/72).Aauscultacardíacafoisemelhantenosdoisgrupos,
PVM
"não
cláss
resultam de distúrbios neuroendócrinos ou

apesar do leve predomínio de sopro nos "clássicos"


autonômicos,empacientescomalteraçãona
dinâmica da valva mitral.
ecliquesnos"nãoclássicos':Orefluxovalvarmitral
foi detectado predominantemente nos "clássicos" Várias hipóteses já foram propostas para explicar a

mico
e
fentre
da
valv
unci
mitr
Port
de
PV
presençadesinaisesintomastãodísparesemummesmoindivíduo.Recentemente,França2osugeriu
forma que refluxos moderados e importantes (49%

que o prolapso da valva mitral poderia ser apenas

PVM
"clás
e"cláss
.não
x18%).Oeletrocardiogramanãodistingüiuosdoisgrupos.OdiâmetrodoAE(corrigidoparaaáreadesuperfíciecorpórea)foimaiornogrupodePVM
umdoscomponentesdeumasíndromegenera-
lizada causada pela expressão gênica inadequada
"clássico" e a fração de ejeção foi maior no grupo de
docolágenonãoapenasnavalvamitral,mas
também no miocárdio, nos ossos e no tecido
nervoso, o que, talvez, justificasse as alterações
Resumindo,osprolapsos"clássicos"(deacordocom
a classificação utilizada no estudo de Framingham)
cardíacas,esqueléticaseatémesmoneurológicas.Odiagnósticodasíndromebaseia-seemvários
relacionam-se a maior comprometimento anatô"
elementos (Tabela 6. 7). Dentre as alterações ecocar-
são, raramente, assintomáticos e os dados clínicos e diográficas, observa-se o aspecto de degeneração
eletrocardiográficos não permitem a distinção mixomatosa da valva mitral (espessamento e re-
dundância dos folhetos e aparelho subvalvar), além
Hoje, o termo prolapso da valva mitral ainda causa do deslocamento posterior sistólico das suas cúspi-
muitaconfusão.Éutilizadoindiscriminadamente,
desemdireçãoaoátrioesquerdo,conhecidocomo
independente da movimentação anómala da valva prolaps028. Essa anormalidade dinâmica, entretanto,

ser discreta ou intensa, de ser,ou não, demonstrada


consitituiimportante,masnãoexclusivo,sinal
capítulo 6 PdV
M
Tabela 6.1: Elementos
síndrome do prolapso
diagnósticos
da valva
da
mitral
Estudos

Diagnósticos
Anatómicos e Critérios

dispe
do
interv
OT,
eptard
25-
ote Naprática,podeocorrerumasituaçãoconstran-gedora.Pacientescomdiagnósticoprévioda
síndrome do prolapso da valva mitral voltam à

consulta e o resultado da nova avaliação ecocardio-


Sintomas gráfica contraria a anterior e não mais revela o
Fadiga, dor precordial, dispnéia, ansiedade ou pânico,

prolapsovalvar.Oinversotambémocorre:indivíduoscomexameecocardiográficoprévionormal"passamaapresentarprolapso"emavalia-
palpitações, disautonomia simpático-parassimpática 2224, etc.

Ausculta

ções subseqüentes. Nesses casos, a mudança do


Eletrocardiograma

Alterações da repolarização ventricular, particularmente nas


diagnóstico ecocardiográfico pode estar relaciona-
derivações inferiores, arritmias, alongamento e maior da aos seguintes fatores: a) hipervalorização de
variações normais na dinâmica da valva mitral, que
pode apresentar discretos abaulamentos sistólicos,
Sinais
ora ocorrendo, ora não, na dependência do estado
inotrópico do miocárdio,ou b) exames incompletos
ou laudos precipitados, quando sinais diagnósticos
importantespassaramdespercebidos.Umfatocomumaessasduascircunstânciasdizrespeitoà
diagnósticodasíndromeclínicademesmonome.Damesmaformaquedeterminadossintomasda
não
éues
pl
etmse
síndrome do prolapso da valva mitral podem estar utilização de critérios diagnósticos distintos
por diferentes serviços de ecocardiografia e,
presentesemoutrasentidadesclínicas,avalvamitralpodeapresentarprolapsoemoutrascircuns-
nãoraro,pordiferentesexaminadoresdeummesmolaboratório.Aliteraturatambémnãoé
tâncias, como, por exemplo, as que modificam a

unânime ao eleger critérios e, no decorrer do


geometriacontrátildoventrículoesquerdo,comoa
comunicação interatrial (déficit no enchimento da tempo, vem modificando substancialmente pontos

câmara) e a incompetência aórtica (quando ocorre


devista,antestidoscomodefinitivos.
o inverso). Portanto, quando se detecta prolapso Algumas considerações técnicas são muito impor-

da valva mitral ao ecocardiograma, este fato não tantes na análise crítica do diagnóstico da síndrome
implica, obrigatoriamente, no estabelecimento do
doprolapsodavalvamitral.Oaneldavalvamitral
diagnóstico da síndrome clínica do prolapso.
à sela de montaria (Figura 6.1). Por essa razão, alguns
Grandepartedadificuldadeemseobteropiniões
consensuais sobre o prolapso da valva mitral está autores concluíram que os cortes apicais do ecocardio-
justamente nessa ambigüidade de significado do grama (especialmente o corte apical de quatro câmaras)
não deveriam ser utilizados para o diagnóstico de
termo,oradesignandoumasíndromeclínica,orarotulandoumsimplesdistúrbiodinâmico.Oelementocríticoresponsávelporgrandepartedaconfusãoé,comc~rteza,odiagnóstico.Amaioriadasdúvidas,emnossaopinião,ocorre,basicamente,
prolapso, pois nessas incidências não é possível
estabelecer,comsegurança,sedeslocamentos
superiores das cúspides ultrapassam, ou não, o
plano do anel valvar29-3o(Figura 6.2). Recomendavam,
por dois motivos: a) ausência de consenso na
então,ocortelongitudinalparaesternalcomoa
adoção de critérios para a realização do diagnóstico única incidência confiável para se estabelecer o
correto; b) desconhecimento de informações
diagnósticoecocardiográficodeprolapso.Defato,comrelativafreqüência,pequenosdeslocamentos
importantes sobre a anatomia da valva mitral.
o Ecocardiograma no Apoio à Decisão Clínica capítulo 6

Figu
6.1:
Esqu
do
aspe
trid
em
sel
de
mo
do
an
mN que seu maior diâmetro é o látero-medial
são mais atriais (cranial) enquanto
e que as extremidades
as extremidades
Cac<Í2062

anterior e posterior
lateral e medial são mais apicais.
do anel

Figur
6.2:
À
ecorte
apic
de
câm
sque
mos
varmo
certo
grau
de o
p
incide
no
sentid
látero
secc
as
abau
das
cúsp
no
exage
ou do
an
extr
ma
senm
os
N
co
api
Ép
n
atri
prola
AE
= À
d
áesqu
AD
= co
pa
ádire
trio
Ao
=
aVE
= of
n
ir
tri
ves
or
V=Pd
u
c
e
o
s
c
vede
ortogonal ao anterior, a incidência do feixe de ultra-som se faz no sentido ântero-posterior, seccionando as regiões mais altas
(craniais) do anel. Neste corte, qualquer abaulamento das cúspides que ultrapasse o plano do anel valvar deve ser considerado
capítulo 6 Prolapso da Valva Mitral

das cúspides da valva mitral detectados ao corte a correlação ecocardiográfica e a anatomia da valva
apical de 4 câmaras não se associavam a sintomas e mitral, demonstrando que o diagnóstico preciso
sinais da síndrome do prolapso e nem a alterações depende da utilização de múltiplas incidências eco-
detectáveis da geometria contrátil do ventrículo cardiográficas, já que, diferentes cortes, analisam
esquerdo que pudessem provocá-lo. Estava sendo diferentes regiões das cúspides valvares (Figura 6.3).

Háduascondiçõesnecessáriasparaqueodiagnós-
corretamenteapontada,portanto,umacausade
diagnósticos falsos positivos. Ocorria, entretanto, tico correto seja realizado na prática: primeiro, a
umaoutrasituaçãoqueseopunhaaalgumas
necessidadedehaverummétododiagnósticoque
conclusões desse trabalho. Não raro, pacientes visibilize simultaneamente as cúspides e o anel

valvar;emsegundolugar,aexistênciadeparâme-
comdiagnósticoclínicoindubitáveldesíndrome
do prolapso da valva mitral e portadores de altera- tros bem definidos de normalidade, ou seja, até

ções importantes da geometria contrátil do ventrí- quando o deslocamento posterior das cúspides
culo esquerdo não apresentavam o deslocamento pode ser considerado normal e a partir de quando
anormal das cúspides ao corte longitudinal para- devemos chamá-lo de anormal?

Aprimeiracondiçãoestásatisfeitapelaecocardio-grafia.Éunânimequeométodopermitevisibilizarasreferidasestruturas,simultaneamente.Nasegun-
esternal,masapenasaoscortesapicais.Porvezes,
somente ao então "desprestigiado" corte apical de
4 câmaras. Obviamente, havia algo mais a ser
considerado e o uso exclusivo do corte longitudinal da condição residem nossos problemas. Após mais

paraesternal induzia a resultados falsos negativos. de 35 anos da publicação dos primeiros artigos
sobre o tema, ainda não existe consenso quanto
Somenteem1991,estudodesenvolvidonaPUC-
CAMp31 trouxe esclarecimentos importantes sobre aos padrões de normalidade.
p~
boce
(sca
eo
plan
eco
A,
M
se
P
=
am
e
pno
",""

vam
difer
regi
da
valv
mit
exp
apde
corte
esausê
em pr
outr
ua em
de
re
Figura 6.3: Vista atrial da valva mitral mostrando

respectivamente. Esta figura nos faz entender que diversos


a correspondência

cortes
entre as cúspides e

ecocardiográficos obser-
~
oEno
Apoi
àD
Clín
coca
eci
cús
da
va
mim
ao
mo
M em
di
ao
áe a
cús
da
va
emm
qua
co
pre
deem
lon
sindi
ao
á
(m
o
de
da
te
d
m e
q
i
capítulo 6

cús
da
va
mem
di
á e
Tabela 6.2: Critérios para diagnóstico
Comointuitodeestabelecercritériosdiagnósticos,
à luz dos conhecimentos de literatura e da experi- ecocardiográfico de prolapso da valva mitral
ência acumulada, o Centro de Cardiologia Não 1. Deslocamento sistólico posterior, de toda ou de parte, da(s)

no
me
sen
elpe
m
oand
Invasiva-SPconstituiuumacomissãodeestudos
corte longitudinal paraesternal
para definir tais critérios.
2. Deslocamento mesotelessistólico acentuado da valva
Segundo conclusões dessa comissão apresentadas
emCongressodaSociedadedeCardiologiado
3. Deslocamento sistólico posterior, de toda ou de parte, da(s)
Estado de São Paulo32, o diagnóstico ecocardiográfi-
co de prolapso da valva mitral deve ser feito
quandodetectado,pelomenos,umdoscritérios
apresentados na Tabela 6.2. 4. Deslocamento sistólico posterior, de toda ou de parte, da(s)

ao corte longitudinal apical de quatro câmaras, desde que


Ocritérionúmeroum(Figura6.4)éaceitopela
grande maioria dos laboratórios de ecocardiografia a borda de coaptação das cúspides esteja também cEtxa:E
etemcomobaseotrabalhodecorrelação
plano anular
anatómica de levine et O/. 2930.
Ocritérionúmerodois(Figura6.5)foiumdos
Noquartocritério,oreconhecimentodabordadecoaptaçãocomoparâmetrodeposicionamento
primeiros a ser instituído e apresenta especificidade
das cúspides permite que se considere como
de100%,mascombaixasensibilidade.Apresençadedegeneraçãomixomatosa(critério
prolapso apenas grandes deslocamentos dos
número três) identifica a alteração anatomopa- folhetos. Dessa forma, busca-se diminuir a influência
tológica mais característica do prolapso primário, da anatomia do anel mitral no referido corte,
minimizando a possibilidade de resultados falsos
sendoreconhecidacomrelativafacilidadeao
ecocardiograma (Figura 6.6). positivos (Figura 6.7).

de
amba
as
cúsp
da
valv
mitr
(set
par
oido
átr
es
nt
(A
=
ao Figura 6.4: Corte longitudinal paraesternal demonstrando deslocamento sistólico posterior
VE=ventrículoesquerdoVD=ventrículodireito.
capítulo 6 Prolapso da Valva Mitral

Figu
6.5:
Traç
em
mod
Mdace
de
em
p mesotelessistólico das cúspides da valva mitral (setas).

das
cúsp
da
valv
mitr
AE
=
áesq
VE
=
vtri
es
Figura
V
=
e 6.6: Espessamento por degeneração mixomatosa e deslocamento sistólico posterior
ventrículodireito;AD=atriodireito.
.

o Ecocardiograma no Apoio à Decisão Clínica capítulo6

Figu
6.7:
Cort
apic
de
em4
c
dem
de
âm
po
direç
ao
átrio
esqu
(AE
ultr
o
p
an
AD
=
á
me
Te
O si
di
la
V
=
rect
ed
da cúspide

ventrículo
anterior

direito;VE
da valva mitral (PVM).A borda de coaptação

= ventrículo esquerdo.

Avaliação
das cúspides

da Gravidade,
está deslocada

Prognóstico e Planeja-
oprolapsodavalvamitraltemcomoprincipais
mecanismos etiológicos: casos suspeitos de prolapso da valva mitral deve sempre
1. Degeneração mixomatosa do tecido fibroso da informar sobre:

valva mitral, levando ao alongamento das cor- a. a anatomia do aparelho valvar, relatando
anormalidades estruturais, principalmente sinais
doalhasecúspidesvalvares.Éaprincipalcausa
do prolapso idiopático e do encontrado na de degeneração do tipo mixomatosa;
síndrome de Marfan (Figura 6.8). b. se há, ou não, prolapso da valva mitral, espe-
2. Alteração estrutural, não mixomatosa, da valva cificando qual a cúspide (ou cúspides) que
mitral,comoocorre,porexemplo,nadoença
apresenta(m)aalteraçãodinâmica;
reumática, quando a reparação fibrótica pode c. a presença e intensidade de incompetência
induzir ao prolapso.
valvar.Omapeamentodefluxoemcoresauxilia,
3. Perda ou redução do suporte da cordoalha consideravelmente, a avaliação do grau de
tendínea causada por trauma, endocardite regurgitação e a existência de jatos regurgi-
infecciosa ou disfunção de músculo papilar tantes excêntricos, direcionados para as paredes
secundária à insuficiência coronariana (Figura laterais do átrio que, invariavelmente, indicam
6.9). comprometimento estrutural do aparelho valvar
4. Modificações da geometria ventricular por (Figura 6. 7 7);
alteração das condições de enchimento da d. o estado funcional do ventrículo esquerdo.
câmara,comoocorrenacomunicaçãointeratri-
Portanto,umrelatórioecocardiográficocompleto
ai e na insuficiência aórtica (Figura 6.10). deve conter os elementos fundamentais para

..
capítulo 6 Prolapso da Valva Mitral

Figu
AD
=6.8:
A:
ecoc
tran
valva
mitra
(VM
espe
com
aspem
cor
pa
de
vádirei
VE AE=
átrio
esqu
trio
PV=
pda
esqu
entr tra
deg
mi
B
va
=m
a
v
vro
de
vista ao corte apical de câmaras evidenciando prolapso de ambas as cúspides (setas).

Figu
da6.9:
Cort
apic
de
oidocâm
mo
valva
mixrup
de
mitra
com
dege co
em
po
Pod
ob
átrio
esqu
nter
(A
E)
dur apde
pr
da
as(se
= co
per
víst
es
~
o Ecocardiograma no Apoio à Decisão Clínica capítulo 6

Figu
6.1
O:
Cort
apic
de
câm
mo
esqu
Ao
=
aVD
= pro
petên
aórti
mod da
va
(det
em
de
9ami
se
AD
=
áa
i
cria
di
A
vdire n
ent
n
á
orta
VE
=
ven
esqtr
Figu
6.11
vInco
mitr
imp
ao
eco
mitra
VE
= em
po
esqu
= de
pr
vent
dir
AD
= da
vtr
ádi
en
....
capítulo 6 Prolapso da Valva Mitral

avaliação da gravidade e estabelecer o planeja- análise mais completa da valva mitral, proporcio-
mento terapêutico, fatores importantes na avali-

nandoumavisãoquasetridimensionaldessaestrutura,Noplanotransversoépossívelvisibilizar
açãoprognóstica.Aocorrênciadedegeneraçãomixomatosaemcriançaseaexistênciadecompli-cações,comorupturadecordastendíneaseendo-
sua cúspide anterior e a comissura póstero-medial

Os
trê
SCou
bocp
(Figura 6. 72); no longitudinal, as cúspides anterior e
cardite infecciosa, são elementos indicativos de pior

posterior,emváriosníveis.Asinformaçõesobtidas
prognóstico e exigem planejamento terapêutico por esses dois planos permitem comparar o
individualizado.

posicionamentodascúspidesemrelaçãoaoanel,definindocommelhoracuráciaapresençade
Ecocardiograma
no prolapso36.

diagn
de
PVM
34,3
No
enta
oE
bipl
TE
Prolapso da Valva Quando há suspeita de rupturas de cordoalha, o
o ecocardiograma transtorácico (ETT) no diagnós-

ETEémuitomaissensívelqueoETT,mostrandoacuráciade96%contra70%desteúltimo,como
tico de prolapso da valva mitral já tem seu valor
muito bemestabelecido33. Entretanto, a utilização relatam Sochowski et 01. 37.
deapenasumplanoecocardiográfico(apicalde4
câmaras) pode induzir a falsa aparência de desloca- da valva mitral (Figura 6. 73) podem ser identificados
mento posterior (em direção ao átrio esquerdo) de pela ~cocardiografia transesofágica. Entre 120 e 140°
suascúspides,mesmoemindivíduosnormais.
numcortetransesofágicobaixoencontramosaboceladuramédia;entreOe30°,aboceladura
Vários trabalhos confirmam o valor do ecocar-

anterior (ou ântero-Iateral); e, entre 60 e 90°, q


diogramatransesofágico(ETE)monoplanarno
boceladura posterior (ou póstero-medial) (Figuras
e, mais recentemente, o multiplanar permitem
6.74,6.75e6.76).Aimportânciadessavisibilização
prola
da
porç
dista
da
cús
ant
(se
AE
=áes
V=
vtre Figura 6.12: Corte

esquerdo.
transversal (zero grau) ao eco transesofágico evidenciando pequeno

.
o Ecocardiograma no Apoio à Decisão Clínica capítulo 6

cúsp
poste
3da
valv
mitr
EmEm
A
o
t
baixa
com
B,se
en
angu
de
numran
em
po
cerc
de
45°
Atr
da
corte
1,2
ecort
tran
. tr
rot
do
tra
o
atra
trans
mult
pod
obs
asfe
boc
ande
ul
co
coo
m
e1respe
ETE
=
e20°e
po
em
tran0
AB
Figura 6.13: Ilustração exemplificando as duas maneiras de visibilizar as boceladuras da

éd78%
eaede
reside

92%
38
spec
(Fig
6.1 no fato de que a cúspide posterior está,
Autilizaçãodaecocardiografiatransesofágicacomocomplementodatranstorácicanodiagnósti-codePVMpodeserdegrandevalianoesclare-
freqüentemente,envolvidaemcasosderupturade
cordoalha e, nessas situações, a correta identificação
da boceladura envolvida pode ser de grande cimento de detalhes anatômicos e funcionais da

valva mitral, fornecendo informações importantes,


utilidadenoplanejamentocirúrgico.Asensibilidade
do método no diagnóstico de ruptura de cordoalha principalmente naqueles pacientes com indicação
de correção cirúrgica.
e 6.18).
Aecocardiografiatransesofágicaintra-operatória
vem se tornando o principal instrumento no
Alémdisso,oETEpodeauxiliarnaquantificaçãoda
incompetência mitral, principalmente nos casos de controle da qualidade das plastias valvares
jatos excêntricos, múltiplos ou direcionados para cirúrgicas, hoje, tão bem indicadas na correção da
insuficiência mitral por degeneração mixomatosa e
regiõesnãovisibilizadasaoETT,comooapêndice
atrial (Figuras 6.19 e 6.20). prolapso da valva mitral.
capítulo 6 Prolapso da Valva Mitral

cúspi
poste
á(seta
=eap=
esque
AE vméd
esqu
Figura
da
cús
an
orç
AA
=
aatp
trio
esq
en
6.14: Corte transesofágico baixo a 115° mostrando a boceladura média da

rior
da
vcúsp
VD
= post
AE
=áentr
direiesq
Ao
=
atri
VE
=
ves
oe
Figura 6.15: Corte transesofágico transversal (0°) evidenciando prolapso da boceladura ante-
~
oEno
Apoi
àD
Clín
coca
eci capítulo 6

poste
da
cúsp
post
da
ovalv
pmit
semA
cAE
espes
poréan
ultra
dota
ane
val
= se
ús
ven
áes
lan
V
=tr
Figura 6.16: Corte transesofágico

lo esquerdo.
baixo a 72° mostrando evidente prolapso da boceladura

Figura 6.17: Corte transesofágico a 105° com ruptura de cordoalha da cúspide posterior, a
qual se mostra abaulada para o interior do átrio esquerdo (AE).
VE=ventrículoesquerdo.
capítulo 6 Prolapso da Valva Mitral

Figu
6.18
Valv
mitr
com
asp
cordo
eprojde
deg
parado
tip
mi
ob
oistá
do e
átri
esq
nte
(fl
va
A=
á
cortetransesofágicolongitudinala14°.Acúspideposteriorapresentarupturade
esquerdo;VE = ventrículo esquerdo.

Figu
6.19
Cort
tran
tran
quad
ao
ETT
AE
= a
6
(m
áesqca
da
Ao
= Fi
6-
°
em
p
atrio
VE
=
ves
or
V
=e de prolapso

ventrículo
da cúspide

direito.
posterior mostrando incompetência moderada não visibilizada ade-
o Ecocardiograma no Apoio à Decisão Clínica capítulo 6

impo
em
port
todade
apres
deprol
da
val
grau
mod
e
o
E
per
áacesqu
AE
= atria
esqu
= mi
Ao
ec
tra
incl
avides
ob
qu
o
mre
s
pr
T
AA
=
vtrio
esq aq
oa72.

at
en p
Wo
OC
Ki
M
C
JM
Te
V
ME
W
Ao
Figura 6.20: Corte a 86° ao eco transesofágico multiplanar mostrando refluxo

3.
Barlo
JB,
Poco
WA,
Marc
P.
The
sign
of
Iate
syst
vol
pro
in
30
pa
o
pst
J
A
Cr
7. Ferreira,ABH. Novo ~icionário da Língua Portuguesa. 2' ed. Rio de Janeiro:
Referências Bibliográficas
77.BryhnM,PerssonS.TheprevolenceofmitralvolveprolopseinheolthymenandwomeninSweden.ActoMedScand7884;215:757-60.
Nova Fronteira, 7986.
2.CutlerAG.Stedman~icionárioMédico.23°ed.RiodeJaneiro:Guanabara
Koogan, 7979.

volve
prolo
in
7769
youn
wom
N
E
JM
797
294
708ng
ed
Prevalenceofmitralvolveprolopseinnormalchildren.JAmCol/Cordial
7985;5: 7173-7.
murmurs.AmHeartJ7963;66:443-52.4.BarlowJB,BosmanCK.Aneurysmalprotrusionoftheposteriorleafletofthe
73.NishimuraRA,McGoonMO,SchubC,Mil/erFAJr,I/strupOM,TojikAJ.
Echocardiographicol/y documented mitral volve prolapse: long-term
fol/ow-up of237 potients.N EnglJ Med 7985;313: 7305-9.
mitral valve.Am HeartJ 7966; 71: 766-77.
74.OevereuxRB,HawkinsI,Kramer-FoxR,LutosEM,HommondIw,SpitzerMC
et ai. Complicotions of mitral volvo prolopse: disproporcionote occurence in
S.CríleyJM,LewísKB,HumphriesJO,RossRS.Prolapseofthemitralvolve:dínicalandcine-angiographicfindings.BrHeartJ7966;28:488-96.6.LevyO,SavageO.Prevalenceanddinicalfeaturesofmitralvolveprolapse.AmHeartJ7987;113:7287-90.7.MarkiewiczW,StonerJ,LondonE,HuntAS,PoppRL.Mitralvolveprolapsein
men and olderpatients.AmJ med 7986;81: 757-8.
75OurenOR,BeckerAE,OunningAJ.Long-termfol/ow-upofidiopothicmitral
7988;11:42-7.

one hundred presumably healthy young females. Circulation 7976; 53: 76 Wilken OEL,Hickey AJ. Lifetime risk for potients with mitral volve prolopse of
464-73.
developing severe volve regurgitation requiring surgery. Circulotion 7988;
78: 10-4.
8.PrococciPM,SavranSV,SchreiterSL,BrysonAL.Prevalenceofdinicalmitral
77.MorksAR,ChoongCY,SonfilippoAJ,FerréM,WeymonAE.Identificotionof
high-risk ond low-risk subgroups of potients with mitral volve prolopse.
9.SovogeDO,GorrisonRJ,OevereuxRB,Costel/iWp,AndersonSJ,LevyOetai.
NEnglJMed7989;320:1037-6.78.FreedLA,LevyO,LevineRA,LarsonMG,EvonsJC,Ful/erOLet01.Prevolenceonddinicaloutcomeofmitralvolveprolapse.NEnglJMed7999;341:7-7.79.BarlowJB,PocockWA.Billowing,floppy,prolopsedorfloilmitralvolves?AmJCardiol7985;55:507-2.
Mitral volve prolopse in the general populotion. 1.Epidemiologic feotures:
theFraminghomStudy.AmHeortJ 7983; 106:577-6.
7O.SÇ/vogeDO,OevereuxRB,GarrisonRJ,CastelliWp,AndersonSJ,LevyOet01.
Mitral volve prolapse in the general populotion. 2. Oinical feotures: the
Framingham Study.Am HeartJ 7983; 106:577-87.
20.
Fran
HH.
Uma
da
WG,
(eds
The
23.
Ham
T,
Kosh
Y, 30
inter
sín
21.
Rutle
DL.
Nonr
Miss
T,
Isak
K,
Gej
F.
24.
Cord
TA,
Ross
EG,
Grin
M,
Gen
V,
Ber
MALe
RA
Mi
RA
Ha
E,
31
Auste
Prac
of vo
pr
an
Cu
HJ
Si
card
Bosum
es
andi
ins
fro
mitra
regu
In:
Johth
e
SA
Fe
M
A
v
Littl
Bro
198
32
Or
JO
Pr
da
vo
m
I
co
Mitr
volv
pro
and
Ha
Ch
JC
34
Ze
G,
Er
Bel
G
e S
F
R,
Kr
ai.G
M
tim
o
m
d
u
(e
B
H
U
S
Dn
d
J
e
t
C
o
e
M
H
capítulo 6

o
à
n
ac
t
C
o
e
d
5
i
e
M
Prolapso da Valva Mitral

25. 35
Barlo
Bosm
CK,
Poco
WA,
Mar
P. Er
R,
Mo
S,
R
Late
sys
mu
andS W N
e
a
do prolapso da volva mitral.
Arq BrasCardiol2000; 74:453-5.
1994; 24: 3.

26. 36
Wilde
AA,
Düre
DR,
Hau
RN,
de
Bak
JM,
BakZa
J,
PF,
Bec
AE
etEr
R,
M
ai.T
AF
MJ
U o
t
502-16. segundo cinco diferentes planos ecocardiográficos. Arq Bras Cardiol1991;
57: 13.

27.
Chen
TO.
QT 37
dispe
in So
RA
mitra
volv
prolCh
KL
As
K
BP
C a
22.YangS,TsaiTH,HouZY,ChenCY,SimCB.Theeffectofpanicattackonmitral
volve prolapse. Acta Psychiatr Scand 1997; 96: 408-11.

28.
Silva
CES
Ortiz
JO.
Crité
ecoc
par
o
dde
prola
da
volva
Rev
Soc
Cor
Esta
de
São
Pauia
199
7:
CL,

Kr
C
D S
RN
M
autonomic function in panic disorder. Acta Psychiatr Scand 1998; 97: 33. Dil/on

139-43. patients with prolapsed mitral volve. Circulation 1971;43:503-7.

29.
Levin
RA,
Triul
MO,
Harr
P,
Wey
AE.
The
rela
of
mit
pa
wi
fla
m
vle
incJo
A
S
Prolapso volver mitral e transtorno do pânico. Arq Bras Cardiol1991; Meyer J. Transesophageal two-dimensional echocardiography in young
56: 139-42. patients with cerebral ischemic events. Stroke 1988; 19: 345-8.

non-ejection ("mid-Iate") systolic diás: an analysis of 90 patients. Br Heart J Diagnostic value of the transesophageal Doppler echocardiography. Herz
1968;30:203-18. 1987; 12: 177-86.

Mitral volveprolapse and ventricular arrhythmias: observations in a patient esophageal echocardiography for diagnosis of mitral volve prolapse.Am J
with a 20-year history.J CardiovascEletrophysiol1997; 8: 307-16. CardioI1992;69:419-22.

J Cardiol1998; 64: 219.


transesophageal versus transthoracic echocardiography for the detection
of mitral volve prolapse with ruptured chordae tendineal (flail mitralleaflet).
AmJCardioI1991;67: 1251-5.
569-77.

38. Greval KS, Malkowski MJ,


transesophageal echocardiographic identification of the involved scal/op in
annular shape to the diagnosis of mitral volve prolapse. Circulation 1987;
75: 756-67. Echocardiogr 1998; 11: 966-71.

Você também pode gostar